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domingo, novembro 19, 2006

a banalização da Corrupção (II)


Quem se recorda de Cavaco Silva, quando era 1º ministro, inaugurar um curto troço de via rápida (o que na época foi amplamente glosado), ali perto de Sete Rios em Lisboa, com as fanfarras dos grandes acontecimentos? (a chegada da modernidade atrelada aos fundos sociais europeus)
Recordando o estado actual desse “sucesso” primordial, voltando ao local do crime, hoje está assim – tal como o país, degradado.















Entretanto, quanto roubaram os ricos aos pobres?, cuja condição como classe, segundo as contas das estatísticas, se agravou substancialmente e já somam 2 milhões? (fora a classe média, que caiu para meia remediada). Desde 1995, do princípio ao fim do governo Sampaio, um longo caminho se tem percorrido para reduzir o povo à mediocridade.

Nomes e moradas de gente envolvida em ilícitos (segundo os cânones antigos, que não os da imoralidade vigente), existem em barda no DIAP e em tudo o que é esconso de Justiça:
A banca em geral (BES, BCP), o Finibanco (de Berlusconi) BPN (operação Furacão), Isaltino Morais (o ministro de Durão Barroso), Torres Couto, a gestão da Parque-Expo98, António Preto (PSD), Fátima Felgueiras e o financiamento ilegal do PS, Joaquim Raposo e inúmeros funcionários da Câmara da Amadora; e de mais 8 câmaras municipais (no mínimo) envolvidos em alterações ilegais de PDM,s, José Sócrates e o caso Freeport construido em zona de reserva natural em Alcochete, o caso Portucale e o financiamento ilegal do CDS, Pinto da Costa, Valentim Loureiro e o Apito Dourado, o caso Casa Pia como estratagema de golpe-de-estado constitucional para (destruindo o PS) mudar o regime para a órbita dos neoconservadores (o ex-PGR nos meios forenses tinha a alcunha de “o almofadinha”), o envolvimento das cadeias de Televisão na prestação de falsos testemunhos, Paulo Portas que saiu incólume do Caso Moderna com o envolvimento directo de Celeste Cardona e Adelino Salvado, o beato Bagão Félix e o “golpe da Tanga” Sport Lisboa e Benfica- EPUL, o SIRESP e Daniel Sanches, o negócio dos pareceres jurídicos que envolvem Gabinetes ministeriais (com 250 milhões de euros gastos em 2003), o caso “Angolagate” (a ser julgado em França) que envolve o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Durão Barroso na venda ilegal de armas com o apoio explicito do próprio Cavaco Silva em comícios do MPLA, José Lamego e Armando Vara no caso Eurominas, Raul dos Santos (PSD) na Câmara de Ourique, Ferreira Torres na CM do Marco, o caso da Mata de Sesimbra, a Câmara de Lisboa e o financiamento da Fundação Mário Soares, o caso Emaudio, a Afinsa em parceria com vários bancos, o Grupo Amorim e o financiamento ilegal das campanhas eleitorais do PS, Dias Loureiro e o monopólio ilegal dos Canadair, Nuno Cardoso vs Rui Rio na permuta dos terrenos das Antas, a Euroamer, Carlucci (Grupo Carlyle) e as ramificações portuguesas completam a necessariamente incompleta lista de actividades dos Tubarões mais notórios; enfim, passando por cima de milhares de pilha-galinhas menores com assento na bolha do Imobiliário que gravitam em redor dos planos de (des)ordenamento do território, que por sua vez financiam as colmeias de vespas dos partidos a nivel autárquico – e por fim, (sem passar pela Madeira) só de Janeiro a Outubro deste ano foram abertos em Portugal mais de 8 mil inquéritos a outros tipos de crimes económicos.

Como é normal também em Portugal, depois de uma década de ouro de regabofe, de escândalos sempre em crescendo, no fim, a via rápida para o enriquecimento ílicito construída pelo cavaquismo, termina num sentimento geral de impunidade.
Tão simples como isso: porque já não há mais nada para roubar. Contudo, em última instância, o Polvo não é uma “invenção” da safra nacional – sopra de Oeste com os ventos desolados do “dust-bowl” americano – e agravou-se arrastado na tempestade do neoconservadorismo. A Corrupção é o sistema nervoso central do Capitalismo e há semelhança do que fazemos com quase todos os bens de primeira necessidade para nos alimentarmos, Portugal importa a sua quota parte do Polvo directamente da fonte,

A Fraude Greenspan”, um livro lançado nos Estados Unidos, arrasa o judeu que comandou o FED, e por extensão a economia global, nas últimas décadas, cujas politicas protegeram as grandes Empresas e ajudaram os ricos a enriquecer ainda mais.
enfim, enquanto durar o Capitalismo, estão todos absolvidos!

para aprofundar o tema:
"George Monbiot e a Corrupção"

o epílogo nacional,
Quem se safou, safou. Em vez de investigar e punir as malfeitorias transactas, os dois partidos chave entendem-se num Pacto de Justiça que salvaguarde o essencial da nomenklatura. Como nos EUA, a politica passa a ser tutelalada pelos tribunais. Todavia, para que o sistema "volte" a ter alguma aparência de seriedade vai ser preciso tramar meia-dúzia de patos com umas fogachadas anti-corrupção que tragam umas résteas de credibilidade - Quem é que se irá lixar?. O pânico é geral. Santana Lopes arrisca a fuga para a frente ao tentar formar o grande partido de direita contra o bloco central, que será dominado pelo PSD. Quando o P"S" acabar de fazer o que a direita não conseguiu, ou a situação se tornar insustentável, o partido fica outra vez de "esquerda". Entretanto o regime desandou todo para a Direita, como é objectivamente a missão de Cavaco, e Washington deseja. É este o programa que vamos ver na televisão nos próximos episódios. (nas entrelinhas, como antigamente). Maquilhados e com nova embalagem, os portuguesitos lá irão votar nos mesmos embustes de sempre.








leitura recomendada:
"Maquiavel, ou os Príncipes Pós-Modernos"
(edição Monthly Review)

sábado, novembro 18, 2006

Pela lógica da palavra*, segundo desmentiu o próprio, Ramalho Eanes não pertence à Opus Dei. Pela constatação dos actos, nomeadamente o do apoio como mandatário, à eleição de um presidente conservador de um país inserida pelas élites na hierarquia católica que apoia as politicas ultra-conservadoras do imperialismo consubstanciado na NATO, e mais ainda, o doutoramento na Universidade de Navarra, uma notória instituição da "Obra", sugerem que pertence.
Temos muitos portugueses que acordam assim, a respeito dos mais variados estados de alma; "nunca fui nem nunca mais volto a a ser" - o que é prejudicial ao estado normal de credibilidade, porque não mantendo a coerência tememos pela perda do seu estado de graça e, mais importante, pela salvação das suas alminhas.





