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terça-feira, abril 30, 2013

Dizem que Isaltino Morais é um case-study na Justiça mundial

Chegado de Trás-os-Montes ao PSD com uma mão atrás e outra à frente, eleito pela primeira vez para a Câmara Municipal de Oeiras em 1985, re-eleito por sete vezes desde então, o autarca amealhou um pecúlio numa conta na Suiça (1) de pelo menos 1,3 milhões de euros (segundo o que as autoridades descobriram em 2003, faltando-lhes descobrir as outras duas contas conforme o jornal "Independente" denunciou). Foi ministro do actual presidente da Comissão Europeia Durão Barroso. Em 2005 é constituido arguido. Em 2006 a acusação é anulada, só voltando a ser repetida em 2007. Dez anos de processo e 46 recursos depois o nosso Isaltino foi preso mas não aceita que o folhetim judicial seja dado por terminado.

"Se começam a prender os políticos corruptos (2), o que vai ser deste país ? Ficamos sem Presidente, sem Governo, sem Assembleia da República, sem Presidentes da Câmara ... o que vai ser de nós?" (lido no facebook)

Isaltino Morais foi condenado em 2009 a sete anos de prisão e à perda de mandato autárquico por fraude fiscal, abuso de poder e corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais. Quando agora, 4 anos depois, entra na cadeia, a pena transitada em julgado já só está fixada em dois anos de prisão, em Maio de 2012 a acusação pelo crime de corrupção prescreveu e a sentença de perda de mandato foi cancelada. O que possibilita que um cargo público como o de dirigente da Câmara Municipal de Oeiras (3) possa vir a ser exercido a partir da prisão por um cadastrado.

(1) Suiça. Liberdade para entrada de Capital, vedada entrada de Emigrantes europeus. Um novo enxovalho para Durão Barroso. 
(2) Presos VIP prestam serviço público, embora involuntariamente. Urge aumentar-lhes a quota. Bastou o "tio" Isaltino ter sido detido para que a Greve dos Guardas Prisionais e as condições degradadas nas Cadeias comecem a ter alguma ressonância nos Media 
(3) Isaltino está fora da Maçonaria? e está fora da CMOeiras?
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sexta-feira, setembro 16, 2011

de pequenino é que se aprende a dar ao corpinho

É mais um notável avanço civilizacional nos EUA? Qualquer incauto depois de ver esta cena vai a correr ler qualquer coisa acerca de conhecimentos básicos sobre inteligência, genes e a sua formatação biológica adquirida pelo ambiente – neste contexto chamam-se a certas surpresas de “experiências da sociedade”…














…e assim, nos cinco minutos disponíveis passará por “As Influências Genéticas e Ambientais na Inteligência Adulta e Capacidades Mentais Especiais” (T.J. Bouchard), “Genética e Capacidade Cognitiva Geral” (R. Plomin), “A Genética de Comportamento” (S.A. Petrill) , “Intelligence, Heredity and Environment” (E. Grigorenko), e no caso de subsistirem dúvidas irá perder mais um minuto ou dois na falta de influência da educação familiar na inteligência de muita alimária que cresceu por aí e por além Atlântico: J.R. Harris The Nurture Assumption: Why Children Turn Out the Way They Do. Esforço inglório, chegado ao fim não será fácil perceber as razões que levam uma mãe (sem carências materiais) a querer incutir na filha a mentalidade de puta,,, ou seja, a aviar um bumbum e mamas falsas numa menina de 4 anos que concorre ao reality-show "Toddles & Tiaras" (Pequenas Misses). Transmitido pelo canal TLC, Maddy Jackson além dos “pequenos acessórios de bónus” ás emoções dos telespectadores, usa um vestido justinho tentando macaquear a actriz Dolly Parton. Questionada a mãe da menina, Lindsay Jackson, desculpou-se dizendo qualquer coisa como “para algumas pessoas pode parecer exagerado, mas para nós é normal”. Pelo andar da carruagem, vão pela maioria da opinião chique-labrega e ainda veremos portuguesinhas a participar em trampas destas


sábado, abril 16, 2011

os Bandos neoliberais

As hordas primitivas, selvagens, anárquicas e guerreiras evoluem, segundo Durkheim, como "o agregado social mais elementar", e de acordo com Freud são “regidas pela força e pelo desejo imperialista do pai”, estando ambas as formas já antes presentes em Engels que define as hordas como o embrião na génese da propriedade (pelo ataque e pelo saque) e depois, já muito para cá do século XVI, da origem do Estado. Porém, no estado actual do Estado são bem observáveis as reminiscências reptilianas do espírito da horda primitiva nos Governos neoliberais: “o Bando, visto pelos antropólogos, é a organização social mínima, nomadizando em função das estações num território relativamente autónomo (ora na Libia, ora no Iraque), agrupando grupos de uma ou várias famílias, não tendo uma contextura institucional, nem diferenciação funcional, nem estratificação, mas apenas alguns papéis temporários e não hereditários, como o de caçador ou de xamã, que adquiriram temporariamente sobre o seu grupo uma influência limitada à gestão dos itinerários, das paragens, do consenso do grupo e das relações com os vizinhos. Se o chefe cometer erros ou der provas de arbitrariedade, todos se afastam dele e o bando torna-se demasiado restrito para garantir a sua própria subsistência

