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quarta-feira, julho 08, 2015

bate-papo entre liberais em busca da reciclagem do capitalismo

porque o Verão não tem de ser tempo de literatura light, um livro recomendado pelo professor Carlos Fiolhais: onde se aprende sobretudo pelo que fica omisso em relação à disciplina de Economia Politica

respigado da sinopse do livro: 
"Pensando no que aconteceu em 2007 e 2008 —, o certo é que muitos economistas não foram capazes de prever esse momento crítico, tanto à escala dos Estados Unidos como global.

Paul Krugman: não, não previ propriamente… Pensei que alguma coisa iria correr mal, mas a uma escala que nada tinha que ver com a daquilo que realmente se passou. Pensei que a bolha do imobiliário seria feia, mas a escala do desastre foi um choque para mim (…) Não previ a crise, mas fomos muitos a dizer depois: Ouçam, não acreditem naqueles que passam o tempo a dizer‑nos que a emissão de dinheiro pelos bancos centrais vai causar uma inflação galopante, que os défices orçamentais vão repercutir‑se desastrosamente sobre as taxas de juro… Não é assim que as coisas se passam...

não há inflação? e juros sobre a dívida? há?
Joseph Stiglitz: parece‑me, entre outras coisas, que a recuperação económica não tem corrido especialmente bem, e também claro que a política monetária não é uma resposta suficiente. Pouco pode fazer. Penso que o Paul tem razão quando diz que os medos — todo esse discurso que pretendia que a impressão de papel‑moeda, ou como se lhe queira chamar, seria inflacionista eram absurdos, e que isso ficou demonstrado. Mas também é verdade que houve economistas que pensaram que a política monetária resolveria os problemas. Bem, vocês sabem como costumo descrever o raciocínio deles, quer dizer, a ideia de que pôr os bancos e os hospitais durante um ano e meio a darem‑lhes não uma transfusão de sangue, mas uns quantos milhares de milhões de dólares melhoraria as coisas e poria a economia de novo a funcionar. É evidente que não tinham razão e que havia necessidade de uma política orçamental efectiva, de estímulos efectivos, e a verdade é que, em termos fundamentais, a economia estava já em quebra antes da crise, servindo‑se da bolha para continuar a funcionar.

Thomas Piketty: penso que a ideologia faz sentir muito o seu peso entre os economistas e que muitos deles têm uma visão do mercado que não só é idealista e ingénua, como tenta sobretudo demonstrar que os mercados funcionam eficazmente, funcionam perfeitamente bem. Julgo que é igualmente por razões ideológicas que os economistas perdem por vezes muito tempo a construir modelos matemáticos complicados, tentando provar a eficiência dos mercados de um modo que impressione as outras disciplinas por meio dessas construções que dão uma aparência mais científica às suas ideias

Paul Krugman: Pode parecer uma brincadeira, mas é isso mesmo que se passa.

Thomas Piketty: A nossa única vantagem por comparação com as outras pessoas é que somos pagos para recolher dados e tentar compreender os mecanismos ou modelos sociais e económicos que possam explicá‑los, e teremos de ser modestos, de nos contentar com progressos limitados, se quisermos ser úteis, embora nem sempre seja evidente que os economistas produzam um trabalho muito útil".

segunda-feira, junho 22, 2015

o Domínio dos Monopólios e a sua fusão com o aparelho de Estado

o Capitalismo monopolista de Estado pode assumir diferenças consoante a natureza das classes que dominem a sociedade. Ou que pareçam dominar quando assessorado por grupos  a troco de algumas insignificantes migalhas do Poder.
ó pá, eu sou candidato, vem votar em mim
A contradição Povo-Monopólios pode contudo suscitar, sem que disso haja consciência, uma aliança de classes em luta por um capital não-monopolista numa democracia avançada do ponto de vista burguês conduzido pela diplomacia política do capital monopolista. As formas e o ritmo do processo de concentração, expresso nas formas de persistência de capital não monopolista, constituem frequentemente simples medidas estratégias que servem os interesses políticos do capital monopolista, assegurando a sua hegemonia política sobre a burguesia como totalidade e mantendo a coesão política do bloco do poder face à classe operária e aos trabalhadores do sector produtivo. O capital monopolista significa os empreendimentos dominantes em certos ramos-chave da produção. Deste modo o bloco dirigente, alargado a esses grupos da intelectualidade pequeno-burguesa, é controlado pelo capital monopolista.

domingo, maio 31, 2015

Contributo para a elaboração do programa do movimento anti-Capitalista

Nunca uma geração tinho dito peocupar-se tanto pelos seus filhos como esta; e nenhuma outra tinha destroçado tanto o mundo como este que lhe vão legar como herança(La Voz de Iñaki Gabilondo)

