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quinta-feira, maio 21, 2015

The Great Turan


Para, partindo dos pressupostos dos tribalismos e nacionalismos árabes, compreender o plano da CIA que explora a ideia do pan-Turanismo que tem vindo a ser congeminado para substituir a URSS/Rússia (1) como inimigo e principal competidor na Nova Ordem da Rota da Seda. O pan-turanismo assenta na ancestral origem comum dos povos da Ásia Central. É um termo originário da Pérsia (Irão) que remete para a ideia de uma grande confederação de Estados Islâmicos na Eurosásia, uma utopia politica que historicamente de facto nunca existiu, mas serve para, a partir do exxterior, dividir e prostar esses povos às mão dos invasores.

1300 anos da História Islâmica em 3 minutos

(1) Não por acaso, Zbigniew Brzezinski, um judeu da Grande Polónia originário do Cáucaso, ex-secretário de Estado e actual conselheiro de Barack Obama, autor ao anterior plano "The Grand Chessboard" que visou a implosão da URSS, vem agora afirmar que "a hegemonía mundial dos Estados Unidos tem os días contados", isto é, devido às novas capacidades, o plano anterior precisa ser substituido por outro que correspondda à actual correlação de forças (RussiaToday)

terça-feira, abril 14, 2015

Eduardo Galeano (1940-2015)


Celebrado autor de "As Veias Abertas da América Latina" onde relata a exploração da América Latina pelos portugueses, espanhóis, holandeses, ingleses, e posteriormente, pelos norte americanos. São 500 anos de exploração económica desde os "descobrimentos" e miséria social sempre em crescendo à medida que os naturais iam sendo expropriados. Eduardo Galeano lega-nos explicações que não se aprendem nas escolas. Se os latino-americanos têm terras tão ricas, porque vivem todos em paises subdesenvolvidos? qual a razão porque as coisas deram certo nos Estados Unidos e aqui não? Os colonos da Nova Inglaterra, núcleo original da civilização norte americana, não actuaram nunca como agentes coloniais da acumulação capitalista européia; desde o princípio, viveram ao serviço do seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento da sua nova terra. Ao contrário, o subdesenvolvimento latino americano é uma consequência do desenvolvimento alheio. Nada que não esteja a mudar.

O medo ameaça, se amas terás sida; se fumas terás cancro, se respiras contaminação; se bebes terás acidentes; se comes, colesterol; se falas terás desemprego, se caminhas terás violência, se pensas terás angústia; se duvidas loucura, se sentes, solidão... Nada que o sangue latino não posssa mudar...

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terça-feira, janeiro 13, 2015

Somos todos Terroristas

Torna-se cada vez mais evidente que a gigantesca operação de manipulação francesa "contra o terrorismo" (reactualização da War-on-Terror de W. Bush na sequência do 11 de Setembro) é o ponto de partida para constitucionalizar uma nova versão de fascismo de fachada democrática na Europa. Aqui o 1º ministro francês jura solenemente que a França não está em guerra contra nenhuma religião e que "a França defenderá sempre qualquer seu cidadão, como sempre o tem feito". Horas depois prendem o cidadão francês Dieudonné, o humorista de origem camaronesa mais popular em França "por incitamento ao terrorismo" 



A resposta de Dieudonné não se fez esperar, acutilante: "olá Gringo! contra a liberdade de expressão tu nunca irás vencer, porque há uma diferença fundamental entre a verdade e a mentira. Mentira de que tu és escravo! poderíamos levar este debate para a presença dos Juizes, o Tribunal de Justiça da República iria defender-te ... até quando?  vamos lá Branquinho, arquiva lá o processo ... Eu perdoo-te!"

Este episódio francês de belo recorte de humor, censura e repressão, encaixa perfeitamente na recente nomeação do argumentista de textos humoristicos Nuno Artur Silva para Director de Conteúdos da estação pública de televisão portuguesa (RTP). E a primeira declaração do nomeado foi que "é preciso que a RTP retome o seu lugar como prestadora de serviços", de forma independente à lógica comercial das estações privadas, "nomeadamente com os programas de humor". Falta definir "humor", se faz favor, e porquê humor e não mais "coisas a acontecer na área cultural". Humor será continuar a imbecilizar os portugueses com as larachas aparentemente apoliticas de estrangeirados como o Herman José e afins? rir da censura por meios económicos já temos demasiado. Recorde-se que o agente Bilderberg em Portugal, Pinto Balsemão, conseguiu evitar a privatização da RTP ao mesmo tempo que lhe roubou quase todas as fontes de receita em publicidade, enviando o défice crónico da RTP para as contas a pagar pelos contribuintes. Serviço do Estado prestado a Privados.

quarta-feira, novembro 12, 2014

China, a Ditadura de um só Homem, o Imperador Xi, segundo a capa da Time

Xi Jinping anuncia a sua cruzada existencial para promover o sucesso do país num mercado global hipercompetitivo nascida das suas experiências formadas numa China em frangalhos” afirma o norte americano Jon Huntsman, ex-embaixador na China até 2012
O presidente Xi Jiping, é um filho da geração saída da purga da Revolução Cultural que pôs termo ao carreirismo como profissão na politica. Depois de subir por mérito próprio na hierarquia em postos de chefia nas diversas secções regionais em estreita interacção com o povo, em 1983 ascendeu ao secretariado do Ministério da Defesa. Nascido em 1953 na província de Shaanxi,.na sua juventude trabalhou nos campos, foi educado como comunista no campo de Liangjiahe da Comuna de Wen'anyi desde 1969 até aos 22 anos.. Formou-se em engenharia química e obteve uma pós-graduação em ciência política. Foi eleito membro do Comité Central do Partido Comunista.

