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segunda-feira, novembro 02, 2015

de al-Buera a Albufeira

a al-Buera fundada pelos Árabes era uma pérola, como se diria hoje, de integração urbanistica e se pode constatar na gravura. No último domingo a natureza voltou a repôr as construções como eram dantes. Constrói-se sobre linhas de água, não respeitando a natureza, e depois quem não sabe queixa-se dela... As autarquias são obrigadas pela actividade dos seus qudros técnico-profissionais a impedir um crescimento desordenado e incorreto das malhas urbanas, mas o que se vê, não apenas em Albufeira mas um pouco por todo o Algarve, são construções em zonas de risco elevado - seja devido à possibilidade de cheias ou à aproximação de arribas e outras. E tudo isto porquê? pelo culpado do costume, o poder económico sobrepõe-se ao poder politico, o qual, rendido à captação de dinheiro pouco mais produz que... palavras. A propósito, disse o ministro dos bonitos serviços, ex-vendedor de seguros: “foi uma fúria demoníaca da Natureza: Deus nem sempre é amigo”. (Estamos bem arranjados com estes palermóides)

Em 2009 a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve embargou a obra de encanamento da ribeira de Albufeira, por falta de licença. A obra, adjudicada por 7,25 milhões de euros, fez parte do conjunto dos "grandes projectos" da cidade, segundo a visão da Autarquia, facilitando desde modo o alargamento da via rodoviária numa das principais entradas da cidade. A responsável da ARH Valentina Calixto despachou que o "objectivo da requalificação da ribeira era interessante (!!!), mas "têm de ser avaliadas as consequências que pode acarretar". A responsável lembrou que a ribeira entubada permite o escoamento com maior rapidez das águas para o centro da cidade em direcção ao mar, mas "a linha de água deixa de cumprir a sua função ecológica" O embargo de então, acrescentou, "poderia ser evitado se tivesse sido submetido o projecto para avaliação". Fazia-se à mesma. O Município, preferiu arriscar o pagamento da coima, e podia ter sido obrigado a "repor a situação" e a retirar as manilhas já instaladas. Podia mas não foi isso que aconteceu, de algum modo obscuro a presidência da Câmara Municipal PSD conseguiu limpar o incómodo e a obra foi concluida sem mais entraves ou satisfações a dar.

Respigado do blogue Olhão Livre: "Passados 6 anos e quando choveu a sério, as previsões confirmaram-se e Albufeira ficou alagada de agua e não foi só na Zona Ribeirinha, mas também em algumas zonas altas. A desculpa da maré estar cheia não funciona pois a maré nesse dia às 11,30h estava em baixa-mar. Quem ao longo dos anos foi encanando as ribeiras e autorizando a construção em leito de cheia? Só não houve vitimas mortais, na baixa de Albufeira, porque os bombeiros salvaram várias pessoas de morrerem afogadas, mesmo com falta de meios, conforme se viu nas imagens televisivas. E agora os culpados por essa obras, não vão ser chamados à responsabilidade? Ou mais uma vez a culpa vai morrer solteira,e os responsáveis ficam-se a rir? As vitimas desta tragédia, devem exigir responsabilidades aos responsáveis!" A natureza, tem esse hábito de de vez enquanto reclamar aquilo que em tempos lhe pertenceu, foi o que aconteceu em Albufeira; e vai continuar a acontecer, um pouco por todo o Algarve, enquanto não houver uma politica de desconstrução do betão e asfalto que vigora desde os anos 60. (fonte)

sexta-feira, setembro 12, 2014

11 de Setembro, no Dia Nacional da Catalunha, manifestação pró-independência reuniu 1,8 mihões de pessoas em Barcelona

Compreender a aspiração de independência da Catalunya pela história:

Com a morte de Carlos II a casa de Áustria não deixa descendentes directos, o que levará os monárquicos europeus a tomar partido entre os possíveis sucessores. A França defendia Filipe d`Anjou, neto de Luis XIV o Rei Sol e bisneto de Filipe IV, como candidato à Coroa de Castela. Enquanto toda a restante Europa defendia o arquiduque Carlos da Casa dos Habsburgos, afilhado do último rei e filho do imperador germânico. Carlos era o pretendente reconhecido maioritariamente para a coroa dos reinos da Catalunha e Aragão (que incluia Maiorca, a Sardenha, Córsega, Sicilia e Nápoles); e em 1705 foi proclamado rei de Barcelona pelas instituições catalãs.

Na sequência da Guerra dos 9 Anos, assim irá começar a Guerra da Sucessão em Espanha, em que tropas inglesas e austríacas lutaram contra tropas francesas e castelhanas, ajudados pelos partidários respectivos de cada candidato.
Os aliados, a Grande Aliança de Haia, pretendiam evitar que a casa dos Bourbons, que reinava em França e finalmente em Espanha a partir de 1700, adquirissem a hegemonia em todo o continente em detrimento dos países que se haviam aliado para o evitar: a Catalunya junta com os países da Coroa de Aragão (uma união com raízes no século XIV), a Inglaterra (os catalães com origem austríaca tinham assinado o pacto de Génova no ano de 1705 que reconhecia Carlos III de Habsburgo como Rei), a Holanda, parte da Itália e Alemanha e por fim, para desequilibrar, os paises do Império Austro Húngaro.

