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quinta-feira, fevereiro 11, 2016

nunca o imperialismo alemão esteve tão bem explicado

"Encorajamos fortemente os nossos colegas portugueses a não se desviarem do rumo bem-sucedido que vinha sendo seguido", disse o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble (…) Portugal deve manter anterior rumo… estar bem ciente de que pode perturbar os mercados… e os Mercados estão já nervosos" e mais disse Schäuble: “Não estou preocupado com o Deutsche Bank... as acções do Deutsche Bank estão a derrapar porque os investidores não acreditam que o banco consiga pagar os cupões das obrigações” 
O ministro das Finanças da Alemanha não está preocupado porque sabe estar a gerir, em conjunto com o BCE e Wall Street, o sistema de criação de dívida que vai ser pago por outrem. No caso da Alemanha as possiveis derrapagens serão pagas pelos outros 27 membros do Eurogrupo. E ao nosso ministro Centeno deu-lhe vontade rir. O Deutsche Bank, o maior banco privado alemão e também da Europa, já perdeu 40% em Bolsa este ano. O seu valor de mercado é neste momento quase metade do que era há um ano, tendo perdido só em 2015 qualquer coisa como 6,89 mil milhões de euros, dos quais 2 mil milhões no quarto trimestre; e desde 2008 perdeu 90% do valor em Bolsa. O Deutsche Bank é o último dos grandes bancos europeus a operar uma reestruturação no sector da banca de investimento, desde que por ordem do sistema financeiro dos EUA as regulações se tornaram mais apertadas e a FED decidiu aumentar as taxas de juro; quer dizer, todos os residuos tóxicos que os Estados Unidos lhe enfiaram nos balanços ainda lá estão quase todos, na medida em que ainda não os conseguiram enfiar nas economias dos outros 27 Estados europeus da zona Euro; obviamente, a crise da Grécia e todos os bancos da periferia tem servido para ocultar a situação desde 2011-13. O próprio presidente da Comissão Europeia acha que isto é o principio do fim da União Europeia. Se olharmos para um gráfico comparado com o Lehman Brothers que despoletou a Grande Recessão que teve inicio em 2008 a situação do Deutsche Bank é similar. E a natureza da fraude continua a mesma, o mesmo esquema de Ponzi: os derivados financeiros do Deutsche Bank situam-se neste momento em 75 triliões de dólares, 20 vezes o PIB da Alemanha (3,95 Triliões) e cinco vezes o PIB de toda a Zona Euro (16 Triliões) e para pôr as coisas em perspectiva, a divida pública total dos Estados Unidos é menos de um terço da exposição a fundos tóxicos do Deutsche Bank. O colapso eminente do Deutsche Bank não será somente do banco alemão - o CitiBank nestes últimos dias caiu 25 por cento, o Bank of América, UBS e o Credit Suisse 23 por cento, o Goldman Sachs 20 por cento e o JP Morgan 18 por cento. Todo o sistema financeiro global adstricto ao Banco dos Bancos Centrais Privados está em queda livre. 
Tem a palavra o Proletariado da Alemanha: como é possivel deixarem-se governar por facinoras?
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terça-feira, janeiro 19, 2016

patrão do Banco de Portugal é também ele um activo tóxico?

A confiscação rectroactiva sobre os detentores estrangeiros de acções tóxicas do Banco Espirito Santo retiradas ao enésimo dia do balanço do ressuscitado "Novo Banco" é já um "case-study" da actuação do Banco de Portugal no pântano dos mercados financeiros internacionais: numa segunda fase da anterior resolução do BES o Banco de Portugal impôs cerca de 2 mil milhões de euros em perdas aos accionistas estrangeiros do Novo Banco. 
Não levando em conta o valor nominal o valor nominal são apenas 5 fundos no total de 54. depois do arrastar do caso Banif até ao limite empurrando para uma má solução in extremis, a decisão de enviar umas quantas obrigações séniores para o regaço do banco tóxico do BES está a levantar um verdadeiro tsunami nos meios financeiros que gere o negócio da dívida. Depois das declarações que prestou ao Expresso, o director da PIMCO em Londres publicou um artigo de opinião no Financial Times. Que esperam as forças vivas do país para dizerem ao Mario Draghi que o homem ao leme da Banca em Portugal é também ele um ativo tóxico?

Transcrito do Financial Times: "Pouco mais de um ano desde que o Banco Central Europeu se assumiu como o regulador para os bancos sistemicamente importantes da Europa, estamos diante de uma situação em Portugal que põe em causa o Estado de Direito nesse país e na UE, levantando também questões muito sérias sobre a forma como o BCE pretende actuar como regulador bancário europeu.
Em 29 de Dezembro, Portugal chocou os mercados europeus de crédito quando o Banco de Portugal decidiu selectivamente e de forma retroactiva confiscar os bens dos obrigacionistas de cinco títulos seniores em Novo Banco e transferi-los para o chamado "Bad Bank" nascido da resolução do Banco Espírito Santo em Agosto 2014. Este efeito discrimina portadores de títulos estrangeiros em relação os interesses dos detentores de bónus portugueses.
Também discrimina explicitamente os detentores de obrigações institucionais em favor dos  investidores individuais de titulos seniores. O que está claro é que, no caso de Novo Banco, o próprio BCE concluiu que o banco era solvente e sem necessidade de nova resolução, não deixando nenhuma justificação legal e económica à radical acção efectuada pelas autoridades portuguesas. É importante ressalvar que não há aqui nenhuma nova resolução, bail-in ou processo de insolvência. Quando os bancos são considerados insolventes, então é correcto e adequado que os detentores de acções seniores devem ser chamados e assumir as perdas. Mas isso deve ser feito de uma forma justa e, de facto, de acordo com a lei. O BCE tem sido responsável pela supervisão regulamentar de Novo Banco desde Novembro de 2014. Ainda recentemente, em Novembro de 2015, ele realizou um teste de stress detalhado que concluiu que o Novo Banco era um banco comercial viável. Enquanto o banco foi obrigado a levantar 1,4 mil milhões de euros sob os cenários adversos dos testes de stress, a instituições nesta posição são tipicamente dados seis a nove meses para cumprir o seu défice de capital. No caso do Novo Banco, este déficit poderia facilmente ter sido coberto com soluções do sector privado, fossem eles a venda de activos, angariação de capital próprio e/ou aquisição parcial da dívida. Esta cartilha tem sido empregue de forma eficiente na recapitalização recente e muito mais desafiadora do sector bancário grego, o que levou a um agressivo, mas justo, bail-in aos credores seniores" (Financial Times)
adenda, 20 Janeiro 

