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terça-feira, abril 07, 2015

Desemprego. Segundo as manigâncias do governo, há menos desempregados “oficiais” do que gente à procura de emprego.

os números do desemprego (730 mil) que constam dos cálculos da deputada Isabel Moreira do Partido dito Socialista estão errados, até o próprio FMI diz que há meio milhão de desempregados ocultados das estatisticas, o que dará 22% e não os 14,3% do governo. Mas feitas as contas, sem ser as do FMI, o desemprego real é de 29% - o PS vai continuar a divulgar os dados que constam das estatisticas oficiais (e não os reais) e dar uma ajuda ao PSD dentro do espirito do Bloco Central? ... por experiência adquirida, a resposta parece óbvia. (ver aqui)
"A diminuição do desemprego e a criação de emprego são dois dados oficialmente referidos como sinais da retoma da economia, do fim da crise e do sucesso do programa de ajustamento. Na realidade, o mercado de trabalho português encontra-se numa situação depressiva sem precedentes e sem perspectivas de recuperar a prazo"; e, apesar da evidência, dizem esta coisa espantosa: há menos desempregados “oficiais” do que gente desesperada à procura de emprego.

Já em 2012 tais números não eram realistas, porque não contemplavam os designados inactivos disponíveis e os inactivos desencorajados que, se fossem considerados nessa estatística, fariam com que essa taxa ultrapassasse os 23% e que o número de desempregados se cifrasse nos cerca de 1,3 milhões. Segundo o último relatório do Observatório sobre Crises e Alternativas, estima-se que o desemprego real se situava  em finais de 2014 nos 29% da população activa revelando, uma vez mais, uma situação muito mais grave do que a estimada pelo Instituto de Estatística Nacional (INE) já que, ao contrário dos números oficiais libertados pelo INE, o Observatório contempla os ocupados, os migrantes e os subempregados.
 

um mistério a desvendar: porque é que o suplemento "Dinheiro Vivo" na edição virtual aponta uma taxa de desemprego de 15,5% e na edição em papel aponta essa mesma taxa para o número referido pelo FMI de 22%? (ver aqui)

a Grande Muralha de Israel

imagem do muro do lado de Israel que faz a separação com a Palestina
Sionistas, Wahabitas e Daeshitas (do Estado Islâmico) constituem uma união sagrada de terroristas! dizem que vão libertar a Síria e o Yémen, mas não falam em libertar a Palestina! procure onde está o erro.

segunda-feira, abril 06, 2015

Produção, Circulação e Consumo na Globalização Imperialista

Há greve nas grandes superfícies comerciais na Grécia. Os trabalhadores exigem que o governo faça aprovar legislação no sentido de tornar o domingo como dia de descanso obrigatório durante todo o ano para todos os estabelecimentos de comércio retalhista, visando principalmente as grandes superfícies geridas pelos grandes grupos monopolistas do sector. É uma greve contra o Consumo, não é uma greve por melhores salários ou condições na Produção.
Quando hoje se fala na conquista dos "meios de produção" pela classe operária ou pelos "trabalhadores" - muitos se esquecem que na actual divisão internacional do trabalho, a essência do capitalismo determina-se em primeiro lugar não pela Produção (que cria Valor, mas atravessa uma crise de sobreprodução), mas pelo investimento artificial no Consumo - fabrica-se dinheiro em massa para o despejar sobre os consumidores para que estes comprem o que não podem (nem devem, nem precisam) a crédito nas catedrais do consumo, de onde resulta uma espécie de anti-Valor... que finalmente fará implodir o sistema. Tanto mais quanto a grande maioria da propriedade dos meios de produção estão fora da esfera nacional. A partir deste momento, a própria relação produção-consumo e satisfação das necessidades é deslocada para um outro patamar, diferente daquele que se encontrava presente desde o pensamento de Marx.

«e chegou enfim um tempo em que tudo o que os homens tinham olhado como inalienável se tornou objecto de troca, de tráfico, e podia alienar-se. É o tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas nunca trocadas; dadas, mas nunca vendidas; adquiridas, mas nunca compradas – virtude, amor, opinião, ciência, consciência, etc. – em que tudo enfim passou para o comércio. É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal» (Karl Marx, 1867)

Dentro da esfera nacional, a teoria revisionista do desenvolvimento das forças produtivas na URSS, considerando que a luta de classes terminaria acto continuo à tomada do poder, tinha por trás a política que impôs a transformação da ditadura do proletariado em " Estado de todo o povo". Mas a estatização sob um poder único dos “meios de produção” não é sinónimo de socialismo, porque não considera a simpatia e apetência pelo consumo induzido a partir do exterior durante o período de transição entre o capitalismo e o comunismo. Na análise marxista nesse periodo prevalece a necessidade da ditadura do proletariado, principalmente sobre o Consumo, quando estes bens não possam ser supridos pela produção nacional – aqui prevalece a tese de Marx, de cada um consoante as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades, Nesta perspectiva, a construção socialista exige uma luta política e ideológica permanente para garantir a participação activa das massas a todos os niveis (2). Ou seja, a prática real da ditadura do proletariado, que significa ditadura para uma minoria, e a mais ampla de democracia para a maioria. Esta luta tem como nó central no plano teórico abater a teoria revisionista burguesa do “só desenvolvimento das forças produtivas”. A contradição fundamental na construção do socialismo é a que opôe as relações sociais impostas pelos interesses dos trabalhadores à desactualização das forças produtivas.