Em 1987 casou pela segunda vez com Peng Liyun, um alto quadro do Exército de Libertação do Povo graduada em major-general. Além desse cargo a agora primeira-dama é extremamente popular em toda a China por ser uma famosa soprano - aqui em farda de gala num bailado evocativo da epopeia da Revolução chinesa num espectáculo para uma unidade militar:
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Mao Tsé Tung no seio do povo
Em 2002 Xi Jiping trabalha na organização das Zonas Económicas Especiais adaptando as empresas exportadoras a melhor interacção com os mercados globais, tornando essas regiões mais prósperas, proporcionando mais riqueza para distribuição por toda a China, aquilo a que os capitalistas ocidentais chamam “reformas capitalistas”. Já como vice- presidente Xi viaja intensamente tendo em vista a coordenação dos Jogos Olimpicos de Pequim em 2008 por cuja organização foi responsável. É o grande anúncio mediático para o mundo que a China vai exigir participar nas mesas onde se tomam as decisões mundiais. No 18º Congresso do Partido Comunista, que conta com 80 milhões de militantes activos e recebe mais de 2200 delegados das instâncias provinciais, regionais, de comunidades locais (56 grupos étnicos ligados numa só familia), Xi Jinping é eleito por unanimidade como secretário-geral do Comité Central (que conta com 350 membros) e indigitado para assumir a presidência da República Popular da China em Novembro de 2012.
Diz a imprensa capitalista no Ocidente que Xi desenvolveu a imagem de homem-forte, consolidando o poder para si, o “acontecimento na liderança chinesa” mais transformacional desde Deng Xiaoping que ocorreu mais rapidamente que com qualquer outro líder nas últimas décadas. A Time dedica-lhe agora uma capa - Xi Jinping’s “Power of One” – o poder de um só homem, além de o incluir na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo (junto com Cristiano Ronaldo). Os tiques individualistas em nome dos executivos das corporações capitalistas globais. Nada feito, não compreendem ainda que o “líder mais forte da China desde à muitos anos” pretende elevar a sua nação e todo o seu povo como um colectivo ao topo de uma nova ordem mundial que porá final e definitivamente em causa o capitalismo.

domingo, outubro 19, 2014

Gelem, gelem...

"Caminhei, caminhei", foi declarado internacionalmente como hino internacional do povo cigano durante o Primeiro Congresso Mundial Romani, celebrado em Londres em 1971, quando se pensou ser necessário unificar as diversas comunidades ciganas dispersas por todo o mundo. A melodia faz referencia à condição nómada do povo romani. Também menciona a "Legião Negra" (Kali Lègia), em alusão à cor dos uniformes das SS alemãs que participaram no genocidio do povo cigano durante a Segunda Grande Guerra Mundial, o que se entende de modo simbólico como uma memória da secular perseguição (dir-se-ia holocausto) do povo cigano, um povo não eleito, sem direito fisico a uma nação, à semelhança da que o banqueiro Rothschild inventou

As imagens  utilizadas neste clip pertencem ao filme soviético "os Ciganos vão para o Céu" (Tabor uhodit v nebo) de Emil Lotyanu, 1976, inspirado no conto "Makar Tschudra", a primeira obra de Maximo Gorki escrita em 1892. O filme foi visto em cinema na URSS no ano da estreia por 64,9 milhões de espectadores. (na wikipedia) Tal êxito procede da tradição cigana russo-eslava-germânica, cuja obra mais popular será talvez "o Barão Cigano" de Johann Strauss

sexta-feira, outubro 17, 2014

DocLisboa 2014

Com o filme escolhido para a inauguração do evento, “a Praça”, voltamos aos tempos em que as boas-almas funcionárias da censura prévia engendravam títulos completamente idiotas para que não fosse desviada, muito menos corrompida, a boa moral do simplório espectador. O filme chama-se “Maidan” e o tema é a revolta de grupos organizados, pagos pelo Ocidente, actuando na praça da Independência na capital da Ucrânia tendo como objectivo derrubar um presidente eleito democraticamente pelo voto de 44 milhões de ucranianos.

Mas não é isto que a “Praça” mostra. De velha prática comum, a passagem do titulo real do acontecimento ao estado gasoso apela sem um pingo de vergonha na cara à ignorância do espectador. Em nome da “democracia europeia e norte americana” manifestantes “We Love UÉ” e “We Love US” de coraçãozinho a dar-a-dar agitam estandartes e fazem uma barulheira do catano com som off sobreposto à gravação. É uma encomenda. E são duas exaustivas horas bem medidas disto, monocórdicas, trauliteiros que vagueiam entre o arrancar de pedras do chão e o enfrentamento das forças de segurança cuja atitude é completamente passiva, para que a integridade do cidadão não seja molestada.