Os grandes banqueiros, especial ênfase posta nos Bancos Centrais e nos sindicatos bancários da Máfia Financeira, quiseram regressar às aulas. Não como alunos, dispostos a receber umas reguadas com uma barra de ferro, mas como mestres de uma bem publicitada catequese financeira à sombra do programa “Global Money Week”. Pretendem com a iniciativa promover a “Educação Financeira”, segundo os planos recomendados pela Comissão Europeia e pela OCDE, integrando a disciplina nos currículos das escolas, isto é, educar as crianças e adolescentes para aceitarem ser educadas para a Usura. Esta repentina vocação pedagógica dos banqueiros, dando aulas e patrocinando workshops com títulos tão sugestivos como “finanças para a tua vida” ou “endivida-te inteligentemente” quer fazer parecer que a culpa pela degradação do capitalismo foi dos cidadãos que não tinham suficiente cultura financeira. Só uma única individualidade, o Bernard Madoff no Verão de 2007, aquando do colapso das hipotecas de alto risco nos EUA, conseguiu a falência de milhares de cidadãos, a maior parte deles com larga experiência na “indústria financeira”. Sete anos depois a lógica irracional da ganância continua a produzir vítimas, vendendo algo que os bancos impingem como racional, como por exemplo no BES. Porém, os “mercados” não aprendem. É preciso educar as vítimas. E mercantilizar a educação de modo que sejam as vítimas a pagar um “ensino (tendencialmente) obrigatório”, ou seja, a completa submissão da Educação à economia neoliberal assente na economia das finanças especulativas. Ao Plano de Educação Financeira, “Finanças para Todos” é atribuída uma importância que situa a um nivel mais alto o pagamento o pagamento da prestação de hipoteca da casa que a a alimentação – all Money is a matter of belief, na teologia de Adam Smith, acredite, deixe de comer para pagar ao banco.

Paralelamente, fala-se mais de conceitos empresariais que de humanismo, como se aprende um e se esquece o outro nas madrassas Católicas, da educação como “motor" que promove a competividade da economia. Aprendizagem imprescindível para (con)formar trabalhadores versáteis e submissos, preparados para a sua própria gestão de seguros de saúde, planos de reforma e demais serviços que o “Estado-de-Bem-Estar” jamais voltará a proporcionar. Estado de serviços minimamente máximos (Fisco, Policias e Justiça) dentro do espirito empresarial. Os “empreendedores” serão os heróis da próxima geração. Muitos milhares já partiram, globalizando-se, tendo sucesso a ganhar dinheiro, na realidade com a competência de extorquir dinheiro a outros. Os novos heróis têm um papel importante no forjar de um “novo mundo” (a New World Order). Trata-se, como sempre, historicamente, do último recurso para enganar a morte. Com a actuação dos novos Sísifos, tão astutos, “inteligentes” e usurários como essa figurar mitológica, agindo sobre um sistema que não tem outro remédio senão a morte. Face à culpa pela secular ignorância financeira da populaça, o castigo de levar às costas eternamente a grande rocha encosta acima. Resumindo, todos os que não aceitam legar aos nossos filhos um novo sistema esclavagista ordenados pelo chicote do grande Capital têm de restabelecer parâmetros sociais e económicos muito diferentes, que não a astúcia, a ganância e a esperteza curricular para a especulação.

quinta-feira, maio 28, 2015

Sobre o futuro da Segurança Social

Mais de 86% das reformas estão abaixo dos 1.000 euros !!! Adivinhe-se sobre quem vão recair os cortes. Mesmo que venham a dar o dito por não dito, não é dificil podermos adivinhar o que nos espera depois das eleições.

“Há hoje uma percepção clara de que os sistemas públicos de pensões estão em risco: os atuais pensionistas vivem na certeza da instabilidade dos rendimentos da reforma e as gerações mais novas deixaram de confiar no Estado, sentindo que o seu esforço contributivo não será recompensado (…) é urgente restaurar o Contrato Social no sentido de reconciliação das gerações. Para além, obviamente, de impedir que os sucessivos governos do “arco da destruição” metam a mão na massa (que não é deles, é dos trabalhadores que descontaram)  para continuar a especular com os fundos de pensões nas bolsas internacionais.
Este é o cenário sobre o qual o Partido Socialista de António Costa quer diminuir a contribuição das empresas para a TSU, dando-se ainda ao luxo de cortar nas contribuições para a Segurança Social. O tiro de misericórdia no sistema de reformas e pensões - o Zé já sabe portanto com o que conta se votar no PSD/CDS ou no PS - o primeiro corta nas reformas miseráveis dos mais desfavorecidos, o PS destrói de vez a Segurança Social!

Jorge Bateira: "Com a continuada aplicação deste factor de "correcção/corte" das pensões, a larga maioria da população vai ficar confrontada com o seguinte dilema: trabalhar até morrer, ou ser pensionista pobre. Só se livra disto o topo da distribuição do rendimento nacional porque aí há dinheiro para aplicar nos fundos de pensões. E mesmo assim, é preciso que o capitalismo de casino não lhes faça evaporar as poupanças. É este o maravilhoso mundo que nos espera ... se NÃO FIZERMOS NADA"

quarta-feira, abril 29, 2015

Democracia e Liberdade não podem ser sequestradas por interesses de Privados!

O Direito à Habitação está consagrado no artigo 65 da Constituição da República Portuguesa e é reconhecido pelos demais instrumentos internacionais em matéria de Direitos Humanos, ratificados por Portugal dentro do contexto dos países da União Europeia.


