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quarta-feira, dezembro 31, 2014

balanço do ano (II)

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internacional
primeira noticia positiva do ano: a Palestina entrará no Tribunal Penal Internacional de Haia, onde acusará Israel de crímes de guerra, segundo declarou o presidente Mahmoud Abbas ao assinar o Estatuto de Roma.
e a mais negativa:
Os Estados Unidos acabam de vetar no Conselho de Segurança das Nações Unidas a resolução que reconhece a Palestina como Estado

balanço do ano

O que pretendem devedores e credores os que fingem que acreditam  que o pacto da UE vai ser cumprido? cobrar mais juros e comissões, que é aquilo de que vive a casta que usurpou o poder
Espanha acaba com estaçãoTV do Podemos

e a Dívida pública real continua imparável. Há uma dívida pública oficial, que rondava os 225.175 milhões de euros em Outubro (129% do PIB), mas depois há a outra, cerca de 45,5 mil milhões devidos pelo universo das empresas públicas. Um problema grave à luz do pacto europeu. No total o Portugal da casta governativa deve 280.557 milhões de euros. As taxas de juro de mercado - as mesmas que atiraram Portugal para o resgate da troika - afundaram de forma abrupta desde o início deste ano. A taxa das obrigações a dez anos deslizou de 6% para menos de metade (2,7%, a cotação mais recente). Apesar das taxas de juro do Banco Central Europeu terem descido de 0,25% para 0,05%, o valor em juros está a subir quase 5% mas a economia vai crescer (se crescer) em 2015 apenas 1,5%. Juros que só um país rico conseguiria pagar. Aliás, os paises ricos são ricos porque não pagam, recebem. Em 2013, foram pagos 7,9 mil milhões de euros em juros e encargos. Este ano serão desembolsados 8,3 mil milhões. Isto equivale a 4,8% do PIB, justamente o valor do défice anual estimado pelo próprio Governo para 2014.

Desde 2011, o total do património público privatizado atingiu 8.435 milhões de euros. Foram suprimidos mais de 27 mil empregos públicos. Devido ao varrimento das estatisticas e ao emprego sazonal houve menos 119 mil pessoas sem trabalho. Mas em Outubro o desemprego subiu novamente até aos 13,4%. O índice do Banco Central em Novembro voltou a terreno negativo, com uma contração da economia de 1,2%. Uma ameaça latente para o mercado de trabalho, que reage sempre com atraso à degradação da conjuntura. O Governo fez os orçamento de Estado e diversas revisões esperando um crescimento real de 1% este ano e de 1,5% em 2015. O crédito bancário à economia real continua a cair, o investimento total é salvo por uma entrada significativa de capitais estrangeiros destinados preferencialmente a nova bolha de especulação no imobiliário para ricos. Do que trata o défice é da diferença entre os que recebem a mais num lado e dos que recebem a menos noutros lados - há menos 65,5 mil beneficiários de subsídio de desemprego, menos 50,5 mil titulares de abono de família, menos 24 mil no RSI e menos 38 mil idosos pobres a receber o CSI. E até há menos pensionistas de velhice, uma tendência nova determinado pela perda de direitos nos contratos de trabalho precários. A esmagadora maioria (90%) dos trabalhadores portugueses recebe menos de mil euros mensais. Mas "o país está muito melhor", ouve-se nas chacotas das bancadas do poder. E continuam a chegar mais prejuizos encobertos do BPN - os do BES ainda não fazem parte deste balanço (Dinheiro Vivo)

segunda-feira, dezembro 29, 2014

as luvas e os blindados submarinos

O senhor da foto é o advogado-homem-de-negócios-e-membro-de-governos. Protegido de Paulo Portas, eis aqui Paulo Núncio, discorrendo sobre a vida em águas profundas.

"O concurso público para a compra dos veículos anfíbios é lançado em 2003. Paulo Núncio surge em 2004 como advogado do fabricante austríaco Steyr (...) A 30/11/2004, Jorge Sampaio dissolve o Parlamento. E seis dias depois, Paulo Portas despacha a adjudicação dos Pandur à Steyr. Em Janeiro de 2005, o concorrente finlandês queixa-se judicialmente. Mas a queixa não tem provimento e o contrato é assinado a 15/2/2005, cinco dias antes das eleições legislativas de 2005. “Paulo Núncio esteve nas contrapartidas”, afirmou a 9/9/2014, na comissão parlamentar de inquérito à aquisição de equipamentos militares, Francisco Pita, o dono da empresa Fabrequipa que, em 2006, ganhou o direito de construir os veículos anfíbios Pandur II (...) A 4/4/2010, o ministério público checo investiga suspeitas de corrupção relacionadas com o caso Pandur II, contratualizados igualmente com a Steyr. A 20/8/2010, o MP português investiga suspeitas de corrupção no caso Pandur II. A 25/1/2011, o juiz Carlos Alexandre decide levar a julgamento todos os arguidos do processo de contrapartidas do caso dos submarinos. A 17/3/2011, o DCIAP pede informações sobre Paulo Portas ao Ministério Público de Munique que acusou dois ex-quadros da Ferrostaal de pagamento de mais de 62 milhões de euros em “luvas” para garantir negócio na Grécia e em Portugal (ver visão 18/12/2014). A 4/4/2011, a PGR garantiu à comissão de inquérito parlamentar à compra de equipamentos militares, através de ofício classificado de confidencial assinado por Joana Marques Vidal, que "corre termo pelo DCIAP [...] uma averiguação preventiva com o nº 44/11, relativa aos Pandur". Em Junho de 2011, pela mão de Paulo Portas, Paulo Núncio é nomeado secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (...) ler a trama completa no blogue "Ladrões de Bicicletas"

Alemães deduziam dinheiro da corrupção nos impostos. A Máfia portuguesa no poder mandou encerrar o processo

e no balanço final de mais um ano
Depoimento de gestor da empresa que vendeu os dois submarinos a Portugal revela como eram os esquemas de corrupção nos negócios militares "Quando me dizem que fizeram um negócio sem recorrer a aplicações úteis, eu não acredito". A declaração é de Erbsloh, um quadro da empresa Ferrostaal, que integrou o consórcio que vendeu dois submarinos à Marinha portuguesa, e consta do processo alemão. O gestor clarificou que as tais "aplicações úteis" eram o termo utilizado para os subornos. Gastos que, até 1999, "eram dedutíveis nos impostos e encarados com absoluta normalidade". Ouvido como testemunha na Alemanha, Erbsloh acrescentou que, depois daquela data, a empresa começou a utilizar "consultores" de forma a fazer chegar o dinheiro aos governantes dos países que abriam concursos para a aquisição de material militar. (DN)

sábado, dezembro 27, 2014

BES-Angola, como me abotoei com dezenas de milhões? "isso é assunto do meu foro pessoal"

Os accionistas angolanos do BES-Angola, com os recorrentes Generais do regime à cabeça, disseram ao Expresso que querem que Álvaro Sobrinho revele para onde foram os créditos "desaparecidos" de 5,7 mil milhões de dólares. Há muitas dúvidas sobre a Akoya, entidade gestora de fortunas, com sede na Suíça, de que Sobrinho é sócio e Ricardo Salgado era cliente. A sociedade estava no centro das suspeitas de branqueamento de capitais no caso Monte Branco". O ex-presidente do BESA falou na Comissão de Inquérito do Parlamento, mas não disse grande coisa...

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e do meio do "não sabe nada" saiu a declaração mais bombástica: "o dinheiro emprestado pelo BES ao BESA nunca saiu de Portugal". Nunca saiu? a deputada Mariana Mortágua no diário que faz para acompanhar a Comissão de Inquérito ao BES aprofunda a questão: "Fugindo ao detalhe que a questão exigia, Sobrinho explicou que os 3.300 milhões de Euros emprestados ao banco angolano que geriu até 2012 estavam em Portugal por duas vias:
1. Porque 1500 milhões foram para o BESA comprar, em 2008, obrigações do tesouro angolano. O Estado angolano depositou o valor da venda numa conta em Portugal;
2. Porque o BESA prestou uma espécie de garantias aos importadores angolanos de produtos exportados a partir de Portugal e que, quando os importadores falharam, o BESA teve de respeitar essas garantias pagando, sem receber, essas verbas ao banco dos exportadores, quase sempre o BES. Vamos explorar aquilo que Sobrinho não explicou.
Angola Connection
Comecemos pelo primeiro ponto. No final de 2013, o BESA apresentava nas suas contas a exposição a títulos do governo angolano no total de 686 milhões de euros (em 2012 tinham sido 908 milhões). Mesmo que esse montante – ou até mais, como parece que acontecia – estivesse depositado em Portugal, as obrigações pertenciam, de facto, ao BESA. Essas obrigações eram usadas, pelo BESA, como garantia para ir buscar dinheiro emprestado ao BNA (Banco Central de Angola) e assim aumentar a sua capacidade de fazer créditos em Angola. No segundo ponto, Sobrinho referiu-se aos créditos documentários – uma espécie de garantia de pagamento ao exportador, usada quando não existe uma relação de confiança com o importador. Através destas operações o importador pede ao seu banco (no caso um comprador angolano que recorria ao BESA) que garanta perante o banco do exportador (um vendedor português, cliente do BES) que aquilo que está a comprar vai ser pago.

