Face à problemática da decadência económica colocada pela “perestroika” (abertura liberal e re-estruturação) em Março desse mesmo ano foi proposto aos cidadãos da URSS um referendo sobre o destino do sistema de economia centralizada pelo Estado. O engodo usado pelo secretário-geral do Partido ainda dito Comunista Mickhail Gorbatchev conluiado com os interesses estrangeiros, foi o de que se tratava de um regresso ás práticas democráticas de Lenine - 78% dos votantes optaram pelo “sim” à continuidade da URSS. Como se veria, era um embuste.
Persistindo em actuar contra a vontade dos eleitores as tensões sociais agravaram-se, instalou-se o caos na economia, o acesso às necessidades básicas dos cidadãos foi boicotado. A 24 de Agosto houve uma intentona de golpe-de-estado levada a cabo por sectores liderados por altas-patentes militares em Moscovo. As forças armadas foram desgraçadamente divididas. É o momento em que os russos, privados do controlo operário sobre as hierarquias, rompem com os velhos hábitos de obediência, passividade e resignação, pensando reafirmar os seus direitos, dispostos a assumir as suas responsabilidades como cidadãos. Unidades inteiras recusaram-se a tomar parte na conservação do poder do Estado. Um grande número de tropas enviadas para cercar o parlamento russo deparou-se com uma multidão de 100.000 pessoas reunidas para defender o governo que tinha desertado para o lado de BorisYeltsin. O ministro da Defesa Dimitri Yazov e seu vice, Valentin Varennikov, foram presos. Três dias depois, face ao fracasso do golpe, o marechal Sergei Akhromeyev suicidou-se no seu gabinete do Kremlin.
O marechal Akhromeyev tinha dedicado toda a sua vida a três instituições: as Forças Armadas soviéticas, ao serviço das quais tinha sido ferido em Leningrado em 1941 e através de cujas fileiras tinha ascendido ao cargo de chefe do Estado-Maior Geral (entre 1984-1988); o Partido Comunista, ao qual havia aderido desde os anos 30 e em cujo Comité Central havia servido desde 1983; e à causa da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em si, fundada oficialmente um ano antes de seu nascimento, em 1923. Na sequência do fracasso do golpe em Moscovo todas essas três vertentes se tinham desintegrado. Yevgeny I. Shaposhnikov, o novo primeiro-ministro indigitado anunciou que 80 por cento dos oficiais das forças armadas deveriam ser substituídos por serem politicamente suspeitos. O traidor de serviço Gorbachev, ouvido o seu conselheiro para os assuntos militares, escreveu uma cíninca nota sobre o suicídio do marechal Akhromeyev : “Tudo aquilo por que tenho trabalhado foi destruído”. Em finais desse ano a situação tinha-se tornado insustentável. O Partido Comunista foi ilegalizado. Multidões entusiasmadas em Moscovo rejubilavam ao deitar por terra as estátuas de heróis da revolução socialista russa. Devido á negativa dos presidentes das Repúblicas da Comunidade de Estados Independentes para continuar a fazer parte da União Soviética e reconhecer os órgãos de poder central , a 25 de Dezembro de 1991 Gorbatchov optou por se demitir do cargo. Terminou deste modo uma experiência, mesmo assim um feito histórico único, que havia durado 74 anos.
Hoje, existem ainda muitas forças politicas dentro dos Estados Unidos que insistem em tratar a Rússia como uma potência perdedora, lembrando o facto ao actual presidente Vladimir Putin. Na época George Herbert Bush não tinha perdido tempo quando procurou explorar a situação para obter ganhos políticos domésticos, afirmando no discurso do Estado da União de 1992; "pela graça de Deus, a América ganhou a Guerra Fria." Os três presidentes seguintes tomaram essas palavras muito a sério e trataram a Rússia como vencida em vez de compreender que não foi a pura força e poder do establishment político dos EUA, mas sim o genocídio da economia revisionista socialista que derrubou a URSS. Os Estados Unidos começaram desde então a tornar-se cada vez mais agressivos em vez de inteligentes. O presidente Bill Clinton ordenou os bombardeamentos da NATO à Sérvia sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e defendeu a expansão do Pacto Atlântico para incluir antigos países do Pacto de Varsóvia e montar uma rede de bases militares que começaram a cercar e ameaçar mesmo de frente a Rússia.
Uma simples mistificação dos economistas da escola neoliberal norte-americana, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias de Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos. Neste sentido, só o Presente é nosso, não o momento passado nem aquele que aguardamos, porque um está destruido, e do outro, se não lutarmos, não sabemos se existirá.
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sábado, dezembro 26, 2015
sexta-feira, dezembro 18, 2015
Capitalismo? o extraordinário negócio de fabricar Pobres
"Não é a consciência dos homens que determina a sua existência, pelo contrário, é a sua existência social que determina a sua consciência" (Karl Marx)
“Apenas como personificação do capital o capitalista consegue parecer respeitável. Como tal, ele compartilha com o avarento uma ânsia absoluta pelo auto enriquecimento. Mas o que no avarento se evidencia como a mania de um individuo é no capitalista o efeito de um mecanismo social em que ele é apenas uma peça de engrenagem. Ademais, o desenvolvimento da produção capitalista torna necessário aumentar constantemente o capital desembolsado em determinado empreendimento; e a competição subordina todo o capitalista individual às leis emanentes da produção capitalista, passando a ser leis externas e coercivas” (Karl Marx)
“Dado que uma sociedade, segundo Adam Smith, não é feliz quando a maioria sofre... é necessário concluir que a meta da economia política é pôr termo à infelicidade na sociedade. Mas as únicas engrenagens accionadas pela economia política são a avidez pelo dinheiro e a guerra entre aqueles que padecem do mal da concorrência entre capitalistas” (Karl Marx)
“Apenas como personificação do capital o capitalista consegue parecer respeitável. Como tal, ele compartilha com o avarento uma ânsia absoluta pelo auto enriquecimento. Mas o que no avarento se evidencia como a mania de um individuo é no capitalista o efeito de um mecanismo social em que ele é apenas uma peça de engrenagem. Ademais, o desenvolvimento da produção capitalista torna necessário aumentar constantemente o capital desembolsado em determinado empreendimento; e a competição subordina todo o capitalista individual às leis emanentes da produção capitalista, passando a ser leis externas e coercivas” (Karl Marx)
“Dado que uma sociedade, segundo Adam Smith, não é feliz quando a maioria sofre... é necessário concluir que a meta da economia política é pôr termo à infelicidade na sociedade. Mas as únicas engrenagens accionadas pela economia política são a avidez pelo dinheiro e a guerra entre aqueles que padecem do mal da concorrência entre capitalistas” (Karl Marx)
terça-feira, setembro 15, 2015
nasceu uma estrela
No debate com António Costa diz-se que Catarina Martins venceu claramente. De facto ganham ambos, quem perde são sempre os ouvintes eleitores, impedidos de formar opinião por estes debates se passarem num canal de cabo com audiência restricta, em vez de em sinal aberto comforme obriga a Constituição e a Lei Eleitoral agora mandada às urtigas - para não citar a censura sobre os partidos sem representação no actual parlamento.
como no filme que lançou Judy Garland para o estrelato em Hollywood, Catarina Martins sonha atingir os pincaros da fama dentro do sistema politico nacional pretendendo casar com um velho actor decadente. Para chegar tão alto, ancorada no seu brilhantismo, a jovem conta com todo o dinheiro amealhado pela avó, uma convicta social-democrata. Na vida real começam aí os problemas, o velho astro Norman Maine não aguenta a pressão... (a star is dead)
Três pontos constam da proposta de namoro ao PS da porta-voz do Bloco dito de Esquerda, cuja não-aceitação por António Costa inviabiliza o casamento. 1. Re-estruturação da dívida pública iniciando um processo de negociação com a União Europeia. Costa discorda. Fica omisso que até o próprio FMI considera que as dívidas acima de 120% do PIB são impagáveis 2. Abandono da proposta de flexibilização do regime de contratação de trabalho que facilita ainda mais os despedimentos sem recurso à via judicial, através de acordos com os patrões como se tratasse de um acordo entre partes iguais. 3. Não aceitar cortes na TSU para os patrões nem novos cortes nas pensões para os trabalhadores, pondo em causa a Segurança Social, visando ampliar o négocio de seguros privados. Catarina afirma que no programa eleitoral do Partido dito Socialista constam novos cortes nas pensões num total de 1660 milhões de euros para os próximos 4 anos. Mas não é verdade, os cortes previstos se Costa for eleito somam 4210 milhões a menos na Segurança Social em 4 anos!
O que diz a própria direita sobre a sustentabilidade da Segurança Social: segundo os neoconservadores“As pensões e salários pagos pelo Estado ultrapassam os 70% da despesa pública, logo é aí que se tem que cortar”. É uma falácia. O número está, desde logo, errado: são 42,2% (OE 2014)... mas há que abater a parte que financia a sua componente contributiva (cerca de 2/3 da TSU). Assim sendo, o valor que sobra representa 8,1% da despesa das Administrações Públicas. (Bagão Felix,"Falácias e Mentiras sobre Pensões")
como no filme que lançou Judy Garland para o estrelato em Hollywood, Catarina Martins sonha atingir os pincaros da fama dentro do sistema politico nacional pretendendo casar com um velho actor decadente. Para chegar tão alto, ancorada no seu brilhantismo, a jovem conta com todo o dinheiro amealhado pela avó, uma convicta social-democrata. Na vida real começam aí os problemas, o velho astro Norman Maine não aguenta a pressão... (a star is dead)
Três pontos constam da proposta de namoro ao PS da porta-voz do Bloco dito de Esquerda, cuja não-aceitação por António Costa inviabiliza o casamento. 1. Re-estruturação da dívida pública iniciando um processo de negociação com a União Europeia. Costa discorda. Fica omisso que até o próprio FMI considera que as dívidas acima de 120% do PIB são impagáveis 2. Abandono da proposta de flexibilização do regime de contratação de trabalho que facilita ainda mais os despedimentos sem recurso à via judicial, através de acordos com os patrões como se tratasse de um acordo entre partes iguais. 3. Não aceitar cortes na TSU para os patrões nem novos cortes nas pensões para os trabalhadores, pondo em causa a Segurança Social, visando ampliar o négocio de seguros privados. Catarina afirma que no programa eleitoral do Partido dito Socialista constam novos cortes nas pensões num total de 1660 milhões de euros para os próximos 4 anos. Mas não é verdade, os cortes previstos se Costa for eleito somam 4210 milhões a menos na Segurança Social em 4 anos!
