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sábado, setembro 08, 2007

até que nos voltemos a ver

O pai de Pavarotti, padeiro em Modena, iniciou o rebento no côro da igreja local - e, àcerca da relutância deste em acompanhá-lo, costumava dizer: "se este meu rapaz tivesse metade do meu talento ainda haveria de ser um grande artista". Apelidaram-no de "o cantor que popularizou a ópera", terreno fértil onde hoje qualquer vendedor de telemóveis se desenrasca, e bem, incluindo-se os talk-shows televisivos, repletos das americanices mais improváveis. Como em tudo o que abrange o universo neoliberal, a grande Música não se poderia escapar à mercantilização como grande espectáculo de massas - cujo grande "local do crime" paradigmático é a Arena de Verona - um sítio incrível onde cinco mil pessoas tossem e mastigam shuingas desalmadamente enquanto, absolutamente indiferentes ao que se passa no longinquo palco, sussuram alto os seus mais íntimos ressabiamentos sobre últimas modas exibidas pela vizinhança de ocasião. Esta gentinha turística, jamais suspeitará quem foi o cantor de quem Pavarotti mais gostava, e reconhecia como sendo "o maior de todos": Giuseppe di Stefano - opinião que lhe valeu um tabefe do pai, que achava que o posto pertencia ao grande Beniamino Gigli; afinal tudo contradições próprias da herança matricial que é a cultura da canção napolitana. A propósito de reviver Gigli, vale uma visita á Nápoles tradicional, uma cidade (que continua actualmente) ainda não corrompida de todo pelo turismo de massas.

Giuseppe Di Stefano - "Core 'Ngrato" (sem a distracção das imagens)

(ou para ver, aqui)

sexta-feira, setembro 07, 2007

Festa do Avante








Neste recorte do publicado no nosso Diário da República vale bem verificar que os objectivos das grandes sociedades privadas que determinam hoje as politicas dos Estados ficam bem longe dos objectos de negócio tradicional em que se fundaram. Todas as grandes multinacionais, quase sem excepção, delegaram no outsourcing as suas explorações materiais e optaram pela gestão financeira desmaterializada – são hoje apenas “empresas financeiras” soprando incessantemente na bolha, pese embora que já deitem os bofes pela boca.

Nesta óptica, é fácil entender que, para os governos a soldo destas politicas transnacionais em favor e ao serviço descarado das condições impostas pelo capital, a Censura e a perseguição politica se tornaram obsoletas – deixa-os barafustar que nós logo os apanhamos nas contas – ready to use, logotipo modernaço, voilá, eis a nova Pide: as Finanças!
Aliás, como diriam os pedros arrojas lixados pelos mecanismos de controlo fiscal, se cá fizessem como o Putin faz na Rússia quando alguém fala mal do Poder (metendo-os na pildra, ou espetando-lhes um balázio adentro pela surra quando o caso é mais grave) por estas bandas do Ocidente as instalações prisionais teriam de quadriplicar.

Chegados aqui, cabe notar que este vosso humilde anotador de factos não se filia propriamente como militante do PCP – faz muitos anos que não vou à popular Festa do Avante – mas desta vez, por solidariedade até vou! E de bom grado. Acontece que os ingressos puderam ser comprados antecipadamente nas milhentas organizações locais e regionais do Partido, e deste modo os Fiscais da Pide Financeira (que gozo ver as fuças desanimadas dos espécimens) jamais conseguirão contabilizar com precisão as receitas do evento.

As consequências na prática da Queda do Muro de Berlim

"Por trás de uma grande fortuna está sempre um grande crime".
Honoré de Balzac

A riqueza total desta classe dominante global aumentou 35% ao ano atingindo actualmente US$ 3,5 milhões de milhões (trillions), ao passo que o nível de rendimento dos 55% mais baixos dos 6 mil milhões de habitantes que constituem a população mundial diminuiu ou estagnou. Dito de outro modo, uma centena de milionésimo da população mundial (1/100.000.000) possui mais do que os três mil milhões de pessoas do escalão inferior. Mais da metade dos actuais multimilionários (523) procedem de apenas três países: os EUA (415), a Alemanha (55) e a Rússia (53). Este aumento de 35% da riqueza provém mais da especulação que se tem registado nos mercados de capitais, no imobiliário e no comércio de matérias-primas do que de inovações técnicas, de investimentos em industrias criadoras de emprego ou de serviços sociais.
Entre o grupo de multimilionários mais recentes, mais jovens e que cresceram mais rapidamente, destaca-se a oligarquia russa pelos seus começos mais predatórios. Mais de dois terços (67%) dos actuais oligarcas russos multimilionários iniciaram a sua concentração de riqueza quando ainda não tinham trinta anos de idade. Durante a infame década dos anos noventa, sob o quase ditatorial governo de Boris Yeltsin e dos seus conselheiros económicos dirigidos pelos EUA, Anatoly Chubais e Yegor Gaidar, toda a economia russa foi posta à venda por um "preço político" muito abaixo do seu valor real. As transferências de propriedade, sem excepção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação dos recursos do estado, e das actividades ilícitas de manipulação de acções e aquisições de empresas. Os futuros multimilionários saquearam ao estado russo um valor de mais de um milhão de milhões (trillion) de dólares em fábricas, transportes, petróleo, gás, aço, carvão e outros recursos pertencentes ao estado.

Património histórico: um monumento nacional, em plena zona nobre da Avenida Nevsky, São Peterburgo, é hoje uma luxuosa loja de uma marca ocidental. Só vende um par de slips versace de quando em vez, ou uma ou outra peça quando o rei faz anos, mas não interessa - o que interessa é o status social que o uso do que aqui se vende produz; e é sabido que um dos principais factores de desavenças conjugais é o uso de cuecas de popeline; e as ceroulas em chita, como é sabido, têm sido a principal causa de abandono do lar pelas mulheres.

Como tornar-se um supermilionário

Se bem que algum conhecimento técnico, "qualificações empresariais" e tacto para o mercado tenham tido um certo peso na criação dos multimilionários na Rússia e na América Latina, muito mais importante foi o interface político e económico em todas as etapas da acumulação de riqueza. De uma forma geral verificam-se três etapas:

1. Durante o primitivo modelo 'estatista' de desenvolvimento os actuais multimilionários "pressionavam" e subornavam com êxito os funcionários governamentais para a obtenção de contratos, isenções tributárias, subsídios e protecção da concorrência estrangeira. Estas dádivas do Estado foram o ponto de partida para a obtenção do estatuto de multimilionários durante a subsequente fase neoliberal.
2. O período neoliberal proporcionou as maiores oportunidades para a obtenção de lucrativos activos públicos muito abaixo do valor de mercado e da sua capacidade de rendimento. As privatizações, embora descritas como "transacções de mercado", na realidade foram vendas políticas em quatro sentidos: pelo preço; pela selecção dos compradores; pelo suborno dos vendedores; e pela promoção de uma agenda ideológica. A acumulação de riqueza resultou da venda ao desbarato de bancos, empresas mineiras, recursos energéticos, telecomunicações, centrais eléctricas e transportes, bem como pela assumpção por parte do Estado de dívidas privadas. Isto foi o ponto de partida dos multimilionários para o estatuto de multimilionários. Na América Latina isto foi conseguido pela via da corrupção e na Rússia pela via dos assassinatos e das guerras de gangs.
3. Durante a terceira fase (a actualidade) os multimilionários consolidaram e ampliaram os seus impérios por meio de fusões, aquisições, mais privatizações, e expandindo as suas acções no estrangeiro. Os monopólios privados dos telefones móveis, telecomunicações e outras empresas de serviços públicos (utilities), juntamente com os altos preços das commodities, acrescentaram milhares de milhões de dólares às suas concentrações iniciais de riqueza. Alguns milionários tornaram-se multimilionários vendendo as suas recentes aquisições, empresas privadas lucrativas, ao capital estrangeiro.
(fonte)

