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quarta-feira, junho 03, 2015

e assim nasceu esta democracia impoluta

desde a primeira hora do 25 de Abril de 1974 o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) afirmou tratar-se de um golpe-de-estado visando recondicionar a burguesia e "modernizar" as condições de exploração capitalista nacional, monopolistas, latifundiários, generalato, politicos fascistas, todos atascados na guerra colonial e repudiados por todo o mundo civilizado.
a reacção contra o embrião do Partido Operário não se fez esperar
no dia 28 de Maio de 1975 o governo "revolucionário" do MFA-Unido-ao-Povo-do-P"C"P manda prender 432 militantes comunistas, ilegalizando e impedindo o MRPP de concorrer às primeiras "eleições livres" 
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domingo, março 15, 2015

o Palácio do Correio-Mor

nos arrabaldes de Loures, ao lado de um regato da Mata das Flores fica o Palácio do Correio-Mor. O direito e o dinheiro para construir o imponente casarão foi da familia de judeus convertidos à religião dos vencedores (cristãos-novos) dos Matas (por via de se abicharem, como se diria hoje, com a privatização da Mata das Flores, até então terras de El-rey de Portugal). O primeiro dono, Luís Gomes da Mata enriqueceu no cargo de CEO do "Oficio do Correio-Mor" que lhe havia sido outorgado por Filipe III de Espanha. Como paga pela fidelidade, o monarca espanhol em 1606 concedeu-lhe o uso do sobrenome Mata, com direito a carta de brasão, tomando por solar esta propriedade. Moral da história: ontem como hoje, vender a pátria aos estrangeiros dá sempre jeito às algibeiras dos traidores...

"A importância do Correio-Mor e os avultados lucros que advinham desta actividade, desenvolvida durante cerca de 200 anos pela família Gomes da Mata, encontram-se bem expressos no seu Palácio, edificado em Loures no decorrer do século XVIII. A imponência, dimensões e impacto causados por esta construção equivalem, de alguma forma, aos castelos dos responsáveis pelos correios noutros países europeus, como é o caso dos Taxis (Thurn and Taxis Habsburgo-Lorena), que implementaram uma rede de comunicação em todo o império Habsburgo" (vidé: Património Cultural)

quarta-feira, janeiro 14, 2015

era uma vez os franceses na Argélia

60% da população prisional em França é de origem magrebina

"A guerra da Argélia pela independência, que durou seis anos, e na qual talvez 1 milhão de muçulmanos árabes e muitas milhares de mulheres e homens franceses morreram, continua sendo uma agonia sem fim e sem resolução para ambos os povos. Há pouco mais de meio século, quase teve início uma guerra civil francesa. Talvez todos os informes jornalísticos e televisivos devessem conter um “pedaço desta história”, uma pequena recordação de que nada – absolutamente nada – ocorre sem um passado." (Carta Capital)

As origens do conflito inter-étnico em França tem tanto mais razões no seu passado colonial quanto é veridico que 22 anos após a independência da Argélia (1962) a França interferiu violentamente no processo eleitoral que previsivelmente daria a vitória pelo voto popular à nacionalista Frente Islâmica de Salvação (FIS), apoiando o envio de um franco-argelino emigrado em França para ser entronizado no pder graças a um golpe-de-Estado militar. A conflito que se seguiu provocou 200.000 mortos e várias centenas de milhar de desaparecidos; Embora a Frente Islâmica tenha sido ilegalizada e depois desmantelada, persistem até aos dias de hoje grupos dissidentes de guerrilha que lutam pela libertação da Argélia do jugo neocolonial - o que faz com que o território argelino não seja completamente seguro do doravante denominado de "actos terrorismo", isto é, de patriotas que lutam pela independência nacional.

quinta-feira, janeiro 01, 2015

Heróis da Classe Operária - Camilo Cienfuegos

Antigo emigrante nos Estados Unidos onde fora procurar a subsistência da familia, a partir de 1953 Camilo Cienfuegos foi um dos comandantes que liderou a Guerra de Libertação Nacional contra a ditadura pró-americana de Fulgêncio Batista que mantinha Cuba sob subserviência colonial. Depois da emboscada vitoriosa em Santa Clara ao comboio blindado que transportava armas para a Sierra Maestra, o efeito é demolidor: "ao ficar claro que Batista tinha fugido, criaram-se as condições favoráveis para que, no quarto dia do ataque a Santa Clara, a guerra acabasse".
Camilo Cienfuegos foi encarregue, junto com os grupos de guerrilha de Che Guevara e Fidel Castro de levar a guerrilha para o ocidente da ilha. Conhecido como "El Comandante del Pueblo", "El Señor de la Vanguardia", "Héroe de Yaguajay" conquistou o povo cubano com a sua personalidade humilde, carácter jovial e natural desprendimento. A 2 de Janeiro de 1959, à frente de uma brigada a cavalo, Camilo Cienfuegos foi o primeiro comandante do Exército Rebelde a entrar em Havana e o responsável por tomar o Regimento Columbia, um dos maiores símbolos da força militar de Batista. Alcançou o maior cargo dentro do exército, depois do cargo de Comandante em Chefe ocupado por Fidel Castro, Chefe do Estado Maior do Exército Rebelde. Dez meses após o triunfo da Revolução a sua história foi tragicamente interrompida com um acidente de aviação. Camilo é amplamente homenageado em Cuba. Escolas, museus, universidades, municípios, associações de bairro, hospitais, livrarias, inúmeras praças, todas têm o seu nome. A cada dia 28 de Outubro crianças de toda a ilha lançam flores ao mar em sua memória.

sábado, outubro 25, 2014

Sob o governo de Getúlio Vargas, o ideário de Hitler influenciou políticas e seduziu uma boa parte da população brasileira

Quais as razões do Brasil estar infestado pela iliteracia politica que não deixa o país libertar-se do jugo colonial imperialista, o sistema responsável pela maior desigualdade social num dos paises mais ricos do mundo? São razões cujas origens provavelmente o filme "Getúlio" que anda por aí estrelado por um artista de telenovelas não explicam. Sabendo-se como dado adquirido que é o regime de propriedade, dos latifundios e meios de produção industrial, que determinam as relações sociais, como foi e é possivel no século XXI manter uma riquissima elite de 4 por cento dos brasileiros disfrutem de um dos mais elevados niveis de vida do planeta, enquanto os restantes 96 por cento vegetam na maior das precaridades da ausência dos mais elementares direitos humanos? (saúde, educação, habitação) Como resolver? Eleição controlada pela burguesia ou Revolução comandada pelo proletariado?


Maria Luiza Tucci Carneiro, Historiadora: "Persiste um certo silêncio sobre a presença e actuação dos nazis no Brasil. Não se sabe nem o número de partidários de Hitler que se refugiaram no país depois da Segunda Guerra Mundial, acusados de crimes contra a humanidade. Governado por Getúlio Vargas entre 1930 e 1945, o Brasil converteu-se numa espécie de seara livre para a circulação de nazis, fascistas e integralistas. Mesmo antes do golpe militar liderado por Getúlio Vargas, o Estado apelou para um conjunto de leis de excepção. Na sua essência, elas prepararam o Brasil para receber as propostas "revolucionárias" do fascismo italiano e do nazismo alemão como “novidades da modernidade”. A imprensa brasileira cuidou de reportar, com alguma admiração, as conquistas de Mussolini a partir de 1922 e de Hitler a partir de 1933. Os nacionalismos alemão e italiano transformaram-se em fontes de inspiração para o modelo de nação que se pretendia construir no país: forte e homogénea. A propaganda oficial emergiu como instrumento para o exercício do poder mascarado de “política trabalhista”, controlada por leis rígidas e um tribunal de excepção. Os conceitos e os partidos de extrema-direita proliferavam e conquistaram segmentos importantes da população. As ideias de Hitler começaram a aportar no Brasil já em 1929, quando imigrantes alemães recém-chegados formaram os primeiros núcleos nazistas. Após a ascensão do Führer ao poder, em 1933, esses grupos foram integrados na Auslandorganisation der NSDAP – a Organização do Partido Nacional-Socialista para o Exterior (AO). No ano seguinte, o governo alemão organizou um sistema de infiltração e de propaganda com os alemães radicados no estrangeiro. Em 1937, Ernest Wilhelm Bohle, responsável pela AO, assumiu também funções diplomáticas na Embaixada Alemã no Brasil, permitindo que o Partido Nazista cumprisse ostensivamente a missão de “proteger” os alemães do exterior" (ler estudo completo aqui)

Carlos Haag: "Quando se fala em nazis no Brasil, a imagem que nos vem à cabeça é de um bando ridículo de gaúchos louros levantando o braço direito no meio da fumaceira dum churrasco. Em verdade, a presença nazi foi menos folclórica e de uma importância política notável, em especial para a consolidação do Estado Novo varguista, que completa, neste ano, 70 anos". Um legado de Nazismo tropical?
 
ler também: 
Otto Braun cita os nomes dos lideres estaduais refugiados do partido nacional-socialista alemão em 8 Estados brasileiros, subordinados ao directório central em São Paulo comandado pelo nazi alemão Hans Henning von Cossel à frente de 2.900 membros militantes (in "A Caça às Suásticas)

quinta-feira, outubro 23, 2014

um mundo desigual?


