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quarta-feira, março 17, 2010

perante a globalização da enxurrada de papel financeiro impresso

nem os pataratas reformistas “de esquerda” escapam à diabolização

Desde os adeptos do conservadorismo até ao mais ferrenho liberal e outros hibridos, todos já perceberam que foi a especulação financeira que esteve e está na origem da presente crise. E quando a percepção destas coisas cai em cima do homem de rua, como diria Voltaire, está tudo perdido. Ainda bem. Mais que uma situação transitória da qual se possa recuperar mais ou menos rápido (pela miragem da retoma), a crise ainda agora está a começar - trata-se de uma crise do capitalismo em si mesmo, um sistema de criação de valor que tem obrigatoriamente de crescer exponencialmente sob pena de implodir (cujos sinais aliás se vêem diariamente), dado a impossibilidade de produzir cada vez mais sem que haja poder de compra nem clientes para adquirir as mercadorias e serviços oriundos das referidas condições de sobreprodução. Portanto a lógica do capitalismo de catástrofe social é simples – como clama o cartaz dos manifestantes em Wall Street na foto – se não existem compradores com capacidade de consumo, cria-se dinheiro nas rotativas dos bancos emissores e empresta-se-lhes, acrescentando-lhe ainda juros. Os efeitos são conhecidos, cresce despreocupadamente o número dos muitos ricos que sacam à cabeça os lucros do que havia de ser o património social, escasseia cada vez mais a sustentabilidade dos pobres atingindo a precaridade cada vez mais as classes médias. A selvajaria civilizacional que está lançada pelo neoliberalismo não tem “regulamentação” possivel.

Ainda assim a União Europeia produziu um gag para a populaça acreditar que há a possibilidade dos “governos controlarem de maneira mais eficaz as actividades especulativas dos fundos de alto risco (...) que prevê, por exemplo, limites significativos ao endividamento contraido face a esses fundos. Obviamente, a Inglaterra mãe da maior praça financeira mundial (junto com Wall Street, que nada tem a ver com a subserviência do mercado financeiro liderado pelo Banco emissor europeu) opuseram-se de imediato ao controlo desses hedge-funds. (ler no jornal ”I”)

Transplantando a situação para dentro das fronteiras dos Estados nacionais, como lembrou ontem no parlamento o deputado Francisco Louçã: “este Orçamento de Estado para 2010 perdoa empresas que fugiram ao Fisco através de Off-shores". Reconheceu-se textualmente ali que “os bancos só estarão na disposição de acabar com os off-shores se houver uma aministia. Ora se exigem amnistias é porque cometeram crimes!”
(vale muito a pena ver o video)
Se houve crimes quem são os culpados? Isso é uma coisa que a maioria dos frequentadores instituicionais do aerópago não estão de modo nenhum interessados em averiguar. (olhó meu, que nos matam a galinha dos ovos de ouro ficticio).

Como disse na TSF um comentador um destes dias, as cadeias do país estão cheias de pobres enquanto os ricos têm sido todos absolvidos por prescrição. Por que é que estes tipos não estão ainda todos presos ou enfiados num caixão como o ladrão da Enron que obrigou o regime bushista a despoletar o 11 de Setembro?
No velho Oeste americano soava dizer-se “enforcá-los seria demasiado bom para eles” – é assim que nos sentimos acerca dos executivos de Wall Street e os seus colaboradores da Reserva Federal, que foram quem os ajudaram a empochar 100 biliões de dólares em proveito pessoal enquanto em simultâneo saqueavam o Tesouro norte americano em triliões e fizeram derrocar a economia, primeiro nos EUA, logo depois globalmente. Ainda assim, FED e Wall Street continuam casados e em sempiterna lua de mel . Ninguém saberá melhor destas circunstâncias que Elliot Spitzer, o ex-governador da FED de New York que tentou tornar público o “problema” para que fosse possivel tentar resolvê-lo a tempo. Ingenuamente, diga-se, porque de imediato lhe fabricaram um escândalo de envolvimento com prostitutas, obrigando-o a renunciar ao cargo em 2007 – nesta entrevista deveras esclarecedora, podemos ouvir dizer: “Não falhou "supervisão" nenhuma - a FED não quer é que se saiba a dimensão da fraude!”

"suponha que pretendo começar o negócio capitalizando um valor inicial sobre... por exemplo... um bem imobiliário como o meu caixote do lixo que avalio em 15 milhões de dólares...


terça-feira, março 16, 2010

Palestinianos travam batalha urbana contra ocupação israelita em Jerusalém

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O embaixador norte americano em Telavive, Michael Oren, alertou para "uma crise de proporções históricas". Israel já roubou 80 por cento do território palestiniano; e continua a construir ilegalmente colonatos na parte que resta da Palestina. Tudo isto tem acontecido sob o olhar condescendente da coligação wasp anglo-americana-europeia que patrocinam em conjunto de facto o expansionismo judeu-sionista. Há que tomar partido contra uma das mais diabólicas injustiças que foi legada ao século XXI; e no entanto, apesar dos 1,3 mil milhões de árabes no mundo, devido à benevolência e passividade da doutrina islâmica, nada acontece passível de corrigir a situação.
O brasileiro Lula da Silva, que esteve até ontem de visita a Israel recusou-se a visitar a tumba do fundador da doutrina sionista Theodor Herzl. Como retaliação, o tresloucado militante de extrema direita que desempenha as funções de ministro dos negócios estrangeiros, Avigdor Lierberman, resolve boicotar a presença de Lula na câmara dos deputados. Por sua vez o presidente brasileiro que chegou esta tarde à parte que resta da Cisjordânia visitará o túmulo de Yasser Arafat.

