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terça-feira, setembro 15, 2015

nasceu uma estrela

No debate com António Costa diz-se que Catarina Martins venceu claramente. De facto ganham ambos, quem perde são sempre os ouvintes eleitores, impedidos de formar opinião por estes debates se passarem num canal de cabo com audiência restricta, em vez de em sinal aberto comforme obriga a Constituição e a Lei Eleitoral agora mandada às urtigas - para não citar a censura sobre os partidos sem representação no actual parlamento.
como no filme que lançou Judy Garland para o estrelato em Hollywood, Catarina Martins sonha atingir os pincaros da fama dentro do sistema politico nacional pretendendo casar com um velho actor decadente. Para chegar tão alto, ancorada no seu brilhantismo, a jovem conta com todo o dinheiro amealhado pela avó, uma convicta social-democrata. Na vida real começam aí os problemas, o velho astro Norman Maine não aguenta a pressão... (a star is dead)

Três pontos constam da proposta de namoro ao PS da porta-voz do Bloco dito de Esquerda, cuja não-aceitação por António Costa inviabiliza o casamento. 1. Re-estruturação da dívida pública iniciando um processo de negociação com a União Europeia. Costa discorda. Fica omisso que até o próprio FMI considera que as dívidas acima de 120% do PIB são impagáveis 2. Abandono da proposta de flexibilização do regime de contratação de trabalho que facilita ainda mais os despedimentos sem recurso à via judicial, através de acordos com os patrões como se tratasse de um acordo entre partes iguais. 3. Não aceitar cortes na TSU para os patrões nem novos cortes nas pensões para os trabalhadores, pondo em causa a Segurança Social, visando ampliar o négocio de seguros privados. Catarina afirma que no programa eleitoral do Partido dito Socialista constam novos cortes nas pensões num total de 1660 milhões de euros para os próximos 4 anos. Mas não é verdade, os cortes previstos se Costa for eleito somam 4210 milhões a menos na Segurança Social em 4 anos!


Minuto final Debate com António Costa Legislativas2015
Catarina Martins14 de Setembro de 2015
O que diz a própria direita sobre a sustentabilidade da Segurança Social: segundo os neoconservadores“As pensões e salários pagos pelo Estado ultrapassam os 70% da despesa pública, logo é aí que se tem que cortar”. É uma falácia. O número está, desde logo, errado: são 42,2% (OE 2014)... mas há que abater a parte que financia a sua componente contributiva (cerca de 2/3 da TSU). Assim sendo, o valor que sobra representa 8,1% da despesa das Administrações Públicas. (Bagão Felix,"Falácias e Mentiras sobre Pensões")

domingo, agosto 30, 2015

Não é a Grécia, Não é o Petróleo, Não é a China; esta é uma Crise Sistémica!

O modelo imposto pela vitória dos Estados Unidos na 2ª Grande Guerra e o pós-desenvolvimento pela doutrina Kissinger nos anos 70 colapsou!
O agravamento da crise que agora se inicia com a entrada dos chamados países emergentes (BRIC`s) e que afecta todo o mundo não provém da perda de valor das matérias primas, nem porque a China está a deixar de crescer aos mesmos níveis anteriores e a bolsa de Hong-Kong foi atacada pelos especuladores financeiros ocidentais, nem ao dumping ecológico da nova tecnologia de extracção de petróleo de xisto pelos Estados Unidos chantageando o modelo civilizacional, nem a qualquer outro tipo de “choque” económico. O modelo de acumulação capitalista que está a ser imposto globalmente desde há 40 anos, cuja falência se começou a manifestar em 2007 e “crashou” em 2010 ” é que é insustentável; como em 1929, está esgotado! – as explicações dos “analistas” não são válidas; o que nos dizem, é que a China é uma coisa, a Europa outra, os Bancos assim, a Grécia assado, etc. E porquê? Porque há que evitar perguntas inconvenientes e o pânico generalizado, as pessoas devem ser mantidas indiferentes, os que se dispõem a intervir devem votar em paz e ficarem tranquilos, entreter-se a ver futebol e gritar através da televisão contra os árbitros; porém nunca contra aqueles que são colocados em lugares-chave sem saber o que estão a fazer, nem contra as ocas palavras dos políticos contratados para gerir o sistema eleitoral onde só se pode escolher apenas uma coisa.

Que solução? Primeiro há que conhecer os problemas; e o primeiro é a “divida” criada pela falta de compensações entre regiões. É preciso anular de imediato toda a espécie de endividamento resultante do sistema de trocas desiguais – calcula-se que o Mundo deve a si mesmo 200 mil biliões de dólares, a “moeda” que mede o saque de recursos planetários e deve ser imediatamente extinta. A continuar é absurdo pensar que um tal nivel de endividamento possa algum dia ser pago. É necessário reconstruir todo o sistema financeiro global, contabilizar sem fraude os activos dos bancos e seguradoras; extinguir as sociedades financeiras de “investimento” especulativo. Homologar e impor os custos sobre o consumo de produtos alienantes fazendo-os depender de taxas negativas. Instaurar um “rendimento básico mundial” equitativo. Eliminar intermediários que não geram nem acrescentam valor; medir o valor pelo trabalho e não pelo capital acumulado de modo predatório que criou o abismo entre devedores e credores; conferir o protagonismo politico à classe de operários, técnicos e trabalhadores do tecido produtivo. 

domingo, agosto 23, 2015

a Grécia e o Socialismo do século XXI

Ex-ministro Varoufakis: “Para quê enviar tropas, se podem enviar a troika a cada mês?”
 
