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terça-feira, maio 31, 2016

Maio de 1967, toda a China é Vermelha, liderada a todos os niveis por Comités Revolucionários...

... enquanto a URSS se vai reformando com o Nikita do sapato na mesa da conciliação com o imperialismo). Dito hoje, para a grande burguesia transnacional a “Revolução Cultural” foi um erro, isto é, 70 anos depois já ninguém morre de fome nas valetas como no tempo do colonialismo britânico e japonês, ou da invasão financeira do Ocidente, e isso é mau. Nos últimos vinte anos foram retiradas da economia de subsistência nos campos 350 milhões de pessoas, estima-se que em 2030 sejam mil milhões a viver num a economia complexa urbana de classes estratificadas, à margem da dualidade burguês-operário. Outro "erro" recorrente é a China ser actualmente uma potência supranacional competindo de igual por igual com os falidos tigres de papel. Para os detractores manipulados por uma feroz campanha mediática o argumento é que a Republica Popular da China é capitalista; vista de fora! vista por dentro, um conjunto de comunidades autónomas que têm uma Bolsa que só acumula capital nas transações com o estrangeiro, criando com isso Valor ao factor trabalho na distribuição interna, é isso mesmo: o que previram os clássicos marxistas, “o capitalismo traz no seu próprio bojo as sementes da sua destruição” doravante globalmente – portanto, o que dizemos a essa gente domesticada por um prato de lentilhas contra os seus próprios interesses de classe, é que a revolução pode não ser necessariamente um acto de violência, a politica a seguir é a da expropriação aos privados dos bens da comunidade e aos reaccionários enfiar-lhes umas orelhas de burro e pô-los a explicar as suas razões diante das assembleias populares. Ao vivo, não como espectáculo de televisão. O povo vencerá!

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Aprender, Aprender Sempre

No seu 122º aniversário, um Poema a Mao Tse Tung, por Roque Dalton Garcia, poeta salvadorenho (1935-1975) colocando temas de reflexão para os Maoistas portugueses: se estudam a composição de classes em Portugal, se identificam qual a força principal que pode transformar a sociedade, se acham que apenas agitar o fantasma da classe operária, só por si, na actual divisão nacional e internacional do trabalho é condição suficiente para a vitória do socialismo...

Mao Tsé Tung levou o marxismo-leninismo até às suas últimas consequências
pelo menos num aspecto fundamental: o de construir a aliança operário-camponesa no seio da guerra do povo e assim tomar o poder.

Seguindo Lenine, definiu o povo, situou as classes e as camadas sociais que formam o povo, localizando assim o inimigo interno, nacional, o que apoia os imperialistas estrangeiros
e no seio do povo distinguiu duas forças: a força principal e a força dirigente

A força dirigente era a classe operária que se contava por centenas de milhar
e a força principal era o campesinato que se contava por centenas de milhões
A força dirigente não era suficientemente poderosa  para sozinha tomar o poder, e a força principal não poderia por si só orientar o seu potencial

Os que queriam abraçar o leninismo só pela aparência, acreditavam
que bastaria à força dirigente ocupar as cidades, os “centros nervosos” do país,
com greves e manifestações, que conduziriam, paulatinamente, até à insurreição.

Isso significava, na prática, manter separadas a força dirigente da força principal
levando em conta a vasta extensão da China
Houve grandes matanças; e por causa desta concepção a classe operária chinesa foi massacrada, não só simbolicamente, em Xangai e noutras grandes cidades.
Mao Tsé Tung retirou o leninismo da armadilha das cidades e da cabeça e dos braços dos operários,
das cabeças, das bocas e das mãos dos intelectuais e das organizações do partido, e conduziu a força dirigente até ao coração – fortaleza inexpugnável – da força principal:  as massas trabalhadoras dos campos. E ensinou-nos, deste modo, que na era do imperialismo agressor esta tarefa é desde o principio, num ou noutro sentido, uma tarefa que necessita da garantia das armas.

Assim o Partido Comunista da China, o partido da classe operária, pôde unir os trabalhadores do campo para a grande guerra do povo, uma dupla guerra do povo:  a guerra contra a invasão imperialista japonesa e a guerra contra as classes dominantes chinesas  e contra os seus lacaios comuns: os militaristas da exploração do povo encabeçados pelo sangrento Chang Kai Chek
a guerra pela libertação nacional e a guerra por uma nova democracia que abriu o caminho para o socialismo.
E deste modo entrou o leninismo no mundo dos países colonizados e neocolonizados
atravessando rios e desertos numa Grande Marcha para norte
respirando o cheiro a sangue e pólvora, sofrendo sob a fome e a sede, descalço e esfarrapado,
porém com o fusil reluzente
o poder nasce da ponta das espingardas e as espingardas são apontadas ao alvo pelo partido,
desenhando mapas, planificando operações à luz de lamparinas de azeite debaixo da chuva e de neve,
de dia sob o sol implacável sempre com a tocha operária erguida ao céu
que atiçou as labaredas na pradaria camponesa até que o sol ficasse vermelho.

quinta-feira, novembro 12, 2015

das vantagens competitivas do Socialismo sobre o Capitalismo

O ex-chaufer de táxi chinês Liu Yiqian comprou por 170 milhões de dólares em papel a famosa obra de Modigliani "Nu Reclinado", ao que se sabe para a oferecer ao Museu Long de Shangai. Se como dizia Lenine: "o Socialismo é a cozinheira poder ser primeiro-ministro" então Liu Yiqian cumpre na perfeição o objectivo civico de servir a comunidade. E com dinheiro ganho com trabalho e literalmente extorquido aos falidos imperialistas - o que é uma vergonha tão grande que a influente revista Time noticia a venda mas omite quem comprou.

segunda-feira, maio 11, 2015

da Grande Europa para a Grande Ásia, a Entente Sino-Russa

A ruptura entre a Rússia e o Ocidente decorrente da crise de 2014 sobre a Ucrânia tem amplas implicações geopolíticas. Com a Rússia revertida para a sua posição tradicional como potência euro-asiática situada entre o Oriente e o Ocidente, a correlação de forças pende na direcção da China, face à pressão política e económica dos Estados Unidos e da Europa. Não será um simples presságio um novo bloco China-Rússia, embora a época da integração da Rússia pós-comunista com o Ocidente capitalista já vá longa. Mas na época seguinte a Rússia procura expandir e aprofundar as suas relações com nações não-ocidentais, obviamente com foco na Ásia a que pertence a maior parte do seu território. Os líderes ocidentais deveriam levar essa mudança a sério.

