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sábado, novembro 05, 2005

A grande Transição – II

(baseado no artigo de Ralph Bellamy Foster da Monthly Review – “Organizando a Revolução Ecológica”)

Como se viu antes, o Capital, pela sua própria natureza é um valor auto-expansivo; a força motriz que conduz a sua acumulação é a livre competição; e este crescimento exponencial embora seja interrompido cada vez com maior frequência por crises, inerentes ao próprio sistema, ao colocar uma pressão desmesurada sobre a Natureza, tem vindo a conduzir a graves devastações ambientais. Estes factos tendem a deminuir e a tornar cada vez mais frágil o próprio Capitalismo em si – Durante os últimos 50 anos o total da Economia mundial aumentou SETE Vezes, enquanto a capacidade da biosfera suportar esta expansão continua drásticamente a decrescer por acção da predação humana.
Para uma maior fundamentação destes tópicos, leia-se a obra de Lester Brown “Outgrowing the Earth”
Desde as conclusões da “Comissão Bruntland” (1987) que originou a linha de reversão para o “Novo Paradigma de Sustentabilidade” (capitalista), apenas tendo em vista a internalização no sistema dos custos económicos ambientais, a situação têm vindo a declarar-se como de decrescimento conduzindo à estagnação generalizada. O curioso é que esta é uma teoria repescada de John Stuart Mill, um contemporâneo de Karl Marx que advogava que o capitalismo se podia auto-controlar, bastando para isso que - “se a quantidade de Capital inicial fosse igual à quantidade final obtida para ser novamente re-investida, não haveria crescimento anómalo”, nem problemas. (in Principles of Political Economy- 1848). Este “estado estacionário” seria compatível com as forças de produção sendo apenas necessárias correcções ao nível da destribuição das mercadorias. Na época, Marx criticou Mill acusando-o de advogar uma “sincronização néscia e superficial” por não levar em linha de conta a necessidade de supremacia da classe dominante sobre as classes exploradas para a realização das mais-valias que constituem a essência do capital.
Hoje em dia, depois que Jared Diamond recentemente publicou “Colapso” em que defende que antigas civilizações como a dos Maias ou a da Ilha de Páscoa desapareceram por via do colapso ecológico das suas bases materiais de suporte, o debate, que já durava há décadas ganhou particular acuidade

Apesar das “forças de mercado” em presença, com os neoliberais à cabeça, a “tocarem violino enquanto Roma arde”, em cada vez mais sectores existe a convicção de que, se estas forças continuarem a operar da mesma forma como até aqui, será apenas uma questão de prazo até que as espécies vivas, entre as quais a humana, estarão irremediavelmente condenadas a desaparecerem. A extinção de espécies é a mais alta desde os ultimos 65 milhões de anos à medida que os eco-sistemas vão continuando a ser removidos. De acordo com estudos publicados da Academia Nacional de Ciências (EUA) em 2002, a Economia Mundial excedeu a capacidade regenerativa em 1980 e em 1999 ultrapassou-a em 20%. Isto significa que já nesse ano de 1999 então seriam necessárias 1,2 Terras para regenerar aquilo que a humanidade consumiu.
Para inverter esta tendência um outro grupo de estudo denominado “Global Scenario Group” reunido à volta do “Instituto de Desenvolvimento de Estocolmo”, vem publicando diversas reflexões sobre esta problemática, cujo ultimo estudo intitularam “A Grande Transição”, (disponível, para leitura aqui (em inglês)), com a finalidade de:
A) Inventariar as condições concretas em que se encontra actualmente o “mundo capitalista”
B) Determinar que meios poderão alterar o curso dos acontecimentos, quer seja por meios tecnológicos ou outros, por forma a suster as crises cada vez mais interligadas – sociais e ecológicas.
C) Que alternativas históricas existem ao sistema vigente.
(continua)

sexta-feira, novembro 04, 2005

Segredo de Justiça vs Liberdade de informar

A propósito das buscas efectuadas à casa do homem providencial do PS - Jorge Coelho, onde a Policia Judiciária procurava um tabuleiro de xadrez de alto valor alegadamente oferecido por um construtor civil de Cascais, (no âmbito do processo em que é réu José Luís Judas), Clara Ferreira Alves (CFA) com nome e BI assentes nos serviços de apoio à candidatura presidencial do PS de Mário Soares, foi lesta a sair a terreiro:
“As suspeitas impressas em papel de jornal matam os inocentes”!
CFA compreendeu mas não quer que se saiba que o mais importante de tudo são as acções que se desenrolam quando se movimentam as as peças nas jogadas, e não o mero tabuleiro em si.
Então,,, dir-se-ia mais que, o excesso de certezas e o banzé generalizado ajudam a esconder os culpados. È sempre o próprio ladrão que mais grita “agarra que é ladrão”. Logo, se queremos pistas para ajudar à compreensão da situação de corrupção generalizada em que o país caiu, é só procurar quem tem acesso aos jornais, a mais das vezes para passar, pela divulgação prévia, apenas pura desinformação, quebrando o segredo de justiça que só existe para protecção dos próprios envolvidos. O próprio PGR, que nos meios forenses tem a deliciosa alcunha de “o almofadinha” é por hábito profissional dos primeiros a publicitar a sua indignação pelas fugas cirúrgicas de “informação”. Ao invés, a quem tenha “mãos limpas”, não lhe é decerto possível publicar assim tão fácilmente a sua verdade. Ficamos, neste como em tantos outros casos, pela alegoria da caverna de Platão, onde só se vê as sombras e não se vê a realidade.E entretanto espera-se as posições das outras facções do PS que não se revêm no PS de Mário Soares/Sócrates e que não têm assim tanto acesso aos media, e tambem,claro está, do surdo-mudo Cavaco, sem ofensa a quem sofre da deficiência.
a mim ninguem me cala!!
Maria José Morgado: “O combate à corrupção é ilusório. Não podemos continuar a falar de escândalos sem que nada aconteça ao nível da punição das condutas graves. A falta de consequências é o pior sinal”
É evidente que existem fundados receios de que em última instância se pretenda diluir as dezenas de arremedos de processos que têm sido tornados públicos, que levantam mares de suspeições, e remetê-los à indiferença dos obscuros corredores do Regime onde não existe a figura jurídica de responsabilização de pessoas colectivas. Efectiv/ seria muito incómodo levar em peso o PS e o PDS-PP, todos presos para averiguações.
E, sobre o Regime vigente, está aqui a melhor definição lida até agora: “Cavaco trata da Economia –Soares trata da Politica – Alegre trata da Cultura” – as partes completam o todo.

