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sábado, dezembro 15, 2007

História da Abolição do Estado Social (II)

As directivas elaboradas pela ONU consignadas na Declaração Universal dos Direitos do Homem em Dezembro de 1948 diziam respeito aos direitos politicos e de liberdade de expressão dentro dos quadros nacionais, e só foram veinculativas juridicamente para os Estados subscritores. Cedo se percebeu que aquelas duas reinvindicações, essenciais para a existência de Estados Democráticos, dependiam de condições especificas sócio-económicas nas quais assentavam a estrutura politica. Assim, a Declaração foi completada com uma adenda aprovada na mesma ONU em Dezembro de 1966: o “Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais” * que, entre outros, consagrava no artigo 22 que “todas as pessoas como membros da sociedade têm direito à segurança social e a obter, levando em conta os recursos de cada Estado, a satisfação dos direitos económicos e culturais, indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade”. E no artigo 23: “Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do seu trabalho, a condições de remuneração equitativa e à protecção contra o desemprego”. O artigo 25º estipulava que “cada pessoa tem direito a um nivel de vida adequado, que lhe assegure a si e à sua familia, a saúde e o bem-estar, em especial o direito à alimentação, habitação digna, assistência médica e o mesmo direito à segurança em caso de doença, invalidez e velhice”.
Estes preceitos foram, regra geral, incorporados nas Constituições nacionais. No caso da Constituição francesa de 1958 acrescentava-se ainda alguns outros direitos, como “os da mulher que devia usufruir do mesmo estatuto em relação de igualdade com o homem”; o de que “ninguém pode ser prejudicado no seu direito ao trabalho ou no seu emprego por causa das suas origens, opiniões ou crenças religiosas”; o “direito de cada trabalhador de participar através dos seus representantes na determinação colectiva das condições de trabalho e de gestão das empresas”; do “direito de acesso ao ensino”; e por fim “que toda a empresa cuja exploração possua ou adquira caracteristicas de serviço público nacional ou de monopólio de facto, deve passar a ser propriedade da colectividade”

Esta “compilação” de direitos, conquanto nunca tenha tido uma aplicação na prática verdadeiramente real, acabaria por ser posta em causa pelas condições económicas na Europa depois da crise petrolifera do principio da década de 70, quando a OPEP dominada maioritariamente pelos paises Árabes decretou o boicote ao fornecimento de petróleo como forma de retaliação pelo efectivo apoio militar europeu a Israel **na "Guerra dos Seis Dias" de que resultou a usurpação de territórios na Palestina, Síria e Egipto.

* É útil que se leia na íntegra a última actualização do "Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais" para se perceber a actual manipulação feita por cima dos "direitos humanos"
** Bush e Olmert acordam um aumento da ajuda militar a Israel em mais de 30 biliões de dólares durante os próximos 10 anos. (BBC)
*** ver ainda o inventário das: "Relações Militares EUA-Israel"

Conclusão: Os Estados Unidos financiam o armamento e patrocinam a destruição dos Estados limitrofes de Israel. A Europa coopera e paga a reconstrução (à custa da demolição do Estado Social) e remete as empreitadas para as empresas multinacionais de tecnologia americana que são quem mais lucram com o negócio
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sexta-feira, dezembro 14, 2007

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a Câmara dos Representantes votou por 370-49 a aprovação da lei que autoriza um orçamento de 696 biliões de dólares (incluindo 189 biliões para as guerras do Iraque e Afeganistão) para programas militares para o ano que agora se inicia. Desde 1999 o orçamento anual para as forças armadas mais que duplicou, sem contar com os gastos extra nas duas guerras atrás mencionadas. Ao mesmo tempo o Presidente tornou a vetar (a primeira vez tinha sido em Outubro) o programa de cuidados médicos de ajuda a crianças desfavorecidas: nem um cêntimo!
Comentário de um leitor no diário “USA Today”: “Os Estados Unidos têm um défice de 9 triliões de dólares! E uma taxa de inflação, medida pelo CPI, que actualmente começa a crescer de forma significativa. A guerra do Iraque deve terminar brevemente, porque não dispomos de mais homens, dinheiro e vontade de continuar um esforço que acreditamos não fazer qualquer sentido. Esperamos que o povo e o Congresso regressem ao bom senso antes que colapsemos como nação. Isso está mais perto de acontecer do que pensamos” – visto de longe e contrariando o leitor, provavelmente a estratégia que está a ser seguida aponta para a exportação da crise:

o FED voltou a baixar as taxas de juros de curto prazo para prevenir que a crise de crédito venha a alastrar aos mercados globais trazendo de volta a recessão para os Estados Unidos. Para evitar que isso aconteça o mecanismo a utilizar foi o de voltar a disponibilizar mais 80 biliões de dólares aos bancos americanos em situação de insolvência até ao fim deste ano. E fazer acordos com o Banco Central Europeu e o Banco Nacional da Suiça por forma a colocar ao dispôr dos bancos europeus mais 24 biliões de dólares.

o Daily Telegraph chama a esta operação liderada por Ben Bernanke a "Operação de Salvação da Grande Depressão", concluindo: "Esta escala de liquidez em dinheiro vivo (fabricado) que agora se injecta, é uma pálida sombra das centenas de biliões de dólares que se evaporaram desde que se iniciou a crise do crédito imobiliário nos EUA no último verão
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quinta-feira, dezembro 13, 2007

Brown, “o azarento”

Por uma vez, hoje dão-se por bem empregues os 90 cêntimos do jornal. Teresa de Sousa faz a mais extraordinária análise sobre o papel da crise de corrupção que atravessa o governo do “Labour” de Sua magestade britânica. E como a faz? Não mencionando a sua existência.

