Pesquisar neste blogue

quinta-feira, outubro 16, 2014

Portugueses no Mundo (III)

Para que as abéculas oportunistas dos concursos de cantorias light possam corar de vergonha por servirem imbecilmente um regime de encher chouriços nas programações televisivas com trabalho não pago, a Susana Silva mostra-nos o caminho de quem tem talento é o quer utilizar de forma honesta:
Emigrar.  
"não me abandones!"  
óh gentes da minha terra

quarta-feira, outubro 15, 2014

Passa a 19 de Outubro, mais um aniversário do Crash bolsista de 1987

Para aqueles que perderam esse evento, ou para outros que já não se lembram dele, num pequeno vídeo recorda-se como foram vistos então os acontecimentos desse dia (Black Monday). O "especialista" aqui entrevistado é Paul Tudor Jones, um grande trader de "futuros" dessa época que continua a exercer esse "comércio" hoje. Segundo ele, o Crash de Outubro de 1987 foi o maior colapso do mercado na moderna história do mercado de acções.
Maior ainda que o de 1929 (Black Tuesday), considerando-o numa base percentual. Lições para o futuro a que se deveria e deve prestar atenção:
1. O mercado faz o que sempre faz, que é sempre para enganar 99% das pessoas. É essa a natureza do mercado.
2. Depois, ele o "mercado", essa estranha agremiação interactiva de pessoas sem rosto, pede ao governo para intervir a socorrer as coisas. E é o que o Governo (de pessoas com rosto) fez e tem feito continuamente desde então. Colmatar as sucessivas quedas do dinheiro fictício criado a partir do nada em bolsa, com dinheiro real criado com o trabalho acumulado pelos contribuintes.

Selecção recebeu milhões do BES
A falência do Banco Espirito Santo é mais uma pequena amostra do tal sujeito "mercado". O governo intervencionou o BES afirmando a pés juntos (com os pés p`rá cova) que os 4,9 mil milhões ali enterrados não teriam custos para os contribuintes. Passados escassos dois meses os mesmos "governantes" vêm dizer que afinal já há. E claro, Cavaco desmente os mentirosos mentindo ele mesmo. A falência afectou ainda mais o défice, cujo cumprimento exigido pela Troica é mandado às urtigas (tudo bons rapazes) sendo previsivel que se situe no final deste ano nos 7,5 por cento do PIB. Enquanto se fazem contas a uma taxa de crescimento que não existirá (1,5%) Governo PSD/CDS chuta os prejuizos do BES para 2015, isto é, para o mais que certo próximo governo de Bloco Central PS-PSD. Aonde é que já ouvimos esta conversa dos novos empossados virem dizer "áh e tal, afinal isto estava pior do que nós pensávamos", desculpem lá mais qualquer imposto. Entretanto, havendo pipas de indicios de procedimentos criminais na falência do BES, os irresponsáveis a soldo dos "mercados" são obrigados a nomear uma Comissão de Inquérito, mas que afinal vai ser controlada pelos próprios agentes da quadrilha que levaram o banco à falência. O lider parlamentar Montenegro do PSD indicou Fernando Negrão, ex-ministro do PSD, para presidir à coisa com o descaramento mais diáfano da corrupção que usurpou as instituições do Estado. É assim que funciona o roubo por esticão, um corre e grita agarra que é ladrão e acabam por fugir os dois... (enquanto o Mercado, negro, negrão, de mascarilha preta, empocha o produto do roubo)

terça-feira, outubro 14, 2014

Justiça em Portugal: o estado do Citius

Desta vez apareceu uma opinião Contra no Prós-e-Prós do canal de serviço público.



António Cluny chama-lhe "o Sucateamento do Estado" por uma Administração pública inquinada pela rede de tráfico de influências, "incapaz de enfrentar o que é ilegal, o poder dos que protagonizam os negócios escuros" (no jornal-I)

segunda-feira, outubro 13, 2014

Consequências da medicina neoliberal. As origens da crise do Ébola

«Não podemos aceitar a reedição dum negócio das arábias à custa da boa fé ingénua e da desinformação do incauto cidadão.» (Manuel Pinto Coelho, Médico, doutorado em Ciências da Educação).

Tariq Ali: O sistema, como funciona em todo o mundo capitalista, é basicamente não a favor de serviços de saúde pública, mas favoráveis a soluções privatizadas, instalações privatizadas, o que significa que na maior parte países cada vez mais tem-se um sistema de duas ou três camadas. Há hospitais de muito boa qualidade para os ricos e pessoas que podem pagá-los, há uma segunda camada mais para pessoas da classe média que também podem pagar mas não tanto e suas instalações não são tão boas e a seguir há hospitais públicos, não só na África mas em países como a Índia, Paquistão e Sri Lanka, os quais estão numa desgraça total e nada é feito acerca disto a nivel global (pela comunidade internacional) porque não é uma prioridade.

