Subproduto da sua época (início do século XX) é a opinião do grandessimo poeta da lingua portuguesa sobre os trabalhadores, quando diz que a sociedade deve ser dominada por uma elite de "super-homens", enquanto os operários devem ser "reduzidos a uma condição de escravatura ainda mais intensa e rígida do que aquilo a que chamamos a escravatura capitalista".Pior – e mais decepcionante – é ler a opinião de Pessoa sobre a "raça". Já tinha 28 anos, não era um adolescente imaturo, quando escreveu: "a escravatura é lógica e legítima; um zulu (negro da África do Sul, que falava a língua banto) ou um landim (indígena de Moçambique, que falava português) não representa coisa alguma de útil neste mundo.
Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir aos fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico. O degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude”. Pessoa continua, em texto de 1917: “a escravidão é lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada. O amor covarde que todos temos à liberdade é o verdadeiro sinal do peso de nossa escravidão”. Quase dez anos depois, Pessoa mantinha-se firme nessas convicções racistas: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social”. E ainda: “Quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs”? (Biografia Escrita por José Paulo Cavalcanti Filho, 2012)
Pessoa escrevia estas barbaridades menos de trinta anos após a abolição da escravatura no Brasil e mostra-se um sucessor legítimo de longa tradição portuguesa no apoio à servitude de povos que a elite lusitana considerava inferiores, dos negros africanos aos índios brasileiros. Como escreveu o historiador brasileiro Jorge Caldeira: "Desde a chegada dos primeiros colonos (portugueses), o Brasil foi uma sociedade escravista. Só havia uma maneira de os europeus sobreviverem nas novas terras: possuir um escravo que, caçando e pescando, lhes garantisse o sustento. Quando o foco da atividade econômica passou da extração para o cultivo, ampliou-se ainda mais a necessidade de escravos". As primeiras vítimas foram os índios, então chamados de "negros da terra". Mem de Sá, terceiro govenador-geral do Brasil, determinou em 1562, "que fossem escravizados todos, sem excepção". E assim se fez com 75 mil caetés e, depois, os tupiniquins. Quando o número de indígenas se mostrou insuficiente, os portugueses começaram a importar escravos da África.
De África vieram mais de três milhões de escravos para o Brasil, e a resistência a acabar com a escravatura fez com que ela durasse oficialmente até 1888. Continuou a existir, porém, no plano informal, pois como explica Bueno: "Os libertos foram jogados na miséria, sem terras para cultivar, escolas, hospitais. Alguns ficaram nas fazendas, com salários baixíssimos. Milhares foram para as grandes cidades, em busca de algo melhor; daí a origem das favelas". A lei proibiu a escravidão ao final do século XIX, mas não conseguiu (nem pretendia) suprimir o preconceito, que existe até hoje na sociedade brasileira. Menos em relação aos índios, porque estão longe da vista, não interferem no dia a dia e não ameaçam o conforto das elites, a não ser quando exigem direitos sobre suas terras. Já os negros, de presença ostensiva nas cidades, mesmo que confinados a favelas, geram um racismo que não se expressa mais com a clareza abominável de Fernando Pessoa, no texto citado acima. São tratados como cidadãos inferiores, sob justificativas nunca explicitadas como preconceito racial – o que de facto é – e sim como suposto resultado de pobreza e baixo nível educacional dos negros, mulatos, pardos ou seja lá qual eufemismo escolhido para definir não-brancos. Pelo menos Fernando Pessoa, no seu tempo, evitou esta máscara de hipocrisia. (Texto original)
Uma simples mistificação dos economistas da escola neoliberal norte-americana, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias de Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos. Neste sentido, só o Presente é nosso, não o momento passado nem aquele que aguardamos, porque um está destruido, e do outro, se não lutarmos, não sabemos se existirá.
Mostrar mensagens com a etiqueta Patrões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Patrões. Mostrar todas as mensagens
domingo, fevereiro 01, 2015
domingo, novembro 02, 2014
Condecorar Durão Barroso?
em nome da higiene nacional, segunda-feira dia 3, 11,30, acudam
todos à porta da sucursal Neocon em Belém
todos à porta da sucursal Neocon em Belém
hoje é dia de condecorar fulanos insignificantes por tarefas irrelevantes
o Cavaco que agora pendura o colar ao pescoço do Barroso-da-energia-barata é o mesmo Cavaco que garantiu a impunidade da Fraude na Energia... - Em 2004 o PS ofereceu rendas excessivas (4 Mil Milhões de euros a mais) à EDP. O esquema vinha montado de trás, do Governo de Santana Lopes quando o então ministro das Obras Públicas António Mexia criou os CMEC passando este seguidamente a CEO da EDP sob o governo de Sócrates. O abuso veio à baila durante as auditorias da Troika, que mandou o governo Coelho-Portas renegociar e eliminar essas rendas. O então ministro da Economia lá fez o seu papel... mas perdeu o braço de ferro com a EDP, uma vez que integra um governo que governa em prol das Corporações. A EDP usufruiu sempre de grandes vantagens, gozando para todos os efeitos uma posição de monopólio no sector da geração e distribuição de energia. Um processo de audição parlamentar para averiguar das razões esclarecer que levaram à saída de Henrique Gomes, foi chumbada pela depois novamente maioria PSD-CDS. Mas, um bocado chateado com os confrades, o ex-secretário de Estado da Energia chegou cá fora e botou a boca no trombone. Para memória futura da honorabilidade de Barroso, Cavaco e Compª
...........
quinta-feira, setembro 25, 2014
salário minimo
o "aumento" do salário mínimo nacional corresponde a uma bica por dia numa tasca; se a bica for servida numa esplanada então o aumento teria de ser aquele que a CGTP pretendia, 515 euros mensais;
mesmo assim há economistas que alertam para o perigo do aumento conseguido aumento para a economia nacional. Ainda assim o "acordo de consertação social" foi um simulacro da representatividade dos trabalhadores, porque a CGTP foi expulsa do processo.Quem assinou este miserável acordo? - o secretário-geral da UGT que representa maioritariamente empregados e quadros de escritórios, bancos, empresários por conta própria, etc. Carlos Silva, grande apoiante de Seguro, "na defesa dos interesses dos trabalhadores", convidou para o seminário que comemora os 36 anos da "Central", para além de inúmeros Secretários de Estado e do João Proença, os seguintes homens de Estado: Pedro Mota Soares, Nuno Crato e Passos Coelho que encerra as comemorações.
.....
quinta-feira, setembro 18, 2014
Politica de Transcortes
A fúria privatizadora de tudo o que é bem público de uso social em Portugal decidida pelo Bloco Central de interesses nos últimos anos consiste na sub-orçamentação das empresas-alvo e tem como único objectivo furtar ao Estado e entregar ao Capital financeiro tudo o que é lucrativo.
As indemnizações compensatórias aprovadas pelo Governo, no segundo “orçamento rectificativo” no espaço de um ano (!), relativas aos serviços prestados por empresas públicas, privadas ou municipais correspondem a um montante global de 229 milhões de euros. Em comunicado o conselho de ministros refere que este valor “representa uma redução global de 95 milhões de euros comparativamente ao ano anterior” (portanto, de sub-orçamentação). Uma redução que é válida apenas para as empresas públicas e que eventualmente terá de ser compensada com novo aumento no preço dos transportes públicos em 2015. A CP foi contemplada com uma indemnização compensatória de 18.857 milhões, ou seja, menos 17.031 milhões de euros que em 2013. Por sua vez o Metropolitano de Lisboa vai receber directamente 29.627 milhões contra os 46.640 milhões de euros recebidos em 2013 (menos 17.031 milhões). O Metro do Porto fica com menos 8.520 milhões e o Metro Sul do Tejo com menos 3.384 milhões de euros.
À Carris o governo PSD/CDS atribuiu 5 milhões de euros; em 2013 havia atribuído 19,682 milhões A congénere do Porto, a STCP recebe igualmente 5 milhões, contra os 10,820 milhões recebidos o ano passado. Esta devrá ser a última vez que o Metro de Lisboa e o do Porto, Carris e STCP recebem indemnizações compensatórias do Orçamento do Estado, dado que o fim do pagamento de indemnizações compensatórias a essas empresas é uma das medidas que constam do caderno de encargos do processo com vista à sua privatização. Na Área Metropolitana de Lisboa as duas empresas de transporte fluvial de passageiros, Soflusa e Transtejo, não vêem os montantes das indemnizadas directas sofrer grande variação. Por sua vez, as empresas privadas do sector rodoviário de transportes vão receber no seu conjunto cerca de 18,4 milhões de euros de indemnizações compensatórias em 2014. Ou seja, um aumento de mais de 100% atendendo aos 9,175 milhões de euros recebidos em 2013.
Com menos financiamento directo do Estado e a braços com a perda acentuada de passageiros, empresas como a CP, Carris e Metro vão ter de rever os preços actualmente em vigor. Será o sexto aumento no espaço de quatro anos, período em que o custo das famílias com transportes públicos cresceu em média 25%. No inicio de 2014 o preço dos transportes subiu 1%, mas recuando um pouco, há que recordar que em 2011 (com o governo “socialista” de Sócrates) os preços foram aumentados em 4,5%. Já com o governo de vigaristas Passos/Portas agravaram-se em 5% (em Agosto de 2011), mais 5% em 2012 e 0,9% em 2013. Pelo meio desapareceram os descontos em passes sociais para estudantes e reformados, o que levou no casos dos primeiros a um aumento de 100% no passe social. A estes aumentos há que juntar a degradação dos serviços, com a redução de carreiras, do número de carruagens e com o aumento dos tempos de espera. (texto decalcado do jornal da Voz do Operário)
As indemnizações compensatórias aprovadas pelo Governo, no segundo “orçamento rectificativo” no espaço de um ano (!), relativas aos serviços prestados por empresas públicas, privadas ou municipais correspondem a um montante global de 229 milhões de euros. Em comunicado o conselho de ministros refere que este valor “representa uma redução global de 95 milhões de euros comparativamente ao ano anterior” (portanto, de sub-orçamentação). Uma redução que é válida apenas para as empresas públicas e que eventualmente terá de ser compensada com novo aumento no preço dos transportes públicos em 2015. A CP foi contemplada com uma indemnização compensatória de 18.857 milhões, ou seja, menos 17.031 milhões de euros que em 2013. Por sua vez o Metropolitano de Lisboa vai receber directamente 29.627 milhões contra os 46.640 milhões de euros recebidos em 2013 (menos 17.031 milhões). O Metro do Porto fica com menos 8.520 milhões e o Metro Sul do Tejo com menos 3.384 milhões de euros.
