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segunda-feira, março 28, 2016

Estupefação face ao Acordo entre a União Europeia e a Turquia sobre a vaga de Emigrantes

Há duas semanas Angela Merkel foi forçada a realizar mais uma cimeira europeia sobre a questão dos migrantes para analisar uma proposta de acordo de iniciativa da Turquia, um país da NATO. Todos os líderes da União Europeia , depois de duras negociações, finalmente concordaram em aceitar sem grandes alterações as propostas do primeiro-ministro turco e doravante da Alemanha.

a esmagadora maioria de refugiados na presente crise são sirios, uns pela destruição das suas condições de vida, outros por comprometimento com o terrorismo na Síria. O mesmo para o caso do Afeganistão e Iraque sob tutela dos Estados Unidos. Outro tipo de problemática abrange o outro tipo de migrantes económicos das regiões tradicionalmente esvaziadas de recursos pelo imperialismo ocidental.
Pura lógica de relações de Força

O negócio é o seguinte: todos os migrantes ilegais que chegarem à Grécia serão devolvidos à Turquia, mas, para cada caso em que se trate de um sírio por cada refugiado na Turquia será acolhido outro sírio num país da UE, até ao limite de 72 000 vagas - a Turquia "compromete-se" a gerir o apoio ao fluxo de refugiados para a Europa mas exige contrapartidas políticas e financeiras inaceitáveis, a mais importante é a revitalização das negociações sobre a sua futura adesão à União Europeia. Como contrapartida Ankara obtém uma ajuda financeira adicional de 3 mil milhões de euros pagos pela União Europeia, e ainda, impõe aceitar a liberalizar da concessão de vistos para os cidadãos turcos para a Europa e acelerar o processo de adesão do país à UE. Ajudar a Turquia a gerir o enorme fluxo de migrantes não é uma ajuda significativa. Devolver à origem emigrantes neste país poderia ser uma forma de reduzir os fluxos que chegam à Grécia (cerca de um milhão de pessoas em 2015, 10% da população grega), o país que tem sido espremido pelos planos europeus por não se saber "dar ao luxo de gerir as falsas dívidas dos seus próprios cidadãos”.

Mas este infame acordo, (refugiado que não seja da oposição ao regime legal da Síria fica de fora) traz mais problemas que os que resolve. Ele mostra as mentiras do “espaço Schengen sem fronteiras internas”, livre para o capital mas de graves restrições e desigualdades económicas para os cidadãos europeus, contrasta com vinda de migrantes em massa pela Grécia, uma vez que é uma porta de entrada para toda a UE e para os países de livre escolha dos “refugiados”. Então será muito problemático um mecanismo de acoplamento automático de opositores ao regime sirio, impondo um mecanismo kafkiano de alocação de emigrantes a países pobres e endividados. Terá um custo para os trabalhadores dos países europeus cujos bolsos não estão cheios. A liberalização do movimento de 80 milhões de turcos dentro da União Europeia não pode realmente ser uma ideia aceitável num momento em que se gritam raios e coriscos sobre o “jihadismo global”, em tudo isto há uma inquietante contradição. Finalmente, é impressionante negociar a adesão da Turquia, cujo território em mais de 90 por cento geograficamente nem se situa na Europa.

Ao fazer este acordo, o directório neofascizante da EU revela que, para além de ser corrosivo para as democracias dos países europeus, impõe negociações exigindo o reinado dos mais fortes, os alemães e os turcos, que foram capazes de impor a sua solução aos outros países europeus. Angela Merkel continua a ser a agente do branding norte-americano na Babel europeia, obrigada a flutuar sobre um monte de problemas, como o que no ano passado ao apagar a lufada de ar fresco na Grécia, agravaram ainda mais a situação de crise. Em 2015 não havia dinheiro para libertar os fundos da Grécia retidos no BCE por oposição politica e agora já há 3 mil milhões para a Turquia que nem sequer é membro? Mais que provavelmente nada disto foi resolvido nesta Europa, como nada resolve em muitas Cimeiras sobre muitos outros assuntos, como a crise da moeda única. A montanha da crise dos “refugiados” o que pariu foi a certeza que o funcionamento da UE é totalmente disfuncional e que esta Europa além de criar problemas impede directamente a sua resolução.

