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domingo, fevereiro 16, 2014

Direitismo, a Cura Infantil do Capitalismo

uma certa imprensa, ligada às opiniões desse autêntico saco de gatos que é o Bloco dito de Esquerda e em geral e às influências mais direitistas na sociedade portuguesa que levam o BE ao colo como muleta de apoio à "reforma do capitalismo", tem um tratamento jornalistico diferenciado perante as candidaturas ao Parlamento europeu. Na página inteira do lado esquerdo está o espaço dedicado ao BE sobre um evento que apenas teria lugar no dia seguinte. Num pequena quadradinho da mesma página vem a noticia sobre a candidatura do MRPP, um evento que tinha ocorrido nesse dia. Uma censura mais sofisticada, porém não andamos muito longe dos piores tempos do fascismo ou do social-fascismo no pós 25 de Abril quando a candidatura do MRPP foi proibida de se apresentar à primeiras "eleições livres" 
o Bloco dito de Esquerda defende a manutenção de Portugal no Euro...a renegociação de uma dívida que é impagável e ilegítima, e nunca se lhe ouviu reclamar um Referendo...

... no qual o povo pudesse fazer ouvir a sua voz após um amplo debate de esclarecimento nos meios de comunicação social fazendo ouvir em iguais circunstâncias todas as propostas politicas das candidaturas às próximas eleições. "... a permanência de Portugal no euro é sinónima de uma austeridade sem fim e de um regresso acelerado aos piores tempos do regime fascista de Salazar. Sair do euro é pois um imperativo económico, social e patriótico, devendo tal imperativo merecer um apoio inequívoco dos operários, dos demais trabalhadores e do povo em geral. Tal apoio é tanto mais necessário quanto a saída do euro exige a formação de um governo democrático patriótico suportado por uma forte maioria da população e terá de ser acompanhada por um repúdio firme da dívida pública e pela nacionalização do sistema bancário" (Leopoldo Mesquita, Cabeça-de-lista do PCTP/MRPP ao Parlamento Europeu)

sábado, fevereiro 15, 2014

in-out submarines, yep

o caso dos submarinos, como gosta de dizer o Vice 1º Ministro, do qual se ri o próprio, nas suas próprias palavras: "umas vezes vai, outras vezes vem"; como na famosa cena do In-Out de "Clockwork Orange" quem nos dera a nós espectadores injustiçados que o Portas o tivesse (o caso) sempre dentro 
e se acontece algo de anormal, a malta do status fica deveras 
... surpreendida, não faziam a menor ideia do estado da nação


não há nenhum negócio que envolva privados em representação do Público com Multinacionais em que estas não se proponham pagar luvas... Mas neste caso o Portas abusou, vinha ávido de fundos para fazer crescer o partido do táxi. E, de abuso em abuso, tem-o conseguido 

Os réus foram todos absolvidos. Faltaram documentos e testemunhas que provem os crimes de burla e falsificação de documentos, dizem os tipos que trabalham no Tribunal, orgão que considerou que o Estado português “dispunha de meios de controlo” do contrato de contrapartidas e “podia renunciar à transacção”. Embrulha
Pelo caminho o Tribunal ainda passou um valente raspanete ao Ministério Público que se atreveu a querer condenar os réus. Afinal quem tutela a Justiça? não é um Ministério que está a sob a alçada do Governo que tem como nº2 o principal suspeito deste caso de corrupção?

 

Enquanto não se fizer justiça, virão sempre à baila os submarinos. Pormenores dos intervenientes na revista Visão desta semana

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Cavaco, em 1991 a conversa já era a mesma de hoje

Escassos meses após o desmembramento da União Soviética Cavaco Silva era reeleito 1º ministro com maioria absoluta, o que lhe deu margem para a opção dos "sociais democratas" e a sua contraparte "socialista" na presidência da república, se albergarem politicamente à sombra da dupla Ronald Reagan-Herbert Bush e militarmente sob o chapéu de chuva dos negócios da Nato/Pentágono. Em entrevista à revista  oficial do imperialismo-sionista, Cavaco presta vassalagem aos patrões reiterando cumprir a politica para que foi nomeado e consagrado pelos directórios partidários, eles próprios elos de transmissão dos interesses estrangeiros no país
"Sobre a economia: "é fundamental colocarmos toda a nossa fé no sector privado. Nos próximos quatro anos iremos privatizar praticamente tudo que foi (previamente) nacionalizado, trazendo outros investidores privados para novos sectores onde nunca tinham estado antes, por exemplo, nos caminhos de ferro, telecomunicações, até na nova ponte que será construída em Lisboa. O nosso maior problema é preparar a economia para entrar no Mercado Comum em 1992 e na união monetária. Precisamos se apagar as desigualdades entre as diferentes partes da Europa se queremos mover-nos no sentido de uma integração plena (...)
Sobre a Europa: não devemos falar numa federação ou confederação. Devemos avançar em áreas em estudo, como a Politica Externa e a Defesa comum. É crucial mantermos a estratégia de ligação aos Estados Unidos. E acredito ser a Nato absolutamente necessária para a segurança da Europa, criando uma força de intervenção não apenas sob os nossos pontos de vista mas também em ligação com a Nato (...)
Sobre o futuro de Portugal: agora que as atenções estão viradas para Leste, com a estabilidade que temos assegurada para os próximos quatro anos pela nossa maioria absoluta, Portugal permanece um local seguro para os investidores. A Europa do Leste não tem quaisquer condições no momento presente para receber investimento estrangeiro"
(as ligações sobre o texto de 1991 referem-se a dados posteriores, até à actualidade)

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

e obviamente...

