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segunda-feira, março 18, 2013

o caso sério do português que brincou aos terroristas...

Carlos Balsas resolveu gozar o prato com a paranóia securitária que se espalhou pelos Estados Unidos a pretexto do 11 de Setembro. O professor português de 41 anos, que se formou e vive nos EUA há sete anos, foi detido após ter brincado com o segurança de um monumento de Filadélfia dizendo que levava explosivos. Nada tinha na mochila, mas continua preso por ameaça de terrorismo e por se recusar a pagar uma fiança de 250 mil dólares. Ao que parece vai ser julgado e pode ser condenado pela justiça dos verdadeiros terroristas. O português, agora famoso e notícia de capa de jornal, talvez deste modo aprenda que vive numa sociedade de anormais 
Humor com Humor se paga

Patrocinada pela embaixada dos EUA em Portugal a revista Global Traveler publicou em Janeiro uma reportagem sobre Lisboa, aliciando turistas oriundos da neoconlândia norte-americana a visitar a nossa cidade. O interesse mereceu-me então um comentário: "tomem cuidado!... infelizmente o país está repleto de terroristas da al-Qaeda... fomos invadidos por eles no século VII, estiveram cá 8 séculos e ainda não recuperámos completamente desse desastre económico; a população ainda trabalha com alcatruzes, ditonga o prefixo "al" por tudo e por nada, esmaga uvas com os pés, compra casas com dinheiro a juros em aljamas de luxo e outras barbaridades. Espero bem que o signori Panetta tenha tratado desta importante questão civilizacional dos perigos de ofensas orais com o nosso ministro da guerra" - assim como espero que pelo nosso atrevimento histórico V. senhoria o sr. embaixador dos EUA em Lisboa não me tenha colocado o telhado sob a mira de algum drone enviado pela vossa excelentíssima democracia...
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domingo, março 17, 2013

Joana Miranda

"Após estes 40 anos de contínua degradação e de sucessivos sequestros, os cidadãos que vivem e trabalham em Lisboa estão hoje confrontados com o seguinte desafio: ou escolhem a politica que tem vindo a ser aplicada até aqui, de completa submissão aos diferentes governos, de expropriação do espaço público aos cidadãos e de entrega deste espaço ao automóvel e aos patos bravos da construção civil, e então Lisboa será, em definitivo, uma cidade condenada a desaparecer. Ou escolhem a via da defesa da autonomia municipal que exija ao Poder Central os meios financeiros indispensáveis e a alteração dos quadros legislativos que se impõem e que permitam fazer de Lisboa uma cidade repleta de vida, de actividade económica, de pessoas, de cultura e onde o cidadão tenha efectiva qualidade de vida"

Por mim, aqui me apresento, com energia e com convicção, para resgatar uma Capital que está sequestrada por interesses anti-populares e para mostrar como queremos e podemos fazer que esta situação seja alterada

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sábado, março 16, 2013

apresentação da candidatura de Joana Miranda à eleição para a Câmara Municipal de Lisboa

Joana Miranda, 27 anos, advogada, é a candidata do PCTP/MRPP à eleição para o governo da cidade de Lisboa. Trata-se de uma candidatura com um programa de soluções jovens para uma câmara há muito sequestrada por velhos interesses.

Lisboa tem perdido 10 mil habitantes por ano, gente cada vez mais condenada a viver precariamente em subúrbios, vitima do sonho americano de casa e carro próprios, em detrimento de transportes públicos eficazes e da ausência de um plano habitacional a custos socialmente sustentáveis. Enquanto isso a cidade apodrece com o património, os bairros populares e o parque habitacional desabitados e em ruínas. Cada vez mais sequestrada pelos interesses de gente rica que exige prioridade para o automóvel a maioria dos quais são especuladores imobiliários estrangeiros assessorados pelo tradicional nacional-pato-bravismo, a Cidade, sob o imóvel servilismo de António Costa e a nova Lei dos Despejos vêm brindar novos terrenos para que a venda a retalho aos interesses alheios à população possa florescer.