Há um super-palco à maneira dos concertos rock para massas pagantes, que aqui não pagam, painéis audiovisuais gigantes, coloridos raios laser, apelos disléxicos à pátria contra os bandidos que governam, aparelhagens acústicas sofisticadas, cantatas que usam o “Bella-Ciao” adulterado com letras foleiras contra o usurpador russo. Um terço dos ucranianos fala russo e a memória dos reaccionários cossacos está bem viva. De quando em vez sobe ao palco um gang de padres trajando a rigor de negro, cruz de ouro ao peito, que recitam mega-missas apelando à paz. Filhos da Puta. Aparecem armas e balas mas o filme não as mostra. Policias são atingidos, há feridos e mortos. Fosse no Ocidente e onde é que os “revoltosos” já estariam, ou com um governo a sério que zelasse pela ordem. Nem por uma vez o bem remunerado realizador mostra uma única opinião do contraditório. O outro não existe. Pronto, missão cumprida, temos um governo de energúmenos nazi-fascistas pró-Ocidental instalado na Ucrânia.
Os infelizes programadores doDocLisboa (deste e dos outros anteriores) bem que avisaram logo na panegírica homilia de apresentação da coisa: neste momento há activistas presos na usurpada Crimeia por andarem a dar milho aos pombos, desafiando o jugo da tenebrosa Rússia. Crimeia “ocupada” por vontade do voto democrático da maioria que não aceita ser governada por nazi-fascistas. Por Vladimir Putin, cujo governo merece a aprovação de 80% dos 142 milhões de russos. Lido nas entrelinhas porque os sacanas não o disseram deste jeito. Confortavelmente instalados na alcatifa vermelha do mecenato da Caixa Geral de Depósitos (uma instituição pública) da Câmara Municipal de Lisboa (outra que tal), da EDP, e as mais que pinguem, os tipos do DocLisboa suam as estopinhas, mesmo com o pestilento ar condicionado, para irradicar da face da terra as suas ferozes ditaduras de estimação. Coitados dos tenrinhos tugas que esgotaram a sala, foram avisados de cima do palco: têm pela frente a épica tarefa de exportar, contornando a sanção aplicada à pêra-rocha, em vez dela a nossa democracia, não só para a Rússia, mas para os habitués povos oprimidos da República Popular da China, para as dissidentes repúblicas populares de Donetz e Lugansk, enfim, derrubar os ferozes islamistas do Irão. Sic. Foi mesmo isto que ali se disse. Peanuts ou pipocas como mastigam evadidos no éter os obamaníacos cá do sitio, afinal são apenas 1,64 milhões de criaturas. Força almas jovens portuguesas em idade escolar (sem escola). Vão na conversa destes esquizofrénicos alarves e não tardará muito que, em defesa do sub-Imperialismo da Alemanha, estejam envolvidos num conflito mundial em grande escala. Afinal é o que dá lucro aos que mandam, né?

sábado, junho 07, 2014

Esta já não é a Minha Cidade

Se nos lembrar-nos dos “vistos dourados” como porta de entrada para a especulação imobiliária em Lisboa, com a sua zona histórica transformada num gueto para ricos, ou qualquer outra cidade “globalizada” com os seus locais icónicos sob ameaça, poderá pensar-se que a coisa não será tão ruim assim – se os bandalhos das câmaras municipais virem algum lucro nisso eles vendem o seu lugar já amanhã. A única coisa que não existe são compradores bastantes… para a prática da diplomacia comercial de prostração à financeirização da vida na cidade
Se agora for para San Francisco, escusa de levar flores na cabeça, mas leve um olhar atento para recordar como eram antes todos os lugares que entretanto foram asfaltados e ocupados por torres de betão, vidro e aço inox. A propósito do encerramento de um dos lugares míticos da cidade, o cabaret Gold Dust Lounge, cuja marca será reconstruída no turistisco “porto dos pescadores” com a caneca de cerveja a 6 dólares para clientes viciados em gadgets, a artista Candace Roberts protesta contra a descaracterização de uma grande cidade norte-americana por um governo municipal de vendilhões e vigaristas, dispostos a prostar-se diante de tudo que possa fazer entrar mais dinheiro.

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quarta-feira, junho 04, 2014

Feira do Livro (II)

"a Mulher com o Vestido de Penas", in "o Harém e o Ocidente" de Fátima Mernissi, Edições Asa

Os olhos são a grande porta de entrada da alma”, escreveu Ibn Hazm: “perscrutam os seus segredos, revelando os seus pensamentos mais íntimos”. Por isso a boa táctica para uma mulher era baixar o olhar, para que os homens nunca pudessem ler os seus pensamentos. Assim, a chamada modéstia das mulheres árabes é na realidade uma táctica de guerra”. No conto de Xerazade “A Mulher com o Vestido de Penas”, a heroína, usando a tradição de transmissão oral escapa à censura dos fundamentalistas, introduzindo-lhe distorções heréticas.

