“variações infímas podem alterar irreversivelmente o padrão dos acontecimentos” Uma simples mistificação dos economistas americanos, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias, cientificamente dada a conhecer á Humanidade por Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

a queda de Merkel

o problema da Alemanha derrotada na guerra e o subsquente abate da RDA não é apenas aquilo que é exposto na “carta alemã”. De certo modo o destino da Alemanha do Leste estava selado conjuntamente com o da União Soviética.
- São as dezenas de milhar de soldados dos EUA estacionados ainda no território, Kaiserlautern é praticamente uma cidade americana, Ramstein, a base militar tem o maior hospital yankee no estrangeiro,, além de muitas outras instalações noutras localidades (USREUR), etc
- É a gestão financeira da economia alemão por via do remanescente “plano Marshall” cujos fundos funcionam como investimento nas Bolsas internacionais e cujo uso condiciona as opções politicas, (cuja Agenda 2010 neocon já se aplica no terreno desde 1998, ou melhor dizendo, desde sempre, desde o governo do judeu Adenauer quando ainda não tinham a ousadia de se autonominarem neocons ), etc..
- Basta consultar os relatórios do Instituto Emnid para se concluir das condições de desigualdade social na ex-RDA vinte anos depois do fim do muro,,
- São as indemnizações de guerra que o colonizado governo de Berlim ainda é obrigado a pagar a Israel 60 anos depois por via de uma esfarrapada invenção da qual os judeus teriam sido vítimas privilegiadas (de facto são: há menino que recebeu centenas de milhar sem nunca ter posto os pés num campo de concentração…)

De um passeio a Berlim feito pela ami-du-coeur do nosso 1º ministro, chega-nos o depoimento de Mark Waschke, um jovem actor alemão: "Está tudo como o Hitler quis: Europa sem judeus (alô Esther Muznick) nem comunistas e nós o grande poder económico" (supl. Gente, 7 Nov.). Trata-se de uma boutade, mas fica para outra altura a desmontagem de quem de facto domina o imobiliário nos centros urbanos no pós-guerra... nomeadamente na simbólica Potzdamer Platz

depois de tudo isto, a forma como a chanceler Angela Merkel peregrinou à capital do Império para se ajoelhar e prestar vassalagem aos conquistadores, é uma acção vergonhosa para qualquer chefe de governo de um país independente:

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Terça-feira, Novembro 10, 2009

quem escutou ouviu, quem não escutou jamais ouvirá...

Supremo diz que escutas a Sócrates são nulas

e o que nós tinhamos escutado antes: "Estou a ver dinheiro como nunca vi na vida"
António Preto, deputado pelo PSD, 24Horas, edição de 26 de Outubro

Rui Tavares, na crónica de ontem, diz que "no caso Face Oculta temos um sucateiro corruptor contumaz, com demasiados amigos por todo o lado, dispostos a dar informação privilegiada..." De facto o que se passa é exactamente o contrário; um grupo privilegiado de amigos, alcandorado ao Poder através dos partidos, promove determinada eminência parda a lugar importante para através das instituições por ele criadas e controladas servir de entreposto giratório na distribuição de dividendos subtraidos ao erário público que vão parar direitinhos aos bolsos dos contumazes promotores privados das fraudes apoiadas em funções da Politica; assim é que é sr. Rui Tavares...
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uma guerra de conquista

Em 9 de Novembro em Berlim, sem um único disparo, o imperialismo reconquistou apenas numa noite aquilo que com todas as suas armas nucleares não tinha podido conquistar em 44 anos: o território do país mais avançado do Socialismo do século XX. A importância histórica deste acontecimento pode-se comparar com a Tomada da Bastilha na Revolução Francesa que iniciou o derrube do "ancien régime" a nivel francês, consumado posteriormente a nivel europeu pela espada de Napoleão, o "general-gerente" da burguesia europeia. E com o controlo da Europa, o capitalismo tinha assegurado a conquista do globo. (ler)

Se a história se repete primeiro como tragédia, aquilo que se repetiu em 1989 como farsa foi o principio de uma tragédia com consequências ainda mais terriveis que a tragédia original. Os exércitos da NATO: o passado e o presente:

duplo clique para ampliar
fica a pergunta: para já não mencionar os cidadãos da principal potência que fornece a parafernália bélica, apesar dos vultuosos negócios do keynesianismo militar que sustentam a expansão, vivem hoje os Europeus qualitativamente melhor com o produto da conquista de influência territorial?

Europa Big Bang

“Em Portugal , a reacção à revolução democrática a leste reflectiu o velho debate entre europeístas e nacionalistas: Uns, como Mário Soares, então presidente da república, consideraram que o grito pela liberdade era a continuação da sua própria luta pela democracia, destino europeu (decerto com a ajuda de milhões de fiéis que veneram o Muro made-in-portugal dentro de uma vitrine no Santuário de Fátima); outros criticaram a sua visita a Praga para apoiar Vaclav Havel e a sua revolução de veludo. Outros ainda, como o antigo mnistro de Salazar Franco Nogueira, declararam, com a lucidez habitual, que a Alemanha reunificada causaria a desintegração europeia e Portugal se tornaria numa província de Espanha. Os dirigentes do PCP opunham-se à reunificação, como à integração europeia, e aproximavam-se, nos seus argumentos sobre o perigo alemão, dos paladinos da geopolítica salazarista” (Álvaro de Vasconcelos, em “A Revolução Inacabada: 1989-2009, Público 9. Nov.) Está aqui tudo na visão do director do Instituto de Estudos de Segurança (ISS) da União Europeia, as três teorias institucionais em confronto; faltou o essencial que nenhuma das três correntes, pelo menos publicamente, observa: mencionar o perigo da Alemanha como país colonizado e ao serviço do imperialismo americano
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Segunda-feira, Novembro 09, 2009

a Queda do Muro - celebrações do aniversário

"nos 27 anos em que se manteve o muro em Berlim houve 79 mortes das quais foi dada informação uma após outra até à saciedade: eram "vítimas do comunismo". Entre 1989 e 2007 foram mortos, que se saiba, 15.000 imigrantes ao enfrentarem as fronteiras europeias" (in Muros ruidosos, Muros silenciosos)



