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domingo, agosto 05, 2007

Havana Slide



Dos murais de Banksy até aos clássicos ensaios sobre a cegueira



Denis Diderot foi o autor da "Carta sobre os Cegos para uso daqueles que vêem" - eis a sinopse do livro, agora re-editado pela Vega, uma boa leitura para um domingo no pino de Agosto

"Diderot interroga um cego de nascença sobre a ideia que lhe desperta a noção de simetria ou da beleza, procurando certificar-se de que a "beleza" para um cego não é senão uma palavra quando separada da utilidade. Todas as respostas do cego se mostram relativas nos únicos sentidos de que ele dispõe. As principais noções de metafísica e moral são igualmente concebidas por ele depois da sua experiência sensitiva. Assim, não há bem nem mal, mas pessoas que guiam os cegos e lhes abrem horizontes. Este diálogo entre um cego e um ser que vê, patente na primeira parte desta Carta Sobre os Cegos, tem pois por objectivo levar o leitor a inclinar-se para o relativismo. A segunda parte do texto é ainda mais subversiva por Diderot sustentar aí a hipótese de uma grande desordem universal: o que é aqui normalidade não será noutro lado uma excepção? Radicalmente materialista, Diderot vira-se assim para o ateísmo e arrasta-nos com ele até à vertigem no turbilhão da sua reflexão que, publicada sob forma de livro em Junho de 1749, vem a ser censurada e a merecer-lhe a prisão".

quinta-feira, agosto 02, 2007

Michelangelo Antonioni e a História do Cinema (III) - a morte das obras de Autor

Giuliana (no Deserto Rosso): “Ma cosa vogliono che faccia coi miei occhi?...Cosa devo guardare?
Corrado: “Tu dici: cosa devo guardare? Io dico: come devo vivere? E la stessa cosa









Se queres Viver vai ao Cinema
François Truffaut

E pegando na frase inspirada em Antonioni, foi isso mesmo que a geração do pós-guerra fez. Foi ao Cinema (“as Luzes da Cidade”, Chaplin). Foi no cinema (“A Grande Ilusão”, Renoir) que apreendemos o mundo (“Hamlet”, Olivier) – em sucessivas colagens maravilhosas de matinées fumarentas, nevoeiro através do qual (“To Be or Not To Be”, Lubistch) víamos principalmente, em lugar de destaque, o desfilar de estórias sobre formidáveis ladrões e justiceiros, todos eles, gangs foragidos em busca de liberdade, irmanados no objectivo comum de construirem um novo mundo ("Birth of a Nation", D.W.Griffith) ou de abjectos facínoras aristocratas tisnados pelo sol, e de cruz às costas, no caso dos hispânicos (“Aguirre”, Herzog). Vimos o herói solitário que cavalga na vanguarda da tribo de exploradores (Cavalgada Heróica, Ford), sobre cuja sombra se fecha a porta após a conquista da estabilidade (The Searchers) o grito de criança pelo medo de abandono do conhecimento sobre o mundo imenso ("Shane", Stevens), a gota de sangue que cai dentro do copo do borrachon incapaz de servir uma justiça impossivel ("Rio Bravo"), a sofisticação da sêde do mal ("Touch of Evil", Welles), a pirataria comandada a partir dos off-shores ("Captain Blood", Curtiz) aceitando como única a parte que os grandes impérios empresariais da comunicação profissional lhe contam ("Citizen Kane"). As bandeiras vermelhas censuradas na exibição nos EUA (“1900”,Bertolucci); enfim, a perda generalizada da vergonha (“o Auto do Vigário”, Fellini)
E quem não lhe deu ("Singing in the Rain", Donen) para pesquisar a vida entre este tipo de exemplos seleccionados, vegetou por entre uma mundividência fantástica, ("Dogville", Lars von Triers) mormente pensando, quando cavalgando ao longe vislumbrava o Gary Cooper ou o John Wayne montados como se fossem um só nos seus cavalos, que os minotauros de facto existiam. ("Paths of Glory", Kubrick)





(mosaicos na Villa Adriana, Tivoli, Roma - em luta contra a selvajeria da Natureza: nenhuma concessão a Rousseau)

Exacto, esse mesmo Wayne, cavalgadura ("Apocalypse Now", Coppola) que se notabilizou por uma tirada famosa: “que o extermínio dos “índios” nativos americanos foi um “mal necessário” face à imperiosa necessidade de conquista de espaço vital para a civilização”.