Lisboa não pode nem dever ser apenas uma cidade de serviços. Para sustentar a burocracia Lisboa tem hoje 3 vezes mais funcionários que tinha em 1974, dos quais um número exagerado de advogados: 250! para sustentar esta máquina de consumo diabólico, conluiada com o governo, a Policia Municipal recorre a coimas e à caça à multa através de serviços externos de empresas semi-privadas como a Emel, a qual deve ser extinta. O Plano Director Municipal criado por Sampaio que possibilitou a liquidação das manufacturas e pequenas indústrias deve ser revisto, providenciando o regresso destas actividades produtivas à vida da cidade. Sem a classe operária no seu seio, faltará a Lisboa a mola necessária para a percussão do desenvolvimento de uma grande capital europeia


A primeira questão que se põe a esta candidatura é que, sendo este programa agora apresentado inquestionavelmente de Esquerda, porque é que o actual presidente António Costa ao propôr uma falsa e maquiavélica «união das esquerdas para derrotar a direita» convidou o Partido dito Comunista (PCP) e o Bloco dito de Esquerda (BE), deixando de fora a candidatura do  PCTP/ MRPP? a resposta é óbvia - Costa, ou qualquer outro "socialista" com funções executivas, há muito que não sabem o que é ser de esquerda nem de direita - tudo se funde numa mescla aglutinante no famigerado Bloco Central que por décadas tem exercido o Poder.
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sexta-feira, março 15, 2013

assacar por mais um ano uma Divida ao Povo que não a contraiu, é uma Cachorrice!

Passe a complexidade que os vigaristas com assento com à sombra do Estado querem fazer passar, a Crise do capitalismo é relativamente simples de explicar: quando os decisores usam o sistema monetário para emitir dinheiro que não corresponde a Valor como Trabalho acumulado (e fazem-no há mais de 30 anos, em beneficio de uma infima classe possidente), fugindo para a frente resolvem um problema a curto prazo: o da queda tendencial da taxa de Lucro. Porém a médio e longo prazo o capital emitido que não tem suporte material só tem necessariamente um caminho: o da sua destruição, reeestruturando novamente a economia depois de destruida a partir de niveis muito baixos e mais próximos da realidade material. Neste processo de falência derretem-se milhões em vidas precárias e dinheiro que afinal não havia. É neste fundo que o Portugal dos cavacos e gaspares está quase a bater (embora não esteja apurado ainda quanto nem quando em termos de valores tóxicos disseminados pela economia). Mas quando os responsáveis e respectivos cúmplices nos Media nos mentem dizendo que não há alternativa, do ponto de vista politico dos trabalhadores há outro caminho: a recusa em pagar uma dívida privada transferida ilicitamente para dívida pública, a qual deve ser paga por quem a contraiu - decisores politicos que são conhecidos, banqueiros e empresários - cujos bens devem ser de imediato arrestados - e se esses bens mal adquiridos tiverem entretanto sido delapidados, que os responsáveis paguem por penhoras ou respondam por burlas agravadas à sociedade perante a Justiça. Eis o que diria firmemente no Parlamento burguês um deputado comunista do MRPP, na mesma linha da deputada Teresa Jordá i Roura da Catalunya (ERC), quando invoca a necessidade imediata da suspensão do pagamento da Dívida e respectivos Juros usurários, apelando a uma urgente Auditoria da Dívida Pública:

"Las deudas de los que conservan cuentas en Suiza las debería pagar quien las haya contraído."

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quinta-feira, março 14, 2013

olá! o meu nome agora é Francisco

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Habemus papa

 breaking news


e para surpresa geral dos milhões de seres humanos que passam passam fome neste miserável planeta, perto do hora do jantar, chegou a boa nova vinda da faustosa e luxuriosamente riqueza da Cúria romana: temos papa! 

“…não haverá cadeia de ódio mais inteligente que a do ódio ao luxo. Essa cadeia implica a cadeia de ódio às artes. Independente das pessoas fora da representação e cerimónias da Igreja, o luxo é errado. Um simples padre opulento é um contra-senso” (Victor Hugo, in “Os Miseráveis")

Como é que se evita que a papa seja "papabile" apenas por uma infima minoria é algo que não vem por agora ao caso. Nem o nome escolhido de Francisco reflecte a capacidade do outro, o de Assis, de domesticar os Lobos (como na fábula de Gubbio) e praticar o bem em prol dos pobres dissidentes "capuchinhos vermelhos". Ora o Lobo de hoje é o Banqueiro...