"Toda a graça que conduz à salvação chega aos membros da Opus Dei através do seu fundador"
in "O Mundo Secreto da OPUS DEI" de Michael Walsh

* Eanes tem relutância em admitir a filiação na Opus Dei porque os factos pesam; mas, ao contrário da palavra e da retórica, "os factos são infaliveis" dizia Lenine
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quinta-feira, novembro 16, 2006

introdução ao doce charme da Subtileza feminina na Politica

o Lucro não é Crime
Manuela Ferreira Leite



o crescimento desmesurado da abastança como sinal de uma revisitação neo-fascista que não tem limites para o gozo

fotograma de "Amarcord" de Fellini

Marguerite Yourcenar disse sobre as “Memórias de Adriano”: senti “impossibilidade também de tomar como personagem central uma figura feminina, de dar, por exemplo, como eixo à minha narrativa Plotina em vez de Adriano. A vida das mulheres é limitada de mais ou excessivamente secreta.
Que uma mulher se conte, e a primeira censura que lhe será feita é a de deixar de ser mulher. Já é bastante difícil pôr qualquer verdade na boca de um homem”; quanto mais agora, quando é moda as mulheres irromperem irremediavelmente pelos espaços executivos da governança, não numa perpectiva de emancipação social generalizada de cidadania, mas apenas como a continuação da dominação masculina por outros meios.

Hoje tenta-se que a economia seja despolitizada e a politica remetida para um nicho de mercado restrito; para encobrir o marketing do consumismo, de que a Politica é também ela objecto – ou seja, ela é equiparada à compra e venda de outras emoções no âmbito da sexualidade, da indústria religiosa ou da kultura “artística” de lazer
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quarta-feira, novembro 15, 2006

do ensaio sobre a Cegueira até ao excesso de visão

Na passada segunda feira, ao fim da tarde, aconteceu algo que pode ser considerado paradoxal: José Saramago é convidado da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) para o lançamento de um estudo de literatura comparada, em lingua inglesa, sobre a sua obra. A Fundação é gerida pelo (ex)-barão do PSD Rui Chancerelle Machete, que preside à sessão. Tudo normal; é conhecida a capacidade do capitalismo em tentar assimilar as vanguardas contestatárias, envolvendo-as, jogando com as capacidades de sobrevivência económica das ideias, para as incorporar depois de domesticadas, ou para as destruir caso “não vendam”. Um dos capítulos da obra lançada trata disso mesmo: “How totalitarianism begins at home: Saramago and Georges Orwell” de Christopher Rollason.
Vim aqui, e as pessoas interrogar-se-ão: será que eu me vendi, ou eles me compraram? diz Saramago, “nem uma coisa nem outra, não sou própriamente alguém que possa ser tido como hostil ao povo americano; aliás, segundo creio, serei até tido em muito boa conta: o “Ensaio sobre a Cegueira” vendeu já nos EUA 400 mil exemplares”, o que é significativo e considerado um best-seller num meio alienado onde quase ninguém lê, antes “os consumidores de cultura” se perdem no consumo alienado de doses cavalares de tv; e espera-se, que depois da adaptação do livro em filme que o realizador Fernando Meirelles ("Cidade de Deus" e o "Fiel Jardineiro") está a rodar, as vendas disparem ainda mais. Logo “não estão perante um “inimigo”; “não venho mais vezes a esta casa porque não me convidam” concluiu o escritor.
Tudo normal portanto, tanto quanto logo de seguida Saramago passou o raspanete da ordem em directo a esta Administração: “apesar dos inúmeros convites de instituições que recebo não irei aos EUA enquanto a actual politica se mantiver. Assim não”. A capacidade do capitalismo em tentar assimilar as vanguardas contestatárias, por ora, ficará no limbo do insucesso; o que é notável - que um homem, e logo português, armado de uma ideologia diabolizada sistematicamente por uma máquina gigantesca, possa sózinho (apoiado na força dos seus leitores) questionar o Império exigindo-lhe a obrigação de contrapartidas.
Bem haja José Saramago, em vésperas do seu 84º aniversário, quinta feira 16, quando lançará as “Pequenas Memórias” na Azinhaga do Ribatejo, a terra onde nasceu.

Passou um dia, passaram dois dias, vasculhamos os jornais de referência,,, e nada. Sobre o evento de Saramago na FLAD, nem uma linha. Só o que é visivel existe na lógica da (des)informação dos serventuários dos interesses instalados, portanto toca a esconder Saramago nas catatumbas da indiferença. Como são ridiculos, se acham que o conseguem.

A Banalização da Corrupção
(ou de como aos cegos, agora nos deu para começar a ver)

Ao contrário, no dia seguinte, o lumpén político resolve ocupar as primeiras páginas dos jornais com uma cabala montada do avesso. Ao contrário de Saramago, que se confessa, - “aquilo que fôr meu, às mãos me há-de vir parar – esta gente faz pela vida, para o que conta com a cumplicidade generalizada da imprensa corporativa cujas falsidades já ninguém compra.

A dupla PSL /Portas, em vez de estar a braços com a Policia Judiciária, prestando Santana Lopes contas à Justiça sobre os casos BragaparquesParque Mayer, terrenos da Feira Popular, Vale de Santo António, Epul, Infante Santo, etc; e Paulo Portas sobre o caso, entre outros, das contrapartidas e comissões nos negócios de armamento pouco claros com o sr. Donald Rumsfeld que lesaram o Estado português em milhões – resolve-se mover influências, e com a chancela da Editora Aletheia (propriedade da dissidente Zita Seabra e de Dias Loureiro, outro notável do PSD envolvido no caso SIRESP ), (ver mais aqui) publicam um livro às pressas como manobra de distracção visando desviar a atenção do grande público do acontecimento verdadeiro, que envolve ainda Bagão Félix o ministro-chave do governo de Santana Lopes:

Antes de sermos uma versão mais ou menos consolidada de porta-aviões barato do eixo Atlântico, sabia-se que éramos um país pequeno, pobre e mesquinho - agora, continua cá a caber, incólume, em versão revista e aumentada, a choldra de que falava Eça de Queiroz.





