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quinta-feira, junho 13, 2013

a Entrevista de Cavaco

«Vai mas é trabalhar! Sinto-me roubado todos os dias» disse o cidadão na direcção de Cavaco. Preso e levado a Tribunal (pode acontecer com qualquer cidadão honesto) foi condenado a pagar 1300 euros de multa (pagos com dinheiro ganho a trabalhar). A adenda acrescentada pelos agentes à paisana da comitiva de que o homem teria julgado Cavaco pelas aparências invectivando-o de "chulo e malandro", é um bónus concedido a titulo gracioso.

"Chulos e Malandros"? - Francisco Assis, eminência parda do partido dito socialista, num rasgado elogio a Cavaco Silva que intitula "A crise e o salto considerável das últimas décadas" (hoje no Público, s/ link) reconduz o povo ignaro à sua condição de imbecilidade crónica: "Anda por aí à solta um Portugal salazarento, velhaco e mesquinho empenhado em apregoar o falhanço histórico da época democrática"

Comentário por Garcia Pereira. E ainda, a politica de Transportes.

quarta-feira, junho 12, 2013

"Não tenho medo dos portugueses..."

pero que los hay hay...

10 de Junho. Polícia espanhola garantiu segurança de Passos e Cavaco em Elvas onde os dois bonzos que ocupam lugares na desgovernação ouviram vaias... porque será?


O sequestro do lugar de Presidente põe em causa o regular funcionamento das instituições
Alguém confeccionou uma lista exaustiva dos Coveiros de Portugal, mas esqueceu-se de mencionar os nomes de Francisco Pinto Balsemão e António Ramalho Eanes...

“Aquilo que poderia ser feito por um individuo ou por um grupo, e que não foi feito, representa um “custo-oportunidade” – ou seja, um ganho falhado ou uma perda daquela pessoa particular ou daquele grupo especial. A moral da fábula é que cada um de nós tem uma espécie de conta corrente com cada um dos outros. De qualquer acção ou ausência de acção, cada um de nós obtém um ganho ou sofre uma perda e, ao mesmo tempo, determina um ganho ou uma perda para qualquer outro. Os ganhos e as perdas podem ser convenientemente ilustrados por um gráfico; e a figura 1 mostra o gráfico-base utilizável com esta finalidade.

Este gráfico refere-se a um individuo que designaremos por Fulano. O eixo dos X mostra o ganho que cada pessoa (ou um grupo de pessoas) alcança em consequência da acção de Fulano. O ganho pode ser positivo, nulo ou negativo: um ganho negativo equivale a uma perda. O eixo dos X mede os ganhos positivos de Fulano à direita do ponto 0, ao passo que as perdas de Fulano são indicadas à esquerda do ponto 0. O eixo Y, respectivamente por cima e por baixo do ponto 0, mede os ganhos e as perdas da pessoa (ou do grupo de pessoas) com quem Fulano se relaciona. Para tornar as coisas claras, consideremos um exemplo hipotético tendo por base a figura 1. Fulano realiza uma acção que envolve Sicrano: se por essa acção Fulano obtém um ganho e Sicrano sofre uma perda, a acção será registada no gráfico com um sinal que aparecerá num ponto qualquer da área B.

Os ganhos e as perdas podem ser inseridos no eixo dos X e dos Y em euros, dólares ou libras esterlinas, como preferirmos, mas devem também ser incluídas as recompensas e satisfações psicológicas e emotivas e os desgastes psicológicos e emotivos. Estes são bens (ou males) imateriais e, por isso, muito difíceis de avaliar com parâmetros objectivos. As análises do tipo custo-beneficio podem ajudar a resolver o problema, embora não completamente, mas por esta altura ão se deve maçar mais os leitores com pormenores técnicos: uma margem de imprecisão pode afectar a medição, mas não a essência do argumento. Contudo, há um ponto que deve ficar claro: ao considerarmos a acção de Fulano e ao valorizarmos os benefícios ou as perdas que dela decorrem para ele, devemos ter em conta o sistema de valores de Fulano; mas, para determinarmos os ganhos ou as perdas de Sicrano, é absolutamente indispensável levar em conta o sistema de valores de Sicrano e não o de Fulano. Esta norma de fair-play é frequentemente ignorada, e muitos sarilhos resultam do facto de não ser respeitado este principio cívico de comportamento. Recorramos mais uma vez a um exemplo banal: Fulano dá uma pancada na cabeça de Sicrano, e obtém satisfação por isso; Fulano pode, quiçá, afirmar que Sicrano está feliz por ter levado uma pancada na cabeça. Mas é altamente provável que Sicrano não seja da mesma opinião, podendo muito bem considerar que a pancada que recebeu foi um incidente desagradabilíssimo. Se a pancada na cabeça de Sicrano foi um ganho ou uma perda para ele, só a ele compete decidir”

(As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Capítulo Técnico. Carlo M. Cipolla, edições Texto-Grafia, 2008)

terça-feira, junho 11, 2013

Breve História da Internet

Muitos norte-americanos ainda pensam que foi Al Gore (o alegado salvador do mundo naive) quem inventou a Internet… mas não foi… A Internet resultou do pensamento visionário de um grupo de norte-americanos no início dos anos 1960, que viram grande potencial em permitir que computadores compartilhassem informações sobre investigação e desenvolvimento no ramo militar e depois no da ciência. J.C.R. Licklider, do MIT, propôs pela primeira vez uma ligação de computadores em rede no ano de 1962 tendo sido de imediato contratado para o Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA). Leonard Kleinrock, do MIT, e mais tarde a UCLA desenvolveram a teoria da comutação de ficheiros, que serve de base para as conexões de Internet. Lawrence Roberts, do MIT, conectou um computador do Massachusetts com um computador da Califórnia em 1965 através de linhas de telefone. A Internet, então conhecida como ARPANET, foi colocada em rede em 1969, sob uma licença contratual da “Advanced Research Projects Agency renomeada (ARPA), que inicialmente tinha conectado quatro computadores em grandes universidades do sudoeste dos EUA (UCLA, Stanford Research Institute, UCSB, e a Universidade de Utah).

