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terça-feira, fevereiro 03, 2015

livra!


... portanto, há que continuar a tentar convencer os seus apaniguados com conversas da treta. Diz-me com quem andas - o Rui Tavares acaba de avisar na sua página do Facebook que "dentro de momentos estarei a debater na Antena 1 o problema da Grécia e do Euro com... o Nuno Melo do CDS/PP"... Olha que coisa a todos os titulos relevante para o tempo de antena dos neoconservadores... - tema importante a não esquecer no "debate" com o partido português eterno suspeito do recebimento de luvas em negócios de Estado e financiamento ilegal: Político conservador grego condenado a prisão perpétua por desvio de 17 milhões de euros.

"No dia em que se perguntar se se quer votar em Rui Tavares para ser Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, é porque as pessoas votaram no "pasokiano" António Costa para formar esse governo. O "Livre" não tem nenhum espaço politico" (Francisco Louçã).

Angela Merkel acaba de recusar reunião a sós com o 1º ministro da Grécia Alexis Tsipras. Apesar da Grécia ter deixado para segundo plano o perdão da dívida, pedindo apenas para equacionar o pagamento em função do crescimento do PIB.

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

só mais uma coisinha sobre a Charlie Hebdo

Como toda a gente viu, depois dos ataques supostamente "terroristas" ao almanaque satírico Charlie Hebdo, o que sobrou do corpo redatorial mudou-se de armas e bagagens para as instalações do jornal francês "Liberation", um jornal fundado por Jean-Paul Sartre e portanto conotado com a esquerda fóssil do Maio de 68. Nada mais erróneo, as participações accionistas do Liberation foram compradas a 100 por cento pela familia de banqueiros Rothschilds, a mesma que controla o sistema de Bancos Centrais em beneficio da globalização do Sionismo, politico e financeiro. (fonte)

É conhecida a técnica pela qual os meios judaicos criam falsos pretextos para atacar os Muçulmanos, para além da usurpação da Palestina, de um modo geral atacando toda uma comunidade de 1,3 mil milhões de pessoas a pretexto da famigerada doutrina do "choque de civilizações" inventada pelo judeu norte-americano Samuel Huntington em nome do expansionismo dos Estados Unidos, principal suporte do Estado de Israel, segundo vice-presidente Joe Biden, "o nosso historicamente mais antigo aliado" - veja-se só o estilo ignaro referente a um Estado inventado no ano de 1947.

Dentro desta linha politica, a revista económica holandesa "Quote", corroborada dias depois pelo jornal alemão Neopress, acaba de divulgar que os Rothschild tinham comprado em Dezembro passado a Charlie Hebdo, uma editora em ruínas, com prejuizos acumulados e à beira da insolvência. "A aquisição não foi pacífica; ocorreram desentendimentos dentro da família de banqueiros, conta o Barão Philippe de Rothschild na entrevista publicada pela "Quote". O tío Edouard não queria comprá-la porque isso lhes teria dado um poder político que não querem, diz o sobrinho à revista. “Não nos queremos misturar em política”, assegura Philippe, “ou pelo menos não de uma maneira tão aberta“.
Se isso estiver correto, como parece, a pergunta é inevitável: foi o atentado contra a revista outro negócio redondo por parte dos Rothschild? compraram-na a preço de saldo, porque antes de 7 de Janeiro a revista não gerava mais que prejuizos. Mas se só gerava perdas, que interesse tinham os banqueiros sionistas em comprar uma revista falida? É aqui que entra o aspecto político que o Barão Philippe quer manter em segundo plano: para continuar com as provocações da Charlie Hebdo contra os Muçulmanos, aliando o útil ao lucrativo, agora a revista passou de somente 60.000 leitores a ter uma audiência de sete milhões de leitores. Para além do dinheiro que lhes está a chover em cima, não só do Estado francês senão procedente dos investidores privados. Mas não se pense em termos conspiranóicos. Nada do que é agora exposto significa que os Rothschild organizaram os atentados, muito menos que mandaram matar pessoas pelo vil dinheiro. Nem pensar, isso é tarefa para outras gentes. Desde logo a grande união mediática angariada pelo "Je Suis Charlie" ocorrida a partir de París parece-se cada vez mais uma cópia quase exacta do 11 de Setembro em New York, onde se fizeram seguros multimilionários às Torres Gêmeas contra atentados terroristas precisamente dias antes de haver uma decisão para as derrubar. Num e noutro caso, puras coincidências".

domingo, fevereiro 01, 2015

Cultura Pessoana

Subproduto da sua época (início do século XX) é a opinião do grandessimo poeta da lingua portuguesa sobre os trabalhadores, quando diz que a sociedade deve ser dominada por uma elite de "super-homens", enquanto os operários devem ser "reduzidos a uma condição de escravatura ainda mais intensa e rígida do que aquilo a que chamamos a escravatura capitalista".Pior – e mais decepcionante – é ler a opinião de Pessoa sobre a "raça". Já tinha 28 anos, não era um adolescente imaturo, quando escreveu: "a escravatura é lógica e legítima; um zulu (negro da África do Sul, que falava a língua banto) ou um landim (indígena de Moçambique, que falava português) não representa coisa alguma de útil neste mundo.


Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir aos fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico. O degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude”. Pessoa continua, em texto de 1917: “a escravidão é lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada. O amor covarde que todos temos à liberdade é o verdadeiro sinal do peso de nossa escravidão”. Quase dez anos depois, Pessoa mantinha-se firme nessas convicções racistas: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social”. E ainda: “Quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs”? (Biografia Escrita por José Paulo Cavalcanti Filho, 2012)

Pessoa escrevia estas barbaridades menos de trinta anos após a abolição da escravatura no Brasil e mostra-se um sucessor legítimo de longa tradição portuguesa no apoio à servitude de povos que a elite lusitana considerava inferiores, dos negros africanos aos índios brasileiros. Como escreveu o historiador brasileiro Jorge Caldeira: "Desde a chegada dos primeiros colonos (portugueses), o Brasil foi uma sociedade escravista. Só havia uma maneira de os europeus sobreviverem nas novas terras: possuir um escravo que, caçando e pescando, lhes garantisse o sustento. Quando o foco da atividade econômica passou da extração para o cultivo, ampliou-se ainda mais a necessidade de escravos". As primeiras vítimas foram os índios, então chamados de "negros da terra". Mem de Sá, terceiro govenador-geral do Brasil, determinou em 1562, "que fossem escravizados todos, sem excepção". E assim se fez com 75 mil caetés e, depois, os tupiniquins. Quando o número de indígenas se mostrou insuficiente, os portugueses começaram a importar escravos da África.
De África vieram mais de três milhões de escravos para o Brasil, e a resistência a acabar com a escravatura fez com que ela durasse oficialmente até 1888. Continuou a existir, porém, no plano informal, pois como explica Bueno: "Os libertos foram jogados na miséria, sem terras para cultivar, escolas, hospitais. Alguns ficaram nas fazendas, com salários baixíssimos. Milhares foram para as grandes cidades, em busca de algo melhor; daí a origem das favelas". A lei proibiu a escravidão ao final do século XIX, mas não conseguiu (nem pretendia) suprimir o preconceito, que existe até hoje na sociedade brasileira. Menos em relação aos índios, porque estão longe da vista, não interferem no dia a dia e não ameaçam o conforto das elites, a não ser quando exigem direitos sobre suas terras. Já os negros, de presença ostensiva nas cidades, mesmo que confinados a favelas, geram um racismo que não se expressa mais com a clareza abominável de Fernando Pessoa, no texto citado acima. São tratados como cidadãos inferiores, sob justificativas nunca explicitadas como preconceito racial – o que de facto é – e sim como suposto resultado de pobreza e baixo nível educacional dos negros, mulatos, pardos ou seja lá qual eufemismo escolhido para definir não-brancos. Pelo menos Fernando Pessoa, no seu tempo, evitou esta máscara de hipocrisia. (Texto original)

sábado, janeiro 31, 2015

Ucrânia, Guerra e Gás

Aquilo que os Estados Unidos se recusam a fazer entregando o vergonhoso enclave de Guantanamo ao povo de Cuba, pretendem que por outro lado a Rússia faça abrindo mão da base naval da Crimeia e abandonando milhões de falantes russos à sua sorte face à instauração de um regime nazi-fascista em Kiev - os infantilóides dirigentes dos EUA/União Europeia deveriam perceber que a Rússia jamais permitirá o controlo militar da Nato sobre o seu território
O que se passa na Ucrânia ficará para os anais da História como um dos episódios mais degradantes da politica expansionista ocidental contemporânea.

A Ucrânia é um país falido, subserviente. Entrou em bancarrota, deixou de pagar os fornecimentos de gás e petróleo, pelos quais usufruía de preços especiais por troca com os direitos de passagem pelo seu território do gasoduto que liga a Rússia à Europa. A Ucrânia tentou resolver o problema da insolvência através de um golpe-de-estado (financiado pelos Estados Unidos) oferecendo como garantia os seus 44 milhões de habitantes para serem explorados como escravos do endividamento externo a bancos privados a troco de ajuda financeira imediata. Duas províncias ucranianas recusaram o vexame. Luganks e Donetks declararam a independência em relação ao regime nazi-fascista de Kiev.

a alternativa para desarmar o nazi-fascismo na Ucrânia
Apesar do caudal de dinheiro europeu despejado em cima dos terroristas que usurpam o poder na Ucrânia, estes não voltaram a conseguir retomar o controlo sobre os antigos territórios legados pela URSS. A tropa de mercenários a soldo de Kiev lança ferozes ataques contra as milícias separatistas, bombardeiam alvos civis, comete crimes contra a humanidade. Apesar da gravidade da situação, a Rússia, respeitando o principio da não-ingerência, não tem interferido no conflito, excepto para prestar ajuda humanitária a cidadãos de naturalidade ou falantes de russo. Vladimir Putin apelida a tropa de Kiev de “Legião da Nato”. Conselheiros e militares norte-americanos integram as forças de ataque contra as regiões separatistas desde o Outono de 2014. Desde meados de Janeiro de 2015 a situação agravou-se. Os EUA/UE prometeram uma nova ajuda financeira de 50 mil milhões de dólares, mas exigem como contrapartida que Kiev recupere o controlo do aeroporto de Donetks, que tencionam usar como base para desembarque de mais meios militares. A empresa fracassa. Os milicianos de Donetks cercam mais de 7.000 homens de Kiev em Debaltsevo. O próprio Forum de Davos manifesta a indisponibilidade dos ricos para investir em tal insanidade. E sem dinheiro o show bélico do complexo industrial.militar não pode continuar. Por exemplo, a católica e piedosa Polónia prometeu vender armasse Kiev tiver dinheiro. A 27 de Janeiro a União Europeia aprovou novo empréstimo. Obviamente, a Ucrânia com os seus ataques pretende envolver a EU numa guerra-fria contra a Rússia, embora inúmeras fontes locais garantam não existir ajuda militar russa no terreno. Alguns dirigentes ucranianos admitem mesmo que a invasão da Ucrânia pela Rússia é um embuste, mera propaganda sem qualquer fundamento. Mas os media ocidentais relatam os acontecimentos precisamente ao contrário, como se fossem “os rebeldes” a cometer as atrocidades e desprezar a paz. Para conhecimento da verdade os cidadãos europeus têm vindo a dispor apenas do serviço internacional do canal Rússia Today. Mas Washington acaba de comparar o Rússia Today a uma fonte noticiosa do Estado Islâmico, ou seja, para estes senhores a verdade é percebida como terrorista.

entrevista a um comandante das forças separatistas dirigindo-se à tropa enviada por Kiev: "voltem para casa rapazes, vcs estão a combater o povo errado; entreguem as armas, nós garantimos que sairão daqui vivos..."

