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quinta-feira, dezembro 12, 2013

a Bela, o Touro e a Vaca Leiteira

a Europa é uma mulher muito bela, de pele de lírio. Habita a Fenícia, da qual Agenor, seu pai, é o Rei. Nas margerns da Ásia, onde ela se recreia com as companheiras, vê-a o ardente Zeus; e o seu coração inflama-se. Metaforseando-se em branco Touro, aproxima-se. Confiante, a bela Europa senta-se no seu dorso. Logo ele inicia a carreira e, através do mar a leva até Creta. Da sua união nascem quatro filhos: Sarpedon, herói asiático, e três legisladores tão famosos que se tornarão os juizes inflexiveis dos Infernos: Minos, Éaco e Radamanto... A partir daqui a lenda dá lugar à História.

Não, não de trata de “um qualquer tempo passado que foi melhor”, mas sim de algo que pode ser confundido com isso; “às vezes é preciso que rebente o coração do mundo, para alcançar uma vida mais elevada” (Hegel). A Europa é o lugar onde hoje rebenta esse coração do mundo. Aurélio Agostinho, autodenominado "bispo", aka “santo” Agostinho, no relato das suas culpas, confessa: “inquieto está o meu coração, nem para mim próprio transparente”. Uma terrível violência só pode ter-se formado porque vem de longe, talvez até da própria raiz. Uma das misérias humanas é a que consiste em pôr-se do lado do agente do mal, quando não se tem coragem para o denunciar. As múltiplas sereias do Terror – continuam a soar, no sentido mítico e no real. Ciência, matemática e valsas de Viena, estratégia militar e móveis Louis XV, a passagem breve da História dentro do ritmo dos grandes feitos. A Europa perdeu-se no labirinto da própria superabundância. O afã de ver, captar com claridade, o que temos perante nós, mesmo que nos esteja devorando. Alienada, sem desejo algum, incapaz de lutar, em total quietude, como num pântano... (Maria Zambrano, extractos de "A Agonia da Europa", 1945)
 
Não tinhas nada que ser amada por Zeus Europa 
Agora é o que se vê 
Ele foi deitar-se na praia feito touro 
Os cornos fingindo luas e tu toca de lhe acariciar o pêlo 
E ele vai contigo mar adentro é o que diz o relatório da cultura 
E metem-se de amores em Creta parece que debaixo 
Das ramadas dum plátano e vieram os filhos 
Mas o que me interessa é o estado 
A que isto chegou minha querida 
Os teus bisnetos num desemprego parvo muitos sem tecto 
E perguntando-se por que raio foi ela 
Meter-se com o pai dos deuses? 
Raptada nós sabemos mas mesmo assim Europa 
Em Creta há tantos rapazes porquê Zeus 
Que é hoje um banco alemão? 

Abel Neves (n. 1956) 
 (do livro «Eis o Amor a Fome e a Morte» - Cotovia/1998)

sexta-feira, maio 10, 2013

Recomeçar (Miguel Torga)


Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

 E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

domingo, março 24, 2013

José Régio

Surge Abril frio e pardacento, 
descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento

Edita-se a novela do Orçamento,
cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres no novo parlamento
usufruem de 5.000 euros de ordenado

e enquanto à fome o povo se estiola,
Certos santos pupilos de Loyola,
misturas de Judeu e de Vilão,

também fazem o pequeno "sacrifício"
 de 30 mil euros - só! - por seu ofício
receber, a bem deles... e da Nação
.
(adaptação do poema de José Régio, 1969)

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sábado, fevereiro 23, 2013

silêncio... que se vai cantar qualquer coisinha sem ser fado




Vendo a credibilidade de todas as áreas governativas ir pela sargeta abaixo, o governador do Banco de Portugal Carlos Costa apressou-se vir a público em Serralves afirmar que a Cultura é uma parte importante do desenvolvimento económico que sustentará o crescimento. Vai-se a ver melhor e o autor do estudo que sustenta tal afirmação é irmão de Carlos Costa... Pelo menos estes dois lá vão "crescendo" (fonte)

Aliás, o próprio Carlos Costa sustenta e realça "a cultura" deste governo e do gangue cujos interesses representa:

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quarta-feira, outubro 05, 2011

hoje é dia do presidente-rei falar...

da República

que cresceu fascista no Estado Novo.
Quebrado o ovo nasceu dele o povo
que se enfiou todo num novo ovo
De onde nada ainda nasceu de novo


