dá para rir, mas não anda muito longe da verdade...
Uma simples mistificação dos economistas da escola neoliberal norte-americana, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias de Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos. Neste sentido, só o Presente é nosso, não o momento passado nem aquele que aguardamos, porque um está destruido, e do outro, se não lutarmos, não sabemos se existirá.
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quarta-feira, fevereiro 17, 2010
terça-feira, fevereiro 16, 2010
o último dos paradigmas?
"Há por aí muito ruído em questões que, tendo importância, lateralizam a questão central da necessidade de ruptura e de mudança na política nacional" (Jerónimo de Sousa)
Fazer de cada país com as suas linhas artificiais de fronteira, a cerca virtual, um enorme campo de concentração onde cada pessoa comum esteja subjugada a uma ordem autoritária, mascarada de democrática, em nome da sua própria protecção? em nome do estado de excepção ligado a uma guerra Imperial - nem Hitler ousaria sonhar poder implantar tal Ordem. Mas as coisas entretanto evoluiram; como disse Edward Bernays “Se se conhece a lógica e dominam os mecanismos que regulam o comportamento de um grupo, pode-se controlar e arregimentar as massas populares em proveito do Poder de forma insuspeita, usando a psicologia e o subconsciente individual das pessoas”
O que é um campo de concentração?
(Giorgio Agamben)
“Aquilo que ocorreu nos campos de concentração supera de tal modo o conceito juridíco de crime que muitas vezes se tem esquecido considerar a verdadeira estrutura juridico-politica sob a qual esses acontecimentos se produziram. Um campo é o lugar em que se realizou a mais absoluta “conditio inhumana” que jamais terá tido lugar sobre a terra: é o mesmo que dizer, em última instância, aquilo que conta tanto para as vítimas como para os descendentes. Aqui seguiremos deliberadamente uma orientação inversa. Em vez de deduzir a definição de campo pelos acontecimentos produzidos, perguntaremos de outro modo melhor: o que é um campo? qual é a sua estrutura juridico-politica? porque puderam ter tido lugar semelhantes acontecimentos?
Tudo isto nos levará a olhar o campo, não como facto histórico nem como uma anomalia pertencente ao passado (ainda se, eventualmente, este está todavia por ser verificado), senão, de alguma maneira, à matriz escondida, ao “nomos” do espaço politico em que vivemos. Os historiadores discutem ácerca da primeira aparição dos campos de concentração se deva identificar com os campos criados pelos espanhóis em Cuba em 1896 para reprimir a insurreição da população da colónia, ou com a concentração em campos nos quais os ingleses no principio do século XX reuniram os Boers. O que importa aqui é que, em ambos os casos, se trata da extensão a uma população civil inteira de um estado de excepção ligado a uma guerra colonial. Os campos nascem não do direito comum (e nunca, como facilmente se pode crer, de uma transformação e de um desenvolvimento do encarceramento), senão do estado de excepção e da lei marcial. Isto é todavia mais evidente para os Langer nazis, sobre cuja origem e regime juridico estamos bem documentados. Sabido que a base juridica do internado não era o direito comum mas sim, literalmente “a custódia protectora” (a Schutzhaft), uma instituição juridica de origem prussiana que os juristas nazis classificaram por vezes como uma medida policial preventiva, porquanto permitia “tomar sob custódia” individuos independentemente de qualquer comportamento penal relevante, unicamente com o fim de evitar um perigo para a segurança do Estado. Porém a origem da “Schutzhaft” estava na Lei prussiana de 4 de Junho de 1851 sobre o estado de ansiedade social que em 1871 se estendeu a toda a Alemanha (à excepção da Baviera) e, muito antes, na Lei prussiana sobre a “protecção da liberdade pessoal” de 12 de Dezembro de 1850 (dois anos depois da Revolução de 1848), que encontraria depois grande aplicação por ocasião da 1ª grande guerra mundial” (ler ensaio completo publicado em castelhano no IADE)
“O que ocorre neste momento é a produção de uma espécie de campo de concentração indolor para sociedades inteiras, de tal modo que a população será privada da sua própria liberdade, mas sentir-se-á feliz por si, porque será dissuadida do desejo de se rebelar – através da lavagem ao cérebro pela propaganda, ou por lavagem ao cérebro por métodos farmacológicos; e isto parece ser a Revolução Final”
Fazer de cada país com as suas linhas artificiais de fronteira, a cerca virtual, um enorme campo de concentração onde cada pessoa comum esteja subjugada a uma ordem autoritária, mascarada de democrática, em nome da sua própria protecção? em nome do estado de excepção ligado a uma guerra Imperial - nem Hitler ousaria sonhar poder implantar tal Ordem. Mas as coisas entretanto evoluiram; como disse Edward Bernays “Se se conhece a lógica e dominam os mecanismos que regulam o comportamento de um grupo, pode-se controlar e arregimentar as massas populares em proveito do Poder de forma insuspeita, usando a psicologia e o subconsciente individual das pessoas”
O que é um campo de concentração?
(Giorgio Agamben)
“Aquilo que ocorreu nos campos de concentração supera de tal modo o conceito juridíco de crime que muitas vezes se tem esquecido considerar a verdadeira estrutura juridico-politica sob a qual esses acontecimentos se produziram. Um campo é o lugar em que se realizou a mais absoluta “conditio inhumana” que jamais terá tido lugar sobre a terra: é o mesmo que dizer, em última instância, aquilo que conta tanto para as vítimas como para os descendentes. Aqui seguiremos deliberadamente uma orientação inversa. Em vez de deduzir a definição de campo pelos acontecimentos produzidos, perguntaremos de outro modo melhor: o que é um campo? qual é a sua estrutura juridico-politica? porque puderam ter tido lugar semelhantes acontecimentos?
Tudo isto nos levará a olhar o campo, não como facto histórico nem como uma anomalia pertencente ao passado (ainda se, eventualmente, este está todavia por ser verificado), senão, de alguma maneira, à matriz escondida, ao “nomos” do espaço politico em que vivemos. Os historiadores discutem ácerca da primeira aparição dos campos de concentração se deva identificar com os campos criados pelos espanhóis em Cuba em 1896 para reprimir a insurreição da população da colónia, ou com a concentração em campos nos quais os ingleses no principio do século XX reuniram os Boers. O que importa aqui é que, em ambos os casos, se trata da extensão a uma população civil inteira de um estado de excepção ligado a uma guerra colonial. Os campos nascem não do direito comum (e nunca, como facilmente se pode crer, de uma transformação e de um desenvolvimento do encarceramento), senão do estado de excepção e da lei marcial. Isto é todavia mais evidente para os Langer nazis, sobre cuja origem e regime juridico estamos bem documentados. Sabido que a base juridica do internado não era o direito comum mas sim, literalmente “a custódia protectora” (a Schutzhaft), uma instituição juridica de origem prussiana que os juristas nazis classificaram por vezes como uma medida policial preventiva, porquanto permitia “tomar sob custódia” individuos independentemente de qualquer comportamento penal relevante, unicamente com o fim de evitar um perigo para a segurança do Estado. Porém a origem da “Schutzhaft” estava na Lei prussiana de 4 de Junho de 1851 sobre o estado de ansiedade social que em 1871 se estendeu a toda a Alemanha (à excepção da Baviera) e, muito antes, na Lei prussiana sobre a “protecção da liberdade pessoal” de 12 de Dezembro de 1850 (dois anos depois da Revolução de 1848), que encontraria depois grande aplicação por ocasião da 1ª grande guerra mundial” (ler ensaio completo publicado em castelhano no IADE)
“O que ocorre neste momento é a produção de uma espécie de campo de concentração indolor para sociedades inteiras, de tal modo que a população será privada da sua própria liberdade, mas sentir-se-á feliz por si, porque será dissuadida do desejo de se rebelar – através da lavagem ao cérebro pela propaganda, ou por lavagem ao cérebro por métodos farmacológicos; e isto parece ser a Revolução Final”Aldous Huxley in “The Ultimate Revolution”, 1962
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
está de chuva! vamos ter prejuizo por falta de espectadores; não poderemos parar o Carnaval neocon?
uma super-excitada interlocutora no forum da TSF, militante do psd que "se interessa pela politica", acaba de nos dizer em directo que venha quem vier para a liderança não conseguirá quaisquer resultados relevantes: porque o partido está podre. Temos desde sempre assistido à prática habitual da grande massa de militantes que fazem campanhas, que, quando se apercebem que vamos perder a eleição, acabam invariavelmente a apoiar o partido contrário, para que não venham a ser excluidos das listas dos lugares nas administrações públicas". Falou. (ou que se mudem, privatizando-se, para que os lugaritos possam ser melhor explorados. É fartar vilanagem!)assim sendo, tachistas do grande centrão, esfolai-vos;
há que cerrar fileiras em torno do momo Grande Mentiroso;
e não perder o lugar no grande cortejo da Corrupção...
domingo, fevereiro 14, 2010
peremptoriamente
o rastilho grego de uma potencial hecatombe financeira está aceso, cujo choque em cadeia poderá desencadear um processo de crise social em toda a zona euro. A crise fiscal é a segunda vaga de desmoronamento dos mercados mundiais. Há razões de peso para que a União Europeia tome medidas urgentes sobre a insolvência da Grécia. Face ao pânico, (a debacle do euro) não faltarão ratos a querer abandonar o barco, no refluxo da partida quando a moeda prometia lautos privilegios (barrosistas).