Ainda Maria José Morgado, sobre o mesmo assunto, em entrevista à TSF: “a Lei é uma abstracção, não trava nada. O que trava é a deontologia profissional e a orientação concreta seguida caso a caso, mas há muitos fantasmas à volta disso”
- “ E pode-nos concretizar melhor quem ou o que são esses fantasmas”? – (risos) “são fantasmas, não posso explicar”

quarta-feira, novembro 02, 2005

Fixe este nome e este sorriso

Andrea Nahles

A ala esquerda radical do Partido Social-Democrata alemão (SPD) acaba de derrubar o presidente do seu partido, e fazer abanar a "grande coligação" dum governo que ainda nem sequer começou. Pelo lado dos Conservadores o panorama não é diferente - Edmundo Stoiber, o parceiro de Merkel na coligação de direita, acaba de bater com a porta. Ninguém parece disposto a enfrentar o clima turbulento que se irá gerar ao tentar continuar a levar avante as reformas que o FMI/Washington exigiram para financiar a retoma. Muito menos afrontar os poderosos sindicatos alemães, que aí são de facto parceiros sociais efectivos.A velha ordem dos Partidos da "velha Europa" desmorona-se.
Como sempre foi previsivel desde a entrada em vigor da nova ordem da "operação liberdade duradoura" a quebra económica europeia imposta para que o Império e os seus aliados não percam previlégios, está aí bem à vista de todos. Veremos como aceitará a Alemanha a tentativa de portugalização do regime social que se irá seguir. Entretanto, "by the way", por estas bandas o panorama é cinzento; por aqui "discute-se" peixeirosamente o "marismo-cavaquismo" o sistema que tem governado o país nos ultimos 30 anos, e nem a menor corrente de ar se nota, enquanto a corrupção alastra, qual mancha de óleo, a cada vez mais gradas figuras da politica nacional.

* Uma coisa nada parece ter a ver com a outra, mas o certo é que "isto anda tudo ligado". À mesma hora, noutro local, David Addington, o autor do memorando que justificava o uso de tortura em suspeitos de terrorismo, violando os acordos de Genebra, é nomeado como novo chefe de gabinete do vice-presidente dos Estados Unidos da América, na sequência da crise dos "crooks and liars" que tem assolado Karl Rove e a Casa Branca. Se para os economistas neoliberais as pessoas são números, para estes criminosos oficiais as pessoas são tijolos.
Marx sempre foi hábilmente utilizado pela propaganda para meter medo às criancinhas,,,evitando-se assim, cuidadosamente, a dicussão sobre os caminhos civilizacionais a seguir perante a crise

Existem três concepções do mundo em presença, que interagem através da correlação das suas forças próprias com teorias que têm defenido as respectivas doutrinas e que podemos esquematizar assim:
A) Mundo Convencional onde operam as "forças de mercado" (Smith) e as "politicas de reforma" (Keynes, os boys de Chicago os tais que disseram que o ouro a partir daí já não valia e a comissão Bruntland)
B) a Barbárie Neo-Liberal, que divide o mundo em Estados Inviáveis e em Estados Fortificados (Malthus, Hobbes)
C) a Civilização Auto-Sustentável que defende a mudança de paradigma para um tipo de Eco-Comunalismo de raiz Marxista aplicável, nas condições presentes, por regiões autónomas interagindo em rede.

voltando ao inicio,(da história moderna)
na concepção abstracta, o capitalismo mercantil, tal como o entende “o mundo convencional” podia-se defenir pela fórmula M – D – M
que representava o circuito de produção de (M)ercadorias, de Marx:
(M)ercadoria a valor de custo – troca por (D)inheiro – (M)ercadoria + mais-valia * = Valor de Uso, pelo qual era transaccionada:
M – D – M'
* Grande parte da obra de Marx “O Capital” é dedicada a estudar a mais-valia, um valor que resultava, em última análise, da exploração da mão de obra assalariada.
O circuito ficava completo com o consumo da mercadoria. O patrão explorava o operário e vivia-se nos doces tempos das lutas sindicais a nível nacional.
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O movimento operário força a opção, reforçada pelo desenvolvimento industrial, pela produção
generalizada de mercadorias (Fordismo). Com a construção das grandes linhas de fabrico e
montagem, o circuito de Produção inverte-se, pela subtil “subversão americana” – começa e acaba no (Dinheiro):
D – M – D
A ninguem é possivel começar a produzir algo sem que primeiro tenha equacionado o investimento de capital necessário
As trocas já só têm por finalidade a simples obtenção de (D)inheiro. Se a quantidade de Capital inicial fosse igual à quantidade final obtida para ser novamente re-investida, não haveria crescimento (nem problemas).
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Mas ao contrário, a invenção grega expressa no Teorema de Tales de Mileto de que a compensação da incerteza futura pode ser feita mediante um acréscimo nominal antecipado, foi ferozmente adoptada pela filosofia Judaica através do conceito de proporção, que originou a taxa de lucro. E assim, a quantidade de Dinheiro investido é tambem recuperado acrescida desse Lucro que já nada tem a ver apenas com a mais-valia das (M)ercadorias, cuja fórmula passa a ser:
D – M – D’
Ninguem investe 10 para no final receber os mesmos 10.
De fora deste circuito fica, então a noção de que na realidade este processo não tem fim, porque a (M)ercadoria já não é o fim de uso em si, mas apenas é o factor da acumulação de mais-valias do Capital (D) em si.
Os resultados obtidos num ano são re-investidos obtendo-se:
D’ – M – D’’
E no exercício seguinte o processo repete-se:
D’’ – M – D’’’
E assim, ano após ano, direito ao infinito. O Capital (D) pela sua própria natureza transforma-se num valor auto-expansivo – ou seja é necessário para a sua reprodução rentável, que exista um crescimento eterno!
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Existe um pequeno óbice para os adeptos desta teoria. É que os recursos da Terra são finitos, tanto em matérias-primas, como em “recursos humanos” cuja formação é dispendiosa, quanto em consumidores de produtos manufacturados. E os investimentos D’’’’’’’ (ad infinitum) no fogo do livre capitalismo expansivo e na voragem do crescimento rápido recusam-se a internalizar os custos sociais e ambientais da predação ecológica. (é um facto que Bush se recusa a assumir o protocolo de Quioto)
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Até aqui, o crescimento tem sido assegurado primeiro pela colonização pura e dura, depois pelo Imperialismo – de seguida pela modificação da Produção para o outsourcing (Toyotismo)
que tem estado na base da deriva neoliberal
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claro que, consoante a posição que cada um ocupa na "cadeia alimentar" assim cada um vê a parte da realidade que interessa ao prosseguimento dos seus designios, sejam eles de cariz altruista (a tal "Esquerda") ou de fomento à simples exploração desenfreada (a tal Direita). É preciso acabar com esta dicotomia! a riqueza da sociedade, está na multidiversidade
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e depois existem os outros, os que pensam que ainda vivem no tal "mundo convencional liberal" (cujas bases já não existem) e que são a grande massa manipulável - ora, como é evidente, uma sociedade de carneiros conduz sempre a um governo de lobos, como dizia Bertrand de Jouvenel.
"portantes",,, (Eanes dixit), mediante as capacidades percepcionais de cada um, é só escolher onde, em que parte da realidade quer, ou pode, estar,,, A), B) ou C)?

