Nesta espectacular campanha para angariar fregueses a Universidade de Miami (Delta Gamma Recruitment, EUA) demonstra a qualidade do material que oferece, desde que, óbvio, haja dinheiro. Não há que ter medo, o Capitalismo é correr riscos. Podem tomar a iniciativa, pedem o valor das propinas à Banca e só pagam o empréstimo a partir que se formem e consigam “empresariar” um emprego, isto é, a divida deve estar saldada mesmo à ufa-ufa da reforma. Pequeno inconveniente: nos EUA são os 1,2 triliões de dólares que os alunos já devem aos bancos para tirar os cursos a crédito e não os podem pagar, atingindo a bolha as famílias e a economia como um todo. Como toda a falcatrua global, o esquema atinge toda a gente: na Universade de Laguna (Espanha) 3000 alunos já declararam falência e abandonaram a ilusão de ser “doutores” à pala dos lucros da banca. Se não tiver preocupações com questões de ética de género, atire-se de cabeça, também deve haver gajos com pinta (ou não?)
adenda: face ao escândalo, o video original foi entretanto censurado e "retirado ao abrigo dos direitos de autor", substituido por um versão soft extirpada de cus e mamas
.......
Uma simples mistificação dos economistas da escola neoliberal norte-americana, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias de Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos. Neste sentido, só o Presente é nosso, não o momento passado nem aquele que aguardamos, porque um está destruido, e do outro, se não lutarmos, não sabemos se existirá.
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domingo, janeiro 10, 2016
terça-feira, junho 30, 2015
a realidade não existe (pelo menos nos videojogos)
A estranha semelhança com o trágico acontecimento do ataque aos turistas assassinados a sangue frio na estância balnear da Tunisia demonstra que os jogos de vídeo como o GTA são instrumentos de treino online para a guerra. As vítimas são as nossas crianças que banalizam as mortes e os assassinatos em massa.
Tunimedia Net 28 de Junho de 2015
quarta-feira, dezembro 24, 2014
Christmas time, Music & “Fuck Your God”
Conhecida a publicação do relatório do Senado dos Estados Unidos sobre as torturas praticadas pela CIA imediatamente a pretexto do "11 de Setembro", o influente "New York Times" acaba de pedir que se investigue e criminalize a administração Bush, nomeadamente Dick Cheney e os oficiais sob a sua direcção pela prática de crimes de tortura.
Cheney veio de imediato a público dizer "que se fosse hoje não hesitaria cinco minutos para voltar a fazer o mesmo" (fonte)
Os pormenores que começam a ser conhecidos, antes informação classificada, são do anedótico até ao mais grave e francamente desumano (como a versão registada em video de que agentes da CIA violaram prisioneiros na presença das suas mães). Em lugar de destaque do relatório vem uma playlist da música usada por agentes ao infligir as sessões de tortura, método pelo qual se pretende alcançar um "choque prolongado" a prisioneiros muitas vezes privados do sono, ou a criar um efeito desorientador pelo "afogamento dos seus gritos" enquanto lhe mergulham a cabeça em bidons de água.
(este método é bem conhecida dos oficiais do exército português, cujos agentes da PIDE que lhes estavam adstrictos nas colónias em África a utilizavam de modo corrente, ainda que sem música).
Técnica aperfeiçoada pela CIA, a música em altos berros é tocada por dias a fio, mostrando, como sugerido por Baudrillard, que o inferno é a repetição sempre do mesmo...
A playlist divulgada consiste principalmente em heavy-metal e hard-pop, cenas associadas à inutilização da mente e subjugação, preocupantemente incluindo temas aplicadas à juventude ainda não torturável fisicamente, como a "Rua Sésamo" e a popular série yankee "Barney&Amigos" repetidos em ciclos ad infinitum tipo desenho animado para quebrar a força mental e conduzir à falência fisica dos encarcerados (infelizmente sem muito sucesso, segundo o relatório do Senado). O grupo de música-electro-industrial Skinny Puppy, talvez o projecto musical mais interessante na perspectiva da CIA, emitiu um comunicado de imprensa no qual afirma ter facturado 666 mil dólares em royalties após as suas músicas terem sido usadas na prisão militar de Guantánamo. Entre os artistas seleccionados estão Eminem: ”White America, Kim”, Dope: ”Die MF Die, Take Your Best Shot”, Christina Aguilera: ”Dirrty”, Bee Gees: ”Stayin’ Alive” e os Deicide com ”Fuck Your God”, este último uma pérola de sensibilidade para quem se deixa enlevar pela bondade do pai natal e outros anormais
Cheney veio de imediato a público dizer "que se fosse hoje não hesitaria cinco minutos para voltar a fazer o mesmo" (fonte)
Os pormenores que começam a ser conhecidos, antes informação classificada, são do anedótico até ao mais grave e francamente desumano (como a versão registada em video de que agentes da CIA violaram prisioneiros na presença das suas mães). Em lugar de destaque do relatório vem uma playlist da música usada por agentes ao infligir as sessões de tortura, método pelo qual se pretende alcançar um "choque prolongado" a prisioneiros muitas vezes privados do sono, ou a criar um efeito desorientador pelo "afogamento dos seus gritos" enquanto lhe mergulham a cabeça em bidons de água.
(este método é bem conhecida dos oficiais do exército português, cujos agentes da PIDE que lhes estavam adstrictos nas colónias em África a utilizavam de modo corrente, ainda que sem música).
Técnica aperfeiçoada pela CIA, a música em altos berros é tocada por dias a fio, mostrando, como sugerido por Baudrillard, que o inferno é a repetição sempre do mesmo...
A playlist divulgada consiste principalmente em heavy-metal e hard-pop, cenas associadas à inutilização da mente e subjugação, preocupantemente incluindo temas aplicadas à juventude ainda não torturável fisicamente, como a "Rua Sésamo" e a popular série yankee "Barney&Amigos" repetidos em ciclos ad infinitum tipo desenho animado para quebrar a força mental e conduzir à falência fisica dos encarcerados (infelizmente sem muito sucesso, segundo o relatório do Senado). O grupo de música-electro-industrial Skinny Puppy, talvez o projecto musical mais interessante na perspectiva da CIA, emitiu um comunicado de imprensa no qual afirma ter facturado 666 mil dólares em royalties após as suas músicas terem sido usadas na prisão militar de Guantánamo. Entre os artistas seleccionados estão Eminem: ”White America, Kim”, Dope: ”Die MF Die, Take Your Best Shot”, Christina Aguilera: ”Dirrty”, Bee Gees: ”Stayin’ Alive” e os Deicide com ”Fuck Your God”, este último uma pérola de sensibilidade para quem se deixa enlevar pela bondade do pai natal e outros anormais
quarta-feira, setembro 24, 2014
os Plagiadores
o regime de propriedade intelectual é um conceito da burguesia, isto é, dos donos dos meios de produção culturais, tanto do que é pré-subsidiado agora, como no que diz respeito ao saber acumulado, em economia o correspondente ao capital fixo, fruto de trabalho morto, imobilizado e apropriado por outrem.
Seja na forma de bibliotecas, museus, arquivos históricos, artigos de opinião valorizados em jornais, televisões, páginas na web, tudo é, com aspas ou sem aspas, plagiado de outrem que já o tinha pensado, escrito ou dito antes. Sobre essa matéria inerte, o senso comum incutido, trabalham os “autores”, quer dizer, os que se pretendem apropriar da sabedoria comum (da comunidade, comunista), levando o incauto cidadão também ele comum, ostracizado pela falta de meios de acesso económico à cultura, ouvinte ou leitor de opinadores versando as partes que lhes interessam, a “plagiar” para dentro das suas cabeças essas mensagens - acumulando-as e difundindo esse saber parcial como veículos plagiadores de excepção, em conversas de café, sociedades recreativas, sedes de partidos e jogos de futebol. O saber individualista, tem exactamente a mesma natureza de classe do saber bota-da-tropa que está nas origens da formação dos exércitos que possuem a propriedade intelectual de fazer a guerra.
Ora, os que pretendem ser os donos da saber em exclusividade invocam decerto a máxima do contra-revolucionário Max Stirner em ““O único e a sua propriedade” (1844), uma elegia à sapiência do individualismo liberal utilizado como negócio, agora tão em voga. Mas esses sabichões evitam a máxima de Joseph Proudhon “toda a propriedade é um roubo” e em última instância, fogem a sete pés de Karl Marx quando o plagiou e lhe acrescentou: “a ideologia difundida pelos meios de produção culturais vigentes é sempre a ideologia da classe dominante” (in a “Ideologia Alemã”, 1847). Nada que não possa dialecticamente evoluir e ser modificado para um regime de saber comum, livre, público, de propriedade dominante das classes proletárias maioritárias.
Portanto, informação ou ideia que sai por um buraco passa a ser saber adquirido susceptivel de entrar pelo mesmo buraco, quer dizer, face aos direitos de autor no presente paradigma capitalista, os que escrevem de forma que pensam ser "original" com o fito de obter lucro, ou sequer pelo simples reconhecimento de um qualquer interesse não declarado, podem fazê-lo vendendo essas obras num circuito editorial comercial. Assim não acontecendo, desde que publiquem em local público esse saber, informação, alienação ou manipulação, essa obra passa a ser propriedade de todos - para o bem e para o mal, livre.
