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segunda-feira, julho 31, 2006

Tempo de Monstros

"Percorrer com algum vagar e atenção o minimundo da animação para os garotos que a TV diariamente lhes oferece é, em larga medida, descer a uma espécie de submundo povoado por monstros de diversos tipos e formatos onde um adulto normal mas desprevenido se arrisca a assustar-se a valer. É certo que a generalidade dos miúdos não dá sinais de susto, pelo que não haverá motivos para alarme. Talvez não, mas não será porventura completamente desajustado que nós, adultos assustadiços, reflictamos um pouco acerca dessa indiferença infantil perante o que, em rigor, não nos deixa a nós indiferentes. Parece mais ou menos óbvio que os garotos estão habituados àquele estilo e àquele tom. Mais: que na sua memória não há, pelo menos de forma consistente e significativa, um paradigma de animação diferente que, por confronto, denuncie a violência da animação agora dominante. E, é claro, quando não se reconhece a violência não se encontra motivação para o susto(...) Essa indução de fascínio pelo que é monstruoso tem como que uma contrapartida discretamente implícita, admitamos mesmo que não premeditada: o hábito mental de desapreço pelo que, não sendo monstruoso nem sequer raro, se desvaloriza. E essa atitude interior não resulta apenas, de modo nenhum, dos “cartoons” para os garotos: é quase como que uma lei social não escrita a que muitos obedecem mesmo sem se darem conta de que o fazem. Resulta, em última instância, num desdenhoso desinteresse por questões e problemas que não têm nada de monstruoso no sentido de anómalos, embora possam ser de facto monstruosos numa outra acepção(...) o mais recente Eurofestival da Canção foi ganho por um grupo finlandês graças não à qualidade da canção cantada (em inglês, naturalmente) mas sim ao seu visual: os elementos do grupo vinham mascarados de animais monstruosos, género sáurios vagamente antidiluvianos, e essa originalidade na apresentação granjeou-lhes os votos suficientes para a vitória(...)
in crónica de televisão, por Correia da Fonseca, no N.A. (ler mais aqui)

Ensino

Na actual fase intermédia de privatização neoliberal dos serviços públicos, no que respeita ao sector do Ensino, é sabido que quem pretenda educar os filhos paga na condição de qualquer vulgaríssimo contribuinte o ensino público, que não usa pela manifesta falta de qualidade deste, e paga ainda a opção pelo ensino privado onde ilusoriamente se pensa que não se tratam os alunos como “um produto” e se formam "licenciados" com cursos mirabolantes sem quaisquer saídas profissionais.
Este tipo de visão economicista na Educação oficializou-se recentemente com o aguerrido arrivismo, no sentido de chegada ao Ministério, da ministra de Sócrates. O nome da fulana não interessa pois não é de figuras tutelares que se pretende falar, mas sim das politicas que foram instauradas a partir da crise fabricada a partir de 2001 - do evento neocon do 11 de Setembro “ao governo da tanga”.
Baptista Bastos, sempre atento e pronto a distribuir merecidas biqueiradas, vai mais além: - “Os políticos portugueses, responsáveis pelo ensino nos últimos 30 anos, deveriam estar no banco dos réus, culpados de indignidade nacional” (Jornal de Negócios, 21-7)

No desmantelamento do que resta é assim que se “trabalha”: a ministra encomenda exames difíceis e desadequados, os alunos falham miseravelmente, atribuem-se as culpas por inteiro aos professores e, com base neste subterfúgio colocam-se os culpados no quadro de excedentes. Tomem lá que é para aprenderem que a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei nº 46/86) não chegará a cumprir o seu vigésimo aniversário com a presente forma. O debate prossegue organizado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e está aberto ao público no site www.debatereducacao.pt

sábado, julho 29, 2006

a caminho da “Califórnia” vai um país aos trambolhões,,, (II)