segunda-feira, novembro 02, 2015

de al-Buera a Albufeira

a al-Buera fundada pelos Árabes era uma pérola, como se diria hoje, de integração urbanistica e se pode constatar na gravura. No último domingo a natureza voltou a repôr as construções como eram dantes. Constrói-se sobre linhas de água, não respeitando a natureza, e depois quem não sabe queixa-se dela... As autarquias são obrigadas pela actividade dos seus qudros técnico-profissionais a impedir um crescimento desordenado e incorreto das malhas urbanas, mas o que se vê, não apenas em Albufeira mas um pouco por todo o Algarve, são construções em zonas de risco elevado - seja devido à possibilidade de cheias ou à aproximação de arribas e outras. E tudo isto porquê? pelo culpado do costume, o poder económico sobrepõe-se ao poder politico, o qual, rendido à captação de dinheiro pouco mais produz que... palavras. A propósito, disse o ministro dos bonitos serviços, ex-vendedor de seguros: “foi uma fúria demoníaca da Natureza: Deus nem sempre é amigo”. (Estamos bem arranjados com estes palermóides)

Em 2009 a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve embargou a obra de encanamento da ribeira de Albufeira, por falta de licença. A obra, adjudicada por 7,25 milhões de euros, fez parte do conjunto dos "grandes projectos" da cidade, segundo a visão da Autarquia, facilitando desde modo o alargamento da via rodoviária numa das principais entradas da cidade. A responsável da ARH Valentina Calixto despachou que o "objectivo da requalificação da ribeira era interessante (!!!), mas "têm de ser avaliadas as consequências que pode acarretar". A responsável lembrou que a ribeira entubada permite o escoamento com maior rapidez das águas para o centro da cidade em direcção ao mar, mas "a linha de água deixa de cumprir a sua função ecológica" O embargo de então, acrescentou, "poderia ser evitado se tivesse sido submetido o projecto para avaliação". Fazia-se à mesma. O Município, preferiu arriscar o pagamento da coima, e podia ter sido obrigado a "repor a situação" e a retirar as manilhas já instaladas. Podia mas não foi isso que aconteceu, de algum modo obscuro a presidência da Câmara Municipal PSD conseguiu limpar o incómodo e a obra foi concluida sem mais entraves ou satisfações a dar.

Respigado do blogue Olhão Livre: "Passados 6 anos e quando choveu a sério, as previsões confirmaram-se e Albufeira ficou alagada de agua e não foi só na Zona Ribeirinha, mas também em algumas zonas altas. A desculpa da maré estar cheia não funciona pois a maré nesse dia às 11,30h estava em baixa-mar. Quem ao longo dos anos foi encanando as ribeiras e autorizando a construção em leito de cheia? Só não houve vitimas mortais, na baixa de Albufeira, porque os bombeiros salvaram várias pessoas de morrerem afogadas, mesmo com falta de meios, conforme se viu nas imagens televisivas. E agora os culpados por essa obras, não vão ser chamados à responsabilidade? Ou mais uma vez a culpa vai morrer solteira,e os responsáveis ficam-se a rir? As vitimas desta tragédia, devem exigir responsabilidades aos responsáveis!" A natureza, tem esse hábito de de vez enquanto reclamar aquilo que em tempos lhe pertenceu, foi o que aconteceu em Albufeira; e vai continuar a acontecer, um pouco por todo o Algarve, enquanto não houver uma politica de desconstrução do betão e asfalto que vigora desde os anos 60. (fonte)

domingo, outubro 25, 2015

“Os tiranos só são grandes porque o povo está de joelhos” (La Boétie)

tirada a papel-quimico do Discurso da Servidão Voluntária" (1574) a natureza profundamente anti-democrática do Eurogrupo e (ilegalista) da União Europeia revela-se pela segunda vez, primeiro com o boicote a um governo de esquerda na Grécia, agora de novo com a não nomeação pelo lacaio-presidente de serviço dos partidos de esquerda para formar goverrno em Portugal. (via Democracia Solidária) . Como já tinha sido notado na imprensa britânica, também Jacques Sapir vem alertar para um precedente que nem os próprios portugueses estão ainda a compreender bem: “Portugal foi vítima nos últimos dias de um golpe silencioso organizado pelos lideres pró-europeus deste país [1]. Este acontecimento é particularmente grave. Ocorre lembrar a memória recente do golpe contra o governo grego gerido através de uma combinação de pressão política do Eurogrupo e pressões econômicas (e financeira) do Banco Central Europeu. Estas acções confirmam a natureza profundamente antidemocrática, não só da zona euro, mas também, deve compreender-se, da União Europeia.

Tem sido dito, e muito, nomeadamente em França e na imprensa europeia que a coligação de direita ganhou as últimas eleições portuguesas. Isso é falso. Os partidos de direita, liderados pelo primeiro-ministro M. Passos Coelho reuniram 38,5% dos votos e perderam 28 assentos no Parlamento. A maioria dos eleitores portugueses que votaram contra as mais recentes medidas de austeridade é de 50,7%. Esses eleitores focaram a sua votação na esquerda moderada (PS), mas também no Partido Comunista Português e outras formações da esquerda radical. Na verdade, o Partido Socialista Português tem 85 assentos, o Bloco de Esquerda 19 e o Partido Comunista Português 17. O que nos 230 lugares no Parlamento dá 121 lugares às forças anti-austeridade quando a maioria absoluta é 116 lugares [2]. Pode vir a ser encontrado um acordo entre os partidos de direita e o Partido Socialista. Mas este acordo não foi claramente possível pela presença desafiadora do programa de austeridade resultante do acordo entre Portugal e as instituições europeias. Esta é uma reminiscência da situação na Grécia ... Os Socialistas e o "Bloco de Esquerda" disseram claramente que o acordo deve ser revisto. Esta é a decisão em que o presidente Cavaco Silva se baseou para rejeitar a proposta apresentada para um governo de Esquerda. No entanto, a sua declaração foi mais longe. Ele disse: "Depois de todos os pesados sacrifícios feitas no contexto de um importante acordo financeiro, é meu dever e minha prerrogativa constitucional, fazer todo o possível para evitar falsos sinais a serem transmitidos às instituições e investidores financeiros internacionais. "Essa é a declaração verdadeiramente problemática. O Sr. Cavaco Silva acredita que um governo de esquerda unida pode levar a um confronto com o Eurogrupo e com a UE o que é mesmo muito provável no caso. Mas, numa República Parlamentar, como é actualmente a de Portugal, não está no poder do presidente interpretar intenções futuras para se opôr à vontade dos eleitores. Se uma coligação de esquerda e da esquerda radical tem uma maioria no Parlamento, e se mostra - foi este o caso – ter um programa de governo, ele deve ser nomeado. Qualquer outra decisão é equivalente a um acto inconstitucional, um "golpe-de-estado".

