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quarta-feira, setembro 12, 2007

de olho no negócio

Entretanto, lá longe no terreno, a soldadesca funcionária e outros mercenários mantém o olho no negócio:
(foto TimeMagazine)

Soldados americanos scaneiam os olhos de um iraquiano em Bagdad numa acção de controlo contra insurgentes. Nos checkpoints, e mais onde calha, os soldados recolhem nomes e dados biométricos de cada homem. O processo de controlo tem raízes fundadas nos métodos de apartheid levados a cabo por Israel na Palestina.
Razão tem Helena Matos (na última página do Público de ontem) quando confessa “que não acha que seja aos ocidentais que o fundamentalismo islâmico mais ameace ou prejudique (…) o grande problema do fundamentalismo – e que é muito mais complexo que as redes de Bin Laden e quejandos – é esse encapsulamento de milhões e milhões de pessoas, num algures religioso, distintíssimo do século XXI. Isso sim é um pesadelo”. Ninguém viria mais a propósito para nos informar sobre quem nos está a construir esse mundo novo.

terça-feira, setembro 11, 2007

11/9 - Nós sabemos que ele sabia

"O Ocidente conquistou o mundo, não pela superioridade das suas ideias, valores ou religião, mas mais exactamente pela sua superioridade na aplicação da violência organizada. Os ocidentais esquecem frequentemente este facto, os não-ocidentais nunca o esquecem"
Samuel Huntington, in "O Choque de Civilizações" - a "biblia" ideológica encomendada pela CIA destinada a refazer a "nova ordem mundial"

"Uma das tarefas mais dificeis que enfrentamos na vida é estarmos preparados para as más notícias. A que eu tenho de vos trazer agora é a pior das notícias: que a civilização está em grave perigo"
James Lovelock, in "A Vingança de Gaia"

O 11 de Setembro é o "incêndio do Reichtag" americano, o calcanhar de Aquiles do regime criminoso de Bush. Já toda a gente se apercebeu que o verdadeiro motivo do "inside job" foi a previsão do fim do petróleo. Os atentados ao WTC, (o equivalente a um novo "Pearl Harbour" como pretexto para a entrada dos EUA na 2ª grande guerra afim da conquista da Europa para o campo do imperialismo), foram planificados sob estrita vigilância dos serviços secretos pelo vice-Presidente Dick Cheney, são indissociáveis daquilo que é vulgarmente conhecido como o "Peak of Oil", e são novamente o pretexto para o lançamento de uma nova guerra global pela recolonização americana do mundo... Bush sabia antecipadamente o que ia acontecer, e para evitar que os outros soubessem, incentivou-se posteriormente o maior controlo de sempre sobre os Media.
Quando brevemente Bush fôr dispensado do exercício da sua tarefa, a mudança de paradigma neo-imperialista já se perfila no horizonte: o novo motor do capitalismo são as alterações climáticas. Aqueles que arruinaram o ambiente são os mesmos vândalos que pretendem agora salvá-lo. O fim do petróleo e a alterações climáticas são as duas faces do mesmo problema.

Assim, o verdadeiro facto, o essencial, não é o 11 de Setembro, mas sim a chegada dos Neocons ao Poder. Como é que quase 60 milhões de eleitores poderiam ser tão patetas que fossem levados a votar por duas vezes num idiota que lhes tem destruído a credibilidade do país? acabado com as liberdades civis e posto termo às precárias condições de segurança social cada vez mais degradadas? - a resposta é também hoje inequívoca: realmente não votaram, houve Fraude Eleitoral!

Dos milhares e milhares de dúvidas e questões postas sobre os ataques às duas torres do Centro de Comércio Mundial (WTC) - desde a queda inexplicável do edificio 7 até à falta de evidências e vestigios dos embates de aviões nos casos do Pentágono e do vôo 93 - existe um facto muito pouco "badalado". Tudo aponta para que os alvos tenham sido atingidos por aviões manipulados por controlo remoto. Contudo, a área dos ataques situa-se dentro do campo de protecção da importante central nuclear de Indian Point, cujo fecho é exigido há décadas por um importante movimento cívico. Esta área, cujo epicentro dista pouco mais de 50 quilómetros da cidade de New York, abrange cerca de 8% da população norte americana (24 milhões de pessoas) e um ataque à central nuclear teria efeitos catastróficos - muito mais gravosos que a mera destruição de dois prédios de empregados de escritório; daí que a zona seja objecto de vigilância especial por parte das autoridades incumbidas da segurança. Como teria sido possivel vários "aviões terroristas" andarem a passear por ali impunemente?

Por último, em nome do Estado português e de toda a corja militarista que continuou intocável no pós 25A, meia dúzia de palavrinhas de solidariedade para com o nosso terrorista de estimação. Comecemos pelo chefe:

"I don't know where bin Laden is. I have no idea and really don't care. It's not that important. It's not our priority." - G.W. Bush, 3/13/2002

A mesma mão que criou a nossa fonte de terrôr - Bin Laden foi uma criação da CIA para combater a influência soviética no Afeganistão - seria a que depois o deixou escapar a titulo gracioso, depois de por diversas vezes se ter considerado que o homem mais perigoso do planeta estaria encurralado, morto, embalsamado, escondido na net, etc. Não é desconcertante como estas comédias se passam no seio da mais fabulosa máquina de guerra alguma vez criada sobre a face da Terra?
Dispondo de sofisticados meios de controlo tecnológico parece-nos no entanto que os velhos truques que tiram partido das habituais baixezas de delação humanas, e que serviram a Brutus para assassinarem noutros tempos outro império, funcionaram agora também sob a forma de uma vulgar "cunha", desta vez, ao contrário, para defender o Império do desmoronamento imediato - pelo menos é o que afirma Gary Bernsten, um ex-operacional da CIA, que participou na operação com o nome de código "Jawbreaker" - houve directivas concretas para deixar o homem escapar, alguém, muito convenientemente bem posicionado, recusou o pedido para enviar tropas naquele preciso momento. Quem é que ia acabar com a fonte que dá de beber à formidável máquina que está montada?