Minuto final Debate com António Costa Legislativas2015
Catarina Martins14 de Setembro de 2015
quarta-feira, junho 17, 2015
Grécia: Parlamento declara a Divida à troika "Ilegal, Ilegítima e Odiosa"
Invocando a dignidade da Cidadania e o interesse Comum do Povo Grego, a Comissão do Parlamento grego de Auditoria á Divida imposta pela Troika acaba de declarar essa divida "ilegal e ilegítima odiosa". Para a Coligação de Esquerda no governo, a dignidade das pessoas vale mais do que uma qualquer imposição de especuladores exigindo pagamentos insustentáveis sobre uma divida que deve ser sujeita a investigação criminal:
"Tendo concluído uma investigação preliminar, a Comissão considera que a Grécia tem sido e ainda é vítima de um ataque premeditado e organizado pelo Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia. Esta missão violenta, ilegal e imoral visou exclusivamente a mudança de dívida privada para o sector público do Estado. Estando este relatório preliminar à disposição das autoridades gregas e do povo grego, o Comité considera ter cumprido a primeira parte de sua missão, tal como definido na decisão do presidente do Parlamento de 4 de Abril de 2015. O Comité espera que o relatório seja um ferramenta útil para aqueles que querem sair da lógica destrutiva de austeridade e defender o que está em perigo hoje: os direitos humanos, a democracia, a dignidade das pessoas, e o futuro das gerações vindouras. Em resposta àqueles que impõem medidas injustas, o povo grego pode invocar o que Tucídides mencionou sobre a Constituição do povo de Atenas: "Quanto ao nome, é chamada de Democracia, para a administração deve ser executada com o objectivo dos interesses de muitos, não de uns poucos” (Péricles, "Oração Fúnebre”, do discurso de Tucídides sobre a História da Guerra do Peloponeso)” (noticia original)
"Tendo concluído uma investigação preliminar, a Comissão considera que a Grécia tem sido e ainda é vítima de um ataque premeditado e organizado pelo Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia. Esta missão violenta, ilegal e imoral visou exclusivamente a mudança de dívida privada para o sector público do Estado. Estando este relatório preliminar à disposição das autoridades gregas e do povo grego, o Comité considera ter cumprido a primeira parte de sua missão, tal como definido na decisão do presidente do Parlamento de 4 de Abril de 2015. O Comité espera que o relatório seja um ferramenta útil para aqueles que querem sair da lógica destrutiva de austeridade e defender o que está em perigo hoje: os direitos humanos, a democracia, a dignidade das pessoas, e o futuro das gerações vindouras. Em resposta àqueles que impõem medidas injustas, o povo grego pode invocar o que Tucídides mencionou sobre a Constituição do povo de Atenas: "Quanto ao nome, é chamada de Democracia, para a administração deve ser executada com o objectivo dos interesses de muitos, não de uns poucos” (Péricles, "Oração Fúnebre”, do discurso de Tucídides sobre a História da Guerra do Peloponeso)” (noticia original)
segunda-feira, abril 27, 2015
coisas que nós vemos nos 25 de Abris
À cabeça da manifestação na avenida seguem pacatamente lado a lado Jerónimo de Sousa e Vasco Lourenço, este último um dos notáveis envolvidos no desmantelamento do poder popular a 25 de novembro que por pouco não ilegalizou o partido do primeiro. PCP que se senta desde então pachorrentamente na assembleia dos donos disto tudo. Mais à frente o mesmo Vasco Lourenço salta fora para dar beijinhos e abraços ao próximo presidente da república Sampaio da Nóvoa - um belo exemplo a recordar Orwell, quem não conhece o passado, não percebe nada do presente e nem por sombras pode adivinhar o futuro - e do futuro já avisou Nóvoa em discurso directo: "os portugueses não podem esperar tempos fáceis nos próximos anos". Fica o aviso (e o Lourenço de Abril).
Para quem não sabe ou não se recorda, ainda antes do golpe-de-estado de Abril de 74 (em 1971) apareceu um Movimento apostado em Reorganizar o Partido do Proletariado, porque já desde então estava claramente à vista que as práticas reformistas do PCP atavam a Revolução à classe dominante. Como diz o povo: "eles ainda andem aí"... enquanto o tal Movimento viu os seus militantes presos pelo Copcon e foi impedido de concorrer às primeiras "eleições livres", só porque usava como simbolo a Foice e Martelo. O segundo golpe: 18 de Março de 1975, o Conselho da Contra-Revolução Ilegaliza e Proíbe MRPP de Concorrer às Eleições Constituintes.
Para quem não sabe ou não se recorda, ainda antes do golpe-de-estado de Abril de 74 (em 1971) apareceu um Movimento apostado em Reorganizar o Partido do Proletariado, porque já desde então estava claramente à vista que as práticas reformistas do PCP atavam a Revolução à classe dominante. Como diz o povo: "eles ainda andem aí"... enquanto o tal Movimento viu os seus militantes presos pelo Copcon e foi impedido de concorrer às primeiras "eleições livres", só porque usava como simbolo a Foice e Martelo. O segundo golpe: 18 de Março de 1975, o Conselho da Contra-Revolução Ilegaliza e Proíbe MRPP de Concorrer às Eleições Constituintes.
segunda-feira, abril 06, 2015
Produção, Circulação e Consumo na Globalização Imperialista
Há greve nas grandes superfícies comerciais na Grécia. Os trabalhadores exigem que o governo faça aprovar legislação no sentido de tornar o domingo como dia de descanso obrigatório durante todo o ano para todos os estabelecimentos de comércio retalhista, visando principalmente as grandes superfícies geridas pelos grandes grupos monopolistas do sector. É uma greve contra o Consumo, não é uma greve por melhores salários ou condições na Produção.
Quando hoje se fala na conquista dos "meios de produção" pela classe operária ou pelos "trabalhadores" - muitos se esquecem que na actual divisão internacional do trabalho, a essência do capitalismo determina-se em primeiro lugar não pela Produção (que cria Valor, mas atravessa uma crise de sobreprodução), mas pelo investimento artificial no Consumo - fabrica-se dinheiro em massa para o despejar sobre os consumidores para que estes comprem o que não podem (nem devem, nem precisam) a crédito nas catedrais do consumo, de onde resulta uma espécie de anti-Valor... que finalmente fará implodir o sistema. Tanto mais quanto a grande maioria da propriedade dos meios de produção estão fora da esfera nacional. A partir deste momento, a própria relação produção-consumo e satisfação das necessidades é deslocada para um outro patamar, diferente daquele que se encontrava presente desde o pensamento de Marx.
«e chegou enfim um tempo em que tudo o que os homens tinham olhado como inalienável se tornou objecto de troca, de tráfico, e podia alienar-se. É o tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas nunca trocadas; dadas, mas nunca vendidas; adquiridas, mas nunca compradas – virtude, amor, opinião, ciência, consciência, etc. – em que tudo enfim passou para o comércio. É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal» (Karl Marx, 1867)
Dentro da esfera nacional, a teoria revisionista do desenvolvimento das forças produtivas na URSS, considerando que a luta de classes terminaria acto continuo à tomada do poder, tinha por trás a política que impôs a transformação da ditadura do proletariado em " Estado de todo o povo". Mas a estatização sob um poder único dos “meios de produção” não é sinónimo de socialismo, porque não considera a simpatia e apetência pelo consumo induzido a partir do exterior durante o período de transição entre o capitalismo e o comunismo. Na análise marxista nesse periodo prevalece a necessidade da ditadura do proletariado, principalmente sobre o Consumo, quando estes bens não possam ser supridos pela produção nacional – aqui prevalece a tese de Marx, de cada um consoante as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades, Nesta perspectiva, a construção socialista exige uma luta política e ideológica permanente para garantir a participação activa das massas a todos os niveis (2). Ou seja, a prática real da ditadura do proletariado, que significa ditadura para uma minoria, e a mais ampla de democracia para a maioria. Esta luta tem como nó central no plano teórico abater a teoria revisionista burguesa do “só desenvolvimento das forças produtivas”. A contradição fundamental na construção do socialismo é a que opôe as relações sociais impostas pelos interesses dos trabalhadores à desactualização das forças produtivas.
(1) a ler, “Sociedade de consumo, modernidade e globalização”
(2) a seguir, "Contributos do Maoismo para a teoria Revolucionária"
Quando hoje se fala na conquista dos "meios de produção" pela classe operária ou pelos "trabalhadores" - muitos se esquecem que na actual divisão internacional do trabalho, a essência do capitalismo determina-se em primeiro lugar não pela Produção (que cria Valor, mas atravessa uma crise de sobreprodução), mas pelo investimento artificial no Consumo - fabrica-se dinheiro em massa para o despejar sobre os consumidores para que estes comprem o que não podem (nem devem, nem precisam) a crédito nas catedrais do consumo, de onde resulta uma espécie de anti-Valor... que finalmente fará implodir o sistema. Tanto mais quanto a grande maioria da propriedade dos meios de produção estão fora da esfera nacional. A partir deste momento, a própria relação produção-consumo e satisfação das necessidades é deslocada para um outro patamar, diferente daquele que se encontrava presente desde o pensamento de Marx.
«e chegou enfim um tempo em que tudo o que os homens tinham olhado como inalienável se tornou objecto de troca, de tráfico, e podia alienar-se. É o tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas nunca trocadas; dadas, mas nunca vendidas; adquiridas, mas nunca compradas – virtude, amor, opinião, ciência, consciência, etc. – em que tudo enfim passou para o comércio. É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal» (Karl Marx, 1867)
Dentro da esfera nacional, a teoria revisionista do desenvolvimento das forças produtivas na URSS, considerando que a luta de classes terminaria acto continuo à tomada do poder, tinha por trás a política que impôs a transformação da ditadura do proletariado em " Estado de todo o povo". Mas a estatização sob um poder único dos “meios de produção” não é sinónimo de socialismo, porque não considera a simpatia e apetência pelo consumo induzido a partir do exterior durante o período de transição entre o capitalismo e o comunismo. Na análise marxista nesse periodo prevalece a necessidade da ditadura do proletariado, principalmente sobre o Consumo, quando estes bens não possam ser supridos pela produção nacional – aqui prevalece a tese de Marx, de cada um consoante as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades, Nesta perspectiva, a construção socialista exige uma luta política e ideológica permanente para garantir a participação activa das massas a todos os niveis (2). Ou seja, a prática real da ditadura do proletariado, que significa ditadura para uma minoria, e a mais ampla de democracia para a maioria. Esta luta tem como nó central no plano teórico abater a teoria revisionista burguesa do “só desenvolvimento das forças produtivas”. A contradição fundamental na construção do socialismo é a que opôe as relações sociais impostas pelos interesses dos trabalhadores à desactualização das forças produtivas.
(1) a ler, “Sociedade de consumo, modernidade e globalização”
(2) a seguir, "Contributos do Maoismo para a teoria Revolucionária"
sexta-feira, março 13, 2015
o 11 de Março, visto 40 anos depois, expurgado das famosas "faltas de memória" ultimamente tão em voga
O general Spínola havia provocado a revolta contra o Movimento das Forças Armadas em Tancos e mandara avançar forças sobre Lisboa, convencido que poderia conseguir um levantamento de outras unidades, descontentes com a progressão da revolução para o socialismo.
Estavam previstas as primeiras eleições livres para Abril de 1975, quando começou a circular o famoso boato da lista "Matança da Páscoa" visando a direita reaccionária. Nunca ninguém viu semelhante “lista”, tratava-se de contra-informação. No dia 3 de Março o jornal “A Capital” informava que havia um golpe-de-Estado em preparação que contava com o apoio da CIA e da República Federal da Alemanha (onde o PS tinha sido fundado. Através da germânica Fundação Friedrich Ebert havia entregas de dinheiro a Vitor Constâncio para financiar o PS exigindo como contrapartida que Mário Soares não se aliasse ao Partido Comunista. Frank Carlucci marcou um almoço para esse mesmo dia 11 de Março com Rosa Coutinho, o mesmo Rosa Coutinho que, depois, ficou com a tarefa de elaborar um relatório sobre os acontecimentos do 11 de Março. (1) Não foi só "A Capital" que deu antecipadamente a noticia do golpe. No dia 6 de Março a revista francesa "Témoignage Chrétien” anunciava a trama em preparação pelos spinolistas . Nas eleições para o Conselho das Armas e Serviços do Exército, nomes sonantes do 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho , Melo Antunes, Franco Charais e Vasco Lourenço não são reeleitos e para os seus lugares são "eleitos" oficiais spinolistas. "Achei esses resultados encorajadores” disse Mário Soares em entrevista dada a Maria João Avilez. De facto Mário Soares tinha conhecimento através dos serviços de informação das Forças Armadas sobre a preparação do putsch. (2) O objectivo era substituir Costa Gomes alçando de novo Spínola a Chefe de Estado, suspender a Assembleia Constituinte, alterar a data das eleições para Novembro num acto eleitoral que escolheria de uma só vez o Presidente da Republica, uma Constituição e um Programa de Governo e ainda os deputados duma designada Assembleia Nacional (em defesa dos valores dos patrões da nação).
Nesse mesmo dia, na Editora Arcádia em Lisboa, Mário Soares assinava os primeiros exemplares da edição portuguesa do seu livro "Portugal Amordaçado". Por cima os caças faziam voos rasantes sobre o Ralis. O novo poder tencionava prender todos os militares considerados revolucionários e ilegalizar o PCP, tido por esta tropa politicamente analfabeta como um partido comunista e não uma associação revisionista disposta a vender a alma à Aliança Povo-MFA, em vez da aliança Operários-Camponeses, e a toda a espécie de conluios com a burguesia que após a queda do fascismo se perfilou atrás de Mário Soares. A tensão político-militar atingiu o seu ponto extremo e culminou com a patética rendição dos pára-quedistas em frente ao RAL1, sob a mediação do comandante Luís Costa Correia e com a fuga de Spínola para Espanha.