Confirma-se. Cerca de 8 mil soldados do regime nazi-fascista de Kiev estão encurralados em Donbass

sexta-feira, janeiro 30, 2015

a escória

Em 1973 entregaram o Prémio Nobel da Paz ao criminoso Henry Kissinger. Responsável por 600 mil mortos provocados pelos bombardeamentos que ordenou sobre o Cambodja e o Laos; cem por cento envolvido no golpe de Estado que derrubou o presidente eleito no Chile; mandante do extermínio de meio milhão de militantes comunistas na Indonésia; Responsável por 3 milhões de vitimas, entre mortos, feridos, inválidos e deslocados durante a intervenção militar yankee contra o Vietname. Empatia zero com o direito à vida na sua ambição desmedida por ascender no Poder, principal mentor do Grupo Bilderberg envolvido em conspirações permanentes contra os povos. Esta sexta-feira um punhado de manifestantes pacifistas do grupo Code Pink invadiu a a reunião realizada no Congresso dedicada às questões de segurança global, exigindo a prisão de Kissinger por crimes de guerra. Igualmente presentes dois outros ex-secretários de Estado, Madeleine Albright (responsável pela agressão à Jugoslávia) e George Shultz (responsável pela lançamento do Consenso de Washington e imposição do neoliberalismo ), foram também alvo de denúncias por estes crimes. Presente na sala o bonzo John McCain (responsável pela implantação em curso do nazismo na Ucrânia) não encontrou melhor desabafo que gritar: “ponham-se a andar daqui para fora, sua escória miserável”. Já saíste? A autocritica é sempre bem vinda senador. O episódio deu azo àquela que deverá ser considerada desde já a melhor fotografia do ano.

(ampliar)

quinta-feira, janeiro 29, 2015

Ai agora são todos Syriza?

Grupos de interesses organizados em partido politico, comprometidos com o neoliberalismo até à medula, como o Partido dito Socialista, celebraram a chegada da Esquerda ao poder na Grécia, fingindo não perceber que “essa vitória foi construída contra os partidos do centro, os que nos trouxeram – a todos, portugueses e gregos – até esta insustentável situação”. É previsivel, portanto, que os tubarões "socialistas" se remetam por agora a uma segunda linha, sempre alerta para as marés de negócios vindouros.

O episódio mais indecoroso nesta colagem é o protagonizado pelo ex-deputado europeu, eleito pelo Bloco de Esquerda, Rui Tavares, hoje promitente delfim de António Costa no insane frete-pago de continuar a enganar a opinião pública, dando a entender que o P”S” poderá alguma vez ter e aplicar em Portugal um programa de esquerda igual ou sequer paraecido ao do Syriza. No artigo dedicado ontem à Grécia pelo “Público” Rui Tavares é promovido a amigo intimo do ministro das Finanças grego, ideia corroborada pelo próprio na sua coluna no mesmo jornal: “Ouçam este homem!”. Aqui se gaba Tavares, (na mesma altura em que defendeu a agressão “democrática” europeia contra a Libia”, de ter estado ligado em 2011 à Conferência de Varoufakis intitulada “Uma modesta proposta para salvar o euro”. Mas tal coisa não existiu. A conferência de Yanis Varoufakis denominou-se “Uma modesta proposta para transformar a Europa”, o que lhe confere uma intenção completamente diferente da de “salvar o euro” como moeda fautora de dívida.
A distinta lata de um Zé-ninguém politico como Rui Tavares leva-o a revelar o entusiasmo de uma conversa de cafetaria que teria mantido então com Varoufakis, e que ainda hoje lhe valeu no twitter o incentivo “Agora é a tua vez Rui!”. Mesmo que tal seja verdade, e a cusquice é uma vergonha indigna de ser veiculada em beneficio pessoal, a adaptação do “episódio da Odisseia grega em que Ulisses salva os seus marinheiros que tinham sido transformados em porcos pela feiticeira Circe – uma analogia para os países europeus do sul de onde iria partir a redenção do sistema capitalista na Europa - esse plágio de Tavares nada tem a ver com a célebre obra de Yanis Farouvakis “O Minotauro Global, América, Europa e o Futuro”, com o subtítulo “As verdadeiras origens da crise financeira e futuro da Economia Mundial”.

Uma fábula anti-imperialista que nunca passaria pela careca do Tavares

De acordo com o mito citado por Varoufakis, havia um rei que exigia um tributo de 14 jovens que seriam oferecidos como alimento a um monstro chamado Minotauro, com a cabeça de um touro e corpo de homem, preso num labirinto construído para prisão - a saída dessa prisão poderia ser feita por corredores intrincados, mas como o monstro não dava com a saída, como compensação pela entrega de de sacrificados ia mantendo a situação em equilíbrio por determinado tempo. Para Varoufakis, o Minotauro Global representa os Estados Unidos (EUA) e um mecanismo macroeconómico complexo que lhe tem permitido absorver impostos de todo o mundo (o sacrificio da vida dos jovens explorados pelo capitalismo em todo o lado). Neste caso são os produtos industriais excedentes de todos os lados, a partir dos recursos obtidos por tal produção, que voltam a Wall Street em busca de maiores recompensas financeiras. Com este mecanismo atinge os EUA conseguem enfrentar os "déficits gémeos", orçamento comercial e governamental. Tudo o que constituiu bens gerais circula como capital de apoio à desastrosa balança do Minotauro, que Varoufakis acredita ser um fluxo que alimenta um canibal.