A composição social na Grécia (como em Portugal), consequência da deslocalização e terceirização do tecido produtivo numa população activa de cerca de 5 milhões de pessoas, é aproximadamente a seguinte:
* Operários empregues em trabalho produtivo, 14%
* Trabalhadores indiferenciados, 19,3%
* Profissionais técnicos e quadros, 17,5%
* Assalariados agrícolas, 2,2%
* Executantes empregues no terciário, 42,5%
* Dirigentes, Administradores e profissões liberais, 4,5%
A coligação de pequenos partidos agregados no Syriza foi eleita e apoiada pela pequena e média burguesia confrontada pelo neoliberalismo com a ameaça de proletarização face aos direitos adquiridos (o desemprego real de 27% (22% em Portugal) atravessa transversalmente todos os grupos de trabalhadores) ; o programa de governo propunha-se afrontar a grande burguesia transnacional congregada em torno da União Europeia, o que foi feito. Imediatamente boicotada, a coligação Syriza foi humilhada e derrotada. A luta passa a outro patamar, cujo objectivo deve ser a tomada de consciência que a pequena-burguesia dos serviços e a aristocracia operária devem unir-se à classe operária para formar um governo de amplo consenso democrático e patriótico

Stathis Kouvelakis: 25 deputados do SYRIZA deixaram o grupo parlamentar da coligação de esquerda no governo para criar um novo grupo, sob a denominação de "Unidade Popular". A maior parte desses deputados são filiados na ala mais à esquerda do Syriza, mas outros também se uniram, como Vangelis Diamantopoulos ou Rachel Makri, colaboradora próxima da presidente do Parlamento Zoe Kostantopoulou. É um importante importante acontecimento na política grega, mas também no plano internacional, tendo em vista o Plano B de grexit da moeda única europeia.

1. "Unidade Popular" é a denominação da nova frente política que reagrupará 13 organizações da esquerda radical que assinaram o documento de 13 de agosto que propõe que se constitua a Frente do Não. Essa Frente é, pois, o primeiro resultado concreto de uma recomposição no seio da esquerda radical grega. É recomposição que recolhe lições dos últimos cinco anos, e, claro, da experiência do Syriza no poder e da catástrofe que daí resultou. Mas o objetivo da Frente é mais amplo: trata-se de dar expressão a forças sociais que não necessariamente se reconhecem como parte da Esquerda, mas que querem combater o arrocho, os Memorandos e o "poder da Troika reloaded" do novo Memorando.

2. O objectivo da Frente Popular é constituir a expressão política do "Não", como se manifestou nas eleições de Janeiro e depois do referendo de 5 de Julho (Mais de 60% dos votos). As principais linhas programáticas são: ruptura com a Austeridade e os Memorandos; rejeição de todas as privatizações e nacionalização, sob controle social, dos sectores estratégicos da economia, a começar pelo sistema bancário; e, em termos mais amplos, um conjunto de medidas radicais, que farão pender o equilíbrio de forças a favor do trabalho e das classes populares e que abrirá caminho para a reconstrução progressista do país, de sua economia e de suas instituições. Esses objetivos não se podem realizar sem sair da Eurozona, como a catástrofe recente já o demonstrou abundantemente, e sem romper com o conjunto das políticas institucionalizadas pela União Europeia. A Frente Popular também lutará por um combate internacionalista unitário em torno de objetivos comuns à escala europeia e internacional, e apoiará a saída do país da NATO; a ruptura dos acordos existentes entre Grécia e Israel; e a oposição radical às guerras e intervenções imperialistas. Esse programa transicional situa-se na perspectiva do socialismo do século XXI.

3. O novo grupo parlamentar é agora o terceiro em número de votos, no Parlamento Grego, maior que os neonazis do "Aurora Dourada". Significa que nos próximos dias o dirigente da Frente do Não, Panagiotis Lafazanis, terá mandato para constituir governo que durará três dias, como o determina a Constituição grega. Depois da queda do governo Tsipras, esse mandato está agora entregue ao segundo partido do Parlamento, "Nova Democracia", o principal partido de oposição de direita. Esse tempo será usado pela Unidade Popular para lançar um vasto debate e mobilizar todas as forças sociais que queiram combater o Arrocho e os Memorandos, os anteriores e o recente.

O programa do partido e o conjunto de seus apoiantes entre as personalidades da esquerda grega (que é uma lista realmente impressionante), serão divulgados esta semana

domingo, maio 31, 2015

Contributo para a elaboração do programa do movimento anti-Capitalista

“Nunca uma geração tinho dito peocupar-se tanto pelos seus filhos como esta; e nenhuma outra tinha destroçado tanto o mundo como este que lhe vão legar como herança” (La Voz de Iñaki Gabilondo)

Os grandes banqueiros, especial ênfase posta nos Bancos Centrais e nos sindicatos bancários da Máfia Financeira, quiseram regressar às aulas. Não como alunos, dispostos a receber umas reguadas com uma barra de ferro, mas como mestres de uma bem publicitada catequese financeira à sombra do programa “Global Money Week”. Pretendem com a iniciativa promover a “Educação Financeira”, segundo os planos recomendados pela Comissão Europeia e pela OCDE, integrando a disciplina nos currículos das escolas, isto é, educar as crianças e adolescentes para aceitarem ser educadas para a Usura. Esta repentina vocação pedagógica dos banqueiros, dando aulas e patrocinando workshops com títulos tão sugestivos como “finanças para a tua vida” ou “endivida-te inteligentemente” quer fazer parecer que a culpa pela degradação do capitalismo foi dos cidadãos que não tinham suficiente cultura financeira. Só uma única individualidade, o Bernard Madoff no Verão de 2007, aquando do colapso das hipotecas de alto risco nos EUA, conseguiu a falência de milhares de cidadãos, a maior parte deles com larga experiência na “indústria financeira”. Sete anos depois a lógica irracional da ganância continua a produzir vítimas, vendendo algo que os bancos impingem como racional, como por exemplo no BES. Porém, os “mercados” não aprendem. É preciso educar as vítimas. E mercantilizar a educação de modo que sejam as vítimas a pagar um “ensino (tendencialmente) obrigatório”, ou seja, a completa submissão da Educação à economia neoliberal assente na economia das finanças especulativas. Ao Plano de Educação Financeira, “Finanças para Todos” é atribuída uma importância que situa a um nivel mais alto o pagamento o pagamento da prestação de hipoteca da casa que a a alimentação – all Money is a matter of belief, na teologia de Adam Smith, acredite, deixe de comer para pagar ao banco.