A interacção estratégica entre lobies, leva a um equilibrio precário, a um jogo de ameaças em que a parte oposta nunca sabe o que a outra tem escondida. Assim, o melhor é "procurar a estagnação dos conflitos" (Thomas Shelling, prémio nobel da Economia in a Teoria do Jogo).
Assim - o populismo desavergonhado vai amanhã à RTP em horário nobre ser entrevistado na pessoa de Santana Lopes no piramidal show-off "Grande Entrevista" da inefável Judite de Sousa - E o populismo silencioso vai à SIC ser entrevistado à mesma hora, na pessoa de sua excelência o senhor presidente da república, Cavaco Silva no programa "Diga lá Excelência" da circunspecta Maria não sei quê Avillez.

grafiti fotografado numa rua de Alfama
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terça-feira, novembro 14, 2006

o que o Lobo disse a São Francisco de Assis

"il Lupo di Gubbio"
(autor desconhecido)


















"“Podes chamar-me irmão, se fazes gosto nisso, mas não me peças que trate eu a ovelha como se fosse minha irmã”"
José Saramago, in "A Segunda Vida de Francisco de Assis"

em tempos dizia-se que o extraordinário sucesso (!) do homem sobre a Terra se devia ao facto de o homem não ter predadores - até que,,, em 1920 os americanos elaboraram o primeiro documento em que se reconhecem na vontade de seguir a via imperialista,,,


"São Francisco afugenta os Demónios de Arezzo" Chiesa Superiore, Basilica San Francesco - Assisi


recordando Bertrand de Jouvenel, in "A Ética de Redistribuição":
"Uma maioria de carneiros conduz sempre a um governo de lobos"

os Liberai$ adoram os Reis Mago$
Pietro Vannuci, dito o "Perugino" (1475)
Galleria Nazionale dell`Umbria

voltando à lenda da fala do lobo de Saramago, que parecendo-nos ficcionada,, tem pelo menos o mérito de apelar para a compreensão da realidade a partir de um acontecimento inverosimil - é certo que as estórias que apreendemos da História são inventadas pelos historiadores e outros empreiteiros que imaginam a verdade. Não sabemos o que é a verdade, diz Saramago, porém "se não a perseguirmos jamais a encontraremos para a podermos corrigir". Entretanto não nos resignemos.

Conta-se que em 1411 o frade Francisco andando pelas ruelas de Assis, (uma das três cidades italianas cujo orçamento é hoje integralmente gerido pela ICAR) quando ia a passar pela igreja de São Damião ouviu uma voz: "psst, pssst, Francesco (falava italiano) vem aqui". O que haveria de vir a ser São Francisco, estupefacto avançou e o Crucifixo começou a falar-lhe,, e disse-lhe: "Francesco, vai e repara a minha Casa, não vês como está em Ruínas?" ("Francesco, và, ripara la mia casa che, come vedi, è tutta in rovina")

acompanhe a história (real) aqui

segunda-feira, novembro 13, 2006

a Indústria do holocausto (I)

A capital Iraniana será palco de uma conferência sobre o Holocausto sob o nome de “Estudo sobre o holocausto: perspectiva mundial”. O presidente Ahmadinejad acusou a Europa (mas devia ter acusado os Estados Unidos) de ter utilizado o Mito do "holocausto" para criar o estado de Israel, uma lança no Médio Oriente para os interesses petrolíferos do pacto Atlântico. (ou, se quisermos, dos valores civilizacionais do Ocidente)

vencedor do melhor cartoon no recente concurso
levado a cabo no Irão sobre o "holocausto"


Considerando a geografia dos afectos, “a verdade desaparece quando a contamos” (Lawrence Durrel). É isto que vai constatar quem algum dia visite o “Holocaust Memorial Museum made in USA” lá para os lados de Washington. Edificado sobre pressão do lobie Judaico- americano a partir da administração Carter (1978) a coisa custou aos citizens pagantes americanos mais de 150 milhões de dólares – e, a obra inaugurada em 1993, dispõe anualmente de um orçamento de 18 milhões.
O que se haveria de dar a pensar a milhões de americanos originários ou descendentes das nações europeias - Alemanha, Austria, Russia, Polónia, Ucrânia, Roménia, Estónia, Lituania, Hungria, Irlanda, Checoslováquia, Itália, Açores, Balcãs - para quem as insignias do "exército alemão" significavam perseguições religiosas, tirania, opressão e matanças indescriminadas? - nada melhor do que fazer crer que as insignias do "exército vermelho" eram agora as dos novos inquisidores, armados em "libertadores". Tendo como alvo o baixo nivel de literacia desses imigrantes, não foi tarefa dificil - e os que nasceram depois, criados no "melting pot", educaram-se de raiz na estupidificação.

o Julgamento de Nuremberga
acerca da exibição do documentário de Christian Delage
no Canal Arte