(1) a ler, “Sociedade de consumo, modernidade e globalização”
(2) a seguir, "Contributos do Maoismo para a teoria Revolucionária"

domingo, abril 05, 2015

Ascenção e Queda dos Impérios Globais (1400-2000)

A morte de Tamerlão em 1405 assinala um ponto de viragem na história mundial. Tamerlão foi o último de uma série de “conquistadores do mundo” na tradição de Átila e Gengis Khan que tentou colocar toda a Eurásia – a “ilha mundial” – sob o domínio de um único e vasto império (1) Cincoenta anos depois da morte de Tamerlão, os Estados marítimos do Extremo Ocidente euroasiático, com Portugal à cabeça, estavam a explorar as rotas marítimas que se tornariam os nervos e artérias de grandes impérios marítimos. Esta á a história do que aconteceu a seguir. Parece uma história conhecida, até a analisarmos melhor. A ascenção do Ocidente à primazia mundial através da via do Império e do predomínio económico é uma das pedras basilares do nosso conhecimento histórico. Ajuda-nos a ordenar a nossa visão do passado. Em muitas narrativas convencionais, parece quase inevitável. Foi a via principal da história: todas as alternativas eram caminhos secundários ou becos sem saída. Quando os impérios da Europa se dissolveram, foram substituídos por novos Estados pós coloniais, assim como a própria Europa se tornou parte do “Ocidente” – a coligação mundial sob liderança norte-americana. (2)  (Edições 70)

(1) A invasão dos Mongóis e a destruição de Bagdade provocou entre 200 mil e 1 milhão de pessoas assassinadas a golpes de espada. Numa época em que em todo o mundo existiam apenas pouco mais de 800 milhões de pessoas (ler mais)
(2) A famigerada guerra anti-terrorista (war on terror) desencadeada por Bush já ceifou 2 milhões de vidas em apenas 3 países. Ainda a procissão vai no adro; o mundo tem actualmente 7,3 mil milhões de pessoas expostas a sofisticadas tecnologias de destruição em massa. (world-metters)

sábado, abril 04, 2015

Grécia seduzida pelo vento de Leste

"Era na 2ª feira, depois na 3ª, que se deveriam concluir as negociações (na União Europeia) sobre a nova lista grega, para garantir o financiamento dos 7 mil milhões que a Troika havia prometido à Grécia. E nada, tudo adiado. O dossier ficou ontem em aberto, 4ª feira houve uma reunião inconclusiva dos responsáveis do Tesouro dos vários governos, mas uma decisão fica para depois da Páscoa. Entretanto, pelo menos para pressionar estas conversações, o governo grego reuniu com o governo russo e mostrou disposição para novas pontes com a China. Em Atenas, os responsáveis governamentais multiplicaram os sinais...  (Francisco Louçã) 


Há uma crescente especulação sobre a deslocação da Grécia para a twilight zone da Eurásia. O gráfico a seguir, sem areia para os olhos, diz tudo o que precisamos saber sobre como o povo grego se está a sentir... apesar de toda a propaganda ocidental ... (imagine-se a sondagem desde Janeiro 2015, quando a União Europeia intensificou a chantagem sobre o governo do Syriza)


Rússia eleita para assumir a presidência do Conselho Empresarial dos BRICS, no lançamento do Banco de Novos Desenvolvimentos (BRICS New Development Bank, NDB) com o capital equivalente a 100 biliões de dólares como alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional dominado pelos Estados Unidos. (FMI).

Grécia admite nacionalizar bancos e emitir moeda, caso se veja obrigada ao imcumprimento de pagamento ao FMI na próxima 5ª feira, diz o britânico The Telegraph citando fonte próxima do governo grego

sexta-feira, abril 03, 2015

a Ressurreição do Imobiliário para Crentes

"deixa-me cá tirar uma selfie para mandar à Madalen@ lá de cima"

Uma das divinas e sacrossantas seitas que por aí pululam anda a promover negócios de venda de "terrenos no céu"com escritura notarial e tudo; a ICAR faz o mesmo ou parecido  mas em sentido metafórico - que não seja por isso, que nenhum pecador fique fora dos sepúlcros espaciais (ver para crer)

... "Durante esse tempo foram contando as palavras que Jesus pronunciou e as noites que passava em claro. Imaginava a horrivel matança, os soldados entrando nas casas e rebuscando, as espadas golpeando ou cravando-se nos tenros corpinhos descobertos, as mães em loucos gritos, os pais bramindo como touros acorrentados, e imginava-se a si própio também, numa cova que nunca vira, e nesses momentos, a espaços, como lentas e densas vagas que o submergissem, sentia o desejo inexplicável de estar morto, de não estar vivo, ao menos. Obsidiava-o uma pergunta que não fizera à mãe, quantas haviam sido as crianças mortas, na sua ideia tinham sido muitas, umas sssobre as outras amontoadas, como cordeiros degolados e atirados a monte, à espera da grande fogueira que os iria consumir e levar ao céu feitos em fumo. Porém, não tendo perguntado na altura da revelação, parecia-lhe agora feia acção de mau gosto, se então a expressão já se usasse, ir-se à mão e dizer Ó mãe, esqueci-me de perguntar-te no outro dia quantos tinham sido os putos que passaram desta a melhor vida lá em Belém, e ela responderia, Ai filho, não penses nisso, que nem a trinta chegaram, e se eles morreram foi porque o Senhor assim o quis, que estava no seu poder evitá-lo se conviesse..." (respigado de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de José Saramago)
relacionado:
a Semana do Santo Pivete em Espanha (a fugir do Ku-Klus-Klan)

quinta-feira, abril 02, 2015

Quando corpus morietur

portem Christi mortem, passionis fac consortem, et plagas recolere

Vamos crescer. E muita gente acredita, sem saber o que cresce, quando, nem para quem é o crescimento. Uma das promessas mais célebres foi feita, já o pessoal começava a andar chateado, pelo agente em Portugal da Goldman Sachs em Fevereiro de 2013. Em breve iria arquivar as promessas lá num cantinho do céu onde mais ninguém as viu. Videntes deste e de outros tipos anda o piedoso Cavaco a ungi-los à uma década. E os crentes, pagando fielmente as indulgências da austeridade, não desistem de se travestir de cristos. Com resultados fascinantes para os promotores do neoliberalismo em Portugal: Em apenas cinco anos, o número de pessoas e empresas falidas cresceu mais de 200 por cento. O desemprego real atinge os 29% (enquanto os estatisticocratas do governo dizem que aumentou para 14%). Há famílias a quem até a mobilia dos filhos é penhorada e outras que perdem a casa por uma dívida de 1800 euros de IMI. Mas enquanto a uns é apreendido para ser leiloado bolos e até o aquário dos peixes, outras piranhas cavaquistas nunca ganharam tanto dinheiro como agora. (Visão) 