a Macedónia, nos Balcãs, que não faz parte da UE permitiu que centenas de milhares de refugiados a cruzar o país da Grécia para ir para a Alemanha. País vizinho da Grécia, que faz parte da EU, a Macedónia fechou as suas fronteiras aos refugiados depois de ter descoberto 9000 passaportes falsos. Não são os próprios emigrantes que imprimem esses documentos, nem al-Assad, nem os sírios patriotas que combatem o terrorismo na sua pátria que organizam o transporte em massa. Tanto a Grécia como a Turquia são paises da Nato, portanto, o problema está noutro lado, em Bruxelas e no Pentágono, este último que pelo meio do espalhafato mediático “anti-terrorista” nem sequer é mencionado. Há agências norte-americanas por trás desses passaportes falsos! a Turquia foi directamente utilizada pelos EUA para introduzir terroristas na Siria visando derrubar o regime. Como estão a ser escorraçados pelos Russos fogem para a Turquia, voltando pelas centenas de quilómetros de galerias subterrâneas que os norte-americanos escavaram para infiltrar armas e provisões para o ISIS/Daesh. Tudo isto, a “oposição” na Síria, o terrorismo armado com armas de última geração, os falsos refugiados, foi criado pelos selvagens norte-americanos a partir do zero, mas as consequências do fracasso recaem sobre as vitimas do terrorismo e os povos europeus.
Exército sírio, apoiado pela Rússia, infligiu uma derrota esmagadora neste domingo ao grupo Estado Islâmico (ISIS/Daesh), ao recuperar o controle da cidade de Palmira, estando prestes a expulsar a organização extremista dos seus redutos na Síria. e o silêncio dos lideres ocidentais

domingo, abril 12, 2015

Cimeira das Américas. Cuba, fora da lista de paises terroristas, já não é “uma potencial e extraordinária ameaça para a segurança interna dos EUA”

A presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, desvalorizou a iniciativa de Barack Obama de dialogar com a República de Cuba, atribuindo a importância devida à luta do povo cubano pelo socialismo: “Não nos confundamos. Cuba está aquí por direito próprio, não por um favor prestado pelo imperialismo, está aqui porque “lutou durante mais de 60 anos por uma dignidade sem precedentes”

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Mas antes de Kirchner pronunciar estas palavras já Obama tinha saido da sessão plenária (1), desrespeitando as regras da Cimeira das Américas que prevê reuniões bilaterais só após o encerramento da plenário. Obama retirou-se para se reunir com o seu subserviente homólogo colombiano Juan Manuel Santos, em que abordaram e tema dos diálogos de paz com as Farc, que decorrem precisamente em Havana. Evidentemente, negócio de armas tem prioridade. Mas o verdadeiro motivo do acto de cobardia politica, desprezo pelos interlocutores latinos, falta de respeito das leis internacionais e convénios entre nações ao sair do recinto, foi não ter que ouvir o discurso do presidente Nicolas Maduro da Venezuela, nação sul-americana que os Estados Unidos de Obama acabam de declarar como “uma potencial e extraordinária ameaça para a segurança interna dos EUA”. Como diria Kirchner, é caso para rir:

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quarta-feira, fevereiro 04, 2015

a contra revolução em marcha na Venezuela

Muito se fala, a propósito das actuais possibilidades de revolução, na organização “das massas”. É verdade, não há libertadores, é cada povo por si, pela organização política que escolhe ou por que é submetido à exploração dos capitalistas, que se liberta, ou permanece subjugado. Antes do mais, é necessário definir o que se entende hoje em dia por “massas” (reunidas em classes como se fossem heterogéneas) e se a sua suposta “organização” é suficiente, ou sequer o principal imperativo para revolucionar o sistema.

Na Venezuela a chamada “Revolução Bolivariana”, aka o “socialismo do século XXI, leva 16 anos de existência. Desde 1999 Hugo Chávez implantou um programa de governo o combate à pobreza tendo como suporte financeiro as receitas da nacionalização do petróleo. Criou-se um mundo alegadamente independente do da grande burguesia. As “massas” organizaram-se nas “missiones” e cooperativas, nas mais diversas áreas, na reforma agrária tomando posse de milhões de hectares entregues aos trabalhadores, no Ensino, irradicando o analfabetismo, na Saúde pública e assistência social pelas redes comunitárias de participação popular dos “Barrios Adentro” beneficiando as camadas mais pobres da população, a desigualdade diminuiu, as reivindicações das comissões de trabalhadores conseguiram aumentos substanciais do salário mínimo. Houve um grande número de eleições e referendos populares, reiterando sempre o carácter democrático do regime. O governo promoveu relações bilaterais com os governos progressistas latino-americanos visando uma união (a Alca) capaz de enfrentar o imperialismo. (ler mais)

