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sexta-feira, novembro 16, 2007

Sobreviver ao dilúvio de Capital







a crise financeira neoliberal


“na sociedade capitalista, a taxa de lucro tende para o zero sendo impossível manter as relações de exploração” (Marx)
Em determinados momentos de crise torna-se impossivel à burguesia alimentar-se dos excedentes do aparelho produtivo, confrontando-se pelo contrário, com a obrigação de sustentar socialmente os aparelhos improdutivos por ausência de mercado. Como não há dinheiro, inventa-se - contudo, a capacidade monopolista americana de imprimir dólares (dinheiro ficticio) acabará por lançar a “superpotência” numa decadência irreversivel

“Um banco é um sítio que te empresta dinheiro se conseguires provar que não precisas dele”, costumava dizer Bob Hope. Porém para se ver até que ponto a América mudou, basta lembrar que até esta regra básica foi subvertida – o sistema bancário, ávido por negócios feitos sobre capacidades de consumo inexistentes, desatou a emprestar dinheiro a extractos sociais que não ofereciam a menor garantia de reembolso. Pior que isso, os bancos fizeram pacotes desses empréstimos (fundos imobiliários, quanto mais se venderem, maior o sucesso!) e colocaram-nos em Bolsa. Como habitualmente, o estilo especulativo Enron que “elegeu” (pagou a subida de Bush à presidência) inchou e continuou a inchar. De um oito fizeram 80 e por aí fora. Parafraseando outro americano do tempo tranquilo, Mark Twain, um banqueiro revelou-se agora ser “um tipo que nos empresta o chapéu de chuva quando está sol e que o pede de volta assim que começa a chover” – porém, infelizmente para os usurários, os chapéus voaram todos na tempestade catástrofica e têm as varetas irremediavelmente danificadas: não há nada para devolver.

O que há concerteza, até agora, são 400 mil milhões de dólares de prejuizos, derivados do crash da bolha imobiliária nos Estados Unidos, que representam 2,4 mil milhões de cortes aos lucros só em três empresas: o Citybank, a Merrll Lynch e a Goldman Sachs; aliás, estas e as outras empresas bancárias envolvidas nos efeitos do crash das acções fraudulentas sobre o imobiliário (subprimes) poderão levar vários meses (anos?) até conseguirem contabilizar os prejuizos concretos que continuam a inchar globalmente de forma alarmante. As perdas, reconhece o presidente do principal banco alemão, o Deutche Bank, “superaram as expectativas mais pessimistas". A bola de neve corre mais depressa que a fauna de correctores e dealers, atarantados, sem compreender se hão-de fugir para montante ou para jusante. E se ficarem parados, morrem. Oxalá.

O julgamento de Greenspan

J. Bradford DeLong, um professor de economia na Universidade de Berkeley que foi secretário de Estado Adjunto do Tesouro norte americano, escrevendo no Project Syndicate faz uma crítica demolidora ao neoliberalismo e responsabiliza Alan Greenspan pela actual crise financeira provocada pela negligência do judeu (tirado da cartola do monopólio da banca privada global) com nomeação imposta a Ronald Reagan para definir as politicas globais à frente da Reserva Federal americana, onde se manteve por mais de duas décadas.

“Only a crisis actual or perceved produces real change”
Milton Friedman





O erro, porque não há outra saída dentro do quadro capitalista
, que vai justificar a necessidade de criar nova bolha financeira por via de nova campanha de destruição militar, assenta em quatro pressupostos:
1.Greenspan aplaudiu erradamente o aumento de hipotecas não padronizadas de taxa ajustável, o que por sua vez alimentou a bolha do sector imobiliário, sem suporte material para suportar riscos tão perigosos.
2. Devia ter sido controlada a bolha do mercado bolsista dos anos 90, ainda mais inflacionada quando rebentou a bolha do Nasdaq em 2000 e os capitais sem aplicação rentável se refugiaram novamente no imobiliário.
3. Esta situação induziu erradamente a aprovação da redução de impostos avançada por Bush, quando eles deviam ter aumentado – e aí, Bush não teria sido reeleito em 2004.
4. Ao contrário da ilusão que a “nova economia” criou, quando sugeriu que se podia viver virtualmente dos novos meios tecnológicos, como a internet, sem trabalhar, o trabalho continuou a ser essencial e é importante gerir excedentes (e não défices) para liquidar as dívidas com que se paga aquilo que se consome.

Conclusão dramática: o "novo capitalismo" continuará a apostar na miséria de milhões e milhões de pessoas para se fazer pagar dos excedentes que as elites que gerem o imperialismo gastam.
Por trás dos tambores da guerra que se rufam ao Irão estão as armas nucleares ou os juros compostos?
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quarta-feira, novembro 14, 2007

mudem de rumo, mudem de rumo

A época cavacocrata que nos coube em má sorte viver, guiados por “gente mediocre e incapaz, cegos condutores de cegos” ¿será mais “um parêntese funesto, um mau presságio do que virá depois?, em larga medida como consequência fatal de erros colossais que se acumulam e agravam, com gente desastrada ou mesmo catastrófica, que levam o país para um atoleiro parecido ao de 1926 ? - numa degola que nos privou (privará?) da Liberdade, como certa lógica fatal depois de tanta bagunça, desassossego, insensatez politica e falta de implementação mínima dum regime sério de Cidadania, Educação generalizada ou Progresso material, porquanto nem se educou o povo, nem se fez de cada português um cidadão livre, nem se melhorou a vida dos portugueses”?
(para ler, “Carta aos Republicanos” pelo Prof. João Medina)

Cavaco Silva e Luis Filipe Menezes num comício cerca de 1990, nos tempos áureos em que os portugueses ainda não sabiam bem o que era o PSD: “Se algum dia nós lá chegarmos pá, (ao Conselho de Estado?) temos de fingir que não nos conhecemos de lado nenhum, ok?