Paralelamente, fala-se mais de conceitos empresariais que de humanismo, como se aprende um e se esquece o outro nas madrassas Católicas, da educação como “motor" que promove a competividade da economia. Aprendizagem imprescindível para (con)formar trabalhadores versáteis e submissos, preparados para a sua própria gestão de seguros de saúde, planos de reforma e demais serviços que o “Estado-de-Bem-Estar” jamais voltará a proporcionar. Estado de serviços minimamente máximos (Fisco, Policias e Justiça) dentro do espirito empresarial. Os “empreendedores” serão os heróis da próxima geração. Muitos milhares já partiram, globalizando-se, tendo sucesso a ganhar dinheiro, na realidade com a competência de extorquir dinheiro a outros. Os novos heróis têm um papel importante no forjar de um “novo mundo” (a New World Order). Trata-se, como sempre, historicamente, do último recurso para enganar a morte. Com a actuação dos novos Sísifos, tão astutos, “inteligentes” e usurários como essa figurar mitológica, agindo sobre um sistema que não tem outro remédio senão a morte. Face à culpa pela secular ignorância financeira da populaça, o castigo de levar às costas eternamente a grande rocha encosta acima. Resumindo, todos os que não aceitam legar aos nossos filhos um novo sistema esclavagista ordenados pelo chicote do grande Capital têm de restabelecer parâmetros sociais e económicos muito diferentes, que não a astúcia, a ganância e a esperteza curricular para a especulação.

sábado, fevereiro 07, 2015

Declaração da Tendência Comunista integrada na Coligação Syriza

Ao governo grego e aos nossos camaradas na liderança do partido, afirmamos o seguinte:

Ignorem todos os ultimatos! Não recuem, pois isto incentiva os nossos adversários de classe dentro e fora da Grécia! Permanecer fieis aos nossos compromissos! Não mais ilusões no poder das negociações! A solução somente pode ser encontrada em medidas radicais e na luta, não na diplomacia e em negociações! Os nossos únicos parceiros e aliados são os trabalhadores de toda a Europa e do mundo!
Estamos agora em estado de guerra com a Troika e o capital, e devemos desarmá-los! Devemos renegar a dívida e, dessa forma, desfazer qualquer possibilidade da Troika de nos chantagear! Nem mesmo por mais um dia devem ter os especuladores qualquer controle sobre os depósitos, moradias e dívidas do povo! Nacionalizar os bancos! Integrá-los em um único banco estatal que garantirá os depósitos e se tornará a ferramenta para o desenvolvimento destinado ao benefício da sociedade.
Institucionalizar o controle operário sobre todas as empresas para revelar a fraude fiscal e todas as outras fraudes do capital!
Tomar de volta todas as empresas de radiodifusão de todos os magnatas dos Media e disponibilizá-las ao uso gratuito do povo e das suas estruturas democráticas!
Nacionalizar sem indemnização todas as empresas que foram privatizadas! Aplicar um programa de nacionalização de todas as grandes empresas que se recusarem a implementar as novas leis do contrato laboral e que forem abandonadas pelos seus proprietários no contexto da sua guerra económica contra o governo.
Nenhuma confiança no aparelho estatal de nepotismo, corrupção e autoritarismo! Mudança de ministros e de pessoas não é suficiente! Devemos evitar qualquer sabotagem interna do governo! Refundação, sobre bases democráticas, da polícia e do exército, removendo todos os fascistas, abandonando a Nato e passando todo o controlo sobre as forças armadas para as organizações de massa do povo!
Remover do governo todos os potenciais “elos fracos” que são propensos a recuar sob a pressão do capital! Remover dos postos governamentais os nacionalistas burgueses de Gregos Independentes, bem como todos aqueles que apoiam acordos com a Troika e o Capital!
O Syriza deve apelar agora para um programa de acção de massas à escala europeia, começando com manifestações nas maiores cidades da Europa e da Grécia durante os dias das reuniões de cúpula da União Europeia e do Grupo Europeu! Devemos estabelecer “Comitês de Ação” contra a Troika e a oligarquia econômica grega em todos os locais de trabalho, em todos os bairros e em todas as escolas e universidades!
Em vez de solicitar uma conferência da dívida europeia com governos burgueses, devemos celebrar diretamente da Grécia uma conferência internacional das organizações de massa da classe trabalhadora e da juventude contra o capitalismo! Nenhuma ilusão na União Europeia e na Zona do Euro dos capitalistas europeus aliados! Devemos lutar pelos Estados Unidos Socialistas da Europa!
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quinta-feira, janeiro 29, 2015

Ai agora são todos Syriza?

Grupos de interesses organizados em partido politico, comprometidos com o neoliberalismo até à medula, como o Partido dito Socialista, celebraram a chegada da Esquerda ao poder na Grécia, fingindo não perceber que “essa vitória foi construída contra os partidos do centro, os que nos trouxeram – a todos, portugueses e gregos – até esta insustentável situação”. É previsivel, portanto, que os tubarões "socialistas" se remetam por agora a uma segunda linha, sempre alerta para as marés de negócios vindouros.

O episódio mais indecoroso nesta colagem é o protagonizado pelo ex-deputado europeu, eleito pelo Bloco de Esquerda, Rui Tavares, hoje promitente delfim de António Costa no insane frete-pago de continuar a enganar a opinião pública, dando a entender que o P”S” poderá alguma vez ter e aplicar em Portugal um programa de esquerda igual ou sequer paraecido ao do Syriza. No artigo dedicado ontem à Grécia pelo “Público” Rui Tavares é promovido a amigo intimo do ministro das Finanças grego, ideia corroborada pelo próprio na sua coluna no mesmo jornal: “Ouçam este homem!”. Aqui se gaba Tavares, (na mesma altura em que defendeu a agressão “democrática” europeia contra a Libia”, de ter estado ligado em 2011 à Conferência de Varoufakis intitulada “Uma modesta proposta para salvar o euro”. Mas tal coisa não existiu. A conferência de Yanis Varoufakis denominou-se “Uma modesta proposta para transformar a Europa”, o que lhe confere uma intenção completamente diferente da de “salvar o euro” como moeda fautora de dívida.
A distinta lata de um Zé-ninguém politico como Rui Tavares leva-o a revelar o entusiasmo de uma conversa de cafetaria que teria mantido então com Varoufakis, e que ainda hoje lhe valeu no twitter o incentivo “Agora é a tua vez Rui!”. Mesmo que tal seja verdade, e a cusquice é uma vergonha indigna de ser veiculada em beneficio pessoal, a adaptação do “episódio da Odisseia grega em que Ulisses salva os seus marinheiros que tinham sido transformados em porcos pela feiticeira Circe – uma analogia para os países europeus do sul de onde iria partir a redenção do sistema capitalista na Europa - esse plágio de Tavares nada tem a ver com a célebre obra de Yanis Farouvakis “O Minotauro Global, América, Europa e o Futuro”, com o subtítulo “As verdadeiras origens da crise financeira e futuro da Economia Mundial”.