Quando o falecido senador Ted Kennedy teve conhecimento em 1968 que a empresa BBN, pioneira no Massachusetts tinha vencido o contrato para desenvolver o sistema “ARPA” para um "processador de mensagens de interface (IMP)", Ted enviou um telegrama de felicitações ao BBN “pelo seu espírito ecuménico na conquista do novo processador de mensagens inter-religiosas entre crentes em Deus”

De acordo com uma transcrição da CNN duma entrevista com Wolf Blitzer, no habitual estilo tramposo que se desinforma os seus concidadãos, Al Gore disse então que "durante o meu serviço no Congresso dos Estados Unidos, tomei a iniciativa de criar a Internet." (sic). Ora Al Gore ainda não estava no Congresso em 1969, quando começou a ARPANET ou em 1974, quando o termo Internet veio pela primeira vez a público. Gore foi eleito para o Congresso em 1976. Com a maior das ingenuidades Bob Kahn e Vint Cerf vieram reconhecer num estudo intitulado “Al Gore e a Internet” que Gore provavelmente já fez mais do que qualquer outro funcionário eleito para apoiar o crescimento e desenvolvimento da Internet a partir da década de 1970 até ao presente.

o E-mail foi adaptado para a ARPANET por Ray Tomlinson da BBN em 1972. Frederick G. Kilgour do Ohio Library Center (OCLC, Inc.), criou a primeira rede de bibliotecas. Em meados de 1970 consórcios regionais da Nova Inglaterra, dos Estados do Sudoeste e da costa Atlântica juntaram-se ao Ohio para formar uma rede nacional, que logo depois se converteria em internacional. A Ethernet, um protocolo para muitas redes locais, surgiu em 1974, como consequência da dissertação do estudante de Harvard Bob Metcalfe sobre “Ficheiros em Rede”. A dissertação foi inicialmente rejeitada pela Universidade por não ser suficientemente analítica, sendo aceite mais tarde quando foram acrescentadas mais algumas equações. O sistema foi adoptado pelo Departamento de Defesa dos EUA em 1980 substituindo o anterior Network Control Protocol (NCP) e, nesse âmbito, adoptado globalmente em 1983. A BITNET (Because It’s Time Network) conectou mainframes da IBM ligando a comunidade educacional em todo o mundo oferecendo serviços de correio a partir de finais da década de 80. Então, usando os primeiros navegadores cada página demorava 20 minutos a carregar. Em 1986, a National Science Foundation estabeleceu regras governamentais para o uso não comercial de investigação.

O uso da Internet e o uso das redes foi contudo aberto para muitos funcionários em universidades, departamentos de investigação e de engenharia, para além das bibliotecas - para se comunicar com colegas de todo o mundo e compartilhar arquivos e recursos. Até aqui, como a Internet foi inicialmente financiada pelo governo norte americano, ela foi originalmente limitada à investigação, educação e usos governamentais com prioridade aos militares. Os usos comerciais foram proibidos a menos que atendessem directamente esses objectivos. Esta política continuou até o início dos anos 90. A Delphi foi o primeiro serviço comercial on-line nos EUA a oferecer acesso de Internet aos seus assinantes.
Por volta de 1989, Brewster Kahle, então na Thinking Machines Corp. desenvolveu a Wide Area Information Server (WAIS), que indexaria o texto completo de arquivos num banco de dados e permitiria a sua pesquisa desses arquivos. Houve várias versões com diferentes graus de complexidade e capacidade de desenvolvimento, mas a mais simples delas foi disponibilizada a todos através das redes. No seu auge, a Thinking Machines manteve servidores para mais de 600 bases de dados ao redor do mundo. Tim Berners-Lee e outros investigadores do Laboratório Europeu de Física de Partículas, popularmente conhecido como CERN, propôs um novo protocolo para a distribuição de informações. Este protocolo, que se tornou a World Wide Web em 1991, foi baseado no hipertexto - um sistema de incorporação de links no texto para vincular a outro texto, que nós usamos hoje de cada vez que clicamos num link de texto ao ler estas páginas. Michael Dertouzos do Laboratório do MIT para Ciências da Computação convenceu Tim Berners-Lee e outros para formar o Consórcio World Wide Web (W3C) em 1994 para promover e desenvolver padrões unificados para a Web. A entrada da Microsoft em larga escala com o browser, servidor e mercado de Internet Service Provider completou a grande mudança para uma Internet mais comercial. O lançamento do Windows 98, em junho de 1998 com o navegador da Microsoft bem integrado na área de trabalho catapultou Bill Gates para a capitalização financeira sobre o enorme crescimento da Internet.

Como a Internet se tornou onipresente, mais rápida, e cada vez mais acessível a não-técnicos, comunidades, redes sociais e serviços de colaboração, as redes têm crescido rapidamente, permitindo que as pessoas se comuniquem e compartilhem interesses das maneiras mais diversas. Sites como o Facebook, Twitter, Linked-In, YouTube, Flickr, Second Life, Delicious, Blogs, Wikis, e muitos mais permitem que as pessoas de todas as idades rapidamente compartilhem os seus interesses do momento com outros em qualquer lugar. A actual área de crescimento é o enorme aumento no sentido do acesso universal sem fios (wireless) onde quase todos os lugares ficam gratuitamente acessíveis à internet, desde estabelecimentos comerciais, hotéis, transportes e aeroportos a lugares de lazer geridos pelos serviços municipais. Se, como disse Heráclito no século 4 a.n.e. “Nada é permanente, excepto a mudança!” e se é isto que se passa na chamada sociedade civil, como terá evoluído a Internet e quais os fins a que se destina no uso dado pelas Instituições Militares e de Segurança com as dos Estados Unidos à cabeça?