Fazendo jus ao glorioso epíteto de "droga dura" com que o apelidou o João Pedro George, o "almôndega peluda" pronunciou-se ontem em rodapé na sua coluna do "Público" sobre a situação no Médio Oriente:

"(...) gostaria de dizer que neste momento me parece urgente criar condições de paz, dadas as mortes de civis tanto libaneses como israelitas, e a terrivel deslocação de populações. Mas, para além disso, considero o Irão uma sociedade politica odiosa, dirigida por um verdadeiro psicopata, cujo exterminio seria um bem para a humanidade e um assinalável contributo para um horizonte de paz". Sim senhor. Direi então a este indefectivel apoiante de Mário Soares e da social democracia em abstracto,,, que as práticas dos correlegionários do vosso regime, que levaram o país ao esgoto onde se encontra, não tem nada de odioso e podemos então passar aos assuntos que nos dizem respeito e,,,

à velha musica de que vocês tanto gostam

* sócio de referência como Bagão Félix, o famoso Benfiquista Bibi, empresário famoso da construção civil, que ultrapassou por cima, junto dos confrades da Banca, do Futebol e da Politica o estatuto de pato-bravo, figura lendária originária do lumpen lisboeta, conseguiu por expedientes próprios inerentes à sua cultura, mais uma vez, em conluio
com a actual gestão da Câmara Municipal de Lisboa promover a construção do mega-empreendimento clandestino da Avenida Infante Santo.
O crime urbanistico cuja contestação pelos municipes já dura há alguns anos, culmina agora com um processo judicial contra a CML e “ameaça” a perda de mandato dos herdeiros de Santana Lopes. “Ameaça”, dizem eles nos seus títulos aos cépticos, que já sabem que não vai acontecer nada. O prédio do Marquês de Pombal, do mesmo Bibi, construído com umja série de caves clandestinas, esteve embargado durante anos e isso até deu muito jeito ao BES e à Igreja Católica que lhe têm utilizado sistematicamente a fachada para afixação de grandiosos painéis publicitários.
















* a mesma gestão camarária, que legou um endividamento astronómico à cidade, que pagou uma mão cheia de milhões ao arquitecto-estrela Frank O`Gherry pelo ante-projecto megalómano de cariz neoliberal para o Parque Mayer anuncia agora, em definitivo, a desistência da sua construção. Mais valia terem promovido o lançamento do dinheiro (ou das letras de crédito) pelas janelas do palacete da Praça do Municipio, onde, cá em baixo no solo, poderia ter sido regateado pela cada vez maior vaga de mendigos e sem abrigo que deambulam pela cidade – com algum marketing, a TVI ainda patrocinava o show-off.

"o mundo não é dos vivos. É dos mais vivos"
provérbio brasileiro



* uma empresa pública, os CTT pagam 19 mil euros a Scolari por palestra de 45 minutos que teve como tema “como fortalecer o espírito de grupo


* Um conhecido actor amigo pessoal do 1º ministro conseguiu, vá-se lá saber como e porque carga de água, o usufruto em exclusividade de um teatro municipal que, para o propósito, foi objecto de vultosos investimentos em obras faraónicas pagas pelo erário público (EGEAC). Que as obras tipo “morangos com paprika” levadas ao palco sejam um fracasso de audiências é praticamente irrelevante, desde que se note algum alarido das camadas mais jovens, assépticas e estupidificadas por uma educação cretina. Por contraste a peça “o Terramoto de 1755” em cena no Teatro da Trindade, sempre com lotações esgotadas, acaba prematuramente, ao fim de uma dúzia de representações, por impossibilidade de ocupação da sala.