Vitimas dos governos judeus de extrema direita: depois da confiscação de milhares de hectares de terras da Palestina, Israel construiu a partir do ano 2000 um muro descomunal com 723 quilómetros de barreiras em vigas de ferro, arame farpado e paredes de betão. "Vendo daqui, vinte anos depois, ninguém poderia imaginar naquela altura que uma monstruosidade destas alguma vez pudesse vir abaixo; mas bastaram só 2 dias para o fazer", diz Muhib Hawaja, um manifestante que ocorreu ao protesto contra o ocupante sionista.
"No matter how tall, all walls fall".


(fonte)

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Sócrates amigo, o Procurador está contigo

Conversas interceptadas são politicamente explosivas. Mas, basta que Pinto Monteiro, a quem as gravações foram entregues há quatro meses, considere que as situações em análise não configuram ilícitos criminais, para permitir assim proceder à sua destruição

"Quando se chega a este ponto de descrédito na Justiça, quem conhece a História sabe que se está à beira de revoltas de consequências imprevisíveis"

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Domingo, Novembro 08, 2009

Allá u Akbar!?

o Império contra ataca – precisamente quando o suporte da opinião pública ameaça vacilar, sendo actualmente o mais baixo de sempre – assim, um extremista Islâmico com ligações a bombistas suicidas disparando indiscriminadamente numa base militar em território nacional dos Estados Unidos, revigora o suporte à “guerra contra o terrorismo e demoniza os opositores como extremistas anti-americanos. O spam seria fiável se não estivesse a ser representado de forma tão perfeita. Talvez um dia se venha a saber qual o grau de veracidade de tudo isto.














Revolta em Fort Hood


depois do hollywoodesco título, antes de mais o sítio. Fort Hood é uma zona militar com 880 quilómetros quadrados, a base militar americana de maior dimensão no mundo. Localiza-se no Texas, entre dois outros símbolos tristemente famosos na iconografia crime-guerrófila yankee: Fort Worth em Dallas e a Waco de outra carnificina perto da Texas Rangers Company.
Fort Hood, onde funciona a “Soldiers Readiness Facility” tem capacidade para albergar 2 divisões e serviços no total de 65 mil pessoas, é o lugar onde é passada revista, feitos exames médicos e dados os últimos preparativos às tropas que são despachadas para missões de combate no estrangeiro. O gigantesco complexo funciona como uma espécie de mercado central de compras, onde em vez de hortaliças, se transacciona carne-para-canhão com qualidade certificada. Exportação de nabos, o centro de controlo nevrálgico da NATO

O suspeito dos disparos teria gritado 'Alla u Akbar!' (Deus é Grande!) antes de começar a disparar. Nascido e criado no estado da Virgínia, Nidal Malik Hasan é filho de imigrantes árabes de uma aldeia próxima de Jerusalém. Sem outras possibilidades de estudar ou de emprego, alistou-se no exército aos 17 anos de idade, formou-se na universidade Virginia Tech e especializou-se em psiquiatria na Universidade de Ciências Médicas do Exército. Foi em Fort Hood que exerceu a função de psiquiatra com o posto de major nos últimos seis anos, aconselhando soldados que voltavam com graves desordens de stress pós-traumático.

O Major Hasan, 39 anos, 22 anos de serviço, começou a manifestar dúvidas (!) quanto à sua permanência no Exército. Segundo a versão difundida dava-se conta disso aos companheiros dizendo que considerava erradas as razões para as intervenções dos Estados Unidos e apoiava a retirada total nos territórios invadidos do Iraque e do Afeganistão. Dizia precisamente que talvez os Árabes se devessem levantar e combater contra o agressor. Passou a ser hostilizado pelo facto de ser muçulmano. Hasan passou meses tentando sair das forças armadas contratando inclusivé um advogado que conseguisse resolver o contrato de trabalho pagando as devidas indemnizações ao empregador com os custos da formação que obtivera, mas tudo se manifestou inviável. Quando Barack Obama foi eleito Hasan, como milhões de americanos, teve esperança que o novo presidente, cumprindo as promessas pusesse fim às duas guerras. Coisa impossível, atendendo à forma como está montado o negócio. Como tal não aconteceu, segundo contou um porta-voz à Time, ele tornou-se um individuo solitário e “estava cada vez mais agitado sobre esses conflitos” Envolvia-se em frequentes questiúnculas em virtude da sua oposição à presença das tropas naqueles teatros de pesadelo. Por fim foi ele próprio mobilizado para o Afeganistão. Mas a verdade pode ser outra diametralmente oposta: dois soldados com distúrbios psicológicos que eram acompanhados pelo dr. Hasan é que dispararam e ele foi ferido ao tentar intervir...