Foi desse entendimento hollywoodesco como a coisa mais próxima do que seria qualquer obra cultural que alguma vez lhes passou sob as pencas elitistas judaicas, que os modernos esbirros do Império extrairam a filosofia de vida dos animais mirabolantes que pensam com os cascos militares – método desmentido décadas mais tarde pelo negócio de retorno às origens (Dança com Lobos, Costner) um olhar do lado de lá do espelho saído directamente da ancestral “Ghost Dance” dos extintos Lakota do chefe Big Foot que estavam a ser egoístas para com aqueles que precisavam de terras (como agora se precisa de petróleo). Ou seja, agora que somos todos índios, começamos finalmente a perceber a parte do mundo que nos tinha sido deliberadamente ocultado. Antes disso já Barthes e Foucault tinham declarado a morte do Autor. Guy Debord chegou mesmo a produzir um manifesto contra o próprio Cinema (Contre le Cinema) – leia-se, contra as pipocarias multiplex propriedade das indústrias da kultura – ou da arte de fazer esquecer o essencial. Desapareceram Antonioni e Bergman mas todos nos consideramos agora herdeiros das obras de Autor; aliás, no copyright socializado da era da comunicação globalizada pelas novas tecnologias, emissores e receptores, somos todos autores. (“Do the Right Thing”, Spike Lee). Por isso a ideia de Cinema que temos continuará viva.

Ingmar Bergman, "O Sétimo Selo" – derrotar a morte num jogo de xadrez - nenhuma contemplação, guerra sem quartel contra os penitentes da ignorância mística

relacionado:
Roland Barthes, "The Death of the Author & From Work to Text". O fim do Autor como fundamento da evolução do mundo
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quarta-feira, agosto 01, 2007

Antonioni e a História do Cinema (II)

Michelangelo Antonioni nasceu em 1912 em Ferrara uma pequena e curiosa cidade comunal da Emiglia Romagna entre o Veneto e Bolonha. Começou como crítico demolindo ferozmente as comédias italianas das décadas de 40 (Risi, Scola, Sordi); as suas críticas mostravam como “era terrível a Itália do pós-guerra” e como as pessoas tinham ficado superficiais e banais. A sua primeira ligação à realização de filmes deu-se como guionista de Roberto Rosselini – “filmar para mim é viver” diria mais tarde ("o Grito",1957). Em “Il Deserto Rosso” rompe com a análise social crítica neo-realista europeia consignada na dicotomia fascismo-antifascismo (DeSicca, Visconti, Lattuada, Zurlini, entre outros) – pela primeira vez uma história filmada debruçava-se sobre a indiferença da humanidade e sobre a sua cegueira em ver o mundo que estava a ser criado – mais concretamente, revendo-se na forma de filmar cruamente as instalações fabris exportadoras ao serviço do imperialismo, anteviu o fim da classe operária como alternativa de comando político na sociedade industrial. Efectivamente, como se iria vendo de seguida, apesar de o Partido Comunista (PCI) ser sempre a força mais votada em Itália, nunca conseguiria formar governo, incumbência sempre habilmente concertada a favor de instituir a “democracia cristã” como lider de uma sociedade de zombies apoliticos.

Da trilogia estrangeira de Antonioni (Blow-Up) que vagueia depois por “Zabriskie Point”, num exercício estético sobre a contracultura nos Estados Unidos (1970) com banda sonora dos Pink Floyd: "big man, pig man ha,ha,ha, what a charade you are" - chega-se à sua obra mais importante: “Profissão: Repórter” (1975), de seu título na Europa; o filme ficou anos sem estar disponível para o público nos Estados Unidos, até que o próprio actor principal, um Jack Nicholson ainda livre de cabotinismos de estrela acompanhado por uma fabulosa Maria Schneider - dono dos direitos sobre a obra – se encarregou anos depois de restaurá-la e relançá-la nos cinemas americanos, apelidando-a esotericamente de “The Passenger”, (vidé os tiques yankees no trailer)

Um homem num mudo desespero tenta fugir à sua própria vida. Um jornalista famoso e esgotado, David Locke, que troca de identidade com um desconhecido que morre subitamente. Antonioni considerou-o o seu filme “estilisticamente mais maduro” e também "um filme político", pois foca, usando uma linguagem metafórica, "a integração dramática do indivíduo na sociedade actual". Não só do jornalismo desvirtuado do que é hoje uma indústria (tal qual como os filmes) ,que nada tem a ver com receitas nem com espectadores, e por algum motivo é co-financiada pelo Estado ou pelos grandes grupos económicos que lhe fazem concorrência – Locke confronta-se com a declarada intenção de transmitir conteúdos e dirigir “mensagens”, e vê os media em geral (como nós agora vemos o Cinema) converter-se em ferramenta de colonização cultural. A nova identidade de Locke não só não esbateu esta problemática como ainda lhe somou novos problemas: ao vestir a pele do empresário rico Mr. Robertson cedo descobre que era agora o fornecedor das armas que sustentavam a guerrilha separatista. Todas as suas obsessões estão aqui: a crise de identidade, o existencialismo, a incomunicabilidade, a valorização da ambientação e da arquitectura desértica da paisagem, transferida para um formato de road movie

No célebre e fascinante plano-seqüência final de sete minutos, em que a câmara atravessa a grade simbólica saindo do quarto onde Locke repousa, e se perde depois em longos pormenores praticamente alheios à acção, só quando volta finalmente para dentro para revelar apenas um cadáver é que percebemos que as grandes narrativas jornalísticas morreram. É a verdade da nossa época: o verdadeiro repórter já não tem origem nos bancos das escolas de comunicação.
Antonioni não explica nada: Em “Profissão: Repórter” existem aliás muito mais perguntas do que respostas. Tudo isto se passou há mais de 30 anos; não deu por nada?