quarta-feira, setembro 05, 2007

"liberdade" de informar

O jornal da sonae faculta o púlpito a titulo gracioso a um leitor de Lisboa que redige uma carta ao director teologando sobre "liberdade". Contudo o tema que se pretendeu ver desenvolvido nada tem a ver com os factos em concreto. Apenas com a parte (parcialíssima) que lhes interessou publicar. Como veremos. O leitor dirige uma carta aberta a Sérgio Godinho, Janita Salomé e a Vitorino, incentivando-os a cantar a liberdade "em favor da libertação da deputada Ingrid Bettencourt, como sempre aliás o fizeram "no antigamente" - só que desta feita, aproveitando a sua disponibilidade para actuar na "Festa do Avante" o façam visando as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), organização que tem banca habitual montada no evento anual patrocinado pelo PCP. Nada mais. A ideia de liberdade acaba aqui. Nem uma palavra para o objectivo da acção das guerrilhas colombianas ser o de pretender desde sempre libertar as duas dezenas de reféns que mantêm em seu poder por cerca de 200 guerrilheiros presos pelo regime fascista de Álvaro Uribe - que tem a originalidade de "exportar" alguns desses elementos do Exército de Libertação da Colômbia detidos com a ajuda de forças para-militares de extrema direita, para os Estados Unidos para aí serem "julgados", como se fossem narco-traficantes. O que terão estes homens e mulheres das FARC, cada um por si, a menos que Ingrid Bettencourt para que a sua liberdade não deva também "ser cantada"?

Aliás, o mesmo jornal nos dois dias seguintes é obrigado pelos factos a contradizer a arenga. Afinal a guerrilha colombiana recebe de braços abertos a mediação de Hugo Chavez. Afinal parece que vai haver mais gente libertada, para além da deputada franco-colombiana, pela qual o presidente Sarkozy tem feito os máximos esforços possiveis, procurando capitalizar em seu proveito mais um grande feito com as implicações mediáticas previsiveis.

relacionado:

Ardinas da Mentira” de Renato Teixeira, ediç. Dinossauro
Ensaio baseado em duas experiências vividas pelo autor – os acontecimentos do G8 de Génova em 2001 e o trabalho na redacção de um dos jornais de referência do país – para avançar ideias sobre o estado dos meios de comunicação: a censura, na sua forma moderna, e a propaganda, na sua forma clássica. A abrir o livro, um texto de José Mário Branco que esteve na origem de algum debate sobre o actual estado dos média em Portugal.

a Informação como Arma de guerra: a Palavra que mata!

Mais uma contribuição para compreender a importância da política Sionista de Israel nos EUA, como doutrina imperialista de abrangência global - um artigo de Bashir Abu-Manneh publicado na Monthly Review de Março 2007 - para ler integralmente aqui

segunda-feira, setembro 03, 2007

“The Power of Israel in the United States”

Quem tenha presente a famosa foto de Bush prestando juramento tendo por pano de fundo a bandeira branca com a cruz de david Sionista, ou esta no "muro das lamentações", será induzido a pensar que, erradicando-se este presidente se acabará a peçonha. Nada mais errado. O Sionismo, como doutrina com pretensões à hegemonia mundial, aposta mais nos “democratas” do que própriamente nos neocons republicanos. Se uns deram o golpe (certamente por encomenda, porque daquela amálgama de miolos não se extrapolariam tamanhas acções complexas), os outros apressar-se-ão a democratizar os lucros da jogada. Para atingir o climax do embuste, melhor circo mediático não se arranjaria se, faltando a Bush a rede por baixo da sua abaladíssima credibilidade, fosse possivel julgar e condenar a troupe de criminosos internacionais.

Referente à capa do livro que ficou aí dois posts abaixo, James Petras equaciona, sobre a influência de Israel na definição da politica dos Estados Unidos, aquilo que Chomsky chama os 8 “pressupostos duvidosos”, a saber:
1. Que o Lobie Pró-Israel é um lobie igual a qualquer outro.
2. Que os apoiantes do Lobie Judaico não tem mais poder que quaisquer outros grupos.
3. O Lobie tem sucesso porque a sua politica coincide com a dos EUA.
4. Israel é uma “ferramenta” que o Império Americano usa conforme precisa.
5. o “Big Oil” e o “Complexo-Industrial-Militar” são as principais forças a modelar a politica no Médio Oriente
6. Fazer crer que os interesses de Israel e dos EUA coincidem
7. A Guerra do Iraque e as ameaças ao Irão e à Síria derivam em exclusivo dos interesses no petróleo e da venda da produção do Complexo-Politico-Militar
8. As aspirações de hegemonia dos EUA no Médio Oriente são iguais aos interesses que determinam as práticas que têm no resto do mundo.

Quem financia o Estado de Israel?

- Israel recebeu dos EUA em ajudas mais de 90 Biliões de dólares desde 2003. 75 biliões foram em “grants” (titulos não reembolsáveis) e 15 Biliões em letras de crédito.
Petras faz a listagem da totalidade dos custos em ajudas:
- Desde 1985, os Estados Unidos providenciaram a Israel 3 Biliões de dólares em ajudas anualmente
- Descontos em letras de crédito, sem limites, consoante as necessidades
- Milhões em ajuda para reinstalação de judeus oriundos da ex-URSS (agora Rússia) e da Etiópia; todos eles são considerados “emigrantes” desde que queiram regressar à “terra prometida”, todos são bem-vindos para engrossar os colonatos que usurpam terras aos árabes.
- 10 Biliões em créditos sem garantias desde 1990 e mais 9 Biliões em 2004, mais diversos biliões de que não existem dados contabilizados, para pagar a guerra do Líbano em 2006, e a continuação da guerra na Palestina. Da mesma forma, desde 1981, ajuda económica feita em transferências “em cash” em quantidades não especificadas, e desde 1985 em ajuda militar.
- 45 Biliões em repagamentos de créditos não pagos desde 1974, mais respectivas custas, em dinheiro livre de impostos sacado aos bolsos e à revelia dos contribuintes americanos.
- Desde 1982, transferências em fundos de cash ESF feitas anualmente sem juros incorporados nem prazos de pagamento, enquanto no que concerne a outros paises, pelo contrário, quando os recebem, os pagamentos são rigorosamente monitorizados trimestralmente. Israel investe esse dinheiro na aquisição de “fundos do tesouro USA”, concertando a obtenção de outros “fundos FMS em condições especiais” que têm custado aos contribuintes americanos mais de 1 Bilião de dólares anualmente desde 1991. (US treasuries special FMS funding arrangements)
- Benefícios privilegiados, incluindo financeiros, em ajuda para desenvolver a indústria de Defesa, transferências de tecnologia de ponta incorporada nas últimas novidades de armamento oriundo dos EUA, garantia de acesso facilitado ao petróleo.
- Ajuda maciva disfarçada por acções de paises terceiros defraudando os contribuintes locais (caso de Portugal) suportando custos especiais para o plano de “desocupação de Gaza”, mascarando a ocupação de outras partes com novos colonatos (OPT plan) que Israel deseje anexar, ou influenciar, como no Líbano.
- Junte-se a tudo isto 22 Biliões de dólares que Israel obteve nos últimos 50 anos através da venda de acções por baixo custo em empresas cotadas em bolsa, que depois se valorizam de modo ficticio, financiando assim o seu desenvolvimento – tendo em conta que o objecto do “mercado local” significa guerra imperial predatória com acções militarizadas na colonização e expansão para territórios ocupados na Palestina

