Uma simples mistificação dos economistas da escola neoliberal norte-americana, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias de Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos. Neste sentido, só o Presente é nosso, não o momento passado nem aquele que aguardamos, porque um está destruido, e do outro, se não lutarmos, não sabemos se existirá.
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terça-feira, abril 14, 2015
Eduardo Galeano (1940-2015)
Celebrado autor de "As Veias Abertas da América Latina" onde relata a exploração da América Latina pelos portugueses, espanhóis, holandeses, ingleses, e posteriormente, pelos norte americanos. São 500 anos de exploração económica desde os "descobrimentos" e miséria social sempre em crescendo à medida que os naturais iam sendo expropriados. Eduardo Galeano lega-nos explicações que não se aprendem nas escolas. Se os latino-americanos têm terras tão ricas, porque vivem todos em paises subdesenvolvidos? qual a razão porque as coisas deram certo nos Estados Unidos e aqui não? Os colonos da Nova Inglaterra, núcleo original da civilização norte americana, não actuaram nunca como agentes coloniais da acumulação capitalista européia; desde o princípio, viveram ao serviço do seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento da sua nova terra. Ao contrário, o subdesenvolvimento latino americano é uma consequência do desenvolvimento alheio. Nada que não esteja a mudar.
O medo ameaça, se amas terás sida; se fumas terás cancro, se respiras contaminação; se bebes terás acidentes; se comes, colesterol; se falas terás desemprego, se caminhas terás violência, se pensas terás angústia; se duvidas loucura, se sentes, solidão... Nada que o sangue latino não posssa mudar...
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quarta-feira, abril 01, 2015
Portugal e o Descobrimento Europeu da América
O cartógrafo veneziano Zuane Pizzigano produziu em Veneza uma carta náutica (datada de 22 de agosto de 1424) escrita em veneziano e português onde se encontram indicadas as costas da Europa Ocidental, do noroeste da África, as ilhas do arquipélago de Açores, Madeira, Canárias, e mais quatro ilhas, duas desenhadas em azul e duas em vermelho. Estas ilhas suplementares têm os nomes, escritos em poruguês, de Satanazes, Antilia, Saya e Ymana, ou seja, no continente americano. Em 1484, o genovês Christophorus Columbus (literalmente "o Pombo mensageiro de Cristo") tinha proposto a João II de Portugal atingir o Oriente por via maritima. Face à recusa daquele monarca, o navegador apresentou a mesma proposta aos Reis Católicos, que a aceitaram. Assim ao serviço da Espanha, o genovês partiu de Palos de La Frontera em Agosto de 1492 atingindo em Outubro desse ano as Antilhas, na América Central, . Na viagem de regresso passou por Itália notificando o monarca que havia chegado à ilha de Cipango nas Índias.
"Será que em termos líquidos o Império português foi benéfico para o crescimento económico nacional? Lúcio de Azevedo, escrevendo em 1928, argumentou que o Império foi um sorvedouro de recursos e mão de obra, já que apenas em raros momentos os lucros gerados foram suficientes para cobrir as enormes despesas. Consequentemente, concluiu que, o Império foi uma das causas do atraso do desenvolvimento português (...) Algumas conclusões revisionistas (Público, 30/Março) respigadas do estudo de 3 historiadores portugueses contemporâneos:
O povo criou riqueza, Portugal cresceu, mas a parasitária classe dominante, amante do luxo e dependente de know-how e financiamento estrangeiro, comeu tudo: "No começo do século XVI, estima-se que a diferença, para mais, entre o rendimento per capita da metrópole e o que ele teria sido, hipoteticamente, caso não houvesse colónias era de cerca de 1%. Cem anos mais tarde era de 4% e, à volta de 1700, de 7%. No final de setecentos, o ganho líquido auferido desta forma atingia pelo menos os 20%.
– Isto não impediu, que a economia portuguesa tivesse experimentado um declínio sustentado, em termos reais e per capita, relativamente às economias líderes da Época Moderna. Portugal, já desde o século XVI, começava a afastar-se claramente dos Países Baixos e da Inglaterra e iniciava-se o seu atraso económico no muito longo prazo ..." (The great escape? The contribution of the empire to Portugal's economic growth, 1500–1800) - (Publico)
"Será que em termos líquidos o Império português foi benéfico para o crescimento económico nacional? Lúcio de Azevedo, escrevendo em 1928, argumentou que o Império foi um sorvedouro de recursos e mão de obra, já que apenas em raros momentos os lucros gerados foram suficientes para cobrir as enormes despesas. Consequentemente, concluiu que, o Império foi uma das causas do atraso do desenvolvimento português (...) Algumas conclusões revisionistas (Público, 30/Março) respigadas do estudo de 3 historiadores portugueses contemporâneos:
O povo criou riqueza, Portugal cresceu, mas a parasitária classe dominante, amante do luxo e dependente de know-how e financiamento estrangeiro, comeu tudo: "No começo do século XVI, estima-se que a diferença, para mais, entre o rendimento per capita da metrópole e o que ele teria sido, hipoteticamente, caso não houvesse colónias era de cerca de 1%. Cem anos mais tarde era de 4% e, à volta de 1700, de 7%. No final de setecentos, o ganho líquido auferido desta forma atingia pelo menos os 20%.
– Isto não impediu, que a economia portuguesa tivesse experimentado um declínio sustentado, em termos reais e per capita, relativamente às economias líderes da Época Moderna. Portugal, já desde o século XVI, começava a afastar-se claramente dos Países Baixos e da Inglaterra e iniciava-se o seu atraso económico no muito longo prazo ..." (The great escape? The contribution of the empire to Portugal's economic growth, 1500–1800) - (Publico)
segunda-feira, março 23, 2015
Apartheid Americano
Não é em Cuba, não é na Coreia do Norte, nem sequer na Venezuela... - é um centro de detenção no Texas (EUA)* para crianças e adolescentes apanhados nas malhas da emigração ilegal a partir da fronteira do México, o entreposto de importação de droga
os Estados Unidos na prática têm duas "constituições", uma para yankees Wasp (Anglo-Sax-White-People - gente branca de origem anglo-saxónica) e outra para pretos e hispânicos, vistos como sendo de outro mundo, logo alvo de tratamentos abusivos devido à sua inferioridade. É assim no interior dos EUA, é assim na politica externa sobre todos os paises do terceiro-mundo que são constantemente ameaçados e alvo de acções militares de repressão, a gente indefesa.
Movimiento Nacionalista de Texas: "Necessitamos declarar a independência porque somos diferentes, segregados e com uma cultura única. Não estamos de acordo em absoluto con a política do Governo Federal dos Estados Unidos. Pagamos impostos que vão direitos para Washington, mas não temos ali representantes capazes de exigir uma redistribuição em beneficio dos habitantes do Texas. Temos imensas riquezas que estão a ser usadas para sustentar de forma artificial uma pretensa unidade norte-americana. Uma unidade inexistente entre Estados que todos juntos têm um défice superior a tudo o que é produzido nas contas dos "Estados Unidos. Se todo o lucro que produzimos é exportado para sustentar campanhas militares, qual é o interesse do Estado do Texas pertencer a uma tal federação?. Temos uma fronteira murada com arame farpado com o México que é hoje uma das muitas vergonhas da humanidade. Criticam actualmente a anexação da Crimeia pela Rússia, esquecendo a anexação da provincia mexicana do Texas pelos Estados Unidos"
mensagem de uma jovem anti-fascista de Kiev: follow the money
os Estados Unidos na prática têm duas "constituições", uma para yankees Wasp (Anglo-Sax-White-People - gente branca de origem anglo-saxónica) e outra para pretos e hispânicos, vistos como sendo de outro mundo, logo alvo de tratamentos abusivos devido à sua inferioridade. É assim no interior dos EUA, é assim na politica externa sobre todos os paises do terceiro-mundo que são constantemente ameaçados e alvo de acções militares de repressão, a gente indefesa.
Movimiento Nacionalista de Texas: "Necessitamos declarar a independência porque somos diferentes, segregados e com uma cultura única. Não estamos de acordo em absoluto con a política do Governo Federal dos Estados Unidos. Pagamos impostos que vão direitos para Washington, mas não temos ali representantes capazes de exigir uma redistribuição em beneficio dos habitantes do Texas. Temos imensas riquezas que estão a ser usadas para sustentar de forma artificial uma pretensa unidade norte-americana. Uma unidade inexistente entre Estados que todos juntos têm um défice superior a tudo o que é produzido nas contas dos "Estados Unidos. Se todo o lucro que produzimos é exportado para sustentar campanhas militares, qual é o interesse do Estado do Texas pertencer a uma tal federação?. Temos uma fronteira murada com arame farpado com o México que é hoje uma das muitas vergonhas da humanidade. Criticam actualmente a anexação da Crimeia pela Rússia, esquecendo a anexação da provincia mexicana do Texas pelos Estados Unidos"
mensagem de uma jovem anti-fascista de Kiev: follow the money
quinta-feira, janeiro 01, 2015
Heróis da Classe Operária - Camilo Cienfuegos
Antigo emigrante nos Estados Unidos onde fora procurar a subsistência da familia, a partir de 1953 Camilo Cienfuegos foi um dos comandantes que liderou a Guerra de Libertação Nacional contra a ditadura pró-americana de Fulgêncio Batista que mantinha Cuba sob subserviência colonial. Depois da emboscada vitoriosa em Santa Clara ao comboio blindado que transportava armas para a Sierra Maestra, o efeito é demolidor: "ao ficar claro que Batista tinha fugido, criaram-se as condições favoráveis para que, no quarto dia do ataque a Santa Clara, a guerra acabasse".