Mas basta a queda abrupta dos preços do petróleo para que tudo esteja a ser posto em causa. As receitas esperadas por via das exportações de petróleo este ano irão baixar para 28 biliões de dólares. Enquanto para o pagamento dos juros da dívida externa são exigidos 10 biliões de dólares. A impossibilidade de recorrer aos mercados de capitais internacionais, por via do boicote norte-americano, significa que haverá uma drástica restrição de importações e da actividade económica. Prevê-se uma queda de 7% do PIB da Venezuela em 2015.


Porque colapsa então esta possibilidade de instaurar este modelo de socialismo de cunho nacional assente na ideologia de libertação bolivariana? Primeiro que tudo, recordar que Karl Marx condenou Simon Bolivar como traidor, ao emancipar-se da sorte da classe operária do país colonizador para criar uma grande burguesia de negócios locais, “independentes”. Na Venezuela do século XXI esta classe dominante mantém a sua idiossincracia original. Em 16 anos o Chavismo não tocou com um dedo no regime de propriedade privada, que sustenta maioritariamente o emprego dependente dos investidores capitalistas aliados ao capital financeiro internacional. A imensa maioria dos grupos de comunicação é privada e portanto contrária ao regime. É quanto basta para que se lançasse a Venezuela numa séria crise de abastecimento decorrente do boicote internacional ao qual se aliam os grandes comerciantes das cadeias de distribuição do país. Para a classe possidente organizada em torno da direita, o principal objectivo é deitar mão às possibilidades de recuperação para os seus negócios de tudo o que foi entretanto criado no âmbito da propriedade dos bens comuns. Apesar das denúncias dos açambarcamentos ilegais, verificam-se grandes filas de horas de espera para adquirir bens essenciais. O descontentamento aumenta, a base social de apoio ao governo desmorona-se.
¿Repetir-se-á contra Nicolás Maduro o mesmo tipo de golpe que foi perpretado contra Salvador Allende nos anos 70? No Chile foi o boicote económico financeiro e a política monetária de emissão de dinheiro que conduziu o país a uma situação de hiperinflação e à subsequente crise de desabastecimento. A queda na obtenção de divisas aliada aos constrangimentos económicos sobre as importações, nunca substituidas por uma política de soberania alimentar, leva o executivo venezuelano a escudar-se na “conspiração nacional de internacional similar à que foi aplicada no Chile”. Há um golpe-de-estado em tempo real em marcha na Venezuela por via das sanções decretadas pelos EUA, encaixando todas as peças como é habitual nos filmes da CIA. As infiltrações aumentam, os rumores circulam, a mentalidade de pânico ameaça superar a lógica da “organização das massas”. Há uma quinta coluna infiltrada através das redes de cabo e internet a partir dos EUA/Canadá. A oposição acusava Chávez, e agora Maduro de querer implantar um regime comunista à semelhança de Cuba. Os títulos dos Media gritam “perigo”, jornais como o New York Times publicam editoriais desacreditando e ridicularizando o presidente Maduro, qualificando-o de errático e despótico. Noutro artigo o NYT ataca a indústria petrolífera predizendo a sua queda, sempre na mira de deitar mão à maior mina de ouro negro da região. No mesmo dia o porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos condenou a suposta “criminalização da dissidência política na Venezuela”. Trata-se dos mesmos vergonhosos agentes que aplaudiram o violento golpe-de-estado de 2002, mas quando Chávez regressou ao poder dias depois lhe pediram para “governar responsavelmente”, uma vez que tinha sido ele com a sua politica o causador do golpe. (Eva Golinger)

terça-feira, novembro 18, 2014

Colômbia, as coisas não serão como sonha a oligarquia

o governo da Colômbia tem um discurso mediático para consumo interno de paz e conciliação, enquanto prossegue na sombra com práticas terroristas; e para o exterior faz passar a imagem de "governo forte mas democrático" para receber apoios do imperialismo a nivel militar e aceitar milhares de milhões de financiamento das forças neoliberais na formação de uma bolha de desenvolvimento artificial, enquanto vai impondo ferozes condições que serão pagas pelas geração futuras.  

