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quarta-feira, fevereiro 18, 2015

o que está realmente em jogo na relação devedor/credor

o actual governo da Grécia herdou uma situação de corrupção que vem dos governos anteriores por décadas. Além do mais está vinculado a compromissos de uma dívida que não foi criada pelo povo grego (a Grécia paga em juros 780 euros por segundo) a qual está posta em causa pelos seus actuais legitimos representantes. Para já, num país submetido ao dominio do crédito financeiro, trata-se de negar firmemente que possam existir exigências de contrapartidas em mais austeridade na área social. Ao mesmo tempo que se tenta regressar a uma espécie de social-democracia. O que, como se verá, falando na óptica capitalista europeia, será praticamente impossivel...

O ganho dos credores está nos juros, a Alemanha lucrou 65 mil milhões de euros, só com a Grécia. E já agora cabe perguntar ao excelentissimo dinossauro Cavaco: e com a dívida de Portugal? quanto lucraram os alemães?

Um vídeo de Março de 2012, "A crise grega e a história que contaram aos alemães", uma reportagem da televisão pública alemã sobre a crise na Grécia, sobre o dinheiro que foi de facto emprestado e sobre a história da carochinha que foi contada aos alemães.

......

(...) a conclusão a tirar é que o verdadeiro objectivo do empréstimo de dinheiro ao devedor não é apenas obter um reembolso com lucro da dívida, mas o prolongamento indefinido da dívida que mantém o devedor numa posição de dependência e subordinação. Há cerca de uma década, quando a Argentina decidiu pagar antecipadamente a sua dívida ao FMI, a reacção do FMI foi surpreendente: em vez de mostrar satisfação por reaver o seu dinheiro, o FMI (ou melhor, oos seus representantes de topo) exprimiram a sua contrariedade por verem a Argentina em condições de utilizar a sua nova liberdade e a sus independência perante as instituições financeiras internacionais para abandonar a sua politica económica interna de controle rigoroso, lançando-se numa politica de despesas irreflectidas. Esta inquietação do FMI tornava tangível o que está realmente em jogo na relação devedor/credor: a dívida é um instrumento destinado a controlar e regular o comportamento do devedor, e é por isso que procura reproduzir-se e expandir-se" (Slavoj Žižek, "O que Quer a Europa", 2013)

terça-feira, fevereiro 17, 2015

Portugal de cócoras face à "europa"

..."Portugal recebeu “luz verde” do Eurogrupo para avançar com o pagamento antecipado de parte do empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI)"... Até para pagar precisamos de licença... 

"as politicas neoliberais comtemporâneas produzem um capital humano ou um "empresário em si" mais ou menos endividado e mais ou menos pobre, mas sempre precário. Para a maioria da população, ser empresário de si reduz-se a que o individuo tenha de gerir a sua própria empregabilidade, as suas dívidas, a diminuição do seu salário e rendimento, bem como a redução dos serviços sociais segundo as regras do mundo dos negócios e da competividade" (Maurizio Lazzarato, "The Making of the Indebted Man")
à medida que os individuos empobrecem devido à redução dos salários e corrosão dos direitos sociais, o neoliberalismo oferece-lhes como contrapartida o endividamento e o incitamento a que se tornem accionistas (...)

Estamos perante o paradoxo da realização directa que se transforma no seu contrário. O actual capitalismo global desenvolve até ao seu limite a relação credor/devedor, ao mesmo tempo que a mina: a dívida torna-se um excesso manifestamente ridiculo. Entramos aqui no dominio da obscenidade: quando o crédito é concedido, já não se espera sequer que o devedor o pague - a dívida é directamente tratada como um meio de controle e dominação (...)
De acordo com dados oficiais, cerca de 90 por cento do dinheiro em circulação é dinheiro virtual, associado ao crédito: por conseguinte, se os produtores "reais" se encontram endividados perante as instituições financeiras, temos boas razões para pôr em dúvida o estatuto da sua dívida que tem lugar numa esfera sem qualquer ligação com a realidade de uma unidade de produção local (...)
ou seja, as pessoas não podem ser comparadas com os paises - são lógicas diferentes. O dinheiro do nosso orçamento familiar é ganho com trabalho. O "dinheiro" usado pelos países é fabricado e emprestado a juros. É o esquema do imbalance, o que uns têm a mais por este processo, têm outros a menos - e claro, este sistema nada tem a ver com trabalho. E só o Trabalho cria Valor.

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Yanis Varoufakis: "Não há Tempo para Jogos na Europa"

Discurso do Ministro das Finanças da Grécia, aos Burocratas: "A grande diferença entre este governo e governos gregos anteriores tem duas vertentes completamente distintas. Estamos determinados a entrar em conflito com poderosos interesses obscuros, a fim de recuperar a Grécia e ganhar a confiança dos nossos parceiros. Também estamos determinados a recusar-nos a ser tratados como uma colónia da dívida que deve sofrer o mais que for possivel. A Grécia só poderá pagar as suas dívidas se formos capazes de reconduzir a nossa economia ao crescimento. O princípio de maior austeridade a acrescentar à austeridade aplicado a uma economia enormemente deprimida, seria pitoresco se não estivesse a causar tanto sofrimento desnecessário"

Moral da história: pregar aos Burocratas é mais inútil do que pregar ao Peixes!