Bater em mortos: Mariana Mortágua demonstra ao ministro Pires da Economia que 
não há nem crescimento nem nenhuma viragem económica
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quarta-feira, abril 01, 2015

Portugal e o Descobrimento Europeu da América

O cartógrafo veneziano Zuane Pizzigano produziu em Veneza uma carta náutica (datada de 22 de agosto de 1424) escrita em veneziano e português onde se encontram indicadas as costas da Europa Ocidental, do noroeste da África, as ilhas do arquipélago de Açores, Madeira, Canárias, e mais quatro ilhas, duas desenhadas em azul e duas em vermelho. Estas ilhas suplementares têm os nomes, escritos em poruguês, de Satanazes, Antilia, Saya e Ymana, ou seja, no continente americano. Em 1484, o genovês Christophorus Columbus (literalmente "o Pombo mensageiro de Cristo") tinha proposto a João II de Portugal atingir o Oriente por via maritima. Face à recusa daquele monarca, o navegador apresentou a mesma proposta aos Reis Católicos, que a aceitaram. Assim ao serviço da Espanha, o genovês partiu de Palos de La Frontera em Agosto de 1492 atingindo em Outubro desse ano as Antilhas, na América Central, . Na viagem de regresso passou por Itália notificando o monarca que havia chegado à ilha de Cipango nas Índias.


"Será que em termos líquidos o Império português foi benéfico para o crescimento económico nacional? Lúcio de Azevedo, escrevendo em 1928, argumentou que o Império foi um sorvedouro de recursos e mão de obra, já que apenas em raros momentos os lucros gerados foram suficientes para cobrir as enormes despesas. Consequentemente, concluiu que, o Império foi uma das causas do atraso do desenvolvimento português (...)  Algumas conclusões revisionistas (Público, 30/Março) respigadas do estudo de 3 historiadores portugueses contemporâneos:
O povo criou riqueza, Portugal cresceu, mas a parasitária classe dominante, amante do luxo e dependente de know-how e financiamento estrangeiro, comeu tudo: "No começo do século XVI, estima-se que a diferença, para mais, entre o rendimento per capita da metrópole e o que ele teria sido, hipoteticamente, caso não houvesse colónias era de cerca de 1%. Cem anos mais tarde era de 4% e, à volta de 1700, de 7%. No final de setecentos, o ganho líquido auferido desta forma atingia pelo menos os 20%.
– Isto não impediu, que a economia portuguesa tivesse experimentado um declínio sustentado, em termos reais e per capita, relativamente às economias líderes da Época Moderna. Portugal, já desde o século XVI, começava a afastar-se claramente dos Países Baixos e da Inglaterra e iniciava-se o seu atraso económico no muito longo prazo ..." (The great escape? The contribution of the empire to Portugal's economic growth, 1500–1800) - (Publico)

terça-feira, março 31, 2015

Joan Baez, jovem para sempre

Nada e criada numa época de forte contestação social no interior dos Estados Unidos pelos direitos civis, liberdades e garantias, que hoje continuam apenas a ser palavras desligadas do racismo económico que se abate sobre os cidadãos, Joan Baez cedo se converteu numa fervorosa militante anti-guerra. Tanto quando como resposta às convulsões internas os Estados Unidos se viraram em definitivo para o ataque aos recursos externos para, usando os lucros obtidos, calar uma classe média cada vez mais instruida e reivindicativa. Joan Baez começou a sua luta como corista nas canções de Bob Dylan, aka Robert Allen Zimmerman, nascido de emigrantes judeus russos como Zushe ben Avraham, sendo ela própria também filha de emigrantes, no caso mexicanos - o Novo Mundo é isto, um caldeirão civilizacional onde se misturam o melhor e pior de todos os mundos



Passado o flirt inicial com Dylan, Farewell Angelina, na viragem para a década de 70, na região ponta de lança do expansionismo imperialista, o cenário no Vietname era dramático. Imagens do massacre de May Lai, um crime até hoje impune.
Entre os muitos milhares de contestários contra a guerra estava também o jovem John Kerry, que ainda hoje ainda anda como secretário de Estado envolvido noutras guerras. Aos 74 anos Joan Baez também anda. Dá hoje um recital show-bizz como cantora-folk  hoje no Porto e amanhã em Lisboa com o preço médio dos bilhetes entre 25 (visão reduzida) e 40 euros. Come From The Shadows, the Partizan. Obviamente, com saudades de todas essas coisas do passado

segunda-feira, março 30, 2015

Voo 9525 da Germanwings – O piloto teve “intenção” de precipitar avião com 150 pessoas e bebés a bordo contra uma escarpa nos Alpes?

