Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Vincent van Gogh (1853-1890)

sentindo a turbulência

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Roger Waters, talvez o ideólogo da
 melhor banda na história da música popular

 (Mother)
Mãe, achas que eles vão lançar a bomba? 
Mãe, achas que eles gostam da canção? 
Mãe, achas que eles me vão cortar os tomates? 
Mãe, devo alinhar na construção do muro? 
Mãe, devo candidatar-me a presidente? 
Mãe, achas que devo confiar no governo?
Mãe, achas que eles me põem na linha de fogo?
 ooooh Isto é só uma perda de tempo?

Calma agora, bebé, bebé, não chores 
a Mamã vai fazer os teus pesadelos virarem realidade 
 a Mamã vai-te mandar os medos dela para ti 
a Mamã vai-te proteger debaixo das saias dela 
Ela não te vai deixar voar, 
mas talvez te deixe cantar 
ooooh bebé ooooh bebé 
ooooh bebé, e claro que te vai ajudar a construir o muro 

Mãe, achas que ela é mesmo boa para mim?
Mãe, achas que ela é perigosa para mim? 
Mãe, ela vai despedaçar-me o coração? 
Calma agora, bebé, bebé, não chores 
a Mamã vai avaliar todas as namoradas para ti 
a Mamã não vai deixar ninguém sujo aproximar-se 
a Mamã vai esperar por ti até voltares
a Mamãe vai descobrir por onde andaste 
a Mamã vai manter o seu bebé limpo e saudável
ooooh bebé 
ooooh bebé 
ooooh bebé, tu irás ser sempre um bebé para mim 
Mãe, mas eu precisava de ser tão alto? 
.....

segunda-feira, novembro 02, 2015

de al-Buera a Albufeira

a al-Buera fundada pelos Árabes era uma pérola, como se diria hoje, de integração urbanistica e se pode constatar na gravura. No último domingo a natureza voltou a repôr as construções como eram dantes. Constrói-se sobre linhas de água, não respeitando a natureza, e depois quem não sabe queixa-se dela... As autarquias são obrigadas pela actividade dos seus qudros técnico-profissionais a impedir um crescimento desordenado e incorreto das malhas urbanas, mas o que se vê, não apenas em Albufeira mas um pouco por todo o Algarve, são construções em zonas de risco elevado - seja devido à possibilidade de cheias ou à aproximação de arribas e outras. E tudo isto porquê? pelo culpado do costume, o poder económico sobrepõe-se ao poder politico, o qual, rendido à captação de dinheiro pouco mais produz que... palavras. A propósito, disse o ministro dos bonitos serviços, ex-vendedor de seguros: “foi uma fúria demoníaca da Natureza: Deus nem sempre é amigo”. (Estamos bem arranjados com estes palermóides)

Em 2009 a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve embargou a obra de encanamento da ribeira de Albufeira, por falta de licença. A obra, adjudicada por 7,25 milhões de euros, fez parte do conjunto dos "grandes projectos" da cidade, segundo a visão da Autarquia, facilitando desde modo o alargamento da via rodoviária numa das principais entradas da cidade. A responsável da ARH Valentina Calixto despachou que o "objectivo da requalificação da ribeira era interessante (!!!), mas "têm de ser avaliadas as consequências que pode acarretar". A responsável lembrou que a ribeira entubada permite o escoamento com maior rapidez das águas para o centro da cidade em direcção ao mar, mas "a linha de água deixa de cumprir a sua função ecológica" O embargo de então, acrescentou, "poderia ser evitado se tivesse sido submetido o projecto para avaliação". Fazia-se à mesma. O Município, preferiu arriscar o pagamento da coima, e podia ter sido obrigado a "repor a situação" e a retirar as manilhas já instaladas. Podia mas não foi isso que aconteceu, de algum modo obscuro a presidência da Câmara Municipal PSD conseguiu limpar o incómodo e a obra foi concluida sem mais entraves ou satisfações a dar.