A saída das trevas do PSD
de Durão Barroso, Paulo Portas, Bagão Felix e Santana Lopes (lembram-se deles, todos juntos e cada um por si, os criadores do défice da tanga? Que lançou o país nesta longa crise deliberadamente provocada pelos adeptos nacionais do neoliberalismo?) com o lançamento para a opinião pública de problemas ficticios, criando falsos antagonismos entre a mesma coisa politica (PS e PSD, apenas diferem no estilo de trauliteirada de marketing) já não convence ninguém. As recentes polémicas sobre a legislação das SCUT`s que Cavaco já assinou previamente ou a nova localização do novo aeroporto (que Cavaco diz não acreditar Sócrates já ter decidido, conforme sugeriu “o outro dirigente da oposição”, que ele não conhece de lado nenhum (como quando na campanha eleitoral para presidente, o mais calado possivel, se referia ao Portas como “o outro partido” sem lhe mencionar o nome) são técnicas da falsa democracia de dois polos fícticios opostos, criados artificialmente, que já não enganam ninguém. Enquanto houver vestígios desta gentinha neste panorama politico-magazinesco, como diriam os cariocas da favela, meus irmãos, urna de voto para mim é pimenta no cu de outro.

terça-feira, novembro 13, 2007

Segurança Nuclear e "Nukes" contra o Irão

Uma curta, quase invisivel declaração do candidato presidencial independente Dennis Kucinich tocou uma campanhia nos seus furtivos ouvintes. Dizia ele que pretendia esclarecer duas questões: a verdade sobre o 11 de Setembro (o que convenhamos já começa a ser uma reinvindicação corriqueira) e uma outra questão sobre o caso do B-52 da Base de Minot. Esta é nova, e sendo a base militar de Minot no Alabama uma base nuclear, o caso assume particular importância. Que caso seria este de que ninguém ouviu falar?
Os norte americanos assentam a segurança de uso de armas nucleares por eventuais intrusos num sistema de separação de peças: as armas, as ogivas ou os engenhos que as disparam estão armazenados em locais diferentes e o acesso a esse material é controlado por uma sofisticada panóplia de palavras passe. Assim, é perfeitamente normal, e não é notícia, os aviões andarem a passear com narizes de ogivas ou containers de umas bases militares para outras pelas mais diversas razões, fim do prazo de utilização, renovação de stocks, mostrar o poderio aos pobres, etc.

Porém, quando surge um B-52 com 6 bombas nucleares completas, armadilhadas e prontas a ser usadas o caso muda de figura; e foi isso que aconteceu em 19 de Setembro quando um desses aparelhos descolou de Minot equipado com uma Nuke e aterrou na base militar de Barksdale: a mega base intercontinental na América do Norte destinada à partida dos B-52 de onde podem atingir qualquer ponto do mundo. Que ordens cumpria e qual a missão que lhe estava destinada? É isso que Kucinich pretende averiguar – tanto mais que 6 pessoas, militares e civis a prestar serviço na base de Minot, todas elas ligadas directa ou indirectamente à manipulação e carregamento das armas nucleares, apareceram mortas na semana seguinte em situações mais que estranhas. Para evitar a proliferação de teorias de conspiração o sitio internet “Por um Governo Legítimo.Org” equaciona a questão do seguinte modo:

- todas as seis pessoas listadas abaixo trabalhavam na base de Minot
- todas elas eram pilotos ou estavam directamente envolvidas como municiadores
- todas elas estão agora mortas
- todas elas morreram nos últimos 7 dias em “acidentes”

Entretanto cá fora, noutro registo, o que “vemos” nos jornais é um movimento histericamente intenso dos altos dignitários da politica internacional. E o que "não vemos" é que de facto não há evidências de existirem projectos de armas nucleares no Irão

“A ambição universal dos homens é viver colhendo o que nunca plantaram”
Adam Smith, economista liberal, 1723-1790

“A anarquia económica da sociedade capitalista tal qual existe hoje é, em minha opinião, a fonte real do mal"
Albert Einstein, físico, socialista, 1879-1955

Bush recebe Merkel no rancho do Texas. Putin reune em Teerão com Ahmadinejad: “o mar Cáspio deve-nos unir mais que dividir-nos”. Condi Rice visita o túmulo em Belém do “Principe da Paz que continua a estar connosco”. Merkel recebe uma pomposa comitiva do rei da Arabia Saudita. Sun Tzu avisou-os que devem manter os amigos por perto e os inimigos afastados, para que não consigam contaminar os amigos.

Os seis maiores paises da União Europeia concordaram em aplicar novas sanções ao Irão face ao não cancelamento do seu programa nuclear para fins energéticos. E, enquanto a ONU se embaraça em novas moções de censura que sejam também aprovadas pela Rússia e pela China (reunião agendada para 19 de Novembro). um grupo de oficiais de alta patente dos extremistas de Israel percorre a Europa apelando a activar sanções imediatas e a tomarem outras medidas (mais uma vez) sem esperar pelas resoluções da ONU.
Deverão os liberais e neoliberais preocupar-se com a mão invisível que está a preparar um ataque nuclear ao Irão, ou isso deverá ser preocupação de todo o resto do mundo, anti-liberal?
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segunda-feira, novembro 12, 2007