Segundo TS a ausência de Gordon Brown da cimeira UE-África fica a dever-se, aos motivos conhecidos e ao vago reconhecimento de que os Wog`s que pisam o risco em relação às regras comerciais da Commonwealth têm de ser abatidos; depois, a ausência da assinatura do Tratado de Lisboa deve-se “ao desinteresse da Grã-Bretanha pela União Europeia por quem os ingleses não morrem de amores” já desde a actuação da famosa dupla Tatcher (que tem estátua dourada no Parlamento em nome da Chicago School of Economics) e o fiel patrono Reagan (que tem estátua de naftalina nas catatumbas do Vaticano); Por último, a presumivel ausência do 1º Ministro inglês na próxima sexta feira da Cimeira de Bruxelas será uma consequência dos “azares que têm perseguido Brown nas dificeis condições que herdou” do criminoso de guerra Tony Blair (que quanto muito poderá aspirar a ter uma estátua oferecida por Bush à porta da filial militar do Pentágono em Basra

Algumas pistas para a compreensão do papel da Inglaterra na cadeia de dominação imperialista:

- De fora da zona euro e da juridisção do BCE, a emissão da Libra depende do Banco Central de Inglaterra entidade que é de há muito gerida por interesses de grupos financeiros privados judeus-Sionistas.
- o Partido Trabalhista tem dependido nas últimas duas décadas do financiamento de “entidades e generosos mecenas” judeus ligados aos interesses corporativos de Israel.
- Existe um forte movimento cívico disposto a sentar Blair em tribunal, por ter envolvido o país numa guerra baseada em mentiras e informações deliberadamente manipuladas.
- o “Crash” financeiro em curso, que tem obrigado o Banco de Inglaterra a “fabricar” e despejar biliões sobre dezenas de empresas afectadas na principal praça financeira mundial (a City londrina, que com a crise do dólar já ultrapassou Wall Street) agrava-se e terá consequências por enquanto imprevisíveis.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Os Direitos do Homem de Negócios

Num dos últimos posts sobre a Cimeira Europa-África - Miguel Portas concorda com a culpa do Colonialimo nos males de África, e acrescenta: “Mugabe só passou de bestial a besta quando tentou tocar nos interesses dos grandes fazendeiros”, ou seja, quando a Reforma Agrária no Zimbabwe expropriou 90 por cento do terreno cultivável que ainda estava nas mãos de 1 por cento de colonos ingleses brancos e os repartiu pelos camponeses pobres. “O modo como depois Mugabe geriu, durante duas décadas, a relação com os colonos e a questão agrária, foi indiscutivelmente moderada, se a compararmos com a generalidade dos regimes pós-coloniais”. Até aí tudo bem, todos concordamos. Mas acrescenta: A loucura veio depois “A última década do autocrata é uma catástrofe; quem paga a fuga em frente de Robert Mugabe não são os fazendeiros mas o povo”. Pois sim, mas os fazendeiros abandonaram o país, inconformados com a situação de já não serem os donos e senhores exclusivos das empresas e a Grã-Bretanha impôs e conseguiu que a União Europeia impusesse sanções económicas e boicotes ao actual regime do Zimbawe.
Nessa “loucura” Miguel Portas concorda com o Ministro dos Negócios Estrangeiros inglês (por acaso de um governo não eleito) quando David Milliband diz: “O primeiro ministro britânico não estará presente – devido à nossa preocupação com a tragédia que se está a desenrolar no Zimbabwe, que afecta pessoas de todas as raças e que acreditamos ser culpa de Robert Mugabe”
São estas acções de boicote e não outras que provocaram os 4 a “8 mil por cento de inflacção ao ano, o rendimento per capita em queda livre, as prateleiras vazias e uma queda na esperança de vida de 62 para 37 anos em 15 anos”

Regimes amigos e regimes inimigos

Dentro das apertadas normas que as instituições financeiras internacionais lhe impõem e que deliberadamente destroem qualquer possibilidade de soberania económica que Mugabe, tenha as suas elites, ou “que escolha fazer asneiras” (como aumentar cinco vezes o salário dos veteranos de guerra, os seus principais apoiantes politicos), é próprio do status vigente em África, porque de economias débeis, permeáveis a toda a espécie de influências. O que os advogados do neo-colonialismo nunca perdoaram ao partido no poder, o Zanu-PF, é a aura de socialismo que Mugabe adquiriu com a 1º independência. Ser-lhes-ia muito mais útil a vitória eleitoral do pró-Ocidental Arthur Mutambara, um engenheiro formado no MIT do Massachusetts que promove a oposição apoiado em poderosas forças exteriores. (ver a Zimonline). Outro facto que fundamenta serem os interesses económicos aquilo que está em causa (e não quaisquer “direitos humanos”) é o ordenado pelo cargo do presidente Mugabe se fixar em cerca de 1500 euros, enquanto o ministro das Finanças, responsável perante os bancos centrais estrangeiros que gerem a dívida externa, aufere 36.000 euros mensais. Assim como assim num país pobre como Portugal o gestor do Banco Central, Vítor Constâncio também ganha mais que o responsável pela Reserva Federal Americana. E contra isto não há indignação dos militantes dos direitos económicos. Estes altos gestores nomeados não se sabe por quem, à revelia de qualquer réstea de democracia, evidencia a existência de uma rede financeira que supervisa (apoiando) as actividades económicas das 38.000 multinacionais existentes no mundo (90 por cento das quais são israelo-americanas). Afinal, sempre é o suporte económico que é dado aos regimes que determina em última análise a sua natureza.

terça-feira, dezembro 11, 2007

o Grande Arquitecto dos Estados Unidos de África

“É inevitável que as atenções se centrem nele, viajando com a sua equipa de mulheres seguranças, o lider líbio Mammar Kadhafi (grafia em inglês) causa sempre algum frisson (...) e concentra as atenções por onde passa graças à sua tenda”. Assim se refere a imprensa a um dos mais mediáticos participantes da Cimeira Europa-África. De todos os quadrantes politicos “de esquerda” com direito à palavra choveram as críticas insonsas sobre a publicidade paga e os direitos humanos ad-nihil, desde este “cromo” e Ana Gomes até aos tradicionais oportunistas liberais. O que terá Al-Gathafi para nos dizer? Parece ser coisa de somenos. No entanto os lideres africanos parecem dar-lhe mais ouvidos do que aos lideres europeus (para quem a Libia só interessa porque possui as maiores reservas de Energia para venda no continente)

O que é certo é que a emergente Comunidade de Paises Africanos não permitiu a discussão de assuntos internos dos Estados africanos, resistindo ao habitual carnaval de ameaças europeias sob a égide dos “direitos humanos” enquanto na área económica, como fiéis retransmissores das regras definidas pelo Consenso de Washington, “a Europa” (como um todo inexistente) se prepara para continuar a implantar novas formas de exploração com novas roupagens neocoloniais.

Al-Qathafi instou os lideres europeus a escolher entre duas coisas: "ou devolver os recursos espoliados a África durante o colonialismo, ou a convidar os africanos a viver nos seus países”. Recorde-se que um dos reptos da UE é combater o fluxo de imigrantes clandestinos e promover a chegada de trabalhadores qualificados. A Comissão Europeia pretende atrair, nos próximos vinte anos, cerca de vinte milhões de trabalhadores de fora da UE – isto é, uma versão da captação de mão de obra cujas despesas de formação foram pagas por outros, similar à politica que é usada na captação de cérebros de todo o mundo para os EUA.