"Wall Street, seguidamente , fez uso destas entradas de capital estrangeiro para três coisas: a) fornecer crédito para os consumidores dos EUA b) investir directamente nas grandes corporações norte-americanas, e, claro, c) a compra de títulos do Tesouro dos EUA (ie , Défices das finanças do governo dos EUA)”. Embora o déficit de nascimentos de sacrificados tenha vindo a diminuir desde a década de 70, não precisamos de grandes explicações de carácter socialista com rigor científico, bastando exibir as credenciais de um capitalista bem sucedido, Donald J. Trump diz num livro sobre finanças pessoais: "... em 1971, o dólar deixou de ser dinheiro e tornou-se um meio de troca, quando o presidente Nixon tentou resolver um problema: grandes reservas de ouro estavam a abandonar o país por causa do crescente déficit comercial . Porque comprávamos muitos produtos japoneses e europeus, a diferença entre o que nós (EUA) vendíamos, e o que eles queriam receber em ouro pelo que comprávamos, tornou-se insustentável. Para resolver esse problema, o presidente Nixon tornou simplesmente o nosso dólar num passivo, uma nota promissória de pagamento. Actualmente o déficit comercial dos EUA é mais maior do que nunca, e a compensação de todo o mundo é enorme. Em vez de apoiar o dólar em ouro, os EUA puderam simplesmente continuar a imprimir mais dinheiro (como qualquer indivíduo pode usar cartões de crédito e cheques sem ter o dinheiro no banco, com a diferença de que se acontecer com um qualquer individuo este poder ser detido e preso por passar cheques sem cobertura”.

quarta-feira, janeiro 28, 2015

o Syriza e a politica de alianças para derrotar a ingerência externa na Grécia



O primeiro acto na área das relações internacionais do governo Tsipras foi encontrar-se com o embaixador da Rússia em Atenas, reiterando-lhe a firme oposição da Grécia à politica de sanções impostas pela União Europeia à Rússia que mais não são "que um tiro disparado contra o próprio pé" (The Telegraph)

Em apenas um dia de governo: "O salário mínimo sobe para 753 euros, vai ser facilitado o pagamento de impostos atrasados e aprovada eletricidade gratuita para 300 mil pobres. Para além disso, o novo governo parou a privatização do porto do Pireu e no sector da Energia, defende a anulação da maior parte da dívida e deverá anunciar a reabertura da televisão pública já esta quarta-feira."

terça-feira, janeiro 27, 2015

contribuição para o "Grupo Excursionista Amigos de José Sócrates"

Enquanto primeiro-ministro José Sócrates usou os poderes que aparentemente lhe tinham sido delegados pelo povo para beneficiar certos grupos privados, nomeadamente na Banca (swaps e outros créditos ruinosos), nas Obras-Públicas (concessão de favores em adjudicações por troca de dinheiro para “socialistas” avulso ou grupos de “socialistas”); e nas Parcerias- Público-Privadas (PPP) garantindo-lhes rentabilidades milionárias superiores a 20 por cento ao ano a privados num negócio de risco zero. 

Foi o governo de Sócrates que nacionalizou os prejuízos do BPN, administrado pela nata cavaquista, deixando o património aos seus antigos donos. Foi durante o governo Sócrates que os grandes escritórios de advocacia que ardilosamente tornam legal a corrupção que envolve os negócios com o Estado receberam centenas de milhões do Estado sem necessidade de qualquer justificação. Mas não é por tudo isto que Sócrates foi preso. Aliás, se fosse, caberia perguntar ao supremo indigente da nação Cavaco Silva que conviveu intimamente com Sócrates durante 5 anos se nunca suspeitou que o então 1º ministro não era honesto e surripiava uns trocos em proveito próprio. Cavaco, se não fosse mudo, diria que não, que isso era irrelevante no cômputo mais geral do enorme surripianço ao património público em Portugal. É esta política que Cavaco superiormente dirige, aproveitando igualmente para empochar uns trocos com as acções do BPN e o negócio da Coelha com offshores. Deve Cavaco ser preso por ser cúmplice de Sócrates? Um dia será constituído arguido, já o foi pela grande maioria do povo, mas não deve ser preso do modo obscuro como foi feito com Sócrates - deixando no ar a suspeita de maquinação político-partidária congeminada pelo ministério da Justiça deste governo.

Assim, segundo Arnaldo Matos: "estando o cidadão José Sócrates preso há dois meses sem culpa formada. Cumprindo e fazendo cumprir a Constituição, Cavaco tem o estrito dever de exigir a imediata libertação de José Sócrates. Como o próximo presidente da República terá o dever de exigir a libertação de Cavaco, se este chegar a estar preso sem culpa formada pelo crime de corrupção. O cidadão José Sócrates está a ser julgado por crimes praticados no exercício das suas funções de primeiro-ministro. Ora, nos termos da alínea a) do n.º 2 do art.º 11.º do Código de Processo Penal, é unicamente competente para julgar o primeiro-ministro pelos crimes praticados no exercício das suas funções o pleno das secções criminais do Supremo Tribunal de Justiça. Na mesma ordem de ideias, compete a um juiz das secções criminais do Supremo Tribunal de Justiça [n.º 3, alínea g) do art.º 11 do Código de Processo Penal], e não ao pretensioso super-juiz Alexandre, praticar os actos jurisdicionais relativos ao inquérito, designadamente quanto à aplicação das medidas de coação, nomeadamente a prisão preventiva" (Luta Popular)

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Grécia. A formação possível de um governo de esquerda, democrático e patriótico. Não subjugado pelo poder financeiro?

