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sábado, novembro 28, 2009

Estado de Sitio no Pais Basco

enquanto reis, ministros e outras espécies canoras se passeiam pelo Estoril, fora das intermináveis e inconclusivas assembleias que pretendem determinar subjugações estruturais económicas sobre os mais fracos, a vida decorre normalmente, como sempre...

Cerca de uma centena de familiares e activistas amigos dos 34 jovens pró-independência detidos no País Basco e “extraditados” para Madrid onde se encontram incomunicáveis, convocaram uma manifestação para hoje em Bilbau em defesa “dos projectos de governo com o direito ao exercício de todos os direitos de cidadania”. Que crime foi imputado a estes jovens, descendentes de bascos que já eram bascos antes de existirem quaisquer vestígios de "espanhóis"? (uma re-invenção pela dinastia dos Bourbons da Hispânia romana). Aos Bascos é-lhes imputado o crime de serem independentistas. Porque lhes é negado o direito de autonomia para a região de Euskal Herria? e que futuro se lhes depara quando lhes são negados os direitos mais básicos de liberdade de reunião e de expressão?
(para acompanhar no Gara)
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quarta-feira, março 12, 2008

Pedro Ignacio Pérez Beotegui, 60 anos, faleceu ontem, vítima de doença prolongada, em Vitória, a sua terra natal, no País Basco. O breve obituário seria igual a tantos outros que passam com a ligeireza possivel diante das turbas que não se notabilizaram em vida, com a convicção assumida pelo senso comum que dos mortos, ou se fala bem ou não se fala.
Mas Pedro Ignácio que passou à posteridade com o nome de guerra “Wilson” notabilizou-se, e muito – foi um dos temiveis militantes da ETA que integrou o grupo responsável pelo atentado que matou o sucessor indigitado por Franco para perpetuar o regime fascista em Espanha. No dia 20 de Dezembro de 1973 o General Almirante Luis Carrero Blanco saiu da missa habitual na Igreja de São Francisco de Borja e dirigia-se a casa quando a meio caminho, na Calle Claudio Coello, 75 quilos de explosivos estrategicamente colocados num tunel escavado sob a rua e accionados à distância dinamitaram o carro em que seguia. General e viatura subiram à altura de 30 metros, saltaram o telhado e, bocados de carne e destroços de sucata irmanados no mesmo ideal, aterraram no meio do pátio interior de um convento de jesuitas. Uma morte abençoada – Carrero Blanco ainda hoje ostenta o recorde mundial de salto em altura na modalidade de Fascistas mortos.
Esta breve inspiração deveria fazer flanar de
felicidade qualquer radical com borbulhas de ressentimentos vários. Se não nos tivessem roubado a memória da história recente, do que se passou e passa na transição do fascismo para um regime oligárquico que lhe disputa o odioso, muito possivelmente a realidade seria hoje outra, sobre a ETA e o sector da sociedade Basca que continua a reinvindicar uma ruptura com o franquismo que nunca aconteceu. A luta continua. Porquê?
qualquer coisa aqui não bate certo.

Estuda o Passado, Porque o Passado é o Prólogo

Numa época em que se prendem terroristas em campos de concentração, se condenam suspeitos a várias penas de prisão perpétua acumuladas, se torturam inocentes desprevenidos para obter resultados na “luta contra o terrorismo” – o perigoso etarra “Wilson” morreu em casa na cama. Paz à tua alma companheiro, que a terra te seja leve. Afinal és o herói por conta própria que aplicaste a almejada justiça popular. Mas,

Segundo Philip Agee, o ex-agente autor do livro “CIA, Inside the Company” a CIA foi criada depois da 2ª GrandeGuerra para assegurar a intervenção clandestina na transição dos regimes nazi-fascistas da Europa.
Henry Kissinger o mais influente politico norte-americano do último quarto de século, um protegido de David Rockefeller, de quem se pode dizer com propriedade ser Judeu, Sionista e Maçon, esteve um dia antes, mais concretamente vinte e três horas antes do atentado mortal, reunido durante seis horas com Carrero Blanco em Madrid. Reuniu primeiro com o ministro de Negócios Estrangeiros, depois com Don Juan Carlos cujo comportamento mediático na data já era visivelmente o de um Rei. Kissinger chegara à capital espanhola dia 18; algumas semanas antes chegaram cerca de 20 agentes da CIA com a missão de zelar pela segurança do secretário de Estado que ficaria durante dois dias alojado nas instalações da Embaixada americana – Nessa mesma noite do dia 18 o grupo de Etarras ultimou os preparativos da colocação de explosivos e passagem de cabos pelas fachadas exteriores junto ao túnel previamente escavado, que se situava a menos de 100 metros da embaixada dos EUA. No meio de todo o aparato de segurança na zona não é surpreendente que os serviços secretos não tenham detectado quaisquer indicios da escavação que foi bastante ruidosa? (atribuida aos trabalhos de um escultor residente na vizinhança)