Allyson Pollock: como é que issso se poderá reconstruir quando realmente há directores estrangeiros a chegarem e parceiras público-privadas e gradnes fluxos de dinheiro a saírem e não há qualquer mecanismo de redistribuição, porque redistribuição significa que se está a tentar construir uma sociedade mais justa e a tentar colocar os recursos outra vez no país (...) Mas vacinas não são realmente o que estes países precisam. Todas as grandes reformas, todos os grandes colapsos de doenças infecciosas epidémicas não foram realmente debelados com drogas e vacinas, foram-no através de medidas redistributivas, as quais incluíam saneamento, nutrição, boa habitação e na verdade, acima de tudo, uma democratização real. E com isto chega-se à educação e todas as outras medidas (...) ONGs muito poderosas, como a GAVI – Global Alliance for Vaccine Initiative, as quais em conjunto com grandes companhias como a GSK e Merck, estão determinadas a conseguir patentes; e a razão porque elas gostam de vacinas é porque elas são um meio de imunização em massa e isto significa números e números significam dinheiro. E naturalmente estão a ser pagas pelo ocidente e governos ocidentais quando este dinheiro podia muito mais facilmente fluir para os próprios governos [africanos] para reconstruírem os seus sistemas de saúde porque estamos a falar acerca da reconstrução da infraestrutura de saúde pública (...) isto começa com a economia, começa com o que está a acontecer à terra, começa com o facto de o óleo de palma, o cacau e a borracha serem importantes culturas para a obtenção de dinheiro e a terra, a sua propriedade, incluindo os serviços públicos que lhes estão associados terem sido transferidos para investidores e accionistas estrangeiros.

Tariq Ali: Será perfeitamente legítimo fazer enormes lucros a partir das necessidades básicas de pessoas comuns?
Allyson Pollock: Isto começou com uma indústria farmacêutica e da produção de vacinas que acha ser perfeitamente aceitável fazer lucros com elas; então porque não deveríam agora fazer lucros com as doenças e os cuidados prestados? Naturalmente o SNS na Inglaterra foi estabelecido para ser redistributivo. É financiado através da tributação, a qual deve ser progressiva e o dinheiro deve fluir de acordo com o necessário. Mas o que estamos a começar a ver agora é que o dinheiro fluirá de acordo com as necessidades dos accionistas e não dos pacientes, e isso é uma preocupação muito real. Naturalmente, isto é tudo questão de vontade política. Tudo pode ser revertido mas é basicamente político, para a democracia e o povo fazerem com que as suas vozes sejam ouvidas".

Ribeiro Santos - A História do assassinato

Garcia Pereira conta a História do assassinato de Ribeiro Santos. Estudante morto pela PIDE
 em 12 de Outubro de 1972:
............
a História do assassinato de Alexandrino de Sousa. Morto pelos social-fascistas da UDP em 9 de Outubro de 1975.

sábado, outubro 11, 2014

AliBabá no reino dos 40 milhões de ladrões

"... peço-te que esvazies, uma vez mais, a tua taça, tu vais para Oeste, além fronteiras, e não tens lá amigos" (poema da dinastia Tang, 618-907)

É voz corrente entre nós (a da propaganda anti-comunista assimilada pelos Media) que a República Popular da China vive hoje debaixo de um regime capitalista atroz, pior, que o Partido Comunista determinaria uma politica imperialista no contexto do mercado global, igual a qualquer outra forma de exportação de capitais. Será assim? o Capital com origem no Trabalho e nos outros factores de produção da China é da mesma natureza do Capital que inflaciona e irradia a corrupção financeira a partir de Wall Street?

Quantos conflitos com origem nos seus negócios estrangeiros já provocou a China?... ao contrário, os Estados Unidos para defender os seus interessses económicos imperialistas já provocaram 201 conflitos e invasões militares nos últimos 60 anos. Trata-se da dominação de uma estrutura global sobre todos os paises; estrutura essa que cria e aproveita a divisão internacional do Trabalho para os dividir e explorar através da emissão de moeda puramente especulativa. Ao contrário a China faz investimentos no Ocidente com Capital que, em termos marxistas, corresponde a trabalho acumulado sobre a produção de bens e serviços na ecomomia real. Portanto, há uma diferença, a acusação de imperialismo feita aos dois casos como se fossem iguais é desajustada... porque vemos 93 por cento das transações mundiais serem feitas em dólares e não em yuans. Será admissivel a existência de capitais especulativos na economia interna da China? o caso do lançamento da Alibaba na bolsa de Wall Street vem ajudar-nos a perceber a questão. Parece que essa operação não foi admitida na bolsa de Hong Kong porque não cumpria as regras exigiveis, aka, não ser de indole especulativa.  Mas ninguém melhor que o comediante Jon Stewart para, a brincar a brincar, nos explicar coisas sérias: 
"Foi a maior estreia de sempre em Bolsas mundiais - a Alibaba do empresário chinês Jack Ma, poucos minutos depois de ter entrado em Wall Street, já valorizava 47 mil milhões de euros,
 atingindo um valor de mercado que ultrapassa a Amazon, o Facebook, o JP Morgan Chase, a Petrobás, a Coca-Cola e o PIB anual português":

............