"A nossa História Política é de tal forma uma matéria criminosa, que não é de todo aconselhável que ela seja objecto de ensino para as nossas crianças"
W. H. Auden, (1907-1973). E o pior ainda estava (está) para acontecer.

clique nas imagens para as ampliar. Fonte principal e um sítio a explorar para mais informação: "www.oilempire.us"

os 10 dias que continuam a chocar o Mundo

a Revolução de Outubro

segunda-feira, setembro 10, 2007

“É um pormenor, mas” quando toca à má língua torna-se um Pormaior

Há certas diatribes, como esta no blogue do Mickey Miranda, que são um espanto, tanto podiam ser escrevinhadas ontem, como há uma semana, ou como há um século - a idiotice é um dom intemporal. Contudo, apesar disso, e como qualquer cara para se sentir realizado precisa sempre duma côroa, aqui está o respectivo contra-idiota útil de serviço (ao mercado, porque coincidem ambos no consentimento à primazia dos valores de mercado. Impossiveis hoje de qualquer regulamentação, como não será dificil de averiguar junto de Bush ou Clinton, Greenspan ou Bernanke). Mas existem outros jogos, a outros níveis, que efectivamente nos devem preocupar.
Como a conversa comparativa deste post, àcerca duma pretensa gaffe de Jerónimo de Sousa sobre a Revolução de Outubro (um pouco forçada convenhamos) é igual à do 25 de Abril - toda a gente das diversas famílias galaró insistem em comemorar efusivamente o evento esquecendo-se, muito frequentemente, aliás, que o que ficou para a história concreta foi o 25 de Novembro! (embora mantendo o nosso kerenskysmo mediático, apoiado na patranha "socialista" soarista, como bandeira original)

O que o tio Jerónimo, obviamente, deve ter querido dizer (e aí também não sabemos como o transcreveu o jornalista do Público - olha que meninos!) foi que a Revolução de Outubro acabou de vez com a tentativa de manter intactas as estruturas sociais do czarismo. Tal e qual como se pretendeu fazer no nosso caso, mantendo uma espécie de neofascismo liofilizado pelo Spinolismo (“evolução na continuidade” caetanista que falhou, justamente por pressão das massas populares – como em Petrogrado, com destinos diferentes, mas que agora se juntaram, caindo ambas às mãos do neoliberalismo)
A sério: A rapaziada do Spectrum (um blogue que até é simpático) acredita mesmo que uma pessoa como o Jerónimo de Sousa não sabe a história da Revolução Russa? eheheh - e o autor do post? qual é a “história de revolução” que tem para nos contar?, será pessoal e intransmissivel?
Naquelas amenas cavaqueiras pelas mesas do Avante, quando confrontado com o facto de não ser militante, sobre os muitos milhares de pessoas bem intencionadas que se dedicam de corpo e alma ao PCP (não entendendo que com a sua acção reformista o Partido apenas adia as lutas efectivas envolvendo as massas na ilusão do voto para um parlamentarismo burguês completamente desacreditado), costumo dizer-lhes: “para mim, vocês são aliados das nossas classes desfavorecidas, operários,etc, até ao dia em que sejam incumbidos de funções governativas – aí passam a ser nossos adversários”

Através da obra de culto de Sergei Eisenstein – “Outubro”, sobre cujas imagens e mensagens explicitas é possivel revisitarmos a luta de classes à época – talvez até trazê-las à actualidade - perante a necessidade de armar a classe operária (no conceito de Exército Popular Revolucionário, legível num fotograma famoso quando um operário desembaínha uma espada gravada onde se lê “Deus está Connosco”), pergunta-se: quem é que, no contexto actual está armado? Os trabalhadores sem pátria que, no conceito marxista, continuam a dispôr como sua única propriedade a venda da sua força de trabalho? (imigrando ou emigrando); ou a burguesia transnacional que entretanto se (trans)formou à sombra do complexo-político militar do Império?

Na resposta fica implícita a razão porque o PC não poderá nunca, nas actuais condições, ser erigido em alvo principal nas lutas que se avizinham. O nosso inimigo é outro.

O ataque aos direitos sociais, sempre foram, em todas as épocas, acompanhados de fortes ataques anticomunistas
Jerómino de Sousa, ontem na Festa do Avante

Vamos então deixar de hostilizar o PCP; até pela simples razão de que a direcção e os militantes com responsabilidades no partido não são comunistas.

domingo, setembro 09, 2007

"A presente lei do financiamento dos partidos beneficia em larga escala os partidos do poder, incluindo os que ainda não tiveram a oportunidade de estar na gamela do poder, e prejudica fortemente os pequenos partidos; e estão aí as coimas por irregularidades nas contas da campanha das últimas legislativas, realizadas em 2005, para o comprovar. A um dito grande partido nada lhe custa pagar 25104 euros (PSD) ou 21357 euros (PS), basta fazer um telefonema a um empresário amigo para a dívida ficar logo sanada, mas já custa a um Partido Humanista (2622 euros) ou um PCTP/MRPP (4496 euros), acarretando-lhe dificuldades acrescidas; a burguesia portuguesa pretende assim pela via económica fazer o que os fascistas faziam pela via administrativa e policial. É um fenómeno semelhante à manipulação genética das plantas, diminui-se a diversidade genética como forma de controlo, ficam as espécies que afinam pela mesma pauta, ou seja, o pensamento único. Aqui a questão da corrupção acaba por ser marginal, é a democracia burguesa no seu real e verdadeiro funcionamento. E ainda há quem queira reformar o sistema! Uma missão impossível"
(in "Os Bárbaros")
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sábado, setembro 08, 2007

até que nos voltemos a ver

O pai de Pavarotti, padeiro em Modena, iniciou o rebento no côro da igreja local - e, àcerca da relutância deste em acompanhá-lo, costumava dizer: "se este meu rapaz tivesse metade do meu talento ainda haveria de ser um grande artista". Apelidaram-no de "o cantor que popularizou a ópera", terreno fértil onde hoje qualquer vendedor de telemóveis se desenrasca, e bem, incluindo-se os talk-shows televisivos, repletos das americanices mais improváveis. Como em tudo o que abrange o universo neoliberal, a grande Música não se poderia escapar à mercantilização como grande espectáculo de massas - cujo grande "local do crime" paradigmático é a Arena de Verona - um sítio incrível onde cinco mil pessoas tossem e mastigam shuingas desalmadamente enquanto, absolutamente indiferentes ao que se passa no longinquo palco, sussuram alto os seus mais íntimos ressabiamentos sobre últimas modas exibidas pela vizinhança de ocasião. Esta gentinha turística, jamais suspeitará quem foi o cantor de quem Pavarotti mais gostava, e reconhecia como sendo "o maior de todos": Giuseppe di Stefano - opinião que lhe valeu um tabefe do pai, que achava que o posto pertencia ao grande Beniamino Gigli; afinal tudo contradições próprias da herança matricial que é a cultura da canção napolitana. A propósito de reviver Gigli, vale uma visita á Nápoles tradicional, uma cidade (que continua actualmente) ainda não corrompida de todo pelo turismo de massas.