o Regime Alemão derrotado no final da Grande Guerra em 1945 é julgado pelos vencedores, e as Potências aliadas são guiadas pelo critério de culpabilizar a pequena minoria da élite Nazi, ao mesmo tempo que perseguem uma estratégia concertada com objectivo de pacificar e despolitizar a Alemanha no pós-guerra.
A principal acusação é a de “genocidio” programado por um bando de malfeitores que teriam tomado o poder no Estado alemão. A analogia como que se passa actualmente nos EUA é flagrante. Porém é falso; a Alemanha elegeu o Partido Nazi (NSDAP) democraticamente, e um dos mentores na promoção e aceitação de Adolf Hitler como governante foi o chanceler social-democrata Von Pappen, precisamente o único dos julgados considerado não culpado em Nuremberga. Poderemos vir a julgar e condenar o “gauleiter republicano” George Bush e o seu gang extremista neocon, porém teremos que levar em linha de conta que o fenómeno deriva directamente das condições de expansão objectiva do capitalismo construido numa sequência lógica por todos os antecedentes esgotados no imperialismo clássico; e toda a América participou e participa nisso. Manter o american-way-of-life obriga a grande maioria a participar, e os “democratas” não terão as mãos limpas – apenas reinvindicam a necessidade de maior “competência” nas intervenções armadas.
Os procuradores de Nuremberga dividem as acusações consoante os interesses dos Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e União Soviética. O procurador Jackson (EUA) apresenta 2 filmes ao tribunal montados pelo cineasta John Ford então a cumprir serviço militar nos Marines, jurando por sua honra que as imagens correspondem às filmagens verídicas feitas nos campos de concentração. Pela primeira vez são vistas imagens do horror e degradação humanas deixadas para trás na fuga precipitada do exército alemão a partir da primavera de 1945. No campo de Auschwitz (*1) a ênfase das imagens é posta nas valas comuns e nos buldozers removendo pilhas de cadáveres. O dramatismo transmitido é tal que quase somos levados a crer que quem conduz as máquinas são ainda os malvados nazis. Pela primeira vez é mostrado um forno crematório, (apesar de só haver um único forno, a foto exibida em tribunal mostra dois) no único campo onde tal tipo de equipamento foi construido, na sequência da depois baptizada pela propaganda dos vencedores como a “solução final” (a politica de exterminio de prisioneiros. O historiador David Irving ofereceu 1 milhão de dólares a quem conseguisse provar que a ordem partiu de Hitler ) decidida na Conferência de Wansee em Janeiro de 1942 . E fá-lo passando a ideia que haveria a mesma prática de “fornos crematórios” em todos os 36 campos de detenção disseminados pela Europa apesar de só existir uma só instalação desse tipo, no campo de Auschwitz). Os britânicos repetem a mesma ideia sobre o campo de Bergen-Belsen. Note-se que este era o campo-hospital para onde eram enviados - em vez de serem exterminados in loco! - os doentes de outros campos. É daqui que provêm as imagens dos montões de cadáveres. As imagens chocantes dos prisioneiros mortos-vivos ainda são hoje diáriamente exibidas numa encenação mediática no Imperial Museum of War em Lambeth no sul de Londres, omitindo a verdadeira natureza do campo.

A URSS apresenta igualmente um filme para documentar os crimes nazis – trata-se de um documentário sobre um massacre cujas vítimas são soldados do exército soviético levado a cabo pelos alemães no acampamento de Rostow, na Polónia. Um, entre muitos, dos resgatados com vida é o sargento russo Matveii Timokhov que pesava 36 quilos quando foi libertado. Imagens em tudo semelhantes às dos judeus que foram vítimas da guerra. Ou de outras dos campos de internamento aliados, só reveladas décadas depois.

O designação correcta para o campo de Trabalho que gerou a lenda do “Holocausto”
(conseguiriam mesmo gasear 6 milhões de judeus?, fora os outros grupos todos, em menos de um ano?) é a alemã Auschwitz?, e não Oswiecim em polaco?.

O campo situava-se no lander chamado Alta Silésia antigo território da Polónia (uma criação política decidida pelas potências vencedoras da I Grande Guerra (1914-1918) anexado pela Alemanha conforme a partilha alemã-soviética consignada no Tratado de Potsdam assinado a 23 de Agosto 1939 por Von Ribbentrop e pelo enviado de Estaline, Molotow. O tratado era uma revisão do Pacto de Moscovo, deixando implicita a politica de atacar a Polónia, exigindo a devolução da zona conhecida por "corredor polaco", do porto de Danzig (a futura Gdansk), que unia a Alemanha à Prússia Oriental. Os russos anexaram 123 000 quilômetros quadrados de território polaco, com a maior parte dos campos de petróleo do país e uma população de 13 milhôes de habitantes. O restante do país, com 117 000 quilômetros quadrados, uma população de 20 milhões de pessoas e a maior parte das áreas industriais, passou para a "protecção" do Reich alemão.

a deusa Borussia (Preuben)

Adolf von Menzel - 1848
Ephraim Palais, Berlin
A Alemanha, derrotada na I Grande Guerra e saída da grave recessão dos anos 20/30 procurava recuperar a antiga glória e o lugar livre que tivera entre as nações, em conjunto com a Rússia, o outro derrotado. A identificação entre os dois povos são mais profundas do que aquilo que parecem hoje em dia. Basta escutar os coros do Lohnengrin de Wagner. Embora a designação latina “Alemanha” derive da corruptela do nome do imperador franco Carlos V, “Charlesmagne”, que então ocupou militarmente o Sacro Imperio Romano (conseguiria Carolus Magnus derrotar o "terrorismo" anglo saxónico?), o espirito teutónico residia na ancestral Borrussia, a Deusa da Vitória do que haveria de ser a Prússia. Por outro lado quem não conhecer São Petersburgo, nem as ambições culturais dos Imperadores russos, lídimos representantes das familias das casas reais europeias em busca do modernismo ocidental, jamais poderá aspirar a conhecer aquilo que se pretende chamar Europa.
Aliás, o nome “europa”, como ideia politica de unificação, surge pela primeira vez invocado pelo “nacional-socialismo” para convocar o papão da aliança entre os bolcheviques russos e os liberais de expressão anglófona – aliança que, segundo a extrema direita nacionalista, destruiria a liberdade no continente atrelando-o aos interesses do imperialismo – retirando à Alemanha a independência e a auto-sustentabilidade.

Toda a propaganda alemã no periodo anterior à II Grande Guerra se centrou, depois do rompimento do Pacto de Potsdam e do inesperado ataque à URSS, no combate ao "bolchevismo". Depois da primeira fase de consolidação, os Nazis sempre conservaram o secreto desejo de virem a conseguir uma grande aliança civilizacional contra o "Comunismo"com os Estados Unidos. Quando esse objectivo se manifestou inviável inverteram a táctica virando-se contra aquilo que diziam ser a aliança russa-americana capitalista que os nazis afirmavam ser uma "ideia judaica", um complot dirigido por banqueiros e agiotas judeus, tanto russos como americanos. Esta não foi uma ideia apenas alemã havendo cartazes de outras origens com o mesmo objectivo, ao deste que se expõe no "Museu de História Alemã" em Berlim.

