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quarta-feira, julho 25, 2012

Músicas do Mundo

a Câmara Municipal de Sines foi durante muitos anos gerida pela CDU. Até que o presidente Manuel Coelho se fez dissidente do PCP, concorreu às autárquicas seguintes como independente e ganhou a eleição, mantendo o cargo. Desde então os aparaticks do Bloco de Esquerda e respectiva fauna intelectual novi-social-democrata têm feito os possiveis e impossiveis para ficarem na fotografia.


2012. No âmbito cultural do Festival são convidados Pedro Matos (funcionário da ONU) e Rui Tavares (Eurodeputado). Este último não apareceu. O tema da conversa é “A Criação de Novos Países e a Ideia de Identidade Nacional”. Dito em dialecto bloquista parece uma grande novidade, porque o tema aqui não é tratado segundo a velhinha noção de “Nation Building” imperialista. A frase chave é a do “patamar elevado para a Democracia, Direitos Humanos e Liberdade definidos pelo Ocidente – conceitos enunciados in abstracto e assumidos por Pedro Matos – Para esta corrente ideológica o fardo do homem branco em civilizar e libertar os indigenas de todo o mundo continua a ser um direito adquirido natural desde o século XIX como o foi então pelo colonialismo.


Contam-se estórias de encantar almas simples, que falam em nome do Bem do direito de intromissão nos assuntos internos de outros paises ou regiões. Da intervenção que origina a separação do Sudão em dois paises. A “fronteira” passa mesmo pelo meio dos vastos campos de Petróleo, obrigando assim a uma zona excluida de acções militares das partes em conflito, envolvendo a ONU numa meritória acção de policiamento que deixe as multinacionais petroliferas trabalhar em paz – enquanto por outro lado as débeis estruturas politicas dos dois lados são confrontadas com o pagamento da dívida externa que entretanto contrairam com o Ocidente. O “povo sudanês” (leia-se, a multidiversidade de tribos do Sudão) votaram pela separação do país, (algo que não existia). Como? Manipuladas. Como a maioria é analfabeta, os boletins de voto têm figuras em vez de letras e palavras. Sim ou Não, assim o sinal de 1 punho erguido colocado à direita é o simbolo pelo qual se vota na Separação. Colocar o dedo pintado sobre 2 punhos entrelaçados conta como um voto na continuação do Sudão como um só país com um governo único. Ora, punhos erguidos com o braço esquerdo segundo a religião islãmica é ofensa e sinal de blasfémia grave. Resultado, em “eleições livres” 98% dos sudaneses votaram na separação, ou seja, na mãozinha da direita (sob o alto patrocinio da ONU). Tal e qual os nossos indigenas votam no PS a pensar que votam no socialismo e na liberdade.


A lista de intervenções ocidentais deste tipo é longa e continua. Recentemente temos os casos do Iraque (que todos reconhecem estar pior que sob o regime de Saddam), Timor, onde os mais importantes poços de petróleo ficaram para os aliados australianos, da Líbia onde a guerra civil continua, havendo fortes possibilidades de separatismo entre regiões, da Síria condenada por ser potencial aliada do Irão; que se seguirá?


O mais inquietante e assustador é o tom “neutral” com que os funcionários da ONU falam - e a assistência interioriza passivamente como a coisa mais natural deste mundo - das intervenções armadas ou financeiras como se estas fossem perfeitamente justificáveis, benignas e aceites à luz do direito internacional - para banir ditadores execráveis e instaurar a liberdade e os “direitos humanos”, como conceito abstracto - porque para assegurar o multiculturalismo e a soberania dos povos em concreto com Direitos Económicos, Sociais e Culturais nem piam
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