O que Sobrinho veio dizer é que uma grande parte do dinheiro emprestado pelo BES ao BESA serviu para o banco angolano pagar a exportadores portugueses e, assim, teria ficado em Portugal. Aceitando como verdade que todo o dinheiro que não tinha servido para comprar obrigações estava neste tipo de garantias, o BESA substituiu importadores angolanos incumpridores num montante não distante de 2.600 milhões de Euros. Para se perceber o exagero deste número temos de nos socorrer, novamente, das contas do BESA. A maior exposição do BESA em créditos documentário foi reportada no balanço de 2013. Era de 372 milhões de euros. Embora o balanço seja apenas uma fotografia em final de ano (ou seja, não mostra as operações que se fizeram ao longo do ano) é muito difícil conceber que uma carteira de créditos documentários desta ordem desse origem a perdas de 2.600 milhões de Euros. E se, de facto, deu, então temos de perguntar por que é que as provisões para créditos de cobrança duvidosa nunca atingiram valores superiores a 400 milhões de euros.

De qualquer das formas, seja a tese mentira – e o dinheiro tenha ido para outros lados, ou verdade – e a incompetente distribuição de crédito tenha gerado perdas deste montante o dinheiro foi sempre concedido a partir de Angola (se o gastaram, ou não, a importar de Portugal, ou o colocaram em offshores é irrelevante para esta história). Incompetência ou na mentira, ou uma combinação de ambas. O problema não é ter emprestado dinheiro a Angola. É ele ter sido gasto de forma potencialmente danosa e fraudulenta. A lista dos empréstimos abrangidos pela garantia do governo de Angola é, assim, uma peça fundamental para trazer a esta comissão de inquérito a verdade que Sobrinho não lhe dispensou". (Transcrição integral do blogue Disto Tudo, 23 de Dezembro)
relacionado

"Uma das principais causas da crise do BES resulta da concessão de empréstimos a dirigentes políticos angolanos da esfera do presidente Eduardfo dos Santos, numa lista interminável encabeçada por um crédito de 800 milhões autorizado a Marta dos Santos, irmã do presidente. Com este dinheiro, Marta dos Santos financia um empreendimento imobiliário em Talatona, que leva a cabo em parceria com o construtor José Guilherme... o tal que deu uma prenda de 14 milhões a Ricardo Salgado"

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Mao Tsé-Tung nasceu a 26 de Dezembro de 1893

"Numa sociedade onde existe luta de classes, se houver liberdade para as classes exploradoras de explorar as pessoas que trabalham, não há liberdade para que as pessoas que trabalham possam lutar para não ser exploradas. Se há democracia para a burguesia, não há democracia para o proletariado e para as outras pessoas que trabalham" - Mao Tsé Tung
Quando o Partido Comunista de Mao chegou ao poder em 1949 a China tinha 550 milhões de habitantes lançados na sua grande maioria por séculos de exploração feudal colonial-imperialista na mais abjecta miséria . Quando Mao morreu em 1976 a população da República Popular da China atingia 900 milhões de pessoas, apesar da politica demográfica restrictiva. E com uma grande percentagem já integrada num Estado social. Quer dizer, aparentemente a melhor maneira de duplicar uma população é matar toda a gente, como não se fartam de berrar os agentes da escumalha da ultra-direita detentora da propriedade privada.

quinta-feira, dezembro 25, 2014

uma prendinha para os vendilhões do governo

Nove sindicatos dos que agregam os trabalhadores de elite da TAP, entre eles o dos pilotos, anunciaram em véspera de natal a desconvocação da greve marcada para os póximos dias. Os três sindicatos que mantêm a greve representam mais de metade dos trabalhadores da Transportadora Aérea. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), afeto à CGTP e o Sindicato Nacional dos Pessoal de Voo da Aviação Civil, afecto à UGT, dizem, no entanto, que vão acatar a requisição civil. As críticas da CGTP são agora direcionadas para aqueles que se opunham até há bem pouco tempo à privatização da empresa, mas que agora cedem às posições do governo e aceitam o processo de privatização mudando de opinião em apenas duas semanas. A traição acontece numa altura de forte mobilização popular de apoio aos grevistas, uma situação que poderia bem inverter a luta a favor dos que defendem os interesses dos portugueses, quiçá conseguir colocar os bastardos do governo no olho da rua. Assim sendo, mais um bom anos para todos, é o desejo dos que à miséria estão condenados... e a real puta que pariu aos privatizados.

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Christmas time, Music & “Fuck Your God”

Conhecida a publicação do relatório do Senado dos Estados Unidos sobre as torturas praticadas pela CIA imediatamente a pretexto do "11 de Setembro", o influente "New York Times" acaba de pedir que se investigue e criminalize a administração Bush, nomeadamente Dick Cheney e os oficiais sob a sua direcção pela prática de crimes de tortura.
Cheney veio de imediato a público dizer "que se fosse hoje não hesitaria cinco minutos para voltar a fazer o mesmo" (fonte)

Os pormenores que começam a ser conhecidos, antes informação classificada, são do anedótico até ao mais grave e francamente desumano (como a versão registada em video de que agentes da CIA violaram prisioneiros na presença das suas mães). Em lugar de destaque do relatório vem uma playlist da música usada por agentes ao infligir as sessões de tortura, método pelo qual se pretende alcançar um "choque prolongado" a prisioneiros  muitas vezes privados do sono, ou a criar um efeito desorientador pelo "afogamento dos seus gritos" enquanto lhe mergulham a cabeça em bidons de água.
(este método é bem conhecida dos oficiais do exército português, cujos agentes da PIDE que lhes estavam adstrictos nas colónias em África a utilizavam de modo corrente, ainda que sem música).
Técnica aperfeiçoada pela CIA, a música em altos berros é tocada por dias a fio, mostrando, como sugerido por Baudrillard, que o inferno é a repetição sempre do mesmo...
A playlist divulgada consiste principalmente em heavy-metal e hard-pop, cenas associadas à inutilização da mente e subjugação, preocupantemente incluindo temas aplicadas à juventude ainda não torturável fisicamente, como a "Rua Sésamo" e a popular série yankee "Barney&Amigos" repetidos em ciclos ad infinitum tipo desenho animado para quebrar a força mental e conduzir à falência fisica dos encarcerados (infelizmente sem muito sucesso, segundo o relatório do Senado). O grupo de música-electro-industrial Skinny Puppy, talvez o projecto musical mais interessante na perspectiva da CIA, emitiu um comunicado de imprensa no qual afirma ter facturado 666 mil dólares em royalties após as suas músicas terem sido usadas na prisão militar de Guantánamo. Entre os artistas seleccionados estão Eminem: ”White America, Kim”, Dope: ”Die MF Die, Take Your Best Shot”, Christina Aguilera: ”Dirrty”, Bee Gees: ”Stayin’ Alive” e os Deicide com ”Fuck Your God”, este último uma pérola de sensibilidade para quem se deixa enlevar pela bondade do pai natal e outros anormais