A situação económica em Portugal 
Esta "resposta positiva" do Presidente face à situação económica em Portugal, muitas vezes apresentada - erroneamente - na imprensa como um "sucesso" das políticas de austeridade, continua a ser muito precária. O défice orçamental atingiu mais de 7% em 2014 e deve ser bem acima dos exigiveis 3% este ano. A dívida pública é superior a 130% do PIB. E se a economia tem novamente algum crescimento, em 2015 ainda está ao nível de 2004. As condições de vida regrediram mais de dez anos pelas políticas de austeridade, com um desemprego extremamente alto. Na verdade, as "reformas" que têm sido impostas em troca do pacote de ajuda ao financiamento da dívida e os bancos não têm resolvido o principal problema do país. Este problema é a produtividade do trabalho que é muito baixa em Portugal, e isto por várias razões, uma força de trabalho mal preparada e investimento produtivo em grande medida insuficiente. Portugal, entre 1980 e 1990 poderia acomodar a baixa produtividade, pois poderia deixar sua moeda depreciar-se. Desde 1999 e da entrada no Euro, isso é impossível. Portanto, não é surpreendente que a produção tenha estagnado... (continua)

sexta-feira, setembro 18, 2015

sobre a Dívida, qual a sustentabilidade de que falam os "Credores" internacionais e os seus agentes internos?

Merkel e Yellen, a dependência
Acabado de ver no canal europeu "Euronews", a retórica começa assim: "Estamos presos num dilema em que a resposta de curto prazo é 'Hey, cada um de nós tem que viver dentro das suas possibilidades". Mas essa não é uma resposta que se possa aplicar a um país, porque há medidas sociais que não são mensuráveis em dinheiro, porque isso significa simplesmente que um país se pode tornar cada vez mais pobre" - e essa questão é travestida para: "Como é que os países podem decidir o quanto eles se podem dar ao luxo de pedir emprestado? (mas de seguida nada se diz do luxo ao qual outros paises se podem permitir emprestar consoante o seu pode de "imbalance" - o que uns tiram, faz falta aos outros). A peça televisiva passa de seguida a analisar os casos mais dramáticos do sistema, Portugal e Grécia: "a sustentabilidade da Dívida tornou-se uma questão crítica para ambos os governos e investidores internacionais durante a última meia década de crise financeira. Como todos os países precisam de pedir emprestado para financiar as suas economias, é de vital importância a politica de bailout da Europa para paises como a Grécia e Portugal".

Adiante explica-se "minuciosamente" como funciona o sistema neoliberal através de gráficos: Os "investidores" pedem dinheiro aos bancos emissores emprestando-o por sua vez aos Estados, que depois pagam os empréstimos com juros a esses investidores privados. Lindo serviço. Temos assim uma situação em que os investidores privados pedem dinheiro a uma taxa próxima do zero, como Janet Yellen reafirmou hoje, e os utentes da banca, ao efectuarem pagamentos com um simples cartão-de-crédito sujeitam-se a pagar juros entre 15 e 19%. Pôr a economia a pagar juros leoninos a investidores privados é um bom negócio para a cáfila de parasitas que o povo sustenta. Como é que isto se pode pôr em causa pelos partidos do arco da governação dos interesses desses investidores privados?

 

Este cabeçalho "noticioso" de ontem refere-se a um relatório do BCE de há 3 anos, mas só agora veio à baila, insinuando-se que o total da ajuda aos Bancos (para explorarem o povo)  rondaria apenas os 20 mil milhões de euros! na verdade, desde 2008, os números da própria Comissão Europeia totalizam 86,58 mil milhões. (conferir aqui). Os valores surripiados pelas diversas quadrilhas acolitadas desde sempre no poder são, como se vê, muito maiores. Isto é prova provada de que a divida não é do Povo Português, mas dos Banqueiros ao serviço de um Europa colonialista. Logo, essa dívida é ilegal e odiosa face ao direito internacional. Assim sendo, nenhum dos partidos que se apresentam ás eleições legislativas que escondam a sua posição face a esta ilegalidade merecem o apoio das vitimas deste roubo gigantesco.

quinta-feira, agosto 20, 2015

Eric Toussaint apresenta conclusões da auditoria à dívida (legendado em português)

320 mil milhões de euros é o total de "dinheiro" emprestado à Grécia, o equivalente a cada grego ter contraído uma Dívida de 29.000 euros. Quantos gregos terão gasto ou adquirido bens nesse valor ou ter esse valor no banco? Como é possivel continuar a acreditar que este sistema de endividamento tem um pingo de legitimidade? (fonte)

 A Comissão para a Verdade sobre a Dívida Pública Grega apresentou as suas primeiras conclusões em Junho de 2015. É nesse quadro que Eric Toussaint, que coordena os trabalhos da comissão, resumiu em 17 de junho de 2015 os resultados, numa sessão pública no Parlamento helénico. No Portugal sob a pata de governos PSD/CDS/PS não existe comissão alguma. Ainda assim, a análise politico-económica é importante mas não chega: é preciso conjugar estas conclusões com medidas estruturais que cortem com o sistema na raiz e medidas judiciais que obriguem a trazer os fautores da dívida ao banco dos réus para responder perante o povo.
33min.57seg.
video traduzido seleccionando legendas em português no menu inferior 

quarta-feira, julho 08, 2015

bate-papo entre liberais em busca da reciclagem do capitalismo

porque o Verão não tem de ser tempo de literatura light, um livro recomendado pelo professor Carlos Fiolhais: onde se aprende sobretudo pelo que fica omisso em relação à disciplina de Economia Politica

respigado da sinopse do livro: 
"Pensando no que aconteceu em 2007 e 2008 —, o certo é que muitos economistas não foram capazes de prever esse momento crítico, tanto à escala dos Estados Unidos como global.