Houve uma rapidez evidente no apuramento das causas e em encontrar um culpado: foi o co-piloto! um alemão que sofria de depressão, que se zangou com a namorada, que ganhava mal, que escondeu uma doença neurológica do patrão, que se converteu ao islão, que comeu um kebab e alugou uma barba postiça e pôs o comandante da aeronave a abrir uma porta de aço inviolável de machado em riste. (aqui)

Tudo isto foi decidido como sendo de tal gravidade, apesar das caixas negras demorarem algum tempo a ser encontradas, que justificou a presença no local do desastre de 3 chefes de governo, a Merkel, Rajoy e Hollande. Este último afirmou solenemente à imprensa que “a segunda caixa negra não continha conteúdos”. Só um presidente de república teria estatuto para afirmar tal impossibilidade, uma vez que uma caixa grava os dados técnicos do voo e outra os sons de cabina e ambas são praticamente indistrutiveis. Situam-se na cauda do aparelho e suportam várias centenas de vezes o peso do embate e temperaturas acima de 1000 graus. Como assim, a caixa dos sons tinha e a caixa dos dados técnicos não continha nada? Como habitualmente nestes casos enigmáticos, que se vão repetindo cada vez mais amiúde, os culpados que poderiam esclarecer os mistérios e dar a sua versão do acidente não o podem fazer, porque estão mortos… E acusar um único morto beneficia todos os intervenientes, já que se encontrou uma pessoa culpada e isso tranquiliza a opinião pública (não culpando todo um sistema exagerado de segurança que tranca portas irreversivelmente).

Consultando outras fontes, descobre-se outra versão. Segundo o Ministério da Defesa da Federação Russa de acordo com dados detectados pelo submarino Severomorsk da sua Frota Naval a operar frequentemente no Mediterrâneo a queda do voo 4U 9525 no sul de França foi o resultado directo de um exercicio de teste falhado da Força Aérea dos Estados Unidos integrada na NATO (1) com o Sistema de Defesa de Alta Energia Laser Liquida (HELLADS) que não atingiu a área onde seria suposto derrubar um missil ICBM simulando um ataque nuclear vindo da Rússia com a intenção de destruir a Base Aérea de Aviano em Itália. (fonte)

O ministério da Defesa russo observa ainda que a estrutura militar Estados Unidos-Reino Unido-União Europeia põe frequentemente em risco voos civis com os seus jogos de guerra sobre o continente, como no ano passado, quando cerca de 50 aviões desapareceram temporariamente de radares na Áustria, Alemanha, República Checa e da Eslováquia – “o desaparecimento temporário de aparelhos nos monitores de radar estão ligados a exercícios militares planeados que vão tendo lugar em várias partes da Europa, cujo objetivo é a interrupção das frequências de comunicação por rádio, conquanto os aviões continuem em contacto por rádio com os controladores de tráfego aéreo e o seu voo prossiga normalmente". O relatório do Severomorsk reporta anomalias eléctricas atmosféricas em áreas sobre o sul de França, Itália ocidental e sudoeste da Suiça. Aponta também ser essa a area de combate operacional do 510º Esquadrão da Força Aérea dos EUA que opera a partir da Base de Aviano, no norte de Itália. Concluindo, a probabilidade da opinião pública do ocidente ser informada do que realmente aconteceu com o voo 9525 da Germanwings, é quase o mesmo que o terem dito a verdade sobre a Malaysia Airlines voo MH17, que foi provado por fotos de satélite ter sido abatido por um caça da Ucrânia.

De volta a fontes ocidentais, um novo relatório divulgado pelo Serviço de Informações sobre o Estrangeiro (SVR) afirma que o presidente Barack Obama ficou tão furioso ao saber da incompetencia e ineficácia dos "jogos de guerra" da NATO que atingiram o avião da Germanwings que de tão chocado recusou receber em audiência o secretário-geral da Aliança Jens Stoltenberg apesar dos seus repetidos pedidos.

(1) O sistema tecnológico High Energy Liquid Laser Area Defense System” (HELLADS) integra a Strategic Defense Initiative do ressuscitado programa de Reagan "Guerra das Estrelas", um produto da fase final da Guerra Fria entre os EUA e a antiga URSS, podendo ser também entendido sob o ponto de vista da política interna dos EUA, como um projecto típicamente neoconservador, defendido pelo Partido Republicano dos Estados Unidos. Nos anos 2000 este programa foi reactivado pelo Governo Bush, sob o nome de "Escudo Anti-Mísseis", desta vez mais focado em sistemas de defesa anti-mísseis balísticos localizados em terra do que necessariamente no espaço. O programa gerou grandes polémica com a Rússia e a China, acabando por ser parcialmente paralisado na gestão do Presidente Barack Obama quando viu inviabilizado os seus esforços para o instalar nos países alinhados com a NATO no mar Báltico paredes meias com a fronteira da Rússia

domingo, março 29, 2015

as verdadeiras causas da crise

"Sabedoria é conhecer a Inteligência que governa todas as coisas por meio de todas as coisas (...) é um acto de Sabedoria escutar o Logos, não a mim, e reconhecer que todas as coisas são uma só" (Heráclito)

Existem apenas 3 poderes no mundo: a Reserva Federal dos EUA, o Pentágono e o Vaticano, cada um deles nas suas áreas especificas: financeira, militar e alienação das mentes. (todos os restantes actores são subconcessionários destes três)

Passam agora 14 anos que, na grande campanha imperialista de desmembramento da Jugoslávia (1), a Sérvia foi marcada como alvo, quando as vítimas foram crianças, milhares de habitações foram destruidas, hospitais foram bombardeados, meios de informação silenciados por ataques aéreos. O Danúbio subiu acima das pontes demolidas, o Poder foi mais forte que a Justiça (um paradigma que faria jurisprudência no submundo da agressão criminosa), prevalecendo a mentira sobre a verdade. Tudo isto para que se pudesse implantar a segunda maior base militar norte-americana na Europa (depois de Ramstein na Alemanha) Camp Bondsteel, ilegalmente construida pela NATO na provincia sérvia do Kosovo. E para onde Portugal, um país cujos habitantes se encontram em dramática crise, envia tropas em missões militares cujas despesas não constam do Orçamento de Estado.