terça-feira, dezembro 23, 2014

A evolução das fronteiras no Médio Oriente desde 1900

A guerra na Europa eclodiu no Verão de 1914. Um complexo sistema de alianças, a tutela militarista sobre os governos, a corrida armamentista, ambições coloniais, e má gestão geral nos níveis mais altos do governo levaram a esta guerra devastadora que tirou a vida de 12 milhões de pessoas entre 1914 e 1918. Pelo lado dos "Aliados", com ambições imperialistas, estavam os capitalistas da Grã-Bretanha, França e Rússia. Os poderes "centrais" a abater eram a Alemanha e o Império Áustro-Húngaro. A maioria das fronteiras saídas do conflito foram traçadas pelos imperialistas europeus de modo a criar identidades nacionais falsas e fazer implodir por meio de conflitos étnicos a outrora grande comunidade de nações Árabes. De certo modo, essas antigas fronteiras ainda existem hoje em dia nas mentalidades de todos os árabes. O que se passa hoje é o redesenhar de novas fronteiras no Médio Oriente em beneficio do "Estado" de Israel, cujos mentores controlam através dos Estados Unidos - FED e Pentágono - (quase) a totalidade do sistema financeiro mundial. É esse "quase" - a Rússia, China, Irão, Síria, Cuba, Venezuela, Coreia do Norte e Hungria que poderá estar na génese de um novo conflito em grande escala. Começou pela Síria... e como é Natal, a Igreja Católica cá estará para mais um novo ano a benzer as novas ambições imperialistas de todos, Jesus In Nomine Dei - boas festas
cartoon de 1912, uma sátira aos banqueiros de Wall Street, um ano antes da concessão da capacidade de emitir moeda em nome dos cidadãos dos Estados Unidos (1913) ainda sem consciência da catástrofe que a exportação de quantidades maciças de dinheiro provocaria na Europa

segunda-feira, dezembro 22, 2014

John Robert Cocker (1944-2014)

Cocker interpreta "With A Little Help From My Friends", um ano antes de Woodstock (1969) - o tema original é dos Beatles, do album Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967). A lírica e a música foram compostas por Paul McCartney, excepto a frase: "O que é que tu vês quando tu apagas as luzes? Eu não te posso dizer, mas eu sei que o que vejo é meu". Por esta época dezenas de milhares de jovens portugueses andavam fardados e de espingarda às costas pelas matas das colónias africanas cantando e rindo ao nosso jeito, longe da rebaldaria libertária de Woodstock (com a guerra do Vietname como pano de fundo) ... Um bilhete de 3 dias para o "festival/feira/hippie" custava 18 dólares, um soldado português auferia um pré de menos de 2000 escudos por mês. 

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domingo, dezembro 21, 2014

uma das maiores fraudes da década: o escândalo da manipulação das taxas euribor

Estima-se que 13% das hipotecas sobre a habitação em Espanha estejam ligadas a algum tipo de contratos com a taxa de juro Euribor manipulada pelos bancos. Face a isto, um Tribunal de San Sebastian anulou 10 desses créditos fraudulentos. (Diário.es) em Portugal não se conhecem dados nem há noticia de qualquer acção dos tribunais para sancionar os bancos prevaricadores, que usaram um esquema inaugurado a partir da City de Londres pelo Banco Barclays.
A taxa Libor é utilizada como referência para triliões de empréstimos, hipotecas, swaps e outros produtos financeiros negociados em todo o mundo a partir da praça financeira de Londres (Inter-Bank Offered Rate). O Barclays era antes da crise o número 1 da área da libra a negociar esses produtos, dando-lhe essa circunstância a vantagem de fixar a taxa Libor, manipulando o mercado a seu favor. Resultou daí que fizeram lucros maiores negociando em vantagem sobre os outros. Mas, durante a crise de crédito, os bancos passaram a ter dificuldades em emprestar uns aos outros e a taxa Libor aumentou significativamente. Quanto mais um banco estava a entrar em colapso, maior era a taxa que ele seria obrigado a pagar pela concessão dos créditos. A administração do Barclays começou a dar então instruções aos seus funcionários para mentir, provavelmente com a conivência do Banco de Inglaterra (1) dizendo aos outros bancos que poderiam continuar a pedir emprestado a taxas de juros mais baixas, insinuando que o banco estava numa situação melhor do que aquela em que realmente se encontrava, quando no final milhões de clientes as vieram a pagar muito mais altas. Como resultado das investigações conduzidas pelas autoridades reguladoras nos Estados Unidos e na Grâ-Bretanha, seis dos maiores bancos globais, o Bank Of America, HSBC, RBS, USB, Citigroup e J.P Morgan tiveram de pagar multas no seu conjunto de 4,3 mil milhões de dólares. (fonte). Em Portugal não há autoridade reguladora, porquanto por cá, em termos de consumidores lesados poucos são os que ouviram falar na fraude.

O principal mentor do esquema, administrador do Barclays à altura do escândalo, era Marcus Agius, casado com Katherine de Rothschild da família bancária que controla praticamente sozinha todo o sistema financeiro de Inglaterra.

Restam apenas 9 paises no mundo sem o controlo de um Banco Central dos Rothschilds. Não é estranho o Ocidente declarar uma guerra permanente contra esses países? Porque falamos dos Bancos Centrais e organizações como o FMI como se fossem respeitáveis?

sábado, dezembro 20, 2014

Um país que entrega tudo à iniciativa privada, fica privado de iniciativa.

Os portugueses dispõem de uma empresa que funciona bem e prestigia o país, que garante a manutenção do HUB em Lisboa, que, com uma frota diminuta, a TAP compete com os gigantes europeus (70 aviões, contra 240 da Air France, 420 da Lufhtansa e 230 da British Airways), que ganhou, por mérito próprio, um papel de liderança absoluta no Atlântico Sul e um papel importante em África, que é uma alavanca de negócios no mercado brasileiro (como aconteceu com a GALP ou PT, graças à entrada da TAP em rotas estratégicas, ou mais recentemente na Colômbia e no Panamá), que, enquanto transportadora aérea, é rentável, que dá trabalho a quase 12.000 pessoas e paga 200 milhões de euros de impostos por ano (...) É esta empresa que é nossa, onde o Estado não investe um cêntimo há quase vinte anos, que o Governo quer agora entregar em mãos estranhas ao interesse nacional, e mesmo estrangeiras, uma operação cujo encaixe, além do mais, poderia ser igual a zero. (Não TAP os olhos, assine o Manifesto)

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Em 2011 Garcia Pereira já alertava que "a privatização da TAP só serve os interesses particulares de meia dúzia de capitalistas, vai provocar despedimentos e privar o país de uma empresa de bandeira com relevantes serviços prestados às regiões autónomas e às comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo" e à indústria turistica nacional. (ver aqui)

Sobre a greve marcada para a última semana deste ano e a requisição civil, Garcia Pereira em entrevista à TSF arrasa o lingrinhas que actualmente é secretário de Estado e por tabela o ministro das falências cervejeiras: "Esta greve não tem nada a ver com privilégios, não tem nada a ver com aumentos salariais, não tem nada a ver com interesses corporativos, esta greve é uma greve democrática e patriótica que visa salvar a TAP. Isto é o primeiro ponto. Segundo ponto: As declarações que eu acabei de ouvir do senhor Secretário de Estado, são de uma gravidade extrema. Porquanto, esta requisição civil, e ele não pode razoavelmente pretender ignorar isso, é completamente ilegal. Na verdade, nos termos da lei (artigo 541º, nº 3 do Código do Trabalho) constitui condição “sine qua non” para o decretamento de uma requisição civil, primeiro que haja uma greve já em execução, e segundo que nessa greve já em execução não estejam a ser prestados os serviços mínimos que tenham sido regularmente definidos (...) E um governante, um titular de um cargo político, que sabendo que está a actuar contra a lei e contra a Constituição, e mesmo assim adopta essa conduta para tentar destruir ou inutilizar um direito fundamental, não está apenas a tomar uma posição politicamente errada, está a cometer um crime, um crime previsto e punido pela lei dos crimes da responsabilidade dos titulares de cargos políticos, um crime de atentado ao Estado de direito que é punível com pena de prisão de 2 a 8 anos.