Relatado posteriormente no livro “Segredos de Abril” escrito por fonte próxima de Soares, “revelava-se” que na verdade o 11 de Março que saíu não era o que estava preparado pelos spinolistas - foi o que estava contido na frase «é preciso picar o bicho» - uma conspiração pensada pelo P”C”P para obrigar a reacção a mostrar os dentes e aproveitar o ensejo para levar a cabo um contra-golpe (4). Longe de todas estas tramóias estavam os verdadeiros comunistas (pejorativamente designados por extremistas de esquerda) envolvidos em todas as frentes das lutas populares, ocupando fábricas, expropriando latifúndios agrários, saneando fascistas, espulsando os oligarcas. Enquanto o P”C”P tentava travar as justas lutas do povo em nome das suas alianças com o MFA e a promessa de uma “maioria de esquerda” com o PS, havia por todo o país protestos anti-“comunistas” e sedes do P”C”P a arder… mas apesar da percepção do ódio do povo pelo revisionismo social-fascista, nesse dia o regime saído do 25 de Abril rumava a um reforço do autoritarismo do Estado e o Partido dito Socialista saiu incólume da situação do tal golpe que há muito estava a ser preparado, não pela “extrema-esquerda” mas pelos parceiros do PS na Europa e nos EUA (5)
“Esse contra-golpe escolheu imediatamente como inimigo a abater o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), por se tratar do único Partido, com forte apoio da classe operária e da juventude, que ousava desmascarar as manobras de assalto ao poder por parte do PCP e as terríveis consequências que uma ditadura social-fascista representaria para o movimento operário e ainda por ser o único Partido que, em alternativa, defendia a necessidade de levar até ao fim uma revolução democrática e popular, que levasse a cabo o total desmantelamento do aparelho de estado fascista e das suas polícias e realizasse as aspirações dos trabalhadores e do povo ao Pão, à Paz, à Terra, à Liberdade, à Democracia e à Independência Nacional . Foi em aplicação deste sinistro desígnio do PCP e de um sector do MFA por ele controlado que o MRPP viria a ser ilegalizado, impedido de participar nas chamadas primeiras eleições da "Democracia" e, posteriormente, objecto do assalto às suas sedes e da prisão de centenas de militantes e simpatizantes seus. Pese os malabarismos de historiadores de pacotilha não hão-de apagar a memória do povo que somos (6)
fontes
(1) Frederico Duarte de Carvalho (2) Francisco Seixas da Costa (3) Manuel Duran Clemente (4) “Segredos de Abril” de Jose Manuel R Barroso (5) O "segredo" do 11 de Março (6) "Luta Popular": o Golpe Fascista e o Contra-Golpe Social-Fascista
Estavam previstas as primeiras eleições livres para Abril de 1975, quando começou a circular o famoso boato da lista "Matança da Páscoa" visando a direita reaccionária. Nunca ninguém viu semelhante “lista”, tratava-se de contra-informação. No dia 3 de Março o jornal “A Capital” informava que havia um golpe-de-Estado em preparação que contava com o apoio da CIA e da República Federal da Alemanha (onde o PS tinha sido fundado. Através da germânica Fundação Friedrich Ebert havia entregas de dinheiro a Vitor Constâncio para financiar o PS exigindo como contrapartida que Mário Soares não se aliasse ao Partido Comunista. Frank Carlucci marcou um almoço para esse mesmo dia 11 de Março com Rosa Coutinho, o mesmo Rosa Coutinho que, depois, ficou com a tarefa de elaborar um relatório sobre os acontecimentos do 11 de Março. (1) Não foi só "A Capital" que deu antecipadamente a noticia do golpe. No dia 6 de Março a revista francesa "Témoignage Chrétien” anunciava a trama em preparação pelos spinolistas . Nas eleições para o Conselho das Armas e Serviços do Exército, nomes sonantes do 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho , Melo Antunes, Franco Charais e Vasco Lourenço não são reeleitos e para os seus lugares são "eleitos" oficiais spinolistas. "Achei esses resultados encorajadores” disse Mário Soares em entrevista dada a Maria João Avilez. De facto Mário Soares tinha conhecimento através dos serviços de informação das Forças Armadas sobre a preparação do putsch. (2) O objectivo era substituir Costa Gomes alçando de novo Spínola a Chefe de Estado, suspender a Assembleia Constituinte, alterar a data das eleições para Novembro num acto eleitoral que escolheria de uma só vez o Presidente da Republica, uma Constituição e um Programa de Governo e ainda os deputados duma designada Assembleia Nacional (em defesa dos valores dos patrões da nação).
Nesse mesmo dia, na Editora Arcádia em Lisboa, Mário Soares assinava os primeiros exemplares da edição portuguesa do seu livro "Portugal Amordaçado". Por cima os caças faziam voos rasantes sobre o Ralis. O novo poder tencionava prender todos os militares considerados revolucionários e ilegalizar o PCP, tido por esta tropa politicamente analfabeta como um partido comunista e não uma associação revisionista disposta a vender a alma à Aliança Povo-MFA, em vez da aliança Operários-Camponeses, e a toda a espécie de conluios com a burguesia que após a queda do fascismo se perfilou atrás de Mário Soares. A tensão político-militar atingiu o seu ponto extremo e culminou com a patética rendição dos pára-quedistas em frente ao RAL1, sob a mediação do comandante Luís Costa Correia e com a fuga de Spínola para Espanha.
Relatado posteriormente no livro “Segredos de Abril” escrito por fonte próxima de Soares, “revelava-se” que na verdade o 11 de Março que saíu não era o que estava preparado pelos spinolistas - foi o que estava contido na frase «é preciso picar o bicho» - uma conspiração pensada pelo P”C”P para obrigar a reacção a mostrar os dentes e aproveitar o ensejo para levar a cabo um contra-golpe (4). Longe de todas estas tramóias estavam os verdadeiros comunistas (pejorativamente designados por extremistas de esquerda) envolvidos em todas as frentes das lutas populares, ocupando fábricas, expropriando latifúndios agrários, saneando fascistas, espulsando os oligarcas. Enquanto o P”C”P tentava travar as justas lutas do povo em nome das suas alianças com o MFA e a promessa de uma “maioria de esquerda” com o PS, havia por todo o país protestos anti-“comunistas” e sedes do P”C”P a arder… mas apesar da percepção do ódio do povo pelo revisionismo social-fascista, nesse dia o regime saído do 25 de Abril rumava a um reforço do autoritarismo do Estado e o Partido dito Socialista saiu incólume da situação do tal golpe que há muito estava a ser preparado, não pela “extrema-esquerda” mas pelos parceiros do PS na Europa e nos EUA (5)
“Esse contra-golpe escolheu imediatamente como inimigo a abater o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), por se tratar do único Partido, com forte apoio da classe operária e da juventude, que ousava desmascarar as manobras de assalto ao poder por parte do PCP e as terríveis consequências que uma ditadura social-fascista representaria para o movimento operário e ainda por ser o único Partido que, em alternativa, defendia a necessidade de levar até ao fim uma revolução democrática e popular, que levasse a cabo o total desmantelamento do aparelho de estado fascista e das suas polícias e realizasse as aspirações dos trabalhadores e do povo ao Pão, à Paz, à Terra, à Liberdade, à Democracia e à Independência Nacional . Foi em aplicação deste sinistro desígnio do PCP e de um sector do MFA por ele controlado que o MRPP viria a ser ilegalizado, impedido de participar nas chamadas primeiras eleições da "Democracia" e, posteriormente, objecto do assalto às suas sedes e da prisão de centenas de militantes e simpatizantes seus. Pese os malabarismos de historiadores de pacotilha não hão-de apagar a memória do povo que somos (6)
fontes
(1) Frederico Duarte de Carvalho (2) Francisco Seixas da Costa (3) Manuel Duran Clemente (4) “Segredos de Abril” de Jose Manuel R Barroso (5) O "segredo" do 11 de Março (6) "Luta Popular": o Golpe Fascista e o Contra-Golpe Social-Fascista
quinta-feira, fevereiro 26, 2015
à espera de Maio para ver o que acontece
Richard Seymour no Esquerda.net (...) dificilmente se pode pôr as culpas de tudo isto no Syriza. Eles estão numa posição de fraqueza e é duvidoso que qualquer governo tivesse conseguido melhor contra uma UE determinada a humilhar a Grécia. Ainda assim, a linha de Tsipras e Varoufakis é simplesmente insustentável. O seu compromisso em tentar resolver esta crise no quadro do euro só pode fracassar. Eles estavam errados ao pensarem que encontrariam um único aliado ou interlocutor na UE. Os governos do sul da Europa são ainda mais fanáticos que Berlim nesta matéria.
Hollande, longe de ser uma cara amigável, disse logo ao Syriza para esquecer isso: ele tomou a sua decisão sobre a austeridade já há algum tempo.
A questão da moeda, então, não era apenas uma distracção nacionalista como alguns diziam: conseguir a eleição de um governo com o objetivo concreto de confrontar a UE e lutar para derrubar a austeridade iria sempre confrontar-se com esta questão. A alternativa, a que podemos chamar uma Grexit do Povo, está longe de ser simples, como sublinha Dave Renton no mais recente post sobre a Grécia - o Syriza não tem desmobilizado os movimentos sociais, têm-os ajudado a crescer - Os riscos económicos seriam consideráveis. Iria ser necessária não apenas preparação económica, ou jogos de guerra secretos, mas também preparativos sociais e políticos enormes. Seria precisa a mobilização de um movimento de trabalhadores que tem estado relativamente sossegado desde 2012. E seria necessário um governo disposto a arriscar o isolamento político e económico dos parceiros comerciais e uma luta até ao fim com os oligarcas, a Direita e os aparelhos repressivos do Estado pelo futuro da sociedade grega (... Esquerda.net)
quinta-feira, fevereiro 05, 2015
Comunismo, Revisionismo, Capitalismo
Acaba de ser revelado um plano mantido em segredo concebido pela China de Mao Tsé-Tung em 1955 para superar os Estados Unidos dentro de 100 anos. Um programa baseado na tradição milenar da arte de governar chinesa, adaptando-a posteriormente à modernidade muito por influência da célebre visita de Nixon e Kissinger àa China na década de 70. Já passou mais de metade de um século e o êxito de uma economia planificada como player global face à selvajaria capitalista mundial é já bem visível. Nesse documento, escrevia Mao sobre a principal tarefa da Revolução: "vamos acabar com a crença errónea generalizada de que China é um país atrasado, pobre e introspectivo” (ler mais). Neste contexto, faz todo o sentido revisitar as etapas divergentes que resultaram do conflito ideológico entre o Partido Comunista da China e o Partido Comunista da URSS.
No início do ensaio "Duas Revoluções", publicado na New Left Review há cinco anos, Perry Anderson descreveu o seu objectivo como uma explicação do contraste entre os resultados históricos das revoluções comunistas russa e chinesa. A sua tentativa envolveu a reflexão em quatro níveis: forças revolucionários originais; pontos de partida objectivos para a reforma; escolhas políticas durante a reforma e suas consequências; e a longo prazo a determinante cultural-histórica. Pode-se assim esperar um tratamento simétrico das duas revoluções, mas isto não é o que se seguiu. "o Partido Comunista da China sobreviveu à queda URSS, comenta Anderson, e o seu futuro coloca talvez o maior enigma central da actual política mundial. O foco organizador do que se segue será a China, que não se reviu no regime reformista burocrata do capitalismo de Estado russo. Por outras palavras, o desfecho do caso russo ajudou a lançar luz sobre as decisões politicas chinesas, mas o contrário não se tinha verificado, para mal dos russos. A União Soviética falhou, e seu fracasso serviu como testamento para o sucesso da República Popular da China. ("The Party and its Sucess Story, by Wang Chaohua)A Response to ‘Two Revolutions’
O relato de Anderson do “Southern Tour of 1992” de Deng Tsiau Ping aparece como o ponto de ruptura fundamental, quando a China finalmente virou a sua orientação socialista interna e abraçou o mainstream do capitalismo mundial. Mas, como observado anteriormente, pelo menos desde 1987, Deng já tinha resolutamente abraçado o desenvolvimento económico como tarefa central do Partido. Para Deng e para o PCC, o significado mais importante e duradouro da “Revolta” de Tiananmen foi que se cancelou a necessidade de justificar posições políticas ao velho discurso "socialista", um convite para perguntas irritantes. "Socialismo" passou agora simplesmente a significar que o Partido iria permanecer no poder a todo o custo, como garante da Constituição Socialista. Foi na sequência de Tiananmen que se tornou possível a Deng propagar o slogan: "a Estabilidade acima de todo o resto" (wending yadao yiqie). Foi neste contexto que Deng ordenou aos decisores políticos para parar a conversa fútil sobre o 'capital socialista' e 'capital capitalista'.