Camilo Cienfuegos foi encarregue, junto com os grupos de guerrilha de Che Guevara e Fidel Castro de levar a guerrilha para o ocidente da ilha. Conhecido como "El Comandante del Pueblo", "El Señor de la Vanguardia", "Héroe de Yaguajay" conquistou o povo cubano com a sua personalidade humilde, carácter jovial e natural desprendimento. A 2 de Janeiro de 1959, à frente de uma brigada a cavalo, Camilo Cienfuegos foi o primeiro comandante do Exército Rebelde a entrar em Havana e o responsável por tomar o Regimento Columbia, um dos maiores símbolos da força militar de Batista. Alcançou o maior cargo dentro do exército, depois do cargo de Comandante em Chefe ocupado por Fidel Castro, Chefe do Estado Maior do Exército Rebelde. Dez meses após o triunfo da Revolução a sua história foi tragicamente interrompida com um acidente de aviação. Camilo é amplamente homenageado em Cuba. Escolas, museus, universidades, municípios, associações de bairro, hospitais, livrarias, inúmeras praças, todas têm o seu nome. A cada dia 28 de Outubro crianças de toda a ilha lançam flores ao mar em sua memória.
Camilo Cienfuegos foi encarregue, junto com os grupos de guerrilha de Che Guevara e Fidel Castro de levar a guerrilha para o ocidente da ilha. Conhecido como "El Comandante del Pueblo", "El Señor de la Vanguardia", "Héroe de Yaguajay" conquistou o povo cubano com a sua personalidade humilde, carácter jovial e natural desprendimento. A 2 de Janeiro de 1959, à frente de uma brigada a cavalo, Camilo Cienfuegos foi o primeiro comandante do Exército Rebelde a entrar em Havana e o responsável por tomar o Regimento Columbia, um dos maiores símbolos da força militar de Batista. Alcançou o maior cargo dentro do exército, depois do cargo de Comandante em Chefe ocupado por Fidel Castro, Chefe do Estado Maior do Exército Rebelde. Dez meses após o triunfo da Revolução a sua história foi tragicamente interrompida com um acidente de aviação. Camilo é amplamente homenageado em Cuba. Escolas, museus, universidades, municípios, associações de bairro, hospitais, livrarias, inúmeras praças, todas têm o seu nome. A cada dia 28 de Outubro crianças de toda a ilha lançam flores ao mar em sua memória.
sexta-feira, dezembro 19, 2014
Vêm aí os gringos!
para já, dos lados da cowboylandia a ênfase é posta na facilidade que haverá na importação de charutos havanos. E que estarão os EUA apostados a exportar em troca? a invasão turistica de gringos que se adivinha com os seus vicios de consumismo, poderá não ser uma coisa má. Se houver capacidade de resistência (educação não falta) Cuba tem mais condições para impôr o seu regime social aos povos dos Estados Unidos... que capacidade têm os Estados Unidos (e a sua maioria de broncos estupidificados pelas televisões) de destruir o regime social de Cuba - e estamos a lembrar-nos da apoteótica recepção feita no Harlem a Fidel Castro quando se deslocou a New York na década de 70 para o seu histórico discurso nas Nações Unidas
segunda-feira, outubro 27, 2014
Brasil. a mesma actriz, o mesmo filme
Foi uma vitória à tangente diz a imprensa burguesa; ainda assim Vitor Dias na sua qualidade de militante do PCP, faz as habituais continhas às cruzinhas dos votantes notando uma diferença de mais de 3 milhões de votos. Pois sim, mas tal perspicácia não apaga o facto da Direita ter obtido cerca de 75 milhões de votos, quase metade do eleitorado. Numa revolução de facto cuja intenção fosse erradicar de vez a criminosa desigualdade social existente no Brasil, onde é que o voto popular iria permitir este renascimento da direita que usufrui da propriedade?
Mesmo assim, dir-se-á, é importante que a Direita não tivesse passado (passado para onde?, se ela já está onde está e não mudou de sítio?) Pode-se também falar no papel que o Brasil, embora com este regime dito progressista moderado, tem no seio do bloco anti imperialista dos países da América do Sul. Mas com a propriedade concentrada nas mãos de não mais de 4 por cento dos brasileiros (+-15 milhões de individuos, a Direita afinal e a multidão de alienados que arrasta), quem decide se a politica externa do Brasil é desenhada em nome da maioria-à-rasquinha que votou no Partido dito dos Trabalhadores alinhada com a libertação dos paises da América Latina, ou se é feita em nome dos negócios das elites subservientes aos seus interesses e aos da potência neo-colonialista da América do Norte?
sexta-feira, outubro 24, 2014
Brasil, a Corrupção como Arma de combate eleitoral
Alberto Youssef, ex-administrador da Petrobrás que está preso acusado de ser um dos chefes do esquema de burla e lavagem de dinheiro que teria desviado cerca de 10 mil milhões de reais da empresa desde 2006, afirmou em depoimento em tribunal que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “sabiam de tudo” sobre o esquema de corrupção na Petrobras. Youssef, que foi nomeado para o cargo pelo social-democrata Lula da Silva, afirma que para além do PT, também o PMDB e o PP estavam envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras que consistia na cobrança de comissões em dinheiro vivo a empreiteiros de construção civil pelo tesoureiro do Partido dos Trabalhadores PT João Vaccari e pelo pe-eme-debista Fernando Soares. As obras da empresa estatal eram escolhidas por um cartel de dez empresas, que inflacionavam os preços em cerca de 20%, dinheiro que era dividido por políticos e directores da empresa pública.
A campanha para a re-eleição da presidente do Partido dito dos Trabalhadores, Dilma Roussef, afirma que a revelação deste depoimento pela revista Veja se trata de um golpe-bomba publicitário pago pela campanha do conservador tucano Aécio Neves em vésperas de eleição presidencial – ao fazer passar por credível as declarações de “um notório bandido que será premiado (caso Aécio vença) por se ter prestado a este papel de delator premeditado”. Declarações que teriam violado a legislação eleitoral e, por isso, susceptivel da proibição de circulação deste tenebroso número da Veja, cuja capa contém as fotos em fundo negro de Lula e Dilma ladeando o título a vermelho “Eles sabiam de Tudo”. A divulgação do escândalo do “Petrolão” é contudo bem anterior. E se é mentira porquê proibir? Por outro lado, o envolvimento da imprensa na compra e venda de influências é evidente. O editor-executivo da revista Veja é ao mesmo tempo um dos responsáveis pela comunicação da campanha presidencial do ultraconservador Aécio Neves e o biografo que publicou um livro sobre a vida do ex-ministro José Dirceu, outra personalidade incriminada no anterior escândalo do Mensalão que envolveu o PT. O dono do jornal “O Estado de S. Paulo” foi visto numa manifestação por Aécio pelas ruas de São Paulo com o cartaz: “Foda-se a Venezuela”. Por fim, a hipotética lisura do processo de voto electrónico está na mão de empresas privadas.
Dilma vs Aécio, algumas comparações
O pai de Dilma era um imigrante búlgaro, Pedro Rousseff, advogado e empresário. Aécio vem da família de políticos do seu avô materno Tancredo Neves, que foi ministro da Justiça de Getúlio Vargas, governador de Minas Gerais e primeiro presidente civil eleito pelo partido Arena que apoiava a ditadura militar. A jovem Dilma lutou como guerrilheira contra a ditadura militar, foi presa e barbaramente torturada.
O primeiro emprego de Dilma foi aos 28 anos, como funcionária da Fundação de Economia e Estatística, de onde seria demitida pela ditadura. Aécio foi nomeado para o seu primeiro emprego aos 17 anos, como oficial de gabinete do ministério da Justiça, Aos 19 anos tornou-se assessor do gabinete do próprio pai, deputado federal em Brasília. Em 1983 Aécio é nomeado secretário particular do avô, o governador Tancredo Neves. Quando foi eleito presidente, Tancredo indicou o neto como secretário de Assuntos Especiais da Presidência. Só em 1990 a prática de nomear parentes para cargos de chefia foi proibida. Em 2002 Aécio Neves foi eleito governador de Minas Gerais e reeleito em 2006. Como governador tem uma longa lista de acusações de corrupção, de mentiras e práticas censórias. Dilma é odiada pelos militares que participaram ou aprovaram a ditadura. Aécio recebe o apoio deles. Dilma chama o golpe militar de “golpe”. Aécio chama o golpe de “revolução”. O padrinho político de Aécio (além do avô Tancredo) é o ex-presidente do PSDB Fernando Henrique Cardoso (grande amigo do nosso "socialista" Mário Soares), cujo politica no Brasil foi marcada pelas privatizações de empresas públicas, pela recessão, pelo desemprego, pela desigualdade, pela fome no Nordeste, pelo salário mínimo em queda, pela dependência do FMI (Fundo Monetário Internacional), pelo sucateamento do ensino e pela política externa de subserviência aos Estados Unidos. Lula da Silva e Dilma Roussef popularizaram-se pela atribuição de um subsidio que permitiu a todos os brasileiros tomarem o pequeno almoço, mas carimbaram a mesma subserviência aos EUA pela assinatura em beneficio da burguesia do agronegócio da soja e do etanol com George W. Bush.
O PT de Lula e Dilma tem o "Mensalão" e o "Petrolão" no curriculo, havendo contudo diferenças quantitativas, Aécio é acusado de roubar 4,3 mil milhões, cerca de 78 mensalões. Ambos os processos foram arquivados, sem que nenhum dos principais responsáveis fossem condenados. Mas quando Dilma sobe nas sondagens, os especuladores não gostam e a Bolsa cai. Quando Aécio sobe nas sondagens, os especuladores comemoram e a Bolsa sobe. Aécio foi blindado pela imprensa local e nacional durante toda a sua carreira política, mas é acusado de censurar e perseguir jornalistas. O PT de Lula e Dilma foi acusado seguidas vezes pela mesma imprensa de “atentar” contra a liberdade de expressão. Na primeira volta da eleição Dilma teve mais votos entre os mais pobres e negros. Aécio teve mais votos entre os mais ricos e brancos. Ambos diferentes mas iguais, existem diferenças. Contudo, ao invés da escolha para o mais elevado cargo politico no Brasil, a disputa mais parece uma escolha entre dois gangs de trapaceiros e oportunistas.