Para que se compreenda a ligação contemporânea, que é feita por gente primária e intelectualmente pouca séria, que afirma ser o "Comunismo"(dos sovietes na atrasada Russia) igual ao "Nazismo" (da industrializada Alemanha) é essencial que se compreenda a evolução histórica dos dois movimentos - o primeiro como ideia internacionalista de emancipação das classes pobres e deserdadas do povo (curiosamente diz-se que a ideia de revolução de Marx (ele próprio judeu) é um messianismo de origem judaica, o que se torna ainda mais intrigante quando há também quem diga que Estaline cujo verdadeiro nome era Joseph David Djugashvili era também judeu (shvili significa filho de "Djuga" a palavra georgiana para judeu como se usava fazer o baptismo entre eles); e durante a revolução Estaline adoptou o nome de guerra "Kochba", o lider judeu nas lutas contra o império de Roma;
a segunda ideologia, o Nazismo, tem como origem o pensamento de uma excelsa élite branca, nacionalista, colonialista, racista, com ponto alto na obra "Mein Kampf" (A Minha Luta) que teorizava em prol da pureza racial de uma minoria ariana, cuja fundamentação é bem conhecida (e continua), e se conjuga muito bem, ao invés do "comunismo", com actual ideologia ultraconservadora anglo-saxónica (WASP) do Império americano - Se mais diferenças radicais não houvesse, bastaria o ódio entre as duas correntes que se viu a seguir, que culminou na épica Batalha de Estalinegrado, para desfazer dúvidas. Por outro lado, as perseguições que levaram aos "progrons" dos judeus das classes baixas, muitos deles comprometidos com as diversas correntes de ideologia socialista e marxista também não fariam sentido se o "comunismo" fosse igual a "nazismo" (*1). Contudo, a história que se seguiu, com a fuga em massa das élites judaicas para os Estados Unidos e para o novo Estado de Israel na Palestina foi, e continua a ser, diferente.
Fugidos dos "progrons" da Rússia durante os anos grandes convulsões e de guerra civil (1890-1922) a população de judeus já era nos EUA, na época, superior a 2 milhões quando os banqueiros judeus sequestraram a Banca americana. As peripécias são conhecidas, foram divulgadas no famoso livro de Doug Henwood "Wall Street"(1998), com algumas partes já aqui respigadas.

O percurso do judeu mais tristemente famoso, como o maior assassino "em tempo de paz", (como os yankees gostam de vender o conceito) do século XX - Henry Kissinger completa esta ronda pela história:
"Quando a II GG se começou a decidir, Kissinger trabalhou com o General Lucius Clay em Oberammergau intermediando como homem chave os contactos com as unidades de Inteligência Militar e da CIA responsáveis por trazerem os espiões nazis para a América. Kissinger tinha integrado o Exército na Alemanha onde tinha como "mentor" o misterioso personagem Fritz Kraemer. Kraemer, um jovem de 30 anos tinha uma carreira silenciosa no Pentágono onde planeava as acções das divisões sob supervisão de Alexander Haig. Este, um destacado general, também conhecia a verdadeira identidade do jovem: o prisioneiro nº 33 num dos pavilhões de Dachau, o Tenente que servia Hitler, Fritz Kraemer. Mister Kissinger continuou a seguir os seus conselhos, e não tardou muito que fosse nomeado Secretário de Estado. A história completa pode ser lida aqui.

(*1) várias correntes socialistas e outros críticos da judia Hannah Arendt (originária de uma familia rica de Hannover que acabou nos EUA) e do economista austro- germano- americano Friedrich Hayek, mantêm a tese que não há nenhuma relação ideológica entre Nazismo e Marxismo;
como se disse, as duas correntes são visceralmente distintas. Dado que o Marxismo é a base ideológica do "Comunismo" as comparações feitas na "Origem dos Totalitarismos" (1951) são inválidas e o destino da obra, (salvo alguma pesquisa sobre dados históricos concretos) é o mesmo caixote do lixo de outras aberrações.

* Na medida em que a RTP 2 vai passar doses diárias reforçadas dos "Julgamentos de Nuremberga" durante uma semana inteirinha - vamos prescrever outros posts como remédio para a maleita; assim,
(continua)
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domingo, novembro 12, 2006





















"o multiculturalismo despolitizado é a nova ideologia do capitalismo global, sendo necessário reafirmar a importância da paixão política, fundada na discordância, e defender a politização da economia. A ideia de uma certa dose de intolerância é necessária para que se possa elaborar uma crítica da actual ordem de coisas".
Slavoj Zizek, in "Elogio da Intolerância"
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sexta-feira, novembro 10, 2006

liberaliquê?

Helena Roseta, em vésperas de congresso do P”S”, sai-se a terreiro com a ideia de “que Sócrates não pode prosseguir as reformas pré-estabelecidas, fazendo-o contra a grande maioria, não só dos que o elegeram no momento em que votaram, mas que deve sempre, a par e passo, ir auscultando em cada etapa a evolução do querer dos cidadãos, constantemente avaliada. É consoante esses dados que as reformas devem prosseguir, ou refrear-se, de acordo com a vontade dos eleitores. É isso que diferencia o socialismo democrático dos modelos totalitários”, conclui.
o pensamento de cachimbo
na sociedade de geografia
neoliberal

Esta retórica é apelativa, porquanto convoca a ideia de “democracia participativa” estando assim condenada a angariar clientela, na medida em que a larga maioria dos despolitizados apoiantes do bloco central se forem desiludindo. Infelizmente o "mundo liberal" imaginado por Roseta já não existe, nem à participação cívica se apela por decreto partidário a partir dos cómodos assentos das élites nas cúpulas partidárias. O socialismo liberal foi assassinado pela social-democracia na pessoa de Rosa Luxemburgo e os vestigios sobrantes foram enfiados na gaveta do FMI. Esse mundo de “socialismo” que não é socialismo, esgotou-se, acabou. Como se “participa” no logro actual? – “¿então agora digam lá se os nossos simpáticos governantes devem enviar 300 soldados para o Afeganistão ou 450 para o Iraque auferindo 4000 euros mensais, sustentando-se com o esquema uma imensa prole de obesos generais, ou se devemos com esse dinheiro financiar estádios de futebol, teatros públicos, a segurança social, ou o ensino gratuito?” – claro não, mas no escuro (muito obscuro) sim, fica a razão por que não é qualquer cafre que está habilitado a responder a isto. Se as razões, (segredos de Estado e de justiça, dizem os amanuenses) fossem expostas, de modo ao mais comum dos mortais as poder entender, o universo construido pelas cigarras das Oligarquias desabava em meia dúzia de horas.