Sob este pano de fundo, um destes dias um enviado à Europa pelo partido que vendeu ao Citigroup a divida em falta ao fisco, combinou uma comunicação ao país em horário nobre dos telejornais para se dirigir "aos portugueses". Paulo Rangel conhece-me de algum lado para se me dirigir nesses termos? claro que lhe desligamos o botão da tv nas fuças, mas como nos podemos escapar ao despejo da mensagem de "que brevemente seremos (os do PSD) chamados a desempenhar funções de responsabilidade no país"?.Ai sim? e isso foi decidido por quem? Gott mit uns! dirá com certeza o BCE. Por cá, Rangel apela decerto ao desespero de milhares de desempregados; mas para isso deveria continuar onde estava; no emprego para onde foi eleito; na diáspora para onde têm fugido centenas de milhar de portugueses amenizando desta forma as estatisticas governamentais sobre o desemprego. Em nome da maior vaga de emigrantes forçados desde os anos 60 pergunta-se: quantos escassos meses tem esta solene declaração? mais um trafulha apanhado em flagrante, que vira o bico ao prego e se propõe vir fazer pela vida onde ela é mais fácil:
sábado, fevereiro 13, 2010
estado dos Republicanos, 100 anos depois
então cá vai um gole para esquecer a união de facto entre o Daniel Oliveira e o estilo P"S" que lhe daria mais jeito. Então - doutora Ana Gomes e camarada do Bloquista social-democrata - vejam lá se conseguem correr do panorama com os boys dos negócios (segundo se depreende Rui Pedro Soares seria o meteórico yuppie indigitado para substituir José Eduardo Moniz à frente da TVI) - mas, mesmo considerando que se conseguia a missão impossivel de repôr o P"S" no estado original de antes da cabala Casa Pia (um golpe como agora coordenado nos bastidores pela seita neocon oposicionista) - o que é que nós cidadãos comuns em geral - bloqueados na participação - teriamos que ver com mudanças internas e trocas entre boys da economia corporativa pelos boys da politica corporativa?sexta-feira, fevereiro 12, 2010
o caso "Escuta e publica", a ver se saem de lá eles e entramos nós...
"Cada vez que o presidente do Supremo Tribunal de Justiça ou o Procurador-geral da República se pronunciam sobre o tema, maior é a confusão" - José Luis Cardoso, no Público, sobre a divulgação de dados sobre os processos Freeport e Face Oculta.
"A violação do "segredo de justiça" deixou de ser uma ilegalidade para se transformar num facto politico ligado a interesses pessoais ou de grupo (...) No caso de o PS vir a admitir o inquérito parlamentar tal facto teria consequências gravosas: "Recorde-se que o PSD foi recentemente confrontado no Parlamento com o caso BPN e as consequências aí estão: a ex-ministros e altos dirigentes do PSD são imputadas condutas delituosas da maior gravidade. Não estão interessados neste ou qualquer outro inquérito parlamentar. Admiti-los constituiria um precedente perigoso. É que casos como os dos submarinos ou operação Furacão teriam consequências demolidoras para as suas ambições de poder".
Fica claro que no jogo da alternância PS-PSD/CDS não se passa nada que possa ser apresentado como novidade. Toda a gente dentro desse universo restrito tem escândalos para a troca. Mas o negócio carnavalesco do escuta&publica está a dar bons resultados comerciais para os mediadores das "noticias"
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"A violação do "segredo de justiça" deixou de ser uma ilegalidade para se transformar num facto politico ligado a interesses pessoais ou de grupo (...) No caso de o PS vir a admitir o inquérito parlamentar tal facto teria consequências gravosas: "Recorde-se que o PSD foi recentemente confrontado no Parlamento com o caso BPN e as consequências aí estão: a ex-ministros e altos dirigentes do PSD são imputadas condutas delituosas da maior gravidade. Não estão interessados neste ou qualquer outro inquérito parlamentar. Admiti-los constituiria um precedente perigoso. É que casos como os dos submarinos ou operação Furacão teriam consequências demolidoras para as suas ambições de poder".Fica claro que no jogo da alternância PS-PSD/CDS não se passa nada que possa ser apresentado como novidade. Toda a gente dentro desse universo restrito tem escândalos para a troca. Mas o negócio carnavalesco do escuta&publica está a dar bons resultados comerciais para os mediadores das "noticias"
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quinta-feira, fevereiro 11, 2010
amanhã de manhã cedo começa a época balnear, com a grande corrida ao Sol...
"Quando o primeiro computador quântico entrar em funcionamento, todos os sistemas de transmissão de informação deixarão de ser seguros." (Arthur Eckert)
"Ao fim de várias horas e de múltiplas tentativas, o oficial de Justiça conseguiu entregar a notificação da providência cautelar... ao porteiro do jornal Sol, em nome da sociedade gestora do semanário, que não tem competência editorial. O semanário SOL (cujo accionista determinante é a holding do empresário Joaquim Coimbra, uma figura ligada ao PSD) estará amanhã nas bancas como habitualmente (se à hora da saida para os distribuidores o 1º ministro e a policia de choque não estiverem lá à porta). "A Direcção do jornal tomou conhecimento através da comunicação social de uma providência cautelar interposta por uma figura citada nas notícias, não tendo sido notificado, porém, nenhum membro da administração da empresa ou da direcção do jornal. A Administração e a Direcção do SOL agradecem as múltiplas mensagens de apoio recebidas" e contam que com a vossa generosa ajuda esgotem o jornal para no fim ficarem a saber o mesmo. Sim, porque o essencial já toda a gente sabe...
Aqui vem o sol, aqui vem o sol e eu digo que
Está tudo bem
Meu bem, Foi um inverno solitário, frio e longo
Meu bem, parece k faz anos desde que ele esteve aqui pela última vez
Lá vem o sol, lá vem o sol e eu digo que
Está tudo bem
"Ao fim de várias horas e de múltiplas tentativas, o oficial de Justiça conseguiu entregar a notificação da providência cautelar... ao porteiro do jornal Sol, em nome da sociedade gestora do semanário, que não tem competência editorial. O semanário SOL (cujo accionista determinante é a holding do empresário Joaquim Coimbra, uma figura ligada ao PSD) estará amanhã nas bancas como habitualmente (se à hora da saida para os distribuidores o 1º ministro e a policia de choque não estiverem lá à porta). "A Direcção do jornal tomou conhecimento através da comunicação social de uma providência cautelar interposta por uma figura citada nas notícias, não tendo sido notificado, porém, nenhum membro da administração da empresa ou da direcção do jornal. A Administração e a Direcção do SOL agradecem as múltiplas mensagens de apoio recebidas" e contam que com a vossa generosa ajuda esgotem o jornal para no fim ficarem a saber o mesmo. Sim, porque o essencial já toda a gente sabe...