O presidente da União Africana (UA) Alpha Oumar Konaré avisou a União Europeia que “se abstenham de utilizar mecanismos doutra época. Nenhum país africano poderá chegar sózinho a bom porto sem os outros – o destino dos que caminham melhor irá a par dos que vão pior”. Na falta de entendimento, prosseguem as negociações bilaterais com certas regiões, as que aceitam incondicionalmente as regras de mercado impostas pela Organização Mundial de Comércio e pelas regras comerciais do GATT, ou seja a aplicação das regras de propriedade intelectual que não lhes permite tomar uma aspirina sem que paguem direitos de autor, enquanto exigem a garantia de que o Estado não intervirá nos interesses das empresas multinacionais e dos investidores.
Se calhar foi por isto que Abdoulaye Wade, o Presidente da Nigéria bateu com a porta e abandonou a Cimeira antes do seu encerramento, apelando ao boicote dos acordos de “parceria económica” em discussão.“Porque é que foi este - e não um dos «déspotas africanos» que «não tem sede de democracia, nem de desenvolvimento nem de direitos humanos» - que deixou esta mancha na Cimeira?”

Sócrates explica: “Somos iguais na nossa dignidade humana (...) porém também em termos de responsabilidade política (...) onde muitos paises não podem ter um comércio livre com a União Europeia”; áh, então é isso, o “comércio livre” controlado pela “retórica politica livre” que pretende encobrir a continuação da implementação de novas bolhas de desenvolvimento em África de onde se retirem lucros pilhados para benefício dos mesmos de sempre. Bem tinha avisado o tal comunicado antecipado dos 17 intelectuais: “ao evitarem os temas difíceis, os líderes europeus tornam-se irrelevantes”.

PS - Os temas dificeis e a pseudo discussão sobre irrelevância europeia voltaram ontem a estar na berlinda nos “Prós&Prós”: Miguel Portas e Pacheco Pereira (pró-Referendo ao Tratado de Lisboa) e o secretário de Estado e um outro jovem do PS de que não fixei o nome, que acham que o Tratado se auto-democratiza a si mesmo pelos lideres dos paises que o pariram nas capelinhas das elites burocráticas. Depois da lavagem a seco nos Parlamentos nacionais, as directivas neoliberais sobre a desregumentação do trabalho e do Estado social, chumbadas pelo anterior “não” em França e na Holanda, passariam, por um golpe de mágica, a transformar-se em legítimas. O que sobra daqui? Os povos e a falta de discussão sobre o essencial – “a Europa das elites anti-democráticas” é uma mera cadeia organizada de Executivos (autómatos) ao serviço da transmissão dos interesses dos Estados Unidos e está atada às regras militares impostas pela NATO. A haver “contras” o designio da Europa seria fazer implodir a dominação perpetuada pelos mecanismos da NATO. E não atascarem-se de novo em negócios como o do Kosovo
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segunda-feira, dezembro 10, 2007

"kind of blue" state building





Prestem atenção, cambada de nativos do Darfur: "tomem lá duas aspirinas e chamem-nos quando ficarem brancos, cristãos e estiverem a nadar em petróleo"

O exército da Etiópia invadiu a Somália em Dezembro de 2006, sob
ordem directa dos Estados Unidos, para remover o governo legalmente eleito saído do Conselho Supremo das Cortes Islâmicas. Desde então a luta contra o governo fantoche instalado pelas forças de ocupação, sob a habitual cartilha da oferta de "liberdade e democracia" que já conhecemos do Iraque e do Afeganistão, afirmam que tropas “são um exército de libertação, e não uma força de ocupação”. Mascarem o acto como quiserem, ou conseguirem, mas a invasão do país representou um crime contra a soberania da Somália. (Ver no jornal online Oriente Médio - "A guerra secreta dos EUA na Somália). Como se constata, o cinismo e a hipocrisia de algumas carpideiras profissionais (todas belas e formosas se tirarmos a Maria Barroso da fotografia) pelas trágicas mortes no Darfur só tem paralelo nas folclóricas romarias de adro de igreja, onde o sacristão deita os foguetes e o povo apanha com as canas nas moleirinhas. Aqui, como é habitual, os islamofóbicos venderam os foguetes. Mas ninguém se atreve a condená-los, nem sequer a mencionar-lhes os nomes previamente adjectivados de "criminosos" - o carnaval democrático must go on,






* Uma breve resenha histórica do conflito desencadeado sobre as ténues e artificiais linhas de separação entre a Etiópia e a Somália pode ser lida no sitio Global Security
e ainda aqui.

domingo, dezembro 09, 2007

cada Trono, ao redor do qual os Nobres se divertem,
tem sempre por perto um patíbulo, mas
quando gente inocente começa a ser executada no Altar da morte
também o Trono se começa a desmoronar

“somos pares!... eu tenho a língua, ele tem o punhal”
Rigoletto, o Bobo referindo-se ao seu senhor, o Duque de Mântua





a partir de amanhã, num teatro de Ópera perto de si. Para quem pode. Para os restantes, os que têm de se limitar à vida real, a peça está por aí em representação um pouco por toda a parte, por tudo o que é esconso do Poder



contudo, os jogos de poder não dependem únicamente da vontade determinista dos cortesãos. Existem outros factores ( "e quem se fia neles, será sempre um desgraçado". Como no que diz respeito ao Rigoletto de Giuseppe Verdi nos conta uma deliciosa interpretação da que se pensa ter sido a primeira vez que "La Dona é Mobile" foi cantada. Pela voz de Benigliamo Gigli; numa versão legendada em espanhol, tendo como testemunha um gondolieri de Veneza.



PS - uma curiosidade em Rigoletto é o assassino profissional contratado chamar-se "Sparafucile" uma corruptela para o italiano de "dispara o fuzil" - e sem dúvida uma importação linguistica das hordas de ibéricos que desde o Renascimento povoaram os "quartieris" dos portos de Génova e Nápoles. A fama de competência na aplicação das leis a tiro e à facada já vem de longe, desde Hernan Cortez até aos contingentes militares que actualmente marcham para o Iraque e Afeganistão. No século XXI José Maria Aznar apenas fez a reactualização dessa vocação - "pusemos de novo a Espanha no centro do Mundo" disse recentemente o fascista. Tanto que, na Broadway novaiorquina, para actualizar o recuerdo dessas velhas competências, se estreou uma peça de teatro intitulada "Spain". Didáctico.