... uma vez que "a coisa" é para ser feita com dinheiro angariado a mecenas do regime, a coisa deve passar a chamar-se "Revolução dos Cravas"
"Sendo, nos termos do artigo 110.º da Constituição da República Portuguesa, a Assembleia da República, um órgão de soberania, não se enquadra no âmbito das entidades beneficiadoras do regime do Estatuto dos Benefícios Fiscais (Capítulo X), aprovado pelo Decreto-Lei nº 215/89, de 1 de Julho, na redacção dada pelo Decreto-Lei nº 108/2008, de 26 de Junho (artigos 61º a 66º). Tão pouco se enquadra na abrangência do Estatuto do Mecenato regulado pelo Decreto Lei n.º 74/99, de 16 de Março (Revogado pelo art.º 87.º da Lei n.º 53-A/2006, de 29/12)" (daqui)

A Flauta Mágica

o principe Tamino fugindo de uma Serpente gigante corre desorientado pedindo aflitivamente ajuda, até que extenuado cai inconsciente. Aparecem três mulheres mágicas (o 3 é o número da manifestação divina) e matam o Monstro. O passarão Papageno acorda o principe e vangloria-se de ter sido ele quem matou a Serpente. Este é o papel dos partidos com assento parlamentar, pior que os Papagenos, são actores de ópera que nunca mexeram uma palha mas já dizem que vão matar o Monstro.


"o fim da Troika, o regresso aos Mercados, o programa Cautelar... e outros Mitos"
Segundo nos dizem, a intervenção externa aconteceu porque o Estado português deixou de poder financiar-se nos mercados da dívida pública. No entanto, a troika deixa o país com uma dívida ainda maior e sem acesso garantido aos mercados.

Para pagar o serviço desta dívida – isto é, para pagar juros e financiar o reembolso da dívida que vence nos próximos anos – o governo português tem dado a entender que Portugal pode dispensar qualquer espécie de “ajuda externa”, regressando aos mercados, isto é, ao dinheir# dos investidores das grandes Corporações Financeiras e Empresariais internacionais
O peso da Dívida é insustentável. 
Na análise realizada no contexto da 8ª e 9ª avaliações do Memorando de Entendimento, o FMI assumia um cenário de sustentabilidade da dívida pública assente nos seguintes pressupostos: um saldo orçamental primário (receitas menos despesas, excepto juros) próximo de 3% do PIB a partir de 2016, um crescimento real do PIB de 1,8% ao ano, uma taxa de inflação de 1,8% e uma taxa de juro dos novos títulos da dívida pública de 3,8%. Neste cenário, a dívida poderia reduzir-se para 60% do PIB em vinte anos, conforme impõe o Tratado Orçamental da UE (...) porém, nas circunstâncias atuais, é pouco credível um cenário de crescimento anual do PIB de 2% ao longo dos próximos anos 

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

isto sim, é socialismo: uma espécie de Justiça dourada para investidores

Inspirado certamente na justiça especial dos tribunais plenários para julgar os pobres dissidentes do regime salazarista, vingando-se radicalmente da ofensa à igualdade entre direitos dos cidadãos, António José Seguro quer criar tribunais democráticos especiais para os ricos que apoiam e lucram com o regime. A ideia é repugnante, dizem os juristas, porque inconstitucional (estas coisas são contagiosas), "com tanta legislação especial para estrangeiros beneméritos, o melhor é pegar na restante e sistematizá-la num Estatuto do Indigenato", respondem-lhe os jovens turcos do partido. Mas Seguro é imune a críticas. Faz o que lhe determinaram na reunião do Grupo Bilderberg em 2013.

O debate é ler o Jornal de Negócios
A estratégia do Partido dito Socialista colaborar com propostas concretas como contraparte alternante do actual paradigma neoliberal encaixa que nem gingas na azáfama de Paulo Portas, um caixeiro viajante do regime que anda por aí a vender participações de serviços públicos a interesses estrangeiros como se fossem chouriços em promoção. Portas nunca atingiu perante os poderes ocultos "o estatuto de tipo em quem se pode confiar". É recente o episódio em que Portas espetou uma faca nas costas do ex-ministro das Finanças. Gaspar cumpriu a tarefa para que tinha sido contratado e saiu. Gaspar culpou Portas à posteriori. Portas ganhou importância. Ou não tivesse sido ele o segundo convidado para a reunião do Grupo Bilderberg em 2013 - o que lá se concertou o povo português não tem meios de saber. Mas pode-se facilmente imaginar que, vote o povo em quem votar, o próximo governo seja liderado por Seguro apoiado numa coligação pós-eleitoral com Portas.

Estamos nisto, quando chega Mário Soares a fazer a cama fofinha ao Seguro!: "Quem manda são os mercados, não os partidos nem os políticos (...) os estragos feitos são muito difíceis de emendar, pelo que "pobre de quem se atreva a substituir o Governo” (Soares deixa o aviso porque Soares sabe que o Partido dito Socialista não vai desfazer nada do que estes fizeram, a começar pelo desmantelamento do Código de Trabalho, até ao roubo dos salários dos trabalhadores, passando pelo esbulho fiscal à população em geral, pela lei das rendas de casa, etc... pobre Seguro que virá fadado a continuar a proteger os ricos que investem no endividamento dos pobres. 
Cabe ao povo português acabar com a farsa e ganhar soberania

terça-feira, fevereiro 11, 2014

devem ser os Trabalhadores a decidir a Produção

"A competição, longe de visar a perfeição, afoga-se conscientemente em produtos feitos numa massa de bens engenhosamente inventados para deslumbrar o público. A concorrência consegue preços baixos, obrigando o trabalhador a perder-se, empregando as suas habilitações em trabalh# imprestável, esgotando-se, provocando-lhe fome pela sua miserável paga, destruindo-lhe os seus padrões morais, dando-lhe o exemplo da falta de escrúpulos - a concorrência dá a vitória apenas a quem tem mais dinheiro. A concorrência, terminada a luta, acaba simplesmente num monopólio nas mãos do vencedor, o qual depois aumenta os preços o máximo que puder. A concorrência fabrica de qualquer maneira aquilo que as pessoas gostam, de forma aleatória, correndo o risco de não encontrar compradores para os produtos e destruindo uma grande quantidade de matérias-primas que poderiam ter sido de grande utilidade, mas que assim já não são boas para o que quer que seja"

"Nos últimos anos, três ferramentas de gestão estiveram na base de uma transformação radical da maneira como trabalhamos: a Avaliação individual do desempenho, a exigência de "Qualidade total" e o Outsourcing"

Economia? "Essa ideia agora é merda, o.k.?"