O que é o Syriza? Não é um partido, é uma coligação de pequenos partidos que se uniram na intenção de fazer frente às politicas de austeridade impostas pelas instituições financeiras europeias. Fundada em 2004, da autodenominada de Coligação da Esquerda Radical (Syriza) fazem parte:

1. o Synaspismos, uma coligação da Esquerda dos Movimentos e da Ecologia constituída por dissidentes comunistas. Integra-se no Partido da Esquerda Europeia, do qual fazem parte, entre outros o Die Linke alemão, o Izquerda Unida de Espanha e o português Bloco de Esquerda (ver mais)
2. Organização Comunista da Grécia (KOE) – resultante da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas de tendência Maoista.
3. Esquerda Internacionalista dos Trabalhadores (DEA)
4. Grupo Político Anticapitalista (APO), que integra o grupo da Esquerda Anticapitalista Europeia (ver mais)
5. Movimento pela Unidade na Acção da Esquerda (KEDA) 6. o Energoi Polites - Cidadãos Activos 7. os Eco-Socialistas da Grécia 8. Movimento Democrático Social (DIKKI) 9. o Rizospastes e 10. o Rosa 

Horas depois da vitória da Coligação Syriza, Alexis Tsipras assegurou a apoio do pequeno partido Gregos Independentes com 13 deputados eleitos o que lhe permite, em teoria, governar o país com uma maioria confortável. É uma junção estranha, entre a esquerda radical e um partido da direita nacionalista anti-troika. Tal facto impede que o novo governo grego possa ser considerado de Esquerda, uma vez que para o ser o aliado natural seria o Partido Comunista da Grécia (KKE). Mas tal opção obrigaria a pulverização da coligação Syriza a discutir o essencial: a emissão de moeda própria, a saída da área económica do Euro, a saída da Nato, o regime de propriedade privada e o controlo dos meios de produção - enfim, pôr em causa o capitalismo e o imperialismo, mobilizar os trabalhadores e as massas populares para a Revolução.

Segundo declarações de Benoît Coeuré, membro francês do conselho executivo do Banco Central Europeu, “é absolutamente claro que não podemos concordar com qualquer redução da dívida que inclua os títulos detidos pelo BCE. Tal é impossível por razões legais” O BCE detém atualmente 27,2 mil milhões de euros de dívida grega negociável, cerca de 42% do total. Duas dessas obrigações, de 3,5 mil milhões de euros, vencem a 20 de Julho, enquanto duas outras, na ordem dos 3,2 mil milhões de euros, em Agosto (ionline)
O responsável do programa económico do Syriza, Giorgos Stathakis, reiterou que o novo Governo grego não tenciona encontrar-se com os responsáveis da Troika (formada pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) e que em vez disso irá procurar negociações directas com os responsáveis dos diferentes Governos.

domingo, janeiro 25, 2015

A social democracia vence as eleições na Grécia

Antes do mais, Saudações efusivas ao povo grego por ter praticamente escorraçado do mapa eleitoral o Partido dito Socialista. Um exemplo a seguir pelos portugueses, agora que o António Costa se prepara para renovar o "ar de esquerda" eternizando-no poder, doravante com a ajuda de um desses apêndices dissidentes da área do Bloco de Esquerda.
É lamentável que os canais de televisão de Pinto Balsemão andem persistentemente a enganar o público com a afirmação de que o Syriza é um partido de extrema-esquerda. Concluimos assim que os comentadores convidados e os responsáveis pela programação do sr.Bilderbeg em Portugal são gente de extrema-direita, certo? Mais vergonhoso ainda é que os portugueses andem a pagar um canal público de televisão (RTP) que segue meticulosamente a mesma linha da SIC, tendo enviado especialmente à Grécia essa nódoa locutora do regime que pelo nome de Rodrigues dos Santos para classificar igualmente o Syriza como de extrema-esquerda.

Uma coligação anti-asteridade europeia venceu as eleições, deixando intactos todos os pilares do sistema - de facto nem sequer está assegurado que consiga fazer chegar a social-democracia à Grécia, com o Syriza o povo grego continuará atrelada à Troika, à Nato e ao Mercado, sendo estes os principais fautores da crise. Será o programa de governo do Syriza uma coisa radical?
Por último, voltar à Terra:  em vésperas das eleições, Alexis Tsipras, para ganhar o voto dos moderados e dos indecisos, e assim alcançar a maioria de 35%, recorreu ao jornal conservador britânico Financial Times para prometer que “o futuro governo chefiado pelo Syriza vai manter todos os compromissos que a Grécia assumiu anteriormente com a União Europeia em matéria orçamentária e para eliminar o déficit. Ao mesmo tempo, o Syriza promete introduzir na Grécia um novo contrato social para fechar o ciclo da austeridade e, consequentemente, alcançar a estabilidade política e a segurança económica”. A ver vamos...