O programa de negociação da paz entre os governantes do Estado colombiano e a oposição das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi colocado em cima da mesa em Setembro de 2012 após um periodo de três anos de conversações mantidas secretas sob a égide do anterior presidente Álvaro Uribe, sendo ministro da Defesa Juan Manuel Santos. Foi durante essa trégua que os militares fiéis ao regime assassinaram o líder histórico da guerrilha Manuel Marulanda.
Um ano depois, em Novembro de 2013, na discussão entre as duas delegações no território neutro de La Habana, Cuba, o plano de 6 pontos obteve consenso e aprovação nos dois primeiros pontos: 1. Desenvolvimento agrário, com a entrega de terras aos camponeses que apoiam na sua grande maioria a revolução e 2. A participação politica de toda a oposição, civil e armada, no processo eleitoral em igualdade de circunstâncias com as instituições estabelecidas. Quando o delegado das FARC Ivân Marquez e o do governo Humberto de la Calle mediados pelo nórdico Dag Nylander, chegaram ao ponto 3. que trata das condições no terreno para o pôr fim ao conflito não se conseguiu acordo. Enquanto o governo falava de paz, ao mesmo tempo dava instruções ao Exército para continuar as operações militares contra a guerrilha e a grande massa dos camponeses empobrecidos em que aquelas se inserem. Pior, as acções de repressão são lideradas, como anteriormente por décadas, por milícias paramilitares de extrema direita apoiadas pelo governo. Enquanto isso em La Habana as FARC tinham chegado a acordo sobre depôr as armas… Quer dizer, com Juan Manuel Santos, agora empossado em presidente, há uma mudança de discurso, mas não de intenções. Trata-se de uma abertura liberal na continuidade em relação ao regime fascista do desacreditado Uribe. A lista de crimes é imensa e a concordância em realizar “negociações de paz” é uma mentira que vida desarmar e desmantelar as FARC e evitar a condenação pela comunidade internacional.
Timoleón Jiménez, Comandante do Estado Maior Central das FARC-EP lembra que "os assassinatos, os massacres, os horrores da violência militar e narco paramilitar foram perdendo a sua dimensão de espanto. Se mencionados, passaram a ser tristes episódios isolados. Em contrapartida todos tinham que estremecer pela barbárie da actuação guerrilheira e pelo grau de desumanidade dos seus comandantes. Nessa direcção apontou a estratégia políticas das classes no poder: apagar ou minimizar o horror oficial e narco paramilitar com o supostos horror guerrilheiro." acordaram na necessidade de substituí-lo antes que acabasse por incendiar o continente com o seu ódio visceral às FARC, à Venezuela e a Cuba...

... aos ombros da ultra-direita, chegou um Santos mais moderado para culminar a obra. Os diálogos de paz, como está mais que demonstrado, não foram uma concessão sua. Uribe já os havia proposto, ainda que se indigne ao recordá-lo. Para o projecto da ultra-direita sempre esteve claro que após a redução militar das FARC e da sua ruína política por conta da gigantesca campanha mediática de descrédito, havia que abrir uma mesa de conversações com o objectivo de conseguir a assinatura da sua rendição. É a sua maneira de entender a paz. Por isso não nos surpreende o modo como pretendem superar o tema das vítimas, em discussão na Mesa de Havana. Pretendem que os crimes sistemáticos das forças armadas e do narco paramilitarismo não tenham cabimento ali. No seu entender, isso já foi solucionado, o governo expediu uma lei para essas vítimas, o que há que tratar e castigar são nossos supostos crimes. Além de cínica, a oligarquia colombiana equivoca-se mais uma vez connosco"

Ontem  as FARC anunciaram a captura em zona de guerra do General do Exército colombiano Ruben Alzate Mora. (www.pazfarc-ep.org) Hoje o governo colombiano confirmou a noticia e Juan Manuel Santos anunciou a suspensão das negociações de paz na Cimeira de La Habana (fonte)

os Guerrilheiros e guerrilheiras das FARC-EP criaram este video apelando ao povo sentar-se à mesa das negociações, não um governo que não é representativo: “Pueblo colombiano pa'la mesa

quinta-feira, julho 03, 2014

Copa do Mundo: e o vencedor é...