O primeiro acto da guerra começa em 1691 com a chegada da frota francesa e o bombardeamento da cidade de Barcelona por mar. 850 bombas lançadas em dois dias causam grandes prejuizos no casario. As tropas filipinas irão avançar e retroceder nesta grande contenda internacional. A frota francesa retira-se para ir atacar Alicante. Até que por fim, em 1697, é enviado o melhor da armada do rei de França comandada pelo conde d`Estrées (14 naus, 30 galeras, 3 bombardeiros e 80 embarcações menores) e o exército de infantaria do duque de Vendôme chega por terra com 18 mil homens e 6 mil cavalos iniciando o cerco da cidade, apostados em utilizar as últimas inovações em artilharia. A 14 de Setembro de 1705 o príncipe Jordi de Hessen- Darmstat, representante da coroa de Aragão nomeado pelo arquiduque Carlos III, morre ao tentar tomar o castelo do Monte dos Judeus (Montjuic), convertendo-se assim no primeiro mártir da história da Catalunya independente. Uma importante força de destruição desembarcou e continuou frente a Barcelona: 56 canhões e muitas outras peças de morteiro reforçados com tropas sob o comando do duque de Berwick, um avoengo da casa da familia Churchill.
A guerra irá sofrer uma reviravolta quando fica vazio o trono austríaco de que era herdeiro o arquiduque Carlos. A Inglaterra retira-se da guerra e a Catalunya irá ficar sózinha na defesa do arquiduque, abandonada à sua própria sorte. A partir de Julho de 1713, durante o ano que durou o cerco no total foram disparadas 50 mil balas de canhão, 20 mil bombas e efectuados 100 mil tiros de artilharia. 88 casas do então reduzido centro histórico foram totalmente destruidas e todas as outras sofreram danos parciais.
Após um ano de cerco, a 11 de Setembro de 1714, a cidade de Barcelona, que era defendida pelas milícias barcelonesas (a Coronela) sob o comando do capitão dos conselhos populares Rafael Casanova, sucumbiu às mãos das tropas de Felipe IV. Durante a batalha Rafael Casanova é ferido mortalmente; (e ainda hoje no monumento em sua honra no junto à Igreja de St. Maria del Mar arde ininterruptamente uma chama em sua memória e diariamente os populares ali depositam flores). 90 mil soldados do exército da casa dos Bourbon ocupam a provincia. Os catalães irão sofrer uma duríssima repressão. Perante a incredulidade dos cidadãos a inexorável lógica militar decide mandar revogar os títulos de propriedade e demolir todas as casas já se si muito danificadas no núcleo antigo da cidade, o bairro del Born, (onde se situa hoje o parque da Ciutadella), e construir ali uma grande fortaleza para aquartelar as forças invasoras.

Mais de 1000 casas e todo aquele sector de malha urbana de 200 hectares, antigamente muito próspero onde habitavam 40 mil pessoas, foi eliminado. Não há um paralelo comparável de destruição em toda a história europeia. O rei Filipe V, o primeiro da dinastia bourbónica irá suprimir a Constituição e as instituições democráticas catalãs de governo – como havia feito em Aragão e Valência – em 1716 promulga o decreto da Nova Planta, pelos qual os paises pertencente à coroa de Aragão eram desmembrados e submetidos à total dependência e organização política unitarista centralizada em Madrid. Vão desaparecer as Cortes Catalãs, a Generalitat e o Conselho dos Cem, os orgãos dos barceloneses que regiam o direito público catalão com direito participativos dos cidadãos que radicavam na tradição democrática adquirida a partir das Cortes de Tortosa em 1225. Todas as vias públicas foram renomeadas pelo rei de Espanha; e foi designado um capitão- general com autoridade máxima da Real Audiência para administrar justiça. Também irão ser suprimidas as Universidades de Barcelona e Leida, sendo criada outra de cariz filipino, a de Cervera. O castelhano é proclamado o idioma oficial único, e a língua catalã é banida, proibida por decreto. Assim será, e a Catalunya entra num lento processo de decadência cultural, até 1833 quando o Estado Espanhol será obrigado a reconhecer a provincia como entidade territorialmente unificada.

Durante a revolução, em 1869 o povo organizou-se e tomou nas suas próprias mãos a tarefa de demolição do quartel da Ciutadella, cujos terrenos livres (do antigo bairro del Born cujas ruinas arqueológicas recuperadas em parte se preservam hoje sob o coberto metálico do antigo mercado) dariam depois origem ao jardim que tem o mesmo nome. A partir do século XVIII os catalães embarcam na grande epopeia da colonização do Novo Mundo, que de um modo geral enriquece (a burguesia) do território. Gaspar de Portolà i Rovira, cuja estátua se situa hoje no alto do castelo sobre o porto, será o primeiro governador espanhol da Califórnia e a familia Guell, que enriqueceu com o negócio escravo das plantações de açúcar em Cuba, já no século XX encomenda a Antoni Gaudi o famoso parque que tem o seu nome e numerosas outras obras que hoje são ícones turisticos da cidade. Porém nenhuma destas novas memórias construidas e alimentadas com a exploração imperialista selvagem de outros povos, faz esquecer as velhas memórias das selvagerias antigas – Esta breve história aqui relatada é só para que se compreenda porque se queimam ainda hoje bandeiras espanholas e retratos do rei designado pelo ditador fascista Franco, Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias, na Diada, o Dia Nacional da Catalunya a 11 de Setembro, e se compreenda o sentimento de independência que está ali mais vivo que nunca,

11 de Setembro de 2014

quinta-feira, maio 29, 2014

66% dos eleitores fizeram gazeta aos partidos que vivem das urnas. ´"Qual é o limite de participação para conferir legitimidade democrática às eleições?"

a Constituição da República diz que qualquer acto eleitoral que registe menos de 20 por cento dos eleitores inscritos não tem validade, tendo de ser repetido - senão lá se vai o ar de  democracia que lhe dão
"Seguro melhor amigo de Coelho" - Como é que se finge pôr termo a esta bela amizade? talvez com António Costa como melhor amigo de Rui Rio?? (outro bilderberger)

Como é que se finge pôr termo a esta bela amizade? talvez com António Costa como melhor amigo de Rui Rio? A questão é posta por João Maria de Freitas-Branco, no artigo do Público de 27 de Maio pp 44:
"Quando é que se faz o urgente? será que o tão evidente quão extraordinário consenso alargado hoje existente em torno de três ou quatro grandes questões não chega? Quando é que as mentes mais lúcidas, mais racionalmente críticas e modernas da esquerda e do centro esquerda - da área socialista, comunista, social-democrata, democrata-cristã - se sentam à mesa para, em conjunto, cozinharem o núcleo de um programa de acção governativa que salve o país da violenta imoralidade da politica "austecida"? E, existindo esse documento que materialize uma convergência já há muito latente, não será fácil encontrar duas figuras razoavelmente consensuais para se apresentarem como os dignos estadistas que agora tanto nos faltam - um digno Presidente da República e um digno primeiro-ministro? Alguém me pode responder?" (ler aqui)

já me ando a mexer
Com todo o gosto, caríssimo Filósofo, com uma nota prévia: sem considerar a luta de classes não há solução. As estruturas do poder neoliberal estão desenhadas para não haver alternativa fora do Bloco Central de interesses instalados a favor das corporações. Analisando o existente: o governo Coelho-Portas esticou a corda até onde pôde, mas está esgotado. A burguesia precisa urgentemente que o P"S" seja eleito para estabilizar esta fase do assalto. Neste contexto, tanto Seguro como Costa foram os 2 convidados ao grupo Bilderberg (que tutela na sombra as grandes linhas de acção dos governos). O que pode ter acontecido é Seguro ter sido "eleito" para aguentar os cavalos sem grandes ondas, e, missão cumprida, já não precisam de um boneco como ele e descartam-no. Então venha o Dr. António Costa, que dá mais garantias de aguentar a fase seguinte (cuja politica será complementar da anterior. Costa não exige a demissão imediata do governo. Costa é bem capaz, se e quando lá chegar, aceitar um governo de coligação com o partido de Paulo Portas, outro bilderberger.
 