No dia 19 a agenda de conversações entre Carrero Blanco e Henry Kissinger girou em torno de um ponto único, a especialidade deste último estratega: o comunismo e a guerra necessária para o combater numa altura em que os invertimentos norte-americanos na Europa se confrontavam com a retrógada interpretação dos restos do fascismo. Rui Tavares hoje actualiza a questão: “Para muita gente, em Espanha como em Portugal – apesar da europeização, da imigração, da secularização e da modernização em geral – é “suposto” que o povo queira sempre a mesma coisa. E como tal, não é “correcto” que ele vá mudando”
Kissinger pediu a Carrero Blanco que o teor da reunião se mantivesse secreto, incluindo para as administrações e chefias abaixo, na medida em que o encontro não foi considerado “oficial”. Nesse dia Carrero Blanco não teve tempo de despachar mais nada. No dia seguinte voou de cena deixando uma cratera no pavimento de 10 metros de diâmetro.
Como sempre, o vazio abriu caminho para as chamadas “interpretações conspirativas” do atentado. (Kissinger também tinha estado presente em Roma em vésperas do rapto e posterior assassinato de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas - Gianni Agnelli patrão da Fiat, o verdadeiro Rei de Italia, disse certa ocasião: “os Brigadistas … são os executores, porém os verdadeiros protagonistas... vivem, vivem… uns em Itália, outros nos Estados Unidos… a sua política não agradava a alguém com muito poder” – no dia do rapto, Aldo Moro, o chefe da Democracia Cristã que tinha governado a politicamente instável Itália durante mais de 30 anos dirigia-se ao Parlamento para propor uma aliança com os comunistas.) E além do mais, pouco depois, começou a ser divulgado o teor da Operação Gladio – confirmado por Giulio Andreoti, mais recentemente seguido pelo ex-presidente Francesco Cossiga quando questionou a versão oficial da autoria do 11 de Setembro

Um relatório entregue pelo Procurador Fiscal Herrero Tejedor coincidiu com a data do atentado de Madrid: reportava a chegada à Base militar de Torrejon em Madrid de dez minas anti-tanque procedentes de Fort Bliss. Este tipo de minas, empregues no Vietname, eram muito sofisticadas para a época; dispunham de sensores acústicos extremamente sensiveis capazes de ser activados por controlo remoto. Que faziam na Europa? É licito supôr-se, abrindo caminho à especulação, que seriam utilizadas para atentar contra altas personalidades?. Não foi possivel concretizar o destino ou paradeiro das bombas. É provavel que algumas delas fossem parar ao túnel etarra para reforçar a carga convencional? – dos exames periciais feitos aos destroços recolhidos no local por equipas militares (os únicos então admitidos neste género de investigação) nada foi divulgado, nem as presumiveis provas, os restos das explosões, foram facultadas a peritos independentes – tal como nos mais recentes atentados de 11 de Março!
Como escreveu José Luis de Villalonga, o autor da biografia do Rei: “porque razão no dia do atentado desapareceram da Calle Claudio Coello todas as viaturas da embaixada americana? Foi como se tivessem sabido antecipadamente o que iria acontecer. Creio que provavelmente os serviços secretos sabiam, provavelmente a CIA também sabia”.

Como souberam acerca do 11 de Setembro, ou do 7 de Junho em Londres. Como a semana passada souberam da morte do autarca basco moderado que foi assassinado porque serviu de incentivo eleitoral ao voto na direita possivel, o muito conveniente Bloco Central de interesses – ao mesmo tempo que quase irradicou as representações regionais ou alternativas em Espanha. Na actual política criminosa do Império, é muito lucrativo dispôr-se de uma parte da ETA que se possa instrumentalizar, usar e diabolizar. Ainda que, em certas circunstâncias, provavelmente ou não, nem os próprios militantes disso se apercebam
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terça-feira, fevereiro 27, 2007

Actualmente a estratégia da direita neocon em Espanha é a de sugerir que Zapatero e a ETA conspiraram em conjunto e são eles os responsáveis pelo atentado do 11 de Março que levou o PSOE ao Poder. É o único simulacro de oposição que Aznar consegue fazer, "diabolizando o "terrorismo" - logo ele que, nos anos em que esteve à frente do governo, foi quem mais negociou com a ETA.

Assim sendo, a verdade é outra.