Nas gigantescas instalações da "National Security Agency em Fort Meade no Estado de Maryland dezenas de milhare de pessoas trabalham recolhendo, colectando e armazenando dados confidenciais por meios ecnológicos de espionagem electrónica sobre milhões e milhões de pessoas.

segunda-feira, junho 10, 2013

Sansão, a célebre figura da mitologia biblica judaico-Sionista, converteu-se em realidade...

A "Opção Sansão" é o nome que alguns analistas militares deram à estratégia de dissuasão de Israel, prevendo a retaliação maciça com armas nucleares como "último recurso" contra nações cujos hipotéticos ataques militares ameacem a existência do Estado Sionista.

Como habitualmente, o fornecedor intermediário da tecnologia é a Dalila alemã, a habitual correia de transmissão do imperialismo anglo-americano para a Europa e Médio Oriente.
A concepção original do termo Opção Sansão foi pensada somente como uma intimidação, de acordo com o que afirmou o jornalista norte americano Seymour Hersh e o historiador israelita Avner Cohen. Segundo o livro publicado em 1991, líderes israelitas como David Ben-Gurion, Shimon Peres, Levi Eshkol e Moshe Dayan, cunharam a expressão em meados dos anos de 1960, numa referência ao personagem bíblico “Sansão”, que derrubou as colunas do templo e matou milhares de Filisteus usando apenas as próprias mãos.

Por volta de 1976, a Central de Inteligência Americana – CIA, já acreditava que Israel possuísse entre 10 e 20 armas nucleares. Em 1986, Mordechai Vanunu, um ex-técnico nuclear, entregou ao jornal Sunday Times de Londres, fotografias que havia tirado do interior do Centro de Pesquisa Nuclear do Negev, próximo da cidade de Dimona, no deserto do Sinai, zona ocupada por Israel durante a Guerra dos 6 Dias e seguidamente administrada por militares norte-americanos a titulo de "mediadores de paz". Depois da história de Vanunu ser publicada, agentes da Mossad sequestraram-no em Roma, onde passava férias, e levaram-no de volta a Israel. Sumariamente julgado e condenado, Vanunu cumpriu uma pena de 18 anos de prisão, 11 dos quais em solitária. Israel continuou a negar possuir armas nucleares.

Até que na semana passada um programa israelita que usa fundos financeiros oriundos dos EUA, destinados à defesa de mísseis dentro de um bunker de comando nuclear e com silos ICBM foi "acidentalmente" divulgado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.  Na tentativa de "colocar o génio de volta para dentro da garrafa", Israel usou os seus principais jornais e os demais que controla no Ocidente para divulgar que a notícia era falsa e imprecisa.
Quer dizer, o presidente Russo Vladimir Putin mudou completamente a situação quando o sistema de defesa S300 fornecido à Síria entrou em função operacional. A Força Aéreas de Israel é agora impotente contra a Síria, um país programado para ser "apagado nas areias do tempo" por Israel, num esquema que faz parte duma estratégia global multi-faseada contra o Irão, uma estratégia a ser coordenada com outras potências nucleares como a Índia ou o Paquistão, contra todo o sul da Ásia e a Bacia do Mar Cáspio.

ao estilo do “Bunker de Hitler”, as ICBms serão usadas pela elite Sionista de Netanyahu para armazenar ogivas nucleares, químicas e biológicas.

O sistema de mísseis Arrow 3, projectado para ser uma célula de lançamento e interceptação de mísseis de grande altitude, que é muito parecido com o projeto do sistema russo S 300 agora activo na Síria, foi financiado com base na hipótese não comprovada de que o programa nuclear do Irão tivesse não só avançado, mas que o Irão teria em breve pequenas ogivas de mísseis "transportáveis" por foguetes. Israel exigiu então o sistema como protecção contra mísseis nucleares iranianos, os quais de acordo com um novo relatório da AIEA, podem muito bem nem sequer existir. Algumas cópias vindas antecipadamente a público do relatório da AIEA, que deverá ser divulgado na segunda-feira, 10 de junho 2013, mostram que as conclusões dos serviços de informação dos Estados Unidos sempre souberam disso e há muito tempo que indicam que o Irão não tem um programa nuclear militar. O relatório cita que cada "grama" de material nuclear foi pesada e verificada e nenhuma foi transferida para programas relacionados com armas nucleares. Clinton Bastin, um ex-projectista-chefe de armas nucleares do Departamento de Energia dos EUA, comentou que as linhas de controle ao longo das fronteiras do Irão, tornam impossível que qualquer material nuclear possa ter sido "redireccionado" para o programa Iraniano de enriquecimento de urânio, e o gás de urânio a 20% nunca poderia realmente resultar num material de grau puro o bastante para ser usado em armas nucleares. Tanto os Estados Unidos como Israel, sabem perfeitamente tudo isso... mas no entanto continuam a mentir!

O artigo que divulga estes factos foi originalmente publicado no site norte americano Veterans-Today por Gordon Duff e depois reproduzido na cadeia de televisão iraniana PressTV. No entanto, em entrevista de 12 Outubro de 2012 dada ao judeu Mike Harris da República Broadcasting Network, Gordon Duff teria afirmado: "Cerca de 30% do que está no Veterans-Today é reconhecidamente falso. Cerca de 40% do que eu escrevo é pelo menos propositadamente parcialmente falso, porque se eu não escrevesse informações falsas, eu não estaria vivo." Obviamente, o que Mike Harris pôs na boca do entrevistado é falso.



domingo, junho 09, 2013

dos cretinóides do Expresso

enquanto os seus patrões andam por onde se resolve o que é importante (1), o que vai sendo deixado para ler aos pacóvios é este tipo de coisinhas escrevinhadas por estes coisos:

(para ler clique no recorte para ampliar)

(1) Um dos principais tópicos do Bilderberg deste ano é a redução da população mundial - o que necessita ser levado a cabo pelo controlo de todo o sistema de alimentação de modo a evitar a destruição da economia global. Outros temas são: o que fazer com o Irão?; apontar obectivos para a China e Rússia; as guerras do futuro deverão cada vez mais ser travadas através das tecnologias. (fonte RT, Daniel Estulin)

sábado, junho 08, 2013

Quer saber para onde vai o Subsídio de Férias e de Natal que lhe roubam e uma boa parte dos seus impostos?

