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terça-feira, agosto 12, 2014

"Espiritos Santo: uma Quadrilha de Bandidos à Solta" (II)

“Enquanto o BES estrebuchava, a defunta administração ainda teve tempo de transferir três mil milhões de euros para o BES-Angola (BESA), também em iminência de falência, verba colossal que foi para ali transferida por Ricardo Salgado, na esperança de sacar ao presidente de Angola José Eduardo dos Santos o prometido mas nunca concretizado empréstimo de 5,9 mil milhões de euros, verba que, após a falência do BES de Lisboa, serviu para Dos Santos comprar o BESA, por apenas 2,9 mil milhões de euros, pois o quadrilheiro Salgado já havia enviado para Luanda a quantia de três mil milhões de euros (5,9 mm – 3 mm = 2,9 mm). A família de José Eduardo dos Santos é agora maioritária no capital do BES Angola. No negócio entre ladrões, o mais esperto é o que a final leva a melhor: e aqui, no caso do BES Angola, o ladrão mais esperto foi o angolano, que comprou, por 2,9 mil milhões de euros, um banco que tinha acabado de ver reforçado o seu capital com mais três mil milhões…(Luta Popular).

Entretanto, a somar à emissão de 1,4 mil milhões de euros em novas acções do moribundo BES autorizada pelo regulador Carlos Tavares, da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, cujo valor social se volatilizou em dois dias... e depois do Banco Central Europeu ter fechado a torneira da liquidez e ainda antes da decisão do resgate com dinheiro do Estado, o Banco de Portugal emprestou 3.500 milhões ao BES... precisamente o mesmo valor que o BES havia declarado de prejuizo no exercicio anterior.... (fonte)

“Banco Espirito Santo, a história Angolana”, segunda parte do artigo publicado na Revista Forbes
O Banco Nacional de Angola (BNA), na sua qualidade de Banco Central funciona como emissor de moeda (irrelevante e condicionada pelos créditos e obrigações internacionais), pode optar por levar mais tempo para tomar medidas sobre o BESA. Mas o resultado deve realmente ser o mesmo que o que se passa no BES em Portugal. Os bons empréstimos vão formar o núcleo do banco reestruturado; os maus acabarão por ser liquidados e vendidos. Se o o dinheiro dos contribuintes tiver de recapitalizar o banco, que acontecerá aos accionistas existentes? O ideal seria que os investimentos dos actuais accionistas fossem completamente destruídos, deixando ao sector público a injecção de novos capitais como um prelúdio para vender o banco de volta para o sector privado. Mas não é assim que funciona em Angola. É improvável que alguém vá permitir que os accionistas angolanos existentes possam ser apagados – das mais variadas formas, eles são o "sector público".

Angola é um Estado de partido único da linha a imitar o comunismo herdado do capitalismo de Estado da ex-URSS - o Estado é dono de tudo, ou melhor -, na verdade – são os indivíduos dominantes no aparelho de Estado quem zela pelo nepotismo do aparelho de Estado . Então, praticamente tudo em Angola é de propriedade directa ou indirectamente da camarilha presidencial - a família dos Santos, o vice-presidente Manuel Vicente, o chefe do serviço de informações militar o general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior (que dá pelo apelido de Kopelipa) e o general Leopoldino Fragoso do Nascimento, mais conhecido como Dino – o BESA não é excepção a este regime. Este gráfico indica a extensão e complexidade dos interesses comerciais de Isabel dos Santos (de www cabinda.net.):
ampliar

Outros colunistas da Forbes têm feito investigação considerável sobre os interesses das empresas de Isabel dos Santos, por isso não é necessário entrar em mais detalhes aqui. Basta dizer que ela possui participações directas ou indirectas em muitos dos bancos de Angola e importantes e controversas ligações com a indústria de diamantes de Angola. Tem também vários outros investimentos angolanos, incluindo uma participação na empresa petrolífera estatal Sonangol - a empresa que adquiriu a Escom da holding do BES-Rioforte em 2011, mas que nunca foi totalmente paga: o montante não pago está na contabilidade do BES (agora no "banco ruim"), contabilizado como prejuizo do famoso crédito de 4,2 mil milhões concedido pelo BESA mas cujo rasto se desconhece.  

o BES é uma pequena parte da rede
Isabel parece funcionar sózinha, mas na realidade funciona como uma fachada do pai. Os outros três caçam de forma associativa. Rafael Marques descreve-os como o "triunvirato" que rege a política angolana - e quem governa a política angolana, governa Angola. Citando Rafael Marques: “Sectores-chave, como o petróleo, telecomunicações, banca, comunicação social e diamantes fazem parte do império empresarial construído por números enormes. As empresas envolvidas incluem a Movicel, Biocom, Banco Espírito Santo Angola, Nazaki Oil & Gás, o Media Nova, World Wide Capital e a Lumanhe”. Os leitores norte-americanos podem também estar interessados em saber que através da Nazaki, todas as três participações detidas pela empresa de exploração de petróleo “Cobalt Internacional Energy Inc.” actualmente enfrentam acções de execução judicial por parte do regulador (SEC) por práticas de corrupção nas suas operações angolanas.