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segunda-feira, outubro 13, 2014

Consequências da medicina neoliberal. As origens da crise do Ébola

«Não podemos aceitar a reedição dum negócio das arábias à custa da boa fé ingénua e da desinformação do incauto cidadão.» (Manuel Pinto Coelho, Médico, doutorado em Ciências da Educação).

Tariq Ali: O sistema, como funciona em todo o mundo capitalista, é basicamente não a favor de serviços de saúde pública, mas favoráveis a soluções privatizadas, instalações privatizadas, o que significa que na maior parte países cada vez mais tem-se um sistema de duas ou três camadas. Há hospitais de muito boa qualidade para os ricos e pessoas que podem pagá-los, há uma segunda camada mais para pessoas da classe média que também podem pagar mas não tanto e suas instalações não são tão boas e a seguir há hospitais públicos, não só na África mas em países como a Índia, Paquistão e Sri Lanka, os quais estão numa desgraça total e nada é feito acerca disto a nivel global (pela comunidade internacional) porque não é uma prioridade.

Allyson Pollock: como é que issso se poderá reconstruir quando realmente há directores estrangeiros a chegarem e parceiras público-privadas e gradnes fluxos de dinheiro a saírem e não há qualquer mecanismo de redistribuição, porque redistribuição significa que se está a tentar construir uma sociedade mais justa e a tentar colocar os recursos outra vez no país (...) Mas vacinas não são realmente o que estes países precisam. Todas as grandes reformas, todos os grandes colapsos de doenças infecciosas epidémicas não foram realmente debelados com drogas e vacinas, foram-no através de medidas redistributivas, as quais incluíam saneamento, nutrição, boa habitação e na verdade, acima de tudo, uma democratização real. E com isto chega-se à educação e todas as outras medidas (...) ONGs muito poderosas, como a GAVI – Global Alliance for Vaccine Initiative, as quais em conjunto com grandes companhias como a GSK e Merck, estão determinadas a conseguir patentes; e a razão porque elas gostam de vacinas é porque elas são um meio de imunização em massa e isto significa números e números significam dinheiro. E naturalmente estão a ser pagas pelo ocidente e governos ocidentais quando este dinheiro podia muito mais facilmente fluir para os próprios governos [africanos] para reconstruírem os seus sistemas de saúde porque estamos a falar acerca da reconstrução da infraestrutura de saúde pública (...) isto começa com a economia, começa com o que está a acontecer à terra, começa com o facto de o óleo de palma, o cacau e a borracha serem importantes culturas para a obtenção de dinheiro e a terra, a sua propriedade, incluindo os serviços públicos que lhes estão associados terem sido transferidos para investidores e accionistas estrangeiros.

Tariq Ali: Será perfeitamente legítimo fazer enormes lucros a partir das necessidades básicas de pessoas comuns?
Allyson Pollock: Isto começou com uma indústria farmacêutica e da produção de vacinas que acha ser perfeitamente aceitável fazer lucros com elas; então porque não deveríam agora fazer lucros com as doenças e os cuidados prestados? Naturalmente o SNS na Inglaterra foi estabelecido para ser redistributivo. É financiado através da tributação, a qual deve ser progressiva e o dinheiro deve fluir de acordo com o necessário. Mas o que estamos a começar a ver agora é que o dinheiro fluirá de acordo com as necessidades dos accionistas e não dos pacientes, e isso é uma preocupação muito real. Naturalmente, isto é tudo questão de vontade política. Tudo pode ser revertido mas é basicamente político, para a democracia e o povo fazerem com que as suas vozes sejam ouvidas".

segunda-feira, julho 28, 2014

“Portugal deixou a PIDE colaborar com o apartheid” – declarou recentemente em entrevista o ex-inspector da policia politica fascista Óscar Cardoso.

As declarações de um pide que há-de morrer pide, valem o que valem, mas impõe-se desmascarar algumas velhas “novidades”. O conflito armado entre angolanos pela libertação do país foi um reflexo da conjuntura da guerra fria por um lado, e por outro lado do confronto ideológico entre os reformistas da URSS e os revolucionários de tendência Maoista.
Contudo, não é verdade que a Unita tenha sido só apoiada pela República Popular da China. Após a adopção da Doutrina Reagan os Estados Unidos deram prioridade à Unita na cedência de meios financeiros; e não apoiavam o MPLA porque esse movimento de libertação era "comunista" . Depois da batalha do Cuito Cuanavale (um momento alto do internacionalismo proletário) que derrotou a possibilidade de se manter o apartheid, os EUA mudam radicalmente de posição; abandonam a Unita e começam a apoiar o MPLA. Quanto ao colaboracionismo com os racistas sul-africanos, em cada região militar havia uma delegação da PIDE que interrogava os “indígenas” detidos pela tropa colonial (“os turras capturados em combate” na gíria politico militar da época), mas essa era uma actividade secundária - a principal era a presença de meios militares sul-africanos no terreno, aviões, helicópteros e quadros militares sem insignias a actuar em paralelo com as tropas portuguesas. E mais importante ainda, a África do Sul contribuia com empréstimos financeiros a fundo perdido para que Portugal pudesse servir de tampão à guerrilha da Swapo na Namibia. Quanto ao "pacto" da Unita com Portugal nunca se soube ao certo se existiu... mas só entre 1969 e 1971 os guerrilheiros de Savimbi minaram por 52 vezes colunas militares no Cuando Cubango com destruição de camiões de abastecimento... ora se isto era "colaborar" era uma colaboração violenta... mas, se há alguma coisa de consistente a acreditar no diz o pide, é que a colaboração é um mito da propaganda disseminada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola.

Tanto que o ex-pide, uma vez pide, pide para sempre, vive à sombra do actual regime de Luanda e dá a aqui citada entrevista ao Jornal de Angola, precisamente o órgão oficial do partido no poder. Omitido três factos fulcrais: 1. que a “libertação” de Agostinho Neto e a subsequente “fuga” de Lisboa nos anos 60 acontece por intercedência dos Estados Unidos que pretendiam garantir alguém à frente da luta pela libertação que lhes garantisse a impunidade das suas companhias petrolíferas então já a explorar as riquezas do território 2. o massacre de dezenas de milhar de pessoas falsamente acusadas de dissidência no golpe-de-Estado de 27 de Maio de 1977, o genocídio fundador do regime, tolerado e nunca investigado pela “comunidade internacional” (tal como prontamente se exigiu na Jugoslávia, Ruanda, etc) e 3. Que o corrupto MPLA substituiu os parcos indicios de socialismo da era da guerra civil pela corrupção generalizada que mantém a maioria da população na mais negra das misérias e ignorância, apesar de ser um país riquíssimo em recursos naturais.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

História da Ucrânia

Como nos vão dizendo, "o povo" da Ucrânia têm-se levantado contra o seu Governo, menos se diz que numa briga fútil sobre alianças comerciais. Enquanto este Governo eleito decidiu alinhar-se com a Rússia para fins comerciais, uma minoria de pessoas conservadoras e de extrema direita rejeitam essa opção e dispuseram-se a combater para que o alinhamento seja feito com a União Europeia. A futilidade surge porque não há a menor chance de que a União Europeia jamais venha a admitir a Ucrânia como membro pleno do grupo - a Europa só quer utilizar a Ucrânia como depósito de matérias-primas, como um mercado de 44 milhões de consumidores e, mais importante, como um apoio ideológico para justificar o renascimento do Fascismo na Europa. Entretanto a Rússia apressou-se a providenciar à Ucrânia um plano de ajuda económico-financeira no valor de 15 mil milhões de dólares. Enquanto algumas pessoas possam ser induzidas a temer uma aliança com a Rússia devido aos traumas da História, actualmente esta é sem dúvida a melhor opção económica.