O atacante Islam Slimani da Selecção Nacional de Futebol da Argélia noticiou ontem que a equipa vai doar o prémio em dinheiro recebido da FIFA pela sua participação no Mundial, ao povo de Gaza - porque "eles precisam mais do que nós" - Um gesto admirável que vai constituir uma sólida mudança em termos de condições de vida de muita gente: são cerca de 9 milhões de dólares. (ver aqui os prémios pagos a todas as equipas)

No reverso da medalha, a anedota que corre por estes dias na Colômbia é a do apaixonado telefonema do adepto ferrenho à esposa: "querida, vende-me o carro e envia-me o dinheiro porque a nossa equipa passou e vou ter de ficar por aqui mais uns tempos"

Enquanto isso, há mesma hora, noutro local - a Junta governativa Estados Unidos-União Europeia continua a concretizar a promessa de trazer a liberdade à Ucrânia, patrocinando um governo saído de um golpe-de-estado encabeçado pelo individuo mais rico do país que agora lança uma campanha de selváticos bombardeamentos sobre todos os pobres que não querem ser "governados" por Nazis. 
mais fotos, (não aconselháveis a espiritos sensiveis) e noticias no 

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

La Habana Livre

"Certamente, não queremos que o socialismo na América seja a cópia de um qualquer projecto importado. Ele deve ser uma criação heróica". (José Carlos Mariátegui)

Por estes dias, em Janeiro de 1959, do H#tel Habana Libre (o luxuoso Hotel Hilton, inaugurado havia apenas seis meses, com capitais dos mafiosos norte-americanos), onde se instalou o quartel general da recém-vitoriosa Revolução cubana, contam as paredes e as lendas que ali se travou o inacreditável diálogo em que Fidel, de armas, tendas e bagagens acampadas no átrio, ao escolher os seus ministros, perguntou quem era economista. Che levantou a mão e Fidel imediatamente o nomeou Ministro da Economia. Che, entre uma baforada e outra de charuto, questionou a decisão. Ao que Fidel rebateu: “mas eu perguntei quem era economista e tu levantaste a mão”. E Che: “carajo Fidel, eu entendi que tinhas perguntado quem era comunista”. Che virou Ministro da Economia e ainda por cima presidente do Banco Nacional de Cuba. Notas de "peso", a moeda cubana, com sua assinatura são ainda hoje vendidas como souvenir em Havana.

"O marxismo ensinou-me o que é a sociedade. Eu era um homem de olhos vendados numa floresta, que ainda não sabia onde era o norte e o sul. Se eventualmente não viesse a compreender a história da luta de classes, ou pelo menos ter uma ideia clara de que a sociedade está dividida entre os ricos e os pobres, e que algumas pessoas podem subjugar e explorar outras pessoas, então estaria ainda perdido numa floresta, sem saber de nada" (Fidel Castro)

"Os nossos olhos hoje livres são capazes de ver o que ontem a nossa condição de escravos coloniais nos impedia de observar: que a "civilização ocidental" esconde debaixo da sua vistosa fachada um quadro de hienas e chacais" (Che Guevara)

segunda-feira, dezembro 23, 2013

a grande Mentira sobre o Panamá

Faz agora 24 anos que os Estados Unidos levaram a cabo uma brutal invasão do Panamá, depondo a liderança política do país enquanto se atreviam a rotular a agressão com o nome de "Operação Justa Causa". Apesar da nomenclatura, grande parte do mundo reconheceu-a como mais um acto de injustiça, como antes o tinha sido também no caso do Peru. Recordando, o embaixador dos EUA enfrentou a ONU quando os povos que se sentam nesta organização a obrigaram a elaborar uma resolução exigindo a retirada imediata das forças militares. É claro, os Estados Unidos vetaram-na, em conjunto com a França e o Reino Unido. Muitos panamianos estavam na oposição, mas o pretexto então invocado foi que o Presidente era traficante de droga, no entanto, a verdadeira razão foi a tomada do território como zona estratégica que assegura a ligação entre o Pacifico e o Atlântico através do canal do Panamá. As várias sondagens, que foram então deliberadamente realizadas em bairros que falam inglês afluente, pintaram um quadro distorcido. Por estes dias, a verdade é muito mais transparente, desde que em 2007 a Assembleia Nacional do Panamá declarou o 20 de Dezembro como um dia de luto. E assim vai a "justiça" do imperialismo: promessas de liberdade, deixando um rasto de sangue e a tristeza como herança.