A campanha para a re-eleição da presidente do Partido dito dos Trabalhadores, Dilma Roussef, afirma que a revelação deste depoimento pela revista Veja se trata de um golpe-bomba publicitário pago pela campanha do conservador tucano Aécio Neves em vésperas de eleição presidencial – ao fazer passar por credível as declarações de “um notório bandido que será premiado (caso Aécio vença) por se ter prestado a este papel de delator premeditado”. Declarações que teriam violado a legislação eleitoral e, por isso, susceptivel da proibição de circulação deste tenebroso número da Veja, cuja capa contém as fotos em fundo negro de Lula e Dilma ladeando o título a vermelho “Eles sabiam de Tudo”. A divulgação do escândalo do “Petrolão” é contudo bem anterior. E se é mentira porquê proibir? Por outro lado, o envolvimento da imprensa na compra e venda de influências é evidente. O editor-executivo da revista Veja é ao mesmo tempo um dos responsáveis pela comunicação da campanha presidencial do ultraconservador Aécio Neves e o biografo que publicou um livro sobre a vida do ex-ministro José Dirceu, outra personalidade incriminada no anterior escândalo do Mensalão que envolveu o PT. O dono do jornal “O Estado de S. Paulo” foi visto numa manifestação por Aécio pelas ruas de São Paulo com o cartaz: “Foda-se a Venezuela”. Por fim, a hipotética lisura do processo de voto electrónico está na mão de empresas privadas.
Dilma vs Aécio, algumas comparações
O pai de Dilma era um imigrante búlgaro, Pedro Rousseff, advogado e empresário. Aécio vem da família de políticos do seu avô materno Tancredo Neves, que foi ministro da Justiça de Getúlio Vargas, governador de Minas Gerais e primeiro presidente civil eleito pelo partido Arena que apoiava a ditadura militar. A jovem Dilma lutou como guerrilheira contra a ditadura militar, foi presa e barbaramente torturada.
O primeiro emprego de Dilma foi aos 28 anos, como funcionária da Fundação de Economia e Estatística, de onde seria demitida pela ditadura. Aécio foi nomeado para o seu primeiro emprego aos 17 anos, como oficial de gabinete do ministério da Justiça, Aos 19 anos tornou-se assessor do gabinete do próprio pai, deputado federal em Brasília. Em 1983 Aécio é nomeado secretário particular do avô, o governador Tancredo Neves. Quando foi eleito presidente, Tancredo indicou o neto como secretário de Assuntos Especiais da Presidência. Só em 1990 a prática de nomear parentes para cargos de chefia foi proibida. Em 2002 Aécio Neves foi eleito governador de Minas Gerais e reeleito em 2006. Como governador tem uma longa lista de acusações de corrupção, de mentiras e práticas censórias. Dilma é odiada pelos militares que participaram ou aprovaram a ditadura. Aécio recebe o apoio deles. Dilma chama o golpe militar de “golpe”. Aécio chama o golpe de “revolução”. O padrinho político de Aécio (além do avô Tancredo) é o ex-presidente do PSDB Fernando Henrique Cardoso (grande amigo do nosso "socialista" Mário Soares), cujo politica no Brasil foi marcada pelas privatizações de empresas públicas, pela recessão, pelo desemprego, pela desigualdade, pela fome no Nordeste, pelo salário mínimo em queda, pela dependência do FMI (Fundo Monetário Internacional), pelo sucateamento do ensino e pela política externa de subserviência aos Estados Unidos. Lula da Silva e Dilma Roussef popularizaram-se pela atribuição de um subsidio que permitiu a todos os brasileiros tomarem o pequeno almoço, mas carimbaram a mesma subserviência aos EUA pela assinatura em beneficio da burguesia do agronegócio da soja e do etanol com George W. Bush.
O PT de Lula e Dilma tem o "Mensalão" e o "Petrolão" no curriculo, havendo contudo diferenças quantitativas, Aécio é acusado de roubar 4,3 mil milhões, cerca de 78 mensalões. Ambos os processos foram arquivados, sem que nenhum dos principais responsáveis fossem condenados. Mas quando Dilma sobe nas sondagens, os especuladores não gostam e a Bolsa cai. Quando Aécio sobe nas sondagens, os especuladores comemoram e a Bolsa sobe. Aécio foi blindado pela imprensa local e nacional durante toda a sua carreira política, mas é acusado de censurar e perseguir jornalistas. O PT de Lula e Dilma foi acusado seguidas vezes pela mesma imprensa de “atentar” contra a liberdade de expressão. Na primeira volta da eleição Dilma teve mais votos entre os mais pobres e negros. Aécio teve mais votos entre os mais ricos e brancos. Ambos diferentes mas iguais, existem diferenças. Contudo, ao invés da escolha para o mais elevado cargo politico no Brasil, a disputa mais parece uma escolha entre dois gangs de trapaceiros e oportunistas.
terça-feira, março 19, 2013
do pirata Francis(co) Drake, até ao pirata das mentes Francisco
Estou tão enjoado desta gente sanguinária dos barcos que invadem o nosso país, desrespeitam o nosso modo de viver, roubam-nos os empregos, tomam posse das nossas terras! desrespeitam as nossas leis, organizam bandos de criminosos, traficam drogas para os nossos filhos! eles não querem ser assimilados nas nossa comunidades... e nem sequer fazem um esforço para aprender a nossa língua!
objectivo a conquistar: América Latina
(livre das revoluções sociais que são
uma maçada para a pilhagem de recursos)
Foram 3 os habitantes residentes nas Ilhas Falklands que votaram "não" contra a solução recentemente proposta em referendo do arquipélago se reconverter para Ilhas Malvinas sob soberania da Argentina. Votaram "sim" pela permanência da actual soberania britânica 1.513 residentes.
Cristina Kirchner foi a Roma e levou um beijinho do Papa Francisco, enquanto lhe segredava ao ouvido que as Falkland, um problema bem conhecido dos tempos da amizade do Papa Bergoglio com a ditadura militar de Videla, se situam a 12.734,49 quilómetros da séde do seu actual governo em Londres... ao passo que as Malvinas estão a pouco mais de 700 quilómetros da costa da Argentina. Obviamente, sujeitas à influência de uma massa populacional próxima cujo nacionalismo latino-americano agora desponta, o destino das Malvinas é mudar de população que possa votar de modo diferente. O problema é que a zona económica exclusiva das ilhas Falklands tem petróleo off-shore. O que terá respondido o Papa a Cristina?
continuam a chegar testemunhos:
* Sobre a cumplicidade da Igreja Católica do bispo Bergoglio com a ditadura militar de Videla
* Horacio Verbitsky; O seu passado condena-o!
.
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objectivo a conquistar: América Latina
(livre das revoluções sociais que são
uma maçada para a pilhagem de recursos)
Foram 3 os habitantes residentes nas Ilhas Falklands que votaram "não" contra a solução recentemente proposta em referendo do arquipélago se reconverter para Ilhas Malvinas sob soberania da Argentina. Votaram "sim" pela permanência da actual soberania britânica 1.513 residentes.
Cristina Kirchner foi a Roma e levou um beijinho do Papa Francisco, enquanto lhe segredava ao ouvido que as Falkland, um problema bem conhecido dos tempos da amizade do Papa Bergoglio com a ditadura militar de Videla, se situam a 12.734,49 quilómetros da séde do seu actual governo em Londres... ao passo que as Malvinas estão a pouco mais de 700 quilómetros da costa da Argentina. Obviamente, sujeitas à influência de uma massa populacional próxima cujo nacionalismo latino-americano agora desponta, o destino das Malvinas é mudar de população que possa votar de modo diferente. O problema é que a zona económica exclusiva das ilhas Falklands tem petróleo off-shore. O que terá respondido o Papa a Cristina?continuam a chegar testemunhos:
* Sobre a cumplicidade da Igreja Católica do bispo Bergoglio com a ditadura militar de Videla
* Horacio Verbitsky; O seu passado condena-o!
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quarta-feira, março 06, 2013
a Venezuela de Chávez é uma grande derrota para o Imperialismo Yankee
Ele levantou-se contra o Imperialismo e lutou para mudar a situação do seu povo, arrastando com isso todos os povos da América Latina. Inclusivé ajudou os pobres dos Estados Unidos concedendo-lhes combustíveis e petróleo barato para usar no aquecimento das casas no Inverno. Fazendo de Chávez uma Lenda, com um programa revolucionário e uma coligação de forças revolucionárias, o Povo da Venezuela triunfará!
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terça-feira, março 05, 2013
Hugo Rafael Chávez Frías 1954-2013
Presidente da Venezuela nos últimos 14 anos, líder do "Partido Socialista Unificado" e da Revolução Bolivariana, Chávez advogou uma ideologia sui-generis, promovendo o que denominou de "socialismo do século XXI", um slogan inventado pelo sociólogo alemão Heinz Dieterich em 1996 que foi assessor do governo de Hugo Chávez até 2007.
Numa entrevista ao diário chileno "La Tercera", publicada em 31 de Dezembro passado, Dieterich afirma que “tudo indica que o cancro de que sofre o presidente é um "rabdomiosarcoma de disseminação rápida” (...) pelo que “as probabilidades de que Chávez sobreviva a médio prazo são escassas, “sendo quase impossivel que (Chávez) volte a exercer o cargo de presidente"

O vice-presidente Nicolás Maduro ao anunciar a morte iniciou nesse preciso momento a sua campanha eleitoral denunciando uma velha suspeita da doença ter sido inoculada: “o cancro do presidente foi obra dos inimigos da Pátria e da Revolução” adiantando que será criada uma comissão científica para tirar o caso a limpo. Não é a primeira vez que as autoridades venezuelanas avançam esta tese conspirativa. Em 2011, o próprio Hugo Chávez tinha lançado suspeitas sobre os problemas cancerigenos que atingiram vários líderes sul-americanos de esquerda num curto período de tempo, nomeadamente Fernando Lugo (do Paraguai), Nestor Kirchner (Argentina), Lula da Silva e Dilma Roussef (Brasil) e ele próprio, Hugo Chávez. Na altura o presidente da Venezuela disse que não estava a acusar ninguém mas considerou muito provável que uma técnica para induzir artificialmente o cancro tenha sido desenvolvida nos EUA nos últimos 50 anos.
