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terça-feira, julho 21, 2009

Os seis meses de Obama e a reflexão de Amin Maalouf

"Fixem-se naquilo que nós fazemos, não naquilo que dizemos!" foi uma famosa frase de Nixon, que parodiava as técnicas de contra- informação. Continua plena de actualidade.

«Na Conferência que pronunciou em Lisboa o escritor Amin Maalouf fez uma apologia apaixonada do actual Presidente dos EUA. «Essa pessoa – afirmou – também nos representa». Numa entrevista ao Público expressou a convicção de que o futuro da humanidade, quase a sua sobrevivência, depende do êxito da estratégia de Barak Obama. O eventual fracasso do presidente, na sua opinião, «seria uma tragédia para a América, para o Ocidente e para o Mundo»

"Em tempos de crise, a ideia do salvador que liberte os homens do sofrimento acompanhou a humanidade ao longo de toda a sua existência. Essa ideia errada que a história sempre desmentiu, foi agora defendida em Lisboa por Amin Maalouf, elevando Obama à categoria de Messias. Mas basta acompanhar no seu percurso sinuoso a lenta marcha do grande rio da História para se compreender que as grandes transformações que contribuíram para o progresso da humanidade não resultaram da intervenção de salvadores providenciais”
Miguel Urbano Rodrigues, em "O Diário"

* Os EUA gastam 100 milhões de dólares por dia na guerra do Afeganistão e mais 7 milhões na sua reconstrução - são recursos ocultos que financiam razões ocultas.
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segunda-feira, julho 20, 2009

Uma Segunda Juventude (II)

o holocausto, segundo Mircea Eliade

“(...) como toda a gente sabe, sei o que nos espera: a bomba de hidrogénio e tudo o resto. Mas, ao contrário dos outros, eu tento encontrar um sentido para esta catástrofe eminente e tento aceitá-la, como nos ensina o bom velho Hegel.

No seguimento das guerras nucleares que vão ocorrer, várias civilizações, a começar pela civilização ocidental, serão destruídas. Estas catástrofes provocarão necessariamente uma vaga de pessimismo como a humanidade jamais conheceu, um desalento geral. Mesmo que os sobreviventes não cedam à tentação de se suicidarem, pouquíssimos conservarão vitalidade suficiente para esperar ainda algo do homem, para esperar uma humanidade superior à espécie Homo sapiens. Descobertas e decifradas então, estas confissões poderiam contrabalançar o desespero e a vontade universal de extinção. Apenas porque ilustram as possibilidades mentais de uma humanidade chamada a nascer num futuro longinquo (...)

O verdadeiro sentido do cataclismo nuclear só pode ser um: a mutação da espécie humana, a aparição do super homem. As guerras atómicas, tenho a certeza, aniquilarão povos e civilizações, transformarão num deserto uma parte do nosso planeta. Mas esse é o preço que temos de pagar para liquidar radicalmente o passado e forçar a mutação, ou seja, a aparição de uma espécie infinitamente superior ao homem de hoje. Só uma enorme quantidade de energia eléctrica, descarregada em algumas horas ou alguns minutos, poderá modificar a estrutura psico-mental deste infeliz Homo sapiens que dominou a história até aqui. Dadas as possibilidades ilimitadas do homem pós-histórico, a reconstrução de uma civilização planetária poderá realizar-se num tempo recorde. Evidentemente, apenas alguns milhões de indivíduos sobreviverão. Mas eles representarão alguns milhões de super-homens. Eis porque utilizo a expressão escatalogia da electricidade: tanto o fim como a salvação do homem ficarão a dever-se à electricidade.
- Mas porque é que tem tanta certeza de que a electricidade descarregada pelas explosões nucleares provocará uma mutação progressiva? Poderá igualmente determinar uma regressão da espécie.
- Não tenho a certeza, mas quero crer que será assim. De outro modo, nem a vida nem a história do homem teriam um sentido”

clique na imagem para ampliar

* as coisas parecem não estar a ficar boas para a Humanidade: "o Pentágono está a trabalhar num projecto de robots que comem carne, por exemplo, de cadáveres - isto pode vir a ser uma combinação da mecânica do século XIX com a tecnologia do século XXI, misturadas com o filme de terror do século XX"
(saber mais aqui)

* "da II Guerra à III Grande Guerra, a remilitarização da Alemanha"
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domingo, julho 19, 2009

Walter Cronkite RIP

Morreu aos 92 anos o pivot de televisão que fazia o mundo inteiro acreditar que tudo o que dizia eram factos. Deixa um lugar cativo vazio na "Comissão Trilateral" na quinta de Bohemian Grove, Califórnia, onde se iniciam em ritos satânicos os decisores que influenciam por sua vez outros "spin doctors" de mais baixa estirpe, tais como as individualidades do CFR designados pelo Complexo Industrial Militar e os convidados do Grupo Bilberberg.
Para além de Cronkite (na foto mascarado para um dos ritos de iniciação de novos participantes), temos por ordem de antiguidade alguns dos notáveis ainda em exercicio pleno de "tráfico de influências": David Rockefeller Sr., o filho Junior e outros familiares, Henry Kissinger, George Herbert W. Bush, Paul Pelosi, Colin Powell, Kenneth Starr, James Woolsey, Donald Rumsfeld, Riley Bechtel (da famosa Bechtel Corporation), e mais, muitos mais,,, (Ver os protestos à entrada da conferência deste ano)
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sábado, julho 18, 2009

Michelle

São conhecidas as peripécias de novo riquismo da primeira dama angolana Ana Paula Santos quando se desloca ao Rio de Janeiro, ou a outras cidades, no avião privado da presidência e fecha o centro comercial para poder efectuar as luxuosas compras em segurança. Quem pensa que isto é coisa de cacique africano corrupto imune à miséria circundante, engana-se, (ou acerta, depende do ponto de vista). Na verdade na recente viagem à Europa do presidente Barrack Obama, enquanto este seguiu para os compromissos oficiais (salvo erro no Egipto, para a famosa arenga da conciliação das civilizações), Michelle Obama e as duas catraias resolveram tirar mais uns dias de férias e permaneceram em Londres, juntamente com um Boeing 757 para um tour aéreo sobre a cidade e uma esquadra de viaturas blindadas e respectivas equipas de seguranças armados; que encerraram um quarteirão no xiquérrimo bairro de Mayfair quando Michelle, Malia e Sacha resolveram ir lanchar a um desses pubs da moda.