A história do Estado da Ucrânia começa com uma catástrofe. Um crime. Em 1990, todos os edifícios públicos na sua arquitectura clássica, e os mais modernos que albergam os sectores de serviços associados à produção, estão encerrados, desoladamente silenciosos, os átrios esventrados, as persianas destruídas, pelos rombos nas fachadas vêm-se as paredes interiores esburacadas. As cidades parece que haviam sido bombardeadas. Quando as administrações públicas entraram em falência e incumprimento, deixaram de pagar salários, muitos milhares de pessoas, muitas com elevada qualificação académica e profissional, foram obrigadas a fugir para o estrangeiro em busca de meios de sobrevivência.

Há cerca de duzentos anos a região onde se situa a Ucrânia de hoje indefenia-se em redor da “Grande Polónia”, onde se interpenetravam diversas culturas, a Russia multiétnica das estepes a Leste, os ducados e principados Eslavos a Norte, o militarismo da Prússia e da Austria aliados ao fausto húngaro a Ocidente, o Sudeste relativamente despovoado, porém milenarmente influenciado pelos primeiros entrepostos comerciais fundados por colonos da Grécia, a raiz da cultura europeia, a qual no principio alimentou Atenas com o trigo das férteis terras da Crimeia e das pescas no Mar Negro. Tudo isto estava bem presente na memória dos povos locais quando alguns deles em 1791 tentaram unificar-se proclamando a “Constituição Republicana da Polónia”, a qual rezava pela primeira vez na Europa: "Rex regnat et non gubernat" - "o Rei reina mas não Governa" - quem governa é a vontade do povo expressa no Parlamento. A guerreia ao conceito de “união por uma pátria” que se seguiu culminou em 1795 na partilha da Polónia entre as grandes Potências cujo Poder Real concedido por Deus, era dono de um destino para o qual o Povo não era nem ouvido nem achado. Seguiu-se a repressão sobre os dissidentes, o caminho da diáspora …

A Ucrânia é um país relativamente novo, cuja criação tem ligações umbilicais à Europa, mas ainda mais com a formação da Rússia. A sua capital, Kiev, situada rio acima a mais de 600 km da foz do Dniepre data de antes da invasão Mongol no século XIII que destruiu por completo a cidade, situada no coração das estepes circundantes do Mar Negro e do Cáucaso tendo sido desde sempre alvo da tradicional disputa entre turcomanos a Sul, eslavos a Norte e das tribos nómadas de Oriente - o Reino de Kyiv pereceu com a modernidade. Tornadas as ligações fluviais obsoletas para o desenvolvimento do comércio, a Ucrânia moderna fica contudo a dever-se a uma “invasão” procedente do Ocidente, devido à construção do porto marítimo de Odessa numa localização estratégica na margem do Mar Negro, cidade cuja fundação teve lugar um ano antes de mais uma partilha da Polónia.

Foram estrangeiros europeus que fundaram Odessa, com o consentimento tácito do Império Russo segundo a política de expansão inaugurada por Catarina a Grande, a czarina que dá hoje o nome à avenida marginal da cidade. A maioria dos planificadores urbanísticos foram emigrantes da aristocracia francesa, fugidos das agruras da Revolução. Entre eles Armand-Emmanuel de Vignerot du Plessis, o duque de Richelieu, convertido no tutor, mecenas, enfim, o pai e benfeitor das crianças de Odessa; o conde de Maison, que havia sido o presidente do Parlamento de Rouen; Alexandre Langueron, o 2º governador, que dá hoje o nome à praia contigua ao porto, Langueron Point. Os arquitectos que projectam os edifícios são italianos, vindos na esteira dos grandes homens de negócios que emprestaram a língua italiana aos registos oficiais do comércio transnacional. A construção de navios coube por tradição aos gregos. Os fornecedores de trigo (triticum, a gramínea para fabrico de pão), que nos primeiros 100 anos foram a principal razão para a existência de Odessa, foram os latifundiários da ex-Grande Polónia, cujos carregamentos para exportação pelo porto de Odessa provinham principalmente dos campos da Podólia e da Galicia. Entre 1804 e 1813 as exportações triplicaram, o que coincidiu com a fome provocada na Europa ocidental pela desagregação das hostes de Napoleão após a sua fuga para Elba, situação que gerou uma torrente de lucros, dinheiro fácil para a especulação sobre a escassez de cereais.

Novo polo económico, cerca de 2.000 colonos chegaram a Odessa no primeiro ano (1795); o boom resultante da integração do que haveria de ser a moderna Ucrânia no nascente sistema capitalista, em 1812 já tinha atraído um total 35.000 novos colonos. Nesse ano sobreveio o primeiro grande grande desastre. Uma epidema de peste obrigou a fechar todos os edifícios, incluindo o Teatro de Ópera italiana, obrigando a população a permanecer dentro de guetos selados pelas autoridades, patrulhados por presidiários de correntes atadas ao pés com a missão de retirar os mortos e desinfectar as casas.

Richelieu era um homem do Iluminismo na visão sacra, enérgico, austero, de pensamento universal, solitário como todos os padres não infectados pela malandrice pecaminosa. Depositário de tais predicados, Richelieu não depara com qualquer obstáculo à sua nomeação para o cargo de governador da cidade, e depois para governador da provincia da Nova Rússia. A sua missão política seria criar ali uma “nova América”, que pudesse competir com a corrente de camponeses emigrantes de todos os países, libertos do antigo regime de servidão, ensinando-lhes métodos modernos de agricultura e de exercício da liberdade. No total, mais de um milhão de seres humanos foram atraídos para construir as suas casas sob a protecção deste ideal. Germânicos, gregos, moldavos, judeus (shtetls) eslavos da Polónia, técnicos agrícolas suíços. Richelieu assentou sobretudo a sua força política no contingente oriundo dos povos caucasianos de dialecto nogai e tártaros da Crimeia aliciando-os a abandonar o nomadismo por troca com a concessão de terras de cultivo. Decorria o ano de 1814, quando Richelieu, o verdadeiro fundador de Odessa, por entre os lamentos de multidões pesarosas, se meteu no coche e rumou de volta a França, onde seria empossado 1º Ministro em Setembro de 1815, escassos três meses após a derrota de Napoleão em Waterloo.

O primeiro governador russo foi Ivan Inzov, que exerceu o cargo até 1823, sendo substituído pelo conde Mikhail Voronstov. Com este aristocrata russo, educado em Inglaterra, a cidade, a província da Nova Rússia (e ele) enriqueceram. Construiram-se palácios para habitação privada, grandiosos edifícios públicos, foram plantadas vinhas para a produção de champanhe da Crimeia, a enorme villa de Richelieu foi convertida num palácio ao estilo Tudor-Mourisco com 150 quartos. Próspera, distante da capital do Império, Odessa transformou-se em local de exílio para dissidentes, como o poeta Alexander Pushkin, grupos de polacos libertários, comunistas, organizações de oposição do Báltico, homens de cultura, mais tarde na origem da Conspiração Dezembrista de 1825.