Este simpático, feliz e famoso casal, por exemplo, tem duas Fundações, o que significa que as suas actividades (já deram 3 vezes a volta ao mundo) estão isentas do pagamento de impostos (benefícios fiscais de 269 mil euros) e, ainda por cima, Don Mario recebeu do generoso povo português para a sua Fundação Mario Soares e para a sua consorte "Pró Dignitat" (uns parcos 495 mil euros) através de vários subsídios concedidos pelo ainda mais benemérito governo, um total de mais de 1,2 milhões de euros! e ainda dispõe de dois prédios propriedade da Câmara Municipal de Lisboa cedidos a titulo gracioso. Estas duas gotas de água, somadas às das outras Fundações não extintas, retiraram dos bolsos do bom povo português 1034 milhões de euros em três anos.

sexta-feira, junho 07, 2013

"isto é deveras engraçado até que alguém se magoa; depois disso torna-se hilariante"

O presidente de Angola, no cargo há 34 anos consecutivos, foi entrevistado pela SIC. E ninguém mais adequado para proceder ao "trabalhinho" que o repórter judeu-sionista Henrique Cymerman. A encenação foi tão divertida que logo mais ou menos ao principio do tempo de antena os dois, entrevistador e entrevistado, se descoseram a rir a bandeiras despregadas. Não era caso para menos. José Eduardo dos Santos durante a guerra civil perseguiu e assassinou todas as figuras da oposição com a ajuda de meios tecnológicos militares fornecidos por Israel com intermediação do grupo financeiro português BES através da subsidiária Escom, ajuda que incluiu o serviço in loco de pilotos israelitas ao serviço da aviação "angolana".

O dr. Durão Barroso, então Ministro dos Negócios Estrangeiros, se um dia fosse obrigado a explicar como foi, teria decerto um enorme conhecimento de causa para o fazer com a sua inegável competência e estatura moral.Entretanto, enquanto tal não acontece, fica a deixa de José Eduardo dos Santos:

as "relações com Israel são excelentes porque nos concertamos sobre questões essenciais" - como diria o humorista que nestas coisas não tinha piada nenhuma, "mais tarde ou cedo todos pagamos a epopeia de estarmos vivos com a morte; então, tudo o que se passa nesse periodo intermédio deveria poder acontecer de forma livre".
Mas para muitos milhares de angolanos, antes pela violência da imposição da ditadura, agora pela miséria endémica, passou-se e passa-se directamente ao estádio de morte sem qualquer espaço intermédio nem qualquer possibilidade de escolha.

quinta-feira, junho 06, 2013

O Exército israelita anunciou no domingo que instaurou um processo disciplinar a um grupo de mulheres-soldados que postaram fotos sensuais no Facebook, informa o jornal britânico Daily Mail. Não se sabe o que mais incomodou os generais, se a insuficiência do fardamento ou a exuberância do armamento.

O Exército Israelita (IDF) está a elaborar uma directriz oficial que define o comportamento aceitável em redes sociais para os membros de unidades altamente classificadas. Outras unidades sensíveis serão proibidas de identificar-se como soldados, ou fazer upload de fotos onde se mostrem de uniforme, realtou o jornal Haaretz. Um oficial de alta patente daa Direcção de Operações disse que nações inimigas obtêm muitas das suas informações sobre o IDF das redes sociais. Os militares descobriram recentemente perfis do Facebook falsos feitos em nome de alguns comandantes de alto escalão. O IDF (1) é ele próprio activo nas redes de Media sociais, e o mais vulgar dos militares tem usado o Twitter para difundir contra-informação em escaramuças virtuais contra os combatentes do Hamas, o movimento que representa de facto a sempre adiada nação da Palestina 

(1) Sem dúvida é deveras intrigante que Israel, assinalado como possuidor de 80 ogivas nucleares, chame às suas forças armadas "Forças de Defesa de Israel" quando outra coisa não fazem senão atacar e cometer crimes sobre populações indefesas 

quarta-feira, junho 05, 2013

A trajectória de 60 anos do Grupo Bilderberg

Alguns comentadores dos nossos Media tentam minimizar a importância histórica do Bilderberg, sugerindo existir uma confabulação anual de um corpo conservador que estuda os actuais acontecimentos, porém nunca tentando dirigi-los. O próprio "socialista" Tozé Seguro assume publicamente que vai ali como a tantos outros lados, resguardando-se porém de assumir as ordens que vai receber nem sobre o que vai ser industriado. Estudando os poucos relatos que conseguiram driblar o secretismo em torno do grupo no decorrer das últimas décadas, podemos ver que tanto a União Europeia como a Moeda Única europeia foram alimentados e guiados pelas garras de longo alcance de Bilderberg. Por exemplo, na transcrição que extravasou da reunião Bilderberg em 1955 (presidida pelo príncipe Bernhard dos Países Baixos), os participantes falaram da "urgente necessidade de trazer o povo alemão, juntamente com os outros povos da Europa, para um mercado comum", sendo desejo expresso a "chegar no menor tempo possível, ao mais alto grau de integração, o inicio de um mercado comum europeu".

Em Março de 2009 o Visconde Etienne de Davignon, ex-presidente do Bilderberg, actualmente simples participante, gabou-se ao jornal on-line EU Observer que a criação do Euro foi patrocinada pelo Grupo Bilderberg na década de 1990: "A reunião em Junho na Europa do Bilderberg Group - um clube informal de líderes políticos, empresários e pensadores presididos pelo Sr. Davignon, poderia também melhorar a compreensão sobre a acção futura, da mesma forma que ajudou a criar o Euro em 1990” , disse ele. Sabemos claramente que o processo na direcção da Moeda Única europeia, bem como a "voz" única europeia tem sido a de fazer muito mais do que isso, tendo sido sempre um processo desenvolvido em grande parte sob a cobertura de reuniões secretas. Em 1970, o mesmo Etienne Davignon, publicou um relatório em que os ministros dos Negócios Estrangeiros dos seis países europeus se comprometeram a promover a agenda europeia através de encontros na sua maioria informais. Além disso, o relatório a que os ministros dos Negócios Estrangeiros de todos os principais países europeus prometeram lealdade, admite que a maior integração das nações deve seguir um caminho gradual cuidadosamente pré-planeado em "estádios sucessivos".