Entretanto, tudo isto se passa enquanto milhões de norte americanos perderam os empregos e nem sequer terão hipóteses de sair de casa nas férias de verão - e sabemos que, muitos de vós são os executivos a quem no passado mês de Fevereiro Obama admoestou – para que não gastassem dinheiro em coisas supérfluas: “Vocês não podem andar de jactos privados das corporações, não podem tirar fins de semana para ir jogar a Las Vegas, nem ir à inauguração do Super Bowl com um cêntimo que seja do dinheiro dos contribuintes”
Peace brothers! Para armar aos cucos Malia usa uma camiseta com o simbolo da paz

sexta-feira, julho 17, 2009

a Angola do Zedu

400 anos de colonização, 13 anos de guerra de libertação colonial e 30 anos de guerra civil - tudo isto para que por fim, Angola uma das maiores riquezas do mundo em recursos naturais, tivesse acabado exausta na mais tenebrosa dependência económica dos mesmos interesses ocidentais de sempre. São aliás estes, os que historicamente sempre levaram os ditadores africanos ao colo em nome da corrupta e abjecta riqueza da clique dirigente. Desde os tempos em que os régulos do litoral luandense enriqueciam a vender escravos que estes sempre foram os maiores carrascos dos seus povos e os melhores amigos daqueles que os escravizam e exploram. No essencial, a Luanda de hoje não mudou nada desde 1648
















"O que Dos Santos disse ao Mundo", no blogue Pitigrili, 11 de Julho de 2009:

"(...) no âmbito do financiamento da Balança de Pagamentos, gostaríamos de solicitar também renegociações da dívida externa com o Clube de Paris, que constitui um pesado ónus para muito dos nossos países e que seja garantido o princípio da concessão de uma moratória longa no pagamento do capital e juros dessa dívida.
No caso do meu país, por exemplo, este encargo financeiro faz com que a conta de capitais da Balança de Pagamentos fique num défice estimado em um bilião e quatrocentos milhões de dólares, o que contribui para que o seu défice final chegue a quase 6 mil milhões de dólares.

Tendo em conta o agravamento recente dos efeitos da crise, seria de grande ajuda para Angola se os países do G-8 membros do Clube de Paris pudessem concordar com uma derrogação dos prazos de pagamento do remanescente do pagamento de juros de mora, no valor de USD 600 milhões, previstos para o segundo semestre deste ano, até que fosse superada a fase mais crítica e a recuperação económica pudesse ter lugar.
No capítulo das parcerias público-privadas, faria sentido que o FMI e os representantes das instituições financeiras acima referidas definissem, em discussões separadas, com os órgãos dirigentes das cinco sub-regiões africanas de desenvolvimento, estratégias de apoio ao desenvolvimento baseadas em financiamentos concessionais destinados ao sector público para a reconstrução e construção de infra-estruturas e em financiamentos para o sector privado com

vista à criação de capacidades locais de produção de bens e serviços, fomentado deste modo o surgimento de micro, pequenas e médias empresas com viabilidade económica, gerando emprego e riqueza"

podiam, podiam ...

"
Estas estratégias (com a garantia de qualidade do pai da pátria) podem contemplar igualmente programas de assistência com vista ao aperfeiçoamento da Administração e gestão das Finanças Públicas e apoio ao esforço dos Estados no combate à corrupção e ao desvio de fundos públicos (...)" (texto completo aqui)

do principio da Dívida

quinta-feira, julho 16, 2009

Qual a missão dos soldados portugueses no Afeganistão?

"Para Severiano Teixeira as bombas de Obama são completamente diferentes das de Bush!!!" (no Vigia)

Ninguém sabe, pelo menos entre os portugueses, porque tão decisivo assunto nunca foi presente a votação no Parlamento. Tão pouco se sabe como estas missões são financiadas, uma vez que, com a subida à presidência de Cavaco Silva o orçamento decidido pela NATO, foi desanexado do nosso orçamento geral do Estado. Neste caso estamos como nos off-shores, ninguém sabe ao certo quem tem o dinheiro e o que é decidido em favor de quê. Um coisa podem ter como certa os governantes nacionais: correm o risco de conotação com vulgares criminosos de delito comum. Como por exemplo, com o ex-vice-presidente Dick Cheney que manteve desde 2001 um programa secreto de assassinatos selectivos que funcionou (funciona?) pelo mundo inteiro. Karl Rove, o assessor que se celebrizou pelo cognome de "Os Miolos do Bush" (e por extensão de todos os decisores portugueses subservientes das imposições da NATO) à laia de desculpa sempre foi dizendo que "É muito perigoso dar este tipo de informações ao Congresso" (e por extensão, muito menos por cá, ao insignificante Parlamento português) - eis como funciona a guerra secreta contra "o terrorismo" onde todos estamos envolvidos à força - e o respeito que esta canalha tem pelos "orgãos de representação democráticos".

da natureza das missões:

Começou em Londres um inquérito público sobre o caso do iraquiano detido e levado sob prisão pelas tropas britânicas em 2003. Baha Mousa foi preso pelos soldados em Bassorá e morreu 36 horas depois, tendo-se descoberto que tinha mais de 90 ferimentos no corpo. (ver vídeo)