Para entender isto, é útil olhar novamente para a Rússia. A comparação de Anderson entre os dois países rompe-se neste momento, pela razão de que a União Soviética deixou de existir em 1991. Mas mesmo a Rússia pós-soviética talvez possa ter algo importante a dizer-nos sobre a China pós-maoísta. A perestroika foi claramente a reforma política privilegiada sobre a reforma económica, enquanto na China a reforma económica foi a prioridade a todos os niveis, sendo o factor politico sacrificado à economia. O primeiro caminho levou, na análise padrão, a completar o desastre, o segundo para um sucesso espectacular. Medido pelo crescimento do PIB, o contraste é evidente. Mas há um outro lado da história que geralmente é negligenciada. Nas duas sociedades, quem suportou os custos da reforma? Na URSS, porque a mudança política veio primeiro, garantindo pelo menos a liberdade de expressão (e, em certa medida de organização), com várias opções a escolher nas urnas, era difícil para o Estado lançar todas as responsabilidades para o bem-estar social. Mesmo após o colapso da União Soviética, e da celebração aberta do capitalismo em uníssono pelos Governantes e pelos Media, os Estados sucessores mantiveram quase invariavelmente, de algum modo e dentro do possível, os programas públicos de educação e cuidados de saúde herdados do tempo de vida da URSS.
Em contrapartida, ao colocar a reforma económica em primeiro (e último) lugar, a liderança chinesa empenhou-se em reduzir os encargos do Estado, quebrando sem qualquer preconceito moral e de modo dialéctico as promessas políticas da República Popular e suas classes trabalhadoras unidas como um todo metafisico. Bem antes da inflação de 1988, numa altura em que Deng cooperava ainda de forma amigável com Zhao, o governo central já estava a preparar legislação sobre falências de empresas inviáveis e esquemas para o marketing de trabalho e mercado de habitação, sem se preocupar com a opinião pública, opções geralmente aceites por se tratar de libertar os meios de produção do espartilho do Estado, globalizando a sua influência a nível de mercado mundial.
No início do ensaio "Duas Revoluções", publicado na New Left Review há cinco anos, Perry Anderson descreveu o seu objectivo como uma explicação do contraste entre os resultados históricos das revoluções comunistas russa e chinesa. A sua tentativa envolveu a reflexão em quatro níveis: forças revolucionários originais; pontos de partida objectivos para a reforma; escolhas políticas durante a reforma e suas consequências; e a longo prazo a determinante cultural-histórica. Pode-se assim esperar um tratamento simétrico das duas revoluções, mas isto não é o que se seguiu. "o Partido Comunista da China sobreviveu à queda URSS, comenta Anderson, e o seu futuro coloca talvez o maior enigma central da actual política mundial. O foco organizador do que se segue será a China, que não se reviu no regime reformista burocrata do capitalismo de Estado russo. Por outras palavras, o desfecho do caso russo ajudou a lançar luz sobre as decisões politicas chinesas, mas o contrário não se tinha verificado, para mal dos russos. A União Soviética falhou, e seu fracasso serviu como testamento para o sucesso da República Popular da China. ("The Party and its Sucess Story, by Wang Chaohua)A Response to ‘Two Revolutions’
O relato de Anderson do “Southern Tour of 1992” de Deng Tsiau Ping aparece como o ponto de ruptura fundamental, quando a China finalmente virou a sua orientação socialista interna e abraçou o mainstream do capitalismo mundial. Mas, como observado anteriormente, pelo menos desde 1987, Deng já tinha resolutamente abraçado o desenvolvimento económico como tarefa central do Partido. Para Deng e para o PCC, o significado mais importante e duradouro da “Revolta” de Tiananmen foi que se cancelou a necessidade de justificar posições políticas ao velho discurso "socialista", um convite para perguntas irritantes. "Socialismo" passou agora simplesmente a significar que o Partido iria permanecer no poder a todo o custo, como garante da Constituição Socialista. Foi na sequência de Tiananmen que se tornou possível a Deng propagar o slogan: "a Estabilidade acima de todo o resto" (wending yadao yiqie). Foi neste contexto que Deng ordenou aos decisores políticos para parar a conversa fútil sobre o 'capital socialista' e 'capital capitalista'.
Para entender isto, é útil olhar novamente para a Rússia. A comparação de Anderson entre os dois países rompe-se neste momento, pela razão de que a União Soviética deixou de existir em 1991. Mas mesmo a Rússia pós-soviética talvez possa ter algo importante a dizer-nos sobre a China pós-maoísta. A perestroika foi claramente a reforma política privilegiada sobre a reforma económica, enquanto na China a reforma económica foi a prioridade a todos os niveis, sendo o factor politico sacrificado à economia. O primeiro caminho levou, na análise padrão, a completar o desastre, o segundo para um sucesso espectacular. Medido pelo crescimento do PIB, o contraste é evidente. Mas há um outro lado da história que geralmente é negligenciada. Nas duas sociedades, quem suportou os custos da reforma? Na URSS, porque a mudança política veio primeiro, garantindo pelo menos a liberdade de expressão (e, em certa medida de organização), com várias opções a escolher nas urnas, era difícil para o Estado lançar todas as responsabilidades para o bem-estar social. Mesmo após o colapso da União Soviética, e da celebração aberta do capitalismo em uníssono pelos Governantes e pelos Media, os Estados sucessores mantiveram quase invariavelmente, de algum modo e dentro do possível, os programas públicos de educação e cuidados de saúde herdados do tempo de vida da URSS.
Em contrapartida, ao colocar a reforma económica em primeiro (e último) lugar, a liderança chinesa empenhou-se em reduzir os encargos do Estado, quebrando sem qualquer preconceito moral e de modo dialéctico as promessas políticas da República Popular e suas classes trabalhadoras unidas como um todo metafisico. Bem antes da inflação de 1988, numa altura em que Deng cooperava ainda de forma amigável com Zhao, o governo central já estava a preparar legislação sobre falências de empresas inviáveis e esquemas para o marketing de trabalho e mercado de habitação, sem se preocupar com a opinião pública, opções geralmente aceites por se tratar de libertar os meios de produção do espartilho do Estado, globalizando a sua influência a nível de mercado mundial.
quarta-feira, fevereiro 04, 2015
a contra revolução em marcha na Venezuela
Muito se fala, a propósito das actuais possibilidades de revolução, na organização “das massas”. É verdade, não há libertadores, é cada povo por si, pela organização política que escolhe ou por que é submetido à exploração dos capitalistas, que se liberta, ou permanece subjugado. Antes do mais, é necessário definir o que se entende hoje em dia por “massas” (reunidas em classes como se fossem heterogéneas) e se a sua suposta “organização” é suficiente, ou sequer o principal imperativo para revolucionar o sistema.
Na Venezuela a chamada “Revolução Bolivariana”, aka o “socialismo do século XXI, leva 16 anos de existência. Desde 1999 Hugo Chávez implantou um programa de governo o combate à pobreza tendo como suporte financeiro as receitas da nacionalização do petróleo. Criou-se um mundo alegadamente independente do da grande burguesia. As “massas” organizaram-se nas “missiones” e cooperativas, nas mais diversas áreas, na reforma agrária tomando posse de milhões de hectares entregues aos trabalhadores, no Ensino, irradicando o analfabetismo, na Saúde pública e assistência social pelas redes comunitárias de participação popular dos “Barrios Adentro” beneficiando as camadas mais pobres da população, a desigualdade diminuiu, as reivindicações das comissões de trabalhadores conseguiram aumentos substanciais do salário mínimo. Houve um grande número de eleições e referendos populares, reiterando sempre o carácter democrático do regime. O governo promoveu relações bilaterais com os governos progressistas latino-americanos visando uma união (a Alca) capaz de enfrentar o imperialismo. (ler mais)
Mas basta a queda abrupta dos preços do petróleo para que tudo esteja a ser posto em causa. As receitas esperadas por via das exportações de petróleo este ano irão baixar para 28 biliões de dólares. Enquanto para o pagamento dos juros da dívida externa são exigidos 10 biliões de dólares. A impossibilidade de recorrer aos mercados de capitais internacionais, por via do boicote norte-americano, significa que haverá uma drástica restrição de importações e da actividade económica. Prevê-se uma queda de 7% do PIB da Venezuela em 2015.
Porque colapsa então esta possibilidade de instaurar este modelo de socialismo de cunho nacional assente na ideologia de libertação bolivariana? Primeiro que tudo, recordar que Karl Marx condenou Simon Bolivar como traidor, ao emancipar-se da sorte da classe operária do país colonizador para criar uma grande burguesia de negócios locais, “independentes”. Na Venezuela do século XXI esta classe dominante mantém a sua idiossincracia original. Em 16 anos o Chavismo não tocou com um dedo no regime de propriedade privada, que sustenta maioritariamente o emprego dependente dos investidores capitalistas aliados ao capital financeiro internacional. A imensa maioria dos grupos de comunicação é privada e portanto contrária ao regime. É quanto basta para que se lançasse a Venezuela numa séria crise de abastecimento decorrente do boicote internacional ao qual se aliam os grandes comerciantes das cadeias de distribuição do país. Para a classe possidente organizada em torno da direita, o principal objectivo é deitar mão às possibilidades de recuperação para os seus negócios de tudo o que foi entretanto criado no âmbito da propriedade dos bens comuns. Apesar das denúncias dos açambarcamentos ilegais, verificam-se grandes filas de horas de espera para adquirir bens essenciais. O descontentamento aumenta, a base social de apoio ao governo desmorona-se.
¿Repetir-se-á contra Nicolás Maduro o mesmo tipo de golpe que foi perpretado contra Salvador Allende nos anos 70? No Chile foi o boicote económico financeiro e a política monetária de emissão de dinheiro que conduziu o país a uma situação de hiperinflação e à subsequente crise de desabastecimento. A queda na obtenção de divisas aliada aos constrangimentos económicos sobre as importações, nunca substituidas por uma política de soberania alimentar, leva o executivo venezuelano a escudar-se na “conspiração nacional de internacional similar à que foi aplicada no Chile”. Há um golpe-de-estado em tempo real em marcha na Venezuela por via das sanções decretadas pelos EUA, encaixando todas as peças como é habitual nos filmes da CIA. As infiltrações aumentam, os rumores circulam, a mentalidade de pânico ameaça superar a lógica da “organização das massas”. Há uma quinta coluna infiltrada através das redes de cabo e internet a partir dos EUA/Canadá. A oposição acusava Chávez, e agora Maduro de querer implantar um regime comunista à semelhança de Cuba. Os títulos dos Media gritam “perigo”, jornais como o New York Times publicam editoriais desacreditando e ridicularizando o presidente Maduro, qualificando-o de errático e despótico. Noutro artigo o NYT ataca a indústria petrolífera predizendo a sua queda, sempre na mira de deitar mão à maior mina de ouro negro da região. No mesmo dia o porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos condenou a suposta “criminalização da dissidência política na Venezuela”. Trata-se dos mesmos vergonhosos agentes que aplaudiram o violento golpe-de-estado de 2002, mas quando Chávez regressou ao poder dias depois lhe pediram para “governar responsavelmente”, uma vez que tinha sido ele com a sua politica o causador do golpe. (Eva Golinger)
Na Venezuela a chamada “Revolução Bolivariana”, aka o “socialismo do século XXI, leva 16 anos de existência. Desde 1999 Hugo Chávez implantou um programa de governo o combate à pobreza tendo como suporte financeiro as receitas da nacionalização do petróleo. Criou-se um mundo alegadamente independente do da grande burguesia. As “massas” organizaram-se nas “missiones” e cooperativas, nas mais diversas áreas, na reforma agrária tomando posse de milhões de hectares entregues aos trabalhadores, no Ensino, irradicando o analfabetismo, na Saúde pública e assistência social pelas redes comunitárias de participação popular dos “Barrios Adentro” beneficiando as camadas mais pobres da população, a desigualdade diminuiu, as reivindicações das comissões de trabalhadores conseguiram aumentos substanciais do salário mínimo. Houve um grande número de eleições e referendos populares, reiterando sempre o carácter democrático do regime. O governo promoveu relações bilaterais com os governos progressistas latino-americanos visando uma união (a Alca) capaz de enfrentar o imperialismo. (ler mais)
Mas basta a queda abrupta dos preços do petróleo para que tudo esteja a ser posto em causa. As receitas esperadas por via das exportações de petróleo este ano irão baixar para 28 biliões de dólares. Enquanto para o pagamento dos juros da dívida externa são exigidos 10 biliões de dólares. A impossibilidade de recorrer aos mercados de capitais internacionais, por via do boicote norte-americano, significa que haverá uma drástica restrição de importações e da actividade económica. Prevê-se uma queda de 7% do PIB da Venezuela em 2015.