"O problema com a teoria dos jogos, como eu costumava dizer aos meus alunos, é que ela assume como certas as motivações dos jogadores. No poker ou no blackjack este pressuposto não é problemático. Mas nas deliberações correntes entre os nossos parceiros europeus e o novo governo da Grécia, a questão está em formular novos motivos. Para formar uma mentalidade nova, que transcenda as divisões nacionais, que dissolva a distinção entre credor e devedor a favor de uma perspectiva pan-europeia, que coloque o bem comum europeu acima da politicagem, um dogma que se comprovou ser tóxico se universalizado numa mentalidade do nós-contra-eles. Como ministro das Finanças de uma pequena nação, fiscalmente stressada e bloqueada pelo seu próprio Banco Central e vista pelos nossos parceiros como um devedor problemático, estou convencido de que temos apenas uma opção: evitar qualquer tentação de tratar este momento crucial como uma experiência em estratégias, e, em vez disso apresentar honestamente os factos relativos à economia social da Grécia, pondo em cima da mesa as nossas propostas para uma renovação da Grécia, explicar porque estas propostas são do interesse da Europa, revelar as linhas vermelhas para além das quais a lógica do dever nos impede de ir (...)"

"a reunião relâmpago do Eurogrupo (assessorado pelo governo alemão) terminou com um ultimato: a Grécia tem quatro dias para repor o programa de austeridade que foi recusado pelas urnas"

sábado, fevereiro 14, 2015

delenda athens est. é preciso destruir o Syriza. suplica o arauto da sonae

Guilherme Da Fonseca Statter: "Se houvesse lugar a um mínimo de racionalidade e de conhecimento ciêntífico sobre as sociedades humanas não teria qualquer problema em tentar explicar a este senhor jornalista que a sociedade portuguesa é talvez (diria mesmo certamente...) mais hipócrita do que a sociedade grega. E por boas razões histórico-culturais... Talvez lhe explicasse também que se há - na UE - país mais corrupto do que a Grécia, esse país é certamente Portugal... Talvez lhe explicasse também porque defendo a tese de que em Portugal as grandes fortunas (e mesmo muitas pequenas fortunas) fogem muito mais aos impostos do que na Grécia... E com mais requinte e «profissionalismo»... Receio é que este senhor jornalista não iria perceber patavina do que eu lhe tentasse explicar".
«É preciso ser uma raposa para reconhecer as armadilhas, 
e um leão para espantar os lobos» - Niccolo Machiavelli (daqui)

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Keep Talking Greece

2 passos em frente com amplo apoio popular. Segundo a última sondagem na Grécia o partido no governo Syriza dispara para 45%, e fica 27% acima da Nova(velha)Democracia. Todos os outros partidos descem, o KKE ficaria em 3º lugar. Os xuxas do Pasok com 2,8% deixariam de ter representação parlamentar, um vaipe que não passa pela cuca do nosso Costa. Mas devia passar...  
(Os valores a vermelho são os resultados da eleição de 25 de Janeiro) http://bit.ly/1Cp4B1l
 

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

O caso "Swissleaks" / As Negociações na Grécia

"Quem está aterrado e desesperado, completamente desorientado a rosnar ameaças a torto e a direito, é a Alemanha, porque a Alemanha é o grande beneficiário da UE" - Garcia Pereira 

...........

'esta frase, como português, envergonha-me. estalou o verniz a cavaco e revelou o seu verdadeiro europeísmo de pacotilha. anos e anos a falar do "projecto europeu", mas, pelo vistos, basta os portugueses emprestarem à Grécia 20% do que perderam com o desvario cavaquista no bpn, para o PR agitar fantasmas e entrar por um caminho incendiário e demasiado perigoso. de resto, sabemos que estamos num momento chave quando cavaco consegue ser mais irreflectido e demagógico do que passos coelho.(Pedro Sales)

e a Mumia ralada:
«Quem falou não foi o Presidente de todos os portugueses. Não pode ter sido. O sentido de Estado não é aquilo. Não pode ser. Hoje quem falou foi sobretudo o cidadão Cavaco Silva, o mesmo que se queixou da sua magra reforma a um Portugal sacrificado pela Troika. O mesmo que se mostrou incomodado quando foi confrontado com o que tinha dito sobre o GES/BES, depois das reuniões com Ricardo Salgado. O mesmo que nunca se engana e raramente tem dúvidas. Serão só problemas de expressão?» - (Bernardo Ferrão, Expresso)

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

somos todos gregos, a luta é de todos os europeus


Merkel diz que países da zona Euro devem estar preparados para ceder soberania: "Temos de estar preparados para aceitar que a Europa tem a palavra final em certas áreas", defendeu a chanceler" veicula o Público.
O que é a "Europa"? um continente ocupado, acção que começou quando os Aliados "ocupavam" a Alemanha, disse o barrasco Valente de serviço ao neoliberalismo ... "Ocupavam" e ainda ocupam (70 mil militares no triângulo de Ramstein) mas o dominio prevalece principalmente por via financeira, a indexação do euro ( o marco alemão) ao dólar. E os Bancos Centrais da zona dolar-libra podem emitir livremente moeda quante baste e enfiá-la directamente no Estado... e os do Euro não podem. Agora o BCE em desespero de causa foi autorizado a socorrer-se igualmente do quantitive easing, mas isso não irá beneficiar os europeus, apenas gerar uma hiperinflação semelhante à que atingiu a Alemanha nos anos 20... e da qual só se saiu pela guerra...