É Inteiramente Legítimo Resistir Contra a Ilegal e Inconstitucional Requisição Civil dos Trabalhadores da TAP
Portanto, se nós tivéssemos no nosso país um ministério publico a sério, neste momento até já estava instaurado processo-crime contra o dr. Sérgio Monteiro e seus colegas de governo por estarem a praticar não apenas uma ilegalidade e uma patifaria do ponto de vista político porque a privatização que eles querem impor à viva força apesar de saberem que são um governo a prazo vai levar à destruição da TAP, não apenas isso como a prática consciente e dolosa de um crime. Ora, um comando que é ilegal e inconstitucional, a esse comando não é devida obediência. E se não for possível recorrer à força pública, à autoridade pública, exactamente porque o governo apoia o serviço da ilegalidade, a Constituição da República diz o que é que resta aos cidadãos fazerem, quando são confrontados com ordens e comandos ilegítimos que ferem direitos fundamentais. E o que resta é o direito de resistência. Portanto, os trabalhadores que não cumpram com esta requisição civil ilegal e inconstitucional não podem ser sancionados. Quaisquer sanções que venham a ser aplicadas serão nulas e de nenhum efeito. E a persistência no caminho da ilegalidade só tornará ainda mais grave a responsabilidade laboral cível e criminal dos membros do governo que assim actuem. Volto a insistir que a jurisprudência sobre a matéria que não pode haver requisições civis preventivas nem pode haver requisições civis destinadas a inutilizar o direito à greve é uma jurisprudência absolutamente pacifica ao nível do Supremo Tribunal Administrativo porque é nesse que resulta claramente a lei da Constituição. E um governante que se arroga a agir conscientemente, reiteradamente, descaradamente, contra a lei e a Constituição não está cá a fazer nada e deve ser pura e simplesmente posto na rua" (comunicação publicada no Luta Popular e que pode ser ouvida aqui)

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Vêm aí os gringos!

para já, dos lados da cowboylandia a ênfase é posta na facilidade que haverá na importação de charutos havanos. E que estarão os EUA apostados a exportar em troca? a invasão turistica de gringos que se adivinha com os seus vicios de consumismo,  poderá não ser uma coisa má. Se houver capacidade de resistência (educação não falta) Cuba tem mais condições para impôr o seu regime social aos povos dos Estados Unidos... que capacidade têm os Estados Unidos (e a sua maioria de broncos estupidificados pelas televisões) de destruir o regime social de Cuba - e estamos a lembrar-nos da apoteótica recepção feita no Harlem a Fidel Castro quando se deslocou a New York na década de 70 para o seu histórico discurso nas Nações Unidas 

quinta-feira, dezembro 18, 2014

18 de Dezembro, Cravos Vermelhos para o Zé dos Bigodes

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Antes de escreverem comentários estúpidos sobre o herói nacional José Estaline, como é regra dos aspirantea a trotsiskas e outros oportunistas idiotas, pergunte a si mesmo o porquê da memória colectiva do povo manter o seu amor por Estaline?
De acordo com memórias de contemporâneos da época de Estaline, o então comissário do comité central dos sovietes era um homem tipicamente espirituoso. Descrito nas memórias de Stalin A. Rybin, um dos guardas vermelhos que integrou a sua comitiva, certa vez o Comissário do Povo da Agricultura da Ucrânia dirigiu-se ao Politburo para apresentar os resultados do trabalho do ministério. Chegou, cumprimentou José Estaline e perguntou: Como devo fazer o relatório? Resumido em forma breve ou detalhado? - Como quiser, pode ser uma coisa curta, pode mencionar detalhadamente, mas três minutos é o tempo limite que tem para o fazer – respondeu Estaline com um sorriso.
Estaline era um homem extremamente culto, versado um pouco em todos os assuntos pela prática de décadas, sabia música, corrigia as pautas de Shostakovich realçando-lhe as componentes heróicas, era duro e implacável na crítica às tendências contra-revolucionárias. Recordando o I Congresso dos Sovietes de Deputados do Povo realizado a 17 de Junho de 1917 o menchevique Tsereteli opina que é necessário transferir o poder para um governo interino “porque não temos um partido que possa e seja capaz de exercer o poder em nome do povo”. Sentado ao lado de Estaline, Lenine levantou-se e gritou para a plateia: “mas já existe um tal partido, somos nós, o Partido Bolchevique”.

Historicamente os mencheviques sempre pretenderam trair a revolução dizendo que o poder deve ser transferido para a burguesia. Que as pessoas comuns não vão ser capazes de gerir do país. Em boa verdade eles eram a favor do capitalismo. Os trotskistas também trairam a revolução afirmando que o campesinato não poderia ser um aliado dos trabalhadores. Que o governo pode e deve ser exclusivamente exercido pelos operários industriais conscientes. Os Bolcheviques defenderam a criação de conselhos  (sovietes) o que implicaria a união dos trabalhadores, soldados e camponeses, e a adesão geral no país a este modo de organização politica foi de 85%. Confirmou-se que sem uma aliança com o campesinato, a revolução estaria fadada ao fracasso. A experiência iria demonstrar que Lenine, o seu sucessor Estaline e os bolcheviques tinham razão. Em Fevereiro de 1924 Estaline escrevia: "As revolucionáriaa previsões de Lênine (governar é prever) foi posteriormente confirmada com toda a precisão. Foi uma mente brilhante, com a capacidade de captar rapidamente e ver o sentido interno de eventos iminentes. Nessa qualidade Lenine era único, o que lhe permitiu estabelecer a estratégia certa e uma clara linha de conduta sobre cada etapa do movimento revolucionário
Sobre a perplexidade de Estaline nos primeiros dias de guerra os seus detratores pretendem apresentá-lo como um homem cobarde, sem saber o que fazer, manifestando medo - o mesmo medo que tiveram todos os oportunistas e revisionistas, lacaios da burguesia. Mas que se passou de facto? - a partir das memórias do engenheiro aeronáutico Alexander Yakovlev no livro "Propósito de Vida": "eu notei em Estaline uma característica, se as coisas que se passavam na frente não eram boas ele explodia de raiva, era exigente e severo; quando não havia problemas ele brincava, ria-se, andava descontraído. Nos primeiros meses da guerra, estávamos com a impressão que haveria um fracasso, as nossas tropas foram recuando, tudo era muito difícil. (imagem à esquerda: um soldado adquire senha para a estreia da 7ª Sinfonia de Shostakovich, 1942)
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Estaline nunca mostrava as dificuldades, guardava-as para si mesmo, compreendendo que nesses momentos esconder as suas emoções transmitia uma atitude tolerante com as pessoas. Nunca lhe notei perplexidade, pelo contrário, parecia que com o seu bom humor ele sabia que, aparentemente, nesses momentos, as pessoas precisavam de apoio, de incentivo". Sendo um ser humano tão real, o que leva as pessoas esquecerem-se disso e embarcarem na história cretina do “sangrento ditador”? as pessoas que dependeram das acções de Estaline guardam-no na sua memória como um pai, como alguém que na verdade, defendeu os interesses das pessoas comuns. Desde 1960, martelam-se na cabeça das pessoas coisas horríveis enganando-as com propaganda de capitalistas ao melhor estilo de Goebbels. Que direito têm esses bastardos que nunca conheceram a URSS de repetir como papagaios as ideias sujas de propaganda ocidental? O que sabem esses idiotas sobre Estaline excepto os clichés que assimilam daqueles que querem manchar a honra dos que sempre se recusaram a ser escravos?

quarta-feira, dezembro 17, 2014

salir de Cuba... "é muito bom, hoje é o primeiro dia do Hanukkah...

... e para mim este é o melhor Hanukkah de sempre que irei celebrar" - Alan Gross, na qualidade de cidadão norte-americano ao pôr os pés em terra deixa escapar um segundo desabafo: "como é uma dádiva abençoada ser cidadão deste país". Gross estava detido há cinco anos a cumprir pena de prisão em Cuba por actos de espionagem. Agora foi trocado por quatro militantes comunistas cubanos que estiveram encarcerados há 16 anos nas masmorras dos Estados Unidos por controlarem de modo secreto em território norte americano a possivel preparação de actos de terrorismo contra Cuba. Gross fazia espionagem conspirando para derrubar o regime cubano. Há portanto uma diferença fundamental: os nossos 5 heróis (dois deles já tinha sido libertado depois de cumprir mais de dez anos de cárcere) apenas defendem a sua pátria, são anti-terroristas. Que se saiba Cuba nunca atacou os Estados Unidos. Ao contrário, Alan Gross como mercenário do Império sabe muito bem que o rol de atentados terroristas contra Cuba congeminados por ele e por muitos outros comparsas é imenso.