Antigamente, quando o liberalismo era (há mais de um século?) uma aspiração de emancipação para as sociedades aqui a Ocidente, o valor media-se em trabalho, competência, empenho, ética, enfim, nesse tipo de coisas que o dinheiro quantificava. Um dos sinais de bem estar com a vida eram as nossas mordomas minhotas, carregadas de ouro – que mostravam à comunidade o caminho do sucesso. Infelizmente desse mundo já só existem parcos vestígios nas festas folclóricas domingueiras. Para além da falácia do anti-valor gerado pelo consumo supérfluo, o que resta do valor mede-se hoje por medidas de papel impresso bem mais volácteis. Como é que um manhoso major, em manobras habilidosas de uma vida, transforma batatas surripiadas à tropa por forma a ser hoje um dos notáveis dum país pobre? Um autarca consegue hipotecar meia-Lisboa aos votos de um clube de futebol; ou um antigo ministro das obras públicas do actual Comissário Europeu enriquece ilicitamente e continua a exercer cargos públicos? – com o advento do Neoliberalismo (a explosão financeira desregulada) o mundo inteiro transformou-se numa imensa Felgueiras que alimenta vastas legiões de hostes partidárias de clientelas parasitas.

O frágil e precário equilibrio vigente aqui a Ocidente é conseguido pelo espólio imperialista do resto do mundo. Para apaziguar os ressentimentos é imperativo soltar os cães treinados da repressão. Seja através das policias locais, das intervenções federais, ou do envio de tropas estrangeiras, repare-se como os mercenários alugados pela Besta totalitária, com a pompa militarista de “Estado Democrático”, actuam de caras mascaradas para que não os reconheçam. Afinal também têm familia de quem urge esconder o odioso; é preciso que acreditem, enquanto mastigam um pastel de nata, que os assépticos funcionários informáticos dos porta-Aviões que lançam bombas em meio mundo produzem acções meritórias em asilos de vélhinhos nos dias de folga. Mas, longe das ilusões cor-de-rosa, o mundo de que Helena Roseta agora pode dispor para “amandar bitáites” é este:








Solidariedade
com o México




No dia 3 de Novembro os comandos especiais da marinha desembarcaram em Huatulco e Salina Cruz, na costa ocidental do Estado de Oaxaca, apoiados pelo vaso de guerra Usumacinta, 1500 fuzileiros navais, 20 helicópteros M-18 e M-17, aviões Hércules e C-212, e ainda vários tanques. O dispositivo total era nessa altura de cerca de 20 mil homens, incluindo as forças especiais do exército e as da policia Federal preventiva (PFP)- finalidade: combater a "Comuna de Oaxaca", ou seja, o povo mexicano que não aceita a fraude eleitoral.

www.mexico.indymedia.org/
mais noticias em
www.solidaridadconmexico.com/
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quinta-feira, novembro 09, 2006

os Camaleões vão ao gabinete de Estética, dar um jeito na imagem

Aspiram os ingénuos a crer que com a saída do biltre Rumsfeld do Pentágono as coisas mudaram. Que foi um fiasco. Simplesmente é mentira que a invasão do Iraque, apesar de dispendiosa, não tenha trazido aos EUA nenhum beneficio em concreto. É mentira que esta América é Má, como a “direita” global adora, ou que exista uma América Boa com que a “esquerda-faz-de-conta” europeia dom-perignon sonha mas que a actual acumulação capitalista em crise, não consegue pagar. A América, enquanto a mega-estrutura capitalista de exploração imperialista não for destruída é a América que conhecemos, ponto final.
Existem 8 megabases construidas no Iraque que as forças militares yankees jamais irão abandonar no território. O aparente e espalhafatoso volte-face (mais que programado, exigido pelos sectores conservadores tradicionais do próprio Partido Republicano) trata sobretudo de institucionalizar aquilo que já se conseguiu e que de outra maneira se tornaria insustentável manter: a exploração do petróleo em velocidade de cruzeiro, com um governo-fantoche estável, a concordância tácita do Irão como moeda de troca para não sofrerem a agressão prevista (o falcão da CIA James Baker III tratou do assunto), e finalmente, o trespasse da pacificação para o âmbito da NATO, desta feita já com o empenho total da União Europeia em peso - da qual a França e a Alemanha tinham sido o problema principal ao não concordarem com a agressão neocon (por não a quererem pagar dos seus orçamentos).

No fim, depois da fase de assalto, vão-se contabilizar os lucros vindouros - para o sistema neoliberal de alternância entre dois partidos únicos (a ideia da América Má e a América Boa é ridicula) que afinal representam a mesmissima coisa, Bush será sempre um herói e será devidamente reconhecido por isso; ainda que fique na história como um idiota ou uma espécie de Nixon (é para isso que os decisores do Complexo Politico -Militar-Industrial pagam sumptuosamente aos politicos do entertainment). Bush preparou e continuará a preparar a cama para quem vem a seguir. Sejam eles quem forem é gente com o mesmo apetite imperialista de sempre. É a globalização, e é inevitável, dirá quem quer que venha
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terça-feira, novembro 07, 2006

Catalunya






Acordo entre três partidos resulta na «conquista» da maioria no Parlamento regional.
Os partidos da coligação de esquerda (PSC-ERC-ICV) atingiram um número suficiente de lugares (70 em 135) na Assembleia regional para governarem a Catalunha. A CiU (partido de centro-direita excluído do acordo), propôs ao PSC uma coligação à alemã, modelo preferido de José Luís Zapatero. Mas esta solução não avançou; e assim é que está bem: ninguém governa em maioria, e quanto menos o fizerem, menos prejuizo causam aos sacrificados cidadãos sem cidadania.

domingo, novembro 05, 2006

Todos os Homens por Natureza Desejam Saber


assim representou Girolamo de Cremona no século XV um grupo de notáveis pensadores comtemplando a "Metafísica de Aristóteles" integrada na colecção das "Obras de Aristóteles" publicadas pela primeira vez em Veneza pelo famoso impressor Alde Manuce a partir de 1483. A gravura foi adquirida em 1949, aproveitando o estado de penúria em que tinha sido deixada a Itália após a guerra, pela "Pierpoint Morgan Library" de New York, onde está exposta, . No caso quem se aproveitou da aquisição por tuta-e-meia foi uma instituição sucedânea criada pelo Banqueiro J.P. Morgan, por amor à arte. Quem não tem cultura, compra-a.
Mas se o quadro de Girolamo criticava justamente o "saber" dos ricos e poderosos apresentados como sábios e eruditos como um ilustre grupo de pensadores num balcão superior por cima dos comuns mortais e da natureza comezinha - a cena pode ter perdido actualidade, fartos de ricos e obesos sabichões académicos estamos nós, além do mais pouco resta da natureza - não fosse a presença enigmática do Macaco mergulhado em profundas cogitações filosóficas.
o Macaco que o artista empoleirou no camarote dos experts e pôs a olhar para um lugar distante - mais actual do que nunca - só podemos ser nós, os do povo, que adoram armar-se em xicos-expertos, clones ambiciosos por simpatia dos poderosos, ou seja, daquilo que nunca virão a ser mas que viram de relance nas revistas cor-de-rosa.