De espada em riste, mas sempre debaixo do folclore da Cruz,

direitos humanos?

ou a melhor democracia que o dinheiro pode comprar?

Afinal tudo parece indicar que a falta de comparência de Brown na Cimeira de Lisboa se fica a dever a razões bem mais comezinhas do que a um mero desaguisado politico-económico com um negro - o escândalo do financiamento do Labour (de que Brown foi tesoureiro até suceder monarquicamente ao lider) provocado pela compra de influências no partido pelos interesses financeiros Judeus Sionistas (antes despoletado pelo caso Tony Blair vs Lord Levy) continua a agitar as calmas águas por onde tem navegado a mais audaz democracia aliada de Bush. A seguir: `Hunt for 'mystery benefactor' in Gordon Brown's donations scandal'

Para além da informação contida nos links, para mais dados sobre a estrutura geral do esquema de dominação judaico da politica britânica consultar:
"Blair e a Venda da Grã-Bretanha"
("Blair and the Sale of Britain") in
The Best Democracy Money Can Buy

* relacionado:
"Lobbygate: Cash for Access" - edificantes estórias de como as grandes empresas exercem, segundo Brown, um "lobyismo ético" enquanto os partidos no governo encaixam, pela concessão de favores, verbas astronómicas com parte das quais financiam grandes projectos para encher o olho à malta: "Obra" feita, Voto em Ca$h
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sábado, dezembro 08, 2007

Terroristas da Al-Cia destruiram fitas gravadas dos interrogatórios efectuados a suspeitos de terrorismo da Al-Qaeda nos centros de detenção ilegais que continuam a proliferar pelo mundo, ao arrepio da mínima noção de direito internacional.

Havia o receio que as gravações pudessem vir a ser utilizadas como prova de actos criminosos, nos métodos utilizados que atentam contra os direitos humanos - o que culminaria na prisão e julgamento dos agentes da Al-Cia. A denúncia foi feita no NYT por Thomas H. Kean e Lee H. Hamilton, os mesmos investigadores que em 2004 contestaram as conclusões do relatório oficial sobre o 11/9 - com base no programa de acção da Al-Cia, anterior à demolição do WTC em New York, denominado "Able Danger" que fundou oficialmente a rede Al-Qaeda - facto que foi deliberadamente ocultado no referido relatório.
(ora vamos lá conferir com a noticia do jornal)
(e que a Amnistia Internacional ao assunto disse nada)
actualização:
* O procurador geral Michael Mukasey apela para um inquérito. O senador Edward Kennedy diz "já não víamos nada disto desde que Richard Nixon destruiu os 18 minutos e meio de gravações para encobrir o escândalo de Watergate". Até o senador John D. Rockefeller 4th (!) quer saber as razões porque foram destruidas as fitas. Finalmente, impeachement de bush à vista?
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sexta-feira, dezembro 07, 2007

África, corrupção e placas giratórias

1.Quando chegou ao poder o Presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua mandou investigar um escândalo de corrupção no anterior governo de Olusegun Obasanjo que alegadamente em nome do governo e do partido (não se sabe bem ao certo de quem) teria recebido seis milhões de dólares de suborno da Wilbros, uma companhia norte- americana de serviços petrolíferos, em troca dum lucrativo contrato de gás. O caso serviu de pretexto para destruir a oposição ao afirmar que a administração de Obasanjo era "um poço perdido de corrupção".

2. Em Abril passado o presidente da Siemens, Heinrich von Pierer, demitiu-se assumindo as consequências do escândalo de pagamento de subornos. Outro executivo, Reinhard Siekaczek, que trabalhava na companhia há 38 anos, fez o mesmo como prova de que os seus superiores tinham conhecimento das falcatruas. Foram pagas comissões pela porta do cavalo a governantes locais, nomeadamente na Nigéria, Líbia e Rússia, para favorecerem a adjudicação de concursos públicos àquela empresa multinacional. Com o caso destes três países comprovados e publicados no insuspeito Wall Street Journal onde estão especificados não apenas as quantias, como também os executivos da empresa responsáveis pelos pagamentos, nomes e cargos dos subornados, as investigações sobre esquemas corruptores noutros países prosseguem ainda na Suiça, Itália e Grécia. Na Alemanha, a Siemens ordenou uma auditoria interna. 470 funcionários teriam sido investigados, e destes, contra 14% deles foram apuradas infracções ao direito anticartel e corrupção; contra 24% foram comprovadas malversação e fraude, e os demais 62% lesaram outras “directrizes internas da empresa”. Entretanto o caso chegou ao Tribunal de Munique e em Outubro foi condenada a pagar uma multa de 201 milhões de euros. A 8 de Novembro a Siemens declarou encerrada a auditoria. Para a posteridade fica a curiosidade que nomes e moradas de corruptores e corruptos nunca tenham sido mencionados publicamente. O comunicado final da Siemens é um modelo exemplar de limpeza a seco.

3. A Siemens é uma multinacional cujas áreas de negócio abrangem os ramos das Comunicações, Energia, Indústria (Soluções e Serviços), Saúde, Business Services, Automação, Tecnologia para Edifícios, e Transportes Ferroviários. Em Portugal o volume de vendas cifrou-se em 563 milhões de euros em 2005. (72,4 biliões nas actividades globais). Além da fábrica mãe na Alemanha, a Siemens possui outros dois importantes pólos de fabrico no exterior: no Brasil, e mais recentemente um Centro de Tecnologia de ponta em Portugal depois da fusão que deu origem à Nokia Siemens Network. Recorde-se que é neste investimento que assenta a tão propalada intenção do Plano Tecnológico de Sócrates actualmente em marcha. Considerando os regimes altamente impolutos e incorruptíveis do Brasil e a natureza anti-corruptora tradicional portuguesa – deverá ser nesse pressuposto que se torna urgente a construção de uma placa giratória moderna, como será sem dúvida o caso do novo aeroporto, como antes o tinham sido os investimentos do depauperado erário público nos sub-utilizados Metros do Porto e do Sul do Tejo, entre outros exemplos de malversação dos dinheiros entregues ao Estado e da respectiva privatização dos lucros a favor das empresas multinacionais que os "governantes" representam
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quinta-feira, dezembro 06, 2007

Cimeira Europa África (II)

Não há nada que chegue à mão branca
para alimentar os coitadinhos dos pobres,
mas a outra mão, a que lhes vende as armas
e lhes suga as riquezas, permanece invisivel

Uma dúzia de nomes sonantes, muitos deles prémios nobel, de J.M. Coetzee, Dario Fo, Günter Grass e Nadime Gordimer até Jürgen Habermas, Wole Soyinka, Tom Stoppard e o pró bushista Vavlav Havel, questionam numa espécie de manifesto tornado hoje público a propósito da Cimeira Europa-África o pressuposto: “Porque devemos ouvir os poderosos, quando estes não ouvem os gritos dos que sofrem? – mas isto não será possivel enquanto as reuniões não debaterem nas reuniões duas das piores tragédias humanitárias, a do Zimbabwe e a do Darfur”; e concluem: “ao evitarem os temas difíceis, os líderes europeus tornam-se irrelevantes”.