O relatório, em homenagem ao próprio Visconde, foi publicado no Boletim das Comunidades Europeias, em Novembro de 1970 com detalhes de como o poder das elites europeias nessa reuniões de carácter privado planearam a integração europeia, assim afirma o Relatório Davignon. A citação na íntegra é esta: "(...) A implementação das políticas comuns sendo introduzidas ou já em vigor exigem desenvolvimentos correspondentes na esfera propriamente política, de modo a trazer para mais próximo o dia em que a Europa possa falar a uma só voz. Daí a importância de a Europa ser construído por sucessivos estádios de desenvolvimento gradual com métodos e instrumentos mais apurados para permitir uma política comum de acção". O carácter informal e privado das reuniões significa que os membros poderão deliberar fora do alcance dos jornalistas, permitindo-lhes compartilhar pensamentos sem alguém a correr para as redacções com um irritante notícia gravada do que foi dito. Numa tentativa de minimizar a importância das definições politicas do Bilderberg, Davignon disse à BBC em 2005: "É inevitável mas isso não importa. Haverá sempre pessoas que acreditam em conspirações, mas as coisas acontecem de uma forma muito mais incoerente" – mas de facto o que não é dito no relatório Davignon sobre os seus co-conspiradores é que o que é esboçado em todas essas reuniões informais não tem nada "incoerente" – em estudos académicos levados a cabo nos Estados Unidos o imperialismo assume que a União Europeia é considerada uma entidade empresarial que actua no ramo da politica

"As acções do comissário para a Indústria na Comissão Thorn, Etienne Davignon, foram precursoras das estratégias seguidas pelas Comissões Delors. Jacques Delors apresentou o programa do Mercado Único como uma resposta a uma situação internacional que reduzia deliberadamente a competitividade da economia europeia… e a 7 de Setembro de 1992, Jacques Delors, (que ainda hoje com 87 anos anda por aqui) então com dois mandatos cumpridos na Comissão Europeia, fez um discurso intitulado “A Comunidade Europeia e a Nova Ordem Mundial”. Invocando a famosa New World Order pela voz de George HW Bush, em 1990, Delors levou o seu significado um passo adiante, falando de "governo mundial", "transferência de soberania" e um "mercado único em todo o mundo". Esse discurso foi proferido no Royal Institute of International Affairs. (continua)

terça-feira, junho 04, 2013

Paulo Portas em boa companhia

Pinto Balsemão leva Paulo Portas e António José Seguro (1) à reunião anual do Grupo Bilderberg (Watford 9-6 Junho - ver lista de participantes completa)

O único ano em que o Bilderberg não reuniu foi em 1976, quando um dos seus fundadores, o Principe Bernardo da Holanda, se viu envolvido no escândalo de suborno ao receber luvas da Lockheed Martin

Segundo este relatório caçado e divulgado em 2008 a organização do Bilderberg em Inglaterra é feita por uma ONG que se dedica a "obras de caridade" sendo os seus principais dadores o Banco Goldman Sachs e a multinacional British Petroleum. A gestão dos fundos é feita por Kenneth Clarke e Martin Taylor através do Barclays Bank. Por coincidência, este ano estará também presente Marcus Agius, ex-administrador do Barclays que foi afastado na sequência do escândalo de corrupção relacionado com a manipulação fraudulenta 

(1) Senta-te aqui ó António, a meu lado nesta cadeirinha nova

segunda-feira, junho 03, 2013

Camarate

Audição do jornalista Frederico Duarte Carvalho, autor do livro "Sá Carneiro e as Armas para o Irão", na Assembleia da República, durante os trabalhos da Xª Comissão Parlamentar de Inquérito de Camarate, a 20 de Março de 2013. O jornalista explicou como a morte do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, na queda do avião Cessna, a 4 de Dezembro de 1980, se enquadrava nos acontecimentos políticos da época, nomeadamente no tráfico de armas ilegais para o Irão decorrente da crise dos reféns norte-americanos, conhecida nos EUA como a "October Surprise" de 1980.

São 3 horas e meia de declarações que valem muito a pena ser ouvidas, uma vez que são tabus na imprensa e nos meios de comunicação social 

domingo, junho 02, 2013

"a Conferência Libertar Portugal da Austeridade"

deve ser um primeiro passo para unir todos os que amam verdadeiramente o seu país e queiram construir uma saída com base em princípios e num programa mínimo":
1. Derrubar o governo de traição nacional Coelho/Portas/Cavaco;
2. Expulsar a tróica germano-imperialista de Portugal;
3. Suspender de imediato o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício;
4. Preparar a saída de Portugal da União Europeia e do Euro, visto ser absolutamente claro que a adesão àquele espaço e ao instrumento monetário que mais convém ao imperialismo germânico – o Euro, que mais não é do que o marco travestido -, tem tornado o nosso país uma sub-colónia daquele e o povo português o cordeiro a sacrificar no altar da renda capitalista que são os juros cobrados.



A união à Esquerda é sem dúvida "um primeiro passo", uma porta que se abre. Mas será a mais importante para voltar a engolir de novo o sapo Mário Soares? que estranho designio preside à actividade desta criatura ao afirmar durante o seu discurso que Francisco Sá Carneiro era um verdadeiro social democrata, logo portanto um "homem de esquerda"?

Feira do Livro, 1 de Junho. A obra "Camarate, Sá Carneiro e as armas para o Irão", do jornalista Frederico Duarte Carvalho, lança pistas sobre as ligações entre a tragédia de Camarate e o negócio de tráfico de armas para o Irão que nunca foi investigado.