A derrota do Império Otomano em 1829 reconhecida pelo Tratado de Adrianópolis concedeu passagem livre às esquadras da Rússia através dos estreitos do Bósforo. Com a intensificação do comércio russo Odessa viveu um novo boom económico. Na Europa a abolição da “Lei dos Cereais” em Inglaterra no ano de 1846 significou a vitória da burguesia industrial sobre a aristocracia agrária, originando um declínio na produção de cereais. A primazia dada a partir de então à produção e exportação de mercadorias industriais obrigou os produtores agrários da Europa à competição com o trigo produzido e transportado da América a alto preço, o que se tornou num problema sério, criando uma crise europeia, que só se resolveria pela Guerra da Crimeia. Esta viria a ocorrer entre 1853 e 1856 (no sul da actual Ucrânia). Envolveu, de um lado o Império Russo e, de outro, uma coligação integrada pelo Reino Unido, a França, o Reino da Sardenha - formando a Aliança Anglo-Franco-Sarda – aliada ao Império Otomano (actual Turquia). Esta coligação, que contou ainda com o apoio do Império Austríaco, foi formada como reacção às pretensões expansionistas russas. Em 1854 uma esquadra anglo-francesa bombardeou Odessa causando prejuízos consideráveis. O estatuto dos portos-livres tinha expandido o comércio, mas pelo bloqueio do seu porto pelas potências ocidentais e pela aplicação de taxas aduaneiras às exportações de cerais para uma Europa em crise, pela falta de diversificação do mercado doméstico, Odessa ficou exclusivamente dependente da economia da Rússia a partir de 1859, ou seja, a data em que a província da Nova Rússia se transformou de facto na Ucrânia, povoada por uma salada de raças de dez nacionalidades.

Em 1897 cerca de 32% da população falava o yiddish (uma corruptela do alemão antigo), constituindo os judeus de Odessa o maior aglomerado de população judaica no mundo do seu tempo. Apesar disso, longe dos habitantes de língua russa, usada por mais de 50% dos habitantes. A terceira língua no país era o dialecto ucraniano, uma corruptela originária dos colonos primitivos, falada por uns meros 5,6% da população mas que trazia à cidade alguns resquícios da cultura mediterrânica, conferindo-lhe uma especificidade que sobreviveu até à vitória da Revolução Bolchevique.

Projectada e construida em 1841 por um italiano, um russo e um inglês, a monumental Escadaria Primorsky, cujo nome significa “na direcção do mar”, dá ao viajante que chega por via marítima uma falsa perspectiva, como se subissem para o Céu… O local foi cenário, no ano de 1905, de um dramático episódio, na sequência das lutas operárias, greves e grandes manifestações contra o regime Czarista, quando a tripulação do couraçado Potemkin saneou os comandantes, tomou posse do navio e entrou no porto da cidade em apoio dos revoltosos. A sanguinária repressão pelas “forças da ordem” que se seguiu seria o mote para as poderosas imagens filmadas por Sergei Eisenstein em 1925, o prodigioso vôo da câmara cinematográfica sobre os 220 degraus que deram definitivamente a conhecer ao mundo a cidade de Odessa. Lá no alto da escadaria, grandiosa vista cá de baixo (da terra), mas minúscula quando se chega lá acima (ao céu), permanece a estátua do Cardeal Richelieu, o primeiro monumento erigido na cidade.

a libertação da Rússia foi a liberdade da Ucrânia

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Guerra ao Imperialismo 1914-1949-2014

"a revolução que está a ser levada a cabo pelas Corporações irá colapsar se nós nos recusarmos a comprar o que eles nos têm para vender... as suas ideias, a sua versão sobre a História, as suas guerras, as suas armas, a sua noção de inevitabilidade. Lembremo-nos disto: nós somos muitos e eles são apenas uns poucos. Eles precisam mais de nós do que nós precisamos deles. Um outro mundo é não só possivel, ele vem a caminho, num dia tranquilo, posso ouvir o seu respirar" (Arundhati Roy)

"Guerra contra a guerra! Somente na cooperação das massas trabalhadoras de todos os países, tanto em tempos de guerra como em tempos de paz, a Humanidade será salva da mentira. Em lado nenhum as massas populares desejaram a guerra. Em lado nenhum a desejam. Por que a haveriam de desejar? uma vez que possuem uma aversão para a guerra nos seus corações?  perpretar assassinatos entre si para se atingir fins que não são os nossos seria um sinal de fraqueza, para qualquer povo que sugere a paz, bem, deixe todas as pessoas sugerem que juntos a nação que fala . primeiro não vai mostrar fraqueza, mas de força. ele vai ganhar a glória e gratidão da posteridade . é dever de todos os socialistas , no momento presente ser um profeta da fraternidade internacional , compreendendo que cada palavra que falamos a favor do socialismo e da paz, cada acção que o socialista executa para inflamar estes ideiais nas sua palavras e acções semelhantes noutros países, até que as chamas do desejo de paz deve incendiar alto sobre toda a Europa .... e se unem numa guerra contra a guerra ! "

Discurso anti-militarista 
"o Futuro Pertence ao Povo", The Future Belongs to the People - em 1914, de Karl Liebknecht lider comunista alemão fundador da Liga Spartakus, rejeitando a maioria dos "socialistas" alemães que abandonaram o internacionalismo proletário para, em nome do patrioteirismo, apoiar os interesses do governo da burguesia alemã na eclosão da 1 ª Guerra Mundial. Liebknecht, cujo movimento marxista chegou a proclamar a República Socialista da Alemanha, seria assassinado por elementos da extrema direita proto nazi a 14 de Janeiro de 1919

China 1919. No final da Primeira Guerra Mundial, a China estava convencida de que seria capaz de recuperar os territórios ocupados pelos alemães, na atual província de Shandong. Afinal, tinha lutado junto com os Aliados. No entanto, tal não veio a acontecer. O governo de dia aos interesses dos Senhores da Guerra tinham secretamente feito um acordo com os Japoneses, oferecendo-lhes as colónias alemãs, em troca de apoio financeiro. Os Aliados da Triple Entente, por outro lado, reconheceram as reivindicações territoriais do Japão na China. Quando se tornou conhecido em Pequim, em Abril de 1919, que as negociações sobre o Tratado de Versalhes não honravam as reivindicações da China, a provocação deu origem a um movimento que viria a ser considerado ainda mais revolucionário do que o que acabou com a Dinastia dos Imperadores. A revolta proletária conduziria à formação do Partido Comunista da China em 1921, que conduziu o povo à fundação da República Popular da China em 1949. (in História da China, Wikipedia)

domingo, janeiro 12, 2014

"Ele é mais que Mandela, é como se fosse Jesus, é o Rei do Universo" (titulo de artigo no DN, 7 de Janeiro). Estamos a falar de quem?



O antigo jogador manifestou um desejo (cruzes canhoto) para o dia do seu funeral. Em entrevista à STV, disse que queria apenas que a urna estivesse coberta com três bandeiras, a da minha terra Moçambique, a do Benfica e a de Portugal. Herói nacional, porém o desejo da bandeira da sua terra natal foi na realidade esquecido e, à medida que o delirio futeboleiro cresce, vem sendo apagado dos media. Pudera, se o desejo de Eusébio fosse cumprido, sobre a sua urna ia repousar uma bandeira com uma kalashnikov em riste, pela terra, o simbolo da luta contra o fascismo e o colonialismo.

"A nossa guerra é uma guerra de libertação nacional contra o colonialismo Português, contra o imperialismo e contra a exploração do homem pelo homem. Os colonialistas querem que a nossa guerra deixe de ser uma luta contra os exploradores e se transforme numa guerra contra o povo português, que deixe de ser contra o imperialismo e se torne numa guerra entre os negros de Moçambique e a população branca em Moçambique, uma guerra racista. Para atingir este objectivo, Portugal está a remover sistematicamente os povos africanos das suas terras férteis e a entregá-las aos europeus. Quando o governo português expulsa os moçambicanos das suas terras, a fim de colocar lá os seus colonos, o seu objectivo principal é forçar o surgimento de contradições entre os povos moçambicanos e português. Ao fazê-lo, o colonialismo vem dizer aos fazendeiros brancos que eles devem defender a sua terra contra os africanos, e ao mesmo tempo, cria na população africana um sentimento de ódio por aqueles que ocuparam as suas terras. Transformar a natureza da nossa guerra e colaborando na confusão sobre a identidade do inimigo, seria criar confusão sobre quem deve ser o alvo de nossas balas"

Samora Machel 1971, (nove anos depois de Eusébio se ter sagrado campeão europeu pelo Benfica) durante a guerra pela independência de Moçambique. O documentário "Camarada Presidente" lança um olhar sobre Machel, como ele conduziu o seu país à independência e deixou um respeitado legado de liderança. Não em Portugal, mas por todo o mundo anti-imperialista.