"... aqueles que se dedicam ao serviço da Pátria no Exército consideram-se servidores da segurança e da liberdade dos povos (e) na medida que desempenham como convém esta tarefa contribuem verdadeiramente para o estabelecimento da paz" (Concilio Vaticano II, Constituição Pastoral")

Na evocação do Centenário da 1ª Grande Guerra, "... a imagem do Cristo das Trincheiras que foi resgatada em 1958 para Portugal da área de actuação do Corpo Expedicionário Português (CEP) , identifica-se com o sacrificio dos vivos e a memória dos caídos durante a Grande Guerra. Por essa razão, no âmbito das evocações do centenário desse acontecimento, a imagem do Cristo das Trincheiras foi colocada numa mostra ao público, na exposição "Neste Mar de Lágrimas" inaugurada a 29 de Novembro, exibição esta que evoca as aparições de Fátima em 1917, ano em que as Forças Armadas portuguesas se batiam em França e em África durante a Grande Guerra" (Jornal do Exército, Janeiro de 2015)

O que nunca é relevante relembrar é que a participação do CEP, com cristo ou sem cristo, se saldou por uma tragédia, tendo os nossos Generais improvisado uma turba de 50.000 homens mascarados de soldados à pressa (na altura popularmente imortalizados como os "50 mil labregos") e condescendendo em enviá-los para uma operação numa região onde se sabia antecipadamente quer iam ser dizimados pelos Alemães (ler mais)

(1) Militarismo. A Ucrânia não é a Jugoslávia, é muito pior!

sábado, março 28, 2015

a Austeridade e os agentes da dívida eterna

mas, os juros capitalizados de Certificados de Aforro, que até agora não contavam para a dívida pública, vão ser objecto das novas regras do Eurostat, o que vai agravar a divida pública portuguesa em 4000 milhões de euros, e colocará a dívida pública de 2014, não em 130,2%, mas sim em 132,5% do PIB. E em cima disto, faltam ainda contabilizar os prejuizos causados pela falência do BES/BESA/GES, cujo lançamento nas contas pública irá irrevogavelmente condicionar a acção do próximo governo


a Europa na mão de Corruptos

Corrupção nos submarinos: na Grécia 32 pessoas vão a julgamento por terem pago ou recebido subornos na compra de submarinos à alemã Ferrostaal. Armadores, ex-responsáveis pelos contratos militares, banqueiros, negociantes de armas e homens de negócios vão sentar-se no banco dos réus no caso dos subornos que podem ascender a 60 milhões de euros. O ministro da Defesa de então, Akis Tsochatzopoulos, já está a cumprir pena de 20 anos de prisão por ter recebido subornos em contratos militares. Em Portugal, é público que a Escom recebeu 30 milhões de euros em comissões na compra do mesmo modelo de submarinos à mesma Ferrostaal, mas o processo judicial foi arquivado.

Manipulação dos Media: o jornal francês "Le Figaro" publicou ontem uma notícia sobre a falta de medicamentos na Grécia com uma imagem de filas à porta das farmácias. O jornal não diz que a foto que ilustra o artigo é do ano passado e que não há registo de que tenham regressado aquelas filas nos últimos tempos... (fonte)

Alemanha e BCE aumentam chantagem sobre a Grécia - o BCE ordenou aos bancos gregos que não comprem dívida do Estado grego. Nesta sexta-feira foi divulgado que o presidente do banco central alemão disse que a Grécia corre o risco de “falência desordenada”. O Eurogrupo decidiu que a Grécia não tem direito a 1.200 milhões que sobraram da recapitalização aos bancos (Esquerda.net)

Os partidos politicos chegam aos governos mas não chegam ao Poder. 
As grandes corporações multinacionais forçam Países a pagar as dividas
82% do comércio mundial é liderado por multinacionais norte-americanas
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sexta-feira, março 27, 2015

Ivana

Em Berlím e Duisburgo os comunistas alemães do MLKP promoveram manifestações em honra da sua militante Ivana Hoffmann, que morreu integrando a luta do povo do Curdistão no combate contra o Estado Islâmico da Síria e do Iraque (ISIS)

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https://www.youtube.com/watch?v=h9W4ihf-RKc
Face às novas ameaças, os Curdos aplaudem o apelo do último fim de semana do seu líder Abdullah Ocalan (PKK) para terminar a luta armada contra a Turquia, que dura há 30 anos. Ocalan está preso como terrorista num cárcere turco. Quer dizer, as suspeitas profundas em ambos os lados podem quebrar os sonhos de paz. Ocalan iniciou conversações com o governo de Ancara em 2012 para acabar com um conflito que já matou 40.000 pessoas e tem atrofiado o desenvolvimento no sudeste do país de maioria curda. Uma paz complicada na medida em que os Curdos têm vindo a envolver-se no combate ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque. O presidente Tayyip Erdogan tem a sua atenção focada nas eleições de Junho, onde espera obter maioria para que o regime se modifique para uma presidência executiva. Nesta perspectiva Erdogan está a pressionar o PKK (Kurdistan Workers Party) para que aceitem entregar as armas, declarando que depois dele reeleito como lider executivo deixará de existir um  "problema curdo" graças às reformas que irão ser feitas sob seu domínio. Temos assim, um partido Comunista alemão cujos militantes se dispõem a rumar para combater o "Estado Islâmico", (um espantalho nado e criado pelos Estados Unidos) e um partido Comunista turco disposto a fazer alianças com a Turquia, um país membro da NATO. (fonte)

a libertação dos povos é hoje, na era da globalização, um processo tortuoso, longe da simplicidade do internacionalismo proletário

o New York Times fala da "perigosa aposta da Turquia na Síria" título que também se podia aplicar à Arábia Saudita e aos Estados Unidos (ler mais)

quinta-feira, março 26, 2015

Roberto Rossellini, ciclo de reposições com cópias restauradas no cinema Nimas a partir do dia 26 de Março

Rossellini acreditava que a televisão podia ser o espaço de uma renovada linguagem de formação cívica e conhecimento histórico. Nesse sentido realizou “A Força e a Razão”, uma entrevista a Salvador Allende produzida pela RAI e difundida em 1973. A par de Godard e Antonioni foi pioneiro na descomplexada abordagem do modelo de telefilme, a começar por “A Tomada do Poder por Luis XIV” (1966). Que aconteceria se o realizador ressuscitasse no meio do lixo que a televisão hoje produz?  Do corpo principal da obra cinematográfica de Rossellini serão exibidos, entre um total de 10 filmes, a “Viagem a Itália”, “Germânia Ano Zero” filmado a quente nas ruinas de Berlim dois anos após o fim da guerra, e “Stromboli, Terra di Dio” sobre o drama dos expatriados pela guerra (1).