terça-feira, novembro 01, 2005

os candidatos do Regime (Corrupto)

Como vem sendo advogado por terras do Novo Mundo onde o sol nunca se põe, é preciso alterar a legislação "para que ex-políticos não se possam dedicar ao jornalismo de investigação"e, por “coincidência”, não é que Joaquim Vieira - aquele jornalista que andava a pôr a boca no trombone acerca do "escândalo de Macau" que ele intitulou "O Polvo (4/5)" e "O Polvo (1/2/3) - FOI DESPEDIDO!? (da revista Grande Reportagem, propriedade da "Visão" do Sr. Pinto Balsemão) ou seja: isto é , de facto, o pacto do Bloco Central Neoliberal a funcionar no seu "melhor"!!

Francisco Pinto Balsemão é o testa-de-ferro para Portugal do Grupo Bilderberg - uma extensão para a Europa da "Comissão Trilateral" - uma task-force ao serviço do Império neo-colonial americano que existe apenas para controlar a economias mundial a favor das Oligarquias instaladas.
Balsemão,Soares e agora o manequim de fancaria de Boliqueime sâo todos farinha do mesmo saco - e defendem por igual exactamente a mesma coisa!
apenas com pequenas diferenças de estilo, para enganar o pagode.
Ainda faz agora um ano e picos Balsemão e Soares homenagearam Franck Carlucci numa cerimónia amplamente divulgada pela SIC - o mesmo Carlucci embaixador a quem foi vendido o direito de exploração das terras lusas como lobyista ao serviço dos grupos económicos norte-americanos. Efectivamente a história do Portugal recente não pode ser dissociada das ingerências norte-americanas, que não prescindem de ser ressarcidas pelos seus investimentos.Como contou Rui Mateus no seu livro "Contos Proibidos".
Roubados, espoliados e muito agradecidos – o senhor Presidente da República ainda tinha de condecorar Carlucci numa cerimónia oficial indecorosa.
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Antes da golpada da vitória de Durão Barroso em 2001, que as pessoas de boa-fé não imaginavam ter sido eleito para desmantelar o Estado Social, Pinto Balsemão fundador do PSD e Patrão da SIC/Impresa encontrava-se em grandes dificuldades. Os prejuizos rondavam os 10,2 milhões de euros anuais. Mas como os amigos são eleitos é para as ocasiões o assalto à RTP não tardou, canalizando a publicidade para o grupo privado de Balsemão, enquanto a RTP era desmantelada. a Impresa voltou aos lucros a partir de 2003 com 12,5 milhões de euros de lucros em 2004 .
Este é apenas um caso de um dos grupos de interesses privados que gravitam em redor dos Fundos Públicos do Estado, casos que se irão repetir nas privatizações da Saúde, Educação, Correios,Águas Públicas,etc, sempre em prejuízo do interesse da Comunidade.

A Corrupção pelo tráfico de influências é bem visível e atinge o mais completo despudor. Ainda há poucos dias a Holding (SGPS) "LisbonCash" desistiu da queixa em Tribunal contra o administrador da Euroamer (Artur Albarran- sócio de Franck Carlucci), para não envolver o senhor ex-Embaixador Yankee amigo pessoal de Pinto Balsemão em situações de roubo e fraude fiscais - que já vieram à baila envolvendo a Banca o branqueamento de capitais e a fuga ao Fisco, conforme se tornou público com as noticias destes ultimos dias.
É para escamotear estas verdades que Cavaco se candidata! um gajo que se baba e é desprezado pelas élites pseudo-culturalmente evoluidas ligadas à nossa Oligarquia provinciana, mas que tem pretensões a passar por cosmopolita. As pessoas de boa-fé vão, outra vez, eleger um figurante, enfim, mais um salvador da pátria falhado, subserviente ao pacto de regime Soares/Balsemão.
(Quanto à Marge Simpson para 1ª Dama nem é bom falar desse susto.Quem ouvirá o jet-set,,,)

a "escolha":
Fernando Rosas no "Público"(2/11):
"Temos assim um cenário interessante: de um lado, Cavaco Silva oferece apoio estratégico à resposta do Governo para a crise. Do outro, Soares disponibiliza-se para fazer, junto do povo, a "pedagogia sobre a necessidade dos sacrifícios" que essa politica acarreta"
Quanto ao manequim da rua dos Fanqueiros, no coments, mas parece que desceu nas sondagens - o Nuno Rogeiro disse que "a causa foi ele ter começado a falar",,,e no mais, esfrangalhar o PS que se diz socialista tem de ser visto como uma tarefa de utilidade e higiene pública. Deviamos ser subsidiados pelo nosso esforço,,,

segunda-feira, outubro 31, 2005

1755 - o Desastre de Lisboa

“o rugido do leão aterroriza os habitantes da floresta, porém,
para a leoa é uma declaração de amor”
provérbio africano