Alguém por piedade explique ao Macaco porque é que apesar de todos os vultosos negócios, que temos vindo a referir efectuados pela macroestrutura económica do país, não se traduzem em melhorias, antes em piorias, para a generalidade da sacrificada população portuguesa. Porquê a "crise"?

sexta-feira, novembro 03, 2006

China`s Portuguese Connection


Aparentemente a Beiya é uma empresa estatal chinesa de material ferroviário, mas subindo de nível encontramos o Beiya Industrial Group com vendas em 2005 de 877,740,000 dólares. (fonte)
Na Zona de Livre Comércio de Qingdao, a BEIYA International Trading Co.,Ltd é uma das empresas lideres exportadoras da China, especializada em todos os tipos de produtos da sua área.

O principal colaborador na área da Defesa Nacional portuguesa, a ESCOM, do grupo Espirito Santo (GES/BES) é o principal investidor nacional em Angola. Pensar-se-ia que se trata de capitais nacionais. Mas é aqui que vamos encontrar a ESCOM associada com a BEYA e/ou Estado Chinês (!) formando a CHINA BEIYA ESCOM por onde passam todos os vultuosos investimentos chineses em Angola e no Congo Brazaville. Os lucros para a Escom nesta parceria cifraram-se em 2005 em 170 milhões de euros.
Helder Bataglia, presidente da Escom – garante: «Não somos testas-de-ferro da China»

Mas, este tipo de cooperação está longe de se circunscrever apenas a África. Fontes ligadas aos fabulosos investimentos de 38 biliões de dólares na Argentina em 2004 garantem que Bataglia é o testa-de-ferro e o homem dos chineses na América Latina, com forte incidência no Brasil.
ver mais:
Bescom SA, China e Venezuela
ver mais:
grupos Chineses no Brasil e Argentina

Fazendo aqui um parágrafo, convém recordar que as exportações chinesas decorrem em mais de 70% da produção de empresas estrangeiras, especialmente norte-americanas que operam na China.

"Entre los inversores se destacaban el portugués Helder Bataglia, directivo del Banco Espirito Santo (Escom), de Portugal; el camboyano Sam Pa, del holding China Beiya Escom; el angoleño Manuel Vicente, de la petrolera estatal de Angola, Sonangol, y Lo Fong Hung, de Hong Kong, que se presentó como una alta ejecutiva de China Constructions y de China Railway.
Wang sólo reconoce como firmas chinas a China Railway y a China Unicom. Aunque advirtió: ningún directivo de esas compañías vino por entonces a la Argentina. Jaime conoció a Bataglia por medio del presidente de la Cámara de Comercio Argentino Portuguesa, Jorge Do Amaral, dijo éste a LA NACION. Do Amaral sostiene dos cosas: las inversiones están en marcha, pero son a largo plazo; él representaba al banco portugués, pero entendió que todas esas empresas representaban a China.
Los proyectos de inversión se referían a ferrocarriles, hidrocarburos, vivienda, comunicaciones y telecomunicaciones. Un vocero de De Vido dijo que tras el anuncio se firmaron "algunos convenios" con esas empresas -no chinas-, aunque el Gobierno nunca los informó. Y prometió dar más precisiones.
Do Amaral confirmó a LA NACION que Jaime conoció a Bataglia en agosto de 2004 y que lo vinculó a Sam Pa y a Vicente. Entre todos ellos, anudaron la letra de cinco cartas de intención y de las inversiones multimillonarias. Se dijo entonces que cambiarían el eje de la economía nacional y de la política exterior. Pero nunca participaron de las negociaciones el ministro de Economía, Roberto Lavagna, ni el canciller Rafael Bielsa, ni sus asesores".
(ver fonte)

quinta-feira, novembro 02, 2006

Fuga de capitais e Lavagem de dinheiro






A “globalização” e os off-shores são um caso de polícia?


O urro de guerra que leu Marx do avesso“capitalistas de todo o mundo,uni-vos” ao acabar com as fronteiras para o capital, trouxe consequências dramáticas para a estabilidade social nas sociedades mais desenvolvidas em todo o mundo. Mas talvez se lixem.

Diz-nos a gigantesca máquina mediática ocidental, que no mínimo tem uma relação polémica com os estereotipos publicitários, que a causa radica na emergência da China, (em disputa com os EUA como maior potência mundial) e que essa é a ameaça que pesa sobre as nossas vidas. Infelizmente, para a credibilidade desses asnos, é mentira. Como o fotógrafo de “Blow Up”, se ampliarmos as fotografias oficiais sentimos emergir das novas imagens realidades invisíveis a olho nu.