Porque colapsa então esta possibilidade de instaurar este modelo de socialismo de cunho nacional assente na ideologia de libertação bolivariana? Primeiro que tudo, recordar que Karl Marx condenou Simon Bolivar como traidor, ao emancipar-se da sorte da classe operária do país colonizador para criar uma grande burguesia de negócios locais, “independentes”. Na Venezuela do século XXI esta classe dominante mantém a sua idiossincracia original. Em 16 anos o Chavismo não tocou com um dedo no regime de propriedade privada, que sustenta maioritariamente o emprego dependente dos investidores capitalistas aliados ao capital financeiro internacional. A imensa maioria dos grupos de comunicação é privada e portanto contrária ao regime. É quanto basta para que se lançasse a Venezuela numa séria crise de abastecimento decorrente do boicote internacional ao qual se aliam os grandes comerciantes das cadeias de distribuição do país. Para a classe possidente organizada em torno da direita, o principal objectivo é deitar mão às possibilidades de recuperação para os seus negócios de tudo o que foi entretanto criado no âmbito da propriedade dos bens comuns. Apesar das denúncias dos açambarcamentos ilegais, verificam-se grandes filas de horas de espera para adquirir bens essenciais. O descontentamento aumenta, a base social de apoio ao governo desmorona-se.
¿Repetir-se-á contra Nicolás Maduro o mesmo tipo de golpe que foi perpretado contra Salvador Allende nos anos 70? No Chile foi o boicote económico financeiro e a política monetária de emissão de dinheiro que conduziu o país a uma situação de hiperinflação e à subsequente crise de desabastecimento. A queda na obtenção de divisas aliada aos constrangimentos económicos sobre as importações, nunca substituidas por uma política de soberania alimentar, leva o executivo venezuelano a escudar-se na “conspiração nacional de internacional similar à que foi aplicada no Chile”. Há um golpe-de-estado em tempo real em marcha na Venezuela por via das sanções decretadas pelos EUA, encaixando todas as peças como é habitual nos filmes da CIA. As infiltrações aumentam, os rumores circulam, a mentalidade de pânico ameaça superar a lógica da “organização das massas”. Há uma quinta coluna infiltrada através das redes de cabo e internet a partir dos EUA/Canadá. A oposição acusava Chávez, e agora Maduro de querer implantar um regime comunista à semelhança de Cuba. Os títulos dos Media gritam “perigo”, jornais como o New York Times publicam editoriais desacreditando e ridicularizando o presidente Maduro, qualificando-o de errático e despótico. Noutro artigo o NYT ataca a indústria petrolífera predizendo a sua queda, sempre na mira de deitar mão à maior mina de ouro negro da região. No mesmo dia o porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos condenou a suposta “criminalização da dissidência política na Venezuela”. Trata-se dos mesmos vergonhosos agentes que aplaudiram o violento golpe-de-estado de 2002, mas quando Chávez regressou ao poder dias depois lhe pediram para “governar responsavelmente”, uma vez que tinha sido ele com a sua politica o causador do golpe. (Eva Golinger)
quarta-feira, dezembro 17, 2014
salir de Cuba... "é muito bom, hoje é o primeiro dia do Hanukkah...
... e para mim este é o melhor Hanukkah de sempre que irei celebrar" - Alan Gross, na qualidade de cidadão norte-americano ao pôr os pés em terra deixa escapar um segundo desabafo: "como é uma dádiva abençoada ser cidadão deste país". Gross estava detido há cinco anos a cumprir pena de prisão em Cuba por actos de espionagem. Agora foi trocado por quatro militantes comunistas cubanos que estiveram encarcerados há 16 anos nas masmorras dos Estados Unidos por controlarem de modo secreto em território norte americano a possivel preparação de actos de terrorismo contra Cuba. Gross fazia espionagem conspirando para derrubar o regime cubano. Há portanto uma diferença fundamental: os nossos 5 heróis (dois deles já tinha sido libertado depois de cumprir mais de dez anos de cárcere) apenas defendem a sua pátria, são anti-terroristas. Que se saiba Cuba nunca atacou os Estados Unidos. Ao contrário, Alan Gross como mercenário do Império sabe muito bem que o rol de atentados terroristas contra Cuba congeminados por ele e por muitos outros comparsas é imenso.
O acordo que permite agora esta troca é um momento histórico, segundo as palavras que o presidente Raul Castro dirigiu hoje aos cidadãos cubanos: "Desde a minha eleição como Presidente do Conselhos de Estado e de Ministros, já reiterei em várias ocasiões, a nossa vontade de apoiar o governo no diálogo respeitoso com os Estados Unidos, com base na igualdade soberana, para discutir diferentes temas reciprocamente sem prejuízo da independência nacional e da autodeterminação dos nossos povos. Esta é uma posição que foi expressa ao Governo dos Estados Unidos, em público e em privado, pelo camarada Fidel em diferentes épocas da nossa longa luta, abordagem de debater e resolver as diferenças através de negociações sem abrir mão de nenhum dos nossos princípios. O heróico povo cubano têm demonstrado contra grandes perigos, ataques, dificuldades e sacrifícios, que é e será sempre fiel aos nossos ideais de independência e justiça social. Intimamente unidos nestes 56 anos de Revolução, temos mantido profunda lealdade para com os que caíram em defesaas destes princípios desde o início da nossa guerra pela independência em 1868. Agora, nós carregamos, apesar das dificuldades, a atualização do nosso modelo económico para construir um socialismo próspero e sustentável. O resultado de um diálogo ao mais alto nível, incluindo uma conversa telefônica que tive ontem com o presidente Barack Obama, conseguiu progressos na abordagem de algumas questões de interesse para ambas as nações. Como Fidel prometeu, em Junho de 2001, quando afirmou: "eles vão voltar!" Chegaram hoje ao nosso país, Gerardo, Ramón e Antonio.É imensa a alegria das suas famílias e do nosso povo, que se mobilizaram incansavelmente para esse fim, alegria que se estende às centenas de comités e grupos de solidariedade, governos, parlamentos, organizações, instituições e personalidades que durante estes 16 anos e árduos esforços feitos exigidos para a sua libertação. A todos eles quero expressar a nossa mais profunda gratidão e compromisso... (Cuba Debate)
O acordo que permite agora esta troca é um momento histórico, segundo as palavras que o presidente Raul Castro dirigiu hoje aos cidadãos cubanos: "Desde a minha eleição como Presidente do Conselhos de Estado e de Ministros, já reiterei em várias ocasiões, a nossa vontade de apoiar o governo no diálogo respeitoso com os Estados Unidos, com base na igualdade soberana, para discutir diferentes temas reciprocamente sem prejuízo da independência nacional e da autodeterminação dos nossos povos. Esta é uma posição que foi expressa ao Governo dos Estados Unidos, em público e em privado, pelo camarada Fidel em diferentes épocas da nossa longa luta, abordagem de debater e resolver as diferenças através de negociações sem abrir mão de nenhum dos nossos princípios. O heróico povo cubano têm demonstrado contra grandes perigos, ataques, dificuldades e sacrifícios, que é e será sempre fiel aos nossos ideais de independência e justiça social. Intimamente unidos nestes 56 anos de Revolução, temos mantido profunda lealdade para com os que caíram em defesaas destes princípios desde o início da nossa guerra pela independência em 1868. Agora, nós carregamos, apesar das dificuldades, a atualização do nosso modelo económico para construir um socialismo próspero e sustentável. O resultado de um diálogo ao mais alto nível, incluindo uma conversa telefônica que tive ontem com o presidente Barack Obama, conseguiu progressos na abordagem de algumas questões de interesse para ambas as nações. Como Fidel prometeu, em Junho de 2001, quando afirmou: "eles vão voltar!" Chegaram hoje ao nosso país, Gerardo, Ramón e Antonio.É imensa a alegria das suas famílias e do nosso povo, que se mobilizaram incansavelmente para esse fim, alegria que se estende às centenas de comités e grupos de solidariedade, governos, parlamentos, organizações, instituições e personalidades que durante estes 16 anos e árduos esforços feitos exigidos para a sua libertação. A todos eles quero expressar a nossa mais profunda gratidão e compromisso... (Cuba Debate)
terça-feira, dezembro 09, 2014
a privatização do BES sem que Ricardo Salgado tenha lá posto um tostão
pela mão de Mário Soares
ou seja, a história de Portugal nos últimos 40 anos
.....ou seja, a história de Portugal nos últimos 40 anos
"Para Salgado, o BES não faliu. "Foi forçado a desaparecer". Para quando outro presidente para pôr de novo o lobie judeu a flutuar? "O problema do BES tinha sido resolvido se nos tivessem dado mais tempo (...) desde 31 de Julho, 48 horas para fazer um aumento de capital só se fosse por milagre" afirmou Salgado na Comissão de Inquérito, e prossegue:"Quando o Banco de Portugal pede para fazer isto é também uma forma de se responsabilizar e avançar com a resolução". "Estava tudo mais ou menos orientado para o mesmo" - A resolução que dividiu o BES em dois, bom e mau, foi tomada a 3 de Agosto" (Expresso)
Face ao reparo da deputada Mariana Mortágua, "quer dizer, o dono disto tudo aparece como vítima disto tudo", é tempo de recordar o óbvio: Quanto mais dinheiro o Estado português injectar no BES, mais dinheiro terá o juiz no Luxemburgo para pagar aos credores da holding ESFG e menos dinheiro lá ficará para o governo português resgatar o investimento que está a fazer de 4,5 mil milhões de euros para salvar o BES
quarta-feira, novembro 05, 2014
As Previsões de Outono da Comissão Europeia
Garcia Pereira
....."Sem uma aliança com não comunistas nas mais diversas esferas de actividade é impossível construir o Comunismo" (Lénine)
Rua com o Costa!
"Um próximo governo PS sem maioria absoluta e em coligação, previsivelmente, com o PSD, deverá ser altamente instável. Ao imitar Hollande, engolindo tudo o que, (ainda que vagamente) prometeu, António Costa perderá rapidamente legitimidade e o seu executivo ficará dependente do parceiro de coligação para sobreviver. As pressões alemãs sobre os orçamentos francês e italiano para 2015 mostram bem a ínfima margem de manobra do próximo executivo" domingo, novembro 02, 2014
Inflação, Crédito, Desenvolvimento (II)
O sistema bancário no seu conjunto, e não cada banco por si, cria dinheiro pela concessão de créditos. Esses valores emprestados em “direitos de haver” por determinado banco, vão constituir depósitos nesse ou noutros bancos. E o depósito bancário é tão bom dinheiro como o papel-moeda. Conclui-se assim, paradoxalmente, que instituições exclusivamente privadas como os bancos, cujo objectivo é obter lucros, exercem a função de criar dinheiro subsistuindo-se à função pública de emitir dinheiro (fiat-money) que deveria ser do Estado no interesse da comunidade. Temos assim os bancos a criar dinheiro segundo o interesse de privados, investidores, accionistas, especuladores.