Paul Krugman: não, não previ propriamente… Pensei que alguma coisa iria correr mal, mas a uma escala que nada tinha que ver com a daquilo que realmente se passou. Pensei que a bolha do imobiliário seria feia, mas a escala do desastre foi um choque para mim (…) Não previ a crise, mas fomos muitos a dizer depois: Ouçam, não acreditem naqueles que passam o tempo a dizer‑nos que a emissão de dinheiro pelos bancos centrais vai causar uma inflação galopante, que os défices orçamentais vão repercutir‑se desastrosamente sobre as taxas de juro… Não é assim que as coisas se passam...

não há inflação? e juros sobre a dívida? há?
Joseph Stiglitz: parece‑me, entre outras coisas, que a recuperação económica não tem corrido especialmente bem, e também claro que a política monetária não é uma resposta suficiente. Pouco pode fazer. Penso que o Paul tem razão quando diz que os medos — todo esse discurso que pretendia que a impressão de papel‑moeda, ou como se lhe queira chamar, seria inflacionista eram absurdos, e que isso ficou demonstrado. Mas também é verdade que houve economistas que pensaram que a política monetária resolveria os problemas. Bem, vocês sabem como costumo descrever o raciocínio deles, quer dizer, a ideia de que pôr os bancos e os hospitais durante um ano e meio a darem‑lhes não uma transfusão de sangue, mas uns quantos milhares de milhões de dólares melhoraria as coisas e poria a economia de novo a funcionar. É evidente que não tinham razão e que havia necessidade de uma política orçamental efectiva, de estímulos efectivos, e a verdade é que, em termos fundamentais, a economia estava já em quebra antes da crise, servindo‑se da bolha para continuar a funcionar.

Thomas Piketty: penso que a ideologia faz sentir muito o seu peso entre os economistas e que muitos deles têm uma visão do mercado que não só é idealista e ingénua, como tenta sobretudo demonstrar que os mercados funcionam eficazmente, funcionam perfeitamente bem. Julgo que é igualmente por razões ideológicas que os economistas perdem por vezes muito tempo a construir modelos matemáticos complicados, tentando provar a eficiência dos mercados de um modo que impressione as outras disciplinas por meio dessas construções que dão uma aparência mais científica às suas ideias

Paul Krugman: Pode parecer uma brincadeira, mas é isso mesmo que se passa.

Thomas Piketty: A nossa única vantagem por comparação com as outras pessoas é que somos pagos para recolher dados e tentar compreender os mecanismos ou modelos sociais e económicos que possam explicá‑los, e teremos de ser modestos, de nos contentar com progressos limitados, se quisermos ser úteis, embora nem sempre seja evidente que os economistas produzam um trabalho muito útil".

"nacionalizar os bancos e pôr a tropa a guardá-los"

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depois do "Não" no referendo de domingo a "União" Europeia endureceu a sua posição: que se lixe o povo! a Grécia recebeu um novo Ultimato: "têm 48 horas para aceitar do "programa de ajuda" neoliberal ou enfrentar o colapso dos bancos (como a UE já tinha avisado antes) e a saída do euro. O "Grexit" já começou..." (The Guardian)

"Não contem com qualquer reestruturação da dívida porque isso não passa nos Parlamentos do centro e norte da zona euro. Ponto final e é pegar ou largar" (Democracia Solidária)
recordar: 
Auditoria Parlamentar diz que a Grécia nada recebeu, que se trata de uma burla dos mercados financeiros internacionais sobre e com a conivência dos anteriores governos (ver: A espiral da Dívida que fabrica a "Crise")

sábado, julho 04, 2015

a espiral da Dívida que fabrica a "Crise"

o FMI fez a resenha das necessidades financeiras que o Estado grego vai precisar para "sobreviver" (aqui). Se vencer o "sim" não será dificil imaginar para onde irá parar mais dinheiro emprestado como dívida. Do destino das "ajudas" anteriores o FMI demite-se:
Em Portugal, com uma dívida 1,3 vezes superior ao PIB, os "financiamentos nos mercados" são para pagar empréstimos, num vórtice de dívida. É aquilo a que oficialmente o IGCP diz representar "trocas de dívida pública" ou "amortizações de dívida pública" - enviar o endividamento para as gerações futuras (veja como)
"a vergonhosa politica dos dois paus e duas medidas do FMI e BCE: um governo eleito pode ser impedido de fazer aquilo para que foi eleito? (The Independent)

As dividas públicas são um mega esquema de corrupção institucionalizada. O Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) foi criado por imposição do FMI (Comissão Europeia)

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segunda-feira, junho 22, 2015

o Domínio dos Monopólios e a sua fusão com o aparelho de Estado

o Capitalismo monopolista de Estado pode assumir diferenças consoante a natureza das classes que dominem a sociedade. Ou que pareçam dominar quando assessorado por grupos  a troco de algumas insignificantes migalhas do Poder.
ó pá, eu sou candidato, vem votar em mim
A contradição Povo-Monopólios pode contudo suscitar, sem que disso haja consciência, uma aliança de classes em luta por um capital não-monopolista numa democracia avançada do ponto de vista burguês conduzido pela diplomacia política do capital monopolista. As formas e o ritmo do processo de concentração, expresso nas formas de persistência de capital não monopolista, constituem frequentemente simples medidas estratégias que servem os interesses políticos do capital monopolista, assegurando a sua hegemonia política sobre a burguesia como totalidade e mantendo a coesão política do bloco do poder face à classe operária e aos trabalhadores do sector produtivo. O capital monopolista significa os empreendimentos dominantes em certos ramos-chave da produção. Deste modo o bloco dirigente, alargado a esses grupos da intelectualidade pequeno-burguesa, é controlado pelo capital monopolista.