Norman Mailer 1923-2007

Escritor, jornalista, activista, agente provocador da contracultura, violento, machista, boémio, esquerdista, excessivo, sentia um enorme peso por ser judeu (por parte do pai, Isaac Barnett, um judeu sul-africano que casou com uma espécie de quaker americana). Para além das obras que todos sabemos ("Os Nús e os Mortos"), tratou de temas como a religião, em ("Cristãos e Canibais", 1966); e “O Evangelho Segundo o Filho de Deus” (1997), parte da trilogia não intencional com Gore Vidal e Saramago; Racismo e jazz, ou seja os prazeres do corpo nos negros, contra a obesidade mental e intelectual dos brancos (“o Branco Negro"); a Máfia e a CIA ( "Miami e o Cerco de Chicago", 1968); Cuba ("Os Papéis do Presidente", 1963) o Watergate ("o Sonho Americano", 1965) e o “Processo de Oswald” (1995) sobre os tempos sombrios que adivinhou sobre o rosto estilhaçado de Kennedy; Cobriu quase todas as convenções eleitorais dos dois partidos do sistema (entre 1960 e 1996) e foi preso por participar nos protestos antiguerra: “Que Estamos a Fazer no Vietname?” (1967); sobre hollywood, o sexo e a politica, “Marylin” (1973) com um final bombástico onde sugeria que a actriz tinha sido assassinada pelo FBI por causa do seu affair amoroso com Robert Kennedy.

Claro que um marado destes, que escreve e actua como activista sobre estes temas jamais poderia ter ganho um prémio Nóbel. Como prémio de consolação para consumo corrente retenham-se as famosas entrevistas de Mailer (alternadamente com Gore Vidal e Germaine Greer) ao “Dick Cavett Show – Os Convidados do Inferno”, onde se escalpelizava a politica misturada com a grande literatura, Tolstoi com gajas e o Vietname com brocas e sexo, numa altura em que parecia ainda não haver censura. (de maccarthy e louco, todos ficámos com um pouco)

Referindo-se a estes últimos tempos, sem particular alegria, Mailer, o fundador em 1955 da revista “Village Voice” constatou que, “hoje, um americano médio, “razoavelmente inteligente”, não seria capaz de citar o nome de três bons escritores contemporâneos” (educados pelo marketing televisivo, os portugueses são!, querem ver?: 1.José Rodrigues dos Santos, 2.Rodrigo Guedes de Carvalho e 3.Miguel Sousa Tavares; mais um: Paulo Coelho). Depois de tentar uma antologia geral do mundo (“O Tempo dos Nossos Tempos”, 1998), Norman Mailer acabou por tentar vê-lo pelos olhos do diabo: “O Castelo na Floresta” (2007) explana, invocando a figura de Hitler, a impossibilidade de descrever e perceber a História segundo as narrativas de factos concretos – assim a única saída seria ficcioná-la e consumi-la sob a forma de romances.

Mailer: “as Democracias são delicadas; digo: o inglês só não sofreu um colapso e só não se partiu em pedaços ao longo das turbulências do Século XX porque um dia existiu William Shakespeare. Sem James Joyce, a Irlanda seria bem menos. Faço essas constatações não por ser um semi-talentoso novelista, mas porque a linguagem é imensamente importante. Bush destrói a linguagem quando abre a boca. Em nome do terror, Bush cometeu crimes contra a integridade e a reputação do Estado. É o pior Presidente dos meus oitenta e três anos de vida - e isso é muito significativo, se atendermos que vivi sob os mandatos de Nixon e Ronald Reagan”.

domingo, novembro 11, 2007

Por qué non te callas, Borbón franquista?!

o rei de roma ruma a madrid
não sem que antes tivesse ouvido das boas

quando Daniel Ortega falou e descreveu as acções criminosas do sub-imperialismo espanhol na América latina, o rei levantou-se e pisgou-se da sala. Carlos Lage, presidente do Banco de Cuba e Conselheiro de Estado concluiu:
"um governante pode ser eleito "democraticamente" e dedicar-se a roubar como o atesta a longa história de exploração colonialista na América Latina.
"um governante pode ser eleito "democraticamente" e dedicar-se a matar, como o atesta o presidente dos Estados Unidos, de quem há aqui alguns fiéis aliados. (via Cubavision)

adendas:

Chávez: "Será Rey pero no me puede hacer callar": pergunto al Rey si sabía algo del golpe de estado de 2002?

"A irremediável Decadência da Monarquia Espanhola"

sexta-feira, novembro 09, 2007

deixa arder que o meu pai é bombeiro Privado

A catástrofe do negócio dos incêndios na Califórnia este ano teve como resultado 1700 quilómetros de área ardida (20 vezes a área da cidade de Lisboa), mil milhões de dólares de prejuizos, mais de meio milhão de deslocados, 1500 casas destruídas, e muitos milhares de outras ameaçadas (68 mil, o que é óptimo para vender apólices de seguros à pressa (sob adrenalina, em condições de aflição) com cláusulas ocultas que inviabilizam na prática quaisquer ressarcimentos pelos prejuízos) - Diz-se que se não fosse a acção do mediático governador do Estado o cenário ainda poderia ter sido pior (ou melhor, segundo as perspectivas de quem ganha ou não perde com o negócio).