Para enfatizar a vertente anti-imperialista do governo bolivariano a Venezuela de Nicolás Maduro expulsou imediatamente o segundo adido militar da embaixada dos EUA (1) acusado de estar envolvido numa tentativa de destabilização das Forças Armadas. O ministro da Defesa, Diego Molero Bellavia, declarou total apoio ao governo: “As Forças Armadas Bolivarianas garantirão o cumprimento da Constituição (...) estão com o Povo, isto é, com o seu coração? Todos nós temos o dever de fazer cumprir esta missão. Aconteça o que acontecer, seguiremos tendo Pátria” - a Revolução é que não está garantida, principalmente quando se insiste num regime que mantêm partidos contra-revolucionários com possibilidades de chegar ao Poder e destruir o pouco que foi construido em mais de uma década.
Maduro encerrou o comunicado de hoje com uma canção do cantautor venezuelano Alí Primera que diz “os que morrem pela vida não podem chamar-se mortos. A partir deste momento é proibido chorar. Levantemo-nos!"
(1) ex-presidente Jimmy Carter: "Não temos dúvidas do compromisso de Chávez em melhorar as condições de vida de milhões de pessoas"
(2) Entrevista em 2009
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Numa entrevista ao diário chileno "La Tercera", publicada em 31 de Dezembro passado, Dieterich afirma que “tudo indica que o cancro de que sofre o presidente é um "rabdomiosarcoma de disseminação rápida” (...) pelo que “as probabilidades de que Chávez sobreviva a médio prazo são escassas, “sendo quase impossivel que (Chávez) volte a exercer o cargo de presidente"

O vice-presidente Nicolás Maduro ao anunciar a morte iniciou nesse preciso momento a sua campanha eleitoral denunciando uma velha suspeita da doença ter sido inoculada: “o cancro do presidente foi obra dos inimigos da Pátria e da Revolução” adiantando que será criada uma comissão científica para tirar o caso a limpo. Não é a primeira vez que as autoridades venezuelanas avançam esta tese conspirativa. Em 2011, o próprio Hugo Chávez tinha lançado suspeitas sobre os problemas cancerigenos que atingiram vários líderes sul-americanos de esquerda num curto período de tempo, nomeadamente Fernando Lugo (do Paraguai), Nestor Kirchner (Argentina), Lula da Silva e Dilma Roussef (Brasil) e ele próprio, Hugo Chávez. Na altura o presidente da Venezuela disse que não estava a acusar ninguém mas considerou muito provável que uma técnica para induzir artificialmente o cancro tenha sido desenvolvida nos EUA nos últimos 50 anos.
Maduro encerrou o comunicado de hoje com uma canção do cantautor venezuelano Alí Primera que diz “os que morrem pela vida não podem chamar-se mortos. A partir deste momento é proibido chorar. Levantemo-nos!"
(1) ex-presidente Jimmy Carter: "Não temos dúvidas do compromisso de Chávez em melhorar as condições de vida de milhões de pessoas"
(2) Entrevista em 2009
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segunda-feira, março 04, 2013
e tu Passos Coelho? não andas a aldrabar nada?
"Alguém de nós sabe de sanções aplicadas contra aqueles que no Fundo Monetário Internacional se têm enriquecido a si próprios enquanto tratam de fazer explodir o mundo?"Cristina Fernandez de Kirchner, numa mensagem curta mas bombástica no "twitter", depois do FMI censurar a presidente da Argentina por o seu governo ter publicado estatisticas com dados económicos que afirmam ter sido falsificados.
Dados estatisticos verdadeiros serão, segundo o FMI, aqueles que sustentam que os governantes de Portugal acusem os serviços sociais do Estado que os contribuintes já pagaram em tempo, de causarem prejuizo, enquanto 70% das "despesas públicas" cobradas em impostos são subrepticiamente desviadas para pagar dívidas e juros usurários aos especuladores que têm como meio de defender os seus interesses o próprio FMI...
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quinta-feira, dezembro 20, 2012
o Mundo acaba amanhã
o Calendário de fazer previsões sobre o futuro (onde o "agora" passa já a ser História) dos seres humanos, sempre se fundou na sua relação com os maus espíritos e os anjos bons.Essas previsões baseiam-se no facto dos Demónios sempre terem agriculturado as pessoas azaradas desde a sua Criação na sua qualidade de espécimens que recolhem energia negativa da nossa dor.
Agora que os Demónios tomaram o controlo do Poder é que eles vão começar a matar a sério todos aqueles desa- fortunados que não pertencem ao circulo íntimo das elites dominantes. Há muita gente que acredita que tal acontecerá já com o fim-do-mundo no dia 21 de Dezembro. Como regra geral o povo não sabe o que fazer para conquistar autonomia sobre o seu próprio destino, resta-lhe rezar a Deus que nos venha acudir. Pode ser que tenha sorte e se safe; mas, obviamente, não será fácil os Demónios acabarem com o Mundo… Assim há que continuar a fazer pela vida, trabalhando arduamente para erradicar os demónios da imaginação popular!
Para lá da data proposta para o fim do mundo
Para uns e outros, Anjos e Demónios, há uma boa/má notícia para os crentes no apocalipse Maya de 2012. A parte boa da noticia é que a palavra Maia (que significa “Contagem Longa” não pode acabar em 21 de Dezembro de 2012 (e, por extensão, o Mundo não pode acabar junto com ele). A má notícia para os crentes na profecia é… se o calendário não termina em Dezembro de 2012, ninguém sabe quando o Mundo realmente irá terminar - ou sequer se o fim tem data marcada.
Uma nova crítica, publicada num capítulo do novo livro "Calendários e Anos II: a Astronomia e o Tempo no Mundo Antigo e Medieval" (Oxbow Books, 2010), argumenta que as conversões aceites das datas dos Mayas para o calendário moderno pode estar desajustada em 50 ou 100 anos. Tal facto lançaria o suposto e exagerado apolcalipse 2012 para a frente por umas quantas décadas, uma vez que estão postas em dúvida as datas dos eventos históricos Maias. As preocupações apocalípticas são baseadas no facto de que o calendário Maya termina em 2012, tanto quanto o nosso ano termina em 31 de Dezembro. Assim, depois das festarolas de fim de ano, há que continuar a lutar pela vida!
Destruir a Terra pode ser bastante mais dificil do que aquilo que qualquer um possa ser levado a imaginar
Todos já viram filmes de acção, onde o bandido ameaça destruir a Terra. Essa noticia já foi ouvida por toda a gente, seja alegando a próxima guerra nuclear, por abater florestas tropicais ou persistindo em emitir quantidades hediondas de gases poluidores na atmosfera. É coisa de doidos.
A Terra foi feita para durar. É um rochedo com 4.550.000.000 anos de idade. (Embora a Biblia jure que tem apenas 6.000 anos). Somos unm produto integrado de uma bola composta por 5,973,600,000,000,000,000,000 toneladas de ferro. Conseguimos sucessos contra asteróides mais devastadores e em número bem maior que refeições quentes que cada gajo já ingeriu numa vida inteira… e eis que a Terra ainda orbita alegremente. Portanto, o primeiro conselho que se daria a cada um dos caríssimos adeptos do fim-do-mundo é que não pensem que vai ser fácil… a luta pela preservação das nossas vidas com dignidade tem de continuar!
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Agora que os Demónios tomaram o controlo do Poder é que eles vão começar a matar a sério todos aqueles desa- fortunados que não pertencem ao circulo íntimo das elites dominantes. Há muita gente que acredita que tal acontecerá já com o fim-do-mundo no dia 21 de Dezembro. Como regra geral o povo não sabe o que fazer para conquistar autonomia sobre o seu próprio destino, resta-lhe rezar a Deus que nos venha acudir. Pode ser que tenha sorte e se safe; mas, obviamente, não será fácil os Demónios acabarem com o Mundo… Assim há que continuar a fazer pela vida, trabalhando arduamente para erradicar os demónios da imaginação popular!
Para lá da data proposta para o fim do mundo
Para uns e outros, Anjos e Demónios, há uma boa/má notícia para os crentes no apocalipse Maya de 2012. A parte boa da noticia é que a palavra Maia (que significa “Contagem Longa” não pode acabar em 21 de Dezembro de 2012 (e, por extensão, o Mundo não pode acabar junto com ele). A má notícia para os crentes na profecia é… se o calendário não termina em Dezembro de 2012, ninguém sabe quando o Mundo realmente irá terminar - ou sequer se o fim tem data marcada.
Uma nova crítica, publicada num capítulo do novo livro "Calendários e Anos II: a Astronomia e o Tempo no Mundo Antigo e Medieval" (Oxbow Books, 2010), argumenta que as conversões aceites das datas dos Mayas para o calendário moderno pode estar desajustada em 50 ou 100 anos. Tal facto lançaria o suposto e exagerado apolcalipse 2012 para a frente por umas quantas décadas, uma vez que estão postas em dúvida as datas dos eventos históricos Maias. As preocupações apocalípticas são baseadas no facto de que o calendário Maya termina em 2012, tanto quanto o nosso ano termina em 31 de Dezembro. Assim, depois das festarolas de fim de ano, há que continuar a lutar pela vida!
Destruir a Terra pode ser bastante mais dificil do que aquilo que qualquer um possa ser levado a imaginar
Todos já viram filmes de acção, onde o bandido ameaça destruir a Terra. Essa noticia já foi ouvida por toda a gente, seja alegando a próxima guerra nuclear, por abater florestas tropicais ou persistindo em emitir quantidades hediondas de gases poluidores na atmosfera. É coisa de doidos.