“Introdução à Antropologia”, Claude Riviére, ediç.70 pag. 128, (2010)

segunda-feira, abril 11, 2011

a Corja da esquerda neoliberal, disse

Foram muito elucidativas as imagens agit-prop dos dois partidos bonzo-estáticos do centrão politico neste fim de semana; desde aquele tipo baixinho esganiçado ao rubro em bicos de pés para chegar ao palanque para gritar socráticamente estamos contigo, passando pela ex-embaixadora da causa de Timor à qual só foi permitido que falasse no congresso perto da 1 da madrugada, até ao off-shore do clown da Madeira que assumiu a competência do chefe como lider da escumalha neocon e, para pôr um fim ridículo ao enjoo de tripas que é falar desta tropa, a admissão do proposto figurão "independente" para nº2 do Estado sob o mandato do promitente governo FMI - áh, como diria o Eça, quando ao relermos os Maias nos parece comentar a actualidade: "muitas vezes o riso é uma salvação; em política constitucional, pelo menos, o riso é uma opinião" mas como a crise vai também esgotando a vontade de rir talvez lembrar que se "foi o mau costume de comer a que os habituaram que provoca a fome" então também que, se votar é dar-lhes palha para os alimentar, ao menos que se "poupe ao boi a vista ao malho" - no acto, feche os olhos e ponha uma cruz numa bosta qualquer destas. Depois venha queixar-se da vida prós blogues

Pintura portuguesa do século XIX, no Museu do Chiado

relacionado:
"Banqueiros obrigam Sócrates a pedir a intervenção estrangeira"

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terça-feira, outubro 05, 2010

Não foi a brincar… no Brasil elegeu-se mesmo um palhaço para deputado pela República

Os votantes do mundo inteiro queixam-se geralmente de terem palhaços como políticos, mas esta ideia no Brasil é levada muito a sério. Francisco Everardo Oliveira Silva, proposto pelo Partido da República, de seu nome artístico Tiririca e profissão palhaço, acaba de ser eleito com o dobro dos votos de qualquer outro candidato para representar o Estado de São Paulo numa Assembleia com 94 outros deputados.

Tiririca chamou a si a maioria dos eleitores desiludidos com o sistema de representatividade burguês nomeadamente através de uma campanha inteligente utilizando slogans de fácil interpretação pela população: “Vote Tiririca, pior que tá, não fica” prometendo nada fazer no Congresso: “não faço a menor ideia do que fazem ali os deputados, mas quando lá chegar o meu trabalho vai ser comunicar para vocês cá fora o que eu estiver a ver que eles fazem”
Sabe o que o Partido da República propõe? “Cara, com sinceridade, ainda não me liguei nisso aí, não. O meu foco é nessa coisa da candidatura, e de correr atrás”…Mas tem algum projecto concreto ?... “De cabeça, assim, não dá pra falar, mas como tem uma equipe trabalhando por trás…”… Tem ideia de quanto custa a campanha?... “Cara, não tá sendo barata”… E sobre a actividade de deputado?... “Pra te falar a verdade, não conheço nada”.
Ao fim e ao cabo esta argumentação é universal, não tem nada de original, um tipo que não sabe falar, não sabe quem lhe cuida da campanha, de onde vem o dinheiro, o que terá de fazer se for eleito e que (segundo a revista Veja) nunca votou, tem exactamente o mesmo perfil dos nossos deputados do bloco central; Tiririca teve 1.348.295 votos num universo de 11 milhões de habitantes de São Paulo – equacionando com a população portuguesa seria um número deveras hilariante para fazer entrar em pânico o nosso melhor palhaço-rico



Petição Pública: Fim da atribuição, antes dos 65 anos, das pensões de reforma aos detentores de cargos públicos e políticos, bem como da sua acumulação
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domingo, janeiro 24, 2010

o Poder Cultural

"Um marxista italiano, Antonio Gramsci, foi o primeiro a compreender que o Estado não está confinado a uma estrutura política. De facto, estabeleceu que o aparelho político funciona paralelamente a uma chamada estrutura civil. Por outras palavras, cada estrutura política é reforçada por um consenso civil, o apoio psicológico das massas. Esse apoio psicológico expressa-se através de um consenso ao nível da cultura, da visão do mundo e do ethos. De forma a existir de todo, o poder político encontra-se, portanto, dependente de um poder cultural difundido no interior das massas. Com base nesta análise, Gramsci compreendeu porque razão os Marxistas não conseguiam tomar o poder em democracias burguesas: não tinham o poder cultural. Para ser preciso, é impossível derrubar uma estrutura política sem antes ter tomado o controlo do poder cultural. O parecer favorável do povo tem que ser conquistado primeiro: as suas ideias, ethos, formas de pensar, sistema de valores, arte, educação, têm que ser trabalhadas e modificadas. Apenas quando as pessoas sentem a necessidade de uma mudança como algo auto-evidente é que o poder político existente, agora separado do consenso geral, começa a desmoronar-se e a ser derrubado - a MetaPolítica pode ser vista como a guerra revolucionária travada ao nível das visões do mundo, dos modos de pensar e da cultura."
(Pierre Krebs in "Die Europäische Wiedergeburt", 1982)
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sábado, janeiro 16, 2010

macumbeiros, evangélicos e militares

George Samuel Antoine, o cônsul do Haiti em São Paulo, sem saber que os microfones estavam ligados, comentou antes de uma entrevista que o terramoto "está a ser uma coisa boa" para o seu país porque graças a ele agora "somos mais conhecidos", concluindo "todos os lugares onde há africanos estão fodidos (...) Creio que com tanto fazer macumba o africano atrai a maldição". Ao saber que estas palavras ditas confidencialmente a um investigador tinham sido gravadas, o Consul ficou muito nervoso, desculpando-se com o facto de ter sido mal entendido derivado ao seu português ser incipiente (George Samuel Antoine vive no Brasil há 35 anos). Durante a entrevista movía entre os dedos uma espécie de rosário: "é para acalmar os nervos e para receber energía positiva" justificou-se. (ver: Carta aberta ao Cônsul-Geral do Haiti)