Numa altura em que decorre na Assembleia da República a 10ª Comissão Parlamentar de Inquérito ao Atentado de Camarate com a maioria das sessões a decorrer à porta fechada (a verdade ainda incomoda) o jornalista coloca questões devidamente fundamentadas e procura respostas do que haveriam de ser as autoridades legitimas do país sobre esta questão que é fulcral para a autodenominada "democracia portuguesa"

Na ausência de respostas, restam conclusões. Não, Sá Carneiro não era um "homem de esquerda", era um homem de direita, mas sem dúvida um patriota que pensou na sequência de uma desejada inversão dos ventos de Abril poder administrar um país soberano. Como o dr Mário Soares muito bem sabe, uma vez que foi o principal responsável pela concessão do país aos interesses norte americanos (ou não esteja aqui ainda bem presente os seus amistosos negócios  com o embaixador Frank Carlucci, promovido imediatamente a nº 2 da CIA) a intenção de Sá Carneiro mandar investigar o Fundo Financeiro Militar do Ultramar (que geria o tráfico de armas para o Irão numa altura em estava decretado um embargo internacional e havia reféns em Teerão a ser negociados secretamente pelos Republicanos nos EUA com vista à não reeleição de Jimmy Carter) foi a principal causa que determinou o assassinato do então 1º Ministro português.
a investigação foi sempre prejudicada devido à
 monopolização do assunto pela extrema direita, 
com a conivência tácita do P"S" de Mário Soares
Como num filme ainda não realizado, mais de três décadas depois, quando Portugal é "governado" por um gang de psicopatas com raizes no paradigma global neoliberal, o encadeamento dos factos mostra claramente uma história cujos pormenores merecerão sem dúvida um dia ser finalmente desvendados.
Nas vésperas do comicio de encerramento da campanha eleitoral, no fatídico dia 4 de Dezembro de 1980 o avião Cessna contratado pelo ministro-adjunto Francisco Pinto Balsemão para transportar Sá Carneiro ao Porto é alvo de uma bomba incendiária, tendo todos os ocupantes morrido na sua queda, com especial destaque para o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa que tinha em mãos o processo de investigação do Fundo Militar do Ultramar. Este Fundo com implicações no tráfico de armas relacionadas com o escândalo Irangate que envolveu Oliver North nos EUA é, naturalmente, administrado pelo comandante em chefe das Forças Armadas general Ramalho Eanes, então presidente da República que seria reeleito dois dias depois. Cavaco Silva, então o jovem ministro das Finanças de Sá Carneiro, acabaria posteriormente por se demitir alegando incompatibilidades insanáveis com o depois 1º Ministro Pinto Balsemão (a partir de então homem forte do grupo Bilderberg), para alguns anos mais tarde voltar tomando posse do partido social democrata, função que valeu a Cavaco vir a ser amigo pessoal de George Herbert Bush (Sénior) e convidado de honra para o seu rancho particular no Texas, honra concedida a bem poucos. Ramalho Eanes viria por duas vezes a ser mandatário da campanha de Cavaco Silva à presidência da República (a primeira vez com visita de aconselhamento prévio de Henry Kissinger) e a presença no acto de posse em 2006 de George Herbert Bush (precisamente o ex-nº 1 da CIA e vice-presidente na Administração Reagan eleita na sequência do escândalo Irangate (os reféns seriam libertados no dia de tomada de posse de Reagan - a 20 de Janeiro de 1981 menos de um mês depois do atentado de Camarate).

Como se diz na badana do livro: "Não se pode compreender Camarate (e o paradigma que reduziu o país e o povo português à condição de criados de resort de férias para a burguesia transnacional) se não se souber que Portugal era um país importante do ponto de vista geoestratégico, onde a Base das Lajes, nos Açores, desempenhava um papel essencial para o equilíbrio militar entre os EUA, a União Soviética e o Médio Oriente. Foi necessário recordar e perceber quem eram os personagens desta história nacional e internacional. De onde surgiram algumas figuras políticas, militares ou simples civis que se encontraram todos reunidos à volta de um interesse comum no dia 4 de Dezembro de 1980. Quais as suas motivações. Uns moviam-se por ideais, outros pela ganância financeira ou glória pessoal. E uns poucos tentavam simplesmente sobreviver num mundo em constante mudança".

William Turner, a paisagem que se subentende para lá da simples aparência

sábado, junho 01, 2013

Caso Tecnoforma a ser investigado

A Tecnoforma, uma empresa de que Passos Coelho foi consultor entre 2000 e 2004, dominou por completo, sobretudo na região Centro, um programa de formação profissional destinado a funcionários das autarquias que era tutelado por Miguel Relvas, então Secretário de Estado da Administração Local. Os números são esmagadores: só em 2003, 82% do valor das candidaturas aprovadas a empresas privadas na região Centro, no quadro do programa Foral, coube à Tecnoforma. E entre 2002 e 2004, 63% do número de projectos aprovados a privados pelos responsáveis desse programa pertenciam à mesma empresa.

Memorandos da Ordem dos Arquitectos mostram que os dois políticos tentaram "vender" o projecto da empresa inspirado no dos aeródromos municipais. Passos Coelho e Miguel Relvas tentaram, em 2003 e 2004, que a Ordem dos Arquitectos se associasse à Tecnoforma para desenvolver um programa de formação profissional proposto por aquela empresa, e financiado pelo programa Foral, com o nome Autarquia Segura, a pretexto de "normativas europeias". O objectivo era formar técnicos das câmaras municipais que pudessem executar planos de emergência para os edifícios de todas as câmaras do país.