James Petras explica que a estrutura do Poder Sionista nos EUA torna tudo isto possivel, mas que elas se extendem bem para além daquilo que é chamado o “Lobie Judaico”. Ele identifica a “configuração do poder sionista” (na sigla em inglês ZPC - "Zionist Power Configuration) que inclui a AIPAC apenas como uma parte de uma “complexa cadeia de grupos formais e informais inter-relacionados, operando internacionalmente, a nível nacional, regional e local” suportando incondicionalmente o Estado de Israel, incluindo as suas guerras, colonizações e todas as suas políticas de opressão (ler mais)

O Poder de Israel nos Estados Unidos” é dividido em quatro capítulos. A recensão feita no site “Information Clearing House.Info” cobre cada um deles em detalhe e, aquilo que se discute poderá parecer surpreendente para o leitor menos familiarizado com este género de factos aqui devidamente fundamentados. No resumo de introdução apresenta-se o que vem a seguir, mais pormenorizadamente.
Petras anota o que outro autor, J.J. Goldberg, transmitiu noutro livro: “Jewish Power: Inside the Jewish Establishment” – Goldberg descreve como, desde o princípio dos anos 90, 45 por cento do financiamento do Partido Democrata e 25 por cento dos que apoiam os Republicanos são provenientes de contributos dos “Comités de Acção Política” (from Jewish-funded Political Action Committees (PACS). Aqui o autor actualiza os números, usando aqueles que foram publicados recentemente por Richard Cohen no “Washington Post”, que mostra, nada mais nada menos que a percentagem dos financiamentos judeus dos dois partidos chave da pseudo-democracia yankee atingem agora 60% e 35% respectivamente – anotando que estes financiamentos se referem apenas aos processos fulcrais de suporte incondicional da agenda de Israel, incluindo o activismo de certos insuspeitos grupos contestatários dos “direitos humanos” e “objectores de consciência” tidos como menos ortodoxos no combate às ilegalidades sionistas, que só reforçam e credibilizam essas mesmas políticas.
Nenhum outro simples lobie, uma actividade legal nos EUA, incluindo os das “Big Pharma”, “Big Oil”, do “Agronegócio”, ou qualquer outro com alguma espécie de influência dominante determina aqui desta forma os processos políticos. Esta singularidade origina aquilo que é chamado de “Siocons”, os ideólogos e “fazedores de políticas” cujo objectivo principal é transformar o Médio Oriente em terreno de instalação de uma espécie de empresa “USA-Israel-Esfera-de-Prosperidade,Inc.”, sob a capa fraudulenta de promoção da democracia na região – feita através do despejo de sucessivos barris de pólvora.
James Petras explica as raízes do “Poder do Lobie Judeu” que radicam em grande proporção nas famílias tradicionais judaicas residentes nos Estados Unidos, as de maiores rendimentos e mais influentes no país. Cita-se a revista Forbes que reporta que, da totalidade da população , cerca de 30% das famílias americanas mais prósperas são de Judeus. Elas incluem bilionários de enorme influência que integram o Lobie Judeu, que criaram um “poder tirânico de Israel sobre os Estados Unidos”, com graves consequências na desestabilização da paz no mundo, na economia global e para o futuro da democracia neste país.
(fonte)

domingo, setembro 02, 2007

fim de Agosto, Lixo largado na praia,,,

– monumento ao civismo de banhistas, pescadores, campistas e outras aves de arribação.

Não, não é uma, instalação num qualquer museu de arte pseudo-moderna, destinada a ser varrida pela mulher a dias no dia seguinte à confecção; trata-se de uma Escultura recolhida nuns breves 30 minutos em 50 metros de areal, ainda assim em zona não muito frequentada; Inventário:
1 funil, uma luva e uma bota de borracha, tudo na côr laranja; 1 jarrican, 1 lâmpada de 60 watts, 3 embalagens de yoggi, 2 garrafões de água de 5 litros, 34 caixas de isco para pesca, 9 caixas de minhoca, 1 tampa de chassi de carro em pvc, 1 esponja, corda e bocados de esferovite diversos, 2 embalagens de nectar compal, 2 sacos de plástico com restos de jornal, 1 frasco de bronzeador, 2 latas de sardinha ferrugentas, 1 sunny-delight, 1 chinelo, 1 tubo de silicone, 1 lata de ice-tea, 1 sprite com ex-sabor a pêssego, 1 resto de tijolo de demolição, 2 yogurtes, 1 lata de atum em posta, 2 garrafas de 7 decilitros e meio, uma com rolha de cortiça, 1 copo de plástico partido, 1 lata de coca-cola, 18 garrafas de cerveja de 0,33, 1 capri-sonne safari fruits, 1 baton, 7 maços de tabaco, 1 pilha, 1 tampa de lata saltarelle, 7 garrafas de água de litro em plástico

sábado, setembro 01, 2007

varrer os crimes para debaixo do tapete da história

o General Petraeus desfruta de uma vantagem: não foi eleito, e disfruta do apoio de ambos os partidos, da Casa Branca, do Congresso e dos meios de comunicação.
(para ler aqui)

Eleições nos EUA: Justiça e perversão e a perversão da justiça.
(para ler aqui)
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sexta-feira, agosto 31, 2007

EUA - a escolha entre as duas opções Sionistas

Se bem que a generalidade dos comentadores internacionais atribua à guerra do Iraque a causa de todos os males que vão estando na origem da desgraça americana – todos os candidatos inscritos no espectáculo eleiçoeiro do próximo ano concordam em que a política de continuidade da estabilização da invasão daquele importante país produtor de petróleo do Médio Oriente é para manter.

Todos concordam?, Não. Há um, pouco ou mesmo nada conhecido no exterior dos Estados Unidos, que vem afirmando frontalmente estar contra a impopularíssima politica de intervenção externa da que tem sido até aqui a única superpotência. Política essa que tem sido igualmente a causa da queda em desgraça de Bush e seus sequazes na opinião pública interna. Como se calcula e vai vendo, uma coisa é o imperialismo e as máscaras diplomáticas que lhe escondem os crimes a nível externo, outra coisa é o discurso mediático populista a nivel interno, que tenta dar resposta às aspirações mais profundas do americano médio que desespera por não ver voltar o país (melhor dito, seria conglomerado de Estados) à normalidade (que, de facto, nunca existiu, embora essa ideia de prosperidade lhes tenha sido induzida, à força e por via das desgraças alheias, enquanto o poderio militar deu boa conta da empresa). É no discurso declaradamente anti-guerra, para consumo das massas ignaras, que joga o candidato republicano Ron Paul – que aqui fica desde já apresentado como sendo a lebre do Sionismo na grande corrida de 2008.