* Em vez de ajuda humanitária, os Estados Unidos enviaram a 82ª Brigada Aerotransportada para manter a ordem. Os cidadãos americanos, a maioria de missões evangélicas, foram de imediato resgatados e levados a salvo para o seu país. Entretanto os soldados, sem qualquer preparação para lidar com populações desesperadas em estado de choque, tratam de forma violenta as vítimas da catástrofe (fonte)

* Imperialismo: como forma de ajuda o FMI propõe... um empréstimo! leia-se, uma nova facilidade de crédito alargado ao Haiti a pagar os usurários juros do costume

* A ajuda de emergência militarizada ao Haiti: trata-se de uma operação humanitária ou de uma invasão?

* Mesquinhez até nas tragédias: os meios de (des)informação dos EUA não nomeiam a ajuda de Cuba nos relatórios sobre o Haití - o espanhol "El País" faz o mesmo!

* Fidel Castro,"As lições do Haiti": "As tragédias comovem um grande número de pessoas de boa-fé, em especial quando se trata de catástrofes de carácter natural. Porém muito poucos se detêm a pensar porque é o Haiti um país pobre. ¿ porquê a sua população depende quase 50 por cento das remessas familiares que recebem do estrangeiro? (...) o Haiti é um produto nato do colonialismo e do imperialismo (...) este esquecimento histórico faz também esquecer que existem milhares de milhões de pessoas em todo o mundo com carências similares, que não deveriam existir (...) esta é uma pálida sombra de outras catástrofes que esperam todas as populações pobres do planeta (Cuba Debate)

o Haití é um "Estado" inexistente, um Estado fantasma tutelado pela missão de "estabilização" das Nações Unidas e pelos Capacetes Azuis da Minustah - uma missão para manter os pobres oprimidos
* domingo dia 24 situação actualizada

quinta-feira, outubro 15, 2009

se o Poder gera corrupção, o contrário também é verdadeiro: a Corrupção gera Poder

o Charlatão

Um clássico! Portas à saída da reunião de duas horas (coisa importante) com Sócrates afirmou: "Nem coligação, nem acordos" com o PS. Se estes dois tivessem expresso antecipadamente que as intenções eram estas, os resultados eleitorais teriam sido os mesmos? o povo eleitor já está farto de ser escaldado com este esquema, e só não o voltam a aldrabar (para já) desta feita porque se antevê melhores negócios num futuro próximo. O que é um facto e um desejo é que Sócrates tentou. (E como é de costume nestas coisas existem concertações que se mantêm ocultas). Quer dizer: o PS tentou fazer (ou tem de facto) um acordo pós eleitoral com o CDS para viabilizar um governo minoritário, com o partido que se coligou com o PSD para obter representação à mesa das autárquicas. Existe de facto uma coligação de Bloco Central com o mesmo programa quaisquer que sejam os actores. O clássico da música popular portuguesa referia-se apenas ao charlatão de uma forma genérica. Não façam confusão, nem pensem que em vez de 1 agora são 2 - neste filme ainda faltam entrar muitos mais. "É entrar senhorias é entrar",,,



Este é um dos clássicos que vai poder ouvir no espectáculo "Três Cantos" com José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias e Sérgio Godinho. Video realizado durante um dos ensaios.
Para levar em linha de conta, não vá ninguém reparar, este exercício cultural é uma verdadeira união de esquerdas: Radicais de esquerda (JMB), Comunismo reformista (FBD) e Socialismo libertário (SG). O mal não está nos individuos, condenados a entenderem-se; o mal está no tipo de organização mafiosa dos partidos cujas cúpulas se limitam a gerir interesses próprios
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segunda-feira, setembro 07, 2009

a Opressão do Bloco Central

Pior que ser derrotado, é não lutar
(Rosa Luxemburgo)

Hoje em dia o Estado exerce a sua administração sobre o pano de fundo da permissividade vegetativa da população controlada socialmente pelo Medo e pela submissão às novas formas de apartheid,

onde cada um está confinado às possibilidades de se acomodar com um resignado encolher de ombros no seu nicho de mercado. A sociedade apolítica – uma união de pessoas aterrorizadas que consentem em fazer parte de uma pseudo multidão paranóica - releva do Medo enquanto supremo principio mobilizador. Nada de novo (1). Como na sociedade nazi-fascista na Alemanha de Hitler, a ameaça orquestrada pelo ministério da Propaganda (que hoje abrange praticamente todos os órgão de comunicação corporativos) a grande ameaça provinha do Terror bolchevique comunista (2), substituido no pós gerra fria pelo papão terrorista do crescente vermelho, vulgo AlQaeda, ou "ameaças transnacionais" como lhe chama o ministro da Defesa - mas também de outras vivências de maior proximidade aos atarantados cidadãos: o medo dos imigrantes, o medo do desemprego, o medo do crime, o medo de doenças, o medo do colapso da segurança social, o medo da depravação sexual, o medo das altas taxas de impostos, o medo da catástrofe ecológica, etc.