A carta enviada em Maio de 1948 por Rossellini convidando a actriz sueca Ingrid Bergman, já então uma grande estrela em Hollywood, para protagonizar a "heroína" Karin em Stromboli revela praticamente tudo sobre a mundivisão humanista do realizador:
Cara Senhora Bergman. Esperei algum tempo antes de lhe escrever porque queria ter a certeza daquilo que lhe ia propor. Antes de mais, porém, quero que saiba que a minha maneira de trabalhar é extremamente pessoal. Evito todo o tipo de guião que, a meu ver, limita fortemente o campo de acção. Evidentemente, parto de ideias muito precisas e de uma série de diálogos e de situações que escolho e modifico durante o processo de laboração. Assim sendo, não posso deixar de lhe confessar que a ideia de trabalhar consigo me entusiasma. Há algum tempo, creio que em fins de Fevereiro, percorria eu de automóvel a Sabina, uma zona a norte de Roma, quando, perto da nascente do Farfa, a minha atenção foi atraída por uma cena insólita. Num campo cercado por uma alta rede de arame farpado, algumas mulheres viravam-se como cordeiros numa pastagem. Aproximei-me e percebi que eram estrangeiras, jugoslavas, polacas, romenas, gregas, alemãs, letãs, lituanas, húngaras, que, obrigadas a fugir dos seus países de origem por causa da guerra, tinham deambulado pela Europa, tendo conhecido o horror dos campos de concentração, dos trabalhos forçados e dos saques nocturnos. Tinham sido presas fáceis dos soldados de vinte países diferentes até que foram concentradas naquele campo onde esperavam que as repatriassem. Um guarda ordenou-me que mme afastasse. Eram indesejáveis e era proibido falar com elas. Atrás do arame farpado, na extremidade mais distante do campo, uma mulher loira, toda vestida de preto, estava apartada das outras e olhava para mim. Ignorando as ordens dos guardas, aproximei-me. Ela sabia apenas umas palavras de italiano, ficou vermelha só do esforço de falar. Era da Letónia. Nos seus olhos claros lia-se-lhe um desespero mudo e intenso. Enfiei a mão na barreira de arame farpado e ela agarrou-se a mim como um náufrago que se agarra aos destroços. O guarda aproximou-se com ar ameaçador. Voltei para o carro.

A recordação daquela mulher obsecava-me. Consegui autorização para visitar o campo mas ela já lá não estava. O comandante disse-me que tinha fugido. As mulheres mais velhas deram-me outra versão. Partira com um soldado das ilhas Lipari. Teriam casado e assim ela poderia ficar em Itália. Que tal irmos os dois à procura dela? Ou tentaremos imaginar a sua vida nessa aldeiazinha perto de Stromboli para onde o soldado a levou. Imagino que a senhora não conheça as ilhas Lipari, até mesmo em Itália poucos as conhecem. Infelizmente ficaram tristemente famosas durante o período fascista, porque era para lá que eram mandados os inimigos do regime. São sete ilhas, situadas no mar Tirreno, a norte da Sicilia, e antigamente todas elas eram vulcões.Só um ficou activo, o Stromboli. A aldeia surge aos pés do vulcão, numa baía. Algumas casas brancas, com as paredes cheias de fendas devido aos terramotos. Os habitantes vivem da pesca e do pouco que conseguem cavar da terra árida.
Procurei imaginar como seria a vida da rapariga letã, tão alta e loira, nessa ilha de fogo e cinzas, entre pescadores pequenos e morenos e as mulheres de olhos escuros luzentes, pálidas e definhadas pelas gravidezes. Imaginei a sua incapacidade de comunicar com essa gente de hábitos fenícios, que fala um dialecto rude, em que se misturam palavras gregas, e igualmente a incapacidade de comunicar com ele, o homem que encontrou no campo de Farfa. Olhos nos olhos, aí leram a alma. Nos olhos móveis e inteligentes dele, ela descortinara a sua simplicidade e o seu tormento, a sua força e a sua ternura. Acompanhara-o, convencida de ter encontrado uma criatura fora do comum, um salvador, o refúgio e a protecção depois de tantos anos de angústia e de violência. Ele dar-lhe-ia a possibilidade de permanecer em Itália, nesta terra verde de clima temperado onde o homem não perdeu ainda a sua humanidade e a natureza é feita à medida do homem. Pelo contrário, ela chega a essa ilha selvagem, agitada pelos tremores do vulcão em erupção, onde a terra é escura e o mar parece lama impregnada de sulfato. O homem que vive a seu lado e a ama com uma espécie de fúria selvagem é como um animal selvagem incapaz de lutar pela sua existência, que aceita, placidamente, viver na mais completa miséria.

Até o Deus que as pessoas adoram lhe parece diferente do seu. É impossível comparar o austero Deus luterano que invocava em criança nas igrejas rias da sua terra natal com este, rodeado de santos de todos os tipos. A mulher tenta insurgir-se e escapar a essa vida obsessiva. Mas o mar barra-lhe a fuga por todos os lados. Desnorteada pelo desespero, incapaz de continuar a suportar aquela situação, deixa-se embalar pela esperança de um milagre que venha salvá-la, sem perceber que uma grande mudança ocorrera já dentro dela. De repente percebe o valor da verdade eterna que regula a vida dos homens; percebe o enorme poder de quem nada possui, a extraordinária força que nasce da liberdade, e torna-se uma espécie de S. Francisco. Um intenso sentimento de felicidade jorra do seu coração e ela experimenta finalmente uma enorme alegria de viver.