Respigado do blogue Olhão Livre: "Passados 6 anos e quando choveu a sério, as previsões confirmaram-se e Albufeira ficou alagada de agua e não foi só na Zona Ribeirinha, mas também em algumas zonas altas. A desculpa da maré estar cheia não funciona pois a maré nesse dia às 11,30h estava em baixa-mar. Quem ao longo dos anos foi encanando as ribeiras e autorizando a construção em leito de cheia? Só não houve vitimas mortais, na baixa de Albufeira, porque os bombeiros salvaram várias pessoas de morrerem afogadas, mesmo com falta de meios, conforme se viu nas imagens televisivas. E agora os culpados por essa obras, não vão ser chamados à responsabilidade? Ou mais uma vez a culpa vai morrer solteira,e os responsáveis ficam-se a rir? As vitimas desta tragédia, devem exigir responsabilidades aos responsáveis!" A natureza, tem esse hábito de de vez enquanto reclamar aquilo que em tempos lhe pertenceu, foi o que aconteceu em Albufeira; e vai continuar a acontecer, um pouco por todo o Algarve, enquanto não houver uma politica de desconstrução do betão e asfalto que vigora desde os anos 60. (fonte)

sábado, maio 30, 2015

1812

Adolf Hitler, o Kaiser Guilherme , Carlos XII e Napoleão, todos quiseram conquistar a Rússia... até que chegou o Inverno ...
o exemplo é o de 1812...

a NATO prepara-se para envolver a Europa numa guerra, outra vez contra a Rússia (RussiaToday)

 
Um ex-comando militar británico afirma: a Rússia esmagar-nos-á se entrarmos em guerra com ela. (RussiaToday)

quarta-feira, maio 13, 2015

hoje é dia de aparições de virgens

à atenção da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco: nas religiões monoteístas (= um só Deus) tudo o que não seja adoração a Deus deve ser considerado uma expressão de idolatria, qualificada como um pecado capital (cortesia de Viriato Porto)

Estreia no sábado dia 16 na RTP2: “O Bebé de Macon” um filme de Peter Greenaway sobre a transversalidade da corrupção na sociedade - Em Itália, na segunda metade do século XVII, embora a peste e a esterilidade atinjam a população de Macon, um bebé nasce de uma suposta virgem, provocando uma manifestação de histeria sobre a intervenção divina. A criança passa a ser objecto de culto e adoração, dando margem a uma série de mentiras, explorações e corrupções. O fenómeno vai ser revelador da corrupção existente em todos os níveis sociais. Greenaway abusa do inusitado e inspira-se em velhos cultos e lendas, assim como na fábula de Demeter e Perséfona, para descrever a trajetória do catolicismo com uma ironia dilacerante. Sentimentos como vaidade, ambição, ganância, inveja e ciúmes dão o mote para uma narrativa que lembra uma obscura e sombria encenação teatral, necessária para o clima da história. (daqui)

óh meus caros bambinos
mudem de rumo, mudem de rumo, excelentissimos crentes, tomem os vossos lugares... 
.............

quarta-feira, abril 29, 2015

Dia Mundial da Dança


sexta-feira, abril 24, 2015

Para que serve um "Dia Mundial do Livro"?

ler para entreter?, ler para esquecer?, ler para aprender - se houvesse um único livro acessivel, dentro do campo do socialismo, escolheria as "Obras Completas de Mao Tsé-Tung", um trabalho teórico revolucionário que nos legou a autocrítica como guia filosófico para a vida: "Temos de aprender alguma coisa, estudar o marxismo-leninismo. Aprovo inteiramente as sugestões dos nossos camaradas referentes às nossas tarefas no dominio do estudo. Todos, sem excepção, devemos estudar. Que faremos se o tempo não chegar para tal? Teremos de o arranjar. O problema reside em cultivar o hábito do estudo; quando o conseguirmos, poderemos continuar a estudar. Digo isto fundamentalmente no interesse dos camaradas que cometeram erros, mas as minhas palavras também se destinam aos outros e até a mim próprio. Há muitas coisas que nunca estudei. Sou uma pessoa com muitas insuficiências; de modo algum me posso considerar perfeito. Há mesmo ocasiões frequentes em que me detesto. Não domino todos os vários aspectos do marxismo. Por outro lado, conheço mal os idiomas estrangeiros. Só recentemente principiei a estudar economia. Todavia, camaradas, estudo com determinação e continuarei a estudar atè à morte. Em suma, estudarei todos os dias enquanto viver. Criemos um ambiente geral de estudo". Ler é saber. (Discurso, Setembro de 1959)

terça-feira, abril 14, 2015

Eduardo Galeano (1940-2015)