Entendidos e martelados deste modo intensivamente pelos Media, este é o “conhecimento” abstracto que cai como granizo incessantemente sobre cada indivíduo: a ilusão de que existe uma espécie de “sofrimento de massas” de que o ouvinte/leitor fará parte, enquanto cada um por si vai sendo espoliado dos seus direitos fundamentais. Neste ponto, regra geral comum por todo o Ocidente orquestrado por uma unidade dos contrários hegelianos que afinal se completam num só, voltámos, regredimos ou estamos nas mesmas condições do tempo da “guerra civil em França” (segundo Marx trata-se da luta de classes, instrumentalizadas pelos interesses da Monarquia, quando descreve a Revolução de 1848) onde a escolha se propunha entre as duas alas do Partido da Ordem investido no governo – uma coligação de duas alas monárquicas – os partidários dos Bourbons e os partidários da Casa de Orleães.

(1) os novos disfarces da actual tirania (que agora dá pelo nome de “democracia”) já foi em tempo diagnosticada pelo filósofo inspirador do nazismo Friedrich Nietzsche em “Assim Falava Zarathustra”, quando considerou que a civilização ocidental estava a caminhar para a criação de criaturas apáticas sem grandes paixões nem grandes lealdades, inseridas num tipo de sociedade (coincidente com a actual mundivisão PSD-CDS) onde cada homem se pensa como um fim último em si, disputando ferozmente os seus privilégios pessoais no afrontamento com todos os outros homens.

(2) As analogias com a época actual são evidentes: Os dirigentes dos grandes consórcios económicos foram os primeiros a dar o seu apoio à ditadura da maioria decretada por uma minoria inscrevendo-se a titulo pessoal no Partido Nazi (o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) com a conivência dos monopólios de toda a classe dominante europeia das democracias liberais. Havia algo de errado no facto da generalidade dos patrões se inscreverem num partido que pretensamente defenderia os operários, assim como hoje existe algo de profundamente errado nos operários, outros assalariados e precários que defendem os dois partidos onde milita o patronato que domina com uma agenda escondida o polvo dos negócios. No discurso de Hamburgo em 1936 numa reunião reservada com a nata das grandes figuras empresariais alemãs Hitler propôs-se prioritariamente “combater os actos de terror do marxismo”.
A extrema direita, a ala direita social- democrata ou os “socialistas de direita” como eles (os do NSDAP) se intitulavam, cujo contraponto moderno são “os socialistas em liberdade” de Mário Soares, ganhavam assim importância: “é preciso exterminar os bolcheviques que ameaçam a posse dos meios de produção, uma vez que os partidos burgueses só se preocupam com o sucesso eleitoral” (sic). Empresas com objectivos sociais em vez do lucro privado é que não. Hoje em dia não há Joe, Coelho, Belmiro, Pina Moura ou Amorim que, com as adaptações na terminologia necessárias, não assine uma coisa destas por baixo
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quarta-feira, dezembro 17, 2008

para os adeptos da fusão da mente com a tecnologia

a Internet no futuro será o meio mais eficaz de luta politica. Com um pequeno esforço informático conseguiremos acertar no alvo. Ora toma



quinta-feira, outubro 30, 2008

há mais vida para além de McCain e Obama?

¿Que acções “incrivelmente duras” (um silogismo do modo "democrático" para Shock&Awe?) de política externa prepara Obama? (WSWS via Rebelion)
Joe Biden comparando Obama a John F. Kennedy: "Não tardará seis meses antes que o mundo ponha à prova Barack Obama como fez com John Kennedy" disse Biden.

“O mundo está à espera. Estamos prestes a eleger presidente um brilhante senador de 47 anos. Cuidado. Vamos ter uma crise internacional, uma crise provocada, para provar as capacidades e a têmpera desta pessoa” - Biden mencionou o Próximo Oriente, o Afeganistão, Paquistão, Coreia do Norte e a Rússia como possíveis pontos de conflito, porém não deixou claro a natureza exacta de tais crises, limitando-se a avisar: “Pode haver pelo menos quatro ou cinco cenários nos quais se podiam originar" e assegurou que Obama reagiria enérgicamente: "Vão tratar de o pôr à prova. E vão descobrir que este tipo tem uma espinha dorsal feita de aço"

"The War Room"
de Chris Hegedus e D. A. Pennebaker, EUA, 1993
- exibido no Doc Lisboa 2008

1992 - no Posto de Comando, "a sala de guerra", um mundo habitualmente vedado aos olhares comuns, James Carville e George Stephanopoulos os estrategas da campanha preparam a eleição de Bill Clinton; o grego é o autor dos célebres slogans que lhe valeram a vitória: “É a Economia Estúpido” e "leiam os meus lábios: não haverá mais impostos!", criticando a ausência de respostas da administração George Herbert Bush no campo económico; eles redigem os discursos da candidato, comandam centenas de colaboradores e assessores de imagem que controlam em proximidade todo o território nacional, que por sua vez controlam outras centenas de pessoas e agências de comunicação influentes localmente, exploram a difusão das gafes dos adversários nos media, lançam acções de spin junto dos financiadores por forma a manejar com âxito verbas milionárias, lançam propaganda subliminar nos jornais e televisões. É uma máquina gigantesca que vale o eufórico desabafo final de Carville: “este é acto de masturbação colectiva mais caro do planeta terra”. Estes profissionais altamente especializados em marketing político contratados para as campanhas cumprem afinal uma encomenda.