Para aprofundar o tema:
"Quem Matou Samora Machel?" de Álvaro B. Marques, Edit Ulmeiro, 1987
a resposta é clara: os mesmos que agora endeusam Eusébio.

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Mikhail Timofeevich Kalashnikov (1919-2013)

Simbolo impar das lutas de libertação dos povos pela sua soberania e independência ... em 1982 Kalashnikov ganhou a Ordem de Amizade entre os Povos e em 1990 o secretário-geral das Nações Unidas apareceu em público com uma AK-47 transformada em guitarra, assim como quem dá o recado: quem não tem unhas para pegar numa arma e lutar pelos seus direitos… toca guitarra…

... a AK-47 "Arma Automática de Kalashnikov modelo de 1947", é uma espingarda de assalto de calibre 7,62 criada em 1947 por Mikhail Kalashnikov e produzida na União Soviética pela Fábrica Industrial Estatal IZH. Em 2007, Kalashnikov confessou, no 60º aniversário do registo oficial da patente na URSS, que os Nazis, ao invadirem a Rússia na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foram os verdadeiros responsáveis pela invenção, porque até aí a sua autêntica vocação era desenhar maquinaria agrícola. "Eu teria preferido ter inventado uma máquina que as pessoas pudessem usar e ajudar os agricultores no seu trabalho - por exemplo, uma debulhadora para cereais".

A invenção do AK-47 não foi um momento eureka, mas um processo de tentativa-e-erro de modificações e melhorias realizadas por uma equipe de projectistas durante seis anos ... A principal precursora foi a espingarda alemã StG 44, a primeira arma automática verdadeiramente eficaz da Segunda Guerra Mundial; provavelmente na origem da espingarda G-3 usada pelas nossas tropas coloniais à revelia das disposições da Nato. Inquirido sobre se sentia ciúmes, Kalashnikov desabafou: “eu poderia ter tido milhares de milhões, mas não o quis, tudo que eu sempre tive como objectivo foi tornar o meu país seguro (…) criei a arma, uma coisa que fosse simples e confiável, para ser usada na defesa das fronteiras da minha pátria”.

Responsável, em conjunto com a temível “katyuska” (vulgo “culhões de Estaline") pela neutralização de 80% das tropas Nazis, após a guerra e a partilha de zonas de influência entyre superpotências, a AK-47 começou a ser produzida para exportação, com preços políticos manipulados consoante o uso a que destinava. Para os movimentos de libertação e para os jovens Estados africanos a espingarda era cedida a 15 dólares por unidade. Para conflitos regionais entre grupos de interesses cada uma atingia o valor de cerca de 1000 dólares. Como ponto de partida para a negociação de venda, os preços oficiais situavam-se algures a meio. Estima-se que a quantidade produzida seja aproximadamente de 100 milhões. Conta-se que uma AK-47 revestida a ouro teria sido encontrada pelas tropas invasoras do Iraque, como parte da colecção do ex-presidente pelo partido pró-socialista Baas Saddam Hussein.
Mikhail Kalashnikov tem uma secção exclusivamente dedicada ao seu trabalho no Museu de Artilharia do Exército em São Petersburgo (anunciada à entrada no cartaz à esquerda)
Homenageado por Vladimir Putin em 2006
A determinado passo Kalashnikov sentiu tristeza pela distribuição descontrolada da sua arma - tinha orgulho da sua invenção e da sua reputação de confiabilidade, enfatizando que a sua espingarda semi-automática é uma "arma de defesa" e "não uma arma para ser usada em ofensivas". "eu durmo bem com a questão”, afirmou - “são os políticos que são os culpados por não chegarem a acordos que evitem o recurso à violência. A arma converteu-se num ícone global. Os pais em diversos países africanos deram aos seus filhos o nome de “Kalash”, um carinhoso diminuitivo da arma que os tinha ajudado a sobreviver. Podemos ver a silhueta da AK-47 no escudo do Zimbabwe e no de Timor-Oriental a partir de 2007, assim como na bandeira do movimento islâmico xiita Hezbolah. É a única arma que figura na bandeira e escudo nacional de um país independente, Moçambique, já que foi graças à ajuda desta que o país logrou atingir a sua independência. – a AK-47 sobre uma estrela dourada (a solidariedade entre os povos) simboliza a luta armada que libertou o país, colocada por cima de um livro, - representando a educação do povo, por sua vez enquadrado num circulo branco (a paz) e por uma enxada (o esforço do trabalho na agricultura).

Duas décadas após a dissolução da URSS, em 2009 a empresa fabricante russa IZH pediu a insolvência, devido à crise mundial, ao abandono do internacionalismo proletário, e à proliferação e tráfico de armas falsificadas, que lhe causaram dificuldades financeiras. A obra colectiva faliu, mas a figura lendária de Kalashnikov permanecerá para sempre gravada na memória de milhões de seres livres.

domingo, setembro 15, 2013

2º Livro da Trilogia de Shlomo Sand: "A Invenção da Terra de Israel”

Num velho recorte de jornal de 1917 o judeu britanico Isaac Don Levine expressa o seu desejo da criação de uma nova nação chamada Palestine, a nova Judeia, a partir da contribuição militar da Grã-Bretanha para a implosão do Império Otomano (o artigo completo pode ser lido aqui)

Neste segundo volume da sua trilogia sobre estudos judaicos, Shlomo Sand explora como a “Terra de Israelfoi inventada e desmascara a mitologia nacionalista-sionista popular. Em 2009, Shlomo Sand publicou A Invenção do Povo Judeu (nunca traduzido para português), no qual afirmou que os judeus têm pouco em comum uns com os outros. Não existe uma linhagem ética comum em virtude do elevado índice de conversão na antiguidade. Também não têm uma linguagem comum, pois o hebraico era unicamente utilizado para efeitos litúrgicos e não era nem falado no tempo de Jesus. O ídiche era somente utilizado pelos judeus asquenazes. O que resta para os unir? Religião? Mas religião não cria um povo – vejamos o caso dos muçulmanos e dos católicos. Além de que muitos dos judeus não são religiosos. Sionismo? Não passa de uma opção política: alguém pode ser escocês e não ser partidário do nacionalismo escocês. Além de que muitos judeus, incluindo sionistas, não têm a mínima intenção de “retornar” à Terra Santa preferindo permanecer em Londres, Brooklyn ou onde seja. Por outras palavras, a designação de “Povo Judeu” é uma construção política, uma invenção. Agora, Sand diz-nos neste segundo volume, daquilo que será uma trilogia, que mesmo a ideia de “Terra de Israel” foi inventada. O terceiro volume da trilogia será “A Invenção dos Judeus Seculares”.

A “Terra de Israel” quase não é mencionada no Antigo Testamento; a expressão mais frequente é Terra de Canaã. Quando é mencionada, não inclui Jerusalém, Hebron ou Belém. “Israel” bíblica é somente Israel Norte (Samaria) e jamais existiu um reino único e unido que incluísse a antiga Judeia e Samaria.

Mesmo que tal reino alguma vez tenha existido, não é um argumento válido para reivindicar um estado após mais de 2000 anos. É uma ironia da História que tantos sionistas, muitos deles seculares e socialistas usem argumentos religiosos para sustentar as suas teses. Além disso, o relato bíblico deixa bem claro que os judeus, liderados por Moisés e depois por Josué, foram colonizadores e ordenados por Deus para exterminar “tudo o que respire”. “Destrói-os completamente – Hititas, Amoritas, Cananeus, os supostos Ferizeus, Hivitas e Jebuseus - como o Senhor vos ordenou”. Imagem se os Amoritas voltassem para reclamar a sua antiga terra. Se o fizessem, isto é o que Deuteronômio 20 tem a dizer: “Passem pela espada todos os homens … Quanto às mulheres, crianças, gado e tudo o mais… podem tomá-los para vós como pilhagem”. Hoje em dia, uma injunção deste tipo iria levá-lo directamente para o Tribunal Penal Internacional.