É o costume; a nossa guerra colonial também está cheia de episódios deste género de “heróicos mortos em combate” - a Aljazeera obteve testemunhos que reportam que as tropas norte americanas bombardearam uma das suas próprias bases, causando inúmeros feridos e 3 mortos, cujas causas foram depois atribuídas a ataques dos talibans (ver vídeo)

Atascado num lamaçal do mesmo género do Vietname, o imperialismo não olha a meios: a CIA tinha (tem e terá, enquanto a organização não for extinta) um programa clandestino de assassinato de lideres de regimes de oposição (como com Fidel Castro quando não existia ainda a "AlQaeda"). Afinal a prática norte americana já é antiga. Teve inicio na década de 50 logo após o fim da guerra, com o exterminio dos quadros do Partido Comunista das Filipinas que se tinham rebelado desde 1942 contra a ocupação japonesa e granjeado enorme prestígio popular. O episódio ficou conhecido como "a rebelião dos Huks"

ps: a saga continua. Para levar em conta as intenções de mais um agente

* Honduras: "seguindo a pista do dinheiro que pagou o golpe"
(ler mais)

* "a CIA é suspeita no assassinato da lider da oposição paquistanesa Benazir Bhutto"

* Não depende dos 2 partidos, mas do Complexo Industrial-Militar - "A memória selectiva dos Democratas sobre os assassinatos: Clinton consentiu-os e Obama também consentirá que se façam"
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quarta-feira, julho 15, 2009

Deus como Paciente

... "a cólera não se pode explicar, existe. E a maneira como eles falam do mundo parece-nos muito próxima da Paris do Conde de Lautréamont no século XIX"

“Queira o céu que o leitor, tornado audaz e momentaneamente feroz à semelhança do que lê, encontre, sem se desorientar, o seu caminho abrupto e selvagem através dos lodaçais desolados destas páginas sombrias e cheias de veneno; pois que, a não ser que utilize na sua leitura uma lógica rigorosa e uma tensão de espírito pelo menos igual à sua desconfiança, as emanações mortais deste livro irão embeber-lhe a alma, como a água no açúcar”
Isidore Ducasse, citado na peça “Deus como Paciente” no Festival de Teatro de Almada por Matthias Langhoff: “foi nas escadarias de mármore da Comédie Française que comecei a ter pesadelos. Para chegar ao luxuoso mundo de Racine e Moliére eu era diariamente obrigado a passar por um bando de pobres sem abrigo que dormiam debaixo das arcadas que, na incoerência do seu discurso alcoolizado, diziam sempre a verdade. Enquanto a gente se divertia, eles esvaziavam sem parar os caixotes do lixo e controlavam tudo o que as pessoas deitavam fora, à procura de qualquer coisa que pudessem meter ao bolso para se alimentarem.. Compreendi então que o mundo é um lugar terrível. Estes são os contrastes de uma miséria muito contemporânea, como os evocados nos terríveis “Cantos de Maldoror”. Enquanto a injustiça mantiver o nosso mundo no escândalo, não posso mudar de assunto” (…) Hoje a catástrofe que está diante de nós chega-nos direitinha do outro lado do Atlântico (…)”

Três actores “embarcam” em palco e passam por uma galáxia de anjos, prostitutas, vagabundos, loucos, artistas de cabaré e marinheiros, sempre estáticos num quarto atamancado que na medida que a vida se degrada se vai lentamente convertendo cada vez mais na ruína de um navio por entre o estrondo das vagas no alto mar – “nunca me lembrei sequer em ter a curiosidade de visitar os andares lá em baixo” lamenta-se a puta, por entre um desses vulgares apagões de consciência, agora que o compartimento foi irreversivelmente invadido pela água que jorra provocando o naufrágio eminente,,,
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terça-feira, julho 14, 2009

ArnoldBucks & California Dream

Do sonho de Estado paradisíaco onde brilha o Sol (segundo Cavaco Silva, que jurou conduzir Portugal ao mesmo destino) até ao Estado falido do subprime

Nas últimas danças da saga do endividamento, o Citigroup, o Wells Fargo e o J.P.Morgan Chase receberam ajudas de 25 mil milhões de dólares, cada um, provenientes dos contribuintes. Todos eles e por fim o Bank of America, que recebeu 15 mil milhões, recusaram agora ao Estado da Califórnia o financiamento requerido para enfrentar a maré até ao próximo mês de Outubro. Há Crise no espectáculo politico. E pronto, como previsivel, “O Governator" (ver o vídeo)” deixou de poder pagar as contas do Estado a que preside.

Depois do imobiliário, da banca, das seguradoras, dos elos mais fracos perante o endividamento como a Islândia e os Estados párias, eis o primeiro caso de falência num Estado do centro capitalista.
A Califórnia declarou o estado de emergência fiscal, atrasou as devoluções de impostos 30 dias, (até ver), e como as notas de dólar (“bucks” na gíria yankee) têm tido como destino as ajudas aos bancos, declarou que vai passar a pagar salários a funcionários e contas correntes com papéis impressos pelo Estado, (como as nossas bem mais que conhecidas e protestadas letras comerciais) – os “IOU” (I-Owe-yoU, traduzido livremente, “Eu Tenho-te a Ti”, o Estado :-) e recebê-los deve ser actualmente a melhor maneira de aspirar garantir que alguma vez o dinheiro possa ser recebido.