Giuseppe Di Stefano - "Core 'Ngrato" (sem a distracção das imagens)

(ou para ver, aqui)

sexta-feira, setembro 07, 2007

Festa do Avante








Neste recorte do publicado no nosso Diário da República vale bem verificar que os objectivos das grandes sociedades privadas que determinam hoje as politicas dos Estados ficam bem longe dos objectos de negócio tradicional em que se fundaram. Todas as grandes multinacionais, quase sem excepção, delegaram no outsourcing as suas explorações materiais e optaram pela gestão financeira desmaterializada – são hoje apenas “empresas financeiras” soprando incessantemente na bolha, pese embora que já deitem os bofes pela boca.

Nesta óptica, é fácil entender que, para os governos a soldo destas politicas transnacionais em favor e ao serviço descarado das condições impostas pelo capital, a Censura e a perseguição politica se tornaram obsoletas – deixa-os barafustar que nós logo os apanhamos nas contas – ready to use, logotipo modernaço, voilá, eis a nova Pide: as Finanças!
Aliás, como diriam os pedros arrojas lixados pelos mecanismos de controlo fiscal, se cá fizessem como o Putin faz na Rússia quando alguém fala mal do Poder (metendo-os na pildra, ou espetando-lhes um balázio adentro pela surra quando o caso é mais grave) por estas bandas do Ocidente as instalações prisionais teriam de quadriplicar.

Chegados aqui, cabe notar que este vosso humilde anotador de factos não se filia propriamente como militante do PCP – faz muitos anos que não vou à popular Festa do Avante – mas desta vez, por solidariedade até vou! E de bom grado. Acontece que os ingressos puderam ser comprados antecipadamente nas milhentas organizações locais e regionais do Partido, e deste modo os Fiscais da Pide Financeira (que gozo ver as fuças desanimadas dos espécimens) jamais conseguirão contabilizar com precisão as receitas do evento.

As consequências na prática da Queda do Muro de Berlim

"Por trás de uma grande fortuna está sempre um grande crime".
Honoré de Balzac

A riqueza total desta classe dominante global aumentou 35% ao ano atingindo actualmente US$ 3,5 milhões de milhões (trillions), ao passo que o nível de rendimento dos 55% mais baixos dos 6 mil milhões de habitantes que constituem a população mundial diminuiu ou estagnou. Dito de outro modo, uma centena de milionésimo da população mundial (1/100.000.000) possui mais do que os três mil milhões de pessoas do escalão inferior. Mais da metade dos actuais multimilionários (523) procedem de apenas três países: os EUA (415), a Alemanha (55) e a Rússia (53). Este aumento de 35% da riqueza provém mais da especulação que se tem registado nos mercados de capitais, no imobiliário e no comércio de matérias-primas do que de inovações técnicas, de investimentos em industrias criadoras de emprego ou de serviços sociais.
Entre o grupo de multimilionários mais recentes, mais jovens e que cresceram mais rapidamente, destaca-se a oligarquia russa pelos seus começos mais predatórios. Mais de dois terços (67%) dos actuais oligarcas russos multimilionários iniciaram a sua concentração de riqueza quando ainda não tinham trinta anos de idade. Durante a infame década dos anos noventa, sob o quase ditatorial governo de Boris Yeltsin e dos seus conselheiros económicos dirigidos pelos EUA, Anatoly Chubais e Yegor Gaidar, toda a economia russa foi posta à venda por um "preço político" muito abaixo do seu valor real. As transferências de propriedade, sem excepção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação dos recursos do estado, e das actividades ilícitas de manipulação de acções e aquisições de empresas. Os futuros multimilionários saquearam ao estado russo um valor de mais de um milhão de milhões (trillion) de dólares em fábricas, transportes, petróleo, gás, aço, carvão e outros recursos pertencentes ao estado.

Património histórico: um monumento nacional, em plena zona nobre da Avenida Nevsky, São Peterburgo, é hoje uma luxuosa loja de uma marca ocidental. Só vende um par de slips versace de quando em vez, ou uma ou outra peça quando o rei faz anos, mas não interessa - o que interessa é o status social que o uso do que aqui se vende produz; e é sabido que um dos principais factores de desavenças conjugais é o uso de cuecas de popeline; e as ceroulas em chita, como é sabido, têm sido a principal causa de abandono do lar pelas mulheres.

Como tornar-se um supermilionário

Se bem que algum conhecimento técnico, "qualificações empresariais" e tacto para o mercado tenham tido um certo peso na criação dos multimilionários na Rússia e na América Latina, muito mais importante foi o interface político e económico em todas as etapas da acumulação de riqueza. De uma forma geral verificam-se três etapas:

1. Durante o primitivo modelo 'estatista' de desenvolvimento os actuais multimilionários "pressionavam" e subornavam com êxito os funcionários governamentais para a obtenção de contratos, isenções tributárias, subsídios e protecção da concorrência estrangeira. Estas dádivas do Estado foram o ponto de partida para a obtenção do estatuto de multimilionários durante a subsequente fase neoliberal.
2. O período neoliberal proporcionou as maiores oportunidades para a obtenção de lucrativos activos públicos muito abaixo do valor de mercado e da sua capacidade de rendimento. As privatizações, embora descritas como "transacções de mercado", na realidade foram vendas políticas em quatro sentidos: pelo preço; pela selecção dos compradores; pelo suborno dos vendedores; e pela promoção de uma agenda ideológica. A acumulação de riqueza resultou da venda ao desbarato de bancos, empresas mineiras, recursos energéticos, telecomunicações, centrais eléctricas e transportes, bem como pela assumpção por parte do Estado de dívidas privadas. Isto foi o ponto de partida dos multimilionários para o estatuto de multimilionários. Na América Latina isto foi conseguido pela via da corrupção e na Rússia pela via dos assassinatos e das guerras de gangs.
3. Durante a terceira fase (a actualidade) os multimilionários consolidaram e ampliaram os seus impérios por meio de fusões, aquisições, mais privatizações, e expandindo as suas acções no estrangeiro. Os monopólios privados dos telefones móveis, telecomunicações e outras empresas de serviços públicos (utilities), juntamente com os altos preços das commodities, acrescentaram milhares de milhões de dólares às suas concentrações iniciais de riqueza. Alguns milionários tornaram-se multimilionários vendendo as suas recentes aquisições, empresas privadas lucrativas, ao capital estrangeiro.
(fonte)

quarta-feira, setembro 05, 2007

"liberdade" de informar

O jornal da sonae faculta o púlpito a titulo gracioso a um leitor de Lisboa que redige uma carta ao director teologando sobre "liberdade". Contudo o tema que se pretendeu ver desenvolvido nada tem a ver com os factos em concreto. Apenas com a parte (parcialíssima) que lhes interessou publicar. Como veremos. O leitor dirige uma carta aberta a Sérgio Godinho, Janita Salomé e a Vitorino, incentivando-os a cantar a liberdade "em favor da libertação da deputada Ingrid Bettencourt, como sempre aliás o fizeram "no antigamente" - só que desta feita, aproveitando a sua disponibilidade para actuar na "Festa do Avante" o façam visando as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), organização que tem banca habitual montada no evento anual patrocinado pelo PCP. Nada mais. A ideia de liberdade acaba aqui. Nem uma palavra para o objectivo da acção das guerrilhas colombianas ser o de pretender desde sempre libertar as duas dezenas de reféns que mantêm em seu poder por cerca de 200 guerrilheiros presos pelo regime fascista de Álvaro Uribe - que tem a originalidade de "exportar" alguns desses elementos do Exército de Libertação da Colômbia detidos com a ajuda de forças para-militares de extrema direita, para os Estados Unidos para aí serem "julgados", como se fossem narco-traficantes. O que terão estes homens e mulheres das FARC, cada um por si, a menos que Ingrid Bettencourt para que a sua liberdade não deva também "ser cantada"?

Aliás, o mesmo jornal nos dois dias seguintes é obrigado pelos factos a contradizer a arenga. Afinal a guerrilha colombiana recebe de braços abertos a mediação de Hugo Chavez. Afinal parece que vai haver mais gente libertada, para além da deputada franco-colombiana, pela qual o presidente Sarkozy tem feito os máximos esforços possiveis, procurando capitalizar em seu proveito mais um grande feito com as implicações mediáticas previsiveis.

relacionado:

Ardinas da Mentira” de Renato Teixeira, ediç. Dinossauro
Ensaio baseado em duas experiências vividas pelo autor – os acontecimentos do G8 de Génova em 2001 e o trabalho na redacção de um dos jornais de referência do país – para avançar ideias sobre o estado dos meios de comunicação: a censura, na sua forma moderna, e a propaganda, na sua forma clássica. A abrir o livro, um texto de José Mário Branco que esteve na origem de algum debate sobre o actual estado dos média em Portugal.

a Informação como Arma de guerra: a Palavra que mata!

Mais uma contribuição para compreender a importância da política Sionista de Israel nos EUA, como doutrina imperialista de abrangência global - um artigo de Bashir Abu-Manneh publicado na Monthly Review de Março 2007 - para ler integralmente aqui

segunda-feira, setembro 03, 2007

“The Power of Israel in the United States”

Quem tenha presente a famosa foto de Bush prestando juramento tendo por pano de fundo a bandeira branca com a cruz de david Sionista, ou esta no "muro das lamentações", será induzido a pensar que, erradicando-se este presidente se acabará a peçonha. Nada mais errado. O Sionismo, como doutrina com pretensões à hegemonia mundial, aposta mais nos “democratas” do que própriamente nos neocons republicanos. Se uns deram o golpe (certamente por encomenda, porque daquela amálgama de miolos não se extrapolariam tamanhas acções complexas), os outros apressar-se-ão a democratizar os lucros da jogada. Para atingir o climax do embuste, melhor circo mediático não se arranjaria se, faltando a Bush a rede por baixo da sua abaladíssima credibilidade, fosse possivel julgar e condenar a troupe de criminosos internacionais.

Referente à capa do livro que ficou aí dois posts abaixo, James Petras equaciona, sobre a influência de Israel na definição da politica dos Estados Unidos, aquilo que Chomsky chama os 8 “pressupostos duvidosos”, a saber:
1. Que o Lobie Pró-Israel é um lobie igual a qualquer outro.
2. Que os apoiantes do Lobie Judaico não tem mais poder que quaisquer outros grupos.
3. O Lobie tem sucesso porque a sua politica coincide com a dos EUA.
4. Israel é uma “ferramenta” que o Império Americano usa conforme precisa.
5. o “Big Oil” e o “Complexo-Industrial-Militar” são as principais forças a modelar a politica no Médio Oriente
6. Fazer crer que os interesses de Israel e dos EUA coincidem
7. A Guerra do Iraque e as ameaças ao Irão e à Síria derivam em exclusivo dos interesses no petróleo e da venda da produção do Complexo-Politico-Militar
8. As aspirações de hegemonia dos EUA no Médio Oriente são iguais aos interesses que determinam as práticas que têm no resto do mundo.

Quem financia o Estado de Israel?