Aqui vem o sol, aqui vem o sol e eu digo queEstá tudo bem
Meu bem, Foi um inverno solitário, frio e longo
Meu bem, parece k faz anos desde que ele esteve aqui pela última vez
Lá vem o sol, lá vem o sol e eu digo que
Está tudo bem
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Capital e Religião (sem Trabalho) II
Segundo monsenhor António Barbosa, Ramalho Eanes, o insigne católico Conselheiro de Estado e mandatário de Cavaco Silva, não pertence à Opus Dei.
a conferir com a regra 191 de “O Caminho” consagrado na Constituição da Ordem religiosa em 1950: “…os membros supranumerários deverão observar sempre um silêncio prudente no respeitante aos nomes de outros membros; e nunca revelar a ninguém o facto de eles pertencerem ao Opus Dei… a menos que expressamente autorizado a fazê-lo pelo seu director espiritual local” - será por esta razão que o messiânico Cavaco é sempre tão parco em opiniões?
"Uma vez que fui abandonado e traído por aqueles que eu considerava como meus aliados mais fidedignos, não possso deixar de recordar as operações que empreendi em nome dos representantes de São Pedro... Eu providenciei financiamento, através da América Latina, para navios de guerra e outro equipamento militar para ser utilizado para contrariar as actividades subversivas das bem organizadas e temíveis forças comunistas. Graças a estas operações, hoje a Igreja pode gabar-se de uma nova autoridade em países como a Argentina, Colômbia, Peru e Nicarágua”. (Roberto Calvi, em carta à prelatura católica de Roma, 1981)
Edward Biberman - Pietá
Calvi foi um banqueiro italiano dissidente da Opus Dei que foi assassinado depois do escândalo financeiro da insolvência do Banco Ambrosiano (o banco do Vaticano) aparecendo enforcado em 1982 debaixo de uma ponte em Londres.
No julgamento do crime que as “autoridades” italianas iniciaram em 2005 (com a “justiça” muito conveniente- mente a funcionar apenas 23 anos depois) a defesa sugeriu que havia um grande número de gente com motivos para ter cometido o crime, desde oficiais da prelatura do Vaticano que queriam assegurar o silêncio do banqueiro até aos operacionais da Máfia que teriam sido os seus executores e cujos negócios passavam pelos depósitos no banco de investimentos da Opus Dei. Especialistas em “direito legal” que seguiram o julgamento afirmaram que os procuradores não teriam qualquer oportunidade de provar as suspeitas tanto tempo depois; um factor adicional seria o da ausência de testemunhas chave, umas de que se desconhecia o paradeiro, outras já mortas.
A partir dos anos 60 a Igreja católica (sigla técnica ICAR), sob influência crescente da Opus Dei, deixou de interditar a Maçonaria, cujo Grão Mestre do Grande Oriente em Itália era Licio Gelli (da Loja maçónica Propaganda Due) parceiro privilegiado do governo democrata-Cristão de Giulio Andreotti. Como se sabe a Maçonaria é uma associação semi-secreta formada por um grupo de pessoas declaradamente anti-marxistas – a Igreja/Opus Dei invadiu o movimento Maçon e colonizou-o, constituindo-se como uma rede secreta “de direito” que controla bancos e imprensa, fazendo espionagem através dos executivos dos principais partidos em prol da pirataria empresária sobre as obras públicas do Estado. Da combinação “ao modus operandi italiano” de suborno e protecção ao estilo da Máfia resultou na Itália dos anos 90 a célebre Operação Mãos Limpas (Operazione Mani Pulite) que desmantelou o sistema partidário no país, (onde não havia quase quase ninguém limpo) abrindo caminho à hegemonia da “Força Itália” de Berlusconi, em cujo regime continua a não haver ninguém limpo em redor do aparelho de Estado. Nos anos 80 Andreotti, o primeiro ministro da democracia cristã, tinha ameaçado matar Roberto Calvi, o que mereceu o remoque do alvo: “se eles me matarem o Papa terá de se demitir”
Transcrição da página 321 do livro “O Mundo Secreto da Opus Dei" de Robert Hutchison: “O que dá à Opus Dei a sua importância é a influência que exerce a também autilização dos seus imensos recursos financeiros para espalhar o seu apostolado… A Opus Dei sabe muito bem que o dinheiro governa o mundo e que a hegemonia religiosa de um país ou de um continente está dependente da obtenção da hegemonia financeira (…) pela sua audácia a “Obra de Deus” atreve-se a fazer aquilo que outras ordens religiosas nunca sonhariam fazer: eles usam as mesma armas que os seus inimigos. Por isso contratam gente que considera indigna de respeito para que essas pessoas façam o seu trabalho sujo. (como por exemplo surripiar livros de contabilidade de bancos para empresas separadas onde o capital sonegado está a coberto de falência)… a Opus Dei faz distinção entre os seus membros e o resto do mundo. A instituição não tem receio de cooperar com gente de reputação duvidosa, escroques e até políticos socialistas. Mas a hierarquia da Opus Dei é cautelosa para garantir que essas pessoas não contaminem ou se aproximem demais da Obra. Uma vez usados lava deles as suas mãos, lança-os à mercê dos seu destino, abandona-os e despreza-os”
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a conferir com a regra 191 de “O Caminho” consagrado na Constituição da Ordem religiosa em 1950: “…os membros supranumerários deverão observar sempre um silêncio prudente no respeitante aos nomes de outros membros; e nunca revelar a ninguém o facto de eles pertencerem ao Opus Dei… a menos que expressamente autorizado a fazê-lo pelo seu director espiritual local” - será por esta razão que o messiânico Cavaco é sempre tão parco em opiniões?
"Uma vez que fui abandonado e traído por aqueles que eu considerava como meus aliados mais fidedignos, não possso deixar de recordar as operações que empreendi em nome dos representantes de São Pedro... Eu providenciei financiamento, através da América Latina, para navios de guerra e outro equipamento militar para ser utilizado para contrariar as actividades subversivas das bem organizadas e temíveis forças comunistas. Graças a estas operações, hoje a Igreja pode gabar-se de uma nova autoridade em países como a Argentina, Colômbia, Peru e Nicarágua”. (Roberto Calvi, em carta à prelatura católica de Roma, 1981)Edward Biberman - Pietá
Calvi foi um banqueiro italiano dissidente da Opus Dei que foi assassinado depois do escândalo financeiro da insolvência do Banco Ambrosiano (o banco do Vaticano) aparecendo enforcado em 1982 debaixo de uma ponte em Londres.No julgamento do crime que as “autoridades” italianas iniciaram em 2005 (com a “justiça” muito conveniente- mente a funcionar apenas 23 anos depois) a defesa sugeriu que havia um grande número de gente com motivos para ter cometido o crime, desde oficiais da prelatura do Vaticano que queriam assegurar o silêncio do banqueiro até aos operacionais da Máfia que teriam sido os seus executores e cujos negócios passavam pelos depósitos no banco de investimentos da Opus Dei. Especialistas em “direito legal” que seguiram o julgamento afirmaram que os procuradores não teriam qualquer oportunidade de provar as suspeitas tanto tempo depois; um factor adicional seria o da ausência de testemunhas chave, umas de que se desconhecia o paradeiro, outras já mortas.