A história de Hassan começa em Bagdade, então capital do Império muçulmano, onde esse rapaz bonito mas arruinado, que esbanjara a fortuna em vinho e companhias galantes, se prepara para partir para ilhas remotas para tentar refazer a fortuna. Numa noite em que contemplava o mar do alto do terraço, foi atraído pelos graciosos movimentos de um grande pássaro que pousara na praia. De repente o pássaro desfez-se do que era na realidade um vestido de penas, e do interior saiu uma bela mulher nua que correu a nadar nas ondas. “… Em beleza ela ultrapassava todos os seres humanos. A sua boca era mágica como o selo de Salomão e o seu cabelo era mais negro que a noite… os seus lábios eram como corais e os dentes uma fieira de pérolas… o ventre era cheio de pregas… tinha coxas grandes e opulentas, como colunas de mármore”. Mas o que mais atraiu Hassan al-Basri foi o que a bela mulher nua tinha entre as coxas: “uma magnifica cúpula suspensa sobre colunas, semelhante a uma taça de prata ou de cristal”. Louco de amor, Hassan roubou o vestido de penas da bela nadadora e enterrou-o num lugar secreto. Privada das asas, a mulher ficou em seu poder. Hassan casou com ela, cobriu-a de sedas e pedras preciosas, e quando tinham já dois filhos desleixou a sua devoção atenta pensando que ela não voltaria a ter vontade de voar. Retomou as longas viagens para aumentar a fortuna, e ficou surpreendido quando um dia ao regressar descobriu que ela nunca desistira de procurar o vestido de penas e não hesitara em voar para longe logo que o encontrou. “Apertando os filhos contra o peito, envolveu-se no vestido de penas e transformou-se em pássaro, pela graça de Alá, o detentor do poder e da majestade. Em seguida, movimentando-se com graciosidade, ensaiou alguns passos ondulantes, dançou e pavoneou-se e bateu as asas…”, voando sobre rios profundos e oceanos turbulentos até regressar a Wak Wak, a ilha onde nascera. Contudo, antes de partir deixou uma mensagem para Hassan: ele poderia ir ter com ela se tivesse coragem para o fazer. Mas ao tempo ninguém sabia, e hoje em dia ainda menos, onde situar essa misteriosa ilha de Wak Wak, terra de exotismo e estranheza longínqua.

Marco Polo descreveu a ilha como o país das Amazonas que reinavam em Socrotá; Luis de Camões andou por perto da “Ilha dos Amores”, historiadores árabes como Massoud negaram-se a descrever um final infeliz, assim Hassan navegou por anos à procura da sua mulher alada e consegue encontrá-la junto com os filhos, trazendo-a de volta a Bagdade onde viveram felizes para sempre. A lenda serviu de exemplo aos homens muçulmanos, que construíram belos recintos amuralhados onde mantinham as mulheres prisioneiras dentro de “haréns”, prisões disfarçadas de palácios com belos jardins interiores e a felicidade ali à mão de homens desesperadamente frágeis. Os homens ocidentais também teriam construído haréns se considerassem as mulheres como uma força de beleza incontornável, se as imaginassem com asas

quinta-feira, abril 03, 2014

houve um antes e um depois de Brando

Marlon Brando nasceu a 3 de Abril de 1924, faria hoje 90 anos. Foi altamente crítico da forma como Hollywood trata os índios americanos e como foram representados nos filmes de "indios e cowboys".

Brando na Marcha pelos Direitos Civis em 1963
Quando Brando foi nomeado para o Oscar em 1973 pelo papel de Don Corleone no "Padrinho", recusou participar na cerimónia e em seu lugar enviou Sacheen (Pena Pequena) Littlefeather para o representar, uma jovem actriz e activista Apache/Yaqui (nascida Marie Cruz) que tinha participado na ocupação da ilha-prisão de Alcatraz onde estavam maioritariamente encarcerados negros. Quando o nome de Brando foi anunciado como vencedor, ela subiu ao palco totalmente vestida com trajes e regalia nativa e ia tentar ler uma mensagem em nome de Brando declinando a aceitação do prémio.
O actor tinha escrito um discurso de 15 páginas explicando as suas razões, mas Littlefeather contaria mais tarde que tinha sido ameaçada de prisão se tentasse ler o discurso completo. Em vez disso, deram-lhe 60 segundos, em que tudo o que conseguiu dizer foi:
"O que Marlon Brando me pediu para vos dizer, é um discurso algo longo que eu não posso compartilhar com vocês hoje, pelas limitações de tempo impostas, mas sinto-me feliz em compartilhar essa mensagem depois com a imprensa, no essencial dizendo que... muito infelizmente ele não pode aceitar este prémio, apesar dele ser muito generoso. E a razão para a recusa é o tratamento dos índios americanos hoje pela indústria cinematográfica ... desculpem-me ... e na televisão em reprises, e também os recentes acontecimentos em Wounded Knee... Espero não me ter intrometido na vossa festa e que no futuro ... os nossos corações e o nosso entendimento estejam reunidos com amor e generosidade. Muito obrigado em nome de Marlon Brando"
A assistência dividiu-se, aplaudiu e vaiou. O discurso foi compartilhado numa conferência de imprensa após a cerimónia e foi publicado no dia seguinte na íntegra no jornal New York Times.

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"Se faz parte dos desígnios da Providência extirpar esses selvagens para abrir espaço aos cultivadores da terra, parece-me oportuno que o rum seja o instrumento apropriado. Ele já aniquilou todas as tribos que antes habitavam a costa" (Benjamin Franklin, criticando o expansionismo selvagem dos colonos brancos dos 13 Estados Unidos iniciais da Costa Leste). Calcula-se que entre 80 a 90% da população nativa da América do Norte, que na era pré-colombiana não seria de menos de 50 milhões de pesssoas, tenha sido dizimada no Holocausto dos Nativos Norte-Americanos. (wikipedia)

"Holocausto Americano (American Holocaust) Quando tudo isto acabar continuaremos a ser Indios", documentário produzido pelo grupo "Films For Action" no ano 2000.

domingo, fevereiro 02, 2014

"o Respirar da Locomotiva", visto há 40 anos pelos "Jethro Tull"

do album "Aqualung" de 1971, notável pela longa introdução de piano e depois do min 2;45 pelo solo de flauta do virtuoso Ian Anderson. A letra utiliza a imagem de um eminente e inevitável acidente de comboio como retrato metafórico da vida do Homem, cada vez mais fodida. Ou como diriam os circunspectos jornais culturais: "em processo de declinio e falência"; quer dizer, até se foder de vez.

