Pesquisar neste blogue

sexta-feira, março 13, 2015

o 11 de Março, visto 40 anos depois, expurgado das famosas "faltas de memória" ultimamente tão em voga

O general Spínola havia provocado a revolta contra o Movimento das Forças Armadas em Tancos e mandara avançar forças sobre Lisboa, convencido que poderia conseguir um levantamento de outras unidades, descontentes com a progressão da revolução para o socialismo. 

Estavam previstas as primeiras eleições livres para Abril de 1975, quando começou a circular o famoso boato da lista "Matança da Páscoa" visando a direita reaccionária. Nunca ninguém viu semelhante “lista”, tratava-se de contra-informação. No dia 3 de Março o jornal “A Capital” informava que havia um golpe-de-Estado em preparação que contava com o apoio da CIA e da República Federal da Alemanha (onde o PS tinha sido fundado. Através da germânica Fundação Friedrich Ebert havia entregas de dinheiro a Vitor Constâncio para financiar o PS exigindo como contrapartida que Mário Soares não se aliasse ao Partido Comunista. Frank Carlucci marcou um almoço para esse mesmo dia 11 de Março com Rosa Coutinho, o mesmo Rosa Coutinho que, depois, ficou com a tarefa de elaborar um relatório sobre os acontecimentos do 11 de Março. (1) Não foi só "A Capital" que deu antecipadamente a noticia do golpe. No dia 6 de Março a revista francesa "Témoignage Chrétien” anunciava a trama em preparação pelos spinolistas . Nas eleições para o Conselho das Armas e Serviços do Exército, nomes sonantes do 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho , Melo Antunes, Franco Charais e Vasco Lourenço não são reeleitos e para os seus lugares são "eleitos" oficiais spinolistas. "Achei esses resultados encorajadores” disse Mário Soares em entrevista dada a Maria João Avilez. De facto Mário Soares tinha conhecimento através dos serviços de informação das Forças Armadas sobre a preparação do putsch. (2) O objectivo era substituir Costa Gomes alçando de novo Spínola a Chefe de Estado, suspender a Assembleia Constituinte, alterar a data das eleições para Novembro num acto eleitoral que escolheria de uma só vez o Presidente da Republica, uma Constituição e um Programa de Governo e ainda os deputados duma designada Assembleia Nacional (em defesa dos valores dos patrões da nação).

Nesse mesmo dia, na Editora Arcádia em Lisboa, Mário Soares assinava os primeiros exemplares da edição portuguesa do seu livro "Portugal Amordaçado". Por cima os caças faziam voos rasantes sobre o Ralis. O novo poder tencionava prender todos os militares considerados revolucionários e ilegalizar o PCP, tido por esta tropa politicamente analfabeta como um partido comunista e não uma associação revisionista disposta a vender a alma à Aliança Povo-MFA, em vez da aliança Operários-Camponeses, e a toda a espécie de conluios com a burguesia que após a queda do fascismo se perfilou atrás de Mário Soares. A tensão político-militar atingiu o seu ponto extremo e culminou com a patética rendição dos pára-quedistas em frente ao RAL1, sob a mediação do comandante Luís Costa Correia e com a fuga de Spínola para Espanha.


Relatado posteriormente no livro “Segredos de Abril” escrito por fonte próxima de Soares, “revelava-se” que na verdade o 11 de Março que saíu não era o que estava preparado pelos spinolistas - foi o que estava contido na frase «é preciso picar o bicho» - uma conspiração pensada pelo P”C”P para obrigar a reacção a mostrar os dentes e aproveitar o ensejo para levar a cabo um contra-golpe (4). Longe de todas estas tramóias estavam os verdadeiros comunistas (pejorativamente designados por extremistas de esquerda) envolvidos em todas as frentes das lutas populares, ocupando fábricas, expropriando latifúndios agrários, saneando fascistas, espulsando os oligarcas. Enquanto o P”C”P tentava travar as justas lutas do povo em nome das suas alianças com o MFA e a promessa de uma “maioria de esquerda” com o PS, havia por todo o país protestos anti-“comunistas” e sedes do P”C”P a arder… mas apesar da percepção do ódio do povo pelo revisionismo social-fascista, nesse dia o regime saído do 25 de Abril rumava a um reforço do autoritarismo do Estado e o Partido dito Socialista saiu incólume da situação do tal golpe que há muito estava a ser preparado, não pela “extrema-esquerda” mas pelos parceiros do PS na Europa e nos EUA (5)

Esse contra-golpe escolheu imediatamente como inimigo a abater o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), por se tratar do único Partido, com forte apoio da classe operária e da juventude, que ousava desmascarar as manobras de assalto ao poder por parte do PCP e as terríveis consequências que uma ditadura social-fascista representaria para o movimento operário e ainda por ser o único Partido que, em alternativa, defendia a necessidade de levar até ao fim uma revolução democrática e popular, que levasse a cabo o total desmantelamento do aparelho de estado fascista e das suas polícias e realizasse as aspirações dos trabalhadores e do povo ao Pão, à Paz, à Terra, à Liberdade, à Democracia e à Independência Nacional . Foi em aplicação deste sinistro desígnio do PCP e de um sector do MFA por ele controlado que o MRPP viria a ser ilegalizado, impedido de participar nas chamadas primeiras eleições da "Democracia" e, posteriormente, objecto do assalto às suas sedes e da prisão de centenas de militantes e simpatizantes seus. Pese os malabarismos de historiadores de pacotilha não hão-de apagar a memória do povo que somos (6)

fontes
(1) Frederico Duarte de Carvalho (2) Francisco Seixas da Costa (3) Manuel Duran Clemente (4) “Segredos de Abril” de Jose Manuel R Barroso (5) O "segredo" do 11 de Março (6) "Luta Popular": o Golpe Fascista e o Contra-Golpe Social-Fascista

4 comentários:

Anti-ZOG disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Aurora disse...

Estão cada mais idiotas.

xatoo disse...

quem, dona aurora? isso é uma autocrítica?

Anónimo disse...

O Major Aventino Teixeira há-de-se um dia ter de haver com a História.
Foi uma das maiores facada na Revolução do 25 de Abril dar ao MRPP a importância que nunca teve e que apenas serviu e serve para baralhar o povo.