À Carris o governo PSD/CDS atribuiu 5 milhões de euros; em 2013 havia atribuído 19,682 milhões A congénere do Porto, a STCP recebe igualmente 5 milhões, contra os 10,820 milhões recebidos o ano passado. Esta devrá ser a última vez que o Metro de Lisboa e o do Porto, Carris e STCP recebem indemnizações compensatórias do Orçamento do Estado, dado que o fim do pagamento de indemnizações compensatórias a essas empresas é uma das medidas que constam do caderno de encargos do processo com vista à sua privatização. Na Área Metropolitana de Lisboa as duas empresas de transporte fluvial de passageiros, Soflusa e Transtejo, não vêem os montantes das indemnizadas directas sofrer grande variação. Por sua vez, as empresas privadas do sector rodoviário de transportes vão receber no seu conjunto cerca de 18,4 milhões de euros de indemnizações compensatórias em 2014. Ou seja, um aumento de mais de 100% atendendo aos 9,175 milhões de euros recebidos em 2013.
Com menos financiamento directo do Estado e a braços com a perda acentuada de passageiros, empresas como a CP, Carris e Metro vão ter de rever os preços actualmente em vigor. Será o sexto aumento no espaço de quatro anos, período em que o custo das famílias com transportes públicos cresceu em média 25%. No inicio de 2014 o preço dos transportes subiu 1%, mas recuando um pouco, há que recordar que em 2011 (com o governo “socialista” de Sócrates) os preços foram aumentados em 4,5%. Já com o governo de vigaristas Passos/Portas agravaram-se em 5% (em Agosto de 2011), mais 5% em 2012 e 0,9% em 2013. Pelo meio desapareceram os descontos em passes sociais para estudantes e reformados, o que levou no casos dos primeiros a um aumento de 100% no passe social. A estes aumentos há que juntar a degradação dos serviços, com a redução de carreiras, do número de carruagens e com o aumento dos tempos de espera. (texto decalcado do jornal da Voz do Operário)
quarta-feira, agosto 27, 2014
Fabricar dinheiro falso não é historicamente uma novidade
O Papa Giovanni XXII promulgou a bula "Spondent quas non exhibent" (Prometem o que não podem cumprir) na qual ameaçava os falsificadores de metais preciosos com um castigo que consistia na entrega ao Tesouro público de uma quantidade de ouro ou prata verdadeira igual à falsificada. Como é de supor, nenhuma das proibições teve demasiados efeitos práticos. O mesmo Papa Giovanni XXII deixou após a sua morte uma fortuna tão imensa, que durante anos correu o rumor de que ele mesmo havia sido um alquimista apostado em transmutar metais vis cobrindo-os com produtos que lhe conferiam a aparência de ouro e prata que punha a circular como moeda corrente a seu bom proveito.
A entidade emissora de moeda dos Estados Unidos (Reserva Federal) prevê acabar em Outubro próximo o programa de emissão de dólares para "ajudar a economia" (Quantitative Easing). Depois de praticamente concluida a transferência do "papel tóxico" para os bancos europeus, via BCE - provocando a crise que tem vindo a afectar o Euro - o Banco Central Europeu ver-se-á agora confrontado com a necessidade de criar ele próprio um programa de emissão de Euros, falcatrua com que pensa "ajudar a economia!. A bom proveito do sub-imperialismo europeu da Alemanha
A entidade emissora de moeda dos Estados Unidos (Reserva Federal) prevê acabar em Outubro próximo o programa de emissão de dólares para "ajudar a economia" (Quantitative Easing). Depois de praticamente concluida a transferência do "papel tóxico" para os bancos europeus, via BCE - provocando a crise que tem vindo a afectar o Euro - o Banco Central Europeu ver-se-á agora confrontado com a necessidade de criar ele próprio um programa de emissão de Euros, falcatrua com que pensa "ajudar a economia!. A bom proveito do sub-imperialismo europeu da Alemanha
sexta-feira, agosto 22, 2014
Alerta máximo! um preto roubou uma chuinga da prateleira do supermercado
o que tem vindo a acontecer na cidade de Ferguson, Missouri, EUA, não é nada de novo. Um policia de uma força de segurança constituida integralmente por brancos disparou sobre um suspeito de furto numa cidade cuja população é maioritariamente negra. O jovem negro Michael Brown mal se apercebeu que estava a ser perseguido surpreendeu-se - estava desarmado - levantou as mãos ao ar em sinal de querer acatar a intimação do "agente da ordem"; mas apesar da evidência o policia apontou-lhe a arma à cabeça e matou-o ali mesmo, antes mesmo que o pobre desgraçado tivesse tempo de abrir a boca para eventualmente se justificar
Um jovem negro é morto a sangue-frio pela polícia. Algo que é corriqueiro no Brasil (foto da direita) e em muitos outros paises socialmente degradados, provocou uma dos maiores insurreições populares dos últimos anos nos Estados Unidos - precisamente o modelo global da degradação social. Seguiram-se acções brutais de repressão por forças militarizadas...
Todas as escolas nos EUA estão em vias de passar a ter em paralelo com as funções educacionais uma força policial de intervenção rápida. Já depois de Ferguson, num subúrbio de Filadélfia ocorreu outro facto demonstrativo da insanidade reinante. Imagine a policia a deitar fogo a uma casa abarracada num bairro densamente povoado; fizeram isso e "caçaram o seu homem"; mas arderam outras 60 casas contiguas graças a essa eficaz intervenção, infelizmente segundo o relatório da policia apenas danos colaterais. Em Ferguson o problema foi temporariamente pacificado pela esperteza de enviar ao local Eric Holder, o primeiro secretário da Justiça negro da história dos Estados Unidos, que mandou sair a guarda nacional pela porta dos fundos.
Hoje mesmo dia 22, integrados numa jornada internacional, ocorrem protestos contra o genocídio do povo negro por todo o Brasil (ver aqui). Para se ter uma ideia, só em São Paulo, entre 2002 e 2011 houve um aumento de 24% de morte de jovens negros, um crescimento de 11.321 para 13.405. Com esse diferencial, a mortalidade de jovens negros passa de 71,6% em 2002 para 237,4%. A violência nos três primeiros meses de 2014 em comparação com 2013 representa um aumento de 206,9% do número de pessoas mortas por bófias em serviço. O aumento sistemático de assassinatos é uma das faces do genocídio aqui mencionado.
O sociólogo brasileiro José Luis Fiori afirma num ensaio que a Nova Ordem Mundial será multipolar, contraditória e beligerante. Como actuar para diluir o poder de influência norte-americano nas politicas dos países cujas burguesias se lhe aliaram? - "Neste ponto o sistema interestatal e capitalista criado, difundido e liderado pelos europeus e pelos EUA nos últimos quatro séculos, não deixa nenhuma dúvida nem alternativa. Neste sistema, quem não sobe, cai, e quem está em cima bloqueia de todas maneiras possíveis a tentativa de subir dos novos pretendentes que se propõem a alcançar a condição de potencias regionais ou globais. É o que se vê hoje, por exemplo, com relação à reivindicação dos chamados “emergentes” (para ler aqui)
Como bom aluno das directivas estrangeiras dos nossos tutores, Portugal adopta igualmente a mesma opção pela repressão militarizada contra hipotéticas manifestações resultantes do agravamento das desigualdades sociais; face ao perigo de um "arrastão à moda brasileira" num centro comercial, colocou-se uma brigada da policia de choque nas entradas, barrando o acesso a todas as pessoas de etnia negra, enquanto os brancos entravam indiferentes, despreocupados e curiosos com o aparato.
![]() |
| primeiro dispara-se, depois pergunta-se |
Todas as escolas nos EUA estão em vias de passar a ter em paralelo com as funções educacionais uma força policial de intervenção rápida. Já depois de Ferguson, num subúrbio de Filadélfia ocorreu outro facto demonstrativo da insanidade reinante. Imagine a policia a deitar fogo a uma casa abarracada num bairro densamente povoado; fizeram isso e "caçaram o seu homem"; mas arderam outras 60 casas contiguas graças a essa eficaz intervenção, infelizmente segundo o relatório da policia apenas danos colaterais. Em Ferguson o problema foi temporariamente pacificado pela esperteza de enviar ao local Eric Holder, o primeiro secretário da Justiça negro da história dos Estados Unidos, que mandou sair a guarda nacional pela porta dos fundos.
| inventar pretextos |
O sociólogo brasileiro José Luis Fiori afirma num ensaio que a Nova Ordem Mundial será multipolar, contraditória e beligerante. Como actuar para diluir o poder de influência norte-americano nas politicas dos países cujas burguesias se lhe aliaram? - "Neste ponto o sistema interestatal e capitalista criado, difundido e liderado pelos europeus e pelos EUA nos últimos quatro séculos, não deixa nenhuma dúvida nem alternativa. Neste sistema, quem não sobe, cai, e quem está em cima bloqueia de todas maneiras possíveis a tentativa de subir dos novos pretendentes que se propõem a alcançar a condição de potencias regionais ou globais. É o que se vê hoje, por exemplo, com relação à reivindicação dos chamados “emergentes” (para ler aqui)
Como bom aluno das directivas estrangeiras dos nossos tutores, Portugal adopta igualmente a mesma opção pela repressão militarizada contra hipotéticas manifestações resultantes do agravamento das desigualdades sociais; face ao perigo de um "arrastão à moda brasileira" num centro comercial, colocou-se uma brigada da policia de choque nas entradas, barrando o acesso a todas as pessoas de etnia negra, enquanto os brancos entravam indiferentes, despreocupados e curiosos com o aparato.
sábado, agosto 16, 2014
a realidade é uma coisa imaginada, não existe;
Lisboa e o mundo verão a breve trecho que a urbanização capitalista não é Santa, muito menos Justa; de facto o panorama já hoje está degradado em relação aos luxuosos cenários do 1% dos ricos; mas a maioria das pessoas recusa-se a ver onde, como e com quanto vivem, em relação com o que poderiam dispor... se não fossem roubados
O continente europeu converteu-se numa espécie de papado do fundamentalismo económico. As dificuldades são reais: houve um forte aumento da dívida dos Estados, após o socorro maciço concedido aos bancos, entre 2008 e 2009. Mas as soluções estão condicionadas pela ideologia, por isso não enfrentam os problemas. Os governos temem agir contra os mecanismos que permitem, a muito poucos (os que sugam rendas através da instituição Estado), multiplicar continuamente sua riqueza, nos mercados financeiros. Os arregimentaddos decisores insistem nesta postura mesmo quando ela os impede de reativar a economia destruida por sete anos de crise – encomendando obras públicas supérfluas, de fachada e a crédito, gerando ocupações e rendimentos para os amigos, por exemplo. Hoje em dia, na generalidade o actual investimento é contra os direitos sociais e os serviços públicos.