Depois do tiroteio a policia do Exército e agentes do FBI entraram no apartamento de Hasan, na área residencial de Killeen, “à procura de provas e indícios que pudessem ajudar a explicar o porquê da acção”, mas ele esvaziou o apartamento e tinha-se despedido previamente dos vizinhos. Barack Obama, depois de declarar luto nacional numa daquelas acções de folclore com velas e bandeirinhas nas janelas, pediu “alguma contenção no que toca a conclusões precipitadas”. A guerra das religiões está implícita no discurso e as associações de muçulmanos nos Estados Unidos, esperando as habituais retaliações populares racistas, apressaram-se a vir a terreiro “condenar a terrível carnificina

* Dominique Villepin: "É preciso dizer a Barack Obama, que se situa nos antípodas de Bush, um certo número de verdades que ninguém lhes diz. Não há soluções para o Afeganistão que passem por uma movimentação de tropas ou pela força militar", meu dito... meu feito!
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Sábado, Novembro 07, 2009

– Então, o comunismo, esse belíssimo conceito segundo as tuas palavras, seria a “igualdade no desfrutar dos bens terrenos”
- Claro, trata-se de um conceito básico do materialismo histórico, que sai da sociedade sem classes e da propriedade pública dos meios de produção. O paraíso, se é que existe, está aqui em baixo e não tem por que ser só para uns poucos, mas sim para todos. A isso chama-se partilhar, o que é alheio à natureza do capitalismo. A mensagem evangélica do cristianismo é exactamente igual à do comunismo, salvo que se adentra no terreno do pensamento mágico para fantasiar um hipotético desfrute igualitário no além.

(Entrevista a Manuel Talens, activista e escritor espanhol, no 92º aniversário da Revolução de Outubro)

Lenine em Petrogrado. Quadro de Arkadi Rusin
http://download.sovmusic.ru/m/vzarodin.mp3

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o negócio da dívida

O objectivo: retirar chorudos rendimentos em juros do modo de vida acima das possibilidades da grande massa de pobres e cidadãos pouco vocacionados para se auto-organizarem no trabalho que lhes permita condições de subsistência que não os envergonhe - e como quem não trabuca não manduca (porque não podem, ou não querem, ou não sabem), os pobres de todo o mundo, para se manterem remediados, são a maior fonte de rendimento dos ricos ocultos nas redes financeiras multinacionais, que (PR incluido), delegam nos governantes a sua representação. Mas há um pequeno problema: emprestar sim, mas desde que haja um mínimo de garantias no retorno...

Oficina de serralharia em dia de serviço externo.
Bairro da Serafina, Lisboa. Novembro 2009

"O Fundo Monetário Internacional fez as contas e calcula que os próximos Governos vão ter de apertar o cinto mais do que na década de 80 para reduzirem a dívida pública até 60% do PIB nos próximos vinte anos. Para conseguir chegar a 2030 com uma dívida pública de apenas 60% do produto interno bruto (PIB), Portugal vai ter que apertar o cinto mais do que alguma vez o fez no passado. Nem mesmo na segunda metade da década de 80, (pacto Soares-Carlucci) depois da intervenção do FMI (1), se chegou a um esforço tão elevado de consolidação das contas públicas. Num relatório divulgado hoje, do grupo de trabalho que acompanha a situação das finanças públicas nos diferentes países, o FMI conclui que Portugal terá que transformar o défice primário estrutural (sem juros e considerando que a economia crescia ao ritmo potencial) de 2,9% que se espera para 2010 num superávite de 3,6% em 2020. E depois conseguir mantê-lo durante os dez anos seguintes. Isto se quiser chegar a 2030 com uma dívida em percentagem do PIB dentro do patamar imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC).

O FMI estima que a dívida pública atinja os 81,9% do PIB no próximo ano. Ou seja, mais de vinte pontos percentuais acima do limite do PEC. A Comissão Europeia até é mais pessimista e, nas projecções de Outono hoje divulgadas também, espera que a dívida esteja nos 84,6% do PIB em 2010 e que se agrave até aos 91,1% no ano seguinte. Tudo porque, segundo os números de Bruxelas, o défices em 2009, 2010 e 2011 serão de, respectivamente, de 8%, 8% e 8,7%. Os maiores défices desde os anos 80" (Expresso)
Bom para uns, mau para outros; que desde já ficam a saber o que mais uma vez aí vem... "a batalha da produtividade" para encher os bolsos a terceiros com a competente e pidesca conivência da obesa organização de comissionistas cá do burgo

(1) ver "O que é o Dinheiro? Exportando a inflação dos EUA para o resto do mundo"
(2) "mais cinco falências de bancos nos EUA - 120 este ano"
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Sexta-feira, Novembro 06, 2009

A crise de representação

"International law? I better call my lawyer; he didn't bring that up to me." (George W. Bush)

8 anos 8 após a declaração de “guerra ao terrorismo” no único processo legal conhecido, um juiz de um tribunal italiano decide condenar 22 Agentes da CIA pela prática de rapto e tortura no caso de Abu Omar. É o primeiro caso dos chamados Voos da CIA. O cidadão egípcio de seu nome completo Hassan Mustafá Osama Nasr, a residir em Itália, foi raptado em Milão em 2003 e transferido via Alemanha para uma prisão secreta da CIA no Egipto onde permaneceu quatro anos sem qualquer acusação formal.

Os cabecilhas organizadores desta acção de sequestro, Jeffrey Castelli, Niccolá Pollari e Marco Manzini bem como alguns colaboradores mais próximos, não puderam ser julgados porque como se trata de altos cargos estão ao abrigo da imunidade diplomática. Os outros, condenados e obrigados a pagar indeminizações à vítima e à família, foram julgados à revelia (vivem nos EUA), sendo alvo de pedidos de extradição; coisa que jamais acontecerá, como era dos bons costumes em Bush e se encontra incólume em Obama. Hoje como outrora na politica de Herbert Bush, que foi presidente depois de exercer o cargo de director da CIA se disse: “jamais aceitaremos culpar a América mesmo em caso de não termos razão”.