Manifestações de judeus religiosos ultra ortodoxos empunharam ontem faixas onde se lê “todos os não-judeus devem deixar esta terra” – os promotores explicam: “o antigo testamento diz que a Terra de Israel é pequena e pertence apenas aos judeus. Todos os outros não terão permissão para ficar permanentemente. A esses dizemos que deixem a terra de Israel por forma a garantir a paz nesta terra. Existem versículos tanto na Torah como no Corão que dizem isso mesmo”. A retórica escrita nos panfletos distribuídos continua: “depois de terem visto estas divinas explicações, e o Islão é uma religião de crentes obedientes, verão que têm muitos países nos quais poderão viver. Vocês têm de entender que nós estamos a cumprir os mandamentos do “antigo testamento”, por isso sugerimos que negoceiem com Israel por forma obterem reembolsos pela vossa partida”. Nenhuma organização assumiu declaradamente a mensagem, mas a avaliar pela constante presença desde 1948 dos partidos religiosos em todos os governos de coligação no poder, é fácil depreender que este é de facto um comunicado oficial que anuncia a politica das próximas acções de Israel.

Militarmente há algo que confirma a intenção: o General Petraeus no relatório divulgado imediatamente antes da visita do vice-presidente Joseph Biden reclamava que os territórios da Margem Ocidental e Gaza deveriam passar a integrar o Comando Central norte americano das forças de intervenção presentes no Médio Oriente.

Matar em nome da construção de mitos religiosos
(e não esquecer, também das fontes petroliferas próximas)

O pretexto para o desencadear de mais uma acção bélica contra populações civis desarmadas no território mártir da Palestina tem sido a reconstrução da sinagoga Hurva (sem nenhum valor arquelógico uma vez que a construção em ruinas data apenas do século XVII), obliterando o local de raiz árabe; e a intenção de instalar na mesma zona da Cidade Velha de Jerúsalem mais 1600 familias de judeus sefarditas angariadas como emigrantes por esse mundo fora ao abrigo da abjecta “lei de naturalidade judaica” para virem engrossar o caudal de carne de canhão na ocupação. O cerco e o previsível isolamento da zona da Mesquita Al-Aqsa tem sido persistente convertendo-se a arqueologia no local num assunto de validação com provas falsas e fabricadas de um pretenso direito a territórios das tribos nómadas essénias da antiguidade. Em Israel a arqueologia converteu-se num campo de investigação que não raro tem dado lugar ao assassínio de investigadores que apresentem provas que refutem as intenções dos sionistas. É este estado de coisas que levou o Hamas, único representante legitimo dos povos árabes da Palestina, a decretar “um dia de fúria”. Desde ontem já foram assassinados mais 7 palestinianos nos confrontos com as forças militarizadas de Israel

Movimentações internacionais

George Mitchell o “emissário especial” dos EUA para o Médio Oriente adiou a visita prevista para hoje. Netanyahu está de visita a Moscovo para tentar obter apoios para a aplicação de sanções ao Irão. O chamado Quarteto para o Médio Oriente (EUA, União Europeia, Rússia e ONU) reúne-se também em Moscovo no próximo dia 19. Mas as maiores expectativas estão reservadas para os discursos de Hillary Clinton e do 1º Ministro de Israel na Associação Judaico-Americana AIPAC, organização também dominada pela extrema direita sionista, que já intimou o presidente Obama a "baixar a tensão nas relações com Israel”. A reunião deste órgão onde os executivos políticos vão manifestar a sua concordância com as disposições tomadas pelo Lobie Sionista americanao decorre em Washington entre os dias 21 e 23 de Março. Entretanto esta semana o Irão anunciou a sua entrada no clube da energia nuclear. Talvez seja esta a principal razão porque os norte americanos tenha vituperado Israel, segundo veicula a nossa pró-judaica alinhada imprensa: “Vocês pensam que podem embaraçar o vosso único aliado no mundo sem consequências? Vocês perderam totalmente o contacto com a realidade". Ou talvez não…

segunda-feira, março 15, 2010

o nosso querido amigo Bibi

A propósito da visita de Biden ao Médio Oriente relacionou-se aqui a filosofia do “destino manifesto” do imperialismo norte americano e o expansionismo do Estado racista de Israel – “estamos num momento de real oportunidade em que os interesses dos povos israelita e palestiniano têm mais afinidades que oposições” – foi a mentirola do discurso oficial de ocasião. De facto o que levou Biden a Telavive foi a concertação do cerco em marcha e do subsquente ataque ao Irão, o único regime no Médio Oriente que não é tributário do Ocidente na exploração petrolifera. A “ameaça nuclear” é um pretexto fantasma, assim como o foram as famosas “armas de destruição macissa” de Saddam.
Diz-se que foi a primeira visita de um mais alto responsável dos EUA da Era Obama a Israel. Claro que Obama não conta, de facto Biden é tudo menos um estreante nestas andanças; Como um dos mais antigos membros do CFR ele esteve já presente em Israel quando era um jovem senador com 29 anos e participou em meetings com a então 1ª Ministra Golda Meier e Yitzhak Rabin que se lhe seguiria no cargo. Chefiava “a missão de paz” norte americana dessa época o secretário de Estado judeu Henry Kissinger. Aliás agora por judeus, nunca é por demais lembrá-lo, embora Joe Biden passe por cristão evengélico da linha de São Pentágono, ele reclama ser descendente de um bisavô judeu iraquiano e foi nessa qualidade que reclamou ter direito a votar nas “eleições” pós invasão no Iraque em 2005. (e votou mesmo).

Foi nesta qualidade que Biden à chegada se dirigiu ao presidente Peres e ao actual 1º ministro de extrema direita Netanyahu, como “estou diante de nossos verdadeiros amigos, falando por mim pessoalmente por mais de três décadas, quando Israel conquistou o meu coração” (traduzido do discurso tornado público pela Embaixada norte americana em Telavive) “podes acreditar que foi assim há tanto tempo? estás a ficar velho Bibi” continuou o vice-presidente dos EUA dirigindo-se pelo nick-name a Benjamin Netanyahu na sua residência oficial. (fontes aqui e aqui). Pode-se acreditar que este grau de intimidade e subserviência perante um governo de fanáticos explica alguma dissidência sobre construções ilegais em territórios ocupados por décadas? nem pensar, a história é outra. Shimon Peres apelou para a expulsão do Irão da Assembleia das Nações Unidas (“a country "that calls for acts of terror" and "hangs people in the streets" cannot be a full member”) e insurgiu-se contra aquilo que chamou de apenas “sanções morais” contra aquele país. Biden respondeu assegurando que “os EUA estão determinados a todo o custo a impedir que o Irão venha a adquirir armas nucleares”. A partir deste ponto sucede-se uma grande azáfama de acções de contra-informação.