Celebrado autor de "As Veias Abertas da América Latina" onde relata a exploração da América Latina pelos portugueses, espanhóis, holandeses, ingleses, e posteriormente, pelos norte americanos. São 500 anos de exploração económica desde os "descobrimentos" e miséria social sempre em crescendo à medida que os naturais iam sendo expropriados. Eduardo Galeano lega-nos explicações que não se aprendem nas escolas. Se os latino-americanos têm terras tão ricas, porque vivem todos em paises subdesenvolvidos? qual a razão porque as coisas deram certo nos Estados Unidos e aqui não? Os colonos da Nova Inglaterra, núcleo original da civilização norte americana, não actuaram nunca como agentes coloniais da acumulação capitalista européia; desde o princípio, viveram ao serviço do seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento da sua nova terra. Ao contrário, o subdesenvolvimento latino americano é uma consequência do desenvolvimento alheio. Nada que não esteja a mudar.

O medo ameaça, se amas terás sida; se fumas terás cancro, se respiras contaminação; se bebes terás acidentes; se comes, colesterol; se falas terás desemprego, se caminhas terás violência, se pensas terás angústia; se duvidas loucura, se sentes, solidão... Nada que o sangue latino não posssa mudar...

................

terça-feira, março 31, 2015

Joan Baez, jovem para sempre

Nada e criada numa época de forte contestação social no interior dos Estados Unidos pelos direitos civis, liberdades e garantias, que hoje continuam apenas a ser palavras desligadas do racismo económico que se abate sobre os cidadãos, Joan Baez cedo se converteu numa fervorosa militante anti-guerra. Tanto quando como resposta às convulsões internas os Estados Unidos se viraram em definitivo para o ataque aos recursos externos para, usando os lucros obtidos, calar uma classe média cada vez mais instruida e reivindicativa. Joan Baez começou a sua luta como corista nas canções de Bob Dylan, aka Robert Allen Zimmerman, nascido de emigrantes judeus russos como Zushe ben Avraham, sendo ela própria também filha de emigrantes, no caso mexicanos - o Novo Mundo é isto, um caldeirão civilizacional onde se misturam o melhor e pior de todos os mundos



Passado o flirt inicial com Dylan, Farewell Angelina, na viragem para a década de 70, na região ponta de lança do expansionismo imperialista, o cenário no Vietname era dramático. Imagens do massacre de May Lai, um crime até hoje impune.
Entre os muitos milhares de contestários contra a guerra estava também o jovem John Kerry, que ainda hoje ainda anda como secretário de Estado envolvido noutras guerras. Aos 74 anos Joan Baez também anda. Dá hoje um recital show-bizz como cantora-folk  hoje no Porto e amanhã em Lisboa com o preço médio dos bilhetes entre 25 (visão reduzida) e 40 euros. Come From The Shadows, the Partizan. Obviamente, com saudades de todas essas coisas do passado

quinta-feira, março 26, 2015

Roberto Rossellini, ciclo de reposições com cópias restauradas no cinema Nimas a partir do dia 26 de Março

Rossellini acreditava que a televisão podia ser o espaço de uma renovada linguagem de formação cívica e conhecimento histórico. Nesse sentido realizou “A Força e a Razão”, uma entrevista a Salvador Allende produzida pela RAI e difundida em 1973. A par de Godard e Antonioni foi pioneiro na descomplexada abordagem do modelo de telefilme, a começar por “A Tomada do Poder por Luis XIV” (1966). Que aconteceria se o realizador ressuscitasse no meio do lixo que a televisão hoje produz?  Do corpo principal da obra cinematográfica de Rossellini serão exibidos, entre um total de 10 filmes, a “Viagem a Itália”, “Germânia Ano Zero” filmado a quente nas ruinas de Berlim dois anos após o fim da guerra, e “Stromboli, Terra di Dio” sobre o drama dos expatriados pela guerra (1).