A partir dos anos 60 a Igreja católica (sigla técnica ICAR), sob influência crescente da Opus Dei, deixou de interditar a Maçonaria, cujo Grão Mestre do Grande Oriente em Itália era Licio Gelli (da Loja maçónica Propaganda Due) parceiro privilegiado do governo democrata-Cristão de Giulio Andreotti. Como se sabe a Maçonaria é uma associação semi-secreta formada por um grupo de pessoas declaradamente anti-marxistas – a Igreja/Opus Dei invadiu o movimento Maçon e colonizou-o, constituindo-se como uma rede secreta “de direito” que controla bancos e imprensa, fazendo espionagem através dos executivos dos principais partidos em prol da pirataria empresária sobre as obras públicas do Estado. Da combinação “ao modus operandi italiano” de suborno e protecção ao estilo da Máfia resultou na Itália dos anos 90 a célebre Operação Mãos Limpas (Operazione Mani Pulite) que desmantelou o sistema partidário no país, (onde não havia quase quase ninguém limpo) abrindo caminho à hegemonia da “Força Itália” de Berlusconi, em cujo regime continua a não haver ninguém limpo em redor do aparelho de Estado. Nos anos 80 Andreotti, o primeiro ministro da democracia cristã, tinha ameaçado matar Roberto Calvi, o que mereceu o remoque do alvo: “se eles me matarem o Papa terá de se demitir”
Transcrição da página 321 do livro “O Mundo Secreto da Opus Dei" de Robert Hutchison: “O que dá à Opus Dei a sua importância é a influência que exerce a também autilização dos seus imensos recursos financeiros para espalhar o seu apostolado… A Opus Dei sabe muito bem que o dinheiro governa o mundo e que a hegemonia religiosa de um país ou de um continente está dependente da obtenção da hegemonia financeira (…) pela sua audácia a “Obra de Deus” atreve-se a fazer aquilo que outras ordens religiosas nunca sonhariam fazer: eles usam as mesma armas que os seus inimigos. Por isso contratam gente que considera indigna de respeito para que essas pessoas façam o seu trabalho sujo. (como por exemplo surripiar livros de contabilidade de bancos para empresas separadas onde o capital sonegado está a coberto de falência)… a Opus Dei faz distinção entre os seus membros e o resto do mundo. A instituição não tem receio de cooperar com gente de reputação duvidosa, escroques e até políticos socialistas. Mas a hierarquia da Opus Dei é cautelosa para garantir que essas pessoas não contaminem ou se aproximem demais da Obra. Uma vez usados lava deles as suas mãos, lança-os à mercê dos seu destino, abandona-os e despreza-os”.
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sou Blogger, apareço na tv e nos jornais, logo Existo
Ler noticias nos jornais ou “vê-las” nas televisões (e também dar demasiada importância a bloggers cada vez mais convertidos ao serviço das corporações) é a forma mais perfeita que o leitor (ou ouvinte) tem de se converter num robot. O objectivo essencial da “notícia expresso” é a mesma da comida rápida: a informação não está orientada a alimentar o conhecimento, mas apenas a engordar a ignorância massiva.
Utiliza-se a estrutura mediática para reconverter o cérebro humano num microchip repetidor de slogans ao serviço da dominação, sem que seja preciso recorrer ao uso das armas da repressão policial ou militar.
Neste sistema modulado como sendo “um mundo único” apenas uma escassa minoria elabora e consome “análises ou interpretações” sobre os acontecimentos que se vão sucedendo. A nível massivo “as noticias” ou “a informação” publicada sintetizam-se em títulos, bitaites e parágrafos curtos que se resumem a si mesmos. Nascem e morrem com a mesma velocidade da leitura. (Manuel Freytas)
Não há contexto, não existe história, não há relação nem causalidade entre um acontecimento e outro acontecimento, e as “noticias”, como as imagens só se fixam (e desaparecem) na retina enquanto olhamos para elas, as lemos ou as escutamos. Para as agências de comunicação, diários e grandes cadeias mediáticas este formato de “consumo” é o ideal. O que é que esses tipos auto- denominados de “direita e esquerda pela liberdade” (hellas, o mundo único) que são levados ao colo pelos jornais querem mais?
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Utiliza-se a estrutura mediática para reconverter o cérebro humano num microchip repetidor de slogans ao serviço da dominação, sem que seja preciso recorrer ao uso das armas da repressão policial ou militar.Neste sistema modulado como sendo “um mundo único” apenas uma escassa minoria elabora e consome “análises ou interpretações” sobre os acontecimentos que se vão sucedendo. A nível massivo “as noticias” ou “a informação” publicada sintetizam-se em títulos, bitaites e parágrafos curtos que se resumem a si mesmos. Nascem e morrem com a mesma velocidade da leitura. (Manuel Freytas)
Não há contexto, não existe história, não há relação nem causalidade entre um acontecimento e outro acontecimento, e as “noticias”, como as imagens só se fixam (e desaparecem) na retina enquanto olhamos para elas, as lemos ou as escutamos. Para as agências de comunicação, diários e grandes cadeias mediáticas este formato de “consumo” é o ideal. O que é que esses tipos auto- denominados de “direita e esquerda pela liberdade” (hellas, o mundo único) que são levados ao colo pelos jornais querem mais?
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terça-feira, fevereiro 09, 2010
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Trabalho, Capital e Religião
o Mundo Secreto da Opus Dei
“Deus colocou o homem no jardim do Paraiso para que o cultivasse” (o 15º verso do Génesis) de onde se poderia concluir que tinha criado o homem para trabalhar.
Assim a mensagem era simples: santificar o trabalho, santificar-se através do trabalho e santificar os outros no seu trabalho. O trabalho estava arreigado no âmago da condição humana. Fazia parte do plano de Deus. O padre Josemaria Escrivá de Balaguer passou-os mais tarde em 1939 ao papel no livro “Caminhos”, um manual de 999 preceitos de boa conduta para cristãos. O principio de uma prática doutrinária saída da vitória do Fascismo em Espanha que se tornaria universal. A missão da Opus Dei pouco tinha a ver com salvar almas de individuos. Tinha a ver com salvar o patrão do Pai Escrivá, a Igreja Católica Romana em franco declinio. Tratava-se de criar uma verdadeira presença católica na cidade secular de Roma através da “ocupação de lugares de responsabilidade”.
A proposta foi uma correcção importante aos principios teológicos estabelecidos no século XIII por Tomás de Aquino (1225-74). Aquino defendia que o trabalho, em todas as suas formas, fora uma condição da queda em desgraça do homem e portanto um impedimento para a santidade. Mas uma vez que o trabalho era necessário tinha de ser tolerado enquanto bens e serviços fossem vendidos a um preço justo. Este principio foi rearfirmado pelo Concilio de Trento (1545-63) e declarado doutrina Católica oficial por Leão XIII em 1879. (Apenas e só quando a época das Revoluções operárias com o desenvolvimento do capitalismo de mercantil para industrial começaram a pôr em causa o estatuto dos Reis e dos seus séquitos como representantes de Deus na Terra - sob o slogan Pátria, Monarquia, Religião). Para muitos Deus era uma das primeiras baixas da alteração da ordem mundial. Para Nietzche “o maior acontecimento dos tempos recentes – Deus está morto – era que a crença no Deus cristão já não é sustentável; e isto começava a lançar as primeiras sombras sobre as classes dominantes.
De acordo com a “revelação” do fundador da Obra de Deus, do latim Opus Dei, Tomás de Aquino tinha-se enganado. Agora Escrivá não estava a agarrar-se a qualquer mito obscuro. O espectro do comunismo pairava por toda a Europa e os capitalistas estavam em pânico. Entre 1902 e 1923 o rei de Espanha Afonso XIII tinha ordenado trinta e três mudanças de governo, num país onde 60 por cento da população era analfabeta, a Igreja educava os filhos dos ricos, enquanto os pobres enfrentavam condições extremas de servidão. Na Rússia, no final da degradação deixada pela guerra, a vitória da Revolução dos Sovietes tinha cortado o pescoço a um possivel desenvolvimento do capitalismo; os Romanov foram assassinados e Churchill comentou que o massacre tinha desencadeado uma nova espécie de barbarismo no mundo. Em Fátima no ano de 1917 também a miserável e iletrada população rural tinha começado a ter visões celestiais para se furtar à triste realidade mantida em segredo, de que só o trabalho cria valor.
No mundo em criação da Opus Dei ao afirmar que o trabalho devia ser colocado à cabeça da vida Cristã, e que um leigo podia atingir a perfeição Cristã por meio da excelência profissional, o padre Escrivá estava a desbravar os próprios alicerces da Igreja de forma a re-orientar e reforçar os sistemas teológicos dela. Escrivá de Balaguer (que se auto flagelava com o cilicio) acreditava que a falha na filosofia de Aquino impedia a capacidade da Igreja de satisfazer as exigências espirituais de uma sociedade moderna e industrializada (...)
Enquanto Escrivá faria da tarefa de oposição à disseminação do Comunismo um dos principais objectivos da sua vida, para garantir que não haveria um regresso à tríade demoníaca, Anarquismo Liberalismo e Marxismo, o Papa Pio X tinha declarado guerra ao Modernismo espalhando o terror anti-liberal pela “enciclica Pascendi”: todo aquele que estivesse contaminado pelas “ideias modernas” seria excluido dos serviços públicos ou do ensino. Foram montadas redes de informadores secretos. Quem se opusesse à “Pascendi” seria excomungado.