A secretária Clinton faz uma espécie de “ultimato” sobre o perigo que correm as relações bilaterais Israel/EUA, Netanyahu finge que tem medo e aceita suspender durante 2 ou 3 meses a construção de colonatos e Washington envia o secretário do ataque Robert Gates à Arábia Saudita prestar informações sobre o que se irá passar, enquanto Joe Biden derivou para a Jordânia para acalmar a dinastia hachemita do Rei Abdullah. Grandes manobras. Dos planos sobre o que se vai seguir é que ninguém sabe nada – excepto mais um dos actos de terrorismo verbal do presidente da seita israelita. Citando (do jornal I de hoje, pag 10, sem link) Shimon Peres: Ahmadinejad é um ditador. Tem a ambição de criar um império, tem uma organização terrorista e ameaça destruir Israel” (…) Obama tem um problema com a sua consciência (…) Ahmadinejad quer estabelecer a hegemonia Persa no Médio Oriente" (…) tão longe e tão perto… “a Faixa de Gaza está debaixo de domínio Iraniano!" - é isto um homem... de Estado?

* leitura recomendada: o artigo de James Petras "Iran War: American Military Versus Israel Firsters"

o lugar do Irão na geo-estratégia do Médio Oriente
(video do canal Telesur)


a América do Sul dispõe hoje em dia de canais de informação verdadeiramente mais livres que nós aqui na Europa. Não é lamentável que o velho continente, de onde em tempos partiu a ideia de iluminar o mundo, esteja hoje de novo submerso em trevas? que estranhos caminhos percorreu a teórica bondade iluminista para descambar nos crimes praticados pela máquina civilizacional imperialista? de facto o paradigma converteu-se numa nova cruzada religiosa
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domingo, março 14, 2010

ainda o Dia Internacional da Mulher (III)

Honduras, 8 de Março - não há conciliação

Nesse día as militantes do movimento feminista e mulheres da Resistencia das Honduras, da América Latina e do Caribe, convocaram uma manifestação na Plaza de la Merced em Tegucigalpa para proclamar os direitos das mulheres. Num acto provocador as autoridades do "Instituto Nacional da Mulher" dirigido por dona Maria Antonieta Botto convocaram outra acção junto ao Congreso Nacional ocupado pelo regime golpista a partir de onde cortaram a energia eléctrica e entre empurrões, golpes e pontapés reprimiram o grupo promotor da manifestação original

sábado, março 13, 2010

contributo para a história da autonomia

Diz mm no vias de facto que “por vezes é a estrutura da organização social que determina as verdadeiras estruturas económicas, e não o inverso”?
Ainda que Bourdieu teorize que todos os agrupamentos sociais são levados, face à complexidade crescente, a criar o mesmo tipo de mecanismos de organização (o fazer teológico, tanto no sport lisboa e benfica como na comunidades de produtores autónomos bascos? E não depende das verbas que lhe são adstritas? como se determina a sustentação da nossa plêiade de artistas com um orçamento de 1% do pib que o ministério da cultura lhe dedica? O terciário não cria valor; só existe e é subsidiado pelos sacerdotes do regime na medida em que produz alienação sobre as massas a dominar, é um serviço; de outra forma seria perfeitamente integrado nas linhas colectivas de produção social.

Como não será dificil de compreender, desde a propriedade comunal colectiva primitiva, nas actuais condições complexas civilizacionais qualquer destes grupos não produzem bens essenciais à prossecução dos direitos humanos. Outras bases têm de estar resolvidas antes para o poderem fazer. E desde sempre nunca é a organização social que primeiro determina as estruturas económicas, mas sim as bases materiais onde assenta o trabalho que modifica a natureza em favor da sobrevivência dos homens.

É assim desde os assentamentos colectivos que abandonaram o nomadismo e se fixaram sobre a cultura da terra. O que acontece com a colonização romana (ou outras posteriores noutras circunstâncias) é o estabelecimento do “municipium” em que a terra é propriedade comum dos munícipes em cuja Assembleia está a origem da autoridade plenamente consentida. Este sistema na res-pública garantia a unidade da molécula social e não a independência da propriedade individual. (Engels dissecou historicamente a questão nas “Origens da Propriedade, da Família e do Estado”). Mas a comunidade de filósofos e artistas na urbe não é auto-sustentável; depende do que os romanos designaram por “tributas”, o que traduzido hoje à letra significa ”arrabaldes” (onde se assentam os que produzem). No essencial para caracterizar o sistema temos a posse das terras e a hereditariedade nos cargos. As causas gerais provocadas por ameaças externas (como a partir do 11 de Setembro com Bush) fizeram com que em Roma fosse gradualmente sucedendo ao governo dos magistrados e leis, o governo de generais inspirados pelas urgências da “razão de Estado”.

Esta foi a base fundadora dos “curadores” dos interesses da nação, que se foi convertendo nas assembleias de proprietários, as Cúrias medievais que desenharam o regime feudal de propriedade. Como evoluíram os sistemas imperiais no tempo? – “claro está que, dados terrenos férteis e uma agricultura reprodutiva, a distribuição do “imposto” (tributas) não é gravosa. Suceda porém o contrário; fiquem terras por cultivar, e a solidariedade dos “curiais curadores” para com o Fisco tornar-se-á num sistema de extorsões violentas” (1)

(1) a citação é da "História da República Romana" de Oliveira Martins
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sexta-feira, março 12, 2010