Alemanha incentivou Papandreu a inflacionar artificialmente o défice da Grécia para justificar o resgate. Uma manipulação trágica. (InfoGrécia)

«É como um castelo de cartas. Se tirar o cartão grego, os outros vão entrar em colapso» (Yanis Varoufakis, comentando a saída seguinte de Portugal e Itália do Euro)
"O fim da crise não irá chegar se dissermos que sim a outro programa [de resgate]", declarou Varoufakis aos deputados, que o aplaudiram de pé quando disse que "alguém tem de dizer 'não' e esse alguém é a Grécia!" 

Alemanha é o país que mais desviou crescimento de Portugal. O sucesso e os excedentes de uns países europeus são os prejuízos de outros, não existindo mecanismos que compensem os desiquilibrios (Dinheiro Vivo)
Não há crise. Excedentária, a conomia alemã ganhou 101 mil milhões em excedentes desde 2006
(Diário de Noticias)

Cumprindo ordens dos EUA. "Ângela Merkel é o líder europeu ocidental mais monstruoso desta geração. Uma política que inflinge crueldade económica em larga escala, destruindo a vida de milhões de pessoas" (The Guardian 28-01-2015)

terça-feira, fevereiro 10, 2015

Relatório militar das Repúblicas de Donetsk e Luganks. Situaçaõ em 10 de Fevereiro 2015

5 a 8.000 mercenários do governo nazi-fascista de Kiev estão encurralados em Debaltsevo (Agência Tass). Cercados e com poucas hipóteses de fuga, metade são soldados da NATO, dos países Bálticos, Estados Unidos, França e outros. Ora aqui está a razão porque a Merkel e o Holland foram humildemente a Moscovo de calças na mão e a Merkel imediatamente a seguir a Washington receber ordens do patrão. E daqui a pouco lá vão em peregrinação a Minsk em busca de um "acordo de paz". Enfim, milhares de milhões apostados na exploração de 44 milhões de ucranianos que estão perdidos; Esperemos que a derrota convença estes empreiteiros da guerra a não se aventurarem num novo Vietname no século XXI



Agressão russa, uma Grande Mentira repetida mundialmente ad nauseum (Global Research)

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

agressão russa, agressão russa, agressão russa

O secretário de Estado para os assuntos estrangeiros russo Sergey Lavrov acaba de afirmar na Conferência de Segurança realizada em Munique (Munich Security Conference 2015) que "a segurança da Europa está a ser sabotada pelos Estados Unidos" (Global Research) 
As constantes provocações das "democracias ocidentais" apostadas em transformar a antiga "guerra fria" em guerra quente, business as usual, têm insistido na necessidade de armar os nazi-fascistas de Kiev, a Nato pronta a intervir militarmente, os papagaios-lacaios do Complexo-Militar-Industrial debitando ameaças constantes sobre "os rebeldes" que não têm intenções de se submeter à dominação estrangeira. E quando o alarido sobre o uso das armas sobe de tom, é porque os fautores da Nova Ordem Mundial já têm armas suficientes no terreno, de novas tecnologias que são urgentes para o negócio sejam experimentadas - faltando-lhes apenas um pretexto para avançar. Será que pensam e estão certos que têm meios para destruir um país como a Rússia? ontem a fábrica de quimicos DKZHI perto de Donetsk foi bombardeada pela tropa de Kiev com ogivas disparadas por artilharia que causaram um enorme clarão, o qual inclusivé foi registado por satélites a partir do espaço (ver video) . John McCain, chairman do Comité do Senado para o serviço de Armamento (Senate Committee on Armed Services), disse que Kiev está a usar bombas de cluster (semelhantes às empregues no ataques israelitas que destruiram Gaza) porque a tropa ucraniana não possui ainda armas melhores que estas entregues pelos Estados Unidos (fonte)  - mas o efeito de ontem não foi apenas o que causaria as "bombas de cluster", trata-se de algo mais grave: os EUA estão dispostos a utilizar bombas nucleares tácticas operadas por técnicos militares norte-americanos e este foi o primeiro ensaio?