Quatro dias antes da véspera de Natal as forças do complexo militar dos Estados Unidos iniciaram o ataque lançando bombas contra a população do Panamá. Atingindo áreas urbanas densamente povoadas a operação de invasão de 1989 matou cerca de 4.000 civis. Tal foi justificado por o então presidente Manuel Noriega ser uma ameaça iminente para a democracia panamiana e para vidas norte-americanas (!). O ex-presidente George HW Bush em finais de Dezembro veio à televisão declarar que “na última sexta-feira Noriega apoiado pela sua ditadura militar declarou o estado de guerra com os Estados Unidos, tendo ameaçado publicamente contra a vida dos norte-americanos no Panamá”, isto no mesmo momento em que tropas dos EUA estavam a invadir o país. Os grandes meios de comunicação norte-americanos desempenharam um papel fundamental na venda da invasão ao povo norte-americano. Tom Brokaw , da NBC relatou uma semana antes da guerra: "os Estados Unidos declararam que o regime em vigor de Manuel Noriega no Panamá é uma ameaça à segurança nacional do nosso país”. O que não foi mencionado foi que Noriega, na qualidade de "traficante de droga", tinha sido o homem forte de Washington por quase duas décadas. Enquanto Bush (pai) era chefe da CIA, ele aumentou a folha de pagamento ao regime de Noriega em 100.000 dólares por ano. Mas, como a obediência de Noriega aos EUA estavam a vacilar, os EUA temiam perder o controle do vital Canal do Panamá e o encerramento das suas bases militares estrategicamente importantes naquele país.

"Eles demonizaram Noriega para terem um pretexto de bombardear e atacar o seu país, e foi isso o que eles fizeram ", disse o escritor e politólogo Michael Parenti – as "mortes de panamianos, simplesmente não tinham interesse para os grandes media. O interessou era apenas as eventuais mortes americanas”. Os meios de comunicação norte-americanos foram fantoches nessa campanha militar ", comentou Barbara Trent, a rrealizadora do documentário vencedor do Oscar "The Panama Deception". Durante a produção do documentário de Trent, ela enfrentou barricadas do exército dos EUA. Enquanto filmava milhares de refugiados que vivem no interior de hangares de avião, os oficiais militares tentaram deter Trent para impedir as filmagens. No entanto, os refugiados panamianos fizeram um circulo de defesa à volta da equipa de filmagem de Trent e assim esta foi capaz de realizar as entrevistas. Um dos refugiados disse a Trent, "Queremos sair deste lugar maldito, estamos cansados disto! Isto não é democracia ! Eles [ EUA ] são piores do que o Noriega, eles são muito piores!”. Os refugiados pintaram um quadro sombrio que não reflecte de modo algum a cobertura feita pelos media dos EUA - "os media pararam de agir como meios de comunicação, e agiram do mesmo modo como fariam depois no Iraque, relatando o ataque como sendo de alguém que traz alegria aos povos”, concluiu Parenti.



sexta-feira, outubro 25, 2013

Heróis da Pequena Burguesia (Salvador Allende)

24 de Outubro de 1970. Salvador Allente é eleito Presidente da República do Chile. Houve festa da rija, a "esquerda" embandeirou em arco. Por coincidência estreia hoje o DOCLisboa, onde um ciclo dos principais documentários a exibir versa precisamente sobre "O Golpe Militar no Chile: 40 Anos depois 1973–2013". Uma questão que não irá estar em cima das moleirinhas assentes nas poltronas da Culturgest será esta: que acontece quando um regime de esquerda que se diz vitorioso por ganhar eleições organizadas pela burguesia se nega a aplicar a "Ditadura do Proletariado"?... naturalmente, as facções opostas conjugam esforços e aplicam implacavelmente a "Ditadura da Burguesia"



As investigações sobre os assassinios de militantes de esquerda no Chile do ex-"Presidente" Augusto Pinochet ainda continuam, 40 anos depois. Ainda esta semana "um juiz chileno acusou 79 ex-agentes da policia secreta da ditadura pela morte e desaparecimento de 8 militantes comunistas entre 1976 e 1977. O regime de Pinochet, entre 1973 e 1990 foi criminosamente implacável com os opositores, deixando um registo de mais de 3.200 mortos e 38.000 vítimas de tortura" (DN, 23 Outubro)