a solução para uma "saída limpa" da crise passa por um programa com três pontos essenciais:

quinta-feira, maio 15, 2014

Um comunista não se disfarça, diz ao que vem

E a utilização dos símbolos e das cores não pode servir para enganar os eleitores. Temos aqui neste exemplo comparativo dois estilos:

Num folheto editado pela CDU-PCP que detém o governo da autarquia de Santiago do Cacém apela-se a uma manifestação contra o estado precário e perigoso em que a suspensão das obras de construção pelo governo deixou a via rápida que liga o concelho a Sines. A situação já dura à dois anos, a causa é justa, porém, só em periodo de campanha é que se lembram de apelar à população para que lute… As cores que o folheto utiliza é o vermelho sobre amarelo, as cores tradicionais do PCTP-MRPP que usa o simbolo dos comunistas: a foice e o martelo. Pelo contrário, o simbolo azul da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, que é de facto quem paga e edita o folheto, vem identificado de forma minúscula em baixo ao centro (ver a seta vermelha). Isto pressupõe uma ilegalidade, a pedir a intervenção da CNE. Uma Autarquia não deve nem pode fazer e pagar campanha eleitoral em favor do partido dessa câmara.

Nos 2 recortes de jornal Público (14/5) em cima à esquerda, os comunistas expressam concretamente o seu programa; dizem ao que vêm: combater o projecto ruinoso da adesão de Portugal à EU e apresentar a proposta de saída do euro. Ao contrário, a coligação CDU-PCP dita comunista mas disfarçada de azul celeste, limita-se a exibir-se, fazer promessas em abstracto, e apelos descarados ao voto.

quinta-feira, setembro 26, 2013

campanha de manipulação de tachos autárquicos

Como diz no seu artigo de hoje Manuel Loff: "Vereadores? programas de governo nos pelouros? esqueçam! concentrem-se nos 308 Senhores doutores Presidentes de Câmara, e em mais alguns milhares de Senhores Presidentes de Junta de Freguesia".

Com vergonha de se assumirem como candidatos, ostentanto o simbolo dos seus partidos junto à sua cara, 54% dos "movimentos de cidadãos independentes" têm origem em tricas de dissidentes com as direcções dos seus partidos.  Promessas há-as para todos os gostos, a mais ridicula de todas será o convite a Woody Allen, seguindo a deixa do vice 1ºministro, de realizar um filme em Portugal: e promete o candidato à Câmara do Porto: "se for coisa que custe 3 ou 4 milhões de euros não hesitarei em oferecê-los"ao judeuzinho psicotrópico dos filmes - é de bom tom (para a Banca), de quem deixa os três mandatos à frente da Câmara de Vila Nova de Gaia com o maior nivel de endividamento do país! 

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Outra jogada recorrente, desta vez vinda da chamada "esquerda," é o caso da Câmara de Sines, onde o actual presidente, depois de cumprir três mandatos (um pelo P"C"P e dois como independente) e na impossibiidade de se recandidatar, se propõe agora para presidir à Assembleia Municipal, enquanto para presidente da Câmara vai a votos uma jovem moçoila clonada de si próprio.

No meio disto tudo, ainda a proposta mais atinada vem do auto-intitulado "formador de ninjas de Gaia" (que tem um seu neto ainda bebé na sua lista) quando afirma: "não vou pactuar com mentes malignas"...

segunda-feira, setembro 16, 2013

as Autárquicas e a Vingança das Televisões, obrigadas por lei a cumprir serviço público

(...) já que não nos deixam fazer a discriminação que queremos, então não fazemos cobertura da campanha eleitoral!" (uma queixa formal, tanto em termos constitucionais como juridicos, está neste momento em curso)

"Desde 2009 que a CNE tem sido mais exigente no cumprimento da lei que tem já muitos anos, depois de providências cautelares interpostas em tribunal e ganhas pelo MEP - Movimento Esperança Portugal e pelo PCTP/MRPP para terem assento nos debates televisivos - este último partido acabou depois por não aparecer nos debates" - o jornal Público quando afirma que o MRPP não compareceu aos debates mente descaradamente (com o espirito de filha-da-putice que pode caracterizar um pasquim de uma grande cadeia de consumismo comercial ), porque não esclarece que esses debates seriam agendados para as três e quatro da madrugada, hora a que não haveria nenhuma audiência para os ver. Querem fazer dos eleitores gente parva?

Na verdade toda a gente percebe hoje que as raizes da Censura sobre o tema "eleições autárquicas" radica no famoso triângulo Banca-Poder Local- Construtores de Bens não Transaccionáveis, ou seja, nas teias da corrupção e compadrio que favorecem a especulação imobiliária! ao invés de Portugal poder progredir com investimentos na Produção de bens transaccionáveis que equilibrariam a nossa balança de pagamentos. Em termos gerais é esta a linha principal para a compreensão da "crise". Para se compreender os pequenos nadas que os Medias fazem andar por aí a flutuar à flor da opinião pública

terça-feira, janeiro 29, 2013

Dívida da Câmara de Sintra liderada por Fernando Seara (PSD) ultrapassou o ano passado os 100,6 milhões de euros

abriu mais uma época de caça aos simpáticos apoiantes de aldrabões. A ameaça é real, este não vai desertar.