A carta enviada em Maio de 1948 por Rossellini convidando a actriz sueca Ingrid Bergman, já então uma grande estrela em Hollywood, para protagonizar a "heroína" Karin em Stromboli revela praticamente tudo sobre a mundivisão humanista do realizador:
Cara Senhora Bergman. Esperei algum tempo antes de lhe escrever porque queria ter a certeza daquilo que lhe ia propor. Antes de mais, porém, quero que saiba que a minha maneira de trabalhar é extremamente pessoal. Evito todo o tipo de guião que, a meu ver, limita fortemente o campo de acção. Evidentemente, parto de ideias muito precisas e de uma série de diálogos e de situações que escolho e modifico durante o processo de laboração. Assim sendo, não posso deixar de lhe confessar que a ideia de trabalhar consigo me entusiasma. Há algum tempo, creio que em fins de Fevereiro, percorria eu de automóvel a Sabina, uma zona a norte de Roma, quando, perto da nascente do Farfa, a minha atenção foi atraída por uma cena insólita. Num campo cercado por uma alta rede de arame farpado, algumas mulheres viravam-se como cordeiros numa pastagem. Aproximei-me e percebi que eram estrangeiras, jugoslavas, polacas, romenas, gregas, alemãs, letãs, lituanas, húngaras, que, obrigadas a fugir dos seus países de origem por causa da guerra, tinham deambulado pela Europa, tendo conhecido o horror dos campos de concentração, dos trabalhos forçados e dos saques nocturnos. Tinham sido presas fáceis dos soldados de vinte países diferentes até que foram concentradas naquele campo onde esperavam que as repatriassem. Um guarda ordenou-me que mme afastasse. Eram indesejáveis e era proibido falar com elas. Atrás do arame farpado, na extremidade mais distante do campo, uma mulher loira, toda vestida de preto, estava apartada das outras e olhava para mim. Ignorando as ordens dos guardas, aproximei-me. Ela sabia apenas umas palavras de italiano, ficou vermelha só do esforço de falar. Era da Letónia. Nos seus olhos claros lia-se-lhe um desespero mudo e intenso. Enfiei a mão na barreira de arame farpado e ela agarrou-se a mim como um náufrago que se agarra aos destroços. O guarda aproximou-se com ar ameaçador. Voltei para o carro.

A recordação daquela mulher obsecava-me. Consegui autorização para visitar o campo mas ela já lá não estava. O comandante disse-me que tinha fugido. As mulheres mais velhas deram-me outra versão. Partira com um soldado das ilhas Lipari. Teriam casado e assim ela poderia ficar em Itália. Que tal irmos os dois à procura dela? Ou tentaremos imaginar a sua vida nessa aldeiazinha perto de Stromboli para onde o soldado a levou. Imagino que a senhora não conheça as ilhas Lipari, até mesmo em Itália poucos as conhecem. Infelizmente ficaram tristemente famosas durante o período fascista, porque era para lá que eram mandados os inimigos do regime. São sete ilhas, situadas no mar Tirreno, a norte da Sicilia, e antigamente todas elas eram vulcões.Só um ficou activo, o Stromboli. A aldeia surge aos pés do vulcão, numa baía. Algumas casas brancas, com as paredes cheias de fendas devido aos terramotos. Os habitantes vivem da pesca e do pouco que conseguem cavar da terra árida.
Procurei imaginar como seria a vida da rapariga letã, tão alta e loira, nessa ilha de fogo e cinzas, entre pescadores pequenos e morenos e as mulheres de olhos escuros luzentes, pálidas e definhadas pelas gravidezes. Imaginei a sua incapacidade de comunicar com essa gente de hábitos fenícios, que fala um dialecto rude, em que se misturam palavras gregas, e igualmente a incapacidade de comunicar com ele, o homem que encontrou no campo de Farfa. Olhos nos olhos, aí leram a alma. Nos olhos móveis e inteligentes dele, ela descortinara a sua simplicidade e o seu tormento, a sua força e a sua ternura. Acompanhara-o, convencida de ter encontrado uma criatura fora do comum, um salvador, o refúgio e a protecção depois de tantos anos de angústia e de violência. Ele dar-lhe-ia a possibilidade de permanecer em Itália, nesta terra verde de clima temperado onde o homem não perdeu ainda a sua humanidade e a natureza é feita à medida do homem. Pelo contrário, ela chega a essa ilha selvagem, agitada pelos tremores do vulcão em erupção, onde a terra é escura e o mar parece lama impregnada de sulfato. O homem que vive a seu lado e a ama com uma espécie de fúria selvagem é como um animal selvagem incapaz de lutar pela sua existência, que aceita, placidamente, viver na mais completa miséria.