Ron apoia uma política externa não-intervencionista para os EUA e defende o retorno imediato das tropas americanas que se encontram no Iraque. Até Julho de 2007, a sua campanha recebeu mais doações de empregados das forças armadas do que as de todos os outros candidatos juntos

Sabendo como os Sionistas são mestres em criar antagonismos fictícios, especializados em armar dois campos opostos (simples maniqueismo, para que toda a gente compreenda), enquanto subtraem lucros de ambos os lados, Ron Paul é a lebre ideal: apanha mais adeptos entre gente bem intencionada que os electrocutores de insectos dos pseudos democratas apanham moscas. A maior percentagem de potenciais eleitores, todos eles com doações individuais até 200 dólares são neste momento captadas por este “candidato”. Mas afinal quem é o bicho? - Ron Paul é versado em filosofia económica, ferrenho adepto da Escola Austríaca de Economia, sendo autor de vários livros sobre o assunto. Tem retratos de Friedrich von Hayek, Ludwig von Mises e Murray Rothbard pendurados na parede de seu escritório. Eis portanto um neoliberal puro – a politica do balão de ar sempre a encher seguida desde a década de 70, responsável pelo beco sem saída onde se encurralou o sonho americano.
Para se aquilatar das patranhas Sionistas dificeis de engolir por qualquer inteligência mediana, aqui fica uma resenha do momento de glória do candidato: um debate televisivo com outro republicano, o ex-chefe-dos-bombeiros-novaiorquinos-herói-do-11-de-Setembro-Giuliani

PAUL: Você já tentou discernir sobre os motivos pelos quais nos atacaram? Eles atacaram-nos porque nós estivemos lá. Bombardeámos o Iraque durante 10 anos. Estivemos no Oriente Médio durante muitos mais anos. Eu acho que [Ronald] Reagan estava certo. Nós não entendemos a irracionalidade da política do Oriente Médio. Agora mesmo, estamos a construir uma embaixada no Iraque que é maior que o Vaticano. Estamos construindo aí 14 bases permanentes. O que diríamos se a China estivesse a fazer isso no nosso país ou no Golfo do México? Nós estaríamos a protestar. Precisamos olhar para o que fazemos sob a perspectiva do que aconteceria se alguém fizesse isso connosco.
MODERADOR: O Sr. está sugerindo que os convidámos a fazer os ataques de 11 de Setembro?
PAUL: Estou sugerindo ouvirmos as pessoas que nos atacaram e as razões que os motivaram, e eles estão felizes por estarmos lá pois Osama bin Laden disse, "Estou contente por vocês estarem na nossa areia porque podemos atingí-los muito mais facilmente." Eles desde então já mataram mais de 4 mil dos nossos homens, e eu acho que isso foi desnecessário.
GIULIANI: Essa é uma afirmação extraordinária. Essa é uma afirmação extraordinária, para alguém que sobreviveu ao ataque de 11 de setembro, que nós os convidámos a atacar porque atacámos o Iraque.
PAUL: Eu acredito muito sinceramente que a CIA está correcta quando ensinam e falam sobre blowback. Quando fomos ao Irão em 1953 e instauramos o regime do Xá, sim, houve blowback. A reacção foi o sequestro dos reféns, e essa é uma sequela que persiste. E se nós ignorarmos isso, fazemo-lo sob nosso próprio risco. Se acharmos que podemos fazer o que quisermos pelo mundo fora sem incitar ao ódio, então temos um problema. Eles não vêm aqui atacar-nos porque somos ricos e livres, eles vêm e atacam-nos porque estivemos lá
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quinta-feira, agosto 30, 2007

o caso Somague

depois deste blogue ter passado dois anos e picos a tentar passar a ideia de que nenhum dos partidos com assento parlamentar (onde só tem lugar quem assumir o jogo do neoliberalismo) poderá resolver a crise do capitalismo, eis que, em tudo o que é orgão de comunicação corporativa, os recados que vão sendo dados já vão coincidindo com as ideias aqui expressas,,,

"o Caso Somague mostra como o poder económico domina quase totalmente os centros de decisão em Portugal"
Honório Novo, Jornal de Notícias, 27 Agosto 2007

“Esperemos que, quando Durão Barroso der as explicações que tem a dar sobre este assunto, elas venham num português claro e incorrupto”
Riu Tavares, Público

“Os raquíricos 233 mil euros pagos ao PSD são obviamente a ponta do icebergue, de um sistema que vive há muitos anos de financiamentos e empresas que precisam do Estado e dos partidos para serem beneficiadas em negócios e protegidas da concorrência interna e externa”(...) o complexo empresarial salazarento nasceu e cresceu na ditadura, sobreviveu à revolução e está como peixe na água nesta democracia”
António Ribeiro Ferreira, Correio da Manhã, idem

“Ainda há muito a fazer pela liberdade em Portugal”
João Marques, C.M., ibidem

“Com a vitória de Cavaco Silva formou-se, entre o lobie de interesses que apoiam esta Presidência da República e o Governo do PS, uma espécie de Bloco Central ao mais alto nivel do Estado – cujo espaço de consonância e “cooperação institucional” é a radicalização das politicas anti-sociais decorrentes do Pacto de Estabilidade e Crescimento”
Fernando Rosas, 2006

"As “reformas” são impostas or Bruxelas – a direita, leia-se Cavaco, está encantada com este PS, que faz por ela o trabalho sujo. “A Direita tem no Governo “o veiculo ideal para satisfação dos seus objectivos. (...) O regime é hoje praticamente apolitico e tende a rejeitar tudo o que perturba a paz da rotina”
João Cravinho

“É estranho que o binómio PS/PSD que tem governado o país nos últimos 25 anos não queira assumir as despesas do novo debate de ideias”
Miguel Pacheco, Diário Económico, Agosto 2007

“Quem é politico e domesticável deve ser remetido para o escalão dos animais domésticos”
João Cravinho

“A falta de normas concretizadoras de normas pragmáticas (...) determina inscontitucionalidade por omissão. A violação por formas contrárias, directamente ou por revogação das normas concretizadoras, equivale a inconstitucionalidade por acção”
Prof. Jorge Miranda, in “Escritos Vários sobre Direitos Fundamentais” Edit. Princípia

“Alguns aspectos da turbulência politica a que temos vindo a assistir lembram irresistivelmente o PREC, agora engravatado, constitucional, e de sinal contrário”
Teodora Cardoso

"Se nada nos incomoda é porque estamos mortos"
Movimentos no Escuro, José Miguel Silva

“Temos de nos questionar quando o crescimento económico em Portugal ronda 1 por cento, o crescimento da Bolsa ronda os 20 por cento e os lucros dos Bancos aumentam 80 por cento (...) a Europa transformou-se no estopim de um barril de cólera (...) a crise do capitalismo é uma evidência, que nem os seus turiferários já ocultam”
Baptista Bastos, JN 25/11/2005