Para perceber a capacidade deste Francisco para "ajudar os pobres", nos obscuros tempos de degradação que temos pela frente, bastam três sinais:

1. é mais um prelado anti-comunista - enquanto bispo argentino, é um feroz opositor do regime de Cristina Kirchner, como se a presidente argentina fosse alguma coisa de especial em termos de emancipação social - apenas não papa golpes do FMI - 2. Viveu e conviveu com as ditaduras fascistas que oprimiram a América Latina durante décadas, foi citado como sendo conivente no desaparecimento de dois sacerdotes, deu a engolir a "santa bolachinha em forma de hóstia" a Jorge Videla hoje condenado por crimes contra a Humanidade, apesar de saber dos raptos de crianças pela ditadura, tudo sob completo silêncio de Jorge Mario Bergogli... 3. É um Jesuita, cujo lema tristemente célebre é "obedecer quem nem um cadáver ao seu superior", o que no caso, considerado o estado-de-arte das finanças do Vaticano, deverá ser o director do Banco Central Europeu Mario Draghi, outro Jesuita...

São Francisco e o Lobo de Gubbio - dá cá a patinha meu irmão...
a ver se eu te mordo
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quarta-feira, março 13, 2013

O mal estar nas Forças Armadas radica na mesma escolha que causa o mal estar na Sociedade (II)

Cerca de 300 altas patentes das Forças Armadas reuniram-se recentemente em dois jantares para contestar os cortes determinados pelo Ministério de 218 milhões de euros e abater 8000 efectivos – que sortudos são os militares! quando este governo pretende cortar 4 mil milhões na coesão da sociedade civil e se perdem 535 empregos por dia no sector privado, situação que já se mantém desde 2008. Mas para quem tem emprego fixo à sombra deste modelo de Estado, a alta preocupação das Altas Patentes não é bem essa, mas sim de como “a descaracterização da condição da condição militar torna a instituição incapaz de acudir à defesa do país” – mentira! como parte da NATO em caso de ataque a um país-membro as forças conjuntas da organização intervêm militarmente para assegurar o estatuto vigente do Estado.

Compreensivelmente, as aflições nas FA variam consoante as classes sociais de cada posto: a associação de Praças estão “solidárias com os anseios de uma vida melhor para o povo”, os sargentos não operacionais na sua modesta condição obsoleta pensam ainda ser filhos do povo e “juram nunca servir de instrumento de repressão sobre os seus concidadãos”, finalmente, os Oficiais “pretendem questionar o rumo do país de que fazem parte”. Subam a fasquia e perguntem ao ministro Aguiar-Branco, que diz ter peso reduzido nas decisões, limitando-se a cumprir directivas (como é bom de se subentender) quais são as tarefas a executar fielmente que lhe são transmitidas na sua qualidade de Bilderberg`er.

O General Garcia Leandro diz que “estamos à beira do abismo”: os cortes sem planeamento, a situação incontrolável, a confiança no actual titular da Defesa “está irremediavelmente ferida!”. O General Melo Gomes afirma que com o congelamento das carreiras, não há a devida ponderação”, isto é, o colecionismo de medalhas pode sofrer penalizações. E “se agora falta o combustível, há desinvestimento em infra-estruturas, degradação de salários e perda de regalias na saúde militar”, os Generais em geral avisam que “este é um castelo de cartas ao qual basta tirar mais uma para tudo desabar” – eis aqui portanto a ameaça velada do golpe militar palaciano de extrema-direita, que é apenas o que falta a Cavaco Silva para lhe preencher o ego enquanto comandante supremo do Estado Maior das Forças Armadas. E dizem todos em coro “ser preciso manter a serenidade, a coesão e a disciplina” pense cada classe por si para que é que estas merdas servem.