e a vida é um instante,,











Michelangelo Antonioni 1912-2007

Não é possivel hoje dizer nada sobre Antonioni (o cineasta em si), a Arte é uma Arma de Luta e o respeito obriga-nos a guardar silêncio. Antonioni definia-se a si próprio como um intelectual marxista, mas se formos ver a imagem que lhe querem legar como tradição, veremos apenas a chamada "trilogia do tédio" existencial (ideia que Marx ancorou ao "trabalho alienado") - a Aventura, a Noite, o Eclipse - as fúteis listas de prémios que coroaram formas artisticas reconhecidas pela novidade, pelo escândalo, pela elegância e pela economia de meios "transformadas em objecto chique no escavar do vazio de uma burguesia ociosa" (Ruy Gardnier).
A partir desta fase fazem parte da história da identificação de classe, o Antonioni fundamental: "O Deserto Vermelho" complementada por outra tetralogia essencial que, mostrando a crise da familia burguesa do pós guerra na Itália assimilada à força pela invasão do americanismo, pelo boom económico e pela modernização, desconstruiu a imagem e levou à perda de ilusões do cinema neo-realista italiano dos anos 60: “Prima la Revolucione” (Bertolucci, 1962), “I Pugni in Tasca” (Marco Bellocchio, 1965) “Teorema” (Pier Paolo Pasolini, 1968 - "cosa ne pensa della società italiana?": "la borghesia più ignorante d'Europa") “Dillinger è morto” (Marc Ferreri, 1969)

"Fazer uma história de Cinema é contar todas as histórias"
Jean-Luc Godard

Quando passaram "A Saída dos Operário da Fábrica Lumiére" no boulevard de Capucines em Paris (1885), os irmãos Lumiere foram os primeiros a tirar partido de um defeito na visão humana que não permite detectar os intervalos negros entre a colagem de imagens fotográficas passadas a determinada velocidade. George Meliés com "Réve d`Artiste" catapultou em definitivo o novo meio tecnológico à categoria de Arte (1898). Em pouco mais de cem anos um longo caminho foi feito no encadeamento das imagens até ao clássico icone pop-Art de Antonioni: "Blow-Up" onde o fotógrafo de moda Thomas capta instantâneos onde pensa ver nas imagens ocultas a olho nu as evidências de um crime cometido num parque londrino. Ficção ou realidade? Para chegarmos a Antonioni, a grande questão é saber se a nossa vida não é, ela própria, uma ilusão, que nos é efabulada pela lógica das indústrias culturais hodiernas

David Hemmings, in "Blow-Up" (1966)
à procura dos buracos negros ocultos entre as imagens da realidade
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terça-feira, julho 31, 2007

a silly season,,, ou de como se vai indo no partido de Cavaco

Sabemos que a chamada “época idiota” em Portugal abrange praticamente todo o ano. Como se faz nas sondagens eleiçoeiras, bastam uns quantos raides pontuais pelos incontáveis balcões das incaracteristicas tascas infecto-contagiosas do país para nos darmos conta do estado maioritário de grunhice : as conversetas de dichote fácil sobre a tusa lusitana, a cervejola e o pirezinho de não sei quê gordoroso, o riso alarve colhido directamente do álcool, enfim, os políticos profissionais que emanam “do nosso povo” não poderiam ser muito diferentes. Pani e circences, haja quem nos divirta! – fica para a posteridade o melhor dito grunho desta época:

O objectivo de José Sócrates é instalar uma república socialista em Portugal
(ouve-se um arroto em fundo, e cai o pano)




Actualização: a opinião factual de amsf que não merece ficar escondida na caixa de comentários:
"O Marques Mendes (MM) veio fazer uma triste figura à Madeira.Em 2005o foi convidado a vir ao Chão da Lagoa para posteriormente ser desconvidado e agora veio porque se fez convidado de acordo com as afirmações do Filipe Menezes.
O MM vem namorar os c/ de 10.000 votos dos militantes do PSD/M esquecendo que na semana anterior denunciou uma prática que é comum dentro do PSD. Segundo as suas próprias palavras os caciques do PSD arrebanham os militantes com as quotas por pagar e fazem-nos votar no candidato que apoiam a troco do pagamento das referidas quotas. Certamente essa prática será aplicada na Madeira nas próximas directas para a eleição da liderança do PSD pois a quase totalidade dos militantes regionais não têm as quotas em dia.
O seu aparecimento junto do AJJ terá dividendos a curto prazo mas a longo prazo essa "solidariedade" ser-lhe-á atirada à cara".

sábado, julho 28, 2007

Imagine-se que, em nome do Ocidente, seria mesmo inadiável tomar posse administrativa de regiões, pessoas e bens, que possuem matérias primas essenciais para o "normal" e imprescindível funcionamento da complexa civilização ocidental, entenda-se, do usufruto imoral das maravilhas da civilização por uma pequeníssima minoria de privilegiados do 1º mundo. Nesta óptica, Bush, respectivos capangas e os seus delegados internacionais, serão apenas um bando de tarefeiros contratados que, uma vez concluída a tarefa de destruição dessas áreas de intervenção, se reformam com benesses douradas, deixando a reconstrução e a reorganização do que sobreviveu para outros gestores politicos, aparentemente não comprometidos com os crimes perpretados. Na verdade tudo é concertado, entre uns e outros, com a devida antecedência, sob a égide dos donos do mundo, que pré- determinam, a cada passo, através dos cordelinhos financeiros quem apoia e paga o quê.