Estará o Chile de hoje, formal e pomposamente democrático, liberto do fascismo? as raizes do mal, como regra assumida pelo sistema de dois partidos únicos, não são de todo expurgadas. Duas mulheres concorrem nas próximas eleições de Novembro à Presidência: pela esquerda a regressada Michelle Bachelet, pela direita Evelyn Matthei ministra do Trabalho nomeada pela União "Democrática" Independente. As duas mulheres são amigas de infância; as sua familias conviviam intimamente entre si. Ainda hoje Bachelet trata o pai de Evelyn carinhosamente por "tio Fernando", que é nada mais nada menos que o General Fernando Matthei, ex-ministro da Saúde e membro da Junta Militar da ditadura de Augusto Pinochet. Quando o socialista democrático Allende venceu as eleições em 1970 iniciou-se a clivagem nas Forças Armadas chilenas. Na década de 60 o então capitão Fernando Matthei prestava serviço no quartel de Antofagasta. Entre os outros 60 oficiais estava o seu amigo, também capitão, Alberto Bachelet, pai da jovem Michelle.

Nas eleições de 1970, os dois amigos seguiram caminhos diferentes. Bachelet votou em Salvador Allende. Matthei, no conservador ex-presidente Jorge Alessandri e a Time Magazine titulava em grandes parangonas haver "uma ameaça Marxista nas América Latina". Depois da vitória Alberto Bachelet foi promovido a General e ocupou o cargo de Ministro da Distribuição Alimentar no governo de Allende. Passados 3 anos, no dia 11 de Setembro de 1973 trabalhava no Ministério da Defesa, em Santiago do Chile. Por se negar a apoiar o golpe, foi preso naquela mesma manhã. Em Março de 1974 foi levado para os calabouços da Academia da Força Aérea, transformada em campo de concentração de prisioneiros, onde depois de uma sessão de tortura na manhã do dia 12 morreu de paragem cardíaca. Tinha 51 anos. Era então director dessa mesma Academia o Brigadeiro Fernando Matthei, que hoje é vivo e jura a pés juntos nunca se ter metido em nada. O resto da história, todo já todo o mundo sabe. Sempre discreta, a ponto de conviver alegremente com o assassino do pai, Michelle Bachelet foi nomeada ministra de Saúde, depois da Defesa, e acabou eleita Presidente da República em 2006. Quando abandonou o cargo em 2010 Bachelet tinha um indice de popularidade superior a 80% - hoje tem entre 60% a 43% de previsão de votos nas sondagens; Feita a amálgama ao centrão, os "dois lados opostos" reencontram-se mais uma vez... nas Presidenciais.

adenda
Com a devida vénia, passa-se para o rosto deste post o comentário deixado por um amigo: «Só os canalhas ou os tolos podem pensar que o proletariado deve conquistar primeiro a maioria em votações realizadas sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravidão assalariada, e depois conquistar o poder. Isso é o cúmulo da estupidez ou da hipocrisia, é substituir a luta de classes e a revolução por votações sob o velho regime, sob o velho poder» V.I Lenine 1919. Eis tudo.

quinta-feira, julho 25, 2013

Brasil, ponto de ordem

Os Governos do PT e os seus aliados deram continuidade às privatizações de sectores estratégicos como o petróleo e serviços públicos. Os brasileiros votaram no PT para ver se o Brasil mudava. Mas depois de dez anos perceberam que não mudou! (1)

Pressionada pelas vozes das ruas, ávidas por pôr termo à pouca vergonha da corrupção generalizada, à falta de estruturas de apoio social e à precarizada situação nos serviços de saúde , Dilma Roussef, em mais uma demonstração de demagogia explícita, anunciou, com pompa e circunstância, a solução para o problema mais imediato: importar médicos e obrigar os jovens recém formados a aceitar coercivamente postos de trabalho no interior do país com salários irrisórios. E anuncia pretender realizar um "Plebiscito", mas para daqui a um ano!. Para quê? para poder mentir ao povo de outra maneira menos evidente! (2). Enquanto isso, a multiplicação dos pães, impossível para os pobres, vai acontecendo para os mais ricos.


81% dos brasileiros entendem que os partidos políticos promovidos pela chamada “comunicação social” são "corruptos ou muito corruptos" (3)
e esta opinião popular tem como causa próxima a percepção de ter sido recentemente levado a cabo o maior roubo do erário público da história do Brasil, que consistiu em canalizar a corrupção pelo "Valerioduto" (4) alegoria visando Marcos Valério o arquitecto financeiro dos governos Lula comprometidos no esquema do Mensalão, entre outros, como José Dirceu, o amigalhaço do ex-ministro de Estado português Miguel Relvas (5) que trataram de lavar os fundos roubados transferindo o dinheiro para Portugal.