Servem para o General Luis Araújo, na visita à missão no Líbano (foto acima à direita), afirmar a sua concordância na “compra de menos meios, mas ter mais capacidade de intervenção”, senão, no caso da União Europeia, da NATO, da ONU ou da CPLP, Portugal não receberá fundos de coesão, nem terá voz activa, senão houver participação nas missões internacionais” – este é o negócio, que responde cabalmente à pergunta: “onde é que está o inimigo para tanto general junto, desfardado e sem insígnias? – este é o mesmo negócio que abateu o antigo ministro Amaro da Costa em Camarate, vítima de um velho saco azul criado pelo Salazarismo para os Militares à margem da contabilidade pública.
(continua)
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segunda-feira, março 11, 2013

óh valha-me deus...

José Cordeiro tirou o curso de bispo, concorreu a um lugar numa empresa multinacional de grande sucesso que vende mentiras, ilusões e imposturas. Está na moda! O segredo do negócio é que estes produtos etéreos e prestação de serviços são praticamente gratuitos, muito por conluio do Estado que fecha os olhos ao não pagamento de impostos por parte da organização, antes pelo contrário desembolsando milhões em quantias não determinadas, alegadamente de ajuda a Deus. Admitido em Roma o nosso José Cordeiro, agora endeusado com o pomposo titulo de Don, foi colocado na diocese de Bragança onde rapidamente subiu na vida. E para demonstrar à sociedade um qualquer sinal de iluminação na terra, resolveu comprar um carrito e logo de luxo, cedendo à tentação devida ao cargo por uma vida austera e temente retiro das coisas mundanas. Deus é que estava à coca e a punição desencadeiou-se quem nem um relâmpago: o bispo meteu a primeira, prego ao fundo, o nosso Volkswagen Passat azulão celeste deu um pulo para trás e caiu em cima da parca propriedade de mais um contribuinte...

clique no recorte para ampliar (DN) 
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domingo, março 10, 2013

o doce colorido dos papagaios de esquerda

O grande assunto que ajuda a preencher espaços nos Media é a saída de um obscuro comentador do Bloco de Esquerda. Francisco Louçã repôs as coisas no seu lugar: "foi um bom assessor". É pena, mas comparar um homem com o curriculo e obra académica de Louçã com um fala-barato que nem tem sequer qualquer licenciatura, pode ser divertido, porém não contém nenhuma utilidade; excepto o da Direita exultar com o episódio

Ainda sobre a manifestação do 2 de Março, as gentes próximas do Bloco dito de Esquerda produziram um video onde se afirma que o evento "é património dos seus organizadores e de todos os que nela participaram (...) sendo "as opiniões expressas da responsabilidade apenas de quem o fez" - e de seguida aconselham-se algumas leituras plurais para refletir sobre a situação actual (ver lista abaixo). O que é certo é que nenhum desses autores defende uma economia centralizada e planificada, como o marxismo sempre advogou. Sendo que um deles (Ulrich Beck) foi um dos ideológos da 3ª Via "socialista" de Tony Blair e os restantes todos personalidades da recauchutagem do capitalismo pela aplicação de um imperialismo cada vez mais agressivo (1). Em termos de omissão o Partido dito socialista do deputado da peste grisalha de Mário Soares não produziria melhor. Aos invés, os comunistas demarcam-se radicalmente deste folclore, nomeadamente quando se questionam sobre a actualidade leninista de "O que fazer?: A situação actual e as nossas tarefas"

num dos slogans que se reteve, uma jovem dizia: "o meu comité central é pensar pela minha cabeça". Não vai longe, quem pensa defender a Sociedade aplicando a cada um dos individuos por si a receita filosófica do inimigo... Compreende-se a ineficácia do protesto pela reacção do Poder, que ao evento disse... nada 



Ulrich Beck, A Europa Alemã. De Maquiavel a "Merkievel": Estratégias de Poder na Crise do Euro (2012)
Paul Krugman, Acabem com esta Crise Já! (2012)
Robert Shapiro, O Futuro, uma Visão Global do Amanhã (2008)
David Graeber, "Debt: the first 5,000 years" (2011) [Traduzido para espanhol com o titulo: "En Deuda - una historia alternativa de la economía"]
Maurizio Lazzarato, "La fabrique de l'homme endetté. Essai sur la condition néolibérale" (2011)
Joseph Stiglitz, The Price of Inequality: How Today's Divided Society Endangers Our Future (2012) [Traduzido para espanhol com o titulo: "El Precio de la Desigualdad"]