domingo, fevereiro 08, 2015

Ucrânia. Esta é uma Guerra Sagrada contra o Nazismo

O grande problema para os investidores ocidentais é que as milicias do povo das Repúblicas Independentes de Donbass (Donestks e Luganks, estão a ganhar a guerra contra o bando de arruaceiros de Poroshenko, em cuja tropa 80 por cento dos mercenários que a constituem são indigentes inaptos militarmente.  Tal como na guerra sagrada travada pelos soldados da União Soviética entre 1939-1945, esta é novamente uma guerra pela terra, pela familia, pela Pátria livre. Este designio de vitória levou Merkel e Hollande a humilhar-se em peregrinação a Moscovo (como antes os Aliados à URSS de Estaline) à procura de uma saida airosa para a empreitada em que Washington os meteu. François Hollande, um dos mais nojentos vassalos do imperialismo, sem resultados nem nada para dizer no regresso, disse " se não conseguirmos chegar a um acordo de paz, o único cenário é a guerra" (fonte) a que Merkel, pessimista, se apressou a acrescentar: "iremos armar as tropas de Kiev". Putin: "não desejamos a guerra contra ninguém". Lavrov: "respeitaremos o Tratado de Minsk", concluindo o comandante da Nato Philipp Breedlove: "não creio que seja justo excluir o uso da força militar", ameaça no seguimento das declarações do vice-presidente dos EUA: "Putin terá de escolher entre a retirada da Ucrânia ou mais sanções" (RaiNews). Mas como poderá um estrangeiro ordenar a outro estrangeiro retirar-se de um local onde um não está e o outro não deveria ter nada a ver com isso?

É o especulador financeiro George Soros que dá o mote: "Faz 25 anos assisti à desintegração e queda da União Soviética, evento que foi contrabalançado com a formação da União Europeia (...) desta vez é a União Europeia que se está a desintegrar, e a Rússia volta a beneficiar desta situação". (citado durante a Conferência de Segurança de Munique pela RiaNovosti). Ao mesmo tempo, o presidente da "Open Society Foundation" acusou a União Europeia de não cumprir as suas promessas de ajuda à Ucrania, algo que levou o país, assegura, à beira do colapso (leia-se, o regime de Kiev). "Cada um deve fazer o seu trabalho. Eu proporciono alguns milhões para ajudar a Ucrânia", concluiu Soros. Conversa para parolos àparte, a União Europeia, cujos três principais chefes políticos, François Hollande, Angela Merkel e David Cameron, mais que nunca dão os braços ao sionismo, não se fez rogada em entregar nada menos que 1,6 mil milhões de euros ao regime abertamente fascista de Petro Poroshenko entre 2014 e os primeiros dias de 2015 (fonte) 



imagens da ofensiva do Exército da Novorossiya 

sábado, fevereiro 07, 2015

Declaração da Tendência Comunista integrada na Coligação Syriza

Ao governo grego e aos nossos camaradas na liderança do partido, afirmamos o seguinte:

Ignorem todos os ultimatos! Não recuem, pois isto incentiva os nossos adversários de classe dentro e fora da Grécia! Permanecer fieis aos nossos compromissos! Não mais ilusões no poder das negociações! A solução somente pode ser encontrada em medidas radicais e na luta, não na diplomacia e em negociações! Os nossos únicos parceiros e aliados são os trabalhadores de toda a Europa e do mundo!
Estamos agora em estado de guerra com a Troika e o capital, e devemos desarmá-los! Devemos renegar a dívida e, dessa forma, desfazer qualquer possibilidade da Troika de nos chantagear! Nem mesmo por mais um dia devem ter os especuladores qualquer controle sobre os depósitos, moradias e dívidas do povo! Nacionalizar os bancos! Integrá-los em um único banco estatal que garantirá os depósitos e se tornará a ferramenta para o desenvolvimento destinado ao benefício da sociedade.
Institucionalizar o controle operário sobre todas as empresas para revelar a fraude fiscal e todas as outras fraudes do capital!
Tomar de volta todas as empresas de radiodifusão de todos os magnatas dos Media e disponibilizá-las ao uso gratuito do povo e das suas estruturas democráticas!
Nacionalizar sem indemnização todas as empresas que foram privatizadas! Aplicar um programa de nacionalização de todas as grandes empresas que se recusarem a implementar as novas leis do contrato laboral e que forem abandonadas pelos seus proprietários no contexto da sua guerra económica contra o governo.
Nenhuma confiança no aparelho estatal de nepotismo, corrupção e autoritarismo! Mudança de ministros e de pessoas não é suficiente! Devemos evitar qualquer sabotagem interna do governo! Refundação, sobre bases democráticas, da polícia e do exército, removendo todos os fascistas, abandonando a Nato e passando todo o controlo sobre as forças armadas para as organizações de massa do povo!
Remover do governo todos os potenciais “elos fracos” que são propensos a recuar sob a pressão do capital! Remover dos postos governamentais os nacionalistas burgueses de Gregos Independentes, bem como todos aqueles que apoiam acordos com a Troika e o Capital!
O Syriza deve apelar agora para um programa de acção de massas à escala europeia, começando com manifestações nas maiores cidades da Europa e da Grécia durante os dias das reuniões de cúpula da União Europeia e do Grupo Europeu! Devemos estabelecer “Comitês de Ação” contra a Troika e a oligarquia econômica grega em todos os locais de trabalho, em todos os bairros e em todas as escolas e universidades!
Em vez de solicitar uma conferência da dívida europeia com governos burgueses, devemos celebrar diretamente da Grécia uma conferência internacional das organizações de massa da classe trabalhadora e da juventude contra o capitalismo! Nenhuma ilusão na União Europeia e na Zona do Euro dos capitalistas europeus aliados! Devemos lutar pelos Estados Unidos Socialistas da Europa!
relacionado: 