Inquérito Antena1:
35% aceitam ou são indiferentes a discurso de Cavaco; 65% dos inquiridos estão frontalmente contra Cavaco; mas são obrigados a aceitar as medidas que Cavaco se vai atrever a subscrever e promulgar. Obviamente, o primeiro passo a dar seria efectuar uma auditoria independente à divida, apurar quanto e a quem se deve e, quem são os seus responsáveis, finalmente, declarar o não pagamento dessa divida por ter sido contraída de forma odiosa, antidemocrática, à revelia dos interesses da maioria do povo português
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domingo, maio 29, 2011

Venceremos (mas não desta maneira)

"primeiro ignoram-te, depois riem-se de ti, por fim atacam-te, depois ganhas" é uma frase de Ghandi - resta saber se, com apenas um grupo restrito essencialmente ligado ao terciário urbano, sem ligação efectiva às classes trabalhadoras que tratam efectivamente dos meios de produção, sem organização politica, sem um partido revolucionário, o que é que se ganha, se é que se vai ganhar alguma coisa





Revolução Europeia? ou outro Maio de 68 sem outras consequências politicas senão permitir ao Poder o principio da instauração do fascismo social? WebCâmara em directo da concentração em frente ao Parlamento de Atenas

adenda:
* Baralhar e voltar a dar as mesmas cartas, voltar ao principio, embora haja sempre um ou outro "labrincha" que adquire estatuto face à máquina burocrática capitalista: "das manifestações dos Islandeses até à Puerta del Sol, passando pelo 12 de Março em Portugal, já há um movimento de protestos que vai a votos em Itália"

actualização:
Policia de choque carrega sobre acampada de Paris. Comunicações video-web interrompidas.
(Bellaciao.Org)
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sexta-feira, agosto 21, 2009

o Sol do Mendigo

os aficionados viciados compulsivos na compra de revistas do coração vivem por estes dias momentos gloriosos – parece que Madame de Boisrouvray, sua alteza do principado de Mónaco Charlotte Casiraghi e Carla Bruni Tedeschi a famosa parceira sexual do funcionário investido em funções no governo de França, praticam a transação de propriedades em grupo ali para as bandas da Herdade da Comporta, no litoral do Alentejo – uma zona de "espíritos santos" em alto risco de ser privatizada para uso exclusivo da monarquia dos ricos europeus, como se vai vendo pela organização urbanística do resort de Tróia, infrequentável pela plebe por via das altas tarifas de transportes de acesso e pela impossibilidade de estacionamento próximo das praias.

apesar das vicissitudes da época que vivemos, a azáfama da movida popular dos pacatos alentejanos lá para os lados da praia do Carvalhal tem sido intensa;

Olhai o vagabundo que nada tem
e leva o Sol na algibeira!
Quando a noite vem
pendura o sol na beira de um valado
e dorme toda a noite à soalheira…
Pela manhã acorda tonto de luz
Vai ao povoado
e grita:
- Quem me roubou o sol que vai tão
alto?
E uns senhores muito sérios
rosnam:
Que grande bebedeira!
E só à noite se cala o pobre.
Atira-se para o lado,
dorme, dorme…

(Manuel da Fonseca, in "Obra Poética")

mas saiba-se que Albina de Boisrouvray, herdeira do “Conde” Patiño oriundo da Bolívia, (um dos países mais pobres do mundo) que se notabilizou como Rei do Lixo de lata durante a Grande Guerra e a sua corte de grotescos pajens chulo-capitalistas são apenas mais umas quantas peças do lixo que é largado anualmente nas praias pelos despreocupados recolectores da caça e pesca nacional. Num caso pelas nossas élites, noutro pela mísera e desqualificada fauna local. Em memória da segunda tribo, aqui fica a tradicional e exemplificativa escultura anual da arte povera tuga com elementos recolhidos em escassos dez minutos de passeio na orla costeira de Melides:

sábado, junho 27, 2009

alegrismos

"novas esquerdas" nascem como cogumelos - e lá se vai "o milhão" de votos do MIC metade para um lado e metade para outro. Purismos ideológicos àparte, é de bom senso e expectável que se reagrupem e a onda engrosse, para que de uma vez por todas se ponha termo ao lamentável exercício de gaguez cínica que ocupa o actual edificio da presidência da república, alugada sem legitimidade de contrato, à tropa fundamentalista neocon pró-atlântica . É salutar pensar que tal venha a acontecer, neste dia nacional de marketing do vinho, o tal produto genuíno que na era salazarenta substituia o voto na alimentação do "mesmo milhão" de portugueses embriagados pela indiferença e pelo desenrascanço labrego, hic!
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sábado, novembro 29, 2008

sobre a vida das peras

eis a que seria uma (im)possivel tese comunicada a um improvável Congresso da Alternativa Socialista da Esquerda Unificada

Uma pêra
pode passar a sua vida
sob o domínio das folhas
colhendo os carinhos do vento
até despencar na podridão do humus