O acordo que permite agora esta troca é um momento histórico, segundo as palavras que o presidente Raul Castro dirigiu hoje aos cidadãos cubanos: "Desde a minha eleição como Presidente do Conselhos de Estado e de Ministros, já reiterei em várias ocasiões, a nossa vontade de apoiar o governo no diálogo respeitoso com os Estados Unidos, com base na igualdade soberana, para discutir diferentes temas reciprocamente sem prejuízo da independência nacional e da autodeterminação dos nossos povos. Esta é uma posição que foi expressa ao Governo dos Estados Unidos, em público e em privado, pelo camarada Fidel em diferentes épocas da nossa longa luta, abordagem de debater e resolver as diferenças através de negociações sem abrir mão de nenhum dos nossos princípios. O heróico povo cubano têm demonstrado contra grandes perigos, ataques, dificuldades e sacrifícios, que é e será sempre fiel aos nossos ideais de independência e justiça social. Intimamente unidos nestes 56 anos de Revolução, temos mantido profunda lealdade para com os que caíram em defesaas destes princípios desde o início da nossa guerra pela independência em 1868. Agora, nós carregamos, apesar das dificuldades, a atualização do nosso modelo económico para construir um socialismo próspero e sustentável. O resultado de um diálogo ao mais alto nível, incluindo uma conversa telefônica que tive ontem com o presidente Barack Obama, conseguiu progressos na abordagem de algumas questões de interesse para ambas as nações. Como Fidel prometeu, em Junho de 2001, quando afirmou: "eles vão voltar!" Chegaram hoje ao nosso país, Gerardo, Ramón e Antonio.É imensa a alegria das suas famílias e do nosso povo, que se mobilizaram incansavelmente para esse fim, alegria que se estende às centenas de comités e grupos de solidariedade, governos, parlamentos, organizações, instituições e personalidades que durante estes 16 anos e árduos esforços feitos exigidos para a sua libertação. A todos eles quero expressar a nossa mais profunda gratidão e compromisso... (Cuba Debate)

terça-feira, dezembro 16, 2014

Quantos caminhos um homem precisará andar/ Antes que possam chamá-lo de homem?

Sim, e quantas vezes um homem precisará olhar para cima/ Antes que ele possa ver o céu? Sim, e quantos ouvidos um homem precisará ter / Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar? Sim, e quantas mortes ele causará até saber/ Que já morreram pessoas demais? A resposta meu amigo/ vem soprando com o vento... 
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os Bushistas sabiam muito bem dos métodos de tortura praticados pela CIA - tinham-nos ordenado (e continuam a defendê-los) - Portugal foi um dos países cúmplices desses crimes contra os direitos humanos
e que se vai dizendo na pátria dos torcionários? em directo da FoxNews: "ora, ignorem, não devemos dar credibilidade a esses relatórios de tortura, a América é um lugar porreiro"

segunda-feira, dezembro 15, 2014

tamo bué de contente que nosso presidente compra a Tuga toda com o dinheiro roubado a eles

Álvaro Sobrinho, agora filantropo, elabora o seu curriculo (no original em inglês): "Comecei a minha carreira no Banco Espírito Santo Angola (BESA), trabalhando para me tornar o CEO e presidente do banco, durante uma década de júbilo ao leme durante a rápida ascensão da economia angolana. Durante o tempo do meu exercício, o BESA viu o seu lucro líquido subir de 3,2 milhões de dólares para cerca de 339 mil milhões e aumentou a concessão de crédito de 21 milhões para 5 mil milhões, e (1), como tal, fomos vencedores dos prémios "Melhor Banco de Angola" concedidos pelo World Finance e pela revista "Global Finance". Tendo estado fortemente envolvido no sector financeiro, em 2013 juntei-me como presidente executivo ao emergente "Banco Valor", que tem neste momento a mais rápido crescimento em Angola e - na minha opinião - é o banco mais ambicioso na região (...) Além dos meus interesses empresariais, encontro-me envolvido em várias e maravilhosas organizações de filantropia e caridade, particularmente nas áreas da ciência, educação e desenvolvimento juvenil." - no seu site Álvaro Sobrinho define-se como "homem de negócios" dedicado à filantropia em Àfrica. Desde 2012 patrocina o "Duke of Edinburgh International Award", fazendo companhia a Bill Gates na ajuda às gentes africanas, em particular em Luanda onde é o mecenas dos "Meninos de Mussulo" (alvaro-sobrinho.com) 
(1) Como é sabido, a quase totalidade dos empréstimos concedidos em Angola pela "jubilosa gestão de Sobrinho" num valor de quase a totalidade do crédito concedido nesse último ano pelo BESA veio a verificar-se ser fraudulenta, "dinheiro entregue a destinatários que não existem".

Álvaro Sobrinho nem sequer foi ouvido na "investigação"
Na Comissão de Inquérito que decorre no Parlamento português a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, quis saber porque não foi constituída uma garantia antes de 2013, uma vez que a situação de grandes volumes de crédito mal parado tinha sido já detetada em 2012 nas contas do BES-Angola que eram auditadas pela KPMG Angola. Só em 2013 foi feita a reavaliação das hipotecas dadas como garantia a esses créditos centrados no sector imobiliário, que levou à concessão da garantia pessoal de Luanda negociada directamente entre Ricardo Salgado e o presidente angolano José Eduardo dos Santos. As perdas relativas a Angola aproximam-se do valor da recapitalização feita através do Fundo de Resolução do BES, 4900 milhões de euros, ali colocados pelo Estado Português. Só depois de decidida a Resolução do BES é que Angola revogou a garantia (1) e as perdas foram assumidas na sua totalidade pelo banco mau. O crédito concedido pelo BES à filial angolana foi transferido para o Novo Banco a preço zero. Por sua vez o Novo Banco receberá o crédito mal parado em Angola (se vier a receber)  nas seguintes condições ditadas por Angola: 80% do capital emprestado, 2,8 mil milhões, "desaparecem" e os 20% remanescentes serão pagos em duas vezes, a 1ª tranche de 333 milhões é reduzida a capital do (BESA) agora renomeado em Angola por "Banco Económico" dentro de 18 meses; a 2ª tranche se 332 milhões será paga a 10 anos podendo ser reconvertida em capital do banco angolano, o que lhe dará uma participação de 9,9%, ou seja a não ter direito a nada no que toca a intervenção no Conselho de Administração. Entretanto o "Banco Económico (BESA)" já foi recapitalizado com novos acionistas angolanos, à revelia do BES o qual foi impedido de participar na Assembleia Geral de accionistas que ditou as condições. Enquanto isso (1), o fiador dos investimentos, o presidente Eduardo dos Santos, tinha-se posto ao fresco...
Como é sabido, em Portugal a "Auditoria Forense" não encontrou o rasto dos milhões (e mesmo que encontrasse, o Banco de Portugal apressou-se a informar que não os divulgaria) - o dinheiro saiu para a Suiça através da Eurofin e Ricardo Salgado só tinha uma conta no BES de 180 mil euros. Esta trama ao mais alto nivel deixa subentendido ser mais que certo ser «o mexilhão que vai pagar o calote da elite angolana». Para a caída do pano está guardado o facto  dos fundos financeiros internacionais lesados pela manigância da divisão do BES em dois avançarem para o tribunal europeu contra a chamada "Resolução do BES" cujo Fundo de Resolução não tem dinheiro


domingo, dezembro 14, 2014

Sonda-me que eu gosto

A continuada publicação de sondagens manipuladas continua a ludribiar muito boa gente. Seria impossivel que seis anos o agaravamento da crise financeira a maioria do povo continuasse a manifestar intenções de voto nos dois partidos de Bloco Central que conduziram Portugal ao actual estado de catástrofe social, na ordem dos 37,5 para a nova cara do ex-PS de Sócrates e 25,2 para os vende-pátrias do PSD (como se publicou na Sic).