A nossa terra prometida é o Mundo








Face à visita do vice-presidente dos EUA Joseph Biden a Israel a imprensa tem divulgado e dramatizado a suposta condenação do Estado Sionista em virtude da pré-intenção de construir mais um Colonato em Ramat Shlomo na área árabe de Jerúsalem. Que pensar? Que Israel tomou a decisão de construir mais 1600 casas e depois chamou Biden para lhe impôr uma espécie de autoridade “independente” dos 30 mil milhões de dólares de ajuda anual dos EUA ao país? – Posto de surpresa perante a provocação, pode o incauto leitor de jornais imaginar o desconforto do mais alto cargo da administração Obama a visitar Israel - situação aliás realçada pelo próprio cabeçalho da nota apensa pela Embaixada dos Estados Unidos em Telavive: a parceria entre os dois paises sai endurecida desta visita do vice-Presidente Biden. Mais títulos: “Tensão no Médio Oriente: Biden condicionou o progresso da paz no Médio Oriente a que Árabes e Muçulmanos se entendam. (Moderados colaboracionistas com a ocupação e radicais que exigem o direito de regresso aos refugiados e a implantação dos 2 Estados previstos na resolução da ONU de 1947). Têm de se entender sobre isto tanto como têm de entender "a solidez das relações entre Wasgington e Telavive (...) Haverá progressos no Médio Oriente quando todos souberem que simplesmente não existem brechas entre os Estados Unidos e Israel quando se trata da segurança israelita”. Entendidos? E sugeriu estar à disposição da Autoridade Nacional Palestina de Abbas e Israel para iniciar negociações indirectas sob mediação norte americana. Quem não estiver disposto a aceitar a conciliação com os assassinos de centenas de milhar de palestinianos sabe o que os espera.

Dito pelas palavras escritas do insuspeito jornal Público: “O inquérito sobre o assassínio de um líder do Hamas no Dubai mostrou que a Mossad israelita “está 99 por cento, senão mesmo 100 por cento” por trás deste crime. Responsáveis do Hamas em Gaza acusaram entretanto membros da Fatah, do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, de terem colaborado com Israel para matar Abdel Raouf al-Mabhouh”. Portanto, pensou Joe Biden, teremos “negociações” com todos aqueles que não conseguirmos abater”; como tantas outras que de igual modo se têm processado durante décadas sempre com os mesmos resultados: a ruptura e a afirmação do mesmo “destino manifesto” que inaugurou a fundação dos Estados Unidos, sob os seus dois lemas fulcrais, “America first” ( ou Israel First, como se fossem os únicos povos na terra eleita) e “My country wright or wrong” um autêntico hino ao militarismo e à compra e venda de armamemto. Estados Unidos e Israel, poderão duas gotas de água ser mais parecidas?
Não podem portanto restar dúvidas sobre o “quem é quem” neste processo... - depois de posto ao corrente da autorização para os novos colonatos Biden reagiu e condenou o expansionismo sionista (sem empregar o termo). Para saber mais do que dizem os media oficiais bastará seguir os passos da visita e os interlocutores de Biden, realçando a saudação à chegada a Telavive dirigindo-se ao presidente Shimon Peres: “It's good to be home!”

(o restante do discurso, deveras esclarecedor, será traduzido amanhã). Para já fica a impunidade do discurso de um espectro sem alma que vagueia por detrás da desumanização do planeta Terra, o interlocutor sionista de Biden que tem a ousadia provocadora de afirmar: “Graças ao nosso talento, os nossos contactos e ao nosso dinamismo, chegaremos a qualquer sítio”. É uma mensagem assustora. Tanto quanto as hordas de Hitler tentaram o controlo do Mundo pelas armas, assim as hordas sionistas o tentam fazer pela emissão de dinheiro sem qualquer relação com o seu valor material. Shimon Peres reconhece abertamente que Israel está a tentar fazer o controlo de diversos paises: “Sim, estamos comprando tudo o que podemos, a Roménia, a Polónia (...)”

quinta-feira, março 11, 2010

a salvação do planeta dos ricos

Cavaco ao minuto 17 chegou ao que aqui se disse logo à 4ª linha do post de ontem, acrescentando-lhe um "superior" - "O superior interesse nacional", claro; (pode explicar melhor? uma vez que desde que reapareceu vivemos pior?); mas onde a imprensa pega de imediato nas suas boas intenções é no mote "A minha preocupação é o elevado índice de desemprego". A sério? a nossa também. Mas a pergunta correcta que seria suposto ao chefe-de-fila dos gestores politicos responder, é outra: quem vai comprar os produtos que os trabalhadores produzirem? Obviamente, clientes da área politica do nosso presidente da república não faltam (2)... a avaliar pela imagem da Grécia... áh, e já nos esquecíamos: Cavaco também garantiu que a cooperação com o Governo "está viva"

“Um pouco à semelhança da banca, um país é «demasiado grande para abrir falência» (1). Por isso também é salvo, mas ao país far-se-á pagar caro essa sobrevivência.
a Goldman Sachs ajudou a Grécia, em segredo, a obter crédito no valor de milhares de milhões de euros. Depois, para contornar as regras europeias que limitavam o nível da dívida pública, a firma de Wall Street aconselhou Atenas a recorrer a engenhosos artifícios contabilísticos e financeiros. A factura destas "inovações" veio em seguida adensar a volumosa dívida grega. Quem ganha, quem paga? Lloyd Craig Blankfein (3) o presidente do conselho de administração da Goldman Sachs, acaba de receber um bónus de 9 milhões de dólares; os funcionários públicos helénicos vão perder o equivalente anual a um mês de salário”.
in "O Crime Compensa", Serge Halimi, no Le Monde Diplomatique, Março 2009,

(1) Laurent Cordonnier: «Pode um país abrir falência?»
(2) ver em "o Pequeno Mundo das Grandes Fortunas"
(3) o judeu novaiorquino Lloyd Blankfein é politicamente oriundo da mesma escola que tem formado todos os dirigentes da Reserva Federal, desde Paulson a Bernanke (ver biografia)
relacionado:
* os "empresários" que mais têm contribuido para a destruição do tecido de comércio/consumo tradicional do país em beneficio das grandes multinacionais, estão na lista de bilionários da "Forbes"
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quarta-feira, março 10, 2010

Alô Presidente

Ninguém põe mais ênfase no “reforço dos poderes presidenciais” que Aguiar Branco, o mais que presumível promitente comprador da chefia do PSD. Claro que a ideia irá diminuir a importância dos Partidos face ao “interesse nacional”.