Depois do caso Katrina, em que não houve heróis que acudissem à desgraça, a comunicação social tablóide de referência (como o nosso Público) embandeira em arco convertendo em heroísmo a assistência social devida aos sinistrados e atribuindo a Arnold Schwarzenegger títulos bombásticos como “The Governator” (em memória do Terminator que protagonizou nos filmes de acção) – ou seja, Schwarzenegger aprende a dominar os elementos essenciais da política americana: a catástrofe social, a morte e a optimização económica do Mercado Livre. Este rapaz ainda há-de ir longe. Sim, porque o essencial os nossos jornais não dizem – como a activista Naomi Klein observou no “The Nation” - a situação confronta-nos com as novas oportunidades de negócio na era do capitalismo -de -catástrofe -ambiental – no caso da Califórnia, as empresas de bombeiros privados chamadas pelos proprietários detentores de seguros isolaram com os novos materiais high-tech de protecção a casa dos seus clientes e deixaram arder tudo o resto nas imediações ou por todos os sítios por onde tiveram de passar. Um caso de sucesso neoliberal, portanto – os lucros são apropriados de quem tem mais possibilidades e os prejuizos são distribuidos equitativamente pela comunidade que socialmente tem menos possibilidades – que para se ressarcirem dos prejuizos podem sempre vender os terrenos ardidos e as casas como salvados a preços irrisórios para novos ricos se instalarem em zonas residenciais sofisticadas.

“A ciência é o conhecimento organizado. A sabedoria é a vida organizada”
Emmanuel Kant (1724-1804)

“A ignorância e a degradação socializada é uma vida desgraçada”
Anónimo, ano 07 da Era Bush

relacionado:
- "o Poder do Dinheiro apresenta-se sob uma nova máscara criminal"
Desperta Imbecil.Com
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quinta-feira, novembro 08, 2007

Blindness - Ensaio sobre a Cegueira

“Lê os melhores livros primeiro, porque poderás não ter oportunidade de os ler mais tarde”
Henry David Thoreau (1817-1862)

O realizador brasileiro Fernando Meirelles acabou de rodar a adaptação ao cinema da obra-prima de José Saramago “Ensaio sobre a Cegueira” cujo conteúdo, como se sabe, trata de expor a responsabilidade de quem vê coisas num mundo em que todos ficaram cegos. O livro de 1995, decisivo para a atribuição do Nóbel em 1998, trata duma “inexplicável epidemia de cegueira que gera um caos generalizado e revela o lado mais primitivo do ser humano". Como aviso aos nerds hipnotizados pelas imagens, que fora dos cinemas usam óculos escuros, ou cujo gene da miopia apenas os deixam ver alternadamente ora do olho esquerdo ora do olho direito, aconselha-se vivamente que leiam o livro antes de ver o filme que, em fase de montagem, só estreia lá para meados de 2008.

Entretanto, para abrir o apetite, Meirelles (A Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel) descreve a sua experiência nesta realização num blogue que é uma delícia para todos os cinéfilos – desde o primeiro encontro com Saramago no "Farta Brutos" até como Garcia Bernal encontrou a fórmula perfeita para interpretar “o Malvado”, passando pela aprendizagem de dirigir uma multidão de figurantes cegos num velho bairro de Montevideo. (cujo resumo se transcreve aqui). Quatro ruas de uma parte decadente do antigo bairro financeiro recuperaram o seu brilho, praticamente transformadas num set de hollywood. As fachadas de várias casas foram totalmente reconstruidas e transformadas em discotecas e lojas, a maioria das quais serão depois saqueadas pelas personagens do filme, os cerca de 300 figurantes que interpretam a multidão de cegos. As cenas do asilo foram filmadas num velho edificio de Toronto e as últimas cenas de rua em São Paulo.

do Livro dos Conselhos. - “se podes olhar vê, se podes ver repara”

Muitas vezes comparado com “A Peste”, de Albert Camus (que trata do episódio pouco conhecido da aniquilação pelos Nazis da pequena vila francesa Oradour-sur-Glane durante a segunda grande guerra. Não confundir com a mistificação “holocáustica” para efeito da propaganda judaica) o romance começa com um homem no seu carro no meio do trânsito, à espera que o sinal verde abra, quando percebe que, inexplicavelmente, ficou cego. Um estranho, fingindo boas intenções, oferece-se para levá-lo para casa, mas acaba por lhe roubar o carro. Quando consegue chegar a casa, a mulher leva-o de táxi para uma clínica. Naquele mesmo dia o ladrão, o taxista, a mulher, o oftalmologista e todos os pacientes da clínica sucumbem a uma epidemia de cegueira que alastra como um rastilho de pólvora, uma cegueira colectiva. À medida em que a praga alastra, as vítimas são mandadas para um hospício abandonado, onde são vigiadas por soldados com autorização para atirar sobre quem se tenta escapar da quarentena. Apenas a mulher do médico permanece sã e, sendo a única que consegue ver, tenta proteger os cegos “decentes” do caos que se instaura, marcado pela falta de meios de subsistência vitais, energia, comida e medicamentos, quando a cegueira tudo paraliza, provocando a ruptura com qualquer convenção social.

Saramago desenhou o retrato da sociedade actual: o sectarismo (o isolamento dos cegos num manicómio), a violência gratuita (os disparos sobre os cegos), o cinismo e a falsidade dos políticos (medidas tomadas para tentar debelar a epidemia de cegueira), o egoísmo (cada cego por si), a porcaria que inunda a cidade (o caos de toda uma sociedade que se autodenomina civilizada) etc.
Como no “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, que celebrizou os trauliteiros do Estado português quando o censuraram, o ambiente é o mesmo: um mundo onde abunda a miséria, o mau cheiro e a porcaria, que e ao fim e ao cabo, é a nossa realidade. Agora como há dois mil anos, a merda é a mesma: andamos todos cegos, embebedados (e logo de seguida multados) pelos vendilhões do templo; mas só reparamos naquilo que nos interessa. Sem dúvida, esta continua a ser uma imagem aterradora e comovente (cada homem por si, ou a sociedade como um todo rachados ao meio como se fossem um tronco de que só se aproveita metade), uma visão kafkiana dos tempos sombrios que nos coube em sorte viver.