Efectivamente a Califórnia, por si só a 8ª economia do mundo, (que representa 12 por cento do total da economia e o Estado de maior nível de consumo nos EUA) enfrenta um défice de 42 biliões de dólares e precisa para pagamentos em dinheiro a curto prazo de 24 biliões. As receitas fiscais no último ano caíram 13 por cento dos 89 milhões do orçamento geral previsto para 2008, e agora o grande herói republicano Arnold Schwarzenegger não terá outra forma de gerir a bancarrota senão fazer as malas e sair de bazooka às costas pela porta das traseiras como se não fosse nada com ele. (À nossa escala caseira, é um belo exemplo de pedro-santana-lopismo).

"A crise nacional por ora obnubilada pelo contexto internacional, vai ressurgir e, porventura, ressurgir de forma agravada"
Luís Campos e Cunha, em "O Pós-Crise", no "Público"
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sexta-feira, julho 10, 2009

o 11 de Setembro foi um “trabalho feito a partir de dentro”

o major General Stubblebine dos Serviços de Informações Militares dos EUA declarou num depoimento recente, repetindo o que tinha afirmado no documentário de 2006 "One Nation Under Siege", que de acordo com os vestígios provocados, uma aeronave Boeing 757 nunca poderia ter embatido no edifício do Pentágono e que foram usados explosivos para fazer cair as duas torres do World Trade Center (Centro Mundial de Comércio) no dia 11 de Setembro de 2001



Apesar dos sucessivos testemunhos que insistem em comprovar a tese do “inside job” a cadeia de televisão Fox News continua incólume no exercício da sua campanha de ataque à verdade (ver video)

alguém sabia?

É um mito muito difundido entre os meios da "teoria de conspiração" que um episódio dos Ficheiros Secretos tivesse previsto o 11 de Setembro. Mas não é um mito. É estranho que com toda a imensidão dos relatos sobre o 11 de Setembro, nenhum dos Media de referência tivesse depois noticiado que um dos mais populares programas de televisão antecipou o cenário apenas 6 meses antes do acontecimento, em Março de 2001. Uma das personagens explica detalhadamente o que iria acontecer e o seu interlocutor pergunta: “e tudo isso é acerca de incrementar a venda de armas?”



O venerável investidor judeu George Soros tem vindo a infiltrar grupos passiveis de se interessarem por descobrir a verdade sobre o 11/9, através de operações do seu "Open Society Institute" assim como do "Soros Fund Management LLC", o qual é gerido pelo filho Jonathan Soros. Entre as maiores acções sobre esses grupos, Soros manobrou o Partido "Democrata" no sentido de afastar personalidades da ala Democrata não alinhadas (como Howard Dean, Bill Richardson e Caroline Kennedy) impedindo-as de aceder a cargos públicos nomeados pela Administração Obama. (fonte)
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quinta-feira, julho 09, 2009

o G8 e os pobres

conversa de preto amestrado para os lideres Africanos depois de séculos de saque: “Párem de culpar os brancos e o colonialismo pela “opressão ocidental”

o relatório Sanfona

Como Al Capone, Dias Loureiro tramou-se por problemas de dívidas ao Fisco relacionadas com negócios off-shore. Negar o quinhão devido ao grupo é um pecado mortal na ética cavalliere dos mafiosos.

o líder do CDS, (o mesmo do Porsche recuperado por Oliveira e Costa por crédito malparado) diz que irá requerer novo inquérito logo no inicio da próxima legislatura. Se a coligação neoconservadora, como previsível, vencer as eleições, lembremo-nos disto: o objectivo é tramar o PS que foi conivente com a negação da supervisão que falhou! Para eles fará todo o sentido correr com Vítor Constâncio e substitui-lo por um gestor da mesma área politica (um governo, um presidente, um governador), porém isso mudará alguma coisa na essência do Banco encarregado de gerir internamente os negócios do endividamento do país ao serviço da Banca internacional? Antes agrava,,,

seguro de si
Mais que um branqueamento do escândalo do BPN ou o encobrimento da supervisão do BdP, as conclusões do inquérito parlamentar são uma trapaça. Lá se afirma textualmente: “Quando há fraudes, sobretudo a alto nível, é muito difícil a sua desboberta”

É um relatório “governamentalizado” que intenta proteger o facto que o BdP conhecia desde 2002 o tipo de “actuação levada a cabo por uma quase mafiosa rede de accionistas do Banco” (a expressão é do deputado Honório Novo) com origens no regime de impunidade bush-económica seguido pelo Partido do Presidente.
E diz-se de origem bushista, porque seguindo os mesmos trâmites do acordo de desregulamentação feito por Bush em 2004 com a Entidade Reguladora (FDIC, cujos escritórios tinham ficado destruídos na demolição do Edifício 7 do WTC) esta doutrina induzida no já de si desregulamentado sistema foi o farol de orientação para evitar a queda no buraco da falência. Sempre com a espada de Dâmocles suspensa sobre os decisores capitalistas – eles sobreviveram ao estouro da bolha da Nova Economia ponto.com no ano 2000 (o crash do Nasdaq gerido por Bernard Madoff) facto que determinou a execução do 11 de Setembro, e ao rebentamento da subsquente bolha do Imobiliário (2007-2008) – mas a partir daqui, do alastramento da “crise” à economia real, os horizontes são estreitos.

Para os gestores Neocons escaparem, em desespero de causa, só lhes resta declarar oficialmente a completa falta de vergonha na cara. É o passo que se tenta dar com este “inquérito”, senão atente-se numa cronologia aleatória de factos não mencionados:
- Já depois de “nacionalizados” os prejuízos, a nova gestão do BPN recusou a entrega de documentos à investigação com a desculpa do “sigilo bancário” e do “segredo de justiça”
- O forrobodó continua: o novo presidente do BPN nomeado pela CGD, Francisco Bandeira, faz igualmente parte da administração do grupo Visabeira, ao qual o banco concedeu agora novos e vultuosos créditos. Está sob investigação.