- Israel recebeu dos EUA em ajudas mais de 90 Biliões de dólares desde 2003. 75 biliões foram em “grants” (titulos não reembolsáveis) e 15 Biliões em letras de crédito.
Petras faz a listagem da totalidade dos custos em ajudas:
- Desde 1985, os Estados Unidos providenciaram a Israel 3 Biliões de dólares em ajudas anualmente
- Descontos em letras de crédito, sem limites, consoante as necessidades
- Milhões em ajuda para reinstalação de judeus oriundos da ex-URSS (agora Rússia) e da Etiópia; todos eles são considerados “emigrantes” desde que queiram regressar à “terra prometida”, todos são bem-vindos para engrossar os colonatos que usurpam terras aos árabes.
- 10 Biliões em créditos sem garantias desde 1990 e mais 9 Biliões em 2004, mais diversos biliões de que não existem dados contabilizados, para pagar a guerra do Líbano em 2006, e a continuação da guerra na Palestina. Da mesma forma, desde 1981, ajuda económica feita em transferências “em cash” em quantidades não especificadas, e desde 1985 em ajuda militar.
- 45 Biliões em repagamentos de créditos não pagos desde 1974, mais respectivas custas, em dinheiro livre de impostos sacado aos bolsos e à revelia dos contribuintes americanos.
- Desde 1982, transferências em fundos de cash ESF feitas anualmente sem juros incorporados nem prazos de pagamento, enquanto no que concerne a outros paises, pelo contrário, quando os recebem, os pagamentos são rigorosamente monitorizados trimestralmente. Israel investe esse dinheiro na aquisição de “fundos do tesouro USA”, concertando a obtenção de outros “fundos FMS em condições especiais” que têm custado aos contribuintes americanos mais de 1 Bilião de dólares anualmente desde 1991. (US treasuries special FMS funding arrangements)
- Benefícios privilegiados, incluindo financeiros, em ajuda para desenvolver a indústria de Defesa, transferências de tecnologia de ponta incorporada nas últimas novidades de armamento oriundo dos EUA, garantia de acesso facilitado ao petróleo.
- Ajuda maciva disfarçada por acções de paises terceiros defraudando os contribuintes locais (caso de Portugal) suportando custos especiais para o plano de “desocupação de Gaza”, mascarando a ocupação de outras partes com novos colonatos (OPT plan) que Israel deseje anexar, ou influenciar, como no Líbano.
- Junte-se a tudo isto 22 Biliões de dólares que Israel obteve nos últimos 50 anos através da venda de acções por baixo custo em empresas cotadas em bolsa, que depois se valorizam de modo ficticio, financiando assim o seu desenvolvimento – tendo em conta que o objecto do “mercado local” significa guerra imperial predatória com acções militarizadas na colonização e expansão para territórios ocupados na Palestina

James Petras explica que a estrutura do Poder Sionista nos EUA torna tudo isto possivel, mas que elas se extendem bem para além daquilo que é chamado o “Lobie Judaico”. Ele identifica a “configuração do poder sionista” (na sigla em inglês ZPC - "Zionist Power Configuration) que inclui a AIPAC apenas como uma parte de uma “complexa cadeia de grupos formais e informais inter-relacionados, operando internacionalmente, a nível nacional, regional e local” suportando incondicionalmente o Estado de Israel, incluindo as suas guerras, colonizações e todas as suas políticas de opressão (ler mais)

O Poder de Israel nos Estados Unidos” é dividido em quatro capítulos. A recensão feita no site “Information Clearing House.Info” cobre cada um deles em detalhe e, aquilo que se discute poderá parecer surpreendente para o leitor menos familiarizado com este género de factos aqui devidamente fundamentados. No resumo de introdução apresenta-se o que vem a seguir, mais pormenorizadamente.
Petras anota o que outro autor, J.J. Goldberg, transmitiu noutro livro: “Jewish Power: Inside the Jewish Establishment” – Goldberg descreve como, desde o princípio dos anos 90, 45 por cento do financiamento do Partido Democrata e 25 por cento dos que apoiam os Republicanos são provenientes de contributos dos “Comités de Acção Política” (from Jewish-funded Political Action Committees (PACS). Aqui o autor actualiza os números, usando aqueles que foram publicados recentemente por Richard Cohen no “Washington Post”, que mostra, nada mais nada menos que a percentagem dos financiamentos judeus dos dois partidos chave da pseudo-democracia yankee atingem agora 60% e 35% respectivamente – anotando que estes financiamentos se referem apenas aos processos fulcrais de suporte incondicional da agenda de Israel, incluindo o activismo de certos insuspeitos grupos contestatários dos “direitos humanos” e “objectores de consciência” tidos como menos ortodoxos no combate às ilegalidades sionistas, que só reforçam e credibilizam essas mesmas políticas.
Nenhum outro simples lobie, uma actividade legal nos EUA, incluindo os das “Big Pharma”, “Big Oil”, do “Agronegócio”, ou qualquer outro com alguma espécie de influência dominante determina aqui desta forma os processos políticos. Esta singularidade origina aquilo que é chamado de “Siocons”, os ideólogos e “fazedores de políticas” cujo objectivo principal é transformar o Médio Oriente em terreno de instalação de uma espécie de empresa “USA-Israel-Esfera-de-Prosperidade,Inc.”, sob a capa fraudulenta de promoção da democracia na região – feita através do despejo de sucessivos barris de pólvora.
James Petras explica as raízes do “Poder do Lobie Judeu” que radicam em grande proporção nas famílias tradicionais judaicas residentes nos Estados Unidos, as de maiores rendimentos e mais influentes no país. Cita-se a revista Forbes que reporta que, da totalidade da população , cerca de 30% das famílias americanas mais prósperas são de Judeus. Elas incluem bilionários de enorme influência que integram o Lobie Judeu, que criaram um “poder tirânico de Israel sobre os Estados Unidos”, com graves consequências na desestabilização da paz no mundo, na economia global e para o futuro da democracia neste país.
(fonte)

domingo, setembro 02, 2007

fim de Agosto, Lixo largado na praia,,,

– monumento ao civismo de banhistas, pescadores, campistas e outras aves de arribação.