Efectivamente seria proveitoso debater publicamente os porquês da Inglaterra se recusar a reparar financeiramente os danos provocados aos povos do Zimbabwe (assim como a tantos outros) desde os primórdios da colonização até aos dias de hoje, quando implementam um tenebroso boicote levado a cabo desde que a reforma agrária retirou as terras ancestralmente possuidas pelos naturais, aos fazendeiros brancos para as distribuir pelos veteranos de guerra da primeira independência. Portanto, o assunto principal na agenda de que trata a Cimeira é de pressionar os paises sem capacidade de lutar pela independência económica por forma a levá-los a aceitar o jugo neocolonial, sob a alta jurisdição do “projecto norte americano Africom”.
Enquanto o problema do Darfur de relaciona com a luta pelo acesso ao petróleo da Somália, a resolução do caso do Zimbabwe deriva directamente do desprezo que a Inglaterra tem sobre as questões africanas (uma vez que o problema da imigração clandestina de milhões de negros não afecta particularmente o seu território) e, de certo modo também pela “Europa” (que não faz parte da Commonwealth), porquanto os negócios ingleses se centram sobre os grandes centros financeiros, de Shangai até aos Emiratos Árabes, na Ásia onde se encontram os maiores (e providenciais) investidores mundiais.

Valentin Mbougueng, o presidente da Liga Internacional de Jornalistas para África (LIJAF) afirma mesmo, na revista Afrique-Asie, que a Europa tem um plano B para ultrapassar o incómodo de se dirigir a Robert Mugabe. Uma espécie de sabotagem provocaria um problema de transporte de última hora no avião alugado pelo Presidente Mugabe impedindo-o, muito profilacticamente na óptica dos aliados de Gordon Brown, de estar presente em Lisboa.
Como assim? Então o Zimbabwe, depois de 30 anos de “independência” ((formal, uma vez que os interesses económicos permaneciam intactos) não dispõe de uma aeronave própria para uso do presidente, o valoroso combatente pela causa da primeira independência (irrelevantemente politica) do seu país?

Deste “desencontro” forçado, resultaria a organização pelos funcionários de Bruxelas de uma mediação presidida pelo Presidente sul africano Thabo Mbeki encarregado de exigir a democratização do regime de Harare, para cujo reconhecimento seria exigivel uma declaração pública de Mugabe, certamente em directo perante enviados especiais da CNN, da BBC, etc. Da natureza desta “mediação” pré-programada se compreende o facto que a maioria dos subcritores do manifesto de hoje sejam sul-africanos.
Entretanto, considerando que outros regimes se disponham a aceitar a dominação económica e o sistema de trocas desiguais em que se funda o comércio internacional liderado pelo imperialismo yankee, parece não haver problemas de maior em apertar a mão a dirigentes como o presidente da Líbia ou da Nigéria cujos governos receberam centenas de milhares de euros de suborno pagos pela Siemens – ou a esse outro campeão mundial da corrupção que dá pelo nome de José Eduardo dos Santos.

Algures em África um grupo de militares norte-americanos pertencentes ao recém criado AFRICOM dá aulas de estratégia à tropa local. A vida está má e é preciso encontrar novos quintais que cumpram o papel que a América Latina cumpriu durante o século passado.

(Esta breve nota final pretende apenas comunicar que as guerras e a exploração imperialistas não acabam com a erradicação do Bush. E nesta intenção a Europa do fiel Barroso não é assim tão irrelevante,)

quarta-feira, dezembro 05, 2007

acabou a "crise" na Câmara, venha a guita

ou de como o partido presidencial, que recolheu 15% de votos nas últimas eleições autárquicas em Lisboa, pode liderar o processo "democrático" e tentar fazer esquecer que as eleições não substituem as investigações criminais.

terça-feira, dezembro 04, 2007

a choldra foi trespassada

Direitos de Propriedade Intelectual em Portugal: A Saída para a Inovação.

Siga os links e veja se consegue chegar aos beneficiários cá do empreendimento

a cara (omissa) da notícia

No presente regime de capitalismo de quadrilha, de crime em larga escala, economias paralelas, tráfico de drogas, contrabando de armas, lavagem de dinheiro, corrupção de toda espécie; quando grandes áreas do planeta estão já fora da jurisdição do Estado, as grandes figuras dos regimes períféricos encontram campos férteis para as suas mais que chorudas actividades ao serviço do “desenvolvimento” (de quem, não explicam). O nosso velho conhecido Lopes, agora lider parlamentar, com a compatibilidade que reconhecidamente a dignidade da função lhe confere, p/e dá “conferências” no Sheraton ao mesmíssimo estilo de encarregado de negócios que é o embaixador norte americano em Lisboa na legítima actividade de vender dinheiro a juros.
Noutros investimentos, na crise da falta de dinheiro emprestado para a Câmara Municipal de Lisboa poder pagar dívidas do anterior executivo (ou dos anteriores, se se preferir) não há responsáveis pelas ilegalidades cometidas até à entrada do presente executivo.
Liminarmente rejeitado nas eleições em que foi varrido por uma votação miserável, eis que Santana Lopes retorna, qual sempre-em-pé, pela porta do cavalo. Metade dos militantes do PSD, meia dúzia de gatos, votaram secretamente um novo presidente para guiar o partido ao sucesso no mercado eleitoral e o país inteiro é de novo confrontado com aquilo (aquela coisa) que anteriormente tinha rejeitado lapidarmente. Menezes, o eleito, que é nada mais nada menos que o presidente de Câmara mais endividada do país, a de Vila Nova de Gaia com 74,5 milhões de euros para 300 mil habitantes, inviabiliza que o pseudo adversário com quem faz acordos de compadrio partidário noutras áreas, se possa endividar na capital que tem de gerir perto de 3 milhões de habitantes. Atendendo ainda que grande parte dos pagamentos a fazer são por dívidas e obras faraónicas encomendadas por Santana Lopes. A resposta de Menezes em Lisboa, no melhor estilo revanchista é uma resposta ao facto anterior do PS ter inviabilizado a reestruturação da dívida da Câmara de Gaia – Na verdade, neste como noutros casos, trata-se de uma luta privada entre gangs pela posse de territórios e direito de cobrança de “pizzos” aos munícipes.