- Oliveira e Costa, ex-secretário de Estado da administração Fiscal de Cavaco Silva é nomeado “contabilista” de um banco formado por accionistas notáveis do regime, com a finalidade de actuarem sobre a bolha da globalização.
- Enquanto a especulação prosperou, os accionistas e o próprio Cavaco jogaram e ganharam. Saíram quando previram o rebentamento do esquema; e a partir daí Portugal inteiro é envolvido no pagamento dos prejuízos.

- Da natureza Neocon: o próprio majestoso edifício onde se negociou a instalação da séde do BPN foi construído por uma empresa do Grupo Carlyle de Frank Carlucci.
- Bens adquiridos ilicitamente e a complexidade da pirâmide: o BPN não tem valores penhoráveis e os dos accionistas estão salvaguardados. O banco tem um prejuízo de 1.880 milhões de euros pagos pelo Estado, mas é detido pela SLN (Sociedade Lusa de Negócios) que tem os activos distribuídos por diversas outras empresas, bens que são intocáveis. A SNL representa por sua vez apenas 31,5 por cento de outra sociedade, a SLN-Valor que tem apenas um capital social de 172,2 milhões. (números citados do Público)
Por fim, como corolário lógico, o elo mais fraco da cadeia alimentar, os trabalhadores bancários do BPN foram em romaria ao PR solicitar ajuda para as suas catástrofes pessoais. É o mesmo que ir ao Pulo do Lobo ensaiar mergulhos de cabeça para as rochas. Não se esqueçam de votar de novo em bloco nas rochas para um segundo mandato. Ao menos assim a podridão do esquema torna-se cada vez mais evidente, ao invés do que aconteceria com o discreto charme do apagamento "socialista" da corrupção.
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quarta-feira, julho 08, 2009

Cruzadas culturais burguesas cristãs

Amin Maalouf, o libanês autor de “o Leão Africano”, “Samarcanda” e “As cruzadas vistas pelos Árabes”, exilado de luxo em Paris depois da guerra civil no Líbano (1975) conversa
hoje às 18 horas na Fundação Gulbenkian
com António Vitorino, uma parda eminência televisiva do P"S", sobre os temas da actualidade versados na sua última obra "Um mundo sem regras".
Nada a assinalar, excepto o essencial,

que, como infiltrado católico anti-islãmico, Amin Maalouf é um profundo devoto das politicas do Vaticano que cultivam a pregação da resignação dos pobres perante o actual estado do mundo. Resignação e submissão no mínimo, quando a Igreja não intervém ela própria na subversão da ordem democrática estabelecida, (caso essa ordem atenda às classes menos favorecidas e prejudique os ricos) como no caso do líder da Conferência episcopal das Honduras, cardeal Óscar Andrés Rodríguez que, obedecendo a directivas ou perante a indiferença do Papa Ratzinger, ameaçou a população com um “banho de sangue” caso continuasse a constestação ao governo golpista de Roberto Micheletti.

* na gravura, "O Cerco da cidade muçulmana de Antióquia" em 1095, uma das primeiras acções ordenadas pelo Papa Urbano II, aliás, o fidalgo Otho de Lagery


O conceito de “mundo islâmico” esconde uma manipulação


Como antes, trata-se da mesma batalha de conquista a todos os niveis, militar, ideológica e cultural, levada a cabo pelos herdeiros das velhas tradições de hegemonia ocidental. Como foca a politóloga iraniana Nazanin Amirian em entrevista ao jornal El-Público (o espanhol). A autora do êxito editorial “O Islão sem Véu” reinvindica nessa obra que existem diferenças assinaláveis entre os países de maioria muçulmana. Porque o conceito inventado pelo judeu neocon Samuel Huntington que serviu de base à doutrina Bush esconde que os cidadãos desse suposto “mundo muçulmano” ou “mundo islâmico” não se reconhecem nele. Por exemplo, a forma de vida de um paquistanês parece-se muito mais com a de um hindu do que com a de um marroquino, por muito que sejam ambos muçulmanos. Esta confusão nasce com a história do Ocidente, onde cada Estado se identificava com uma etnia. Mas no Oriente isso não se passou assim (…)
(ler aqui)
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terça-feira, julho 07, 2009

da tradição dos cães que falam

“A tua sorte foi eu ter sido atropelado pelo ministro bêbado” atira à cara do Sem-Abrigo o Cão rafeiro que tem vindo a fazer inúmeras cabriolas para o adoptar como Dono.
Na peça exibida no “Festival de Teatro de Almada” (“Diálogo de um Cão com o Dono sobre a Necessidade de Morder os seus Amigos”) estes dois improváveis interlocutores, que tão bem conhecemos, dialogam efabuladamente sobre verdades terríveis que são obscurecidas pelos formatos mitómonos que apreendemos. É objectivo do animal fazer sair a humanidade do seu torpor, se bem que é o contrário que a maioria das vezes acontece, quando um homem encontra o cão que possivelmente existe nele. Neste dramático caso, homem e cão, são ambos deserdados e conversam acerca das taras sociais que fazem da vida uma farsa contínua.

“O ministro safou-nos, pagou tudo com medo do escândalo. Recuperámos a dignidade e até temos cortinas, carpetes e mobílias novas da ikea na roulote que estava num miserável estado de decadência, e também já temos televisão, um apetrecho imprescindível para tomarmos conhecimento da realidade. Ficou nosso amigo. O ministro passa aqui pela estrada muitas vezes, dá-nos uma businadela. Às vezes pára. Falamos. Ele é muito simpático, faz-me perguntas – o que penso sobre as taxas de juro do Banco Europeu, como vejo o conflito no Médio Oriente – enfim, “é a democracia participativa” tinha confirmado o dono que é porteiro no hotel de luxo Claridge com o empregado que lava os pratos.

