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terça-feira, abril 21, 2015

Caos nas Urgências hospitalares em nome do Negócio

Cresce a "franja de doentes não diagnosticados". Três milhões de utentes não foram a qualquer centro de saúde no último ano. "Depois da razia feita sobre o Serviço Nacional de Saúde" é bom que os nossos governantes vejam a reportagem da Ana Leal, que foi exibida por um canal de televisão (e viram). À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres. Mas há um detalhe, ó filhosdaputa. São serviços de urgência.  

"Haja mais doentes! O descalabro na saúde pública, que se acentua de dia para dia, não levanta apenas a questão dos cortes orçamentais em resultado da politica de austeridade (por vezes grotesca). Levanta de forma gritante a necessidade de nacionalização de todos os cuidados de saúde, como uma exigência social que não pode estar sujeita a interesses privados. É isso que mostram as mortes nas Urgências por falta de assistência, as mortes por falta de medicamentos (como no caso da hepatiteC (2), o excesso de óbitos no inverno devido ao frio, a inoperância dos serviços por falta de médicos e enfermeiros, o encerramento dos serviços de proximidade, etc. Tudo isto vai a par de um crescente investimento privado no sector da Saúde, precisamente porque os capitalistas sabem que não lhes faltarão clientes – tanto por diminuir a eficácia dos serviços públicos, como pelo facto de a crise social se encarregar de produzir cada vez mais doentes, que são a matéria do negócio(jornal Mudar de Vida)

“Da vida coube-lhes este quinhão amargo: o cansaço, a fome e por fim a humilhação” (Raul Brandão, in “Os Pobres”, 1906)

(1) É conhecido, as grandes Multinacionais Farmacêuticas, lideres do "Mercado" e poder negocial, conseguem pôr o dinheiro do erário público a financiar a sua expansão como empresas privadas. (em Espanha estas cresceram 52 por cento nos últimos 10 anos). Em Portugal não será muito diferente.
(2)  O recente escândalo de pessoas com hepatiteC a morrer por limitações orçamentais impostas pelo Ministério da Doença, só acabou quando um activista conseguiu uma notável acção mediática que encostou o ministro às portas da morgue politica e o obrigou a negociar com a multinacional do famoso bushista Ronald Rumsfeld, o tal que pôs uma medalha ao peito do Paulo Portas. É isto:

(3) "Os hospitais devem hoje cerca de 700 milhões de euros à indústria farmacêutica e cerca de 600 milhões às empresas privadas que vendem dispositivos médicos, tornando a gestão do quotidiano uma permanente operação de relações públicas com os credores" (Correia de Campos, ex-ministro da Saúde do PS)

segunda-feira, julho 14, 2014

PPP da Saúde com aumento de 166%

Segundo um estudo do economista Eugenio Rosa nos 4 anos entre 2010 e 2014 enquanto a despesa pública com a saúde sofreu um corte superior a 5,5 milhões e os hospitais públicos viram o seu financiamento reduzido em 666 milhões, as parcerias com privados tiveram um aumento de 166%. Ou seja as transferências do orçamento do Estado para grupos económicos como o Espirito Santo Saúde, Jose Mello e o grupo brasileiro AMIL, que gerem as Parcerias Público Privadas na Saúde passaram de 160 milhões em 2010 para 427 milhões em 2014! (Saiba quanto vão custar ao erário público as PPP só em 4 hospitais até ao ano 2042).
No corrente ano estão a acontecer cortes quase três vezes maiores do que os do ano 2013!. Perante estes números é fácil compreender que tudo falte no Serviço Nacional de Saúde e nos hospitais públicos (médicos, enfermeiros, medicamentos, consumiveis, etc), e do que se queixam os médicos e outros profissionais de saúde! Eugénio Rosa acusa o governo de estar a destruir o SNS de forma silenciosa e recorda que só depois da greve dos médicos na passada semana o ministro reforçou em 300 milhões a verba para os hospitais publicos! (cm)
O ministro da Saúde Paulo Macedo continua no entanto a recusar o diálogo com a Ordem dos Médicos. O SNS, que até aqui servia todos os portugueses com qualidade, está a sofrer com as medidas de austeridade e a degradar-se muito mais do que outros sectores da governação, "por mera opção política, pois este Governo impôs mais cortes à Saúde e aos Doentes do que aquilo a que foi forçado pela Troika". Inclusivamente, a propósito da greve, o ministro fez uso do seu tom habitualmente indigno ao aproveitar o momento para fazer uma descarada propaganda às empresas privadas da área da saúde: "esta greve foi altamente lesiva para os utentes dos serviços do SNS, se olharmos para os hospitais privados verifica-se que aí nenhum utente deixou de ser atendido". Acontece é que o Estado passou agora a pagar em subsidios aos privados o que recusa pagar nos serviços públicos