Até o Deus que as pessoas adoram lhe parece diferente do seu. É impossível comparar o austero Deus luterano que invocava em criança nas igrejas rias da sua terra natal com este, rodeado de santos de todos os tipos. A mulher tenta insurgir-se e escapar a essa vida obsessiva. Mas o mar barra-lhe a fuga por todos os lados. Desnorteada pelo desespero, incapaz de continuar a suportar aquela situação, deixa-se embalar pela esperança de um milagre que venha salvá-la, sem perceber que uma grande mudança ocorrera já dentro dela. De repente percebe o valor da verdade eterna que regula a vida dos homens; percebe o enorme poder de quem nada possui, a extraordinária força que nasce da liberdade, e torna-se uma espécie de S. Francisco. Um intenso sentimento de felicidade jorra do seu coração e ela experimenta finalmente uma enorme alegria de viver.

Não sei se consegui exprimir plenamente aquilo que pretendia dizer. É muito difícil dar corpo às ideias e às sensações cuja vida está ligada à imaginação. Para contar, tenho de ver: o cinema conta com as imagens, mas eu tenho a certeza, a absoluta certeza, de que com a sua ajuda conseguirei dar vida a um ser humano que, através de experiências difíceis e amargas, consegue conquistar a paz e libertar-se de todo o egoísmo, atingindo assim a única verdadeira felicidade concedida à humanidade, a que permite viver de modo mais simples e próximo da criação. Acha que poderá vir à Europa? Seria para mim um prazer convidá-la a vir a Itália para analisarmos juntos e demoradamente o meu projecto. O que é que acha? Acha que devo concretizá-lo? E qual seria para si o melhor período? Desculpe-me se a importuno com todas estas perguntas, mas se soubesse quantas outras coisas gostaria de lhe perguntar ainda! Peço-lhe que acredite no meu sincero entusiasmo. Seu, Roberto Rossellini. 

(a carta foi publicada pela editora Mondatori de Milão em “Ingrid Bergman, La Mia Storia, 1983)

(1) Stromboli é uma mistura de realismo social e alegoria religiosa – por outras palavras, a quinta-essência de Rossellini – e, na personagem de Karin, o filme contém o melhor trabalho que Ingrid Bergman jamais fez. (ler mais)

(2) A quimica entre a actriz e o realizador foi imediata e total. A ponto de Ingrid aparecer grávida de Rossellini , mesmo sendo casada com o médico sueco Petter Lindström. Como Rosselini também era casado, a união causou enorme polémica. Ambos abandonaram as respectivas famílias para viverem juntos. Essa paixão fez com que a actriz fosse acusada de adúltera e de mau exemplo para as mulheres norte-americanas. O influente senador Edwin Johnson, do Colorado, denunciou o comportamento de Ingrid como “um ataque contra a instituição do casamento” e descreveu-a como uma “poderosa influência do mal”, estigma que a levou a ficar anos sem filmar nos Estados Unidos (ler mais)

terça-feira, março 24, 2015

"o Herberto" (1930-2015)