Quando a terra rugiu em Lisboa, Voltaire escreveu que “chegara o último dia do mundo”
Nas igrejas cheias, porque era dia de Finados, foi onde houve maior número de mortos. Não tardou que hordas de padres rondassem as ruínas e à dor juntassem o medo, dizendo que o desastre tinha sido castigo divino, exigindo penitências. O padre Malagrida opunha-se mesmo à reconstrução de Lisboa que “Deus destruira devido à brandura para com os hereges”. Havia mesmo quem acusasse os que se tentavam recompor de “lutar contra o Céu”. Um cidadão britânico, a viver na cidade, espanta-se por os trabalhos de socorro estarem a ser dificultados pelas ladainhas de tanta gente a atormentar os moribundos com carpidas rezas e gritos de misericórdia.
O futuro seria propício para a Igreja, que terá os seus edifícios como os primeiros a ser re-erguidos. A restante cidade, hoje a “baixa pombalina” que nasceu do traço de Manuel da Maia e de Eugénio dos Santos, demoraria mais de 50 anos para ser reconstruída. O “marquês de Pombal” que ficou na fotografia como “o grande empreendedor”, andava à época entretido com outros assuntos mais urgentes – a queimar livros, entre eles o “Dicionário de Filosofia” e os “Poemas sobre o Terramoto” de Voltaire, que inquiria:
"Estais vós seguros de que a eterna causa que tutela,
Que tudo faz, que tudo sabe, que tudo criou por ela,
Não poderia atirar-nos para este triste revés
Sem formar vulcões acesos por baixo de nossos pés"?
Ontem, como hoje, a beatice lusitana e os resquicios da Inquisição continuam a ser as causas dos castigos dos nossos males.
o Padre desta paróquia quer dinheiros públicos para fazer obras, e mandou pintar uma tabuleta com letras garrafais intimando o Estado.
Uma nova Catedral (de Santo António) vai ser construída ali para as apropriadas bandas do Beato.
Entretanto é desconhecido do grande público a existência de qualquer plano de emergência em caso de catástrofe. Para salvar os lobies da Ota/Tgv não devem sobrar investimentos para serem aplicados em prevenir salvar vidas em Lisboa, que assenta numa importante falha sísmica,,, “valha-nos deus”?, outra vez?

* para ler mais sobre o Terramoto de Lisboa - (no blogue "Pura Economia")

domingo, outubro 30, 2005

Cimeira dos Povos das Américas
Argentina - 4 de Novembro - Mobilização continental

Marcha contra Bush
Cindy Sheehan, a "mãe coragem" norte-americana, Ramsey Clark, ex promotor-geral dos EUA,(American history, reminding us that even in the bleakest of times power is not absolute) e Javier Couso, irmão do jornalista espanhol assassinado em Bagdad, participarão na Marcha contra Bush em Mar del Plata. No estádio dessa cidade argentina também tocará Silvio Rodríguez e falará Hugo Chávez, Presidente da Republica Bolivariana da Venezuela
Nas conversações que se arrastam há meses, a três dias do encontro de 34 chefes de Estado, existem divergências sobre a abertura comercial e o papel dos organismos financeiros internacionais, entre outras questões. A declaração final, o denominado Plano de Acção, deverá conter, entre outras as exigências conjuntas, o "crescimento com emprego", "a criação de trabalho como forma de enfrentar a pobreza" e "a formação da força de trabalho". Outras questões são "o elemento geral necessário à criação do trabalho decente", "o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas como motor do crescimento" e "o fortalecimento da governabilidade democrática". Tudo coisas de dificil digestão pelo poderoso vizinho do Norte, mais apostado em impôr acordos comerciais unilaterais como a ALCA, que os Estados da América Latina rejeitam.

Momentos


A ti, consciência,
sim, a ti, que fazes tuas
estas linhas amigas uma vez mais
a ti te confio nelas o meu pensamento
com ele meu sentimento e minha verdade
Durante muitos anos pensei, igual como tu
que a vida é como um rio que morre no mar
como uma viagem em qu`o azar marca destino
qual comboio em que vais sem que possas saltar
como teatro em que cada um representa seu papel
A vida é caminho que se vai fazendo caminhando
A vida, como dizemos, é mudança é movimento
mas porem, tambem é sonho, é ilusão,é espera
é tensão, dôr, mas tambem alegria e tristeza
amor e desamor, tambem saude e doença
sol radiante e lua sonhadora, é espiral
que gira sobre si sem se encontrar
é coração, em busca de sentido
consciência liberdade solidão
é tempo alem de espaço
momentos criativos
para recebermos
e para darmos
e no final, no ultimo momento
deixarás o que tens e levarás o que destes

Saturnino de la Torre

sábado, outubro 29, 2005

entretando,,, a "Crise"


não afecta os maiores,,, e se calhar até foi imaginada por eles
"Em geral, a arte de governar consiste em tirar tanto dinheiro quanto possivel a uma classe de cidadãos para o dar a outra"
Voltaire (in Dicionário da Filosofia)

a Estética do Colectivo


A República Democrática da Coreia é famosa pelas suas coreografias colectivas que ocorrem regularmente e a que chamam “Jogos de Massas” ou festivais Arirang. Normalmente estes certames envolvem cerca de 100 mil executantes que formam enormes mosaicos humanos sincronizados de forma a compor uma sucessão de imagens diferentes que criam efeitos espectaculares. - “Lindíssimo” exclamou a Secretária de Estado Madeleine Albright vinda de uma visita a Pyongyang em Outubro do ano 2000 perante uma audiência embasbacada, habituada às javardices dos Media corporativos ocidentais quando debitam idiotices sobre todas as formas de organizações de Sociedade em que o interesse colectivo possa prevalecer sobre a liberdade individual de cada um, dos mais capazes e espertalhões diga-se, fazerem o que lhes dê na real gana.
Estes exercícios estéticos têm a finalidade óbvia de equacionar a dicotomia individuo-colectividade – na verdade, sem o esforço organizado de cada indivíduo que se obriga a si mesmo a cumprir certos movimentos ou tarefas, sob certas directivas específicas, o objectivo final do colectivo nunca existiria. O resultado, se atingido com a perfeição possivel, por sua vez enche de orgulho cada um dos participantes.É fácil!
E concorda em absoluto com as últimas contribuições científicas para a Antropo-Sociologia dadas pela teoria de Autopoesis de “Maturana e Varela” sobre a auto-organização, primeiro dos núcleos da matéria segundo os principios de complementaridade em que a dinâmica da realidade se define por elementos que se assumem ora como onda ora como particula; depois em nucleos biológicos que se auto-organizam na vida compreendendo que a emoção é a base da razão; finalmente da dos individuos que se auto-organizam em estruturas sociais, entendidas na forma moderna como “Redes” em interacção

sexta-feira, outubro 28, 2005

"Portugal em Acção" - mais do mesmo,,,

Em cada Flopes há um Sócrates à nossa espera e vice-versa. Até quando?