Esta atitude foi levada a um ponto extremo, próximo ao colapso. É como se o maquinista de um velho comboio a vapor passasse a arrancar as paredes de madeira dos vagões, para alimentar a caldeira obsoleta e voraz da locomotiva. Os "mercados financeiros" (i/e os 300 milhões de accionistas da especulação global) sabem que os Estados são incapazes de continuar a sustentá-los. Mas os investidores são movidos por uma lógica que os leva a pedir mais, quando identificam as dificuldades do devedor. Num certo momento, a tensão entre estas duas percepções contraditórias explode, trava os mercados, provoca falências em dominó. Como, desprezando o valor Trabalho, todas as relações económicas estão entrelaçadas com os circuitos financeiros, o caos daí resultante paraliza a produção de bens não lucrativos, inviabiliza empresas, destrói empregos em massa. É neste abismo que a Europa se afunda cada vez mais perigosamente... (Setembro de 2011)
O continente europeu converteu-se numa espécie de papado do fundamentalismo económico. As dificuldades são reais: houve um forte aumento da dívida dos Estados, após o socorro maciço concedido aos bancos, entre 2008 e 2009. Mas as soluções estão condicionadas pela ideologia, por isso não enfrentam os problemas. Os governos temem agir contra os mecanismos que permitem, a muito poucos (os que sugam rendas através da instituição Estado), multiplicar continuamente sua riqueza, nos mercados financeiros. Os arregimentaddos decisores insistem nesta postura mesmo quando ela os impede de reativar a economia destruida por sete anos de crise – encomendando obras públicas supérfluas, de fachada e a crédito, gerando ocupações e rendimentos para os amigos, por exemplo. Hoje em dia, na generalidade o actual investimento é contra os direitos sociais e os serviços públicos.
![]() |
| o que é isto? |
terça-feira, agosto 05, 2014
as aventuras de um boneco animado do país de tanga até ao país da pipa de massa
Barroso: É uma "pipa de massa" e deve ser suficiente para calar quem diz mal da Europa (Expesso)
Cortesia do jornal I, texto de Filipe Paiva Cardoso: "a Fotonovela Politica Europeia"
"A relação é simples. Quanto menos futuro tem no estrangeiro, mais o presidente da Comissão Europeia populariza o seu uso da lingua portuguesa. "Pipa de Massa". É desta forma que Durão (vou-comprar-tabacoe-já-volto) Barroso acha melhor falar dos 26 mil milhões que Portugal vai receber de Bruxelas em sete anos. Mas isto cria um problema: se isto é "uma pipa de massa", quantas pipas de massa nos levaram nos últimos anos à conta da estratégia solidária que serviu para salvar os buracos da banca e dos mercados? É fácil, basta somar; Ora, sete mil milhões de juros por ano, mais quatro mil milhões anuais em novos impostos, mais 40 mil milhões de euros de dívida acima do previsto, mais todas as empresas vendidas ao desbarato, mais 60% das familias a viver com menos de 700 euros brutos por mês... noves fora e vai um... bem, é só fazer as contas. (1)
Cortesia do jornal I, texto de Filipe Paiva Cardoso: "a Fotonovela Politica Europeia"
"A relação é simples. Quanto menos futuro tem no estrangeiro, mais o presidente da Comissão Europeia populariza o seu uso da lingua portuguesa. "Pipa de Massa". É desta forma que Durão (vou-comprar-tabacoe-já-volto) Barroso acha melhor falar dos 26 mil milhões que Portugal vai receber de Bruxelas em sete anos. Mas isto cria um problema: se isto é "uma pipa de massa", quantas pipas de massa nos levaram nos últimos anos à conta da estratégia solidária que serviu para salvar os buracos da banca e dos mercados? É fácil, basta somar; Ora, sete mil milhões de juros por ano, mais quatro mil milhões anuais em novos impostos, mais 40 mil milhões de euros de dívida acima do previsto, mais todas as empresas vendidas ao desbarato, mais 60% das familias a viver com menos de 700 euros brutos por mês... noves fora e vai um... bem, é só fazer as contas. (1)
(ampliar)
(1) a propósito de fazer contas, destes ou dos outros: em 2009 José Sócrates garantia que salvar o BPN não ia ter custos para os contribuintes (ver aqui)
sexta-feira, julho 25, 2014
Quantos operários ou trabalhadores no sector real de produção representa o danieloliveirismo?
Das tricas turvas que agitam as diversas facções de oportunistas conluiados à mesa do Bloco dito de Esquerda acaba de sair o suco da barbatana de um fenómeno efémero; tanto caminho de "militância" andada do Oliveira&Compª para a mera ilusão de se coligarem com o Partido dito Socialista. Sempre a acrescentar nada, existirá pois uma nova desqualificação na politica portuguesa com a entrada em cena dos "dissidentes xuxas de esquerda". Estes dissidentes de pouca ou nenhuma coisa querem representar (querem mas nem isso representam) uma ínfinitesimal facção da pequena burguesia urbana, sempre a cair para o lado mais lucrativo da correlação de forças, mas com a mania que é de esquerda. Vai-se a ver melhor e deparamo-nos apenas com mais um grupelho ligado aos meios de comunicação do Capital. Como oportunistas liberais de fachada socialista viciados em polémicocrasia parlamentar burguesa, contas feitas à aspiração de votos (no conceito em concreto de aspirador) quanto valerá em dinheiro mais esta mini-alcateia de personalidades? Lá por nadarem nas águas turvas do status conservador de Bloco Central, podem angariar uns trocos (ou um chapéu cheio de desprezo) mas nada de ilusões, só a Revolução Socialista terá força moral e material para acabar com as grandes fortunas!
para os nossos heróis de banda desenhado de cariz individualista, o Capital não passa de um porquinho-mealheiro oferecido pelos papás para incentivar a boa gestão dos meninos
sexta-feira, maio 30, 2014
Governo apoia trabalho de borla!
é essencial perceber: é o trabalho remunerado que gera mercado
Quando se pensa que isto não pode ir mais ao fundo, enganamo-nos. O trabalho dos voluntários do Rock in Rio vai ser apoiado pelo Governo. Os precários contratados vão trabalhar de borla, em turnos de 6 horas quanto o Código do Trabalho em vigor em Potugal só permite turnos de 5 horas...
enfim
quem foi que falou em terceiro-mundização dos europeus?
sábado, fevereiro 01, 2014
o Feudalismo...
... é bom prá malta
Os nossos corajosos Senhores assumiram todo o risco por nós, Servos humildes. Sem eles, teríamos de gerir a terra e os meios de produção nós mesmos - e toda essa trabalheira seria uma coisa boa para nós? Talvez, mas não seria uma obra santificada pela graça de Deus...na legenda, em tradução livre:
"Pára com essa merda meu! Eles são criadores de Empreg#! ainda não percebeste como é que funciona o Feudalismo?"
Mário Monti, ex-1º Ministro de Itália veio visitar Cavaco Silva "para trocar impressões sobre economia". Se é um ex-qualquer-coisa por quem vem mandatado para influenciar ou andar a congeminar enredos político-económicos à surrelfa? por uma qualquer eleição democrática não é. Obviamente Monti chega como ex-Alto funcionário do Goldman Sachs e é nessa qualidade que acaba de afirmar antever um futuro muito risonho para Portugal. Só quem anda a exagerar na bebida é que vê. Sem dúvida devido ao bom trabalh# do Ministro que transitou de empresário de Cervejas para o Governo.
Talvez Cavaco possa encomendar mais um parecer optimista em tempo de negra miséria para a maioria dos portugueses: convidar a outra personalidade decisiva na crise europeia vinda do Goldman Sachs - o governador do Banco Central Europeu, a tal benemérita instituição que tem nos seus estatutos que não pode emprestar dinheir# aos Estados sem que os financiamentos passem pela banca privada - a dizer que vem aí dinheiro com fartura para financiar a economia de quem trabalha. Como não haveriam estas luminárias do embuste capitalista de andar satisfeitas da vida? afinal do que se trata é de aprovar legislação para pôr toda uma economia de 10 milhões de pessoas a trabalh#r precariamente com salários e protecções sociais miseráveis
quarta-feira, janeiro 29, 2014
Há mais de 30 milhões de escravos no Mundo
Quem pensa que a escravatura faz parte do passado… está enganado. Em pleno século XXI, quase 30 milhões de pessoas são escravas, proporcionalmente mais do que em qualquer outro momento da história da Humanidade. Uma investigação da organização "Fre# the Slaves". Saiba quais os 10 países que mais abusam dos direitos humanos neste sentido.
Sobre a essência do problema, o sistema Capitalista, cada vez mais podre e caduco
A escravatura tem raizes históricas em todos os periodos: Na primeira cultura clássica na perspectiva do ocidente europeu, a democraci# na Grécia não seria outra coisa senão "a igualdade entre todos os cidadãos". Porém... tal como hoje, esse conceito clássico tomado como verdadeiro é um embuste. Em Atenas admite-se que no séculoV antes da nossa era, existiam à roda de 130 mil Cidadãos (!), incluindo mulheres e crianças, mais 70 mil estrangeiros (os Metecos) naturalizados gregos, vindos de outras cidades e que por isso não usufruiam de direitos politicos; Finalmente, existiam 200 mil escravos. Quer dizer, para uma população total de 400 mil habitantes, metade eram escravos, uma quarta parte eram mulher#s, ambos meros objectos para uso doméstico e propriedade do seu senhor, como um bilha, uma mesa ou um filho, sem direito a participar nas decisões públicas. Portanto, subtraindo os metecos, nas assembleias "populares" raiz da "democraci# ocidental" votavam apenas 30 mil gregos. E isto era considerado um progresso, anteriormente, no expansionismo de conquista as tribos arrecadavam o produto dos saques aos vencidos e matavam-nos. Até que um belo dia as elites viram que seria mais vantajoso economicamente salvar-lhes a vida aproveitando-os para cumprir os trabalhos necessários à subsistência dos conquistadores. Empregando o homem, a tecnologia ou o capital (valor de trabalh# acumulado), a escravatura é um modo de produção.