O comissário responsável pelo Fundo Social Europeu, Lászlo Andor, comunicou à deputada europeia Ana Gomes, autora de uma queixa-crime, que o Gabinete de Luta Anti-Fraude da União Europeia (OLAF) abriu no final do ano passado uma investigação acerca dos indícios de fraudes, revelados pelo jornal Público, relativos ao financiamento da empresa Tecnoforma e da organização não governamental (ONG) denominada Centro Português para a Cooperação, entidades que foram dirigidas por Pedro Passos Coelho.

sexta-feira, maio 31, 2013

a Europa, através da concessão de Fundos Comunitários investiu na criação de uma bolha de consumo em Portugal. No refluxo, aí está essa mesma Europa para cobrar a Dívida, com juros a lingua de palmo

Boaventura Sousa Santos: "A democracia perdeu a batalha e só não perderá a guerra se as maiorias perderem o medo, se revoltarem dentro e fora das instituições e forçarem o Capital a voltar a ter medo"
Os resultados do investimento na desindustrialização do país e na formação de criadagem profissional para o sector de serviços a partir da adesão à CEE são conhecidos: Percentagem actual de emprego por ramo de actividade em Portugal: Agricultura e Pescas 2%, Indústria 13%, Serviços 85% - onde é que já se viu gente sentada em secretárias de escritórios ser revolucionária?

OCDE: é “improvável” que Portugal cumpra as metas do défice - a Recessão em 2013 será de 2,7%, a Divida atingirá os 130% do PIB em 2014 (fonte) - a burguesia transnacional atrever-se-ia a desencadear um ataque aos portugueses com esta dimensão se a estrutura produtiva no país fosse de índole diferente?

Tudo que é sólido e estável se volatiliza, tudo que é sagrado é profanado e os homens são, finalmente, obrigados a encarar com sobriedade e sem ilusões a sua posição na vida” (in Manifesto do Partido Comunista, 1848)

A falta de perspectivas na mudança do paradigma nacional ressalta da falência do designio da década de 1960 de industrializar Portugal conforme os moldes do fordismo semiperiférico:
"De facto, na financeirização da economia, na suposta impossibilidade de competir com os produtos manufacturados chineses, os diferentes países semiperiféricos estão a ser reinseridos em condições socialmente desastrosas na nova divisão internacional do trabalho. Enquanto existem hoje um milhão e 400 mil desempregados em Portugal, os lucros dos principais grupos empresariais exportadores (EDP, Galp, Mota Engil, Grupo Melo e Lactogal, entre outros) aumentou nos últimos três anos. Isto revela a natureza regressiva do capitalismo globalizado: de alternativa ao capitalismo neoliberal estadunidense, a União Europeia transformou-se num modelo de involução social (...) Para os 115 milhões de trabalhadores em risco de pobreza e de exclusão social vivendo na Europa em 2010, a actual ditadura das finanças significou a dolorida des-sacralização da época burguesa (...) segundo os padrões portugueses, essa pauperização da condição social encontra uma tradução monetária, ou seja, viver em média com menos de 434 euros por mês, algo muito próximo dos 1.190 reais ganhos em média pela ainda incipiente classe média brasileira... (in Portugal Rumo ao Abismo)

quinta-feira, maio 30, 2013

Síria: a corrida ao Ouro Negro

No posicionamento das forças da NATO e na coligação revoltosa ad hoc que a Aliança formou, mas sobretudo segundo o móbil estratégico, o verdadeiro jogo do conflito não é a mudança de regime, mas o fecho da saída mediterrânica para o gás iraniano e o controlo das reservas de gás. As reservas comprovadas de petróleo na Síria somam 2,500 milhões de barris, mas as licenças de exploração estão reservados para as empresas estatais sírias. São as mais importantes reservas de todos os países vizinhos, excepto o Iraque, cuja apropriação já foi tratada desde 2003 do modo que conhecemos.

Um documento do Departamento de Energia dos Estados Unidos, uma organização especialista que trata dos recursos energéticos dos outros (US Energy Information Administration EIA), datado de 20 de Fevereiro de 2013 trouxe à tona os interesses energéticos que levaram os países ocidentais e os membros do Conselho de Cooperação do Golfo a apoiar a revolta armada dos Contras na Síria. O relatório refere-se exclusivamente às reservas de petróleo comprovadas, mas não faz qualquer menção à questão dos enormes campos de gás já descobertos, não explorados, ainda não avaliados e que são muito menos poluentes. Mas existe o tal problema, diz a agência dos EUA: desde 1964, as licenças para a prospecção e exploração das jazidas estão reservados para as empresas estatais sírios. Até 2010, a medida prevista pelo Estado garantiu uma renda anual de 4000 milhões de dólares das exportações de petróleo, principalmente para a Europa.

A guerra veio para mudar esta situação. O "Exército Sírio Livre" (1) assumiu o controlo de grandes campos de petróleo na região de Deir Ezzor. Outros, na área de Rumeilan, estão sob o controle do Partido da União Democrática Curda, que também são hostis aos "rebeldes" e se confrontaram já por várias vezes. A estratégia dos Estados Unidos e da NATO é financiar os "rebeldes" (2) que ajudaram a controlar os campos de petróleo com dois objectivos: privar o Estado Sírio das suas receitas e, reduzindo as exportações devido ao embargo decretado pela União Europeia, preparar um futuro onde as maiores reservas passariam a estar, graças aos "rebeldes", sob o controle das grandes empresas petrolíferas ocidentais. Para isso, é necessário o controlo da rede interna de oleadutos, a rede que os "rebeldes" têm sabotado em vários locais, especialmente em redor de Homs, onde uma das duas refinarias do país se viu obrigada a interromper o fornecimento.