Seja na forma de bibliotecas, museus, arquivos históricos, artigos de opinião valorizados em jornais, televisões, páginas na web, tudo é, com aspas ou sem aspas, plagiado de outrem que já o tinha pensado, escrito ou dito antes. Sobre essa matéria inerte, o senso comum incutido, trabalham os “autores”, quer dizer, os que se pretendem apropriar da sabedoria comum (da comunidade, comunista), levando o incauto cidadão também ele comum, ostracizado pela falta de meios de acesso económico à cultura, ouvinte ou leitor de opinadores versando as partes que lhes interessam, a “plagiar” para dentro das suas cabeças essas mensagens - acumulando-as e difundindo esse saber parcial como veículos plagiadores de excepção, em conversas de café, sociedades recreativas, sedes de partidos e jogos de futebol. O saber individualista, tem exactamente a mesma natureza de classe do saber bota-da-tropa que está nas origens da formação dos exércitos que possuem a propriedade intelectual de fazer a guerra.
Ora, os que pretendem ser os donos da saber em exclusividade invocam decerto a máxima do contra-revolucionário Max Stirner em ““O único e a sua propriedade” (1844), uma elegia à sapiência do individualismo liberal utilizado como negócio, agora tão em voga. Mas esses sabichões evitam a máxima de Joseph Proudhon “toda a propriedade é um roubo” e em última instância, fogem a sete pés de Karl Marx quando o plagiou e lhe acrescentou: “a ideologia difundida pelos meios de produção culturais vigentes é sempre a ideologia da classe dominante” (in a “Ideologia Alemã”, 1847). Nada que não possa dialecticamente evoluir e ser modificado para um regime de saber comum, livre, público, de propriedade dominante das classes proletárias maioritárias.
Portanto, informação ou ideia que sai por um buraco passa a ser saber adquirido susceptivel de entrar pelo mesmo buraco, quer dizer, face aos direitos de autor no presente paradigma capitalista, os que escrevem de forma que pensam ser "original" com o fito de obter lucro, ou sequer pelo simples reconhecimento de um qualquer interesse não declarado, podem fazê-lo vendendo essas obras num circuito editorial comercial. Assim não acontecendo, desde que publiquem em local público esse saber, informação, alienação ou manipulação, essa obra passa a ser propriedade de todos - para o bem e para o mal, livre.
sexta-feira, julho 25, 2014
Quantos operários ou trabalhadores no sector real de produção representa o danieloliveirismo?
Das tricas turvas que agitam as diversas facções de oportunistas conluiados à mesa do Bloco dito de Esquerda acaba de sair o suco da barbatana de um fenómeno efémero; tanto caminho de "militância" andada do Oliveira&Compª para a mera ilusão de se coligarem com o Partido dito Socialista. Sempre a acrescentar nada, existirá pois uma nova desqualificação na politica portuguesa com a entrada em cena dos "dissidentes xuxas de esquerda". Estes dissidentes de pouca ou nenhuma coisa querem representar (querem mas nem isso representam) uma ínfinitesimal facção da pequena burguesia urbana, sempre a cair para o lado mais lucrativo da correlação de forças, mas com a mania que é de esquerda. Vai-se a ver melhor e deparamo-nos apenas com mais um grupelho ligado aos meios de comunicação do Capital. Como oportunistas liberais de fachada socialista viciados em polémicocrasia parlamentar burguesa, contas feitas à aspiração de votos (no conceito em concreto de aspirador) quanto valerá em dinheiro mais esta mini-alcateia de personalidades? Lá por nadarem nas águas turvas do status conservador de Bloco Central, podem angariar uns trocos (ou um chapéu cheio de desprezo) mas nada de ilusões, só a Revolução Socialista terá força moral e material para acabar com as grandes fortunas!
para os nossos heróis de banda desenhado de cariz individualista, o Capital não passa de um porquinho-mealheiro oferecido pelos papás para incentivar a boa gestão dos meninos
domingo, março 23, 2014
como é possivel?
Três fait-divers, um por cada partido com assento no Parlamento, alegraram a agenda dos jornais e televisões por estes dias.
1. (PSD) O comentador que prediz o futuro lendo os astros, saiu-se com a adivinhação de que o Governo (no Documento de Estratégia Orçamental) já anda a preparar mais um corte de 1,7 mil milhões que implicam mais reduções salariais. 2. (CDS) A presidente da Assembleia da República Assunção Esteves designou a vice-presidente Teresa Caeiro para representar a "casa do povo" nas exéquias do ex-ministro Medeiros Ferreira... mas a deputada Teresa chegou ao velório tarde demais, com a porta da igreja já encerrada. 3. (PS) João Cravinho, o principal mentor do Manifesto dos 70 pelo prolongamento da Dívida e dos Juros a pagar, ocupa uma posição de relevo no Banco de Investimento Europeu (BEI) que foi a entidade que mais dinheiro emprestou para financiar PPPs, o esquema que mais endividou o país. Faz sentido.
Nos anos que vão de 1994 a 2000, a dívida pública portuguesa, então expressa em Escudos, desceu de 57,3% para 48,4 % do PIB. E desde que há catorze anos adoptámos o Euro, a Dívida pública portuguesa subiu de 48,4%, em 2000, até 128,7%, em Dezembro de 2013, e chegará aos 140% do PIB no próximo mês de Setembro. Por ocasião do 25 de Abril, 40% do PIB português era gerado na indústria. Hoje, por virtude da adesão ao Euro, apenas 13% do PIB é gerado no sector industrial secundário (o industrial primário foi extinto). E para que a desgraça fosse ainda maior, apenas 2% do PIB tem hoje origem nos sectores da agricultura e pescas, que foi o que sobrou do sector primário. Portugal tornou-se assim, um país economicamente inviável, desindustrializado e sob um ataque cerrado ao ensino público - cumprindo a politica dos lacaios do neoliberalismo porque o que lhes interessa é que o povo seja analfabeto.
No programa PRÓS&PRÓS de amanhã (que insistem em designar de Prós&Contras) entre os defensores do pagamento da Dívida e da política de Austeridade, não estará nenhum representante da opção de suspender imediatamente o pagamento da Dívida
1. (PSD) O comentador que prediz o futuro lendo os astros, saiu-se com a adivinhação de que o Governo (no Documento de Estratégia Orçamental) já anda a preparar mais um corte de 1,7 mil milhões que implicam mais reduções salariais. 2. (CDS) A presidente da Assembleia da República Assunção Esteves designou a vice-presidente Teresa Caeiro para representar a "casa do povo" nas exéquias do ex-ministro Medeiros Ferreira... mas a deputada Teresa chegou ao velório tarde demais, com a porta da igreja já encerrada. 3. (PS) João Cravinho, o principal mentor do Manifesto dos 70 pelo prolongamento da Dívida e dos Juros a pagar, ocupa uma posição de relevo no Banco de Investimento Europeu (BEI) que foi a entidade que mais dinheiro emprestou para financiar PPPs, o esquema que mais endividou o país. Faz sentido.
como é possivel? continuar-se a votar sempre nos mesmos?
Nos anos que vão de 1994 a 2000, a dívida pública portuguesa, então expressa em Escudos, desceu de 57,3% para 48,4 % do PIB. E desde que há catorze anos adoptámos o Euro, a Dívida pública portuguesa subiu de 48,4%, em 2000, até 128,7%, em Dezembro de 2013, e chegará aos 140% do PIB no próximo mês de Setembro. Por ocasião do 25 de Abril, 40% do PIB português era gerado na indústria. Hoje, por virtude da adesão ao Euro, apenas 13% do PIB é gerado no sector industrial secundário (o industrial primário foi extinto). E para que a desgraça fosse ainda maior, apenas 2% do PIB tem hoje origem nos sectores da agricultura e pescas, que foi o que sobrou do sector primário. Portugal tornou-se assim, um país economicamente inviável, desindustrializado e sob um ataque cerrado ao ensino público - cumprindo a politica dos lacaios do neoliberalismo porque o que lhes interessa é que o povo seja analfabeto.
(grafitti em frente da Uni.Nova, que já foi apagado pela brigada de limpeza do António Costa)
No programa PRÓS&PRÓS de amanhã (que insistem em designar de Prós&Contras) entre os defensores do pagamento da Dívida e da política de Austeridade, não estará nenhum representante da opção de suspender imediatamente o pagamento da Dívida
domingo, janeiro 26, 2014
«Isto é uma praxe. Uma experiência de Vida. Não se meta», disse o Fascista
“aquilo intrigou-nos tanto, porque ninguém percebia o que estavam ali a fazer sete jovens, com trajes académicos, mas a rastejar pela terra e com pedras presas nos tornozelos”.