Afinal, se ainda é adequada a classificação esquerda-direita aplicada ao campo mais abrangente do neoliberalismo, o povo deu-se conta que também existia “corrupção de esquerda”. O filho do ex-Presidente Lula, que há 5 anos era subempregado no Jardim Zoológico de São Paulo com um salário de 1500 reais acaba agora de comprar a fazenda Fortaleza pela bagatela de 47 milhões de reais (6). O próprio juiz Barbosa, principal inspirador dos protestos do povo brasileiro graças ao prestigio angariado pelo julgamento do Mensalão, usou fundos públicos para ir aos jogos da Copa de futebol (7) o presidente do Congresso Henrique Eduardo Alves arregimentou um avião da Força Aérea para ele e a sua família assistirem à final da Copa, enquanto a sucessora de Lula na presidência desmentia que o Governo do Brasil tivesse gasto 2 mil milhões de dinheiros públicos em estádios de futebol (apenas a verba recebida pela FIFA como organizadora do evento, quando o total dos gastos ascende a 10 mil milhões (8). Como habitualmente, os políticos designados para a área do Poder não entenderam nada; e o povo grita: Chega de Impunidade! (9) e exige que os crimes de Lula sejam punidos desafiando a Justiça a exigir a devolução do dinheiro do povo brasileiro (10)

A presidente Dilma Roussef vai nua! (11) em três semanas o seu indice de popularidade baixou de 57 para 30% e a sua reeleição em 2014 deixa de estar garantida. Os agentes policiais e militares do Estado perseguem civis pelas ruas do Rio de Janeiro e de mais 438 cidades do Brasil (12). Os defensores da “democracia sem partidos” atacam os militantes da “esquerda” neoliberal e queimam bandeiras vermelhas (13), A extrema direita toma a iniciativa nos protestos com ajuda da Rede de Televisão Globo e do estado de excepção (14) naquilo que pode ser considerado como uma verdadeira guerra civil de militares contra o povo brasileiro (15) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), cumprindo as ordens da rede de espionagem global com sede nos Estados Unidos monta uma rede para monitorar as comunicações e a Internet (16). Com larga experiência na luta de classes contra os pobres, potência emergente controlada pelo paradigma neoliberal, o Brasil, um dos maiores fabricantes mundiais de armas não letais destinadas à repressão sobre multidões de dissidentes, exporta bombas de gás lacrimogénio para a Turquia (17)


quarta-feira, julho 10, 2013

Juiz toma decisão que permite investigar "segredos de Estado" afirmando que acção judicial contra a NSA deve continuar

- o meu pai diz que tu andas a espiar tudo o que nós dizemos na Internet 
- ele não é teu pai... 

O processo judicial conhecido como "Jewel vs NSA" (Agência de Segurança Nacional), foi originalmente apresentado em 2008 pela Electronic Frontier Foundation (EFF) e um grupo de clientes da AT&T alegando que funcionários da administração Bush criaram e desenvolveram um "programa ilegal e inconstitucional de vigilância das comunicações através de operações de vigilância sem mandado dos cidadãos norte-americanos"

À administração Obama não será porém permitido mandar encerrar o processo com a fundamentação que "um argumento civil, correria o risco de expor os segredos nacionais" (obviamente, do privilegiado foro militar). O juiz federal Jeffrey White decidiu pela continuação da investigação, naquilo que já foi chamado de uma importante conquista para os defensores das liberdades civis. (fonte)

Contra-atacando, a Administração Obama fez agora aprovar, sem festas nem conferências de imprensa, a Ordem Executiva HR 628 que permite à Casa Branca vigiar todas as comunicações nos Estados Unidos (e arredores globais, como é sabido). Da mesma forma, podem “capturar” e desactivar serviços, inclusive de comunicações electrónicas, desligando a Internet. (fonte)

relacionado:
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* Edward Snowden está impossibilitado de voltar ao seu país por ter denunciado um crime de espionagem cometido pelas autoridades do seu país. Yoani Sanchez, a famigerada blogueira cubana viaja pelo mundo denunciando a "ditadura cubana" entrando e saindo livremente do seu país conforme lhe apetece. Qual das duas situações configura "uma cruel ditadura"?



Os serviços de informação e espionagem dos Estados Unidos não só participam na organização de golpes de Estado noutros países, como também, paralelamente, tiram daí proveito económico especulando nos mercados financeiros