Uma fábula anti-imperialista que nunca passaria pela careca do Tavares

De acordo com o mito citado por Varoufakis, havia um rei que exigia um tributo de 14 jovens que seriam oferecidos como alimento a um monstro chamado Minotauro, com a cabeça de um touro e corpo de homem, preso num labirinto construído para prisão - a saída dessa prisão poderia ser feita por corredores intrincados, mas como o monstro não dava com a saída, como compensação pela entrega de de sacrificados ia mantendo a situação em equilíbrio por determinado tempo. Para Varoufakis, o Minotauro Global representa os Estados Unidos (EUA) e um mecanismo macroeconómico complexo que lhe tem permitido absorver impostos de todo o mundo (o sacrificio da vida dos jovens explorados pelo capitalismo em todo o lado). Neste caso são os produtos industriais excedentes de todos os lados, a partir dos recursos obtidos por tal produção, que voltam a Wall Street em busca de maiores recompensas financeiras. Com este mecanismo atinge os EUA conseguem enfrentar os "déficits gémeos", orçamento comercial e governamental. Tudo o que constituiu bens gerais circula como capital de apoio à desastrosa balança do Minotauro, que Varoufakis acredita ser um fluxo que alimenta um canibal.

"Wall Street, seguidamente , fez uso destas entradas de capital estrangeiro para três coisas: a) fornecer crédito para os consumidores dos EUA b) investir directamente nas grandes corporações norte-americanas, e, claro, c) a compra de títulos do Tesouro dos EUA (ie , Défices das finanças do governo dos EUA)”. Embora o déficit de nascimentos de sacrificados tenha vindo a diminuir desde a década de 70, não precisamos de grandes explicações de carácter socialista com rigor científico, bastando exibir as credenciais de um capitalista bem sucedido, Donald J. Trump diz num livro sobre finanças pessoais: "... em 1971, o dólar deixou de ser dinheiro e tornou-se um meio de troca, quando o presidente Nixon tentou resolver um problema: grandes reservas de ouro estavam a abandonar o país por causa do crescente déficit comercial . Porque comprávamos muitos produtos japoneses e europeus, a diferença entre o que nós (EUA) vendíamos, e o que eles queriam receber em ouro pelo que comprávamos, tornou-se insustentável. Para resolver esse problema, o presidente Nixon tornou simplesmente o nosso dólar num passivo, uma nota promissória de pagamento. Actualmente o déficit comercial dos EUA é mais maior do que nunca, e a compensação de todo o mundo é enorme. Em vez de apoiar o dólar em ouro, os EUA puderam simplesmente continuar a imprimir mais dinheiro (como qualquer indivíduo pode usar cartões de crédito e cheques sem ter o dinheiro no banco, com a diferença de que se acontecer com um qualquer individuo este poder ser detido e preso por passar cheques sem cobertura”.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Grécia. A formação possível de um governo de esquerda, democrático e patriótico. Não subjugado pelo poder financeiro?

O que é o Syriza? Não é um partido, é uma coligação de pequenos partidos que se uniram na intenção de fazer frente às politicas de austeridade impostas pelas instituições financeiras europeias. Fundada em 2004, da autodenominada de Coligação da Esquerda Radical (Syriza) fazem parte:

1. o Synaspismos, uma coligação da Esquerda dos Movimentos e da Ecologia constituída por dissidentes comunistas. Integra-se no Partido da Esquerda Europeia, do qual fazem parte, entre outros o Die Linke alemão, o Izquerda Unida de Espanha e o português Bloco de Esquerda (ver mais)
2. Organização Comunista da Grécia (KOE) – resultante da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas de tendência Maoista.
3. Esquerda Internacionalista dos Trabalhadores (DEA)
4. Grupo Político Anticapitalista (APO), que integra o grupo da Esquerda Anticapitalista Europeia (ver mais)
5. Movimento pela Unidade na Acção da Esquerda (KEDA) 6. o Energoi Polites - Cidadãos Activos 7. os Eco-Socialistas da Grécia 8. Movimento Democrático Social (DIKKI) 9. o Rizospastes e 10. o Rosa 

Horas depois da vitória da Coligação Syriza, Alexis Tsipras assegurou a apoio do pequeno partido Gregos Independentes com 13 deputados eleitos o que lhe permite, em teoria, governar o país com uma maioria confortável. É uma junção estranha, entre a esquerda radical e um partido da direita nacionalista anti-troika. Tal facto impede que o novo governo grego possa ser considerado de Esquerda, uma vez que para o ser o aliado natural seria o Partido Comunista da Grécia (KKE). Mas tal opção obrigaria a pulverização da coligação Syriza a discutir o essencial: a emissão de moeda própria, a saída da área económica do Euro, a saída da Nato, o regime de propriedade privada e o controlo dos meios de produção - enfim, pôr em causa o capitalismo e o imperialismo, mobilizar os trabalhadores e as massas populares para a Revolução.

Segundo declarações de Benoît Coeuré, membro francês do conselho executivo do Banco Central Europeu, “é absolutamente claro que não podemos concordar com qualquer redução da dívida que inclua os títulos detidos pelo BCE. Tal é impossível por razões legais” O BCE detém atualmente 27,2 mil milhões de euros de dívida grega negociável, cerca de 42% do total. Duas dessas obrigações, de 3,5 mil milhões de euros, vencem a 20 de Julho, enquanto duas outras, na ordem dos 3,2 mil milhões de euros, em Agosto (ionline)
O responsável do programa económico do Syriza, Giorgos Stathakis, reiterou que o novo Governo grego não tenciona encontrar-se com os responsáveis da Troika (formada pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) e que em vez disso irá procurar negociações directas com os responsáveis dos diferentes Governos.

domingo, janeiro 18, 2015

Espírito Santo. Um mapa para ninguém se perder no império da corrupção entre o Capital e o Estado