Quem encomenda é quem paga as contas, mas os mandantes que controlam os grandes negócios de Estado permanecem na obscuridade. Pouco espaço é deixado ao candidato-presidente, este raramente é visto neste retrato exclusivo sobre os corredores da política e os seus jogos de poder; a Clinton pouco mais lhe é exigido que a pose como figurino com aptidões para exorcizar discursos em público e que tenha carisma suficiente para entusiasmar as audiências. Também essas habilidades foram trabalhadas previamente pelo staff, ensaiadas e treinadas frente às câmaras.

2008 – Quartel General de McCain; Ed Rollins o estratego republicano ligado às vitórias de Ronald Reagan antecipa que a opinião prevalecente é a de que a corrida está perdida: “a eleição está mais que decidida, vai ser uma avalanche”. Rollins sabe do que fala; afinal Reagan era um manhoso ex-actor de filmes série B na pré reforma como relações públicas na multinacional General Electric – depois de um discurso inaugural de 4626 palavras estava lançada a política que ficou conhecida como “Reaganomics”. Pode-se imaginar que este salto na desregulamentação global, o desmantelamento do new deal e a livre circulação de capitais foi decidida por uma parda figura de hollywood? – certo é que a GE, depois de deslocalizar praticamente toda a produção, integra hoje, longe da “crise” um dos grupos de topo do universo financeiro judaico.

David Frum, que redigia os discursos de George Herbert Bush observa que “há muitas maneiras de perder uma eleição presidencial” e acrescentava ontem que McCain está a perder a actual de uma maneira que “ameaça afundar de vez o Partido Republicano com ele... podiam-se empilhar os números das sondagens, mas francamente... é dmasiado deprimente”. Nas eleições para o senado e para a Câmara de Representantes, que se realizam no mesmo dia o cenário é ainda pior: os “democratas” prevêm obter a maioria absoluta (de 256 assentos para um total de 435, ou seja, 59%).
O discurso de McCain na NBC, contratado para exercer esse mesmo diferente papel, condiz: “o entusiasmo que se vê em torno da nossa campanha está ao mais alto nível de sempre. Somos muito competitivos e estou muito feliz com o que somos
Razão tem uma participante de uma destas manhãs no Forum TSF: “Imaginem uma tempestade que tenha trazido uma grande enxurrada de lama pela casa adentro. É preciso chamar alguém, geralmente uma equipa de trabalhadores menos qualificados, para que cumpra a urgente tarefa de limpar a casa. Será esse o trabalho encomendado ao preto Barack Obama, que é um mero "constructo". e Cumpridor com a função para que foi designado, já avisou: "Temos uma grave crise para resolver e duas guerras para ganhar"
Indecisão?
Depois de ler o que atrás ficou dito, tente adivinhar quem escreveu um discurso tão certinho e encenou a pose estatal de Obama, dirigida directamente ao coração das massas estúpidas, na meia hora de publicidade paga de ontem na televisão (26 milhões!). o Cinismo em estado puro, pura conversa da treta para deitar pró lixo a partir da próxima semana,,,

Ver video de propaganda eleitoral de Obama aqui (27min,10seg.)

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quinta-feira, outubro 16, 2008

Doc Lisboa 2008 (II) Z32

Inaugura hoje o Doc Lisboa, sob a égide gráfica de uma glosa do artista chinês mais badalado da actualidade (Yue Minjun) ao famoso quadro de Goya (mas desta vez uma execução sem armas). Por ironia (ou descuido) a edição deste ano conta com uma forte presença do cinema israelita. A obra de abertura é uma espécie de musical (!) censurado em Israel, o que não deve ser difícil - "Z32" um documentário de co-produção franco-israelita realizado por Avi Mograbi - diz o texto de apresentação:
"Um soldado israelita de uma unidade de elite procura perdão para os seus actos depois de ter participado numa missão onde foram mortos diversos palestinianos inocentes. A sua namorada, que já ouviu a história vezes sem conta, recusa reconhecer as atenuantes do crime em que ele participou. Um realizador de documentários dá-lhe a oportunidade de contar a sua história sem ter de assumir responsabilidades.
Z32” centra-se na difícil fronteira que reside entre o testemunho perturbador e a sua representação artística" - a arte como manipulação? Em Israel a frase "dispara e depois chora!" (yorim vebochim) é uma expressão muito comum usada para criticar o destino dos soldados em missões de ocupação, os quais devem saber melhor que ninguém que estão a perpretar crimes de guerra, levando em linha de conta que esta malta também se diverte depois da hora de serviço - veremos se o exercício nos serve para distinguir entre o que é o Sionismo como doutrina de um Estado religioso (e a sua diferença em relação à barragem que é feita em nome do Anti-Semitismo) e as tão propaladas doutrinas pacifistas de boas intenções de uma 3ª via impossivel, mergulhada no fanatismo interno mas de fachada democrática - onde, como muito bem lembra o folheto: "ninguém se sente obrigado a assumir responsabilidades"
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terça-feira, setembro 30, 2008

Susan Sarandon

Esta senhora está a passar por aqui. Sarandon que se afirma liberal (*condicionada) por funcionar dentro do star system, assume-se publicamente como activista em causas progressistas - o que já não é nada mau nos tempos que correm.
da wikipedia: "o Progressismo é uma doutrina ou corrente filosófica de pensamento relacionada com o Positivismo. O progressismo pode ser relacionado ao adiantamento, desenvolvimento, aperfeiçoamento, evolução e superação como corrente oposta ao conservadorismo anacrónico, rígido, autoritário, repressivo e, no caso da escola, punitivo e liberticida. Políticas progressistas são aquelas que propõem mudanças sócio-económicas radicais, para o desenvolvimento e, naturalmente, o progresso. As oligarquias tendem a defraudar eleições em que progressistas dos mais variados matizes saiam vitoriosos, alegando que "são subversivos e socialistas".