Como o PSD na prática já não existe (visto ao tele-microscópio nota-se uma azáfama aleatória de glutões fora de prazo, já sem qualquer efeito na roupa suja); e assim sendo, fazendo o pino ao que foi o cavaquismo, teremos, se vencer a tese, aquilo que já se vai vendo com Sócrates; e poderá chamar-se no lugar de de São Bento, a chancelaria do Presidente. Ora para filmar este guião Cavaco anunciou o inicio da campanha eleitoral com uma sit-com familiar em Belém.
Se Hugo Chávez, embora atabalhoadamente cita Marx messiânica-mente para a FénixTV, Cavaco pela interposta pessoa do repórter citou (a condizer com o estilo “belle naperon” da 1ª Dama da Corte de D. João VI)… a cozinheira do Palácio!; e ela não se fez rogada:
- "Então Dona Gertrudes (nome fictício) já cá está há muito tempo?
- … vai fazer 40 anos, ainda sou do tempo do senhor Américo Tomás.
- e quais são as diferenças? Este presidente, do que é que ele gosta?
- Comida tradicional portuguesa; Ele é de muito boa boca, come tudo o que lhe pomos à frente".
Por um momento perpassou pela audiência uma perplexidade – seria mesmo a Cozinheira, ou um Holograma do secretário geral da NATO que estava a ser entrevistado?

Cavaco, Gama e o Chanceler Sócrates: os Três Poderes

Retratado por Philippe de Champaigne (1602-1674) a pintura é uma ampla tratadistica sobre a tripla apresentação a partir do real ao centro em A, a imagem da esquerda que expressa a mímica facial B, e a da direita com a expressão dos sentimentos em C.
Só lhe falta, como na pintura do Duque de Richelieu, uma inscrição sobre a cabeça central “Celui cy...plus/resemblant au naturel”, que nos indicasse que seria essa a representação mais verosimil, conquanto toda a Corte Neocon saiba que a que vale é a inserção colocada à extrema sobre a direita: “Des ces deux profilz celui/ cy est le meilleur”. Aproveitando a visibilidade do cargo e os meios postos ao dispôr, a campanha eleitoral do Presidente prossegue hoje à noite no canal do Estado RTP1. Passe a publicidade...

a arte de contar estórias: a Palavra e a Publicidade

Judite Sousa será mais um mimo de imparcialidade pivoteira: "Conheço bem a pessoa. Escrevi sobre ele no meu livro” (24 Horas) - intervalo - “Se você busca a verdade, beba cerveja Heineken. Quer autenticidade? Fume cigarros Winston. Busca a rebeldia? Compre uma máquina Canon. Está inconformado com a situação do mundo? Coma um hambúrguer no Burger King. Deseja afirmar a sua personalidade? Use um cartão Visa. Hoje em dia, a publicidade tem a seu cargo o dicionário da linguagem universal. Se ela, a publicidade, fosse o Pinóquio, o seu nariz daria várias voltas ao mundo”. O texto é de Eduardo Galeano
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terça-feira, março 09, 2010

Dia Internacional da Mulher (II)

A criação do Dia Internacional das Mulheres não tem qualquer vinculação com eventos de greves ou do incêndio ocorrido na fábrica têxtil novaiorquina dos empresários judeus Max Blanck e Isaac Harris (que como forma de repressão a uma longa greve das operárias trancaram as portas e incendiaram deliberadamente o edificio causando 146 mortos (1). Não houve greves heróicas, nem em 1857 nem em 1908, especificamente vinculadas à condição feminina; Nesses anos houve apenas um movimento emancipatório das condições atrozes do trabalho feminino.

No dia 3 Maio de 1908 em Chicago o jornal mensal “The Socialist Woman” noticiava a reunião no Garrick Theather presidida pela militante socialista Corinne S. Brown de 1.500 trabalhadoras denunciando a exploração e a opressão das mulheres, que reinvindicavam o direito à igualdade de salários e o direito ao voto igual ao dos homens. Em 1910, os jornais noticiaram a comemoração do “Woman's Day” em Nova York, no dia 27 de Fevereiro de 1910, no Carnegie Hall, com 3.000 mulheres, onde se reuniram as principais associações a favor do sufrágio universal, que culminou uma longa greve que durou de Novembro de 1909 a Fevereiro de 1910, ou seja, terminou duas semanas antes de 8 de Março. Em Agosto desse mesmo ano reuniu em Copenhaga a Segunda Conferência de Mulheres Socialistas presidida pela dirigente socialista alemã Clara Zetkin que propôs “uma comemoração anual de mulheres, seguindo o exemplo das companheiras americanas", sem a indicação de uma data específica. O incêndio na Triangle Shirtwaist só aconteceria no ano seguinte, a 25 de Março de 1911. Nesse ano, uma semana antes, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de Março por mais de 1 milhão de pessoas na Alemanha, Áustria, Dinamarca e Suiça.

Em 1913 na Rússia ainda sob o regime czarista, foi realizada a Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo sufrágio feminino em Petrogrado sendo as participantes alvo de repressão. Em 1914 com a eclosão da guerra na Europa as principais organizadoras da Jornada das Mulheres na Rússia estavam presas, o que tornou impossível a comemoração ou qualquer espécie de manifestação pública. Na Alemanha o evento tinha sido nesse ano comemorado a 8 de Março. Contudo com o agravamento das condições sociais foi a luta dos socialistas contra a guerra que ganhou preponderância. Em Fevereiro de 1917, na Rússia, grandes manifestações sairam às ruas em Petrogrado. Eram manifestações contra a guerra, a escassez de alimentos e a fome. Ao mesmo tempo, operárias do sector têxtil entraram em greve. Estava-se no dia 23 de Fevereiro (que corresponde ao dia 8 de Março no antigo calendário ortodoxo), quando se comemorava o Dia Internacional das Mulheres na Rússia. Essas manifestações cresceram, envolveram outros grupos, duraram vários dias e deram início à Revolução Russa. A mobilização de mulheres precipitou as mobilizações que a tornaram vitoriosa.
Alexandra Kollontai, dirigente feminista da Revolução Socialista, escreveu sobre o facto e sobre o 8 de Março, dizendo "O dia das trabalhadoras em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro, no antigo calendário) foi uma data memorável na história (...) A revolução de Fevereiro começou nesse dia". O facto também é mencionado por Leon Trotski, na “História da Revolução Russa”: “era o Dia Internacional da Mulher, estavam programados actos públicos, reuniões e comicios. Mas não se podia imaginar “que o Dia da Mulher pudesse despoletar a revolução”. Tinham sido previstas acções revolucionárias contra o czarismo, mas sem data programada. Mas apesar das proibições, nessa manhã as operárias têxteis, as mais exploradas e oprimidas, deixam o trabalho em várias fábricas e enviam delegadas para solicitar o apoio à greve... “o que se transforma numa enorme greve de massas.... e descem todas corajosamente às ruas de Petrogrado atingindo o número de 90 mil, a maioria mulheres, uma vez que os homens se encontravam maioritaritariamente na frente de guerra". Nesta narrativa fica claro que as mulheres foram as principais agentes mobilizadoras, e a revolução foi desencadeada por elementos de base, cujo desespero conseguiu superar o medo das directivas das administrações das fábricas. Por fim documentos da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas realizada em 1921 lê-se que "uma camarada búlgara propõe o 8 de Março como data oficial do Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas". Assim, a partir de 1922, o Dia Internacional da Mulher passou a ser celebrado oficialmente no dia 8 de Março. Por esta sequência de motivos e não por outras conotações como erroneamente se quer fazer crer. (2)