Desde o arranque dos trabalhos da comissão de inquérito ao caso BES/GES que Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda que faz parte da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES, trabalha numa infografia que reunisse dados entre quase 200 entidades, holdings, empresas e offshores, que se cruzam em cascata num gigantesco império cujos tentáculos minam toda a politica nacional da área do poder em Portugal. 
É um paliativo, mas não apaga o clima de impunidade que tem atropelado a verdade nas diversas declarações de acusações mútuas com que têm glosado o prato as testemunhas. Mortágua concebeu o organigrama para uso pessoal, para que a qualquer momento pudesse fazer uma consulta rápida, durante as audições ou na sua preparação, mas também para mostrar ao público o que está em causa quando falamos do "Espírito Santo". O resultado é agora disponibilizado no blogue "Disto Tudo", que a autora concebeu como "um diário da Comissão de inquérito ao BES".
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segunda-feira, outubro 20, 2014

Descascando a batata d`“O Capital no Século XX” (III)

Para Thomas Piketty não se passa nada de anormal na natureza da composição do Capital. Ou por outra, passa, mas apenas na economia clássica, a sua “investigação histórica” passa ao lado da prática política, da descrição dos agentes provocadores das guerras, dos negócios ocultos que não entram na contabilidade das nações, da economia paralela gerida pelas burguesias nacionais, enfim, pela luta de classes. Por estas pequenas minudências, a obra está repleta de imprecisões, omissões, ou até, dir-se-ia, manipulações grosseiras. Citando dois parágrafos sobre o processo de acumulação de capital no Novo Mundo, vê-se exaltada desde logo a importância dos Estados (colónias de origem anglófona) que se Uniram:

Começando no negócio da "Louisiana Purchase" e na transação comercial de compra do Texas e do Novo México e da subsequente guerra de exterminio dos nativos doravante chamados de "indios",  os Estados Unidos tinham esgotado as suas capacidades de ocupação do território contíguo disponível dentro da sua área continental. Empresariaram-se novas guerras, como a guerra hispano-americana que conduziu à aquisição da ex-colónias espanholas. A indústria e a agricultura dos Estados Unidos tinham crescido além de sua necessidade para o consumo, precisam de mercados, de ganhos de hegemonia, como diria Hitler: Lebensraum . A ideia de que uma grande nação deveria ter um grande poder naval, filosofia desenvolvida pelo almirante Alfred Thayer Mahan, que dirigiu o Naval War College. Mahan construiu um novo paradigma baseado no seguinte princípio: o poder marítimo constituiria o vértice da supremacia das nações na história contemporânea - a nova politica de expansão por todo o continente americano daria pelo nome de "Doutrina Monroe".

Cuba. A ilha do Caribe obtém a independência pela luta liderada pelo patriota José Marti, um burguês radicado nos Estados Unidos, dos quais não teve a minima dificuldade em obter generosa ajuda militar e financeira: A política económica da ilha caiu refem da tutela de Washington desde a independência cubana em 1898. Ainda hoje nas paredes do Hotel Nacional se podem ver fotografias da época com as tropas yankes assentadas em tendas de campanha na Plaza d`Armas em La Habana. As tropas dos EUA procederam a diversas ocupações: em 1906, 1912, 1913, 1917 e 1933. Segundo a Constituição cubana, tais ocupações eram legítimas, pois a Emenda Platt assegurava o direito de intervenção militar norte-americana. Em 1934, essa prerrogativa foi substituída por um acordo comercial. Mas os yankees permaneceram, sendo que no inicio da década de 60 cerca de 90 por cento da propriedade e da economia cubana estava nas mãos das corporações e da máfia estado-unidense. Surgiu Fidel y las cosas se iriam a cambiar. Porém os EUA ao abrigo dessa antiga "ajuda", respaldada por uma concessão de deveria durar apenas 50 anos, ainda hoje permanecem em Guantanamo, um triste simbolo para vergonha da humanidade. (dados na wikipedia)

de novo, o que diz Piketty:

Em 1913 nos Estados Unidos o Congresso reuniu e votou a Lei da Reserva Federal  que autoriza a um consórcio de bancos privados, liderado pela familia Rothschild a proceder à emissão da moeda que mede toda a economia em nome dos interesses do Estado. Seria entre a 1;30 e as 4;30 da madrugada do dia 22 de Dezembro de 1913  quando a lei foi aprovada. Outro banqueiro de origem judaica, Jacob Schiff, lidera na ocasião a Liga Anti-Difamação (Anti Defamation League), nos Estados Unidos. Esta organização foi formada em paralelo com a liberdade de criar dinheiro por privados para difamar como "anti-semita" qualquer cidadão que questione ou desafie a conspiração que esteve e está na origem da chamada globalização. Em 1920, Winston Churchill fez uma distinção entre os emigrantes judeus integrados no espirito nacional e os "judeus internacionais". Disse ele que estes últimos "estão por trás de "uma conspiração mundial para derrubar a civilização e reconstituirem a sociedade com base no desenvolvimento da tirania, de malevolência invejosa e igualdade impossível...". Refere-se, claro está, à ascenção do espirito revolucionário internacionalista do comunismo que na época triunfa na Rússia.

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Segundo o autor, há que pôr cobro aos rendimentos sobre o Capital já acumulado, que cresce exponencialmente mais que os rendimentos do Capital produtivo. Remédio proposto: lançar mais um imposto de 80%  sobre o património dos ricos acima de meio milhões de dólares. Contabilidade. Mas não há expropriações, nacionalizações, criminalização dos proprietários de bens adquiridos ilegalmente, nem sequer a suspensão imediata da política de emissão exponencial de mais papel-moeda que sustenta um sistema económico artificial e provoca o endividamento dos países submetidos ao capitalismo. Ora, Thomas Piketty andou a dormir enquanto George Soros o ajudava a compilar o calhamaço. Então, ao longo desta estória não foi mesmo mais impostos que os Estados Unidos lançaram? só que em vez de o fazerem aos seus ricos, exportaram-nos criando pobres por todo o mundo. Exportando capitais e guerras como modo de acumulação capitalista. Mal anda portanto de novo Piketty ao circunscrever "O Imperialismo Último Estádo do Capitalismo" a época e às circunstâncias temporais da 1º Grande Guerra em que Lenine o escreveu

quinta-feira, outubro 09, 2014

a Cuba socialista responde internacionalmente com a maior equipa médica para tratar o Ébola