"Tudo se passa como se não tivéssemos interlocutor"
Eduardo Lourenço, in "Labirinto da Saudade"
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sexta-feira, julho 27, 2007

a profecia de Bolivar

Don Quixote avistou uma tasca e foi como se vira uma estrela no firmamento. Esgotado pela jornada, não se mostrou esquisito quanto a comeres:
"Sea lo que fuere, venga luego, que el trabajo y el peso de las armas no se puede llevar adelante sin el gobierno de las tripas"
Estávamos nisto, quando, vindos do norte chegaram os assaltantes, cercaram a tasca e impuseram uma providência cautelar ao uso da cozinha,,

intervenções militares norte americanas na América Latina


(via MRZine)

quinta-feira, julho 26, 2007

Adeus, e muito obrigado por tudo, a todos vocês escravos, que pagam a coisa pública

O caso envolveu tráfico de influências e falsificação de documentos,
apesar disso, três antigos ministros do Governo neocon de Durão Barroso e Paulo Portas - Carlos Costa Neves, Telmo Correia e Nobre Guedes - ficam de fora da acusação no processo "Portucale", que lesa o Estado português em milhões de euros. Só no processo sobre os amendoins desaparecidos (que irá julgar onze amanuenses da arraia miúda) houve transferências directas para contas do CDS no valor de 1 milhão de euros. Ainda por cima, Portas ameaça processar o Estado, por "quebras de segredo de justiça"

Como sempre, Cavaco é o Alfa e o Ómega no processo. Ora leia-se com atenção a cronologia do caso: (Ricardo Garcia, no Público)

P - O que é o projecto Portucale?
R - É um empreendimento turístico do Grupo Espirito Santo, no concelho de Benavente, projectado para 237 lotes, dos quais 167 para moradias, comércio, dois hotéis, dois golfes, um centro hípico, uma barragem e um clube de tiro. Remonta ao início dos anos 1990.
P - Por que razão é polémico?
R - Em primeiro lugar, pela participação ruinosa da Companhia das Lezírias, uma empresa pública, na origem do projecto. A empresa entrou no negócio com um terreno de 509 hectares, coberto com sobreiros em bom estado vegetativo. Mas depois abandonou o projecto, em 1994, vendendo a sua participação ao Grupo Espírito Santo, que ficou com um terreno por um preço muito abaixo do que realmente valia. Um inquérito da Inspecção-Geral das Finanças concluiu que a Companhia das Lezírias fez um péssimo negócio, mas ninguém foi responsabilizado.

P - E os sobreiros?
R - São a pedra no sapato da Portucale. Para concluir o projecto, a Portucale precisa de derrubar uma grande quantidade de árvores. Mas a legislação não o permite.
P - Por que motivo não se podem cortar sobreiros?
R - O sobreiro é uma espécie protegida devido à sua importância ecológica - por exemplo, é um travão à desertificação - e económica, sobretudo pelo valor da cortiça. A azinheira também tem o mesmo estatuto. O corte das árvores só pode ser efectuado se o projecto for considerado de "imprescindível utilidade pública" - uma figura que não se adequa bem a projectos turísticos privados.
P - Já foram cortados sobreiros na "Portucale"?
R - Sim. Cerca de 1700 em 1995, que permitiram construir uma barragem e dois campos de golfe. E mais 900 em 2005, para abrir espaço às infraestruturas do loteamento.
P - Como foi isto possivel?
R - Em 1995, o Governo de Cavaco Silva, a momentos de deixar o poder, alterou a lei de protecção dos sobreiros de modo a permitir o abate. Em 2005, também nos últimos dias do governo de Santana Lopes, três ministros declararam a "imprescindível utilidade pública" do projecto. É este último caso que está agora em processo judicial.
P - Houve também iniciativas de governos do PS?
R - Tudo indica que sim. Em 2001, no governo de António Guterres, o Ministério da Agricultura, apresentou uma proposta de alteração da lei, que permitiria o corte de sobreiros em casos de "empreendimentos com relevante interesse para a economia". Isto abriria a porta à "Portucale". Muito criticada a ideia caiu.
P - Qual é a posição deste governo?
R - Logo que entrou em funções, em 2005, o governo de José Sócrates anulou o polémico despacho do projecto Portucale. Mas também já fez o contrário: em Novembro passado, declarou a utilidade pública de um hotel e um casino, em Vidago, para permitir o corte de azinheiras.
P - O que argumenta a Portuale?
R - A empresa argumenta que os sobreiros a cortar eram uma pequena parte (inicialmente 12 por cento) dos 35 mil que existiam na propriedade. Invoca também que houve um deferimento tácito do abate dos sobreiros em 1993 quando a então Direcção-Geral das Florestas deixou passar o prazo para dar o seu parecer.
P - Qual é a situação do projecto?
R - O campo de golfe, a barragem e algumas estruturas já foram construídas há alguns anos. O loteamento está suspenso devido a uma providência cautelar da Quercus.