A Câmara Municipal da Amadora, presidida pelo Partido dito Socialista tem nos últimos dez anos desalojado centenas de pessoas nos Bairros de Santa Filomena, Estrada Militar, Estrela D`África e 6 de Maio, sem providenciar qualquer alternativa digna aos moradores. Apesar das recomendações do Provedor de Justiça, a autarquia persiste em continuar um processo ilegal: demolir habitações. São crianças, pessoas idosas, mães solteiras, pessoas com problemas de saúde, desempregados, postos na rua sem uma solução habitacional adequada. Isto agrava ainda mais a já frágil situação social destas comunidades. Neste contexto social de crise económica os níveis de desemprego, exclusão e pobreza são exponencialmente maiores dentro destas comunidades. Este violento atropelo à dignidade da pessoa humana tem-se intensificado nos últimos meses e a determinação fanática do executivo socialista da Amadora na erradicação destes bairros, indica que continuará, uma vez que serve interesses privados de especuladores imobiliários que compraram recentemente estes terrenos. Vazios os terrenos valem mais, e no entanto, quem comprou sabia que haviam milhares de famílias que aqui habitavam há muitos anos e não assumem qualquer responsabilidade. A Câmara da Amadora está ao seu serviço.
Nos dias 24 e 25 de Março em Santa Filomena, a autarquia, munida de uma brutal força policial, e sem qualquer mandato legal, entrou no bairro arrombou a porta das casas e desalojou 7 agregados familiares, num total de 35 pessoas no bairro Estrela D'África, na Damaia, num total de 17 pessoas expulsas, incluindo 5 crianças. É preciso pôr fim a este urbicídio. No dia 25 de Abril, dia de conquista de Direitos, Liberdades e Garantias, como o Direito à Habitação, os moradores dos bairros auto-construídos de Amadora, sairam à rua juntamente com colectivos e cidadãos e concentraram-se no largo do Rato. Foram perguntar se a dignidade dos moradores continuará a ser espezinhada em nome da subserviência do Partido Socialista de Amadora aos interesses financeiros, aos grupos particulares e à especulação imobiliária. Esperam resposta.

terça-feira, abril 21, 2015

Caos nas Urgências hospitalares em nome do Negócio

Cresce a "franja de doentes não diagnosticados". Três milhões de utentes não foram a qualquer centro de saúde no último ano. "Depois da razia feita sobre o Serviço Nacional de Saúde" é bom que os nossos governantes vejam a reportagem da Ana Leal, que foi exibida por um canal de televisão (e viram). À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres. Mas há um detalhe, ó filhosdaputa. São serviços de urgência.  

"Haja mais doentes! O descalabro na saúde pública, que se acentua de dia para dia, não levanta apenas a questão dos cortes orçamentais em resultado da politica de austeridade (por vezes grotesca). Levanta de forma gritante a necessidade de nacionalização de todos os cuidados de saúde, como uma exigência social que não pode estar sujeita a interesses privados. É isso que mostram as mortes nas Urgências por falta de assistência, as mortes por falta de medicamentos (como no caso da hepatiteC (2), o excesso de óbitos no inverno devido ao frio, a inoperância dos serviços por falta de médicos e enfermeiros, o encerramento dos serviços de proximidade, etc. Tudo isto vai a par de um crescente investimento privado no sector da Saúde, precisamente porque os capitalistas sabem que não lhes faltarão clientes – tanto por diminuir a eficácia dos serviços públicos, como pelo facto de a crise social se encarregar de produzir cada vez mais doentes, que são a matéria do negócio(jornal Mudar de Vida)

“Da vida coube-lhes este quinhão amargo: o cansaço, a fome e por fim a humilhação” (Raul Brandão, in “Os Pobres”, 1906)

(1) É conhecido, as grandes Multinacionais Farmacêuticas, lideres do "Mercado" e poder negocial, conseguem pôr o dinheiro do erário público a financiar a sua expansão como empresas privadas. (em Espanha estas cresceram 52 por cento nos últimos 10 anos). Em Portugal não será muito diferente.
(2)  O recente escândalo de pessoas com hepatiteC a morrer por limitações orçamentais impostas pelo Ministério da Doença, só acabou quando um activista conseguiu uma notável acção mediática que encostou o ministro às portas da morgue politica e o obrigou a negociar com a multinacional do famoso bushista Ronald Rumsfeld, o tal que pôs uma medalha ao peito do Paulo Portas. É isto:

(3) "Os hospitais devem hoje cerca de 700 milhões de euros à indústria farmacêutica e cerca de 600 milhões às empresas privadas que vendem dispositivos médicos, tornando a gestão do quotidiano uma permanente operação de relações públicas com os credores" (Correia de Campos, ex-ministro da Saúde do PS)

sexta-feira, abril 17, 2015

pobres e mal agradecidos, beneficiam da cidadadania da potência mais rica do mundo