Enquanto o presidente Barack Obama fala da necessidade de "acção rápida", a Cuba revolucionária passou à acção com o envio da maior equipe médica de qualquer país. Cuba enviou 165 profissionais médicos que estão agora na Serra Leoa, e um contingente adicional de 296 está a postos para ser enviado para a Libéria e Guiné. Estes profissionais médicos têm treino especializado em situações de catástrofe. A Brigada Henry Reeve, (formalmente, “Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastre e Graves Epidemias”) tem provas dadas em diversas noutras missões médicas noutros países, sendo a mais notável a intervenção na ajuda às classes sociais abandonadas durante o furacão Katrina. A equipa tem uma experiência de mais de 15 anos em tais crises de acordo com Roberto Morales,
o ministro cubano da Saúde Pública...... .......................
Este é um acto de solidariedade entre os muitos que Cuba já ofereceu a África para ajudar as pessoas em crise sanitária a melhorar a sua situação durante os últimos 55 anos. Actualmente Cuba tem 50 mil profissionais de saúde em 66 países. A solidariedade e o cuidado pelos médicos e enfermeiros cubanos é a resposta urgente e necessária ao contrário dos 3.000 soldados norte-americanos que Obama enviou para a região para "coordenar os esforços". Cuba deu a resposta adequada ao apelo da Organização Mundial de Saúde com a maior equipe de todos os países do planeta, muitos deles com muitas vezes mais recursos. Para compreender a imensidão da resposta de Cuba, até o imperialista Washington Post se viu obrigado a dar cobertura à reacção cubana à crise com um brilhante artigo intitulado "Na resposta médica ao Ébola, Cuba está a contribuir com meios muito acima do seu peso"
Mais de 6.000 pessoas foram já infectadas com o vírus Ebola morrendo quase metade deles do contágio próximo com outros doentes através dos fluidos corporais, sangue e vómitos. Uma pessoa infectada é contagiosa apenas por um período limitado de tempo. Com base em cálculos matemáticos, uma pessoa infectada com o vírus Ebola infecta 1,5 a 2,0 outras pessoas, quase o mesmo grau de contágio que a hepatite C. Portanto, a resposta médica de Cuba e de outros países é internacionalmente a chave no tratamento de pessoas que estão doentes e evitar a propagação do vírus através da criação de uma infra-estrutura de emergência médica que está em falta nos países da África Ocidental dominados pelo imperialismo. Como o Dr. Margaret Chan da Organização Mundial de Saúde afirma no artigo do Washington Post: "Os recursos humanos são claramente a nossa necessidade mais importante." A revolucionário Cuba pode responder a essa necessidade, porque Cuba sempre deu prioridade à construção de um sistema de saúde universal fora do sistema de lucro. E a solidariedade com os povos do mundo, é a base da esperança de um mundo onde a saúde das pessoas é fundamental. A acção de Cuba não só irá desempenhar um grande papel em parar a epidemia do Ebola, permanecendo como exemplo do poder de um sistema social mais avançado.

sábado, outubro 04, 2014

Criando as bases do Futuro, sob a consignia "Só o Trabalho cria Valor"



De cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades. Não faz ainda muitos anos das tremendas condenações do nosso muito conceituado marxista José Estaline quando lutava contra as insuficiência da produção na União Soviética. O critério é o do indispensável para cobrir as despesas de habitação, alimentação, vestuário, transporte e recreação cultural. Acontece que a Humanidade no seu todo está longe de poder atingir esses padrões minimos, que conseguiriam banir a miséria da superficie da terra. O facto económico é que a produção total do país, dividida igualmente por todos os seus habitantes, está longe de permitir o nivel de conforto mínimo estipulado por decreto. A tragédia da legislação que defende um salário minimo é que ela esbarra não na distribuição nem das opções monetárias, desde que estas não ultrapassem os factores de produção disponiveis e sejam feitas para desenvolver mais meios, mas esbarra sempre na quantidade insuficiente da produção (1956)

segunda-feira, setembro 15, 2014

só a verdade é revolucionária

Nuno Godinho de Matos,  "socialista" e amigo confesso de António Costa, referiu numa entrevista recente ao jornal i, que foi durante seis anos a convite de Ricardo Salgado, administrador não executivo do BES, onde, apesar de mamar 2 400 euros por cada reunião do conselho de administração, invoca nunca ter tido conhecimento de nada de especial relativamente à situação do banco nem às sucessivas golpadas que lhe passavam pelos queixos. Na mesma entrevista, em que procura daquela forma limpar-se da sua cumplicidade na falência do BES e na gatunagem da família Espírito Santo, Godinho de Matos proclama-se de alma e coração do Partido Socialista e apoiante indefectível de António Costa, reconhecendo nele a virtude de ter habilidade para fazer politica, mas sem fazer uma única menção a qualquer ideia política do homem
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Qual é o verdadeiro buraco do Banco Espirito Santo e quem são os seus responsáveis? Qual é a solução que permite evitar o pagamento pelos contribuintes de 25 mil milhões de euros, a destruição de 20% da Economia Nacional e o despedimento de milhares e milhares de trabalhadores? E porque é que o Ministério Público tem medo de pôr na cadeia a quadrilha de gatunos enquanto a "esquerda parlamentar" assobia para o lado?
Vamos à luta!
Grande Comício do PCTP/MRPP sobre o tema
"O BES, o actual Governo e o Presidente da República" amanhã 3ª feira, 16/9, 21h00, na Voz do Operário, em Lisboa.
Há dois anos havia Gente a acreditar poder fazer. E hoje? Estamos em que ponto de viragem?
"Ainda não vi 3 milhões de pessoas na rua a protestar. Por isso, quem não protesta tem o que merece"
(Paulo Morais).
E por via disso, os que não se resignam têm o que não merecem...

quinta-feira, setembro 04, 2014

I want to be Free

no debate sobre Esquerda e Direita na Universidade de Verão do PSD, o Ministro-Adjunto do Desenvolvimento Regional Poiares Maduro afirmou que o Governo português é um dos mais à Esquerda da Europa. Bom, bom mesmo, e divertido foi ver o principal militante do Livre em directo na SIC Noticias a tentar a unidade das esquerdas com militantes da Juventude Social Democrata, na esperança de que desta fornada saiam novos tipos de esquerda, como cavacos, santanas lopes ou durões barrosos...