Para já a guerra já começou: o lider do Partido Popular Europeu (PPE), a maior família política europeia de cariz neoconservador diz que "os contribuintes europeus não estão prontos para pagar as promessas vazias do senhor Tsipras" (fonte)

sexta-feira, janeiro 23, 2015

Portugal foi alvo de ataque financeiro planeado

Cristina Martín Jiménez, a jornalista espanhola e autora do livro «O Clube Secreto dos Poderosos - Os Planos Ocultos de Bilderberg», explica, em entrevista à TSF, o trabalho desenvolvido há cerca de dez anos sobre o clube «secreto» que pretende «criar um governo mundial único, em mãos privadas» e que «em Portugal, Espanha e Grécia governou através da Troika». (ver entrevista)

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quinta-feira, janeiro 22, 2015

American Sniper

É uma obra de propaganda tão boa, tão boa, que uma multidão de palermas se dispõe a dar dinheiro para engolir o embuste. O filme, do realizador republicano e bushista Clint Easwood, é dedicado à vida de Chris Kyle, o marine dos SEAL considerado como o melhor franco-atirador da história do exército norte-americano, com 160 mortes confirmadas. É uma elegia à cultura da guerra. E como nestas coisas rir é o melhor remédio, a cena mais marcante é aquela onde, devido à não comparência do fornecedor de bebés para decors, Eastwood usou um bebé falso que se tornou um elemento inadvertido de comédia. Diz quem viu que é impossível não rir a bom rir com o primarismo da cena, o quem sido amplamente glosado pelo show-bizz americano:

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Baseado num livro autobiográfico escrito pelo próprio Chris Kyle, o filme pouco ou nada tem a ver com a obra original. Com um argumento completamente adulterado 'American Sniper' é uma obra historicamente desonesta, a fazer lembrar os montes de filmes de propaganda da era Bush na medida em que atira areia para os olhos sobre os factos. Chris Kyle, musculoso, arrogante, mal-encarado e letal, gostava de contar histórias. Antes da sua morte em 2013 aos 38 anos, o chamado franco-atirador mais letal da história americana alimentou narrativas de histórias em quadradinhos, ao estilo dos "verdadeiros mauzões americanos" de botas tipo Texas. Com 160 cruzes no cinturão e uma bela família para trás, tornou-se uma lenda militar e o livro tornou-se um best-seller. Ergueram-se estátuas, fizeram-se milhões. A família de Chris Kyle fez saber que ele doou os lucros do livro aos Veteranos de Guerra, mas a The National Review desmascarou a afirmação: cerca de 2 por cento - 52.000 dólares - foram para os Veteranos, enquanto o autor embolsou 3 milhões de dólares. Enfim é uma estória construída por um conjunto de meias-verdades, mitos e puras mentiras que Hollywood sempre se dispõe a perpetuar. Eis algumas das mentiras em concreto:

O filme sugere que a Guerra do Iraque foi desencadeada como resposta ao 11 de Setembro. Uma maneira de angariar público a apoiar inequivocamente as acções de Kyle - acreditar que ele entrou em acção para vingar os ataques terroristas do 11 de Setembro. E inventa um Sniper Terrorista que trabalha para várias facções opostas, o antagonista principal de Kyle no filme é um atirador de elite chamado Mustafá. Ora, Mustafá é mencionado num único parágrafo no livro de Kyle, mas o filme eleva-o à figura de um sírio vencedor da medalha olímpica que luta por ambos os lados, contra os sunitas em Fallujah e contra os xiitas do exército de Madhi. O filme retrata Chris Kyle como atormentado pelas suas ações: várias cenas retratam Kyle como obsecado pelo seu trabalho - encenado para mostrar o "tormento emocional de tantos homens e mulheres militares que voltam da guerra ao serviço da pátria". Mas esse tormento está completamente ausente do livro. Kyle refere-se a todos contra quem ele lutou como "selvagens e despreziveis – escrevendo: "só tenho pena de não ter matado mais", acrescentando "eu adorava o que fazia. E voltaria a fazer, se as circunstâncias fossem diferentes e se a minha família não precisasse de mim - eu voltaria num abrir e fechar de olhos. Eu não estou a mentir ou a exagerar quando digo que foi divertido. Como SEAL tive o melhor momento da minha vida".

Numa aparição no show de Conan O'Brien Kyle ri sobre ter disparado acidentalmente contra um insurgente iraquiano. Os meus superiores tinham-me dito para não atirar sobre pessoas do Corão, eles gostariam que assim fosse, mas eu não". O verdadeiro Chris Kyle inventou uma história alegando que matou 30 pessoas no caos de Nova Orleans, uma história considerada pelo escritor Jarvis DeBerry como absurda. Pretende mostrar o tipo de mentalidade traumatizada dos que voltam da guerra. Mas o episódio não aparece no filme. O verdadeiro Chris Kyle fabricou uma história sobre a morte de dois homens que supostamente o tentaram assaltar por carjacking no Texas. Diversos repórteres de mexericos tentaram repetidamente comprovar essa afirmação, mas não encontraram nenhuma prova. Kyle acusou o ex-governador do Minnesota, Jesse Ventura ele próprio um ex-SEAL, por ter difamado os Navy SEALs envolvendo-se numa briga com ele num bar local. Ventura processou Kyle por difamação em passagens do livro e o tribunal condenou Kyle a pagar 1.845.000 dólares. Na senda do livro, o filme é um sucesso de bilheteira, havendo no entanto uma crescente reacção contra o seu retrato simplista da guerra e takes enganosos sobre o personagem Kyle. Mas essa reacção está ser evitada entre os membros da “Academia de Cinema Artes e Ciências”, o que poderia ameaçar o objectivo do filme na acumulação de Óscars.

quarta-feira, janeiro 21, 2015

eleições na Grécia, tudo como dantes?

É um facto dado como certo, sob um plano de apoio financeiro internacional, caso o programa actual não seja prolongado ou substituído após o prazo de 28 de Fevereiro, a chantagem caso o Syriza vença as eleições, os bancos gregos serão impedidos de recorrer a financiamentos junto do BCE.