A situação da Rússia como pivot para a Ásia é anterior à crise na Ucrânia, mas tornou-se mais pronunciada desde então. Isto em parte porque a China é a maior economia fora da coligação que impôs sanções à Rússia, medidas que resultaram da crise, mas pouco ou nada afectam a sua economia. Pelo contrário, os maiores prejuízos têm sido suportados pelos países da União Europeia que se têm visto a braços com a proibição de exportarem produtos para a Rússia, enquanto sofrem condicionalismos na importação de gás, uma commodity estratégica vital para os países da Europa central. Como alternativa, aquilo que tinha sido originalmente para Moscovo um "casamento de conveniência" com Pequim transformou-se numa parceria muito mais estreita que inclui a cooperação no comércio de Energia, Minérios, Infra-Estruturas, e Defesa. A visão de Putin de uma "grande Europa" de Lisboa a Vladivostok, composta da União Europeia e da União Económica Euroasiática liderada pela Rússia, está a ser substituída pela "Grande Ásia" de Xangai até São Petersburgo. A Rússia é agora a maior aliada da China na crescente concorrência entre Pequim e Washington, situação que a breve trecho reforçará a importância da China.
O fim do takeaway pela burguesia ocidental de mercadorias a preços irrisórios das “fábricas do mundo” asiáticas vai (já está) a provocar a decadência do mundo desindustrializado. A construção de um mundo novo não poderá alimentar velhos modelos de tirania. A necessidade incontornável de reindustrialização num novo paradigma tecnológico é uma oportunidade para o regresso da luta de classes e para o derrube das serventuárias oligarquias da Europa. Ainda a mesma Europa que viu a Alemanha assinar a “acta do chanceler” em 1945 e que obriga hoje, 70 anos depois, todo o velho continente a prestar vassalagem ao imperialismo norte-americano.
O confronto da Rússia com os Estados Unidos, uma reedição da Guerra-Fria, está a ajudar a mitigar as rivalidades entre a Federação Russa e a República Popular da China que remontam ao conflito sino-sovietico da década de 60. Então, como neste momento com vantagem para a China. Isso contudo não significa que a Rússia seja dominada pela pelo eixo Pequim-Moscovo, mas é provável que esteja na ordem do dia uma relação especial de parceria. Com o poder económico da China e a especialização de grande potência da Rússia, o grupo BRICS (de que a Rússia faz parte, juntamente com o Brasil, Índia, China e África do Sul... e com a Grécia a caminho) irá cada vez mais desafiar o G7 como centro paralelo de governança global. A Organização de Cooperação de Xangai, onde este ano se associaram a Índia e o Paquistão, está a caminho de se tornar o fórum de desenvolvimento e de segurança que define o plano director para a Ásia continental. Através das suas relações reforçadas com países não-ocidentais, a Rússia está a promover activamente um novo conceito de ordem mundial que busca reduzir a predominância global americana (a tentativa de criar um mundo unipolar como referiu Putin no discurso do Dia da Vitória) e substituí-lo por um consenso em que os Estados Unidos sejam apenas uma grande potência entre outras.

quinta-feira, maio 07, 2015

por uma moeda única mundial

O decadente dólar como moeda de hegemonia global vem juntar-se às guerras cambiais. A soma de todas as balanças comerciais do mundo é igual a zero, o que significa que nem todos os países podem ser exportadores líquidos - e que guerras cambiais acabam sendo jogos de soma zero. É por isso que a entrada dos EUA na guerra cambial era apenas uma questão de tempo. (Nouriel Roubini, Maio de 2015). É também por isso que na República Popular da China se advoga abertamente a criação de uma moeda única global (afinal uma ideia de Keynes não aceite em 1945) que possa reflectir o valor trabalho e ponha termo às infames disparidades nas trocas desiguais e especulações financeiras.  

A batalha de Waterloo, os assassinatos de seis presidentes dos Estados Unidos, a ascensão de Adolf Hitler, duas grandes guerra mundiais, a deflação da bolha económica japonesa em 1994, a crise financeira asiática de 1997-98, a destruição ambiental, tudo no mesmo mundo desenvolvido, no best-seller editado na China “As Guerras Cambiais” (Currency Wars) esses eventos díspares abrangendo dois séculos têm uma única raiz causuistica: o controle da emissão de moeda através da história pela dinastia dos banqueiros Rothschild. Ainda hoje, reclama o autor Song Hong-bing, a Reserva Federal dos EUA continua a ser um fantoche dos bancos privados, que em última análise, também devem vassalagem aos omnipresentes Rothschilds. Uma tal super-abrangente teoria da conspiração interessa tanto quanto os muitos fétidos ensaios que ainda podem ser encontrados no Ocidente sobre os "gnomos de Basileia" e manipulação das finanças globais por Wall Street?
Mas na China, que se encontra no meio de um longo debate sobre a abertura do seu sistema financeiro sob pressão dos Estados Unidos, o livro tornou-se um surpreendente êxito e está a ser lido em níveis superiores do governo e de empresários envolvidos em negócios com o estrangeiro - "Algumas cabeças seniores de empresas foram-me perguntando se tudo isso é verdade", diz Ha Jiming, economista-chefe da “China International Capital Corp”, o maior banco de investimento nacional. O livro dá também argumentos, para os muitos economistas que na China argumentam que Pequim deve resistir à pressão de os EUA e outros países para permitir que sua moeda, o renminbi, se possa valorizar. A editora do livro, uma unidade de produção do grupo estatal CITIC, disse que as Guerras Cambiais” publicaram até agora cerca de 200.000 livros, estimando que tivessem sido fotocopiadas mais 400.000 exemplares. Song Hong-bing, consultor de tecnologias de informação e historiador amador que viveu nos EUA, diz que o seu interesse foi despertado pela tentativa de descobrir o que esteve por trás da crise asiática em 1997. Depois que começou a blogar algumas de suas descobertas, os seus amigos sugeriram que ele devia encontrar um editor para o apoiar num trabalho mais longo. Hoje confessa-se surpreendido com o sucesso do livro - "nunca imaginei que pudesse despertar tanto interesse (…) as pessoas na China estão nervosas sobre o que está a acontecer nos mercados financeiros globais, e não sabem como lidar com os perigos reais. Este livro dá-lhes algumas idéias". O que mais choca as pessoas, diz o autor da descoberta, é que a Reserva Federal (FED) é um banco de propriedade e gestão privada. "Eu próprio nunca poderia imaginar que um Banco Central pudesse ser um organismo privado".