A incerteza quanto ao que constitui exactamente a “Terra de Israel” perdura até hoje. Existe um estado de Israel reconhecido internacionalmente com fronteiras claramente definida (A Linha Verde de 1967 resultou da expansão que se seguiu à guerra de 1948) e existe a “Terra de Israel” cujas fronteiras dependem de quem está a falar; para alguns isso inclui toda a Cisjordânia, para outros toda a Jordânia. Para muitos, inclui parte da Turquia, Síria e Iraque, pois Deus prometeu a Abraão e aos seus descendentes “esta terra, desde o rio do Egipto até ao Eufrates”.

No judaísmo tradicional não existe qualquer determinação de “regresso” à “Terra de Israel”. O ritual “próximo ano em Jerusalém”, que faz parte da oração do Sêder de Pessach, nunca foi uma chamada para reivindicar ou reconstituir um Estado.

No século XIX, aqueles que defendiam o “regresso” dos judeus à Terra Santa eram mais cristãos sionistas que judeus. Lord Shaftesbury, um Tory compassivo que contribuiu para a melhoria das condições de loucos em asilos e crianças nas fábricas (The Ten Hours Act, 1833), lutou incessantemente para promover uma presença judaica na Palestina. Shlomo Sand descreve-o como um Theodor Herzl antes de Herzl, e com razão pois parece que foi Shaftesbury quem criou a famosa frase “Uma terra sem povo para um povo sem terra”. Claro que ele tinha a esperança que os judeus se convertessem ao cristianismo. Lord Palmerston, do lado liberal, também se entusiasmou com a ideia, não por se importar com os judeus (ou cristãos), mas porque pensava que se os judeus britânicos colonizassem uma parte do Império Otomano, isso aumentaria a influência britânica.

o sonho Sionista do Grande Israel em 1948 incluia a Síria
Nessa altura, poucos judeus eram sionistas. Quando perseguidos, como aconteceu no Império Russo, preferiam fugir para as novas terras de emigração, como a Argentina ou os Estados Unidos, do que para a Terra Prometida. O que terá feito possível o “Estado de Israel” não foi a promessa de Deus, mas sim o Holocausto e a relutância ocidental de providenciar refúgio aos sobreviventes.

Grande parte do que Shlomo Sand revela é conhecido pelos especialistas. O seu feito consiste em desmascarar a mitologia nacionalista que reina em grande parte da opinião popular. Também normaliza os judeus, uma vez que desafia a crença no excepcionalismo. O Holocausto foi um evento único, mas a ladainha nacionalista é basicamente semelhante em todas as nações – quase um género literário em si – pois está dividida entre um sentido lacrimoso de vitimização e auto-piedade e um conto ufanista de feitos heróicos.

Autor: Donald Sassoon, um judeu Anti-Sionista, é professor de História Comparada da Europa na Faculdade Queen Mary da Universidade de Londres.
Fonte original: http://www.guardian.co.uk/books/2013/apr/18/invention-land-israel-shlomo-sand 
Traduzido por Sionismo.Net

sábado, julho 27, 2013

Nelson Mandela

Muita água correu sob as pontes ideológicas desde que Mandela nos idos de 90 se assumia abertamente como Comunista e depois foi obrigado a reciclar-se ao sabor de um sistema que está de pés prá cova 

A 18 de Julho de 2008, nos 90 anos de Nelson Mandela, a efeméride era comemorada na Assembleia da República portuguesa. Das actas desse dia respiga-se esta curiosidade (onde a “esquerda” conluiada com a direita omite cuidadosamente o papel fulcral da Cuba de Fidel Castro na aniquilação do Apartheid sul africano): "(...) aquilo que os senhores não querem que se diga, lendo os vossos votos, é que Mandela esteve até hoje na lista de terroristas dos Estados Unidos da América. (1) Mas isto é verdade! É público e notório - toda a gente o sabe! Os senhores não querem que se diga que Nelson Mandela conduziu uma luta armada contra o apartheid, mas isto é um facto histórico. Embora os senhores não o digam, é a verdade, e os senhores não podem omitir a realidade. Os senhores não querem que se diga que, quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos a favor, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, e os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o Governo de Portugal nessa época… precisamente liderado por… Cavaco Silva. O cinismo desta sinistra personagem é inenarrável: três anos depois o pigmeu Cavaco elogiava Mandela como sendo "um gigante do nosso tempo",

Isto é a realidade! Está documentado!

Não querem que se diga que, em 1986, o governo português tentou sabotar, na União Europeia, as sanções contra o regime do apartheid. Não querem que se diga que a imprensa de direita portuguesa titulava, em 1985, que: «Eanes recebeu em Belém um terrorista sul-africano». Este «terrorista» era Oliver Tambo! São, portanto, estes embaraços que os senhores não querem que fiquem escritos num voto. Não querem que se diga que a derrota do apartheid não se deveu a um gesto de boa vontade dos racistas sul-africanos mas à heróica luta do povo sul-africano, de Mandela e à solidariedade das forças progressistas mundiais contra aqueles que defenderam até ao fim o regime do apartheid.(...)"

segunda-feira, abril 02, 2012

o BPN, o Banco Fidúciário Internacional, os homens do Dos Santos e, outra vez Cabo Verde

Anda meio mundo português com gorgulhos na consciência, intrigado com o preço da saldo por que foi vendido o banco de negócios cavaquista. Uma pequena noticia publicada a páginas 27 do pasquim CM na última sexta-feira (ampliar e ler no recorte abaixo) alerta a malta que não foi ao folclore de diversão da Junta de Freguesia contra o Relvas: “será que o caso BPN ainda vai no adro?” e lá vem de novo o Relvas. O Relvas está em todas, não é um ministro; o Relvas é um polvo cujo ministério funciona como pote (1).


António José Seguro, o ex-jotinha enfiado dentro de um fato de bom corte, actual líder que preside ao P”S”, pretende apenas investigar o caso BPN a partir da decisão da sua venda aos angolanos, a milhões de anos-luz de palavreado sobre a nacionalização dos prejuízos de um banco que tinha uma irrisória quota de mercado de 2,2%. Mas era um banco da malta do Cavaco.

Diz o Relvas e Companhia que a "trágica" situação do BPN foi obra do governo Sócrates. Só da gestão após o golpe. Dizem os jornais que o líder da distrital de Lisboa do PS Marcos Perestrello, ex Secretário de Estado da Defesa e actual deputado do PS, vai passar a ser administrador da empresa Finertec, uma holding financeira por onde passou Miguel Relvas como administrador executivo. E a Comissão Parlamentar de Ética na AR presidida pelo PSD deu parecer favorável a esta fusão clandestina de interesses (2).

Quem são os da Finertec?

A Finertec é uma empresa com estreitas relações com o poder político de Angola, de cujo Conselho de Administração fizeram parte nomes de relevo do PSD. Para além do Relvas, pelo conselho de administração da empresa passou o social- democrata António Nogueira Leite, agora vice- presidente da Caixa Geral de Depósitos. A Finertec tem ligações à Fomentinvest do mega-lobyista Ângelo Correia. Esta empresa comprou 20% do capital à outra para se colocar na corrida às privatizações dos próximos anos. Angelo Correia comprou igualmente 25% da Nutroton, uma sociedade controlada pelo empresário Joaquim Coimbra e que, até há pouco tempo, era liderada pelo ex-presidente do PSD, Luís Marques Mendes. Coimbra é desde sempre um dos militantes grandes contribuintes de "dinheiro verdadeiro" para o PSD (3) e foi ele junto com dois empresários angolanos quem salvou da falência o semanário “Sol” prestes a ser “adesivado” pelo PS de Sócrates. Do barão-sanguessuga Angelo Correia, um tipo com um impressionante curriculo na esfola de negócios (4), ficamos então a saber ser o seu núcleo duro empresarial capaz de mobilizar o líder politico da distrital de Lisboa do partido dito socialista. É obra. E a oposição uma treta. Enfim, expectável, o PSD, tal como o outro, não é propriamente um partido politico, mas sim uma célula morta de activistas económicos que desperta de cada vez que ganham uma eleição.