ps - Um marco histórico: as acções do banco de ricardo salgado abriram hoje com a cotação mais alta de sempre. Pois,,

quarta-feira, julho 25, 2007

o Medo Alegre

"The Psycho Squad", Peter Howson, 1989

a chamada de atenção de Manuel Alegre é, como muito bem tem andado a explicar por aí um publicitário famoso, um teaser - isto é, um alerta de diversão para o Medo feito por um homem de sempre do aparelho do Partido dito Socialista - destina-se fatalmente a desviar a atenção do essencial: o Horror!
pelo caminho, o frete - nada melhor para credibilizar a entidade emissora do Medo.

Alegre não abriu o bico nem tomou nenhuma posição frontal contra o processo de tomada de posse do seu partido para o ultraliberalismo pelo métodos americanos de eleição subterrânea, partido que já de si nunca tinha sido socialista, conquistado por gente nomeada com os mais sórdidos propósitos. Pior do que o horror com que Conrad jamais sonhou, estes personagens de opereta já vêm descendendo rio abaixo, percebendo até demais que o seu caminho é um rio transformado em esgoto, onde eles, dejectos flutuantes, personagens grotescas saídas de trevas de merda por ruptura nos depósitos do Império, estes senhores nem tampouco conseguem já ver que estão a começar a apodrecer em frente das câmaras de televisão.

Como se sabe desde que, por motivos de higiene Negri tornou o caso público, entrámos na era da “biopolitica” – o que pressupõe a criação (mesmo no sentido de capoeira) de homens bio- degradáveis – a condizer com o Poder,, recicla-se este e aqueles, vêm outros iguais com outro rótulo, quais produtos reciclados de segunda geração, com mais poder do que os que estavam antes sobre qualquer um de nós.
Os spartaquistas queriam que todo o homem com mais poder que outro pudesse ser revogável a qualquer momento. Seria bom. Porém, como a história demonstra, jamais podemos esperar que os que têm mais poder se decidam finalmente pela aplicação desta medida. Nunca acham ser este o momento certo. Eles crêem é que o povo é que deve ser revogável a cada instante, em massa!
Não sabemos realmente com rigor cientifico ao fim de quanto tempo de exercício um homem com mais poder que nós começa a fazer filha-da-putices, por isso a grande maioria tem colaborado docilmente na aposta em homens biodegradáveis. Cremos firmemente que a acção da natureza sobre os Políticos neoliberais, o efeito do sol e da chuva, a erosão pelo vento, a actividade bacteriana e a fermentação auxiliada pelo arremesso de uns valentes tomates podres, os façam inchar, até rebentar.

action against terrorists:
"O Massacre dos Inocentes" por Peter Paul Rubens, 1611

terça-feira, julho 24, 2007

lixo mediático à borla






manhã cedo, toc, toc, uma simpática menina vestida de amarelo com o respectivo chapéu de pála resguardando-a do co2 bate-me no vidro do carro - um jornal à borla - que bom vivermos num mundo gratuito. Agostinho, havias de vir cá abaixo ver isto. De repente um baque! à borla?, não. "Venderam-me" um título e enfiaram-me pelos olhos adentro um assunto que não tem rigorosamente nada a ver com a minha vidinha. Afinal o frete de estender a mão, longe de ser um gesto gratuito, revelou-se caro demais; quem nos andará a pagar este tipo de ofertas?

segunda-feira, julho 23, 2007

o "novo Tratado"

Conforme se relembra aqui, "o governo tem já uma lista para as próximas privatizações: portos, CTT, EDP, REN, GALP e, a médio prazo, ANA e TAP". Assim, convém ir tomando nota e ir aprendendo com a experiência dos outros. O que aí vem não vai ser bonito. A crise que começou em 2001 foi apenas o princípio do processo de barbarização e autodestruição do sistema mundial do Estado Social dominante.