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

A Situação Política Actual da Grécia

Yanis Varoufakis para os decisores da Alemanha e do BCE "Eu esta noite vou voltar a um país em que a terceira força politica é um partido Nazi. Vocês têm de decidir quem querem ajudar"

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Comunismo, Revisionismo, Capitalismo

Acaba de ser revelado um plano mantido em segredo concebido pela China de Mao Tsé-Tung em 1955 para superar os Estados Unidos dentro de 100 anos. Um programa baseado na tradição milenar da arte de governar chinesa, adaptando-a posteriormente à modernidade muito por influência da célebre visita de Nixon e Kissinger àa China na década de 70. Já passou mais de metade de um século e o êxito de uma economia planificada como player global face à selvajaria capitalista mundial é já bem visível. Nesse documento, escrevia Mao sobre a principal tarefa da Revolução: "vamos acabar com a crença errónea generalizada de que China é um país atrasado, pobre e introspectivo” (ler mais). Neste contexto, faz todo o sentido revisitar as etapas divergentes que resultaram do conflito ideológico entre o Partido Comunista da China e o Partido Comunista da URSS.

No início do ensaio "Duas Revoluções", publicado na New Left Review há cinco anos, Perry Anderson descreveu o seu objectivo como uma explicação do contraste entre os resultados históricos das revoluções comunistas russa e chinesa. A sua tentativa envolveu a reflexão em quatro níveis: forças revolucionários originais; pontos de partida objectivos para a reforma; escolhas políticas durante a reforma e suas consequências; e a longo prazo a determinante cultural-histórica. Pode-se assim esperar um tratamento simétrico das duas revoluções, mas isto não é o que se seguiu. "o Partido Comunista da China sobreviveu à queda URSS, comenta Anderson, e o seu futuro coloca talvez o maior enigma central da actual política mundial. O foco organizador do que se segue será a China, que não se reviu no regime reformista burocrata do capitalismo de Estado russo. Por outras palavras, o desfecho do caso russo ajudou a lançar luz sobre as decisões politicas chinesas, mas o contrário não se tinha verificado, para mal dos russos. A União Soviética falhou, e seu fracasso serviu como testamento para o sucesso da República Popular da China. ("The Party and its Sucess Story, by Wang Chaohua)A Response to ‘Two Revolutions’

O relato de Anderson do “Southern Tour of 1992” de Deng Tsiau Ping aparece como o ponto de ruptura fundamental, quando a China finalmente virou a sua orientação socialista interna e abraçou o mainstream do capitalismo mundial. Mas, como observado anteriormente, pelo menos desde 1987, Deng já tinha resolutamente abraçado o desenvolvimento económico como tarefa central do Partido. Para Deng e para o PCC, o significado mais importante e duradouro da “Revolta” de Tiananmen foi que se cancelou a necessidade de justificar posições políticas ao velho discurso "socialista", um convite para perguntas irritantes. "Socialismo" passou agora simplesmente a significar que o Partido iria permanecer no poder a todo o custo, como garante da Constituição Socialista. Foi na sequência de Tiananmen que se tornou possível a Deng propagar o slogan: "a Estabilidade acima de todo o resto" (wending yadao yiqie). Foi neste contexto que Deng ordenou aos decisores políticos para parar a conversa fútil sobre o 'capital socialista' e 'capital capitalista'.

Para entender isto, é útil olhar novamente para a Rússia. A comparação de Anderson entre os dois países rompe-se neste momento, pela razão de que a União Soviética deixou de existir em 1991. Mas mesmo a Rússia pós-soviética talvez possa ter algo importante a dizer-nos sobre a China pós-maoísta. A perestroika foi claramente a reforma política privilegiada sobre a reforma económica, enquanto na China a reforma económica foi a prioridade a todos os niveis, sendo o factor politico sacrificado à economia. O primeiro caminho levou, na análise padrão, a completar o desastre, o segundo para um sucesso espectacular. Medido pelo crescimento do PIB, o contraste é evidente. Mas há um outro lado da história que geralmente é negligenciada. Nas duas sociedades, quem suportou os custos da reforma? Na URSS, porque a mudança política veio primeiro, garantindo pelo menos a liberdade de expressão (e, em certa medida de organização), com várias opções a escolher nas urnas, era difícil para o Estado lançar todas as responsabilidades para o bem-estar social. Mesmo após o colapso da União Soviética, e da celebração aberta do capitalismo em uníssono pelos Governantes e pelos Media, os Estados sucessores mantiveram quase invariavelmente, de algum modo e dentro do possível, os programas públicos de educação e cuidados de saúde herdados do tempo de vida da URSS.