Ian Anderson ainda aí para as curvas
Adaptada ao nosso tempo e neste local, uma tradução livre e actualizada da lírica diria assim:
o velho Cavaco roubou o Carvão/
e o Comboio, e não vai Parar de andar/
Não Há Forma de o fazer Abrandar/
yeah, yeah/
Ele ouve o Silêncio uivando/
e agarra os Anjinhos que caem/
e os Vencedores de Todos os Tempos/
têm o gajo Agarrado pelos Tomates


quinta-feira, janeiro 23, 2014

Israel acaba de condenar 5 crianças palestinianas a prisão perpétua

Não existe nada de perpétuo, a começar pela própria vida. Um dia a subjugação a que o povo da Palestina está sujeito acabará, tal como acabou o sistema de escravatura na antiguidade, tal como acabou o sistema de servidão dos feudos na Idade Média, o sistema de castas, tal como acabou o regime racista na África do Sul, tal como se vão extinguindo todos os seus diversos sucedâneos contemporâneos sob a forma de salariato. Haverá um tempo em que a criminalidade contra as comunidades sociais não será permitida



off-record:
Katia Guerreiro, a fadista intima do Cavaco, convidada amiúde para eventos oficiais em representação de Portugal, fiel guardadora do esmero da 1ª Dama quando cuida dos afrancesados "naperons" do Palácio, foi condecorada pela França. Isto é normal?
por outro lado, vem num cantinho de um jornal gratuito: "nos últimos meses os serviços policiais de França detectaram 250 cidadãos franceses, em particular menores recrutados pela internet, que combatem na Síria ao lado de grupos islâmicos contra as tropas regulares do presidente Al-Assad"

domingo, janeiro 19, 2014

Sheherazade, a narradora dos lendários contos de "As Mil e Uma Noites"...

... apresenta-nos os "Kalenders", que eram uma categoria específica de faquires, monges que vagabundeavam por assembleias, tribunais, bazares, engendrando engenhosas histórias, fazendo truques de magia, contando anedotas, em troca de uma moeda ou de alojamento por uma noite. O "Príncipe Kalender" foi um desses mendigos que acabou por se descobrir ser um rico Nobre disfarçado. Importada do Oriente, a lenda em Portugal transfigurou o Principe num fadista (obviamente), que cantarola o "Embuçado".

A leste a lenda deu origem à mais famosa das obras do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov. A história do Príncipe Kalender é o segundo andamento da suite "Sheherazade", cujo prelúdio descreve o Mar e o navio de Simbad; prosseguindo no terceiro andamento pelo voluptuoso conto do jovem Príncipe e a jovem Princesa, diz-se que inspirados nas figuras reais do príncipe Kamar al-Zanna e da Princesa Virgem Budur, hermafroditas, criados tão parecidos um com o outro que poderiam ser tomados por gémeos. Os vários contos reúnem-se no final, na Festa em Bagdade, no Mar e no Navio que encalha numa rocha em cujo cimo se ergue uma estátua em bronze de um Guerreiro a Cavalo.

Em 1910, Michel Fokine utilizou a música para numa época de ouro criar um ballet dançado por Vaslav Nijinski, com a autoria dos figurinos, cenários e coreografia de Leon Bakst. Esta é uma versão contemporânea desse bailado.



O quadro representa a Batalha de Issus em que Alexandre, o Grande conseguiu uma vitória decisiva, do Ocidente sobre o Oriente;sobre Dario III à frente de 69000 peltastas, 10000 mercenários gregos, 11000 cavaleiros e 10000 Imortais da Pérsia. Não fosse esta derrota a noção de "Europa" não teria sido possível como imagem de "civilização única e superior". Por sua vez os exércitos vitoriosos de Alexandre incorporavam 22000 falangitas e hoplitas, 13000 peltastas e 5850 homens a cavalo. (wikipedia)

domingo, janeiro 12, 2014

"Ele é mais que Mandela, é como se fosse Jesus, é o Rei do Universo" (titulo de artigo no DN, 7 de Janeiro). Estamos a falar de quem?



O antigo jogador manifestou um desejo (cruzes canhoto) para o dia do seu funeral. Em entrevista à STV, disse que queria apenas que a urna estivesse coberta com três bandeiras, a da minha terra Moçambique, a do Benfica e a de Portugal. Herói nacional, porém o desejo da bandeira da sua terra natal foi na realidade esquecido e, à medida que o delirio futeboleiro cresce, vem sendo apagado dos media. Pudera, se o desejo de Eusébio fosse cumprido, sobre a sua urna ia repousar uma bandeira com uma kalashnikov em riste, pela terra, o simbolo da luta contra o fascismo e o colonialismo.

"A nossa guerra é uma guerra de libertação nacional contra o colonialismo Português, contra o imperialismo e contra a exploração do homem pelo homem. Os colonialistas querem que a nossa guerra deixe de ser uma luta contra os exploradores e se transforme numa guerra contra o povo português, que deixe de ser contra o imperialismo e se torne numa guerra entre os negros de Moçambique e a população branca em Moçambique, uma guerra racista. Para atingir este objectivo, Portugal está a remover sistematicamente os povos africanos das suas terras férteis e a entregá-las aos europeus. Quando o governo português expulsa os moçambicanos das suas terras, a fim de colocar lá os seus colonos, o seu objectivo principal é forçar o surgimento de contradições entre os povos moçambicanos e português. Ao fazê-lo, o colonialismo vem dizer aos fazendeiros brancos que eles devem defender a sua terra contra os africanos, e ao mesmo tempo, cria na população africana um sentimento de ódio por aqueles que ocuparam as suas terras. Transformar a natureza da nossa guerra e colaborando na confusão sobre a identidade do inimigo, seria criar confusão sobre quem deve ser o alvo de nossas balas"

Samora Machel 1971, (nove anos depois de Eusébio se ter sagrado campeão europeu pelo Benfica) durante a guerra pela independência de Moçambique. O documentário "Camarada Presidente" lança um olhar sobre Machel, como ele conduziu o seu país à independência e deixou um respeitado legado de liderança. Não em Portugal, mas por todo o mundo anti-imperialista.