segunda-feira, junho 08, 2015

a Fraude na Privatização da TAP

Argumentando que a TAP tem uma dívida impagável de mil milhões de euros que considera irá lançar irremediavelmente a empresa na falência, o Governo está disposto a pagar mais que esse prejuízo para entregar a TAP a um privado. Quer dizer, a região autónoma da Madeira tem uma dívida de 10 mil milhões e essa dívida pode ser reestruturada, segundo promessa (cumprida) do tipo que anda por aí fardado de 1ºMinistro; a dívida de mil milhões da TAP não pode ser renegociada pelo Estado...E para completar o triste espectáculo desta privatização, o Governo promete ajudar o novo dono da TAP a renegociar a dívida... (Dinheiro Vivo)


Para mais informações acerca do escândalo da venda da TAP, poderá consultar a página "Não TAP os Olhos" ou mercadosfinanceiros.org. 5 de Junho de 2015


Segundo alguém que no principio desta legislatura acreditava neste governo, “os dois senhores que estão a concurso [Efromovich e Neeleman] são trânsfugas, tentando resolver os problemas das empresas onde já estão instalados e não o problema da TAP. No universo dos dois candidatos a TAP é uma estrutura pesada que não está ao alcance de nenhum deles rentabilizar. E cada vez estou mais convencido de que não vai haver um candidato vencedor” disse José Roquette, pese a súplica do ministro para garantirem mais uns trocos” (Ionline)
«Estamos a ser aldrabados» afirma Carlos Paz, arrasando a privatização: “o processo de privatização foi desenhado por pessoas sem escrúpulos, foi aprovado por politicos desonestos, está a ser conduzido por corruptos e, apesar da existência da capa de uma comissão independente (ciosa da ribalta mediática), será concluido da forma que melhor servir uma enorme rede de interesses instalados. Sem qualquer respeito pelo País, pela empresa, pelos trabalhadores e pelos trabalhadores de TODAS as empresas cuja actividade depende directamente da actividade da TAP. Acima de tudo, sem qualquer respeito pelos portugueses!”. (ler aqui a fundamentação detalhada destas acusações). A 27 de Maio em comunicado da Comissão de Trabalhadores do grupo de acompanhamento ao processo de privatização da TAP transmitiu as suas preocupações relativamente a esse processo pela total falta de transparência e lisura. (ler aqui)
Finalmente, os detalhes da negociata dos interessados na TAP ainda não foram comunicados a Bruxelas, podendo as condições contratuais danosas vir a ser impugnadas mais tarde. Em caso de privatização as regras da Comissão Europeia são claras: “as autoridades nacionais devem garantir que a posse do capital accionista de uma companhia aérea sediada na Europa não pode ser detido em mais de 50% por um candidato ou empresa não-europeus, exigindo que o controlo efectivo permaneça em mãos europeias". Ora German Efromovich tem um passaporte manhoso passado pela UE segundo critérios vagos de ascendêndia judaica na Polónia três gerações atrás… e David Neeleman é apenas brasileiro, embora tenha um sócio português, mas minoritário. (Dinheiro Vivo)

domingo, maio 24, 2015

TAP - o problema é Pais do Amaral?

A privatização da TAP já o é antes de o ser. Por onde andará o ex-ministro Relvas? "Ainda que um dos três fundos norte-americanos que se juntaram a Pais do Amaral fosse especializado em aviação, o perfil do seu consórcio não é o mesmo dos de Efromovich e Neeleman, ambos empresários do sector, ambos com companhias regionais, ambas brasileiras. É no Brasil que a TAP tem a mina de ouro" (Dinheiro Vivo).

Portanto, usando uma simples regra de três simples, atendendo às ligações de Miguel Relvas e Gérman Efromovich vindas a público na última tentativa de privatização da TAP em 2012, já se sabe antecipadamente quem vai ter a oportunidade de ser promovido de regional a supranacional ao abocanhar o hub de Lisboa, passando a ser brasileiros a mandar em mais um sector estratégico para a economia que deveria ser dos portugueses. A imprensa brasileira disse então que Miguel Relvas estava a ajudar o empresário judeu colombiano-brasileiro e agora polaco pelas origens (para fugir aos impostos) a garantir a sua posição no negócio, para o que se socorria de consultoras brasileiras e portuguesas ligadas a José Dirceu, antigo chefe da casa civil de Lula da Silva. "O Globo", a 28 de Outubro de 2012, publicou um texto de Ancelmo Goes onde este dizia que “quem está ajudando o empresário Gérman Efromovich a comprar a TAP é o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas” que “tem amigos influentes no Brasil — inclusive, Zé Dirceu". Tinhamos então um caso grave de promiscuidade entre um escritório de advogados com ligações político-partidárias ao partido do Governo, que no caso da TAP está a fazer assessoria à Parpública, portanto ao Estado, e no caso da ANA está a fazer assessoria a um concorrente. É era este Governo que fazia a ligação entre os dois processos. Ora José Dirceu foi condenado há cerca de um mês a mais de 10 anos de prisão por envolvimento no caso Mensalão (com ligações a Portugal nunca investigadas). Pergunta-se: a convivência continuada com pessoas desonestas (assim declarada pela justiça brasileira) fazem delas honestas quando se trata da venda da TAP...? qual a verdadeira razão da privatização da TAP? será que ainda veremos Passos Coelho como gestor da TAP quando largar o esvaziado pote nacional?

quarta-feira, maio 20, 2015

o fim do significado do Trabalho

A maioria dos activistas do mundo do trabalho reclamam um salário mínimo mais elevado. Esse é um objectivo muito louvável, mas será aí que reside o maior problema? Nos Estados Unidos, que é de onde provêm os modelos com aplicação global, mesmo com os salários abissalmente baixos no momento presente, a McDonalds acaba de despedir 938.000 pessoas para readmitir outras com condições mais precárias e salários mais baixos, porque ainda não há suficientes McEmpregos.