Desde o começo, a Opus Dei levou uma existência por camadas, apenas com a camada exterior para consumo das massas; as sucessivas camadas interiores eram reservadas para postos mais altos na hierarquia da seita. A preocupação principal era restituir à Igreja um papel central na sociedade. Isto permanece o âmago da Obra: “a tarefa de colocar Jesus i.e a Igreja no cume de toda a actividade humana através do mundo”. Fazer isto requer uma milícia dedicada, disciplinada – tropas de vários postos e posições que, pela santificação do seu trabalho, santificam i.e convertem outros e santificam o local do trabalho – sob o manto diáfano da alienação religiosa os interesses do Capital deixariam deste modo de ser escrutinados pela visibilidade pública
“Vede, eu enviei-vos como carneiros no meio de lobos por isso sede astutos como serpentes e inocentes como pombas” Mateus 10:16
A frase “Dádiva de Deus à Igreja do Nosso Tempo” foi usada por um dos sete juizes da Congregação das Causas dos Santos ao recapitular as suas razões para apoiar a beatificação de São José Escrivá de Balaguer por João Paulo II, um papa que já foi entronizado pela Opus Dei com o trabalho de bastidores do bispo alemão Ratzinger. O padre Vladimir Felzmann, próximo de Basil Hume, arcebispo de Westminster, sustenta que a Opus Dei é o melhor meio que a Igreja Católica Apostólica Romana encontrou para recriar as Ordens Religiosas Militares da Idade Média.
Influência da Espanha secular na ICAR
O General Primo de Rivera ascendeu ao poder em Espanha pelo golpe de Estado de 1923. Josémaria Escrivá foi ordenado padre em 1925. Na época um obscuro major de seu nome Francisco Franco y Bahamonde atacava o baluarte do berbére Abd el-Krim nas montanhas de Marrocos, onde conhece o jovem tenente Luis Carrero Blanco. Um dos mais íntimos amigos do futuro ditador, o coronel Juan de Yague, então no comando da Legião Estrangeira Espanhola seria o primeiro a utilizar a palavra “Cruzada” para definir o levantamento nacional-fascista: “A nossa guerra não é uma guerra civil... Sim, a nossa guerra é uma guerra religiosa. Nós que combatemos, sejamos Cristãos ou Muçulmanos, somos soldados de Deus e não lutamos contra homens mas contra o ateismo e o materialismo”. Diria Manuel Azaña: “se a força fascista triunfar contra a República regressaremos a uma ditadura militar eclesiástica do tipo que é tradicional em Espanha... Haverá sabres, paradas militares e procissões em honra da Virgem do Pilar. O país não é capaz de mais nada”. Dir-se-ia hoje, a Ibéria não é capaz de mais nada?
notas
Este post segue o teor do livro de Robert Hutchison "O Mundo Secreto do Opus Dei - Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico". Outra literatura sobre os temas versados:
Charles Raw “The Moneychangers” (sobre o escândalo do Banco Ambrosiano)
Raanan Rein "Franco, Israel y los judíos"
Michael Walsh “The Secret World of Opus Dei”
Gerald Brennan “The Spanish Labyrinth”
Paul Johnson “History of Modern World”
Harry Gannes/ Theodore Repard “Spain in Revolt”
.
“Deus colocou o homem no jardim do Paraiso para que o cultivasse” (o 15º verso do Génesis) de onde se poderia concluir que tinha criado o homem para trabalhar.Assim a mensagem era simples: santificar o trabalho, santificar-se através do trabalho e santificar os outros no seu trabalho. O trabalho estava arreigado no âmago da condição humana. Fazia parte do plano de Deus. O padre Josemaria Escrivá de Balaguer passou-os mais tarde em 1939 ao papel no livro “Caminhos”, um manual de 999 preceitos de boa conduta para cristãos. O principio de uma prática doutrinária saída da vitória do Fascismo em Espanha que se tornaria universal. A missão da Opus Dei pouco tinha a ver com salvar almas de individuos. Tinha a ver com salvar o patrão do Pai Escrivá, a Igreja Católica Romana em franco declinio. Tratava-se de criar uma verdadeira presença católica na cidade secular de Roma através da “ocupação de lugares de responsabilidade”.
A proposta foi uma correcção importante aos principios teológicos estabelecidos no século XIII por Tomás de Aquino (1225-74). Aquino defendia que o trabalho, em todas as suas formas, fora uma condição da queda em desgraça do homem e portanto um impedimento para a santidade. Mas uma vez que o trabalho era necessário tinha de ser tolerado enquanto bens e serviços fossem vendidos a um preço justo. Este principio foi rearfirmado pelo Concilio de Trento (1545-63) e declarado doutrina Católica oficial por Leão XIII em 1879. (Apenas e só quando a época das Revoluções operárias com o desenvolvimento do capitalismo de mercantil para industrial começaram a pôr em causa o estatuto dos Reis e dos seus séquitos como representantes de Deus na Terra - sob o slogan Pátria, Monarquia, Religião). Para muitos Deus era uma das primeiras baixas da alteração da ordem mundial. Para Nietzche “o maior acontecimento dos tempos recentes – Deus está morto – era que a crença no Deus cristão já não é sustentável; e isto começava a lançar as primeiras sombras sobre as classes dominantes.De acordo com a “revelação” do fundador da Obra de Deus, do latim Opus Dei, Tomás de Aquino tinha-se enganado. Agora Escrivá não estava a agarrar-se a qualquer mito obscuro. O espectro do comunismo pairava por toda a Europa e os capitalistas estavam em pânico. Entre 1902 e 1923 o rei de Espanha Afonso XIII tinha ordenado trinta e três mudanças de governo, num país onde 60 por cento da população era analfabeta, a Igreja educava os filhos dos ricos, enquanto os pobres enfrentavam condições extremas de servidão. Na Rússia, no final da degradação deixada pela guerra, a vitória da Revolução dos Sovietes tinha cortado o pescoço a um possivel desenvolvimento do capitalismo; os Romanov foram assassinados e Churchill comentou que o massacre tinha desencadeado uma nova espécie de barbarismo no mundo. Em Fátima no ano de 1917 também a miserável e iletrada população rural tinha começado a ter visões celestiais para se furtar à triste realidade mantida em segredo, de que só o trabalho cria valor.
No mundo em criação da Opus Dei ao afirmar que o trabalho devia ser colocado à cabeça da vida Cristã, e que um leigo podia atingir a perfeição Cristã por meio da excelência profissional, o padre Escrivá estava a desbravar os próprios alicerces da Igreja de forma a re-orientar e reforçar os sistemas teológicos dela. Escrivá de Balaguer (que se auto flagelava com o cilicio) acreditava que a falha na filosofia de Aquino impedia a capacidade da Igreja de satisfazer as exigências espirituais de uma sociedade moderna e industrializada (...)Enquanto Escrivá faria da tarefa de oposição à disseminação do Comunismo um dos principais objectivos da sua vida, para garantir que não haveria um regresso à tríade demoníaca, Anarquismo Liberalismo e Marxismo, o Papa Pio X tinha declarado guerra ao Modernismo espalhando o terror anti-liberal pela “enciclica Pascendi”: todo aquele que estivesse contaminado pelas “ideias modernas” seria excluido dos serviços públicos ou do ensino. Foram montadas redes de informadores secretos. Quem se opusesse à “Pascendi” seria excomungado.
Desde o começo, a Opus Dei levou uma existência por camadas, apenas com a camada exterior para consumo das massas; as sucessivas camadas interiores eram reservadas para postos mais altos na hierarquia da seita. A preocupação principal era restituir à Igreja um papel central na sociedade. Isto permanece o âmago da Obra: “a tarefa de colocar Jesus i.e a Igreja no cume de toda a actividade humana através do mundo”. Fazer isto requer uma milícia dedicada, disciplinada – tropas de vários postos e posições que, pela santificação do seu trabalho, santificam i.e convertem outros e santificam o local do trabalho – sob o manto diáfano da alienação religiosa os interesses do Capital deixariam deste modo de ser escrutinados pela visibilidade pública
“Vede, eu enviei-vos como carneiros no meio de lobos por isso sede astutos como serpentes e inocentes como pombas” Mateus 10:16A frase “Dádiva de Deus à Igreja do Nosso Tempo” foi usada por um dos sete juizes da Congregação das Causas dos Santos ao recapitular as suas razões para apoiar a beatificação de São José Escrivá de Balaguer por João Paulo II, um papa que já foi entronizado pela Opus Dei com o trabalho de bastidores do bispo alemão Ratzinger. O padre Vladimir Felzmann, próximo de Basil Hume, arcebispo de Westminster, sustenta que a Opus Dei é o melhor meio que a Igreja Católica Apostólica Romana encontrou para recriar as Ordens Religiosas Militares da Idade Média.