“Pedimos desculpa por esta democracia. A ditadura segue dentro de momentos”
frase anarquista grafitada nos muros de Lisboa em 1975

quarta-feira, agosto 29, 2007

Carta Aberta a Charles Darwin


Hélder Costa, dramaturgo e encenador de “A Barraca”

“Hesitei imenso em lhe escrever pois receio que lhe vá causar preocupações que possam agravar as suas enxaquecas e outro males físicos. Mas recordando a tenacidade intelectual com que defendeu as suas descobertas contra a ignorância reinante, achei que não merecia o silêncio com que se ocultam notícias desagradáveis a fraca gente.
Meu caro Darwin, o seu nome está na moda! Hoje, a paz no mundo está ameaçada pela agressão belicista à escala mundial por parte dos Estados Unidos da América. É verdade, meu caro Darwin, são os descendentes do Mayflower... quem diria? Mas há um dado novo: as armas, os satélites espiões, o napalm, a corrupção de Estados lacaios, a tortura, a droga, o gaz mortífero, tudo isso se revela insuficiente como provam as derrotas do Exército USA um pouco por toda a parte.
Então o que é necessário? Atacar as ideias, destruir os avanços da civilização, restaurar a boçalidade e o primitivismo, apostar na ignorância, no misticismo, no esoterismo. Para, mais facilmente, se manipular o povo-marionete. E é aqui que a sua teoria da evolução das espécies é combatida com o renascer da teoria do criacionismo. É verdade, meu caro Darwin! No seu tempo teve de se demitir da Sociedade Britânica de Geologia porque os seus colegas cientistas eram da Igreja Angelicana e acreditavam piamente na Bíblia e a Sociedade Linneana considerou o seu estudo e também o de Wallace sem algum interesse científico, mas a sua ideia fez o seu caminho e triunfou.

<Francisco Goya y Lucientes: o Macaco pinta o retrato ao Burro dando-lhe ares de Leão

No fim do século XIX Engels escreveu um pequeno texto fascinante – “O papel do trabalho na transformação do macaco em homem” – onde provava que o esforço de procurar alimentação ou a necessidade de defesa iam criando adaptações à mão, o que demonstrava que o trabalho era o verdadeiro motor do desenvolvimento. E foi com trabalho, com a observação, o empirismo, que os nossos antepassados primitivos descobriram a arte de semear e cultivar, o movimento das marés, da lua, inventaram o calendário, o dia, o mês, o ano, e mais investigação e mais estudo desenvolveram a Ciência, e assim reinventaram a vida. Os milhares de estudos que acabaram por provar que os seres vivos existiam devido a mudanças, transmutações, evoluções, e tudo tinha sido criado por fenómenos físicos, materiais, foram miraculosamente enterrados na poeira do tempo e substituidos por um acto misterioso, inacessivel, não comprovável, de um Deus desconhecido.

A ofensiva é grave, caricatural, disparatada, mas faz o seu caminho: nos EUA o criacionismo tem a sua praça forte em terras da Ku-Klux-Klan, é estudado nas Universidades, em vários Estados Darwin é proibido – assim como na Polónia e outras tentativas na Alemanha – abriram um “Museu” (um sítio onde se assiste ao vivo a aparições) em que Adão e Eva vivem com dinossauros (!), e defendem que a criação do mundo é ipsis verbis a narração do Génesis!
Para perceber a importância desta ofensiva contra o conhecimento e esclarecimento, talvez seja bom recordar o incêndio da biblioteca de Alexandria que provocou o retrocesso científico e cultural talvez de milhares de anos, o novo ataque, na Idade Média, da Inquisição e do radicalismo islâmico contra os ventos do progresso e do Iluminismo, e etc. etc. Hoje, com a descoberta do ADN e viagens interplanetárias surge – dir-se-ia oportunamente – o Criacionismo mais boçal!
Meu caro Darwin, deixe-me dedicar umas palavras a Emma, a sua querida mulher e companheira de luta que sempre defendeu o direito a ser religiosa, ao contrário do seu agnosticismo. Emma, note que este ataque da Religião contra a Ciência está a ser sublinhado com uma nova linha radical da Igreja Católica. O bispo Ratzinger, tristemente célebre por ter interrogado Leonardo Boff, da Teologia da Libertação, sentando-o na mesma cadeira onde Galileu tinha sido interrogado, é hoje o Papa Bento16. Criticou o criacionismo ipsi verbis, mas defendeu a existência de outras teorias além da de Darwin porque não era verificável, o latim volta a ser utilizado nas missas, e acabou de declarar que o catolicismo é a única religião verdadeira combatendo o ecumenismo religioso!
Felizmente, queridos Emma e Darwin, estas ofensivas contra a inteligência não estão a triunfar. Na esteira de Darwin e milhares de outros, muitos foram alertados e compreenderam que o TRABALHO actual é, mais do que nunca, esclarecer, discutir, polemizar, impedir o renascimento do obscurantismo. Para prevenir a Paz, ao contrário de prevenir a Guerra, basta saber que a IDEIA é mais importante que qualquer Arma.
Beijo-vos afectivamente”.

(texto publicado no Jornal de Letras, nº960 de 18 Julho/07)

terça-feira, agosto 28, 2007

a Preto e Branco

O pai de Barrack Obama nasceu no Quénia e, em boa hora emigrou para os States onde casou com uma americana branca. Conseguido o gene providencial, Obama, branco quanto baste, é agora uma história de sucesso: o mais sério candidato a nº 2 da presidenta Hilária – o politycal star system yankee, consoante a gravidade da crise de credibilidade, precisa sempre de um híbrido para lhe dar côr (e já agora a esperança de que vive a grande mole dos oprimidos, enquanto não morrem de desistência). Ontem tinha sido Colin Powell, anteontem Sidney Poitier, talvez mesmo o sargento Rutledge.
Longe destes filmes de orçamentos astronómicos, na distante terra-do-nunca da Mãe-África, o supracitado Quénia, vai entretanto grande alvoroço, a "Obamania"! – por via do êxito do chavalo Obama, não há cão nem gato, de entre algumas centenas ou mesmo milhares, que não ande a escavar fundo na árvore geneológica em busca da inesquecivel honra de pertencer à tribo dos Obamas, e talvez por essa via reinvindicar um qualquer prato de lentinhas servido a crédito por uma qualquer Fundação imaginária, talvez com o nome do avô Obama, prolixo marido de muitas mulheres boas parideiras como manda a tradição e a tusa africana. Nos antípodas do pai preto Obama, por aqui, pelo protectorado Portugal, reina quase igual euforia entre os bastardos, mas em branco: não há gato liberal nem cão neoliberal que não ambicione ser filho da mãe americana.

Espólio: utensilios em metais preciosos, joias em ouro e diamantes, recipientes emprenhadores - o guerreiro Bárbaro, ao abrigo da lei que vai conseguindo impôr, toma posse dos despojos obtidos na guerra
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segunda-feira, agosto 27, 2007

Expulso por um bom motivo!

Bertolt Brecht

Eu cresci como filho de gente abastada.
Meus pais puseram-me a usar colarinho branco,
e educaram-me no hábito de ser servido.
Ensinaram-me a dar ordens.
Mas quando já crescido, olhei à minha volta
Não me agradaram as pessoas da minha classe
e juntei-me à gente mais humilde.