afinal, segundo a inteligentsia ocidental a coisa parece ser coisa boa: "Bolsas mundiais em euforia com estreia de empresa tecnológica chinesa" (SIC-Noticias)

sexta-feira, outubro 10, 2014

Cavaco, meter prego ou estopa na vida dos partidos? "não o fiz, não o faço nem o fazerei"

António Costa, ainda não foi entronizado lider do partido dito Socialista e já lhe fabricam sondagens favoráveis e é recebido por Cavaco em Belém para combinar o alinhamento da música que vai ser tocada. Óbvio, Costa recusa comentar do que tratou a reunião com Cavaco, contudo, preferindo falar do tempo... Nos dias finais de estertor do anterior governo de Sócrates, Cavaco ( o tal que disse não comento a vida dos partidos, não o fiz, não o faço nem o fazerei") recebia o Eduardo Catroga, mas aí, como se vai vendo, a música foi outra...
mais para trás, avisava-se o Casimiro para ter cuidado para onde ia
 apanhar o comboio... "o Casimiro tinha as orelhas equipadas com radar! 
mesmo assim... devia ter tido cuidado para não se deixar levar"...
tema do album Campolide, Sérgio Godinho, 1979, "Cuidado com a Imitações"
..........

Numa altura em que se cozinham novamente politicas nas costas do povo, a questão central das próximas eleições será evitar que os partidos da Troika, os três juntos, obtenham 2/3 de mandatos no Parlamento. Isso é crucial para não poderem prosseguir a sua política de austeridade e impedir que alterem a Constituição

quinta-feira, outubro 09, 2014

Inflação, Crédito, Desenvolvimento

"Em 2013 apenas cerca de 7% das transações foram realizadas com empresas ou agentes da Economia real, enquanto 93% se fizeram entre instituições financeiras" (Manuel Maria Carrilho)

Algumas noções básicas de Economia Politica que deixaram de ser ensinadas nos centros de formação de funcionários para servir a burguesia, aka, as Escolas.

O que representa uma nota de banco?, antigamente impressa pelo Banco de Portugal e onde estava escrito “o Tesouro Nacional pagará em ouro ao portador a quantia de X”?. O principio da decadência económica do Ocidente começa com o fim da convertibilidade da moeda em ouro. O que o dinheiro impresso em papel-moeda doravante exprime é simplesmente um “direito de haver” de mercadorias, bens e serviços de livre escolha do portador. 1. Mas a que preço? Aqui colocam-se duas outras questões: 2. E se os bens ou serviços de escolha do portador da nota/promissória de pagamento não existirem à venda porque a produção já foi toda absorvida pelas compras feitas pelos outros?, como é que se efectiva o direito de haver? e 3. Quando o Estado emite e distribui esse direito de haver fá-lo em quantidade compatível e proporcional com o volume dos bens e serviços que hão-se ser havidos?
Nestas três perguntas está contida toda a explicação do que é a inflação. Numa situação em que foram criados direitos de haver em quantidade maior que as mercadorias, bens e serviços que podem ser “havidos” a preços vigentes, os preços sobem porque o direito de compra que lhes foi prometido é disputado entre os vários portadores de notas que licitam bens que não existem. É aquilo a que os "economistas do conto-do-vigário chamam de mercado a funcionar”.
Indispensável para se compreender a inflação, a maior emissão de “direitos de haver” em relação aos bens produzidos, é a de que a produção de um país não é ilimitada, só podendo aliás crescer de forma lenta (3 a 7 por cento) de um ano para o outro. Na medida em que a produção é escassa, os direitos de haver tornaram-se abundantes, incentivados pela exportação de capitais, o principio do imperialismo que subjuga os povos conforme teorizou Lenine. Um dos pontos-chave na criação do Banco Central de emissão do Euro é a contenção da inflação a um valor máximo de 2 por cento. O segundo ponto dos estatutos do BCE é a imposição de um limite de endividamento de 60 por cento em relação a tudo o que é produzido em cada país. Se a emissão de dinheiro para uns é ilimitada, (imagine-se a liberdade dos emissores da moeda global que é o dólar) o consumo de bens e usufruto de serviços para outros é limitado. Simplesmente porque o consumo depende dos factores de produção existentes. E com que é que se produz? primeiro que tudo com Trabalho (mão-de-obra simples ou qualificada), com matérias-primas, com energia (eléctrica, carvão, renováveis), com conhecimento (know-how), com infraestruturas de transporte (ferrovias, estradas, via aérea) e com máquinas e ferramentas (capital fixo acumulado medido pela unidade de valor base que é o Trabalho). Estes factores de produção existem em quantidade limitada, são escassos, mas podem ser obtidos pagando mais, isto é, arrancando-os a outro produtor ao qual estavam a servir, o que equivale a dizer que a produção do primeiro se vai fazer à custa da redução da produção do segundo. Considerando a economia de um país no seu conjunto, percebe-se que essa disputa dos factores de produção entre patrões (ou entre Estados ou regiões) faz subir os preços das coisas, mas não aumenta o volume total da produção de modo a que todos os possam pagar... (continua)

a Cuba socialista responde internacionalmente com a maior equipa médica para tratar o Ébola