O problema da quantidade de crédito/dinheiro concedido ganha assim uma importância fundamental. O crédito deveria promover apenas e só a utilização dos factores de produção que cada economia pode dispor (do grego oikos+nomos, o governo da casa). Crédito que extravase essa função só tem um objectivo: fazer subir os preços e enriquecer com lucros uma ínfima minoria de indivíduos, à custa do empobrecimento de todos os outros. Esse excedente de capital enfiado no bolso dos ricos e congelado em bens não transaccionáveis, deixa de ser imobilizado para movimentar o trabalho na produção. A actividade económica decresce, parte dos factores de produção deixam de ser utilizados, o desemprego sobe. Tentar resolver esta situação com a emissão de mais crédito é um disparate. Cria inflação, agrava a crise e promove mais desemprego.
Com o problema do lixo tóxico no balanço dos bancos norte-americanos já resolvido (a seu contento, em seu beneficio e para prejuizo de todos os outros paises dependentes do capitalismo), a Reserva Federal dos Estados Unidos põe fim após seis anos de emissão massiva (quantitative easing) de papel-moeda para estimular a economia - 15 mil milhões de dólares por mês (85 mil milhões mensais após o 3º Programa de Estimulos em finais de 2012). Uma vez mais os juros dos empréstimos a conceder (por via do FMI, Banco Mundial) são mantidos ao nivel historicamente baixo de entre 0 e 0,25 por cento, por tempo indeterminado até que a inflação possa subir acima dos 2 por cento e sustentar o crescimento do capitalismo. (eldiário.es)
Para descrever a natureza da actual política monetária do Banco do Povo da China, o economista-chefe do Citigroup, Willem Buiter, cunhou um novo termo: "afrouxamento qualitativo" para o distinguir do muito mais conhecido programa de "flexibilização quantitativa" do seu homólogo FED norte-americano. A "flexibilização quantitativa", adoptada pela Reserva Federal como arma poderosa para combater a crise financeira global, refere-se a uma política monetária não convencional (imprimir mais dinheiro) para estimular a economia quando a política monetária padrão se torna ineficaz, especialmente quando as taxas de juro de curto prazo atingiram ou estão perto do zero. Em contraponto, como está a China a impulsionar a sua economia que cresce menos em virtude da baixa das exportações para o Ocidente em crise?
O chamado "decrescimento qualitativo" é uma politica do Banco do Povo da China que mantém em niveis normais ajustados à inflação, ou corta ligeiramente o crédito para o sector primário (infraestruras da macroeconomia, agricultura) e aumenta os empréstimos ainda mais baratos para projectos de pequenas cooperativas, reduzindo ao mesmo tempo as taxas e impostos para as empresas. É um programa que incentiva os gastos em projectos rurais de abastecimento de água, renovação de transportes e núcleos de habitação social, enfim, proporciona emprego/trabalho à economia real. São medidas combinadas que em conjunto se podem classificar como um "mini-estimulo" selectivo que vale apenas 0,8 por cento do PIB e evita o risco de estagnação para 2015 na China - um pequeno amendoim em comparação com a crise capitalista ocidental provocada em 2008 pela falência do Lehman e do suprime e pela pirataria fiscal que se lhe seguiu. E por incrivel que pareça o nosso especializado suplemento "Dinheiro Vivo" trata ambos os processos igualmente como "quantitative easing" e mente quando afirma que a criação de dinheiro ficticio nos EUA se iniciou em 2012, quando de facto se fez logo a partir de 2008.
O problema da quantidade de crédito/dinheiro concedido ganha assim uma importância fundamental. O crédito deveria promover apenas e só a utilização dos factores de produção que cada economia pode dispor (do grego oikos+nomos, o governo da casa). Crédito que extravase essa função só tem um objectivo: fazer subir os preços e enriquecer com lucros uma ínfima minoria de indivíduos, à custa do empobrecimento de todos os outros. Esse excedente de capital enfiado no bolso dos ricos e congelado em bens não transaccionáveis, deixa de ser imobilizado para movimentar o trabalho na produção. A actividade económica decresce, parte dos factores de produção deixam de ser utilizados, o desemprego sobe. Tentar resolver esta situação com a emissão de mais crédito é um disparate. Cria inflação, agrava a crise e promove mais desemprego.
Com o problema do lixo tóxico no balanço dos bancos norte-americanos já resolvido (a seu contento, em seu beneficio e para prejuizo de todos os outros paises dependentes do capitalismo), a Reserva Federal dos Estados Unidos põe fim após seis anos de emissão massiva (quantitative easing) de papel-moeda para estimular a economia - 15 mil milhões de dólares por mês (85 mil milhões mensais após o 3º Programa de Estimulos em finais de 2012). Uma vez mais os juros dos empréstimos a conceder (por via do FMI, Banco Mundial) são mantidos ao nivel historicamente baixo de entre 0 e 0,25 por cento, por tempo indeterminado até que a inflação possa subir acima dos 2 por cento e sustentar o crescimento do capitalismo. (eldiário.es)
Para descrever a natureza da actual política monetária do Banco do Povo da China, o economista-chefe do Citigroup, Willem Buiter, cunhou um novo termo: "afrouxamento qualitativo" para o distinguir do muito mais conhecido programa de "flexibilização quantitativa" do seu homólogo FED norte-americano. A "flexibilização quantitativa", adoptada pela Reserva Federal como arma poderosa para combater a crise financeira global, refere-se a uma política monetária não convencional (imprimir mais dinheiro) para estimular a economia quando a política monetária padrão se torna ineficaz, especialmente quando as taxas de juro de curto prazo atingiram ou estão perto do zero. Em contraponto, como está a China a impulsionar a sua economia que cresce menos em virtude da baixa das exportações para o Ocidente em crise?
O chamado "decrescimento qualitativo" é uma politica do Banco do Povo da China que mantém em niveis normais ajustados à inflação, ou corta ligeiramente o crédito para o sector primário (infraestruras da macroeconomia, agricultura) e aumenta os empréstimos ainda mais baratos para projectos de pequenas cooperativas, reduzindo ao mesmo tempo as taxas e impostos para as empresas. É um programa que incentiva os gastos em projectos rurais de abastecimento de água, renovação de transportes e núcleos de habitação social, enfim, proporciona emprego/trabalho à economia real. São medidas combinadas que em conjunto se podem classificar como um "mini-estimulo" selectivo que vale apenas 0,8 por cento do PIB e evita o risco de estagnação para 2015 na China - um pequeno amendoim em comparação com a crise capitalista ocidental provocada em 2008 pela falência do Lehman e do suprime e pela pirataria fiscal que se lhe seguiu. E por incrivel que pareça o nosso especializado suplemento "Dinheiro Vivo" trata ambos os processos igualmente como "quantitative easing" e mente quando afirma que a criação de dinheiro ficticio nos EUA se iniciou em 2012, quando de facto se fez logo a partir de 2008.
quarta-feira, outubro 29, 2014
PS, a abstenção violenta do Seguro volta a atacar com o Costa
óh mãezinha, o que é o socialismo?
O novo secretário-geral do Partido dito Socialista arrivou à cadeira de chefe emproado no discurso que alguma coisa se teria de fazer a uma dívida que é impagável, reestruturá-la, por exemplo, à semelhança do que tem vindo a sugerir o Bloco de Esquerda. O Parlamento, dominado pela Direita respodeu: "sim, podemos admitir isso a discussão, porém rejeitamos qualquer alteração ou renegociação", quer dizer, os deputados podem falar, falar,mas deixá-los tomar decisões... nem pensar! - e António Costa meteu a viola no saco: "qualquer mudança terá de vir de cima, de um poder superior, da União Europeia". Entretanto, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda fotocopiou o Manifesto dos 74 na sua proposta de resolução, desafiando o PS e desmontando expectativas de mudança da actual politica neoliberal com um futuro governo de António Costa. "A ruptura com a dívida e o tratado orçamental estão no centro de uma alternativa à austeridade e das convergências necessárias à esquerda" comenta um responsável do BE: para bom entendedor, uma abstenção basta. Por sua vez noutra hora e no mesmo local o Bloco de Esquerda abstém-se sobre saída de Portugal do Euro.
a ler
"Livre, a pulguinha por detrás da orelha do elefante neoliberal PS... a gaffe de António Costa é um alerta para aqueles que parecem já dominados pela complacência, perante a perspectiva de umas eleições ganhas à partida" (no Ladrões de Bicicletas)
O novo secretário-geral do Partido dito Socialista arrivou à cadeira de chefe emproado no discurso que alguma coisa se teria de fazer a uma dívida que é impagável, reestruturá-la, por exemplo, à semelhança do que tem vindo a sugerir o Bloco de Esquerda. O Parlamento, dominado pela Direita respodeu: "sim, podemos admitir isso a discussão, porém rejeitamos qualquer alteração ou renegociação", quer dizer, os deputados podem falar, falar,mas deixá-los tomar decisões... nem pensar! - e António Costa meteu a viola no saco: "qualquer mudança terá de vir de cima, de um poder superior, da União Europeia". Entretanto, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda fotocopiou o Manifesto dos 74 na sua proposta de resolução, desafiando o PS e desmontando expectativas de mudança da actual politica neoliberal com um futuro governo de António Costa. "A ruptura com a dívida e o tratado orçamental estão no centro de uma alternativa à austeridade e das convergências necessárias à esquerda" comenta um responsável do BE: para bom entendedor, uma abstenção basta. Por sua vez noutra hora e no mesmo local o Bloco de Esquerda abstém-se sobre saída de Portugal do Euro.
a ler
"Livre, a pulguinha por detrás da orelha do elefante neoliberal PS... a gaffe de António Costa é um alerta para aqueles que parecem já dominados pela complacência, perante a perspectiva de umas eleições ganhas à partida" (no Ladrões de Bicicletas)
domingo, outubro 26, 2014
o Trabalho contra o Capital na globalização
Em termos de poder de compra, a China tem agora a maior economia em todo o planeta, mas essa não é a única área em que a República Popular da China ultrapassou os “nossos aliados” Estados Unidos da América do Norte. Segundo Li Delin, autor da obra "A Conspiração Goldman Sachs", no ano 2040 a economía da China, a manter-se as actuais tendências, atingirá um PIB de 123 triliões de USDolars, isto é, triplicará em relação à dos Estados Unidos. Em 1850, enquanto os emigrantes eslavos e anglo-saxónicos nos EUA se digladiavam entre si e ambos exterminavam os nativos, a China era a maior potência de produtos manufacturados do mundo, supremacia derrubada pela invasão estrangeira nas Guerras pelo Ópio. Em 2010 a China recuperou a liderança como maior produtor mundial.
A lógica comparativa é que os preços não são os mesmos em cada país: uma camisa, um quilo de carne ou uma propina escolar tem um custo muito menor em Xangai do que em São Francisco, por isso não é inteiramente razoável comparar os dois países sem levar isso em conta. Embora um chinês ganhe em média muito menos do um individuo médio nos EUA, ao converter um salário chinês em dólares subestima-se o poder de compra que esse indivíduo, e portanto os habitantes médios do país podem ter. O “Índice Big Mac” da revista The Economist é um grande exemplo dessas disparidades. Segundo os dados estatísticos do FMI ambos os PIB em termos de taxas de mercado estão equiparados, mas com base no poder de compra a China já ultrapassa os EUA, tornando-se a todos os níveis a maior economia do mundo - a China tem as maiores reservas mundiais de divisas estrangeiras sendo o maior produtor e importador de ouro do mundo. Em Paridade de Poder Aquisitivo (PPA), em 2005 a economía da China representava menos de metade da estado-unidense (em PPA), porém em 2011 alcançou 87 por cento da economía de EUA - em 2014 o PIB de China totalizará o equivalente em trabalho a 17,6 mil milhões de dólares, enquanto a dos EUA estagna nos 17,4 mil milhões de papel-moeda especulativo
Em 1998 os Estados Unidos controlavam 25% do mercado mundial de alta tecnología, enquanto a China contava com apenas 10 por cento. Na actualidade o gigante asiático supera em mais do dobro os EUA; a China hoje controla mais de 90 por cento do mercado mundial de metais raros, essenciais para a principal exportação para o Ocidente que são os equipamentos informáticos. Uma investigação do Senado revelou que a China fornece mais de 1 milhão de diferentes tipos de componentes para a industria de Defesa (e de ataque) dos EUA. Apesar da ascenção permanente, 93 por cento das transações mundiais continuam a ser feitas em dólares e não em yuans. Ora para a definição de imperialismo o que deve contar é o volume de capitais exportados (a maioria puramente especulativos) contra a exportação de bens e mercadorias produzidos na economia real. Para obviar esse incómodo, de em termos globais o Capital render mais que o Trabalho, Pequim está a criar um banco de investimento asiático para competir com instituições globais como Banco Mundial. ¿ Adeus aos petrodólares? a Rússia e a China, parceiros na Organização de Shangai, trabalham neste momento num sistema análogo ao SWIFT, a plataforma cambial que gere as trocas desiguais entre os paises economicamente dependentes.