A verdade, está-se mesmo a ver, é que o cão “Príncipe” na amena cavaqueira e divertida prática com o dono “Roger” sobre a crise capitalista crónica, antecipou humoristicamente ao público a encíclica do Papa Ratzinger onde se fala da necessidade da “Ética no funcionamento da Economia”. Foge cão (e dono) que te fazem barão – que é como quem diz: o que o Papa está “caridosamente” a defender são os interesses de certos grupos, nomeadamente os da Opus Dei, uma organização semi-secreta conluiada com os fautores da nova ordem mundial
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segunda-feira, julho 06, 2009

pulir a História

Ligado à história da ocupação contada no post anterior sobre Itália, como antes da Alemanha e mais recentemente na destruída ex-Jugoslávia, recorda-se que Pulido Valente afirma na sua coluna de 3 de Julho textualmente que "a Europa não tem força militar e hoje, com a crise, também não tem um peso económico determinante (...)". Com a verdade nos mentes.
Se os dados sobre a ocupação militar norte americana da Europa são conhecidos, embora não divulgados pelos Media das corporações que contratam o Pulido para comentadeiro, outro tanto se passa quanto aos dados económicos, conforme se confirma pelo mapa das transações comerciais incluido no artigo de Jacques Sapir (1) sobre proteccionismo: "Ignorantes ou Falsários"

(clique na imagem para ampliar)

Trocas comerciais efectuadas pela União Europeia: 4.963 mil milhões, 3/4 partes no interior da zona.
Trocas comerciais dos Estados Unidos: 1.678 mil milhões, metade das quais para o exterior
Trocas comerciais na Ásia Pacífico: 3.277 mil milhões, metade das quais para exportação
Trocas comerciais da Rússia, América Latina e África em conjunto: 1217 mil milhões.

Como se constata, o problema da chamada "União Europeia" (União da oligarquia e da alta finança europeias) não é um problema de falta de produção, muito menos de habilitação de emprego para os trabalhadores, mas sim de dependência financeira - a maioria das receitas dadas como sendo "europeias" são na verdade repatriadas em nome de empresas filiais norte americanas sediadas na Europa. E o dinheiro para que funcionem depende de decisões politicas estratégicas tomadas nos EUA e comunicadas à Reserva Federal, Banco Mundial, Banco Central Europeu e outras instâncias cujas gestões não são eleitas, como o FMI, a OMC, etc.

(1) Existem 2 livros de Jacques Sapir traduzidos em Portugal: "Os economistas contra a democracia", edições Sururu, Produções Culturais e "Que economia para o século XXI?", edição do Instituto Piaget
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domingo, julho 05, 2009

Dal Molin

Vicenza sob ocupação militar:
fogo sobre toda a contestação global (ver videos)

A noticia de 30 segundos transmitida (ontem na Euronews, hoje na SIC e que a RTP acometida do coma alcoólico CR olvidou) sobre “confrontos da policia com manifestantes nos arredores da histórica cidade de Vicenza (norte de Itália) dias antes da cimeira do G8 que protestavam contra a ampliação de uma base militar”, dá a entender que se trataria de mais uma acção dos tão diabolizados “movimentos anti-globalização”. Na verdade não foi, nem tão pouco se trata de qualquer “ampliação”. Trata-se da criação de uma nova base militar norte americana que prevê a apropriação do antigo presídio de Dal Molin com 500 mil m2 e com 1524 metros de uma pista de aviação civil existente no local e de trazer mais 3.000 novos soldados, presentemente estacionados em Bamberg e Schweinfurt na Alemanha – tudo isto noutro local que não a Base já existente em Camp Ederle com 600 mil m2 e uma aldeia residencial de 332 mil m2 para alojamento de 6.000 soldados americanos.

Ver diariamente centenas de tipos de pele cor de rosa criados a papinha Heinz com fatiotas camufladas a fazer “jogging” perto dos muros dos nossos quintais deve ser um trauma passível de violento protesto, tanto mais que se tratava do dia da liberdade yankee, o 4 de Julho – idiossincracia realçada por Obama no discurso de Chicago de 4 de Novembro de 2008 quando ainda era apenas candidato e rezou hipocritamente aos seus maiores desejos: "Serei presidente de um governo do povo, pelo povo e para o povo”, segundo diz a Constituição (a government of the people, by the people, and for the people) E ouvi-los-ei sempre, especialmente quando nós discordarmos” disse Obama – americanos sim, italianos não, pensou Obama.

Para a Itália trata-se de uma questão de independência nacional face à presença das Forças Militares estrangeiras (1) desde o final da II Grande Guerra quando o povo erradicou o regime fascista de Mussolini.

A política militar dos Estados Unidos é votada no Congresso. É por essa razão que os EUA não mudaram, nem tencionam mudar, a politica imperialista na transição de George W. Bush para Barack Obama.
A Congressista republicana Loretta Sanchez, (deputada eleita pela Califórnia), disse numa visita recente a Itália no âmbito das negociações de Dal Molin que esta base tinha de ser aceite por ter uma localização perfeita e ser imprescindível para novas missões no Médio Oriente, sendo igualmente muito conveniente para ataques a regimes hostis em África (no âmbito da criação do Africom). Esta é a chave para a instalação da nova Brigada de Combate (Brigade Combat Team) que passará a ser a maior força de assalto na Europa com os 6 Batalhões estacionados em Vicenza.

As “grandes obras do keynesianismo militar” atraiu à Itália do neofascista Berlusconi outra presença notável. São como moscas em volta de balde de merda. Imediatamente a seguir chegou o presidente de Israel Benjamin Netanyahu (conotado com a extrema direita). Imagine-se como sorrirá o anterior carniceiro responsável pelo genocidio em Gaza, cujo nome Yitzhak, a forma hebraica de Isaac, significa literalmente “Aquele que se Rirá” (Génesis 21,6). Obama, sem que se desmarque do balde de moscas, chega na próxima quinta feira a Ancona, Itália.

