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quarta-feira, julho 09, 2014

Grande adesão à Greve dos Médicos (II)

na Politica como no Futebol, caríssimos Portugueses, não é a expectativa de um qualquer D.Sebastião que nos pode salvar, mas o Trabalho de Equipa. E a Equipa, caros concidadãos, somos Nós, não é o treinador e assessores (adaptado do facebook)

Na sequência das denúncias do acordo TIFT da Europa com as Corporações norte-americanas que visam entregar vastos sectores dos serviços públicos e prestações sociais como novas áreas de negócio a esses grandes monopólios dirigidos pela alta finança internacional -
cabe aqui recordar que é esta politica ao mando de interesses estrangeiros
  que vem sendo posta em marcha...

No final da manifestação dos Médicos de ontem (a greve repete-se hoje), expresso pelos diversos intervenientes em representação de mais de 90% das respectivas organizações dos profissionais da saúde foi referido que "esta é mais uma etapa da luta: a luta vai ser dura e não acabou hoje. Para além das denúncias das patifarias e provocações do ministro para tentar desmobilizar a greve, reafirmou-se a determinação dos médicos de prosseguir a luta pela defesa do serviço nacional de saúde. Repetidas vezes foi ainda gritado pelos manifestantes: A luta continua, ministro para a rua!. E a seguir ao ministro vai o governo todo!. O MRPP esteve representado por uma delegação sua, embora isso não fosse noticia, a par com a barragem informativa feita pelos Media a esta greve.

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quinta-feira, maio 01, 2014

o 1º de Maio é Vermelho

Somente os canalhas ou os idiotas podem acreditar que o proletariado deve primeiro conquistar a maioria das votações sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravatura assalariada, e que só depois deve conquistar o poder. Isso é como uma estultice ou uma hipocrisia, isto é substituir a luta de classes e a revolução por votações sob o antigo regime, sob o velho poder” (Lenine) (citado a propósito da situação da esquerda europeia)

Os escravos libertam-se a si próprios quando, fora das relações da propriedade privada, se libertam apenas das relações da escravatura passando no entanto a ser proletários; os Proletários só se poderão libertar abolindo toda a propriedade privada em geral” (Friedrich Engels, “Principios do Comunismo”)

os Operários e Trabalhadores Unidos Vencerão
efeméride 
30 de Abril de 1974. A Junta Militar aconselha a população a ter calma nas comemorações do 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, habitualmente tratado à bordoada pela Guarda Nacional Republicana (GNR). Curiosamente esta instituição de cariz completamente fascista nunca viria a ser extinta. Sabe-se hoje, que o golpe que apeou o Estado Novo foi uma coisa organizada segundo o tradicional modelo tuga. Obrigado por ordem de Otelo a rebentar a porta do quartel da GNR no Carmo, Salgueiro Maia opta para forçar a rendição disparando 2 rajadas de metralhadora para o telhado... porque não levava granadas para o canhão da Chaimite. Imagine-se os GNR`s junto com o Marcelo Caetano a rir a bandeiras despregadas das vítimas de 48 anos de repressão lá no esconso onde o Chefe espera pachorrentamente o bilhete de avião para o Brasil.

terça-feira, abril 29, 2014

26 de Abril de 1974

É o povo que cerca as cadeias quem obriga a Junta Militar à libertação dos presos políticos. Com alguns notáveis da oposição democrática envolvidos nas negociações.
* Dos arquivos da RTP – vídeo 1 ninguém sabe de nada(ver aqui)
* vídeo 2 – “compreendam. O general Spinola tem muito que fazer”… As autoridades pretendem libertar apenas os encarcerados não envolvidos em “crimes de sangue(ver aqui)
* vídeo 3 – Burocracia. “Mantenham-se calmos”.. Os presos reunidos decidem: “ou saímos todos ou não sai ninguém”. Começa a abertura das portas de Caxias (ver aqui)
* vídeo 4a grande estrela das acções paramilitares para abater o regime fascista – Palma Inácio - é libertado (ver aqui)

O nosso herói mais tarde irá aderir ao Partido Socialista, o que lhe garantiu uma velhice regalada e o ostracismo dos ideias antes propagandeados. Palma Inácio tinha sido o organizador do assalto à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, concretizada com êxito em Maio de 1967 por um comando que integra igualmente Camilo Mortágua, António Barracosa e Luís Benvindo, que fogem num pequeno avião. Como é da sua natureza contra-revolucionária, o PCP (1) era contra este tipo de acções… 

um PS anti-Capitalista (!)
O assalto rende dezenas de milhar de contos, levados para Paris onde em Junho seguinte seria fundada a Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR) organização apadrinhada por futuros notáveis do PSD e PS. Porém as notas desviadas para servir à "luta de libertação do povo", eram novinhas em folha e escrupulosamente numeradas em séries ainda não em circulação, o que serviu para alertar os bancos internacionais sobre a sua origem, razão pela qual o Banco de Portugal não as cobriria. Nenhum banco as aceitaria. Nenhum? anos mais tarde, numa daquelas entrevistas que só passam altas horas da madrugada, Camilo Mortágua haveria de revelar que havia um único banco disposto a transaccionar esse dinheiro. Era o Banco do Vaticano - que aceitava fazê-lo pagando apenas 40 por cento do valor facial das notas, empochando os restantes 60 por cento, qualquer coisa como 18 mil contos (uma pequena fortuna na época). Para que é que o Vaticano quereria esse dinheiro ilegal é que permanece um mistério...
(1) É em nome da necessidade de romper com o «pacifismo» e o «Iegalismo» e de desencadear a luta popular armada que Francisco Martins Rodrigues, em finais de 1963, opera a primeira cisão de esquerda no PCP criando, no ano seguinte a Frente de Acção Popular (FAP) com o objectivo de lançar acções armadas segundo a filosofia marxista-leninista-maoista da conquista do poder. (fonte)
a santificação do soldadinho romano em nome do socialismo - (mural na aldeia italiana de Oliena)