O desafio de filmar uma obra tão complexa é que Fernando Meirelles, segundo nos vai contando, “tentou agarrar” a filosofia do livro onde cada leitor vive uma história como se fosse uma das personagens – e põe a câmara a calcorrear os mesmos caminhos de cada um dos afectados. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, Saramago obrigava-nos a parar, fechar os olhos e ver, interiorizando uma experiência única – aqui sugere-se que a captação das imagens é feita pela medida de cada olhar do espectador. Recuperar a lucidez, resgatar o afecto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor/espectador, face à pressão dos tempos e ao que se perdeu. “Uma coisa que não tem nome, e essa coisa é o que somos”, dizia o autor a uma certa altura.

Em 1997 Meirelles tentou comprar os direitos de "Ensaio sobre a Cegueira". Saramago porém declinou o convite, alegando que não fazia sentido transformar em imagens uma história sobre a cegueira. Dois anos depois, no entanto, o autor português aceitou vender os direitos à produtora canadiana Rhombus Media que, não por acaso, foi à procura do premiado realizador brasileiro para assumir a direcção de “Blindness” - título do romance em inglês que já vendeu um milhão de cópias nos Estados Unidos (o que não é nada fácil numa sociedade elitista e segregadora de novas mensagens culturais vindas de estrangeiros). O filme, com um orçamento de US$ 20 milhões de dólares, falado em inglês, é uma co-produção entre o Brasil, Canadá, Reino Unido e Japão e conta, para além do actor-activista Danny Glover, com um cast multiétnico: Julianne Moore, Mark Ruffalo, o mexicano Gael García Bernal, os brasileiros Plinio Soares, Alice Braga e Antonio Abujamra e os japoneses Yoshino Kimura e Yasuke Iseya. O produtor canadiano Niv Fichman, conta que Saramago se entusiasmou justamente pela idéia de uma co-produção internacional, sem uma “voz dominante”, além da promessa de que o filme não cairia nas mãos de um grande estúdio de Hollywood
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terça-feira, novembro 06, 2007

ainda que não tenhas nada a dizer àcerca daquilo que eu digo

a favor da campanha do Daniel Oliveira
para o peditório social democrata do Bloco

"Não compreendendo a teoria da luta de classes, acostumado a ver na arena política unicamente as pequenas disputas dos diversos círculos e tertúlias da burguesia, o burguês entende por ditadura a anulação de TODAS as liberdades e garantias da democracia, toda a arbitrariedade, todo o abuso do poder no interesse pessoal do ditador (...) Por esclarecer fica o conceito de ditadura de classe (que, emprestando ao governo autocrático uma aparência social-democrata) cerceia as liberdades diferentemente da ditadura de um indivíduo.
V.I. Lénine, in "As duas Tácticas da Social-Democracia na Revolução Democrática"

Ensaio a Favor da Cegueira

A pomposamente auto designada “guerra contra o terrorismo global” é afinal a guerra contra as liberdades cívicas - no maior ataque contra os indivíduos de que há memória no ocidente desde a inquisição espanhola. Os acordos implementados pelos governos europeus perfeitamente alinhados com os ultraconservadores de Washington representam na prática o fim das soberanias e das liberdades na Europa. Os legisladores sabem bem que não existem inimigos externos credíveis à altura das ambições criminosas das cliques dominantes; precisam de os inventar - para dividir internamente as massas populares. A guerra é a mesma de sempre: a luta de classes. Eles sabem que o seu maior "inimigo" está cá dentro; e que é preciso desarmá-lo ideologicamente.

As leis “antiterroristas” impostas pelos Estados Unidos serviram para estabelecer os fundamentos sobre que se constrói uma Nova Ordem de Direito internacional, assinala o sociólogo Jean-Calude Paye, o autor da obra «O Fim do Estado de Direito» ( Le Fin de l`État de Droit , de 2004). Estas regras aplicam-se de agora em diante a todos os Estados europeus. O mandato de prisão europeu dá força de lei ao que há de pior na Europa. Actualmente os serviços secretos estrangeiros podem vigiar qualquer cidadão europeu no seu próprio país, pode ser qualificado de “combatente inimigo”, ser entregue aos torturadores da CIA e ser julgado por comissões militares norte americanas.

No fim disto tudo, sobram os chamados amendoins. No fim do sistema digestivo do Império habitam uns grupos de bactérias reguladoras preocupadas - que zelam para que as almas simples não possam ser infectadas por certas merdas.

A política por exemplo, mas não aquela de espectáculo rasca como a que a partir de agora se lançará a derradeira vergonha sobre o já desacreditado Parlamento burguês. Depois do Lopes e da reedição dos talk shows televisivos com Sócrates, do monopólio da informação mainstream, que mais julgam inventar para que a abstenção suba para valores superiores aos actuais 60 por cento?

É claro que inventam. Por essa Europa fora já estão mais adiantados. "Ricardo Franco Levi, braço direito de Romano Prodi, propôs a criação de uma lei, já aprovada em conselho de ministros, que exigirá que todos os que têm um blogue ou um website se registem, sejam regulados por uma autoridade governamental para as comunicações e paguem uma taxa mesmo nos casos em que não têm fins lucrativos. De facto, um local onde se pode ler ou escrever tudo e mais alguma coisa sem qualquer tipo de restrições, mesmo económicas, ou até vendo salvaguardada a sua situação pessoal e profissional, só pode ter os dias contados nos dias que correm". (ler mais e seguir ligações no "Sismógrafo")

Aviso prévio aos senhores da ERCS: de qualquer forma existem muitos blogues que jamais poderão ser encerrados. Podemos sempre transferi-los e alojar os conteúdos num servidor de um Estado Democrático
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domingo, novembro 04, 2007