Não, não é uma, instalação num qualquer museu de arte pseudo-moderna, destinada a ser varrida pela mulher a dias no dia seguinte à confecção; trata-se de uma Escultura recolhida nuns breves 30 minutos em 50 metros de areal, ainda assim em zona não muito frequentada; Inventário:
1 funil, uma luva e uma bota de borracha, tudo na côr laranja; 1 jarrican, 1 lâmpada de 60 watts, 3 embalagens de yoggi, 2 garrafões de água de 5 litros, 34 caixas de isco para pesca, 9 caixas de minhoca, 1 tampa de chassi de carro em pvc, 1 esponja, corda e bocados de esferovite diversos, 2 embalagens de nectar compal, 2 sacos de plástico com restos de jornal, 1 frasco de bronzeador, 2 latas de sardinha ferrugentas, 1 sunny-delight, 1 chinelo, 1 tubo de silicone, 1 lata de ice-tea, 1 sprite com ex-sabor a pêssego, 1 resto de tijolo de demolição, 2 yogurtes, 1 lata de atum em posta, 2 garrafas de 7 decilitros e meio, uma com rolha de cortiça, 1 copo de plástico partido, 1 lata de coca-cola, 18 garrafas de cerveja de 0,33, 1 capri-sonne safari fruits, 1 baton, 7 maços de tabaco, 1 pilha, 1 tampa de lata saltarelle, 7 garrafas de água de litro em plástico

sábado, setembro 01, 2007

varrer os crimes para debaixo do tapete da história

o General Petraeus desfruta de uma vantagem: não foi eleito, e disfruta do apoio de ambos os partidos, da Casa Branca, do Congresso e dos meios de comunicação.
(para ler aqui)

Eleições nos EUA: Justiça e perversão e a perversão da justiça.
(para ler aqui)
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sexta-feira, agosto 31, 2007

EUA - a escolha entre as duas opções Sionistas

Se bem que a generalidade dos comentadores internacionais atribua à guerra do Iraque a causa de todos os males que vão estando na origem da desgraça americana – todos os candidatos inscritos no espectáculo eleiçoeiro do próximo ano concordam em que a política de continuidade da estabilização da invasão daquele importante país produtor de petróleo do Médio Oriente é para manter.

Todos concordam?, Não. Há um, pouco ou mesmo nada conhecido no exterior dos Estados Unidos, que vem afirmando frontalmente estar contra a impopularíssima politica de intervenção externa da que tem sido até aqui a única superpotência. Política essa que tem sido igualmente a causa da queda em desgraça de Bush e seus sequazes na opinião pública interna. Como se calcula e vai vendo, uma coisa é o imperialismo e as máscaras diplomáticas que lhe escondem os crimes a nível externo, outra coisa é o discurso mediático populista a nivel interno, que tenta dar resposta às aspirações mais profundas do americano médio que desespera por não ver voltar o país (melhor dito, seria conglomerado de Estados) à normalidade (que, de facto, nunca existiu, embora essa ideia de prosperidade lhes tenha sido induzida, à força e por via das desgraças alheias, enquanto o poderio militar deu boa conta da empresa). É no discurso declaradamente anti-guerra, para consumo das massas ignaras, que joga o candidato republicano Ron Paul – que aqui fica desde já apresentado como sendo a lebre do Sionismo na grande corrida de 2008.

Ron apoia uma política externa não-intervencionista para os EUA e defende o retorno imediato das tropas americanas que se encontram no Iraque. Até Julho de 2007, a sua campanha recebeu mais doações de empregados das forças armadas do que as de todos os outros candidatos juntos

Sabendo como os Sionistas são mestres em criar antagonismos fictícios, especializados em armar dois campos opostos (simples maniqueismo, para que toda a gente compreenda), enquanto subtraem lucros de ambos os lados, Ron Paul é a lebre ideal: apanha mais adeptos entre gente bem intencionada que os electrocutores de insectos dos pseudos democratas apanham moscas. A maior percentagem de potenciais eleitores, todos eles com doações individuais até 200 dólares são neste momento captadas por este “candidato”. Mas afinal quem é o bicho? - Ron Paul é versado em filosofia económica, ferrenho adepto da Escola Austríaca de Economia, sendo autor de vários livros sobre o assunto. Tem retratos de Friedrich von Hayek, Ludwig von Mises e Murray Rothbard pendurados na parede de seu escritório. Eis portanto um neoliberal puro – a politica do balão de ar sempre a encher seguida desde a década de 70, responsável pelo beco sem saída onde se encurralou o sonho americano.
Para se aquilatar das patranhas Sionistas dificeis de engolir por qualquer inteligência mediana, aqui fica uma resenha do momento de glória do candidato: um debate televisivo com outro republicano, o ex-chefe-dos-bombeiros-novaiorquinos-herói-do-11-de-Setembro-Giuliani

PAUL: Você já tentou discernir sobre os motivos pelos quais nos atacaram? Eles atacaram-nos porque nós estivemos lá. Bombardeámos o Iraque durante 10 anos. Estivemos no Oriente Médio durante muitos mais anos. Eu acho que [Ronald] Reagan estava certo. Nós não entendemos a irracionalidade da política do Oriente Médio. Agora mesmo, estamos a construir uma embaixada no Iraque que é maior que o Vaticano. Estamos construindo aí 14 bases permanentes. O que diríamos se a China estivesse a fazer isso no nosso país ou no Golfo do México? Nós estaríamos a protestar. Precisamos olhar para o que fazemos sob a perspectiva do que aconteceria se alguém fizesse isso connosco.
MODERADOR: O Sr. está sugerindo que os convidámos a fazer os ataques de 11 de Setembro?
PAUL: Estou sugerindo ouvirmos as pessoas que nos atacaram e as razões que os motivaram, e eles estão felizes por estarmos lá pois Osama bin Laden disse, "Estou contente por vocês estarem na nossa areia porque podemos atingí-los muito mais facilmente." Eles desde então já mataram mais de 4 mil dos nossos homens, e eu acho que isso foi desnecessário.
GIULIANI: Essa é uma afirmação extraordinária. Essa é uma afirmação extraordinária, para alguém que sobreviveu ao ataque de 11 de setembro, que nós os convidámos a atacar porque atacámos o Iraque.
PAUL: Eu acredito muito sinceramente que a CIA está correcta quando ensinam e falam sobre blowback. Quando fomos ao Irão em 1953 e instauramos o regime do Xá, sim, houve blowback. A reacção foi o sequestro dos reféns, e essa é uma sequela que persiste. E se nós ignorarmos isso, fazemo-lo sob nosso próprio risco. Se acharmos que podemos fazer o que quisermos pelo mundo fora sem incitar ao ódio, então temos um problema. Eles não vêm aqui atacar-nos porque somos ricos e livres, eles vêm e atacam-nos porque estivemos lá
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quinta-feira, agosto 30, 2007

o caso Somague

depois deste blogue ter passado dois anos e picos a tentar passar a ideia de que nenhum dos partidos com assento parlamentar (onde só tem lugar quem assumir o jogo do neoliberalismo) poderá resolver a crise do capitalismo, eis que, em tudo o que é orgão de comunicação corporativa, os recados que vão sendo dados já vão coincidindo com as ideias aqui expressas,,,