Os Marginais daquele Sábado 

(1) o tom geral da contestação parece ser o de que, com os sucessivos cortes cegos determinados e publicados pelos governos sob o regime de Cavaco Silva, não há dinheiro para continuar a consumir como habitualmente. Ao invés, ninguém parece estar preocupado com um programa patriótico de produção nacional que substitua os produtos importados - paradigma que tem provocado um desiquilibrio insustentável e é a base para o parasitismo nas trocas comerciais, as quais, remunerando à tripa forra o Capital, acrescentam Valor (ficticio) sem que este seja assente no Trabalho
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sábado, março 09, 2013

O mal estar nas Forças Armadas radica na mesma escolha que causou o mal estar na Sociedade.

Na década iniciada em 1970 o país estava à beira da bancarrota, por via da insusten- tabilidade financeira provocada pela guerra colonial. Salazar e Caetano fizeram o que podiam para contrariar a questão: utilizando material de guerra distribuído a Portugal no âmbito da integração na NATO. Porém, esta época de extremo sacrifício de bens e vidas para o povo, para os quadros regulares das forças armadas foi uma época de ouro. Num país maioritariamente de população rural onde grassava a fome, qualquer oficial ou sargento no final de 2 ou 3 comissões de serviço no “ultramar” regressava com umas boas dezenas ou centenas de milhares de escudos para serem empregues na vivenda da praxe. Alguns sectores da economia prosperaram com as encomendas fornecidas para a guerra. Até que por via da concorrência de oficiais e quadros milicianos (graduados em postos de chefia em igualdade com os do quadro permanente) a teta ameaçava secar…

Com o boicote árabe aos paises Ocidentais comprometidos com o apoio a Israel, e a subsequente crise petrolífera, a situação internacional agravou-se – no Pentágono, alma-mater da Nato, não havia dinheiro para sustentar as intervenções militares imperialistas no Sueste asiático. Na sociedade civil principal fornecedora de carne para canhão assente no recrutamento obrigatório, a contestação popular sofria uma escalada similar à da guerra: enquanto quando se ouvia Nixon na rádio se desligava o botão, milhões enchiam as ruas e praças em protestos contínuos. O movimento reivindicativo pela Paz obrigou a substituir o recrutamento compulsivo de civis pela contratação de profissionalizada de voluntários para as forças armadas. Onde se iria buscar dinheiro para pagar a mercenarização do sistema? Fácil, não há dinheiro, faz-se! Em 1971 Nixon deixou por decisão unilateral de medir internacionalmente os dólares em ouro e começou a desvalorizar as despesas “pagando-as” com papel impresso. E que fazer relativamente à contestação popular, reivindicações salariais, lutas operárias? fácil – deslocaliza-se a produção para lugares longínquos onde os custos de mão de obra são quase insignificantes, ganham-se biliões sobre biliões, vemo-nos livres de sarilhos em casa pelo desarmar da classe operária. O motor do capitalismo, numa inversão radical da criação de valor deixa de ser a produção, para passar a ser uma espécie de anti-valor pelo consumo das massas indiferenciadas.

Nessa época, em Portugal o 25 de Abril acontece a contra corrente. País fortemente atrasado, carente da modernização do capitalismo para se poder integrar na nova divisão internacional de trabalho, com os Estados Unidos de olhos e dentes postos na exploração dos territórios de língua portuguesa “independentes”, as ajudas no sentido de integrar o país no sistema neoliberal em ascenção (no Consenso de Washington) não se fizeram esperar. No dia seguinte ao golpe, os ingénuos capitães, uns sim outros nem tanto, quase todos à margem de membros do exército de filhos do Povo, cumpriam a sua obrigação hierárquica – foram falar com dois Generais. Foi o principio do fim… Se antes no fascismo, havia quem fizesse carreira dissidindo do regime, ao contrário, quase 40 anos depois, no actual paradigma não há quem cumpra uma carreira e chegue a General sem demonstrar cabalmente que é ideologicamente de extrema-direita.