A Reserva Federal faz-se descrever como “uma mistura pouco comum de elementos públicos e privados". Conquanto os seus sete governadores sejam todos nomeados pelo presidente dos Estados Unidos, os bancos privados detêm as acções dos seus 12 Bancos de Reserva Regionais. Podemos ignorar o papel do governo e pensar que é esta corporação financeira que selecciona os presidentes levados a eleição. A FED é em última análise controlada por cinco bancos privados, entre eles o Citibank e o Goldman Sachs, os quais mantêm uma "relação estreita" com os Rothschilds, descrita no livro como tendo as características de um clã judaico. "O povo chinês pensa que os judeus são inteligentes e ricos, por isso, devemos aprender com eles (…) mesmo eu acho que eles são muito inteligentes, talvez as pessoas mais inteligentes da terra". Jon Benjamin, presidente-executivo da Câmara de Deputados dos Judeus Britânicos, não está impressionado. "Os chineses têm o maior respeito por aquilo que vêem como perspicácia intelectual e comercial dos judeus, e têm pouca ou nenhuma cultura de anti-semitismo. Esta afirmação, no entanto, joga as cartas mais desacreditadas e obsoletas que cercam os judeus e a sua influência. Que estes pudessem vir a ganhar dinheiro emitido por um Banco Central na economia emergente mais importante do mundo é uma grande preocupação”. O livro vem sendo ridicularizado na internet chinesa a partir do exterior, por exagerar a influência dos Rothschilds e ser uma contrafacção das teorias da conspiração inventadas no Ocidente. As “Guerras Cambiais” narram as crises financeiras até à década de estagnação no Japão e da crise financeira asiática, que segundo o autor tiveram um impacto profundo em muitos decisores das políticas chinesas. Tais funcionários executivos permanecem profundamente desconfiados do “aconselhamento” gentilmente prestado por países capitalistas ocidentais que seria muito mais benéfico abrir o sistema financeiro da China e fazer flutuar a moeda nos mercados cambiais. “Pensamos que esse “conselho” é apenas uma nova forma de saquear países em desenvolvimento". Entretanto, o autor foi contratado pelo governo para escrever uma série de novos livros capitalizando o seu sucesso, sobre o yene, o euro e também sobre o sistema financeiro da China.

Mas, ao tempo do lançamento em entrevista ao Financial Times, Song Hong-bing parecia hesitante sobre a linha que os seus futuros livros deviam tomar - "este livro pode estar totalmente errado, por isso, antes do próximo, tenho que ter certeza que o meu entendimento está certo (…) antes deste livro, eu era um zé-ninguém, podendo dizer qualquer coisa dependendo apenas do meu gosto, mas agora a situação mudou". Certo é que logo ao 2º livro Song Hong-bing ilustrou a capa com a famosa mão invisivel que mexe na sombra os cordelinhos de toda a economia Ocidental. Desde 2011 “Currency Wars” já conta com 5 novas sequelas e actualizações estudando vários períodos e moedas susceptiveis de entrar em guerra.

fontes e leituras complementares
1. "O fim do dólar como moeda de reserva global? A China anuncia planos para a criação de uma moeda mundial. Currency Wars: The Making of the Next Global Crisis", James Rickards  
2. Os chineses compram as teorias da conspiração (Financial Times, Setembro de 2007)
3. O ultra-secretismo que rodeia as negociações de Barack Obama para um novo Tratado Económico Global (The Economic Colapse, Maio de 2015)
4. O "Bancor", uma moeda supranacional proposta pela Inglaterra como potência hegemónica cessante por Lorde Maynard Keynes, não aceite no final da 2ª GGuerra pelos triunfantes capitalistas imperialistas dos Estados Unidos (wikipedia)

quarta-feira, abril 15, 2015

recuperar as "conquistas de abril", de acordo com o acordo com o A em letra pequena

mon petit portugal
Abril não volta! e os militantes da linha "da frente" não devem andar a debitar abstracionismos, sob pena de se transformarem "nos de trás". Antes do mais é necessária uma revolução cultural, ter a coragem de actualizar o léxico ideológico. Abandonar a ilusão da bajulação europeia que destinou os portugueses a fazer camas de hotel e servir à mesa os turistas ricos. Numa sociedade como a nossa, dependente e terceirizada o que significa o "Proletariado"? e "Intervenção de Massas"? para concluir ser precisa "uma acção apontada para o futuro, que faça frente ao capitalismo de hoje". Mais uma abstração: que "Futuro" e em relação a que Passado? ao da famigerada aliança Povo-MFA?. "Povo", outra abstração: o povo das conquistas de Abril (como as catadupas de pseudo-comunistas enfiados com empregos na função pública. estão à espera de fazer uma revolução com empregados de escritório e call-centers? como esse "Povo" cuja maioria assistiu paulatinamente à desindustrialização do país confortavelmente instalado atrás de secretárias. Pudera. Corria-lhe o "Capital" assistencialista à improdutividade a curto prazo de olhos postos em recuperá-lo em centuplicado no médio prazo. E o P"C"P a ver.

Melhor seria que se reciclassem e auto-educassem a vista grossa para ver onde está hoje o capital contemporâneo, não o "capital" abstracto, ou o capital financeiro produzido artificialmente - indefinição que leva o autor deste escrito a fingir chegar à conclusão de "ser necessária uma acção politicamente independente que ouse levantar as suas exigências de classe contra os interesses do Capital". o proletariado é uma "classe"? e homogénea? - melhor seria para a sanidade pública dos portugueses que "os da frente" vissem onde está o verdadeiro Capital, o que é assente no Valor-Trabalho (acumulado, planificado e controlado por um Partido Comunista), o capital que está neste momento a produzir uma revolução à escala global. E os do "P"C"P a (não) ver.

quinta-feira, março 12, 2015

"Viver não consiste em respirar mas sim em fazer” (Mao Tsé Tung)

na Assembleia Nacional Popular sob a égide do Partido Comunista da China que está a decorrer neste momento, entre os quase 3.000 delegados sentou-se um ou dois milionários. Grande escândalo para os arautos dos patrões privados dos nossos media! Já estamos habituados a esta conversa dos "milionários" comunistas. Até o Fidel foi milionário. Isto é, para a propaganda ocidental qualquer CEO que represente um grupo empresarial o dinheiro dessas empresas ou do orçamento do Estado para o desenvolvimento em determinado sector é todo pertença desse único individuo. É o hábito. Há contudo uma diferença fundamental em relação a esta concepção de milionário - os milionários da República Popular da China medem "a sua fortuna" pelo Valor-Trabalho e esse capital foi ganho com as exportações de bens e serviços, ao contrário, os milionários capitalistas do Ocidente dito desenvolvido medem o capital de que se apropriaram ilegalmente por fraudes matriciais e pela especulação financeira que explora desenfreadamente quem trabalha.  
relacionado: 

sábado, março 07, 2015

de como o Grande Senhor faz cunhar moedas

Em directo da rota da seda para Veneza, do “Livro de Marco Polo”, ditado pelo próprio nos calabouços de Génova ao escritor de novelas Rustichello da Pisa em 1298 - ou um recado actual à Reserva Federal dos Estados Unidos: aquilo que vocês descobriram agora já eles sabíam há séculos:

(…) existe em Cambaluc (1) a zeca do Grande Senhor. Ali faz o Gran-Khan cunhar moedas da seguinte forma: pegam na casca das árvores, geralmente das amoreiras, dessas de que o bicho-da-seda devora as folhas e, com a pele que há entre a casca e o tronco fazem uma pasta, como a do papiro, de cor muito escura, quase preta. Estes papéis ou tiras são cortados de diversos tamanhos, quase sempre compridos e estreitos; aos mais pequenos dá-se o valor de metade de um soldo; outros, maiores, valem um soldo, outros meio-ducado de Veneza e outros dois ducados, cinco ou dez, outros valem um bizâncio e assim até dez bizâncios. Todos estes papéis e cartões têm o selo do Gran-Khan. Manda fabricar tantos, que pode comprar facilmente todos os tesouros da terra. Reparte-os por todas as províncias e reinos, e paga com eles as suas contas. Ninguém pode rejeitar esta moeda, sob pena de ser condenado à morte. E todos os mercadores aceitam estes papéis como paga das suas mercadorias, e com eles se pagam também as pérolas, o ouro e a prata. O papel que vale dez bizâncios não pesa nem um.

Várias vezes durante o ano chegam mercadores com pérolas, pedras finas, ouro e prata; então, o Grande Senhor chama doze sábios escolhidos para estas coisas e muito entendidos no assunto, e diz-lhes que examinem os objectos trazidos pelos mercadores e que os apreciam, pagando-os por aquilo que valem; e estes doze barões pagam tudo com essa moeda de papel. Os comerciantes aceitam-na, com grande prazer, pois poderão por sua vez comprar aquilo que muito bem quiserem. O Gran-Khan paga com esse papel mercadorias que valem uns 400.000 bizâncios. E, uma vez por ano, publica-se um aviso dizendo que todos os quue possuam ouro, pedras finas e prata os levem à Zeca (2), onde serão trocados por esse papel moeda. Desta forma o Grande Senhor acumula enor mês tesouros em prata, ouro e pedras finas.

Quando estes papéis se rompem ou sujam ou ficam deteriorados levam-se à Zeca onde são trocados por outros, com uma pequena diminuição. E quando um homem que adquirir um cinto de ouro, uma vasilha de prata ou jóias, vai à Zeca e dá os papéis em paga do ouro e da prata que compra ao barão que dirige a Zeca. Por aqui vedes como o Grand-Khan (3) pode ter, e tem, os maiores tesouros do mundo (…)
1) Cambaluc ou Khanbaliq (que significa “a residência do Grande Senhor), é o antigo nome da cidade de Pequim, hoje capital da República Popular da China (wikipedia)
2) Zeca, a Casa da Moeda
3) Os Mongóis na História da China

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Comunismo, Revisionismo, Capitalismo

Acaba de ser revelado um plano mantido em segredo concebido pela China de Mao Tsé-Tung em 1955 para superar os Estados Unidos dentro de 100 anos. Um programa baseado na tradição milenar da arte de governar chinesa, adaptando-a posteriormente à modernidade muito por influência da célebre visita de Nixon e Kissinger àa China na década de 70. Já passou mais de metade de um século e o êxito de uma economia planificada como player global face à selvajaria capitalista mundial é já bem visível. Nesse documento, escrevia Mao sobre a principal tarefa da Revolução: "vamos acabar com a crença errónea generalizada de que China é um país atrasado, pobre e introspectivo” (ler mais). Neste contexto, faz todo o sentido revisitar as etapas divergentes que resultaram do conflito ideológico entre o Partido Comunista da China e o Partido Comunista da URSS.

No início do ensaio "Duas Revoluções", publicado na New Left Review há cinco anos, Perry Anderson descreveu o seu objectivo como uma explicação do contraste entre os resultados históricos das revoluções comunistas russa e chinesa. A sua tentativa envolveu a reflexão em quatro níveis: forças revolucionários originais; pontos de partida objectivos para a reforma; escolhas políticas durante a reforma e suas consequências; e a longo prazo a determinante cultural-histórica. Pode-se assim esperar um tratamento simétrico das duas revoluções, mas isto não é o que se seguiu. "o Partido Comunista da China sobreviveu à queda URSS, comenta Anderson, e o seu futuro coloca talvez o maior enigma central da actual política mundial. O foco organizador do que se segue será a China, que não se reviu no regime reformista burocrata do capitalismo de Estado russo. Por outras palavras, o desfecho do caso russo ajudou a lançar luz sobre as decisões politicas chinesas, mas o contrário não se tinha verificado, para mal dos russos. A União Soviética falhou, e seu fracasso serviu como testamento para o sucesso da República Popular da China. ("The Party and its Sucess Story, by Wang Chaohua)A Response to ‘Two Revolutions’

O relato de Anderson do “Southern Tour of 1992” de Deng Tsiau Ping aparece como o ponto de ruptura fundamental, quando a China finalmente virou a sua orientação socialista interna e abraçou o mainstream do capitalismo mundial. Mas, como observado anteriormente, pelo menos desde 1987, Deng já tinha resolutamente abraçado o desenvolvimento económico como tarefa central do Partido. Para Deng e para o PCC, o significado mais importante e duradouro da “Revolta” de Tiananmen foi que se cancelou a necessidade de justificar posições políticas ao velho discurso "socialista", um convite para perguntas irritantes. "Socialismo" passou agora simplesmente a significar que o Partido iria permanecer no poder a todo o custo, como garante da Constituição Socialista. Foi na sequência de Tiananmen que se tornou possível a Deng propagar o slogan: "a Estabilidade acima de todo o resto" (wending yadao yiqie). Foi neste contexto que Deng ordenou aos decisores políticos para parar a conversa fútil sobre o 'capital socialista' e 'capital capitalista'.