Na generalidade, na terceirização da economia simbolizada pelos call-centers e outsourcings, o verdadeiro problema é a falta de Trabalho significativo nos meios de produção que criam valor mais pela tecnologia que pelo homem. Num mundo de Máquinas (que "desqualificam o trabalhador reduzindo-o a um acessório da máquina") de Alienação social e ausência de propriedade colectiva encontrar um trabalho decente é de uma escassez igual às áreas devastadas pela seca. Uma das causas da crise do emprego é a implacável deslocalização da produção para países estrangeiros, fora da jurisdição da soberania dos paises onde os trabalhadores reclamam por um salário mínimo decente. No entanto, ainda mais insidiosa tem sido a substituição dos trabalhadores humanos por maquinaria robotizada com a exclusiva finalidade de obter maiores lucros para os capitalistas. Durante centenas de anos, a famosa ética protestante do capitalismo elogiou o trabalho duro e a competência na sua execução como ideais pelos quais valia a pena lutar. Não é fácil repudiar esses princípios. Mas que acontece quando a eficiência e a produtividade significa eliminar os seres humanos? É duvidoso os capitalistas primordiais cujo slogan era "vencer na vida por mérito no nosso trabalho" jamais imaginassem que impedir a maioria das pessoas de trabalhar poderia ser uma possibilidade. Mesmo aos dias de hoje, muitos teóricos do capitalismo consideram que a inovação nos meios tecnológicos e a eficiência que proporcionam são os principais motores do progresso humano. Por algum tempo, pareceu que este principio era indiscutível. No livro "The Rise of the Robots", o autor Martin Ford descreve o primeiro quarto de século após a Segunda Guerra Mundial como a "idade de ouro" da economia. (norte-americana, está claro). Produtividade, emprego e salários avançavam em sincronia. Sem atender à lei da queda tendencial do lucro, os economistas formados para iludir a economia-politica assumiram que o tal "crescimento" iria continuar indefinidamente. Foi o glorioso mercado livre do pleno emprego, da promessa de salário digno para todos. Então, na viragem do século tudo desabou.

Para se concluir que o povo trabalhador que vive da venda da sua força de trabalho está doravante a enfrentar outra coisa qualquer que não já o "capitalismo", relembre-se que até mesmo Adam Smith, o autor da famosa obra "A Riqueza das Nações", o teórico que popularizou a Mão Invisível, afirmava: "quando a regulação é, portanto, de apoio ao trabalhador, é sempre justa e equitativa; mas às vezes é o contrário, quando a regulação é feita em beneficio dos mestres... Nenhuma sociedade pode ser florescente e feliz na qual a maior parte dos membros são pobres e miseráveis" - o economista Joseph Stiglitz acrescentou sobre os ilusórios mecanismos de auto-regulação no capitalismo: "a razão pela qual a mão invisível muitas vezes parecia invisível foi porque ela não estava lá"  

sábado, maio 16, 2015

2 Segurança alimentar e ambiental 

proteja o seu bébé, dê-lhe o tomate dos gajos
A agenda do TTIP sobre “convergência regulamentar” tentará aproximar as normas da UE em matéria de segurança alimentar e do ambiente às dos EUA. Mas os regulamentos norte-americanos são muito menos rigorosos, com 70 por cento de todos os alimentos processados vendidos nos supermercados dos EUA contendo actualmente ingredientes geneticamente modificados. Em contrapartida, a União Europeia praticamente não autoriza alimentos geneticamente modificados. Os EUA também têm restrições muito mais laxistas sobre o uso de pesticidas. Também usam hormonas de crescimento na carne que são restringidas na Europa devido a ligações ao cancro. Os agricultores dos EUA tentaram ver-se livres essas restrições várias vezes no passado, através da Organização Mundial do Comércio e é provável que eles tentem usar o TTIP para tal novamente.
O mesmo vale para o meio ambiente, onde a regulamentação REACH da UE é muito mais exigente em relação a substâncias potencialmente tóxicas. Na Europa, uma empresa tem de provar que uma substância é segura antes dela poder ser usada; nos EUA, aplica-se o princípio contrário: qualquer substância pode ser usada até que se prove insegura. Como exemplo, a UE proíbe actualmente 1.200 substâncias de serem usadas em cosméticos; os EUA apenas 12.
na economia 
"Se as taxas alfandegárias de 14,4 por cento sobre as importações de produtos de tomate desaparecerem, como está previsto no Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP na sigla em inglês) entre os Estados Unidos e a União Europeia, metade da indústria da UE também desaparece (...) e Portugal é o quarto exportador mundial de tomate de indústria, lidera no rendimento agrícola deste produto na UE e exporta 95% da produção." (Aicep/Publico)

domingo, maio 10, 2015

emprestar, consumir, pagar

Foi o crédito fácil ao Consumo que transformou a maioria dos portugueses em escravos da Dívida.

80 por cento das famílias estão falidas – 1,4 mil milhões de euros de crédito malparado quando Coelho e Portas tomaram posse – para 5,9 mil milhões quando este “governo” está prestes a ser expulso do pote. Mas deixam metástases, um legado de “contabilidade criativa” cuja gestão de prejuízos é lançada direitinha para o próximo governo; que quando lá chegar irá dizer que não sabia, não vão poder cumprir com algum hipotético programa que tenham prometido, infelizmente temos de continuar a aplicar as mesmas, ou ainda mais, medidas de contenção de despesas ie austeridade, etc.

Cavaco tomou posse em 2006 com Portugal a dever 187,1 mil milhões de euros. Chegará ao fim do seu período de validade, já expirado à muito, com Portugal com uma dívida situada nos 228,9 mil milhões. Dados de 2014, porque entretanto até Abril de 2015 já atingiu os 234,5 mil milhões de euros. No mesmo período, os Bancos privados conseguiram diminuir a dívida de 97,8 mil milhões que se registava em 2006 para 69,2 mil milhões em 2012. Mas o Banco de Portugal que tinha em 2006 uma dívida de 4,2 mil milhões devia em 2012 dez vezes mais: 44,1 mil milhões. Voltando ao crédito ao Consumo, dizia-se que a abertura das grandes superfícies sem limites horários, incluindo aos domingos, conjugada com a “flexibilidade” cavaquista iria criar mais empregos. Viu-se. A demissão do Estado no controlo da proliferação de empregos de merda permitiu aos hipermercados destruirem milhares de pequenos comércios de proximidade nos bairros e nos centros históricos
E a labuta continua. Impõem Portugal a crescer pelo Consumo, enquanto as multinacionais estrangeiras crescem pela Produção e lucram com sangria de divisas que sai do país para pagar importações, a maioria das quais supérfluas. (p/e o Eurofund)

quinta-feira, maio 07, 2015

por uma moeda única mundial

O decadente dólar como moeda de hegemonia global vem juntar-se às guerras cambiais. A soma de todas as balanças comerciais do mundo é igual a zero, o que significa que nem todos os países podem ser exportadores líquidos - e que guerras cambiais acabam sendo jogos de soma zero. É por isso que a entrada dos EUA na guerra cambial era apenas uma questão de tempo. (Nouriel Roubini, Maio de 2015). É também por isso que na República Popular da China se advoga abertamente a criação de uma moeda única global (afinal uma ideia de Keynes não aceite em 1945) que possa reflectir o valor trabalho e ponha termo às infames disparidades nas trocas desiguais e especulações financeiras.  