* e mais o que não consta dos jornais “de referência”: “Estado vende 15 toneladas de ouro” à surrelfa – não é dificil imaginar para pagar o quê,,,

sexta-feira, julho 28, 2006

a caminho da “Califórnia” vai um país aos trambolhões,,,

esta gentinha não brinca! Quando lhes cheira a Cultura, sacam logo do coldre pela declaração das finanças.
Num cenário degradante como este, quem é frágil demais para competir com a choldra, não tem outro remédio senão reinventar a epopeia de se descobrir como cidadão do mundo, e zarpar numa qualquer caravela à descoberta da sua libertação

Maria João Pires, com uma obra brilhante na defesa da cultura universal levando sempre consigo o nome de Portugal, desiste de vez de viver no seu país. Fecho os olhos e sonho,,, sei, que vou contigo Maria.

quinta-feira, julho 27, 2006

o que é o Sionismo?






"queremos dominar o mundo inteiro, e mais 5 por cento de juros à cabeça"
(provérbio judeu inventado)

os Judeus: ¿são um povo?, citando e adaptando um artigo do jornalista Jon Odriozola

“Num livro intitulado “O Problema Nacional Judaico”, José António Egido pergunta-se se os judeus são um povo, uma comunidade nacional ou uma religião. Aí se assinala que o “Sionismo” esclarece claramente a questão: todos os judeus do mundo, independentemente da sua nacionalidade, do país em que vivem e da sua relação com a religião, são um povo com direito a residir em Israel. Não é dito que se trata de uma “obrigação” porque então o poderoso lobie judeu americano teria de abandonar as suas piscinas nova-iorquinas e, claro está, isso está fora de questão.


Kaustsy – aponta o autor – nega a condição de povo aos judeus, e Marx escreveu na análise da “questão judaica", que esta adquire um aspecto diferente consoante o Estado em que o judeu, como individuo, se encontra”. Os judeus alemães, por exemplo, estavam muito assimilados até à chegada da barbárie nazi, que veio recordar-se-lhes algo que quase haviam esquecido: que eram judeus, um estigma social ancestral. Foi com a diáspora que o judeu perdeu a sua condição de povo. Também é facto assente que foi no exílio, na Babilónia (o Iraque de hoje) onde se construiu a religião judaica. Quando os judeus puderam exercer plenamente a sua condição de cidadãos iguais com o resto dos habitantes de um país, que foi o que se passou durante a Revolução Francesa, a sua tendência geral é assimilarem-se aos naturais para onde se transladaram. Antes de existir a noção de “cidadão” (citoyen) o judaísmo era uma religião e nada mais. Jamais foi considerada uma ideologia politica como quando chegou o Sionismo, que é o contrário da essência do judaísmo ortodoxo, isto é, “um messianismo” (similar às aparições da Irmã Lúcia que nos livrou dos malvados comunistas). O historiador judeu italiano Arnaldo Momigliano estudou a definição weberiana do judaísmo como religião pária. Para Max Weber, um “povo pária” significa que eram um “povo-hóspede” ritualmente segregado pelo ambiente social que os rodeava. A conclusão de Weber é que os judeus decidiram ser párias pela sua atitude religiosa. Não seria em vão que se auto-intitulam o povo eleito de Deus, o que os obriga a possuir a crença de serem superiores, a diferenciarem-se dos demais, a cerrarem-se. Toda a tradição religiosa hebraica pressupõe que os judeus estão obrigados a obedecer à lei divina consignada na “Tora” e têm direito a possuir um teritório concedido por Deus. Nenhum imprevisto histórico mudará isto. Simplesmente a “terra prometida” permanece atrelada à construção de uma era messiânica. Para Weber a falta de “territorialidade” seria a razão da condição pária dos judeus. Para George Steiner, na falta de território, a “Tora” reencarna-se em terra física e converte-se em “território nacional”: o Livro constitui a pátria dos judeus. Os sionistas, a maioria dos quais são ateus, longe de serem um movimento de libertação nacional, transmutaram-se num movimento de colonização para o qual têm de expulsar, e têm-no feito durante os últimos 50 anos, os legítimos proprietários de uma terra: a Palestina, único povo e nação subjugado”.