Para entender isto, é útil olhar novamente para a Rússia. A comparação de Anderson entre os dois países rompe-se neste momento, pela razão de que a União Soviética deixou de existir em 1991. Mas mesmo a Rússia pós-soviética talvez possa ter algo importante a dizer-nos sobre a China pós-maoísta. A perestroika foi claramente a reforma política privilegiada sobre a reforma económica, enquanto na China a reforma económica foi a prioridade a todos os niveis, sendo o factor politico sacrificado à economia. O primeiro caminho levou, na análise padrão, a completar o desastre, o segundo para um sucesso espectacular. Medido pelo crescimento do PIB, o contraste é evidente. Mas há um outro lado da história que geralmente é negligenciada. Nas duas sociedades, quem suportou os custos da reforma? Na URSS, porque a mudança política veio primeiro, garantindo pelo menos a liberdade de expressão (e, em certa medida de organização), com várias opções a escolher nas urnas, era difícil para o Estado lançar todas as responsabilidades para o bem-estar social. Mesmo após o colapso da União Soviética, e da celebração aberta do capitalismo em uníssono pelos Governantes e pelos Media, os Estados sucessores mantiveram quase invariavelmente, de algum modo e dentro do possível, os programas públicos de educação e cuidados de saúde herdados do tempo de vida da URSS.

Em contrapartida, ao colocar a reforma económica em primeiro (e último) lugar, a liderança chinesa empenhou-se em reduzir os encargos do Estado, quebrando sem qualquer preconceito moral e de modo dialéctico as promessas políticas da República Popular e suas classes trabalhadoras unidas como um todo metafisico. Bem antes da inflação de 1988, numa altura em que Deng cooperava ainda de forma amigável com Zhao, o governo central já estava a preparar legislação sobre falências de empresas inviáveis e esquemas para o marketing de trabalho e mercado de habitação, sem se preocupar com a opinião pública, opções geralmente aceites por se tratar de libertar os meios de produção do espartilho do Estado, globalizando a sua influência a nível de mercado mundial.

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Mao Tsé-Tung nasceu a 26 de Dezembro de 1893

"Numa sociedade onde existe luta de classes, se houver liberdade para as classes exploradoras de explorar as pessoas que trabalham, não há liberdade para que as pessoas que trabalham possam lutar para não ser exploradas. Se há democracia para a burguesia, não há democracia para o proletariado e para as outras pessoas que trabalham" - Mao Tsé Tung
Quando o Partido Comunista de Mao chegou ao poder em 1949 a China tinha 550 milhões de habitantes lançados na sua grande maioria por séculos de exploração feudal colonial-imperialista na mais abjecta miséria . Quando Mao morreu em 1976 a população da República Popular da China atingia 900 milhões de pessoas, apesar da politica demográfica restrictiva. E com uma grande percentagem já integrada num Estado social. Quer dizer, aparentemente a melhor maneira de duplicar uma população é matar toda a gente, como não se fartam de berrar os agentes da escumalha da ultra-direita detentora da propriedade privada.

quarta-feira, novembro 12, 2014

China, a Ditadura de um só Homem, o Imperador Xi, segundo a capa da Time

“Xi Jinping anuncia a sua cruzada existencial para promover o sucesso do país num mercado global hipercompetitivo nascida das suas experiências formadas numa China em frangalhos” afirma o norte americano Jon Huntsman, ex-embaixador na China até 2012
O presidente Xi Jiping, é um filho da geração saída da purga da Revolução Cultural que pôs termo ao carreirismo como profissão na politica. Depois de subir por mérito próprio na hierarquia em postos de chefia nas diversas secções regionais em estreita interacção com o povo, em 1983 ascendeu ao secretariado do Ministério da Defesa. Nascido em 1953 na província de Shaanxi,.na sua juventude trabalhou nos campos, foi educado como comunista no campo de Liangjiahe da Comuna de Wen'anyi desde 1969 até aos 22 anos.. Formou-se em engenharia química e obteve uma pós-graduação em ciência política. Foi eleito membro do Comité Central do Partido Comunista.

Em 1987 casou pela segunda vez com Peng Liyun, um alto quadro do Exército de Libertação do Povo graduada em major-general. Além desse cargo a agora primeira-dama é extremamente popular em toda a China por ser uma famosa soprano - aqui em farda de gala num bailado evocativo da epopeia da Revolução chinesa num espectáculo para uma unidade militar:
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Mao Tsé Tung no seio do povo
Em 2002 Xi Jiping trabalha na organização das Zonas Económicas Especiais adaptando as empresas exportadoras a melhor interacção com os mercados globais, tornando essas regiões mais prósperas, proporcionando mais riqueza para distribuição por toda a China, aquilo a que os capitalistas ocidentais chamam “reformas capitalistas”. Já como vice- presidente Xi viaja intensamente tendo em vista a coordenação dos Jogos Olimpicos de Pequim em 2008 por cuja organização foi responsável. É o grande anúncio mediático para o mundo que a China vai exigir participar nas mesas onde se tomam as decisões mundiais. No 18º Congresso do Partido Comunista, que conta com 80 milhões de militantes activos e recebe mais de 2200 delegados das instâncias provinciais, regionais, de comunidades locais (56 grupos étnicos ligados numa só familia), Xi Jinping é eleito por unanimidade como secretário-geral do Comité Central (que conta com 350 membros) e indigitado para assumir a presidência da República Popular da China em Novembro de 2012.
Diz a imprensa capitalista no Ocidente que Xi desenvolveu a imagem de homem-forte, consolidando o poder para si, o “acontecimento na liderança chinesa” mais transformacional desde Deng Xiaoping que ocorreu mais rapidamente que com qualquer outro líder nas últimas décadas. A Time dedica-lhe agora uma capa - Xi Jinping’s “Power of One” – o poder de um só homem, além de o incluir na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo (junto com Cristiano Ronaldo). Os tiques individualistas em nome dos executivos das corporações capitalistas globais. Nada feito, não compreendem ainda que o “líder mais forte da China desde à muitos anos” pretende elevar a sua nação e todo o seu povo como um colectivo ao topo de uma nova ordem mundial que porá final e definitivamente em causa o capitalismo.

terça-feira, novembro 11, 2014

Obama em romagem capitalista à China comunista


Politicamente diminuído e sitiado, Barack Obama está em Pequim para as habituais conversações na Cimeira de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) com o seu homólogo chinês, Xi Jinping (na foto ao lado de Vladimir Putin). A mensagem da República Popular da China sobre inúmeras questões é clara: Nós temos todo o interesse em sermos cordiais (na área da produção), mas não podemos aceitar jogar sob a imposição das vossas regras (na área da especulação financeira). De facto Obama foi pedir batatinhas àquela que é já a maior economia do planeta. (TimeMagazine)