Comprovadamente, "as sondagens são a força manipuladora para apelar à inacção, e têm dois objectivos, um deles é fazer desistir quem pretende a mudança, o outro é manter o poder nas mãos dos mesmos de sempre". Por exemplo, esta sondagem da Sic/Balsemão continua a dar mais votos à soma dos no PSD/CDS que ao PS. Aqui até o badalhoco intelectual do Marinho Pinto já cozinhou um simbolo com estrelinhas-à-esquerda. Mas a esperteza não é dele, é de quem o tem levado ao colo nos falsimedias (como a partir de 2006 o Cavaco levou o cretino do Portas), com a finalidade de "partir a esquerda social democrata" - já de si dividida em capelinhas na caça de tachos ao Costa - é preciso radicalizar a esquerda, desmascarar Oliveiras, Ruis e Joanas, fazer implodir essa coisa que dá pelo nome de Partido "Xuxa" Socialista
Testando duas páginas de profiling para as eleições europeias chega-se a completa desilusão com os resultados manipulados pelos sondadores marqueteiros fretados pelo regime. Testando o euandi e o euvox os resultados são escandalosamente diferentes - o PNR nem sequer aparece na lista o que é gravíssimo em termos dos idiotas militantes nazi-fascistas cá do burgo. E as perguntas que são utilizadas para calcular as percentagens (euandi) ou índices (euvox) são manifestamente insuficientes para permitirem obter quaiquer resultados fidedignos. Basta ver que, noutros barómetros manipulados de outro modo, se obtêm resultados diametralmente opostos, com o PCTP-MRPP no outro extremo dos desgraçados votos no Bloco Central doravante liderado pelos ditos "socialistas". O que não corresponde à realidade na vida terrestre.
relacionado: 

sábado, dezembro 13, 2014

Sobre o "Desenvolvimento" nas Sociedades Capitalistas

Na década de 70 um grupo de intelectuais do meio universitário, face aos desvios revisionistas do que seria o caminho de desenvolvimento para uma sociedade socialista e comunista, fundam o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, no que foram rapidamente secundados por um número crescente de operários da cintura industrial de Lisboa. Enquanto a grande burguesia acolitada pelos fascistas do regime, cujo principal interesse era "modernizar" o capitalismo, davam a mão ao Partido (Pseudo) Comunista Português (P"C"P), imediatamente a seguir ao golpe-de-Estado de 25 de Abril de 1974 uma parte importante dos militantes do MRPP foi encarcerada e o partido ilegalizado e impedido de concorrer às "eleições livres". Em termos de desenvolvimento transviado que culmina agora numa geração perdida os resultados sociais estão à vista de todos. Em 1971 era secretário-geral dos comunistas Arnaldo de Matos, o mesmo que escreve hoje esta crítica ao "desenvolvimento capitalista"  
40 anos depois...
"As Conferências de Lisboa são um fórum internacional bienal (...)  destinado a debater o tema do Desenvolvimento. Nos dias de hoje, e ao contrário do que sucedia nos anos das décadas de sessenta e setenta do século passado, em que o orbe se apresentava dividido política e economicamente em três mundos, o desenvolvimento deixou de versar apenas sobre a transformação dos países economicamente atrasados, para passar a ocupar-se dos problemas do crescimento económico, da sua sustentabilidade e da distribuição de riqueza à escala global, envolvendo todos os países e continentes, qualquer que seja o respectivo grau ou estádio de crescimento (...)  Os nossos secretários- de-Estado estão ainda naquela etapa dos conhecimentos económicos em que o desenvolvimento era visto como igual a investimento, e não havia meio de compreenderem que um país pode morrer afogado em investimento, sem nunca alcançar o desenvolvimento, como em parte aconteceu até a Portugal, com a avalanche dos subsídios europeus a fundo perdido, mas só aplicáveis onde o capitalismo anglo-franco-germânico autorizasse (…) O segundo erro da Primeira Conferência de Lisboa sobre o Desenvolvimento está no inusitado papel que a organização concedeu ao controlo ideológico da conferência pelos funcionários da União Europeia. Ora, precisamente esses funcionários deveriam estar proibidos de debater em público a problemática do desenvolvimento, à uma, porque, no seu conjunto, a União Europeia, dispondo embora de um terço do mercado mundial, tem um crescimento que mal atingirá 1% no corrente ano, e acolhe no seu seio o segundo maior conjunto de pobres do mundo. E haverá pouca gente que entenda tão bem a ignorância europeia em matéria de desenvolvimento como a entende o martirizado povo português. (o artigo completo está publicado no Luta Popular)

sexta-feira, dezembro 12, 2014

Pearl Harbor, business as usual

11 de Dezembro de 1941. Após diversas tentativas de entabular negociações sobre o ultimato dos EUA, sempre negadas por Roosevelt, o principe Fumimaro Konoye representando o Conselho Imperial do Japão decide dar a palavra aos militares, caso se não chegasse a um compromisso aceitável até 30 de Novembro. Nessa data os Estados Unidos suspendem unilateralmente as negociações.  Quatro dias depois dos acontecimentos em Pearl Harbor o presidente Roosevelt suspende o estatuto de neutralidade dos EUA em relação ao conflito na Europa e declara guerra à Alemanha e Itália.
"Ontem, 7 de Dezembro de 1941 - uma data que recordará para sempre a infâmia - os Estados Unidos da América foram de repente e deliberadamente atacados por forças navais e aéreas do Império do Japão". Foi com estas palavras, solenemente pronunciadas há 73 anos, que Franklin Roosevelt comunicou aos norte-americanos que o ataque à base militar de Pearl Harbor no Pacifico obrigava os Estados Unidos a entrar na 2ª Grande Guerra Mundial.
Em 1954 o Contra-Almirante Robert A. Theobald, que tinha estado nos centros de decisão dos acontecimentos, resolveu ganhar uns dinheiritos e publicou o livro “The Final Secret of Pearl Harbor” onde acusou o Presidente Franklin D. Roosevelt de ter “convidado” os Japoneses a atacar Pearl Harbor. A partir daí a controvérsia no debate sobre o crime de traição de Roosevelt centra-se no estudo de documentos relacionados com o ataque de “surpresa”; muito deles nunca tornados públicos. Alguns podem já não existir, muitos foram destruídos durante a guerra devido a rumores de uma iminente invasão japonesa do Hawaí. Outros ainda estão parcialmente mutilados. A transcrição de uma suposta conversa entre Roosevelt e Churchill no final de Novembro 1941 foi analisada verificando-se ser um documento falso. Do que foi dado a conhecer dessas conversas, grande parte das transcrições são baseadas em documentos fictícios, frequentemente citadas pela referência "Roll T-175" no Arquivo Nacional. Porém a instituição nunca usou essa terminologia.

Robert Stinnett no livro “O Dia da Vergonha: a Verdade Sobre FDR e Pearl Harbor” alegou ter encontrado informações demonstrando que a frota japonesa em manobras foi detectada através de intercepções de rádio dos serviços de espionagem, mas que a informação foi deliberadamente sonegada ao Almirante Kimmel, o comandante da base naval de Pearl Harbor, que deste modo viu destruída toda a esquadrilha de avião no solo sem qualquer hipótese de responder ao ataque. A conclusão é a mesma: a administração Roosevelt provocou e permitiu deliberadamente o ataque japonês a Pearl Harbor, usando-o como pretexto para fazer entrar os Estados Unidos na guerra. (é curioso como a referência a este livro na wikipedia não exista em mais nenhuma lingua senão o inglês)
Nove meses antes de Pearl Harbor, realizou-se em Washington em Março de 1941 uma conferência secreta , onde participam altas patentes militares dos Estados Unidos, Grâ-Bretanha e Canadá, sendo decidido e aprovado o planeamento básico para a entrada dos EUA na guerra, sem que houvesse até esse momento qualquer acto hostil contra os EUA.

Ainda anterior a essa data, o “Lend Lease Act” tinha sido proposto ao Congresso por Roosevelt no Outono de 1940, sendo aprovado em Março de 1941. Teve como motivo próximo a desastrosa fuga e evacuação dos ingleses em Dunquerque. Por pressão de Churchill, a lei autoriza a venda de material militar “a todas as nações cuja defesa seja considerada vital para os interesses dos Estados Unidos”. A produção prioritária de material aeronáutico, que em 1936 era de 80 milhões de dólares passou rapidamente para 3.200 milhões de dólares em 1940 (ampliar quadro em cima ao centro). Na mesma proporção, com as vendas concedeu-se ao mesmo tempo créditos a pagar pelos beligerantes, de tal modo que no final da guerra todos eles tinham quantias astronómicas a pagar.

Este é o esquema fundacional que colocou os europeus a pagar milhões em juros sobre o endividamento de Estados “soberanos”. E enquanto não se fizer implodir o sistema de emissão de moeda falsa montado pelo complot de bancos privados que constituem a Reserva Federal norte americana supervisionada pelo BIS (Bank for International Settlements), os povos europeus em processo de escravização pelo corrupto directório da União Europeia, jamais poderão ser livres

quinta-feira, dezembro 11, 2014

o PCP afirma que "saída do euro deve ser estudada, sem aventuras e se se justificar"

Jerónimo de Sousa considerou hoje em Bruxelas que "seria um disparate, uma precipitação dizer 'saímos do euro' e ponto final". Para o líder do PCP, Portugal "andou para trás" desde que aderiu à União Europeia e à zona euro" e pronto, lá está, "para andarmos para a frente", teremos que nos sujeitar à eventual caridade dos ricos, submetermo-nos a que as decisões sejam tomadas fora da nossa soberania como povo independente.