A noção de justiça no neoconservadorismo global


















No entanto, não há ninguém, com a mínima capacidade de discernimento, que não saiba julgar por si próprio os pides da CIA. O juiz Óscar Magi sabe que produziu apenas uma mera acção de diversão. Que não detém em absoluto nenhuma representatividade delegada pelos cidadãos, num país (entre outros da Europa) onde todos os outros Juízes italianos (e devem ser uns bons milhares) "não conseguiram" ainda incriminar, julgar e condenar Berlusconi, o corrupto-mor do Reino, que aliás já disse que permaneceria no cargo, ainda que “alguma vez viesse a ser alvo da perseguição da justiça (sic!)
Neste estado de (in)Justiça, como em Blair, Bush, ou Aznar que se escapam também sem mácula ao julgamento pelos crimes que decorrem no Iraque (no caso Blair desejando ainda a recompensa de uma promoção), os políticos neoliberais têm ainda menos legitimidade de representação. Haverá possibilidade de exercício de um poder autónomo de cada individuo fora da teia colectiva de decisão?, a impossibilidade vem de fora da nossa fronteira, da especialização da divisão social do trabalho no caso nacional, ou imposta por entidades externas ao nosso território, dizem…

Crises sempre as houve. E sempre as haverá. Essencial é equacionar as capacidades de quem as pode resolver

Finda a ilusão de separação de poderes (desde que o poder judicial manipulou a “eleição” do poder executivo de Bush em 2000, ou vice versa) concluiu-se que as pessoas vulgares, o homem de rua, não quer de facto saber quem são aqueles em quem delegam a sua representação. Como na democrática Ágora atenienense (1), onde os escravos não eram admitidos, tidos nem achados, a capacidade de intervenção pelo voto dos novos escravos-consumidores é discutível, decerto desqualificada, meras vítimas de um embuste; Macaqueiam a delegação do poder e esperam dos empossados que se desenrasquem: tragam de lá o petróleo, vestes baratas para nos cobrirmos (áh, e o problema do salário é essencial) e garantam as fontes essenciais de energia e matérias primas, usando os meios que considerem necessários - ainda que ilegítimos, logo ilegais - desde que consigam alimentar o estilo de vida e o consumo a que nos habituaram. Acautelem-se porque há sempre o fantasma de Spartakus à espreita.

Nesta óptica, o que não faltam por aí são vultos bushistas e sucedâneos com cara de gente; que com o seu apoio tácito e efectivo garantem a continuidade do estado de excepção permanente. Estão enganados e esta é uma falsa questão. De facto o que se passa é que as elites globais residentes nos EUA estão a fazer pagar os custos da debacle financeira mundial aos 450 milhões de cidadãos da Europa (a 2ª maior economia do mundo) cujas classes médias enfrentam um processo em que verão diminuir drasticamente o seu nível de vida. Tal como fizeram ao Japão durante a crise asiática na década de 90, da qual a então 2ª maior economia do planeta jamais recuperou.

(1) "Herodoto ministrando uma lição às massas. Atenas, ano 444 AC". Afinal o mundo contemporâneo de tradição greco-romana não é tão diferente assim deste clássico. O Poder era depositado nas mãos daqueles que melhor dominassem a oratória, a arte de convencer. Enquanto isso, mais banquete menos guerra, a vida dos poderosos prosseguia nos seus designios, indiferentes às manifestações da turba
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Quinta-feira, Novembro 05, 2009

a Quadratura da Internet

Um obscuro eurodeputado do Partido Popular espanhol que ocupa o cargo de vice- presidente do Parlamento Europeu, tem nas suas mãos o futuro do direito de acesso à Internet na Europa

Como é que acontece esta anormalidade? Aleix Vidal-Quadras um militante do partido neocon de Aznar, um partido envolvido num enorme escândalo de corrupção (lá como cá, o mundo capitalista é pequeno), por uma qualquer metamorfose do corpo politico na monstrolândia que nenhum comum mortal poderá compreender, lidera e é o máximo responsável pela terceira leitura do chamado “Pacote das Telecomunicações de Directivas” e tem agora nas suas mãos a capacidade de decidir sobre a sobrevivência dos direitos digitais dos cidadãos europeus. Não havendo hipótese de defender a emenda 138, enfrentando o Conselho da União Europeia (à mercê dos lobies), vão imperar os interesses comerciais e censores que favorecem o lobie das indústrias de Hollywood cuja salvaguarda está a cargo das ferozes ASAE,s europeias. Neste campo, quando se fala no declínio, senão na extinção progressiva dos meios corporativos de informação em papel (substituidos cada vez mais pela informação na blogosfera), augura-se um feroz controlo por via administrativa de "blogues indesejáveis" e a sobrevivência e vida longa aos blogues institucionais que, por via da difusão de conteúdos apoliticos ou tendenciosos do mesmo género comercial, ficarão decerto isentos de taxas (pagas por patrocinadores) ou de registos especiais de utilizadores livres na Internet. No tempo da outra senhora o governo enviava esbirros da Pide a casa de quem pretendiam aniquilar, hoje em dia enviam notificações das Finanças... Sem dúvida, as noticias que chegam do Parlamento Europeu são preocupantes para os cidadãos comuns, já que posteriormente se permitirá fazer uma redacção ambígua do artigo 138 que pode permitir aos governos nacionais a imposição arbitrária de medidas censórias e anti- democráticas, como as “três notificações” de Sarkozy para cortar linhas de ADSL sem qualquer garantia judicial de defesa para o utilizador

(ilustração da mexicana Tania Juarez Ceciliano)
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Quarta-feira, Novembro 04, 2009

breve momento anti-governamental


















contra o revisionismo histórico


Dia 10 de Novembro, terça-feira, das 18h00 às 20h00, debate na Faculdade de Letras de Lisboa (Anfiteatro 3) sobre a obra "Materialismo e empiriocritismo", de V.I. Lenine, editada em 1909. Participarão os professores José Croca e Eduardo Chitas, respectivamente da Faculdade de Ciências e da Faculdade de Letras da Universidade Lisboa. O moderador será José Barata-Moura, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Entrada livre.