relacionado:

"Quo Vadis, Portugal?" - o país visto pela escrita de um estrangeiro
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segunda-feira, dezembro 03, 2007

“socialismo democrático”

"Já corri os passos desse caminho e sei que vai dar em nada”
Maria João, do “Cancioneiro Popular brasileiro”

“O resultado do referendo na Venezuela tanto podia ser assim ou ao contrário como simpaticamente se pós-enganou o jornal do Zé. Tanto faz. Qualquer observador, quando viu o doutor Mário Soares tecer loas e negociatas ao processo não poderia deixar de se interrogar. Como se sabe, o “neoliberalismo real” fez as suas primeiras experiências na América Latina, mais concretamente com a aplicação das receitas do FMI ao Chile de Pinochet/Kissinger. Na Venezuela, já na década de 80, a encomenda coube em sorte a Carlos Andrés Perez, grande amigo do “socialista Soares” – que lançou o país numa crise profunda com reflexos imediatos na repressão que caudou centenas de mortos durante o chamado “caracazo” (a revolta popular contra as medidas de austeridade em Fevereiro de 1989).

Segundo Rodríguez Araque no sitio “Resistir”: “O processo de concentração da riqueza, de expropriação literal da imensa maioria dos venezuelanos, teve como ponto de partida o problema da distribuição da renda petroleira, da qual a Venezuela depende para o bem e para o mal. Para o bem, porque graças a ela é possível melhorar as condições de vida da população. Para o mal, porque estamos submetidos aos vai e vens dos preços petrolíferos no mundo, que nem sempre dependem da decisão e da vontade dos países produtores de petróleo e sim de circunstâncias muitas vezes alheias às suas próprias decisões. O que está hoje a ocorrer é um exemplo: os altos preços do petróleo não dependem de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) aumente ou diminua a produção”
Antes de Chávez chegar ao poder em 1999, firmaram-se contratos que representaram uma verdadeira traição à pátria, porque os royalties de 1/6 (a renda que o Estado cobra pela exploração do acesso ao recurso petrolífero), que implicavam 16,6 por cento, reduziram-se a um por cento. Em alguns contratos, inclusive, a zero por cento. O imposto sobre esses rendimentos reduziu-se de 67,7 por cento para 34 por cento. E desenvolveu-se uma estratégia tendente a asfixiar a PDVSA para obrigá-la à privatização”. Depois de nacionalizada a empresa venezuelana é preciso ter em conta que 5/6 do valor gerado pela exploração das multinacionais petroliferas continuam a entrar directamente no circuito financeiro internacional dominado (e ao serviço) do imperialismo – embora agora uma fatia maior tenha que ficar retida para o Estado-providência regido por um super-herói tentar mitigar a miséria de milhões de sub-cidadãos, numa distorcida e abrasileirada sociedade.


Hugo Chávez provocou um corte radical com a estratégia neoliberal, porém para o raciocinio maniqueista “à esquerda-ou à direita” do Mercado, e por isso mesmo, ele será sempre “um ditador”, embora agora falhado. Foi acusado de querer abolir a propriedade privada apesar desta ser a única forma de propriedade que continha a Constituição de 99. A proposta de Reforma, posta ontem a votação, mantinha a propriedade privada e pretendia, para além dessa, introduzir quatro outras formas de propriedade - uma mista pública-privada, a pública para gerir os sectores estratégicos chave, outra comunitária de cariz cooperativista, e por fim a de tipo socialista com a participação dos trabalhadores na gestão efectiva das empresas.
Foi isto que foi rejeitado com o voto de cerca de 4 milhões e meio de eleitores numa população total de 16 milhões (que apesar da pressão politica artificialmente construida viu 44 por cento de abstenções entre os recenseados). O folclore eleitoral da burguesia jamais resolveu quaisquer problemas na vida dos povos. Nada de confusões: a “revolução bolivariana”, conquanto rejeita a noção de ditadura de uma classe social sobre outras, não poderá atribuir ao lider, por mais robin-dos-bosques que este se possa vir a revelar, mais do que a função que um Kerenski latino possa vir a desempenhar na Revolução. As sementes (feitas transgénicas, pela finança global) estão lançadas
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domingo, dezembro 02, 2007

nos bastidores de Annapolis

artigo de referência: "Gastos Militares, Gastos Contra a Sociedade"

Paul Craig Roberts foi secretário assistente do Tesouro para a Politica Económica durante a Administração Reagan. Normalmente é-lhe atribuido o remédio para a cura da estagnaflação que eliminou a “curva de phillips” na relação entre o emprego e a inflação, um dado aquirido que, segundo ele, estará agora em vias de se perder no pior descalabro económico da história dos Estados Unidos, agora que, depois da inundação de dinheiro ficticio que começou na Era Reagan, a economia real tem o tamanho duma ervilha dentro de um mega-balão que não pára de se expandir. Citando Paul Craig: “o superpoder americano” é uma nave de loucos que navega sem destino. Enquanto os Off-Shores matam todos os projectos económicos americanos, os “economistas do mercado livre” entoam as suas orações. Enquanto a guerra impôs custos enormes que colocam o país na bancarrota, os neoconservadores clamam por novas guerras – e nisso, republicanos e democratas concordam na apropriação de fundos que só podem ser obtidos por novos empréstimos e endividamento. Focando a guerra americana no Médio Oriente, o seu propósito é garantir a expansão territorial de Israel recolhendo proveitos executivos e legislativos na região, ao mesmo tempo que controlam as opiniões públicas através dos media. “Entretanto esta é a última oportunidade de se conseguir pôr a nossa casa financeira em ordem. Chegámos ao ponto em que podemos dizer que agora nada mais pode ser feito. A menos que o resto do mundo decida empreender uma operação de salvação económica, os valores continuarão a degradar-se e a descer até ao fundo do abismo”

Da arte complexa de simulação da Paz até mais um exemplar balão de soro

James Petras: “O debate sobre quais sãos as forças que determinam a politica norte-americana para o Médio Oriente centra-se habitualmente nos interesses do Complexo Militar-Industrial (M.I.C.) e nos das Grandes Companhias Petrolíferas (B.O. de Big Oil, na sigla em inglês). Contudo há um pequeno grupo de académicos esquerdistas (com que coincidem conservadores como Ron Paul) que afirmam que na hora da verdade quem decide realmente da política americana é o Lobie Sionista (pró-Israel) a que se referem normalmente como “Configuração do Poder Sionista” ( segundo a sigla Z.O.G. de Zionist Power Configuration).