Ora, o Euro é o veiculo facilitador do negócio do Endividamento. Portanto, nesta moeda só existem duas faces, a dos que vivem à pala da exploração do povo pelo controlo, garantia e usurpação do aparelho de Estado (os únicos europeistas são aqueles que já embolsaram ou esperam vir a embolsar os fundos provenientes dos cofres comunitários) 
e nós os outros,
os que temos a honra de pagar a bica n vezes mais cara (2) que com o Escudo, como se Portugal tivesse o mesmo nivel de salários que os paises europeus. Como sempre, a opção euro é defendida pela classe dominante e condenada pela maioria dos utilizadores/ consumidores/ explorados conscientes. Pelo meio vai ficando a massa inerte dos indiferentes, aqueles a quem os italianos chamam de "cogliones", os gajos que têm opinião contrária aos seus próprios interesses. Será o camarada Jerónimo um "coglione"? é um caso a estudar pelas sebentas das escolas liberais das meias tintas

(1) o Complot Bancário Europeu repreendeu a Comissão Europeia
(2) até a direita conclui a inflação provocada pelo Euro prejudica a riqueza das nações sem moeda própria: How Asset Price Inflation Destroys the Wealth of Nations

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Cavaco afirma que matérias tratadas com Salgado "são reservadas"

O presidente Anibal da República escusou-se hoje a relevar que informações obteve nas suas reuniões com o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, afirmando que as matérias tratadas em todas as suas audiências são reservadas (...) nunca revelei aquilo que se passa nas reuniões, quer com políticos, quer com sindicalistas, quer com cientistas, quer com empresários". Ponto. Ora, ora, então com a máfia ao mais alto nivel é que nunca me iriam arrancar uma palavra, nem que fosse levado a passear para Juarez e torturado pela CIA. (em directo do México) ... ou seja, o Cavaco é uma puta virgem cuja subida ao trono foi financiada pelo BES 
(salvaguardado o respeitinho devido ao excelentíssimo dinossauro)
Na verdade existe um complot de partilha do espaço económico luso-angolano entre as mais altas esferas dos dois Estados, Portugal e Angola, um esquema liderado pelas duas máfias que usurparam os dois governos e têm garantido a miséria dos dois povos em beneficio das extirpes milionárias da nova ordem mundial. Como aqui e aqui se disse, o principio da crise do BES deve-se à golpada perpretada no BES-Angola.  É verdade o que disse ontem o banqueiro Ricciardi, as diversas facções na disputa pela hegemonia do roubo e saque aos dois povos, compram as noticias nod jornais a publicar no dia seguinte.  "Banqueiros, gestores e políticos dos mais diversos quadrantes foram referenciados na investigação à rede de lavagem de dinheiro (Operação Monte Branco). Em 2012 os jornais divulgaram diversos nomes de alegados suspeitos, escutados e clientes da rede de lavagem de dinheiro. Ana Bruno, administradora do Sol (propriedade de uma empresa-fantasma angolana) foi dada como tendo ligações ao cabecilha de um dos esquemas de branqueamento. Passaram dois anos e não aconteceu nada em termos de criminalização. Bom, na verdade aconteceu, a empresa do grupo Espirito Santo Escom (negociante de armas e correlativos) foi "vendida" a angolanos que pagaram 15% do contratado mas que a seguir questionaram o valor e nunca mais pagaram nada, e a Escom por lá anda com os mesmos administradores que tinha em Portugal não se sabe em que condições nem a fazer o quê... e v eem à baila o facto de Durão Barroso ter sido consultor do BES em Washington como padrinho das guerras do Império. Noutro esquema similar a tal empresa fantasma angolana, a Newshold, acrescentou ao semanário SOL a propriedade do jornal I, do pasquim Correio da Manhã e do Jornal de Negócios, manifestando ainda interesse na privatização da RTP, o que significa que a luta no bas-fond continua. E que ler jornais e ver televisão é cada vez mais uma trampa. Tanto mais que também em 2012 se tinha descoberto que o dono da Newshold é afinal Álvaro Sobrinho, o ex-administrador do BES-Angola que anda por aí à solta sendo responsável pela golpada dos "empréstimos" de 4,5 mil milhões de euros não se sabe a quem, mas com o aval do presidente de Angola, cuja palavra-des-honra vale tanto como o sacudir de água do capote de Cavaco Silva para consumo dos jornais e televisões. Áh, é verdade, todos os envolvidos nestes crimes, se é que há crimes (!), negam qualquer envolvimento.

terça-feira, dezembro 09, 2014

a privatização do BES sem que Ricardo Salgado tenha lá posto um tostão

pela mão de Mário Soares 
ou seja, a história de Portugal nos últimos 40 anos
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"Para Salgado, o BES não faliu. "Foi forçado a desaparecer". Para quando outro presidente para pôr de novo o lobie judeu a flutuar? "O problema do BES tinha sido resolvido se nos tivessem dado mais tempo (...) desde 31 de Julho, 48 horas para fazer um aumento de capital só se fosse por milagre" afirmou Salgado na Comissão de Inquérito, e prossegue:"Quando o Banco de Portugal pede para fazer isto é também uma forma de se responsabilizar e avançar com a resolução". "Estava tudo mais ou menos orientado para o mesmo" - A resolução que dividiu o BES em dois, bom e mau, foi tomada a 3 de Agosto" (Expresso)

Face ao reparo da deputada Mariana Mortágua, "quer dizer, o dono disto tudo aparece como vítima disto tudo", é tempo de recordar o óbvio: Quanto mais dinheiro o Estado português injectar no BES, mais dinheiro terá o juiz no Luxemburgo para pagar aos credores da holding ESFG e menos dinheiro lá ficará para o governo português resgatar o investimento que está a fazer de 4,5 mil milhões de euros para salvar o BES

BES, Comssão de Inquérito. E a melhor frase do ano vai para...

"Já fomos nacionalizados uma vez e não queremos voltar a sê-lo. Somos suficientemente fortes para seguirmos o nosso caminho sem a ajuda do Estado" (Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, 13-02-2014)
pudera !!
os belos negócios corruptos  não poderiam nunca ser intervencionados - ó prá-qui a carinha excepcionalmente contente  deste eurodeputado ao assinar mais uma obra de promoção literária.
A cena passa-se em 2012, numa altura em que o BES já sabia ter entregue 30 milhões de luvas no negócio dos submarinos (foi em 2004), sendo garantidamente 5 milhões para os cinco ramos da famiglia Espirito Santo  e os restantes para ser entregues... a alguém até ao dia tal, não se sabe bem a quem, segundo diz agora Ricardo Salgado... era a uma pessoa, que ia a passar (por mero acaso da Escom) e pimba, é pá!? tu não és tal o gajo que precisava de 15 milhões para dar milho aos pombos? toma lá a guita que depois logo me dizes qualquer coisinha, tá bem pá? não é preciso papéis...

Qualquer mortal contribuinte português esperará que sobre a questão deste cobrador-fantasma esta seja uma das tais "perguntas que não podem deixar de ser feitas". Veremos o que a (não)Oposição ao regime encabeçada pelo PS pretende investigar. É uma das questões mais simples de apurar - a corrupção entre as mais altas esferas governamentais e a banca. E por causa ou talvez não, o deputado que lidera o grupo na Comissão diz que “não deixaremos nada de fora, nem os actos de gestão, nem a supervisão, nem a responsabilidade do Governo(hum!)