Enquanto o presidente Barack Obama fala da necessidade de "acção rápida", a Cuba revolucionária passou à acção com o envio da maior equipe médica de qualquer país. Cuba enviou 165 profissionais médicos que estão agora na Serra Leoa, e um contingente adicional de 296 está a postos para ser enviado para a Libéria e Guiné. Estes profissionais médicos têm treino especializado em situações de catástrofe. A Brigada Henry Reeve, (formalmente, “Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastre e Graves Epidemias”) tem provas dadas em diversas noutras missões médicas noutros países, sendo a mais notável a intervenção na ajuda às classes sociais abandonadas durante o furacão Katrina. A equipa tem uma experiência de mais de 15 anos em tais crises de acordo com Roberto Morales,
o ministro cubano da Saúde Pública...... .......................
Este é um acto de solidariedade entre os muitos que Cuba já ofereceu a África para ajudar as pessoas em crise sanitária a melhorar a sua situação durante os últimos 55 anos. Actualmente Cuba tem 50 mil profissionais de saúde em 66 países. A solidariedade e o cuidado pelos médicos e enfermeiros cubanos é a resposta urgente e necessária ao contrário dos 3.000 soldados norte-americanos que Obama enviou para a região para "coordenar os esforços". Cuba deu a resposta adequada ao apelo da Organização Mundial de Saúde com a maior equipe de todos os países do planeta, muitos deles com muitas vezes mais recursos. Para compreender a imensidão da resposta de Cuba, até o imperialista Washington Post se viu obrigado a dar cobertura à reacção cubana à crise com um brilhante artigo intitulado "Na resposta médica ao Ébola, Cuba está a contribuir com meios muito acima do seu peso"
Mais de 6.000 pessoas foram já infectadas com o vírus Ebola morrendo quase metade deles do contágio próximo com outros doentes através dos fluidos corporais, sangue e vómitos. Uma pessoa infectada é contagiosa apenas por um período limitado de tempo. Com base em cálculos matemáticos, uma pessoa infectada com o vírus Ebola infecta 1,5 a 2,0 outras pessoas, quase o mesmo grau de contágio que a hepatite C. Portanto, a resposta médica de Cuba e de outros países é internacionalmente a chave no tratamento de pessoas que estão doentes e evitar a propagação do vírus através da criação de uma infra-estrutura de emergência médica que está em falta nos países da África Ocidental dominados pelo imperialismo. Como o Dr. Margaret Chan da Organização Mundial de Saúde afirma no artigo do Washington Post: "Os recursos humanos são claramente a nossa necessidade mais importante." A revolucionário Cuba pode responder a essa necessidade, porque Cuba sempre deu prioridade à construção de um sistema de saúde universal fora do sistema de lucro. E a solidariedade com os povos do mundo, é a base da esperança de um mundo onde a saúde das pessoas é fundamental. A acção de Cuba não só irá desempenhar um grande papel em parar a epidemia do Ebola, permanecendo como exemplo do poder de um sistema social mais avançado.

quarta-feira, outubro 08, 2014

Não devemos chamá-los “o 1% dos ricos”, mas sim “os criadores de empregos” (Paul Krugman, ironicamente)

Krugman escreve um artigo onde afirma que o economista francês autor da coqueluche “O Capital do Século XXIestá a causar pânico na Direita. O que é isso de “direita ou esquerda” nos dias que correm? A burguesia e o regime de propriedade privada dos donos e decisores dos factores de produção?

Manuel Maria Carrilho, PS
Não sabemos. Nem Thomas Piketty o vem dizer, nem sequer é original em nenhuma das "descobertas" que faz, nada que já não esteja nos pressupostos do Marxismo, cuja lei fundamental é a da “queda tendencial da taxa de lucro” no capitalismo. Piketty coloca o cerne da sua obra no facto dos rendimentos sobre o capital e património acumulado já existente e imobilizado… crescerem sempre muito mais que os rendimentos obtidos com o processo de acumulação no actual modelo capitalista. Esta é a principal razão da criação da desigualdade social. Marx já o disse há 160 anos: o “capital constante” cresce mais rápido que o “capital variável”. O crescimento dessa proporção que Marx denomina “composição orgânica do capital” é o corolário lógico da acumulação de capital, deduzindo que a origem da desigualdade é a deste modo de acumulação não assentar na plena utilização do capital nos factores de produção, mas sim no crescimento inflacionário pela criação de crédito (dinheiro), isto é, de capital como forma de acumular mais capital, sem um pingo de sustentação na economia real – mas esta ficção manifesta-se de forma virtual em depósitos bancários. Como distorce esta questão, Krugman, que é um liberal, apressa-se a elogiar Piketty, mas não é o liberalismo (cuja evolução no ciclo longo derivou como é sabido para o neoliberalismo) que vai resolver o problema da “economia em liberdade” sem que esta seja planificada e consiga erradicar o regime de propriedade privada que privilegia exponencialmente os ricos. Piketty fez uma pesquisa histórica intensiva, mas não passa do diagnóstico, propondo mais impostos sobre o património dos ricos, metendo no mesmo saco Trabalho e Capital, mas há património adquirido com trabalho e não com o rentismo financeiro. Ao contrário, Marx estudou a natureza do Capital e da propriedade privada e apontou soluções politicas.