Assim eles criaram um traidor,
ensinaram-lhe a sua arte,
e ele denunciou-os ao inimigo.
Sim, eu conto-lhes os seus segredos.
Fico entre o povo e explico
Como eles trapaceiam, e digo o que virá,
pois estou a par dos seus planos.
E o latim dos seus clérigos corruptos
Traduzo palavra por palavra em linguagem comum,

Então Deus revela-se uma farsa.
Tomo a balança da sua justiça
e mostro os pesos falsos.
Os seus informadores relatam
que me encontro entre os despossuídos,
quando tramam a revolta.
Eles me advertiram e apropriaram-se do
Que ganhei com meu trabalho.
E quando me corrigi eles tentaram caçar-me, mas
Em minha casa encontraram apenas escritos
que expunham as suas tramóias contra o povo.
Então enviaram-me uma ordem de prisão
Acusando-me de ter idéias baixas, isto é
As idéias da gente baixa.
Aonde vou sou marcado
Aos olhos dos proprietários.
Mas os espoliados lêem a ordem de prisão
E me oferecem abrigo. Você, dizem
Foi expulso por um bom motivo.

sexta-feira, agosto 24, 2007

As causas da Crise Crónica - a Desproporção entre Produção e Consumo

Tom Thomas

A produção pode dividir-se arbritariamente em dois grandes ramos: a produção dos meios de produção (sector I) e a produção de bens de consumo (sector II). Mas é, evidentemente, este consumo final, essencialmente o das massas populares, que determina em última instância o equilibrio do conjunto, uma vez que a produção do sector I não pode encontrar a sua finalidade em si própria.
Ora o capital, necessariamente, desenvolve mais a produção geral do que o consumo final. Adiante diremos porquê, mas os lamentos dos capitalistas sobre a dificuldade de escoarem os seus produtos, as fábricas fechadas apesar de estarem em perfeito estado de funcionamento, ou os stocks de mercadorias não vendidas, destruídas ou vendidas ao desbarato, mostram-no com toda a evidência. O subconsumo é invocado com frequência como explicação para a crise. Nomeadamente pelos mistificadores keynesianos, que daí deduzem que bastaria aumentar as despesas públicas e a massa assalariada, ou mesmo só a massa salarial, para o consumo crescer e a produção também. Assim convergiriam harmoniosamente os reais interesses do capital e do trabalho, graças ao crescimento da dívida e da massa monetária em circulação!
Se quisermos ser sérios, no mínimo, não podemos falar de subconsumo sem falar de capital. Em absoluto, aquele não é um fenómeno específico deste. Mas o facto é que, antes dele, não havia destruições maciças de meios de trabalho e de mercadorias, a não ser nas guerras. Os meios de produção eram demasiado rudimentares, a produção era demasiado fraca e sensível ao mínimo imprevisto climático: donde a pobreza e as frequentes fomes. Esta penúria não era criada pelo sistema social; este apenas a agravava com os gastos sumptuários das camadas ociosas e parasitárias. No capitalismo dá-se o inverso. O subconsumo não é devido à insuficiência da capacidade produtiva; há, bem pelo contrário, consideráveis capacidades produtivas não utilizadas. Não é tanto o consumo excessivo das camadas superiores nem mesmo as despesas estatais monstruosas que reduzem o consumo das massas, mas sim o próprio modo de desenvolvimento do sistema, que induz uma contradição entre a produção e o consumo em geral, abrangendo todas as classes. O paradoxo monstruoso é tratar-se de um subconsumo puramente derivado da sua capacidade poara produzir cada vez mais mercadorias, cada vez mais variadas, com cada vez menos trabalho por unidade produzida. O paradoxo está em que, quanto mais ele produz assim, em massa e mais barato, maiores dificuldades tem para vender tudo, apesar de estarem longe de satisfeitas as necessidades de milhares de milhões de individuos, mesmo as mais elementares.
Como se vê, já não se trata aqui, de desproporções quantitativas entre ramos de profissões diferentes, provocadas pela cegueira anárquica dos produtores privados. E também não se trata do facto de se produzirem demasiados valores de uso, já que, no seu conjunto, as necessidades não estão satisfeitas. O problema é que se produzem demasiados valores de uso num sistema social que só os reconhece como valores de troca. Produzem-se demasiadas mercadorias sob forma de valores de troca, ou seja, mercadorias que se pretende vender a um preço que realize uma mais-valia, isto é, trabalho não pago. É essa mais valia que, ao apresentar-se como capital adicional, constitui o nó da relação sobreprodução- subconsumo, própria do capitalismo.
Aqui vamos introduzir na análise das crises uma determinação concreta, que é suplementar e fundamental em relação ao esquema mais abstracto da troca mercantil, M-D-M (mercadoria-dinheiro-mercadoria). É a determinação da troca por dinheiro, D-M-D, a qual se torna necessariamente uma troca para obter mais dinheiro, D-M-D2 (se não , não valeria a pena arriscar o D inicial), primeiro no comércio mercantil, depois no modo de produção capitalista por meio da extorção do trabalho não pago (a mais-valia), que é a diferença entre a quantidade de trabalho social fornecido pelo operário e a quantidade cujo equivalente ele recebe sob a forma de salário. Esta mais-valia aparece concretamente, como sabemos, sob a forma de lucro. E a taxa de lucro, que é a relação entre a mais valia e o capital investido (que se designa Mv/C), torna-se “a força motriz da produção capitalista e, nesta, só se produz o que pode ser produzido com lucro”. Isto toda a gente o sabe, e tem como resultado que, se o lucro cair, a produção cai também. A crise manifesta-se, portanto, sempre como a queda da produção e do lucro, o que é a mesma coisa, pois se trata de uma produção destinada a obter lucro.

Assim, no fenómeno que nos interessa (sub-consumo ou sobre-produção), a mistificação consiste em isolá-lo daquilo que é a finalidade mesma da produção capitalista: o lucro. Assim se oculta o facto de a sobreprodução ser, apenas, uma sobreprodução de mercadorias que não podem ser vendidas com lucro, com a realização de mais-valia, ou seja, da quantidade de trabalho gratuito que elas contêm. Marx resumiu muito bem a natureza relativa do fenómeno: “Não se produzem demasiadas subsistências proporcionalmente à população existente. Pelo contrário. Produzem-se demasiado poucas para satisfazer decente e humanamente a massa da população. Mas produzem-se periodicamente demasiados meios de trabalho e subsistências para os poder fazer funcionar como meios de exploração dos operários com uma certa taxa de lucro”

Na realidade, o problema que se apresenta como uma desproporção entre produção e consumo é, no fundo, o seguinte: ele manifesta que a unidade inevitável produção-consumo só pode realizar-se, no capitalismo, quando sujeita à determinação fundamental deste sistema, o lucro. Produção e consumo são as duas faces da mesma moeda que, por simplificação, se chama processo de produção. Mas se considerarmos que se trata, não de produção em geral, mas de produção de mais valia, a qual é apropriada pelo capital e vai juntar-se ao capital inicial reproduzido para se integrar num novo ciclo de valorização, então percebe-se que este processo não diz respeito ao consumo em si mesmo, às necessidades das pessoas, mas é um processo de acumulação. A acumulação constitui o princípio de reprodução do capital, do seu desenvolvimento, o qual é necessariamente um crescimento conjunto da produção e do consumo. Mas não ao mesmo ritmo. Porque este movimento inexorável da acumulação capitalista é o alicerce dos mecanismos gerais que conduzem, efectivamente, a uma sobreprodução de mercadorias, de meios de produção, numa palavra, de capital sob as suas diversas formas, e, ao mesmo tempo, a um subconsumo relativo, a uma pauperização relativa (que se pode tranformar em miséria absoluta) das massas populares.