Valeu a pena dezenas de milhares de portugueses terem lutado pela “pátria” em Angola

A Finertec (5) constitui-se com base no empreendorismo de José Braz da Silva. Este empresário está em Angola há 20 anos, é amigo do actual governador do Banco de Angola e terá sido um alto dirigente da Fundação Eduardo dos Santos. No país africano tem empresas como a Comfabril, o maior importador de tractores e autocarros do país. Tem ainda negócios na construção e na energia. Diz quem o conhece, em Luanda, que nos anos 90 esteve implicado num caso de falsificação de dólares (6) mas que, obviamente, saldou os seus “atritos” com a justiça. Este empresário comprou a Construtora do Tâmega no estado de falência (7) e reactivou-a para, a partir de Portugal, complementar projectos na área da energia em Angola e no Brasil (8)

O novo presidente da Construtora do Tâmega, António Maurício é um dos empresários angolanos mais influentes, estando estritamente ligado ao presidente e à família de José Eduardo dos Santos (9). É vice-presidente da Fundação José Eduardo dos Santos (FESA), uma instituição apontada por muitos como o veículo do MPLA (o partido no poder em Luanda), para o sector empresarial. António Maurício é também o presidente da ‘holding' Suninvest, uma das mais poderosas do aparelho estatal angolano. José Braz da Silva é também o empresário que gere um banco 'offshore' – o Banco Fiduciário Internacional (BFI), registado na Cidade da Praia. O BFI está na lista de entidades credenciadas pelo banco central de Cabo Verde na qual surge o problemático Banco Insular (10) o veículo que terá permitido ao Banco Português de Negócios "ocultar prejuízos e lucros, financiar empresas do grupo e esconder operações", como revelou há dias um ex-dirigente do BPN"

A 27 de Março de 2012 o Jornal de Negócios relata o que um dos investigadores do BPN disse em tribunal:

"O Ministério Público arrolou um conjunto de testemunhas que, além dos inspectores tributários, incluiu vários elementos da PJ e do Banco de Portugal, sendo que estes últimos foram também já ouvidos. O testemunho de Paulo Jorge Silva, já este mês, passou em revista, entre outras questões, a relação com o Banco Insular, também propriedade da Sociedade Lusa de Negócios. Um dos objectivos, explicou o inspector citado pela Agência Lusa, era “servir os empresários angolanos que queriam meter dinheiro fora de Angola”, estando também relacionado com outros dois bancos criados em Cabo Verde, o Banco Sul Atlântico e o Banco Fiduciário Internacional". Se dúvidas havia acerca da natureza do PSD ficaram esclarecidas : é um bando de mafiosos com ligações ao crime organizado á escala internacional. Uma teia para rodar dinheiros, conseguir contratos e fugir a responsabilidades e impostos.

Miguel Relvas e Nogueira Leite serão em breve, espera-se, chamados a depor na comissão parlamentar de inquérito sobre o BPN. Espera-se que não se limitem a debitar a promoção altruística para naives que consta na página virtual do grupo: “a Finertec é uma empresa que se dedica à exploração de recursos naturais do nosso planeta salvaguardando o futuro da Energia para as gerações vindouras”

notas: 
(1) “Miguel Relvas não é só o poderoso número dois do Governo de Portugal, segundo esta reportagem, ele tem amigos de peso e muitas portas abertas"  (ler aqui)
(2) O líder da distrital de Lisboa do Partido dito Socialista vai trabalhar para o Ângelo Correia e ainda há quem diga, como o blogue social democrata Arrastão que a solução para a Esquerda nacional passa por uma maior abertura do Bloco de Esquerda e do PCP a coligações com o Partido Socialista? Esquecem-se de dizer é que essa abertura não é só com o PS. É também com a Troika, com o Ângelo Correia, com o Miguel Relvas, com Angola... (opinião daqui)
(3) Joaquim Coimbra afirmou em Abril de 2011 que o "Banco Insular não existia, era virtual" (Semanário Sol
(4) ver Currículo empresarial de Ângelo Correia aqui
(5) A única pista sobre a Finertec e Braz da Silva era a que é dada na notícia do Expresso em 2010: “a Finertec, que tem como administrador Miguel Relvas (o poderoso braço-direito de Passos Coelho no PSD), é considerada uma plataforma de interesses angolanos em Portugal
(6) Braz da Silva foi gestor do clube desportivo da Fundação José Eduardo dos Santos (fonte: dn)
(7) Janeiro de 2011. A Finertec, grupo do empresário José Braz da Silva que controla a Construtora do Tâmega, poderá investir este ano cerca de 15 milhões de euros numa série de projectos energéticos em Portugal, Brasil e Angola (fonte
(8) Braz da Silva sobre a OPA lançada sobre a Construtora do Tâmega: "Eu represento-me a mim. Sou o único accionista da Finertec e de todas as empresas do grupo. É tudo meu(fonte
(9) António Mauricio preside à Construtora do Tâmega (fonte
(10) Depois do off-shore do ex-conselheiro de Estado Dias Loureiro, até Cabo Verde volta a aparecer neste filme, onde as autoridades se depararam com o mesmo problema, tendo instaurado processos de contra-ordenação a administradores do Banco Insular, detido pelo BPN, e agora ao nóvel Banco Fiduciário Internacional
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sexta-feira, março 30, 2012

Cimeira dos Paises Emergentes exige nova moeda global














O Sistema de Bancos Centrais dos Estados Unidos (FED) acaba de alertar o seu Governo para o perigo da expansão monetária ilimitada em curso, tanto na América do Norte, como na Europa, pois, evidentemente, a continuidade desse processo suicida leva à hiperinflação exponencial. (existem precedentes)

Mas, os agentes neoliberais que se acoitam nos nossos Bancos, como se não estivesse a acontecer nada, descartam que o tsunami monetário existe - é uma ficção terceiro-mundista - e que a jogada monetária de Washington vai recuperar a força do dólar, bem como a enxurrada de euros que está a ser despejada na forma de crédito aos mesmos bancos que provocaram a debácle, vai recuperar a moeda europeia.  
Incrível! 
Nega-se não apenas que está em curso uma guerra monetária global, mas, igualmente, uma guerra ideológica global, com a tentativa dos politicos neoliberais submetidos à Banca a inventar argumentos favoráveis à continuidade das políticas imperialistas que continuam a visar, neste preciso momento, dominar o resto do mundo com moeda podre. Os nossos empresários estão-se a atrasar, no compasso da bancarrota financeira global, em compreender que as moedas dos países ricos apodreceram com os titulos financeiros tóxicos,e que, quanto mais os governos, para se salvarem dos incêndios monetários, atiram mais lenha para a fogueira, ou seja, mais moeda para a circulação mais pioram a situação. Qualquer vendedor de banana numa feira, sabe desta jogada...

domingo, março 25, 2012

Kony, mais uma false-flag

Nestas últimas semanas o documentário produzido pela organização Invisible Children, “Kony 2012” foi o maior sucesso da história da Web, com 77 milhões de visitas no YouTube em todo o mundo.

Kony é um chefe de guerrilha que sequestrava crianças, usava-as e treinava-as para as suas guerrilhas, fazendo delas escravas sexuais ou soldados precoces. Kony tem 27 esposas e queria instalar o reino do velho Testamento na terra. É muita treta e desgraça junta; Então qual é o propósito da farsa?

O documentário, mais uma false-flag, procura sensibilizar o Congresso americano, consciencializar senadores e parlamentares para elaborarem um plano de acção, visando uma intervenção urgente em Uganda. Por outras palavras, o documentário sugere que os EUA façam uma intervenção militar quanto antes no Uganda, cujo o objectivo é retirar Joseph Kony de cena até o final de 2012. Mas o real propósito é incentivar os Estados Unidos a enviar tropas para o Uganda para de apossar das suas fontes petrolíferas. Tem acontecido assim com muitas nações petrolíferas, como no caso do Iraque ou da Líbia, a elite do complexo industrial militar norte-americana fabrica mentiras, alegando que Saddam Hussein possuía armas biológicas de destruição em massa, ou al-Gadhafi não era "democrático" e vendeu essas iscas ao mundo, que as compraram prontamente. Conclusão : nenhuma arma de destruição massiva foi encontrada no Iraque, Saddam Hussein foi encurralado, preso e posteriormente assassinado - e os EUA apossaram-se do Iraque, da Líbia, do seu petróleo e esperam vir a fazê-lo em breve no Irão. Com o Uganda não vai ser diferente.