Como é que a camarilha Presidencial chegou a proprietária do BESA? Bem, não é exactamente claro. Em Dezembro de 2009, o BES vendeu uma participação de 24% no BESA à “Portmill Investimentos e Telecomunicações de Angola” - a Portmill foi originalmente de propriedade do triunvirato, mas em Junho de 2009, eles tinham vendido as suas participações ao tenente-coronel Leonardo Lidinikeni, director da equipe de segurança do presidente e um subordinado directo de Kopelipa. Como Lidinikeni arranjou o dinheiro para fazer esta jogada é uma questão de conjectura...

... sendo certo que foi Ricardo Espirito Santo Salgado quem intermediou a transação: Rafael Marques sugere que o BESA pode ter-lhe concedido um empréstimo, seja directamente a ele ou ao triunvirato. Se assim foi, então a sua propriedade é fraudulenta. Mas, mesmo que a sua propriedade tenha sido legitimamente financiada por outras fontes, é difícil acreditar que o triunvirato não reteve o controle efectivo, provavelmente por obrigações de dívida não reveladas. A propriedade nominal pode estar em nome de Lidinikeni, mas a posse desse activo beneficia certamente o triunvirato. Mais de 19% do BESA é de propriedade do Grupo Geni, onde alegadamente a filha do presidente Isabel dos Santos é proprietária de uma parte. Ela nega possuir acções na Geni, mas isso não significa necessariamente que ela não detenha o seu controlo: Isabel dos Santos é conhecida por usar os seus familiares e colaboradores mais próximos para disfarçar o seu envolvimento pessoal em algumas de suas empresas. Novamente, foi o BES quem lhe concedeu o capital para o jogo, embora isso remonte a meados de 2004. Assim, 43% do BESA podem ser de propriedade ou controlados pela camarilha presidencial. Acabar com a participação de um Banco Português no BESA é uma coisa. Mas acabar com as participações da camarilha presidencial é outra coisa completamente diferente”. Os interesses da camarilha presidencial em BESA provavelmente serão protegidos. E os seus empréstimos também. Será que alguém realmente acha que aos "conselheiros" nomeados para promover a auditoria ao BESA será permitido rasgar a rede incestuosa dos empréstimos políticos e investimentos que unem não só o sistema bancário angolano, mas todos as suas grandes indústrias? Dificilmente. Os créditos concedidos vão sobreviver, assim como os bens adquiridos pelos seus proprietários. Será o povo angolano, por mais chocantemente pobre que seja, quem vai pagar os prejuizos.

foi vc que falou em ministros, governo e oposição?
Mas há ainda uma característica interessante para este conto. De acordo com Rafael Marques, a venda de parte da participação do BES à Portmill em 2011 foi feita ilegalmente, mesmo pelos padrões angolanos. Desde então, o banco tem de facto sido usado para a lavagem de dinheiro roubado ao Estado angolano pelo seu exército de corruptos. Ricardo Salgado está agora sob investigação pela polícia portuguesa por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão fiscal centrada na gestora de recursos suíça Akoya, de que o ex-administrador do BES-Angola, Álvaro Sobrinho, é membro do conselho administrativo. Sobrinho, quando ainda administrador do BESA, foi alvo de uma investigação de lavagem de dinheiro inconclusiva em 2011. A terminar, a revista Forbes, que mede o património dos ricos a nivel mundial, é optimista: “que tal investigação não seja susceptível de ocorrer no lado angolano é claro, mas talvez algumas personalidades nesta teia de mentiras e corrupção possam eventualmente ser levadas à justiça”.

sexta-feira, maio 30, 2014

Governo apoia trabalho de borla!

é essencial perceber: é o trabalho remunerado que gera mercado 
 Quando se pensa que isto não pode ir mais ao fundo, enganamo-nos. O trabalho dos voluntários do Rock in Rio vai ser apoiado pelo Governo. Os precários contratados vão trabalhar de borla, em turnos de 6 horas quanto o Código do Trabalho em vigor em Potugal só permite turnos de 5 horas...
 enfim
quem foi que falou em terceiro-mundização dos europeus?

quarta-feira, agosto 29, 2012

as eleições em Angola não têm nada a ver com eleições


A crise geral em que entrou o sistema capitalista a partir dos anos 70 foi o início de uma contra ofensiva do Ocidente, cujo objectivo era voltar a transformar as sociedades do Terceiro Mundo em economias compradoras e submeter o seu desenvolvimento ulterior à lógica da reorganização do capital transnacionalizado. Quem se submeter pode tirar partido temporariamente da criação de uma bolha económica da qual beneficiam as burguesias locais; os que recusem a submissão ver-se-ão na condição de relegados para um recém-descoberto Quarto Mundo e alvo de tentativas de destruição (Cuba, Vietname, Indonésia, República Democrática da Coreia, Jugoslávia, Iraque, Afeganistão, Libia, Síria, Irão, etc.). Esta ofensiva, que constitui a dimensão principal da estratégia do capital dominante na crise permanente, aproveita com êxito a vulnerabilidade das tentativas de cristalização do Estado Nacional na periferia do sistema e é ilustrada em dois domínios: a dominação do sistema financeiro global e a criação de endividamento pela emissão de dólares. Neste quadro, consoante os recursos a colocar em território de caça imperialista, são atribuidas funções diversas desempenhadas por diferentes periferias e a respectiva especialização primária – por exemplo, o petróleo e outros recursos naturais angolanos, a lingua portuguesa como factor de intermediação na exploração de uma economia dependente.