“A grande ideia do "Capital no século XXI" é a de não apenas estarmos de volta aos níveis de desigualdade de renda do século XIX, como também estamos num caminho de volta para o "capitalismo patrimonial", em que os altos comandos da economia são controlados não por indivíduos talentosos, mas por dinastias familiares” (Krugman)

E o capitalismo alguma vez deixou de tratar em primeiro lugar do capital acumulado como interesse priritário?. Esqueça-se as 700 páginas do “Capital do Século XXI” de Thomas Piketty e coloque-se as questões por forma a que todo o mundo possa comprendê-las; começando, por exemplo, por cinco coisas que nunca são ditas sobre "Economia":
1. as decisões económicas devem ser tomadas por bom senso  em 95% dos casos
2. a Economia não é uma ciência
3. a Economia deriva de decisões politicas
4. Nunca confiar num economista que se afirma simplesmente economista
5. a Economia é demasiado importante para ser deixada na mão de tecnocratas “especializados”
Visto na Livraria Bertrand, o livro "Endurecendo o Bronze, Arte Antiga, Visão Moderna", editado pela Fundação Getty com 272 páginas custa 33,00 euros. O "Capital no Século XXI" que tem 700 páginas custa 24,00 euros. Os anos de investigação e a publicação deste último foram patrocinados pela Fundação George Soros. Como grande especulador, Soros é conhecido por arruinar economias e depois vir armar-se em mecenas para disfarçar

terça-feira, outubro 07, 2014

5 de Outubro, os antecedentes

* Janeiro de 1890. Na sequência da partilha de África da Conferência de Berlim (1885) o Ultimato inglês ordena a Portugal a retirada dos territórios africanos definidos no Mapa-Cor-de-Rosa. Populares vandalizam o consulado britânico em Lisboa. D. Carlos pede desculpas. O banco londrino Baring Brothers, que coloca a dívida portuguesa nas praças financeiras entra em insolvência. Regista-se uma corrida aos depósitos bancários. Portugal, cuja dívida representa 75 por cento do PIB e paga metade da receita em juros declara bancarrota. O orçamento comtempla 3 por cento para as despesas de educação e assistência social, enquanto o rei se dedica à pintura e a velejar.
* 31 Janeiro de 1891. Insurreição militar proclama a República no Porto, mas é derrotada. 
* Agosto de 1901. É publicada a última Lei Eleitoral da Monarquia, a qual pretende restringir a representação na Câmara aos Republicanos e aos partidários de João Franco. No quadro dessa lei foram sendo suprimidas as comissões de recenseamento eleitoral e alargados os circulos aos suburbios das cidades por forma a que os republicanos, de maioria urbana, fossem sempre colocados em minoria. Essa portaria ficaria conhecida por a "Ignóbil Porcaria". Encerraram-se repressivamente câmaras de representação, suprimem-se jornais, intensificam-se intervenções violentas das policias, há anarquistas deportados para as colónias.
 * Setembro de 1902. Publicação de um decreto-lei que determina o reforço da segurança interna. Contra o "terrorismo", dir-se-ia hoje. Realiza-se em Aveiro o Congresso das Associações de Classe, dominado pelos Socialistas, de onde saiu uma moção declaradamente anti-Grevista.
* Novembro de 1903. O rei D. Carlos viaja para Inglaterra onde assina servilmente o Segundo Tratado de Windsor
* Março de 1906. Termina a fase de alternância partidária "entre os dois partidos do arco da governação" (1). João Franco é nomeado chefe de um governo ditatorial. Em Maio a população de Lisboa adepta dos partidos de esquerda é perseguida e chacinada no Rossio. Em Novembro realiza-se o primeiro Campeonato de Futebol entre clubes de Lisboa.
* Abril de 1907. Aprovada a Lei Contra a Imprensa que institui a censura. Brito Camacho funda o jornal "A Lucta". Surto de greves. Encerramento de universidades e munipios.
* Janeiro de 1908. Tentativa de golpe revolucionário para derrubar a Monarquia. Os principais lideres da revolta que pertencem ao Partido Republicano Português são presos. A 1 de Fevereiro o rei D. Carlos e o Principe Real herdeiro são assassinados.
A agitação torna-se irreprimivel, mas a repressão continua. D. Manuel II sobe ao trono e João Franco é exilado. O novo rei, com apenas 18 anos, reclama os seus "indiscutiveis direitos a sentar-se no trono dos nossos maiores que durante séculos fizeram a glória de Portugal e condena a desunião, a anarquia e o terror, verdadeiras significações do bolchevismo".
* Abril de 1909. A 25 de Abril termina em Setúbal o Congresso do Partido Republicano Português, de onde saíu um novo Directório a quem foi confiado o mandato imperativo de fazer a Revolução.