domingo, abril 27, 2014

uma "revolução" que o não foi

o Diário de Noticias comete a proeza de dedicar um suplemento especial de oitenta páginas ao 25 de Abril, com entrevistas, depoimentos e historietas das mais diversas personalidades... pois, nenhuma dessas oitenta páginas dá um só espaço, por ínfimo que seja, à voz de um só operário. Que raio de país é este onde a indigente elite que ocupa o espaço público pensa poder calar a voz de quem trabalha? Pela opinião da burguesia sabemos que o ordenado minimo em 1974 era "apenas de 3.300 escudos, que a economia cresceu 200 por cento - o que se omite é esse crescimento ter sido à custa de capitais estrangeiros especulativos, uma fonte extraordinária de comissões para parasitas, que geraram a dívida que agora serve de leit-motiv para surripiar todos os direitos que os trabalhadores conseguiram nestes 40 anos. Dois dias depois, num infimo rodapé, à pergunta "o que falta cumprir dos ideais da revolução?" eis algumas dessas opiniões dos que para eles não contam
ampliar
longe das imagens artificiais criadas nas televisões e nos jornais, quer saber concretamente quem nos tem governado? De onde vêm, o que fizeram antes de ir para o governo, como funcionou a sua promoção social depois de terem estado no governo? Toda a informação disponível está na base de dados de "Os Burgueses"

sexta-feira, abril 18, 2014

o dia em que o povo teve uma oportunidade única de virar á esquerda

O primeiro passo dos revoltosos foi tomar a Radiotelevisão, a Emissora Nacional e o Rádio Clube Português. Teriam esses Media algum dia estado sob o controlo das comissões de trabalhadores, ao serviço da construção de uma economia auto-sustentável e soberana?

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os capitalistas só nós permitiram chamar-nos "classe média" porque estiveram em perigo. 40 anos depois, a maioria do povo compreende que foi iludida com promessas de liberdade, enquanto os capitalistas se punham a salvo da ameaça de subjugação pelo proletariado. Voltaram a 25 de Novembro de 1975, com apetite redobrado, amparados pela "gorda" e pelo capital estrangeiro, transformando paulatinamente Portugal numa ditadura bi-partidária pior que o anterior Estado Novo, com a novilingua do "socialismo em liberdade" para os exploradores, visões de "democracia" onde a metade dos ingénuos que votam é enganada com promessas mentirosas, uma propaganda levada aos limites do absurdo pelas Televisões, Jornais e Rádios Nacionais - os Media e o Capital privado na primeira linha pelo regresso do povo ao embrutecimento e analfabetismo de outrora...
voltamos ao principio
"Não é verdade que as pessoas param de 
perseguir os sonhos porque estão a ficar velhas, 
elas estão a ficar velhas porque pararam de perseguir os sonhos." 

domingo, abril 13, 2014

Sair do Euro que explora o povo, retornar ao Escudo que protege o povo

Portugal tem uma dívida insustentável e impagável de 215 mil milhões de euros, equivalente a 130% do produto interno bruto (PIB). Que fazer? - dizem os Operários : não pagamos! diz a Classe Média é injusto pagar uma dívida que não é nossa! e acrescenta a pequena burguesia que tem situações privilegiadas: devemos pagar porque preferimos que nos façam cortes; e por fim os Capitalistas: o povo paga, ai paga, paga...
"quem não lê, não quer saber; quem não quer saber, quer errar
(padre António Vieira)
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o que dizem os partidos ditos de esquerda com assento parlamentar

quinta-feira, abril 10, 2014

deputada do Parlamento da Ucrânia propõe fuzilar os manifestantes de expressão russa

E o governo nazi de Kiev intenta fazer-lhe a vontade: o ministro do interior ucraniano anunciou o uso das armas para acabar em 48 h com as manifestações de protesto nas cidades que não reconhecem o auto-proclamado governo de Kiev - Harhciv, Doneck, Nikolaev, Lugank e Odessa - Sabe-se que forças especiais com armamento norte-americano já provocaram a morte de 70 pessoas, entre mulheres e crianças, nas últimas horas, bem como a detenção de mais de 90. As televisões estão encerradas e os jornalistas proibidos. A população está em pânico. A situação agrava-se a passos largos. Putin vê-se confrontado com um perigoso dilema: ou apoia a população ucraniana de origem russa e agrava a hostilidade dos USA e da UE para com a Rússia, ou abandona aquele povo à sua má sorte. (fonte)