Neste ponto da explicação, podemos já perceber que a possibilidade concreta da crise de sobreprodução é induzida pela necessidade que todo o capitalista tem, não apenas de limitar o mais possivel a massa salarial, e portanto o consumo operário, a fim de produzir o máximo de mais-valia, mas, além disso, de reconverter essa mais-valia em meios de produção suplementares, em vez de a consumir ele próprio (supondo que poderia gastá-la toda, mesmo se quisesse). Se o capitalista não trabalhar pela existência do capital, acumulando-o, a concorrência virá lembrar-lhe que tem de o fazer. Pois, se não aumentasse incessantemente a produção, se não conseguisse aumentos de produtividade investindo nas tecnologias com maior desempenho, se não mantivesse a maior taxa de lucro possivel, desapareceria. O capital que ele representa iria investir-se noutro sítio em melhores condições de rentabilidade. Ou então seria desvalorizado e comprado a baixo preço por concorrentes mais poderosos. Ou, ainda, seria simplesmente eliminado, destruído. É por isso aliás, qua a análise das relações concretas entre produção e consumo tem de levar em conta a concorrência, que obriga todo o capitalista, ao mesmo tempo, a desenvolver ao máximo as forças produtivas e a diminuir o mais possivel a massa salarial.
Ao fazê-lo, cada capitalista contribui activamente para o drama do capital social, geral, porque se empenha em diminuir continuamente a parte do trabalho vivo relativamente à das máquinas, no processo de produção que dirige. Bem gostaria ele que os outros o não imitassem, para que os operários deles consumissem mais os seus produtos. Mas não há volta a dar-lhe: todos eles têm de agir assim e o policiamento da concorrência encarrega-se de lho lembrar. A diminuição da parte do produto social que reverte para os salários, relativamente à que reverte para o capital (reprodução, ou amortização, do capital fixo acrescentada com a mais-valia) é uma observação de que os economistas de esquerda usam e abusam para criticar o “liberalismo” (expressão muitissimo vaga, que está na moda para eles condenarem, não o capitalismo, mas tão só a sua má gestão pelo Estado). Todavia, é evidente que, com ou sem liberalismo, quanto mais crescer a parte do capital constante no valor produzido, mais tem de aumentar a parte do produto que lhe caberá, seja para o reconstituir, seja para manter a taxa de lucro. O que foi perfeitamente descrito por Marx: “Com a progressão da produtividade do trabalho social, e uma vez que esta é acompanhada pelo crescimento do capital constante, uma parte relativamente crescente do produto anual do trabalho caberá também ao capital enquanto tal; daí resulta que a propriedade do capital (independentemente do seu rendimento) aumentará constantemente, e que a prporção de valor criada pelo operário individual (e mesmo pela classe operária) diminuirá cada vez mais em relação ao produto do seu trabalho passado, que agora se lhes apresenta sob a forma de capital”
Esta tendência manifesta-se de forma constante, uma vez que a busca permanente de ganhos de produtividade é evidentemente acompanhada por um crescimento mais rápido do capital fixo (as máquinas) e do consumo de matérias-primas do que o do capital variável, o trabalho vivo. Não há, portanto, nada que se possa considerar anormal, pelo menos no sistema capitalista, em factos tais como “a parte dos salários na riqueza nacional caiu de 76,6% em 1980, para 68% nos dias de hoje”. O contrário é que seria anormal – e podemos estar certos de que não acontecerá, sejam quais forem os votos dos nossos críticos de salão pela melhoria da parte que cabe aos salários.

Mas esta constatação é apenas a manifestação de um crescimento das forças produtivas mais rápido do que a massa salarial. Devido à corrida de cada capitalista atrás dos ganhos de produtividade e do aumento de produção na mira de maximizar os seus lucros, o capitalismo induz uma tendência para o desenvolvimento ilimitado da produção mas, ao mesmo tempo, para um crescimento menor (senão mesmo uma possivel diminuição, a partir de certo nivel de mecanização) do consumo final – e também, por isso mesmo, como reflexo, do consumo de meios de produção. Estes últimos ficam periodicamente parados, sem uso, ou então em excesso, e desvalorizados enquanto capital, ou são até enviados maciçamente para a sucata quando das crises (em que se dá uma destruição brutal de meios em bom estado de funcionar, o que é diferente da renovação progressiva devida ao desgaste ou aos progressos técnicos). Donde esta observação de Marx: “A razão última de toda a verdadeira crise é sempre a pobreza e a limitação do consumo das massas, perante a tendência da produção capitalista para desenvolver as forças produtivas como se o seu único limite fosse a capacidade de consumo absoluta da sociedade”.
Esta citação foi usada mil vezes por todos aqueles que pretendem servir-se de Marx para explicar a crise apenas como consequência da avidez dos capitalistas que se recusam a aumentar os salários, impedindo assim a reactivação do consumo, do investimento e do emprego. Mas esta é a estupidez de sempre, que pretende separar o subconsumo da relação causal que o liga ao modo de produção. De resto, Marx já respondera a este género de “marxistas” que é pura tautologia (1) dizer-se que as mercadorias se venderiam melhor se houvesse mais compradores que as pudessem pagar. E acrescentava que é tanto mais estúpido pretender que “este inconveniente (a falta de compradores) se ultrapassaria com o crescimento do seu salário (da classe operária)”, quando “basta reparar que as crises são sempre preparadas precisamente por um periodo de subida geral dos salários... Do ponto de vista destes cavaleiros que terçam lanças em favor do “simples” (!) bom senso, este periodo deveria, pelo contrário, afastar a crise... A produção capitalista implica condições que nada têm a ver com a boa ou má vontade”.
Acentuemos, portanto, uma vez mais, que, inclusivé para Marx, “a limitação do consumo das massas” só pode ser considerada “a causa última” da crise à luz da (ou relativamente à) tendência ilimitada do capitalismo para o desenvolvimento das forças produtivas. Que essa causa última decorre do desenvolvimento paradoxal das forças produtivas, o qual, fundado na produção de mais valia, choca de modo contraditório com o próprio meio que utiliza para aumentá-la: os ganhos de produtividade obtidos pela substituição de trabalho vivo por trabalho morto, as máquinas cada vez mais automatizadas.

Em suma, o termo “causa última” remete-nos ao mesmo tempo para a sobreprodução de meios de produção e para o subconsumo final que inevitavelmente o acompanha. Remete-nos, pois, para a relação de apropriação de mais-valia, para o modo de existência do capital, de cada capital em particular, como sendo a corrida para a acumulação que tal relação implica. O escândalo reside nesse subconsumo porque, contrariamente aos periodos precedentes, ele não tem estritamente nada de natural; ao contrário, cresce ao mesmo tempo que a produção de riquezas e a facilidade em as produzir. Assim, a crise deve suscitar, não a codenação do desenvolvimento da produção resultante do rogresso cientifico e tecnológico, mas sim a do subconsumo, porque este é uma criação puramente artificial. Por isso Marx lhe dá o relevo que dá. Porque, embora relacionado com a sobreprodução, é o subconsumo que condena o capitalismo no plano moral – e sobretudo, na prática, ao alimentar a luta do proletariado. Ao passo que, pelo contrário, o desenvolvimento das forças produtivas, da ciência e das suas aplicações tecnológicas é o seu lado positivo (2) – uma condição potencialmente realizada para abolir o subconsumo, ou seja, para abolir a relação de apropriação privada que está na origem de tudo isto, e desta contradição produção-consumo em particular.