E são muitos. A seguir analisar-se-á o que contestam e porque é que estas vetustas personagens se podem transformar no orgulho do Cavaco Silva
recorte do jornal Publico em 2006

há coisas que fizemos melhor 
e algumas que são destruídas pela ganância 
e por politicas erradas, mentirosas 
Agora vivemos na sequência 
de decisões que não compartilhámos 
e somos apenas sobreviventes 
 de um vasto tufão de poder  
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sexta-feira, março 08, 2013

a Mulher num mundo de homens


é um objecto instrumentalizado de prazer capitalista? uma vedeta de desfile de carnaval? a Mãe? a Trabalhadora? a nossa metade do céu que se emancipa de escrava para soldado eficiente da luta de classes? ou, é uma Costela de Adão como diz a biblia?

quinta-feira, março 07, 2013

A situação actual e as nossas tarefas

"A base social do fascismo é a pequena-burguesia, as camadas médias, enquanto a do comunismo é a classe operária. Está na natureza da pequena-burguesia oscilar entre os pólos do capitalismo e do proletariado. O fascismo é o movimento da pequena-burguesia voltado para o grande capital, que utiliza esse movimento para as suas finalidades contra as da classe operária. E por isso a pequena-burguesia é fatalmente enganada. Pois, a ditadura apoiada nos pequeno-burgueses não é a ditadura da pequena-burguesia. Ela é a ditadura do grande capital..."  
(in "O Fascismo, A Pequena Burguesia e a Classe Operária", August Thalheimer, Julho de 1923)

(do Luta Popular): "Se as grandes manifestações de 2 de Março passado demonstraram cabalmente que existem na sociedade forças mais do que suficientes para derrubar o governo de traição nacional PSD/CDS,
nelas ficaram patentes também as insuficiências políticas, organizativas, programáticas e ideológicas que é preciso superar para impor aquele objectivo e construir uma alternativa a um tal governo. O derrube do governo Coelho/Portas está hoje claramente na ordem do dia. Mas é preciso combater firmemente quaisquer ilusões de que o governo se demitirá ou será demitido pelo presidente da República, bastando para tal manifestar descontentamento nas ruas. O governo actual é um instrumento directo de potências e interesses imperialistas e tem uma máquina de propaganda e de repressão que exige, da parte dos operários e das massas trabalhadoras, uma férrea organização de combate para a derrubar e vencer.

Por importante que esta seja, o que verdadeiramente aterroriza as classes dominantes não é a revolta das chamadas classes médias, mas é sim a força e a determinação dos operários e trabalhadores que, nas fábricas e empresas, deram já provas de que, se dotados de uma direcção firme e clarividente, derrubarão todos os obstáculos e inimigos. O movimento grevista e sobretudo a greve geral nacional que paralise o país pelo tempo que for necessário, é o principal meio para romper a resistência do inimigo e mobilizar as forças necessárias para construir uma alternativa. Uma nova greve geral, talvez com uma duração superior às anteriores e apontando claramente o objectivo do derrube do governo, deve ser urgentemente convocada pelas organizações de trabalhadores. A ocupação permanente e massiva dos locais de trabalho, a imposição da vontade da maioria contra quaisquer tentativas de furar a greve, a resistência firme a quaisquer intentos repressivos das forças policiais e o debate e aprovação de moções e propostas pelos trabalhadores em luta, são os meios indispensáveis para garantir o êxito da greve geral e dos seus objectivos".

orgãos de desinformação: um inimigo a abater
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quarta-feira, março 06, 2013

a Venezuela de Chávez é uma grande derrota para o Imperialismo Yankee


Ele levantou-se contra o Imperialismo e lutou para mudar a situação do seu povo, arrastando com isso todos os povos da América Latina. Inclusivé ajudou os pobres dos Estados Unidos concedendo-lhes combustíveis e petróleo barato para usar no aquecimento das casas no Inverno. Fazendo de Chávez uma Lenda, com um programa revolucionário e uma coligação de forças revolucionárias, o Povo da Venezuela triunfará!
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terça-feira, março 05, 2013