Como era previsivel, os falcões do Pentágono e da Nato, a nova nomenklatura para "Estados Unidos" e "União Europeia, tratam de alimentar mais uma guerra civil, transformando a Paz em Guerra
Mensagem da 4ª Companhía de Autodefena da Crimea prometendo apoio à População das regiões do sul e leste da Ucrania

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tópicos
* Putin: a Rússia não pode sustentar a Ucrânia para sempre (aqui)
* Mal apanhou o governo de Kiev instalado, o FMI exigiu um programa de austeridade 
e privatizações a troco de empréstimos. Parlamento aprovou. (aqui)
* Obama furioso por as grandes Petroliferas norte-americanas tomarem o partido de Putin 
ao recusarem a guerra (aqui)
* Lagarde: crise ucraniana pode fazer derrocar a economia mundial (aqui)
* Putin contra o Dólar: crise ucraniana serve de catapulta comercial para os Brics (aqui)
* Memorial do "holocausto judeu" vandalizado em Odessa (aqui)
* Putin não considera as fronteiras da Ucrânia legítimas (aqui)
* Presidente da Rússia escreveu aos lideres europeus, fazendo-lhes notar 
que a crise da dívida ucraniana atingiu um estado crítico, que pode ter consequências 
no trânsito de gás para a Europa (aqui)
* Crise obriga Gazprom a apressar acordo de fornecimento de gás à China (aqui)

segunda-feira, abril 07, 2014

do "Estado Novo" passando pelo Revisionismo até ao "Liberalismo Novo" (II)

Segundo a teoria marxista-leninista existem três condições básicas para a insurreição proletária, e nestas outras tantas subdivisões: 1. a Estratégia e Táctica como ciência da direcção do proletariado na luta de classes 2. as Etapas para o socialismo 3. os Fluxos e Refluxos do movimento revolucionário 4. a Direcção estratégica 5. a Direcção Táctica 6. distinguir o Reformismo da via Revolucionária.
O primeiro preceito é a concentração contra o ponto mais vulnerável do adversário. E esse ponto é a Guerra e a degradação provocada por esta; foi-o em 1917 na Rússia, assim foi em 1974 com a guerra colonial em Portugal (quando o MRPP foi o único partido a lançar a palavra de ordem "Nem mais um soldado para as colónias"), assim é hoje com o envolvimento nas guerras de agressão imperialista levadas a cabo pela Nato/Estados Unidos.

é o social-fascismo que estigmatiza os Comunistas
Se no 25 de Abril a insurreição foi travada pela concertação dos partidos reformistas com uma burguesia nacional que mais não pretendia senão "modernizar" a exploração capitalista socorrendo-se do apoio da grande burguesia transnacional, tal aconteceu porque nenhum dos partidos ditos de esquerda, com o Partido dito Comunista à cabeça, teve como linha de acção uma prática marxista-leninista: "Uma vez começada a insurreição, deve-se agir com a maior decisão, passar à ofensiva. A defensiva é a morte de qualquer insurreição armada... É preciso surpreender os adversários enquanto as suas forças estão dispersas (…) em suma, seguir as palavras de Danton, o maior mestre de táctica revolucionária até agora conhecido: “de l'audace, de l'audace encore de l'audace" (Marx, Ensaios Históricos, 1850).

E no contexto do 25 de Abril, o que fez Álvaro Cunhal? tentou conciliar os interesses da classe dos trabalhadores com os interesses dos capitalistas - os quais se apressaram a fazer uma conferência de imprensa para declarar que "o capital podia ser posto ao serviço da revolução" (sic) uma infantil manobra de diversão para os que não estavam nada interessados em abrir mão dos monopólios, antes pelo contrário, ávidos de os expandir, como se viria a verificar a partir do 25 de Novembro de 1975 - por outro lado, o PCP de Cunhal também não perderá muito tempo e em breve se relacionará com os diplomatas norte-americanos colocados em Lisboa, transmitindo-lhes que “não pensava que este fosse o momento para realizar negociações sobre a retirada da base das Lajes e que elas deviam ser adiadas até o assunto poder ser tratado no contexto mais amplo da détente entre Leste e Ocidente” (Como sempre sob a tutela da União Soviética através para financiar e promover o revisionismo dito comunista, isto numa altura em que se tornava evidente a cisão ideológica Sino-Soviética) na sequência do que o embaixador elogia o lider do PCP afirmando que "ele fala com sensatez, com cuidado e em tom contido (…) na minha inocência, deixou-me a impressão de um homem com quem se pode tratar franca e directamente do outro lado da mesa" seguindo-se uma “homilia” sobre a justeza das reivindicações operárias e, finalmente, (segundo Stuart Nash Scott e conforme divulgado pela wikileaks nos "Kissinger Cables") por um ataque à extrema-esquerda, rotulada por Cunhal como sendo o “inimigo fundamental”.