Robert Kurz,

"Depois de uma greve de semanas, o Sindicato dos serviços Ver.di "conquistou" na Deutsche Telekom uma redução de salários de 6,5 % e um aumento do tempo de trabalho de 4 horas sem compensação. Para maior ajuda até as pausas foram reduzidas. O facto de estarem previstos pagamentos compensatórios por 18 meses constitui apenas uma amenização não essencial. A protecção contra despedimentos até 2012 implica mais do que um sopro de desconfiança porque, simultaneamente, a garantia de que a sociedade prestadora de serviços externalizada não será vendida vigora só até 2010. E em caso de um mais que possível desmembramento da Telekom, por exemplo pelos investidores financeiros, estes não se deteriam perante quaisquer acordos. O chefe do conglomerado, Obermann, impôs-se em toda a linha. A posição de partida do sindicato já era miserável porque o Ver.di já antes tinha negociado tabelas mais baixas com os próprios concorrentes da Telekom. Assim era claro que o nível salarial não podia ser sustentado na empresa ex-monopólio público.
Trata-se de uma derrota histórica, cujo alcance está à vista e que se estende para lá do sector. Ainda que a planeada redução salarial de 9 % tenha sido minorada para 6,5 %, isso já não tem nada a ver com o tradicional "compromisso". É o sinal de que no futuro se tratará apenas do grau de degradação das condições". (ler mais)

O Estado vai acudir aos proletários?

da intervenção no lançamento de “A Crise Crónica ou o estádio senil do Capitalismo” pelo seu autor, Tom Thomas:

IV
“Abordo aqui a mais falaciosa e mais perigosa fraude difundida por toda a esquerda dita antiliberal, trotskistas incluidos (potenciais aliados da social democracia reformista, digo eu). Segundo esta corrente, o Estado poderia domesticar e limitar a finança e desse modo suprimir o desemprego, ou até mesmo humanizar o capitalismo. Sem dúvida, o Estado tem um papel activo muito importante. Mas esse papel é, e não pode deixar de ser, o da reprodução da sociedade tal como ela é, da sociedade capitalista. A força que continuam a ter as ilusões que imaginam a nação como uma comunidade e o Estado como representante, organizador e garante do interesse geral, mostra a importância de as combater. Este é um ponto essencial que distingue nitidamente o marxismo revolucionário daquela esquerda que se agarra à fórmula viciada do antiliberalismo.
As soluções dos antiliberais consistem todas elas em querer restringir a concorrência e a liberdade do capital financeiro. Reclamam portanto que o Estado burguês reforce o proteccionismo, favoreça as empresas nacionais, restrinja o papel da finança mundializada, numa palavra, que nacionalize um pouco mais a economia. Mas reclamar ao Estado que dê mais ajudas aos capitalistas é garantir os seus lucros e reforçar o seu poder – o que criaria para os proletários uma situação ainda pior que a de hoje. A corrente que se diz antiliberal e não anticapitalista é puramente burguesa. Reflecte inquietações das camadas médias (mas também de algumas fracções operárias). Não passa de uma expressão particular da tendência geral do capitalismo moderno para o totalitarismo estatal, tendência que se torna mais influente à medida que se verifica a inoperância da via reformista de uma certa melhoria das condições de vida dos assalariados, como a crise actual testemunha. É por isso que hoje já não existe mesmo essa ténue diferença que outrora parecia distinguir a ala esquerda da ala direita do campo burguês. Pior ainda, a corrente aintiliberal contribui fortemente para reforçar as ideologias nacionalistas e estatistas e portanto alimenta as tendências fascistas, que são a sua exarcebação.

Quer se trate do Estado do capitalismo “selvagem” liberal pretendido pela direita, quer se trate do Estado pretendido pela esquerda “antiliberal”, nada pode mudar a situação dos proletários. A situação dos proletários só pode mudar na luta pela abolição das relações capitalistas.

O que é necessário no imediato não é reclamar ao Estado capitalista mais proteccionismo, mais nacionalizações, mais crescimento, mais trabalho, mas, pelo contrário, apoiando-nos no aspecto positivo que representa a produtividade elevada, exigir para cada um menos trabalho alienante, repulsivo, através da partilha das riquezas que as máquinas permitem produzir com abundância. Trabalhar menos e de outra forma é uma fórmula que resume bem este projecto. O interesse deste livro é pois, em resumo, mostar que a exploração dos proletários pelo capital está a entrar em choque com os limites da realação capitalista, a qual tende a reduzir mais e mais o trabalho operário. Sem o querer, o capitalismo criou um extraordinário potencial de progresso para libertar a humanidade do trabalho alienado, o que equivale, no fim das contas, a abolir tanto o proletariado como a burguesia.
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sexta-feira, julho 20, 2007

os comentadores corporativos, têm para venda fascismo soft

Rui Ramos, o “estoriador” que se tornou mundialmente famoso por comparar o 28 de Maio salazarista ("uma revolta dos sovietes de Tenentes") com o 25 de Abril ("uma revolta dos sovietes de Capitães") trouxe ontem nova encomenda na sua coluna habitual das quartas no jornalP.
“Quem olhar para as águas do lago do templo de Shiva em Katmandou irá ver reflectido o modo como vai morrer”, disse. E, a propósito das eleições intercalares em Lisboa, RR paraboliza longamente, vendo no reflexo dos chafarizes com as torneiras dos votos fechadas de Lisboa, a antevisão do fim do sistema de partidos. Na inconsequência do P"S" neoliberal, ele já está a ver o fim do sistema politico português. Com que fito? é o que veremos no desfecho da prosa. Continuando, lá foi dizendo, e aqui reside a parte essencial, que “se a revolta dos abstencionistas (62,6%) alastrar às eleições legislativas em 2009”, (his master voice profetiza, concluindo que:) “ se o Parlamento a eleger reproduzir alguma coisa parecida com a pulverização e incerteza da vereação lisboeta (…) Talvez comece então a contagem decrescente para o primeiro governo de iniciativa presidencial desde 1979. Deus guarde o professor Cavaco Silva” (sic).
Rui Ramos não precisava de dar tantas voltas nem fazer tantas continhas pelo meio do artigo - lendo a cabeça e o rabo, o recado está dado. Só falta escolher o lider; e que tal o último convidado do sr. Balsemão ao jantar do Bildelberg?: Morais Sarmento (Tão previsiveis que eles são,,,)