Notas:
(1) “Tautologia” – Redundância, ou pleonasmo, ou a mesma ideia expressa por palavras diferentes.
(2) Em toda esta passagem, o desenvolvimento das forças produtivas só é examinado na generalidade. Escusado será dizer que o desenvolvimento tem de ser posto em causa, tanto nas suas orientações e aplicações, muitas vezes nefastas, como nas suas modalidades sociais – a alienação do trabalho de execução perante, em particular, os poderes intelectuais
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quinta-feira, agosto 23, 2007

Madame Butterfly

Decorrem os primeiros anos do século XX . Um jovem oficial americano, de seu nome Pinkerton, cumprindo serviço militar no Japão, à luz dos costumes locais compra uma casa, em cujo preço se inclui, para seu uso pessoal, uma jovem rapariga, que toma como noiva. Passado pouco tempo Pinkerton, por obrigação do ofício, regressa aos Estados Unidos, após o que, Cio-Cio-San, de seu nome diminuitivo “Borboleta”, dá à luz uma criança e, paciente e devotadamente, espera que o seu marido volte. Finalmente Pinkerton regressa – com a sua nova mulher americana. Vem buscar o menino para viver com a sua nova família.
Esta pequena parábola dramática, que deu nome a uma ópera famosa, "Madame Butterfly", (encenada e adaptada anos mais tarde a outros dramas mais contemporâneos no West End londrino como “Miss Saigão”), dá total razão à teoria do Caos: quando uma borboleta bate as asas no Oriente os efeitos fazem-se sentir no hemisfério oposto – e é o retrato fiel e a prova chapada de que, primeiro o colonialismo e depois o imperialismo, a que agora se usa chamar globalização, afinal existem – quanto mais não seja nos teatros de ópera, para consumo das élites. Concluindo, quem não tem estatuto para frequentar a cultura das élites, regra geral nega a pés juntos que o imperialismo ainda exista. Excepção feita , como é evidente, se o americano quando se dirige a qualquer lado para adquirir casa, levar uma espingarda a tiracolo; ou melhor ainda, se encomendar a aquisição do imobiliário a militares estrangeiros usando os lucros extorquidos às próprias populações locais – que por ausência de representantes politicos legítimos estão privadas de tomar conhecimento daquilo que é melhor para elas.

McDolar, música pelos Ska-P
dedicado aos McShiters, os consumidores desta merda

quarta-feira, agosto 22, 2007

allgaraviada transgénica

A União Europeia legislou no sentido de servir os interesses das empresas multinacionais, (a maioria das quais, como a Monsanto, são de origem norte- americana, país que produz metade do milho mundial), admitindo a plantação de OGM`s, limpando-os com um parecer comprado à Organização Mundial de Saúde. O Estado Português adoptou essa legislação ao arrepio de qualquer debate sonegando informação à população. Actualmente já existem 4 mil hectares dessas culturas, pese que “a lei” de 2005 que autoriza o cultivo de cereais transgénicos em Portugal não delimita regras de segurança efectivas para evitar contaminações pela separação clara de outras culturas. Existe toda a legitimidade para pensar que o processo de implementação deste tipo de culturas é ilegal porque foi levado a cabo à revelia da vontade dos cidadãos nacionais, que para todos os efeitos não foram ouvidos nem achados para nada. Estávamos nisto, quando um pacóvio de Silves concluiu abruptamente que tinha sido enganado pelo fornecedor quando o aliciou a plantar aquele tipo de porcaria. A destruição de milho transgénico levada a cabo pelos voluntariosos jovens da Ecotopia, (Gaia, Acção e Intervenção Ambiental) um grupo oriundo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa – com o apoio do IPJ, Instituto Português da Juventude, desperta a sociedade para o problema.

Uma das mais antigas organizações que contestam a cultura de OGM em Portugal, a “Plataforma Transgénicos Fora do Prato” disse a propósito: “não nos revemos nos métodos mas compreendemos os motivos. Há anos que nós contestamos os OGM com razoabilidade e nunca conseguimos nada parecido com este mediatismo”. E por a´abaixo. A zelosa Quercus demarcou-se do grupo que atacou o campo de milho marado considerando que foi uma “acção excessiva”; e o côro dos coiotes do regime, com o eurodeputado VGMoura à cabeça, invectivaram o movimento “Verde Eufêmia” de abutres para cima. Afinal parece que o grande problema é a propriedade privada – nem mais, Portugal inteirinho transformou-se numa imensa propriedade privada daqueles poucos que decidem quais são as leis e a favor de quem elas se aplicam. Aliás, segundo um dito popular que por aí corre, “se as eleições resolvessem alguma coisa já tinham de há muito sido proibidas”. Instado pelo sururu das bases o Presidente da República mandou, pessoalmente, o recado ao Governo: “A violação da propriedade privada é uma violação da lei (...) e não podem restar quaisquer dúvidas de que a lei é para ser cumprida (...) quem tem o poder para a fazer cumprir não pode deixar de utilizá-lo”
Só para que se entenda aquilo a que se faz referência quando se fala dos governos dos politicos ao serviço dos interesses económicos das multinacionais, saiba-se que Sua Excelência é, ele próprio, um dos primeiros produtos transgénicos nacionais, um hibrido com origens paternas no homem da bomba de gasolina, alma mater do nóvel austrolopiteco automobilis, cruzado com a revolução cinzenta do betão dos anos 60 que destruiu de vez a cultura algarvia como algo identificável na paisagem. Parece-nos relevante que o tipo de funcionários do capitalismo internacional, como “o nosso” Presidente, quando homenageia os Autarcas de Albufeira – mostrem claramente a predisposição generalizada para se aceitar todos os investimentos que surgem sem olhar a custos ambientais desde que lhes deixe algum. Azar dos portugueses, que residem na coutada
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a politica neoliberal é prejudicial à saúde

terça-feira, agosto 21, 2007

à prova da morte (II)

(imagem do Kaos) fresquinha e acabadinha de sair do correio da manhã:

Depois de uma vida inteira como editora em emprego fixo faxinando a difusão de jet-sépticos calhamaços na livraria MacBertrand, Zita Seabra ganha finalmente independência desse mundo sórdido e gorduroso. Tão belo naco mediático merece um altar de destaque: funda a "editora Aletheia" cujo principal mentor e sócio investidor é o barão do psd Dias Loureiro! - antes disso, já ninguém se recorda, mas andou por aqui:

realmente Zita saíu para com um objectivo para o mundo, nisso não pode persistir dúvida, mas estatelou-se pelo buraco abaixo do esgoto num mundo sórdido,,,

"Tropa Macaca"
"Um Ano de Ilustração Portuguesa", em exibição na "Bedeteca de Lisboa"
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