A Terra foi feita para durar. É um rochedo com 4.550.000.000 anos de idade. (Embora a Biblia jure que tem apenas 6.000 anos). Somos unm produto integrado de uma bola composta por 5,973,600,000,000,000,000,000 toneladas de ferro. Conseguimos sucessos contra asteróides mais devastadores e em número bem maior que refeições quentes que cada gajo já ingeriu numa vida inteira… e eis que a Terra ainda orbita alegremente. Portanto, o primeiro conselho que se daria a cada um dos caríssimos adeptos do fim-do-mundo é que não pensem que vai ser fácil… a luta pela preservação das nossas vidas com dignidade tem de continuar!
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sexta-feira, julho 27, 2012
quinta-feira, julho 12, 2012
o caso da Dívida da Argentina
Do ensaio radical do neoliberalismo à bancarrota. A experiência económica neocolonial que aconteceu na América Latina na época do “pátio das traseiras norteamericano”, chega actualmente à periferia da Europa. Do opúsculo "Viver em Dividocracia, Quem deve o quê a quem?" respiga-se e traduz-se aqui o capitulo sobre a dívida da Argentina. Normalmente este é apresentado como um caso modelo, exemplar. Mas por detrás da aparente ousadia de recusar pagar uma parte da dívida externa, os governos neo-peronistas dos Kirchner faziam acordos com a administração Bush no sentido de aprovar a nivel interno leis de repressão decretadas no interesse geral do Imperialismo.
Em finais de 1975 a dívida argentina ascendia a 7.800 milhões de dólares, e cada argentino/a devia 320 dólares. Com a ditadura da junta militar a dívida aumentou 465%, até aos 1.500 dólares por habitante. O endividamento foi paralelo à imposição do modelo liberal a sangue e fogo, que destruiu a economia de um país medianamente industrializado e com índices de desenvolvimento aceitáveis. Foi então perpretada uma profunda desregulamentação do sistema financeiro, a obrigação de endividamento desnecessário das empresas públicas, o endividamento de empresas privadas e, finalmente, a assumpção dessas dívidas privadas como públicas por parte do Estado. Tudo isto conduziu à explosão da dívida, que pode ser qualificada por inteiro de odiosa. A crise da dívida nos anos 80 afectou também a Argentina, quando passou a ser democrática. A partir daí o FMI interveio com o seu “Plano de Ajuste Estrutural”. Sob a batuta do que é conhecido como Consenso de Washington impuseram-se cortes sociais, privatizações, venda de património público e, finalmente, a convertibilidade da moeda (o peso argentino passou a valer um dólar norte-americano) perdendo a Argentina a sua soberania monetária. Apesar do “resgate” e da “ajuda” a dívida continuou a crescer vertiginosamente até aos 147.000 milhões de dólares em finais dos anos 90. Em Dezembro de 2001 o governo argentino caiu no meio dos protestos generalizados, pelo aumento do desemprego e pelo colapso do peso (que ninguém acreditava já equivaler ao dólar). O sistema bancário desmoronou-se e as contas bancárias foram congeladas (o que ficou conhecido por “corralito”). Mais de metade da população tinha caído em patamares abaixo do limiar de pobreza. Tudo isto marcou o final de uma experiência económica que, até havia poucos anos antes, tinha sido considerada como um orgulhoso exemplo do êxito do mercado livre e do paradigma neoliberal (1)
Depois do estalar da crise, a Argentina continuou a negociar com o FMI um pacote de resgate que ajudasse â recuperação económica. Sem dúvidas, o FMI continuou a recomendar as mesmas politicas danosas. A Argentina respondeu com um rotundo Não! ao FMI e anunciou uma moratória unilateral sobre o reembolso da sua dívida externa. Ou seja, deixou de pagar e rompeu com todas as regras (2). O prognóstico dos especialistas foi de depressão e definhamento económico porém o resultado foi precisamente o contrário (3). Do default da dívida resultou a chave que possibilitou a recuperação económica do país. O governo não só passou a dispôr dos recursos necessários para isso, como até, ao não necessitar de novos empréstimos, se libertou do FMI e da obrigação de adoptar politicas económicas prejudiciais, para contentar antes os mercados e os credores (4).
Pese que o total da dívida continue hoje a ser muito elevado, esta não tem o impacto que tinha há uma década (5). Durante o ano de 2011 a Argentina negociou com o Clube de Paris a re-estruturação de uma parte da dívida sem a presença do FMI, rompendo assim uma norma não escrita das negociações da dívida. O Clube de Paris (6) acabou por aceitar um haircut (redução da dívida) correspondente a uma parte de dívidas ilegitimas contraídas pela ditadura militar. Sem ser nada de radical, (porque toda a dívida é ilegitima por ser contraída pelo conluio dos governos burgueses com o interesse dos credores estrangeiros para sacar juros usurários e comissões) a Argentina é o exemplo de que, no mínimo, exercer o direito soberano de não pagar e não ceder às condições impostas pelos credores pode ser a única saída possivel.
Nenhum banqueiro foi preso ou sequer molestado; ao contrário, para os indignados que protestam, a Argentina da era do casal Kirchner fez aprovar em 2005 no Congresso a legislação anti-terrorista sugerida (e de certo modo imposta) por Bush, que como se sabe se destina principalmente a criminalizar os dissidentes que lutam contra o sistema. A presidente Cristina Kirchner já a fez estrear contra organizações populares
notas
(1) A estranha história de Bush na Crise da Dívida Argentina
(2) O caso levou a secretária de Estado Hillary Clinton a comentar o aspecto fisico da presidente Kirchner, notando “estar extremamente magra com sintomas de sofrer de ansiedade e stress nervoso”. De seguida inquiriu os seus diplomatas no sentido de averiguarem se Kirchner “sofria de alguma doença mental” (Guardian)
(3) “Ya Basta!: la opcion de repudio de la deuda”, por Christian Aid, disponível em Gloobal.Net
(4) “La Deuda Argentina, História, Default y Reestruturación”, Sedes, Buenos Aires, 2005
(5) “Reflexiones desde la Experiencia Argentina para el Debate sobre la Deuda de Portugal, Grecia, Irlanda, España...”, Eduardo Lucita, disponivel no CADTM.Org
(6) Segmentando os credores internacionais
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Em finais de 1975 a dívida argentina ascendia a 7.800 milhões de dólares, e cada argentino/a devia 320 dólares. Com a ditadura da junta militar a dívida aumentou 465%, até aos 1.500 dólares por habitante. O endividamento foi paralelo à imposição do modelo liberal a sangue e fogo, que destruiu a economia de um país medianamente industrializado e com índices de desenvolvimento aceitáveis. Foi então perpretada uma profunda desregulamentação do sistema financeiro, a obrigação de endividamento desnecessário das empresas públicas, o endividamento de empresas privadas e, finalmente, a assumpção dessas dívidas privadas como públicas por parte do Estado. Tudo isto conduziu à explosão da dívida, que pode ser qualificada por inteiro de odiosa. A crise da dívida nos anos 80 afectou também a Argentina, quando passou a ser democrática. A partir daí o FMI interveio com o seu “Plano de Ajuste Estrutural”. Sob a batuta do que é conhecido como Consenso de Washington impuseram-se cortes sociais, privatizações, venda de património público e, finalmente, a convertibilidade da moeda (o peso argentino passou a valer um dólar norte-americano) perdendo a Argentina a sua soberania monetária. Apesar do “resgate” e da “ajuda” a dívida continuou a crescer vertiginosamente até aos 147.000 milhões de dólares em finais dos anos 90. Em Dezembro de 2001 o governo argentino caiu no meio dos protestos generalizados, pelo aumento do desemprego e pelo colapso do peso (que ninguém acreditava já equivaler ao dólar). O sistema bancário desmoronou-se e as contas bancárias foram congeladas (o que ficou conhecido por “corralito”). Mais de metade da população tinha caído em patamares abaixo do limiar de pobreza. Tudo isto marcou o final de uma experiência económica que, até havia poucos anos antes, tinha sido considerada como um orgulhoso exemplo do êxito do mercado livre e do paradigma neoliberal (1)
Depois do estalar da crise, a Argentina continuou a negociar com o FMI um pacote de resgate que ajudasse â recuperação económica. Sem dúvidas, o FMI continuou a recomendar as mesmas politicas danosas. A Argentina respondeu com um rotundo Não! ao FMI e anunciou uma moratória unilateral sobre o reembolso da sua dívida externa. Ou seja, deixou de pagar e rompeu com todas as regras (2). O prognóstico dos especialistas foi de depressão e definhamento económico porém o resultado foi precisamente o contrário (3). Do default da dívida resultou a chave que possibilitou a recuperação económica do país. O governo não só passou a dispôr dos recursos necessários para isso, como até, ao não necessitar de novos empréstimos, se libertou do FMI e da obrigação de adoptar politicas económicas prejudiciais, para contentar antes os mercados e os credores (4).
Pese que o total da dívida continue hoje a ser muito elevado, esta não tem o impacto que tinha há uma década (5). Durante o ano de 2011 a Argentina negociou com o Clube de Paris a re-estruturação de uma parte da dívida sem a presença do FMI, rompendo assim uma norma não escrita das negociações da dívida. O Clube de Paris (6) acabou por aceitar um haircut (redução da dívida) correspondente a uma parte de dívidas ilegitimas contraídas pela ditadura militar. Sem ser nada de radical, (porque toda a dívida é ilegitima por ser contraída pelo conluio dos governos burgueses com o interesse dos credores estrangeiros para sacar juros usurários e comissões) a Argentina é o exemplo de que, no mínimo, exercer o direito soberano de não pagar e não ceder às condições impostas pelos credores pode ser a única saída possivel.