Mas há outra aposta mais importante a nível estratégico (3). É o papel da Síria como um ponto de confluência dos corredores energéticos alternativos em relação àqueles que passam pela Turquia e por outras vias, já controlados por empresas norte-americanas e europeias. A "guerra de oleadutos" começou há muito tempo. Em 2003, aquando da invasão do Iraque, os EUA destruiram imediatamente as ligações de Kirkuk-Baniyas que transportavam petróleo do Iraque para a Síria. Contudo, uma dessas ligações ainda está em funcionamento, a de Zalah Ain, na região síria de Sueida. E apesar da oposição de Washington, Damasco e Bagdade lançaram um projecto conjunto para a construção de dois oleodutos e um gasoduto que vão ligar os campos iraquianos com o Mediterrâneo e, assim, aos mercados externos via Síria. Mais perigoso ainda para os interesses ocidentais é o acordo concluído em Março de 2011 entre Damasco, Bagdade e Teerão. Este acordo prevê a construção de um gasoduto que transportará através do Iraque o gás natural iraniano para a Síria e deste país para os mercados estrangeiros. Esses projectos e outros, que já tinham o financiamento necessário, estão sendo reavaliados por aquilo a que a agência dos EUA define como "as condições de insegurança e instabilidade na Síria".

(1) Revoltosos da Síria apoiados pelo Ocidente procedem a execuções sumárias a quem lute ao lado do governo legalmente instituido



(2) A lista de atrocidades praticadas pela "Revolta Síria" apoiada pela Administração Obama com dinheiro dos contribuintes norte americanos, tornou-se insuportável. Aqui, um revoltoso trinca em directo para a câmara de filmar o coração de um soldado sírio abatido 
(3) Manlio Dinucci da Rede Voltaire no Il Manifesto
relacionado:
Primeiros misseis terra-ar do sistema defensivo S-300 fornecidos pela Rússia, que vão impedir ataques aéreos à Síria, já estão em poder do governo de Bashar al-Assad

quarta-feira, maio 29, 2013

a Origem dos Coffee-Shops


Uma ilustração francesa publicada em 1693 mostra um árabe a
 beber café a partir de uma tigela e umibrik” para preparação 
do café, bem como um galho de uma árvore de café,
 grãos e um 'instrumento cilindrico de torrefacção de café"
o Café, uma planta nativa da Etiópia, provavelmente já era bebido muito antes do tempo da existência de registos escritos dele, tanto como uma bebida à maneira do chá feita a partir da casca do grão de café (al-qahwa al-qishriya) ou como café, fabricado a partir dos próprios grãos, (chamado al-qahwa al-bunniya). Os grãos eram de forma frequente também simplesmente mastigados. Mas o cronista do século XVI al-Jaziri diz que o café foi usado pela primeira vez no Yemen, vindo da Etiópia através do Mar Vermelho, para permitir que os crentes se pudessem manter alerta durante as orações nocturnas. Certamente este uso não era menos importante para os trabalhadores comuns, tanto quanto é hoje, e a sua utilização com essa finalidade difundiu-se através de toda a Península Arábica. Conforme o seu uso se espalhou, houve muita discussão sobre se a nova bebida deveria ou não, em termos religiosos, ser permitida, considerando "que alterava a mente", e se o seu consumo seria bom ou ruim para a saúde. Os movimentos a sério para proibir a bebida começaram em Meca em 1511 e permaneceram por séculos. Em resposta, dois médicos estudiosos de religião utilizaram a caneta e o papel em defesa do café. Embora a literatura gerada por esses debates pouco diga sobre os lugares onde o café era bebido, deixa claro a partir dessa e de outras fontes que os locais de consumo de café eram numerosos desde tempos primitivos. Curiosamente, muitos dos argumentos apresentados na Arábia tanto sobre café como sobre as casas de café haveriam de ser repetidos quase palavra por palavra no Ocidente um século mais tarde, prosseguindo aliás o debate médico sobre o uso do café globalmente na actualidade.


Talvez uma das razões para a rápida disseminação das lojas de café, além de simplesmente do gosto pelo café, é que a preparação do café é um pouco complicada, já que os grãos precisam de ser torrados e moídos. As lojas de café ofereciam o produto pronto feito por mão experiente.Escrevendo em 1530, Ibn 'Abd al-Ghaffar anotou que até ao início da década de 1500, havia muitos cafés nas cidades, especialmente perto da Grande Mesquita em Meca e da Mesquita Central de al-Azhar, no Cairo. Esta é uma menção directa precoce das casas de café, apesar de decisões jurídicas anteriores condicionarem a sua existência. Cinquenta anos mais tarde, al-Jaziri no opúsculo “A Melhor Defesa para a Legitimidade do Café” menciona, como se fosse algo incomum, que o povo de Medina preferia beber o seu café em casa. O autor refere o modo como, tendo o consumo do café sido espalhado rapidamente a partir do Yemen, foi primeiro bebido em público por académicos (fuqaha) ou simples professores e alunos, logo seguidos por um grande número de pessoas. Menciona também que, apesar das taças de terracota serem o padrão, no porto do Mar Vermelho de Jiddah os bebedores de café usavam porcelana da China.



Infelizmente, o cronista não descreve as lojas de café e os seus proprietários, embora nós possamos deduzir dos seus relatos que um desses cafés em Makkah era gerido por uma mulher que foi condenada a fechar, decisão da qual a mulher apelou alegando pobreza. A justiça decidiu-se então pela suspensão da execução, desde que a proprietária passasse a usar o véu por estar num local público, decisão a que ela obedeceu. Da ausência de reclamações contra lojas de café em razão do excesso de luxo ou extravagância torna-se seguro inferir que, com toda a probabilidade, esses cafés iniciais eram de um tipo simples ainda hoje encontrados por todo o Médio Oriente. Como beber café se espalhou a partir do Hijaz na Península Arábica ocidental até ao norte da Síria. Isso entretanto mudou. Uma casa de café fina tornou-se um elemento importante do planeamento urbano para os governadores que queriam enfatizar a sua riqueza e poder. Cada quarteirão da cidade (mahallah) passou a ter pelo menos um café, e eles eram uma componente-chave à medida que o novo mercado foi sendo construído. No Cairo, no século XVII, está registado que uma casa de café era o primeiro edifício a ser concluído em qualquer dos novos empreendimentos habitacionais de luxo ao longo do Nilo.


As casas de café tornaram-se populares em Inglaterra por volta de 1650. Este estabelecimento em Londres foi retratado por um artista anónimo