Sobre a essência do problema, o sistema Capitalista, cada vez mais podre e caduco
A escravatura tem raizes históricas em todos os periodos: Na primeira cultura clássica na perspectiva do ocidente europeu, a democraci# na Grécia não seria outra coisa senão "a igualdade entre todos os cidadãos". Porém... tal como hoje, esse conceito clássico tomado como verdadeiro é um embuste. Em Atenas admite-se que no séculoV antes da nossa era, existiam à roda de 130 mil Cidadãos (!), incluindo mulheres e crianças, mais 70 mil estrangeiros (os Metecos) naturalizados gregos, vindos de outras cidades e que por isso não usufruiam de direitos politicos; Finalmente, existiam 200 mil escravos. Quer dizer, para uma população total de 400 mil habitantes, metade eram escravos, uma quarta parte eram mulher#s, ambos meros objectos para uso doméstico e propriedade do seu senhor, como um bilha, uma mesa ou um filho, sem direito a participar nas decisões públicas. Portanto, subtraindo os metecos, nas assembleias "populares" raiz da "democraci# ocidental" votavam apenas 30 mil gregos. E isto era considerado um progresso, anteriormente, no expansionismo de conquista as tribos arrecadavam o produto dos saques aos vencidos e matavam-nos. Até que um belo dia as elites viram que seria mais vantajoso economicamente salvar-lhes a vida aproveitando-os para cumprir os trabalhos necessários à subsistência dos conquistadores. Empregando o homem, a tecnologia ou o capital (valor de trabalh# acumulado), a escravatura é um modo de produção.
segunda-feira, janeiro 27, 2014
12 Anos Escravo
É uma história verídica, já contada em filme no ano de 1984, obra da qual surge agora um “remake”. Em 1841, Solomon Northup (o actor teatro shakesperiano Chiwetel Ejiofor) é um negro livre que trabalha como carpinteiro, toca violino, é um operário habilidoso, e vive com a sua esposa e dois filhos em Saratoga Springs, Nova York. Dois homens vêm oferecer-lhe um emprego de duas semanas como músico, mas, findo o trabalho Northup é drogado, raptado e acorda numa prisão, acorrentado, destinado a ser vendido como escravo.
Northup, caído numa malha de carcereiros traficantes de negros, é enviado para Nova Orleans e obrigado à pancada a assumir o novo nome de "Platt", a identidade de um escravo fugido da Geórgia. Alvo repetidamente de violentas agressões, é finalmente vendido em leilão. O empresário/ intermediário/ comerciante de escravos recusa-se a ouvir as súplicas dos raptados - "o meu sentimentalismo tem apenas a duração de uma moeda" – e vende “Platt” ao novo dono, o madeireiro William Ford, um patrão relativamente benevolente, com quem Northup consegue ficar uns tempos em relativamente boas condições, engrendrando uma forma de transporte mais rápida e económica dos troncos de madeira. Ford oferece-lhe um violino como recompensa. Mas o capataz da serração, racista e invejoso do sucesso do negro, irá descarregar o seu ressentimento provocando e assediando violentamente o escravo. A odisseia de “Platt” haveria de durar 12 anos. (ver o filme, uma obra de arte do realizador britânico Steve McQueen, embora desta feita um pouco submetido aos ditames comerciais do mainstream em relação às suas duas premiadas obras anteriores)
Salvo da condição de escravo em 1853, Solomon Northup tentou levar os seus raptores a tribunal, mas o processo arrastou-se por anos, acabando por ser arquivado por falta de provas fidedignas contra a rede de traficantes “de raça branca”. Northup conseguiu uma efémera vingança escrevendo o livro “Doze Anos Escravo”, dedicando-se de seguida a trabalhar incansavelmente para libertar outros escravos para a condição de livres. A publicação do livro causou sensação, vendendo 30.000 cópias num momento em que a maioria das pessoas eram analfabetas e os livros muito caros. Salomon tornou-se rapidamente uma celebridade – tendo mesmo viajado para a Grã-Bretanha para uma palestra sobre a abolição da escravatura. Depois disso desapareceu sem deixar vestígios numa missão secreta para libertar escravos em Vermont por volta de 1863. Os detalhes da sua morte permanecem um mistério, o livro nunca foi reeditado, o assunto perdeu visibilidade e o seu nome foi esquecido. Existe uma placa evocativa da sua odisseia na cidade de Saratoga Springs, mas só a partir de 1999.
Cronologia da Escravidão nos Estados Unidos da América da América do Norte
1850 – a promulgação da “Lei do Escravo Fugitivo” determina e impõe a devolução dos escravos que fugiam aos seus legítimos proprietários.
1861 - Com o início da Guerra Civil, o estatuto jurídico do escravo foi alterado tendo o legislador chefe Benjamin Franklin Butler declarado os escravos negros contrabando de guerra. O projecto de lei de confisco de negros foi aprovado em Agosto de 1861, destituindo do seu serviço e “condenando a trabalho escravo qualquer empregado que ajude ou promova qualquer insurreição contra o governo dos Estados Unidos”. Ipso facto, pelo decreto-lei de 17 de Julho de 1862, qualquer escravo desleal ao dono que estivesse em território ocupado pelas tropas do Norte foi declarado livre. Mas, por algum tempo, a Lei do Escravo Fugitivo em vigor nos Estados do Sul foi ainda mantida, aplicável no caso de fugitivos dos donos nos Estados fronteiriços que eram leais ao governo da União. Seria só a 28 de Junho de 1864 que a Lei de 1850 foi revogada.
1863 - Abraham Lincoln assina a “Proclamação de Emancipação”, que declara que os escravos nas áreas da Confederação de Estados Sulistas seriam libertados. A maioria dos escravos nos "Estados de fronteira" seriam libertados por acção do Estado do Norte; Uma lei em separado tinha já libertado os escravos no Estado de Washington DC, precisamente aquela que abrangia Solomon Northup quando foi raptado, quando na grande maioria dos Estados vigorava o esclavagismo inscrito na lei.
1865: Dezembro: os EUA determinam a abolição da escravatura pela Décima Terceira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Cerca de 40.000 escravos restantes mudam de estatuto, obrigando-se por necessidade de subsistência à submissão ao regime de assalariamento.
1866: a escravatura é igualmente abolida nas Reservas Territoriais dos Indios, a maioria situadas no agora Estado do Oklahoma.
“12 Anos Escravo” é apenas um filme, no qual se doura um pouco a pílula ao apresentar os Negros livres de fatiota burguesa. Na sua estreia em 2013, alguém desabafou: “só deus sabe como ainda continuamos a ter sérios problemas de relacionamento racial neste pais”. Exacto. A começar pela nova forma de racismo económico reflectido na diferenciação de salários…
Paul Dano, Chiwete Ejiofor, Lupita Nyong’o, Steve McQueen, Sarah Paulson, Alfre Woodard e Michael Fassbender, na abertura comercial ao público.
Northup, caído numa malha de carcereiros traficantes de negros, é enviado para Nova Orleans e obrigado à pancada a assumir o novo nome de "Platt", a identidade de um escravo fugido da Geórgia. Alvo repetidamente de violentas agressões, é finalmente vendido em leilão. O empresário/ intermediário/ comerciante de escravos recusa-se a ouvir as súplicas dos raptados - "o meu sentimentalismo tem apenas a duração de uma moeda" – e vende “Platt” ao novo dono, o madeireiro William Ford, um patrão relativamente benevolente, com quem Northup consegue ficar uns tempos em relativamente boas condições, engrendrando uma forma de transporte mais rápida e económica dos troncos de madeira. Ford oferece-lhe um violino como recompensa. Mas o capataz da serração, racista e invejoso do sucesso do negro, irá descarregar o seu ressentimento provocando e assediando violentamente o escravo. A odisseia de “Platt” haveria de durar 12 anos. (ver o filme, uma obra de arte do realizador britânico Steve McQueen, embora desta feita um pouco submetido aos ditames comerciais do mainstream em relação às suas duas premiadas obras anteriores)
Salvo da condição de escravo em 1853, Solomon Northup tentou levar os seus raptores a tribunal, mas o processo arrastou-se por anos, acabando por ser arquivado por falta de provas fidedignas contra a rede de traficantes “de raça branca”. Northup conseguiu uma efémera vingança escrevendo o livro “Doze Anos Escravo”, dedicando-se de seguida a trabalhar incansavelmente para libertar outros escravos para a condição de livres. A publicação do livro causou sensação, vendendo 30.000 cópias num momento em que a maioria das pessoas eram analfabetas e os livros muito caros. Salomon tornou-se rapidamente uma celebridade – tendo mesmo viajado para a Grã-Bretanha para uma palestra sobre a abolição da escravatura. Depois disso desapareceu sem deixar vestígios numa missão secreta para libertar escravos em Vermont por volta de 1863. Os detalhes da sua morte permanecem um mistério, o livro nunca foi reeditado, o assunto perdeu visibilidade e o seu nome foi esquecido. Existe uma placa evocativa da sua odisseia na cidade de Saratoga Springs, mas só a partir de 1999.
Cronologia da Escravidão nos Estados Unidos da América da América do Norte
1850 – a promulgação da “Lei do Escravo Fugitivo” determina e impõe a devolução dos escravos que fugiam aos seus legítimos proprietários.
1861 - Com o início da Guerra Civil, o estatuto jurídico do escravo foi alterado tendo o legislador chefe Benjamin Franklin Butler declarado os escravos negros contrabando de guerra. O projecto de lei de confisco de negros foi aprovado em Agosto de 1861, destituindo do seu serviço e “condenando a trabalho escravo qualquer empregado que ajude ou promova qualquer insurreição contra o governo dos Estados Unidos”. Ipso facto, pelo decreto-lei de 17 de Julho de 1862, qualquer escravo desleal ao dono que estivesse em território ocupado pelas tropas do Norte foi declarado livre. Mas, por algum tempo, a Lei do Escravo Fugitivo em vigor nos Estados do Sul foi ainda mantida, aplicável no caso de fugitivos dos donos nos Estados fronteiriços que eram leais ao governo da União. Seria só a 28 de Junho de 1864 que a Lei de 1850 foi revogada.