Nenhum banqueiro foi preso ou sequer molestado; ao contrário, para os indignados que protestam, a Argentina da era do casal Kirchner fez aprovar em 2005 no Congresso a legislação anti-terrorista sugerida (e de certo modo imposta) por Bush, que como se sabe se destina principalmente a criminalizar os dissidentes que lutam contra o sistema. A presidente Cristina Kirchner já a fez estrear contra organizações populares
(2) O caso levou a secretária de Estado Hillary Clinton a comentar o aspecto fisico da presidente Kirchner, notando “estar extremamente magra com sintomas de sofrer de ansiedade e stress nervoso”. De seguida inquiriu os seus diplomatas no sentido de averiguarem se Kirchner “sofria de alguma doença mental” (Guardian)
(3) “Ya Basta!: la opcion de repudio de la deuda”, por Christian Aid, disponível em Gloobal.Net
(4) “La Deuda Argentina, História, Default y Reestruturación”, Sedes, Buenos Aires, 2005
(5) “Reflexiones desde la Experiencia Argentina para el Debate sobre la Deuda de Portugal, Grecia, Irlanda, España...”, Eduardo Lucita, disponivel no CADTM.Org
(6) Segmentando os credores internacionais
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domingo, junho 24, 2012
vai-me perdoar meu senhor, mas eu não sei filosofar
Música Revolucionária do cantor venezuelano Ali Primera (1941-1985), "Yo No Se Filosofar"
"... A luta sindical e a prática parlamentar estão consideradas como sendo os meios de educar e conduzir pouco a pouco o proletariado até à tomada do poder político (...)
... os fundamentos teóricos exclusivamente reformistas (de Eduard Bernstein) privam o programa socialista da sua base material e tratam de lhe dar uma base meramente idealista (...)
a reforma e a revolução não são, portanto, métodos distintos de progresso histórico que se possam escolher livremente no mostrador da História, como quando se escolhem salsichas quentes ou frias, apenas são momentos distintos no desenvolvimento da sociedade de classes, que se condicionam e complementam entre si e ao mesmo tempo se excluem mutuamente, como o Polo Norte e o Polo Sul, ou a Burguesia e o Proletariado"
(Rosa Luxemburgo, in "Reforma ou Revolução", 2ª edição de 1908)
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"... A luta sindical e a prática parlamentar estão consideradas como sendo os meios de educar e conduzir pouco a pouco o proletariado até à tomada do poder político (...)
... os fundamentos teóricos exclusivamente reformistas (de Eduard Bernstein) privam o programa socialista da sua base material e tratam de lhe dar uma base meramente idealista (...)a reforma e a revolução não são, portanto, métodos distintos de progresso histórico que se possam escolher livremente no mostrador da História, como quando se escolhem salsichas quentes ou frias, apenas são momentos distintos no desenvolvimento da sociedade de classes, que se condicionam e complementam entre si e ao mesmo tempo se excluem mutuamente, como o Polo Norte e o Polo Sul, ou a Burguesia e o Proletariado"
(Rosa Luxemburgo, in "Reforma ou Revolução", 2ª edição de 1908)
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domingo, abril 15, 2012
"mañana será republicana"
Se Portugal não é a Grécia, a Espanha não é Portugal. As crescentes manifestações das populações contra a austeridade que se vão verificando, apostam decididamente numa mudança radical do regime. "Amanhã seremos de novo Republicanos" é o grito de guerra contra a monarquia corrupta. Centenas de bandeiras da República Espanhola agitam-se sob vento; uma ala mais radical apela inclusivamente à clássica união de operários e estudantes na reivindicação da III República, Socialista! Espanha tem a maior taxa de desemprego do Ocidente; dramas sociais imensos; risco de bancarrota muito próximo; juventude sem horizontes de curto ou médio prazo; milhares e milhares de espanhóis estão em desespero absoluto; E que faz el-Rei D. Juan nestas circunstâncias face à "crise"?
Don Juan Carlos de Bourbon declara um corte de 170 mil euros
no orçamento da Casa Real e vai à caça do Elefante para o Botswana
pela módica quantia de 30.000 euros, excepto aviões
Entretanto, enquanto os paises de lingua castelhana na América Latina, por pressão dos Estados Unidos, continuam a vetar a participação de Cuba na Cimeira das Américas (parece que este ano pela última vez), 12 agentes dos serviços secretos que acompanham Obama nesta Cimeira realizada na estância turística de Cartagena na Colômbia foram apanhados com prostitutas nos hotéis. A Reuters "informa" que foram apenas 5 os agentes secretos que usufruiram das orgias sexuais low cost, que o presidente Obama lhes mantém total confiança, e apelida o comportamento escandaloso de "má conduta", recusando-se o porta-voz oficial a especificar detalhes sobre o que teria sido essa "má-conduta". Tão puritanos que eles são... (Reuters)
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quinta-feira, janeiro 19, 2012
La Habana em Cuba considerada um dos melhores destinos de férias do Mundo
o diário norte-americano The New York Times publicou uma lista dos 45 destinos no mundo como sendo os lugares mais recomendados para visitar em 2012. Em 10º lugar está a capital cubana. O "nosso" Allgarve, da Via do Infante para ricos, do betão armado, da lata automóvel a granel, da água-choca acastanhada, jet-set foleiro e dos assaltos (ainda assim) aparece na 29ª posição * Nova lei de venda de imóveis cria especulação imobiliária em Havana
* Mercedes-Benz usa imagem de Che Guevara em campanha e provoca ira de cubanos em Miami
* Fidel Castro em Novembro de 2010: "Cuba não será jamais uma sociedade de consumo"
* Nova pequena iniciativa privada paga 35 por cento de imposto ao Estado
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quarta-feira, setembro 21, 2011
O outro 11 de Setembro: a actuação da CIA na liquidação da democracia no Chile
Num texto reaccionário publicado pela Editora Nacional Gabriela Mistral (1) podia ler-se:
“em 1970 o Chile estava infiltrado pela estratégia dos Estado totalitários (…) A economia do país era, em grande percentagem, propriedade estatal e o resto estava sujeito a fortes controlos e ingerências do Estado, o que aplanava o caminho ao comunismo”
O uso da mentira como parte integrante da ideologia neoconservadora, desde fascistas a neoliberais “de esquerda”, é recorrente.
O jornalismo corporativo conta muito pouco desta história

O Governo de Unidade Popular que integrava três forças politicas (uma delas o da Democracia Cristã travestida de esquerda) todas elas reformistas, numa “união” presidido por Salvador Allende tomou posse no dia 4 de Setembro de 1970. Não era um governo revolucionário, nem o tecido económico com os mais importantes sectores das riqueza do país nas mãos de empresas estrangeiras tencionava expropriá-las a preços que “não fossem apropriados”. A indústria do Cobre representava 77% das receitas nacionais e estava, salvo pequenas franjas de pequenos accionistas, na posse de monopólios norte americanos (como a Anaconda ou a Kennecott). A dívida externa do Chile, somados os juros, atingia nesse ano de 1970 a astronómica quantia para a época de 4 mil milhões de dólares (2). O aparelho politico-Militar era hierarquizado por quadros superiores formado na tristemente famosa “Escuela para las Américas” de Fort Bragg. Neste contexto a defesa da Constituição liberal estava entregue às Forças Armadas, que “se abstinham” de intervir na politica, cumprindo a velada doutrina Schneider, que defendia os interesses privados dos investidores estrangeiros, isto é, a mesma política de Defesa dos interesses públicos do governo dos Estados Unidos.
A nacionalização da Grande Indústria Mineira do Cobre era uma reinvindicação histórica absoluta. Em Janeiro de 1971 o texto da Reforma Constitucional que previa a necessidade e urgência de uma completa nacionalização das companhias norte-americanas foi votado no Congresso da República do Chile e ratificada por unanimidade por todos os partidos chilenos, incluindo os de direita. Os montantes estabelecidos para as indemnizações foram calculados por forma a pagar-se preços muito superiores ao valor corrente dos activos aos grandes accionistas e aos bancos estrangeiros (e preços miseráveis aos pequenos accionistas locais). Ainda assim, quando a 21 de Dezembro o Governo pôs em cima da mesa a intenção de subtrair a esses valores os créditos obtidos e usados de forma fraudulenta por essas empresas, os Estados Unidos puseram em acção o arsenal legal do seu sistema jurídico interno para proteger os investimentos privados no estrangeiro e acusaram o Chile de pretender cometer “um acto ilícito”. Escaldados com o que se tinha passado em Cuba, tudo isto tinha sido previsto...
Se o presidente democraticamente eleito Salvador Allende tomou posse a 4 de Setembro de 1970, os documentos com as declarações do briefing de Henry Kissinger à Comissão do Senado em Chicago transmitindo ao embaixador em Santiago do Chile Edward Korry “luz verde para agir com medidas anti-governo socialista em nome do presidente Nixon” tem a data de semana e meia depois: 15 de Setembro de 1970. Os efeitos do boicote económico foram imediatos e brutais. Em Outubro houve ofertas de fundos financeiros de 10 milhões de dólares (3) às forças de extrema direita através do chamado “complot da ITT” (4), soma que atingiria no final do investimento para a desestabilização do Chile os 800 milhões. Começaram os actos terroristas; o general René Schneider foi assassinado para provocar a reacção dos partidos radicais de esquerda e servir de pretexto para uma futura intervenção militar. Os bancos norte-americanos reduziram o acesso do Chile ao crédito num total de 220 milhões em Novembro e mantiveram essa essa politica “de austeridade” até 1972. Em Julho de 1971 o Eximbank denunciou um contrato para o fornecimento de aviões, o BID e o Banco Mundial, sob proposta do Departamento de Estados EUA boicotaram todos os créditos às importações. O Broden Corp. em Janeiro de 1972 fez bloquear todas as principais agências chilenas relacionadas com a indústria do Cobre chileno no estrangeiro, congelando fundos em dinheiro nos Estados Unidos e em vários países europeus.