Para aprofundar o tema:
"Quem Matou Samora Machel?" de Álvaro B. Marques, Edit Ulmeiro, 1987
a resposta é clara: os mesmos que agora endeusam Eusébio.

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Mapa da Evolução do Sionismo Global (1975-1991)

A Resolução 3379 da ONU votada a 10 de Novembro de 1975 decreta que "o Sionismo é uma forma de racismo e de discriminação racial", afirmando que “a cooperação e paz internacionais requerem [...] a eliminação do Sionismo". A Resolução foi aprovada por 72 votos a favor contra 35 (com 32 abstenções). O Portugal de 25 de Abril votou a favor, junto com a URSS e a República Popular da China, tendo os Estados Unidos votado contra. A decisão assentava na Resolução 77 da OUA que declarava que "o regime racista na Palestina ocupada e o regime racista no Zimbabwe e de apartheid na África do Sul têm uma origem imperialista comum, formando um todo e tendo a mesma estrutura racista e sendo organicamente ligados na sua política destinada à repressão da dignidade e integridade do ser humano (fonte)

Coincindindo mais ou menos com o golpe de Estado que desmantelou a União Soviética, a Resolução 3379 contra o Sionismo  foi revogada pela Resolução 4686 da mesma ONU em 16 de Dezembro de 1991, por exigência expressa de Israel como condição para a sua participação na Conferência de Paz de Madrid (1) sob o patrocinio do presidente dos EUA e ex-director da CIA George Herbert Bush, e consistia numa única linha, assim: "The General Assembly Decides to revoke the determination contained in its resolution 3379 (XXX) of 10 November 1975". Votaram a favor 111 paises, o Portugal de Cavaco Silva já incluido ao lado dos EUA e do arremedo da URSS de Gorbatchov. 13 paises abstiveram-se, a China e mais 14 paises não compareceram à sessão; 25 paises votaram contra, incluindo a Arábia Saudita. (fonte) 

(1) a Conferencia de Madrid foi uma entre as 18 "conferências de paz", levadas a cabo desde 1919, que não lograram produzir quaisquer resultados na modificação do regime vigente em Israel. Em Madrid os Sionistas negaram-se a reconhecer a OLP como interlocutora, de modo que os representantes palestinianos que foram enviados tiveram que participar integrados na delegação da Jordânia. (fonte)

Ver também: o Sionismo e a União Soviética http://pt.wikipedia.org/wiki/Sionologia

domingo, dezembro 29, 2013

da Teoria e da Prática

Está prestes a ser publicada uma nova versão do segundo livro mais editado do mundo, depois da Bíblia (aqui)

"O método de estudo das ciências sociais exclusivamente através das teorias e literatura é extremamente perigoso e pode até conduzir-nos para o caminho da contra-revolução. Quando dizemos que o marxismo é correcto, certamente não é porque Marx fosse simplesmente um "profeta", mas porque a sua teoria foi provada como correcta na nossa prática e na nossa luta. Muitos dos que lêem livros marxistas tornaram-se renegados da revolução, enquanto que muitos trabalhadores analfabetos, muitas vezes sem compreender lá muito bem o marxismo, têm práticas revolucionárias. Claro que devemos estudar os livros marxistas, mas este estudo deve ser integrado com as condições reais do nosso país a cada momento. Precisamos de livros, mas temos que superar a adoração pelo livro, quando este propicia apenas o divórcio da situação real" (Mao Tsé-Tung)
“O pensamento filosófico de Mao Tsetung é sobre libertar as pessoas dos seus desejos materiais de forma a que as pessoas possam ser livres e naturais” (aqui)
a China celebra a data de nascimento de Mao Tsé-Tung - e o presidente XiJiping lembra os que lhe apontam erros: "os líderes revolucionários não são deuses, mas seres humanos (...) não se pode venerá-los como deuses, não se pode impedir que o povo aponte seus erros apenas porque são grandes personagens. Tampouco podemos apagar as suas conquistas históricas apenas porque cometeram erros" (aqui)

Em 1990 a população urbana na China situava-se nos 26% - em 2012 essa percentagem subiu para 52,6%. Estima-se que em 2025 se situará nos 70% com a construção de 120 novas cidades. A Grã-Bretanha demorou 120 anos para atingir níveis semelhantes de desenvolvimento económico. (aqui)
Com o desenvolvimento da economia, em 8 anos (2002-2010) foram retiradas da agricultura de subsistência cerca de 50 milhões de pessoas (aqui) - o que não significa que as populações que ainda vivem em pequenas localidades rurais estejam estagnadas nas mesmas condições de miséria em que se encontravam à data da vitória da Revolução em 1949, numa China então colonizada pelos interesses estrangeiros.(aqui)