![]() |
| Aviso oficial para prevenção dos raptos |
1865: Dezembro: os EUA determinam a abolição da escravatura pela Décima Terceira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Cerca de 40.000 escravos restantes mudam de estatuto, obrigando-se por necessidade de subsistência à submissão ao regime de assalariamento.
1866: a escravatura é igualmente abolida nas Reservas Territoriais dos Indios, a maioria situadas no agora Estado do Oklahoma.
“12 Anos Escravo” é apenas um filme, no qual se doura um pouco a pílula ao apresentar os Negros livres de fatiota burguesa. Na sua estreia em 2013, alguém desabafou: “só deus sabe como ainda continuamos a ter sérios problemas de relacionamento racial neste pais”. Exacto. A começar pela nova forma de racismo económico reflectido na diferenciação de salários…
Paul Dano, Chiwete Ejiofor, Lupita Nyong’o, Steve McQueen, Sarah Paulson, Alfre Woodard e Michael Fassbender, na abertura comercial ao público.
sábado, novembro 30, 2013
Policia de choque chamada a impedir o direito à Greve dos trabalhadores dos CTT
O lider nacional da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) explica em directo as razões que levam o Ministro da tutela e os seus amestrados bófias a tomar o partido dos patrões e ajudar a distribuir mais lucros pelos accionistas privados
Os Correios de Portugal foram criados em 1520 por Don Manuel I como serviço público. Em 1821 iniciaram a entrega de correspondência porta-a-porta. Um ano após a implantação da República os CTT ganharam autonomia como empresa pública de prestação do serviço, com o nome de "Administração-Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones". Em 1992 face ao boom das telecomunicações estes serviços foram retirados à empresa, adoptando esta a partir de então o nome que ainda tem hoje: "CTT Correios de Portugal". Se este governo de delinquentes económicos conseguir privatizá-la, como é que a empresa vai passar a ser chamada? "Correios de Quem??" Correios da Puta que vos Pariu? (ver dados históricos, em lingua de accionista)
Corre, Corre Cavalinho, que te querem Privatizar: "Petição pela manutenção dos CTT no Estado" (Precários Inflexiveis)
Os Correios de Portugal foram criados em 1520 por Don Manuel I como serviço público. Em 1821 iniciaram a entrega de correspondência porta-a-porta. Um ano após a implantação da República os CTT ganharam autonomia como empresa pública de prestação do serviço, com o nome de "Administração-Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones". Em 1992 face ao boom das telecomunicações estes serviços foram retirados à empresa, adoptando esta a partir de então o nome que ainda tem hoje: "CTT Correios de Portugal". Se este governo de delinquentes económicos conseguir privatizá-la, como é que a empresa vai passar a ser chamada? "Correios de Quem??" Correios da Puta que vos Pariu? (ver dados históricos, em lingua de accionista)
Corre, Corre Cavalinho, que te querem Privatizar: "Petição pela manutenção dos CTT no Estado" (Precários Inflexiveis)
sábado, outubro 05, 2013
October 5th 2013 the day that celebrates the creation of the First Republic in Portugal
(comemorado na lingua original troikana)
é da nossa vista? ou ao minuto 1:05 aparece aqui o dirigente da central sindical CGTP - conotada com os "comunistas" - Arménio Carlos misturado com a pandilha do costume?, vestindo os seus melhores fatos de gala enquanto ao melhor estilo fascista lixam o povo no secretismo dos seus gabinetes. As of this year, it is no longer a day off, thanks to the austerity, main political criminals attending: the President Aníbal Cavaco Silva,
the Prime-Minister Pedro Passos Coelho, the Lisbon Mayor António Costa
and the President of the Assembly Assunção Esteves. The protest was
called by the Screw the Troika group, although they weren't the only
ones attending(publishing by www.Guilhotina.Info)
sábado, agosto 31, 2013
Trabalho abstracto, Lucro concreto
"Eu entendo o trabalho abstrato como a componente do vínculo social que é o dinheiro. Por outras palavras, o facto de podermos trocar os nossos produtos, incorporando-nos a nós próprios no valor das commodities, retira-nos o controlo sobre nossas próprias actividades. Trabalho abstracto (logo, Trabalho medido por dinheiro ) é o núcleo da negação da autodeterminação social e, portanto, qualquer luta pela autodeterminação social deve ser uma luta contra o trabalho abstracto (e contra o dinheiro)" John Holloway
Alemanha tem vindo a lucrar com a crise da zona euro, poupando 41 mil milhões de euros em juros relativos ao período entre 2010 e 2014
Uma Dúzia de Mitos sobre o Capitalismo
1 - Sob o capitalismo todos os que trabalham no duro podem chegar a ricos
2 - O capitalismo cria riqueza e prosperidade para todos
3 - Estamos todos no mesmo barco
4 - o Capitalismo é Liberdade
5 - o Capitalismo é igual a Democracia
6 - as Eleições são sinónimo de Democracia
7 - a alternância no Poder por um Partido é prova de uma eleição democrática
8 - os Politicos representam o Povo e portanto podem decidir por eles mesmo
9 - Não há alternativa ao Capitalismo
10 - a "Economia" de austeridade gera Riqueza
11 - Quanto menor o papel do Estado melhor
12 - a actual crise do Capitalismo vai-se resolver a curto prazo para o bem das pessoas
Alemanha tem vindo a lucrar com a crise da zona euro, poupando 41 mil milhões de euros em juros relativos ao período entre 2010 e 2014
quinta-feira, agosto 29, 2013
Sobre o Fenómeno dos Empregos de Merda
(David Graeber argumenta sobre o conceito marxista de trabalho produtivo e trabalho improdutivo)
No ano de 1930 John Maynard Keynes previu que, até ao final do século XX, a tecnologia teria avançado tão eficientemente que países como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos teriam alcançado uma semana de trabalho de 15 horas. Há todas as razões para acreditar que o economista da era do New Deal estava certo. Em termos tecnológicos, teríamos sido capazes disso. E, no entanto tal não aconteceu. Em vez disso, a tecnologia disfarçou-se com diversas roupagens para descobrir maneiras de nos fazer trabalhar mais. A fim de alcançar este objectivo, novos trabalhos tiveram de ser criados, que são, efectivamente, inúteis. Massas enormes de pessoas, na Europa e na América do Norte em particular, passam toda a sua vida profissional na execução de tarefas que eles secretamente acreditam realmente não precisarem de ser executadas. O dano moral e espiritual que advém desta situação é profundo. É uma cicatriz em toda a nossa alma colectiva. Ainda assim, quase ninguém fala sobre isso.
Por que é que a utopia prometida por Keynes - ainda aguardada com grande expectativa nos anos 60 - nunca se materializou? - a linha padrão de hoje é que Keynes não levou em linha de conta o aumento maciço no Consumismo. Posta à consideração a escolha entre menos horas de trabalho e mais brinquedos e prazeres, os indivíduos foram colectivamente induzidos a escolher os últimos. Esta opção apresenta-se como um bom conto moral, mas um momento de reflexão mostra que isso não pode realmente ser verdade. Sim, temos assistido à criação de uma variedade infinita de novos empregos e indústrias, desde a década de 20, mas muito poucos têm nada a ver com a produção e distribuição de sushi, iPhones ou ténis extravagantes. Então, quais são esses novos postos de trabalho, precisamente? Um relatório recente comparando o emprego nos EUA entre 1910 e 2000, dá-nos uma imagem clara. (e eu noto, uma comparação exactamente igual fez eco no Reino Unido). Ao longo do século passado, o número de trabalhadores como empregados domésticos, na indústria e no sector agrícola ruiu dramaticamente. Ao mesmo tempo, "os serviços de vendas, gerência, de escritório, profissionais e trabalhadores de serviços triplicaram, crescendo de um quarto a três quartos do emprego total. Por outras palavras, os empregos no sector produtivo, tal como previsto, foram amplamente substituídos por maquinaria automatizada (mesmo se contarmos os trabalhadores da indústria a nível mundial, incluindo as massas trabalhadoras na Índia e na China, esses trabalhadores ainda não são em tão grande percentagem da população mundial como costumavam ser).
Mas ao invés de permitir uma redução maciça do horário de trabalho para libertar a população mundial e prosseguir os seus próprios projectos - os prazeres, visões e ideias - temos visto a bolha do assalariamento aumentar não só no sector "Serviços" a partir do sector administrativo, mas até incluindo a criação de indústrias novas por inteiro, como os serviços de telemarketing ou financeiros, ou a expansão sem precedentes de sectores como o direito empresarial, académicos, de administração de saúde, recursos humanos e relações públicas. E esses números nem sequer reflectem sobre todas aquelas pessoas cujo trabalho é fornecer serviços administrativos, técnicos, ou suporte de segurança para essas indústrias, ou nessa matéria para toda uma série de indústrias auxiliares (lavadores de carros, entregadores de pizza 24 horas) que só existem porque toda a gente gasta muito do seu tempo de trabalho em todos os outros. Estes são os que proponho chamar de "empregos de merda."
É como se alguém saísse à rua fazendo- o por trabalhos inúteis apenas por uma questão de manter as coisas todas a andar. É aqui, precisamente, que reside o mistério. No capitalismo, isto seria precisamente o que não seria suposto acontecer. Claro que, nos velhos estados socialistas como a União Soviética, onde o emprego era considerado tanto um direito como um dever sagrado, o sistema formado por tantos empregos como eles tinham, levava a que nas lojas de departamento de Estado tivessem três funcionários para vender um quilo de carne. Mas, é claro, este é o tipo de problema que a concorrência de mercado é suposto corrigir. De acordo com a teoria económica capitalista, no mínimo, a última coisa que uma empresa com fins lucrativos vai fazer é desembolsar dinheiro para pagar a trabalhadores que ela realmente não precisa empregar. Ainda assim, de alguma forma, isso acontece. Enquanto as corporações podem envolver-se em reduções crueis, as demissões e a velocidade a que crescem recaem invariavelmente sobre essa classe de pessoas que realmente fazem mover as coisas, fixando-as ou mantendo-as nos sítios, as quais através de alguma alquimia estranha que ninguém consegue explicar, consegue fazer expandir o número de assalariados empurradores-de-papel, e mais e mais trabalhadores se encontram, actualmente não como os trabalhadores soviéticos, mas na verdade, trabalhando 40 ou mesmo 50 horas por semana na papelada, mas efectivamente trabalhando 15 horas, assim como Keynes havia previsto, já que o resto do seu tempo é gasto organizando ou participando em seminários motivacionais, atualizando os seus perfis do Facebook ou fazendo downloads de vídeos e musica.