Primeira promessa: em 2014 tem de haver uma baixa de impostos (!) sussura o truculento Seara. "Gestor" ruinoso de alta performance (mais de 100 milhões de dívida contraída num ano em Sintra é obra... mais uma... para lançar nas contas do famigerado Estado mínimo para fazer pagar o máximo aos contribuintes. Spin-doctor e grande formador de opinião de claque futebolista, olheiro ingénuo do gang, casado com uma directora de desinformação televisiva famosa, politico anestesista que conclui que a "revisão da Constituição merecia um entendimento cirúrgico", a sua primeira facada em promessas não cumpridas verificou-se logo no primeiro mês no cargo na autarquia de Sintra em 2001: mandar colocar portagens na Crel. Atenção utentes do voto, se este cavalheiro social-dividocrata se apanha a mandar em Lisboa, não vai largar os bolsos dos lisboetas... Fixemos para memória futura: António Costa prometeu não aumentar o imposto municipal IMI aos imóveis abrangidos pela autarquia de Lisboa


Professor Doutor Fernando Seara associa-se às comemorações do 25 de Novembro, à surrelfa, muros de quarteis adentro, e nas costas do povo. Se porventura a nova lei de limitação de mandatos o permitisse, no próximo ano teríamos Seara a homenagear um qualquer busto do major jaime neves, o tristemente célebre simbolo da "democracia" que trouxe o país ao estado em que está.
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quarta-feira, março 28, 2012

a deposição da Dívida

"Na Biblia há o jubileu: o cancelamento da dívida de 6 em 6 anos. As terras eram restituidas, os servos libertados" (Mariana Mortágua)



"a Dívida foi sempre um instrumento de chantagem. Não é uma coisa nova, no livro (a Dividadura) defendemos que ela é anterior à moeda cunhada. Na economia local a moeda fisica era um elemento raro, mas havia registo de dívidas. E ficámos a saber que as sociedades encontraram mecanismos de cancelamento e renegociação da dívida, para não permitir que fosse um factor de desestabilização, de agravamento da situação, de entropia"
Mas deixou de ser assim...
- Na sociedade moderna, nas crises da América Latina, da Argentina, a dívida passou a ser usada para impor politicas. Pelo FMI, por exemplo" (ibidem)
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domingo, novembro 13, 2011

a partir deste governo o aparelho do Estado passa a ser orientado a partir de fora

Este Orçamento corta 14,8% na massa salarial e quase 22% do rendimento disponivel para a função pública. A partir do próximo ano, cumprindo as exigências da Troika, os funcionários públicos vão começar a ser descartados...

"se perguntassem aos trabalhadores da administração pública (que desde 2002 não vêem aumentado o seu salário) e às cerca de 100 mil pessoas que participaram na manifestação de ontem, se acreditam na mirífica possibilidade de o actual governo com o apoio do PS mudar a sua política,
seguramente que teriam uma inequívoco e rotundo repúdio como resposta – então, porquê continuar a fazer aparecer a absurda e reaccionária palavra de ordem de mudança de politicas?
Em contrapartida, os dirigentes sindicais, principalmente os da CGTP, persistem em não apontar a esta luta objectivos políticos precisos e claros de não pagamento da dívida e derrubamento deste governo de lacaios, rebaixando estas acções a meras manifestações de denúncia e descontentamento"
(Luta Popular)

Tendências dos Mercados: Mario Monti o novo 1º Ministro de Itália foi assessor da Coca-Cola e director da Goldman Sachs. Novo presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, é um ex-vice-presidente da Goldman Sachs. Novo 1º Ministro grego é um ex-director do Banco Central da Grécia
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segunda-feira, outubro 04, 2010

"(...) Portugal oferece-nos o exemplo de uma forma um pouco diferente da dependência financeira e diplomática com independência política. Portugal é um Estado soberano e independente mas, de facto, há já mais de duzentos anos, desde a guerra de sucessão de Espanha (1701-1714), encontra-se sob protectorado britânico" (Lénine, in "O Imperialismo, Estádio Supremo do Capitalismo" (Junho de 1916)

Após um período inicial de apoio popular, com a entrada de Portugal na Primeira Grande Guerra, a instâncias da Inglaterra que invoca a "velha aliança" para exigir o bloqueio dos portos aos navios alemães, à qual o Partido "Democrático" acede, agravaram-se extraordinariamente as condições de vida do povo dependente do trabalho assalariado, que começam a pôr em causa a legitimidade do regime saído da Revolução de 1910. A divida contraída para sustentar a guerra seria a causa próxima para o descalabro que justificou a implantação do regime fascista de Salazar - em nome da normalização das Finanças

Enfim, entre a implantação da República com a euforia dos cidadãos a vitoriarem a nova situação e o 25 de Abril, exceptuando o longo interregno do Estado Novo em que andaram a pé, o que mudou realmente foi a marca das viaturas onde a malta se empoleirou...

"A indústria portuguesa em que predominavam as pequenas e muito pequenas unidades, conservava processos produtivos obsoletos e mantinha uma vocação dependente dos mercados coloniais. Para fugir à miséria, grandes massas de assalariados migravam, porque a debilidade do tecido industrial era incapaz de absorver a mão de obra excedente. As degradantes condições de vida dos trabalhadores e do povo - salários baixos, ausência de politicas sociais, longos horários de trabalho, elevados niveis de analfabetismo - faziam realçar a decadência e parasitismo do regime monárquico. Aesar da existência de constrangimentos vários, de entre os quais avulta a dependência face ao capital estrangeiro, Portugal conheceu nos anos que antecederam a implantação da República um significativo processo de desenvolvimento industrial com a criação de novos ramos, elevação do nivel tecnológico, aumento do número de unidades e da sua dimensão, acompanhando o desenvolvimento urbano nos grandes centros como Lisboa e Porto e consequente crescimento da pequena e média burguesia ligada ao sector dos serviços, também eles em expansão e que viam na Monarquia um obstáculo à sua afirmação"
(extracto da descrição das condições de luta do povo português no folheto comemorativo do PCP nos 100 anos da República)

Saudosismo: "O único consolo dos Monárquicos é que o último Rei foi um homem decente, que podia ter sido Rei de uma Monarquia Decente, se ainda fôssemos a tempo disso, e não fomos" (Pedro Mexia, Público 2/10).

Ainda assim ficaria por explicar que justificação existiria para Portugal ter um representante de Deus na terra, num ínicio de século onde, com Darwin, se começava a constatar cientificamente que afinal Deus não existia. Assim, num país crente e profundamente alienado pela religião, revolucionária foi a proposta de Afonso Costa:
"O Partido Republicano tem a obrigação de defender o povo mesmo contra a vontade do próprio povo" - a que se seguiu uma politica de confiscação da maior parte do património nacional que se encontrava sob a alçada da Igreja.