Hugo Rafael Chávez Frías 1954-2013

Presidente da Venezuela nos últimos 14 anos, líder do "Partido Socialista Unificado" e da Revolução Bolivariana, Chávez advogou uma ideologia sui-generis, promovendo o que denominou de "socialismo do século XXI", um slogan inventado pelo sociólogo alemão Heinz Dieterich em 1996 que foi assessor do governo de Hugo Chávez até 2007.
Numa entrevista ao diário chileno "La Tercera", publicada em 31 de Dezembro passado, Dieterich afirma que “tudo indica que o cancro de que sofre o presidente é um "rabdomiosarcoma de disseminação rápida” (...) pelo que “as probabilidades de que Chávez sobreviva a médio prazo são escassas, sendo quase impossivel que (Chávez) volte a exercer o cargo de presidente"













O vice-presidente Nicolás Maduro ao anunciar a morte iniciou nesse preciso momento a sua campanha eleitoral denunciando uma velha suspeita da doença ter sido inoculada: “o cancro do presidente foi obra dos inimigos da Pátria e da Revolução” adiantando que será criada uma comissão científica para tirar o caso a limpo. Não é a primeira vez que as autoridades venezuelanas avançam esta tese conspirativa. Em 2011, o próprio Hugo Chávez tinha lançado suspeitas sobre os problemas cancerigenos que atingiram vários líderes sul-americanos de esquerda num curto  período de tempo, nomeadamente Fernando Lugo (do Paraguai), Nestor Kirchner (Argentina), Lula da Silva e Dilma Roussef (Brasil) e ele próprio, Hugo Chávez. Na altura o presidente da Venezuela disse que não estava a acusar ninguém mas considerou muito provável que uma técnica para induzir artificialmente o cancro tenha sido desenvolvida nos EUA nos últimos 50 anos.

Para enfatizar a vertente anti-imperialista do governo bolivariano a Venezuela de Nicolás Maduro expulsou imediatamente o segundo adido militar da embaixada dos EUA (1) acusado de estar envolvido numa tentativa de destabilização das Forças Armadas. O ministro da Defesa, Diego Molero Bellavia, declarou total apoio ao governo: “As Forças Armadas Bolivarianas garantirão o cumprimento da Constituição (...) estão com o Povo, isto é, com o seu coração? Todos nós temos o dever de fazer cumprir esta missão. Aconteça o que acontecer, seguiremos tendo Pátria” - a Revolução é que não está garantida, principalmente quando se insiste num regime que mantêm partidos contra-revolucionários com possibilidades de chegar ao Poder e destruir o pouco que foi construido em mais de uma década.

Maduro encerrou o comunicado de hoje com uma canção do cantautor venezuelano Alí Primera que diz “os que morrem pela vida não podem chamar-se mortos. A partir deste momento é proibido chorar. Levantemo-nos!"



(1) ex-presidente Jimmy Carter: "Não temos dúvidas do compromisso de Chávez em melhorar as condições de vida de milhões de pessoas"
(2) Entrevista em 2009 
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segunda-feira, março 04, 2013

e tu Passos Coelho? não andas a aldrabar nada?

"Alguém de nós sabe de sanções aplicadas contra aqueles que no Fundo Monetário Internacional se têm enriquecido a si próprios enquanto tratam de fazer explodir o mundo?"

Cristina Fernandez de Kirchner, numa mensagem curta mas bombástica no "twitter", depois do FMI censurar a presidente da Argentina por o seu governo ter publicado estatisticas com dados económicos que afirmam ter sido falsificados. 