A resposta é claramente não económica: é moral e política. A classe dominante descobriu que uma população feliz e produtiva com tempo livre nas suas mãos é um perigo mortal (é suposto esta percepção ter começado a acontecer próximo da década de 60). E, por outro lado, o sentimento de que o trabalho é um valor moral em si, e que qualquer pessoa não está disposta a submeter-se a algum tipo de intensa disciplina de trabalho durante as horas em que anda de pé, é um conceito extremamente conveniente.
Certa vez, ao contemplar o crescimento aparentemente interminável de responsabilidades administrativas nos departamentos académicos britânicos, fiquei com uma possível visão do inferno. O inferno é um conjunto de indivíduos que gastam a maior parte do seu tempo trabalhando em tarefas de que eles não gostam e nas quais não são especialmente bons. Dizem que foram contratados porque eram excelentes marceneiros, e depois descobriram que se espera passem uma grande parte do seu tempo a fritar peixe. Não é que a tarefa realmente precise de ser feita - há apenas um número muito limitado de peixes que precisam ser fritos. Mas de alguma forma, todos esses “trabalhadores” tornam-se obcecados com o ressentimento, pensando que alguns dos seus colegas de trabalho podem estar a gastar mais tempo a fazer armários, e não a fazer a sua justa parte nas responsabilidades da fritura de peixe, o que em pouco tempo, resultaria em pilhas intermináveis de inútil peixe mal frito, acumulado por toda a oficina… e isso é tudo o que alguém realmente se faz. Acho que esta é realmente uma descrição bastante precisa das dinâmicas morais da nossa própria economia.
Agora, percebo qualquer argumento que vá incorrer em objeções imediatas: "quem é você para dizer o que são realmente "empregos necessários “? O que é necessário, afinal? Você é um professor de antropologia, qual é a "necessidade" de se precisar disso? "- (E, na verdade um monte de leitores de tablóides levaria a existência do meu trabalho como a sua própria definição de desperdício nas despesas sociais). E em certo nível, isso é obviamente verdadeiro . Não pode haver uma medida objectiva de valor social?
Eu não me atreveria a dizer a alguém convencido de que eles estão dando uma contribuição significativa ao mundo que na verdade eles não dão. Mas o que acontece com aquelas pessoas que se convenceram que os seus trabalhos não têm sentido? - não há muito tempo atrás voltei ao contacto com um amigo de escola que eu não via desde os meus12 anos. Fiquei espantado ao descobrir que nesse intervalo, ele se tinha tornado pela primeira vez num poeta, o homem de palco de uma banda de rock indie. Eu tinha ouvido algumas das suas músicas na rádio sem ter ideia que o cantor era alguém que eu realmente conhecia. Ele era, obviamente, brilhante, inovador, e o seu trabalho tinha, sem dúvida, iluminado e melhorado vidas de pessoas em todo o mundo. No entanto, depois de um par de álbuns sem sucesso, ele tinha perdido o seu contrato, e atormentado com dívidas e uma filha recém-nascida, acabou, como ele dizia, por "tomar a opção padrão de tanta gente sem rumo: a Faculdade de Direito" Agora ele é um advogado corporativo trabalhando numa proeminente empresa de Nova York. Ele foi o primeiro a admitir que o seu trabalho era totalmente sem sentido, não contribuindo em nada para o mundo, e, na sua própria opinião, não deveria existir.
Há um monte de perguntas que poderiam ser feitas aqui, começando com, o que isso diz sobre a nossa sociedade que parece gerar uma procura extremamente limitada para talentosos poetas-músicos, mas uma procura aparentemente infinita de especialistas em direito empresarial. (Resposta: Se 1% da população controla a maior parte da riqueza disponível, aquilo a que chamamos de "o Mercado" reflete o que essa ínfima minoria acha que é útil ou importante, e não a mundivisão de qualquer outra pessoa). Mas, ainda mais, mostra que a maioria das pessoas nesses empregos estão finalmente cientes disso. Na verdade, eu não tenho a certeza se já conheci um advogado corporativo que não achasse que o seu trabalho fosse uma estupidez. O mesmo é válido para quase todas as novas indústrias acima descritas. Há toda uma classe de profissionais assalariados – e você deve conhecê-los nos convívios sociais - que admita que você faz algo que possa ser considerado interessante, (um antropólogo, por exemplo) e vão mesmo querer evitar discutir totalmente a sua linha de trabalho. Dê-lhes algumas bebidas, e eles vão-se lançar em discursos inflamados sobre como inútil e estúpido o seu trabalho realmente é.
Há aqui uma violência psicológica profunda. Como pode alguém pode sequer começar a falar da dignidade no trabalho quando sente secretamente ter um posto de trabalho que não deveria existir? Como poderá ele não criar um sentimento de profunda raiva e ressentimento.? No entanto, é no génio peculiar da nossa sociedade que os seus governantes vão descobri uma maneira - como é o caso das fritadeiras de peixe - para garantir que a raiva é dirigida precisamente contra aqueles que realmente não conseguem obter um trabalho que signifique alguma coisa. Por exemplo: na nossa sociedade parece haver uma regra geral segundo a qual é obvio que o trabalho que cada um faz benefícia outras pessoas, e por isso considera ser mal pago. Mais uma vez, é difícil de encontrar uma medida objectiva, mas uma maneira fácil de obter um sentido é perguntar: que aconteceria se toda esta classe de pessoas viesse simplesmente a desaparecer?
Diga o que se disser sobre enfermeiros, empregados do lixo, ou mecânicos, é óbvio que se eles desaparecessem numa nuvem de fumo, os resultados seriam imediatos e catastróficos. Um mundo sem professores e os locais de trabalho em breve estariam em apuros… e até mesmo um sem escritores de ficção científica ou músicos de ska seria claramente um lugar menor. Não é totalmente claro o modo como a humanidade iria sofrer se todos os administradores de private equity, lobyistas, investigadores, seguradores, operadores de telemarketing, oficiais de justiça ou consultores legais fossem desaparecer da mesma forma. (Muitos suspeitam que podia melhorar sensivelmente). No entanto, para além de um punhado de bem elogiadas excepções (os médicos), a regra mantém-se surpreendentemente bem. Ainda mais perverso, parece haver um amplo sentido que esta é a maneira como as coisas deveriam ser. Este é um dos secretos pontos fortes do populismo de direita. Você pode senti-lo quando os tablóides empunham o chicote do ressentimento contra os trabalhadores do Metro quando paralisam Londres durante disputas contratuais: o facto de que os trabalhadores do Metro possam paralisar espectáculos em Londres mostra que o seu trabalho é realmente necessário, mas isso parece ser exactamente o que incomoda as pessoas. É ainda mais claro nos EUA, onde os republicanos têm tido um sucesso notável na mobilização do ressentimento contra professores, ou trabalhadores da indústria automóvel (e não, de forma significativa, contra os administradores escolares e gestores da indústria automobilística que realmente causam os problemas) com os seus salários e rendimentos supostamente inflaccionados. É como se eles nos estivessem dizendo: "mas você precisa de ensinar as crianças! Ou fazer carros! E aí você começa a ter empregos de verdade! E em última instância, quem tem a coragem de também esperar pensões de reforma na classe média ou cuidados de saúde?
Se alguém tiver desenhado um regime de trabalho perfeitamente adequado para manter o poder do capital financeiro, é difícil ver como poderiam as pessoas ter feito um trabalho melhor. Realmente, os trabalhadores produtivos são implacavelmente espremidos e explorados. Os restantes são divididos entre um aterrorizado extracto dos universalmente insultados, como os desempregados, e um extracto maior que são basicamente pagos para não fazer nada, em cargos destinados a torná-los identificáveis com as perspectivas e sensibilidades da classe dominante (gerentes, administradores, etc.) - e, particularmente os seus avatares financeiros - cuja actividade, ao mesmo tempo, promove um ressentimento contra aqueles cujo trabalho tem um valor social claro e inegável. Claramente, o sistema nunca foi concebido conscientemente. Surgiu a partir de quase um século de tentativas e erros. Mas é a única explicação para o porquê, apesar das nossas capacidades tecnológicas, todos os dias de trabalho não terem apenas entre 3 a 4 horas.
No ano de 1930 John Maynard Keynes previu que, até ao final do século XX, a tecnologia teria avançado tão eficientemente que países como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos teriam alcançado uma semana de trabalho de 15 horas. Há todas as razões para acreditar que o economista da era do New Deal estava certo. Em termos tecnológicos, teríamos sido capazes disso. E, no entanto tal não aconteceu. Em vez disso, a tecnologia disfarçou-se com diversas roupagens para descobrir maneiras de nos fazer trabalhar mais. A fim de alcançar este objectivo, novos trabalhos tiveram de ser criados, que são, efectivamente, inúteis. Massas enormes de pessoas, na Europa e na América do Norte em particular, passam toda a sua vida profissional na execução de tarefas que eles secretamente acreditam realmente não precisarem de ser executadas. O dano moral e espiritual que advém desta situação é profundo. É uma cicatriz em toda a nossa alma colectiva. Ainda assim, quase ninguém fala sobre isso.
Por que é que a utopia prometida por Keynes - ainda aguardada com grande expectativa nos anos 60 - nunca se materializou? - a linha padrão de hoje é que Keynes não levou em linha de conta o aumento maciço no Consumismo. Posta à consideração a escolha entre menos horas de trabalho e mais brinquedos e prazeres, os indivíduos foram colectivamente induzidos a escolher os últimos. Esta opção apresenta-se como um bom conto moral, mas um momento de reflexão mostra que isso não pode realmente ser verdade. Sim, temos assistido à criação de uma variedade infinita de novos empregos e indústrias, desde a década de 20, mas muito poucos têm nada a ver com a produção e distribuição de sushi, iPhones ou ténis extravagantes. Então, quais são esses novos postos de trabalho, precisamente? Um relatório recente comparando o emprego nos EUA entre 1910 e 2000, dá-nos uma imagem clara. (e eu noto, uma comparação exactamente igual fez eco no Reino Unido). Ao longo do século passado, o número de trabalhadores como empregados domésticos, na indústria e no sector agrícola ruiu dramaticamente. Ao mesmo tempo, "os serviços de vendas, gerência, de escritório, profissionais e trabalhadores de serviços triplicaram, crescendo de um quarto a três quartos do emprego total. Por outras palavras, os empregos no sector produtivo, tal como previsto, foram amplamente substituídos por maquinaria automatizada (mesmo se contarmos os trabalhadores da indústria a nível mundial, incluindo as massas trabalhadoras na Índia e na China, esses trabalhadores ainda não são em tão grande percentagem da população mundial como costumavam ser).