"A ideia de uma República só para republicanos fez brotar nos católicos uma consciência mais definida da opção religiosa, uma resistência na defesa dos valores e uma necessidade de formação dos crentes para a restauração do país" (bispo Don Manuel Clemente, Janeiro de 2010)
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terça-feira, setembro 14, 2010

A vida de dívida fácil

A austeridade (desinvestimento) imposto pelos recentes orçamentos de Estado às Autarquias locais e o apertado sistema de controlo pelo Tribunal de Contas, levam as câmaras municipais a transferir custos de gestão inventando empresas municipais, não sujeitas a fiscalização por aquele órgão – um expediente para prosseguir na senda das obras para impressionar populações, mesmo que não haja dinheiro para elas, nem que as ditas obras sejam necessárias para o que quer que seja. No fazer é que está o voto e a estabilidade económica dos gestores. A EPUL tem um passivo de 218 milhões de euros, a Gebalis 42,5 milhões, a EMEL 23,6, a PortoLazer 5 milhões em 2009. 32 milhões é o valor que as Câmaras de Lisboa e Porto tiveram de pagar para financiar as dívidas das suas empresas municipais (fonte). Espera lá: se as ditas obras não são necessárias para o que quer que seja, já o mesmo não se aplica aos cargos de prestadores de serviços. As nove maiores empresas municipais têm 22 administradores que custam meio milhão de euros por ano (uma média de 3.300 euros por cabeça). Embora os vereadores sem funções administrativas estejam proibidos por lei de acumular rendimentos nessas empresas semi-públicas, esta filosofia de endividamento repete-se pelas autarquias de menor dimensão, proporcionalmente um pouco por todo o país.

O Estado faz o mesmo, paga a dívida e o seu serviço em juros por um lado, cria novos endividamentos fora do orçamento (e da correcção do défice) através das parcerias público-privadas (cuja conta calada, junto com a dos submarinos só chegará às contas públicas em 2013). Actualmente, só as "Estradas de Portugal" tem uma dívida de 1,9 mil milhões de euros a juntar a tantas outras, como a Refer, a Tap, Metropolitano de Lisboa, Metro do Porto, Parpública, a RTP (860,5 milhões) etc. num total de 24 mil 585 milhões (fonte). A Dívida Directa do Estado português é neste momento de 146,2 mil milhões de euros. Nos primeiros sete meses de 2010 essa Dívida sofreu um acréscimo de 2,65 milhões de euros por hora. Só em Agosto o governo efectuou mais seis emissões de títulos da dívida pública, que perfazem um montante total de 5 mil 272 milhões de euros (fonte). O ritmo do endividamento continua, portanto, em ritmo alucinante e vertiginoso — enquanto a economia portuguesa passa paulatinamente da estagnação ao declínio (fonte)

Não se pense contudo que esta politica é tirada da cartola de um qualquer governo. Quando o ministro das Finanças, uma espécie de caixeiro viajante da Dívida, se desloca em missões oficiais a praças importantes, é obrigado a fazer-se acompanhar pelos verdadeiros decisores/administradores do negócio de viver faustosamente dos juros do endividamento

sexta-feira, setembro 10, 2010

boa malha ...

Pré-Aviso de Greve na PSP
potenciais vítimas das habituais bastonadas aleatórias adorarariam ser moscas para descobrir o que andarão a congeminar as chefias maçónicas do Ministério da Administração Interna (Rui Pereira) e o director-nacional da PSP (Oliveira Pereira) ambos "irmãos" da Grande Loja do Oriente Lusitano para instaurar processos disciplinares e/ou criminalizar os potenciais "grevistas" ao bastão:

a fundamentação juridica para a convocação pelo sindicato (Sinapol) da greve das Policias durante a Cimeira da NATO nos dias 19, 20 e 21 de Novembro:

clique no texto para ampliar

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Capital e Religião (sem Trabalho) II

Segundo monsenhor António Barbosa, Ramalho Eanes, o insigne católico Conselheiro de Estado e mandatário de Cavaco Silva, não pertence à Opus Dei.
a conferir com a regra 191 de “O Caminho” consagrado na Constituição da Ordem religiosa em 1950: “…os membros supranumerários deverão observar sempre um silêncio prudente no respeitante aos nomes de outros membros; e nunca revelar a ninguém o facto de eles pertencerem ao Opus Dei… a menos que expressamente autorizado a fazê-lo pelo seu director espiritual local” - será por esta razão que o messiânico Cavaco é sempre tão parco em opiniões?

"Uma vez que fui abandonado e traído por aqueles que eu considerava como meus aliados mais fidedignos, não possso deixar de recordar as operações que empreendi em nome dos representantes de São Pedro... Eu providenciei financiamento, através da América Latina, para navios de guerra e outro equipamento militar para ser utilizado para contrariar as actividades subversivas das bem organizadas e temíveis forças comunistas. Graças a estas operações, hoje a Igreja pode gabar-se de uma nova autoridade em países como a Argentina, Colômbia, Peru e Nicarágua”. (Roberto Calvi, em carta à prelatura católica de Roma, 1981)

Edward Biberman - Pietá

Calvi foi um banqueiro italiano dissidente da Opus Dei que foi assassinado depois do escândalo financeiro da insolvência do Banco Ambrosiano (o banco do Vaticano) aparecendo enforcado em 1982 debaixo de uma ponte em Londres.
No julgamento do crime que as “autoridades” italianas iniciaram em 2005 (com a “justiça” muito conveniente- mente a funcionar apenas 23 anos depois) a defesa sugeriu que havia um grande número de gente com motivos para ter cometido o crime, desde oficiais da prelatura do Vaticano que queriam assegurar o silêncio do banqueiro até aos operacionais da Máfia que teriam sido os seus executores e cujos negócios passavam pelos depósitos no banco de investimentos da Opus Dei. Especialistas em “direito legal” que seguiram o julgamento afirmaram que os procuradores não teriam qualquer oportunidade de provar as suspeitas tanto tempo depois; um factor adicional seria o da ausência de testemunhas chave, umas de que se desconhecia o paradeiro, outras já mortas.
A partir dos anos 60 a Igreja católica (sigla técnica ICAR), sob influência crescente da Opus Dei, deixou de interditar a Maçonaria, cujo Grão Mestre do Grande Oriente em Itália era Licio Gelli (da Loja maçónica Propaganda Due) parceiro privilegiado do governo democrata-Cristão de Giulio Andreotti. Como se sabe a Maçonaria é uma associação semi-secreta formada por um grupo de pessoas declaradamente anti-marxistas – a Igreja/Opus Dei invadiu o movimento Maçon e colonizou-o, constituindo-se como uma rede secreta “de direito” que controla bancos e imprensa, fazendo espionagem através dos executivos dos principais partidos em prol da pirataria empresária sobre as obras públicas do Estado. Da combinação “ao modus operandi italiano” de suborno e protecção ao estilo da Máfia resultou na Itália dos anos 90 a célebre Operação Mãos Limpas (Operazione Mani Pulite) que desmantelou o sistema partidário no país, (onde não havia quase quase ninguém limpo) abrindo caminho à hegemonia da “Força Itália” de Berlusconi, em cujo regime continua a não haver ninguém limpo em redor do aparelho de Estado. Nos anos 80 Andreotti, o primeiro ministro da democracia cristã, tinha ameaçado matar Roberto Calvi, o que mereceu o remoque do alvo: “se eles me matarem o Papa terá de se demitir