O Reformismo é uma ideologia transviada pela qual o movimento operário em Portugal se deixou iludir, razão pela qual se fundará na década de 70 o "Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado"(MRPP). Tratava-se, como se trata ainda hoje, de debelar uma doença crónica:
Em 1964 Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP apresentou as tarefas do partido na revolução democrática e nacional, com o titulo “Rumo à Vitória”. A páginas 122-23 dessa tese publicada nas edições Avante, pode ler-se:
“Ultimamente, tem-se falado muito nas relações do governo fascista de Salazar, com o governo da República Popular da China. Sabe-se que uma das colónias portuguesas ainda existentes é a cidade chinesa de Macau. Pode parecer estranho que, num momento em que os povos das colónias africanas, apesar da desvantajosa situação geográfica, se levantam de armas na mão na luta pela sua independência, o governo da República Popular da China (RPC), ao mesmo tempo que tem uma posição de solidariedade para com os povos africanos, faça silêncio sobre o domínio colonialista fascista em Macau e tenha aí com o governo de Salazar as relações mais cordiais (…) nós podemos compreender essa posição da RPC e esteja interessada em manter em Macau uma porta aberta para o seu comércio, por onde recebe anualmente mercadorias no valor de meio milhão de contos e por onde vai fazendo sair os seus próprios produtos a troco das divisas que lhe são necessárias. (…) Já de há muito os salazaristas, fazem aberto namoro à República Popular da China. Os ministros, os deputados, os jornalistas fascistas constantemente tecem elogios ao exemplo de “boa vizinhança” e compreensão, às relações amistosas com o governo da China. Dum ministro das colónias pudemos ouvir palavras agradáveis acerca do camarada Mao Tsé-Tung (Adriano Moreira em 4-3-62). No “Diário da Manhã”, órgão do partido fascista, pudemos ler a defesa apaixonada da posição da China no conflito sino-indiano, pondo-se também em contraste a posição da China respeitando a soberania de Macau e a posição da ìndia libertando Goa, Damão e Diu (“Diário da Manhã”, 17-11-62). E, ainda que por considerações diferentes, em Portugal circula, mais ou menos livremente, o jornal “Informação de Pequim”, ao mesmo tempo que são ferozmente proibidas quaisquer publicações marxistas
Marxistas, dizem eles 
Cunhal enfiou no aparelho de Estado burguês o máximo que conseguiu de militantes do partido, onde fizeram carreira... Marimbando-se para o básico da prática marxista sobre a Insurreição: “Não brincar nunca com com a insurreição e, uma vez iniciada, saber firmemente que é preciso ir até ao fim. É necessário concentrar no lugar e momentos decisivos forças muito superiores às do inimigo; de contrário este, melhor preparado e organizado, aniquilará os insurrectos. Uma vez começada a insurreição, é preciso proceder com a maior decisão e passar, custe o que custar, à ofensiva, mantendo a todo o custo a superioridade moral. A defensiva é a morte da insurreição armada,” (Lenine, “Conselhos de um Ausente”, 1917). “Pode-se considerar que chegou o momento da batalha decisiva quando todas as forças de classe que nos são adversas estiverem completamente mergulhadas na confusão. E é preciso que a vanguarda não perca de vista o objectivo fundamental da luta… seguir uma conduta errónea é aquilo a que os homens do mar chamam perder o rumo (...) Foi como se o Partido, no caso o PCP, se tivesse esquecido, naquele momento, de que as manobras para montar um Parlamento era uma tentativa da burguesia de desviar o país do caminho as assembleias de trabalhadores (o equivalente aos “sovietes”) para o caminho do parlamentarismo burguês. Na revolução russa, o erro de se transplantar para ali a palavra de ordem “Todo o Poder aos Sovietes” foi corrigido com a retirada dos bolcheviques do Parlamento. "Devemos participar nesses trabalhos, com a finalidade de facilitar aos trabalhadores a compreensão, por experiência própria, da inutilidade de um tal tipo de Parlamento, explicar pacientemente os erros dos partidos pequeno-burgueses, as manipulações ocultas dos programas da grande burguesia. A classe revolucionária aprende a compreendê-lo pela sua própria e amarga experiência” da impossibilidade de se chegar a uma conciliação com o czarismo" (Lenine, “Sobre a Importância do Ouro”, 1922). No nosso caso, com o neoliberalismo.

Em 2004, Arnaldo Matos, ex-secretário geral do MRPP no tempo da Revolução pós-25 de Abril, dava uma entrevista a um jornal…estas três respostas a três perguntas – tão actuais – contrapõem-se excelentemente a uma lacrimejante revisão da história
P. "Qual foi o papel do PCTP/MRPP em todo o processo de mudança em Portugal?
Arnaldo Matos - Foi o papel de um pequeno partido marxista-leninista: denunciar o revisionismo e o oportunismo, organizar a classe operária e mobilizar o povo para as tarefas da Revolução. Por isso, foi sempre visto como o figadal inimigo do MFA, do PCP, do PS, do PPD, do CDS e da UDP e de todos quantos apareceram para se instalar no poder e ainda lá estão instalados.
P. Na sua opinião, o que é que falhou na Revolução?
Arnaldo Matos - Não falhou nada. Não estavam reunidas na altura, e não o estão hoje, as condições objectivas e subjectivas para ir mais além. Mas a Revolução, como uma velha toupeira, continua a socavar o seu caminho, e haverá de ressurgir, mais cedo ou mais tarde, precisamente na luta contra a globalização.
P. Que análise faz à participação e actuação dos sindicatos e partidos, quer em termos de parlamento, quer no discurso dirigido à sociedade civil?
Arnaldo Matos - Os sindicatos ainda não perceberam qual é o papel que lhes cabe hoje. Não compreenderam as modificações profundas que se operaram nas suas bases de apoio, não alcançaram o significado das alterações nas relações de produção da mais-valia e não entenderam, designadamente, o sentido e o alcance das novas tarefas política internacionalistas que a globalização lhes impõem. Quanto aos partidos, estamos conversados: os da direita estão satisfeitos, porque estão no poder, e os outros estão satisfeitos, porque lambem as migalhas do poder". É fartar, vilanagem!