Na indústria da construção e obras públicas a China consome anualmente mais cimento que os outros paises todos juntos, ao mesmo tempo que as escolas superiores de engenharia chinesas já formam o dobro de licenciados nessa área nos EUA. Opiniões propagandisticas como a do semanário pró-imperialista Expresso alertam para a formação de um bolha no imobiliário chinês similar à que destrói valor no ocidente desde 2008, mas tal spin é deduzido em termos capitalistas. Na verdade a economia chinesa tem bases socialistas. As cidades construidas para dar trabalho às pessoas enquanto as exportações para o Ocidente não aumentam (porque os paises capitalistas não têm dinheiro para as pagar) são pensadas como um investimento para o futuro que entretanto providenciam o pleno emprego a toda a população.
Shangai, 1950. Desfile comemorativo do 1º aniversário da Revolução Popular.
(gravura da Escola Estatal de Arte de Hangzhou)
Em termos de PIB bruto, os EUA ainda são o número um, pelo menos por agora. Mas de acordo com o FMI, a China ultrapassou-os em vários outros índices de desenvolvimento. A China contribui para o comércio mundial (soma das importações e exportações) mais que os EUA contribuem; a China consome e paga (sem guerras de pilhagem) mais energia que os EUA; a China agora produz mais bens reais transacionáveis do que os EUA produzem (com a sua economia assente em papel-moeda fictício). Por outras palavras, a era da dominação económica norte-americana está a acabar rapidamente.
O poder económico global está a fazer neste momento uma mudança dramática para leste, o que vai ter enormes implicações para o nosso futuro como europeus. O valor das exportações dos EUA para a China en 2013 foi de 121 milhões de dólares, enquanto as da China para os EUA atingiram 440 milhões. Com os défices acumulados os Estados Unidos já devem à China bem mais de um trilião de dólares, e como a sua infra-estrutura económica se está a desmoronar todos os países aliados estão febrilmente a emprestar mais dinheiro (comprando títulos financeiros) numa tentativa desesperada para sustentar um padrão de vida que está em queda livre. Com o nosso actual sistema não podemos competir com a ética de trabalho, criatividade e determinação da China e outras nações asiáticas, conforme vem sendo demonstrado. Se continuarmos por este caminho, que futuro para as gerações seguintes no ocidente? A pobreza nos subúrbios das cidades norte-americanas subiu 64 por cento na última década.
O poder económico global está a fazer neste momento uma mudança dramática para leste, o que vai ter enormes implicações para o nosso futuro como europeus. O valor das exportações dos EUA para a China en 2013 foi de 121 milhões de dólares, enquanto as da China para os EUA atingiram 440 milhões. Com os défices acumulados os Estados Unidos já devem à China bem mais de um trilião de dólares, e como a sua infra-estrutura económica se está a desmoronar todos os países aliados estão febrilmente a emprestar mais dinheiro (comprando títulos financeiros) numa tentativa desesperada para sustentar um padrão de vida que está em queda livre. Com o nosso actual sistema não podemos competir com a ética de trabalho, criatividade e determinação da China e outras nações asiáticas, conforme vem sendo demonstrado. Se continuarmos por este caminho, que futuro para as gerações seguintes no ocidente? A pobreza nos subúrbios das cidades norte-americanas subiu 64 por cento na última década.
40 anos depois da Revolução, a força do Trabalho produtivo. Shangai 1990
A lógica comparativa é que os preços não são os mesmos em cada país: uma camisa, um quilo de carne ou uma propina escolar tem um custo muito menor em Xangai do que em São Francisco, por isso não é inteiramente razoável comparar os dois países sem levar isso em conta. Embora um chinês ganhe em média muito menos do um individuo médio nos EUA, ao converter um salário chinês em dólares subestima-se o poder de compra que esse indivíduo, e portanto os habitantes médios do país podem ter. O “Índice Big Mac” da revista The Economist é um grande exemplo dessas disparidades. Segundo os dados estatísticos do FMI ambos os PIB em termos de taxas de mercado estão equiparados, mas com base no poder de compra a China já ultrapassa os EUA, tornando-se a todos os níveis a maior economia do mundo - a China tem as maiores reservas mundiais de divisas estrangeiras sendo o maior produtor e importador de ouro do mundo. Em Paridade de Poder Aquisitivo (PPA), em 2005 a economía da China representava menos de metade da estado-unidense (em PPA), porém em 2011 alcançou 87 por cento da economía de EUA - em 2014 o PIB de China totalizará o equivalente em trabalho a 17,6 mil milhões de dólares, enquanto a dos EUA estagna nos 17,4 mil milhões de papel-moeda especulativo
Desenvolvimento, cosmopolitismo, desafio ao modelo capitalista ocidental, Shangai, 2013
Em 1998 os Estados Unidos controlavam 25% do mercado mundial de alta tecnología, enquanto a China contava com apenas 10 por cento. Na actualidade o gigante asiático supera em mais do dobro os EUA; a China hoje controla mais de 90 por cento do mercado mundial de metais raros, essenciais para a principal exportação para o Ocidente que são os equipamentos informáticos. Uma investigação do Senado revelou que a China fornece mais de 1 milhão de diferentes tipos de componentes para a industria de Defesa (e de ataque) dos EUA. Apesar da ascenção permanente, 93 por cento das transações mundiais continuam a ser feitas em dólares e não em yuans. Ora para a definição de imperialismo o que deve contar é o volume de capitais exportados (a maioria puramente especulativos) contra a exportação de bens e mercadorias produzidos na economia real. Para obviar esse incómodo, de em termos globais o Capital render mais que o Trabalho, Pequim está a criar um banco de investimento asiático para competir com instituições globais como Banco Mundial. ¿ Adeus aos petrodólares? a Rússia e a China, parceiros na Organização de Shangai, trabalham neste momento num sistema análogo ao SWIFT, a plataforma cambial que gere as trocas desiguais entre os paises economicamente dependentes.
Na indústria da construção e obras públicas a China consome anualmente mais cimento que os outros paises todos juntos, ao mesmo tempo que as escolas superiores de engenharia chinesas já formam o dobro de licenciados nessa área nos EUA. Opiniões propagandisticas como a do semanário pró-imperialista Expresso alertam para a formação de um bolha no imobiliário chinês similar à que destrói valor no ocidente desde 2008, mas tal spin é deduzido em termos capitalistas. Na verdade a economia chinesa tem bases socialistas. As cidades construidas para dar trabalho às pessoas enquanto as exportações para o Ocidente não aumentam (porque os paises capitalistas não têm dinheiro para as pagar) são pensadas como um investimento para o futuro que entretanto providenciam o pleno emprego a toda a população.
segunda-feira, outubro 20, 2014
Descascando a batata d`“O Capital no Século XX” (III)
Para Thomas Piketty não se passa nada de anormal na natureza da composição do Capital. Ou por outra, passa, mas apenas na economia clássica, a sua “investigação histórica” passa ao lado da prática política, da descrição dos agentes provocadores das guerras, dos negócios ocultos que não entram na contabilidade das nações, da economia paralela gerida pelas burguesias nacionais, enfim, pela luta de classes. Por estas pequenas minudências, a obra está repleta de imprecisões, omissões, ou até, dir-se-ia, manipulações grosseiras. Citando dois parágrafos sobre o processo de acumulação de capital no Novo Mundo, vê-se exaltada desde logo a importância dos Estados (colónias de origem anglófona) que se Uniram:
Começando no negócio da "Louisiana Purchase" e na transação comercial de compra do Texas e do Novo México e da subsequente guerra de exterminio dos nativos doravante chamados de "indios", os Estados Unidos tinham esgotado as suas capacidades de ocupação do território contíguo disponível dentro da sua área continental. Empresariaram-se novas guerras, como a guerra hispano-americana que conduziu à aquisição da ex-colónias espanholas. A indústria e a agricultura dos Estados Unidos tinham crescido além de sua necessidade para o consumo, precisam de mercados, de ganhos de hegemonia, como diria Hitler: Lebensraum . A ideia de que uma grande nação deveria ter um grande poder naval, filosofia desenvolvida pelo almirante Alfred Thayer Mahan, que dirigiu o Naval War College. Mahan construiu um novo paradigma baseado no seguinte princípio: o poder marítimo constituiria o vértice da supremacia das nações na história contemporânea - a nova politica de expansão por todo o continente americano daria pelo nome de "Doutrina Monroe".
Cuba. A ilha do Caribe obtém a independência pela luta liderada pelo patriota José Marti, um burguês radicado nos Estados Unidos, dos quais não teve a minima dificuldade em obter generosa ajuda militar e financeira: A política económica da ilha caiu refem da tutela de Washington desde a independência cubana em 1898. Ainda hoje nas paredes do Hotel Nacional se podem ver fotografias da época com as tropas yankes assentadas em tendas de campanha na Plaza d`Armas em La Habana. As tropas dos EUA procederam a diversas ocupações: em 1906, 1912, 1913, 1917 e 1933. Segundo a Constituição cubana, tais ocupações eram legítimas, pois a Emenda Platt assegurava o direito de intervenção militar norte-americana. Em 1934, essa prerrogativa foi substituída por um acordo comercial. Mas os yankees permaneceram, sendo que no inicio da década de 60 cerca de 90 por cento da propriedade e da economia cubana estava nas mãos das corporações e da máfia estado-unidense. Surgiu Fidel y las cosas se iriam a cambiar. Porém os EUA ao abrigo dessa antiga "ajuda", respaldada por uma concessão de deveria durar apenas 50 anos, ainda hoje permanecem em Guantanamo, um triste simbolo para vergonha da humanidade. (dados na wikipedia)
Em 1913 nos Estados Unidos o Congresso reuniu e votou a Lei da Reserva Federal que autoriza a um consórcio de bancos privados, liderado pela familia Rothschild a proceder à emissão da moeda que mede toda a economia em nome dos interesses do Estado. Seria entre a 1;30 e as 4;30 da madrugada do dia 22 de Dezembro de 1913 quando a lei foi aprovada. Outro banqueiro de origem judaica, Jacob Schiff, lidera na ocasião a Liga Anti-Difamação (Anti Defamation League), nos Estados Unidos. Esta organização foi formada em paralelo com a liberdade de criar dinheiro por privados para difamar como "anti-semita" qualquer cidadão que questione ou desafie a conspiração que esteve e está na origem da chamada globalização. Em 1920, Winston Churchill fez uma distinção entre os emigrantes judeus integrados no espirito nacional e os "judeus internacionais". Disse ele que estes últimos "estão por trás de "uma conspiração mundial para derrubar a civilização e reconstituirem a sociedade com base no desenvolvimento da tirania, de malevolência invejosa e igualdade impossível...". Refere-se, claro está, à ascenção do espirito revolucionário internacionalista do comunismo que na época triunfa na Rússia.