Em contrapartida, ao colocar a reforma económica em primeiro (e último) lugar, a liderança chinesa empenhou-se em reduzir os encargos do Estado, quebrando sem qualquer preconceito moral e de modo dialéctico as promessas políticas da República Popular e suas classes trabalhadoras unidas como um todo metafisico. Bem antes da inflação de 1988, numa altura em que Deng cooperava ainda de forma amigável com Zhao, o governo central já estava a preparar legislação sobre falências de empresas inviáveis e esquemas para o marketing de trabalho e mercado de habitação, sem se preocupar com a opinião pública, opções geralmente aceites por se tratar de libertar os meios de produção do espartilho do Estado, globalizando a sua influência a nível de mercado mundial.

se beber não vá para ministro

Mais uma pérola da democracia representativa e um exemplo de regateiros da feira da ladra em que se tornou este governo (1). Mais uma acutilante intervenção da deputada Mariana Mortágua, desmascarando este fanfarrão em particular, que tem um verniz fino...que estala como pipoca quando é confrontado com a realidade.



Relacionado.
1 - O medicamento para a hepatite C, Sofosbuvir, que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, diz que está a negociar é da responsabilidade da empresa norte-americana Gilead Sciences.
2 - A Gilead Sciences é a mesma empresa que detinha a patente do célebre Tamiflu, aquele medicamento para o combate contra a Gripe das Aves e que causou grande polémica quando se soube das ligações entre esta empresa e o ex-secretário de Estado Donald Rumsfeld.
3 - No ano passado, Paulo Macedo foi um dos convidados do encontro do Grupo Bilderberg, onde se reúnem políticos e donos de multinacionais e se definem as politicas globais - que são depois papagueadas pelos montes de trampa do governo. Conclusão meramente especulativa: isto vai acabar mal para o utente e para o contribuinte. (da página do Frederico Duarte Carvalho)

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

a contra revolução em marcha na Venezuela

Muito se fala, a propósito das actuais possibilidades de revolução, na organização “das massas”. É verdade, não há libertadores, é cada povo por si, pela organização política que escolhe ou por que é submetido à exploração dos capitalistas, que se liberta, ou permanece subjugado. Antes do mais, é necessário definir o que se entende hoje em dia por “massas” (reunidas em classes como se fossem heterogéneas) e se a sua suposta “organização” é suficiente, ou sequer o principal imperativo para revolucionar o sistema.

Na Venezuela a chamada “Revolução Bolivariana”, aka o “socialismo do século XXI, leva 16 anos de existência. Desde 1999 Hugo Chávez implantou um programa de governo o combate à pobreza tendo como suporte financeiro as receitas da nacionalização do petróleo. Criou-se um mundo alegadamente independente do da grande burguesia. As “massas” organizaram-se nas “missiones” e cooperativas, nas mais diversas áreas, na reforma agrária tomando posse de milhões de hectares entregues aos trabalhadores, no Ensino, irradicando o analfabetismo, na Saúde pública e assistência social pelas redes comunitárias de participação popular dos “Barrios Adentro” beneficiando as camadas mais pobres da população, a desigualdade diminuiu, as reivindicações das comissões de trabalhadores conseguiram aumentos substanciais do salário mínimo. Houve um grande número de eleições e referendos populares, reiterando sempre o carácter democrático do regime. O governo promoveu relações bilaterais com os governos progressistas latino-americanos visando uma união (a Alca) capaz de enfrentar o imperialismo. (ler mais)

Mas basta a queda abrupta dos preços do petróleo para que tudo esteja a ser posto em causa. As receitas esperadas por via das exportações de petróleo este ano irão baixar para 28 biliões de dólares. Enquanto para o pagamento dos juros da dívida externa são exigidos 10 biliões de dólares. A impossibilidade de recorrer aos mercados de capitais internacionais, por via do boicote norte-americano, significa que haverá uma drástica restrição de importações e da actividade económica. Prevê-se uma queda de 7% do PIB da Venezuela em 2015.