Enquanto o debate sobe de tom sobre quais são os interesses que levaram à agressão contra o Iraque e à escalada na confrontação com o Irão, não há melhor prova sobre as posições dos que activaram o conflito que a proposta de ontem em que Bush decidiu a venda de armamento à Arábia Saudita no valor de 20.000 milhões de dólares.
Israel concorda, conquanto accionou os seus mecanismos de controlo no Congresso para aprovação do negócio, em troca de “donativos” no valor de 30.000 milhões nos próximos dez anos. Compreende-se; sendo a Arábia Saudita o principal fornecedor de petróleo e principal comprador de titulos de suporte à economia norte americana, Israel exigiu igualmente uma clausula no contrato que lhe dá o controlo absoluto dos armamentos fornecidos ao exército de pacotilha da Arábia Saudita que depende cem por cento do apoio tecnológico do Pentágono. Todos os cães que são enviados para a indústria da guerra estão infestados de parasitas que lhes vão sugando o sangue das veias por onde circula o petróleo.

Portanto, caro investidor, se estava a pensar dedicar-se a actividades ligadas às novas energias limpas, esqueça. Esqueça o vento e o sol que são sensações boas para voyeurs e siga o Mercado. O negócio das armas continua a bater o da ecologia, estúpido!
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sábado, dezembro 01, 2007

Corrupção

Ainda ontem tinha sido o lider do partido "que mais subiu" nas sondagens encomendadas sabe-se lá a quem

Salvo in extremis por um golpe-de-estado que lhe nomeou uma ministra do seu partido para o limpar do "Caso Moderna" - o refinado intérprete da ideologia triunfante que advoga tudo ser possivel desde que não se seja apanhado voltou a reincidir, como todos já supeitávamos
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Tudo se volatiliza

“Ninguém pode negar categoricamente e por antecipação a possibilidade teórica de que, debaixo da influência de circunstancias completamente excepcionais (a guerra, a derrota, o crash financeiro, a pressão revolucionária das massas, etc.) os partidos pequeno burgueses, incluindo os estalinistas, podem ir mais além do que eles mesmos quiseram no caminho da ruptura com a burguesía.”
León Trotski, in “Programa de Transição”, 1938

Apontamentos sobre as consequências estratégicas no Ocidente da crise militar, financeira e económica dos Estados Unidos - um artigo de António Maira

“Temos que ter presentes várias evidências gerais sobre fenómenos globais, cujo desenvolvimento se torna agora plenamente visível precisamente porque estamos numa crise catastrófica do capitalismo “neoliberal”. Em primeiro lugar, na economia. Os factos plenamente observáveis e que já não se conseguem mascarar são os seguintes: a parte da economia real aplicada à produção de mercadorias e serviços básicos para a população mundial, é uma ervilha dentro de um enorme balão
A esfera exterior é a “economia produtiva” vinculada à gigantesca implementação do consumismo irracional, dos serviços supérfluos, da economia de guerra, da aplicada à dominação exterior e ao estabelecimento da ordem Imperial, da que serve a mercantilização da “democracia” e o encobrimento da realidade às populações.
A distribuição de bens nesta economia real – tanto a dedicada à satisfação das necessidades básicas: alimentação, saúde, educação, habitação; como a que é subordinada à economia do consumo massivo, dos serviços supérfluos e da dominação política e ideológica – é enormemente desigualitária entre os países “desenvolvidos-destruidores” e os paises subdesenvolvidos e estados falhados do hemisfério sul.
A economia real (com os seus dois componentes: bens para a vida; e bens para a desigualdade, o consumismo criminoso e a “ditadura democrática nos paises do Ocidente) é, por sua vez, uma pequena ervilha comparada com o enorme globo aerostático da economia financeira, que o mesmo é dizer, da economia vinculada à multiplicação e circulação do dinheiro.
A bolsa e o sistema bancário são as instituições cuja função fundamental é extrair (o termo adequado é, naturalmente, roubar) as pequenas poupanças da pequena e média burguesia nos paises ricos, e dos pequenos aforradores das economias pobres (recorde-se a Argentina, ou a Venezuela anterior a Chávez) para os derreter no sistema financeiro. Nos paises ricos também roubaram e estão a roubar os enormes fundos de pensões apropriando-se desses depósitos bancários aplicando-os nas privatizações ou em fundos especulativos.

Numa economia vertiginosa, a bolsa é o grande centro de comunicações. A bolsa de Nova Iorque é o espelho instantâneo de onde os funcionários do sistema financeiro controlam a marcha do gigantesco balão de ar, e os enormes monopólios corporativos a marcha dos seus negócios. O que temos actualmente diante dos nossos olhos não é um vulgar crash de bolsa, mas sim um crash financeiro e portanto, uma crise enorme do capitalismo global. Significa que começando o desmoronamento, começam os tempos de uma enorme e vertiginosa tragédia. Mas também que, começam os tempos da Revolução.