Contra teses obscurantistas

Lenine, nesta obra, analisa a pretensa "crise da ciência" ou "crise da física moderna". De uma forma aprofundada, Lenine defende que:
1.º - Há coisas que existem independentemente da nossa consciência, independentemente das nossas sensações, fora de nós.
2.º - Não existe e não pode existir diferença alguma de princípio entre o fenómeno e a coisa em si. A única diferença efectiva é a que existe entre o que é conhecido e o que ainda não é.
3.º - Sobre a teoria do conhecimento, como em todos os outros campos da ciência, deve-se raciocinar sempre dialecticamente, isto é, nunca supor invariável e já feito o nosso conhecimento, mas analisar o processo pelo qual o conhecimento nasce da ignorância ou graças ao qual o conhecimento vago e incompleto se torna conhecimento mais adequado.

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Terça-feira, Novembro 03, 2009

liberdade... em dia de finados

O novo navio de assalto anfíbio “New York”, construido com o aço do Centro de Comércio Mundial (World Trade Center, WTC) fez ontem a sua entrada triunfal na cidade saudado por 21 salvas de canhão perto do sitio onde aconteceram “os ataques terroristas” em 2001

Folclore mórbido: as familias das vitimas juntaram-se nas margens para ver a tripulação perfilada ao longo do convés prestando honras militares aos mortos. Finalmente o enorme navio de aço compacto pintado na côr cinzenta, depois dos disparos, imobilizou-se. O custo desta fortaleza construida nos estaleiros da Louisiana é estimado em 1 bilião de dólares, e contém 7 toneladas e meia de aço recuperado das torres que cairam. “É uma grande transformação... é algo ao mesmo tempo emocionante e assustador” diz Rosaleen Tallon, que perdeu o irmão Sean, bombeiro durante o rescaldo do 11.9, concluindo: “Estou muito orgulhosa que os militares estejam a usar aquele aço

Saramago, durante o lançamento de Caim em Lisboa, levantou uma ponta do véu sobre o novo livro que já está a escrever: “Porque é que nunca houve uma greve de operários numa fábrica de material de guerra?"
e conta, a titulo exemplificativo, a história de uma bomba que não rebentou durante a guerra civil espanhola. Ao desmontá-la os peritos descobriram um singelo bilhetinho dentro, onde se lia em bom português, decerto escrito por algum operário de indole progressista: “Esta não rebentará!”. Como se sabe Salazar fornecia material de guerra, bombas e explosivos fabricados em Braço de Prata, ao regime fascista de Franco. Não rebentou aquela, mas rebentaram muitas outras... Afinal quando se produz material para alimentar a indústria belicista é de postos de trabalho e de empregos para operários que se trata.

Face à extraordinária máquina instalada à sombra do complexo politico industrial militar, é, como pretendem os filósofos do autonomismo, actualmente possivel mudar o mundo sem tomar o Poder?

Uma poderosa canção, a fazer lembrar outras épocas, (a Joan Baez, activista anti-guerra do Vietname) - "Is it for Freedom?", Sarah Thomsen: “quem paga os custos das regalias que procuramos? (…) à medida que morrem inocentes, sentimos-nos carregados de vergonha por todas a vitimas que são sacrificadas em nome do nosso conforto…” E dizem que isto é em nome da Liberdade?

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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Deus, os homens e as Pedras

Os designios de deus estão na moda, os dos Homens nem por isso.

Aqui há uns meses a Wired magazine publicou uma história de um estranho monumento na zona rural de Elberton, na Georgia USA (“a capital mundial do granito”) conhecido por Georgia Guidestones. O monumento consiste em quatro grandes blocos de granito com cinco metros e meio de altura dispostos em redor de uma coluna central, conjunto que suporta no topo outra pedra de 25 toneladas. Nas faces de cada um dos blocos estão gravadas uma lista de preceitos para a criação uma sociedade melhor, escritos em oito linguas modernas. Nos quatro cantos dos blocos estão escritas as palavras “Que estes sejam os Guias para uma Idade da Razão” em sânscrito, cuneiforme babilónico, grego clássico e em hieroglifos egipcios. A coluna central e a pedra de topo estão também “equipadas” com buracos, astronomicamente alinhados, assim os Guias da Geórgia podem servir de compassos universais e relógios celestes.
O monumento é um mistério – ninguém sabe exactamente quem foram os seus promotores ou as razões porque o construiram. Deve ser o mais enigmático monumento nos Estados Unidos, inscrevendo-se com conselhos na direcção da reconstrução da civilização depois do apocalipse. Mas, atendendo às origens do povo judeu, oriundos do reino Khazar na Geórgia asiática do século IX não será dificil imaginar qual a origem religiosa e ideológica destas “tábuas com 10 mandamentos do anti-Cristo”, podem afirmar os cristãos e outros “conspiracionistas” que vêem nestas pedras da Geórgia americana um sinal para a chegada da Nova Ordem Mundial. Apenas uma pessoa sabe quem criou este Guia e essa pessoa recusa-se a falar.