"o Caso Somague mostra como o poder económico domina quase totalmente os centros de decisão em Portugal"
Honório Novo, Jornal de Notícias, 27 Agosto 2007

“Esperemos que, quando Durão Barroso der as explicações que tem a dar sobre este assunto, elas venham num português claro e incorrupto”
Riu Tavares, Público

“Os raquíricos 233 mil euros pagos ao PSD são obviamente a ponta do icebergue, de um sistema que vive há muitos anos de financiamentos e empresas que precisam do Estado e dos partidos para serem beneficiadas em negócios e protegidas da concorrência interna e externa”(...) o complexo empresarial salazarento nasceu e cresceu na ditadura, sobreviveu à revolução e está como peixe na água nesta democracia”
António Ribeiro Ferreira, Correio da Manhã, idem

“Ainda há muito a fazer pela liberdade em Portugal”
João Marques, C.M., ibidem

“Com a vitória de Cavaco Silva formou-se, entre o lobie de interesses que apoiam esta Presidência da República e o Governo do PS, uma espécie de Bloco Central ao mais alto nivel do Estado – cujo espaço de consonância e “cooperação institucional” é a radicalização das politicas anti-sociais decorrentes do Pacto de Estabilidade e Crescimento”
Fernando Rosas, 2006

"As “reformas” são impostas or Bruxelas – a direita, leia-se Cavaco, está encantada com este PS, que faz por ela o trabalho sujo. “A Direita tem no Governo “o veiculo ideal para satisfação dos seus objectivos. (...) O regime é hoje praticamente apolitico e tende a rejeitar tudo o que perturba a paz da rotina”
João Cravinho

“É estranho que o binómio PS/PSD que tem governado o país nos últimos 25 anos não queira assumir as despesas do novo debate de ideias”
Miguel Pacheco, Diário Económico, Agosto 2007

“Quem é politico e domesticável deve ser remetido para o escalão dos animais domésticos”
João Cravinho

“A falta de normas concretizadoras de normas pragmáticas (...) determina inscontitucionalidade por omissão. A violação por formas contrárias, directamente ou por revogação das normas concretizadoras, equivale a inconstitucionalidade por acção”
Prof. Jorge Miranda, in “Escritos Vários sobre Direitos Fundamentais” Edit. Princípia

“Alguns aspectos da turbulência politica a que temos vindo a assistir lembram irresistivelmente o PREC, agora engravatado, constitucional, e de sinal contrário”
Teodora Cardoso

"Se nada nos incomoda é porque estamos mortos"
Movimentos no Escuro, José Miguel Silva

“Temos de nos questionar quando o crescimento económico em Portugal ronda 1 por cento, o crescimento da Bolsa ronda os 20 por cento e os lucros dos Bancos aumentam 80 por cento (...) a Europa transformou-se no estopim de um barril de cólera (...) a crise do capitalismo é uma evidência, que nem os seus turiferários já ocultam”
Baptista Bastos, JN 25/11/2005

“Pedimos desculpa por esta democracia. A ditadura segue dentro de momentos”
frase anarquista grafitada nos muros de Lisboa em 1975

quarta-feira, agosto 29, 2007

Carta Aberta a Charles Darwin


Hélder Costa, dramaturgo e encenador de “A Barraca”

“Hesitei imenso em lhe escrever pois receio que lhe vá causar preocupações que possam agravar as suas enxaquecas e outro males físicos. Mas recordando a tenacidade intelectual com que defendeu as suas descobertas contra a ignorância reinante, achei que não merecia o silêncio com que se ocultam notícias desagradáveis a fraca gente.
Meu caro Darwin, o seu nome está na moda! Hoje, a paz no mundo está ameaçada pela agressão belicista à escala mundial por parte dos Estados Unidos da América. É verdade, meu caro Darwin, são os descendentes do Mayflower... quem diria? Mas há um dado novo: as armas, os satélites espiões, o napalm, a corrupção de Estados lacaios, a tortura, a droga, o gaz mortífero, tudo isso se revela insuficiente como provam as derrotas do Exército USA um pouco por toda a parte.
Então o que é necessário? Atacar as ideias, destruir os avanços da civilização, restaurar a boçalidade e o primitivismo, apostar na ignorância, no misticismo, no esoterismo. Para, mais facilmente, se manipular o povo-marionete. E é aqui que a sua teoria da evolução das espécies é combatida com o renascer da teoria do criacionismo. É verdade, meu caro Darwin! No seu tempo teve de se demitir da Sociedade Britânica de Geologia porque os seus colegas cientistas eram da Igreja Angelicana e acreditavam piamente na Bíblia e a Sociedade Linneana considerou o seu estudo e também o de Wallace sem algum interesse científico, mas a sua ideia fez o seu caminho e triunfou.

<Francisco Goya y Lucientes: o Macaco pinta o retrato ao Burro dando-lhe ares de Leão

No fim do século XIX Engels escreveu um pequeno texto fascinante – “O papel do trabalho na transformação do macaco em homem” – onde provava que o esforço de procurar alimentação ou a necessidade de defesa iam criando adaptações à mão, o que demonstrava que o trabalho era o verdadeiro motor do desenvolvimento. E foi com trabalho, com a observação, o empirismo, que os nossos antepassados primitivos descobriram a arte de semear e cultivar, o movimento das marés, da lua, inventaram o calendário, o dia, o mês, o ano, e mais investigação e mais estudo desenvolveram a Ciência, e assim reinventaram a vida. Os milhares de estudos que acabaram por provar que os seres vivos existiam devido a mudanças, transmutações, evoluções, e tudo tinha sido criado por fenómenos físicos, materiais, foram miraculosamente enterrados na poeira do tempo e substituidos por um acto misterioso, inacessivel, não comprovável, de um Deus desconhecido.