Não sei se consegui exprimir plenamente aquilo que pretendia dizer. É muito difícil dar corpo às ideias e às sensações cuja vida está ligada à imaginação. Para contar, tenho de ver: o cinema conta com as imagens, mas eu tenho a certeza, a absoluta certeza, de que com a sua ajuda conseguirei dar vida a um ser humano que, através de experiências difíceis e amargas, consegue conquistar a paz e libertar-se de todo o egoísmo, atingindo assim a única verdadeira felicidade concedida à humanidade, a que permite viver de modo mais simples e próximo da criação. Acha que poderá vir à Europa? Seria para mim um prazer convidá-la a vir a Itália para analisarmos juntos e demoradamente o meu projecto. O que é que acha? Acha que devo concretizá-lo? E qual seria para si o melhor período? Desculpe-me se a importuno com todas estas perguntas, mas se soubesse quantas outras coisas gostaria de lhe perguntar ainda! Peço-lhe que acredite no meu sincero entusiasmo. Seu, Roberto Rossellini. 

(a carta foi publicada pela editora Mondatori de Milão em “Ingrid Bergman, La Mia Storia, 1983)

(1) Stromboli é uma mistura de realismo social e alegoria religiosa – por outras palavras, a quinta-essência de Rossellini – e, na personagem de Karin, o filme contém o melhor trabalho que Ingrid Bergman jamais fez. (ler mais)

(2) A quimica entre a actriz e o realizador foi imediata e total. A ponto de Ingrid aparecer grávida de Rossellini , mesmo sendo casada com o médico sueco Petter Lindström. Como Rosselini também era casado, a união causou enorme polémica. Ambos abandonaram as respectivas famílias para viverem juntos. Essa paixão fez com que a actriz fosse acusada de adúltera e de mau exemplo para as mulheres norte-americanas. O influente senador Edwin Johnson, do Colorado, denunciou o comportamento de Ingrid como “um ataque contra a instituição do casamento” e descreveu-a como uma “poderosa influência do mal”, estigma que a levou a ficar anos sem filmar nos Estados Unidos (ler mais)

quarta-feira, março 25, 2015

e como quem empresta a juros (schulden) tem mais de metade da culpa (Schuld)...

"a assimetria entre o crédito concedido e a dívida assumida, está desde os seus primórdios, no fundamento de toda a vida das sociedades" (Manuel Maria Carrilho)

A parasitária burguesia grega, conluiada com os seus sócios estrangeiros, conseguiu uma proeza extraordinária: contrair uma dívida (a números de 2011) de 357 mil milhões de euros, isto é: praticamente tanto quanto as fortunas dos 10 homens mais ricos do planeta (301 mil milhões, dos quais 54 mil milhões são de Bill Gates) ; dois terços do valor dos receitas de todos os países produtores de petróleo da OPEP juntos (556 mil milhões); uma enormidade quando comparada com os 70 mil milhões do fundo de ajuda da UE disponíveis em 2010, ou com os pelintrosos 15 mil milhões de bónus pagos aos gestores financeiros de Wall Street. Mas apenas metade para o valor para que passou o fundo de ajuda da UE para financiar (emprestar a juros) as dívidas soberanas dos países da periferia europeia apenas um ano depois: 780 mil milhões. Inatingivel parece ser no entanto o custo da guerra global dos Estados Unidos ao “terrorismo”: 1 Trilião e 47 mil milhões, guerra pela qual a todo o cidadão abençoado pela água benta da democracia ocidental é extorquido grosso tributo.

O governo grego saída das eleições de Janeiro de 2015 começou a auditar a natureza da dívida, visando apurar que parte dela é odiosa, ilegítima, porque não foi contraída em beneficio do povo. "O país está em guerra, uma guerra social e de classes com os credores. Nesta guerra não vamos ser alegres escuteiros dispostos a continuar as políticas do Memorando da Troika, iremos cumprir o Programa de Tessalónica" disse Nicos Voutsis, ministro do Interior, este mês no Parlamento. É neste contexto que o primeiro ministro da Grécia visita Berlim a convite - primeiro que tudo o espectáculo montado com peças lego alemãs do poderio militar do Ocidente. Poderão a Rússia e a China, agora congeminando bancos globais com os Brics, oferecer-te toda esta riqueza, Tsipras? passe o que se passar, combinamos desde já que ambos vamos mostrar uns sorrisos, pelo menos enquanto tivermos a presença de jornalistas. Enquanto isso, o governador do Banco Central Europeu exige que Grécia "honre totalmente" a sua dívida

"Caros amigos, com sabem, a Grécia tem estado desde há algum tempo em rota de colisão com os fundamentos do neoliberalismo. Confrontado com a desastrosa política da austeridade e extorsão por parte dos mercados, o nosso povo está determinado em defender a democracia, o Estado Social, os bens públicos e o direito a um trabalho pago adequadamente. Batalhamos pela vida, pela dignidade e justiça social, todos dentro da luta para orientar a economia para as necessidades da sociedade, em vez da sociedade estar orientada para as necessidades da economia e do lucro financeiro. Os nossos horizontes não estão limitados pelas fronteiras do nosso país. Estendem-se por toda a Europa. Sabemos que outros povos estão a seguir os nossos passos, determinados a usar o poder da democracia para fazer um mundo mais justo e o futuro mais promissor. A frente que irá enfrentar o actual equilíbrio de poder na Europa já está a ser formada e cada dia fica mais forte" (Mensagem de Alexis Tsipras ao Fórum Social Mundial 2015, a decorrer em Tunes)

Hoje comemora-se o dia da Independência na Grécia. Pela primeira vez desde 2011, quando os presentes apuparam o presidente da República numa cerimónia oficial, o desfile em Atenas não teve barreiras policiais para afastar as pessoas.