Chegado a Pequim, ao que é hoje o coração económico da Ásia, os anfitriões fardaram Obama com um uniforme à boa imagem do modo de produção asiático Maoista reactualizado numa espécie de Star-Trek style e enfiaram-no na piscina olímpica dos jogos de 2008. Obama não sabe nadar? yep!


domingo, novembro 02, 2014

Inflação, Crédito, Desenvolvimento (II)

O sistema bancário no seu conjunto, e não cada banco por si, cria dinheiro pela concessão de créditos. Esses valores emprestados em “direitos de haver” por determinado banco, vão constituir depósitos nesse ou noutros bancos. E o depósito bancário é tão bom dinheiro como o papel-moeda. Conclui-se assim, paradoxalmente, que instituições exclusivamente privadas como os bancos, cujo objectivo é obter lucros, exercem a função de criar dinheiro subsistuindo-se à função pública de emitir dinheiro (fiat-money) que deveria ser do Estado no interesse da comunidade. Temos assim os bancos a criar dinheiro segundo o interesse de privados, investidores, accionistas, especuladores.

O problema da quantidade de crédito/dinheiro concedido ganha assim uma importância fundamental. O crédito deveria promover apenas e só a utilização dos factores de produção que cada economia pode dispor (do grego oikos+nomos, o governo da casa). Crédito que extravase essa função só tem um objectivo: fazer subir os preços e enriquecer com lucros uma ínfima minoria de indivíduos, à custa do empobrecimento de todos os outros. Esse excedente de capital enfiado no bolso dos ricos e congelado em bens não transaccionáveis, deixa de ser imobilizado para movimentar o trabalho na produção. A actividade económica decresce, parte dos factores de produção deixam de ser utilizados, o desemprego sobe. Tentar resolver esta situação com a emissão de mais crédito é um disparate. Cria inflação, agrava a crise e promove mais desemprego.

Com o problema do lixo tóxico no balanço dos bancos norte-americanos já resolvido (a seu contento, em seu beneficio e para prejuizo de todos os outros paises dependentes do capitalismo), a Reserva Federal dos Estados Unidos põe fim após seis anos de emissão massiva (quantitative easing) de papel-moeda para estimular a economia - 15 mil milhões de dólares por mês (85 mil milhões mensais após o 3º Programa de Estimulos em finais de 2012). Uma vez mais os juros dos empréstimos a conceder (por via do FMI, Banco Mundial) são mantidos ao nivel historicamente baixo de entre 0 e 0,25 por cento, por tempo indeterminado até que a inflação possa subir acima dos 2 por cento e sustentar o crescimento do capitalismo. (eldiário.es)

Para descrever a natureza da actual política monetária do Banco do Povo da China, o economista-chefe do Citigroup, Willem Buiter, cunhou um novo termo: "afrouxamento qualitativo" para o distinguir do muito mais conhecido programa de "flexibilização quantitativa" do seu homólogo FED norte-americano. A "flexibilização quantitativa", adoptada pela Reserva Federal como arma poderosa para combater a crise financeira global, refere-se a uma política monetária não convencional (imprimir mais dinheiro) para estimular a economia quando a política monetária padrão se torna ineficaz, especialmente quando as taxas de juro de curto prazo atingiram ou estão perto do zero. Em contraponto, como está a China a impulsionar a sua economia que cresce menos em virtude da baixa das exportações para o Ocidente em crise?

O chamado "decrescimento qualitativo" é uma politica do Banco do Povo da China  que mantém em niveis normais ajustados à inflação, ou corta ligeiramente o crédito para o sector primário (infraestruras da macroeconomia, agricultura) e aumenta os empréstimos ainda mais baratos para projectos de pequenas cooperativas, reduzindo ao mesmo tempo as taxas e impostos para as empresas. É um programa que incentiva os gastos em projectos rurais de abastecimento de água, renovação de transportes e núcleos de habitação social, enfim, proporciona emprego/trabalho à economia real. São medidas combinadas que em conjunto se podem classificar como um "mini-estimulo" selectivo que vale apenas 0,8 por cento do PIB e evita o risco de estagnação para 2015 na China - um pequeno amendoim em comparação com  a crise capitalista ocidental provocada em 2008 pela falência do Lehman e do suprime e pela pirataria fiscal que se lhe seguiu. E por incrivel que pareça o nosso especializado suplemento "Dinheiro Vivo" trata ambos os processos igualmente como "quantitative easing" e mente quando afirma que a criação de dinheiro ficticio nos EUA se iniciou em 2012, quando de facto se fez logo a partir de 2008.

domingo, outubro 26, 2014

o Trabalho contra o Capital na globalização

Em termos de poder de compra, a China tem agora a maior economia em todo o planeta, mas essa não é a única área em que a República Popular da China ultrapassou os “nossos aliados” Estados Unidos da América do Norte. Segundo Li Delin, autor da obra "A Conspiração Goldman Sachs", no ano 2040 a economía da China, a manter-se as actuais tendências, atingirá um PIB de 123 triliões de USDolars, isto é, triplicará em relação à dos Estados Unidos. Em 1850, enquanto os emigrantes eslavos e anglo-saxónicos nos EUA se digladiavam entre si e ambos exterminavam os nativos, a China era a maior potência de produtos manufacturados do mundo, supremacia derrubada pela invasão estrangeira nas Guerras pelo Ópio. Em 2010 a China recuperou a liderança como maior produtor mundial.
Shangai, 1950. Desfile comemorativo do 1º aniversário da Revolução Popular. 
(gravura da Escola Estatal de Arte de Hangzhou)

Em termos de PIB bruto, os EUA ainda são o número um, pelo menos por agora. Mas de acordo com o FMI, a China ultrapassou-os em vários outros índices de desenvolvimento. A China contribui para o comércio mundial (soma das importações e exportações) mais que os EUA contribuem; a China consome e paga (sem guerras de pilhagem) mais energia que os EUA; a China agora produz mais bens reais transacionáveis do que os EUA produzem (com a sua economia assente em papel-moeda fictício). Por outras palavras, a era da dominação económica norte-americana está a acabar rapidamente.
O poder económico global está a fazer neste momento uma mudança dramática para leste, o que vai ter enormes implicações para o nosso futuro como europeus. O valor das exportações dos EUA para a China en 2013 foi de 121 milhões de dólares, enquanto as da China para os EUA atingiram 440 milhões. Com os défices acumulados os Estados Unidos já devem à China bem mais de um trilião de dólares, e como a sua infra-estrutura económica se está a desmoronar todos os países aliados estão febrilmente a emprestar mais dinheiro (comprando títulos financeiros) numa tentativa desesperada para sustentar um padrão de vida que está em queda livre. Com o nosso actual sistema não podemos competir com a ética de trabalho, criatividade e determinação da China e outras nações asiáticas, conforme vem sendo demonstrado. Se continuarmos por este caminho, que futuro para as gerações seguintes no ocidente? A pobreza nos subúrbios das cidades norte-americanas subiu 64 por cento na última década.
40 anos depois da Revolução, a força do Trabalho produtivo. Shangai 1990