"Estamos no meio de um Vietname invisivel e silencioso" (Allende)
Em 1973, como resultado do programa de boicote económico, as reservas do Banco Central do Chile tinham baixado de 450 milhões para 3,5 milhões de dólares. O défice fiscal chegou aos 50% do PIB. A dívida externa começou a aumentar à razão de 1 milhão de dólares por dia. A inflação atingiu os 740%. Privada das exportações o total da economia do país decresceu 35%. Em visita ao Chile, no seu discurso de despedida Fidel Castro deixou uma advertência para a fraca mobilização popular para combater o plano de ingerência imperialista. Ainda assim, a 14 de Julho de 1973 o Comité Económico de Ministros do Chile informava terem sido nacionalizadas e ocupadas por organizações populares e de trabalhadores um total de 34.000 empresas e serviços. Enganados pelas promessas reformistas do governo "socialista" a batalha pela abstracta "emancipação dos trabalhadores" estava porém perdida. Porque aquilo que interessava de facto exclusivamente aos interesses imperialistas, coadjuvados pelos interesses da burguesia local era apenas destruir para preservar a exploração desenfreada das riquezas do Chile. Como se viu e continua a ver-se. E são este tipo de monstros que qualquer governo reformista será sempre incapaz de decapitar.
A 11 de Setembro de 1973 a Força Aérea bombardeou o palácio presidencial e as Forças Armadas colocaram o general Augusto Pinochet no poder onde permaneceu até 1990 fazendo da República do Chile cobaia para primeira experiência prática do Neoliberalismo da Escola Económica de Chicago. Estima-se que apenas na primeira semana do putsch militar foram assassinadas mais de mil pessoas; prosseguindo depois a purga que, quatro meses depois, já tinha levado a cabo cerca de 20.000 assassinatos entre civis e militares afectos à democracia (5)
“E foi assim que eles fecharam o país ao mundo por uma semana, enquanto os tanques rolavam, os soldados arrombavam portas, o som das execuções estrelejavam dos estádios e os corpos se empilhavam ao longo das ruas e flutuavam nos rios, os centros de tortura iniciaram as suas actividades, os livros considerados subversivos eram atirados a fogueiras, e os soldados rasgavam as calças das mulheres aos gritos de "no Chile as mulheres usam saias"…(6)
Em 1976 o secretário de Estado Henry Kissinger num discurso sobre direitos humanos na OEA fazia o elogio ao General Pinochet igualmente presente: “Vossa Excelência está a ser vítima de todos os grupos de esquerda do mundo e o seu maior pecado não foi outro senão derrubar um governo que se converteu ao comunismo”
(1) Resgatado no espólio pessoal dos donos da Livraria Barata com o sugestivo título "Técnica Soviética para a Conquista do Poder Total", Braga Editora, 1975
(2) Dívida contraída de forma odiosa de 2975 milhões a que se somavam os juros especulativos acumulados de 1.025 milhões de dólares
(3) Kissinger disse na reunião que "o Presidente Nixon decidiu que um regime Allende no Chile não é tolerável para os Estados Unidos. O Presidente pediu à agência [CIA] que previna a chegada de Allende ao poder ou o derrube. O Presidente autorizou dez milhões de dólares para essa finalidade, se necessário.(...) - ver fac-simile do documento
(4) ref. ao livro de Anthony Sampson “The Sovereign State of ITT”. Ver também "“Destabilizing Chile: The United States and the Overthrow of Allende” de Stephen M. Streeter e ainda “From CIA to University of Califórnia”
(5) As i nvestigações para apuramento das verdadeiras responsabilidades dos crimes prosseguem na actualidade (fonte)
(6) William Blum, "Killing Hope", p. 215
“Vayan a sus casas, besen a sus mujeres porque Chile sigue siendo una democracia" (Allende, em dircurso às massas que exigiam medidas radicais após o fracassado golpe militar de 29 de Junho)
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“em 1970 o Chile estava infiltrado pela estratégia dos Estado totalitários (…) A economia do país era, em grande percentagem, propriedade estatal e o resto estava sujeito a fortes controlos e ingerências do Estado, o que aplanava o caminho ao comunismo”O uso da mentira como parte integrante da ideologia neoconservadora, desde fascistas a neoliberais “de esquerda”, é recorrente.
O jornalismo corporativo conta muito pouco desta história

O Governo de Unidade Popular que integrava três forças politicas (uma delas o da Democracia Cristã travestida de esquerda) todas elas reformistas, numa “união” presidido por Salvador Allende tomou posse no dia 4 de Setembro de 1970. Não era um governo revolucionário, nem o tecido económico com os mais importantes sectores das riqueza do país nas mãos de empresas estrangeiras tencionava expropriá-las a preços que “não fossem apropriados”. A indústria do Cobre representava 77% das receitas nacionais e estava, salvo pequenas franjas de pequenos accionistas, na posse de monopólios norte americanos (como a Anaconda ou a Kennecott). A dívida externa do Chile, somados os juros, atingia nesse ano de 1970 a astronómica quantia para a época de 4 mil milhões de dólares (2). O aparelho politico-Militar era hierarquizado por quadros superiores formado na tristemente famosa “Escuela para las Américas” de Fort Bragg. Neste contexto a defesa da Constituição liberal estava entregue às Forças Armadas, que “se abstinham” de intervir na politica, cumprindo a velada doutrina Schneider, que defendia os interesses privados dos investidores estrangeiros, isto é, a mesma política de Defesa dos interesses públicos do governo dos Estados Unidos.
A nacionalização da Grande Indústria Mineira do Cobre era uma reinvindicação histórica absoluta. Em Janeiro de 1971 o texto da Reforma Constitucional que previa a necessidade e urgência de uma completa nacionalização das companhias norte-americanas foi votado no Congresso da República do Chile e ratificada por unanimidade por todos os partidos chilenos, incluindo os de direita. Os montantes estabelecidos para as indemnizações foram calculados por forma a pagar-se preços muito superiores ao valor corrente dos activos aos grandes accionistas e aos bancos estrangeiros (e preços miseráveis aos pequenos accionistas locais). Ainda assim, quando a 21 de Dezembro o Governo pôs em cima da mesa a intenção de subtrair a esses valores os créditos obtidos e usados de forma fraudulenta por essas empresas, os Estados Unidos puseram em acção o arsenal legal do seu sistema jurídico interno para proteger os investimentos privados no estrangeiro e acusaram o Chile de pretender cometer “um acto ilícito”. Escaldados com o que se tinha passado em Cuba, tudo isto tinha sido previsto...
Se o presidente democraticamente eleito Salvador Allende tomou posse a 4 de Setembro de 1970, os documentos com as declarações do briefing de Henry Kissinger à Comissão do Senado em Chicago transmitindo ao embaixador em Santiago do Chile Edward Korry “luz verde para agir com medidas anti-governo socialista em nome do presidente Nixon” tem a data de semana e meia depois: 15 de Setembro de 1970. Os efeitos do boicote económico foram imediatos e brutais. Em Outubro houve ofertas de fundos financeiros de 10 milhões de dólares (3) às forças de extrema direita através do chamado “complot da ITT” (4), soma que atingiria no final do investimento para a desestabilização do Chile os 800 milhões. Começaram os actos terroristas; o general René Schneider foi assassinado para provocar a reacção dos partidos radicais de esquerda e servir de pretexto para uma futura intervenção militar. Os bancos norte-americanos reduziram o acesso do Chile ao crédito num total de 220 milhões em Novembro e mantiveram essa essa politica “de austeridade” até 1972. Em Julho de 1971 o Eximbank denunciou um contrato para o fornecimento de aviões, o BID e o Banco Mundial, sob proposta do Departamento de Estados EUA boicotaram todos os créditos às importações. O Broden Corp. em Janeiro de 1972 fez bloquear todas as principais agências chilenas relacionadas com a indústria do Cobre chileno no estrangeiro, congelando fundos em dinheiro nos Estados Unidos e em vários países europeus."Estamos no meio de um Vietname invisivel e silencioso" (Allende)
Em 1973, como resultado do programa de boicote económico, as reservas do Banco Central do Chile tinham baixado de 450 milhões para 3,5 milhões de dólares. O défice fiscal chegou aos 50% do PIB. A dívida externa começou a aumentar à razão de 1 milhão de dólares por dia. A inflação atingiu os 740%. Privada das exportações o total da economia do país decresceu 35%. Em visita ao Chile, no seu discurso de despedida Fidel Castro deixou uma advertência para a fraca mobilização popular para combater o plano de ingerência imperialista. Ainda assim, a 14 de Julho de 1973 o Comité Económico de Ministros do Chile informava terem sido nacionalizadas e ocupadas por organizações populares e de trabalhadores um total de 34.000 empresas e serviços. Enganados pelas promessas reformistas do governo "socialista" a batalha pela abstracta "emancipação dos trabalhadores" estava porém perdida. Porque aquilo que interessava de facto exclusivamente aos interesses imperialistas, coadjuvados pelos interesses da burguesia local era apenas destruir para preservar a exploração desenfreada das riquezas do Chile. Como se viu e continua a ver-se. E são este tipo de monstros que qualquer governo reformista será sempre incapaz de decapitar.