Dados estatisticos verdadeiros serão, segundo o FMI, aqueles que sustentam que os governantes de Portugal acusem os serviços sociais do Estado que os contribuintes já pagaram em tempo, de causarem prejuizo, enquanto 70% das "despesas públicas"  cobradas em impostos são subrepticiamente desviadas para pagar dívidas e juros usurários aos especuladores que têm como meio de defender os seus interesses o próprio FMI...
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domingo, março 03, 2013

um dia depois, a tradicional Mixórdia de Informação

Um espectro ameaça a Europa: o fantasma do absentismo aos partidos únicos de governo escolhidos por 3% de votos da população. Todas as potências sociais retrógadas do velho Ocidente se agruparam numa Santa Aliança para dar caça a este fantasma: o directório da União Europeia, o Imperador do Pentágono norte-americano, o Papa em renovação, os radicais de extrema-direita e as policias repressivas de todos os matizes. Qual a oposição que não foi acusada de comunista pelos adversários no poder?  centena e meia de anos depois, no final desta actualização do Manifesto, se não havia tal oposição, passa a haver: a revolução sem lideres nem programa politico, seja lá o que vier a ser (ou a não ser) porque as classes sociais antagónicas, a divisão internacional do trabalho e a organização das estruturas do Estado repressivo de uma classe possidente sobre outras são hoje diferentes. Contudo os fundamentos para a luta dos deserdados pela sua libertação da tirania económica são iguais.

Daqui resulta uma dupla lição: ao ser negada a eficácia do protesto, por todos os bonzos do regime, o poder assume ter já reconhecido os novos comunitaristas como uma força que o ameaça. E secundo: Este é apenas o principio, é tempo de construir perante o mundo inteiro as novas concepções da democracia participativa, os seus fins, as suas tendências, a opor às lendas do antigo fantasma.


Que fazer com 25% dos votos na esquerda sem programa? De imediato trabalhar no sentido de destruição do status: estamos esmagados por uma Dívida fraudulenta que não foi contraída pelo povo, quando os juros dessa dívida atingem 70% de tudo o que uma sociedade produz, "isso significa que estamos mortos". Beppe Grillo explica: "quando eu compro acções de um banco ou empresas e estas vão à falência, não há nada a fazer. Arrisquei e perdi!". Então o porque é que eles não perdem? Grillo, convidado a juntar-se a um governo (neoliberal) "de esquerda" recusou e com carradas de razão, chamando ao "socialista" lá do sítio "um morto que fala - queremos destruir o velho sistema, não por gozo, mas porque está podre". Destruir o Estado na sua actual forma de meio de saque de rendimentos para a classe dominante, a sua dissolução, pela conquista de um mundo mais igualitário para todos.

"Algures existem ainda povos e rebanhos, mas não onde vivemos, meus irmãos: aqui existem Estados. Estados? Que é isso? Bem, escutai, pois vou agora falar-vos da morte dos povos. Estado é o nome do mais frio de todos os monstros frios. Friamente, diz também mentiras; e a seguinte mentira desliza da sua boca: "Eu, o Estado, sou o Povo" Mentira! Foram os criadores de mitos que criaram o povo e sobre ele derramaram fé e amor: assim prestaram um serviço à vida. Foram os exterminadores que colocaram as armadilhas para o povo e chamaram-lhes "Estado": sobre ele suspenderam uma espada e cem apetites... Esta é a mensagem que vos dou: cada Povo tem a sua própria linguagem do bem e do mal, que o vizinho não compreende. Inventou a sua linguagem própria de costumes e direitos. Mas o Estado mente em todas as linguagens do bem e do mal; e tudo que diz é mentira - e tudo o que tem foi roubado" (Friedrich Nietsche, in "Assim Falava Zaratrusta).

No século da filosofia conservadora de Nietsche (e da economia politica de Marx), de ascenção dos nacionalismos, da unificação dos Estados europeus em potências colonizadoras, desde a construção da Alemanha até ao modelo mais acabado de Estado como a França da Revolução (a cidadania distribuida por todos pela obrigação de pagar impostos), do reino imaterial  da Jerusalém celeste até ao Estado fisico de Israel na terra, o que está em causa é o fim desse modelo de Estado, como obra irracional de exploração e opressão em que se converteu. Portanto, quando os Monteiros, Cadeias de Televisão, Pulidos e Banqueiros se embasbacam e desatam a chamar palhaços, serventes de obras e adolescentes idiotas a toda a gente é porque não entendem patavina do que está em causa...
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sábado, março 02, 2013

Coelho fora da toca, já!

a mensagem de um milhão e meio de pessoas nas ruas é clara:
o Povo é quem mais Ordena!