 Um relatório da UNICEF revela que os Estados Unidos estão entre as quatro nações do mundo dito "avançadas" com maiores índices de pobreza infantil. Portugal está acima apenas cinco posições nos 29 paises considerados. Os EUA com cerca de 300 milhões de habitantes tem 24,2 milhões de crianças pobres (2,5 milhões sem abrigo), mais 1,7 milhões que em 2008 no inicio da crise. Conforme observa Paul Buchheit da Alternet, no que respeita aos Estados Unidos "estes números são surpreendentes". Enquanto isso, o Partido Republicano pretende reduzir em 5,5 triliões de dólares os gastos em vários programas assistencialistas, incluindo a distribuição de senhas de alimentação nas escolas e à população carenciada das quais beneficiam cerca de 16 milhões de pessoas.(fonte)

domingo, abril 12, 2015

holocausto silencioso em nome do negócio

Ministro anuncia fim do Fundo de Pagamento de Dividas do SNS
As implicações dos cortes na Saúde começam a aparecer. Prevenir é estar um passo à frente da doença, mas cortes enormes têm sido feitos nos serviços na área de prevenção, considerados supérfluos "porque dão prejuizo" - o SNS só causa prejuizos porque a prestação de serviços estão sub-orçamentados e o maior prejuizo é a perda de vidas por negligência do Estado. Ontem à noite, no decorrer da reunião do Observatório Municipal de Saúde do Barreiro, aberta à população, o médico Jorge Espirito Santo afirmou que – “o número de pessoas que morreram, nestes primeiros meses de 2015, são mais 6.000 que os números do ano passado, no mesmo período”. O prestigiado médico de oncologia, alertou para o facto de a “legislação que tem sido produzida” contribuir para “desarticular todas as áreas do Serviço Nacional de Saúde” expressando a sua preocupação sobre a situação que se vive no Serviço Nacional de Saúde considerando ser necessária a mobilização dos cidadãos. (fonte)

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

à espera de Maio para ver o que acontece

Richard Seymour no Esquerda.net (...) dificilmente se pode pôr as culpas de tudo isto no Syriza. Eles estão numa posição de fraqueza e é duvidoso que qualquer governo tivesse conseguido melhor contra uma UE determinada a humilhar a Grécia. Ainda assim, a linha de Tsipras e Varoufakis é simplesmente insustentável. O seu compromisso em tentar resolver esta crise no quadro do euro só pode fracassar. Eles estavam errados ao pensarem que encontrariam um único aliado ou interlocutor na UE. Os governos do sul da Europa são ainda mais fanáticos que Berlim nesta matéria. 

Hollande, longe de ser uma cara amigável, disse logo ao Syriza para esquecer isso: ele tomou a sua decisão sobre a austeridade já há algum tempo.
A questão da moeda, então, não era apenas uma distracção nacionalista como alguns diziam: conseguir a eleição de um governo com o objetivo concreto de confrontar a UE e lutar para derrubar a austeridade iria sempre confrontar-se com esta questão. A alternativa, a que podemos chamar uma Grexit do Povo, está longe de ser simples, como sublinha Dave Renton no mais recente post sobre a Grécia - o Syriza não tem desmobilizado os movimentos sociais, têm-os ajudado a crescer - Os riscos económicos seriam consideráveis. Iria ser necessária não apenas preparação económica, ou jogos de guerra secretos, mas também preparativos sociais e políticos enormes. Seria precisa a mobilização de um movimento de trabalhadores que tem estado relativamente sossegado desde 2012. E seria necessário um governo disposto a arriscar o isolamento político e económico dos parceiros comerciais e uma luta até ao fim com os oligarcas, a Direita e os aparelhos repressivos do Estado pelo futuro da sociedade grega (... Esquerda.net)

sexta-feira, janeiro 16, 2015

do Desencanto

"Uma das mais importantes considerações de [Eric] Hoffer é a de que não é a pobreza que transforma alguém num verdadeiro crente, mas sim a frustração" - esta citação é de Martin Wolf e foi publicada no Financial Times, um jornal que não é suspeito de ser comunista, nem sequer de esquerda; a sua ideologia é o dinheiro, a defesa do capital que não se consegue continuar a reproduzir devido ao risco da luta dos dissidentes do sistema, aka, dos "terroristas" em regiões onde existem lutas pela expulsão do neocolonialismo anglo-american-europeu. (FT)
Hoffer usa o argumentum ad populum - se milhares de milhões de pessoas acreditam em algo, isso quer dizer que essa crença não pode estar errada! Datado de 1951, afirma que os movimentos de massa podem nascer sem deus, mas não sem um demónio: são os bodes expiatórios das seitas, culpados pela desgraça que eram, no contexto anterior à guerra, a ascensão do fascismo, do nazismo e do "comunismo"-de-Estado, todos como reacções à Grande Depressão de 1929. Todos estes movimentos, escreveu ele, declaram dissolutamente a decadência do Ocidente.


o Verdadeiro Crente” é um ensaio sobre a adesão das pessoas aos movimentos de massas, onde em primeiro lugar predominam os frustrados (e não os remetidos à pobreza), isto é, os indivíduos que sentem, as suas vidas desperdiçadas, os que fracassam e têm propensão para culpar o mundo pelo seu fracasso. Os que irremediavelmente destroçados não conseguem encontrar na sua inacção uma finalidade válida para o seu avanço pessoal. Deste modo, não é a pobreza a principal causa das revoltas sociais, mas a frustração que conduz ao orgulho, confiança e esperança no mérito de identificação com uma causa sagrada, interiorizada pelas amorfas massas maioritárias, por exemplo, a democracia in abstracto ou o acreditar em milagres exorcisados por seres sobrenaturais.