Realmente foi uma grande experiência de VIDA, só que, para azar desta cambada de mentecaptos,... acabou em MORTE; lá a escola, universidad# ou lá o que é essa coisa onde eles exercitam a estupidez também tem culpas no cartório (1), e muitas: devia ser chamada à responsabilidade - se é que a "coisa" PRIVADA que induca estes broncos tem responsáveis (2). Se puderem ver reparem (a frase é do Saramago) existe uma intenção deliberada do Poder na criação de estupidificação para o povo - uma grande massa de ignorantes é mais facilmente explorada. É só como disfarce que a organização deste modelo de sociedade corrompida se permite que uns quantos se formem "doutores". Consegue-se imaginar TRASTES com este tipo de mentalidade em cargos de responsabilidade? Claro que se consegue, as Instituições, o Governo, a Banca, estão a abarrotar deles...
Evidentemente, o espirito da coisa nasce das próprias direcções das escolas, universidades, melhor ainda que sejam privadas. Na escola Pública um episódio trágico como este tem muito menos probabilidades de acontecer, a um maior controlo pelo senso comum da indivíduos com uma maior ligação à sociedade, não ao pensar elitista, devido à tradição apenas brejeira, não eivada do espírito de competição, de “vencer não olhando a meios”. Por contraste, o lema das praxes no ensino privado é: devemos obedecer incondicionalmente ao Chefe - o DUX - para um dia estarmos nós aptos a comandar, a vencer na vida sem limites de ética ou moral, passando por cima de tudo e de todos (3). Esta mentalidade vem das mais altas instâncias do actual Poder, que apenas está interessado em formar gestores numa perspectiva capitalista, desprezando por completo as humanidades, politica bem patente nessa fundamentalista Madrassa neoconservadora que é a Universid#de Católica, uma fábrica de onde saem potenciais energúmenos sociais com a consignia FASCISTA gravada na testa (4).
(2) Vasco Guedes (Pulido) Valente por vezes tem lampejos de lucidez, que o obrigam a deixar a pena fluir-lhe para a verdade. Na sua habitual coluna do Publico de 25/Janeiro propõe que os administradores da Univ. Lusófona sejam responsibilizados e punidos e a instituição encerrada.
(3) DUX é uma palavra de raiz grega, com uso vulgarizado no latim, significando “o líder” (do verbo ducere, liderar) o que comanda as tropas, usada durante o período do Império Romano; a palavra evoluiria depois para Duque, Doge, Duce – o titulo escolhido por Mussolini. Também Hitler se via retratado na sua ópera preferida – o Rienzi, a história do Último Soldado de Roma – precisamente como o dux (fuherer) na missão redentora do Nazismo que o último soldado do Ocidente se propunha comandar contra o Comunismo, isto é, contra a Sociedade organizada a partir dos de baixo em torno da propriedade pública
(4) "se Hitler me tivesse pedido para assassinar a minha mãe, eu tê-lo-ia feito"
Realmente foi uma grande experiência de VIDA, só que, para azar desta cambada de mentecaptos,... acabou em MORTE; lá a escola, universidad# ou lá o que é essa coisa onde eles exercitam a estupidez também tem culpas no cartório (1), e muitas: devia ser chamada à responsabilidade - se é que a "coisa" PRIVADA que induca estes broncos tem responsáveis (2). Se puderem ver reparem (a frase é do Saramago) existe uma intenção deliberada do Poder na criação de estupidificação para o povo - uma grande massa de ignorantes é mais facilmente explorada. É só como disfarce que a organização deste modelo de sociedade corrompida se permite que uns quantos se formem "doutores". Consegue-se imaginar TRASTES com este tipo de mentalidade em cargos de responsabilidade? Claro que se consegue, as Instituições, o Governo, a Banca, estão a abarrotar deles...
Evidentemente, o espirito da coisa nasce das próprias direcções das escolas, universidades, melhor ainda que sejam privadas. Na escola Pública um episódio trágico como este tem muito menos probabilidades de acontecer, a um maior controlo pelo senso comum da indivíduos com uma maior ligação à sociedade, não ao pensar elitista, devido à tradição apenas brejeira, não eivada do espírito de competição, de “vencer não olhando a meios”. Por contraste, o lema das praxes no ensino privado é: devemos obedecer incondicionalmente ao Chefe - o DUX - para um dia estarmos nós aptos a comandar, a vencer na vida sem limites de ética ou moral, passando por cima de tudo e de todos (3). Esta mentalidade vem das mais altas instâncias do actual Poder, que apenas está interessado em formar gestores numa perspectiva capitalista, desprezando por completo as humanidades, politica bem patente nessa fundamentalista Madrassa neoconservadora que é a Universid#de Católica, uma fábrica de onde saem potenciais energúmenos sociais com a consignia FASCISTA gravada na testa (4).
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| Anos 40. Crianças numa escola norte-americana aprendem a ser lideradas pelo Chefe |
notas
(1) Os alunos praxados, neste caso, obrigaram-se de livre vontade a assinar um termo em papel com o timbre da universidade no qual assumem inteira responsabilidade pelas eventuais consequências que possam vir a ter lugar durante uma prática que é apadrinhada oficialmente.(2) Vasco Guedes (Pulido) Valente por vezes tem lampejos de lucidez, que o obrigam a deixar a pena fluir-lhe para a verdade. Na sua habitual coluna do Publico de 25/Janeiro propõe que os administradores da Univ. Lusófona sejam responsibilizados e punidos e a instituição encerrada.
(3) DUX é uma palavra de raiz grega, com uso vulgarizado no latim, significando “o líder” (do verbo ducere, liderar) o que comanda as tropas, usada durante o período do Império Romano; a palavra evoluiria depois para Duque, Doge, Duce – o titulo escolhido por Mussolini. Também Hitler se via retratado na sua ópera preferida – o Rienzi, a história do Último Soldado de Roma – precisamente como o dux (fuherer) na missão redentora do Nazismo que o último soldado do Ocidente se propunha comandar contra o Comunismo, isto é, contra a Sociedade organizada a partir dos de baixo em torno da propriedade pública
(4) "se Hitler me tivesse pedido para assassinar a minha mãe, eu tê-lo-ia feito"
quarta-feira, novembro 06, 2013
no mesmo dia em que o ministro da Educação diz que os portugueses teriam de deixar de comer durante um ano para pagar a Dívida...
... o McDonald`s aconselha os seus empregados que não conseguem sobreviver com um salário mínimo a recorrer à Assistência Pública (que distribui senhas de alimentação, sem abdicar da inclusão do lucro para os fornecedores privados) - tal intenção gerou de imediato um inédito dia de greve ao fast-food
O recado "foi muito, muito perturbador", comentou a activista do movimento Nancy Salgado: "sabendo o McDonald`s que não nos paga o suficiente, temos que nos sujeitar a isso?" O McDonald`s é "uma empresa bilionária: como podem dar-se ao luxo de não nos pagar o suficiente para comermos?" - bom, segundo a lógica educativa ultraconservadora do professor McCrato e a boca glutona do banqueiro Ulrich, aguentem-se, aguentem-se - dir-se-á à anafada middle-class yankee - sempre é melhor que nada... ou senão façam implodir essa merda de matrix imperialista por dentro, já não seria sem tempo!
O recado "foi muito, muito perturbador", comentou a activista do movimento Nancy Salgado: "sabendo o McDonald`s que não nos paga o suficiente, temos que nos sujeitar a isso?" O McDonald`s é "uma empresa bilionária: como podem dar-se ao luxo de não nos pagar o suficiente para comermos?" - bom, segundo a lógica educativa ultraconservadora do professor McCrato e a boca glutona do banqueiro Ulrich, aguentem-se, aguentem-se - dir-se-á à anafada middle-class yankee - sempre é melhor que nada... ou senão façam implodir essa merda de matrix imperialista por dentro, já não seria sem tempo!