"Meus senhores, não disseram estar tão contentes com a derrota de Hitler? Ainda o Mundo mal se havia posto de pé por ter abatido o Bastardo, e eis que a Puta (o Capitalismo) que o pariu está de novo prenha" (Bertolt Brecht

Alfredo Barroso, militante do Partido dito Socialista dixit num "Manifesto contra o Neoliberalismo e a Plutocracia". O produto é de hoje, fresquinho, ainda a saltar, é "a social democraci#", diz ele: "o neoliberalismo é um fenómeno classista. No início dos anos 1980, as minorias mais favorecidas conseguiram uma mudança radical, ao reconquistarem o seu poder e os seus rendimentos até então limitados pelo compromisso social-democrata estabelecido".
Já se sabia, na luta de classes os compromissos tratam sempre de neutralizar os mais fracos. Mas,
foi "anos anos 80 que disse"? como se não tivesse nada a ver com isso?

"Na Casa Branca de Ronald Reagan, não havia pecado maior do que sugerir-se que a América poderia melhorar a sua competitividade, alimentando a indústria privada com dinheir# federal. Economistas do livre mercado de Reagan lançavam-se buscando destruir todas as missões de lobbie sempre que tais propostas de "política industrial" flutuavam em Washington. Não importava que muitas indústrias estratégicas no Japão e na Europa, impulsionadas em momentos cruciais pelos apoios dos governos, fossem ganhando quota de mercado às suas concorrentes norte-americanas. A oposição de Reagan à política industrial foi tão feroz que a própria expressão tornou-se politicamente incorrecta até ao final da década. Durante a campanha de 1988, o que haveria de ser presidente George Herbert Bush ridicularizou o investimento do Estado na Economia como "uma tola abordagem dos "democráticos"...
Time Magazine, Dezembro de 1991, "Now this ideia is - Shh - O.K."

o negócio destas sinistras personagens era porém outro; as batalhas imperialistas em que se subsumia a economia dos Estados Unidos. Não ligando a politica industrial à politica do Complexo-Industrial-Militar, o resultado da politica Reagan/Bush, no apoio aos esquadrões da morte na América Central, na 1ª Guerra do Golfo... era visivel, incentivando as empresas a seguir estas acções de agressão - sendo livres, as "empresas" que seguissem as tropas, quem quisesse e pudesse




"my Friend Soares!!" o elogio de um actor contratado para o melhor papel da sua vida: ser anti-comunista, fazia coincidar a ficção com a realidade. A publicação em Portugal em Outubro de 2009 do diário do ex-presidente americano mostra como Ronald Reagan via os políticos portugueses, com quem lidou directamente. Soares e Cavaco são os mais elogiados

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

o Maoismo na América

Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas” (Charlie Chaplin, banido da indústria cinematográfica norte-americana por ser revolucionário, assumindo a luta de classes em defesa dos mais pobres)

Militantes do Black Panther lêem Mao Tse Tung
"O uso de uma arma em si não é necessariamente um acto revolucionário porque os fascistas também usam armas, em boa verdade, eles têm mais armas. Muitos dos chamados revolucionários simplesmente não entendem a declaração do Presidente Mao de que "o poder político nasce do cano de uma arma". Muitos acham que o presidente Mao disse que o poder político é a arma, mas a ênfase está no "nascer" - o auge do poder político é a posse e o controle da terra e os respectivos instituições, para que possamos, de seguida, livrarmo-nos da arma. É por isso que o presidente Mao faz a afirmação de que "nós somos defensores da abolição da guerra, não queremos guerra, mas a guerra só pode ser abolida através da guerra, e, com a finalidade de nos livrarmos da arma, é necessário assumir a arma". Mao sempre falou na necessidade de não usarmos armas; se não olhássemos para ele nestes termos, então Mao certamente não teria sido revolucionário. Por outras palavras, a arma segundo todos os princípios revolucionários é uma ferramenta para ser utilizada na nossa estratégia, mas não é um fim em si. Esta é em parte a visão original do "Partido Black Panther".  
Huey Newton viria a ser encarcerado com provas forjadas, condenado, exilado, novamente incriminado e finalmente assassinado


domingo, fevereiro 09, 2014

como os Ministros são vaiados, são os insignificantes ajudantes de sub-secretários a sair à rua

tão-a-ver? uma folha em branco
O secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional (lindo cargo) anunciou que o Governo tem uma nova estratégia para atrair mais investimentos estrangeiros que suportem uma imigr#ção qualificada, fazendo regressar alguns cérebros portugueses, estancando a corrente de emigrantes portugueses expulsos do país pelo desemprego provocado por eles, focando-se numa espécie de re-industrialização avant-neocon apoiada numa nova valorização tecnológica com a qual o país ficará rico. Mais ou menos isto.
Todos os dias salta um rato para os Media com o mirífico messianismo de não roerem mais os calcanhares de quem passa. Por acaso o desenvolvimento tecnológico tem ajudado a classe operária e os seus aliados naturais? ou tem agravado a exploração de quem trabalha e o controlo social através de uma espécie de ditadura de economistas dos patrões?

"A nossa preocupação não pode ser simplesmente modificar a propriedade privada, mas aboli-la, não para conciliar os antagonismos de classe, mas de abolir as classes, não para melhorar a sociedade existente, mas para fundar uma nova" (Marx e Engels)
"O argumento de Lenine, por um lado, revela o verdadeiro estado de coisas, a ligação multifacetada e indissolúvel entre o destino da classe trabalhadora e o da sociedade como um todo. Por outro lado, o proletariado não pode libertar-se sem demolir toda a opressão e exploração, seja quais forem as classes e camadas sociais que estejam a ser afectadas" (Georg Lukács).
A questão da Industrialização para reforçar o poder de Classe está porém respondida; e de há muito tempo:

"A nossa via de industrialização socialista, intimamente ligada ao largo desenvolvimento da revolução técnico-científica, não tem nada de comum e está mesmo em contradição completa com os tagarelas tecnocratas de toda a espécie que a burguesia e os revisionistas propagam actualmente com grande alarido. Os ideólogos da burguesia (os donos dos meios de produção) monopolista procuram enganar os trabalhadores fazendo-lhes crer que a revolução técnico-científica que se desenvolve actualmente no mundo, suprime, por assim dizer, os males do capitalismo de classes e substitui os proprietários capitalistas por administradores tecnocratas. Nesta base, proclamam que o velho sistema capitalista da exploração, a luta de classes e a necessidade da revolução proletária já estão ultrapassados.
Na verdade, por trás da dita "sociedade industrial" ou da "sociedade tecnocrata", dissimula-se a feroz opressão dos trabalhadores pelos monopólios capitalistas e o capitalismo monopolista de Estado. Os revisionistas modernos, que traíram completa e definitivamente o marxismo-leninismo e se puseram ao serviço da burguesia, apresentaram a "sociedade tecnocrática" e o progresso técnico-científico que levam  ao reforço e à extensão do capitalismo monopolista de Estado, como "a introdução de elementos do socialismo na transformação gradual do capitalismo (...) "Liberalização e democratização do socialismo", eis como os teóricos burgueses Ocidentais chamam às politicas dos partidos ou países revisionistas, (todas fracassadas).

Deste modo, as duas partes, tanto a burguesia como os que se dizem comunistas, convergem para o mesmo ponto. Procuram fazer subsistir o capitalismo e acabar com o socialismo (...) Ora a revolução técnico-científica não pode mudar as leis objectivas da evolução social para a revolução. A introdução em grande estilo da ciência e da técnica na Produção, à qual os monopólios capitalistas são obrigados a recorrer para fazer face à feroz concorrência interior e internacional para assegurar o lucro máximo, não remove de maneira nenhuma as contradições económicas e de classe tanto das importações como das exportações do capitalismo antigo e do novo, não lhe evita a sua crise irremediável e cada vez mais destruidora. Pelo contrário, reforça ainda mais as contradições e as crises, desencadeia ainda mais o fluxo da luta de classes e conduz, no final de contas, logo que os factores subjectivos estejam no nível suficiente, à Revolução Socialista triunfante" (Enver Hoxha, 1970)

sábado, fevereiro 08, 2014

a Ucrânia no centro do "grande jogo" euroasiático

"Depois de três visitas à Ucrânia em cinco semanas, Vict#ria Nuland explica que nas últimas duas décadas, os Estados Unidos gastaram cinco mil milhões de dólares (5.000 milhões de dólares americanos) para subverter a Ucrânia (usando Nazis), e assegura a quem a quer ouvir que há empresários proeminentes e funcionários do governo que estão a apoiar activamente o projecto dos Estados Unidos para afastar a Ucrânia para longe de sua relação histórica com a Rússia e trazê-la para a esfera de interesses dos EUA (através da "Europa", aka, "vocês sabem... que se fôda a União Europeia", desabafou ela num aparte). Vict#ria Nuland é a (esgroviada) mulher de Robert Kagan, um dos líderes da nova geração de "Neo-Cons". À atenção dos obamaníacos. Depois de servir como porta-voz da "democrata" Hillary Clinton, ela é agora subsecretária de Estado para a Europa e Eurásia" (fonte: Global Reaearch)

Pussy Riot, ao que vieram e como se foram

novo Czar, dizem eles
se Vladimir Putin não tivesse tomado as rédeas do que restava da implosão da ex-URSS, provavelmente hoje já existiria uma chusma de empresas ocidentais a sacar as fontes de energia do país, acarretando lucros atrás de lucros para o exterior, deixando o povo à mercê das migalhas que sobrassem e ainda assim sujeitas às flutuações de mercado. Assim não acontecendo, a Rússia tem apenas uma parceria de fornecimento de petróleo e gás à Europa, mantendo uma colaboração próxima, se bem nos lembrarmos do exemplo do ex-chanceler alemão Helmut Schroeder ter transitado directamente para a administração da Gazprom, a empresa de energia russa. Uma coisa é ser capitalista - e Putin é certamente um defensor do liberalismo de mercado capitalista - outra coisa é ser anti-imperialista - e nessa vertente Putin, como um nacionalista convicto, tem sabido defender os interesses do seu povo.

É neste panorama que acontece a acção das agora famosas Pussy Riot. Encenada por Igor Mukhin como uma obra de Arte, a acção na Catedral de Moscovo em 2012 é espectacular. Pretende abanar o sistema, cravando uma lança no coração do regime, num pilar como a Igreja Ortodoxa que controla a alienação do povo e sustenta de facto o regime de momento mais conveniente à tradição religiosa, como aliás sustentou milenarmente o Czarismo.

O primeiro impacto mediático passou, e era realmente muito estranho ver que ultimamente só apareciam 2 elementos do grupo, quando no inicio na acção de contracultura que as deu a conhecer eram 8 os elementos da banda, isto é, no Ocidente há 6 condenadas ao ostracismo. E um empolamento mediático fantástico sobre as outras duas que se venderam. Esta citação (abaixo), pouco divulgada, (só aparece nas páginas interiores de um jornal gratuito) explica claramente o que está a acontecer:

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Obama tira dois Coelhos da cartola:

É o Obama que fala ou o Coelho? Clones um do outro, ambos fornecem estatisticas falsas sobre o Desemprego, como mote para o que se tornou o paradigma do actual modo de governação neoliberal: a disseminação de Mentiras de Destruição Maciça.