Para Hoffer as peculiariedades frustrantes são comuns às associações religiosas, movimentos nacionalistas e revoluções sociais, como a que a extrema-direita neoconservadora lidera actualmente no ocidente. Portanto, trata-se de quem manipula quem, que Poder ou Classe e com que finalidade. Seja qual for a doutrina que se incuta nas massas e o programa que projectam, todas fomentam fanatismo, entusiasmo, esperança fervorosa, ódio e intolerância. Principalmente se se culpar uma ínfima minoria de determinado grupo generalizando-a como se fosse o todo. Todos os movimentos de massas, por exemplo, os cooptados por acontecimentos ampla e repetidamente propagandeados pelos Media, como nas missas, são capazes despoletar uma poderosa torrente de actividade comportamental perante a vida. Todos eles exigem uma fé cega e uma obediência inequívoca. Uma força que impele a opinião pública a expansão e domínio passivo em prol de uma causa global, desde que esta seja tida como “boa”. Logo, a técnica de conversão eficaz consiste essencialmente no inculcar e fixar propensões e reacções inerentes às mentes frustadas, pelo que é prioritário inquirir dos males que afligem os frustrados. E o Poder dispõe hoje de mecanismos de estudo social e estatístico que lhe permite avaliar até que limites pode disseminar a pobreza sem que exista perigo de revolta. Até que ponto se pode patrocinar e viabilizar a disseminação de um movimento de massas num determinado sentido.

Assim, quando o avanço social não pode, ou o impedem de servir de força motriz, o Poder tem de encontrar outras fontes de entusiasmo (por exemplo, contra o radicalismo islâmico ou os radicais progressistas prejudiciais aos mercados e à exploração capitalista) de modo a despertar e renovar uma sociedade estagnada para que se concretizem e perpetuem mudanças compulsivas. E neste campo o nacionalismo continua a ser a fonte mais copiosa e duradoira que entusiasma as pessoas, o que os políticos que em nome da classe que detêm a propriedade enchem a boca regurgitando em representação “de todos os portugueses”, embrutecidos pela ilusão de pertença e acesso ao mesmo pote que os ricos, os que os põem a salvo do imprevisível, trabalhadores nómadas, operários sem indústria, pescadores sempre em risco, agricultores, a grande massa de funcionários do terciário, antes de se degradarem na indigência, receiam o mundo abjecto que os rodeia, mas não são permeáveis à mudança. O descontentamento por si só não é capaz de produzir acções para a mudança. Face aos sinais de decadência, ansiosos e aturdidos pelos incessantes atropelos, pelo medo artificialmente incutido, pensam que qualquer mudança será sempre para pior que para melhor. Há um conservadorismo nos desfavorecidos tão profundo como o conservadorismo dos privilegiados, e o primeiro é tanto um factor de perpetuação da ordem social vigente quanto o segundo.

domingo, dezembro 14, 2014

Sonda-me que eu gosto

A continuada publicação de sondagens manipuladas continua a ludribiar muito boa gente. Seria impossivel que seis anos o agaravamento da crise financeira a maioria do povo continuasse a manifestar intenções de voto nos dois partidos de Bloco Central que conduziram Portugal ao actual estado de catástrofe social, na ordem dos 37,5 para a nova cara do ex-PS de Sócrates e 25,2 para os vende-pátrias do PSD (como se publicou na Sic).

Comprovadamente, "as sondagens são a força manipuladora para apelar à inacção, e têm dois objectivos, um deles é fazer desistir quem pretende a mudança, o outro é manter o poder nas mãos dos mesmos de sempre". Por exemplo, esta sondagem da Sic/Balsemão continua a dar mais votos à soma dos no PSD/CDS que ao PS. Aqui até o badalhoco intelectual do Marinho Pinto já cozinhou um simbolo com estrelinhas-à-esquerda. Mas a esperteza não é dele, é de quem o tem levado ao colo nos falsimedias (como a partir de 2006 o Cavaco levou o cretino do Portas), com a finalidade de "partir a esquerda social democrata" - já de si dividida em capelinhas na caça de tachos ao Costa - é preciso radicalizar a esquerda, desmascarar Oliveiras, Ruis e Joanas, fazer implodir essa coisa que dá pelo nome de Partido "Xuxa" Socialista
Testando duas páginas de profiling para as eleições europeias chega-se a completa desilusão com os resultados manipulados pelos sondadores marqueteiros fretados pelo regime. Testando o euandi e o euvox os resultados são escandalosamente diferentes - o PNR nem sequer aparece na lista o que é gravíssimo em termos dos idiotas militantes nazi-fascistas cá do burgo. E as perguntas que são utilizadas para calcular as percentagens (euandi) ou índices (euvox) são manifestamente insuficientes para permitirem obter quaiquer resultados fidedignos. Basta ver que, noutros barómetros manipulados de outro modo, se obtêm resultados diametralmente opostos, com o PCTP-MRPP no outro extremo dos desgraçados votos no Bloco Central doravante liderado pelos ditos "socialistas". O que não corresponde à realidade na vida terrestre.
relacionado: 

quinta-feira, novembro 27, 2014

O cantar alentejano que vem de Paris

Há indivíduos que vão a Paris (ou off-onde-calha) enquanto o partido esfrega o olho, com umas belas dezenas de milhões postos a salvo do fisco e regressam num ápice todos lampeiros...