Transcrição da página 321 do livro “O Mundo Secreto da Opus Dei" de Robert Hutchison: “O que dá à Opus Dei a sua importância é a influência que exerce a também autilização dos seus imensos recursos financeiros para espalhar o seu apostolado… A Opus Dei sabe muito bem que o dinheiro governa o mundo e que a hegemonia religiosa de um país ou de um continente está dependente da obtenção da hegemonia financeira (…) pela sua audácia a “Obra de Deus” atreve-se a fazer aquilo que outras ordens religiosas nunca sonhariam fazer: eles usam as mesma armas que os seus inimigos. Por isso contratam gente que considera indigna de respeito para que essas pessoas façam o seu trabalho sujo. (como por exemplo surripiar livros de contabilidade de bancos para empresas separadas onde o capital sonegado está a coberto de falência)… a Opus Dei faz distinção entre os seus membros e o resto do mundo. A instituição não tem receio de cooperar com gente de reputação duvidosa, escroques e até políticos socialistas. Mas a hierarquia da Opus Dei é cautelosa para garantir que essas pessoas não contaminem ou se aproximem demais da Obra. Uma vez usados lava deles as suas mãos, lança-os à mercê dos seu destino, abandona-os e despreza-os
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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Trabalho, Capital e Religião

o Mundo Secreto da Opus Dei

“Deus colocou o homem no jardim do Paraiso para que o cultivasse” (o 15º verso do Génesis) de onde se poderia concluir que tinha criado o homem para trabalhar.

Assim a mensagem era simples: santificar o trabalho, santificar-se através do trabalho e santificar os outros no seu trabalho. O trabalho estava arreigado no âmago da condição humana. Fazia parte do plano de Deus. O padre Josemaria Escrivá de Balaguer passou-os mais tarde em 1939 ao papel no livro “Caminhos”, um manual de 999 preceitos de boa conduta para cristãos. O principio de uma prática doutrinária saída da vitória do Fascismo em Espanha que se tornaria universal. A missão da Opus Dei pouco tinha a ver com salvar almas de individuos. Tinha a ver com salvar o patrão do Pai Escrivá, a Igreja Católica Romana em franco declinio. Tratava-se de criar uma verdadeira presença católica na cidade secular de Roma através da “ocupação de lugares de responsabilidade”.

A proposta foi uma correcção importante aos principios teológicos estabelecidos no século XIII por Tomás de Aquino (1225-74). Aquino defendia que o trabalho, em todas as suas formas, fora uma condição da queda em desgraça do homem e portanto um impedimento para a santidade. Mas uma vez que o trabalho era necessário tinha de ser tolerado enquanto bens e serviços fossem vendidos a um preço justo. Este principio foi rearfirmado pelo Concilio de Trento (1545-63) e declarado doutrina Católica oficial por Leão XIII em 1879. (Apenas e só quando a época das Revoluções operárias com o desenvolvimento do capitalismo de mercantil para industrial começaram a pôr em causa o estatuto dos Reis e dos seus séquitos como representantes de Deus na Terra - sob o slogan Pátria, Monarquia, Religião). Para muitos Deus era uma das primeiras baixas da alteração da ordem mundial. Para Nietzche “o maior acontecimento dos tempos recentes – Deus está morto – era que a crença no Deus cristão já não é sustentável; e isto começava a lançar as primeiras sombras sobre as classes dominantes.
De acordo com a “revelação” do fundador da Obra de Deus, do latim Opus Dei, Tomás de Aquino tinha-se enganado. Agora Escrivá não estava a agarrar-se a qualquer mito obscuro. O espectro do comunismo pairava por toda a Europa e os capitalistas estavam em pânico. Entre 1902 e 1923 o rei de Espanha Afonso XIII tinha ordenado trinta e três mudanças de governo, num país onde 60 por cento da população era analfabeta, a Igreja educava os filhos dos ricos, enquanto os pobres enfrentavam condições extremas de servidão. Na Rússia, no final da degradação deixada pela guerra, a vitória da Revolução dos Sovietes tinha cortado o pescoço a um possivel desenvolvimento do capitalismo; os Romanov foram assassinados e Churchill comentou que o massacre tinha desencadeado uma nova espécie de barbarismo no mundo. Em Fátima no ano de 1917 também a miserável e iletrada população rural tinha começado a ter visões celestiais para se furtar à triste realidade mantida em segredo, de que só o trabalho cria valor.

No mundo em criação da Opus Dei ao afirmar que o trabalho devia ser colocado à cabeça da vida Cristã, e que um leigo podia atingir a perfeição Cristã por meio da excelência profissional, o padre Escrivá estava a desbravar os próprios alicerces da Igreja de forma a re-orientar e reforçar os sistemas teológicos dela. Escrivá de Balaguer (que se auto flagelava com o cilicio) acreditava que a falha na filosofia de Aquino impedia a capacidade da Igreja de satisfazer as exigências espirituais de uma sociedade moderna e industrializada (...)
Enquanto Escrivá faria da tarefa de oposição à disseminação do Comunismo um dos principais objectivos da sua vida, para garantir que não haveria um regresso à tríade demoníaca, Anarquismo Liberalismo e Marxismo, o Papa Pio X tinha declarado guerra ao Modernismo espalhando o terror anti-liberal pela “enciclica Pascendi”: todo aquele que estivesse contaminado pelas “ideias modernas” seria excluido dos serviços públicos ou do ensino. Foram montadas redes de informadores secretos. Quem se opusesse à “Pascendi” seria excomungado.
Desde o começo, a Opus Dei levou uma existência por camadas, apenas com a camada exterior para consumo das massas; as sucessivas camadas interiores eram reservadas para postos mais altos na hierarquia da seita. A preocupação principal era restituir à Igreja um papel central na sociedade. Isto permanece o âmago da Obra: “a tarefa de colocar Jesus i.e a Igreja no cume de toda a actividade humana através do mundo”. Fazer isto requer uma milícia dedicada, disciplinada – tropas de vários postos e posições que, pela santificação do seu trabalho, santificam i.e convertem outros e santificam o local do trabalho – sob o manto diáfano da alienação religiosa os interesses do Capital deixariam deste modo de ser escrutinados pela visibilidade pública

“Vede, eu enviei-vos como carneiros no meio de lobos por isso sede astutos como serpentes e inocentes como pombas” Mateus 10:16

A frase “Dádiva de Deus à Igreja do Nosso Tempo” foi usada por um dos sete juizes da Congregação das Causas dos Santos ao recapitular as suas razões para apoiar a beatificação de São José Escrivá de Balaguer por João Paulo II, um papa que já foi entronizado pela Opus Dei com o trabalho de bastidores do bispo alemão Ratzinger. O padre Vladimir Felzmann, próximo de Basil Hume, arcebispo de Westminster, sustenta que a Opus Dei é o melhor meio que a Igreja Católica Apostólica Romana encontrou para recriar as Ordens Religiosas Militares da Idade Média.