Dos 18 meses que mediaram entre o Congresso de Setúbal e a Revolução de 5 de Outubro multiplicaram-se os trabalhos de organização do movimento, para evitarque se repetissem os malogros de 1891 e 1908. Do comité revolucionário faziam parte João Chagas, Afonso Costa, António José de Almeida e Cândido dos Reis.
* Abril de 1910. Congresso do Partido Republicano no Porto, marcado pelo receio de que a Inglaterra não aceitasse a implantação da República. Em Junho a  Maçonaria criar uma "comissão de resistência" para colaborar de forma activa com a Carbonária. * 3 de Outubro: assassinato de Miguel Bombarda. * 4 de Outubro, os cruzadores São Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades e o Rossio. Temendo o fracasso da operação Cândido dos Reis suicida-se nessa madrugada

.........

(1) os 2 partidos do Bloco Central na Monarquia tinham-se transformado em quadrilhas de ladrões

segunda-feira, outubro 06, 2014

A primeira ilação a retirar do discurso de Cavaco é que isto não é república nenhuma

Cinicamente, como é da sua marca genética, o actual presidente que tem consentido todo o pano de fundo de corrupção e inconstitucionalidades deste regime, declarou implicitamente nos festejos à porta fechada dos 104 anos de “República” que afinal isto não é república nenhuma. Em três pontos e citando: 1. “Numa República não existem privilégios de nascimento ou de classe social. Todos são iguais em dignidade e direitos (!) 2. Ninguém está acima das leis, que são aprovadas pelos legítimos representantes dos cidadãos. A justiça é aplicada pelos tribunais (!!) 3. Todos somos cidadãos, ninguém está isento (perdão, impedido) de contribuir activamente para melhorar o futuro do seu país” (!) – concluindo, foram estes os três ideais que 40 anos depois do colapso do regime fascista nunca foram cumpridos.

Vimos agora um Cavaco que pressente uma ameaça de implosão do actual sistema partidário avisando que “ninguém sairá incólume da falta de confiança nas instituições”. A começar pelas suspeitas que pairam sobre a própria cadeira em que se senta. Reduzindo ao mínimo a diversidade e participação de outras forças com opção por outras politicas, mais à frente disse Cavaco que o sistema eleitoral deve ser revisto, um apelo sorrateiro e habitual à recomposição do Bloco Central. A um jornal, um membro do directório executivo de Passos Coelho, que preferiu não se identificar, declara compreender as palavras de Cavaco e lamenta que “em Portugal toda a classe politica seja vista como um bando de vigaristas” (sic), Toda? (1) Por fim, vimos Cavaco sair da cerimóniia colado a um António Costa de colar dourado do poder ao peito, orgulhoso de poder dispor finalmente de um verdadeiro estadista a quem pode confiar a sua herança neoconservadora. Isto é, a sua fé no mais do mesmo.  
(1) Não é só o país como um todo – as autarquias falidas foram 90% do tempo governadas por PS e PSD

domingo, outubro 05, 2014

As primárias (areia para os olhos à americana) no Partido dito Socialista

"Não deixa de espantar a onda de sebastianismo a crescer à volta de Costa (se chegar ao Castelo)"

Há pessoas que acreditavam há muitos anos que António Costa dava um bom secretário-geral do PS. Por razões que nunca foram convenientemente esclarecidas (...) Um belo dia de 2012 lembrou-se da sua capacidade de ser secretário-geral e alegadamente escreveu um livro - o "Caminho Aberto"... para qualquer lado - Costa está para o PS como Durão Barroso para o PSD. Pode ser o que ele quiser - se o objectivo era conseguir que no dia em que quebrasse o seu tabu tinha uma passadeira vermelha, então esse objectivo está conseguido (...) António Costa, que junta gente muito muito à esquerda do PS com gente muito, mas muito à direita do PS, numa salada de frutas inesperada. Uns acreditam que Costa será o homem que fará a ponte à esquerda (com os exemplos de Roseta e Sá Fernandes em Lisboa). Outros que fará o Bloco Central com Rui Rio ou com alguém do PSD que não se chame Coelho. Outros ainda que "a abrangência" fará o PS conquistar num ápice a maioria absoluta. António Costa está a ser santificado na praça pública: pressentia-se que o Messias chegaria ao Largo do Rato. Convinha que se discutisse política. Excepto a saudação à herança Sócrates e uma avaliação mais correcta das origens da crise, Costa não disse nada que ficasse no ouvido. Mas parece que a sedução chega. 
.
 .............