... enquanto outros indivíduos, mais dados às coisas colectivas, vão a Paris como se fosse um evento único e irrepetível nas suas vidas. Viajam todos juntos num autocarro durante 30 horas para lá e outras tantas para cá; pelo caminho vão parando junto às caravanas de muitos outros portugueses condenados ao import-export nas estações de serviço. Põe-se uma mesa portátil ao redor da qual todos comem, em pé, pão e chouriça cortada a canivete de bolso, e outras iguarias para farnel de que o Alentejo é terra de fartura.
São estes portugueses, simples, genuínos, os que nunca passaram as privações das brasseries IlGattopardos onde se come pouco, mal e caro pra caralho, que regressam à nossa terra orgulhosos com uma carrada às costas de notável valor cultural – desta vez o cante alentejano reconhecido como património imaterial da humanidade. Bem hajam malta que canta em coro a terra da fraternidade, teremos futuro.

Gravado em Vila Nova de São Bento, Serpa

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sábado, outubro 18, 2014

a Pobreza é um Crime organizado

No corrente ano, Portugal soma já mais 10.777 milionários, num total de 75.903 de adultos com uma riqueza superior a um milhão de dólares... e no entanto hoje os trabalhadores portugueses ganham hoje menos do que em 1974. Se acrescentarmos a isso, a brutal carga fiscal que recai sobre quem trabalha (só de IVA, que não existia em 1974, são 23%, e a esfolar), ficamos com uma ideia mais precisa do que tem sido os 38 anos de governação PS, PSD, CDS. E ainda por cima, é surreal que seja o mega-merceeiro que enriqueceu com o regime que seja o mecenas da Pordata que contabiliza estatisticamente os pobres criados pelo regime. Por fim, ontem 17 de Outubro - Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza - declarado pela Unesco relembrou-se que «a erradicação da pobreza deve ser a prioridade absoluta de qualquer política de desenvolvimento. A extrema pobreza é um impedimento ao pleno exercício dos direitos humanos, um obstáculo ao desenvolvimento e uma ameaça à paz, blá, blá, blá... seguem-se mais estatisticas. Mas há mais: a dotação do Parlamento, com o próximo Orçamento conforme revela a agência Lusa, eles dizem que "sofre", mas beneficia de um acréscimo de 5,9 milhões de euros pela "inscrição dos encargos com as subvenções estatais aos partidos políticos pela realização das campanhas" das eleições previstas para 2015. E ainda, está prevista a descida das prestações sociais, mas, ao invés, temos um aumento de 864 mil euros em despesas com os Gabinetes dos Ministros... "... os gastos dos ministérios, em comparação com o primeiro Orçamento do Estado deste governo, entregue por Vítor Gaspar, cresceram 4,3 milhões de euros.

relacionado:
* Há 8 países da União Europeia em deflação
* Portugal vai demorar muitos anos até reparar danos causados pelo actual governo
* (não contabilizando os danos a causar pelo próximo governo xuxa no futuro)
 * A pobreza é um crime organizado. O limiar abaixo do qual na Europa é definida a pobreza corresponde ao rendimento mensal de 406 euros.
 * a ameaça de Pobreza pesa mais sobre os mais jovens: 18,7% dos portugueses estava em risco já em 2010 (expresso).
* Sendo as crianças as que mais sofrem
* as Multinacionais da Caridade, um Negócio em expansão 

quinta-feira, outubro 16, 2014

Portugueses no Mundo (III)

Para que as abéculas oportunistas dos concursos de cantorias light possam corar de vergonha por servirem imbecilmente um regime de encher chouriços nas programações televisivas com trabalho não pago, a Susana Silva mostra-nos o caminho de quem tem talento é o quer utilizar de forma honesta:
Emigrar.  
"não me abandones!"  
óh gentes da minha terra

segunda-feira, outubro 13, 2014

Consequências da medicina neoliberal. As origens da crise do Ébola

«Não podemos aceitar a reedição dum negócio das arábias à custa da boa fé ingénua e da desinformação do incauto cidadão.» (Manuel Pinto Coelho, Médico, doutorado em Ciências da Educação).

Tariq Ali: O sistema, como funciona em todo o mundo capitalista, é basicamente não a favor de serviços de saúde pública, mas favoráveis a soluções privatizadas, instalações privatizadas, o que significa que na maior parte países cada vez mais tem-se um sistema de duas ou três camadas. Há hospitais de muito boa qualidade para os ricos e pessoas que podem pagá-los, há uma segunda camada mais para pessoas da classe média que também podem pagar mas não tanto e suas instalações não são tão boas e a seguir há hospitais públicos, não só na África mas em países como a Índia, Paquistão e Sri Lanka, os quais estão numa desgraça total e nada é feito acerca disto a nivel global (pela comunidade internacional) porque não é uma prioridade.