O que uma pêra realmente saberá da vida
é o prazer de ser mordida

(Mauro Iasi, 1986)

“É por acreditar que somos este ser colectivo que se encontra submetido na fragmentação individualista pela sociedade do capital, que não me espanta o facto dos pequenos poemas que lancei no mundo encontrarem abrigo noutros camaradas tão distantes e em tão diferentes lugares.
Porque quando falamos das nossas dores e esperanças, dos nossos amores e das nossas lutas, falamos desta substância comum que nos liga na indissolúvel solidariedade da nossa classe, na matéria colectiva que nos faz homens e mulheres que se levantam contra a indignidade da exploração levantando a bandeira da humanidade - Estes poemas devem ser lidos como quem conspira... a respiração firme e segura dos que sabem, ou estão dispostos a aprender, que aqueles que não ultrapassam aquilo contra o que lutam, acabam por reforçar ou se acomodar... àquilo que queriam transformar” - Luiz Carlos Scapi na apresentação do livro de poemas “Meta Amor Fases” de Mauro Iasi

sobre a trajectória empreendedora da militância que dedicou toda uma vida para a construção do Partido dos Trabalhadores, para depois vê-lo desmoronar-se como um Partido da Ordem (Marx)
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terça-feira, janeiro 22, 2008

o "Medo" lava mais branco

Sabem, digo eu com aquela voz arrastada meio obstrusa do estorvo da dentuça cravada no bolo-rei já bolorento de uma década, (his master voice) voz de quem parece que está sempre à rasca pra cagar:
"Portugueses é preciso que se distraiam das nossas verdadeiras preocupações. Confio em vocês"

o Vosso tanque General, é um carro forte
derruba uma floresta, esmaga cem Homens,
mas tem um defeito
- Precisa de um motorista
O vosso bombardeiro General,
é poderoso:
voa mais depressa que a tempestade
e transporta mais carga que um elefante
mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.
O homem, meu General, é muito útil:
sabe voar, e sabe matar
mas tem um defeito
- Sabe pensar

pssst! portugueses: lembrem-se que eu, (tal como vocês) estou morto, mas ainda assim tenho capacidade para vos enviar uma mochila vazia. Segundo o Paulo Bento, a situação é grave, mas não desesperada. Tal como ele, farto-me de jogar mas nunca ganho nada; porém, o meu lugar não está em causa. Uma última dica: tenham em atenção que eu sou apenas uma imagem distante do primeiro clone. Que ainda assim foi uma fraude monumental! em boa verdade vos digo, como a Maria, eu sou uma criação da CIA; sabiam que, numa gaffe idiota, me puseram a falar convosco fazendo-me usar um anel de ouro quando a religião muçulmana o proibe terminantemente? vá lá, não se riam,

Bush& Companhia, de quem o “nosso” governo é fiel aliado e fornecedor de carne para canhão, dizem que Bin Laden é responsável pelo 11 de Setembro. Mas se a teoria estivesse certa, depois destes anos todos, de centenas de biliões de dólares gastos, de centenas de milhares de mortos, porquê nunca foi apanhado e trazido à justiça? Este vídeo fresquinho, retirado da arca da memória, mostra bem a preocupação do presidente com a personagem, enquanto concentra todas as justificações na “guerra sem fim ao Terror” (war on terra!) Veja-se o que ele realmente pensa acerca da natureza da “organização Bin Laden”: “Não me ralo muito com isso. Não é uma das minhas pioridades



Um presidente que concorda em deixar o principal inimigo da Nação à solta devia ser acusado de traição e enforcado. É demasiado violento para Bush? Mas não foi a pena capital a politica que usou para punir sem piedade todos os condenados que se lhe atravessaram pela frente quando foi governador do Texas? Depois de ouvir estas declarações de Bush porque não foi ele imediatamente destituído? Porque se cala o Congresso e continua a facultar-lhe verbas astronómicas para financiar a guerra? Porque se calam os americanos perante a fraude depois de lhes mandarem a Constituição às urtigas em nome da paranóia securitária?
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quinta-feira, março 22, 2007

sobre todos os dias,,, que não são dias da poesia

Alexandre O`Neill

a vida de família tornou-se bem difícil
com as contas a pagar os filhos a fazer
ou a evitar a ranhoca a limpar
a vida de família não tem razão de ser
não tem ração de querer

a vida de família jangada da medusa
é o tablado da antropofagia

mas ficam os retratos cristo virgem maria
e os sobreviventes, que vão chupando os dentes


















Soldados americanos na inauguração do Centro dos Bravos (Center for the Intrepid), um centro de reabilitação high-tech de 50 milhões de dólares destinado a ajudar os soldados amputados ou queimados.