Na pretensão de escapar a estes factores de dominio, as lutas encabeçadas pelos movimentos de libertação nacional colocam as mesmas questões que a independência, isto é, a construção e a prossecução da via para o Socialismo, porque as duas vertentes não são de natureza diferente da que conduziu às revoluções socialistas. Uns e outros são respostas ao desafio da expansão capitalista - a expressão da rejeição da condição periférica que esta implica. Nestas circunstâncias a burguesia local encontra-se com frequência no campo do compromisso precoce com o Imperialismo. E por isso, os movimentos de independência nacional, dado que ficaram sob a direcção da burguesia (neste caso os gestores dos meios de produção estrangeiros), não realizaram ainda o seu objectivo, pelo contrário, buscam subservientemente apenas o ajustamento da sociedade local às exigências do modo de acumulação mundializado. Por isso as revoluções nacionais populares continuam na ordem do dia – ou seja – abrir uma via à superação do capitalismo que avance em direcção ao socialismo universal. 

O Estado periférico é um Estado débil, devido à aliança entre o Capital dominante global e as Oligarquias locais; Passem as mentiras. Nesta situação, independentemente da escolha entre dois bandos corruptos que gerem ambos a alienação do Poder e a ilusão dos seus objectivos, o acesso à democratização burguesa ao estilo clássico ocidental está-lhe praticamente vedado - e por isso a existência da sociedade civil está necessariamente limitada.


domingo, março 25, 2012

Kony, mais uma false-flag

Nestas últimas semanas o documentário produzido pela organização Invisible Children, “Kony 2012” foi o maior sucesso da história da Web, com 77 milhões de visitas no YouTube em todo o mundo.

Kony é um chefe de guerrilha que sequestrava crianças, usava-as e treinava-as para as suas guerrilhas, fazendo delas escravas sexuais ou soldados precoces. Kony tem 27 esposas e queria instalar o reino do velho Testamento na terra. É muita treta e desgraça junta; Então qual é o propósito da farsa?

O documentário, mais uma false-flag, procura sensibilizar o Congresso americano, consciencializar senadores e parlamentares para elaborarem um plano de acção, visando uma intervenção urgente em Uganda. Por outras palavras, o documentário sugere que os EUA façam uma intervenção militar quanto antes no Uganda, cujo o objectivo é retirar Joseph Kony de cena até o final de 2012. Mas o real propósito é incentivar os Estados Unidos a enviar tropas para o Uganda para de apossar das suas fontes petrolíferas. Tem acontecido assim com muitas nações petrolíferas, como no caso do Iraque ou da Líbia, a elite do complexo industrial militar norte-americana fabrica mentiras, alegando que Saddam Hussein possuía armas biológicas de destruição em massa, ou al-Gadhafi não era "democrático" e vendeu essas iscas ao mundo, que as compraram prontamente. Conclusão : nenhuma arma de destruição massiva foi encontrada no Iraque, Saddam Hussein foi encurralado, preso e posteriormente assassinado - e os EUA apossaram-se do Iraque, da Líbia, do seu petróleo e esperam vir a fazê-lo em breve no Irão. Com o Uganda não vai ser diferente.

False Flag 
 

Kony, à esquerda na foto acima com um alto representante da ONU, está no Congo há seis anos sem se envolver em acções de guerrilha, sem que nunca estivesse envolvido nas acusações que constam do video. Existem no you-tube dezenas de vídeos com diversas pessoas do Uganda afirmando que Kony não está lá. Pessoas que não são financiadas por ninguém. Como mandar tropas para capturar um sujeito que não está lá? Milhares de crianças e adolescentes anualmente em toda África são sequestradas, vendidas para redes de pedofilia e tráfico humano, muitas delas são brutalmente assassinadas. Porque só agora é alertada a opinião pública mundial para este facto que teria ocorrido no Uganda? Isto acontece há muito tempo, e pelo que consta não houve qualquer tipo de empenhamento global para impedir uma prática que se alastra há décadas.

O patrocinador da campanha mediática é George Soros. Soros está também por trás das manifestações globais “Occupy”, patrocinando muitos desses movimentos nos EUA. Soros como investidor quer usar as tropas americanas para se apropriar economicamente dos poços de petróleo e quebrar a soberania económica nacional do Uganda. Essa manobra é algo a que George Soros chama de "responsabilidade de proteger" Kony 2012 é um engodo do Sistema, para omitir a verdade, aplicando dessa forma a regra: Problema – Reacção – Solução, e deixar que a solução seja solicitada por nós, pelas próprias massas. Dessa forma a intervenção militar no Uganda será acatada pelas pessoas devido à prévia mobilização feita pelos Média
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segunda-feira, março 07, 2011

Socialismo mau...

forças militares do governo legalmente constituido da Libia contra-atacam subversão da ordem por rebeldes infiltrados a partir do exterior


(al-Jazeera)
... e Socialismo bom

a
"Internacional Socialista" (do qual o regime de Angola faz parte) e a sua metodologia neocon: "É meu! é tudo meu" (segundo "The Economist")