Allyson Pollock: como é que issso se poderá reconstruir quando realmente há directores estrangeiros a chegarem e parceiras público-privadas e gradnes fluxos de dinheiro a saírem e não há qualquer mecanismo de redistribuição, porque redistribuição significa que se está a tentar construir uma sociedade mais justa e a tentar colocar os recursos outra vez no país (...) Mas vacinas não são realmente o que estes países precisam. Todas as grandes reformas, todos os grandes colapsos de doenças infecciosas epidémicas não foram realmente debelados com drogas e vacinas, foram-no através de medidas redistributivas, as quais incluíam saneamento, nutrição, boa habitação e na verdade, acima de tudo, uma democratização real. E com isto chega-se à educação e todas as outras medidas (...) ONGs muito poderosas, como a GAVI – Global Alliance for Vaccine Initiative, as quais em conjunto com grandes companhias como a GSK e Merck, estão determinadas a conseguir patentes; e a razão porque elas gostam de vacinas é porque elas são um meio de imunização em massa e isto significa números e números significam dinheiro. E naturalmente estão a ser pagas pelo ocidente e governos ocidentais quando este dinheiro podia muito mais facilmente fluir para os próprios governos [africanos] para reconstruírem os seus sistemas de saúde porque estamos a falar acerca da reconstrução da infraestrutura de saúde pública (...) isto começa com a economia, começa com o que está a acontecer à terra, começa com o facto de o óleo de palma, o cacau e a borracha serem importantes culturas para a obtenção de dinheiro e a terra, a sua propriedade, incluindo os serviços públicos que lhes estão associados terem sido transferidos para investidores e accionistas estrangeiros.

Tariq Ali: Será perfeitamente legítimo fazer enormes lucros a partir das necessidades básicas de pessoas comuns?
Allyson Pollock: Isto começou com uma indústria farmacêutica e da produção de vacinas que acha ser perfeitamente aceitável fazer lucros com elas; então porque não deveríam agora fazer lucros com as doenças e os cuidados prestados? Naturalmente o SNS na Inglaterra foi estabelecido para ser redistributivo. É financiado através da tributação, a qual deve ser progressiva e o dinheiro deve fluir de acordo com o necessário. Mas o que estamos a começar a ver agora é que o dinheiro fluirá de acordo com as necessidades dos accionistas e não dos pacientes, e isso é uma preocupação muito real. Naturalmente, isto é tudo questão de vontade política. Tudo pode ser revertido mas é basicamente político, para a democracia e o povo fazerem com que as suas vozes sejam ouvidas".

quinta-feira, setembro 18, 2014

Politica de Transcortes

A fúria privatizadora de tudo o que é bem público de uso social em Portugal decidida pelo Bloco Central de interesses nos últimos anos consiste na sub-orçamentação das empresas-alvo e tem como único objectivo furtar ao Estado e entregar ao Capital financeiro tudo o que é lucrativo.

As indemnizações compensatórias aprovadas pelo Governo, no segundo “orçamento rectificativo” no espaço de um ano (!), relativas aos serviços prestados por empresas públicas, privadas ou municipais correspondem a um montante global de 229 milhões de euros. Em comunicado o conselho de ministros refere que este valor “representa uma redução global de 95 milhões de euros comparativamente ao ano anterior” (portanto, de sub-orçamentação). Uma redução que é válida apenas para as empresas públicas e que eventualmente terá de ser compensada com novo aumento no preço dos transportes públicos em 2015. A CP foi contemplada com uma indemnização compensatória de 18.857 milhões, ou seja, menos 17.031 milhões de euros que em 2013. Por sua vez o Metropolitano de Lisboa vai receber directamente 29.627 milhões contra os 46.640 milhões de euros recebidos em 2013 (menos 17.031 milhões). O Metro do Porto fica com menos 8.520 milhões e o Metro Sul do Tejo com menos 3.384 milhões de euros.

À Carris o governo PSD/CDS atribuiu 5 milhões de euros; em 2013 havia atribuído 19,682 milhões A congénere do Porto, a STCP recebe igualmente 5 milhões, contra os 10,820 milhões recebidos o ano passado. Esta devrá ser a última vez que o Metro de Lisboa e o do Porto, Carris e STCP recebem indemnizações compensatórias do Orçamento do Estado, dado que o fim do pagamento de indemnizações compensatórias a essas empresas é uma das medidas que constam do caderno de encargos do processo com vista à sua privatização. Na Área Metropolitana de Lisboa as duas empresas de transporte fluvial de passageiros, Soflusa e Transtejo, não vêem os montantes das indemnizadas directas sofrer grande variação. Por sua vez, as empresas privadas do sector rodoviário de transportes vão receber no seu conjunto cerca de 18,4 milhões de euros de indemnizações compensatórias em 2014. Ou seja, um aumento de mais de 100% atendendo aos 9,175 milhões de euros recebidos em 2013.

Com menos financiamento directo do Estado e a braços com a perda acentuada de passageiros, empresas como a CP, Carris e Metro vão ter de rever os preços actualmente em vigor. Será o sexto aumento no espaço de quatro anos, período em que o custo das famílias com transportes públicos cresceu em média 25%. No inicio de 2014 o preço dos transportes subiu 1%, mas recuando um pouco, há que recordar que em 2011 (com o governo “socialista” de Sócrates) os preços foram aumentados em 4,5%. Já com o governo de vigaristas Passos/Portas agravaram-se em 5% (em Agosto de 2011), mais 5% em 2012 e 0,9% em 2013. Pelo meio desapareceram os descontos em passes sociais para estudantes e reformados, o que levou no casos dos primeiros a um aumento de 100% no passe social. A estes aumentos há que juntar a degradação dos serviços, com a redução de carreiras, do número de carruagens e com o aumento dos tempos de espera. (texto decalcado do jornal da Voz do Operário)

domingo, setembro 07, 2014

a Crise permanente, desde a sopa do Sidónio à sopa do Barroso

- o primeiro tópico é de Susan George: «a Dívida é uma ferramenta muito poderosa para a classe dos exploradores, é uma ferramenta tão útil que é muito melhor do que o colonialismo, porque pode levar a manter os outros sob controle sem ter necessidade de um exército, nem sequer de todo um aparelho de administração»