O desemprego nos EUA, se incluirmos o trabalh# precário de apenas duas ou três horas por semana e os trabalhadores de longa duração que já não constam dos centros de empreg#, a taxa sobe para bem mais que os 10%, e isto porque "a economia está a crescer" umas míseras décimas, não atingindo nem de perto nem de longe no entanto os valores anteriores a 2008 quando as ondas de choque da vigarice financeira exportada dos EUA fizeram a Europa sofrer uma queda de 25% no PIB.
Entretanto em Portugal a taxa de desemprego baixou porque a emigração cresceu, num país onde a economia tem sido meticulosamente destruída por devotos do deus mercado, uma religião que tem por prática a crucificação dos outros. Pior ainda: subiu o empreg# em 9,4 % numa categoria que diz tudo: trabalhadores familiares não remunerados e noutra, subemprego de trabalhadores a tempo parcial cresceu 5,5%. Estamos no bom caminho, temos mais escravos e donas de casa. (ler mais dados sobre esta estúpida fraude no Aventar) - Segundo números confirmados nas estatisticas oficiais pelo jn a taxa de desemprego real está nos 24%
Em Julho do ano passado iniciaram-se as negociações oficiais sobre a "Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento Livre" (TIPT-TAFTA) um Tratado euro-norte americano com o objectivo de estabelecer uma área de livre comércio entre a Europa e os Estados Unidos a ser assinado antes do final de 2014. A propaganda oficial pretende fazer crer que este acordo irá alinhar os padrões económicos de ambas as áreas - mas serão as grandes empresas e os investidores decidir seu conteúdo, a grande maioria dos quais são norte-americanos como se sabe. Em linguagem simples, é uma corrida de fundo para as grandes Corporações sediadas nos Estados Unidos ficarem com as portas abertas, sem entraves, aos 500 milhões de consumidores do mercado europeu, enfiando aqui livremente e sua transgênica carne de frango clonado e a porcaria da carne de porco e vaca injectada com hormonas. Em caso de recusa em aceitar as normas, danos astronómicos e sanções indefenidas irão ameaçar os Estados recalcitrantes. As negociações são secretas, para evitar que a população descubra os verdadeiros problemas, no âmbito social, ecológico, e de empreg# que tal liberdade irá provocar. Por outro lado, cerca de 600 consultores, "assessores" oficiais das grandes empresas têm acesso privilegiado a essas negociações, com a finalidade de vender os seus pontos de vista. (fonte: Tlaxcala)

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

La Habana Livre

"Certamente, não queremos que o socialismo na América seja a cópia de um qualquer projecto importado. Ele deve ser uma criação heróica". (José Carlos Mariátegui)

Por estes dias, em Janeiro de 1959, do H#tel Habana Libre (o luxuoso Hotel Hilton, inaugurado havia apenas seis meses, com capitais dos mafiosos norte-americanos), onde se instalou o quartel general da recém-vitoriosa Revolução cubana, contam as paredes e as lendas que ali se travou o inacreditável diálogo em que Fidel, de armas, tendas e bagagens acampadas no átrio, ao escolher os seus ministros, perguntou quem era economista. Che levantou a mão e Fidel imediatamente o nomeou Ministro da Economia. Che, entre uma baforada e outra de charuto, questionou a decisão. Ao que Fidel rebateu: “mas eu perguntei quem era economista e tu levantaste a mão”. E Che: “carajo Fidel, eu entendi que tinhas perguntado quem era comunista”. Che virou Ministro da Economia e ainda por cima presidente do Banco Nacional de Cuba. Notas de "peso", a moeda cubana, com sua assinatura são ainda hoje vendidas como souvenir em Havana.

"O marxismo ensinou-me o que é a sociedade. Eu era um homem de olhos vendados numa floresta, que ainda não sabia onde era o norte e o sul. Se eventualmente não viesse a compreender a história da luta de classes, ou pelo menos ter uma ideia clara de que a sociedade está dividida entre os ricos e os pobres, e que algumas pessoas podem subjugar e explorar outras pessoas, então estaria ainda perdido numa floresta, sem saber de nada" (Fidel Castro)

"Os nossos olhos hoje livres são capazes de ver o que ontem a nossa condição de escravos coloniais nos impedia de observar: que a "civilização ocidental" esconde debaixo da sua vistosa fachada um quadro de hienas e chacais" (Che Guevara)

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

História da Ucrânia

Como nos vão dizendo, "o povo" da Ucrânia têm-se levantado contra o seu Governo, menos se diz que numa briga fútil sobre alianças comerciais. Enquanto este Governo eleito decidiu alinhar-se com a Rússia para fins comerciais, uma minoria de pessoas conservadoras e de extrema direita rejeitam essa opção e dispuseram-se a combater para que o alinhamento seja feito com a União Europeia. A futilidade surge porque não há a menor chance de que a União Europeia jamais venha a admitir a Ucrânia como membro pleno do grupo - a Europa só quer utilizar a Ucrânia como depósito de matérias-primas, como um mercado de 44 milhões de consumidores e, mais importante, como um apoio ideológico para justificar o renascimento do Fascismo na Europa. Entretanto a Rússia apressou-se a providenciar à Ucrânia um plano de ajuda económico-financeira no valor de 15 mil milhões de dólares. Enquanto algumas pessoas possam ser induzidas a temer uma aliança com a Rússia devido aos traumas da História, actualmente esta é sem dúvida a melhor opção económica.


A história do Estado da Ucrânia começa com uma catástrofe. Um crime. Em 1990, todos os edifícios públicos na sua arquitectura clássica, e os mais modernos que albergam os sectores de serviços associados à produção, estão encerrados, desoladamente silenciosos, os átrios esventrados, as persianas destruídas, pelos rombos nas fachadas vêm-se as paredes interiores esburacadas. As cidades parece que haviam sido bombardeadas. Quando as administrações públicas entraram em falência e incumprimento, deixaram de pagar salários, muitos milhares de pessoas, muitas com elevada qualificação académica e profissional, foram obrigadas a fugir para o estrangeiro em busca de meios de sobrevivência.