Esta troupe do "Project Finance" (ou praga de gafanhotos como se lhes referiu Oskar Lafontaine) é do piorio para avacalhar a forma de encarar a vida das sociedades. Do alto das suas rebuscadas continhas pseudo-eruditas, fazem esquecer ao comum dos mortais que não são os números que devem prevalecer nas decisões - as pessoas, os cidadãos no pleno exercicio da soberania, estão em primeiro lugar - ou deveriam estar!, bem assim como o que elas decidissem democráticamente! e não por delegação nestes biltres. Desde Salgados a Ulrichs - não há cão nem gato que não amande bitáites e pague editoriais com sugestões sobre os governos ou as politicas que devem ser seguidas. Quem mandatou esta tropa de privados para tentar implementar novos modelos de contratos laborais ou sociais?
no total- dos patrões que não entregam à Segurança Social do Estado as somas que correspondem aos descontos de parte do salário dos trabalhadores - a dívida já ascendia a 2,9% do PIB!!! quando o valor do "défice" previsto no OE/2005 era de 2,8% (uma manipulação de sinal menos)e esta gente ainda tem a distinta lata de fazer este dramalhão de fancaria à roda do "défice". A "Crise" deveria ser assunto para a PJ, se,,,
tudo isto não fosse uma mera encenação para sustentar a nossa Oligarquia no Poder.
Já poucos se lembram, mas o certo é que na execução da cartilha neoliberal tem valido tudo a caminho do abismo do descrédito das Instituições - ficou famosa a rábula que o então "indigitado" presidente da Assembleia da Republica Jaime Gama fez, envolvendo Vitor Constâncio e as mais altas instâncias do Banco de Portugal. Eles sabiam! que o "défice" do OE 2005 era uma fraude!, e sonegaram informação para manipularem a eleição do PS de Sócrates! com a finalidade de completar a tarefa iniciada por Durão, Ferreira Leite, Santana e Bagão Félix. Com o PS o "défice" passou então para 6% (uma manipulação de sinal mais).
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João Salgueiro não teve conhecimento oficial do que está a ser investigado na "Banca", que segundo ele não existe como "Entidade", sendo apenas um conceito abstracto. Entretanto,
para Vitor Constâncio é preciso credibilizar a coisa para que se obtenha a confiança dos "Agentes Económicos", que estes sim, já são "entidades concretas"! - conceitos abstractos para poder infringir a Lei, conceitos concretos para não ser prejudicado por isso.
Ambos conceitos neoliberais do mais puro nihilismo, portanto.

* et pour cause: os"Quatro maiores bancos lucram 727 milhões de euros"enquanto a taxa de endividamento das familias triplicou,,,

quinta-feira, outubro 27, 2005

Luto pela Humanidade - Os 8 Pecados Mortais da Civilização


Um leitor aqui no post anterior, comentou que as mulheres se vestiam de negro em sinal de luto.Não só as mulheres, os homens tambem. Efectivamente,datam de há 35 anos, os enunciados de Konrad Lorenz sobre "os 8 pecados mortais da civilização" - os processos que então mencionou, distintos uns dos outros, embora em estreita relação causal, são os que ainda permanecem e ameaçam destruir não só a cultura hodierna, mas toda a humanidade enquanto espécie.
São eles:
1) A superpopulação da Terra que, pela oferta excessiva em contactos sociais, nos impele a todos, de modo fundamentalmente “desumano”, a proteger-nos contra eles e que, alem disso, por meio do amontoamento gregário de muitos individuos em espaços limitados, desencadeia imediatamente reacções de agressão.
2) A devastação do espaço vital natural, que não só destrói o ambiente externo onde vivemos, mas elimina ainda, no próprio homem, toda a reverência perante a beleza e a grandeza de uma criação que o ultrapassa.
3) A competição do homem consigo mesmo, que acelera continuamente o desenvolvimento da tecnologia para a nossa ruina, cegando os homens para todos os verdadeiros valores, e não lhes deixando tempo para se aplicarem à ocupação genuinamente humana da reflexão.
4) O esmorecimento, mediante a efeminação, de todos os sentimentos e afectos viris. Os avanços da tecnologia e da farmacologia estimulam a intolerância crescente contra tudo o que causa o mínimo mal-estar. Deminui assim a capacidade do homem para viver aquelas alegrias que só se obtêm através de árduo esforço na superação dos obstáculos. O movimento de alternância, inspirado na natureza, do contraste entre dor e alegria, baixa de nível nas oscilações imperceptiveis do tédio anónimo.
5) A decadência genética. No interior da civilização moderna – alem do “natural sentimento de justiça” e de muitos principios juridicos veiculados pela tradição – não existem factores que exerçam qualquer exigência de selecção sobre a evolução e a manutenção das normas do comportamento social, embora estas se tornem cada vez mais necessárias com o crescimento da sociedade. Não deve excluir-se a hipótese de que muitos dos infantilismos, que transformam em parasitas sociais grande parte da actual juventude “rebelde”, sao talvez geneticamente condicionados.
6) A rotura da Tradição. Conseguiu assim atingir-se um ponto crítico em que a geração mais jovem deixou de culturalmente se fazer compreender, para não dizermos antes, que deixou de se identificar com a geração mais antiga. Aquela considera-a, portanto, como grupo étnico inimigo e combate-a com um ódio nacional. As razões para semelhante quebra de identificação residem, antes do mais, no deficiente contacto ente pais e filhos – facto que já, no tempo da primeira infância, provoca o amadurecimento de consequências patológicas.
7) O crescimento da entroudinação da humanidade. A multiplicação de homens unificados dentro de um grupo cultural único, de mão dada com o aperfeiçoamento dos meios técnicos para a manipulação da opinião pública, leva a uma uniformização das ideias e concepções, tal como jamais existiu em qualquer outro periodo da história humana. Acontece assim que o efeito sugestivo de uma doutrina firmemente professada aumenta, talvez em progressão geométrica, com o numero dos seus adeptos. Em muitos lugares, já hoje se considera como patológico um individuo que, conscientemente, se subrai aos efeitos dos mass-media, por exemplo, da televisão. As consequências despersonalizantes são saudadas com entusiasmo por todos aqueles que pretendem manipular as grandes massas humanas. A investigação da opinião, a técnica propagandística e as modas hábilmente orientadas coadjuvam igualmente os grandes produtores e burocratas, no poder sobre as massas.
8) O rearmamento da humanidade com armas nucleares arrasta consigo perigos para o homem, mais fáceis de evitar do que os que são originados pelos sete processos acima aduzidos.