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

o Maoismo na América

Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas” (Charlie Chaplin, banido da indústria cinematográfica norte-americana por ser revolucionário, assumindo a luta de classes em defesa dos mais pobres)

Militantes do Black Panther lêem Mao Tse Tung
"O uso de uma arma em si não é necessariamente um acto revolucionário porque os fascistas também usam armas, em boa verdade, eles têm mais armas. Muitos dos chamados revolucionários simplesmente não entendem a declaração do Presidente Mao de que "o poder político nasce do cano de uma arma". Muitos acham que o presidente Mao disse que o poder político é a arma, mas a ênfase está no "nascer" - o auge do poder político é a posse e o controle da terra e os respectivos instituições, para que possamos, de seguida, livrarmo-nos da arma. É por isso que o presidente Mao faz a afirmação de que "nós somos defensores da abolição da guerra, não queremos guerra, mas a guerra só pode ser abolida através da guerra, e, com a finalidade de nos livrarmos da arma, é necessário assumir a arma". Mao sempre falou na necessidade de não usarmos armas; se não olhássemos para ele nestes termos, então Mao certamente não teria sido revolucionário. Por outras palavras, a arma segundo todos os princípios revolucionários é uma ferramenta para ser utilizada na nossa estratégia, mas não é um fim em si. Esta é em parte a visão original do "Partido Black Panther".  
Huey Newton viria a ser encarcerado com provas forjadas, condenado, exilado, novamente incriminado e finalmente assassinado


quinta-feira, fevereiro 06, 2014

La Habana Livre

"Certamente, não queremos que o socialismo na América seja a cópia de um qualquer projecto importado. Ele deve ser uma criação heróica". (José Carlos Mariátegui)

Por estes dias, em Janeiro de 1959, do H#tel Habana Libre (o luxuoso Hotel Hilton, inaugurado havia apenas seis meses, com capitais dos mafiosos norte-americanos), onde se instalou o quartel general da recém-vitoriosa Revolução cubana, contam as paredes e as lendas que ali se travou o inacreditável diálogo em que Fidel, de armas, tendas e bagagens acampadas no átrio, ao escolher os seus ministros, perguntou quem era economista. Che levantou a mão e Fidel imediatamente o nomeou Ministro da Economia. Che, entre uma baforada e outra de charuto, questionou a decisão. Ao que Fidel rebateu: “mas eu perguntei quem era economista e tu levantaste a mão”. E Che: “carajo Fidel, eu entendi que tinhas perguntado quem era comunista”. Che virou Ministro da Economia e ainda por cima presidente do Banco Nacional de Cuba. Notas de "peso", a moeda cubana, com sua assinatura são ainda hoje vendidas como souvenir em Havana.

"O marxismo ensinou-me o que é a sociedade. Eu era um homem de olhos vendados numa floresta, que ainda não sabia onde era o norte e o sul. Se eventualmente não viesse a compreender a história da luta de classes, ou pelo menos ter uma ideia clara de que a sociedade está dividida entre os ricos e os pobres, e que algumas pessoas podem subjugar e explorar outras pessoas, então estaria ainda perdido numa floresta, sem saber de nada" (Fidel Castro)

"Os nossos olhos hoje livres são capazes de ver o que ontem a nossa condição de escravos coloniais nos impedia de observar: que a "civilização ocidental" esconde debaixo da sua vistosa fachada um quadro de hienas e chacais" (Che Guevara)

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Governo para a Rua, eleições já, novo Governo Democrático e Patriótico - veja as diferenças

o Estado existe e tem como principal função mediar a "Luta de Classes". Quer tome a forma caridosa de um vale-refeição ou de uma bota no pescoço dos dissidentes, essa função essencial do Estado não muda.
três pressupostos
1. Existe uma Crise Nacional. Essa crise, endémica, é agravada pelo facto de Portugal não possuir autonomia para emitir moeda própria. Um país sem moeda própria é um país sem Soberania.
2. a Europa agrava a crise. Um país com uma economia fraca não pode ter uma moeda forte.
3. a superação da crise depende, em primeira instância, da resposta que a República Portuguesa vier a dar à Europa.

Apesar de muito condicionada, Portugal ainda é formalmente uma República. Formalmente porque à maioria do povo nunca foi perguntado se estaria de acordo com a adesão do país à Europa do "euro". O referendo, onde foi realizado, França, Holanda e Irlanda, teve como resultado que a perda de soberania nacional foi rejeitada. A resposta da "Europa" foi contornar o referendo, ou repeti-lo tantas vezes quantas as necessárias até que as populações nacionais dissessem o contrário e "estivessem de acordo", mesmo por omissão, como viria a suceder.
Por troca com a decisão anti-democrática o que foi dado aos povos foi uma "Constituição Europeia", redigida à revelia das opiniões públicas e dada como "aprovada" na famigerada encenação do Tratado de Lisboa - uma tentativa de federar os Estados sob o poder centralizado dos Estados mais fortes. Aprovado em 2007, a resposta dos mais fortes (implacáveis na desonestidade pela exploração dos mais fracos) foi a a eclosão da Crise, primeiro importada do poder global do Dolar, a partir de 2011 forçando a "crise das dividas soberanas na zona euro", isto é, forçando a transferências dos dinheiros inexistentes que constavam nas contabilidades dos bancos privados para os Orçamentos dos Estados como Dívida Pública.