(*) o liberalismo é/foi uma corrente politico- filosófica que entronca historicamente em determinadas condições proporcionadas pela estrutura juridico económica das diversas épocas por onde a doutrina vem viajando. Os últimos liberais à séria foram Hayek, Milton Friedman, Margareth Tatcher e Ronald Reagan, mas a isso já se começou a chamar outra coisa - a roda dentada liberal (com a desanexação do dólar em relação ao padrão-ouro na década de 70 que cancelou Bretton Woods), desengrenou-se, com a inércia da queda no precipicio entrópico da expansão natural capitalista não mais andará para trás para repor as condições anteriores, nem as suas criaturas.

sábado, junho 07, 2008

Obviamente, penduro-a!
















Não há por onde escapar. Para não fugir ao "autoastrau" de imbecilidade geral que percorre o país de cada vez que há uma hipercompetição futebolística, o que dá a cada casinha portuguesa aquele ar de repartição de finanças com a bandeira pendurada à janela, nós por cá, para não passarmos por otários, também penduramos a nossa bandeirinha com a cor cá de casa. Oremos senhor.

do inimigo público
citando o fiasco da nação da revista Visão:
"não é certo que o Estado queira que as pessoas vivam muitos anos, tendo em conta o estado de falência da Segurança Social" (recorde-se, devido ao desmantelamento e ao investimento dos fundos nesse outro campeonato que é o jogo de azar financeiro internacional; política iniciada durante o ministério do ex-ministro dos negócios estrangeiros de Cavaco Silva; política mantida e prosseguida pelo actual governo) - Ricardo Araújo Pereira adverte:
"Tendo em conta que, deixando de fumar, Sócrates viverá mais tempo, não sei se a medida será benéfica para o país. Nesse sentido, é possível que não seja uma promessa, mas sim uma ameaça"
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segunda-feira, abril 21, 2008

a Sociedade do Espectáculo

Prestes a chegarmos aos 40 anos de memórias do Maio 68 relembre-se "a revolta sem objectivos" (que teve, segundo Anselm Jappe a resposta pel"o início da passagem para uma nova forma mais subtil de dominação capitalista" pela recordação aquilo que "o evento" de mais significativo nos legou: a obra de Guy Debord sobre a sociedade e o espectáculo (pseudo)político, ou se se preferir, despolitizado, encenado pelo Poder.

Os factos, e a degradação da sua imagem intragavel actual, confirmam em absoluto a sua previsão teórica. Mona Cholet (Rêves de Droit) escreve no Le Monde Diplomatique em Abril de 2008: "Tendo compreendido que a exibição do seu estilo de vida luxuoso tinha um efeito catastrófico na opinião pública e aprendendo com os maus resultados dos seus candidatos nas eleições locais de 9 e 16 de Março, Nicolas Sarkozy terá decidido manter-se discreto. Mas ser-lhe-á difícil resolver uma contradição fundamental: a sua função impõe-lhe que se preocupe prioritariamente com o interesse geral, mas ele permanece fascinado com o êxito individual que o mundo do espectáculo celebra" (link em português não disponivel).
O que fazia mover Debord era a palavra de ordem "Destrói a máquina de controlo", mas segundo William S.Burroughs "O Teatro Fechou!" (Quick Fix). Na "sociedade disciplinar controlada", segundo Foucault, a disciplina é interiorizada. E esta é exercida fundamentalmente por três meios globais absolutos: o medo, o julgamento e a destruição.
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sexta-feira, março 07, 2008

That`s not all folks!

Baptista-Bastos no DN : «A democracia portuguesa está deformada. Os partidos estão desacreditados e os políticos são desacreditantes. Portugal sobrevive num sonambulismo onde o desacerto se tornou coisa aprazível e a mediocridade a medida de todas as coisas”
Leonardo Ralha no CM: “Faltam movimentos que defendam ideias e entendam o futuro do País e do Mundo por oposição à modorra do “Centrão”, à ineficiência dos que temem ser de direita e ao desapego à realidade dos que ficam mais à esquerda”, afinal ambos do mesmo lado, digo eu.
A escolha do actual estado de coisas foi democrática. A grande maioria tem votado sempre ora no Psd ora no PS. Os eleitores não têm de que se queixar. Bem se sabe que os directórios escolhidos para os partidos do sistema não cumprem os programas com que se apresentam às escolhas. Há trinta e picos anos que as pessoas comuns sabem que é assim; contudo parece existir um prazer mórbido em perpetuar a almejada esperança que do céu caia, sem trabalho, esforço ou militância, benesses e mordomias iguais ou parecidas àquelas que caem como por milagre nas contas bancárias dos políticos e gestores que assaltaram o poder público. Como a interpretação desse sonho tarda a converter-se em realidade, talvez até nunca venha a converter-se, as odiosas culpas no cartório da falta de comparência do milagre, recaem sobre “os comunistas”. Se a CGTP junta 200 mil pessoas descontentes, a culpa é dos comunistas, se a Fenprof é obrigada a esconder qualquer sinal de filiação partidária e mesmo assim reúne o consenso da esmagadora maioria dos professores, a culpa é dos comunistas. Se o Pcp junta 50 mil numa manifestação convocada unicamente no seu próprio nome, a culpa é deles mesmos. Afinal, apesar da mal amanhada tergiversação ideológica, “os comunistas” parecem ser uns fulanos importantes: Assim sendo, até tomando como bitola o revivalismo das acções policiais pidescas, estamos como dantes:

"Paira um espectro pela Europa — o espectro do Comunismo. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, o Papa e o Czar, Merkel e Sarkozy, radicais franceses e polícias alemães. Onde está o partido de oposição que não tivesse sido vilipendiado pelos seus adversários no governo como comunista?" (ler mais)
O Manifesto Comunista
na Era da Internet, explicado em vídeo - mais actual que nunca!
(legendado em português)

Besta de Estilo” de Pier Paolo Pasolini

Fragmento III, Paris
Vivo um sentimento de profundo ou desesperado rancor, de desilusão tão silenciosa quanto definitiva, de humilhação que não degrada apenas o velho que sou, mas degrada, por reflexo, toda a minha juventude. Este rancor, esta desilusão, esta humilhação derivam do facto de não ter vivido como Aliocha, embora tivesse podido ser capaz. Os sentimentos tão fortes, puros, violentos, que me agitavam em jovem em relação aos outros, não soube gastá-los sem interesse, como Aliocha; e não soube fazer deles segredo, revelando-os apenas aos que por eles se interessavam verdadeiramente. Não soube, assim, perder-me no silêncio, no pequeno lugar numa cidade qualquer que a vida me reservara. Quis investir com interesse esses meus sentimentos e num círculo de pessoas mais vasto. Desejei-o por ingenuidade. Acreditei que os meus sentimentos, assim fazendo, se iriam nobilitar ainda mais e sobretudo, sinceramente, engrandecer. Tornaram-se, porém, infinitamente mais pequenos e mesquinhos. E o meu rancor, a minha desilusão, a minha humilhação deveram-se àquilo precisamente que tornou pequenos e mesquinhos os meus sentimentos: a literatura.

Fragmento IV – o coro em Praga
Sala de Conferências (União de Escritores). Observadores ocidentais presentes: o que faz da conferência de imprensa de Jan algo de menos asceticamente comunista, etc.
Há algo de mundano, como nas apresentações de livros em Roma ou em Paris (sem o afluxo “ateniense” dos análogos encontros londrinos ou, melhor ainda, nova-iorquinos) em que o “demos” está presente, na forma de jovens com sede de cultura (actualmente algo irreverentes)
A última obra de Jan é uma reescrita de uma obra clássica de Vladimir Janácek; nela se fala de um crítico que reconstrói a Identidade de um pintor desconhecido, através de uma sequência obscura de descobertas de quadros novos e novas atribuições – como num policial puramente intelectual.
Este enredo, no livro de Jan, repete-se porém três vezes, em três momentos diferentes da história: um contexto rico (agrário, feudal: fascista); um contexto popular; e, por fim, um contexto pequeno-burguês. A relação de classe (entre descobridor e descoberto) é sempre especular: pois o patrício descobre um grande pintor popular; o pobre descobre ao contrário um grande pintor de família nobre; o pequeno burguês descobre, por fim, um grande pintor pequeno burguês (desaparecido nos campos de extermínio).
Neste último caso temos, porém, uma infracção da simetria: aí se insere a radical transformação do mundo que se deve à sociedade de consumo (que unifica o Oriente ao Ocidente): por isso a Identidade do grande pintor pequeno-burguês – reconstruída pelo crítico pequeno burguês através de deduções e trazida da sombra do desconhecido para a luz da história – sofre uma alteração interpretativa bastante anómala, em relação às duas primeiras vezes. A Pesquisa fica suspensa, perturbada
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terça-feira, novembro 06, 2007

ainda que não tenhas nada a dizer àcerca daquilo que eu digo

a favor da campanha do Daniel Oliveira
para o peditório social democrata do Bloco

"Não compreendendo a teoria da luta de classes, acostumado a ver na arena política unicamente as pequenas disputas dos diversos círculos e tertúlias da burguesia, o burguês entende por ditadura a anulação de TODAS as liberdades e garantias da democracia, toda a arbitrariedade, todo o abuso do poder no interesse pessoal do ditador (...) Por esclarecer fica o conceito de ditadura de classe (que, emprestando ao governo autocrático uma aparência social-democrata) cerceia as liberdades diferentemente da ditadura de um indivíduo.
V.I. Lénine, in "As duas Tácticas da Social-Democracia na Revolução Democrática"

quarta-feira, outubro 31, 2007

Inteligência Colectiva

(...) "e os milhares de peixes moveram-se como uma enorme besta, revolvendo a água em seu redor. Aparentemente unidos, e inexorávelmente conectados a um destino comum. De onde surge esta unidade?"
Bernard Shaw