Qual é a coisa qual é ela, para os ricos horrorosa mas para os pobres a mais bela?

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Garcia Pereira - A Solução para o BES é um Golpe de Estado - A farsa dos números de desemprego - a questão da TAP (Programa Em Foco, 2 de Setembro de 2014)

(repare-se na pressão da apresentadora para cortar os assuntos sensiveis)
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sexta-feira, agosto 01, 2014

o Fardo Global da Dívida Internacional

Quando se faz as contas à dívida pública e à dívida privada, e qual é a dívida de um determinado país, isto é, quanto este deve a entidades estrangeiras, as estatísticas da "dívida líquida" mostram que as crises não são criadas unicamente pelos devedores, são induzidas na mesma proporção pelos credores. Para um país ser um poupador líquido, outro tem que ser um devedor. Se um país produz demasiados bens ou capital de investimento e força uma espécie de venda compulsiva a outro país com défice desses bens, os quais não são necessários como primeira prioridade, o futuro credor rico está a criar uma dívida ao devedor pobre pela qual é igualmente responsável. Talvez o melhor exemplo seja o dos “fundos abutre”. Estes fundos têm como finalidade comprar dívida de países em dificuldades financeiras a um preço tão baixo quanto possível. Mais que os fundos de extorção normais, são os chamados "fundos abutre" que mais lucram com a crise

Falando da produção de bens materiais em concreto, países como a Alemanha, Noruega e Arábia Saudita são tradicionalmente vistos como "moralmente superiores" aos países endividados pelos seus excedentes de capital acumulado que podem disponibilizar como crédito.
imbalance
Os Estados Unidos são um caso àparte, porque não tendo superavit fabricam massa monetária que emprestam a juros como se tivessem esse dinheiro ganho com trabalho e/ ou exportações de matérias-primas que igualmente não possuem. Obviamente, todos estes países são tão responsáveis pelas crises da dívida num mundo cada vez mais caracterizado por enormes desequilíbrios, como as entidades que contraíram essas dívidas por interesses alheios às necessidades das suas populações.

Qual será então o dilema entre pagar tudo como o governo Cavaco/Coelho pretende, não pagar roubos, ou "reestruturar" (adiar por décadas) o pagamento por forma a que o povo não perceba que está a ser roubado? 
Um caso-a-estudar é o que acontece com a Argentina. Na crise de 2001 o país por impossibilidade de pagamento declarou bancarrota, propondo uma "reestruturação" com o perdão parcial da dívida pelos credores. A maioria, entre receber pouco ou nada do endividamento que haviam forçado, aceitaram. Outros com a ganância de ganhar tudo não aceitaram e recorreram aos tribunais muito convenientemente norte-americanos. Passada mais de uma década de contencioso um juiz nova-iorquino acaba de condenar a Argentina a pagar integralmente essa dívida com juros de mora. Trata-se do mesmo sistema bancos-tribunais onde a Argentina deposita o dinheiro para ir pagando as prestações da reestruturação - o mesmo sistema que pode agora penhorar todo o dinheiro ali depositado pela Argentina. O imbróglio é que os primeiros credores que aceitaram perder parte do valor em dívida, face a esta nova decisão do tribunal, querem agora igualmente receber por inteiro todo o valor da dívida que haviam perdoado.

sexta-feira, julho 25, 2014

Quantos operários ou trabalhadores no sector real de produção representa o danieloliveirismo?

Das tricas turvas que agitam as diversas facções de oportunistas conluiados à mesa do Bloco dito de Esquerda acaba de sair o suco da barbatana de um fenómeno efémero; tanto caminho de "militância" andada do Oliveira&Compª para a mera ilusão de se coligarem com o Partido dito Socialista. Sempre a acrescentar nada, existirá pois uma nova desqualificação na politica portuguesa com a entrada em cena dos "dissidentes xuxas de esquerda". Estes dissidentes de pouca ou nenhuma coisa querem representar (querem mas nem isso representam) uma ínfinitesimal facção da pequena burguesia urbana, sempre a cair para o lado mais lucrativo da correlação de forças, mas com a mania que é de esquerda. Vai-se a ver melhor e deparamo-nos apenas com mais um grupelho ligado aos meios de comunicação do Capital. Como oportunistas liberais de fachada socialista viciados em polémicocrasia parlamentar burguesa, contas feitas à aspiração de votos (no conceito em concreto de aspirador) quanto valerá em dinheiro mais esta mini-alcateia de personalidades? Lá por nadarem nas águas turvas do status conservador de Bloco Central, podem angariar uns trocos (ou um chapéu cheio de desprezo) mas nada de ilusões, só a Revolução Socialista terá força moral e material para acabar com as grandes fortunas!
para os nossos heróis de banda desenhado de cariz individualista, o Capital não passa de um porquinho-mealheiro oferecido pelos papás para incentivar a boa gestão dos meninos

domingo, julho 20, 2014

Desemprego e Colapso da Economia Nacional

"Os países da periferia apresentam sistema politicos de governos fracos, concedem protecção aos trabalhadores e o direito a protestar contra mudanças indesejadas no status quo. Estes defeitos ficaram evidentes com a crise" (J.P. Morgan)

o Governo pretendeu esconder, varridos para debaixo do tapete, 162 mil desempregados em cursos de formação atribuindo-lhes uma situação de “ocupados” para esconder oficialmente o número de desempregados (jornal de noticias) Para além de não se contabilizar os mais de 372.500 trabalhadores exilados à força. Contas feitas ao número de pessoas sem trabalho que permanecem no país, estas ultrapassam um milhão de desempregados reais.