ler mais aqui
O agravamento das condições de acumulação capitalista pós-Reagan (depois do flash Clinton e da ilusão do crédito gasto sobre valores futuros – uma espécie de Guterres de além-Atlântico) conduziu directamente ao golpe neocon de 2001; a falência da Enron e de outros sectores chave da Economia virtual nos EUA que se lhes seguiu e pôs o mundo à beira duma bancarrota global foi a causa directa do 11 de Setembro (estamos na ressaca); e a liberalização, desregulamentação e privatização impostas aos Estados nacionais por acordos (desastrosos como o NAFTA no caso do México) ou da OMC (que agrava a pobreza no 3º mundo em geral) concorrem para abrir aos negócios das Corporações Multinacionais (mais de 90% dos capitais sedeados em Wall Street são norte- americanas e israelitas) amplos sectores, antes administrados sobre perspectivas de interesse social, que passam agora a ser geridos em função das brutais politicas de maximização dos lucros a qualquer preço (que inflacionam veladamente o custo de vida, criam desemprego em massa e acabam com a segurança social que já pagámos – sendo os Fundos existentes desviados para fins completamente alheios à sua função).
As mais valias assim arrecadadas pela alta Finança mundial e pela Banca concentrada num polo principal (EUA) e nos dois pólos subsidiários dependentes (UE e Japão) são investidos no circuito económico asiático sob a forma de Fundos de Investimento Directo (FDI).
A China, o maior atractor de FDI, segundo o relatório UNCTAD de 2002, tinha aumentado o volume investido na década anterior em cerca de 34% e a produção exportada em mais de 40%. Mas, na China, desde que privatizou o seu sector estatal para poder concorrer no mercado pré-definido pelos americanos, o tecido empresarial é agora constituido na maioria por empresas estrangeiras multinacionais – quem não investiria num país com um potencial de mão-de-obra de 1,3 biliões de pessoas que ganham no máximo 55 cêntimos por hora?
As novas tecnologias tornaram possivel às Corporações transnacionais produzirem mercadorias a custos cada vez mais baixos, acrescentando-lhe ainda valor pela venda de maquinaria, segmentando a divisão social de trabalho e exportando as tensões laborais para paises e regiões geograficamente afastadas. É um descanso para os nossos ideólogos neoliberais ver o que resta dos Sindicatos bramar nos boulevards e avenidas desertas – enquanto só do porto de Yentian saem 33 mil contentores por dia (enquanto houver combustível).





















gravura Monthly Review

Claro que a China tira partido desta situação de forma inteligente servindo-se dela para criar uma classe média que possa sustentar e servir de motor ao desenvolvimento social no futuro “puxando para cima” milhões de chineses das classes mais baixas que sobrevivem ainda na mesma forma ancestral rudimentar nos campos. Entretanto, do lado de cá, os nossos dirigentes há muito que deixaram de se conformar com as antigas aspirações da plebe enquanto, em malabarismos cada vez mais grotescos, os investimentos são usados para concentrar a produção intensiva, externalizando os custos sociais e ambientais das empresas de que são mandatários. Os paises, porque demasiado caros, que perdem capacidade na competição para atrair FDI são forçados a gerir os seus problemas financeiros com austeridade. E para gerir a “crise” os blocos centrais neoliberais apresentam-se como sendo a única alternativa possivel. São eles e o Scolari na selecção nacional. Estamos no reino fantástico do Economês, que se recusa a si próprio como ciência politica, que não está já dependente das nossas intenções racionais, mas sim de desejos inconfessados e incompreendidos de meia dúzia de luminárias que respondem pelo nick de Chicago Boys acessorados pelos fedelhos da London School of Economics. Voltámos que nem ginjas ao trágico e sórdido universo do judeu Kafka onde “só o que acontece é possivel”.

No caso do gigantesco défice dos EUA, a via adoptada de gestão definida pelas corporações do Complexo Politico Militar, que não podia, nem pode, ser outra coisa senão Neocon (ainda que possa vir a ser próximamente travestida , mascarada de “Democrata”) foi a via da Guerra de agressão, seja para pacificar mercados (!) seja para garantir matérias primas fundamentais onde mais lhes aprouver e decidirem. E atrás desta politica arrastam um cortejo de serventuários sem-pátria assalariados pelo Pacto da NATO. Em nome de uma Élite mundial (desterritorializada) que não congrega mais de 4% da população milionária (que quando muito chega aos 20% levando em conta o sector parasitário dos Serviços), as comunidades locais são abandonadas à sua sorte. Apenas como “oportunidades de negócio” agora lhes interessam, como está a ficar claro até nos investimentos em promoção pelo Relatório Stern, um ex-gestor britânico do Banco Mundial, nas futuras catástrofes climáticas. Como os acontecimentos demonstram, diz ele no estudo, “assistiremos a um movimento populacional em grande escala, que desencadeará conflitos regionais. Não hesitem: peçam a nossa “ajuda”. Esta filosofia radica e encaixa de forma perfeita na velha doutrina do judeu Kissinger, o jovem professor de Harvard protegido do banqueiro Rockefeller e um dos fundadores do grupo Bilderberg , que em tempo rezou a missa malthusiana do excesso de população mundial como ameaça à segurança e como prejuízo para o bom desempenho económico dos Estados Unidos. E o que teria o ancião Kissinger vindo fazer a Portugal logo imediatamente a seguir ao Cavaco ter garantido o lugar de presidente? -Teria vindo explicar-lhe pessoalmente ao seu brilhante staff neocon os termos do projecto Haarp?
Está desenhado o cenário onde vão decorrer os próximos capítulos de uma História que não pode ser senão monstruosa. As máquinas administrativas locais têm custos que precisam de ser minimizados, e os governos nomeados pelos obscuros poderes económicos (não eleitos) são encarregados e limitam-se a esmifrar até ao tutano os “consumidores” da forma mais eficaz, cujo único objectivo é que os impostos viabilizem pagar-se a si próprios como gestores de sucesso de forma generosa, e nem tanto aos funcionários do Fisco e às forças policiais que tratam da repressão.

É portanto perfeitamente integrado, porque co-autor desta trama diabólica, que o grupo BES (que se suspeita financiou o partido de Paulo Portas, e por tabela a medalha que lhe foi atribuida pelo Pentágono), nomeadamente através da Escom, ou da subsidiária Escom China Beya, exercem a sua actividade – embora pretendam fazer parecer que não têm nada a ver com isso. Na procissão neoliberal nem falta a defunta alma do santo Padre da Polónia colonizada pelos investimentos do Américo Amorim, tampouco a Opus Dei feita BCP nem os seus maiores lucros polacos, para se benzerem a todos uns aos outros
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quarta-feira, novembro 01, 2006

simpatia pela massa

"Tenho visto com simpatia a determinação em governar, em tomar decisões, em não ficar dependente da plateia e do que pode acontecer amanhã em termos de opinião pública"
Dom José Policarpo, em entrevista à TSF, 28/10

"é óptimo que a austeridade não nos tenha afectado, não por nós habitualmente resignados a viver despojados dos meios financeiros do Estado,,, mas pela Obra, como p/e os arranjos urbanísticos da área confinante da nova estação de rastreio de Ovnis em Fátima, cujo pagamento decorre a expensas do erário público" - dinheiro (SETE MILHÕES DE EUROS) sonegado a contribuintes que não são necessáriamente sócios da colectividade ICAR; enquanto se cortam verbas em sectores fundamentais da Saúde e da Educação; ganda nóia sôr Padre-Mor: para quando a privatização da Igreja?
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