No caso de Portugal, se não houver resposta, se o regime republicano se tornar progressivamente mais autoritário, ditatorial, a crise i.e. o empobrecimento da maioria permanecerá. O carnaval das manifestações sem partidos nem programas de acção são completamente inconsequentes, senão nocivas. O 28 de maio começou assim. A apatia provocada pela degradação das condições de vida pode levar o povo  a reclamar a ajuda de homens providenciais, como aliás já foi feito num passado não muito distante. Neste caso, a acontecer, convém lembrar que actualmente o clone do Salazar (o politico) está em Bruxelas, e outro Salazar, o da ditadura económica, está em Berlim e em Franckfurt.

A proposta politica que defende os interesses da classe trabalhadora e operária e seus aliados dentro do contexto mais geral do povo português, assenta do mesmo modo em três pontos:
1. Demissão do Governo que foi levado à custa de mentiras, depois da fraude de Sócrates, a uma eleição fraudulenta para fazer exactamente o contrário daquilo que constava do programa politico apresentado . Os portugueses elegeram vigaristas, essa é razão quanto baste para exigir a sua demissão imediata, bem assim como a demissão da triste figura de corpo presente em Belém que assinou por baixo esta desonestidade.
2. Eleição de um Governo Democrático e Patriótico que inscreva no seu programa que não devemos pagar uma Dívida que resultou de uma concertação ilegal entre as elites "donas de Portugal" e os interesses de especuladores estrangeiros. No minimo é exigivel uma imediata auditoria ao "endividamento" em nada transparente, que os portugueses estão a ser chamados a pagar. No minimo seguinte, citar criminalmente os responsáveis por actos de burla financeira e levá-los à justiça.
3. Reivindicar a saída do Euro. Apenas com moeda própria, que possa ser valorizada no contexto das nações, segundo o trabalho dos portugueses e não por critérios financeiros, o país poderá ter uma politica de re-industrialização própria que lhe permita ser autónomo. E acabar com um esquema de austeridade que tem como fito mediático "diminuir a dívida" quando a dívida de facto aumenta! Por último, tudo o que foi roubado deve ser devolvido, na forma geral de aumento dos salários de quem trabalha.

Apelando à formação de uma frente sociológica de combate democrático, dos trabalhadores, quais são os partidos que têm inscritos nos seus programas estes 3 principios? Nenhum dos partidos com assento no Parlamento burguês, incluindo o P"C"P, o qual apela apenas para "um governo de esquerda", ou seja, de menos de 18% dos eleitores. Ora farto desta esquerda trapaceira e omissa está o povo. É necessária a pulverização da actual coligação criminosa que está no poder e a implosão do Partido dito socialista, o que traria à defesa patriótica da nação um número considerável de dissidentes desse antro de vendilhões da Pátria, que lá vão dizendo estar contra, mas não inscrevem no seu programa o designio concreto de expulsar do país os interesses estrangeiros danosos e corruptos.

terça-feira, janeiro 14, 2014

se as Mentiras oficiais pagassem impostos Portugal tinha superavit

o Governo mandou dizer aos seus gabinetes de comunicação que a crise, mais uma vez, acabou, que o desemprego está a baixar. E as pessoas assimilam as mentiras. Porque é que não se revoltam?

o Governo apresentou dados viciados indicando um decréscimo do desemprego de 17% para 15,5%. Um tal fenómeno, que só eles é que viram, ter-se-ia ficado a dever, à "criação de 50.000 novos empreg#s, com a economia em processo de recuperação". Na verdade o Governo limita-se a mentir e a mascarar as estatisticas - se neste periodo há 200.000 novos emigrantes e se os trabalhadores desempregados que cá ficam vão perdendo direitos e subsidios sendo varridos dos centros de empreg#, é certo que deixam de constar das estatisticas e o desemprego desce. Continuem a expulsar mais gente para o estrangeiro e veremos que o desemprego irá descer muito mais. Neste inicio de 2014 um terço da população activa não tem trabalh#.
Segundo dados do INE no terceiro trimestre de 2013 foram destruidos 404.000 empreg#s com horários a tempo inteiro e a necessidade de horas extra.
No mesmo periodo ...
... foram criados 465.000 sub-empregos com horários de menos de 10 horas semanais, ou seja, perto de 1 milhão de portugueses só trabalh# precariamente até 2 horas por dia.É o dobro da taxa que se verificava entre Junho e Setembro de 2013. quando o empreg# sazonal permite integrar fugazmente mais pessoas. Entretanto, o desemprego jovem continuou a aumentar, situando-se actualmente nos 36,8%.  
Ora aqui estão os dados que permitiram ao amanuense Passos Coelho e ao trafulha Portas sob o alto patronicio do seu tutor Cavaco Silva, acenar com a aldrabice dos 50 mil novos empreg#s criados.

o caso do momento: Um dia, daqui a muitos e longos anos de vida, o dono do Meta dos Leitões terá direito a um lugar no Panteão Nacional

A situação em Espanha é ainda mmais grave: Porque não estala uma Revolução?

sexta-feira, novembro 22, 2013

policias amanuenses amigos de policias de choque (es)gaseiam o ministro

14 de Novembro de 2012. Em frente à Assembleia da República gente pobre com uniforme golpeia gente pobre com fome para beneficiar gente rica sem uniforme nem fome. o ministro Macedo proclama: "são meia dúzia de profissionais da desordem e da provocação!".