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Lisboa, vista pelos olhos de portugueses

a Administração da TAP, em vésperas da greve remeteu ao Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil – SNPVAC (com quem dizia querer negociar) a denúncia do Acordo de Empresa subscrito em 2006, apresentando uma proposta de novo Acordo que pretende tornar “legais” todas as ilegalidades e patifarias cometidas desde há 8 anos para cá - ainda por cima dizendo acintosamente aos trabalhadores que “fossem para Tribunal”. A privatização pressupõe e implica a destruição da contratação colectiva e a eliminação de todos os direitos e regalias nela previstos.

vale a pena lutar, para poder sempre voltar
imagens gravadas a bordo de um Airbus33o pelo Comandante António Escarduça

domingo, dezembro 07, 2014

o Horror Sionista

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Enfadado com as condenações sobre os direitos humanos na Palestina que chegam de todo o mundo, inclusiva- mente do interior do próprio governo do terrorista Netanyahu, este acaba de demitir 2 ministros que considera serem "moderados" em demasia, convocando novas eleições no Estado religioso de Israel. Portanto, trata-se agora de "escolher" entre um Estado criminoso racista Sionista convencional e um Estado criminoso racista de Extrema-Direita mandatado para exterminar quem tenha a ousadia de se assumir como oposição à invasão da sua própria terra.

o Governo de Netanyahu fará aprovar um projecto de lei que estabelece a natureza étnica exclusivamente "hebraica/judaica" ao Estado de Israel (fonte) Caberá aqui recordar o já célebre livro do académico Schlomo Sand "O Povo Judeu è uma Invenção" (The Invention of Jewish People, 2006, ainda/nunca traduzido em Portugal)... id quod eris demonstrat, que os racistas à frente do destino deste Estado-fora-da-lei são na realidade um gang de criminosos de delito comum passiveis de guia de marcha para o Tribunal Internacional de Haia

sábado, dezembro 06, 2014

Yes, We Podemos

O movimento “Podemos” acaba de apresentar em Espanha uma proposta para discussão de programa económico “para que sirva como ponto de partida para a elaboração de um programa de governo com o qual concorrerá às próximas eleições legislativas – um documento assinado pelos economistas Vicenç Navarro e Juan Torres López intitulado “Democratizar a economia para sair da crise melhorando a equidade, o bem-estar e a qualidade de vida – uma proposta de debate para solucionar os problemas da economia espanhola”. É um documento base que faz o diagnóstico da actual situação de grave crise para traçar linhas estatégicas para propostas concretas de governo a levar a cabo por mais que uma legislatura visando uma profunda transformação social. Não é ainda um programa de governo, o qual deverá resultar de um trabalho mais amplo de debate “com peritos em economia de dentro ou fora da organização do Podemos” de onde sairão as medidas concretas.

Venha o voto e depois logo se vê
"queremos obter um “máximo acordo social"
Alemanha, anos 20, Georg Grosz
“Desejamos alcançar um modelo de economía diferente e uma sociedade mais justa e satisfatória para todas as pessoas sem distinção. Para que tal seja possível, acreditamos que as propostas devem basear-se num diagnóstico realista para determinar quais são os melhores remédios para os males que sofremos e evitar a fraude intelectual que tantas vezes os líderes do PSOE e do PP se comprometeram. Por exemplo, quando nos seus programas eleitorais de 2008 (e já em crise) o PSOE afirmou que o seu futuro governo iria alcançar o pleno emprego em Espanha ou o PP de Rajoy disse em 2011 que iria criar 3,5 milhões de empregos quando fosse governo. Quando afinal as medidas que vêm sendo adoptadas em Espanha nos últimos anos produziram o maior aumento na desigualdade da nossa história recente, provando-se que elas não foram concebidas, como eles dizem, para sair da crise, mas para favorecer os grupos mais poderosos que detêm o poder económico e financeiro e ao longo de décadas se tornaram ainda mais fortes pelo apoio que lhes dá uma União Europeia, também ela dominada por grupos dessa natureza. A partir de agora é essencial um grande acordo social para enfrentar a ditadura real que estamos a viver nos assuntos económicos. No final do documento resume-se em 7 pontos que o “Podemos” deverá propor um grande Pacto a todos os indivíduos e operadores económicos para fazer a democracia chegar à economia, por forma a distribuir de forma justa os sacrifícios e os benefícios das medidas a tomar, ao contrário do que tem acontecido até agora. Perceber isso implicaria um acordo sobre os seguintes temas e termos centrais que se desenvolveram nas secções anteriores:

Lenine, Jesus Cristo e o Rato Mickey (Alexander Kosolapov)
1. A reforma financeira começa com o reconhecimento do crédito como um bem público essencial para a economia.
2. Pacto sobre rendimentos que leve ao aumento da participação dos salários nos rendimentos para os níveis existentes, por exemplo, no final dos anos noventa
3. Reforma fiscal para combater a evasão fiscal, com taxas efectivas de imposto para todos os tipos de rendimentos que aumenta a equidade global do sistema, e criar novos impostos para desencorajar a especulação e incentivar o investimento produtivo, equidade e sustentabilidade da actividade económica.
4. Reforma das administrações públicas para melhorar a sua eficiência, obter economias em gastos desnecessários e contribuir da melhor maneira possível para criar riqueza produtiva
5. Aumento dos gastos sociais na perspectiva de os aproximar dos programas dos fundos médios de resgate e apoio europeu que garanta a todos os cidadãos uma renda mínima de subsistência conforme os direitos inscritos na Constituição espanhola.
6. Acordo sobre estratégia global para tornar a dívida sustentável
7. Estratégia para repensar as políticas europeias que sufocam as economias e os grupos sociais mais fracos, as quais demonstraram ser completamente ineficazes na resolução dos problemas da recessão, fazendo com que, pelo contrário, esta ficasse pior, com maior desemprego, mais da pobreza e o continuado aumento da dívida.

A situação em que a economia espanhola se encontra é muito difícil, quase de emergência, e há uma grande probabilidade de que no futuro próximo voltarem a acontecer situações de grande agitação no mundo, porque os principais problemas que geraram a instabilidade sistémica financeira e no meio ambiental não foram de modo nenhum resolvidos. Mas nós Podemos resolvê-los com êxito se se apontarem as causas que provocaram a situação e fizermos o esforço necessário para resolver os problemas se os repartirmos com equidade” (ver proposta do programa original aqui em castelhano)

É um texto redigido em social-democratês, recheado de lugares-comuns e destinado a apaziguar a luta de classes, que neste momento constitui o objectivo principal dos patrões e da classe dominante. Toda a gente é levada a concordar, especialmente com os muitos elementos de política geral (uma economia a serviço da maioria social, uma economia sustentável, etc.) e alguns pontos específicos. A questão da Europa assim como a questão, do Euro e do default/reestruturação da dívida, não faz referência a qualquer auditoria cidadã ao processo de endividamento. E não tendo um lugar central é insuficiente ver no documento uma base para discussão. Mas fica claro, a batalha da dívida, que é uma batalha Europeia, não está ganha, não haverá keynesianismo ou rendimento básico ou terceira via. Haverá apenas mais austeridade.

Sérias dúvidas há também quanto à questão central do emprego quando confrontado com o modelo capitalista. Ficam por esclarecer as profundas diferenças no diagnóstico do capitalismo financeirizado nas escolas neo-keynesianas e outras leituras, como a de Robert Brenner e David Harvey, sem que exista no documento de Navarro e Torres uma única posição marxista na análise ao sistema de crédito.  Sugere-se o reforço dos sistemas de crédito públicos e o "direito ao crédito".  Não deve existir nada contra o empréstimo propriamente dito, desde que este seja par a assegurar que os níveis salariais crescem o suficiente sustentados no trabalho produtivo para toda a sociedade não ficar sob um novo tipo de "servidão pela dívida" como aquela que ainda estamos a viver . Gasta-se aqui também uma boa porção de papel falando em fortalecer os sindicatos - mas, se avançarmos um cenário de fraco investimento privado por um lado num contexto onde permanece a atomização das empresas e a precariedade pela retirada do capital pela banca, descobrimos que o sector privado de pouco pode valer à união sindical se o grande empregador é o Estado. O rendimento básico para todos, com especial ênfase nos desempregados, aparece aqui literalmente apagado do mapa, conquanto em conjunto com os milhões de empregados precários  esta actualmente seja a melhor base social possível para a negociação contra o capital.

Boaventura Sousa Santos diz estarmos perante um "partido-movimento de tipo novo" - novo? assenta numa proposta de conciliação de classes, tipicamente social-democrata na esperança que esta se torne global por caridade dos ricos, omisso quanto ao imperialismo e ao seu braço armado, a Nato - resta saber se o capitalismo, no seu estado actual de decadência e degradação do processo de acumulação de capital, poderia sustentar de novo um regime social-democrata. (Visão)