Mas ao invés de permitir uma redução maciça do horário de trabalho para libertar a população mundial e prosseguir os seus próprios projectos - os prazeres, visões e ideias - temos visto a bolha do assalariamento aumentar não só no sector "Serviços" a partir do sector administrativo, mas até incluindo a criação de indústrias novas por inteiro, como os serviços de telemarketing ou financeiros, ou a expansão sem precedentes de sectores como o direito empresarial, académicos, de administração de saúde, recursos humanos e relações públicas. E esses números nem sequer reflectem sobre todas aquelas pessoas cujo trabalho é fornecer serviços administrativos, técnicos, ou suporte de segurança para essas indústrias, ou nessa matéria para toda uma série de indústrias auxiliares (lavadores de carros, entregadores de pizza 24 horas) que só existem porque toda a gente gasta muito do seu tempo de trabalho em todos os outros. Estes são os que proponho chamar de "empregos de merda."
É como se alguém saísse à rua fazendo- o por trabalhos inúteis apenas por uma questão de manter as coisas todas a andar. É aqui, precisamente, que reside o mistério. No capitalismo, isto seria precisamente o que não seria suposto acontecer. Claro que, nos velhos estados socialistas como a União Soviética, onde o emprego era considerado tanto um direito como um dever sagrado, o sistema formado por tantos empregos como eles tinham, levava a que nas lojas de departamento de Estado tivessem três funcionários para vender um quilo de carne. Mas, é claro, este é o tipo de problema que a concorrência de mercado é suposto corrigir. De acordo com a teoria económica capitalista, no mínimo, a última coisa que uma empresa com fins lucrativos vai fazer é desembolsar dinheiro para pagar a trabalhadores que ela realmente não precisa empregar. Ainda assim, de alguma forma, isso acontece. Enquanto as corporações podem envolver-se em reduções crueis, as demissões e a velocidade a que crescem recaem invariavelmente sobre essa classe de pessoas que realmente fazem mover as coisas, fixando-as ou mantendo-as nos sítios, as quais através de alguma alquimia estranha que ninguém consegue explicar, consegue fazer expandir o número de assalariados empurradores-de-papel, e mais e mais trabalhadores se encontram, actualmente não como os trabalhadores soviéticos, mas na verdade, trabalhando 40 ou mesmo 50 horas por semana na papelada, mas efectivamente trabalhando 15 horas, assim como Keynes havia previsto, já que o resto do seu tempo é gasto organizando ou participando em seminários motivacionais, atualizando os seus perfis do Facebook ou fazendo downloads de vídeos e musica.
A resposta é claramente não económica: é moral e política. A classe dominante descobriu que uma população feliz e produtiva com tempo livre nas suas mãos é um perigo mortal (é suposto esta percepção ter começado a acontecer próximo da década de 60). E, por outro lado, o sentimento de que o trabalho é um valor moral em si, e que qualquer pessoa não está disposta a submeter-se a algum tipo de intensa disciplina de trabalho durante as horas em que anda de pé, é um conceito extremamente conveniente.
Certa vez, ao contemplar o crescimento aparentemente interminável de responsabilidades administrativas nos departamentos académicos britânicos, fiquei com uma possível visão do inferno. O inferno é um conjunto de indivíduos que gastam a maior parte do seu tempo trabalhando em tarefas de que eles não gostam e nas quais não são especialmente bons. Dizem que foram contratados porque eram excelentes marceneiros, e depois descobriram que se espera passem uma grande parte do seu tempo a fritar peixe. Não é que a tarefa realmente precise de ser feita - há apenas um número muito limitado de peixes que precisam ser fritos. Mas de alguma forma, todos esses “trabalhadores” tornam-se obcecados com o ressentimento, pensando que alguns dos seus colegas de trabalho podem estar a gastar mais tempo a fazer armários, e não a fazer a sua justa parte nas responsabilidades da fritura de peixe, o que em pouco tempo, resultaria em pilhas intermináveis de inútil peixe mal frito, acumulado por toda a oficina… e isso é tudo o que alguém realmente se faz. Acho que esta é realmente uma descrição bastante precisa das dinâmicas morais da nossa própria economia.
Agora, percebo qualquer argumento que vá incorrer em objeções imediatas: "quem é você para dizer o que são realmente "empregos necessários “? O que é necessário, afinal? Você é um professor de antropologia, qual é a "necessidade" de se precisar disso? "- (E, na verdade um monte de leitores de tablóides levaria a existência do meu trabalho como a sua própria definição de desperdício nas despesas sociais). E em certo nível, isso é obviamente verdadeiro . Não pode haver uma medida objectiva de valor social?
Eu não me atreveria a dizer a alguém convencido de que eles estão dando uma contribuição significativa ao mundo que na verdade eles não dão. Mas o que acontece com aquelas pessoas que se convenceram que os seus trabalhos não têm sentido? - não há muito tempo atrás voltei ao contacto com um amigo de escola que eu não via desde os meus12 anos. Fiquei espantado ao descobrir que nesse intervalo, ele se tinha tornado pela primeira vez num poeta, o homem de palco de uma banda de rock indie. Eu tinha ouvido algumas das suas músicas na rádio sem ter ideia que o cantor era alguém que eu realmente conhecia. Ele era, obviamente, brilhante, inovador, e o seu trabalho tinha, sem dúvida, iluminado e melhorado vidas de pessoas em todo o mundo. No entanto, depois de um par de álbuns sem sucesso, ele tinha perdido o seu contrato, e atormentado com dívidas e uma filha recém-nascida, acabou, como ele dizia, por "tomar a opção padrão de tanta gente sem rumo: a Faculdade de Direito" Agora ele é um advogado corporativo trabalhando numa proeminente empresa de Nova York. Ele foi o primeiro a admitir que o seu trabalho era totalmente sem sentido, não contribuindo em nada para o mundo, e, na sua própria opinião, não deveria existir.
Há um monte de perguntas que poderiam ser feitas aqui, começando com, o que isso diz sobre a nossa sociedade que parece gerar uma procura extremamente limitada para talentosos poetas-músicos, mas uma procura aparentemente infinita de especialistas em direito empresarial. (Resposta: Se 1% da população controla a maior parte da riqueza disponível, aquilo a que chamamos de "o Mercado" reflete o que essa ínfima minoria acha que é útil ou importante, e não a mundivisão de qualquer outra pessoa). Mas, ainda mais, mostra que a maioria das pessoas nesses empregos estão finalmente cientes disso. Na verdade, eu não tenho a certeza se já conheci um advogado corporativo que não achasse que o seu trabalho fosse uma estupidez. O mesmo é válido para quase todas as novas indústrias acima descritas. Há toda uma classe de profissionais assalariados – e você deve conhecê-los nos convívios sociais - que admita que você faz algo que possa ser considerado interessante, (um antropólogo, por exemplo) e vão mesmo querer evitar discutir totalmente a sua linha de trabalho. Dê-lhes algumas bebidas, e eles vão-se lançar em discursos inflamados sobre como inútil e estúpido o seu trabalho realmente é.
Há aqui uma violência psicológica profunda. Como pode alguém pode sequer começar a falar da dignidade no trabalho quando sente secretamente ter um posto de trabalho que não deveria existir? Como poderá ele não criar um sentimento de profunda raiva e ressentimento.? No entanto, é no génio peculiar da nossa sociedade que os seus governantes vão descobri uma maneira - como é o caso das fritadeiras de peixe - para garantir que a raiva é dirigida precisamente contra aqueles que realmente não conseguem obter um trabalho que signifique alguma coisa. Por exemplo: na nossa sociedade parece haver uma regra geral segundo a qual é obvio que o trabalho que cada um faz benefícia outras pessoas, e por isso considera ser mal pago. Mais uma vez, é difícil de encontrar uma medida objectiva, mas uma maneira fácil de obter um sentido é perguntar: que aconteceria se toda esta classe de pessoas viesse simplesmente a desaparecer?
Diga o que se disser sobre enfermeiros, empregados do lixo, ou mecânicos, é óbvio que se eles desaparecessem numa nuvem de fumo, os resultados seriam imediatos e catastróficos. Um mundo sem professores e os locais de trabalho em breve estariam em apuros… e até mesmo um sem escritores de ficção científica ou músicos de ska seria claramente um lugar menor. Não é totalmente claro o modo como a humanidade iria sofrer se todos os administradores de private equity, lobyistas, investigadores, seguradores, operadores de telemarketing, oficiais de justiça ou consultores legais fossem desaparecer da mesma forma. (Muitos suspeitam que podia melhorar sensivelmente). No entanto, para além de um punhado de bem elogiadas excepções (os médicos), a regra mantém-se surpreendentemente bem. Ainda mais perverso, parece haver um amplo sentido que esta é a maneira como as coisas deveriam ser. Este é um dos secretos pontos fortes do populismo de direita. Você pode senti-lo quando os tablóides empunham o chicote do ressentimento contra os trabalhadores do Metro quando paralisam Londres durante disputas contratuais: o facto de que os trabalhadores do Metro possam paralisar espectáculos em Londres mostra que o seu trabalho é realmente necessário, mas isso parece ser exactamente o que incomoda as pessoas. É ainda mais claro nos EUA, onde os republicanos têm tido um sucesso notável na mobilização do ressentimento contra professores, ou trabalhadores da indústria automóvel (e não, de forma significativa, contra os administradores escolares e gestores da indústria automobilística que realmente causam os problemas) com os seus salários e rendimentos supostamente inflaccionados. É como se eles nos estivessem dizendo: "mas você precisa de ensinar as crianças! Ou fazer carros! E aí você começa a ter empregos de verdade! E em última instância, quem tem a coragem de também esperar pensões de reforma na classe média ou cuidados de saúde?