No primeiro ano deste governo PSD/CDS/Troika a riqueza não gerada pela totalidade dos desempregados tinha sido de 50 mil milhões de euros. Nos dois anos seguintes a situação agravou-se (1). No final da década de 90 a taxa de desemprego era de 4%. Quatro décadas após sucessivos governos PS/PSD/CDS, a taxa de desemprego em finais de 2013 situava-se nuns sub-estimados 16,4%. Apesar de treze anos da flexibilização aplicada coercivamente à legislação laboral, conferindo impunidade ao patronato para despedimentos sem causa, o desemprego não tem parado de aumentar. As previsões da OCDE para 2014, passe a truculência e mentiras do governo, apontam para uma taxa de 18,5%. Entretanto os salários baixaram em média cerca de 40%, o que gera precaridade e menos consumo, menos contribuições para a Segurança Social e a cobrança de menos impostos, acrescentando mais crise à crise, para cuja resolução o Governo impõem leoninamente mais impostos à população em geral (2).

Para os trabalhadores remanescentes, os que precariamente mantém um emprego que os deixa no limiar da pobreza, os cortes salariais tornaram-se na principal causa do sobre-endividamento das famílias, ultrapassando o desemprego. Por sua vez, o sobre-endividamento contraído para a sobrevivência das pessoas conduz ao crédito malparado, o qual afecta os bancos agravando a segurança do dinheiro dos depósitos dos portugueses, ainda por cima, usados em jogadas especulativas. Num exemplo actual, o dinheiro descontado pelos trabalhadores para a sempre posta em causa Segurança Social (3), ao qual o Estado deita indevidamente a mão, foi investido em acções da Portugal Telecom resultando numa desvalorização de 23 milhões de euros devido à exposição ao escândalo BesGate (4). Roubam o povo que depende de salários e reformas miseráveis e de seguida mandam as suas agências de comunicação publicar artigos a dizer que a Segurança Social está em perigo de bancarrota devido ao aumento da esperança de vida (dos ricos) e por isso “esta geração não pode receber mais do que descontou”. Analisando esta problemática sob um ponto de vista meramente de reforma do capitalismo, um dos mais reputados economistas da área social-democrata do país afirma fundamentadamente que "o sistema bancário português corre um risco sistémico". Se é para manter o capitalismo, que se cumpra a sua regra primordial: quem não tem aptidões nem geraa lucro para viver tem de falir ou morrer.
notas
(1) Em 2012 cada português em média já tinha perdido 503 €uros de rendimento face ao PIB registado no ano anterior. Nos dois anos seguintes a situação agravou-se. Hoje em dia sai um português para o estrangeiro a cada cinco minutos.
(2) Ficou famosa a boutade do vice-pres. da Caixa Geral de Depósitos nomeado por Passos Coelho: “se me obrigarem a trabalhar mais de sete meses só para o Estado, palavra de honra que me piro” (Nogueira Leite). Certo é que o tipo para sua desonra dois anos depois ainda cá está; e nem imagina o lucro que daria ao país que trabalha se ele deixasse de “trabalhar”. O número de pançudos beneficiários aposentados da CGD com pensões acima dos 4.000 €uros que em 1997 era de 553, já alcançava o radioso número de 5.235 individuos em 2011.
(3) Se dos serviços públicos, para cujo funcionamento se pagam impostos, dizem que “dão prejuízo” é porque foram sujeitos a desorçamentações (cortes). Os défices do Estado não podem ser imputados aos gastos sociais. Porque a verdadeira causa da “crise” é o gigantesco aumento dos juros sobre a dívida, constituída como uma autêntica fonte de rendimento fixo do Capital estrangeiro. Quando ganham em comissões os vendilhões da pátria com este negócio? O povo um dia irá averiguar…

(4) Adenda. Desde que se iniciou a confecção deste post as perdas da Portugal Telecom já passaram dos 23 para 27 milhões de €uros
(5) Gestão controlada a partir do exterior pela holding de topo do Grupo Espirito Santo impede pagamento de dívida à Portugal Telecom (Diário de Noticias)

quinta-feira, maio 01, 2014

o 1º de Maio é Vermelho

“Somente os canalhas ou os idiotas podem acreditar que o proletariado deve primeiro conquistar a maioria das votações sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravatura assalariada, e que só depois deve conquistar o poder. Isso é como uma estultice ou uma hipocrisia, isto é substituir a luta de classes e a revolução por votações sob o antigo regime, sob o velho poder” (Lenine) (citado a propósito da situação da esquerda europeia)

“Os escravos libertam-se a si próprios quando, fora das relações da propriedade privada, se libertam apenas das relações da escravatura passando no entanto a ser proletários; os Proletários só se poderão libertar abolindo toda a propriedade privada em geral” (Friedrich Engels, “Principios do Comunismo”)

os Operários e Trabalhadores Unidos Vencerão
efeméride 
30 de Abril de 1974. A Junta Militar aconselha a população a ter calma nas comemorações do 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, habitualmente tratado à bordoada pela Guarda Nacional Republicana (GNR). Curiosamente esta instituição de cariz completamente fascista nunca viria a ser extinta. Sabe-se hoje, que o golpe que apeou o Estado Novo foi uma coisa organizada segundo o tradicional modelo tuga. Obrigado por ordem de Otelo a rebentar a porta do quartel da GNR no Carmo, Salgueiro Maia opta para forçar a rendição disparando 2 rajadas de metralhadora para o telhado... porque não levava granadas para o canhão da Chaimite. Imagine-se os GNR`s junto com o Marcelo Caetano a rir a bandeiras despregadas das vítimas de 48 anos de repressão lá no esconso onde o Chefe espera pachorrentamente o bilhete de avião para o Brasil.

sábado, abril 19, 2014

capitalistas, ouçam a lição de moral que vos prega o jovem turco deputado do partido dito socialista

sou parte do todo é a falida ecclésia que vende social-democracia, portanto e citando,: "como disse o Arcebispo Fulano de Tal da Santa Fé: a Dívida externa é só um sintoma da falta de justiça no fluxo de capitais..."
(ampliar) 
À luz das leis de Direito Internacional uma Dívida que se suspeite ser Odiosa deve ser alvo de uma imediata auditoria independente e, se ela se verificar ter sido contraída com propósitos que não servem os interesses de uma Nação e da maioria do seu Povo, essa Dívida é considerada ilegal e o seu pagamento pela Nação que se está a tentar lesar pode e deve ser imediatamente suspenso. Na sequência deste procedimento, popular e patriótico, os Credores são obrigados a admitir serem co-Responsáveis por forçarem o Endividamento com os corruptos com quem negociaram.