A tentativa de concentração de um Poder Único mundial conduzirá, cada vez mais, inapelavelmente, ao aparecimento de uma multidiversidade contestatária dos Poderes Locais em busca de autonomia para as comunidades locais. Ninguém quer pertencer a paises que são obras politicas ficticias elaboradas para servir os interesses de estrangeiros e às insignificantes élites nacionais parasitas. Ninguém quererá ir servir em exércitos ou combater em nome da dominação de outros povos pela pilhagem de recursos em terra alheia. Na monarquia dita de “Espanha”, que só existe e subsiste porque existe o Imperialismo, ambos os partidos do Bloco Central neoliberal advogam a participação dos “espanhóis” nas guerras do Império, via NATO ( um basco recusar-se-á a participar em carnificinas em nome do capital financeiro dos outros, da mesma forma que um catalão, um andaluz ou um galego). Por último, os tribunais “espanhóis”são parte interessada na defesa do status vigente; como veremos adiante, nesta análise detalhada publicada na Politica Operária:

“O atentado da ETA no aeroporto de Barajas não foi surpresa para quem tinha acompanhado a situação nos meses precedentes. Vinha a tornar-se claro que para o governo de Madrid a declaração de tréguas pela ETA foi vista, não como um passo para resolver o problema politico em aberto no País Basco, mas como uma oportunidade para liquidar a ETA. Ao mesmo tempo que arrastava o processo sem atender nenhuma das reinvindicações imediatas dos independentistas (anulação da lei dos Partidos que ilegalizou o Batasuna, reagrupamento dos presos politicos – são mais de 500 dispersos por cadeias por toda a Espanha – inviabilizando a simples visita dos familiares). Pelo contrário, acentuava-se a repressão – o governo Zapatero dava para fora a imagem de que o processo estava a progredir, enquanto que com esta manobra esperava iludir a opinião pública, manietar a resistência e levar à desarticulação da ETA. Desde Agosto que a esquerda basca alertava que o processo entrara em colapso. Mas Zapatero, crente que a ETA não tinha outra alternativa senão submeter-se, ignorou o significado da manifestação de 11 de Novembro em Bilbau, com 26 mil pessoas exigindo “Euskal Herriak autodeterminazioa”; ignorou a declaração de sete sindicatos bascos de várias tendências, acusando-os de fechar a porta a uma saída democrática; proibiu a jornada de 20 de Dezembro convocada pela Pró-Amnistia sob a palavra de ordem “condições democráticas para a autodeterminação”; assumiu mesmo uma atitude de provocação no caso do preso politico Iñaki de Juana Chaos, o qual, depois de ter cumprido integralmente uma pena de quase 20 anos, não foi libertado e sofreu nova condenação de 12 anos, por ter escrito na cadeia dois artigos de opinião. Em greve de fome desde Novembro, Iñaki tem sido alimentado à força por ordem do tribunal.


A ETA tirou as suas conclusões e interrompeu uma trégua que se estava a tornar num logro. E, como já era esperado, o atentado foi aproveitado pelo governo para mobilizar a opinião pública, explorando a morte acidental de dois imigrantes (note-se que o comando alertou com uma hora de antecedência e repetidamente da existência da bomba). Falando de início numa “suspensão” das negociações, Zapatero foi forçado logo de seguida, sob a pressão da direita, a declarar encerrado qualquer diálogo com os independentistas. Em Madrid, os próximos meses serão, ao que tudo indica, de histeria “antiterrorista” e de intensificação da repressão, com o PSOE e o PP em despique para ver qual dos dois capitaliza melhor o chauvinismo espanhol anti-Basco. Para já o Supremo ilegalizou três organizações juvenis bascas, acusadas de “terrorismo” por participarem nos processos de rua. O Partido Popular, pela sua parte convocou uma manifestação de “repúdio” de olho no regresso à ribalta neoliberal do criminoso Aznar.
Mas o mais importante será a evolução da opinião pública dos próprios Bascos. Mesmo os que não apoiam a ETA sentem que Madrid traiu as expectativas abertas pela trégua de 22 de Março do ano passado. A direita basca no governo (PNV) está dividida e incerta sobre o rumo a seguir, como se verificou pela decisão de Ibarretxe de voltar a encontrar-se com Arnaldo Otegui, porta voz do ilegalizado Batasuna, apesar das proibições dos tribunais. Com duas tréguas unilaterais no prazo de poucos anos, a ETA demonstrou que os obstáculos à pacificação partem de Madrid. O problema não está na “violência” basca, mas na recusa absoluta de Madrid em criar condições de liberdade para o povo Basco se pronunciar sobre o seu destino”