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domingo, maio 03, 2009

Indie Lisboa 09

a ideologia por detrás da crise económica mundial;
a democracia sob a mira do neoliberalismo

o Cerco Neoliberal

os teóricos do neoliberalismo pretendem apresentar a doutrina como uma mera teoria aplicada à economia, porém a verdade é bem diferente, na medida em que ela abrange o controlo pelo interesse dos mercados em todas as facetas da vida social e cultural controlando também de facto a política para cujos cargos pseudo-decisores (tanto de direita como de esquerda) são escolhidos meros títeres dos monopólios comerciais envolvidos. Neste aspecto concreto, o Neoliberalismo apresenta-se-nos como uma ideologia totalitária. Mais uma, na longa lista de ideologias que ao longo da história têm tentado dominar as maiorias em favor de uma ínfima minoria de privilegiados. A invasão e opressão lançada sobre novos territórios, sempre em nome da bondade dos valores humanistas é mais uma mentira: “vimos trazer-vos o progresso” dizem; mas se observarmos atentamente o que vemos é o aumento da pobreza, ou seja, nada de substancialmente de novo nas campanhas de conquista, desde Átila.

O realizador canadiano Richard Brouillette dedicou 12 anos a pesquisas e coordenação de informação. Pelo longo documentário passam depoimentos e teorização de figuras marcantes da área de intelectuais da nova esquerda que estudam o neoliberalismo numa perspectiva de regresso impossível ao liberalismo: Noam Chomsky, Ignacio Ramonet, Normand Baillargeon, Susan George, Omar Aktouf, Oncle Bernard, Michel Chossudovsky, François Denord, François Brune, Martin Masse, Jean-Luc Migué, Filip Palda, e Donald J. Boudreaux.

O neoliberalismo, tal como o capitalismo, não é "democratizável". Tal como a segunda lei da termodinâmica, a natureza não anda para trás. A inflação é a característica fundamental do sistema capitalista, e é em nome dela e da impossibilidade do pleno emprego neste regime, que se organiza a acumulação de capital, tarefa de ricos organizada por um consórcio de banqueiros internacionais que dispõem de liberdade discricionária e que submetem os bancos centrais de todos os países a condições impostas pela força.

Brouillette faz um diagnóstico brilhante e digno de apresentação académica; porém aos remédios receitados para cura da mézinha se diz nada. É curto. O filme cita uma única vez a Reserva Federal americana “como estando também envolvida” (tal como o FMI e o Banco Mundial no sistema de dominação por subjugação aos juros das dívidas contraídas pelos pobres, sejam paises ou pessoas) mas omite o real papel da FED na emissão de moeda não relacionada com valores materiais, ou mais grave, quando já existem manifestações de rua nos EUA contra esta organização privada, não menciona uma única vez a natureza judaica da obra, tampouco a AIPAC. Se o pretendesse fazer, decerto que não haveria verba, antes um boicote, para a produção de um objecto cinematográfico deste género.

Salutarmente "L´encerclement - La démocratie dans les rets du néoliberalism" ganhou o prémio votado pelos espectadores para a melhor longa metragem do IndieLisboa2009 e uma menção honrosa atribuida pela Amnistia Internacional.

O prémio do júri foi para "Ballast" do norte americano Lance Hammer, um drama com inicio numa tragédia inicial no interior de uma família negra remediada dentro de uma sociedade agreste, filmado ao estilo de Nanni Moretti (sem pingo do talento deste), mas que ao contrário do desencanto se adivinha vai redimir para um estado final de felicidade. Hellas, boas novas na imaginação dos funcionários da propaganda - pegando no mote, o pasquim da Sonae, a multinacionalzinha cá do sítio, faz uma uma cobertura vergonhosa dos prémios das duas mais importantes longas do festival. Endeusa a mensagem subliminar de "Ballast" e censura "L´encerclement", chamando "liberal" (uma designação do século XVIII) onde se diz "neoliberal" (um sucedâneo parido no pós guerra do século XX) e omitindo a exibição do filme como premiado na sala 1 do Cinema Londres às 15 horas deste domingo 3 de Maio. Ler para crer
.

1 comentário:

日月神教-向左使 disse...
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