False Flag 
 

Kony, à esquerda na foto acima com um alto representante da ONU, está no Congo há seis anos sem se envolver em acções de guerrilha, sem que nunca estivesse envolvido nas acusações que constam do video. Existem no you-tube dezenas de vídeos com diversas pessoas do Uganda afirmando que Kony não está lá. Pessoas que não são financiadas por ninguém. Como mandar tropas para capturar um sujeito que não está lá? Milhares de crianças e adolescentes anualmente em toda África são sequestradas, vendidas para redes de pedofilia e tráfico humano, muitas delas são brutalmente assassinadas. Porque só agora é alertada a opinião pública mundial para este facto que teria ocorrido no Uganda? Isto acontece há muito tempo, e pelo que consta não houve qualquer tipo de empenhamento global para impedir uma prática que se alastra há décadas.

O patrocinador da campanha mediática é George Soros. Soros está também por trás das manifestações globais “Occupy”, patrocinando muitos desses movimentos nos EUA. Soros como investidor quer usar as tropas americanas para se apropriar economicamente dos poços de petróleo e quebrar a soberania económica nacional do Uganda. Essa manobra é algo a que George Soros chama de "responsabilidade de proteger" Kony 2012 é um engodo do Sistema, para omitir a verdade, aplicando dessa forma a regra: Problema – Reacção – Solução, e deixar que a solução seja solicitada por nós, pelas próprias massas. Dessa forma a intervenção militar no Uganda será acatada pelas pessoas devido à prévia mobilização feita pelos Média
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terça-feira, novembro 22, 2011

breve visita à parte da corrupção idónea

o tipo que anda por aí fardado de "nosso" primeiro ministro foi a Angola tratar dos negócios da tribo que o investiu no cargo. Aquilo que a tropa e os funcionários colonialistas não conseguiram fazer em 14 anos de guerra, vai sendo agora conseguido pelo estrangulamento do crédito financeiro concedido por conta das reservas de petróleo por décadas e pela hipoteca do futuro de um povo martirizado - cuja maioria continua a subsistir na mais degradante miséria, enquanto os seus tecnocratas de ponta compram aos 6 andares de luxo de cada vez no mais caro empreendimento imobiliário português. Mas dos 110 milhões que andam desaparecidos apenas 36 milhões vieram para Portugal, e claro, a investigação está a ser um sucesso para as "autoridades": 10 milhões de euros já foram apreendidos. O nosso herói angolano, de seu nome Álvaro Sobrinho foi nomeado para vogal do Conselho de Administração do Banco Espirito Santo-África pelo presidente do grupo BES Ricardo Salgado. Os outros 100 milhões saíram à casa?

(gráfico à direita). As exportações portuguesas para Angola em 2010 cifraram-se em 1915 milhões de euros. Neste momento a dívida de Angola a fornecedores portugueses cifra-se em 1051 milhões de euros.

Apesar dos investimentos estrangeiros apostarem num crescimento acima da média, as desigualdades sociais em Angola são gritantes, o desemprego atinge 45% da população jovem. Com 191 deputados num total de 220 o MPLA confirma eleição após “eleição” a sua manipulação da iliteracia politica popular benfica-sporting e estabelece-se na vocação de partido único. O seu secretário-soba-geral também presidente-da-república não faz segredo da sua intenção de se manter no cargo pelo menos até 2022. Mas, devido à abundância de convenientes matérias primas como o petróleo para abastecer o mercado global, Angola não é uma ditadura... nem precisa de uma “primavera” porque estes pretos não são árabes – e talvez aqui para os saudosistas valha a pena desenterrar a velha “Controvérsia de Valladolid(de Jorge Luiz Rodriguez Gutierrez) onde se fosse hoje, trataria de “saber se a raça negra tem alma ou se são meros objectos transaccionáveis

Tanta coisa para dizer, e “Cartas de Angola”, recentemente visto no DocLisboa, fala de Angola, mas sem pôr os pés em Angola. A jovem realizadora assume que escreveu o guião original em inglês – vive em New York – e meteu os pés a caminho de Cuba para entrevistar ex-combatentes que partiram em 1975 para ajudar a defender o povo irmão angolano do neocolonialismo racista que vinha a bordo das colunas armadas que invadiram Angola logo após o dia da independência, mas foca personagens sem ultrapassar as simples emoções dos fait-divers de indole romântica. E o produtor do documentário assume a tradicional postura ideológica “Cuba é uma tenebrosa ditadura”, para outra coisa qualquer não há dinheiro. Ponto final. Como espera uns trocos de uma carreira internacional o objecto fílmico é neutro – mas não existem percepções neutrais – todos quantos se afirmam “objectivamente” não pertencentes a nenhum partido, são de direita, conservadores. A realizadora Dulce Fernandes era ainda uma criança, nascida em Angola, quando veio de volta na leva de “retornados” a expensas da manutenção de mordomias na Metrópole para os ricos ou senhas de alimentação e roupas do iarn para os pobres. Lembramo-nos da matilha de cães vadios com pedigree abandonados pelos seus donos quando estes fugiram de Luanda na narrativa de Kapuscinski. Podiam ter levado os cães e ter procurado onde era a frente de batalha partindo para defender a terra que pensavam ser deles. Que se saiba, para os que ficaram, nunca o MPLA tocou na pequena propriedade privada. Ao mesmo tempo que o meio milhão de portugueses fugiam, outro meio milhão de cubanos cruzava o Atlântico na direcção contrária e, mal desembarcavam, a primeira pergunta formulada era qual era a direcção da frente de batalha. Tal sacrificio em nome do internacionalismo proletário valeu a queda do regime do apartheid na ponta sul de África, a negação de um prémio Nobel da Paz nunca atribuido a Fidel Castro e vale uma parceria privilegiada que se mantém entre a petrolifera angolana Sonangol e a empresa estatal de petróleos de Cuba.

Pese os esforços de imaginar um país, Angola não existe, existe apenas a República de Luanda, ruinas de milhares de casa coloniais portuguesas, milhões de minas terrestres espalhadas pelo território com nomes tão sedutores como “jumping jack”, “bouncing betty”, “toe popper” e “spinkler”, todos formidáveis brinquedos do fabrico ético ocidental, que continuam a causar mortos e mutilados e, entre as desgraças do abandono dos campos e a fuga para a grande cidade, o popular concurso na televisão Miss Mina Terrestre

Hoje em dia, desde o fim da guerra e dos esforços de Cavaco Silva/Durão Barroso de cooperação com o recém-comprado MPLA para o imperialismo, muitos portugueses ricos voltam a Angola e recuperam antigos privilegios - e Dulce Maria Cardoso, autora do romance “Retorno” volta a ver, num romance, as coisas pelo prisma original da criança que veio devolvida às origens:

o regime de Angola não é um regime aconselhável. Custa-me – para dizer o mínimo – perceber que Angola se tornou uma oportunidade de dinheiro e que toda a gente esteja contente porque vem para cá dinheiro angolano. Aquele dinheiro é criminoso. Temos de ter consciência disso. Não é uma sorte eles estarem a investir em Portugal, é uma vergonha. Isto tem de ser dito. Só pobres sem qualquer dignidade como nos tornámospodem achar isto bem. O Presidente de Angola está sempre nas listas dos homens mais corruptos do mundo. E nós fazemos negócios com ele e dizemos que é uma sorte? Mas em que raio de povo nos tornámos? Nós não somos isto. Os portugueses não são isto, isto são os governantes, o que é uma outra coisa” (revista Ler, pp 32). Quem os pariu é que tem que os embalar.

Visita de Estado de Hillary Clinton a Luanda em Agosto de 2009
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