Há cerca de duzentos anos a região onde se situa a Ucrânia de hoje indefenia-se em redor da “Grande Polónia”, onde se interpenetravam diversas culturas, a Russia multiétnica das estepes a Leste, os ducados e principados Eslavos a Norte, o militarismo da Prússia e da Austria aliados ao fausto húngaro a Ocidente, o Sudeste relativamente despovoado, porém milenarmente influenciado pelos primeiros entrepostos comerciais fundados por colonos da Grécia, a raiz da cultura europeia, a qual no principio alimentou Atenas com o trigo das férteis terras da Crimeia e das pescas no Mar Negro. Tudo isto estava bem presente na memória dos povos locais quando alguns deles em 1791 tentaram unificar-se proclamando a “Constituição Republicana da Polónia”, a qual rezava pela primeira vez na Europa: "Rex regnat et non gubernat" - "o Rei reina mas não Governa" - quem governa é a vontade do povo expressa no Parlamento. A guerreia ao conceito de “união por uma pátria” que se seguiu culminou em 1795 na partilha da Polónia entre as grandes Potências cujo Poder Real concedido por Deus, era dono de um destino para o qual o Povo não era nem ouvido nem achado. Seguiu-se a repressão sobre os dissidentes, o caminho da diáspora …

A Ucrânia é um país relativamente novo, cuja criação tem ligações umbilicais à Europa, mas ainda mais com a formação da Rússia. A sua capital, Kiev, situada rio acima a mais de 600 km da foz do Dniepre data de antes da invasão Mongol no século XIII que destruiu por completo a cidade, situada no coração das estepes circundantes do Mar Negro e do Cáucaso tendo sido desde sempre alvo da tradicional disputa entre turcomanos a Sul, eslavos a Norte e das tribos nómadas de Oriente - o Reino de Kyiv pereceu com a modernidade. Tornadas as ligações fluviais obsoletas para o desenvolvimento do comércio, a Ucrânia moderna fica contudo a dever-se a uma “invasão” procedente do Ocidente, devido à construção do porto marítimo de Odessa numa localização estratégica na margem do Mar Negro, cidade cuja fundação teve lugar um ano antes de mais uma partilha da Polónia.

Foram estrangeiros europeus que fundaram Odessa, com o consentimento tácito do Império Russo segundo a política de expansão inaugurada por Catarina a Grande, a czarina que dá hoje o nome à avenida marginal da cidade. A maioria dos planificadores urbanísticos foram emigrantes da aristocracia francesa, fugidos das agruras da Revolução. Entre eles Armand-Emmanuel de Vignerot du Plessis, o duque de Richelieu, convertido no tutor, mecenas, enfim, o pai e benfeitor das crianças de Odessa; o conde de Maison, que havia sido o presidente do Parlamento de Rouen; Alexandre Langueron, o 2º governador, que dá hoje o nome à praia contigua ao porto, Langueron Point. Os arquitectos que projectam os edifícios são italianos, vindos na esteira dos grandes homens de negócios que emprestaram a língua italiana aos registos oficiais do comércio transnacional. A construção de navios coube por tradição aos gregos. Os fornecedores de trigo (triticum, a gramínea para fabrico de pão), que nos primeiros 100 anos foram a principal razão para a existência de Odessa, foram os latifundiários da ex-Grande Polónia, cujos carregamentos para exportação pelo porto de Odessa provinham principalmente dos campos da Podólia e da Galicia. Entre 1804 e 1813 as exportações triplicaram, o que coincidiu com a fome provocada na Europa ocidental pela desagregação das hostes de Napoleão após a sua fuga para Elba, situação que gerou uma torrente de lucros, dinheiro fácil para a especulação sobre a escassez de cereais.

Novo polo económico, cerca de 2.000 colonos chegaram a Odessa no primeiro ano (1795); o boom resultante da integração do que haveria de ser a moderna Ucrânia no nascente sistema capitalista, em 1812 já tinha atraído um total 35.000 novos colonos. Nesse ano sobreveio o primeiro grande grande desastre. Uma epidema de peste obrigou a fechar todos os edifícios, incluindo o Teatro de Ópera italiana, obrigando a população a permanecer dentro de guetos selados pelas autoridades, patrulhados por presidiários de correntes atadas ao pés com a missão de retirar os mortos e desinfectar as casas.

Richelieu era um homem do Iluminismo na visão sacra, enérgico, austero, de pensamento universal, solitário como todos os padres não infectados pela malandrice pecaminosa. Depositário de tais predicados, Richelieu não depara com qualquer obstáculo à sua nomeação para o cargo de governador da cidade, e depois para governador da provincia da Nova Rússia. A sua missão política seria criar ali uma “nova América”, que pudesse competir com a corrente de camponeses emigrantes de todos os países, libertos do antigo regime de servidão, ensinando-lhes métodos modernos de agricultura e de exercício da liberdade. No total, mais de um milhão de seres humanos foram atraídos para construir as suas casas sob a protecção deste ideal. Germânicos, gregos, moldavos, judeus (shtetls) eslavos da Polónia, técnicos agrícolas suíços. Richelieu assentou sobretudo a sua força política no contingente oriundo dos povos caucasianos de dialecto nogai e tártaros da Crimeia aliciando-os a abandonar o nomadismo por troca com a concessão de terras de cultivo. Decorria o ano de 1814, quando Richelieu, o verdadeiro fundador de Odessa, por entre os lamentos de multidões pesarosas, se meteu no coche e rumou de volta a França, onde seria empossado 1º Ministro em Setembro de 1815, escassos três meses após a derrota de Napoleão em Waterloo.

O primeiro governador russo foi Ivan Inzov, que exerceu o cargo até 1823, sendo substituído pelo conde Mikhail Voronstov. Com este aristocrata russo, educado em Inglaterra, a cidade, a província da Nova Rússia (e ele) enriqueceram. Construiram-se palácios para habitação privada, grandiosos edifícios públicos, foram plantadas vinhas para a produção de champanhe da Crimeia, a enorme villa de Richelieu foi convertida num palácio ao estilo Tudor-Mourisco com 150 quartos. Próspera, distante da capital do Império, Odessa transformou-se em local de exílio para dissidentes, como o poeta Alexander Pushkin, grupos de polacos libertários, comunistas, organizações de oposição do Báltico, homens de cultura, mais tarde na origem da Conspiração Dezembrista de 1825.