A ofensiva é grave, caricatural, disparatada, mas faz o seu caminho: nos EUA o criacionismo tem a sua praça forte em terras da Ku-Klux-Klan, é estudado nas Universidades, em vários Estados Darwin é proibido – assim como na Polónia e outras tentativas na Alemanha – abriram um “Museu” (um sítio onde se assiste ao vivo a aparições) em que Adão e Eva vivem com dinossauros (!), e defendem que a criação do mundo é ipsis verbis a narração do Génesis!
Para perceber a importância desta ofensiva contra o conhecimento e esclarecimento, talvez seja bom recordar o incêndio da biblioteca de Alexandria que provocou o retrocesso científico e cultural talvez de milhares de anos, o novo ataque, na Idade Média, da Inquisição e do radicalismo islâmico contra os ventos do progresso e do Iluminismo, e etc. etc. Hoje, com a descoberta do ADN e viagens interplanetárias surge – dir-se-ia oportunamente – o Criacionismo mais boçal!
Meu caro Darwin, deixe-me dedicar umas palavras a Emma, a sua querida mulher e companheira de luta que sempre defendeu o direito a ser religiosa, ao contrário do seu agnosticismo. Emma, note que este ataque da Religião contra a Ciência está a ser sublinhado com uma nova linha radical da Igreja Católica. O bispo Ratzinger, tristemente célebre por ter interrogado Leonardo Boff, da Teologia da Libertação, sentando-o na mesma cadeira onde Galileu tinha sido interrogado, é hoje o Papa Bento16. Criticou o criacionismo ipsi verbis, mas defendeu a existência de outras teorias além da de Darwin porque não era verificável, o latim volta a ser utilizado nas missas, e acabou de declarar que o catolicismo é a única religião verdadeira combatendo o ecumenismo religioso!
Felizmente, queridos Emma e Darwin, estas ofensivas contra a inteligência não estão a triunfar. Na esteira de Darwin e milhares de outros, muitos foram alertados e compreenderam que o TRABALHO actual é, mais do que nunca, esclarecer, discutir, polemizar, impedir o renascimento do obscurantismo. Para prevenir a Paz, ao contrário de prevenir a Guerra, basta saber que a IDEIA é mais importante que qualquer Arma.
Beijo-vos afectivamente”.

(texto publicado no Jornal de Letras, nº960 de 18 Julho/07)

terça-feira, agosto 28, 2007

a Preto e Branco

O pai de Barrack Obama nasceu no Quénia e, em boa hora emigrou para os States onde casou com uma americana branca. Conseguido o gene providencial, Obama, branco quanto baste, é agora uma história de sucesso: o mais sério candidato a nº 2 da presidenta Hilária – o politycal star system yankee, consoante a gravidade da crise de credibilidade, precisa sempre de um híbrido para lhe dar côr (e já agora a esperança de que vive a grande mole dos oprimidos, enquanto não morrem de desistência). Ontem tinha sido Colin Powell, anteontem Sidney Poitier, talvez mesmo o sargento Rutledge.
Longe destes filmes de orçamentos astronómicos, na distante terra-do-nunca da Mãe-África, o supracitado Quénia, vai entretanto grande alvoroço, a "Obamania"! – por via do êxito do chavalo Obama, não há cão nem gato, de entre algumas centenas ou mesmo milhares, que não ande a escavar fundo na árvore geneológica em busca da inesquecivel honra de pertencer à tribo dos Obamas, e talvez por essa via reinvindicar um qualquer prato de lentinhas servido a crédito por uma qualquer Fundação imaginária, talvez com o nome do avô Obama, prolixo marido de muitas mulheres boas parideiras como manda a tradição e a tusa africana. Nos antípodas do pai preto Obama, por aqui, pelo protectorado Portugal, reina quase igual euforia entre os bastardos, mas em branco: não há gato liberal nem cão neoliberal que não ambicione ser filho da mãe americana.

Espólio: utensilios em metais preciosos, joias em ouro e diamantes, recipientes emprenhadores - o guerreiro Bárbaro, ao abrigo da lei que vai conseguindo impôr, toma posse dos despojos obtidos na guerra
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segunda-feira, agosto 27, 2007

Expulso por um bom motivo!

Bertolt Brecht

Eu cresci como filho de gente abastada.
Meus pais puseram-me a usar colarinho branco,
e educaram-me no hábito de ser servido.
Ensinaram-me a dar ordens.
Mas quando já crescido, olhei à minha volta
Não me agradaram as pessoas da minha classe
e juntei-me à gente mais humilde.

Assim eles criaram um traidor,
ensinaram-lhe a sua arte,
e ele denunciou-os ao inimigo.
Sim, eu conto-lhes os seus segredos.
Fico entre o povo e explico
Como eles trapaceiam, e digo o que virá,
pois estou a par dos seus planos.
E o latim dos seus clérigos corruptos
Traduzo palavra por palavra em linguagem comum,

Então Deus revela-se uma farsa.
Tomo a balança da sua justiça
e mostro os pesos falsos.
Os seus informadores relatam
que me encontro entre os despossuídos,
quando tramam a revolta.
Eles me advertiram e apropriaram-se do
Que ganhei com meu trabalho.
E quando me corrigi eles tentaram caçar-me, mas
Em minha casa encontraram apenas escritos
que expunham as suas tramóias contra o povo.
Então enviaram-me uma ordem de prisão
Acusando-me de ter idéias baixas, isto é
As idéias da gente baixa.
Aonde vou sou marcado
Aos olhos dos proprietários.
Mas os espoliados lêem a ordem de prisão
E me oferecem abrigo. Você, dizem
Foi expulso por um bom motivo.