A lógica comparativa é que os preços não são os mesmos em cada país: uma camisa, um quilo de carne ou uma propina escolar tem um custo muito menor em Xangai do que em São Francisco, por isso não é inteiramente razoável comparar os dois países sem levar isso em conta. Embora um chinês ganhe em média muito menos do um individuo médio nos EUA, ao converter um salário chinês em dólares subestima-se o poder de compra que esse indivíduo, e portanto os habitantes médios do país podem ter. O “Índice Big Mac” da revista The Economist é um grande exemplo dessas disparidades. Segundo os dados estatísticos do FMI ambos os PIB em termos de taxas de mercado estão equiparados, mas com base no poder de compra a China já ultrapassa os EUA, tornando-se a todos os níveis a maior economia do mundo - a China tem as maiores reservas mundiais de divisas estrangeiras sendo o maior produtor e importador de ouro do mundo. Em Paridade de Poder Aquisitivo (PPA), em 2005 a economía da China representava menos de metade da estado-unidense (em PPA), porém em 2011 alcançou 87 por cento da economía de EUA - em 2014 o PIB de China totalizará o equivalente em trabalho a 17,6 mil milhões de dólares, enquanto a dos EUA estagna nos 17,4 mil milhões de papel-moeda especulativo
Desenvolvimento, cosmopolitismo, desafio ao modelo capitalista ocidental, Shangai, 2013 

Em 1998 os Estados Unidos controlavam 25% do mercado mundial de alta tecnología, enquanto a China contava com apenas 10 por cento. Na actualidade o gigante asiático supera em mais do dobro os EUA; a China hoje controla mais de 90 por cento do mercado mundial de metais raros, essenciais para a principal exportação para o Ocidente que são os equipamentos informáticos. Uma investigação do Senado revelou que a China fornece mais de 1 milhão de diferentes tipos de componentes para a industria de Defesa (e de ataque) dos EUA. Apesar da ascenção permanente, 93 por cento das transações mundiais continuam a ser feitas em dólares e não em yuans. Ora para a definição de imperialismo o que deve contar é o volume de capitais exportados (a maioria puramente especulativos) contra a exportação de bens e mercadorias produzidos na economia real. Para obviar esse incómodo, de em termos globais o Capital render mais que o Trabalho, Pequim está a criar um banco de investimento asiático para competir com instituições globais como Banco Mundial. ¿ Adeus aos petrodólares? a Rússia e a China, parceiros na Organização de Shangai, trabalham neste momento num sistema análogo ao SWIFT, a plataforma cambial que gere as trocas desiguais entre os paises economicamente dependentes.
Na indústria da construção e obras públicas a China consome anualmente mais cimento que os outros paises todos juntos, ao mesmo tempo que as escolas superiores de engenharia chinesas já formam o dobro de licenciados nessa área nos EUA.  Opiniões propagandisticas como a do semanário pró-imperialista Expresso alertam para a formação de um bolha no imobiliário chinês similar à que destrói valor no ocidente desde 2008, mas tal spin é deduzido em termos capitalistas. Na verdade a economia chinesa tem bases socialistas. As cidades construidas para dar trabalho às pessoas enquanto as exportações para o Ocidente não aumentam (porque os paises capitalistas não têm dinheiro para as pagar) são pensadas como um investimento para o futuro que entretanto providenciam o pleno emprego a toda a população.

quinta-feira, outubro 23, 2014

na medida em que a República Popular da China ganha ascendência na economia mundial, começa a campanha de diabolização do chinês

a Moura Guedes, Raquel Varela, o Nilton e a deputada Moreira...

a historiadora Raquel Varela diz dos seus amores e desamores por Lisboa: "do que menos gosto é da invasão de turistas, hostels, fast food, lojas de chineses, do iva e da lei das rendas (...) não gosto das mercearias asiáticas em Lisboa, não gosto mesmo, podiam ser asiáticas, do magrebe, brasileiras, há um racismo social gravissimo que está a gentrificar a cidade (...) não é racismo (tout-court), qualquer dia Lisboa tem tudo menos Lisboetas, que são expulsos para os subúrbios" -  Francisco Louçã comenta: "Gentrificar é afastar os pobres dos bairros de uma determinada área, por via do aumento dos preços dos consumos e da habitação ou de outro meio de pressão social, e substitui-los pelos mais afortunados. A pergunta é então pertinente: as lojas dos chineses e as mercearias asiáticas (“podiam ser asiáticas, do magrebe, brasileiras”), estão mesmo a fazer expulsar os pobres e atrair os afortunados, a trocar os muitos e remediados pelos poucos e ricos, impondo este “racismo social gravissimo que está a expulsar os lisboetas de Lisboa”? Ou seja, se assim for, os ricos são uma surpresa, e que surpresa agradável: são mais abertos à diversidade cultural do que as nossas preconceituosas suspeitas jamais poderiam conceber (...) As lojas do chinês para turistas? Onde é que viu isso? E esses turistas ficam, compram as casas dos pobres e expulsam-nos para a periferia… Este romance não corresponde à realidade, pois não? (ler o artigo completo)

Dias depois o nosso mega-merceeiro e um dos três homens mais ricos do país, mecenas das estatisticas, sai-se com mais um manifesto: "detesto investimento chinês porque não traz coisíssima nenhuma" e mais adiante: "Nós andamos permanentemente a mudar, sem saber para onde queremos ir", argumentou, considerando urgente "um acordo político" para 10 ou 15 anos entre os dois partidos do Bloco Central (tal e qual é exigido pela Troika) . (aqui).
Mas, troikistas àparte, em contrapartida, os Holandeses gostam imenso dos investimentos portugueses porque lhes levam muita coisa, mormente dinheiro roubado aos impostos em Portugal... mas, para disfarçar, este empresário de merda lança bocas racistas para induzir o povo consumido pelo consumo a culpar o chinês