- a segunda frase é de Óscar Wilde n`A Alma do Homem sob o Socialismo": recomendar parcimónia (o termo actual é austeridade) aos pobres é tão grotesco como insultuoso. É como aconselhar um homem que está a morrer de fome a comer menos»

domingo, julho 20, 2014

Desemprego e Colapso da Economia Nacional

"Os países da periferia apresentam sistema politicos de governos fracos, concedem protecção aos trabalhadores e o direito a protestar contra mudanças indesejadas no status quo. Estes defeitos ficaram evidentes com a crise" (J.P. Morgan)

o Governo pretendeu esconder, varridos para debaixo do tapete, 162 mil desempregados em cursos de formação atribuindo-lhes uma situação de “ocupados” para esconder oficialmente o número de desempregados (jornal de noticias) Para além de não se contabilizar os mais de 372.500 trabalhadores exilados à força. Contas feitas ao número de pessoas sem trabalho que permanecem no país, estas ultrapassam um milhão de desempregados reais.

No primeiro ano deste governo PSD/CDS/Troika a riqueza não gerada pela totalidade dos desempregados tinha sido de 50 mil milhões de euros. Nos dois anos seguintes a situação agravou-se (1). No final da década de 90 a taxa de desemprego era de 4%. Quatro décadas após sucessivos governos PS/PSD/CDS, a taxa de desemprego em finais de 2013 situava-se nuns sub-estimados 16,4%. Apesar de treze anos da flexibilização aplicada coercivamente à legislação laboral, conferindo impunidade ao patronato para despedimentos sem causa, o desemprego não tem parado de aumentar. As previsões da OCDE para 2014, passe a truculência e mentiras do governo, apontam para uma taxa de 18,5%. Entretanto os salários baixaram em média cerca de 40%, o que gera precaridade e menos consumo, menos contribuições para a Segurança Social e a cobrança de menos impostos, acrescentando mais crise à crise, para cuja resolução o Governo impõem leoninamente mais impostos à população em geral (2).

Para os trabalhadores remanescentes, os que precariamente mantém um emprego que os deixa no limiar da pobreza, os cortes salariais tornaram-se na principal causa do sobre-endividamento das famílias, ultrapassando o desemprego. Por sua vez, o sobre-endividamento contraído para a sobrevivência das pessoas conduz ao crédito malparado, o qual afecta os bancos agravando a segurança do dinheiro dos depósitos dos portugueses, ainda por cima, usados em jogadas especulativas. Num exemplo actual, o dinheiro descontado pelos trabalhadores para a sempre posta em causa Segurança Social (3), ao qual o Estado deita indevidamente a mão, foi investido em acções da Portugal Telecom resultando numa desvalorização de 23 milhões de euros devido à exposição ao escândalo BesGate (4). Roubam o povo que depende de salários e reformas miseráveis e de seguida mandam as suas agências de comunicação publicar artigos a dizer que a Segurança Social está em perigo de bancarrota devido ao aumento da esperança de vida (dos ricos) e por isso “esta geração não pode receber mais do que descontou”. Analisando esta problemática sob um ponto de vista meramente de reforma do capitalismo, um dos mais reputados economistas da área social-democrata do país afirma fundamentadamente que "o sistema bancário português corre um risco sistémico". Se é para manter o capitalismo, que se cumpra a sua regra primordial: quem não tem aptidões nem geraa lucro para viver tem de falir ou morrer.
notas
(1) Em 2012 cada português em média já tinha perdido 503 €uros de rendimento face ao PIB registado no ano anterior. Nos dois anos seguintes a situação agravou-se. Hoje em dia sai um português para o estrangeiro a cada cinco minutos.
(2) Ficou famosa a boutade do vice-pres. da Caixa Geral de Depósitos nomeado por Passos Coelho: “se me obrigarem a trabalhar mais de sete meses só para o Estado, palavra de honra que me piro” (Nogueira Leite). Certo é que o tipo para sua desonra dois anos depois ainda cá está; e nem imagina o lucro que daria ao país que trabalha se ele deixasse de “trabalhar”. O número de pançudos beneficiários aposentados da CGD com pensões acima dos 4.000 €uros que em 1997 era de 553, já alcançava o radioso número de 5.235 individuos em 2011.
(3) Se dos serviços públicos, para cujo funcionamento se pagam impostos, dizem que “dão prejuízo” é porque foram sujeitos a desorçamentações (cortes). Os défices do Estado não podem ser imputados aos gastos sociais. Porque a verdadeira causa da “crise” é o gigantesco aumento dos juros sobre a dívida, constituída como uma autêntica fonte de rendimento fixo do Capital estrangeiro. Quando ganham em comissões os vendilhões da pátria com este negócio? O povo um dia irá averiguar…

(4) Adenda. Desde que se iniciou a confecção deste post as perdas da Portugal Telecom já passaram dos 23 para 27 milhões de €uros
(5) Gestão controlada a partir do exterior pela holding de topo do Grupo Espirito Santo impede pagamento de dívida à Portugal Telecom (Diário de Noticias)