21 de Novembro de 2013. De forma simbólica e perante a ausência de repressão pelos seus pares, manifestantes das forças de segurança invadem as escadarias do Parlamento, enviando uma mensagem clara ao Governo: dêem-nos mais dinheiro! (ou demitam-se) e entoam folcloricamente por diversas vezes o hino dos gajos que lhes pagam o salário. Sintomático: no final os policias manifestantes acabaram a bater palmas aos policias de choque slogando "a polícia unida jamais será vencida!". Unida contra quem?

as Corporação policiais, normalmente comandadas por altas patentes das Forças Armadas, existem para garantir o funcionamento do modo de produção capitalista, da sociedade burguesa, através da violência repressiva contra os trabalhadores. Há uma crise no seio do Estado burguês, mas nesta manifestação não há nada de revolucionário. Pode no entanto abrir caminho para acções mais radicais; quem havemos de conclamar, quando não se cumpre a Constituição Portuguesa, para ajudar o povo? Só há um caminho, caminhar empunhando os nossos próprios bastões, o povo em armas, entoando o hino dos explorados: 

sexta-feira, julho 05, 2013

GOVERNO RUA! CAVACO RUA!

Nas presentes circunstâncias aplica-se a douta sentença do presidente de visita à fábrica de congelados: "não é com intrigas que se criam empregos

"A demissão de Paulo Portas e a posição subsequentemente assumida por Passos Coelho, no seguimento da demissão de Vítor Gaspar e a nomeação de Maria Luís Albuquerque para o seu lugar, veio reforçar a posição já expressa pelo MRPP de que este governo de traição nacional se mostra cada vez mais isolado e desesperado perante a persistência e tenacidade do movimento de massas contra a sua política terrorista de tentar impor aos trabalhadores o pagamento de uma dívida que o povo português não contraiu e que, aliás, é impagável. Ao decidir de forma patética manter em funções este governo coxo, Passos Coelho fá-lo apenas porque continua a ter o apoio de Cavaco Silva.

Por esse motivo a concentração a realizar-se em Belém, no próximo sábado, dia 6 de Julho deve conclamar pela demissão de um presidente da república que se opõe aberta e provocatoriamente à exigência democrática e patriótica de milhões de portugueses de correr com um governo de traição nacional que procura manter-se no poder com o único objectivo de esmagar a classe operária e os trabalhadores e colocar a economia portuguesa na completa submissão ao imperialismo germânico".

A concentração será pelas 14h30 junto à fonte luminosa, frente aos Jerónimos. GOVERNO RUA! CAVACO RUA!

domingo, junho 23, 2013

FMI Ordena Despedimentos na Função Pública

Apesar da percentagem dos funcionários públicos em Portugal ser muito inferior em relação à população comparada com os países europeus, o FMI exigiu o despedimento de 30 000 pessoas da Função Pública. Em 2012 tinham sido 14 000 os que não viram o vinculo contratual renovado; este ano serão despedidos mais 20 000. Os que ficarem, só na área do Ensino, por via da aplicação da Tabela Única de Remunerações, os professores irão sofrer cortes salariais em 2014 no valor que o governo quer "poupar" (isto é, gastar noutras coisas): 445 milhões de euros.

O chefe da missão do FMI afirma que "a redução da despesa pública não implica quaisquer medidas discricionárias adicionais face às previamente anunciadas pelo Governo" - quer dizer, os cortes serão só o dobro do que estava previsto... sendo, segundo a CGTP o maior despedimento colectivo registado nos últimos anos em Portugal, feita à revelia do Parlamento - "uma ofensiva sem precedentes contra os trabalhadores da administração pública e também dos reformados"
Gerir números, trangredir a Constituição: "um funcionário público que entre na mobilidade perde 50% do salário passados seis meses. Se não for reintegrado nos 12 meses seguintes, o seu vínculo de trabalho no Estado cessa" (ler entrevista), ou seja, Cavaco e o governo Coelho/Portas estão unidos na imposição de um regime fascista

quarta-feira, maio 15, 2013

ir pagando uma dívida impagável, em vez de rejeitar de todo o seu pagamento

entrevista de Francisco Louçã a Mark Bergfeld, publicada na Monthly Review 

P - Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças da Alemanha, o ano passado rotulou Portugal como "o bom aluno da zona euro." Agora, Portugal enfrenta um cenário económico difícil. O desemprego, por exemplo, atingiu 18,2 por cento. O governo de coligação PSD-CDS está a exigir mais tempo para implementar as suas novas medidas de austeridade. Quais são as razões subjacentes para a tendência de queda de Portugal?
R - A recessão foi causada pela austeridade e pela transferência de recursos para os pagamentos da dívida. Como consequência o desemprego atingiu níveis sem precedentes. A queda dos salários e pensões criaram uma espiral descendente da economia. Isto é qualquer coisa, agindo como um bom aluno, certamente este é o preço que nós pagamos para aceitar um governo de Merkel e Schäuble por interpostas pessoas.