A 11 de Setembro de 1973 a Força Aérea bombardeou o palácio presidencial e as Forças Armadas colocaram o general Augusto Pinochet no poder onde permaneceu até 1990 fazendo da República do Chile cobaia para primeira experiência prática do Neoliberalismo da Escola Económica de Chicago. Estima-se que apenas na primeira semana do putsch militar foram assassinadas mais de mil pessoas; prosseguindo depois a purga que, quatro meses depois, já tinha levado a cabo cerca de 20.000 assassinatos entre civis e militares afectos à democracia (5)“E foi assim que eles fecharam o país ao mundo por uma semana, enquanto os tanques rolavam, os soldados arrombavam portas, o som das execuções estrelejavam dos estádios e os corpos se empilhavam ao longo das ruas e flutuavam nos rios, os centros de tortura iniciaram as suas actividades, os livros considerados subversivos eram atirados a fogueiras, e os soldados rasgavam as calças das mulheres aos gritos de "no Chile as mulheres usam saias"…(6)
Em 1976 o secretário de Estado Henry Kissinger num discurso sobre direitos humanos na OEA fazia o elogio ao General Pinochet igualmente presente: “Vossa Excelência está a ser vítima de todos os grupos de esquerda do mundo e o seu maior pecado não foi outro senão derrubar um governo que se converteu ao comunismo”
(1) Resgatado no espólio pessoal dos donos da Livraria Barata com o sugestivo título "Técnica Soviética para a Conquista do Poder Total", Braga Editora, 1975(2) Dívida contraída de forma odiosa de 2975 milhões a que se somavam os juros especulativos acumulados de 1.025 milhões de dólares
(3) Kissinger disse na reunião que "o Presidente Nixon decidiu que um regime Allende no Chile não é tolerável para os Estados Unidos. O Presidente pediu à agência [CIA] que previna a chegada de Allende ao poder ou o derrube. O Presidente autorizou dez milhões de dólares para essa finalidade, se necessário.(...) - ver fac-simile do documento
(4) ref. ao livro de Anthony Sampson “The Sovereign State of ITT”. Ver também "“Destabilizing Chile: The United States and the Overthrow of Allende” de Stephen M. Streeter e ainda “From CIA to University of Califórnia”
(5) As i nvestigações para apuramento das verdadeiras responsabilidades dos crimes prosseguem na actualidade (fonte)
(6) William Blum, "Killing Hope", p. 215
“Vayan a sus casas, besen a sus mujeres porque Chile sigue siendo una democracia" (Allende, em dircurso às massas que exigiam medidas radicais após o fracassado golpe militar de 29 de Junho).
terça-feira, dezembro 07, 2010
segredos de Estado, ou o calado é o pior
“é fascinante ver os tentáculos da elite americana corrupta” (Assange, esta manhã ao entregar-se à justiça britânica). Que relações terá o país de Cavaco Silva com esta gente? Obviamente, com as revelações, na vida real nada está em jogo, excepto o uso da informação virtual na Internet. Se do desafio às autoridades constituídas não se esperam efeitos demasiado contundentes, já para o questionamento sobre a verdadeira função dos Media corporativos na desinformação pública este episódio poderá constituir o início de um ataque decisivo. O Poder pode fustigar corpos, porém é ainda prematuro pensar que pode formatar-nos as mentes. No futuro as guerras sociais serão travadas na Internet, salvo se a Wikileaks nada mais for que um pretexto para lhe limitar a liberdade de expressão interactiva em rede.
Uma das fofoquices mais chocantes da Wikileaks foi a revelação que a secretária de Estado Hillary Clinton mandou averiguar o estado de saúde mental da presidente da Argentina. Não seria caso para menos, uma que vez que quando as “autoridades” norte americanas bloquearam as contas-investimento da Argentina na banca de New York, Cristina Kirchner ameaçou os politico-banqueiros de Wall Street de cancelar o pagamento da dívida.
A politica de manipulação de massas em vigor no Ocidente neoliberalizado é aquilo a que os americanos designam de “Don`t Ask, Don`t Tell” aplicado a heterossexuais (não vale a pena perguntares porque não te vamos responder a coisa nenhuma). Um dos avatares mais bem conseguidos do género só podia ser o Cavaco Silva, sempre pronto a reagir com eficácia – não viu, não ouviu, não responde. O homem não é maluco, o que iriam dizer dele os patrões da dívida contraída pela "nossa" elite portuguesa?
Dá para imaginar portanto o frete que Cavaco não teve de gramar ao ouvir Cristina Kirchner falar fluentemente, citando dados de memória, sobre a situação do seu país e, num âmbito mais alargado, de toda a América latina,quando recusou fazer parte de um “mercado comum sul-americano” sob custódia dos Estados Unidos.
XX cumbre Iberoamericana en Mar del Plata
Para derreter de vez os politicos que se refugiam na mudez e na trapaça mascarada de democrática como prática de representação dos seus povos – o governo da Argentina liderado por Cristina Kirchner acaba de reconhecer oficial e diplomaticamente o Estado da Palestina. Mas atenção, não se trata de um reconhecimento formal qualquer - trata-se de reconhecer a Palestina como Estado independente nas fronteiras anteriores a 1967. Um direito inegável
* (em português) A tendência da América do Sul para reconhecer o Estado da Palestina
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segunda-feira, outubro 25, 2010
o Capanga
Ele matou centenas de pessoas, é um especialista em rapto e tortura e foi, durante muitos anos, comandante da policia em Chihuahua. Recebeu inclusivamente treinos do FBI. Contratado por um Cartel da droga na sua fase de estudante estagiário na escola de policia mudou-se para Ciudad Juárez e movimentava-se livremente através dos dois lados da fronteira, entre o México e os Estados Unidos. De momento, seduzido por uma dessa seitas militantes de Deus, retirou-se, fez um seguro familiar de 250 mil dólares e vive como um fugitivo, conquanto nunca tivesse sido acusado de qualquer crime em nenhum dos dois países. O documentário foi filmado num quarto de motel algures na fronteira México/EUA onde o protagonista conta toda a sua história. El Sicário é um tipo inteligentíssimo, organizado e extremamente credível. O filme foi realizado sobre um trabalho de Charles Bowden publicado em 2009 na “Harpers Magazine” (link)
No mesmo dia em que o documentário de Gianfranco Rosi “El Sicario - Room 164” ganha o DocLisboa, no mesmo jornal que dá a noticia, vinha uma outra onde se dá conta de mais uma chacina que causou pelo menos 12 mortos em Ciudad Juárez .“Recebia ordens de duas pessoas. Eles é que me formaram e me manejavam” continua a descrever el Sicario, “Nunca sabia para que cartel trabalhava. A determinada altura Vicente Carrillo estava em guerra com El Chapo Guzmán. Porém nunca conheci nenhum chefe, assim como quando começou a guerra em 2006, soube para quem matei. As ordens podiam ser de um ou de outro. Eu vivia num célula com mais três companheiros e simplesmente recebiamos ordens. Em Juaréz bastam 30 minutos para que 60 tipos bem treinados e armados se juntem em 30 carros e saiam para as ruas para mostrar o seu poder. Logo, começamos a receber ordens e a matarmo-nos uns aos outros”
Ciudad Juaréz, o pano de fundo
A assim chamada guerra da droga atinge níveis muito mais altos que se possa imaginar. Perto de 23.000 pessoas já foram assassinadas em acções relacionadas com o tráfico de droga no México desde que, em 2006, as forças militares dos Estados Unidos resolveram atacar e destruir a concorrência dos Cartéis aos negociantes de droga oficiais (1). Em 2009 foram mortas 9.600 pessoas. E os números têm tendência a aumentar.
Charles Bowden, no seu livro “Cidade da Morte: Ciudad Juaréz e os Novos Campos Mortíferos da Economia Global” descreve como a situação se foi transformando ao longo dos últimos anos:
“É simples. 27 por cento das casas na cidade estão abandonadas. Isto significa um número de 116.000 fogos habitacionais. Isto numa cidade onde outra imensa percentagem vivem literalmente em caixas de cartão na rua. No ultimo ano 10.000 lojas desistiram do negócio e encerraram. Entre 30 a 60 mil pessoas, a maioria ricos, mudaram-se para a vizinha El Paso nos Estados Unidos que é uma cidade segura. Entre elas está o Mayor de Juaréz que vive entrincheirado em El Paso. Outras 400 mil pessoas simplesmente deixaram a cidade. A principal parte do problema é económico, não tem a ver com a violência. Pelo menos 100 mil empregos nas fábricas “maquilladoras” instaladas na fronteira desapareceram desde o inicio do período de recessão, por causa da competição que vem da oferta da Ásia” - O desemprego provocou a disponibilidade de muita mão de obra para que se constituíssem entre 500 a 900 gangues de tráfico de droga. Se este negócio existe é porque existem clientes, e eles não são decerto os mexicanos (2) – “Então o que temos aqui – temos a entrada de 10.000 soldados federais e o corpo de agentes da policia reforçado actuando em colaboração. Temos uma cidade onde ninguém sai à noite; onde os pequenos negócios são alvo de extorção; onde 20.000 carros foram roubados o ano passado; onde, segundo os números oficiais, foram já assassinadas 2.600 pessoas este ano; onde ninguém tem registos exactos de quantas pessoas foram raptadas e nunca mais apareceram; onde ninguém conta as pessoas que são enterradas em covas secretas, de forma dissimulada, retiradas da terra de tempos a tempos. O que temos aqui é um desastre. E temos 1 milhão de pessoas demasiado pobres para sobreviverem, aprisionadas aqui”
(1) Hillary Clinton disse em Março passado: “Sabemos muito bem que os traficantes de droga são motivados pela procura de drogas ilegais no Estados Unidos e que eles são armados pelo transporte de armas a partir dos Estados Unidos”. Num relatório da ATF refere-se que cerca de 40 por cento das armas apreendidas no México eram provenientes dos EUA. A razão porque não se sabe de onde vêm as restantes é porque o Exército do México não dá autorização para se examinar as armas que são apreendidas. Então o que temos de entender é que num exército de 250 mil efectivos, cerca de 150 mil soldados desertaram e obviamente muitos levaram as armas consigo, interagindo depois com as lojas de venda legal de armas nos Estados Unidos(2) Ver também, "A fraude nas eleições que trouxe Vicente Calderón ao Poder e a "Zona Livre de Mercado Comum" criada posteriormente entre o México, Canadá e Estados Unidos (a ALCA que a maioria dos paises da América Latina rejeitaram), politica que, por coincidência, tal como a "guerra das drogas" teve também início em 2006"
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