Face a isto, a candidata do Syriza Rachel Makri voltou a repetir o argumento que o Banco Central da Grécia pode recorrer ao Mecanismo de Assistência de Liquidez de Emergência (ELA) para imprimir 100 mil milhões de euros e resolver a crise de liquidez. Os comentários de Rachel Makri provocaram críticas ferozes e a ridicularização pelo partido Nova Democracia e outros partidos (então porque não imprimimos 300 mil milhões e apagamos a dívida desse modo?), enquanto muitos quadros do Syriza também expressaram seu cepticismo. Makri argumenta que "os bancos centrais regionais, como o Banco da Grécia tem o direito de imprimir (emissão) de dinheiro ao abrigo do programa "Emergency Liquidity Assistance mechanism and ECB funding for banks", acrescentando que essa capacidade existe localmente para providenciar um "tratamento institucional" para enfrentar crises de liquidez. A candidata também atacou os seus críticos, salientando que a falta de ética no "ataque por membros do Syriza" fortalece os esforços do poder e "revela perigosa irrelevância dos Media do sistema". A consultora financeira do Syriza, Yannis Milios, também comentou no Twitter que "quando nós cometemos um erro, devemos aceitá-lo, permanecer prudentes, modestos e corajosos, isto é, se não queremos perder a simpatia desta forma. (fonte)

Garcia Pereira - Contra a Privatização da TAP

terça-feira, janeiro 20, 2015

alguns tópicos sobre o modelo de Socialismo na China

visto pela óptica de um autor ocidental que não pode ser considerado como socialista, o elogio implicito pelos próprias detractores do regime chinês (François Gipouloux, "A China do Século XXI, uma Nova Superpotência" edição importada pela Piaget)

Não existe especulação financeira
controlo dos meios de produção
a ênfase posta no factor Trabalho em detrimento do Capital
Descentralização
primazia ao Investimento Interno
criar canas de pesca, não oferecer peixe grátis
Imperialismo? a exportação de capitais é irrisória

segunda-feira, janeiro 19, 2015

vêm aí os russos...

Num seminário recente sobre a Nova Ordem Mundial o presidente Vladimir Putin questionou a audiência sobre as razões que levam os Estados Unidos a apoiar, financiar e armar forças neofascistas e terroristas  islâmicos: "Estamos perante a tentativa de construção de uma nova ordem ou diante da pretensão de ausência de qualquer ordem? (Valdai-Club). Há quem afirme que a paciência de Putin está a salvar o mundo da ameaça de uma guerra nuclear. (Rússia Today). Por último, a Europa este ano vai esquecer-se de convidar Putin para a cerimónia comemorativa daa libertação do campo de concentração de Auschwitz no final da 2ª Grande Guerra - isto é, "esquece-se" de convidar os herdeiros de quem o libertou. (fonte)
Depois da China e da Rússia assinarem o acordo para o fim do uso de dólares nas transações comerciais, chegou a vez do Brasil. A seguir será a India e a África do Sul; Argentina e outros se seguirão. A queda do dólar tornar-se-á então evidente. O lobi dos banqueiros sionistas, o mega-especulador Soros, os terroristas da CIA e os keynesianos bélicos dos Estados Unidos, entraram em desespero, por isso hoje se vêem falsos atentados em diverso países, a fim de instalar leis marciais e assim destruir as liberdades dos povos, obrigar os Europeus (450 milhões na sua qualidade de consumidores) a aceitar a integração no grande espaço do Atlântico Norte sob a pata dos investidores financeiros do "mercado livre". Para isso, os EUA planeiam fazer colapsar a Europa, tal como fizeram ao Japão na década de 90. (Jim Willie)

Os países membros do "BRIC`S" (Brasil, Rússia, Índia, China) acordaram assinar em Julho próximo os documentos para a fundação de um Banco próprio de Desenvolvimento (que substituirá o famigerado FMI controlado pelos EUA) e de um fundo de reservas monetárias na próxima VI Cimeira dos BRIC`S, que terá lugar no Brasil nos días 15 e 16 de Julho, segundo informou a agência Tass citando o gabinete de imprensa do Kremlin - a Cimeira contará com a presença do presidente russo Vladimir Putin.

Ao mesmo tempo, as sanções atingem não apenas nos inimigos de Washington mas também os seus amigos, embora na maioria dos casos, os Estados Unidos tentem coordenar as sanções com os seus aliados. Como resultado, com as contra-sanções russas alguns líderes europeus queixam-se que os seus países com as medidas impostas pelos EUA. Tendo em conta que a circulação de mercadorias entre a Rússia e a União Europeia é 10 vezes maior que com os Estados Unidos, pode-se imaginar os danos causados pelas sanções aos produtores e à economia europeia. (Rússia Today). No campo energético com a decisão da Rússia de inviabilizar o gasoduto SoutStream que passaria através da Ucrânia, a União Europeia ver-se-á obrigada a construir uma variante até à Turquia, isto é, se quiser que a Alemanha e toda a Europa central pró-Sionista quiserem ter abastecimento de gás. (Telesur)
Por último, o ministro da Agricultura da Russia afirmou em Berlim que no caso de a Grécia ter de deixar a UE, as contra sanções da Russia à UE que estão a levar à ruína os agricultores gregos, serão levantadas.

domingo, janeiro 18, 2015

Espírito Santo. Um mapa para ninguém se perder no império da corrupção entre o Capital e o Estado

Desde o arranque dos trabalhos da comissão de inquérito ao caso BES/GES que Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda que faz parte da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES, trabalha numa infografia que reunisse dados entre quase 200 entidades, holdings, empresas e offshores, que se cruzam em cascata num gigantesco império cujos tentáculos minam toda a politica nacional da área do poder em Portugal
É um paliativo, mas não apaga o clima de impunidade que tem atropelado a verdade nas diversas declarações de acusações mútuas com que têm glosado o prato as testemunhas. Mortágua concebeu o organigrama para uso pessoal, para que a qualquer momento pudesse fazer uma consulta rápida, durante as audições ou na sua preparação, mas também para mostrar ao público o que está em causa quando falamos do "Espírito Santo". O resultado é agora disponibilizado no blogue "Disto Tudo", que a autora concebeu como "um diário da Comissão de inquérito ao BES".
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sábado, janeiro 17, 2015