segunda-feira, agosto 05, 2013
eleições sob o dominio da classe burguesa: a escolha entre a pívea democrática e o "que se foda"
George Carlin (1937-2008) Excerto da stand-up comedy "Sete Palavras que não se podem dizer em Televisão" ("Seven Dirty Words")
"É o Povo que não Presta"... pode ser entendido como um populismo redutor, porém, se olharmos para as elites que formámos nos último quarenta anos, há algo que precisa ser desmascarado: "o mito da geração mais bem preparada e qualificada de sempre" (!) Quando se fala de políticos, de justiça ou juízes, logo os associamos à Corrupção, ás mentiras, aos desvios de dinheiro público, à injustiça e impunidade, um flagelo que devasta todo o Portugal...!!! (Devido a incultura e imbecilidade de muitos milhões...). Como foi e é isto possivel? - com um povo maioritariamente imbecilizado foi fácil para espertos, corruptos e criminosos, seja do sector político, sindicatos burgueses instalados, associações de interesses partidários, religiosos ou bancários, implementarem leis que protegem a corrupção e as quais estão a proteger os mesmos?!... Até aos dias de hoje isso tem acontecido, aliás foram 39 anos, de supremacia financeira, e política, do PSD CDS e PS... Com a conivência silenciosa dos representantes do Vaticano em Portugal...!!! (que detém aliás a mais importante escola de formação de gestores capitalistas neoliberais do país)
"É o Povo que não Presta"... pode ser entendido como um populismo redutor, porém, se olharmos para as elites que formámos nos último quarenta anos, há algo que precisa ser desmascarado: "o mito da geração mais bem preparada e qualificada de sempre" (!) Quando se fala de políticos, de justiça ou juízes, logo os associamos à Corrupção, ás mentiras, aos desvios de dinheiro público, à injustiça e impunidade, um flagelo que devasta todo o Portugal...!!! (Devido a incultura e imbecilidade de muitos milhões...). Como foi e é isto possivel? - com um povo maioritariamente imbecilizado foi fácil para espertos, corruptos e criminosos, seja do sector político, sindicatos burgueses instalados, associações de interesses partidários, religiosos ou bancários, implementarem leis que protegem a corrupção e as quais estão a proteger os mesmos?!... Até aos dias de hoje isso tem acontecido, aliás foram 39 anos, de supremacia financeira, e política, do PSD CDS e PS... Com a conivência silenciosa dos representantes do Vaticano em Portugal...!!! (que detém aliás a mais importante escola de formação de gestores capitalistas neoliberais do país)
Em Inglaterra há 176 universidades, o que representa 2,8 universidades por milhão de habitantes. A Espanha possui 105 universidades, o que corresponde a 2,2 universidades por milhão de habitantes. A Finlândia contenta-se com 42 universidades, o que corresponde a 8 universidades por milhão de habitantes. A demonizada Grécia, a grande irresponsável dos gastos acima das suas possibilidades (blá, blá, blá), detém 38 universidades, correspondentes a 3,6 universidades por milhão de habitantes. Portugal, todavia, ostenta (ridiculamente) o rácio mais elevado da Europa, que, lamentavelmente, para os alunos está longe de corresponder ao conhecimento elevado que era suposto ser proporcionado pelo Ensino Superior. Este pobre país, sob o jugo da extrema-direita política, apresenta, grandioso, “urbi et orbi”, 121 miseráveis universidades, o que corresponde a 11,5 universidades por milhão de habitantes.
sábado, junho 22, 2013
terça-feira, junho 18, 2013
a politica de Educação ou a formação de quadros para servir o Capitalismo
"O segredo para alcançar uma vantagem competitiva não está na reacção ao caos, mas na produção desse caos" (Zygmunt Bauman, A Sociedade Sitiada, 2002)
A opinião é do professor Santana Castilho numa entrevista concedida em Setembro de 2011, escassas semanas após a tomada de posse do actual governo: "Nuno Crato não sabe o que é uma escola. Este modelo de avaliação é tecnicamente miserável e, do ponto de vista humano é monstruoso. O ministro da Educação começou o reinado como um autêntico palhaço da avaliação do desempenho dos professores... num governo que prometeu não haver cortes na Educação mas que a breve trecho já tinha fechado mais de 200 escolas...". Como na altura Nuno Crato disse nada ao ser investido em palhaço, calou consentiu. E continuou a rábula (aliás decidida em instâncias superiores): só em 2012 os cortes atingiram cerca de 506 milhões de euros... e com a nova investida em nome da "mobilidade" o Ministério em 2013 prepara a rescisão de mais de 6000 contratos com professores, colocando-os irreversivelmente no desemprego - a somar aos 1100 empregos que desapareceram por dia até Março último. Santana Castilho é uma das vozes mais críticas da destruição da escola pública, com assento regular em comentários no jornal Público, tendo nesta semana de greve dado uma nova entrevista televisiva que voltou a fazer implodir a politica do Ministro da Educação:
No final de tão aguerrida batalha (ver parte 2 e parte 3), o que não fica bem claro por estes dias é que Santana Castilho foi o técnico que Passos Coelho convidou em 2010 para trabalhar na elaboração do Programa Eleitoral do PSD para a Área da Educação. Santana Castilho esperaria até inclusivamente ser convidado para ministro...E foi esse programa que foi votado e venceu a eleição. Mas assim que se apanhou com os votos que deram ao grupo de clientes de Passos Coelho a possibilidade de se atirarem a lamber o pote, o governo mandou o programa às urtigas. Confessava então Santana Castilho: "estou profundamente desiludido". Ora quando os tipos da mesma área politica se ludibriam una aos outros sem pingo de vergonha e o ministro com as suas ilegalidades formais policias nas escolas, etc. continua a manipular uma boa parte da opinião pública, é certo que se atingiu o grau zero na congestão da coisa pública - e ao caso vem a velha citação de Heródoto: "É sem dúvida mais facil enganar uma multidão do que um só homem"
Grau zero, porque não se trata já de implementar qualquer politica, mas sim de desmantelar o que antes existia... que é mais conveniente e promete mais lucro do que o laborioso trabalho de construir algo. Enfim, destruir para angariar oportunidades de negócio para um grupo restrito de amigos. Ignorando olimpicamente greves e manisfestaçõers, o Governo aumenta subsídio às escolas privadas, passando em tempo estas instituições a receber mais cinco mil euros por turma. O FMI recomenda aumentar número de alunos por turma - o Governo compromete-se a aumentar o número de alunos por turma. Não se trata já apenas de um programa ditatorial do neoliberalismo aplicado ao ensino, numa Escola que pretende formar ideologicamente "especialistas e ignorantes", mas sim de negar a Democracia (a verdadeira, a autêntica, não a demagógica que nos impingem), a qual só pode ser realizada dentro de grupos relativamente homogéneos, em que todos os individuos sejam sensivelmente iguais e se complementem uns aos outros. Como afinal haveria de ser o modelo civilizacional europeu:
Finlândia: a melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal
A opinião é do professor Santana Castilho numa entrevista concedida em Setembro de 2011, escassas semanas após a tomada de posse do actual governo: "Nuno Crato não sabe o que é uma escola. Este modelo de avaliação é tecnicamente miserável e, do ponto de vista humano é monstruoso. O ministro da Educação começou o reinado como um autêntico palhaço da avaliação do desempenho dos professores... num governo que prometeu não haver cortes na Educação mas que a breve trecho já tinha fechado mais de 200 escolas...". Como na altura Nuno Crato disse nada ao ser investido em palhaço, calou consentiu. E continuou a rábula (aliás decidida em instâncias superiores): só em 2012 os cortes atingiram cerca de 506 milhões de euros... e com a nova investida em nome da "mobilidade" o Ministério em 2013 prepara a rescisão de mais de 6000 contratos com professores, colocando-os irreversivelmente no desemprego - a somar aos 1100 empregos que desapareceram por dia até Março último. Santana Castilho é uma das vozes mais críticas da destruição da escola pública, com assento regular em comentários no jornal Público, tendo nesta semana de greve dado uma nova entrevista televisiva que voltou a fazer implodir a politica do Ministro da Educação:
No final de tão aguerrida batalha (ver parte 2 e parte 3), o que não fica bem claro por estes dias é que Santana Castilho foi o técnico que Passos Coelho convidou em 2010 para trabalhar na elaboração do Programa Eleitoral do PSD para a Área da Educação. Santana Castilho esperaria até inclusivamente ser convidado para ministro...E foi esse programa que foi votado e venceu a eleição. Mas assim que se apanhou com os votos que deram ao grupo de clientes de Passos Coelho a possibilidade de se atirarem a lamber o pote, o governo mandou o programa às urtigas. Confessava então Santana Castilho: "estou profundamente desiludido". Ora quando os tipos da mesma área politica se ludibriam una aos outros sem pingo de vergonha e o ministro com as suas ilegalidades formais policias nas escolas, etc. continua a manipular uma boa parte da opinião pública, é certo que se atingiu o grau zero na congestão da coisa pública - e ao caso vem a velha citação de Heródoto: "É sem dúvida mais facil enganar uma multidão do que um só homem"
Grau zero, porque não se trata já de implementar qualquer politica, mas sim de desmantelar o que antes existia... que é mais conveniente e promete mais lucro do que o laborioso trabalho de construir algo. Enfim, destruir para angariar oportunidades de negócio para um grupo restrito de amigos. Ignorando olimpicamente greves e manisfestaçõers, o Governo aumenta subsídio às escolas privadas, passando em tempo estas instituições a receber mais cinco mil euros por turma. O FMI recomenda aumentar número de alunos por turma - o Governo compromete-se a aumentar o número de alunos por turma. Não se trata já apenas de um programa ditatorial do neoliberalismo aplicado ao ensino, numa Escola que pretende formar ideologicamente "especialistas e ignorantes", mas sim de negar a Democracia (a verdadeira, a autêntica, não a demagógica que nos impingem), a qual só pode ser realizada dentro de grupos relativamente homogéneos, em que todos os individuos sejam sensivelmente iguais e se complementem uns aos outros. Como afinal haveria de ser o modelo civilizacional europeu:
Finlândia: a melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal
domingo, março 31, 2013
uma páscoa portuguesa
"Se não acreditam no que vêem como acreditar em coisas que só eu vejo?" teria dito Jesus.