Estamos no inicio de uma bolha de crédito para pagar impostos, sendo estes por sua vez sonegados aos bens públicos para pagar a dívida contraída pelos donos dos meios de produção que se tornaram improdutivos: Mas "não precisa de viver com medo do Estado. Peça um empréstimo bancário e pague os seus impostos a tempo e horas"

o "Livre" teve hoje no seu Congresso a participação de António Costa que convocou o partido das papoilas saltitantes para a aventura de fingir que é possível um governo de esquerda que defenda o Estado Social e simultaneamente cumpra o Tratado Orçamental (Esquerda.net)

sábado, outubro 04, 2014

Criando as bases do Futuro, sob a consignia "Só o Trabalho cria Valor"



De cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades. Não faz ainda muitos anos das tremendas condenações do nosso muito conceituado marxista José Estaline quando lutava contra as insuficiência da produção na União Soviética. O critério é o do indispensável para cobrir as despesas de habitação, alimentação, vestuário, transporte e recreação cultural. Acontece que a Humanidade no seu todo está longe de poder atingir esses padrões minimos, que conseguiriam banir a miséria da superficie da terra. O facto económico é que a produção total do país, dividida igualmente por todos os seus habitantes, está longe de permitir o nivel de conforto mínimo estipulado por decreto. A tragédia da legislação que defende um salário minimo é que ela esbarra não na distribuição nem das opções monetárias, desde que estas não ultrapassem os factores de produção disponiveis e sejam feitas para desenvolver mais meios, mas esbarra sempre na quantidade insuficiente da produção (1956)

Como os manifestantes de Hong Kong contornam a “censura” oficial…

queremos ser um off-shore de novo
As sofisticadas tecnologias oferecidas pelos Estados Unidos (a par com o financiamento) aos contestatários do regime vigente na antiga colónia britânica de Hong Kong criam uma malha de informação em cadeia na qual os usuários não podem ser rastreados. A par, os meios de informação tóxica ocidentais, difundem como objectivo da acção da centena de estudantes universários que recebem o dinheiro “pôr em causa o governo da República Popular da China, um dos mais repressivos do mundo”. Para isso usam o FireChat, uma aplicação para divulgar informação que continua a funcionar off-line mesmo se a rede de internet for bloqueada - o Off-Grid Messaging App FireChat é um dispositivo criado pela norte americana Open Garden Foundation, comercializado pela Apple e publicitado pelo canal de televisão Tech News, a qual aproveita o evento para promover a venda da App numa acção de marketing a baixo custo de âmbito mundial. É claro que qualquer tecnologia pode ser usada para o bem ou para o mal, e embora o FireChat esteja a ser promovido em nome da Liberdade as usual contra um Partido Comunista, os incautos-alvo do spin não poderão pensar ser também uma maneira de espalhar informações falsas?

Ontem cerca de um milhar de residentes na zona bloqueada sairam à rua dispostos a dar uma carga de porrada nos fedelhos que estão a incomodar a vida normal das pessoas. A policia foi chamada a evitar confrontos. Todos vemos como os Media ocidentais reportam os acontecimentos com o paleio do costume...



...e pronto, parece que, segundo a visão do Esquerda.Net, se acabou "o combate contra o Neoliberalismo em Hong Kong". Uma decepção que deve horrorizar os ruis tavares, as anas gomes, danieis oliveiras, os xuxas com quem eles dialogam e outros papagaios anticomunistas que ficariam radiantes se Hong Kong se transformasse de novo num off-shore anglo-americano (Diário de Noticias)

sexta-feira, outubro 03, 2014

As novas social-tecnologias de intrusão chegam à Região Autónoma de Hong Kong, República Popular da China

As manifestações têm como objectivo exigir autonomia nas eleições para o próximo chefe do Executivo local, que devem acontecer em 2017. “Acho que um sufrágio verdadeiro não existirá sem uma desobediência civil”, disse Joshua Wong ao South China Morning Post.

Mas quem é Joshua Wong, o puto de 17 anos que está a liderar os protestos e a incomodar os orgãos eleitos em defesa da Constituição outorgada para a antiga colónia britânica? Considerado uma ameaça à segurança do Estado, Joshua Wong, o presuntivo lider das manifestações foi preso na última sexta-feira e libertado no domingo. Nas buscas ao seu quarto na Universidade a polícia confiscou-lhe vários gadgets tecnológiocs, incluindo o computador e telemóveis de última geração. Face aos dados recolhidos, as autoridades acusam-no de estar a ser manipulado pelo governo dos Estados Unidos.

Para financiar os activistas da Praça Maidan, em Kiev e levar a "democracia" neoconservadora à Ucrânia, foram precisos cinco mil milhões de dólares dos Estados Unidos, segundo informou a própria secretária Victoria Nuland. Não foi um caso de excepção, trata-se de uma opção politica (Endowment Policy) de ingerência nos assuntos internos de outros paises com a finalidade de neocolonizar novos territórios.

Assim, o relatório anual da organização "National Endowment of Democracy" (NED), literalmente, "Dotação Nacional de Fundos para a Democracia", que é mantida pelo governo dos EUA conhecido na gíria por Agência Central para Promoção de Revoluções Coloridas [ACPRC], mostra três pagamentos para Hong Kong, um dos quais surge em 2012, ausente dos relatórios anuais prévios no valor de 460 milhões de dólares, através do subsidiário "National Democratic Institute (NDI) for International para promover a consciencialização sobre instituições políticas em Hong Kong (e a outras regiões da China)  no sentido da reforma do processo constitucional, e para desenvolver capacidades entre os cidadãos - especialmente entre alunos universitários - para que participem mais efetivamente no debate público sobre reforma política. Acrescenta-se na nota: "o NDI trabalhará com organizações da sociedade civil sobre monitoramento de parlamentares, sondagens e desenvolvimento de um portal Internet mediante o qual alunos e cidadãos possam explorar possíveis reformas que levem ao sufrágio universal". Quer dizer que em 2012 (ainda não há números de 2013) o governo dos EUA entregou por lá quase meio milhão de dólares, para "desenvolver capacidades" de "alunos universitários" relacionadas à questão do "sufrágio universal" na eleição para o Executivo de Hong Kong. É isso!! (Pravda.Ru)

quinta-feira, outubro 02, 2014

Nos Estados Unidos de hoje há um aumento de 50% da desigualdade social em relação à Roma antiga (incluindo os escravos).