Segundo o autor, há que pôr cobro aos rendimentos sobre o Capital já acumulado, que cresce exponencialmente mais que os rendimentos do Capital produtivo. Remédio proposto: lançar mais um imposto de 80% sobre o património dos ricos acima de meio milhões de dólares. Contabilidade. Mas não há expropriações, nacionalizações, criminalização dos proprietários de bens adquiridos ilegalmente, nem sequer a suspensão imediata da política de emissão exponencial de mais papel-moeda que sustenta um sistema económico artificial e provoca o endividamento dos países submetidos ao capitalismo. Ora, Thomas Piketty andou a dormir enquanto George Soros o ajudava a compilar o calhamaço. Então, ao longo desta estória não foi mesmo mais impostos que os Estados Unidos lançaram? só que em vez de o fazerem aos seus ricos, exportaram-nos criando pobres por todo o mundo. Exportando capitais e guerras como modo de acumulação capitalista. Mal anda portanto de novo Piketty ao circunscrever "O Imperialismo Último Estádo do Capitalismo" a época e às circunstâncias temporais da 1º Grande Guerra em que Lenine o escreveu
Começando no negócio da "Louisiana Purchase" e na transação comercial de compra do Texas e do Novo México e da subsequente guerra de exterminio dos nativos doravante chamados de "indios", os Estados Unidos tinham esgotado as suas capacidades de ocupação do território contíguo disponível dentro da sua área continental. Empresariaram-se novas guerras, como a guerra hispano-americana que conduziu à aquisição da ex-colónias espanholas. A indústria e a agricultura dos Estados Unidos tinham crescido além de sua necessidade para o consumo, precisam de mercados, de ganhos de hegemonia, como diria Hitler: Lebensraum . A ideia de que uma grande nação deveria ter um grande poder naval, filosofia desenvolvida pelo almirante Alfred Thayer Mahan, que dirigiu o Naval War College. Mahan construiu um novo paradigma baseado no seguinte princípio: o poder marítimo constituiria o vértice da supremacia das nações na história contemporânea - a nova politica de expansão por todo o continente americano daria pelo nome de "Doutrina Monroe".
Cuba. A ilha do Caribe obtém a independência pela luta liderada pelo patriota José Marti, um burguês radicado nos Estados Unidos, dos quais não teve a minima dificuldade em obter generosa ajuda militar e financeira: A política económica da ilha caiu refem da tutela de Washington desde a independência cubana em 1898. Ainda hoje nas paredes do Hotel Nacional se podem ver fotografias da época com as tropas yankes assentadas em tendas de campanha na Plaza d`Armas em La Habana. As tropas dos EUA procederam a diversas ocupações: em 1906, 1912, 1913, 1917 e 1933. Segundo a Constituição cubana, tais ocupações eram legítimas, pois a Emenda Platt assegurava o direito de intervenção militar norte-americana. Em 1934, essa prerrogativa foi substituída por um acordo comercial. Mas os yankees permaneceram, sendo que no inicio da década de 60 cerca de 90 por cento da propriedade e da economia cubana estava nas mãos das corporações e da máfia estado-unidense. Surgiu Fidel y las cosas se iriam a cambiar. Porém os EUA ao abrigo dessa antiga "ajuda", respaldada por uma concessão de deveria durar apenas 50 anos, ainda hoje permanecem em Guantanamo, um triste simbolo para vergonha da humanidade. (dados na wikipedia)
de novo, o que diz Piketty:
Em 1913 nos Estados Unidos o Congresso reuniu e votou a Lei da Reserva Federal que autoriza a um consórcio de bancos privados, liderado pela familia Rothschild a proceder à emissão da moeda que mede toda a economia em nome dos interesses do Estado. Seria entre a 1;30 e as 4;30 da madrugada do dia 22 de Dezembro de 1913 quando a lei foi aprovada. Outro banqueiro de origem judaica, Jacob Schiff, lidera na ocasião a Liga Anti-Difamação (Anti Defamation League), nos Estados Unidos. Esta organização foi formada em paralelo com a liberdade de criar dinheiro por privados para difamar como "anti-semita" qualquer cidadão que questione ou desafie a conspiração que esteve e está na origem da chamada globalização. Em 1920, Winston Churchill fez uma distinção entre os emigrantes judeus integrados no espirito nacional e os "judeus internacionais". Disse ele que estes últimos "estão por trás de "uma conspiração mundial para derrubar a civilização e reconstituirem a sociedade com base no desenvolvimento da tirania, de malevolência invejosa e igualdade impossível...". Refere-se, claro está, à ascenção do espirito revolucionário internacionalista do comunismo que na época triunfa na Rússia.
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segunda-feira, setembro 08, 2014
por um Governo Democrático, Patriótico e de Esquerda
Sala cheia na Fnac Chiado para assistir ao lançamento do livro "A Solução Novo Escudo" da autoria dos economistas João Ferreira do Amaral e Francisco Louçã. O livro, que analisa a saída de Portugal do Euro tem como ponto de partida uma interrogação: "Se tivermos de tomar esta decisão (não por vontade própria mas por imposição da União Monetária Europeia), o que é que devemos fazer? ao acabar com a politica de austeridade imposta pela nossa adesão ao Euro, abre-se uma alternativa que, segundo os autores, não é a única, devendo ficar a problemática a um debate que envolva os politicos e os cidadãos no sentido de "restaurar a soberania de Portugal". Com inúmeros sinais à vista, Ferreira do Amaral acredita que se aproxima um agravamento da crise económica e que "a alternativa da saída do Euro não o deixa feliz, mas é possivel". Francisco Louçã concorda e acrescenta ser necessário reflectir já sobre esta solução para se tomar uma decisão a tempo" (noticia no DN). Pergunta natural dos cidadãos: o governo português, uma associação de capatazes do governo da Zona Euro, propõe-se pagar na integra uma divida em grande parte odiosa e que não foi contraída pelo povo, fazendo-lhe cair em cima o ónus de a pagar o que, caso não se contraisse nenhuma outra dívida desde este momento, só estaria paga em 2042! Não sendo a saída do Euro indissociavel do pagamento da Dívida o que propõem os autores deste livro? pagá-la integralmente assumindo a mesma posição deste governo? socialismo ou reforma do capitalismo?
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O regresso de Portugal à emissão de moeda própria - o Novo Escudo - em principio feita em igual paridade com o Euro, determinaria imediatamente nos dias seguintes uma desvalorização de cerca de 30%. Tal facto, funcionando como "um golpe de baú" (à semelhança do que fizeram os Estados Unidos na preparação para a 2ª Grande Guerra) sobre os credores, diminuiria a dívida em cerca de um terço. Mas sem a conjugação com outras medidas, como a recusa em pagar fraudes, quer dizer que Portugal estaria ainda assim obrigado a pagar entre 4,6 a 6 mil milhões em juros. Actualmente paga entre 7 a 9 mil milhões de juros anuais sobre a dívida. Com a desvalorização as importações sofreriam um agravamento de 30%, o que seria prejudicial para a compra dos produtos supérfluos que enxameiam o mercado em beneficio de empresas estrangeiras, mas seria bom para as exportações que contando com preços mais baratos aumentariam em beneficio dos produtores nacionais. Os trabalhadores portugueses que foram expulsos para ganhar a vida no estrangeiro passam a auferir os seus salários em moeda forte; e com essas remessas Portugal relança a indústria produtiva nacional o que gradualmente faria regressar o emprego. Agora escolha-se, os interesses parasitários de uma economia de importação que gerou os três homens mais ricos do país e a banca internacional, ou trabalhar para a maioria do povo ganhar a vida honestamente?
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O regresso de Portugal à emissão de moeda própria - o Novo Escudo - em principio feita em igual paridade com o Euro, determinaria imediatamente nos dias seguintes uma desvalorização de cerca de 30%. Tal facto, funcionando como "um golpe de baú" (à semelhança do que fizeram os Estados Unidos na preparação para a 2ª Grande Guerra) sobre os credores, diminuiria a dívida em cerca de um terço. Mas sem a conjugação com outras medidas, como a recusa em pagar fraudes, quer dizer que Portugal estaria ainda assim obrigado a pagar entre 4,6 a 6 mil milhões em juros. Actualmente paga entre 7 a 9 mil milhões de juros anuais sobre a dívida. Com a desvalorização as importações sofreriam um agravamento de 30%, o que seria prejudicial para a compra dos produtos supérfluos que enxameiam o mercado em beneficio de empresas estrangeiras, mas seria bom para as exportações que contando com preços mais baratos aumentariam em beneficio dos produtores nacionais. Os trabalhadores portugueses que foram expulsos para ganhar a vida no estrangeiro passam a auferir os seus salários em moeda forte; e com essas remessas Portugal relança a indústria produtiva nacional o que gradualmente faria regressar o emprego. Agora escolha-se, os interesses parasitários de uma economia de importação que gerou os três homens mais ricos do país e a banca internacional, ou trabalhar para a maioria do povo ganhar a vida honestamente?
quarta-feira, agosto 20, 2014
Forum Desinfesto
reentrê: Rui Tavares proferirá uma palestra na Universidade de Verão do PSD sobre "esquerda e direita"
Na senda dos velhos trafulhas do xshuscialismo democrático (como é que se trata um ladrão democraticamente?) a nossa esquerdinha giroflé-giroflá agita-se, numa hipercaldeirada com uma pitada de cada e toda a proposta oportunista existente no Mercado. o Mercado a sério!, aquele que trata da Propriedade. Não há voto que escape à propriedade. No tacho. Desde cães, gatos e animais afins, jornaleiros balsemónicos, peixe-bomba do viveiro reformatório, possivelmente pintos-marinhos com água no bico do costa das águas profundas da peixaria bilderberg. Levando a coisa a sério, o capitalismo não se reforma, abate-se! e a ameaça da espada suspensa sobre os incautos é estarmos perante um autêntico matadouro de eleitores. Num país a sério, face a um problema de saúde pública, o abate clandestino seria motivo para a rápida intervenção da brigada de desinfecção sanitáriaenquanto o peixe miúdo se candidata a um lugar à mesa na esperança de poder apoiar ou fingir que não apoia tudo o que os tubarões decidirem, no Bilderberg os líderes da Europa e EUA em reunião secreta prevêm conflito armado - mesmo ao jeito do Rui Tavares e da sua Libia libertada...
terça-feira, agosto 05, 2014
as aventuras de um boneco animado do país de tanga até ao país da pipa de massa
Barroso: É uma "pipa de massa" e deve ser suficiente para calar quem diz mal da Europa (Expesso)
Cortesia do jornal I, texto de Filipe Paiva Cardoso: "a Fotonovela Politica Europeia"
"A relação é simples. Quanto menos futuro tem no estrangeiro, mais o presidente da Comissão Europeia populariza o seu uso da lingua portuguesa. "Pipa de Massa". É desta forma que Durão (vou-comprar-tabacoe-já-volto) Barroso acha melhor falar dos 26 mil milhões que Portugal vai receber de Bruxelas em sete anos. Mas isto cria um problema: se isto é "uma pipa de massa", quantas pipas de massa nos levaram nos últimos anos à conta da estratégia solidária que serviu para salvar os buracos da banca e dos mercados? É fácil, basta somar; Ora, sete mil milhões de juros por ano, mais quatro mil milhões anuais em novos impostos, mais 40 mil milhões de euros de dívida acima do previsto, mais todas as empresas vendidas ao desbarato, mais 60% das familias a viver com menos de 700 euros brutos por mês... noves fora e vai um... bem, é só fazer as contas. (1)
Cortesia do jornal I, texto de Filipe Paiva Cardoso: "a Fotonovela Politica Europeia"
"A relação é simples. Quanto menos futuro tem no estrangeiro, mais o presidente da Comissão Europeia populariza o seu uso da lingua portuguesa. "Pipa de Massa". É desta forma que Durão (vou-comprar-tabacoe-já-volto) Barroso acha melhor falar dos 26 mil milhões que Portugal vai receber de Bruxelas em sete anos. Mas isto cria um problema: se isto é "uma pipa de massa", quantas pipas de massa nos levaram nos últimos anos à conta da estratégia solidária que serviu para salvar os buracos da banca e dos mercados? É fácil, basta somar; Ora, sete mil milhões de juros por ano, mais quatro mil milhões anuais em novos impostos, mais 40 mil milhões de euros de dívida acima do previsto, mais todas as empresas vendidas ao desbarato, mais 60% das familias a viver com menos de 700 euros brutos por mês... noves fora e vai um... bem, é só fazer as contas. (1)
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(1) a propósito de fazer contas, destes ou dos outros: em 2009 José Sócrates garantia que salvar o BPN não ia ter custos para os contribuintes (ver aqui)
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