O que vemos é que a educação em Portugal (e na Europa do Sul) sempre foi mais obra de endoutrinamento religioso que de ensino racional, o que é sem dúvida um factor importante no reconhecimento do atraso do povo. É preciso recordar que a elaboração da chamada "Biblia" foi uma lenta compilação de lendas romanceadas, histórias encantatórias e orações suplicantes ou bençãos postas em estrofes métricas nas chamadas "linguas de Côrte" que as invejosas populaças sempre corriam a vernáculo.
Desde o fim da Idade das Trevas ou do inicio da Idade Média (como o leitor preferir), num mundo destruido e marcado pelo espirito de reconquista da miriade de reinos pré-cristãos do Sacro Império Romano Germânico que simples episódios da atribulada vida das pessoas no quotidiano são objecto de "salvação pela intervenção de graça divina", coisas tão simples como o cavalo que torceu uma pata (nos Encantamentos de Merseburgo), o regresso à patria do Paraíso através do caminho da rectidão (Heliand, de Otfried von Weißenburg) orações para que as abelhas não voem para outro lado ou que os cães domésticos não fujam (Gregório na Benção de Zurique) acontecimentos heróicos celebrados em verso insistindo sempre na relação directa do rei com Deus cuja vitória se devia a ter afastado o inimigo que atacava como punição contra os desmandos do povo por fornicação, avareza e roubo (Hildebrandlied) milagres que ressuscitavam monges (Bento de Núrsia), contos de criaturas imaginárias como o unicórnio que só pode ser capturado por uma virgem (Physiologus), De Laudibus sanctae crucis, (Em louvor de uma Cruz que é Santa, de Isidoro de Sevilha), etc.
Portugal não fugia à regra. No prefácio do livro de Gomes Leal de 1910 da "História de Jesus para as Criancinhas Lerem" (1ª edição em 1883) o autor lamentava-se que a obra não tivesse ainda sido inscrita no ensino oficial, o que de facto só viria a acontecer em 1951 congratulando-se o editor Zuzarte de Mendonça com um panegírico: "... o professor consciente da sua alta missão,não pode nem deve limitar-se a ensinar; iluminando cérebros e esclarecendo inteligências: cumpre-lhe ainda educar, cultivando caractéres e formando almas". Como em tudo, o Iluminismo chegou aqui tarde, ou ainda nem sequer chegou...
O que vemos é que a educação em Portugal (e na Europa do Sul) sempre foi mais obra de endoutrinamento religioso que de ensino racional, o que é sem dúvida um factor importante no reconhecimento do atraso do povo. É preciso recordar que a elaboração da chamada "Biblia" foi uma lenta compilação de lendas romanceadas, histórias encantatórias e orações suplicantes ou bençãos postas em estrofes métricas nas chamadas "linguas de Côrte" que as invejosas populaças sempre corriam a vernáculo.
Desde o fim da Idade das Trevas ou do inicio da Idade Média (como o leitor preferir), num mundo destruido e marcado pelo espirito de reconquista da miriade de reinos pré-cristãos do Sacro Império Romano Germânico que simples episódios da atribulada vida das pessoas no quotidiano são objecto de "salvação pela intervenção de graça divina", coisas tão simples como o cavalo que torceu uma pata (nos Encantamentos de Merseburgo), o regresso à patria do Paraíso através do caminho da rectidão (Heliand, de Otfried von Weißenburg) orações para que as abelhas não voem para outro lado ou que os cães domésticos não fujam (Gregório na Benção de Zurique) acontecimentos heróicos celebrados em verso insistindo sempre na relação directa do rei com Deus cuja vitória se devia a ter afastado o inimigo que atacava como punição contra os desmandos do povo por fornicação, avareza e roubo (Hildebrandlied) milagres que ressuscitavam monges (Bento de Núrsia), contos de criaturas imaginárias como o unicórnio que só pode ser capturado por uma virgem (Physiologus), De Laudibus sanctae crucis, (Em louvor de uma Cruz que é Santa, de Isidoro de Sevilha), etc.
Portugal não fugia à regra. No prefácio do livro de Gomes Leal de 1910 da "História de Jesus para as Criancinhas Lerem" (1ª edição em 1883) o autor lamentava-se que a obra não tivesse ainda sido inscrita no ensino oficial, o que de facto só viria a acontecer em 1951 congratulando-se o editor Zuzarte de Mendonça com um panegírico: "... o professor consciente da sua alta missão,não pode nem deve limitar-se a ensinar; iluminando cérebros e esclarecendo inteligências: cumpre-lhe ainda educar, cultivando caractéres e formando almas". Como em tudo, o Iluminismo chegou aqui tarde, ou ainda nem sequer chegou...
Quando findou seu jejum/ foi pregar a Galileia
e nunca Principe algum/ teve mais nome em Judeia
Corriam a vê-lo gentes/ de várias terras, paises.
Seus olhos sérios, clementes/ saravam os infelizes
Pregava cosas dos céus/ Estrelas, Causas, Origens
sempre seguido dos seus/ bandos de humildes e virgens
Não tinha veste de lã/ guarida, alforge ou lençol
Afugentava o Satã/ com olhos cheios de Sol
Confundia os vãos Doutores/ mais os Escribas sombrios
Amava pregar nos rios/ nas barcas dos pescadores
Ó céus profundos e vagos!/ Ó astros de eternos giros
Ó espelho azul dos lagos/ Almas ceias de suspiros
Ó tristes tardes magoadas/ dum azul de opala e rubins!
Ó baías azuladas!/ Relvas cheias de jasmins!
Noites! qua a corça ao sabor/ das nascentes mata a sede
Ó tardes! que o pescador/ cantando, conserta as redes...
Vós só, ó coisas graciosas!/ podereis dar uma ideia
daquelas noites saudosas/ que ele andou por Galileia
Chegavam as mães, fiando/ à porta, o seu linho fino
para o ouvirem pregando/ coisas de um reino divino
Destruia à Plebe e às gentes/ os preconceitos erróneos
Sarava as almas doentes/ Lançava fora os demónios
Profetizava o Porvir/ Amava os montes e o mar
Nunca ninguém o viu rir/ mas, muitas vezes, chorar!
Os legionários romanos/ bradavam: "Este é um Deus!"
Choravam Samaritanos/ Paravam os Fariseus
Davam-lhe pomos gostosos/ mantos de fino tecido,
Vinham beijar-lhes os leprosos/ a ourela do seu vestido
As judias com as tranças/ limpavam seus brancos pés
Davam-lhe mirra, aloés/ Riam-lhe à porta as crianças
Mas com riso chocarreiro/ alguns diziam: "Que ideia
ser Cristo, Rei da Judeia/ o filho de um carpinteiro
Só anda com publicanos/ e com leprosos, vê tu
- Outros, com risos profanos/ clamavam: "Tem Belzebu!"
"Desculpe, não, não, o sr. Jesus já não mora aqui"...
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sábado, fevereiro 09, 2013
Portugal e a Decadência Ocidental
Vivemos agora numa nação onde os doutores destroem a Saúde, onde os Juizes destroem a Justiça, as Univer- sidades destroem o Conhecimento, onde os governos destroem a Liberdade, a imprensa destrói a Informação, a religião destrói a Moral e os nossos bancos destroem a Economia
Chris Hedges. Devido ao elevado número de elementos da população que não participa de facto na cidadania, nem politica nem economicamente, os Estados Unidos devem ser vistos como uma parte importante do 3º Mundo
Prof. Jorge Miranda, no "Público" de hoje: "O relevo e o direito de uso da lingua portuguesa, sabendo-se como a lingua materna é o primeiro elemento distintivo da identidade cultural, resulta não só de o português ser declarado lingua oficial, mas também de constituir uma das tarefas fundamentais do Estado "assegurar o Ensino e a valorização permanentes, defender o uso e promover a difusão internacional da lingua portuguesa" (Ref. artigos 4º, 7º, 11º, 26º, 37º, 38º, 42º, 43º, 52º, 73º, 74º e 78º da Constiuição da República Portuguesa)
Debate sobre a Lingua e a Lusofonia como instrumentos de uso do Neocolonialismo. Renato Epifânio e a acusação de direita e nostalgia do Império do "Movimento Internacional Lusófono"
Portugal gastava em Educação 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) aquando da chamada "revolução de Abril", hoje gasta 4,6% do PIB com tendência a diminuir. Segundo a Unesco, Cuba investe 12,9% do PIB nas escolas e universidades num sistema de Ensino totalmente gratuito que abrange 100% da população. É por estas e por outras que Portugal "exporta" serventes de pedreiro e "empreendoristas" e Cuba "exporta" mão de obra altamente qualificada e útil no contexto globalizante da actual divisão internacional de trabalho. Como perspectiva de futuro, em Cuba existe uma politica estratégica ao serviço do povo; em Portugal existirá no futuro uma ordem de submissão ou expulsão de analfabetos
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Chris Hedges. Devido ao elevado número de elementos da população que não participa de facto na cidadania, nem politica nem economicamente, os Estados Unidos devem ser vistos como uma parte importante do 3º Mundo
Prof. Jorge Miranda, no "Público" de hoje: "O relevo e o direito de uso da lingua portuguesa, sabendo-se como a lingua materna é o primeiro elemento distintivo da identidade cultural, resulta não só de o português ser declarado lingua oficial, mas também de constituir uma das tarefas fundamentais do Estado "assegurar o Ensino e a valorização permanentes, defender o uso e promover a difusão internacional da lingua portuguesa" (Ref. artigos 4º, 7º, 11º, 26º, 37º, 38º, 42º, 43º, 52º, 73º, 74º e 78º da Constiuição da República Portuguesa)
Debate sobre a Lingua e a Lusofonia como instrumentos de uso do Neocolonialismo. Renato Epifânio e a acusação de direita e nostalgia do Império do "Movimento Internacional Lusófono"
Portugal gastava em Educação 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) aquando da chamada "revolução de Abril", hoje gasta 4,6% do PIB com tendência a diminuir. Segundo a Unesco, Cuba investe 12,9% do PIB nas escolas e universidades num sistema de Ensino totalmente gratuito que abrange 100% da população. É por estas e por outras que Portugal "exporta" serventes de pedreiro e "empreendoristas" e Cuba "exporta" mão de obra altamente qualificada e útil no contexto globalizante da actual divisão internacional de trabalho. Como perspectiva de futuro, em Cuba existe uma politica estratégica ao serviço do povo; em Portugal existirá no futuro uma ordem de submissão ou expulsão de analfabetos
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quarta-feira, janeiro 02, 2013
Obrigado, professores!