Se alguém tiver desenhado um regime de trabalho perfeitamente adequado para manter o poder do capital financeiro, é difícil ver como poderiam as pessoas ter feito um trabalho melhor. Realmente, os trabalhadores produtivos são implacavelmente espremidos e explorados. Os restantes são divididos entre um aterrorizado extracto dos universalmente insultados, como os desempregados, e um extracto maior que são basicamente pagos para não fazer nada, em cargos destinados a torná-los identificáveis com as perspectivas e sensibilidades da classe dominante (gerentes, administradores, etc.) - e, particularmente os seus avatares financeiros - cuja actividade, ao mesmo tempo, promove um ressentimento contra aqueles cujo trabalho tem um valor social claro e inegável. Claramente, o sistema nunca foi concebido conscientemente. Surgiu a partir de quase um século de tentativas e erros. Mas é a única explicação para o porquê, apesar das nossas capacidades tecnológicas, todos os dias de trabalho não terem apenas entre 3 a 4 horas.
(Original: “On the Phenomenon of Bullshit Jobs” by David Graeber)
segunda-feira, abril 29, 2013
Vão trabalhar malandros!
O conselheiro de Estado do regime Vitor Bento escreveu um livro intitulado “Euro Forte, Euro Fraco”. Lida e relida a coisa, o conselheiro da opinião pública para os intelectuais do regime, Pulido Valente, achou por bem, face às razões apresentadas para o descalabro das economias dos países do Sul de Europa (o Euro fraco) e da pujança das economias do norte da Europa (o Euro forte) , de acusar o outro de “vasta ignorância histórica do passado”. As causas do atraso económico português, diz este, deve-se ao facto “do país não possuir reservas de carvão e ferro o que teria possibilitado uma industrialização a sério (1) e de Portugal estar longe das grandes rotas comerciais da Europa (…) e estas rotas não mudaram” desde os primórdios do capitalismo mercantil, ou seja, desde o século XV, considerado como o século de ouro português com os Descobrimentos. Nessa época a Lisboa do estabelecimento da via marítima com a Carreira das Índias, tornou-se efectivamente o centro do comércio da Europa, destronando Veneza e Génova como terminais das vias tradicionais de importação pelas caravanas terrestres de produtos do Oriente.No conflito entre estas duas partes da mesma coisa conclui-se rapidamente que “isto” (o conflito entre duas abstrações) nem estatuto para debate alcança.
![]() |
| Industria naval em Amsterdam, finais sec. XV |
A diferença entre o volume de trabalho no norte assente na ética capitalista protestante é abissal em relação à indolente crendice católica retrógada das elites a sul (4). Supremacia tecnológica instalada, a maior parte do mundo descoberta pelos latinos, a Holanda não tinha nem ferro nem carvão e em Inglaterra este último minério só viria a ganhar importância dois séculos depois. A desvantagem económica foi corrigida pela pirataria. Não tendo descoberto nada, roubar os espanhóis e os portugueses tornou-se uma questão estratégica (4). Francis Drake, o mais famoso dos piratas seria erigido em Cavaleiro da Rainha Elizabeth I em 1581. Atacado por holandeses e ingleses Portugal ia perdendo possessões ultramarinas, a Bahia, Pernambuco e o Maranhão no Brasil, Ormuz e Macao no Oriente, a feitoria da Mina na Guiné, Luanda que garantia o fornecimento de escravos. Um ano depois da derrota da Invencivel Armada a expedição Drake-Norris aportou a Lisboa, atacando depois os Açores onde Hawkins estabeleceu uma primeira base paramilitar que lhes viria a assegurar o monopólio das rotas comerciais para o Novo Mundo e algumas décadas depois a nossa “independência”. O declínio dos portugueses consumou-se aqui; na expressão de Adam Smith: “o trabalho dos homens livres acaba sempre por sair mais barato do que o dos escravos”.Trabalho é a palavra chave que não é grafada uma única vez por Vitor Bento ou Pulido Valente. Diferentes regimes de encarar o Capital podem produzir diferentes soluções para os mesmos problemas (5), mas Bento e Valente representam apenas a mesma cara filha uma da outra, de duas correntes: o Conservadorismo que se apoia na ideia de monarquia sinárquica e o Liberalismo cujo êxito depende da exploração imperialista das trocas desiguais, subjugando outros povos, desde Hobson com o colonialismo até à sua liquidação com o Lenine do internacionalismo proletário. Esta última é a verdadeira alternativa às outras duas forças em confronto na organização económica e social - o Marxismo, a filosofia assente no Trabalho no qual em última instância radica a única criação de Valor em economia.
notas:
(1) Não é certo, desde Spengler, passando por Ilitch e Habermas até Boaventura Sousa Santos, que a industrialização só por si seja um factor de desenvolvimento social. Uma vez que as máquinas (capital fixo) nada determinam, mas sim a questão da sua propriedade por esta ou por aquela classe social
(2) “A Riqueza e a Pobreza das Nações”, David S. Landes, Ed. Gradiva, 2001
(3) “Relações Internacionais”, (as três teorias em confronto) de James E. Dougherty e Robert L. Pfaltzgraff Jr. Ed. Gradiva, 2003
(4) "Império", de Niall Ferguson,
(5) Ironicamente, as nações que tinham começado tudo, Espanha e Portugal, acabaram perdedoras. Aí reside um dos grandes temas da história da teoria económica. Todos os modelos de crescimento, no fim de contas, sublinharam a necessidade e o poder do capital – o capital como substituto do trabalho, possibilitador de crédito, bálsamo de projectos frustrados, redentor de erros: “Se a Espanha (que abastecia de ouro e prata toda a Europa com os famosos reales a ocho) não tem dinheiro, nem ouro nem prata, é porque tem essas coisas, e se é pobre, é porque é rica. (…) Podia pensar-se que alguém quis fazer desta república uma república de gente enfeitiçada, vivendo fora da ordem natural. – Martin Gonzalez de Cellorigo, 1600” (citado em “O Declinio das Potências Peninsulares”, de David S. Landes)
(6) Não havia comparação possivel entre a nossa Ribeira das Naus e os estaleiros de construção naval de Amsterdão (na gravura) e Greenwich, em volume de negócios, trabalho empregue e capital investido.
.
quarta-feira, janeiro 30, 2013
topem bem este filme
Já aqui em 2006, por via do artigo de Robert Kurz, quando em Portugal já se tinham construido 25 milhões de fogos habitacionais para 10 milhões de individuos, se previa o crash imobiliário: "a Banca estava a segurar artificialmente o valor do crédito de quem tinha contraído empréstimos, sob pena de serem os Bancos os principais atingidos pela perda de valor das casas que iriam ser penhoradas".
Passados 7 anos, "o Estado mete dinheiro nos Bancos... os Bancos penhoram casas a quem ficou no desemprego e deixou de ter capacidade para as pagar. Os Bancos revendem-nas por baixo preço a empresas imobiliárias. E estas vendem-nas a reformados estrangeiros com posses, cedendo-as com promoções e vantagens fiscais feitas pelo Estado. Uma vez mais, o Imobiliário a dominar a economia "real". Então, temos três ministros, uma secretária de Estado, impostos aliciantes e 828 milhões em cima da mesa para promover a venda de imobiliário aos reformados ricos do estrangeiro...
(via Indignados de Lisboa: "Com IRS mais baixo. Governo quer atrair reformados estrangeiros")
Passados 7 anos, "o Estado mete dinheiro nos Bancos... os Bancos penhoram casas a quem ficou no desemprego e deixou de ter capacidade para as pagar. Os Bancos revendem-nas por baixo preço a empresas imobiliárias. E estas vendem-nas a reformados estrangeiros com posses, cedendo-as com promoções e vantagens fiscais feitas pelo Estado. Uma vez mais, o Imobiliário a dominar a economia "real". Então, temos três ministros, uma secretária de Estado, impostos aliciantes e 828 milhões em cima da mesa para promover a venda de imobiliário aos reformados ricos do estrangeiro...
(via Indignados de Lisboa: "Com IRS mais baixo. Governo quer atrair reformados estrangeiros")
no Portugal imaginário dos Jotinhas o ideal mesmo era que aqui não existissem portugueses
quarta-feira, dezembro 12, 2012
A via para pôr termo à pobreza é recusar o pagamento da Dívida.
O que diz e manda o FMI sobre a "protecção" ao emprego, isto é, sobre o aumento galopante do desemprego em Portugal?
Diz o seguinte:
“Temos feito importantes esforços em reduzir um dos mais altos níveis de protecção ao emprego na Europa. Construímos essas mudanças com base nas alterações ao Código de Trabalho atendendo ao regime de despedimentos. E após o primeiro passo que demos em Novembro de 2011, teremos, em meados de Novembro 2012 pagamentos de menores indemnizações por despedimento, na ordem dos 8 a 12 dias de trabalho por ano de serviço. (1) Trazendo este novo regime aos mesmos valores quando comparados com a zona Euro”
(Extracto traduzido do Acordo da Troika revisto a 14 de Outubros de 2012 para vigorar em 2013 e 2014)
Quer isto dizer que quando os lacaios do governo lançam dicas sobre novas medidas mais não fazem que servir de papagaios daquilo lhe ensinaram a dizer os donos. Ainda por cima têm de o fazer na lingua da mãe deles. Mencionado no site do FMI (na sigla em inglês IMF) este relatório não se encontra disponível traduzido para língua portuguesa. O citado relatório contem ainda indicações (ordens) a cumprir sobre salário mínimo, contratos colectivos e sindicatos, assim:
“Existe um compromisso que, ao longo do programa de ajustamento, qualquer aumento do salário mínimo apenas poderá ter lugar se justificado pelo desenvolvimento do mercado e se devidamente enquadrado com uma revisão do programa em curso”
“Definimos critérios claros a ser seguidos nas contratações colectivas e devemos comprometer-nos com eles. A representatividade das organizações na negociação e as implicações do alargamento para a posição competitiva das empresas não filiadas terão de estar entre estes critérios. A representatividade das organizações de negociação será avaliada com base em indicadores quantitativos. Para o efeito, o governo tomará as medidas necessárias para recolher dados sobre a representatividade dos parceiros sociais. Com base nesses dados, um acordo colectivo subscrito pelas associações patronais que representem menos de 50 por cento dos trabalhadores num sector não pode ser prolongado no tempo”
(1) a UGT foi a única pseudo representante de "trabalhadores" que assinou por baixo desta treta. A fundamentação sobre esta medida decretada pelo FMI, quando comparada com as vigentes na União Europeia, é rotundamente falsa.
Indemnização por despedimento: Novo corte ameaça ruptura. Patrões admitem que medida é boa para as empresas, mas não querem entrar em rutura com sindicatos. A CGTP evidentemente não aceita a proposta
.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















.jpg)
