Em apoio dos processos de desumanização, que se expuseram desde o 1º ao 7º capitulo, vem a doutrina pseudo-democrática, segundo a qual o comportamento social e moral do homem não é só determinado pela organização do sistema nervoso e orgãos sensoriais, desenvolvidos filogeneticamente, mas exclusivamente influenciado pelo “condicionamento” a que se encontra sujeito no decurso da ontogénese, através do respectivo ambiente cultural.
É por este campo que a tirania democrática se continua a afirmar. Como se fosse possivel formar alguém a partir de fora para dentro.O duplo sentido de "luto pela humanidade" deve ser lido como um incentivo a não nos resignarmos apenas a vestir de negro.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Mísia, Fanny Ardant e Maria Callas, em Lisboa


A fadista Mísia vai apresentar esta quinta-feira o seu novo álbum, "Drama Box", no Teatro Dona Maria II.
O concerto contará com a participação especial da actriz francesa Fanny Ardant, que lerá o poema de Vasco Graça Moura, "Fogo Preso".
Para além da participação de Fanny Ardant, que participou no filme "Oito Mulheres", o álbum conta também com a participação de Maria de Medeiros, Ute Lemper e Cármen Maura.
Para além do texto de Vasco Graça Moura (questões de mercado?), há obras de José Saramago, Natália Correia, Rosa Lobato Faria, Paulo José Miranda e José Luís Peixoto.
O disco, que já foi apresentado em Junho, no Maxime, em Lisboa, tem fados, boleros e tangos e é dedicado à mãe da fadista, bailarina de dança clássica espanhola que vive em Barcelona.
Mísia, que foi condecorada com a Ordem das Artes e Letras de França, já actuou em palcos internacionais como o Olympia, em Paris, e o Queen Elizabeth II Hall, em Londres.
Fanny Ardant comentará esta quarta-feira em ante-estreia na Cinemateca Nacional o filme de que é a protagonista "Callas Forever" de Franco Zefirelli

terça-feira, outubro 25, 2005

"Jornal de Negócios"

Terrorismo de Estado: Todos diferentes, Todos Iguais!
Realmente quem escreve a História oficial, escreve uma ficção. Alguma vez se verá a História ser reescrita pelas vítimas?

Sampaio defende sucesso da operação no Iraque:

"O Presidente da República Jorge Sampaio defendeu hoje, no "Congresso do Terrorismo", que «é agora do interesse de toda a comunidade internacional que os Estados Unidos e os seus aliados sejam bem sucedidos» no Iraque, caminhando assim para a tentativa de resolução do problema do terrorismo internacional".
Outro dos oradores foi(ou será) José Manuel Fernandes, José Sócrates e uma corja de eminências pardas norte-americanas. Mais palavras para quê?. O crime compensa.(por enquanto)
Diz Vital Moreira que "só por caricatura é que se pode dizer que entre nós o Presidente da República não tem poderes relevantes. Tem muitos e fortes"(...). Efectivamente teve os suficientes para reunir com Barroso e ambos, nas costas da vontade não expressa dos cidadãos deste país, decidirem o nosso envolvimento na agressão e invasão do Iraque. Cavaco já nem se preocupa em esconder estes actos ilicitos, ao dizer que "Hoje, em Portugal, sabemos o que é preciso fazer para que o país possa vencer. O que pode faltar é vontade e determinação para o fazer".Cavaco já nem pede que o sigam a lado nenhum, mas apenas que lhe passem uma procuração em branco. Sabemos o quê e quem é que sabe?
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e já que falamos de Crimes e da História, vem mesmo a propósito recordar a
"Brevissima Relação da Destruição das Índias" conforme a descreveu o Principe e Alto-Dignitário da Coroa espanhola o padre Bartolomeu de las Casas em relatório de 1552 dando conta dos seus "Negócios" ao Rei

segunda-feira, outubro 24, 2005

Efeméride (?) - Os caminhos do fascismo

Agora que tanto se fala do fim da 3ª Republica, Helder Costa, evoca os conturbados tempos finais da 1ª Republica. Com um orçamento de Estado que comtempla 0,5% para a Cultura, o Teatro "a Barraca", que fala hoje de questões inconvenientes, está com os subsidios cortados. Convinha que todos fôssemos ver esta peça. Então, como agora, os caminhos não foram (nem são) brandos,,,


"A 19 de Outubro de 1921, o primeiro ministro demissionário, António Granjo, e os heróis da República, Machado dos Santos e Carlos da Maia, foram assassinados, sem que os mandantes do crime viessem a ser identificados. Este é o tema da peça “O Mistério da Camioneta Fantasma”, que estreiou no Teatro “A Barraca”, em Lisboa, no dia em que se assinala o 64º aniversário dos trágicos acontecimentos. O texto e a encenação são da autoria de Hélder Costa.

JL – Como nasceu esta peça sobre o mais sangrento dos golpes que ocorreram em Portugal, durante a 1ª República?
Hélder Costa – É um golpe envolto em mistério. Eu tinha ouvido falar disto a um historiador, quando exilado. A seguir ao 25 de Abril, o jornalista Carlos Ferrão publiicou um artigo em que dava algumas pistas sobre o assunto, mas sem grandes certezas. Fui-me interesando pelo assunto, fui investigando e estou convencido de que descobri a trama toda.. Na origem destes assassínios está um jogo de monárquicos que fizeram golpes, contra-golpes e até infiltrações na Guarda Nacional Republicana, sempre com a cumplicidade do Rei Afonso XIII de Espanha, que não queria esta “anarquia” à sua porta. Penso que se trata dum acontecimento muito interessante porque, entre outras coisas, nos permite verificar como o fascismo acabou por chegar, demonstrando, simultaneamente, que havia uma incapacidade da parte da República em matéria de justiça. Por outro lado, é muito, muito interessante verificar como tudo aquilo acaba por se ir deslindando devido à acção duma mulher, a viúva de Carlos da Maia. Desesperada com a ineficácia da justiça, ela publicou um livro onde indica uma série de pistas que já dariam para abrir o processo. Mas deu-se, então, um daqueles “milagres” à portuguesa, que foi o 28 de Maio. E nunca se fez justiça.