A história oficial do Guia das Pedras tem origem na figura de Joe Fendley Sr., presidente da Elberton Finishing Company, que em 1979 foi contactado por um tal "Robert C. Christian” que se apresentou como comissário para a instalação de um monumento. “Christian” era um pseudónimo usado por alguém que disse representar um pequeno grupo de “leais americanos que acreditam em deus”. Fendley faleceu pouco depois, mas Randall Sullivan da Wired entrevistou Wyatt Martin, presidente do “Granite City Bank”, o único homem actualmente vivo que alegadamente conheceu Christian. Como autor do projecto de financiamento bancário afirmou ter tido conhecimento do verdadeiro nome de “Christian”, mas recusou-se a revelá-lo. Wyatt Martin também disse ter recebido cartas e chamadas telefónicas de “Christian” “mais ou menos por altura dos ataques terroristas de 11 de Setembro” e assumiu logo depois que “Christian” está morto; enquanto pensa que muitos acreditam que Christian nunca existiu. (e que muito menos seria "cristão). Enquanto decorria a construção, Martin e Fendley foram acusados de perpetuar um embuste mistificador, que de qualquer forma dava jeito para promover o negócio da fábrica de granitos de Fendley. Ambos os homens consentiram em submeter-se a testes em detectores de mentiras e o reporter Sullivan acabou por concluir que os rumores de mistificação comercial provinham de fábricas concorrentes da indústria de granitos.

No que a grande maioria de opiniões podem coincidir – baseado nas evidências disponiveis – é que o Guia da Pedras da Geórgia se destina a instruir os possiveis sobreviventes de um qualquer apocalipse que impende sobre as nossas cabeças, aconselhando-nos na tarefa de reconstrução da civilização. Ninguém se pode sentir confortável com esta interpretação. Porém, enquanto alguns apoiantes do monolito (como a notável Yoko Ono) defendem que ele pretende apenas simbolizar o regresso ao pensamento em "The Age of Reason" de Thomas Paine (a Idade da Razão em vez da "Revelação", (ainda assim um anacrónico "Deismo", o que não é coisa pouca), outros que se opõem atacam o esotérico mamarracho como configurando os 10 Mandamentos do Anti-Cristo, a aparição de novos charlatães auto-nomeados de Messias na boa tradição judaica, ou outras barbaridades como o regresso ao obscurantismo da Idade das Trevas... ou ainda a aceitação de que se deve regular a população no mundo a um nivel de 500 milhões por forma a manter uma balanço perpétuo do homem com a natureza... Ou por fim, entendido de maneira mais simples, de como a praga da Igreja do neoNazi Ratzinger pretende reagrupar e assumir o comando dos fiéis do “antigo testamento” como fonte divina nas práticas da religião cristã contemporânea

"Clinton elogiou as concessões sem precedentes de Israel" refere o "novo" Público de hoje (pag. 18). Vejamos de facto o que se passa recorrendo p/e à Euronews... ou ao Guardian
Voltando ao inicio, o principal problema reside nas pedras, de Jerúsalem
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Domingo, Novembro 01, 2009

o Aviso, de como não se pode regulamentar o irregulamentável

a História escondida da Crise Financeira. Mais uma fonte.

No centro das atenções encontramos Brooksley Born, que fala pela primeira vez em televisão acerca da sua falhada campanha para tentar regular os secretivos fundos do mercado multi-trilionários dos derivados, cujo crash despoletou o colapso financeiro em Agosto de 2008
“Eu não conhecia Brooksley Born” diz o ex-regulador responsável pela SEC Arthur Levitt, membro do poderoso “Grupo de Trabalho para os Mercados Financeiros” do presidente Clinton, pessoas como o ex-responsável pela FED, Alan Greenspan e o ex-secretário do Tesouro Robert Rubin – quando me convenceram que os esforços de Born para regular os derivados de risco poderia desencadear uma tempestade financeira; uma conclusão que agora reconhecem “ter sido claramente um erro”.
“Um dia entrei no gabinete de Brooksley; o sangue drenava-lhe a expressão da face” diz Michael Greenberger um ex-funcionário de topo da CFTC que trabalhava próximo de Born. Ela estava ao telefone; e disse-me “Era o secretário Summers. Vocês vão provocar a pior crise financeira desde o fim da segunda guerra mundial. Ele disse-me que tinha 13 banqueiros no escritório que o haviam informado disso mesmo. Parem imediatamente! Chega!, acabou”
Greenspan, Rubin e Summers por fim fizeram prevalecer a sua tese de parar os esforços de Born para pôr limites nos derivados e regular os hedge funds no mercado de futuros. Conseguiram impedir a lei no Congresso. Born enfrentou uma luta formidável contra o esforço de fazer passar a lei de regulamentação quando os mercados ainda estavam na bolha ascencional, diz Michael Kirk. “Alan Greenspan era o maestro, e ambos os partidos em Washington estiveram unidos na convicção de que os mercados por si só tomariam conta deles mesmo”. Quer dizer, fizeram de conta que “os mercados” eram gente, para esconder a gente que explora os mercados.


relacionado
Ron Paul: "A maior intervenção, feita à mais larga escala de sempre, do governo na economia vai acabar muito mal (...) Preparem-se para o pior"
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Sábado, Outubro 31, 2009

Era uma vez três rapazes...