Que será feito do nosso rapaz militar que ficou estropiado em Kabul? é estranho a TVI não se interessar pelo assunto,,, tanto mais estranho quanto a vítima desapareceu até das noticias,,,
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terça-feira, março 06, 2007

Não me recordo do titulo deste poema de José Gomes Ferreira, mas nos tempos que correm, talvez se deva chamar-lhe "Outono" ou até mesmo "Inverno"



Sózinho, sempre sózinho
aqui vou a teu lado
eu, o poeta operário de palavras
- as palavras “sonho”, “bandeira”, “esperança”, “liberdade” –
ferramentas de pureza irreal
que tornam a Realidade
ainda mais real
e transformam os bairros da lata
em futuras cidades de cristal
num planeta de paisagem de prata
onde as bocas das flores, das manhãs, dos vulcões
da brancura do linho
e das foices de lume doirado
cantarão a Internacional
- que eu continuarei a cantar sozinho,
sempre sozinho,
a teu lado

e para uma reflexão estética dedicada aos bem intencionados militantes do socialismo Reformista, quando cada vez mais vão sendo banidos do espaço público, vejam como, em nome dos lugarinhos no parlamento (e outras mesas nas autarquias), têm sido conduzidos dócilmente pela maviosa música do Poder - até chegarem onde estão.
- a Canção da Boneca dos Contos d'Hoffmann de Offenbach

Sumi Jo

domingo, fevereiro 25, 2007

o Mundo,
afinal que espécie de Cidade
temos estado empenhados
em construir?


Saldo Negativo

Dói muito mais arrancar um cabelo a um europeu
que amputar uma perna, a frio, a um africano.
Passa mais fome um francês com três refeições por dia
que um sudanês com um rato por semana.
É muito mais doente um alemão com gripe
que um indiano com lepra.
Sofre muito mais uma americana com caspa
que uma iraquiana sem leite para os filhos.
É mais perverso cancelar o cartão de crédito a um belga
que roubar o pão da boca a um tailandês.
É muito mais grave deitar um papel para o chão na Suíça
que queimar uma floresta inteira no Brasil.
É muito mais intolerável o chador de uma muçulmana
que o drama de mil desempregados em Espanha.
É mais obscena a falta de papel higiénico num lar sueco
que a de água potável em dez aldeias do Sudão.
É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda
que a de insulina nas Honduras.
É mais revoltante um português sem telemóvel
que um moçambicano sem livros para estudar.
É mais triste uma laranjeira seca num colonato hebreu
que a demolição de um lar na Palestina.
Traumatiza mais a falta de uma Barbie uma menina inglesa
que a visão do assassínio dos pais a um menino ugandês
e isto não são versos; isto são débitos
numa conta sem provisão do ocidente.

(poema de Fernando Correia Pina)

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Não Tenhas Medo

todo o Poder em si constitui um abuso, tanto maior quanto diz cinicamente representar as vastas maiorias e afinal governa em nome e para defesa de uma ínfima minoria. Nesta situação de tirania, o Poder de abuso comum, que sempre se verificou historicamente, só pode recuar quando outro Poder o obrigar a reconhecer os seus limites. Resta-nos, como cidadãs e cidadãos, assumir o Poder que temos. Só assim se aperfeiçoará a Democracia e se evitará a barbárie;
mas,,, a propósito, vale a pena recordar uma parábola sobre o Medo:
“uma bela manhã ofereceram-me um coelho da Índia. Chegou a casa enjaulado. Ao meio dia, quando saí, abri-lhe a porta da jaula.
Voltei a casa ao anoitecer, e encontrei-o tal e qual como o havia deixado: com a porta aberta, dentro da jaula, pregado às barras de arame, tremendo de susto perante a Liberdade”.

Quem anda a tramar o coelho?












"Os que trabalham
têm medo de perder o trabalho
Os que não trabalham
têm medo de não encontrar trabalho
Quem não tem medo da fome
tem medo da comida
Os automobilistas têm medo de andar
e os peões têm medo de ser atropelados.
A democracia tem medo de recordar
e os que falam têm medo de dizer
Os civis têm medo dos militares
os militares têm medo da falta de armas
as armas têm medo da falta de guerras.
Este é um tempo de medos.
Medo da mulher à violência do homem
e medo dos homens às mulheres sem medo
Medo dos ladrões, medo da Policia,
medo da porta sem fechadura,
do tempo sem relógios, da criança sem televisão
Medo da noite sem pilulas para dormir
e medo do dia sem pilulas para despertar
Medo das multidões, medo da solidão
medo daquilo que já foi e do que pode vir a ser
Medo de morrer, medo de viver".

(Eduardo Galeano)