"Adeus Até Amanhã"
cinematografia 3
análise política 2

“das poucas lembranças que trago da vida, África é a saudade que mais gosto de ter”
subtitulo do blogue Kitanda

António Escudeiro nasceu e viveu na Angola, Provincia Ultramarina Portuguesa, onde agora regressa com verbas do ICAM para rodar um bilhete postal ilustrado dos sítios onde viveu a sua infância. Romagem saudosista ao longo dos míticos Caminhos de Ferro de Benguela, de cujo antigo director no tempo colonial o realizador é filho, as imagens do património da actual Angola degradada pelo abandono a que trinta anos de guerra votou estas regiões sucedem-se, intervaladas em belíssimas paisagens ("Adeus até Amanhã" conta decerto com a melhor fotografia de todos os documentários passados no DocLisboa). A viagem de 25 dias começa em Luanda e prossegue pelo Lobito, Huambo, Huila, Catumbela, Benguela, através dos imensos caminhos que Escudeiro volta a percorrer e onde pressente que ainda pertence – o apelo neocolonialista é implícito: venham daí porque isto aqui é maravilhoso, tem campos imensos de expansão e está tudo por fazer. Mas tudo em Angola está completamente em ruínas? Não – os palácios dos governadores que representam o Poder central e as recentemente construidas dependências de Bancos portugueses estão novinhos em folha em todos os centros urbanos, por mais longinquos que sejam, pese a degradação social que os rodeia (os 85 por cento de não “emprego” não são aqui mencionados. 15 por cento dos senhores herdeiros da guerra constroem a Nova Angola (só a deles) a toda a velocidade). Poder e Dinheiro, cinco anos depois do fim da guerra, os dados estão lançados no terreno. Recado dado, chegamos por fim ao Cunene e ao Lubango e a uma breve referência aos enigmáticos povos Cuanhamas – alheios a todos os convites da apelativa civilização que conhecemos, que nas palavras de Escudeiro, “desde sempre nos pareceram parados no tempo”

A moeda de conta por onde os Cuanhamas até tempos ainda não muito longinquos contabilizavam as suas trocas de mercadorias eram as conchas Cauri (milenares, tanto quando o imenso deserto de Moçâmedes era submerso pela água do mar) conchas que, consoante eram mais ou menos raras, assim significavam mais ou menos valias.

Já sabemos, segundo Watson e outros trolhas ideológicos, que “os pretos são estúpidos” mormente, guiados pelos seus instintos tribais tradicionais, nunca tenham perdido de vez a sua ligação às medidas da mãe terra de onde nascem se alimentam e que veneram – vamos então dar uma voltinha pela história de como os brancos, banqueiros e falsificadores, criaram as suas medidas de conta, dos negócios de sempre às finanças actuais, passando pelos metais do Novo Mundo, pela sede de ouro dos agiotas da Europa do Renascimento que ainda hoje nos mergulham nas peripécias monetárias dos “fazedores de dinheiro” sem qualquer relação com as medidas de troca das mercadorias ou serviços que nos são essenciais. (uma longa viagem para ser lida aqui)

Quentin Metsys, "o Cambista e a mulher",

Olha lá ó branco “inteligente”, sabes qual é a primeira razão porque se é escravo?

"Once a nation parts with the control of its currency and credit... all talk of the sovereignty of Parliament and of democracy is idle and futile" - W.Mackenzie King, 1935

A razão número um porque nos convertemos em escravos é a nossa completa ignorância acerca do que é o dinheiro e como é que ele é criado. Os sistemas monetários de todos os paises que integram o G8 (G7+Rússia) são especificamente desenhados para forçar cada pessoa singular e cada país dependente a cair sobre a alçada do Débito (contraído pelo apelo ao endividamento, resultante do aliciamento para consumos mirabolantes, insustentáveis)

Em condições normais um qualquer Governo paga quase 20 por cento de todos os impostos colectados só para o pagamento de juros sobre o Défice Público. Quando se diz “o governo paga”, significa efectivamente que quem paga é o povo do País, porque o Governo não tem dinheiro que seja seu, de sua própria propriedade. (conquanto o discurso da vigarice seja “Portugal está finalmente a assumir a sua situação nas contas”...) Assim, de cada “Euro” que cada cidadão paga em impostos, 20 cêntimos vão directamente para uma conta da Banca Privada. Esta era uma percentagem pequena, quando as taxas de juro permaneciam relativamente baixas. Mas, desde que se aumentaram concertadamente as taxas e o preço do petróleo para financiar a chamada “war on terror” este valor já roça os 40 cêntimos por cada Euro, Dolar, ou outra moeda qualquer indexada ao balão financeiro americano. Em que é que pensam que se poderia gastar este dinheiro, se ele não fosse parar direitinho ao Sistema de Bancos Privados? em cuidados de Saúde?, em Educação?, em menores taxas de impostos?

sábado, novembro 03, 2007

Once Upon a Time in America




o FED (Federal Reserve System) é uma Corporação privada cuja actividade é a obtenção de Lucro. Embora quase sempre se apresente como parte integrante do Governo Federal tem tanto a ver com ele como a FedExp (Federal Express Corporation, os correios-expresso lá do sítio). A Reserva Federal também não possui reservas; o FED tem sido, desde a sua criação, o causador nº1 de guerras, inflação e depressões económicas. A Reserva Federal e a sua filial para a globalização, o Fundo Monetário Internacional (IMF), são as duas mais importantes entidades que intervêm na Politica contemporânea. Virtualmente qualquer outra Instituição (Estados incluídos) se torna insignificante quando comparada ou confrontada com as consequências de enfrentar os interesses privados na emissão de Moeda fiduciária (fiat currency) – e forçados a usar essa moeda como de circulação legal (legal tender) para todos os débitos, públicos ou privados.