(1) A história da dependência militar obrigatória de Itália tem sido uma constante desde que Andreotti no anos de 1954 negociou a institucionalização da presença das tropas norte americanas, sem que tal acordo desde aí tenha sido alguma vez aprovado pelo Parlamento, como explica Valério Volpi neste artigo, é nestes termos que existem instalações como a Base aérea de Aviano, nos arredores de Pordenone, não muito longe da fronteira da Eslovénia, massivamente usada para os bombardeamentos da Sérvia em 1999 e o Afeganistão em 2001. Existe ainda Campo Pluto em Longare onde estão armazenadas bombas nucleares desde há mais de 20 anos, a Base de Tormeno, o quartel general norte americano em Torri e a concentração de bases e polígonos de tiro na Sardenha, Santo Stefano, Decimomannu, Salto di Quirra, Capo Teulada e Capo Frasca, onde cerca de 3 quartas partes da ilha estão submetidas a juridisção como reserva militar
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sábado, julho 04, 2009

a História da Linguagem

"Uma Segunda Juventude" do romeno Mircea Eliade procura ilustrar a história da linguagem. O livro, e depois o filme de Coppola, contam a odisseia de Dominique Matei, um idoso professor de ciências que ao ser atingido por um relâmpago sofre uma mutação que inflecte a flecha do Tempo e o põe outra vez a caminho de uma nova juventude. Ao conhecer Linda, uma estudante de antropolgogia a quem provavelmente teria acontecido algum fenómeno similar, Matei dá-se conta que ela tem estertores mediúnicos que lhe possibilitam recuar milhares de anos no tempo e falar em dialectos primitivos, cada vez que tal lhe acontece, indo mais atrás, primeiro ao Sumério, o Ugarítico, o Egipcio, o proto-Elamita, até às proto-linguagens inarticuladas expressas nos fenómenos vocálicos intercalados com estalidos labiais (como ainda hoje se conservam nas tribos bosquimanas sul africanas), práticas de expressão hoje inimagináveis para a experiência de qualquer europeu. Mas nem tanto, se ao ouvirmos Michael Jackson em "Man in the Mirror" repararmos nos estalidos vocais intercalados na melodia da fala que codificam na musica pop uma espécie de ritual de regressão instintiva à linguagem primitiva.
Na cerimónia da atribuição dos Grammys em 1988 Jackon acompanhado por um coro de godspel, ele pergunta quem sou eu na canção “o Homem ao Espelho”



Somos forçados a admitir a ideia dos ciclos cósmicos e históricos, o mito da eterna repetição? Mas, e o que fazer do Tempo? Ele exprime a ambiguidade suprema da condição humana - Michael Jackson não era então ainda aquele objecto prevertido pelo ShowBiz e pelo circo dos Media. Ele era apenas um ser humano, tinha uma alma própria
Em que terrífica máquina tecnológica estamos então embarcados que opera pessoas até as tornar monstruosas? – esoterismos àparte, a máquina do tempo só pode deslocar-se obedecendo à 2ª lei da termodinâmica, a dissipação, o caos e finalmente a morte. Ou como repara Ana Kotowicz no jornal”I” – “o Cliché: artista falido simula a própria morte e ganha milhões. Realidade: a música de Michael Jackson vai render mais dinheiro nos próximos 12 meses do que nos últimos 10 anos, saldando todas as dívidas” – já lá dizia o outro ali num grafitti: “suicida-te, vives melhor”. Depois de tanta operação de marketing, quimicas e de estética coloured, Jackon finalmente fez a sua última modificação plástica destrutiva: “esticou o pernil” – a máquina de trucidar insolvências deve sentir-se orgulhosa
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sexta-feira, julho 03, 2009

Não fossem os caricatos chinfrinhos com que o ministro Pinho se autoflagelou (nem uns cornos à homem o pobre coitado sabe fazer: duas caralhetas com os dedos anelares espetados na testa na direcção do adversário) e jamais a populaça, que com este fait-divers arranjou basto motivo de chacota, saberia dos 5 mil euros que o ministro, na qualidade de delegado comercial da EDP entregou ao clube de futebol de Aljustrel. É assim que funciona, quando não há dinheiro para motivar trabalhadores que dependem de salários, há que oferecer outras regalias que mascarem mediaticamente o problema. Uma questão de trocos.
Aliás 5.000 euros nem é assim uma quantia tão exorbitante – basta 2.700 consumidores atrasarem-se um dia no pagamento da factura da electricidade para a coima de 1,85 euros aplicada pela empresa de serviços públicos EDP repôr a verba usada em propaganda. Este ciclo clandestino usado por Manuel Pinho apenas demonstra a função social das empresas no presente paradigma neoliberal.
Pedro Guerreiro, o director do Jornal de Negócios, perora na Antena1 “que o ministro nunca poderia ter tomado esta atitude, e tal... São inadmissiveis comportamentos destes em cargos eleitos” – é boa. Manuel Pinho o executivo do banco BES Investments emprestado ao Governo de Sócrates foi eleito?

As cobranças dificeis subiram 21 por cento. "Quem não paga a água ou a luz já não tem dinheiro para nada" - considera o Gabinete de Apoio da Deco. Excepto para curtir cenas malaicas de futebol, como o espertalhão do ex-ministro muito bem sabe

e agora a parte que interessa:
O ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), João Salgueiro, defendeu hoje que a crise económica vai agravar-se "ainda mais" em Portugal - "A crise financeira provavelmente já acabou, como foi anunciado, mas a crise económica vai agravar ainda mais. e há uma terceira crise por trás de tudo isto, que é a crise da competitividade", afirmou João Salgueiro, no IV Congresso da SEDES, que decorreu no Instituto para a Defesa Nacional, em Lisboa
(fonte: DN)

quinta-feira, julho 02, 2009

o Estado da Nação

O pano de fundo do drama decorre entre as duas famiglias que se digladiam sobre duas questões de Honra, uma tem o affaire Freeport, a outra o BPN de Dias Loureiro (1). Longe das circunstâncias de Dostoiévski no “Crime e Castigo”, ainda estamos a meio da história, mas já se adivinha saber se a personagem principal, ou o seu duplo (2) vai ou não sucumbir ao peso do crime.