JL – A peça estabelece “pontes” com o Portugal de hoje?
Hélder Costa – Embora me interesse mostrar a sociedade daquela época, não fiz uma coisa historicista. Como sempre, quero alertar para perigos que teimamos em não ver. As pessoas dizem que, em Portugal, já não pode haver golpe militar porque estamos na União Europeia, mas, que eu saiba, nesta mesma União Europeia existe um senhor chamado Berlusconi. Os republicanos também acreditavam na Sociedade das Nações e que a Alemanha não podia criar o nazismo. A guerra Civil de Espanha foi consentida, inclusivamente pelo governo de esquerda que existia em França. O que pode acontecer? Não sei, por isso, é que devemos estar atentos".

domingo, outubro 23, 2005

o Orçamento de Estado para 2006

Falando de obras de arte, o presidente norte-americano John F.Kennedy referiu certa vez que "a arte não é uma forma de propaganda, mas sim uma forma de verdade" . Não parece ser esse o entendimento deste "artista" * que publica croniquetas de agit-prop no jornal da Sonae . Nada já é de estranhar, entre nós, para quem viu a dona Maria Cavaca e Silva (quem?) na primeira página do “pasquim mais influente do país”


Vasco Pulido Valente*, pois é dele que se trata, para não deixar dúvidas, começa logo por se equivocar na 1ª linha do que escreve: “Exceptuando a extrema-esquerda, não há economista em Portugal que não ache o Orçamento de Estado uma perfeição”. Ora, na medida em que este O.E. se destina a continuar a desmantelar aquilo que ainda resta do Estado-providência, depois da tarefa iniciada pelo agora Comissário Barroso em 2001, os extremistas são eles!. Que não suportam uma crítica radical de Esquerda, sem recorrerem a lançar o ferrete dos adjectivos.
Por exemplo, a avaliar pelo incremento das campanhas publicitárias em curso, as garantias de acesso dos cidadãos à Saúde são agora tratadas aos balcões dos Bancos e das Companhias de Seguros. Alguém nos haveria de explicar quem é que votou em consciência neste modelo neo-liberal de importação norte-americana.
VPV mente por omissão, quando não deixa explicito que o Orçamento foi elaborado pela facção que está instalada no Poder – a face dita socialista do Bloco Central que é totalmente subserviente da ideologia Neocon de Washington. Eles não são apenas de Direita, eles são de Extrema-Direita.
O neto do velho Pulido Valente (o avô foi um Comunista da velha guarda do PCP), conclui informando os seus leitores que os bons velhos tempos não voltarão. É pouco, se considerarmos que se partiu de uma mistificação.
Conforme notava um outro americano dos “bons velhos tempos”, Walter Lipmann, "aos orgãos de informação de referência só tem acesso a escrever quem não tenha nada para dizer".

sexta-feira, outubro 21, 2005

A Longa Marcha Neoliberal pela Europa Ocidental

“Não é pela debilidade do Governo ou pela instabilidade governativa, como nos finais dos anos 70, que se pode explicar a brotoeja presidencialista na área da direita”
disse Vital Moreira
Os tiques presidencialistas da direita? A nossa direita tem uma especial apetência pelos ismos, o sidonismo, o salazarismo, o marcelismo e agora querem o cavaquismo, o que na versão presidencial tende a ser uma forma de caudilhismo. Cavaco entrevistado hoje na TSF, sobre o problema do referendo ao aborto, eloquentemente "disse que nada diria" antes da Assembleia Nacional se pronunciar. Note-se bem! "Nacional" e não da República - sâo lapsus linguae por onde eles recuperam rápidamente os tiques do seu tempo. Afinal,disse tudo.
clique na imagem para ampliar

É impressionante a peregrinação de personalidades que têm vindo a comparecer em peso entre nós, numa série de eventos/colóquios/conferências e outras formas mais corriqueiras de “amandar bitáites” antecedendo o período de entrada em praça do tão ansiado mago ilusionista que irá salvar (outra vez) o país (de alguns).
A coisa assemelha-se assim como que a uma “Longa Marcha Neoliberal” pelas pantanosas terras lusas,,, - compreende-se a preocupação!: Portugal detem o maior número de campos de Golfe e possui mais horas de Sol do que qualquer outro país na Europa.
Ora estes são bens essenciais (deles) a preservar e valem bem os sacrifícios que a notável chusma de intelectuais politólogos, prémios nóbel, banqueiros, especialistas em jogos de casino, economistas avulso e os peões de brega do costume, fazem para “limpar o terreno” dos párias que ainda aqui vão conseguindo subsistir.
Mas, apesar do esforço ou talvez por causa dele, a imponência (impertinência) e pose de tão grados figurões, caiem porém no mais completo descrédito quando, por detrás de cada “byte” se vai invariavelmente desaguar na prosaica figura de um obscuro ex-ministro de Cavaco Silva – o inenarrável e Abominável J.César das Neves, célebre pelos mais diversos disparates e boutades nas mais diversas áreas.
Assim, bem que se podem esforçar,,, sem contudo conseguirem enganar ninguém! – por detrás de cada Publicitário está um mentiroso e isso topa-se à légua.

A auto-denominada “Retoma Atlântica” funda-se na intenção de fazer de Portugal em conjunto com a Espanha) uma placa giratória para a exploração através de um género de sub-imperialismo ibérico, da África Lusófona e da América Latina – uma correia de transmissão do Império sem que sejam postos em causa os “direitos” indevidamente adquiridos, muito menos questionada a ilegalidade em que se centra a obtenção dos recursos energéticos estratégicos.
Ninguem acredita que Bush tenha lido a “Jangada de Pedra” de Saramago, mas estas coincidências da Ibéria a abandonar a Europa, acontecem,,,
Será esta gente séria?