Influência da Espanha secular na ICAR
O General Primo de Rivera ascendeu ao poder em Espanha pelo golpe de Estado de 1923. Josémaria Escrivá foi ordenado padre em 1925. Na época um obscuro major de seu nome Francisco Franco y Bahamonde atacava o baluarte do berbére Abd el-Krim nas montanhas de Marrocos, onde conhece o jovem tenente Luis Carrero Blanco. Um dos mais íntimos amigos do futuro ditador, o coronel Juan de Yague, então no comando da Legião Estrangeira Espanhola seria o primeiro a utilizar a palavra “Cruzada” para definir o levantamento nacional-fascista: “A nossa guerra não é uma guerra civil... Sim, a nossa guerra é uma guerra religiosa. Nós que combatemos, sejamos Cristãos ou Muçulmanos, somos soldados de Deus e não lutamos contra homens mas contra o ateismo e o materialismo”. Diria Manuel Azaña: “se a força fascista triunfar contra a República regressaremos a uma ditadura militar eclesiástica do tipo que é tradicional em Espanha... Haverá sabres, paradas militares e procissões em honra da Virgem do Pilar. O país não é capaz de mais nada”. Dir-se-ia hoje, a Ibéria não é capaz de mais nada?notas
Este post segue o teor do livro de Robert Hutchison "O Mundo Secreto do Opus Dei - Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico". Outra literatura sobre os temas versados:
Charles Raw “The Moneychangers” (sobre o escândalo do Banco Ambrosiano)
Raanan Rein "Franco, Israel y los judíos"
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domingo, fevereiro 07, 2010
Quem quer sobreviver?
"As revoluções produzem-se quando os de cima já não podem governar como antes, e ao mesmo tempo, os de baixo já não se deixam governar como antes" (Lenine)
Não é curioso ver-se a direita em peso, liberais, conservadores sociais democratas e neocons unidos a bramar contra "o Estado totalitário desgovernado pela esquerda", atentatório das liberdades, (onde a mais preciosa de todas seria a de desinformação), suplicando em coro a queda de Sócrates? Depois de anos a fio de alinhamento de toda a comunidade politica neoliberal, com direita e esquerda a apoiá-lo nas tarefas de desmantelamento do Estado Social em prol da criação de novos nichos de mercado, pressentindo a fonte esgotada no apaziguamento das massas populares, de repente querem espetar com o homem no lixo - hoje é o mais famoso cronista do reino que ocupa o lugar de honra no púlpito, ou Ele ou Nós:
Sócrates já não partilha ou nunca partilhou connosco, cidadãos comuns, a mesma percepção de Portugal. Do "simplex" que nada simplifica ao estranho melodrama sobre as finanças da Madeira que nada pesam, aumenta dia a dia a distância entre o que país vê e compreende e o que o primeiro-ministro afirma enfaticamente que é. Está perto o ponto em que só haverá uma solução: ou desaparece ele ou desaparecemos nós.
Ontem tinha sido o camarada Pereira, anteontem o afastado ex-director do jornal da Sonae que afinal permanece importante na murphysiana análise: "Se alguma coisa pode correr mal, vai correr mal de certeza. Se os que nos emprestam dinheiro já duvidavam da capacidade de um governo de minoria para aplicar um plano de austeridade - e vai ter de haver um plano de austeridade - essa desconfiança só pode ter aumentado depois de um psicodrama que envolveu cenários de crise politica e mostrou a futilidade dos poderes do Presidente da República e do Conselho de Estado". Cá está. O que a turba direitista deseja de facto é a presidencialização do sistema politico com o "ambicioso Cavaco" como esfinge (uma ambição antiga) - em nome da continuação da fonte do "dinheiro emprestado" que lhes vai perpetuar a vida boa que sempre usufruiram às custas do esquema especulativo financeiro por comparação com os rendimentos do trabalho real. Não se esqueça eleitor, que se continue a seguir a novela, "Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão; parvo que vota em Cavaco, tem cem anos de aflição".
Temos assim que o coro ululante para desbancar o "socratismo" pseudo-socialista deveria incorporar também a Esquerda autónoma, descomprometida com o neoliberalismo? não nos parece. Por oposição concreta acelaremos o levantamento popular de modo a criar condições para se votar a seguinte proposta: "E se encerrássemos a Bolsa?" (publicada no LeMondeDiplomatique, pelo economista Fréderic Lordon), para se diminuir o custo do capital da exploração parasitária dos accionistas? citando as razões: "Foi há pouco mais de um ano: os governos socorreram oa bancos à custa dos contribuintes. missão cumprida. Mas a que preço?. A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) avalia em 11,4 biliões de dólares os montantes mobilizados para este salvamento. Ou seja, 1676 por cada ser humano... a Finança não é só um negócio de banqueiros, é também de accionistas. Há uma proposta que não deve agradar-lhes: encerrar a Bolsa"
relacionado:
"o Paradoxo da Parte Salarial - 10 por cento do PIB" por Fréderic Lordon
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Não é curioso ver-se a direita em peso, liberais, conservadores sociais democratas e neocons unidos a bramar contra "o Estado totalitário desgovernado pela esquerda", atentatório das liberdades, (onde a mais preciosa de todas seria a de desinformação), suplicando em coro a queda de Sócrates? Depois de anos a fio de alinhamento de toda a comunidade politica neoliberal, com direita e esquerda a apoiá-lo nas tarefas de desmantelamento do Estado Social em prol da criação de novos nichos de mercado, pressentindo a fonte esgotada no apaziguamento das massas populares, de repente querem espetar com o homem no lixo - hoje é o mais famoso cronista do reino que ocupa o lugar de honra no púlpito, ou Ele ou Nós:Sócrates já não partilha ou nunca partilhou connosco, cidadãos comuns, a mesma percepção de Portugal. Do "simplex" que nada simplifica ao estranho melodrama sobre as finanças da Madeira que nada pesam, aumenta dia a dia a distância entre o que país vê e compreende e o que o primeiro-ministro afirma enfaticamente que é. Está perto o ponto em que só haverá uma solução: ou desaparece ele ou desaparecemos nós.
Ontem tinha sido o camarada Pereira, anteontem o afastado ex-director do jornal da Sonae que afinal permanece importante na murphysiana análise: "Se alguma coisa pode correr mal, vai correr mal de certeza. Se os que nos emprestam dinheiro já duvidavam da capacidade de um governo de minoria para aplicar um plano de austeridade - e vai ter de haver um plano de austeridade - essa desconfiança só pode ter aumentado depois de um psicodrama que envolveu cenários de crise politica e mostrou a futilidade dos poderes do Presidente da República e do Conselho de Estado". Cá está. O que a turba direitista deseja de facto é a presidencialização do sistema politico com o "ambicioso Cavaco" como esfinge (uma ambição antiga) - em nome da continuação da fonte do "dinheiro emprestado" que lhes vai perpetuar a vida boa que sempre usufruiram às custas do esquema especulativo financeiro por comparação com os rendimentos do trabalho real. Não se esqueça eleitor, que se continue a seguir a novela, "Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão; parvo que vota em Cavaco, tem cem anos de aflição".