A batalha de Waterloo, os assassinatos de seis presidentes dos Estados Unidos, a ascensão de Adolf Hitler, duas grandes guerra mundiais, a deflação da bolha económica japonesa em 1994, a crise financeira asiática de 1997-98, a destruição ambiental, tudo no mesmo mundo desenvolvido, no best-seller editado na China “As Guerras Cambiais” (Currency Wars) esses eventos díspares abrangendo dois séculos têm uma única raiz causuistica: o controle da emissão de moeda através da história pela dinastia dos banqueiros Rothschild. Ainda hoje, reclama o autor Song Hong-bing, a Reserva Federal dos EUA continua a ser um fantoche dos bancos privados, que em última análise, também devem vassalagem aos omnipresentes Rothschilds. Uma tal super-abrangente teoria da conspiração interessa tanto quanto os muitos fétidos ensaios que ainda podem ser encontrados no Ocidente sobre os "gnomos de Basileia" e manipulação das finanças globais por Wall Street?
Mas na China, que se encontra no meio de um longo debate sobre a abertura do seu sistema financeiro sob pressão dos Estados Unidos, o livro tornou-se um surpreendente êxito e está a ser lido em níveis superiores do governo e de empresários envolvidos em negócios com o estrangeiro - "Algumas cabeças seniores de empresas foram-me perguntando se tudo isso é verdade", diz Ha Jiming, economista-chefe da “China International Capital Corp”, o maior banco de investimento nacional. O livro dá também argumentos, para os muitos economistas que na China argumentam que Pequim deve resistir à pressão de os EUA e outros países para permitir que sua moeda, o renminbi, se possa valorizar. A editora do livro, uma unidade de produção do grupo estatal CITIC, disse que as Guerras Cambiais” publicaram até agora cerca de 200.000 livros, estimando que tivessem sido fotocopiadas mais 400.000 exemplares. Song Hong-bing, consultor de tecnologias de informação e historiador amador que viveu nos EUA, diz que o seu interesse foi despertado pela tentativa de descobrir o que esteve por trás da crise asiática em 1997. Depois que começou a blogar algumas de suas descobertas, os seus amigos sugeriram que ele devia encontrar um editor para o apoiar num trabalho mais longo. Hoje confessa-se surpreendido com o sucesso do livro - "nunca imaginei que pudesse despertar tanto interesse (…) as pessoas na China estão nervosas sobre o que está a acontecer nos mercados financeiros globais, e não sabem como lidar com os perigos reais. Este livro dá-lhes algumas idéias". O que mais choca as pessoas, diz o autor da descoberta, é que a Reserva Federal (FED) é um banco de propriedade e gestão privada. "Eu próprio nunca poderia imaginar que um Banco Central pudesse ser um organismo privado".

A Reserva Federal faz-se descrever como “uma mistura pouco comum de elementos públicos e privados". Conquanto os seus sete governadores sejam todos nomeados pelo presidente dos Estados Unidos, os bancos privados detêm as acções dos seus 12 Bancos de Reserva Regionais. Podemos ignorar o papel do governo e pensar que é esta corporação financeira que selecciona os presidentes levados a eleição. A FED é em última análise controlada por cinco bancos privados, entre eles o Citibank e o Goldman Sachs, os quais mantêm uma "relação estreita" com os Rothschilds, descrita no livro como tendo as características de um clã judaico. "O povo chinês pensa que os judeus são inteligentes e ricos, por isso, devemos aprender com eles (…) mesmo eu acho que eles são muito inteligentes, talvez as pessoas mais inteligentes da terra". Jon Benjamin, presidente-executivo da Câmara de Deputados dos Judeus Britânicos, não está impressionado. "Os chineses têm o maior respeito por aquilo que vêem como perspicácia intelectual e comercial dos judeus, e têm pouca ou nenhuma cultura de anti-semitismo. Esta afirmação, no entanto, joga as cartas mais desacreditadas e obsoletas que cercam os judeus e a sua influência. Que estes pudessem vir a ganhar dinheiro emitido por um Banco Central na economia emergente mais importante do mundo é uma grande preocupação”. O livro vem sendo ridicularizado na internet chinesa a partir do exterior, por exagerar a influência dos Rothschilds e ser uma contrafacção das teorias da conspiração inventadas no Ocidente. As “Guerras Cambiais” narram as crises financeiras até à década de estagnação no Japão e da crise financeira asiática, que segundo o autor tiveram um impacto profundo em muitos decisores das políticas chinesas. Tais funcionários executivos permanecem profundamente desconfiados do “aconselhamento” gentilmente prestado por países capitalistas ocidentais que seria muito mais benéfico abrir o sistema financeiro da China e fazer flutuar a moeda nos mercados cambiais. “Pensamos que esse “conselho” é apenas uma nova forma de saquear países em desenvolvimento". Entretanto, o autor foi contratado pelo governo para escrever uma série de novos livros capitalizando o seu sucesso, sobre o yene, o euro e também sobre o sistema financeiro da China.