Portanto, aprenda sr. Eduardo Pitta (com dois tês) em vez de debitar pedantemente nas suas “War Notes” que a guerra é a guerra, enfim, algo que está no limbo como se fosse uma fatalidade a que todas as vítimas passadas e futuras do sionismo estão condenadas,,, concluindo, visivelmente agastado com os promotores de abaixo-assinados: - “Em Portugal, como provavelmente noutros sítios, o ódio a Israel tem muitas causas. O ódio ao povo perde-se na noite dos tempos. O ódio ao Estado começou há 60 anos. Há nisto muito de ignorância e futilidade. Mas nem toda a gente é ignorante ou anti-semita

Felizmente há gente de cultura judaica, judeus que não são bárbaros sionistas, os novos nazis ao serviço da barbárie cristianista encabeçada pelos Estados Unidos. Descartando a comodidade da ignorância, trazida à liça pelo sr. Pitta, podemos então prosseguir mais profundamente até às causas que determinam o porquê de uma tão “desproporcionada” influência do lobie judaico na alta roda que determina a macro-estrutura de dominação ao nível pós-moderno a que chamam de globalização, um aforismo para o “Imperialismo, estádio superior do capitalismo” citando Lenine, que foi o primeiro a dar-lhe forma teórica. Também foi Lenine, que numa outra tirada que ficou famosa, disse: "os factos são infalíveis", vejamos então,
¿ porquê Israel pode cometer impunemente tantos crimes, sem que haja condenação?

Os tempos que correm dispensam grandes teorizações para que se compreenda que sionismo e IV reich são uma e a mesma coisa. A poderosa associação americana sionista AIPAC (American Israeli Public Affairs Committee) determina em grande parte a politica externa dos Estados Unidos. É um facto, até pela composição das figuras de origem e ideologia judaica que compõem a administração Bush. Por acréscimo, é também um facto que as principais individualidades politicas norte-americanas são militantes pro-activos da causa sionista.






Rice discursa e faz-se aplaudir numa convenção da AIPAC

"Zionists in Israel and in the Bush administration are leading America into war with Iran, Syria, Hizbollah in Lebanon and Hamas in Palestine. The consequences for America, Israel and the Middle East will be disastrous, but as long as Washington is in thrall to Zionist paranoia, nothing can be done about it. Bush made this clear on July 14 when he rejected the plea from Lebanon’s prime minister to pressure Israel to stop its attack on Lebanon". (ler mais, aqui)
Nós por cá, por onde haveria de andar a esquerda, embora na prática nada possamos fazer, salvo expressar a nossa indignação, tomando partido - fazemos a distinção entre o judaismo como religião, e o sionismo como uma expressão politica de caracter racista e expansionista. É a segunda que denunciamos e condenamos.
Não estamos sós:
clique na imagem para ampliar

sob o titulo "Guerra no Médio Oriente", quando de facto o que existe é uma agressão contra forças não convencionais, o “Publico de 26/7 dá à estampa uma carta do leitor Deodato Alves da Encarnação (de Oeiras), que transcrevo:
"“Não foi sem repulsa que assisti às imagens vindas do Médio Oriente relacionadas com a visita de Condooleza Rice ao Líbano. Digo com repulsa, pois é inaceitável que a representante de um país dito democrático se apresente perante as câmaras de televisão, no encontro que teve com os representantes do Líbano, sorrindo de orelha a orelha, perante o cenário de destruição e morte(...)" continue a ler mais, aqui

quarta-feira, julho 26, 2006

A lei do faroeste - disparar primeiro e perguntar depois

Foi usando esta técnica simples que a América conquistou o oeste e trouxe o “novo mundo” ao mundo depois do “heróico” extermínio dos indígenas a que chamaram índios.
Será possível repetir a “epopeia” e os mesmos métodos, agora pela “conquista do mundo”?,,, quando a informação sobre os novos crimes, velhos de sempre, corre célere pelos meios de comunicação ao nosso alcance e o “espírito do tempo” que apaga e distorce a memória, como nos “bons velhos tempos” dos westerns made-in-hollywood, já estão tão fora de moda?
Planeiam-se os assaltos, assassinam-se os que se arrogam o inconveniente direito de existir, prejudicando o saque, e atiçam-se os “intelectuais”, oficialmente portadores de alvará de uso dos mass-media, anafados por principescos estatutos e mordomias, às canelas das vítimas atribuindo-lhes de forma ritmicamente concertada, para além da sua própria desgraça, o odioso da culpa pela sua própria morte. Na pele do outro, hoje sentimos que somos todos "indios"