Concluindo, se os herdeiros do movimento soviético não têm hoje o direito de reinvindicar a herança de emancipação da Mulher, muito menos o têm por razão factual histórica, os derivados da “democracia americana”. Ou dito de outro modo, as actuais condições de agravamento das condições dos trabalhadores pelo “mercado-ao-modo-americano” são precisamente herdeiras da destruição do contra-poder dos Comunistas na Europa.
A história do Dia Internacional da Mulher tem vindo a perder-se vítima da canibalização do movimento socialista pelos ideólogos de serviço ao regime neoliberal. Porém, recuperar e recontar a verdadeira história será sobretudo reafirmar o contributo das lutas das mulheres inserida na luta pela transformação geral da sociedade.
Na URSS o dia 8 de Março era feriado nacional e na Rússia actual continua a ser, apesar de já ter perdido toda a vertente política. Hoje, lá ou aqui, a data é conotada com qualquer coisa parecida com demonstrar o carinho e amor pelas mulheres, uma mistura do Dia da Mãe com o Dia dos Namorados, enfim, é a vida, ou para as mulheres da dita, um mero pretexto de mercado para uma simples queca de ocasião. Daquelas emancipatórias, decerto. (3)

Fontes:
* Renée Côté, “La Journée Internationale des Femmes”
* Ana Isabel Alvarez Gonzalez, “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres” Editora Expressão Popular, São Paulo, 2010.
Notas
(1) Ver versão em inglês do Incêndio na “Triangle Shirtwaist Factory”
(2) Na Wikipedia na versão brasileira que serve de fonte abastecedora para a imprensa de cordel, pode ler-se: “no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, por iniciativa de Clara Zetkin, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU”- mas a greve de Nova York, em 1857, quando teriam morrido mais de cem operárias queimadas, nunca existiu, nesse dia.
(3) ver “Sugestões” no Expresso
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segunda-feira, março 08, 2010

Dia Internacional da Mulher

e o melhor titulo comemorativo do dia vai para... o Público: "Kathryn Bigelow: Óscar para a mulher que filma machos alfa" (link)

a crónica evocativa da menina Rosália Amorim no Expresso também não lhe fica atrás em cretinice pacóvia pró-americana: "a celebração deste dia foi instituida em 1910 em Copenhaga no culminar de um movimento de manifestações em Chicago, Boston e Nova Iorque" - como se explica 1910 se "o grande acontecimento" que normalmente é tocado erroneamente pelas trompetas dessa área politica como fundador do evento só aconteceu em 25 de Março de 1911? (o incêndio da fábrica têxtil Triangle Shirtwaist em New York). Vamos lá ver se a génese não é outra...

No principio do século XX com 8 milhões de potenciais trabalhadores alistados nas forças armadas em rota para a intervenção na guerra a partir de 1914, tinha chegado o tempo para as mulheres "terem o prazer" de partilhar a força de trabalho indispensável. As condições eram aliciantes: 16 horas de trabalho diário, um terço do salário de um homem para executar o mesmo tipo de trabalho, portas de segurança das fábricas trancadas para evitar que as mulheres roubassem materiais. Apesar das lutas dos movimentos socialistas na América, seriam outros os acontecimentos que fundamentaram a celebração do Dia Internacional da Mulher. (Continua) ...

noite de óscares e escolhas culturais

Hollywood, como sabemos e nunca é demais lembrar, está em decadência. O grande espectáculo e o show-bizz transferiu-se em peso para Washington e para Televisão, não necessitando a (a)Politica actualmente de quaisquer outros mediadores.

A cerimónia do Kodak Theatre tornou caquética, mera passarelle de indumentárias para ser relatada ao estilo carlos castro. Mais ao resto já sabemos também no que sempre deu: Para além do mestre universal de todos eles; "Limelight" ou alguma das obras de Charlie Chaplin, o "Citizen Kane" de Orson Welles (1941), a "Laranja Mecânica" (1971) e nenhum dos outros filmes de Stanley Kubrick, "Taxi Driver" (1976) ou "Toiro Enraivecido" de Martin Scorsese, ou "Pulp Fiction" de Quentin Tarantino (1994), nunca ganharam a estatueta que distribui corôas comerciais sobre as cabeças que interessam à indústria cultural imperialista em busca da hegemonia global. Por entre a imensa palha do mais omisso, um conselho avisado será o de aproveitar as bandas sonoras, entre elas a melhor de sempre que se pode, entre muitas outras, ouvir neste sitio: a música de Maurice Jarre na honesta biografia de Lawrende da Arábia realizada por David Lean (1962).