Influência da Espanha secular na ICAR

O General Primo de Rivera ascendeu ao poder em Espanha pelo golpe de Estado de 1923. Josémaria Escrivá foi ordenado padre em 1925. Na época um obscuro major de seu nome Francisco Franco y Bahamonde atacava o baluarte do berbére Abd el-Krim nas montanhas de Marrocos, onde conhece o jovem tenente Luis Carrero Blanco. Um dos mais íntimos amigos do futuro ditador, o coronel Juan de Yague, então no comando da Legião Estrangeira Espanhola seria o primeiro a utilizar a palavra “Cruzada” para definir o levantamento nacional-fascista: “A nossa guerra não é uma guerra civil... Sim, a nossa guerra é uma guerra religiosa. Nós que combatemos, sejamos Cristãos ou Muçulmanos, somos soldados de Deus e não lutamos contra homens mas contra o ateismo e o materialismo”. Diria Manuel Azaña: “se a força fascista triunfar contra a República regressaremos a uma ditadura militar eclesiástica do tipo que é tradicional em Espanha... Haverá sabres, paradas militares e procissões em honra da Virgem do Pilar. O país não é capaz de mais nada”. Dir-se-ia hoje, a Ibéria não é capaz de mais nada?

notas
Este post segue o teor do livro de Robert Hutchison "O Mundo Secreto do Opus Dei - Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico". Outra literatura sobre os temas versados:
Charles Raw “The Moneychangers” (sobre o escândalo do Banco Ambrosiano)
Raanan Rein "Franco, Israel y los judíos"
Michael Walsh “The Secret World of Opus Dei”
Gerald Brennan “The Spanish Labyrinth”
Paul Johnson “History of Modern World”
Harry Gannes/ Theodore Repard “Spain in Revolt”
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quinta-feira, fevereiro 04, 2010

o Recado

primeiro especularam com uns prediozitos, uns apartamentos, moradias e tal, que converteram num amontoado de tijolos de pouco valor (a vida inteira do individamento de uma pessoa) o que deu origem à falência dos chamados "subprimes"... agora como porta de saída para a crise, em vez apenas do imobiliário, preparam-se para especular também o conjunto com as pessoas que vivem dentro das construções de tijolo, isto é, a banca internacional propõem-se especular com paises inteiros. E obviamente, não é o Haiti que está em condições para ser "explorado"; esse é para demolir e revender terrenos. É nas construções sociais precárias com algumas hipóteses de reconstrução que o bussiness first da banca internacional se exerce preferencialmente. Na Grécia o FMI já está no terreno providenciando "aconselhamento técnico" ao governo. Logicamente esperam e "preferem que sejam os gregos a resolver os seus próprios problemas, mas se necessário estarão prontos a conceder os créditos que venham a ser solicitados"

o modo "Estado Social" na Europa está a ser condenado pelo imperialismo ao pagamento da crise global, quebrando-se primeiro os elos sempre pelo lado mais fraco

"O director do Center for European Policy Studies, diz em entrevista ao Jornal de Negócios que parece muito provável que Portugal tenha de subir impostos, pois apenas cortes na despesa não será suficiente para fazer o ajustamento necessário. O que acha do plano grego? São medidas necessárias mas não suficientes. Não há volta a dar: os salários vão ter de baixar e não é só no sector público. (ver mais aqui) Essa é a questão central. Há um problema de falta de poupança, especialmente em Portugal e na Grécia, o que significa que, estruturalmente, não têm capacidade de gerar investimento líquido de fontes internas. Para colocar Portugal e Grécia numa trajectória correcta, será preciso um ajustamento de toda a economia, com um corte no consumo de cerca de 10% do PIB (...) Não teme que a adopção dessas medidas leve as pessoas para as ruas? Há esse risco, sim. E é por isso que os mercados estão tão nervosos e cépticos em relação à Grécia (...) Estamos portanto apenas a adiar um problema? Há o risco efectivo de uma "falência"? O risco existe. E é por isso que a Comissão Europeia devia preparar-se para o pior" (fonte)

A Comissão Europeia comparou os problemas portugueses aos da Grécia e os mercados encareceram o financiamento ao país; nas Bolsas o valor "empresa-Portugal" sofre uma queda abrupta. Isto é, os investidores esperam que bata no fundo para comprarem pelo minimo os titulos da emissão de dívida pelo Estado Português para depois os venderem em alta. Esta é a lei básica do mercado. Mas "o mercado" é uma abstracção - o que enfrentamos como comunidade são problemas para serem resolvidos pelas pessoas - como primeira acção, fundamental, há que crucificar os governantes que nos conduziram até ao logro de nos pôr a todos como objecto de investimento de banqueiros.

previsão de valor de cotação no mercado da marca ponto pt
conselho: espere mais um pouco e compre
"quem cá ficar que o pague"
Bacelar de Vasconcelos:
"Uma proposta para o Presidente da República: a via angolana"
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sexta-feira, janeiro 22, 2010

Participizon

O melhor remédio para a cura da ingenuidade dos que pensam que lá por clicarem uma vez num boletim de voto (num sistema inquinado pela cúpula) a sua intervenção irá alterar os desígnios prévios dos promotores da votação.

O projecto mais votado no Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Lisboa foi o da transformação do Cinema Europa num centro cultural de serviço público. Exercendo o direito formal de cidadania participativa (em 10% do total envolvido), mal informada e desconhecendo as bases rudimentares para uma tomada de decisão, um ajuntamento precário de idiotas bem intencionados (bem à maneira das multidões transitórias em Negri) votou na transformação de um edifício que não é propriedade municipal; e como a autarquia não tem nem terá orçamento para adquirir o prédio – hoje o executivo da CML veio anunciar que o Cinema Europa será demolido para no seu lugar nascer uma torre de condomínios de luxo com piscinas no roof-top – mas obrigando o promotor imobiliário a reservar um pequeno espaço no rés-do-chão numa loja arrendada à Câmara destinada a um “centro cultural” - respeitando-se assim a vontade do povo
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sábado, novembro 28, 2009

Estado de Sitio no Pais Basco

enquanto reis, ministros e outras espécies canoras se passeiam pelo Estoril, fora das intermináveis e inconclusivas assembleias que pretendem determinar subjugações estruturais económicas sobre os mais fracos, a vida decorre normalmente, como sempre...