terça-feira, março 24, 2015

"o Herberto" (1930-2015)

Informação da PIDE sobre Herberto Helder de Oliveira, datada de 12-11-1960.
(Biblioteca Nacional, Arquivo Salazar)
(..) "e foi assim que uma bela tarde de 1978 decidiu alistar-se no PCP.  A militância "não durou mais de cinco minutos"... (Expresso, 2010)  

em 1968 publica pela mão da Ulisseia "Apresentação do Rosto", uma edição de 1500 exemplares, em grande parte imediatamente apreendida pela PIDE "por conter uma evidente carga de pornografia, o que não pode de forma nenhuma ser tolerado"; Herberto Helder não voltará a publicar a obra, renegando-a... diz quem sabe que é uma das mais corajosas e terríveis confissões autobiográficas da literatura portuguesa. (Livraria Trindade)

expectativas goradas, a bombar à 40 anos

Desde que os portugueses se aperceberam, desde cedo, do logro da eleição deste governo (manipuladamente eleito com um truculento programa para media ver e posto imediatamente de lado para fazer exactamente o contrário) que este governo deveria ter sido destituído, sendo convocadas eleições antecipadas. No debate para uma nova escolha deveria ser equacionada, antes do mais, a questão da adesão (antidemocrática) e permanência no Euro* - numa moeda forte para medir uma economia fraca (desindustrializada a contrato com o directório da UE por Cavaco Silva com supervisão de Mário Soares).
Avaliar os prós e os contras e legitimar a opção a tomar por referendo teria sido essencial. Mas tal nunca foi feito pelos governos anteriores ps/psd/cds. E mesmo nos países onde esses referendos foram efectuados, com clara opção pelo “Não” na Dinamarca, Irlanda, Holanda e França, a votação foi repetida tantas vezes quanto bastasse até que os povos dessem o aval ao “sim”. Estamos portanto, na Europa*, perante um perverso conluio de governos e falsas oposições. Se e quando houver eleições para escolher entre uma das duas opções e meia do “arco da governação”, a vitória do Partido-que-nunca-foi-Socialista tornará constitucionais (com a maioria de dois terços junto com psd/cds) todos os cortes nos serviços públicos, o roubo das pensões e a “flexibilidade” dos salários direccionados pra a miséria.
a bem da nossa hegemonia prendemos o Sócrates, ok?
No acto de votar em António Costa, a memória sofre um apagão – quando já quase ninguém se lembra que o P”S” aprovou na AR sob direcção psd/cds nos idos de Abril de 2012* o Tratado Orçamental “que amarra o partido a opções que não pode alterar”*, isto é, a cumprir as metas do défice exigidas pela Troika, embora as boas-línguas digam que cá já não há Troika.

O défice de 3,6% avaliado e previsto para 2014 poderia ter caído, mas foi revisto para 4,8% do PIB. Em 2015 seria obrigatório não ultrapassar os 2,5%, o que significa que as culpas no cartório serão transferidas para o próximo governo. E mais, nenhum destes números conta ainda com a falência do BES e a transferência dos prejuízos para o Novo Banco, isto é, para as contas do Estado.

* "Ao criar a zona Euro, criámos um monstro" diz Thomas Piketty - "Criámos"? . mas, por pretender remendar as contas da classe dominante  Yanis Varoufakis teceu-lhe duras criticas, apelidando Piketty de “o último inimigo do igualitarismo(descubra as diferenças)
* Lendo a imprensa desse ano, a partir de Abril de 2012 a coligação governamental dramatiza a pseudo desavença com o irrevogável Portas ameaçando com um segundo resgate. Depois da grande manifestação popular o Financial Times publica o aviso que o descontentamento ameaça progresso orçamental. Cavaco está muito preocupado mas não marca eleições. O PS ouviu, diz que só ascende ao governo com eleições e aprovou em definitivo a continuidade da Troika. Os notáveis do regime afirmam que um Governo de Salvação Nacional não é necessário, pelo menos para já...o regimento de Comandos, indignado com os cortes, reune-se para "preparar respostas fortes à crise politica"...

segunda-feira, março 23, 2015

Apartheid Americano

Não é em Cuba, não é na Coreia do Norte, nem sequer na Venezuela... - é um centro de detenção no Texas (EUA)* para crianças e adolescentes apanhados nas malhas da emigração ilegal a partir da fronteira do México, o entreposto de importação de droga
os Estados Unidos na prática têm duas "constituições", uma para yankees Wasp (Anglo-Sax-White-People -  gente branca de origem anglo-saxónica) e outra para pretos e hispânicos, vistos como sendo de outro mundo, logo alvo de tratamentos abusivos devido à sua inferioridade. É assim no interior dos EUA, é assim na politica externa sobre todos os paises do terceiro-mundo que são constantemente ameaçados e alvo de acções militares de repressão, a gente indefesa.

Movimiento Nacionalista de Texas: "Necessitamos declarar a independência porque somos diferentes, segregados e com uma cultura única. Não estamos de acordo em absoluto con a política do Governo Federal dos Estados Unidos. Pagamos impostos que vão direitos para Washington, mas não temos ali representantes capazes de exigir uma redistribuição em beneficio dos habitantes do Texas. Temos imensas riquezas que estão a ser usadas para sustentar de forma artificial uma pretensa unidade norte-americana. Uma unidade inexistente entre Estados que todos juntos têm um défice superior a tudo o que é produzido nas contas dos "Estados Unidos. Se todo o lucro que produzimos é exportado para sustentar campanhas militares, qual é o interesse do Estado do Texas pertencer a uma tal federação?. Temos uma fronteira murada com arame farpado com o México que é hoje uma das muitas vergonhas da humanidade.  Criticam actualmente a anexação da Crimeia pela Rússia, esquecendo a anexação da provincia mexicana do Texas pelos Estados Unidos"

mensagem de uma jovem anti-fascista de Kiev: follow the money

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