No país dominado há três décadas pela cleptocracia de José Eduardo dos Santos "apenas nove por cento da população de Luanda (cerca de cinco milhões) tem água corrente, uma percentagem menor do que durante a guerra civil". Em compensação o milagre económico trouxe os habituais "elefantes brancos" ao serviço dos lobies multinacionais, cuja utilidade para a população é nula. "Foram comprados 3000 autocarros mas o país só tem 1500 motoristas. Foi construído um edifício para a Bolsa, mas o país não tem mercado de valores e foram gastos cerca de mil milhões de dólares em quatro estádios de futebol para a Taça das Nações Africanas". Acha mal? experimente dizê-lo publicamente: "Cerca de 20 pessoas foram hoje detidas em Luanda, incluindo o rapper angolano “Brigadeiro Mata Frakus” e jornalistas do “Novo Jornal”, quando se preparavam para dar início aos protestos anti-governo marcados para hoje" (fonte)

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Libia, a segunda etapa da "revolta" colorida pela CIA

Após o fracasso da operação relâmpago shock&awe para expulsar o lider da "Revolução Verde" da Líbia e logo que o exército desmantelou rapidamente a "revolta popular" (uma coisa inexplicável num sistema de democracia de bases) ...

... os promotores da operação avançaram de imediato para uma segunda fase: o lançamento no terreno dos mercenários que al-Gadhafi classificou de pronto como pertencentes à famigerada al-Qaeda, a organização invisivel acusada de terrorismo contra a qual George W. Bush desencadeou um combate que tem posto o mundo de pantanas. Bush e al-Gadhafi de acordo? Confuso? - se os protestos organizados usando as redes de comunicação social a partir do exterior derivaram numa rebelião armada que se aproveita do trabalho psicológico previamente executado sobre as diferenças étnicas na Libia, foi porque os tais mercenários (apresentados no Ocidente como sendo assassinos contratados por al-Gadhafi) são de facto grupos (fundamentalmente islâmicos) mentalizados e treinados no Egipto por forças especiais dos Estados Unidos e Israel - a sua entrada em território líbio (ver mapa em baixo) congregou rapidamente a adesão popular à sua volta nas zonas tribais controladas pelos golpistas. Entretanto, as sanções impostas unilateralmente pelos Estados Unidos (num país semi-árido mas rico em petróleo e que o troca importando a quase totalidade dos alimentos que consome), a ameaça de intervenção armada pela NATO (o petróleo é nosso) e o fechar de portas com a expulsão da Libia da Organização das Nações Unidas fazem adivinhar para breve no país um panorama de fome colectiva generalizada
(ler análise em IARNoticias)

mapa da "revolta" introduzida a partir do exterior
(clique na imagem para ampliar)

o que se passa verdadeiramente na Líbia

A primeira fase do golpe da CIA falhou; Walter Martinez, em colaboração com os enviados especiais da Telesur (23/2)



25/2 - "Venezuela critica 'dupla moral' da comunidade internacional na crise da Líbia"
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sexta-feira, fevereiro 04, 2011

4 de Fevereiro, a génese da perpétua ditadura

Não sendo o direito de conquista um direito, não pode fundamentar nenhum outro, ficando o conquistador e os povos conquistados em permanente estado de guerra entre si, a menos que a nação, reposta em plena liberdade, escolhesse voluntariamente o seu vencedor como chefe. Até então (…) não pode haver nessa hipótese nem verdadeira sociedade, nem corpo politico, nem outra lei senão a do mais forte
(Jean Jacques Rousseau, “Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens)

Testemunhas da época, dizem que ao pé do que passou no 27 de Maio de 1977 em Luanda, os torcionários do Chile de Pinochet foram uns meninos de coro; dezenas de bairros inteiros suspeitos de albergarem simpatizantes do movimento de Nito Alves e José Van Dunen foram arrasados a blindados e buldozer de madrugada com pessoas que dormiam lá dentro - entulho e cadáveres foram espalhados por valas; os sobreviventes perseguidos e abatidos a tiro; alguns mais importantes foram presos e torturados pela policia politica do MPLA (a DISA então tutelada por Artur Carlos Pestana, vulgo "Pepetela"). Não perderemos tempo com julgamentos, teria dito Agostinho Neto. Estima-se que nesse dia foram assassinadas mais de 60 mil pessoas. E no entanto, a "comunidade internacional ocidental" não é lá muito lesta a pôr no index crimes contra a humanidade quando se trata de regimes subservientes e amigos...