Temos assim que o coro ululante para desbancar o "socratismo" pseudo-socialista deveria incorporar também a Esquerda autónoma, descomprometida com o neoliberalismo? não nos parece. Por oposição concreta acelaremos o levantamento popular de modo a criar condições para se votar a seguinte proposta: "E se encerrássemos a Bolsa?" (publicada no LeMondeDiplomatique, pelo economista Fréderic Lordon), para se diminuir o custo do capital da exploração parasitária dos accionistas? citando as razões: "Foi há pouco mais de um ano: os governos socorreram oa bancos à custa dos contribuintes. missão cumprida. Mas a que preço?. A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) avalia em 11,4 biliões de dólares os montantes mobilizados para este salvamento. Ou seja, 1676 por cada ser humano... a Finança não é só um negócio de banqueiros, é também de accionistas. Há uma proposta que não deve agradar-lhes: encerrar a Bolsa"relacionado:
"o Paradoxo da Parte Salarial - 10 por cento do PIB" por Fréderic Lordon
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sábado, fevereiro 06, 2010
as Escutas e o mercado dos Poderes
Nas decisões-opiniões da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal de Justiça sobre a pretensa investigação do caso José Sócrates-secretário-geral-do-PS e ArmandoVara-administrador-do-BCP «não se revelou qualquer facto, circunstância, conhecimento ou referência susceptíveis de ser entendidos e interpretados como indício ou sequer como sugestão de algum comportamento com valor para ser ponderado em dimensão de ilícito penal». E vai um: o Poder “independente” , que é o da Justiça.
Há outras concepções no caso Paulo Penedos-Armando Vara.
A Presidência da República desdramatiza a paisagem e faz o que lhe compete, isto é, fica encavacada como habitualmente no lamaçal não resolvido da célebre acção de enviar recados dos seus assessores para os jornais sobre "escutas" de que o próprio Cavaco estaria a ser alvo. E vai mais um: o 2º Poder “independente” que é o que em última instância preside ao Legislativo
(que no caso ratificou a legislação para que se proceda às escutas)
José Sócrates e a camarilha do PS que o rodeia fazem a sua fast-critica ao “jornalismo de buraco de fechadura” em nome da associação de malfeitores que pretende tomar de assalto o essencial da “comunicação social” e afastar vozes incómodas da concorrência politica. Em nome da gravidade da crise disfruta de um mecanismo de auto-desinfecção, apesar do já longo currículo de processos acumulados de suspeitas judiciais e (ainda?) não investigados. E vai mais outro: o 3º Poder “independente” que é o Executivo que cumpre “a vontade do povo” veiculada pela Assembleia da República.
Nos jornais e televisões, os funcionários dos meios de comunicação corporativos fazem o que lhes compete nas decisões dos patrões na função de vender exemplares angariando clientela, subsídios e
publicidade por forma a que se sustentem na sua periclitante situação. Vale tudo, em exorbitantes e febris acções como agentes de espionagem sobre os 3 orgãos dos 3 poderes "independentes”, facilitando recados, viciando informações, trabalhando opinião em função dos interesses eleitorais dos actores da partidocracia. E vai mais um: o 4º Poder “independente”
No final da cadeia alimentar da Corja, estão as vítimas onde os abutres debicam o repasto - a grande massa de cidadãos-consumidores que têm de engolir à força, acompanhando com uma boa dose de ingenuidade o alimento que lhes é escasso em perspicácia, o relato intensivo e dramatizado em chorrilho dos 4 poderes atrás mencionados. Não inferindo daí que existe uma agenda oculta onde todos os actores com visibilidade estão previamente concertados e que o que vemos “como real” tem pouca ou nenhuma relação com aquilo que de facto acontece. E vai o último hipotético 5º Poder onde face ao escândalo da trama contra a democracia, nunca mais acontece a revolta generalizada dos oprimidos. Meras demissões de "responsáveis" conservando as estruturas não chegam. Estejamos atentos.
As crianças reunidas no rochedo das Focas durante a tempestade;
as suas expressões denotam a aproximação de algo
ao mesmo tempo terrivel e maravilhoso.
de "os Filhos de Lir" representação do conto da mitologia Celta.
John Duncan 1866-1945
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Há outras concepções no caso Paulo Penedos-Armando Vara.
A Presidência da República desdramatiza a paisagem e faz o que lhe compete, isto é, fica encavacada como habitualmente no lamaçal não resolvido da célebre acção de enviar recados dos seus assessores para os jornais sobre "escutas" de que o próprio Cavaco estaria a ser alvo. E vai mais um: o 2º Poder “independente” que é o que em última instância preside ao Legislativo(que no caso ratificou a legislação para que se proceda às escutas)
José Sócrates e a camarilha do PS que o rodeia fazem a sua fast-critica ao “jornalismo de buraco de fechadura” em nome da associação de malfeitores que pretende tomar de assalto o essencial da “comunicação social” e afastar vozes incómodas da concorrência politica. Em nome da gravidade da crise disfruta de um mecanismo de auto-desinfecção, apesar do já longo currículo de processos acumulados de suspeitas judiciais e (ainda?) não investigados. E vai mais outro: o 3º Poder “independente” que é o Executivo que cumpre “a vontade do povo” veiculada pela Assembleia da República.
Nos jornais e televisões, os funcionários dos meios de comunicação corporativos fazem o que lhes compete nas decisões dos patrões na função de vender exemplares angariando clientela, subsídios e
No final da cadeia alimentar da Corja, estão as vítimas onde os abutres debicam o repasto - a grande massa de cidadãos-consumidores que têm de engolir à força, acompanhando com uma boa dose de ingenuidade o alimento que lhes é escasso em perspicácia, o relato intensivo e dramatizado em chorrilho dos 4 poderes atrás mencionados. Não inferindo daí que existe uma agenda oculta onde todos os actores com visibilidade estão previamente concertados e que o que vemos “como real” tem pouca ou nenhuma relação com aquilo que de facto acontece. E vai o último hipotético 5º Poder onde face ao escândalo da trama contra a democracia, nunca mais acontece a revolta generalizada dos oprimidos. Meras demissões de "responsáveis" conservando as estruturas não chegam. Estejamos atentos.
as suas expressões denotam a aproximação de algo
ao mesmo tempo terrivel e maravilhoso.
de "os Filhos de Lir" representação do conto da mitologia Celta.
John Duncan 1866-1945
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sexta-feira, fevereiro 05, 2010
o recado (II)
Aumentar substancialmente os impostos às grandes corporações em nome de cujos lucros o sistema funciona e agravar com taxas especiais os rendimentos das pequenas, médias e grandes fortunas - ou na outra extremidade do espectro, aceitar passivamente medidas draconianas que recaiam sobre todos. Como isto é uma democracia a escolha é nossa; a escolha é entre a vida.. ou a morte (económica)o caso do declinio americano: a Geografia do Desemprego. Note-se a evolução das áreas urbanas para as pequenas bolsas rurais dos midlands que são auto-sustentáveis e são as únicas que ainda subsistem quase incólumes
Números oficiais do "U.S. Department of Labor's Bureau of Labor Statistics". 31 Milhões de desempregados
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quinta-feira, fevereiro 04, 2010
o Recado
primeiro especularam com uns prediozitos, uns apartamentos, moradias e tal, que converteram num amontoado de tijolos de pouco valor (a vida inteira do individamento de uma pessoa) o que deu origem à falência dos chamados "subprimes"... agora como porta de saída para a crise, em vez apenas do imobiliário, preparam-se para especular também o conjunto com as pessoas que vivem dentro das construções de tijolo, isto é, a banca internacional propõem-se especular com paises inteiros. E obviamente, não é o Haiti que está em condições para ser "explorado"; esse é para demolir e revender terrenos. É nas construções sociais precárias com algumas hipóteses de reconstrução que o bussiness first da banca internacional se exerce preferencialmente. Na Grécia o FMI já está no terreno providenciando "aconselhamento técnico" ao governo. Logicamente esperam e "preferem que sejam os gregos a resolver os seus próprios problemas, mas se necessário estarão prontos a conceder os créditos que venham a ser solicitados"o modo "Estado Social" na Europa está a ser condenado pelo imperialismo ao pagamento da crise global, quebrando-se primeiro os elos sempre pelo lado mais fraco
"O director do Center for European Policy Studies, diz em entrevista ao Jornal de Negócios que parece muito provável que Portugal tenha de subir impostos, pois apenas cortes na despesa não será suficiente para fazer o ajustamento necessário. O que acha do plano grego? São medidas necessárias mas não suficientes. Não há volta a dar: os salários vão ter de baixar e não é só no sector público. (ver mais aqui) Essa é a questão central. Há um problema de falta de poupança, especialmente em Portugal e na Grécia, o que significa que, estruturalmente, não têm capacidade de gerar investimento líquido de fontes internas. Para colocar Portugal e Grécia numa trajectória correcta, será preciso um ajustamento de toda a economia, com um corte no consumo de cerca de 10% do PIB (...) Não teme que a adopção dessas medidas leve as pessoas para as ruas? Há esse risco, sim. E é por isso que os mercados estão tão nervosos e cépticos em relação à Grécia (...) Estamos portanto apenas a adiar um problema? Há o risco efectivo de uma "falência"? O risco existe. E é por isso que a Comissão Europeia devia preparar-se para o pior" (fonte)
A Comissão Europeia comparou os problemas portugueses aos da Grécia e os mercados encareceram o financiamento ao país; nas Bolsas o valor "empresa-Portugal" sofre uma queda abrupta. Isto é, os investidores esperam que bata no fundo para comprarem pelo minimo os titulos da emissão de dívida pelo Estado Português para depois os venderem em alta. Esta é a lei básica do mercado. Mas "o mercado" é uma abstracção - o que enfrentamos como comunidade são problemas para serem resolvidos pelas pessoas - como primeira acção, fundamental, há que crucificar os governantes que nos conduziram até ao logro de nos pôr a todos como objecto de investimento de banqueiros.previsão de valor de cotação no mercado da marca ponto pt
conselho: espere mais um pouco e compre
"quem cá ficar que o pague"
conselho: espere mais um pouco e compre
"quem cá ficar que o pague"
Bacelar de Vasconcelos:"Uma proposta para o Presidente da República: a via angolana"
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quarta-feira, fevereiro 03, 2010
o que é o “danieloliveirismo”?