A derrota do Império Otomano em 1829 reconhecida pelo Tratado de Adrianópolis concedeu passagem livre às esquadras da Rússia através dos estreitos do Bósforo. Com a intensificação do comércio russo Odessa viveu um novo boom económico. Na Europa a abolição da “Lei dos Cereais” em Inglaterra no ano de 1846 significou a vitória da burguesia industrial sobre a aristocracia agrária, originando um declínio na produção de cereais. A primazia dada a partir de então à produção e exportação de mercadorias industriais obrigou os produtores agrários da Europa à competição com o trigo produzido e transportado da América a alto preço, o que se tornou num problema sério, criando uma crise europeia, que só se resolveria pela Guerra da Crimeia. Esta viria a ocorrer entre 1853 e 1856 (no sul da actual Ucrânia). Envolveu, de um lado o Império Russo e, de outro, uma coligação integrada pelo Reino Unido, a França, o Reino da Sardenha - formando a Aliança Anglo-Franco-Sarda – aliada ao Império Otomano (actual Turquia). Esta coligação, que contou ainda com o apoio do Império Austríaco, foi formada como reacção às pretensões expansionistas russas. Em 1854 uma esquadra anglo-francesa bombardeou Odessa causando prejuízos consideráveis. O estatuto dos portos-livres tinha expandido o comércio, mas pelo bloqueio do seu porto pelas potências ocidentais e pela aplicação de taxas aduaneiras às exportações de cerais para uma Europa em crise, pela falta de diversificação do mercado doméstico, Odessa ficou exclusivamente dependente da economia da Rússia a partir de 1859, ou seja, a data em que a província da Nova Rússia se transformou de facto na Ucrânia, povoada por uma salada de raças de dez nacionalidades.

Em 1897 cerca de 32% da população falava o yiddish (uma corruptela do alemão antigo), constituindo os judeus de Odessa o maior aglomerado de população judaica no mundo do seu tempo. Apesar disso, longe dos habitantes de língua russa, usada por mais de 50% dos habitantes. A terceira língua no país era o dialecto ucraniano, uma corruptela originária dos colonos primitivos, falada por uns meros 5,6% da população mas que trazia à cidade alguns resquícios da cultura mediterrânica, conferindo-lhe uma especificidade que sobreviveu até à vitória da Revolução Bolchevique.

Projectada e construida em 1841 por um italiano, um russo e um inglês, a monumental Escadaria Primorsky, cujo nome significa “na direcção do mar”, dá ao viajante que chega por via marítima uma falsa perspectiva, como se subissem para o Céu… O local foi cenário, no ano de 1905, de um dramático episódio, na sequência das lutas operárias, greves e grandes manifestações contra o regime Czarista, quando a tripulação do couraçado Potemkin saneou os comandantes, tomou posse do navio e entrou no porto da cidade em apoio dos revoltosos. A sanguinária repressão pelas “forças da ordem” que se seguiu seria o mote para as poderosas imagens filmadas por Sergei Eisenstein em 1925, o prodigioso vôo da câmara cinematográfica sobre os 220 degraus que deram definitivamente a conhecer ao mundo a cidade de Odessa. Lá no alto da escadaria, grandiosa vista cá de baixo (da terra), mas minúscula quando se chega lá acima (ao céu), permanece a estátua do Cardeal Richelieu, o primeiro monumento erigido na cidade.

a libertação da Rússia foi a liberdade da Ucrânia

terça-feira, fevereiro 04, 2014

da Inutilidade dos Parlamentares Europeus, do livra-te ao Livre

Se a Europa já de si é uma ideia da grande burguesia imperialista nociva para os povos, ainda mais extenuados ficam os que a constroem tenazmente a carradas de cansaço; não o dos deputados, mas o nosso cansaço, democrático, dos que ainda se dão ao frete de os eleger 
 ampliar para crer
Com umas alcavalas bem trabalhadas são 12.000 Euros mensais por cada uma destas cabecinhas pensadoras. Em França a cena repete-se (ainda por mais dinheiro)

"Por iniciativa principal de um trânsfuga do Bloco de Esquerda eleito em 2009 para o Parlamento Europeu, realizou-se no passado fim-de-semana o congresso fundador de um partido chamado “Livre”. O rosto principal deste novo partido é o exemplo acabado do que não deve ser um deputado eleito pelo povo para o areópago de Estrasburgo. Dando provas de um assinalável oportunismo, Rui Tavares fez-se então eleger pelo BE e, depois de romper com esse partido, apropriou-se do lugar para desfrutar dos privilégios com que os poderes dominantes na União Europeia procuram corromper os deputados europeus para os pôr ao seu serviço. E é de facto ao serviço da UE, isto é, da Alemanha, que o novo partido e o seu mais destacado personagem decididamente se afirmam. Todo o programa do “Livre” é um panegírico às virtudes da “Europa” e do “europeísmo”. Mesmo referindo as “disfuncionalidades” e os “equívocos” das políticas emanadas da UE, o novo partido limita-se a propagandear que é na “democraci# europeia” que se encontra a fonte de toda a prosperidade e progresso..." (ler mais) 

12 Anos Servente:A história do deputado raptado e obrigado a Tr#balhar

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Governo para a Rua, eleições já, novo Governo Democrático e Patriótico - veja as diferenças

o Estado existe e tem como principal função mediar a "Luta de Classes". Quer tome a forma caridosa de um vale-refeição ou de uma bota no pescoço dos dissidentes, essa função essencial do Estado não muda.
três pressupostos
1. Existe uma Crise Nacional. Essa crise, endémica, é agravada pelo facto de Portugal não possuir autonomia para emitir moeda própria. Um país sem moeda própria é um país sem Soberania.
2. a Europa agrava a crise. Um país com uma economia fraca não pode ter uma moeda forte.
3. a superação da crise depende, em primeira instância, da resposta que a República Portuguesa vier a dar à Europa.

Apesar de muito condicionada, Portugal ainda é formalmente uma República. Formalmente porque à maioria do povo nunca foi perguntado se estaria de acordo com a adesão do país à Europa do "euro". O referendo, onde foi realizado, França, Holanda e Irlanda, teve como resultado que a perda de soberania nacional foi rejeitada. A resposta da "Europa" foi contornar o referendo, ou repeti-lo tantas vezes quantas as necessárias até que as populações nacionais dissessem o contrário e "estivessem de acordo", mesmo por omissão, como viria a suceder.
Por troca com a decisão anti-democrática o que foi dado aos povos foi uma "Constituição Europeia", redigida à revelia das opiniões públicas e dada como "aprovada" na famigerada encenação do Tratado de Lisboa - uma tentativa de federar os Estados sob o poder centralizado dos Estados mais fortes. Aprovado em 2007, a resposta dos mais fortes (implacáveis na desonestidade pela exploração dos mais fracos) foi a a eclosão da Crise, primeiro importada do poder global do Dolar, a partir de 2011 forçando a "crise das dividas soberanas na zona euro", isto é, forçando a transferências dos dinheiros inexistentes que constavam nas contabilidades dos bancos privados para os Orçamentos dos Estados como Dívida Pública.