Informação da PIDE sobre Herberto Helder de Oliveira, datada de 12-11-1960.
(Biblioteca Nacional, Arquivo Salazar)
(..) "e foi assim que uma bela tarde de 1978 decidiu alistar-se no PCP.  A militância "não durou mais de cinco minutos"... (Expresso, 2010)  

em 1968 publica pela mão da Ulisseia "Apresentação do Rosto", uma edição de 1500 exemplares, em grande parte imediatamente apreendida pela PIDE "por conter uma evidente carga de pornografia, o que não pode de forma nenhuma ser tolerado"; Herberto Helder não voltará a publicar a obra, renegando-a... diz quem sabe que é uma das mais corajosas e terríveis confissões autobiográficas da literatura portuguesa. (Livraria Trindade)

domingo, março 15, 2015

o Palácio do Correio-Mor

nos arrabaldes de Loures, ao lado de um regato da Mata das Flores fica o Palácio do Correio-Mor. O direito e o dinheiro para construir o imponente casarão foi da familia de judeus convertidos à religião dos vencedores (cristãos-novos) dos Matas (por via de se abicharem, como se diria hoje, com a privatização da Mata das Flores, até então terras de El-rey de Portugal). O primeiro dono, Luís Gomes da Mata enriqueceu no cargo de CEO do "Oficio do Correio-Mor" que lhe havia sido outorgado por Filipe III de Espanha. Como paga pela fidelidade, o monarca espanhol em 1606 concedeu-lhe o uso do sobrenome Mata, com direito a carta de brasão, tomando por solar esta propriedade. Moral da história: ontem como hoje, vender a pátria aos estrangeiros dá sempre jeito às algibeiras dos traidores...

"A importância do Correio-Mor e os avultados lucros que advinham desta actividade, desenvolvida durante cerca de 200 anos pela família Gomes da Mata, encontram-se bem expressos no seu Palácio, edificado em Loures no decorrer do século XVIII. A imponência, dimensões e impacto causados por esta construção equivalem, de alguma forma, aos castelos dos responsáveis pelos correios noutros países europeus, como é o caso dos Taxis (Thurn and Taxis Habsburgo-Lorena), que implementaram uma rede de comunicação em todo o império Habsburgo" (vidé: Património Cultural)

sábado, março 07, 2015

de como o Grande Senhor faz cunhar moedas

Em directo da rota da seda para Veneza, do “Livro de Marco Polo”, ditado pelo próprio nos calabouços de Génova ao escritor de novelas Rustichello da Pisa em 1298 - ou um recado actual à Reserva Federal dos Estados Unidos: aquilo que vocês descobriram agora já eles sabíam há séculos:

(…) existe em Cambaluc (1) a zeca do Grande Senhor. Ali faz o Gran-Khan cunhar moedas da seguinte forma: pegam na casca das árvores, geralmente das amoreiras, dessas de que o bicho-da-seda devora as folhas e, com a pele que há entre a casca e o tronco fazem uma pasta, como a do papiro, de cor muito escura, quase preta. Estes papéis ou tiras são cortados de diversos tamanhos, quase sempre compridos e estreitos; aos mais pequenos dá-se o valor de metade de um soldo; outros, maiores, valem um soldo, outros meio-ducado de Veneza e outros dois ducados, cinco ou dez, outros valem um bizâncio e assim até dez bizâncios. Todos estes papéis e cartões têm o selo do Gran-Khan. Manda fabricar tantos, que pode comprar facilmente todos os tesouros da terra. Reparte-os por todas as províncias e reinos, e paga com eles as suas contas. Ninguém pode rejeitar esta moeda, sob pena de ser condenado à morte. E todos os mercadores aceitam estes papéis como paga das suas mercadorias, e com eles se pagam também as pérolas, o ouro e a prata. O papel que vale dez bizâncios não pesa nem um.