P - A crise económica criou fracturas no regime. No início de Abril, o Tribunal Constitucional chumbou quatro das nove medidas de austeridade contestadas. Um membro do governo, Miguel Relvas demitiu-se. O que está a acontecer no topo da sociedade portuguesa?
R - Há uma crise no governo de coligação. Os dois partidos de direita no poder têm dificuldades em impor as soluções da troika - aumento do desemprego, cortar os serviços públicos, aumentar impostos, reduzir a segurança e o bem-estar social. A decisão do Tribunal Constitucional ao contestar estas políticas prova que esta é mais que uma crise política: este é o começo de uma crise do regime. Na Grécia e na Itália, é óbvio que se trata de uma crise regime. Eventualmente, o mesmo vai acontecer com Espanha. É a consequência directa do défice democrático, das medidas de austeridade e das suas políticas falidas.

P - Por toda a Europa, assistimos a três vertentes de resistência à Troika: greves em massa por parte dos trabalhadores, revoltas da juventude, como o movimento dos indignados, e revoltas eleitorais como a do SYRIZA na Grécia, a "Front de Gauche" em França, ou o CUP na Catalunha. Em Portugal, temos vindo a assistir às duas primeiras, mas não se tem visto um aumento no apoio ao Bloco ou do Partido Comunista. Por que é que a esquerda portuguesa não é capaz de tirar proveito de uma situação favorável?
R - As sondagens de opinião indicam um apoio crescente para os partidos anti-troika da esquerda. Hoje, eles representam mais de 20 por cento. Com o objectivo de eleger um governo de esquerda - um governo que seja anti-memorando e apele ao fim do domínio da Troika - é hoje muito necessário. Um governo de esquerda teria que reestruturar a dívida e, parcialmente, o cancelamento da dívida para recuperar a capacidade de investimento e de emprego. O milhão de pessoas na manifestação de 2 de março mostrou a disposição de uma grande parte dos portugueses para lutar pelos seus salários e pensões, como parte das suas responsabilidades democráticas.

P - O montante total da dívida do Estado português situa-se em 209.000.000.000 euros, o equivalente a 126,3% do Produto Interno Bruto. Durante a alter-globalização da última década, activistas do movimento pela suspensão da dívida exigiram o cancelamento da Dívida do Terceiro Mundo. Hoje existem discussões semelhantes sobre "re-negociação da dívida", "anulações da dívida", e "jubileus de dívida" entre a esquerda na Europa. Como deve ser a esquerda europeia responder?
R - Exactamente da mesma maneira. Uma economia com um défice de 3 por cento não pode pagar uma taxa de 4 por cento de juros. Se a dívida cria dívida, o seu cancelamento é a única solução possível (...)
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segunda-feira, abril 08, 2013

Demissão Já! Eles não nos representam!

o primeiro ministro anunciou que vai atacar a Saúde, a Educação e a Segurança Social ou seja, veio declarar ao país a batalha final contra o Estado Social - "Nós portugueses não desistimos" disse ele. Em primeiro lugar não lhe admitimos que continue a invocar, generalizando, o nome dos "portugueses". Invoquem só aqueles "portugueses" com quem o Coelho e a sua tribo cavaquista lidam. Obviamente, incluindo também a falsa oposição. Nós, os restantes somos honestos e, para vosso desconforto, somos muitos. Se vocês precisam de dinheiro para reporem o que roubaram, podem-se catar nos bolsos uns aos outros ou nas contas off-shore que vão encontrar que chegue e sobre. Ou senão fiquem quietos, porque essa será a tarefa da maioria do povo português, 
garantimos-lhes!

apenas uma ideia de onde ir buscar o dinheiro 

ver artigo publicado na revista Visão:
Que é feito do Património surripiado à Falência do BPN?

"As revoluções começam sempre nas ruas sem saída
(Bertolt Brecht)

sábado, abril 06, 2013

sobre o Salário Mínimo Nacional - sobre o Tribunal Constitucional

para quem ainda não reparou na ênfase com que os orgãos de intoxicação nacional põem ao apresentar sempre o ingenheiro João Proença em primeiro lugar nos noticiários, antes da CGTP que deve ter dez vezes mais filiados, apesar da irrelevância da correia de transmissão dos governos que é a UGT - aqui fica a redução ao lugar correcto do Proença nos embustes sociais em curso.

como seria antigamente o jornal de amanhã
a ler:
* a Eugenização do Mercado de Trabalho em Portugal e na Europa: "com tantos “filhos desempregados” existe uma pressão objectiva para propor o despedimento dos pais, dar-lhes apenas metade do valor nas reformas, e pôr os filhos a trabalhar por metade do preço" 
* Qual é a ideia? - pôr o Ocidente, Europa e a América do Norte (um mercado a re-industrializar de 820 milhões de pessoas) a concorrer ao mesmo nível de salários com a China (um mercado de 1,350 milhões de pessoas). Entretanto, a China investe 1.000 milhões de euros todas as semanas em todo o mundo. Haverá algum ponto no futuro em que os dois interesses e diferentes sistemas de organização social irão colidir na Longa Marcha de Expansão Financeira Global
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