na foto: Errol Flynn e Olivia De Havilland em "The Adventures of Robin Hood" (1938). Havilland para além do óscar nesta obra ganharia mais sete, entre eles por filmes de apologia a epopeias de conquista como "Captain Blood" e "The Charge Of The Light Brigade". A ascenção de Hollywood na sua época áurea pôs o mundo inteiro a sonhar com românticos beijinhos piegas, campanhas heróicas e castigos exemplares às malvadezes terrenas. Mas perdidas as ilusões, sabemos hoje, por detrás destes conceitos simples, a vanguarda cultural da indústria cinematográfica neutralizou milhões de alminhas ingénuas, abrindo caminho seguro para "a bondade" das acções dos exércitos imperiais de ataque e rapina que avançavam. Uma chuva delas, das quais só se percebiam os arco-iris... (a doutrina da terra prometida)



melhor filme: "The Hurt Locker" (os Bloqueadores de Engenhos Danificantes). Melhor produção estrangeira: "Los Iraquíes acuden a las urnas apesar de las bombas de Al Qaeda" (ElPaís)

e finalmente, a vida real:
apesar disto, segundo o "I", "cerca de 50 por cento dos iraquianos votaram..." - nada de muito fora do vulgar em comparação com outros paises libertados e "democratizados" socialmente pelas respectivas burguesias alugadas ao imperialismo desde bem mais cedo, onde também apenas 50 por cento votam (fonte)
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domingo, março 07, 2010

“pensar” o vazio do homem desaparecido na dívida

"O candidato à presidência do PSD, José Pedro Aguiar Branco, acusou hoje o governo socialista de ter colocado o país "nas mãos dos credores internacionais", frisando que a dívida pública "cresceu 1,8 milhões de euros por hora" em 2009"

Usando as novas Tecnologias do Poder, as intenções explicativas dos seus agentes pretendem conduzir-nos à compreensão (nos discursos e das acções implícitas) resultado da convicção dos actores que os seus interesses não são o factor determinante da acção social (1): ao dar conta que a acção prossegue, em geral, um rumo muito sinuoso entre as diversos grupos e interesses que aparecem (e só quem aparece na televisão e nos jornais existe) em situações pseudo dramatizadas onde os objectivos e os efeitos raramente coincidem, em que se é levado a negar a pertinência de uma analítica dos interesses (assumidos pelos agentes da acção) e se considera que “tudo se joga ao nível das necessidades estratégicas agindo sob a coacção de “dispositivos globais” que obedecem a uma estratégia sem sujeito e a necessidades estratégicas que não são propriamente interesses” (Foucault, 1977)

Evidentemente, quando os agentes do poder&oposição se dirigem às massas televisivas e falam em “interesse nacional” é mentira – é mesmo os interesses próprios dos agentes que empregam os fautores do discurso oficial que estão em causa.
Mix-baralhando ainda mais as imagens, quando os deputados de um “país em crise” perdem duas horas e meia a falar com uma alucinada imagem tele-tablóide torna-se ainda mais difícil perceber-se patavina. Ou talvez não... Saldanha Sanches: “o silêncio conivente e envergonhado de Manuel Alegre a respeito da 'Face Oculta' é de uma grande eloquência. Ficamos a saber qual é o PS cujo apoio ele pretende”. Acção de grupo de "desinteresse apartidário", segundo Marinho Pinto: ""O poder judicial está, neste momento, empenhado em derrubar o primeiro-ministro. Alguém tem dúvidas disso?" (fonte)

O endividamento externo de Portugal ultrapassa os 100% do PIB. Uma vez que os portugueses estão a viver regra geral na sua grande maioria cada vez pior, em nome de que lucros e dos interesses de que classe social foi contraída essa dívida? qual o caminho a seguir?

Democracia, Endividamento e Interesse Nacional

93% dos islandeses votaram ontem (2) contra o pagamento da dívida de 3,9 mil milhões de euros, equivalente a dois terços do PIB da Islândia, relativo aos depósitos para compra de acções feitos por 340 mil cidadãos britânicos e holandeses no banco online ‘Icesave" (subsidiário do Landesbanki), que perderam todo o dinheiro investido quando o sistema bancário islandês entrou em colapso no final de 2008. (DN)
Caso a população islandesa em peso não tivesse manifestado a sua indignação e obrigado o governo a fazer o referendo, cada família pagaria 347 Euros por mês durante oito anos, com base na frágil afirmação que cada contribuinte na Islândia, deveria pagar pela falência de um banco privado que estava a fazer negócios além-mar. Ora, por favor!... (Resistir)

(2) "é um precedente perigoso", comentou José Manuel Fernandes no twitter. Se ele o diz é porque os islandeses estão certos
(1) Sobre o Soarismo ler http://5dias.net/2010/03/07/os-combates-de-mario-soares/
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sexta-feira, março 05, 2010

PSD Aguiar-em-Branco?

Apesar de até o soba da ilha já ter percebido que Sócrates é o único sustentáculo possível para continuar a levar a cabo a politica da direita neoconservadora, não há cão nem gato “no maior partido da oposição” que não queira ser primeiro ministro. É como uma espécie de pensamento mágico de Alices múltiplas debruçadas sobre o buraco negro onde se teria enfiado o coelho - aka o vazio que reflecte Santana Lopes – ou todos juntos, “esquerda&direita”, a ausência de imagem, reduzida ao negro, que Duras viu no l´Homme Atlantique. No reality-reino da fábula como pano de fundo em branco para quem assiste à representação (João César Monteiro na “Branca de Neve” pendurou-lhe o casaco na câmara de filmar e voltou tudo a ser negro de novo), aos do PSD cheira-lhes outra vez a aventura, embora não haja gato escaldado que já não saiba o que é que a casa gasta. Passando ao lado das diversas nulidades (só Aguiar-Branco interessa, porque foi o único convidado do “dono do partido” Pinto Balsemão à reunião da sociedade secreta Bilderberg no ano passado para ser instruído na metodologia a seguir) o editorial da revista Sábado põe ênfase nas actividades extra-parlamentares ao jeito “vou ao Bilderberg sim, mas o que é que eu ganho com isso?”, assim:

“Aguiar-Branco não é um advogado igual aos outros (é candidato a governar o país), tem a obrigação de se certificar de que a empresa que possui quando assina um contrato com outras instituições não o faz com o Estado, não tem negócios com o Estado e não opera em áreas sobre as quais o PSD tenha apresentado propostas legislativas. O negócio foi conhecido esta semana entre a “José Pedro Aguiar-Branco, Advogados, RL” e a empresa pública Parque Escolar. O escritório do deputado líder parlamentar do PSD foi escolhido para prestar serviços no valor de 75 mil euros por ajuste directo. O mesmo tipo de negócio que o PSD tem andado a criticar quanto à compra pelo governo PS dos computadores “Magalhães” no ano passado; feita também pelo mesmo ajuste directo. A questão dos deputados e os negócios privados é uma falta de vergonha. Quando adquirem visibilidade significativa o leit motiv não varia - não é a tanga de governar o país, é governarem-se no país. Como diria o outro, já estamos fartinhos de comentar isto: «Tenham dó, tenham piedade...»
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quinta-feira, março 04, 2010

uma questão de valorizar dólares

repare-se como a mãozinha dele agarra o problema... oito anos depois do golpe neocon, já não se trata de atingir as metas da "Estratégia de Lisboa" que visava o pleno emprego, a erradicação da pobreza, converter a União Europeia na economia mais competitiva do mundo em 2010 e etc, etc... agora trata-se de novas balelas com novos objectivos para 2020. De chuto em chuto de data para a frente, os beneficiários continuam a ser sempre os mesmos... os que pagam o pleno emprego do Barroso alcandorado a um cargo para o qual não foi eleito por mais de 800 milhões de pessoas (13% da população mundial) que estão a ser usadas e deliberadamente empobrecidas como grupo coeso em função de interesses que não são os seus.

"Como consequência da debilidade da sua recuperação económica e do efeito de contágio da crise fiscal que atravessam alguns dos seus integrantes, a União Europeia transita pelol pior momento histórico desde a sua criação; e os perigos de desmembramento e de de ruptura da sua moeda já ocupam o centro do debate"

podem crer,,, as minhas contas aritméticas vão fazer de vocês todos estúpidos…
se só houvesse 2 dólares no mundo inteiro, como é que eu posso emprestá-los com juros e obter 3 dólares de volta? (bom, tanto pode ser 2 como 3 milhões de dólares; o principio é exactamente o mesmo) claro que… isto pode ser muito dificil de entender por idiotas formatados pelo “ensino” ao serviço do paradigma corporativo do patronato



Aqui continua o pequeno porquinho, Eddie Rothschild, a explicação dos engenhosos e criminosos truques através dos quais os banqueiros defraudam o povo e as possibilidades de adquirirem os seus rendimentos, sem que sejam espoliados de enormes valores.
Swindling the Goyim parte 2

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quarta-feira, março 03, 2010

na lota com os blogues de famosos

"esquerda" baixa, "direita" em alta; mal ou bem, o que interessa é que falem de nós...

“Nos últimos tempos a direita jornalística, ajudada por alguma esquerda conservadora, tem vindo a tentar passar a ideia de que as últimas eleições legislativas foi um golpe de estado, alguém descobriu que um blogue (SIM.plex) com três ou quatro mil visitantes teve um papel determinante no resultado eleitoral, pelo que a mera participação nesse blogue é motivo de suspeita, todos os que nele escreveram, excepto um dos membro que traiu a confiança dos amigos e passou cópias de emails pessoais à comunicação social, são presumíveis criminosos.

Apenas os delatores são boa gente (...) Como o jornalismo está a ser alimentado pela devassa da vida privada, pelo regresso ao tempo da bufaria e pela traição dos amigos fico agora à espera que Paulo Pinto Mascarenhas use o ‘i’ para denunciar os seus colegas do blogue “31 da Armada” que assaltaram a Câmara Municipal de Lisboa e roubaram a bandeira nacional, até pode ser que algum colunista do mesmo ‘i’ tenha trocado mails com os perigosos criminosos e os use para o ajudar a identificá-los” (o Jumento)
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terça-feira, março 02, 2010

"não retiro nada do que disse"...

porque eu nunca soube de nada. Não fiz parte da decisão politica que optou pela desmontagem do Estado Social; somos social democratas, não tenho nada a ver com o governo Socialista

a Grécia com 0,3 biliões de euros de capital em risco pode ser salva mediante uma intervenção concertada entre vários Estados; Fala-se no risco de falência dos PIG´s como se fossem todos iguais (Portugal, Italia, Irlanda, Grécia e Espanha); ora bem: mas quem salvará um país economicamente gigante como a Espanha ou a Itália? ("o Euro a Duas Velocidades")

No assunto do dia, a Educação, a pedra-de-toque do sistema, que vem puxada a titulo de jornal, crónica e editorial, lê-se que "a quebra de natalidade fez diminuir o número de jovens (ter um filho é dispendioso; honesto é que esta geração não pretenda ter filhos precários), mas apesar disso, entre 1998 e 2008 mais 36 mil alunos passaram a frequentar o ensino privado, enquanto no mesmo periodo a escola pública perdeu 135 mil alunos"(Público). É uma marca de classe; contrariando a liberdade de escolha e o mérito demonstrado no que se aprende, viciando a formação social, não "se deixa os putos em sossego" (Roger Waters); só aprenderão a possibilidade de obter formação profissional rentável (de acordo com as "necessidades do mercado") aqueles sortudos cujos papás tiverem dinheiro para pagar os cursos. Nos EUA o banco empresta com juros, que emigrem, ou importem o sistema.



Depois de pensar nestas coisas, o comentador P.Lomba dá a volta ao texto e exorcisa-se recitando a apologia do provérbio popular "quem nasce pobre tarde ou nunca se endireita", assim: "Na Europa os portugueses estão no fim da tabela no que respeita à ascenção de classe. Isso significa que a condição de pobre ou remediado por cá é persistente ou imutável. Só à custa de um acaso (hellas, o euromilhões, entre nós uma das receitas mais elevadas da Europa) é que uma pessoa pode acabar por se libertar do meio onde nasceu". Segue-se a lenga lenga do "projecto que requer uma educação mais diferenciadora, responsabilizadora e aberta". Mérito na possibilidade de ascenção dos melhores e Escola pública subsidiada pela Sociedade é que nada
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