Fausto Bordalo Dias
Sérgio Godinho
José Mário Branco


(video do blogue "We Have Kaos in the Garden")
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Sexta-feira, Outubro 30, 2009

o legado de W

Boas noticias? a economia dos EUA subiu este trimestre cerca de 3 por cento (desde 2008 caiu 3.000 mas agora sobe 3…) Onde estamos? Querem-nos fazer acreditar em esperançados gráficos em V simplex: depois da queda a retoma! Porém, o legado de experiências anteriores, como a de 1929, mostram que depois da abrupta queda inicial os índices sobem por um breve periodo, para de novo voltarem a cair a pique. A lógica das crises capitalistas obedece à mesma lei de queda tendencial das taxas de juro; depois de uma ligeira subida resultante do impulso inicial do efeito da injecção de capital (investimento), a taxa cai em definitivo. Esta é a principal razão porque o capitalismo é insustentável, pela sua necessidade de expansão permanente das actividades produtivas em busca da acumulação do lucro, para além de entrar em contradição cada vez mais agravada com o esgotamento dos recursos naturais, principalmente com os não renováveis – que são agora objecto fundamental de perseguição e caça pelos esbirros do Império
1929
2009

Cuidado com as falsificações

“Nós os cidadãos do mundo inteiro, vivemos com inquietação a grave situação económica dos nossos dias. Entre esperançados e desconfiados, escutamos as palavras tranquilizadoras e os anúncios de planos salvadores com que os nossos governantes nos bombardeiam. Contudo, mais que frases de alento e anúncios de milagres que não se realizam, o que desejamos é saber a verdade, encontrar as respostas fiáveis para as perguntas que todos formulamos.
Qual é a origem da actual situação económica? Trata-se apenas de mais uma crise, com efeitos passageiros? A crise já eclodiu, ou estamos apenas nos seus prolegómenos? Qual poderá ser o seu alcance? Tem remédio?














Santiago Niño Becerra
(bem recheado de anúncios do BBVA, Repsol, Iberdrola... no seu sítio internet) já há uns tempos que alertou que os anos das vacas gordas estavam fadados a terminar e advertiu que desta vez iríamos enfrentar uma crise verdadeiramente profunda, uma crise sistémica, que conduziria a uma mudança inevitável e necessária, pois o capitalismo está a esgotar-se. A crise ainda não começou, ela eclodirá com toda a violência em 2010 e será longa e muito dura. Quem o afirma é um dos poucos especialistas mundiais que, nos momentos de plena euforia, se atreveu a enunciar o que agora apenas principiamos a intuir”
(da badana do livro “O Crash de 2010”, edições Planeta)

Catastrofismo

O economista defende que esta crise é sistémica, que os verdadeiros efeitos só se sentirão a partir de 2010, serão profundos e duradouros, sobretudo em alguns países da Europa, atingindo de forma implacável a classe média. Até aqui tudo bem, a desconstrução dos sound-bytes com origem nos funcionários oficiais funciona. Porém não é aconselhável comprar o livro,,, ler umas quantas frases avulsas aí pelos escaparates chega e sobra, porque a análise não é marxista, logo é equivocada, eivada de idealismos e falta de rigor.

Pode-se começar por uma pergunta crucial: "O que é uma crise sistémica?". Na esteira de explicações idealistas, Becerra atribui o princípio do fim do Império Romano à adopção do Cristianismo como religião oficial do Império.

Se levássemos isto para a brincadeira, se de facto não fossem as condições de produção que sustentam a organização social, poderiamos afirmar que os sacerdotes da Reserva Federal tinham fundado uma nova religião que haverá de destroçar o Império e baptizar de novo os clones de Clóvis; ou seja, visto pelo olhar enviesado do economista espanhol a culpa é do Papa; de certo modo está certo, só que o incréu da praça pública pensa que ele é um, mas ele é outro
* conversas relacionadas:
Como puderam enganar-se tanto os economistas? Naomi Klein: "Através do choque, se forçam as pessoas a ser obedientes’
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Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Vestigios da República Democrática Alemã

MATERIAL de Thomas Heise (Alemanha)
é uma colecção de documentos filmados entre 1988 e 2009 na zona Oriental de Berlim, peças que entretanto se tornaram históricas, 20 anos depois em pleno periodo de "comemo- rações do fim do comunismo". Grand Prix no FID, Marselha, 2009.

Com a duração de quase 3 horas o seu visionamento é uma empreitada extenuante, um pouco fastidiosa pela monotonia e lentidão dos (quasi-não) acontecimentos; mas de que, no final, se recebe uma boa recompensa, mormente por via da desmistificação de certos compassos propagandísticos exaustivamente repetidos na música ambiente sob o chavão “a queda do Muro

1ª cena – o produtor teatral Fritz Marquard assiste à encenação da peça do autor judeu Heiner Müller A Morte da Alemanha em Berlim, a apenas alguns quarteirões das manifestações de massas em Alexanderplatz em Novembro de 1989. (simbolicamente o mesmo local onde abriu um centro comercial da Sonae em 2007)
2ª cena – uma reunião de moradores no bairro de Hessenwinkel sobre a situação em Berlim e de como se hão-de organizar para fazer frente a possíveis instabilidades. As decisões colectivas são tomadas de forma democrática com uma participação alargada; e também de alguns bonzos à mistura, como é natural.

Do outro lado do muro. Mobilização popular, o objectivo a destruir

3ª cena – uma assembleia dos parlamentares recém eleitos no Palácio do Povo (ex-parlamento da Alemanha de Leste (DDR). Uma multidão concentra-se em redor do edificio exigindo reformas no sentido do regresso do regime aos seus princípios democráticos. Os deputados saem para a rua e em tribunas improvisadas explicam-se aos manifestantes. Estes gritam pelo dirigente comunista de maior prestigio, Egon Krenz, que é recebido com aplauso geral. Pede calma e contenção aos circunstantes e promete politicas eficazes.