O que diz Bin Laden

“O perito informático norte americano Neal Krawetz afirmou, numa convenção sobre segurança informática reunida em Las Vegas em 3 de Agosto, que os vídeos sobre a “A Rede” (Al-Qaeda) que passam na televisão são modificados pela empresa norte americana Intel-Center, que introduziria legendas (e efeitos especiais) que não correspondem ao original. A Intel-Center trabalha para os serviços secretos e colabora estreitamente com o Pentágono.
Por seu lado, o bloguer político DaRockwilda pergunta: “Se existe uma via de comunicação para o Ocidente porque é que essa via não foi descoberta, identificada e utilizada para apanhar os chefes da Al-Qaeda? Ou a Al-Qaeda não passa de um fantasma propangandistico dos belicistas de Washington e das outras capitais ocidentais? Então o poder político é capaz de detectar o menor “telecarregador de música” e não consegue impedir que uma agência de media terrorista possa produzir os seus filmes com toda a tranquilidade?”

fonte ("Horizons et Debats", Zurique, 30/Agosto)
via "Politica Operária"

sexta-feira, novembro 02, 2007

socrates transit suss

A intenção do Governo, face ao descalabro cívico em que caiu o transito no país, de “marcar” o comportamento dos condutores com dísticos coloridos, de certo modo, salvaguardadas as devidas

distâncias, no tempo e nos métodos tecnológicos utilizados, vem legitimar a necessidade que em 1933 o Governo alemão sentiu em “marcar” aqueles cujo comportamento social lançava o descalabro monopolista sobre a situação económica do país.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Corrupção institucional,,, em nome do desenvolvimento

o dia de finados virou halloween

“Aparentemente há leis revogáveis para tudo e mais alguma coisa. Mas desde que se tenha dinheiro e amigos bem colocados a impunidade está garantida, e esta será tanto maior quanto maior for a conta bancária”
António Barata, na Politica Operária

“As I would not be a slave, so I would not be a master. This expresses my idea of democracy. Whatever differs from this, to the extent of the difference, is no democracy” - Lincoln

Até Dezembro ficarão definidos os principios da “flexisegurança”. O programa entra em aplicação no principio do próximo ano.

Que “novidades” vêm aí? A reedição (não sancionada pelo voto democrático) pela mão dos directórios europeus da Directiva que levou o nome do obscuro ministro Bolkestein da Itália de Berlusconi, incorporada no anterior projecto de Constituição rejeitada pela maioria da população europeia, particularmente com o voto “não” da França e da Holanda. “Os trabalhadores vão passar a ter um contrato de trabalho individual e temporário, a não ter um horário de trabalho fixo, a mudar de funções dentro da empresa, ou até de localização. (p.e. sugere-se que professores sem colocação possam desempenhar serviços de amanuenses em esquadras de polícia). Acaba o tempo dos contratos por toda a vida, da semana de 5 dias a 8 horas, das negociações colectivas, das compensações por despedimento, etc. Tudo passa a ser flexivel. Em Espanha 55 por cento dos novos contratos já são a prazo. Em vez da garantia de conservar o emprego, acenam-nos com a facilidade em encontrar sempre emprego. Dizem-nos: “é fácil perder o emprego mas também é mais fácil arranjar outro logo a seguir. (Realmente as páginas dos jornais que oferecem emprego estão cheias de anúncios de ordenados cuja média é de 400 a 500 euros mensais). Andar a saltar de emprego em emprego (por este preço), que belo futuro!”

Que contrapartidas?

“A “flexisegurança” inclui também uma parte da segurança, dizem-nos. O que é? É a “formação ao longo da vida”, são as “politicas activas de emprego”, a “reconversão profissional”, a “protecção social mais eficaz” – uma série de programas que só darão cobertura a uma ínfima minoria e vão servir de vitrina para fingir que compensam o ataque desferido aos direitos laborais.
O que eles não dizem é que os trabalhadores, com medo de se ver no desemprego, vão dispor-se a aceitar tudo para conservar o emprego: redução de salário, aumento do tempo de trabalho, horas extraordinárias não remuneradas... Não dizem que os trabalhadores com mais de 50 anos estão condenados. Não dizem que os direitos sindicais ficam reduzidos a zero”.
A jornada de luta de 18 de Outubro programada pela CGTP para cumprir calendário para UE ver teve uma adesão de 200 mil trabalhadores, cuja importância foi facilmente escondida nas páginas interiores dos jornais e vista de raspão nas televisões. Por outro lado,

a “ruptura com a politica actual” de que o PCP fala, (mas a que em boa verdade não apela) só é possivel se houver luta real das massas trabalhadoras nas ruas.
Ou seremos escravos do Capital?
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quarta-feira, outubro 31, 2007

Inteligência Colectiva

(...) "e os milhares de peixes moveram-se como uma enorme besta, revolvendo a água em seu redor. Aparentemente unidos, e inexorávelmente conectados a um destino comum. De onde surge esta unidade?"
Bernard Shaw

Segundo um dos autores do “ultraPeriférico”:
“são três as grandes humilhações que a ciência infligiu à megalomania humana: a cosmológica, a biológica e a psicológica. São três bofetadas no egocentrismo da humanidade. A primeira, quando Copérnico mostrou que a terra, longe de ser o centro do universo, não passa de uma insignificante parcela do sistema cósmico. A segunda, quando Darwin, Wallace e os seus predecessores, reduziram a nada as pretensões do homem a um lugar de eleição na ordem da criação. A terceira, quando Freud demonstrou que o Eu não é soberano na sua própria casa, onde sobrevive à custa de uma luta permanente contra um id pulsional e um superego castigador - o efeito Copérnico põe em causa o lugar do homem, o efeito Darwin ofende a sua genealogia, o efeito Freud atinge a sua alma. Actualmente confrontamos-nos com nova humilhação: a manipulação humana dos ecossistemas. Como resultado a natureza mostra que não é propriedade do homem mas sua proprietária, que não é sua súbdita mas sua soberana, ao implicar a destruição do homem na mesma medida em que por ele vai sendo destruida. Às três humilhações do homem pela ciência, sucede assim uma outra, bem mais devastadora, infligida pela própria Natureza que ao ser humilhada exige humildade”.