e a propósito de gangsterismo (económico) e de Morais Sarmento (politico), vidé, que nem de propósito:
mentirosos corporativos, modo de usar,



video via "Chimes of Freedom"

quinta-feira, julho 19, 2007

a 9ª maravilha do mundo

"a ligeireza com que se permitem funcionar os aeroportos nos países do 3º mundo"

apesar dos inúmeros alertas às entidades imcumpridoras, pelo menos desde Fevereiro 2007,

o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, Brasil, é seguro, (!) insistem os que se marimbam para o cumprimento das normas de segurança;

apesar da opinião de quem sabe
"O Juramento de Viriato", Vieira Portuense, 1799,
(Biblioteca da Faculdade de Ciências do Porto)

a declaração de Rui Rio:

(...) "foi isso que disse às pessoas e não menti. Fui eleito há menos de um ano para ser presidente da câmara do Porto. Só qualquer coisa que seja mais forte que eu próprio é que me pode levar a não cumprir"

deixa em maus lençóis o seu correlegionário ex-Primeiro Ministro do governo da funerária Barroso, que deu às de vila diogo mal o primeiro tacho supranacional se lhe cruzou debaixo do olfacto, mandando às urtigas a resolução dos assuntos para que tinha eleito: resolver a crise (da tanga) provocada por ele próprio.

quarta-feira, julho 18, 2007

um ex-ministro de Barroso, com a autoridade moral que isso lhe confere, deu o recado: "a politica deve ser deixada para os politicos", exclusividade que também não é o caso do fulano, (por acaso já exemplarmente demolido aqui), porque, como sanguessuga notável do regime, as suas acções se desenrolam igualmente em múltiplas actividades colaterais


Pela 1640ª vez:
não foi ao Iberismo como macroestrutura de dominação política aquilo a que José Saramago se referiu; ele disse: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal(...) Não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português" (…) provavelmente Espanha teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar (...), ou seja,

porque os media corporativos precisam de vender papel sem escrúpulos.

Na realidade Saramago diz que faremos parte da comunidade de nações livres da Ibéria, com poderes locais autónomos, descentralizados, embora economicamente interdependentes por via de um sistema de trocas comerciais por valores equitativos e justos. Assim como assim, só teremos a ganhar com a integração: o PIB português é o mais baixo dos países e regiões ibéricas, 13.830 euros/ano, contra 25.818 de Madrid, 24.509 do País Basco, ou 23.533 da Catalunha. Até a semi-desértica Andaluzia, com 7 milhões de habitantes e sensivelmente a mesma área (87.000 km2) nos ultrapassa com um rendimento médio de15.154 euros anuais per capita.

Sabe-se que os pequenos rios procuram sempre os declives que os levem a desaguar em correntes maiores. No actual contexto, Portugal está desfavorecido porque é onerado com custos exorbitantes de elites administrativas exorbitantes – não há “produtividade” que aguente tamanha distorção social. A posição sobre o Imperialismo (Saramago afirmou também recentemente que a Ibero-América é um conceito aplicado a milhões de pessoas que não têm nada a ver entre si), que afinal é o sistema que sustenta as elites e que por ele existem, pela exploração desenfreada dos países de expressão luso-ibérica na América Latina, África e noutras comunidades espalhadas pelo mundo, também seria substancialmente outra, controlado pelos diversos poderes locais, a quem os gestores do poder central teriam de prestar contas a qualquer momento. É deste medo, de alguma vez ter de prestar contas, que padece a generalidade dos comentadores oficiais, medo de serem revogáveis dos tachos.
A crise do capitalismo veio para ficar, é terminal, o Poder central Imperial padece de capacidade para nos ludribiar, nada mais tem para nos dar, excepto “breaking news” sobre o terror auto provocado pelos seus próprios agentes e serventuários:
atenção atenção, acredita nisto?: " as sirenes que vão começar a ouvir anunciam o estado de alerta vermelho; é um aviso de perigo para um ataque aéreo eminente, isto significa que devem largar as vossas vidas de imediato e procurar refúgio nos abrigos” – o duo persa “Abjeez” explica como é que é encenado mediaticamente o actual estado de excepção da “demokracy” made in USA que nos é servida,

