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sábado, dezembro 06, 2008

os Dias da Utopia

“A esta altura, que aconteceria se lhes propusesse a lei dos habitantes da Ilha dos Bem- Aventurados que não vivem muito longe da Utopia e cujo rei, no próprio dia em que toma posse do poder, por juramento, acompanhado de muitos sacrifícios rituais, se compromete a não possuir de capital mais de mil moedas de ouro?. Dizem eles que esta lei foi estabelecida por um rei excelente, para quem contava mais a prosperidade do seu país do que a sua riqueza pessoal (ou da sua Corte) que o mesmo é dizer que não seria admissível acumular mais dinheiro quando isso provocasse miséria no povo. De facto, este capital afigurava-se bastar quer ao rei para se opor a qualquer rebelião quer ao reino para combater incursões inimigas. De resto, era insuficiente para incentivar ambições alheias. Esta era a razão principal do estabelecimento da lei. A segunda razão era ter-se julgado que era bom programa não haver falta de dinheiro a circular para as transacções dos cidadãos no dia-a-dia e que, se ao rei se tronava obrigatório distribuir o que tinha amealhado acima da medida legítima, não haveria ele de andar em busca de ocasiões de violar a lei. Tal rei seria odiado pelos maus, mas apreciado pelos bons.

Se me atrevesse a introduzir estas e outras reflexões do mesmo teor junto daqueles homens, de si inclinados fortemente em sentido contrário, não estaria eu a contar uma história a surdos?
Na realidade, para te dizer a verdade que levo no meu coração, muito embora me pareça que, em toda a parte em que há propriedade privada, em que todos medem tudo por dinheiro, dificilmente alguma vez aí se poderá chegar a promover a justiça de Estado ou a prosperidade; a não ser que se presuma que se actua com prosperidade quando tudo é repartido entre um pequeno número de indivíduos, que com nada se sentem saciados, enquanto os outros são condenados á miséria”

Esta palavras foram escritas por Sir Thomas More no século XV, inspirado pelas perspectivas que se abriam à humanidade com a descoberta de novas terras e de novas formas de gerir os seus governos. Algumas braçadas na globalização depois, no ano 2000, o mesmo em que Bush subiu aos céus de Washington, More foi canonizado pelo Papa JPII e declarado "Patrono dos Estadistas e Políticos"

É justamente isso o que eu diria: “junto dos príncipes não há lugar para filosofia

a revista Visão publica um dossier sobre os últimos casos conhecidos dos escândalos que atingem o regime de bloco central de negócios, com efeitos agravados desde que lugar do príncipe foi usurpado aos legítimos anseios do povo por Cavaco Silva. São oito páginas de leitura muito profícua, cujas ligações aqui ficam registadas para a memória que se apaga em dia de ritual de votos inúteis. Votatis votantis, o pobre, lá bem no íntimo, gostava de ser ele a cometer as vigarices do rico; estais todos perdoados, como diria a santa madre patrona que pariu os papas

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