"O ano que terminou foi apontado como o da viragem. Nada virou e muito piorou. Este será de continuidade: mais desemprego, mais falências, tribunais entupidos com cobranças fiscais coercivas, mais economia paralela, menos direitos, menos democracia e exponencial crescimento da pobreza. Perante o inevitável descambar do orçamento logo no primeiro trimestre, seguir-se-á mais austeridade.
A chamada refundação trará miséria aos funcionários do Estado e novo golpe contra os serviços públicos, com a educação, a saúde e a segurança social na linha da frente. Apesar dos sacrifícios, a dívida continuará a aumentar. A “troika”, ela própria “entroikada” com o seu falhanço, terá tendência cúmplice para proteger Gaspar e Passos, apesar destes terem falhado em tudo, designadamente no combate ao défice, eixo fulcral do “programa”. Os arranjos entre a elite no poder terão em 2013 um ano venturoso. Tudo se conjugará para que os negócios floresçam, a coberto do diáfano manto de opacidade das privatizações, sob o qual se movimentam os consultores e os advogados da órbita do poder. Para esses não haverá crise nem Gaspar. É ela e ele que existem para eles. Mas a sobrevivência do país imporá a queda do Governo..."
A chamada refundação trará miséria aos funcionários do Estado e novo golpe contra os serviços públicos, com a educação, a saúde e a segurança social na linha da frente. Apesar dos sacrifícios, a dívida continuará a aumentar. A “troika”, ela própria “entroikada” com o seu falhanço, terá tendência cúmplice para proteger Gaspar e Passos, apesar destes terem falhado em tudo, designadamente no combate ao défice, eixo fulcral do “programa”. Os arranjos entre a elite no poder terão em 2013 um ano venturoso. Tudo se conjugará para que os negócios floresçam, a coberto do diáfano manto de opacidade das privatizações, sob o qual se movimentam os consultores e os advogados da órbita do poder. Para esses não haverá crise nem Gaspar. É ela e ele que existem para eles. Mas a sobrevivência do país imporá a queda do Governo..."
domingo, setembro 30, 2012
competências
o Portugal governado (!?) pelos neocons de direita gasta, segundo o OE2012, com a Educação a irrisória verba de 3,5% do PIB (4,9% em 2008) sendo uma das áreas onde os cortes orçamentais mais se assanham. Isto apesar da média europeia ser quase o dobro (6% do PIB). Os resultados estão à vista, na competência em novas tecnologias do homúnculo que actualmente ocupa o ministério da (des)edudação
Noutras competências porém o minstro é exemplar na gestão de crise: Crato paga 61 mil euros por parecer jurídico
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segunda-feira, setembro 17, 2012
serviço público
"Se queres transmitir a verdade ao povo, fá-lo por forma que lhe provoque o riso, caso contrário vão querer matar-te" (Oscar Wilde)
Concorreram muito mais pessoas à próxima edição da Casa dos Segredos (80 mil candidatos) do que ao Ensino Superior em Portugal (cerca de 45 mil imbecis).
Concorreram muito mais pessoas à próxima edição da Casa dos Segredos (80 mil candidatos) do que ao Ensino Superior em Portugal (cerca de 45 mil imbecis).
sábado, junho 23, 2012
a Carta Aberta ao ministro Nuno Crato
que lhe é dirigida pelo Professor Santana Castilho (excertos do jornal Público de 21 de Junho)
Como sabe, uma carta aberta é um recurso retórico. Uso-o, agora que se cumpre um ano sobre a sua tomada de posse, para lhe manifestar indignação pelas opções erradas que vem tomando e fazem de si um simples predador do futuro da escola pública. Se se sentir injustiçado com a argumentação que se segue, tenha a coragem de marcar o contraditório, a que não me furto. Por uma vez, saia do conforto dos seus indefectíveis, porque é pena que nenhuma televisão o tenha confrontado, ainda, com alguém que lhe dissesse, na cara, o que a verdade reclama (...)
Falo daquilo que defendia no “Plano Inclinado”, pouco tempo antes de ser ministro. Ambos, Passos Coelho e o senhor, rapidamente me reconduziram a Torga, que parafraseio: não há entendimento possível entre nós; separa-nos um fosso da largura da verdade; ouvir-vos é ouvir papagaios insinceros (...)
A sua pérola maior é o prolixo documento com que vai provocar a desorganização do próximo ano lectivo, marcado pela obsessão de despedir professores. Autocraticamente, o senhor aumentou o horário de trabalho dos professores, redefinindo o que se entende por tempos lectivos; reduziu brutalmente as horas disponíveis para gerir as escolas, efeito que será ampliado pela loucura dos giga-agrupamentos; cortou o tempo, que já era exíguo, para os professores exercerem as direcções das turmas; amputou um tempo ao desporto escolar; e determinou que os docentes passem a poder leccionar qualquer disciplina, de ciclos ou níveis diferentes, independentemente do grupo de recrutamento, desde que exista “certificação de idoneidade”, forma prosaica de dizer que vale tudo logo que os directores alinhem. Consegue dormir tranquilo, desalmado que se apresenta, perante um cenário de despedimento de milhares de professores? (...)
Senhor ministro, vai adiantada esta carta, mas a sua “reorganização curricular” não passará por entre as minhas linhas como tem passado de fininho pela bonomia da comunicação social. O rigor que apregoa mas não pratica, teria imposto o único processo sério que todos conhecem: primeiro ter-se-iam definido as metas de chegada para os diferentes ciclos do sistema de ensino; depois, ter-se-ia desenhado a matriz das disciplinas adequadas e os programas respectivos; e só no fim nos ocuparíamos das cargas horárias que os cumprissem. O senhor inverteu levianamente o processo e actuou como um sapateiro a quem obrigassem a decidir sobre currículo: fixou as horas lectivas e anunciou que ia pensar nas metas, sem tocar nos programas. Lamento a crueza mas o senhor, que sobranceiramente chamou ocultas às ciências da educação, perdeu a face e virou bruxo no momento de actuar: simplesmente achou.
O que a propósito disse foi vago e inaceitavelmente simplista. O que são “disciplinas estruturantes” e por que são as que o senhor decretou e não outras? Quais são os “conhecimentos fundamentais”? O que são o “ensino moderno e exigente” ou a “redução do controlo central do sistema educativo”, senão versões novas do “eduquês”, agora em dialecto “cratês”? Mas o seu fito não escapa, naturalmente, aos que estão atentos: despedir e subtrair à Educação para adicionar à banca (...)
Compreenderá que sorria ironicamente quando acrescenta a Ética Escolar a um Estatuto do Aluno assente no castigo, forma populista de banir os sintomas sem a mínima preocupação de identificar as causas. Reconheço, todavia, a sua coerência neste campo: retirar os livros escolares a quem falta em excesso ou multar quem não quer ir à escola e não tem dinheiro para pagar a multa, fará tanto pela qualidade da Educação como dar mais meios às escolas que tiverem melhores resultados e retirá-los às que exibam dificuldades. Perdoar-me-á a franqueza, mas vejo-o como um relapso preguiçoso político, que não sabe o que é uma escola nem procurou aprender algo útil neste ano de funções"
(o original na versão integral pode ser lido aqui)
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) levou ontem a cabo uma acção de rua no alto do parque Eduardo VII onde foram dados a conhecer os novos parâmetros de luta, ao mesmo tempo que foram largados alguns milhares de balões negros, simbolos de início de uma revolta implacável contra este governo da fome, da ignorância e da doença. Numa das primeiras acções, já a partir da próxima semana, a Fenprof propõe-se penhorar em Tribunal o edificio do Ministério da Educação (Palácio das Laranjeiras) para indemnizar professores pela falta de cumprimento das compensações por caducidade dos contratos, um direito constitucional que está ilegalmente a ser infringido
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Como sabe, uma carta aberta é um recurso retórico. Uso-o, agora que se cumpre um ano sobre a sua tomada de posse, para lhe manifestar indignação pelas opções erradas que vem tomando e fazem de si um simples predador do futuro da escola pública. Se se sentir injustiçado com a argumentação que se segue, tenha a coragem de marcar o contraditório, a que não me furto. Por uma vez, saia do conforto dos seus indefectíveis, porque é pena que nenhuma televisão o tenha confrontado, ainda, com alguém que lhe dissesse, na cara, o que a verdade reclama (...)