O historiador Carlos Pacheco desmonta o processo inquinado da descolonização,,, de como Agostinho Neto nunca poderia ser considerado Marxista (foi libertado da prisão em Lisboa por obra e graça dos serviços secretos norte americanos para assumir a liderança da revolta em Angola contra o decrépito regime colonialista de Salazar), das contradições insanáveis entre os três movimentos guerrilheiros angolanos (embrião da futura guerra civil),,, da estreita colaboração entre a direita portuguesa e os Estados Unidos na ajuda ao MPLA para aniquilar os outros dois partidos,,, da herança do pior de dois mundos, o modelo da decadente e pouco democrática URSS (pós XXCongresso) conjugado com o capitalismo selvagem norte-americano. Enfim, dos implacáveis pogroms sobre os adversários politicos na conquista do poder do qual emerge o sempiterno camarada Zedu e a sua clique

A dor, como recorda o escritor argentino Ernesto Sabato, é também um património dos povos [...], um valioso e sagrado património a que cabe ser fiel”. Seguir, portanto, na esteira dos que entoam hinos ao esquecimento é negar a dor e a história dos desaparecidos e sobreviventes, é contribuir para que o 27 de Maio se venha a deformar totalmente e o seu herói acabe por ser, exactamente como n`O Processo de Kafka, o olvido “[...] cujo principal atributo é esquecer-se a si mesmo”. Não me parece que esta última fórmula auspicie a tranquilidade do país. O que chamam de paz, embrulhada no manto do perdão, não é mais do que o rosto granítico do silêncio e da cobardia, junto com a incapacidade de assumir a memória desse passado traumático produzido por poderes públicos deliquentes. Só abrindo o livro da verdade e da justiça se apagarão as nódoas do horror e da vergonha que cobrem o Estado angolano”
(Carlos Pacheco, “Angola, um gigante com pés de barro e outras reflexões sobre África e o mundo”, Edições Vega, 2010)
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terça-feira, janeiro 25, 2011

a Tunisia e os métodos do costume

Que espécie de meios de comunicação está o governo interino a tentar promover? visto pelo cartoonista Carlos Latuff

Apenas um modelo que coloca uma nova máscara democrática no antigo sistema ditatorial. O que deve ser suficiente para satisfazer as aspirações das classes médias promotoras da revolta. Com a ajuda económica da União Europeia a um Estado laico que contenha o radicalismo islâmico (e as verdadeiras aspirações do povo trabalhador), através de empréstimos bancários com juros que hipotecam o futuro lá mais para a frente
O governo interino da Tunisia, num ataque contra a liberdade de expressão, encerrou o canal de televisão mais popular e antigo do país, a HanibalTV, o qual tinha vindo a apoiar sem restrições as reinvindicações dos movimentos populares nas ruas contra o novo governo
ler também:
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quinta-feira, setembro 02, 2010

Maputo... or where else















A saída da crise dos países do centro capitalista passa pela emissão de mais moeda, fictícia, sem qualquer relação com os bens produzidos, a qual é espalhada pelo mundo dependente, criando superinflação como modo de pagamento da impossibilidade das economias mais desenvolvidas, que passam assim a ser pagas pelas mais pobres. Um bom exemplo de que assim é, é a recente observação de Ron Paul sobre o mundo saído do fim do paradigma do dólar medido face ao ouro e da grande inflação provocada pela crise petrolífera na década de 70: “Se os EUA nada tivessem feito no sentido da neoliberação, cada dólar valeria hoje 2 cêntimos”, ou seja o valor proporcional comparado que tinha na época da criação do sistema de Reserva Federal em 1914.

Para o bem ou para o mal, mais uma vez o peso especifico da vizinha gigante África do Sul é determinante para o que acontece em Moçambique. A subida do “Rand” e a gestão política de aumento brutal de preços dos bens essenciais (pão, água, luz, combustíveis) estão na origem da revolta.

A moeda local sofre sucessivas desvalorizações, o dólar subiu dos 25 para 39 meticais num ano. A descida da moeda moçambicana em relação ao dólar americano foi a mesma desvalorização face ao rand: num ano passou de 2,5 meticais para os 5,2 - com o consequente agravamento da balança de pagamentos com a África do Sul, o principal parceiro comercial de quem importa muito mais que exporta, aliás como acontece na antiga potência colonizadora. Nestas circunstâncias, o governo da Frelimo travestido para o paradigma neoliberal não tem alternativas senão fazer repercutir os aumentos na população. Um quilo de farinha subiu praticamente para o dobro no espaço de um ano. Um café subiu dos 25 para os 35 meticais. Outros produtos básicos aumentaram 40 por cento. Não há solução à vista. Em circunstâncias diversas e a outro nível tanto os portugueses como os moçambicanos estão cercados pela obrigação politica de contribuírem para um modo de vida sustentado pelo dólar sobrevalorizado, por uma indústria quase inexistente e por um mercado de trabalho em défice profundo. "Em Moçambique há 800 mil empregos para uma população activa superior a 10 milhões de pessoas" (Visão)

Esperto é o conselho de D. Francisco Chimoio, o bispo de Maputo: "Rezem por nós. Para que esta situação tenha um desfecho rápido". (fonte) Para o Governo, rezar na era da repressão é delegar funções nas polícias de choque – polícia trava a tiro o dia de raiva dos pobres de Maputo - A indignação cresce entre os populares: "Queremos justiça! Os assassinos estão fardados! Isto não é bala perdida. Bala perdida não atinge cabeça". Pois claro, quem da elite nacional tem bom emprego nos tempos que correm não olha a meios de “fazer cumprir a lei e zelar pela segurança” para os manter… ainda que o minimo básico de todo o resto da comunidade esteja em perigo
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segunda-feira, julho 12, 2010

petro-democratura

a melhor piada do ano: a Guiné Equatorial "é o único país de lingua espanhola em África... e "o espanhol" é assim como uma espécie de dialecto português" (Ramos Horta)