4ª cena – entrevistas com jovens adolescentes detidos que cumprem penas por crimes violentos e com guardas do estabelecimento prisional de Brandenburgo. Os presos desejam revisões das sentenças e amnistias, pedidos contrapostos por depoimentos de psicólogos e assistentes sociais que põem ênfase no trabalho de recuperação e reinserção social destes indivíduos.
5ª cena – alguém questiona o papel da Stasi por insuficiência no combate ao banditismo. Como suspeitávamos tratava-se de um organismo de regulação do Estado para vigiar a corrupção, desvios de dinheiro das contas públicas, fiscalizar a adjudicação de obras, etc. E o mais grave de todos os delitos lesivos do Estado, a venda secreta de patentes e segredos industriais para o Ocidente. De todo, a Stasi não era a policia politica que nos quiseram (querem) fazer acreditar à conta da museolização capitalista do assunto. Mais tarde, toda a gente haveria de confessar a sua colaboração com o Ministério da Segurança Interna, cujas entrevistas não eram públicas. Lógico não? (para que, passados tantos anos) não houvesse hipótese de acontecer isto, isto ou isto (fora o resto)

Intermezzo – o Muro caiu conforme o histórico anúncio público de Günter Schabowski um militante filiado no “Partido socialista em liberdade” (SED). Uma questão sobre a liberdade dos cidadãos poderem abandonar o país, colocada estrategicamente em directo na televisão por um jornalista judeu estrangeiro, Riccardo Ehrman, ajudou a desencadear os acontecimentos. (ler: "One Question Brings Down the Wall"). Milhares de pessoas precipitam-se para a fronteira da RFA

o dialecto estrangeiro dos grafittis...

6ª cena - Em 1997 estamos em plena fase de integração da DDR na República Federal Alemã. Na parte oriental reina o desespero. O realizador assiste a uma sessão de cinema num clube em Mainzer Straße. Entram os mais variados tipos de espectadores, até que irrompe na sala um grupo de jovens ociosos com práticas de extrema direita. Há uma tentativa desesperada de diálogo, mas as garrafas e o mobiliário começam a voar. Querem combater a intrusão da cultura hollywodesca que supõem lhes veio roubar os empregos. Lá fora na rua um grupo de anti-fascistas ataca o edifício à pedrada. Os vidros partem-se, as janelas são barricadas, há gente ferida com estilhaços: “vamos todos lá para fora e matamos esses comunas de merda” diz um dos vândalos ao mesmo tempo que dá um murro na câmara de filmar. O filme de origem ocidental continua a correr… no meio dos destroços

Cena final. Ano de 2006. Trata-se de apagar os vestigios. Imagens paradas de um edifício em demolição. Operários trabalham no corte da robusta estrutura metálica.Vêem-se montes de entulho (a existência de amianto na construção foi a desculpa prévia) para o desmantelamento do Palácio de Governo da ex-República Democrática Alemã, vizinho da catedral de São Paulo. Nos tapumes que cercam a obra pode ler-se “obra em execução aprovada segundo plebiscito feito ao povo de Berlim”. 2009, Há um debate em curso sobre o que fazer no sitio agora limpo de memória; uns pretendem que passe a ser um simples terreno relvado, outros pretendem reconstruir o Palácio do Rei da Prússia outrora ali existente.
(duplo clique para ampliar)
O autor, Thomas Heise, expressa deste modo a opinião sobre a sua obra: "Those residual images have besieged my head, constantly reassembling themselves into new shapes that are further and further removed from their original meaning and function. They remain in motion. They become history. The material remains incomplete. It consists of what I held on to, what remained important to me. It is my picture"
Epilogo

Good Bye Lenine. Na década de 1970 a República Democrática da Alemanha era a 9ª potência industrial na economia global. Cerca de 55% da população possuia frigorifico e máquina de lavar, 70% tinham televisão em casa. Os transportes colectivos tinham primazia: apenas 15% possuiam carro próprio. Num inquérito deste ano 20% dos alemães orientais afirmaram-se nostálgicos desse tempo (pressupondo-se o seu voto no Die Linke). Integrados na RFA 52% consideram-se cidadãos de segunda ordem. Apesar dos subsidios especiais do governo central, actualmente o indice de pobreza na parte oriental é de entre 13 a 15 por cento; enquanto na parte ocidental é de 6 a 8%. O PIB da Alemanha Oriental é cerca de 1 terço menor que o dos restantes alemães. Apenas 33% dos habitantes do Leste são frequentadores de igrejas, contra 80% no lado Oeste.
(a fonte é o Dep. Oficial Federal Alemão de Estatisticas, citado na revista "Histoire" Outubro 2009)
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Quarta-feira, Outubro 28, 2009

da comichão epistomologica das Elites intelectuais

e no entanto, o discurso pós-moderno - interagir com trauliteiros que usam mocas fisicas segundo Newton arremessando-lhes propostas de vida segundo o indeterminismo das particulas quânticas - continua a ser prioritariamente, e como exemplo eficaz, "dirigido à falta de liberdade da burocracia soviética", ou seja, transplantando o spin segundo a alienação popular, ao Partido Comunista, à facção radical do Bloco, à Politica Operária, entre outros; todas elas entidades ameaçadoras que supostamente na presente conjuntura se constituem nos maiores inimigos da liberdade dos trabalhadores.
A que melhor condenação podem aspirar os ultra-reaccionários dos mais diversos canis?

OK, de facto os intelectuais da treta não se enxergam
porque não perseguem uma politica anti-capitalista..
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Stop The War Coalition

e porque no post aí abaixo se falou de ruas longinquas...

a moral da tropa vai desaparecendo,,, enquanto nos gabinetes vultos estranhos se preparam para nomear um criminoso para presidente da União Europeia, soldado que se recusou voltar ao Afeganistão lidera marcha anti-guerra de centenas de pessoas em Londres

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