A Crise Estratégica

Os Estados Unidos utilizaram duas guerras contra o Iraque seguindo dois modelos estratégicos militares distintos e perderam em ambos; o primeiro durou uma década e realizou-se em duas fases: a primeira fase foi a “guerra de destruição massiva unilateral” (com zero baixas para os EUA), que teve, por sua vez, dois periodos: “a guerra suja do Golfo” com a incitação à ocupação do Koweit e a destruição do exército convencional iraquiano; e a “guerra alargada ao genocidio” com o bloqueio total do país e destruição sistemática das suas instalações militares e infraestruturas – especialmente as condutas de águas residuais e de água potável, a rede de estradas e auto-estradas, os sistemas sanitários e de educação. A segunda fase foi a guerra-relâmpago de 2004, com a destruição total do país, a ocupação e o início da marcha para “uma economia de mercado livre”. Os objectivos gerais eram: implantar pela força um modelo de relacionamento internacional baseado na “vontade soberana” dos Estados Unidos; a apropriação do petróleo; e a instalação de bases militares estratégicas, de cobertura mundial, no actual país de maiores reservas petrolíferas, então o mais rico, mais próspero, mais laico e mais culto do Médio Oriente.
Os EUA perderam a “guerra de destruição massiva unilateral” e perderam a “guerra genocida de ocupação” apesar de usarem um exército profissional (as suas legiões romanas, enquadradas por centuriões yankees e integradas por marginais e martinalizados nos próprios EUA; o exército de ocupação é formado pelo lúmpen nacional: negros e latinos, e mercenários residentes, centro-americanos e mexicanos indocumentados). Apesar deste contingente nascido da pobreza e educado para matar ser muito pouco recomendável para restabelecer a Democracia, a Liberdade e a Soberania do Iraque, e a Segurança Internacional e a Justiça Infinita ter sido rebaptizada sucessivamente como “Liberdade Duradoura” e “Guerra Mundial Antiterrorista”, Washington alistou – através das transnacionais da morte, da tortura e do assassinato – um gigantesco exército mercenário dedicado a executar as tarefas definidas pelos serviços secretos numa “Guerra Suja de Alta Intensidade”

A Crise Financeira

O gigantesco pressuposto de “Defesa” dos Estados Unidos – com crescimento acelerado desde há muitos anos (a partir do final da guerra fria) – incrementou-se com enormes gastos de guerra que foi aumentando à medida que a ocupação teve de se reforçar. O exército triunfante cuja vitória Bush anunciou vestido de piloto de combate e sentado no trono do fascismo contemporâneo – o cadeirão de comando de um dos gigantescos porta-aviões de combate estratégico do Pentágono – não só não pode voltar para casa, como não parou de reclamar armas, mais armas, mais dinheiro, combustível, mais combustível, mais dinheiro. A crise estratégica militar provoca uma derrocada financeira que afecta a quase totalidade da economia norte americana, e a totalidade da economia mundial. Os dois gigantescos balões estoiram e começam as quebras.

A Crise Económica Mundial

A crise financeira abrange toda a economia de consumo e toda a economia de subsistência – incluindo os EUA, onde existem 40 milhões de pobres. A crise atinge imediatamente os sectores metalúrgicos, petrolífero, cimentos, imobiliário, especulação urbana, serviços de massa como o turismo, transportes, complexo industrial-militar, indústria automóvel, química, agro-alimentar, pequenas empresas, restauração, seguros, agricultura de exportação e importação, transportes marítimos, aviação civil, electrodomésticos, serviços de saúde privatizados de cirurgia, assistência médica, serviços sociais mínimos, para citar apenas uns quantos.
Olhe ao seu redor e tente localizar um objecto de mobiliário, um produto para alimentação, vestuário, electrodomésticos, computadores, internet, de consumo em geral, embalagens, etc, que não tenha sido produzido dentro da economia ao serviço das grandes entidades financeiras.

Apontamentos breves sobre as consequências económicas, sociais e políticas da crise no Ocidente.

Desmoronamento dos grandes fundos financeiros e da enorme economia produtiva vinculada aos serviços e ao consumo. Crise económica catastrófica. Incremento dramático da paralização de um país sem cobertura social. Crise nas pequenas e médias empresas. Queda vertical do comércio externo. Crise política sem precedentes. Possiveis juizos penais em torno da equipa presidencial. Demissão de Bush para evitar o “impeachment”. Os Estados Unidos não podem alastrar com a guerra nem decretar uma mobilização geral para as guerras do Império. O projecto de dominação pela via militar arruina-se. O projecto de ocupações por via da NATO também se quebra. A possibilidade de invasão da segunda potência petrolífera – a Venezuela – é absolutamente irrealizável. O elemento estratégico fundamental para o mantimento de uma parte de toda a grande indústria para os serviços desapareceu; é o Petróleo. Aos paises do Terceiro Mundo abre-se-lhes a possibilidade de reclamar o direito de “não transferência de petróleo” (Patente) – tal como foi feito pelo Ocidente com a Tecnologia – assegurando a troca de petróleo por tecnologia para um desenvolvimento repartido e sustentável.

União Europeia, o fiel amigo, a política indigna, os povos mortos,

Desde os processos coloniais, das duas grandes guerras mundiais, e o fascismo; jamais a Europa havia cometido uma indignidade semelhante à da aprovação da resolução 1483 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nessa resolução legitimava-se a ocupação do Iraque e a autoridade dos “paises ocupantes”. Além do mais “autorizava-se” a “administração” do petróleo pelos EUA e pelo Reino Unido e organizava-se o saque do país convocando a famosa Conferência de Doadores. Na Cimeira de Salónica, semanas depois, a indignidade atinge o limite: a União Europeia proclama que o derrube de Sadam Hussein “abre caminho a um futuro próspero e democrático no Iraque. Além disso a Cimeira aprova, “para leitura e memória futura”, um documento estratégico sobre a Nova Estratégia de Segurança Europeia; que se denomina “Documento Solana” para honrar o embaixador lacaio dos Estados Unidos, além de criminoso de guerra na Jugoslávia. Solana presidiu à assembleia de servos que terá de prestar contas de um genocídio e uma catástrofe que atinge 4 milhões de mortos e deslocados e um país esfomeado e destruído.

O descalabro na Europa vai ser muito mais dramático.

O crescimento do desemprego e do sub-emprego escondido debaixo de contratos precários, temporais e sub-qualificados, vai ser gigantesco, na mesma proporção da desaparição da economia “produtiva” vinculada aos serviços, ou puramente especulativa.
A crise energética afectará, liquidando-as, todas as possibilidades de sustentação do sistema económico. O desemprego atingirá cifras colossais, muito concentradas nas cidades, na antiga classe trabalhadora absolutamente desorganizada e na nova classe operária urbana: os trabalhadores jovens.(Ver a revolta da chamada “escumalha” em França)
A recuperação de uma economia agrária que assegure a soberania alimentar passa a ser uma necessidade estratégica. Em paises como a Espanha pode-se reconverter rapidamente, utilizando os enormes sistemas de rega empregues na economia do turismo de luxo em enormes extensões de antigas hortas, nos outrora terrenos de sequeiro, ou nas herdades andaluzas dedicadas à pecuária.
Toda a classe política, líderes e quadros sindicais carecem de integridade e capacidade para reorganizar os trabalhadores. Novos lideres políticos, sociais e sindicais surgirão das grandes lutas que se avizinham
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