Por um milhão de dólares (789.000 euros) por ano, o Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, há três décadas à frente da Guiné Equatorial, contratou como seu assessor de imagem o advogado norte-americano Lanny J. Davis, que foi conselheiro especial do ex-Presidente Bill Clinton - "O meu país passará a ser visto como democrático", esclareceu Obiang, que vai firmar o contrato de adesão à CPLP em Luanda, esse paraíso para os direitos humanos (fonte)

Contudo, apesar da aparente indisposição pelo engolir do sapo petrolífero, a crítica que é feita por Gerhard Seibert é um embuste ainda maior que o descaramento dos gestores de negócios, sejam eles de lingua lusa ou de outro qualquer idioma. Diz a luminária (pag3, Publico, Sábado10): "a Guiné Equatorial representa o oposto da democracia, do Estado de direito e do respeito pela justiça social" - ora quando se agita a bandeira do Direito no Estado neoliberal, isso significa nem mais nem menos que o Direito à Propriedade Privada, cujas actividades estão fora do alcance da jurisdição nacional e se regem por contratos transnacionais nos quais a população não é nem mencionada, quanto mais tida ou havida para essa merda dos "direitos humanos" formalmente ad-nihil da propaganda ocidental

* Para apadrinhar a coisa, Cavaco viaja para Angola com mais 100 empresários na bagagem
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segunda-feira, fevereiro 01, 2010

sobre autonomia ou independência para Cabinda

"Quando quer impressionar alguém que escritor cita? - José Eduardo dos Santos. A única caneta que escreve a petróleo" (Rui Zink)

As receitas do petróleo de Cabinda correspondem a 70 por cento do que Angola, o maior produtor africano, produz. Um artigo de João Vaz de Almada: "Se os 300 mil cabindenses fossem chamados a pronunciar-se, alguém tem dúvidas que o Sim (à independência) venceria? (para ler aqui)

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Olá, desde hoje e para sempre

A vantagem da selecção de futebol de Angola ter sido posta no olho da rua logo antes dos quartos de final do torneio africano é a de evitar que os angolanos percam muito tempo a comemorar vitórias. Assim já ficam com tempo e cocuruto fresco para pensarem noutras coisas.
José Eduardo Agualusa no ensaio “O Príncipe Perfeito” que publica hoje no jornal “I” dá uma pista para um eventual assunto: “O único motivo que poderia levar José Eduardo dos Santos a sujeitar-se ao escrutínio popular e a todas as coisas mesquinhas e desagradáveis que, para alguém como ele, tal processo implica, seria conseguir o respeito da comunidade internacional”

mas para isso seria preciso que o famoso presidente vitalício Zedu (a bombar desde 1979) não tivesse disposto do apoio incondicional (e corruptor) da tal “comunidade internacional de negócios” para que a oposição tivesse sido aniquilada fisicamente e os sobreviventes comprados a peso do vil petro-ouro e instalados confortavelmente no arremedo de Parlamento. O regime está estável. Voltando a citar Agualusa: “José Eduardo dos Santos decidiu fazer-se eleger pelo directamente pelo parlamento, troçando da democracia, por uma razão simples: porque pode” (...) um diplomata português deu-me um conselho: você só tem problemas porque fala demais. Escreva os seus romances mas não ataque o regime (...) mais extraordinário é perceber como um regime totalitário consegue exportar o medo. Não já o medo de ir para a cadeia (...). Trata-se agora do medo de perder um bom negócio” – ou seja, (para cá de Isabel dos Santos) entre ricos e pobres alguém se há-de escapar, imagine quem!? por esta breve apresentação vista pelos olhos de um emigrante brasileiro acabado de chegar a Luanda:


A festa da oligarquia angolana este ano teve momentos menos animados. Com o país lançado numa grave crise de insolvência, cuja economia decresceu 2,9 por cento em 2009, o presidente dos Santos teve de pedir uma moratória da divida actual em Julho, e o governo viu-se obrigado a contrair um novo empréstimo ao FMI de 1.4 mil milhões de dólares em Novembro, o maior empréstimo alguma vez concedido pelo FMI a um país da África subsariana. O negócio da banca internacional no endividamento de países dependentes continua a florescer com a “crise”
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segunda-feira, janeiro 11, 2010

Maka - Anti Corruption Watchdog

Quando Angola volta a estar na moda pelos piores motivos, tememos pela segurança de pessoas que têm a coragem de dizer coisas como diz o jornalista Rafael Marques
"Como prática corrente, deputados à Assembleia Nacional, cinco dos quais membros do Bureau Político do MPLA, têm estabelecido sociedades comerciais com membros do governo e investidores estrangeiros, assim como têm realizado contratos com o Estado, para enriquecimento pessoal:

Uma em cada cinco crianças morrem de doenças relacionadas com a falta de saneamento básico em África e noutras regiões de pobreza extrema, como na América Latina, Índia e sueste asiático. Sobre o tema é aconselhável ler o artigo de Maggie Black "O tabu dos excrementos, perigo sanitário e ecológico" (LeMondeDiplomatique, Jan2010): "toda a gente "faz", mas não se fala nisso. Contudo, este tabu ligado à decência, cobre todos os anos milhões de mortes evitáveis. Com uma crescente população urbana, a gestão dos excrementos tornou-se uma questão vital, tanto para a saúde como para a dignidade humana"
Sugestão: não seria desapropriado que as populações tomassem a iniciativa de "tratar" primeiro os excrementos vivos que se vestem de fatiotas finas e se acumulam nos gabinetes que as governam.

sexta-feira, julho 17, 2009

a Angola do Zedu

400 anos de colonização, 13 anos de guerra de libertação colonial e 30 anos de guerra civil - tudo isto para que por fim, Angola uma das maiores riquezas do mundo em recursos naturais, tivesse acabado exausta na mais tenebrosa dependência económica dos mesmos interesses ocidentais de sempre. São aliás estes, os que historicamente sempre levaram os ditadores africanos ao colo em nome da corrupta e abjecta riqueza da clique dirigente. Desde os tempos em que os régulos do litoral luandense enriqueciam a vender escravos que estes sempre foram os maiores carrascos dos seus povos e os melhores amigos daqueles que os escravizam e exploram. No essencial, a Luanda de hoje não mudou nada desde 1648
















"O que Dos Santos disse ao Mundo", no blogue Pitigrili, 11 de Julho de 2009:

"(...) no âmbito do financiamento da Balança de Pagamentos, gostaríamos de solicitar também renegociações da dívida externa com o Clube de Paris, que constitui um pesado ónus para muito dos nossos países e que seja garantido o princípio da concessão de uma moratória longa no pagamento do capital e juros dessa dívida.
No caso do meu país, por exemplo, este encargo financeiro faz com que a conta de capitais da Balança de Pagamentos fique num défice estimado em um bilião e quatrocentos milhões de dólares, o que contribui para que o seu défice final chegue a quase 6 mil milhões de dólares.

Tendo em conta o agravamento recente dos efeitos da crise, seria de grande ajuda para Angola se os países do G-8 membros do Clube de Paris pudessem concordar com uma derrogação dos prazos de pagamento do remanescente do pagamento de juros de mora, no valor de USD 600 milhões, previstos para o segundo semestre deste ano, até que fosse superada a fase mais crítica e a recuperação económica pudesse ter lugar.
No capítulo das parcerias público-privadas, faria sentido que o FMI e os representantes das instituições financeiras acima referidas definissem, em discussões separadas, com os órgãos dirigentes das cinco sub-regiões africanas de desenvolvimento, estratégias de apoio ao desenvolvimento baseadas em financiamentos concessionais destinados ao sector público para a reconstrução e construção de infra-estruturas e em financiamentos para o sector privado com

vista à criação de capacidades locais de produção de bens e serviços, fomentado deste modo o surgimento de micro, pequenas e médias empresas com viabilidade económica, gerando emprego e riqueza"

podiam, podiam ...

"
Estas estratégias (com a garantia de qualidade do pai da pátria) podem contemplar igualmente programas de assistência com vista ao aperfeiçoamento da Administração e gestão das Finanças Públicas e apoio ao esforço dos Estados no combate à corrupção e ao desvio de fundos públicos (...)" (texto completo aqui)

do principio da Dívida

quarta-feira, maio 27, 2009

Business as usual

a Royal Dutch Shell uma das multinacionais ícones da era petrolifera conhecida pela depravação de povos e meio ambiente por todo o sítio onde corrompe governos locais foi finalmente acusada judicialmente pelos crimes cometidos na Nigéria, concretamente contra o povo Ogoni do delta do rio Níger, povo que fundou o Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni (MOSOP) que tem liderado uma guerrilha armada com o objectivo de obter a independência económica para a região. Este é o vídeo que a Shell procurou por todos os meios evitar que fosse visto e que chegou a ser apagado do site http://wiwavshell.org/ - Porém o julgamento do caso que seria suposto ser iniciado hoje dia 27 de Maio, foi adiado, prevendo-se o prolongamento da batalha levada a cabo por um autêntico exército de advogados a soldo da multinacional anglo-holandesa que já dura desde os anos 90. Devido ao eternizar do caso hoje houve manifestações de protesto em Londres e New York



George Monbiot: "Haverá algum investimento desta multinacional que observe princípios éticos?"
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sexta-feira, abril 24, 2009

mais uma tribo no reino neoliberal

O partido de Jacob Zuma (líder que herdou o ocidentalizado primeiro nome de algum judeu errante migrado para a África do Sul (1) obteve 66 por cento dos sufrágios nas eleições celebradas na última quarta feira, segundo adiantou a Comissão Eleitoral Independente

¿Quem é Jacob Zuma?