Não me parece. Os acontecimentos em curso que envolvem a Banca, a Policia Judiciária e a Economia Capitalista em geral, são um show-off para fazer crer que o sistema vai ser credibilizado. A partir daí o que o Poder quer realmente é aumentar as taxas de juro, que conjuntamente com os cortes no investimento público consignados no OE 2006 vai dar mais um golpe de mestre no já de si tão abalado consumo das famílias, já de si gravemente endividadas, retirar daí dividentos e espoliar as propriedades hipotecadas a todos os que não possuam capacidades de sobreviver na selva. Com a chegada de Cavaco, a Crise, a verdadeira Crise começa agora!
A coisa até aqui tem sido uma brincadeira de garotos,,, (ou não tivesse Cavaco a fama de um profissional).

quinta-feira, outubro 20, 2005

super, supers

dejá-vu - a partir de hoje a blogosfera está mais parva:
http://www.mario-super.blogspot.com
http://www.supercavaco.blogspot.com

ao Zé convinha arranjar um candidato a gasóleo,
mais económico,,, não era?
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"Nos dias que correm, com campanhas eleitorais autárquicas e presidenciais misturadas, ambos os lideres dos maiores partidos – supostos rivais – debitam o mesmo discurso, proclamam enfaticamente a mesma panaceia para curar todos os males da Pátria: "Morte ao Estado e ao seus servidores"; "Partir a espinha à Função Pública", nomeadamente, professores, magistrados e militares.
Com franqueza, ilustres políticos da nossa praça, desgraçados ilusionistas que a ninguém iludem! Falando a sério. Não tendes consciência que toda a gente está farta de saber que a vossa classe, respectivos familiares e amigos, colegas de partido e de negócios... que todos vocês vivem e engordam à custa do Estado? Matar a galinha dos ovos de ouro?! Não brinquem connosco. Vocês, o que querem é levar a galinha para o vosso quintal. Deixem-se de retóricas farisaicas".
J.Varela Gomes

NEM CAVACO, NEM SOARES!

"Enquanto tive forças nunca tive coragem para lutar contra a degradação"
personagem do filme “Germânia Ano Zero” de Rosselini, à beira da morte na miséria, ao ver a sua cidade destruida, no final da 2ª grande guerra.

O jornalista Joaquim Vieira, director da revista "Grande Reportagem", presidente do Observatório da Imprensa, ex-director de Programas da RTP, ex-director-adjunto do Expresso, fez publicar há pouco tempo uma série de artigos, que titulou de “O Polvo”, onde começa por afirmar:
“Além da brigada do reumático que é agora a sua comissão, outra faceta distingue esta candidatura de Mário Soares a Belém das anteriores: surge após a edição de “Contos Proibidos – Memórias de um PS desconhecido”, de Rui Mateus. O livro, que noutra democracia europeia daria escândalo e inquérito judicial, veio a público nos últimos meses do segundo mandato presidencial de Soares e foi ignorado pelas poderes da República. Em síntese, que diz Mateus? Que, após ganhar as primeiras presidenciais, em 1986, Soares fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial. Que, no exercício do seu “magistério de influência” (palavras suas, noutro contexto), convocou alguns magnatas internacionais – Rupert Murdoch, Sílvio Berlusconi, Robert Maxwell e Stanley Ho - para o visitarem na Presidência da República e se associarem ao grupo, a troco de avultadas quantias que pagariam para facilitação dos seus investimentos em Portugal. Note-se que o “Presidente de todos os portugueses” não convidou os empresários a investir na economia nacional, mas apenas no seu grupo, com vultosos“mensalões” em favor da sua Fundação pessoal, naquilo que haveria de ficar conhecido como o “escândalo Emaúdio”. Que moral tem um país para criticar Ferreira Torres, Isaltino, Valentim, ou Felgueiras se acha normal uma candidatura presidencial manchada por estas revelações? E que foi feito dos negócios do Presidente Soares?”
Indubitavelmente cheio de razão, pela relevância do tema, o tema do Polvo continua a ser descrito AQUI (o Polvo 1 e 2) e AQUI (o Polvo 4 e 5), mas,,,

óbviamente! o sr Joaquim Vieira, a Visão e o Expresso, estão ao serviço da candidatura de Cavaco Silva eventualmente com a solução que se vem desenhando de António Borges da Goldman Sachs,à cabeça do PSD e a "Direita" congregada em redor de Francisco (Impresa) Balsemão mandatário em Portugal do Grupo Bildelberg pretende uma solução bonapartista presidida por Cavaco liderada por um duro num governo autoritário (que até pode continuar a ser o de Sócrates, que tem cumprido rigorosamente as tarefas para que foi nomeado em defesa da privatização da Economia neoliberal)

Quem,no entanto, se for intelectualmente honesto e conhecer um pouco da nossa História recente, não rejeitará liminarmente este embuste chamado Cavaco Silva?
Cavaco Silva governou com três Orçamentos, o geral do Estado, o dos fundos comunitários e o das privatizações da banca, seguros, etc. E durante dez anos foi um fartar vilanagem, de dinheiro a rodos para distribuir pela sua clientela partidária. É ou não verdade que de Cavaco nunca se conheceu medida alguma para combater a corrupção , designadamente no que se refere ao roubo — porque de roubo se tratou! — dos fundos comunitários?
O “brilhante especialista das finanças públicas" e "defensor do rigor orçamental" nunca conseguiu conter as despesas públicas e aproximar o défice dos 3% dos critérios de convergência (6,6% em 1990 - 7,6% em 1991 - 4,8% em 1992 - 8,0% em 1993 - 7,7% em 1994 5,5% em 1995, só para citar os últimos 5 anos da sua governação.
Se ele for presidente da República, como pode ele pregar moralidade económico-financeira quando ele foi e é ainda o pai do MONSTRO? Que criou enquanto esteve à frente do governo do País? ninguem, no uso do mais elementar bom senso, o quererá ver em Belem.
Uma vez que as alternativas que o Poder nos coloca é “escolher” entre uma e a mesma coisa, não há nada que esperar do voto - Nem Cavaco nem Soares! - Resta ao eleitor esperar que a situação se degrade a tal ponto que o sistema entre em ruptura, para que a partir da destruição deste sistema pseudo-democrático obsoleto possam nascer novas formas de democracia participativa.
Será assim, para grande desconforto dos "opinion makers" sistémicos que se assumem como uma espécie de grandes educadores das presentes classes mediacráticas” como lhes chama José Adelino Maltez.