Porque colapsa então esta possibilidade de instaurar este modelo de socialismo de cunho nacional assente na ideologia de libertação bolivariana? Primeiro que tudo, recordar que Karl Marx condenou Simon Bolivar como traidor, ao emancipar-se da sorte da classe operária do país colonizador para criar uma grande burguesia de negócios locais, “independentes”. Na Venezuela do século XXI esta classe dominante mantém a sua idiossincracia original. Em 16 anos o Chavismo não tocou com um dedo no regime de propriedade privada, que sustenta maioritariamente o emprego dependente dos investidores capitalistas aliados ao capital financeiro internacional. A imensa maioria dos grupos de comunicação é privada e portanto contrária ao regime. É quanto basta para que se lançasse a Venezuela numa séria crise de abastecimento decorrente do boicote internacional ao qual se aliam os grandes comerciantes das cadeias de distribuição do país. Para a classe possidente organizada em torno da direita, o principal objectivo é deitar mão às possibilidades de recuperação para os seus negócios de tudo o que foi entretanto criado no âmbito da propriedade dos bens comuns. Apesar das denúncias dos açambarcamentos ilegais, verificam-se grandes filas de horas de espera para adquirir bens essenciais. O descontentamento aumenta, a base social de apoio ao governo desmorona-se.
¿Repetir-se-á contra Nicolás Maduro o mesmo tipo de golpe que foi perpretado contra Salvador Allende nos anos 70? No Chile foi o boicote económico financeiro e a política monetária de emissão de dinheiro que conduziu o país a uma situação de hiperinflação e à subsequente crise de desabastecimento. A queda na obtenção de divisas aliada aos constrangimentos económicos sobre as importações, nunca substituidas por uma política de soberania alimentar, leva o executivo venezuelano a escudar-se na “conspiração nacional de internacional similar à que foi aplicada no Chile”. Há um golpe-de-estado em tempo real em marcha na Venezuela por via das sanções decretadas pelos EUA, encaixando todas as peças como é habitual nos filmes da CIA. As infiltrações aumentam, os rumores circulam, a mentalidade de pânico ameaça superar a lógica da “organização das massas”. Há uma quinta coluna infiltrada através das redes de cabo e internet a partir dos EUA/Canadá. A oposição acusava Chávez, e agora Maduro de querer implantar um regime comunista à semelhança de Cuba. Os títulos dos Media gritam “perigo”, jornais como o New York Times publicam editoriais desacreditando e ridicularizando o presidente Maduro, qualificando-o de errático e despótico. Noutro artigo o NYT ataca a indústria petrolífera predizendo a sua queda, sempre na mira de deitar mão à maior mina de ouro negro da região. No mesmo dia o porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos condenou a suposta “criminalização da dissidência política na Venezuela”. Trata-se dos mesmos vergonhosos agentes que aplaudiram o violento golpe-de-estado de 2002, mas quando Chávez regressou ao poder dias depois lhe pediram para “governar responsavelmente”, uma vez que tinha sido ele com a sua politica o causador do golpe. (Eva Golinger)

terça-feira, fevereiro 03, 2015

livra!


... portanto, há que continuar a tentar convencer os seus apaniguados com conversas da treta. Diz-me com quem andas - o Rui Tavares acaba de avisar na sua página do Facebook que "dentro de momentos estarei a debater na Antena 1 o problema da Grécia e do Euro com... o Nuno Melo do CDS/PP"... Olha que coisa a todos os titulos relevante para o tempo de antena dos neoconservadores... - tema importante a não esquecer no "debate" com o partido português eterno suspeito do recebimento de luvas em negócios de Estado e financiamento ilegal: Político conservador grego condenado a prisão perpétua por desvio de 17 milhões de euros.

"No dia em que se perguntar se se quer votar em Rui Tavares para ser Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, é porque as pessoas votaram no "pasokiano" António Costa para formar esse governo. O "Livre" não tem nenhum espaço politico" (Francisco Louçã).

Angela Merkel acaba de recusar reunião a sós com o 1º ministro da Grécia Alexis Tsipras. Apesar da Grécia ter deixado para segundo plano o perdão da dívida, pedindo apenas para equacionar o pagamento em função do crescimento do PIB.

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

só mais uma coisinha sobre a Charlie Hebdo

Como toda a gente viu, depois dos ataques supostamente "terroristas" ao almanaque satírico Charlie Hebdo, o que sobrou do corpo redatorial mudou-se de armas e bagagens para as instalações do jornal francês "Liberation", um jornal fundado por Jean-Paul Sartre e portanto conotado com a esquerda fóssil do Maio de 68. Nada mais erróneo, as participações accionistas do Liberation foram compradas a 100 por cento pela familia de banqueiros Rothschilds, a mesma que controla o sistema de Bancos Centrais em beneficio da globalização do Sionismo, politico e financeiro. (fonte)

É conhecida a técnica pela qual os meios judaicos criam falsos pretextos para atacar os Muçulmanos, para além da usurpação da Palestina, de um modo geral atacando toda uma comunidade de 1,3 mil milhões de pessoas a pretexto da famigerada doutrina do "choque de civilizações" inventada pelo judeu norte-americano Samuel Huntington em nome do expansionismo dos Estados Unidos, principal suporte do Estado de Israel, segundo vice-presidente Joe Biden, "o nosso historicamente mais antigo aliado" - veja-se só o estilo ignaro referente a um Estado inventado no ano de 1947.