É um messianismo que poderá ser definido como uma tendência que se integra a despropósito dentro do Bloco dito de Esquerda (BE); uma tendência que advoga o colaboracionismo com os ministérios neoliberais sem que tenha havido antes uma ruptura e mudança no paradigma capitalista. Essa corrente minoritária, ela própria o fará, segundo afirmação dos próprios. 1 Ministro ou 2 ou 3 Subscretários de Estado farão eles mesmos in persona a Revolução, ou seja acabam com um milagre a crise que nos irá pôr bem de vida. Como se um Poder (tido por desasjustado e criminoso) não pudesse apenas ser derrubado por outro Poder. (Spengler)
O “danieloliveirismo” afirma-se pelo “não ser” em representação dos seguidores de realidades descodificadas relativamente simples “os que vão sendo” por oposição “aos que são”. Os que criam os actos, o ser “dasein” de Martin Heidegger, o célebre professor nazi que moldou sexualmente a aluna que (d)escreveu oficialmente “os totalitarismos” que os meninos de coro estudam. Conciliador, Daniel Oliveira e os seus ouvintes-clientes-leitores-comentadores constituem-se num grupo de filosofia social democrata, logo reformistas (face às presentes condições, a consciência do nada em politica) erigido em clube de pensadores que “darão a volta” à totalidade dos edifícios do Poder, com a bênção e a bondade da confraria oficial de bispos e economistas subitamente iluminados não se sabe por que força para abandonarem de livre vontade os privilégios que lhe são inerentes pela desregulamentação financeira. (ou pela pseudo regulamentação emergente)da Ética da Autenticidade (em Charles Taylor)
De Oliveira esperam os fãs da sua “arrastada” página mensagens em sms relativamente simples, como p/e “sem homem não há direitos do homem”, o que dá o prazer ao interlocutor da atenção de alguém substancialmente “importante” pela via dos meios mediáticos de reconhecimento, um mediocrata, notável a reparo da vizinhança: “não é vc o tal gajo que tem feito um grande número de cabeçalhos no blogue 5Dias?”, ou seja Oliveira é o actor da antítese do desprezo ou da indiferença pelo outro. Le Sacré de l`Outre. Uma coisa popular, vem apadrinhada pelo tio empregador Balsemão, bilderberger mais ou menos oculto na nossa paisagem por mais de 30 anos, que hoje veio em defesa do Crespo e um dia virá também defender, talvez condecorar, o anjo Daniel.
É a subjectivação do individuo que traz a D.O. notoriedade (e neste campo se converte num perigoso inimigo para a Esquerda), no populismo de fazer crer que não existe nada que condicione socialmente o individuo e que cada um se conduz com plena autonomia – apagando deste modo a evidência que cada pessoa só pode Ser e Fazer quando se integra como elemento natural na sociedade a que pertence. E como diz Carlos Vidal a pregação dos direitos do individuo per si é uma das piores formas de conservadorismo. Porque “ser um Ser” não é um direito", é o dever de existir. O dever de lutar para transformar. Não para ser convidado para a mesa das reformas que tudo mudam para que tudo permaneça na mesma.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Manuel Serra (1931-2010)
"Obteve quase 44% dos votos dos congressistas no I Congresso do PS depois do 25 de Abril ao apresentar uma lista à Comissão Nacional contra a proposta do secretário-geral Mário Soares. Abandonaria o partido em Dezembro de 1974, dias depois de ter o seu nome incluído no primeiro Secretariado Nacional. Pensou então que levaria consigo "os 44% de militantes revolucionários, da classe trabalhadora"no "Público", in memorian do activismo dissidente permanente num país onde, 35 anos depois, o factor trabalho foi deslocalizado para um lugar e dimensão praticamente insignificante (1)
Imagine que lhe prometiam uns juros extraordinariamente altos em comparação com os normalmente em vigor na praça? agarrava de imediato nas suas poupanças de toda uma vida, sem desconfiar de nada, e ia a correr depositá-las com a avidez de ganhar dinheiro sem fazer nada. É este o leit-motiv do presente paradigma capitalista financeiro especulativo. Mas a maioria dos que caem neste tipo de esparrela (até tu judeu Spielberg) são ingénuos, embora gananciosos natos. Esperto foi o outro, que dispondo de informação interna privilegiada sacou da pipa de massa a tempo e ainda passa por sério, em contraste com os tesos que têm de afrontar a policia para finalmente se disporem a chamar os bois pelos nomes. No auge da decadência salazarista, quando não havia grande mal nos terreiros públicos, salvo na malandragem das pequenas falcatruas do jogo falso de lotaria, (e nos calabouços da dissidência) ainda se ensaiavam golpes para derrubar o regime. É bom que se perceba que no Portugal de hoje, com dois terços da população praticamente improdutiva ou a "trabalhar" em sectores terciários, é a ditadura democrata totalitária que derruba a minoria descartável de pessoas honestas e incorruptiveis.Desculpa lá Manel, ter-te enfiado neste barco, mas foi para lutar contra isto que tu, "cumpridos os deveres compridos" preferencialmente por cá andaste. até logo, isto é, até sempre
(1) ver também: "a avaliação individual de desempenho modificou totalmente o mundo do trabalho". José Vitor Malheiros
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
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O Jornal de Notícias recusou publicar um texto de opinião onde Mário Crespo relata um encontro entre Sócrates, Lacão, Silva Pereira e um executivo de televisão, onde Crespo foi referido como um «problema» que tinha de ter «solução». Crespo, "trabalha" para quem? não será este "caso" apenas mais uma provocação deliberada? abandona o Jornal de Noticias, mas não abandona a SIC. Ou é desta que vai voltar para um bom tacho nos Estados Unidos? Observado no primeiro aniversário desta célebre entrevista, onde o imperialismo se reinventa constantemente, segundo a mundivisão do agente duplo Crespo:
sobre autonomia ou independência para Cabinda
"Quando quer impressionar alguém que escritor cita? - José Eduardo dos Santos. A única caneta que escreve a petróleo" (Rui Zink)
As receitas do petróleo de Cabinda correspondem a 70 por cento do que Angola, o maior produtor africano, produz. Um artigo de João Vaz de Almada: "Se os 300 mil cabindenses fossem chamados a pronunciar-se, alguém tem dúvidas que o Sim (à independência) venceria? (para ler aqui)
As receitas do petróleo de Cabinda correspondem a 70 por cento do que Angola, o maior produtor africano, produz. Um artigo de João Vaz de Almada: "Se os 300 mil cabindenses fossem chamados a pronunciar-se, alguém tem dúvidas que o Sim (à independência) venceria? (para ler aqui)
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