É um Rei Zulu que tem oito mulheres, 18 filhos e 783 acusações criminais por corrupção, violação e homofobia. Coisa pouca mas que arrumaria com a carreira de qualquer político num regime decente. No entanto é este o perfil daquele que será próximo presidente. Jacob Zuma lidera o Congresso Nacional Africano (ANC), o partido de Mandela, que ganhou a sua legitimidade na luta contra o Apartheid. Mais de 23 milhões de pessoas foram chamadas às urnas, enquanto a única certeza é que a população vem sendo “trabalhada” para ser dividida em dois blocos pseudo antagónicos, como é habitual nos simulacros de democracia – uma velha táctica usada para encobrir os interesses comuns das populações em prol dos privilégios de uma ínfima minoria. O segundo partido mais votado foi a conservadora “Aliança Democrática” (16,5%) enquanto o “Congresso do Povo” (COPE) uma dissidência de esquerda de antigos membros do ANC apenas conseguiu obter 8 por cento dos votos. Para um bloco de sul africanos, e para efeito do espectáculo no Ocidente, Zuma será mais um presidente corrupto e polígamo na lista. Mas enquanto os brancos o vêem como um ditador, na prática irá ser usado como arma contra o Zimbabwe de Robert Mugabe, enquanto os negros põem nele as suas esperanças. Mas estão enganados, morrerão da mesma peçonha em que nós agonizamos - o líder tribalista negro e "a sua esquerda" não ficam a dever nada à tribo dos “socialistas” portugueses vítimas das campanhas negras.

(1) Ze'ev Krengel, chairman of the South African Board of Governors, mentioned that thanks to the "contacts between Goldstein and Zuma," the Jewish community could enjoy improved accessibility to the presidency
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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Amilcar Cabral 1924-1973

Nesta coisa de negros que ocupam pela primeira vez o primeiro lugar disto e daquilo, a cultura portuguesa herdou um dos primeiros exemplos. Amilcar Cabral foi o primeiro intelectual de expressão portuguesa a constar com obra publicada nos Arquivos Marxistas - muito por via da sua comunicação à Trilateral de Havana em 1966 intitulada "A Teoria é uma Arma" um ensaio publicado pela Seara Nova em 1977 (A Arma da Teoria):
“Não vamos utilizar esta tribuna para dizer mal do imperialismo. Diz um ditado africano muito corrente nas nossas terras, onde o fogo é ainda um instrumento importante e um amigo traiçoeiro (...), que 'quando a tua palhota arde, de nada serve tocar o tam-tam '. À dimensão tricontinental, isso quer dizer que não é gritando nem atirando palavras feias faladas ou escritas contra o imperialismo, qualquer que seja a sua forma, que conseguiremos os nossos objectivos - é pegar em armas e lutar. É o que estamos a fazer e faremos até à liquidação total da dominação estrangeira nas nossas pátrias africanas”.
Cabral que tinha recebido o nome de baptismo em homenagem a Amilcar Barca, o general cartaginês que combateu os romanos, mas foi derrotado na I Guerra Púnica ( 264-241 a.c. ) foi assassinado por militares portugueses em conjugação com funcionários da Pide em 20 de Janeiro de 1973, fez ontem 36 anos - e a visão da África de espírito colonial, depois de destruido o modelo de desenvolvimento local,
é a que actualmente está à vista: a Guiné Bissau importa know-how e armas para golpes de estado e exporta droga. Cabo Verde, numa espécie de regresso pós-moderno às origens esclavagistas, exporta operários para a construção civil e importa turistas para resorts de luxo.

* Atendendo a este estado de coisas, obviamente Amilcar Cabral tem mais estudos publicados sobre a sua obra e práticas revolucionárias em línguas estrangeiras que em idioma português

* a figura do nacionalista africano é subvertida no DN; onde se branqueiam os assassinos, se apaga o imperialismo e se tenta colar a sua imagem à de Obama. Incrível! o artigo, em duas partes, vem assinado por David Borges e por um tal de L.N.
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segunda-feira, novembro 10, 2008

Miriam Makeba 1932-2008

Ganhou o direito a ser entronizada com o título de Mama África; costumava dizer: “continuarei a cantar até ao último dia da minha vida” – Zenzile Miriam Makeba colapsou este domingo aos 76 anos a um palmo do palco, em Caserta, uma pequena cidade italiana, no final de um espectáculo contra o Racismo que incluiu também uma homenagem ao escritor e jornalista italiano Roberto Saviano ameaçado de morte pela máfia napolitana.
Das milhares de causas que defendeu, que afinal é apenas uma: a causa da Liberdade (e a segregação económica é uma forma de opressão) fez talvez a sua mais magnifica aparição quando compôs e interpretou para delírio das multidões na independência de Moçambique a canção “A Luta Continuaem honra de Samora Machel, lider incontestado da Frelimo. Por altura do aniversário do assassinato do histórico líder africano (1986), compareceu na homenagem em sua honra, noutra fabulosa aparição (em 2001), na presença dos lideres libertados do criminoso regime do apartheid


link do video encontrado junto com os "SowetoBlues" em WeShow

recordando
a cadeia de televisão sul-africana SABC-3 passou no dia 7 de Outubro último o documentário "The death of a President" (a Morte de um Presidente) sobre o assassinato de Samora Machel - onde Hans Louw um capanga do tempo do apartheid, ex-operacional das forças especiais sul-africanas CCB fala explicitamente do seu envolvimento na "queda" do avião onde seguiam mais trinta e três pessoas da comitiva presidencial. Uma transcrição das declarações de Louw envolvendo Pik Botha e outros está disponível aqui. Face aos dados disponiveis o processo do crime deverá ser aberto de novo e reinvestigado
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