Concluindo, afirma-se que “a humildade é, para a arrogância humana, a suprema humilhação”; contudo, não se pode agarrar na “espécie humana” e enfiar tudo dentro do mesmo cabaz do universo humano – há quem se arroge o poder de humilhar e biliões de deserdados que são humilhados, ainda que estes não o saibam - Claro que não sabem – porque existe uma quinta humilhação. O leão come a frágil gazela, o homem dizimou bisontes; o cuco come as próprias crias; dizia-se que o extraordinário sucesso da espécie humana (!) sobre a Terra se devia ao facto de não ter predadores que liquidassem o Homem para se alimentar. Mas a espécie atravessa uma crise de proporções nunca antes imagináveis, porque entretanto já temos esses predadores – temos os Americanos Wasp e respectivas elites locais, que, embora não nos comam de faca e garfo, delapidam em gastos supérfluos os recursos necessários para resolver quase todos os problemas do chamado terceiro mundo, no qual, no caso português, sob o tenaz comando do cuco inconformista Cavaco e do tecnocrata Sócrates agora mergulhamos. Integrados em que programa universal (ou global para utilizar o léxico corrente) exercem o cargo estes dois?

Para além de Freud - o regresso das crenças religiosas

Segundo Jung existe uma linguagem comum a todos os humanos de todos os tempos e lugares do mundo, constituida por simbolos primitivos que se espressam no conteúdo da psique e que estão para além da simples razão. Sabendo-se que o cérebro é utilizado pelo homem para as suas funções correntes em apenas 10 por cento, permanecendo as restantes áreas um mistério – é sobre essa área de 90 por cento que de forma organizada pelo marketing e pela publicidade se “bombardeiam” percepções sobre os colossais egos da imensa massa indiferenciada dos homens.
Carl Gustave Jung (1875-1961), discipulo meio-dissidente da psicanálise de Freud, autor da teoria do “sincronismo”, trata da humilhação colectiva de sermos manipulados, utilizando o “Inconsciente Colectivo” das populações e, subsquentemente criados como animais domésticos dentro de recintos vedados chamados Estados. Ainda para mais, humilhação suprema, sob o efeito Jung permitimos, (nós os pobres que conforme sugere a Hiena Matos ontem no Público somos mais estúpidos que os ricos), que se criassem condições (deixando-nos educar) para que os gestores nomeados para as administrações das “animal farms” possam ser psicopatas comuns não monitorizados pelas bases da Sociedade.

Limpando o Cérebro a uma Nação

terça-feira, outubro 30, 2007

"As Cinco Obstruções"
cinematografia 4
análise politica 4

Um ano antes do Maio de 68, o dinamarquês Jørgen Leth realizou um pequeno filme de 12 minutos que desde 1967 permanece como uma obra de culto.

Em "The Perfect Human" trata-se de pegar no produto acabado tal como o conhecemos agora, o “Ser Humano Perfeito”, enfiando-o num espaço vazio. A partir do cenário de um quarto branco sem quaisquer adereços iremos então tentar descobrir o que é o Homem, de que partes se compõe – olhos, orelhas, boca, pele; que funções pode exercer – move-se, corre, salta, cai, dança, porque se move desta maneira?. Surge uma Mulher – olhem para ele agora: tira a gravata, a roupa de marca, as peugas, os sapatos – o quarto é preenchido com um primeiro utensílio, uma cama. Dormem. Mas o “humano perfeito” sente um pontinho no coração que pensa só poder explicar dentro de dias. Existe agora também uma mesa no cenário. Alimenta-se – o que come e como o faz, que utensilios precisa. Pára e medita. Em que pensa ele? Felicidade? Amor? Morte? – porque são as coisas tão breves? Porque se sente só? Porque o deixaram só? Porquê a fortuna é um capricho? – a comida está muito, muito deliciosa. Enigmático, toca castanholas com os dedos, “hoje experimentei algo de novo, espero compreendê-lo dentro de alguns dias”

Trinta anos depois Lars von Triers desafia Jørgen Leth para entender o “Humano Perfeito” – no fim da estrada a que a complexificação dos meios de vida conduziu a sociedade, partindo-se da análise das mesmas questões propostas no documentário inicial, apontam-se cinco Obstruções ao entendimento das necessidades do Homem como individuo desligado da vivência em sociedade.

1ª obstrução - Começa-se por Cuba onde a própria sociedade impõem um regime de contenção, regulando a vida por forma a que esta seja auto-sustentável.
2ª obstrução – O episódio da refeição é encenado numa rua degradada de Bombaim, na presença difusa dos seus habitantes, na maioria prostitutas e crianças meio criadas ao abandono
3ª obstrução – a rodagem em Bruxelas, com as restrições impostas por um tipo de sociedade pós industrial
4ª obstrução – As questões analisadas assumem a forma de desenhos de animação
5ª obstrução - uma versão livre onde o observador deixa de ser o autor, limitando-se a seguir a narrativa, que lhe parece real, mas escrita por outrem.