Mas, ao tempo do lançamento em entrevista ao Financial Times, Song Hong-bing parecia hesitante sobre a linha que os seus futuros livros deviam tomar - "este livro pode estar totalmente errado, por isso, antes do próximo, tenho que ter certeza que o meu entendimento está certo (…) antes deste livro, eu era um zé-ninguém, podendo dizer qualquer coisa dependendo apenas do meu gosto, mas agora a situação mudou". Certo é que logo ao 2º livro Song Hong-bing ilustrou a capa com a famosa mão invisivel que mexe na sombra os cordelinhos de toda a economia Ocidental. Desde 2011 “Currency Wars” já conta com 5 novas sequelas e actualizações estudando vários períodos e moedas susceptiveis de entrar em guerra.

fontes e leituras complementares
1. "O fim do dólar como moeda de reserva global? A China anuncia planos para a criação de uma moeda mundial. Currency Wars: The Making of the Next Global Crisis", James Rickards  
2. Os chineses compram as teorias da conspiração (Financial Times, Setembro de 2007)
3. O ultra-secretismo que rodeia as negociações de Barack Obama para um novo Tratado Económico Global (The Economic Colapse, Maio de 2015)
4. O "Bancor", uma moeda supranacional proposta pela Inglaterra como potência hegemónica cessante por Lorde Maynard Keynes, não aceite no final da 2ª GGuerra pelos triunfantes capitalistas imperialistas dos Estados Unidos (wikipedia)

Espero voltar, se encontrar emprego, só espero que para o ano a sra Ministra já não esteja lá



quinta-feira, abril 30, 2015

afinal Portugal está diferente da Grécia em quê? (II)

e se em vez de averiguar o que se propõem continuar a fazer para o futuro, 
se fizesse uma auditoria ao que foi feito no passado?
acontece que o autor do bitaite de psd é de uma estirpe mentecapta, diria mesmo filha da puta

Nunca devemos subestimar a capacidade das duas associações de interesses do Bloco Central de dar tiros nos pés. "Ao contrário do que tem sido dito pelo governo no constante vangloriar pela redução pela redução para minimos históricos das taxas de juro, "e ainda bem", o mérito não é do primeiro-ministro mas de Mario Draghi. "Estamos a ser free-riders de um ambiente europeu positivo que nos diminui os encargos de serviço da Dívida mas que não nos diminui a Dívida, antes pelo contrário" (Francisco Seixas da Costa, entrevista ao DN)
  18 Abril
"Entre 2011 e 2013, Portugal perdeu 6 por cento do PIB nos três anos em que PSD, CDS e a "troika' governaram este país às mãos da recessão causada pela austeridade e políticas agressivas contra os salários" (Mariana Mortágua em Dezembro de 2013)

 Qual a razão porque no site do Ministério das Finanças o gráfico da evolução da Dívida Pública pára em 2011?
vai uma ajudinha? A dívida pública portuguesa no final de 2013 era de 204.252.341.733€. No final de 2014 era de 217.126.401.453€. No final de Fevereiro de 2015 era de 228.226.646.971€.  E no entanto dizem que dívida pública está controlada:

terça-feira, abril 07, 2015

Desemprego. Segundo as manigâncias do governo, há menos desempregados “oficiais” do que gente à procura de emprego.

os números do desemprego (730 mil) que constam dos cálculos da deputada Isabel Moreira do Partido dito Socialista estão errados, até o próprio FMI diz que há meio milhão de desempregados ocultados das estatisticas, o que dará 22% e não os 14,3% do governo. Mas feitas as contas, sem ser as do FMI, o desemprego real é de 29% - o PS vai continuar a divulgar os dados que constam das estatisticas oficiais (e não os reais) e dar uma ajuda ao PSD dentro do espirito do Bloco Central? ... por experiência adquirida, a resposta parece óbvia. (ver aqui)
"A diminuição do desemprego e a criação de emprego são dois dados oficialmente referidos como sinais da retoma da economia, do fim da crise e do sucesso do programa de ajustamento. Na realidade, o mercado de trabalho português encontra-se numa situação depressiva sem precedentes e sem perspectivas de recuperar a prazo"; e, apesar da evidência, dizem esta coisa espantosa: há menos desempregados “oficiais” do que gente desesperada à procura de emprego.

Já em 2012 tais números não eram realistas, porque não contemplavam os designados inactivos disponíveis e os inactivos desencorajados que, se fossem considerados nessa estatística, fariam com que essa taxa ultrapassasse os 23% e que o número de desempregados se cifrasse nos cerca de 1,3 milhões. Segundo o último relatório do Observatório sobre Crises e Alternativas, estima-se que o desemprego real se situava  em finais de 2014 nos 29% da população activa revelando, uma vez mais, uma situação muito mais grave do que a estimada pelo Instituto de Estatística Nacional (INE) já que, ao contrário dos números oficiais libertados pelo INE, o Observatório contempla os ocupados, os migrantes e os subempregados.
 

um mistério a desvendar: porque é que o suplemento "Dinheiro Vivo" na edição virtual aponta uma taxa de desemprego de 15,5% e na edição em papel aponta essa mesma taxa para o número referido pelo FMI de 22%? (ver aqui)

quinta-feira, abril 02, 2015

Quando corpus morietur

portem Christi mortem, passionis fac consortem, et plagas recolere

Vamos crescer. E muita gente acredita, sem saber o que cresce, quando, nem para quem é o crescimento. Uma das promessas mais célebres foi feita, já o pessoal começava a andar chateado, pelo agente em Portugal da Goldman Sachs em Fevereiro de 2013. Em breve iria arquivar as promessas lá num cantinho do céu onde mais ninguém as viu. Videntes deste e de outros tipos anda o piedoso Cavaco a ungi-los à uma década. E os crentes, pagando fielmente as indulgências da austeridade, não desistem de se travestir de cristos. Com resultados fascinantes para os promotores do neoliberalismo em Portugal: Em apenas cinco anos, o número de pessoas e empresas falidas cresceu mais de 200 por cento. O desemprego real atinge os 29% (enquanto os estatisticocratas do governo dizem que aumentou para 14%). Há famílias a quem até a mobilia dos filhos é penhorada e outras que perdem a casa por uma dívida de 1800 euros de IMI. Mas enquanto a uns é apreendido para ser leiloado bolos e até o aquário dos peixes, outras piranhas cavaquistas nunca ganharam tanto dinheiro como agora. (Visão) 

Bater em mortos: Mariana Mortágua demonstra ao ministro Pires da Economia que 
não há nem crescimento nem nenhuma viragem económica
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