No caso de Portugal, se não houver resposta, se o regime republicano se tornar progressivamente mais autoritário, ditatorial, a crise i.e. o empobrecimento da maioria permanecerá. O carnaval das manifestações sem partidos nem programas de acção são completamente inconsequentes, senão nocivas. O 28 de maio começou assim. A apatia provocada pela degradação das condições de vida pode levar o povo  a reclamar a ajuda de homens providenciais, como aliás já foi feito num passado não muito distante. Neste caso, a acontecer, convém lembrar que actualmente o clone do Salazar (o politico) está em Bruxelas, e outro Salazar, o da ditadura económica, está em Berlim e em Franckfurt.

A proposta politica que defende os interesses da classe trabalhadora e operária e seus aliados dentro do contexto mais geral do povo português, assenta do mesmo modo em três pontos:
1. Demissão do Governo que foi levado à custa de mentiras, depois da fraude de Sócrates, a uma eleição fraudulenta para fazer exactamente o contrário daquilo que constava do programa politico apresentado . Os portugueses elegeram vigaristas, essa é razão quanto baste para exigir a sua demissão imediata, bem assim como a demissão da triste figura de corpo presente em Belém que assinou por baixo esta desonestidade.
2. Eleição de um Governo Democrático e Patriótico que inscreva no seu programa que não devemos pagar uma Dívida que resultou de uma concertação ilegal entre as elites "donas de Portugal" e os interesses de especuladores estrangeiros. No minimo é exigivel uma imediata auditoria ao "endividamento" em nada transparente, que os portugueses estão a ser chamados a pagar. No minimo seguinte, citar criminalmente os responsáveis por actos de burla financeira e levá-los à justiça.
3. Reivindicar a saída do Euro. Apenas com moeda própria, que possa ser valorizada no contexto das nações, segundo o trabalho dos portugueses e não por critérios financeiros, o país poderá ter uma politica de re-industrialização própria que lhe permita ser autónomo. E acabar com um esquema de austeridade que tem como fito mediático "diminuir a dívida" quando a dívida de facto aumenta! Por último, tudo o que foi roubado deve ser devolvido, na forma geral de aumento dos salários de quem trabalha.

Apelando à formação de uma frente sociológica de combate democrático, dos trabalhadores, quais são os partidos que têm inscritos nos seus programas estes 3 principios? Nenhum dos partidos com assento no Parlamento burguês, incluindo o P"C"P, o qual apela apenas para "um governo de esquerda", ou seja, de menos de 18% dos eleitores. Ora farto desta esquerda trapaceira e omissa está o povo. É necessária a pulverização da actual coligação criminosa que está no poder e a implosão do Partido dito socialista, o que traria à defesa patriótica da nação um número considerável de dissidentes desse antro de vendilhões da Pátria, que lá vão dizendo estar contra, mas não inscrevem no seu programa o designio concreto de expulsar do país os interesses estrangeiros danosos e corruptos.

domingo, fevereiro 02, 2014

"o Respirar da Locomotiva", visto há 40 anos pelos "Jethro Tull"

do album "Aqualung" de 1971, notável pela longa introdução de piano e depois do min 2;45 pelo solo de flauta do virtuoso Ian Anderson. A letra utiliza a imagem de um eminente e inevitável acidente de comboio como retrato metafórico da vida do Homem, cada vez mais fodida. Ou como diriam os circunspectos jornais culturais: "em processo de declinio e falência"; quer dizer, até se foder de vez.

Ian Anderson ainda aí para as curvas
Adaptada ao nosso tempo e neste local, uma tradução livre e actualizada da lírica diria assim:
o velho Cavaco roubou o Carvão/
e o Comboio, e não vai Parar de andar/
Não Há Forma de o fazer Abrandar/
yeah, yeah/
Ele ouve o Silêncio uivando/
e agarra os Anjinhos que caem/
e os Vencedores de Todos os Tempos/
têm o gajo Agarrado pelos Tomates


sábado, fevereiro 01, 2014

o Feudalismo...

... é bom prá malta
Os nossos corajosos Senhores assumiram todo o risco por nós, Servos humildes. Sem eles, teríamos de gerir a terra e os meios de produção nós mesmos - e toda essa trabalheira seria uma coisa boa para nós? Talvez, mas não seria uma obra santificada pela graça de Deus...

na legenda, em tradução livre:
"Pára com essa merda meu! Eles são criadores de Empreg#! ainda não percebeste como é que funciona o Feudalismo?"

Mário Monti, ex-1º Ministro de Itália veio visitar Cavaco Silva "para trocar impressões sobre economia". Se é um ex-qualquer-coisa por quem vem mandatado para influenciar ou andar a congeminar enredos político-económicos à surrelfa? por uma qualquer eleição democrática não é. Obviamente Monti chega como ex-Alto funcionário do Goldman Sachs e é nessa qualidade que acaba de afirmar antever um futuro muito risonho para Portugal. Só quem anda a exagerar na bebida é que vê. Sem dúvida devido ao bom trabalh# do Ministro que transitou de empresário de Cervejas para o Governo.

Talvez Cavaco possa encomendar mais um parecer optimista em tempo de negra miséria para a maioria dos portugueses: convidar a outra personalidade decisiva na crise europeia vinda do Goldman Sachs - o governador do Banco Central Europeu, a tal benemérita instituição que tem nos seus estatutos que não pode emprestar dinheir# aos Estados sem que os financiamentos passem pela banca privada - a dizer que vem aí dinheiro com fartura para financiar a economia de quem trabalha. Como não haveriam estas luminárias do embuste capitalista de andar satisfeitas da vida? afinal do que se trata é de aprovar legislação para pôr toda uma economia de 10 milhões de pessoas a trabalh#r precariamente com salários e protecções sociais miseráveis