O laureado Nobel da Economia Joseph E. Stiglitz citou a urbanização na China, juntamente com a evolução da tecnologia nos EUA, como as duas questões mais importantes que irão moldar o desenvolvimento do mundo durante o século XXI (aqui)

Para saber mais (na óptica imperial burguesa):
* Asia’s next revolution; Rethinking the Welfare State (The Economist)
* Asia`s Obama Problem, How China Wins when América gets Distracted

domingo, outubro 27, 2013

Lewis Allan "Lou" Reed (1942-2013)

"Just a perfect day/ feed animals in the zoo/ Then later/ a movie, too, and then home/ Just a perfect day/ problems all left alone/ Weekenders on our own/ it's such fun/ Just a perfect day/ you made me forget myself/ I thought I was/ someone else, someone good". O intérprete perfeito para os tiques existenciais das cricas nova-yorquinas. Nasceu no seio de uma familia judaica em Brooklyn;  pareceu que apenas caminhava pelo lado selvagem; Foi considerado o 81º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone. Foi o cantor preferido dos norte-americanos em 2013 (mais sexy e o mais bem pago). (o resto da biografia aqui)

terça-feira, outubro 08, 2013

domingo, outubro 06, 2013

Heróis da Classe Operária - Vo Nguyen Giap (1911-2013)

é fácil recrutar mil soldados, mas difícil encontrar um general” (provérbio chinês)

Vo Nguyen Giap formou-se na Universidade de Hanói em Economia Política e Direito aos 19 anos. Ensinou História e trabalhou como jornalista tendo em 1930 sido preso por apoiar as greves estudantis. Em 1931 tem inicio a expansão imperialista do Japão, potência regional que ocupa vastas extensões da China e do sudeste asiático. Em 1934 o Exército Popular da China escapa à campanha de aniquilação dos imperialistas japoneses aliados à burguesia nacionalista. No inicio da “Longa Marcha” de fuga estratégica das forças lideradas por Mao Tse Tung, o jornal do Partido Comunista utiliza pela primeira vez o termo “Maoista” para explicar o conceito da guerra da generalidade de um povo oprimido, organizado em torno de um Exército do Povo. O jovem Vo Nguyen Giap tem apenas 23 anos, mas já assimilou um principio socialista fundamental em defesa da soberania do seu povo: um homem senhor de si não terá outro senhor!

"O general que vencerá a Guerra não é aquele mais forte, é o mais astuto" (Sun Tzu n"A arte da Guerra")

Em 1938, a França proibiu a doutrina comunista em todos os seus territórios coloniais da Indochina. Enquanto a irmã de Giap foi detida e executada e a mulher Nguyen Thi Quang Thai foi igualmente encarcerada vindo a morrer na prisão, Giap conseguiu fugir para a China aliando-se a Ho Chi Minh onde funda a Frente Nacional de Libertação do Vietname (FNL). Ali aprendeu com a teoria de Mao Tse Tung que “a origem mais profunda do poder para decretar a guerra reside nas massas populares” – não uma guerra ofensiva contra outros povos, um homem de bem não se faz soldado, e quando é obrigado a sê-lo já tem apreendido uma sólida cultura politica - mas uma guerra em defesa da soberania do povo contra as agressões de contingentes mercenários ao serviço dos interesses económicos descomunais das potências coloniais capitalistas. No caso da Indochina tratava-se do controlo das plantações de borracha, que proporcionaram o nascimento de empórios como a Michelin, ou das exportações de carvão, estanho e zinco, essenciais para abastecer as indústrias dos centros capitalistas. Como teorizou Lenine no “Imperialismo, Estádio Supremo do Capitalismo” – “os monopólios privados e os monopólios estatais confundem-se na era do capital financeiro, não sendo uns e outros mais do que elos da luta imperialista travada entre os maiores monopolizadores pela partilha do mundo”, e no passo seguinte, “demonstrando o extraordinário reforço da máquina estatal a extensão inaudita do seu aparelho burocrático e militar”. Como sempre na análise marxista, a teoria viria a ser confirmada pelos factos.

Em 1940, um ano após o inicio da 2ª Grande Guerra tropas do Japão ocupam o Vietname, que permanecia uma colónia francesa. Em 1941 a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) assina um pacto de não agressão com o Japão. Os japoneses ocupam todo o sudeste asiático em 1942, capitulando após a batalha do Pacifico perante os Aliados em 1945. A guerra havia terminado, mas não a economia de guerra que devastou o 3º Mundo por séculos.

o General Vo Nguyen Giap assume o comando. Mais tarde dirá: "fui apenas uma gota, no esforço de milhões de homens"
Face às acções armadas das tropas de libertação, em 1946 os Franceses bombardeiam Haiphong despoletando a Guerra da Indochina. Dia 1 de Outubro de 1949 é proclamada a independência República Popular da China. Em 1950 tem inicio a guerra que divide a Coreia em duas segundo dois regimes diferentes, capitalista a sul, comunista a norte. Em 1954 a França abandona a Indochina após a derrota em Dien Bien Phu resultando dos acordos de paz de Geneva a divisão do país em dois, com Ho Chi Minh no governo da República Democrática do Vietname do Norte - a França retirou-se, mas os Estados Unidos ocuparam o sul do país…
Confirma-se portanto o conceito maoista de que "a Guerra é a politica com derramamento de sangue e que a Politica é a guerra sem derramamento de sangue