A parcela dos rendimentos nas mãos do 1% dos mais ricos da população norte-americana é mais elevada do que a dos tempos dos escravos da Roma Antiga e igual ao pico dos anos 20. Se isso não ajudar a entender a era em que vivemos, o site Zero Hedge convida-nos a ler Paul Singer da “Elliott Management Corpª” que explica tudo o que é preciso saber sobre o recorde alcançado na desigualdade social nos Estados Unidos e de quem é a responsabilidade por isso:

"A desigualdade nos Estados Unidos hoje está perto do seu pico histórico, em grande parte porque as políticas da Reserva Federal foram bem sucedidas a atingir os seus fins: ou seja, os preços dos activos cada vez mais elevados (em particular os preços de acções, títulos e high-end imobiliário), que geralmente são de propriedade dos contribuintes das faixas de maiores rendimentos. Á Reserva Federal tem vindo a ser permitido fazer todo esse trabalho, porque as políticas do presidente Obama são supressivas de crescimento e, na ausência de impressão de dinheiro pela Reserva Federal (agora através da ZIRP - Zero Interest Rate Policy (1) a Economia está a ficar cada vez mais debilitada ou até mesmo estará de volta à recessão (2).
A maior ironia é que Obama foi eleito por falar num programa contra a desigualdade, “ uma das questões mais importantes do nosso tempo” dizia ele, enquanto a substância das suas políticas está a minar drasticamente a classe média e a levar a FED - com o incentivo do presidente - a adoptar uma política monetária radical, que está a agravar as desigualdades. Esta verdade simples não tem sido repetida o suficiente" (ZeroHedge)

(1) na gíria, a opinião pública qualificada alcunhou o ZIRP de "programa de Zombies que Japonizam a Economia norte-Americana" (Forbes)
(2) de volta, porque a primeira recessão (2007/8) já foi "exportada" para o resto do mundo, nomeadamente tendo como principal alvo os paises Europeus através da transformação dos activos tóxicos dos bancos em dívida soberana dos Estados

quarta-feira, outubro 01, 2014

"Estado Islâmico". Claro como a Lama

os Estados Unidos, potência iluminada do Ocidente, declarou guerra a um alegado "Estado" que não existe nem tem fronteiras. Só nos vão dizendo pejorativamente que é "Islâmico". E o sr. presidente interino da Nato para o protectorado português apressa-se a dizer veladamente que a maioria dos portugueses caídos na pobreza não suportariam o envio de tropas para mais este dislate imperialista, mas lá vai avisando que Portugal está de alma e coração (mas sem bolsos, que estão esfarrapados) com a coligação (1)
Entretanto na vida real, dentro das nossas fronteiras, mão amiga faz-nos chegar a tradução do comentário de Audrey Bailey intitulado "Está confuso com o que está a acontecer no Médio Oriente?"

"Deixe-me explicar. Apoiamos o governo iraquiano em luta contra o Estado Islâmico (IS / ISIL / ISIS). Não gostamos do IS, mas o IS é apoiado pela Arábia Saudita de quem gostamos. Não gostamos do Presidente Assad da Síria. Apoiamos a luta contra ele, mas não o IS, que também está a lutar contra ele. Não gostamos do Irão, mas o governo iraniano apoia o governo iraquiano contra o IS. Então, alguns dos nossos amigos apoiam os nossos inimigos, alguns dos nossos inimigos são nossos amigos, e alguns dos nossos inimigos lutam contra outros dos nossos inimigos que não queremos que percam, mas não queremos que os nossos inimigos, que lutam contra os nossos inimigos, ganhem. Se as pessoas que queremos derrotar forem derrotadas, podem ser substituídas por outras pessoas de que gostamos ainda menos. E, tudo isto foi iniciado por invadirmos um país (o Iraque) para expulsar os terroristas que não estavam realmente lá, até lá entrarmos para expulsá-los - você agora já entende?"

(1) a 23 de Setembro de 2014 o lider do Hezbollah, Sayyed Hasan Nasrallah, afirmava: "nós somos contra a intervenção militar norte-americana e a coligação internacional na Síria, na medida em que essa acção seja contra o regime sírio ou o Daesh (ISIS). Sob o falso pretexto de combater o terrorismo, os Estados Unidos o que visam é obter o controlo de toda a região"

e porque hoje é o Dia Mundial da Música

recorde-se que a Música é a única manifestação artistica que não pode ser falsificada, o intérprete não tem instrumentos para o fazer

.....