Falo daquilo que defendia no “Plano Inclinado”, pouco tempo antes de ser ministro. Ambos, Passos Coelho e o senhor, rapidamente me reconduziram a Torga, que parafraseio: não há entendimento possível entre nós; separa-nos um fosso da largura da verdade; ouvir-vos é ouvir papagaios insinceros (...)
A sua pérola maior é o prolixo documento com que vai provocar a desorganização do próximo ano lectivo, marcado pela obsessão de despedir professores. Autocraticamente, o senhor aumentou o horário de trabalho dos professores, redefinindo o que se entende por tempos lectivos; reduziu brutalmente as horas disponíveis para gerir as escolas, efeito que será ampliado pela loucura dos giga-agrupamentos; cortou o tempo, que já era exíguo, para os professores exercerem as direcções das turmas; amputou um tempo ao desporto escolar; e determinou que os docentes passem a poder leccionar qualquer disciplina, de ciclos ou níveis diferentes, independentemente do grupo de recrutamento, desde que exista “certificação de idoneidade”, forma prosaica de dizer que vale tudo logo que os directores alinhem. Consegue dormir tranquilo, desalmado que se apresenta, perante um cenário de despedimento de milhares de professores? (...)Senhor ministro, vai adiantada esta carta, mas a sua “reorganização curricular” não passará por entre as minhas linhas como tem passado de fininho pela bonomia da comunicação social. O rigor que apregoa mas não pratica, teria imposto o único processo sério que todos conhecem: primeiro ter-se-iam definido as metas de chegada para os diferentes ciclos do sistema de ensino; depois, ter-se-ia desenhado a matriz das disciplinas adequadas e os programas respectivos; e só no fim nos ocuparíamos das cargas horárias que os cumprissem. O senhor inverteu levianamente o processo e actuou como um sapateiro a quem obrigassem a decidir sobre currículo: fixou as horas lectivas e anunciou que ia pensar nas metas, sem tocar nos programas. Lamento a crueza mas o senhor, que sobranceiramente chamou ocultas às ciências da educação, perdeu a face e virou bruxo no momento de actuar: simplesmente achou.
O que a propósito disse foi vago e inaceitavelmente simplista. O que são “disciplinas estruturantes” e por que são as que o senhor decretou e não outras? Quais são os “conhecimentos fundamentais”? O que são o “ensino moderno e exigente” ou a “redução do controlo central do sistema educativo”, senão versões novas do “eduquês”, agora em dialecto “cratês”? Mas o seu fito não escapa, naturalmente, aos que estão atentos: despedir e subtrair à Educação para adicionar à banca (...)Compreenderá que sorria ironicamente quando acrescenta a Ética Escolar a um Estatuto do Aluno assente no castigo, forma populista de banir os sintomas sem a mínima preocupação de identificar as causas. Reconheço, todavia, a sua coerência neste campo: retirar os livros escolares a quem falta em excesso ou multar quem não quer ir à escola e não tem dinheiro para pagar a multa, fará tanto pela qualidade da Educação como dar mais meios às escolas que tiverem melhores resultados e retirá-los às que exibam dificuldades. Perdoar-me-á a franqueza, mas vejo-o como um relapso preguiçoso político, que não sabe o que é uma escola nem procurou aprender algo útil neste ano de funções"
(o original na versão integral pode ser lido aqui)
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quarta-feira, março 07, 2012
um direito humano garantido na Constituição (Artigo 9º, alinea f)
Quem quer estudar paga! quem não tem dinheiro endivida-se com crédito bancário patrocinado pelo governo à moda norte-americana (nada de espantar) . Chegados ao fim do curso, endividados, sem oferta de empregos e sem perspectivas de vida, o delfim dos negócios do Angelo Correia e dos Relvas deste mundo acenam-lhes com folhetos de agências de viagem... vão trabalhar a depenar frangos na Grã-Bretanha e não se esqueçam de depositar cá na banca nacional os excedentes da vossa excelência para ajuda ao desenvolvimento da Pátria que vos pariu
enquanto assim se economiza financeiramente empresariando a Educação, os custos das instalações que a Parque Escolar anda a preparar para privatizar, aumentaram 400% em relação ao custo inicial previsto
Milhares na Califórnia contra novos cortes na Educação
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enquanto assim se economiza financeiramente empresariando a Educação, os custos das instalações que a Parque Escolar anda a preparar para privatizar, aumentaram 400% em relação ao custo inicial previsto
Milhares na Califórnia contra novos cortes na Educação
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segunda-feira, dezembro 26, 2011
nasceu o Menino... vai-lhe valer deus?
(Gustave Courbet, "L'Origin du monde")
... depois nasceram muitos meninos, aqui hoje nascem cada vez menos meninos - a actual proposta (imposta) de sociedade capitalista fez do simples acto de nascer uma aposta num investimento - espreitando para o Principio do Mundo está na hora de declarar a morte definitiva do pai da criança desprovida de capital social à nascença - essa entidade abstracta pulha que tem dado pelo nome de Deus.
“Disse para comigo que o mundo era bom e admirável. Que a bondade de Deus se manifesta até nos animais mais horríveis, como explica Honório Augustoduniense. É verdade, há serpentes tão grandes que devoram os cercos e nadam através dos oceanos, há a besta cenocroca, de corpo de burro, cornos de cabra montesa, peito e fauces de leão, pé de cavalo mas fendido como o do boi, um corte na boca que chega até às orelhas, a voz quase humana e no lugar dos dentes um único sólido osso. E há a besta mantícora, de rosto de homem, uma tripla ordem de dentes, corpo de leão, cauda de escorpião, olhos glaucos, cor de sangue e voz semelhante ao sibilo das serpentes, ávida de carne humana.
E há monstros de oito dedos em cada pé, e focinhos de lobo, unhas aduncas, pele de ovelha e latido de cão, que se tornam negros em vez de brancos com a velhice, e excedem em muito a nossa idade. E há criaturas com olhos nos ombros e dois furos no peito em vez de narinas, porque lhes falta a cabeça, e outras ainda habitam ao longo do rio Ganges, que vivendo só do odor de um certo pomo, e morrem quando se afastam dele. Mas mesmo todas estas bestas imundas cantam na sua variedade os louvores do Criador e a sua sabedoria, como o cão, o boi, a ovelha, o cordeiro e o lince. Como é grande, disse então para comigo, repetindo as palavras de Vicente Belovacense, a mais humilde beleza deste mundo, e como é agradável aos olhos da razão considerar atentamente não só os modos e os números e as ordens das coisas, tão decorosamente estabelecidos por todo o universo, mas também o volver dos tempos que incessantemente se enovelam através de sucessões e quedas, marcados pela morte daquilo que nasceu. Confesso, como pecador que sou, com a alma ainda há pouco prisioneira da carne, que fui movido então por espiritual doçura para com o criador e a regra deste mundo, e admirei com jubilosa veneração a grandeza da criação (…) depois da frase em alfabeto zodiacal (secretum finis Africae manus supra idolum age septimum de quatuor) eis o que dizia o texto grego: …” (Umberto Eco, “o Nome da Rosa”)
Pensamento contemporâneo
"o termo "partícula de deus" foi cunhado, em 1993, num livro de divulgação popular de ciência escrito pelo físico Leon Lederman, o qual, com notável olho para o negócio editorial, compreendeu que o título dado ao livro:”A Partícula de Deus: se o universo é a resposta, então qual é a pergunta”, venderia muito mais exemplares que o título que respeitasse a verdade: "O bosão de Higgs: se o universo é a resposta, então qual é a pergunta”. O que é que o bosão de Higgs tem a ver com Deus? Absolutamente nada. Peter Higgs, quando se apercebeu que o bosão de que havia evidência matemática e andava à procura tinha recebido aquele cognome teísta de "a partícula de deus", não gostou nada da brincadeira e não deixou de protestar: “acho-o embaraçoso, porque embora eu não seja um crente, penso que se trata daquele tipo de uso de terminologia incorrecta que poderá ofender algumas pessoas" (...)nunca ocorreu aos papagaios da notícia a lógica conclusão de que, se uns quantos andavam de cócoras à cata da partícula de Deus, então todas as outras partículas, já encontradas, teriam de ser partículas de Satanás (...) No Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), instalado na fronteira franco-suíça, perto de Genebra, decorrem duas séries de experiências no Grande Colisor de Partículas, denominadas ATLAS e CMS (...) Deixem Deus em paz, para os que são religiosos; expliquem-lhes, de passagem, a natureza e a beleza do bosão de Higgs, que está prestes a ser apanhado por notáveis homens e mulheres de ciência dentro de um túnel nas fraldas dos Alpes. (daqui)
... e aqui vamos nós de novo: algum empresário se lembra que nasceu o menino em Belém, tocam os anjos na terra, é Natal no Royal Albert Hall
enquanto em Belém está uma fila danada entre o muro e o arame farpado no controlo israelita para entrar e sair de casa para ir ou voltar do trabalho
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... depois nasceram muitos meninos, aqui hoje nascem cada vez menos meninos - a actual proposta (imposta) de sociedade capitalista fez do simples acto de nascer uma aposta num investimento - espreitando para o Principio do Mundo está na hora de declarar a morte definitiva do pai da criança desprovida de capital social à nascença - essa entidade abstracta pulha que tem dado pelo nome de Deus.Pensamento medieval
“Disse para comigo que o mundo era bom e admirável. Que a bondade de Deus se manifesta até nos animais mais horríveis, como explica Honório Augustoduniense. É verdade, há serpentes tão grandes que devoram os cercos e nadam através dos oceanos, há a besta cenocroca, de corpo de burro, cornos de cabra montesa, peito e fauces de leão, pé de cavalo mas fendido como o do boi, um corte na boca que chega até às orelhas, a voz quase humana e no lugar dos dentes um único sólido osso. E há a besta mantícora, de rosto de homem, uma tripla ordem de dentes, corpo de leão, cauda de escorpião, olhos glaucos, cor de sangue e voz semelhante ao sibilo das serpentes, ávida de carne humana.