Manuela Ferreira Leite, enquanto nº2 e ministra das Finanças do governo Barroso privatizou, ou vendeu como soe melhor dizer-se, a rede fixa da Portugal Telecom, que era propriedade do Estado, por 365 milhões de euros. Nesse mesmo ano de 2002 o último relatório de contas da PT a mesma rede fixa valia 2.300 milhões. É sem dúvida um negócio ruinoso para o Estado, que para além disso perdeu o rendimento do aluguer da Rede no valor de 18 milhões de euros anuais. Mas a lider do PSD tentou descartar a questão remetendo-a para o partido “compagnon de route” desde o 25 de Novembro (os amigos são para as ocasiões) e desmentiu ela própria o presidente da administração da PT: “a venda foi negociada pelo governo “socialista” de Guterres” – é mentira!, claro, Ferreira Leite aprovou mesmo a venda da rede fixa à PT, uma empresa cotada na bolsa de New York

e, vindo cair aqui, sendo a Bolsa (ou a Vida) o Alfa e o Ómega do descalabro do sistema vigente, vem sempre a propósito relembrar outra famosa venda: a dos activos a receber pelo Estado ao banco norte americano Citigroup (3), um dos promitentes beneficiários da crise que se sabia já estar em gestação. Isto é um acto de esperteza saloia, de uma sumidade agora encartada pelo grupo Bilderberg, que remeteu os prejuizos de gestão danosa para o governo seguinte, tendo o Estado já liquidado mais que o valor emprestado (os valores incobráveis) e juros caninos sobre o capital adiantado. Mas é esta mesma senhora, que nas legislativas que levaram Durão ao governo, ficou célebre pelo "discurso da tanga" que deu lugar à "obsessão do défice" – é ela mesmo, Manuela Ferreira Leite de seu nome, que de novo, sete anos depois, quer repetir a receita da causa pela qual se celebrizou, agitando o espantalho do endividamento num país que nunca conheceu tempos de prosperidade baseado em trabalho e capacidade de produção própria... significa isto na prática que os funcionários investidos pelo Grupo Bilderberg, seja a lider do PSD ou Sócrates, António Costa ou Rui Rio, qualquer um em funções de controlo do saque dos bens públicos nos seus respectivos países não precisa de mais que uma inteligência medíocre


(1) actualização: a direita politico-bancária abusa, "Afinal havia, ou já há outro!"

(2) "José Sócrates decidiu, agora, consultar os 'magos' que ajudaram Barack Obama a conquistar o poder. [...] Atingimos a era do desequilíbrio e da alucinação. O Estado é entendido como uma empresa, não como a configuração de um corpo político, social e administrativo". Baptista-Bastos, escritor, no "Diário de Notícias"

(3) xico-espertismo de banksters - o Citigroup, numa acção que decerto fará bancoprudência aumentou esta semana as taxas de juro aplicadas a 15 milhões de cartões de crédito que gere nos Estados Unidos, antes que entrassem em vigor novas regras para o sector que visam precisamente proteger os interesses dos clientes deste tipo de produtos. A notícia, avançada pelo jornal Financial Times, promete reacender o debate sobre a regulação do sistema financeiro e, em especial, sobre o comportamento dos bancos, como o Citigroup, que receberam astronómicas injecções de capital público.
Com este aumento e a imposição do limite de crédito, sabe-se de fonte estatística segura que no mínimo 10 por cento dos detentores destes cartões não pagarão as suas contas – o próximo degrau da crise a rebentar será a bolha dos cartões de crédito; se hoje em dia já são cada vez menos os locais de comércio que os aceita,, devido ao pagamento de elevadas comissões, um belo dia a generalidade dos cartões de crédito serão pura e simplesmente cancelados e barrados nas caixas multibanco, sem qualquer aviso prévio. (fonte)
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quarta-feira, julho 01, 2009

Dias Loureiro, o ex-conselheiro de Estado com lapsos de memória,

é constituido arguido.

Embriagaram-se com a doutrina Bush das "finanças armadas" e pensaram que o céu do dinheiro ficticio não teria limites. Como no caso Madoff (não se enganem, o filme está em cartaz pelo menos desde 2004 e "os reguladores" sabiam do jogo da pirâmide) agora, no caso de Dias Loureiro, a Justiça para "relançar a confiança" pensará que é necessário grelhar um pato? - suspense - "em causa estão dois negócios de 2001, ruinosos para o grupo SLN/BPN, e sobre os quais Loureiro começou por dizer que nada sabia. A venda da Redal - concessionária de águas em Marrocos - aos franceses da Vivendi, e a compra da tecnológica Biometrics - que se saldou por um prejuízo de 38 milhões de euros e que envolveu um testa de ferro do libanês El-Assir, envolvido em negócios de armas. (via Esquerda.Net)

Resultados concretos, como inquiria alguém por esse twitter fora: Será que, sendo honesto, agora também vai reconhecer que afinal tem bens em seu nome? e quais são as outras personagens que integram "a dúzia de responsáveis envolvidos" referidos na célebre comunicação do governador do Banco de Portugal à comissão de inquérito parlamentar? manifestar-se-ão igualmente todos honestos? ou no caso de nem sequer sairem dos armários - quem é que, com a cumplicidade activa do PS, se estará a encobrir?