"Os povos do mundo não são racistas. A burguesia – a classe dominante – é que instila a ideologia racista nas massas, para lançar os povos uns contra os outros: dividir para reinar" (Luta Popular)

"A imprensa pode causar mais danos que a bomba atómica e deixar cicatrizes no cérebro" (Noam Chomsky)

sábado, outubro 11, 2014

AliBabá no reino dos 40 milhões de ladrões

"... peço-te que esvazies, uma vez mais, a tua taça, tu vais para Oeste, além fronteiras, e não tens lá amigos" (poema da dinastia Tang, 618-907)

É voz corrente entre nós (a da propaganda anti-comunista assimilada pelos Media) que a República Popular da China vive hoje debaixo de um regime capitalista atroz, pior, que o Partido Comunista determinaria uma politica imperialista no contexto do mercado global, igual a qualquer outra forma de exportação de capitais. Será assim? o Capital com origem no Trabalho e nos outros factores de produção da China é da mesma natureza do Capital que inflaciona e irradia a corrupção financeira a partir de Wall Street?

Quantos conflitos com origem nos seus negócios estrangeiros já provocou a China?... ao contrário, os Estados Unidos para defender os seus interessses económicos imperialistas já provocaram 201 conflitos e invasões militares nos últimos 60 anos. Trata-se da dominação de uma estrutura global sobre todos os paises; estrutura essa que cria e aproveita a divisão internacional do Trabalho para os dividir e explorar através da emissão de moeda puramente especulativa. Ao contrário a China faz investimentos no Ocidente com Capital que, em termos marxistas, corresponde a trabalho acumulado sobre a produção de bens e serviços na ecomomia real. Portanto, há uma diferença, a acusação de imperialismo feita aos dois casos como se fossem iguais é desajustada... porque vemos 93 por cento das transações mundiais serem feitas em dólares e não em yuans. Será admissivel a existência de capitais especulativos na economia interna da China? o caso do lançamento da Alibaba na bolsa de Wall Street vem ajudar-nos a perceber a questão. Parece que essa operação não foi admitida na bolsa de Hong Kong porque não cumpria as regras exigiveis, aka, não ser de indole especulativa.  Mas ninguém melhor que o comediante Jon Stewart para, a brincar a brincar, nos explicar coisas sérias: 
"Foi a maior estreia de sempre em Bolsas mundiais - a Alibaba do empresário chinês Jack Ma, poucos minutos depois de ter entrado em Wall Street, já valorizava 47 mil milhões de euros,
 atingindo um valor de mercado que ultrapassa a Amazon, o Facebook, o JP Morgan Chase, a Petrobás, a Coca-Cola e o PIB anual português":

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afinal, segundo a inteligentsia ocidental a coisa parece ser coisa boa: "Bolsas mundiais em euforia com estreia de empresa tecnológica chinesa" (SIC-Noticias)

sábado, outubro 04, 2014

Criando as bases do Futuro, sob a consignia "Só o Trabalho cria Valor"



De cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades. Não faz ainda muitos anos das tremendas condenações do nosso muito conceituado marxista José Estaline quando lutava contra as insuficiência da produção na União Soviética. O critério é o do indispensável para cobrir as despesas de habitação, alimentação, vestuário, transporte e recreação cultural. Acontece que a Humanidade no seu todo está longe de poder atingir esses padrões minimos, que conseguiriam banir a miséria da superficie da terra. O facto económico é que a produção total do país, dividida igualmente por todos os seus habitantes, está longe de permitir o nivel de conforto mínimo estipulado por decreto. A tragédia da legislação que defende um salário minimo é que ela esbarra não na distribuição nem das opções monetárias, desde que estas não ultrapassem os factores de produção disponiveis e sejam feitas para desenvolver mais meios, mas esbarra sempre na quantidade insuficiente da produção (1956)

Como os manifestantes de Hong Kong contornam a “censura” oficial…

queremos ser um off-shore de novo
As sofisticadas tecnologias oferecidas pelos Estados Unidos (a par com o financiamento) aos contestatários do regime vigente na antiga colónia britânica de Hong Kong criam uma malha de informação em cadeia na qual os usuários não podem ser rastreados. A par, os meios de informação tóxica ocidentais, difundem como objectivo da acção da centena de estudantes universários que recebem o dinheiro “pôr em causa o governo da República Popular da China, um dos mais repressivos do mundo”. Para isso usam o FireChat, uma aplicação para divulgar informação que continua a funcionar off-line mesmo se a rede de internet for bloqueada - o Off-Grid Messaging App FireChat é um dispositivo criado pela norte americana Open Garden Foundation, comercializado pela Apple e publicitado pelo canal de televisão Tech News, a qual aproveita o evento para promover a venda da App numa acção de marketing a baixo custo de âmbito mundial. É claro que qualquer tecnologia pode ser usada para o bem ou para o mal, e embora o FireChat esteja a ser promovido em nome da Liberdade as usual contra um Partido Comunista, os incautos-alvo do spin não poderão pensar ser também uma maneira de espalhar informações falsas?

Ontem cerca de um milhar de residentes na zona bloqueada sairam à rua dispostos a dar uma carga de porrada nos fedelhos que estão a incomodar a vida normal das pessoas. A policia foi chamada a evitar confrontos. Todos vemos como os Media ocidentais reportam os acontecimentos com o paleio do costume...



...e pronto, parece que, segundo a visão do Esquerda.Net, se acabou "o combate contra o Neoliberalismo em Hong Kong". Uma decepção que deve horrorizar os ruis tavares, as anas gomes, danieis oliveiras, os xuxas com quem eles dialogam e outros papagaios anticomunistas que ficariam radiantes se Hong Kong se transformasse de novo num off-shore anglo-americano (Diário de Noticias)

sábado, abril 12, 2014

Ucrânia; estão a ver o filme?

"Putin nunca foi tão popular. Desde o inicio da crise ucraniana, a popularidade de Putin subiu de 61 para 80 por cento da população que apoia o seu governo. Uma percentagem semelhante ao nivel de aprovação da população chinesa em relação so governo da República Popular. Obama tem 41 por cento. Lendo os comentários no Ocidente sobre Vladimir Putin, compreendemos que estamos simultaneamente em dois planetas diferentes ao mesmo tempo". No lado de lá no estampado das camisetas das jovens russas, e nas cuecas grafadas em inglês à venda no lado de cá
(clique na imagem para ampliar)

Donetsk: polícia enviada pelo pseudo-governo de Kiev passa para o lado dos manifestantes que exigem a separação da Ucrânia neo-nazi