Óstia, o porto de Roma

Para satisfazer as necessidades de comércio ultramarino da Roma Imperial o imperador Cláudio mandou construir um porto na foz do rio Tibre. A construção ficou completa no ano 64 n.e. durante o reinado de Nero. Um grande farol muito semelhante em aparência ao de Paros orientava os marinheiros na entrada. Embora este mapa mostre apenas um pequeno número de barcos protegidos dentro do quebra-mar o porto possuia capacidade suficiente para albergar 200 navios na sua bacia. (in "De Constantino a Carlos Magno, a arqueologia em Itália", Neil Christie)

sexta-feira, janeiro 16, 2015

do Desencanto

"Uma das mais importantes considerações de [Eric] Hoffer é a de que não é a pobreza que transforma alguém num verdadeiro crente, mas sim a frustração" - esta citação é de Martin Wolf e foi publicada no Financial Times, um jornal que não é suspeito de ser comunista, nem sequer de esquerda; a sua ideologia é o dinheiro, a defesa do capital que não se consegue continuar a reproduzir devido ao risco da luta dos dissidentes do sistema, aka, dos "terroristas" em regiões onde existem lutas pela expulsão do neocolonialismo anglo-american-europeu. (FT)
Hoffer usa o argumentum ad populum - se milhares de milhões de pessoas acreditam em algo, isso quer dizer que essa crença não pode estar errada! Datado de 1951, afirma que os movimentos de massa podem nascer sem deus, mas não sem um demónio: são os bodes expiatórios das seitas, culpados pela desgraça que eram, no contexto anterior à guerra, a ascensão do fascismo, do nazismo e do "comunismo"-de-Estado, todos como reacções à Grande Depressão de 1929. Todos estes movimentos, escreveu ele, declaram dissolutamente a decadência do Ocidente.


o Verdadeiro Crente” é um ensaio sobre a adesão das pessoas aos movimentos de massas, onde em primeiro lugar predominam os frustrados (e não os remetidos à pobreza), isto é, os indivíduos que sentem, as suas vidas desperdiçadas, os que fracassam e têm propensão para culpar o mundo pelo seu fracasso. Os que irremediavelmente destroçados não conseguem encontrar na sua inacção uma finalidade válida para o seu avanço pessoal. Deste modo, não é a pobreza a principal causa das revoltas sociais, mas a frustração que conduz ao orgulho, confiança e esperança no mérito de identificação com uma causa sagrada, interiorizada pelas amorfas massas maioritárias, por exemplo, a democracia in abstracto ou o acreditar em milagres exorcisados por seres sobrenaturais.

Para Hoffer as peculiariedades frustrantes são comuns às associações religiosas, movimentos nacionalistas e revoluções sociais, como a que a extrema-direita neoconservadora lidera actualmente no ocidente. Portanto, trata-se de quem manipula quem, que Poder ou Classe e com que finalidade. Seja qual for a doutrina que se incuta nas massas e o programa que projectam, todas fomentam fanatismo, entusiasmo, esperança fervorosa, ódio e intolerância. Principalmente se se culpar uma ínfima minoria de determinado grupo generalizando-a como se fosse o todo. Todos os movimentos de massas, por exemplo, os cooptados por acontecimentos ampla e repetidamente propagandeados pelos Media, como nas missas, são capazes despoletar uma poderosa torrente de actividade comportamental perante a vida. Todos eles exigem uma fé cega e uma obediência inequívoca. Uma força que impele a opinião pública a expansão e domínio passivo em prol de uma causa global, desde que esta seja tida como “boa”. Logo, a técnica de conversão eficaz consiste essencialmente no inculcar e fixar propensões e reacções inerentes às mentes frustadas, pelo que é prioritário inquirir dos males que afligem os frustrados. E o Poder dispõe hoje de mecanismos de estudo social e estatístico que lhe permite avaliar até que limites pode disseminar a pobreza sem que exista perigo de revolta. Até que ponto se pode patrocinar e viabilizar a disseminação de um movimento de massas num determinado sentido.

Assim, quando o avanço social não pode, ou o impedem de servir de força motriz, o Poder tem de encontrar outras fontes de entusiasmo (por exemplo, contra o radicalismo islâmico ou os radicais progressistas prejudiciais aos mercados e à exploração capitalista) de modo a despertar e renovar uma sociedade estagnada para que se concretizem e perpetuem mudanças compulsivas. E neste campo o nacionalismo continua a ser a fonte mais copiosa e duradoira que entusiasma as pessoas, o que os políticos que em nome da classe que detêm a propriedade enchem a boca regurgitando em representação “de todos os portugueses”, embrutecidos pela ilusão de pertença e acesso ao mesmo pote que os ricos, os que os põem a salvo do imprevisível, trabalhadores nómadas, operários sem indústria, pescadores sempre em risco, agricultores, a grande massa de funcionários do terciário, antes de se degradarem na indigência, receiam o mundo abjecto que os rodeia, mas não são permeáveis à mudança. O descontentamento por si só não é capaz de produzir acções para a mudança. Face aos sinais de decadência, ansiosos e aturdidos pelos incessantes atropelos, pelo medo artificialmente incutido, pensam que qualquer mudança será sempre para pior que para melhor. Há um conservadorismo nos desfavorecidos tão profundo como o conservadorismo dos privilegiados, e o primeiro é tanto um factor de perpetuação da ordem social vigente quanto o segundo.