terça-feira, julho 17, 2007

Uma sociedade racista, desumana e escandalosamente desigual

Na sequência da Marcha sobre Washington e do inesquecível discurso "I Have a Dream", o presidente John Kennedy, apostado em abolir as abjectas “Jim Crow Laws”, uma herança sulista que consagrava a segregação dos negros no acesso ao ensino, ao emprego e à habitação, apresentou um projecto de lei ao Congresso em Junho de 1963. A proposta demorou mais de um ano a ser negociada entre “democratas” e “republicanos” sendo o seu âmbito alargado à emancipação de outras minorias, instaurando por exemplo apenas nessa época, que as mulheres deviam ter também os mesmos direitos e oportunidades que os homens. Entretanto Kennedy foi assassinado. Na cerimónia de assinatura do “Civil Rights Act”, presidida por Lyndon B. Johnson (que o jornal Público capciosamente afirma ter sido eleito) estava a maior figura do movimento pelos direitos cívicos, Martin Luther King, que meses depois seria galardoado com o Prémio Nobel da Paz – e quatro anos mais tarde abatido a tiro. Entrava-se na Era em que a segregação racial apenas podia continuar a ser levada a cabo pela via económica. Fez agora 43 anos

“o Zé Povinho em última análise é tão esperto como os carneiros... Presentemente uma das maneiras de manter esses carneiros dentro da cerca é electrificá-la. Desde que apanhem choques meia dúzia de vezes, desistem de querer saltar a cerca”
Trent Lott, Senador Republicano pelo Mississipi, opinando, em 2007, sobre como se deve lidar com a imigração ilegal na fronteira com o México, (citado na TimeMagazine)

The Politics of Immigration

“Precisamos desesperadamente de descartar a informação falsa sobre os imigrantes, de os vermos conforme nos vemos a nós próprios, com honestidade e compreensão. Este livro dá um significado poderoso ao slogan “Nenhum Ser Humano é Ilegal”. Espero que seja amplamente lido”
Howard Zinn, autor da “História (alternativa) do Povo dos Estados Unidos”

- Jovem, Preto, Pobre e condenado à morte por assalto que acabou em homicidio – a família do assassino não se conforma com a sentença - os famíliares das vítimas não se conformam com a desdita dos parentes mortos. Entre altercações, os juízes e jurados demoraram quatro horas até conseguirem ler o veredicto – e sabem quem, de entre os 4% dos soberbamente ricos, se vai safando destas dramáticas peixeiradas que decorrem da luta de classes pela sobrevivência na América?
- Branco, bem instalado na vida, Rico, empresário condenado ao sucesso: Paul Allen, na sua super- fabulosa fortaleza flutuante, onde podem atracar iates e helicópteros, e onde emprega mais de 600 criados- funcionários



















Os entertainers da sociedade do espectáculo em geral também não estão mal de todo, particularmente p/e John Travolta com a sua mansão e diversos jactos privados, entre eles um boeing comercial para transporte do staff e amigos.

“A média é de quase um cada dois dias, segundo a Cruz Vermelha. Os migrantes da América Central que viajam em comboios de mercadorias atravessando o estado de Chiapas em direcção à fronteira, perdem braços, pernas, mãos ou pés. Fora os que morrem logo, quando são cortados ao meio ou decapitados”






Sónia Nazario, uma jornalista do “Los Angeles Times”, em “A Odisseia de Henrique” (Edit Guerra e Paz) descreve as lancinantes histórias dos migrantes mutilados por “El Tren Devorador”, ex-aquo com as dos meninos que procuram as mães que abandonando-os, fugiram, em busca do progresso
uma estreia absoluta na blogosfera:

pena que, um calafrio lhe tenha percorrido a medula, e nos recuse a caixa de comentários aberta, para se averiguar da sua real estatura de estadista. Assim, nunca saberemos verdadeiramente o que o povo pensa acerca dele, como ex-governante. É uma pena, repito. Espero que reconsidere,,,
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segunda-feira, julho 16, 2007

Mundialmente celebrizado pelo seu livro “As Veias Abertas da América Latina”, que descreveu como “uma história de piratas”, Eduardo Galeano o grande escritor e jornalista uruguaio, tem uma vasta obra de acusação ao imperialismo,




















Linguagem e Medo Global

Na era vitoriana, as calças não podiam ser mencionadas na presença de uma menina.
hoje, não fica bem dizer certas coisas na presença da opinião pública
O capitalismo ostenta o nome artístico de economia de mercado,
o imperialismo chama-se globalização
As vítimas do imperialismo chama-se paises em via de desenvolvimento
o que é como chamar crianças aos anões
O oportunismo chama-se pragmatismo, a traição chama-se realismo
Os pobres chamam-se carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos
A expulsão das crianças pobres do sistema educativo
é conhecida sob o nome de abandono escolar
O direito do patrão a despedir o operário sem indeminização nem explicação
chama-se flexibilização do mercado laboral
A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias,
como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria
Às torturas chamam-se pressões ilegais, ou também pressões físicas e psicológicas
Quando os ladrões são de boas familias, não são ladrões e sim cleptómanos
O saque dos fundos públicos pelos politicos corruptos
responde pelo nome de enriquecimento ilícito
Os mortos em batalha são baixas, e as de civis que as acompanham
são danos colaterais
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