Várias vezes durante o ano chegam mercadores com pérolas, pedras finas, ouro e prata; então, o Grande Senhor chama doze sábios escolhidos para estas coisas e muito entendidos no assunto, e diz-lhes que examinem os objectos trazidos pelos mercadores e que os apreciam, pagando-os por aquilo que valem; e estes doze barões pagam tudo com essa moeda de papel. Os comerciantes aceitam-na, com grande prazer, pois poderão por sua vez comprar aquilo que muito bem quiserem. O Gran-Khan paga com esse papel mercadorias que valem uns 400.000 bizâncios. E, uma vez por ano, publica-se um aviso dizendo que todos os quue possuam ouro, pedras finas e prata os levem à Zeca (2), onde serão trocados por esse papel moeda. Desta forma o Grande Senhor acumula enor mês tesouros em prata, ouro e pedras finas.

Quando estes papéis se rompem ou sujam ou ficam deteriorados levam-se à Zeca onde são trocados por outros, com uma pequena diminuição. E quando um homem que adquirir um cinto de ouro, uma vasilha de prata ou jóias, vai à Zeca e dá os papéis em paga do ouro e da prata que compra ao barão que dirige a Zeca. Por aqui vedes como o Grand-Khan (3) pode ter, e tem, os maiores tesouros do mundo (…)
1) Cambaluc ou Khanbaliq (que significa “a residência do Grande Senhor), é o antigo nome da cidade de Pequim, hoje capital da República Popular da China (wikipedia)
2) Zeca, a Casa da Moeda
3) Os Mongóis na História da China

sábado, fevereiro 28, 2015

O desejo de enriquecer do subproletariado urbano

Mamma Roma, Anna Magnani, Franco Citti, Ettore Garofalo,
Pier Paolo Pasolini
Eu observo estes homens, educados/ numa outra vida que não a minha,/ fruto de uma história muito diferente/ e reencontro-os como quase meus irmãos/ segundo a última forma histórica de Roma/ Eu observo-os: em todos o ar de um cowboy/ que dorme armado com uma faca/ como sendo uma das suas funções vitais/ vividas em profunda escuridão/ A papal Icterícia Belli, não púrpura,/ mas como uma biliosa pedra de lava cozida/ é o modelo de roupa seguido, definitivamente suja/ Olha a ironia que transparece, suada, vermelha,/ que queima indecentemente…

domingo, fevereiro 22, 2015

a Grécia no papel de Maçã sobre a testa da União Europeia

Rossini, Guilherme Tell, Finale

........


yep, admite-se que o novo governo da Grécia capitulou... por 4 meses, e ao 5º mês Tsipras têm uma viagem agendada a Moscovo. So long farewwel, contos para crianças, musica no coração. Entretanto fica um recado da London School of Economics para os adeptos do "tudo ou nada": 

"o ruido em redor da Grécia está a ficar cacofónico, com os dois lados a opinar e a apresentar razões. Os confrontos têm sido, até agora, bastante frívolos o que é sintomático dos dois lados a avaliarem-se mutuamente. A discussão séria vai demorar semanas, senão meses, para chegar a conclusões substanciais sobre o futuro da Grécia e, consequentemente da zona Euro e da própria União Europeia. Pode ser muito cedo para escolher os vencedores, mas a Grécia está a travar um bom combate. O Syriza e o seu jovem lider Alexis Tsipras têm mantido a calma sob uma press ao sem precedentes. Ele, assim como o seu carismático ministro da finanças Yanis Varoufakis, apareceram como europeistas apaixonados e fizeram muitas concessões, muitas vezes sensatas e responsáveis aos parceiros europeus, aproximando-se do centro. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito desses parceiros, dado que o presidnet do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem e Wolfgang Schlaube ministro das Finanças da Alemanha têm sido intimatórios, ásperos e muitas vezes irresponsáveis com os seus comentários. Felizmente, os dois são apenas actores secundários do drama grego. O destino da Grécia não dependerá de aspectos técnicos, mas vai ser o resultado de um "grande jogo" que agora começou. (in "Grexit, porque a saída da Grécia do Euro deverá ser vetada")

domingo, fevereiro 01, 2015

Cultura Pessoana

Subproduto da sua época (início do século XX) é a opinião do grandessimo poeta da lingua portuguesa sobre os trabalhadores, quando diz que a sociedade deve ser dominada por uma elite de "super-homens", enquanto os operários devem ser "reduzidos a uma condição de escravatura ainda mais intensa e rígida do que aquilo a que chamamos a escravatura capitalista".Pior – e mais decepcionante – é ler a opinião de Pessoa sobre a "raça". Já tinha 28 anos, não era um adolescente imaturo, quando escreveu: "a escravatura é lógica e legítima; um zulu (negro da África do Sul, que falava a língua banto) ou um landim (indígena de Moçambique, que falava português) não representa coisa alguma de útil neste mundo.


Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir aos fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico. O degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude”. Pessoa continua, em texto de 1917: “a escravidão é lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada. O amor covarde que todos temos à liberdade é o verdadeiro sinal do peso de nossa escravidão”. Quase dez anos depois, Pessoa mantinha-se firme nessas convicções racistas: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social”. E ainda: “Quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs”? (Biografia Escrita por José Paulo Cavalcanti Filho, 2012)

Pessoa escrevia estas barbaridades menos de trinta anos após a abolição da escravatura no Brasil e mostra-se um sucessor legítimo de longa tradição portuguesa no apoio à servitude de povos que a elite lusitana considerava inferiores, dos negros africanos aos índios brasileiros. Como escreveu o historiador brasileiro Jorge Caldeira: "Desde a chegada dos primeiros colonos (portugueses), o Brasil foi uma sociedade escravista. Só havia uma maneira de os europeus sobreviverem nas novas terras: possuir um escravo que, caçando e pescando, lhes garantisse o sustento. Quando o foco da atividade econômica passou da extração para o cultivo, ampliou-se ainda mais a necessidade de escravos". As primeiras vítimas foram os índios, então chamados de "negros da terra". Mem de Sá, terceiro govenador-geral do Brasil, determinou em 1562, "que fossem escravizados todos, sem excepção". E assim se fez com 75 mil caetés e, depois, os tupiniquins. Quando o número de indígenas se mostrou insuficiente, os portugueses começaram a importar escravos da África.
De África vieram mais de três milhões de escravos para o Brasil, e a resistência a acabar com a escravatura fez com que ela durasse oficialmente até 1888. Continuou a existir, porém, no plano informal, pois como explica Bueno: "Os libertos foram jogados na miséria, sem terras para cultivar, escolas, hospitais. Alguns ficaram nas fazendas, com salários baixíssimos. Milhares foram para as grandes cidades, em busca de algo melhor; daí a origem das favelas". A lei proibiu a escravidão ao final do século XIX, mas não conseguiu (nem pretendia) suprimir o preconceito, que existe até hoje na sociedade brasileira. Menos em relação aos índios, porque estão longe da vista, não interferem no dia a dia e não ameaçam o conforto das elites, a não ser quando exigem direitos sobre suas terras. Já os negros, de presença ostensiva nas cidades, mesmo que confinados a favelas, geram um racismo que não se expressa mais com a clareza abominável de Fernando Pessoa, no texto citado acima. São tratados como cidadãos inferiores, sob justificativas nunca explicitadas como preconceito racial – o que de facto é – e sim como suposto resultado de pobreza e baixo nível educacional dos negros, mulatos, pardos ou seja lá qual eufemismo escolhido para definir não-brancos. Pelo menos Fernando Pessoa, no seu tempo, evitou esta máscara de hipocrisia. (Texto original)

sábado, janeiro 17, 2015

Óstia, o porto de Roma

Para satisfazer as necessidades de comércio ultramarino da Roma Imperial o imperador Cláudio mandou construir um porto na foz do rio Tibre. A construção ficou completa no ano 64 n.e. durante o reinado de Nero. Um grande farol muito semelhante em aparência ao de Paros orientava os marinheiros na entrada. Embora este mapa mostre apenas um pequeno número de barcos protegidos dentro do quebra-mar o porto possuia capacidade suficiente para albergar 200 navios na sua bacia. (in "De Constantino a Carlos Magno, a arqueologia em Itália", Neil Christie)