E há monstros de oito dedos em cada pé, e focinhos de lobo, unhas aduncas, pele de ovelha e latido de cão, que se tornam negros em vez de brancos com a velhice, e excedem em muito a nossa idade. E há criaturas com olhos nos ombros e dois furos no peito em vez de narinas, porque lhes falta a cabeça, e outras ainda habitam ao longo do rio Ganges, que vivendo só do odor de um certo pomo, e morrem quando se afastam dele. Mas mesmo todas estas bestas imundas cantam na sua variedade os louvores do Criador e a sua sabedoria, como o cão, o boi, a ovelha, o cordeiro e o lince. Como é grande, disse então para comigo, repetindo as palavras de Vicente Belovacense, a mais humilde beleza deste mundo, e como é agradável aos olhos da razão considerar atentamente não só os modos e os números e as ordens das coisas, tão decorosamente estabelecidos por todo o universo, mas também o volver dos tempos que incessantemente se enovelam através de sucessões e quedas, marcados pela morte daquilo que nasceu. Confesso, como pecador que sou, com a alma ainda há pouco prisioneira da carne, que fui movido então por espiritual doçura para com o criador e a regra deste mundo, e admirei com jubilosa veneração a grandeza da criação (…) depois da frase em alfabeto zodiacal (secretum finis Africae manus supra idolum age septimum de quatuor) eis o que dizia o texto grego: …” (Umberto Eco, “o Nome da Rosa”)Pensamento contemporâneo
"o termo "partícula de deus" foi cunhado, em 1993, num livro de divulgação popular de ciência escrito pelo físico Leon Lederman, o qual, com notável olho para o negócio editorial, compreendeu que o título dado ao livro:”A Partícula de Deus: se o universo é a resposta, então qual é a pergunta”, venderia muito mais exemplares que o título que respeitasse a verdade: "O bosão de Higgs: se o universo é a resposta, então qual é a pergunta”. O que é que o bosão de Higgs tem a ver com Deus? Absolutamente nada. Peter Higgs, quando se apercebeu que o bosão de que havia evidência matemática e andava à procura tinha recebido aquele cognome teísta de "a partícula de deus", não gostou nada da brincadeira e não deixou de protestar: “acho-o embaraçoso, porque embora eu não seja um crente, penso que se trata daquele tipo de uso de terminologia incorrecta que poderá ofender algumas pessoas" (...)nunca ocorreu aos papagaios da notícia a lógica conclusão de que, se uns quantos andavam de cócoras à cata da partícula de Deus, então todas as outras partículas, já encontradas, teriam de ser partículas de Satanás (...) No Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), instalado na fronteira franco-suíça, perto de Genebra, decorrem duas séries de experiências no Grande Colisor de Partículas, denominadas ATLAS e CMS (...) Deixem Deus em paz, para os que são religiosos; expliquem-lhes, de passagem, a natureza e a beleza do bosão de Higgs, que está prestes a ser apanhado por notáveis homens e mulheres de ciência dentro de um túnel nas fraldas dos Alpes. (daqui)... e aqui vamos nós de novo: algum empresário se lembra que nasceu o menino em Belém, tocam os anjos na terra, é Natal no Royal Albert Hall
enquanto em Belém está uma fila danada entre o muro e o arame farpado no controlo israelita para entrar e sair de casa para ir ou voltar do trabalho.
domingo, dezembro 11, 2011
"A maior parte da geração actual da política veio de universidades privadas. E mais não digo..."
A entrevista do ex-reitor da Universidade Independente, encerrada em 2007 por decisão do governo Sócrates, faz parte de uma campanha de diabolização a que o pasquim Correio da Manha habituou o público estupidificado (que não é pouco, o CM é o pasquim com maior tiragem em Portugal). O objectivo último de acertar no alvo, ou seja nas moleirinhas da malta que compra essa merda, é óbvio:
quanto mais o eleitorado se lembrar do ex-primeiro ministro, mais fragilizado estará o actual lider do partido dito socialista Seguro. Para a generalidade do povo, a ter de escolher entre Passos ou Seguro, preferirá, como é evidente, que empatem e ambos desapareçam por onde entraram: pela porta do cavalo dos que nunca trabalharam na vida e desde sempre se alimentaram de parasitar os sofás da partidocracia, in-out, ora maçon, ora opus dei. No final da falsa oposição entre os dois palhaços de serviço, o que sobra é a tentativa de ocultar que em qualquer dos dois governos do centrão neoliberal subservientes à perda de soberania nacional, aquilo que com a Troica antes foi uma excepção, passará a partir de agora a ser a regra
a Cultura burguesa dá uma ajudinha ao conformismo
Presentes a semana passada na Gulbenkian, a orquestra de Max Raabe sediada em Berlim, celebrou o alto estilo e glória musical alemã dos anos 20 e 30, recordando nostalgicamente os anos da falida social democracia da brevíssima república de Weimar - e fá-lo como as grandes orquestras de inspiração norte-americana de então, com uma precisão infalivel em tornar algo que nos é estranho - um mercado próspero interligado aquém e além Atlântico - numa coisa que nos parece familiar, embora não o seja e a grande maioria das populações não esteja a ser beneficiada com esse paradigma politico - dito de outro modo, enquanto houver putas por necessidade e cabarets de luxo, haverá sempre drama, humor e guita por baixo da cueca...
Fodidos da vida a maioria, vacinados contra as emoções estéticas, podemos lembrar então Bento de Núrsia, dito o São Bento, mira sed perversa delectatio – "como podemos pedir que se decore sumptuosamente uma igreja quando os filhos de Deus vivem na indigência?"
quanto mais o eleitorado se lembrar do ex-primeiro ministro, mais fragilizado estará o actual lider do partido dito socialista Seguro. Para a generalidade do povo, a ter de escolher entre Passos ou Seguro, preferirá, como é evidente, que empatem e ambos desapareçam por onde entraram: pela porta do cavalo dos que nunca trabalharam na vida e desde sempre se alimentaram de parasitar os sofás da partidocracia, in-out, ora maçon, ora opus dei. No final da falsa oposição entre os dois palhaços de serviço, o que sobra é a tentativa de ocultar que em qualquer dos dois governos do centrão neoliberal subservientes à perda de soberania nacional, aquilo que com a Troica antes foi uma excepção, passará a partir de agora a ser a regraa Cultura burguesa dá uma ajudinha ao conformismo
Presentes a semana passada na Gulbenkian, a orquestra de Max Raabe sediada em Berlim, celebrou o alto estilo e glória musical alemã dos anos 20 e 30, recordando nostalgicamente os anos da falida social democracia da brevíssima república de Weimar - e fá-lo como as grandes orquestras de inspiração norte-americana de então, com uma precisão infalivel em tornar algo que nos é estranho - um mercado próspero interligado aquém e além Atlântico - numa coisa que nos parece familiar, embora não o seja e a grande maioria das populações não esteja a ser beneficiada com esse paradigma politico - dito de outro modo, enquanto houver putas por necessidade e cabarets de luxo, haverá sempre drama, humor e guita por baixo da cueca...Fodidos da vida a maioria, vacinados contra as emoções estéticas, podemos lembrar então Bento de Núrsia, dito o São Bento, mira sed perversa delectatio – "como podemos pedir que se decore sumptuosamente uma igreja quando os filhos de Deus vivem na indigência?"
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