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quarta-feira, março 13, 2013

O mal estar nas Forças Armadas radica na mesma escolha que causa o mal estar na Sociedade (II)

Cerca de 300 altas patentes das Forças Armadas reuniram-se recentemente em dois jantares para contestar os cortes determinados pelo Ministério de 218 milhões de euros e abater 8000 efectivos – que sortudos são os militares! quando este governo pretende cortar 4 mil milhões na coesão da sociedade civil e se perdem 535 empregos por dia no sector privado, situação que já se mantém desde 2008. Mas para quem tem emprego fixo à sombra deste modelo de Estado, a alta preocupação das Altas Patentes não é bem essa, mas sim de como “a descaracterização da condição da condição militar torna a instituição incapaz de acudir à defesa do país” – mentira! como parte da NATO em caso de ataque a um país-membro as forças conjuntas da organização intervêm militarmente para assegurar o estatuto vigente do Estado.

Compreensivelmente, as aflições nas FA variam consoante as classes sociais de cada posto: a associação de Praças estão “solidárias com os anseios de uma vida melhor para o povo”, os sargentos não operacionais na sua modesta condição obsoleta pensam ainda ser filhos do povo e “juram nunca servir de instrumento de repressão sobre os seus concidadãos”, finalmente, os Oficiais “pretendem questionar o rumo do país de que fazem parte”. Subam a fasquia e perguntem ao ministro Aguiar-Branco, que diz ter peso reduzido nas decisões, limitando-se a cumprir directivas (como é bom de se subentender) quais são as tarefas a executar fielmente que lhe são transmitidas na sua qualidade de Bilderberg`er.

O General Garcia Leandro diz que “estamos à beira do abismo”: os cortes sem planeamento, a situação incontrolável, a confiança no actual titular da Defesa “está irremediavelmente ferida!”. O General Melo Gomes afirma que com o congelamento das carreiras, não há a devida ponderação”, isto é, o colecionismo de medalhas pode sofrer penalizações. E “se agora falta o combustível, há desinvestimento em infra-estruturas, degradação de salários e perda de regalias na saúde militar”, os Generais em geral avisam que “este é um castelo de cartas ao qual basta tirar mais uma para tudo desabar” – eis aqui portanto a ameaça velada do golpe militar palaciano de extrema-direita, que é apenas o que falta a Cavaco Silva para lhe preencher o ego enquanto comandante supremo do Estado Maior das Forças Armadas. E dizem todos em coro “ser preciso manter a serenidade, a coesão e a disciplina” pense cada classe por si para que é que estas merdas servem.

Servem para o General Luis Araújo, na visita à missão no Líbano (foto acima à direita), afirmar a sua concordância na “compra de menos meios, mas ter mais capacidade de intervenção”, senão, no caso da União Europeia, da NATO, da ONU ou da CPLP, Portugal não receberá fundos de coesão, nem terá voz activa, senão houver participação nas missões internacionais” – este é o negócio, que responde cabalmente à pergunta: “onde é que está o inimigo para tanto general junto, desfardado e sem insígnias? – este é o mesmo negócio que abateu o antigo ministro Amaro da Costa em Camarate, vítima de um velho saco azul criado pelo Salazarismo para os Militares à margem da contabilidade pública.
(continua)
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1 comentário:

Anónimo disse...
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