Cerca de uma centena de familiares e activistas amigos dos 34 jovens pró-independência detidos no País Basco e “extraditados” para Madrid onde se encontram incomunicáveis, convocaram uma manifestação para hoje em Bilbau em defesa “dos projectos de governo com o direito ao exercício de todos os direitos de cidadania”. Que crime foi imputado a estes jovens, descendentes de bascos que já eram bascos antes de existirem quaisquer vestígios de "espanhóis"? (uma re-invenção pela dinastia dos Bourbons da Hispânia romana). Aos Bascos é-lhes imputado o crime de serem independentistas. Porque lhes é negado o direito de autonomia para a região de Euskal Herria? e que futuro se lhes depara quando lhes são negados os direitos mais básicos de liberdade de reunião e de expressão?
(para acompanhar no Gara)
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segunda-feira, novembro 16, 2009

o Imperialismo do desastre

quando se fala em fronteira, sabemos o que essa linha difusa, ou bem concreta no caso dos condominios fechados e privatizados, significa em termos de segurança: visa proteger-nos da invasão dos famintos que devastarão sem piedade tudo aquilo que se amealhou com enorme esforço no saque às desoladas terras de onde precisamente agora provém a ameaça. Já aconteceu Roma ser saqueada...

o documentário "O Fim da Pobreza?" de Philippe Diaz, depois de fazer a habitual peregrinação vitoriosa pela rota dos festivais em 2008, acaba de estrear em New York. A moral aplicada ao esforço é também a habitual, aplaudir sim, obrigar os notáveis a abrir os bolsos de privilégios não. A pobreza não é um estado natural, tal como a escravatura ou o regime de apartheid. Foram todas situações criadas pelo homem. Aqui se explica como é o actual sistema económico concentraccionário que cria ainda mais pobreza. Se têm medo dos ladrões mexam-se. Tragam o filme para as vossas cidades e debatam-no amplamente em público

Os objectivos de Desenvolvimento do Milénio – que seria reduzir a metade a pobreza e a fome até 2015 – é uma emoção do passado. Os responsáveis das Nações Unidas admitiram mesmo que essa meta tenha que ser adiada para meados dos anos 2040 (quando se fará novo adiamento) O que já levou organizações de ajuda ao desenvolvimento como a Action Aid e a Oxfam a anteciparem o risco da cimeira ser apenas "um desperdício de tempo e dinheiro". Jacques Diouf, director da FAO, durante um (breve) jejum de 24 horas na sede da agência em Roma afirmou "imaginam o impacto no mercado se mil milhões de pessoas [o número dos que sofrem de fome] se tornassem consumidores?". Quer dizer, a FAO desafia as corporações de capitalistas privados a imaginarem mais um nicho de mercado em que as vítimas da fome passariam a ser consumidores. Todos os portugueses, espertos que nem um alho, já tiveram essa mesma ideia: “se cada português me desse 1 cêntimo eu ficava com 10 milhões de cêntimos”, uma soma considerável que me daria um jeitão. A inconveniência está nos custos da recolha, que provavelmente se situaria em 2 cêntimos para recolher cada cêntimo esmifrado

"Trabalho ou Pão, Deus Nosso Senhor providenciará"
(se a policia e o banco quiser)
Jacob Burck, 1934

"não desanime camarada; tente este: chamam-lhe happy meal"
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sábado, novembro 07, 2009

o negócio da dívida

O objectivo: retirar chorudos rendimentos em juros do modo de vida acima das possibilidades da grande massa de pobres e cidadãos pouco vocacionados para se auto-organizarem no trabalho que lhes permita condições de subsistência que não os envergonhe - e como quem não trabuca não manduca (porque não podem, ou não querem, ou não sabem), os pobres de todo o mundo, para se manterem remediados, são a maior fonte de rendimento dos ricos ocultos nas redes financeiras multinacionais, que (PR incluido), delegam nos governantes a sua representação. Mas há um pequeno problema: emprestar sim, mas desde que haja um mínimo de garantias no retorno...

Oficina de serralharia em dia de serviço externo.
Bairro da Serafina, Lisboa. Novembro 2009

"O Fundo Monetário Internacional fez as contas e calcula que os próximos Governos vão ter de apertar o cinto mais do que na década de 80 para reduzirem a dívida pública até 60% do PIB nos próximos vinte anos. Para conseguir chegar a 2030 com uma dívida pública de apenas 60% do produto interno bruto (PIB), Portugal vai ter que apertar o cinto mais do que alguma vez o fez no passado. Nem mesmo na segunda metade da década de 80, (pacto Soares-Carlucci) depois da intervenção do FMI (1), se chegou a um esforço tão elevado de consolidação das contas públicas. Num relatório divulgado hoje, do grupo de trabalho que acompanha a situação das finanças públicas nos diferentes países, o FMI conclui que Portugal terá que transformar o défice primário estrutural (sem juros e considerando que a economia crescia ao ritmo potencial) de 2,9% que se espera para 2010 num superávite de 3,6% em 2020. E depois conseguir mantê-lo durante os dez anos seguintes. Isto se quiser chegar a 2030 com uma dívida em percentagem do PIB dentro do patamar imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC).

O FMI estima que a dívida pública atinja os 81,9% do PIB no próximo ano. Ou seja, mais de vinte pontos percentuais acima do limite do PEC. A Comissão Europeia até é mais pessimista e, nas projecções de Outono hoje divulgadas também, espera que a dívida esteja nos 84,6% do PIB em 2010 e que se agrave até aos 91,1% no ano seguinte. Tudo porque, segundo os números de Bruxelas, o défices em 2009, 2010 e 2011 serão de, respectivamente, de 8%, 8% e 8,7%. Os maiores défices desde os anos 80" (Expresso)
Bom para uns, mau para outros; que desde já ficam a saber o que mais uma vez aí vem... "a batalha da produtividade" para encher os bolsos a terceiros com a competente e pidesca conivência da obesa organização de comissionistas cá do burgo

(1) ver "O que é o Dinheiro? Exportando a inflação dos EUA para o resto do mundo"
(2) "mais cinco falências de bancos nos EUA - 120 este ano"
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