entrevista com o General Vo Nguyen Giap, gravada em 2003

os Estados Unidos viram-se obrigados a retirar do Vietname em 1973. Giap continuou no comando das tropas norte-vietnamitas conduzindo uma campanha que finalmente em 1975 capturou Saigão, a capital do Vietname do Sul. A vitória e a expulsão das tropas yankees possibilitou a reunificação do país sob o governo do Partido Vietnamita dos Trabalhadores, com Giap como ministro da Defesa e, posteriormente em 1976 como vice-primeiro-ministro (ano em que se integra o Comité Central do Partido Comunista do Vietname (ex-PVT), em cujas funções ainda comandou a intervenção para derrubar Pol Pot no Camboja, mais um regime criminoso apoiado pelos EUA. Durante a Guerra do Vietname (1955-1975) morreram 2,5 milhões de pessoas e destas, apenas 58 mil foram soldados mercenários norte-americanos, vítimas imbecilizadas de armas que nunca perceberam...

quarta-feira, outubro 02, 2013

o Açafrão

As flores recém colhidas do “Crocus sativus” estão prontas para que os seus preciosos trios de estigmas sejam retirados. Eles são açafrão, um condimento amplamente utilizado em pratos milenares no norte de África


A colheita do açafrão tem inicio a partir de meados do mês de Outubro. Cada plantação marroquina, normalmente pequenas explorações familiares, é apanhada entre uma semana a dez dias. Dentro de cada flor, os três estigmas mais compridos de cor laranja-vermelho são o açafrão, os pistilos amarelos mais curtos suportam o pólen, que supostamente reproduziria a planta, porém esta foi domesticada há tanto tempo que já não se consegue reproduzir sem a ajuda humana.


Normalmente a colheita e a delicada operação de extracção é feita por mulheres. O açafrão só pode ser removido com a mão, apertando o cálice da flor e extraindo suavemente os estigmas. Para produzir um quilo de açafrão são necessárias entre 140.000 a 150.000 flores. As pétalas e os pistilos são descartados.


Para aproveitar ao máximo o sabor do açafrão, após a sua extracção das flores os fios são colocados ao sol, pelo processo artesanal, ou num forno, para secar a cerca de 20 por cento da sua humidade original. Há dois mil anos atrás, Plínio o Velho, escreveu na sua História Natural que o verdadeiro açafrão era original da Cilicia, um reino situado no sudeste da actual Turquia, acescentando “não haver nada que seja tão adulterado como o açafrão" E esta verdade continua a ser válida hoje. O açafrão continua a ser adulterado ou falsificado, mais vulgarmente por fibras de coco tingidas de açafrão, por tudo menos por pétalas de açafrão vendidas sem misturas. O açafrão mais confiável é o de cor vermelho-púrpura, por ser o mais difícil de adulterar.


Os comerciantes árabes oriundos do norte de África introduziram o açafrão em terras do Al-Andalus por volta do ano 900, e os Cruzados no regresso das incursões na Ásia Menor trouxeram-no para Itália, França e Alemanha por volta do século XIII. Um século mais tarde o açafrão era cultivado no Essex durante o reinado de Henrique VIII, trazendo grande riqueza à principal cidade produtora, Chypping Walden, localidade a que o rei mudou o nome em 1514 para Saffron Walden. Nesta época, quem adulterasse esta especiaria podia ser condenado à morte na fogueira.


A Espanha foi durante séculos o maior produtor de açafrão do mundo. Aliás, sem as incursões do valoroso príncipe árabe El Cid (de Sidi, “Senhor”) não existiria esse famoso motivo de peregrinação a terras de la-Mancha que se chama paella à valenciana. Hoje a Espanha, relegada para um lugar secundário depois de Marrocos, Grécia Itália e Turquia, importa a maior parte do açafrão do Irão, que entretanto se tornou líder mundial, com uma quota de mercado de 96 por cento da produção global. Sob um projecto apoiado pela Comissão Europeia a Espanha tinha no inicio deste ano cerca de 6.000 hectares de cultivo, enquanto a área cultivada no Irão disparou para 50.000 hectares, o que representa 250 toneladas anualmente, constituindo o açafrão cerca de 13,5 por cento das exportações não petrolíferas iranianas.

Fontes:
* Artigo de Jeff Koehler sobre a cultura do açafrão em Marrocos na cidade de Taliouine, para a World Saudi Aramco
* Wikipedia

sábado, setembro 07, 2013

Nova desOrdem Mundial

"As pessoas são geralmente fanáticas e não esclarecidas: encaram invariavelmente como correcto o que se lhes assemelha e como errado o que se lhes dissemelha, daí resultando recriminações mútuas... Não compreendem que os diversos tipos de humanidade não são uniformes e que os seus costumes também não são um só, que não só é impossivel forçar as pessoas a tornarem-se diferentes, como também é impossivel obrigá-las a tornarem-se semelhantes"
(Yung-Cheng,imperador da China, 1727

(esta pintura chinesa mostra o Imperador Yung-Cheng usando uma peruca e jaqueta ao modo do Ocidente, preparando-se para atacar um tigre com um tridente)

Na senda da famosa alegoria do Tigre de Papel, a China apoia a estratégia da Rússia sobre a Siria.
a Rússia ajudará a Síria em caso de ataque militar (cronologia em actualização)
Em caso de ataque norte-americano a Síria responderá à agressão atacando Israel

Para manter a sua Economía e evitar a ruina os Estados Unidos estão dispostos a tudo, incluindo a utilização de ogivas nucleares

Crise Financeira Global: Único crescimento à vista é o do Complexo Militar-Industrial dos Estados Unidos