Dentro desta linha politica, a revista económica holandesa "Quote", corroborada dias depois pelo jornal alemão Neopress, acaba de divulgar que os Rothschild tinham comprado em Dezembro passado a Charlie Hebdo, uma editora em ruínas, com prejuizos acumulados e à beira da insolvência. "A aquisição não foi pacífica; ocorreram desentendimentos dentro da família de banqueiros, conta o Barão Philippe de Rothschild na entrevista publicada pela "Quote". O tío Edouard não queria comprá-la porque isso lhes teria dado um poder político que não querem, diz o sobrinho à revista. “Não nos queremos misturar em política”, assegura Philippe, “ou pelo menos não de uma maneira tão aberta“.
Se isso estiver correto, como parece, a pergunta é inevitável: foi o atentado contra a revista outro negócio redondo por parte dos Rothschild? compraram-na a preço de saldo, porque antes de 7 de Janeiro a revista não gerava mais que prejuizos. Mas se só gerava perdas, que interesse tinham os banqueiros sionistas em comprar uma revista falida? É aqui que entra o aspecto político que o Barão Philippe quer manter em segundo plano: para continuar com as provocações da Charlie Hebdo contra os Muçulmanos, aliando o útil ao lucrativo, agora a revista passou de somente 60.000 leitores a ter uma audiência de sete milhões de leitores. Para além do dinheiro que lhes está a chover em cima, não só do Estado francês senão procedente dos investidores privados. Mas não se pense em termos conspiranóicos. Nada do que é agora exposto significa que os Rothschild organizaram os atentados, muito menos que mandaram matar pessoas pelo vil dinheiro. Nem pensar, isso é tarefa para outras gentes. Desde logo a grande união mediática angariada pelo "Je Suis Charlie" ocorrida a partir de París parece-se cada vez mais uma cópia quase exacta do 11 de Setembro em New York, onde se fizeram seguros multimilionários às Torres Gêmeas contra atentados terroristas precisamente dias antes de haver uma decisão para as derrubar. Num e noutro caso, puras coincidências".

domingo, fevereiro 01, 2015

Cultura Pessoana

Subproduto da sua época (início do século XX) é a opinião do grandessimo poeta da lingua portuguesa sobre os trabalhadores, quando diz que a sociedade deve ser dominada por uma elite de "super-homens", enquanto os operários devem ser "reduzidos a uma condição de escravatura ainda mais intensa e rígida do que aquilo a que chamamos a escravatura capitalista".Pior – e mais decepcionante – é ler a opinião de Pessoa sobre a "raça". Já tinha 28 anos, não era um adolescente imaturo, quando escreveu: "a escravatura é lógica e legítima; um zulu (negro da África do Sul, que falava a língua banto) ou um landim (indígena de Moçambique, que falava português) não representa coisa alguma de útil neste mundo.


Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir aos fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico. O degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude”. Pessoa continua, em texto de 1917: “a escravidão é lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada. O amor covarde que todos temos à liberdade é o verdadeiro sinal do peso de nossa escravidão”. Quase dez anos depois, Pessoa mantinha-se firme nessas convicções racistas: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social”. E ainda: “Quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs”? (Biografia Escrita por José Paulo Cavalcanti Filho, 2012)

Pessoa escrevia estas barbaridades menos de trinta anos após a abolição da escravatura no Brasil e mostra-se um sucessor legítimo de longa tradição portuguesa no apoio à servitude de povos que a elite lusitana considerava inferiores, dos negros africanos aos índios brasileiros. Como escreveu o historiador brasileiro Jorge Caldeira: "Desde a chegada dos primeiros colonos (portugueses), o Brasil foi uma sociedade escravista. Só havia uma maneira de os europeus sobreviverem nas novas terras: possuir um escravo que, caçando e pescando, lhes garantisse o sustento. Quando o foco da atividade econômica passou da extração para o cultivo, ampliou-se ainda mais a necessidade de escravos". As primeiras vítimas foram os índios, então chamados de "negros da terra". Mem de Sá, terceiro govenador-geral do Brasil, determinou em 1562, "que fossem escravizados todos, sem excepção". E assim se fez com 75 mil caetés e, depois, os tupiniquins. Quando o número de indígenas se mostrou insuficiente, os portugueses começaram a importar escravos da África.
De África vieram mais de três milhões de escravos para o Brasil, e a resistência a acabar com a escravatura fez com que ela durasse oficialmente até 1888. Continuou a existir, porém, no plano informal, pois como explica Bueno: "Os libertos foram jogados na miséria, sem terras para cultivar, escolas, hospitais. Alguns ficaram nas fazendas, com salários baixíssimos. Milhares foram para as grandes cidades, em busca de algo melhor; daí a origem das favelas". A lei proibiu a escravidão ao final do século XIX, mas não conseguiu (nem pretendia) suprimir o preconceito, que existe até hoje na sociedade brasileira. Menos em relação aos índios, porque estão longe da vista, não interferem no dia a dia e não ameaçam o conforto das elites, a não ser quando exigem direitos sobre suas terras. Já os negros, de presença ostensiva nas cidades, mesmo que confinados a favelas, geram um racismo que não se expressa mais com a clareza abominável de Fernando Pessoa, no texto citado acima. São tratados como cidadãos inferiores, sob justificativas nunca explicitadas como preconceito racial – o que de facto é – e sim como suposto resultado de pobreza e baixo nível educacional dos negros, mulatos, pardos ou seja lá qual eufemismo escolhido para definir não-brancos. Pelo menos Fernando Pessoa, no seu tempo, evitou esta máscara de hipocrisia. (Texto original)