Segundo um dos autores do “ultraPeriférico”:
são três as grandes humilhações que a ciência infligiu à megalomania humana: a cosmológica, a biológica e a psicológica. São três bofetadas no egocentrismo da humanidade. A primeira, quando Copérnico mostrou que a terra, longe de ser o centro do universo, não passa de uma insignificante parcela do sistema cósmico. A segunda, quando Darwin, Wallace e os seus predecessores, reduziram a nada as pretensões do homem a um lugar de eleição na ordem da criação. A terceira, quando Freud demonstrou que o Eu não é soberano na sua própria casa, onde sobrevive à custa de uma luta permanente contra um id pulsional e um superego castigador - o efeito Copérnico põe em causa o lugar do homem, o efeito Darwin ofende a sua genealogia, o efeito Freud atinge a sua alma. Actualmente confrontamos-nos com nova humilhação: a manipulação humana dos ecossistemas. Como resultado a natureza mostra que não é propriedade do homem mas sua proprietária, que não é sua súbdita mas sua soberana, ao implicar a destruição do homem na mesma medida em que por ele vai sendo destruida. Às três humilhações do homem pela ciência, sucede assim uma outra, bem mais devastadora, infligida pela própria Natureza que ao ser humilhada exige humildade”.

Concluindo, afirma-se que “a humildade é, para a arrogância humana, a suprema humilhação”; contudo, não se pode agarrar na “espécie humana” e enfiar tudo dentro do mesmo cabaz do universo humano – há quem se arroge o poder de humilhar e biliões de deserdados que são humilhados, ainda que estes não o saibam - Claro que não sabem – porque existe uma quinta humilhação. O leão come a frágil gazela, o homem dizimou bisontes; o cuco come as próprias crias; dizia-se que o extraordinário sucesso da espécie humana (!) sobre a Terra se devia ao facto de não ter predadores que liquidassem o Homem para se alimentar. Mas a espécie atravessa uma crise de proporções nunca antes imagináveis, porque entretanto já temos esses predadores – temos os Americanos Wasp e respectivas elites locais, que, embora não nos comam de faca e garfo, delapidam em gastos supérfluos os recursos necessários para resolver quase todos os problemas do chamado terceiro mundo, no qual, no caso português, sob o tenaz comando do cuco inconformista Cavaco e do tecnocrata Sócrates agora mergulhamos. Integrados em que programa universal (ou global para utilizar o léxico corrente) exercem o cargo estes dois?

Para além de Freud - o regresso das crenças religiosas

Segundo Jung existe uma linguagem comum a todos os humanos de todos os tempos e lugares do mundo, constituida por simbolos primitivos que se espressam no conteúdo da psique e que estão para além da simples razão. Sabendo-se que o cérebro é utilizado pelo homem para as suas funções correntes em apenas 10 por cento, permanecendo as restantes áreas um mistério – é sobre essa área de 90 por cento que de forma organizada pelo marketing e pela publicidade se “bombardeiam” percepções sobre os colossais egos da imensa massa indiferenciada dos homens.
Carl Gustave Jung (1875-1961), discipulo meio-dissidente da psicanálise de Freud, autor da teoria do “sincronismo”, trata da humilhação colectiva de sermos manipulados, utilizando o “Inconsciente Colectivo” das populações e, subsquentemente criados como animais domésticos dentro de recintos vedados chamados Estados. Ainda para mais, humilhação suprema, sob o efeito Jung permitimos, (nós os pobres que conforme sugere a Hiena Matos ontem no Público somos mais estúpidos que os ricos), que se criassem condições (deixando-nos educar) para que os gestores nomeados para as administrações das “animal farms” possam ser psicopatas comuns não monitorizados pelas bases da Sociedade.

Limpando o Cérebro a uma Nação

segunda-feira, outubro 29, 2007

o Esplendor Americano

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, chegado na grande vaga de judeus importados para a América em meados do século XX prosperou cientificamente com o inicio da aplicação da sua teoria no processo que ficaria conhecido como
The Century of the Self

Um documentário da BBC, em 4 partes, explica os mecanismos do controlo psicológico de massas em prol da pretensa superioridade das opções individualistas – por forma a obter uma alienação passiva de cada um dos indivíduos, transformando cada um per si em “máquinas felizes” (e submissas) na “democracia” controlada . Claro que, como todas as questões que são equacionadas na América, tratava-se de Making Money by Manipulating the Subconscious (fazer dinheiro com as novas técnicas de manipulação do subconsciente) Os episódios até há pouco tempo disponiveis no You-Tube foram retirados devido à invocação dos direitos de autor por parte da BBC. Mas pequenos sketches continuam a estar disponiveis aqui:
Episódio 1 - "Happiness Machines"

Episódio 2 - "Engendrando Consensos"

Episódio 3 - "Existe um Policia dentro de cada Cabeça que precisa ser Destruído"

Episódio 4 - "Oito Pessoas bebericando Vinho (ou Cerveja)"

terça-feira, outubro 16, 2007

Simulações e Realidade, ou o negócio das emoções

Dois personagens de Umberto Eco encontram-se para discutir a publicação de uma versão de uma história real devidamente investigada. Na medida em que vão avançando e evoluindo nas suas considerações, acabam por se decidir a escrever um romance - onde a história real já não se distingue da ficção.

por aqui no Submundo, também avistamos um Crocodilo virtual interpretado por uma coisa qualquer parecida com os Radiohead