a soldadesca Sionista tem métodos
estudados para lidar com bárbaros

Naturalmente, à semelhança dos tempos em que não existia ainda esse empecilho chamado civilização, em busca do espaço vital e dos recursos essenciais, atrás da 1ª leva de pistoleiros, apresta-se em caravanas organizadas a imensa horda de colonos, oportunistas, parasitas e putas, ávidos de angariar pastagens para mais uma vaca, montar negócios de jogos gananciosos, estabelecer novíssimos bordéis onde empregar as filhas dos outros, quiçá perfilam-se os espertalhões dispostos a vender a própria mãe ao invés de a deixar apodrecer num anónimo lar de idosos onde o depósito da carcaça só dá despesa e rende nada. Na cauda do cortejo, como sempre, seguirá o padre que os benze a todos, excepto a alguns transgressores às ordens tácitas emanadas, e implicitamente aceites, pelas seitas fundamentalistas, a quem se mandará “neutralizar”, como aconteceu ainda a semana passada ao banqueiro Gianmario Roveraro, tido como ovelha ranhosa envolvido em negócios pouco claros, com a máfia católica da Opus Dei.
Aportarão finalmente os “sherifs acoitados pela forças de interposição da “Paz”, que, depois da destruição, restabelecerão a lei e oficializam de que modo serão pagos os prejuízos com os consumíveis de guerra, a administração do território queimado, enfim, o retorno financeiro do investimento, depois da nova ordem implantada.
A partir desta esquina onde se vira a história, será considerado intolerante, criminoso e passível de punição severa, todo aquele que se recusar assumir-se como contribuinte.
Quem dispara primeiro e pergunta depois, esquece-se contudo de um ínfimo pormenor – ao contrário do que acontece com os egoístas, os altruístas jamais morrem.

até no meio do caos é absolutamente imprescindivel
não descurar o consumismo, afinal é a pensar nesse prazer
que todas as guerras são desenhadas.
Aqui vai, na mão de um bravo, uma nota de côr,
um saquito da lojinha de marca

terça-feira, julho 25, 2006

por um punhado de dólares,,,

Este homem sabe do que fala,,, ou não tivesse ele transitado directamente do grupo BES para o Governo,,, quando disse: - “Algumas multinacionais parecem ser geridas em função de resultados de curto prazo destinados aos analistas financeiros
Manuel Pinho, ministro da Economia, no Diário Económico

,,,enquanto estoutro, nem por isso:
“Este governo não tem uma visão para Portugal (...) A drástica politica economicista impede de pensar na alma, esse arcaísmo que passará em breve para a secção dos supranumerários”. (Visão, 29/6) José Gil, filósofo distraido, (que não vê que qualquer governo português não tem capacidade para tomar decisões, porque alguém, por ele e acima dele as toma).

Bastou os “donos do mundo” que dão pela designação de “Grupo de Bildelberg” reunirem-se, debaixo do maior secretismo, no passado mês de Junho em Otava no Canadá, em debate à porta fechada, sem conclusões nem declarações tornadas públicas,,, para que as consequências rápidamente se começassem a revelar.
Este ano, a 54ª reunião dos 135 participantes no grupo Bildelberg incidiu sobre oito tópicos: relações Europa-América, energia, Rússia, Irão, Médio Oriente, Ásia, terrorismo e imigração. Sintomaticamente, participaram pela 1ª vez representantes do Iraque, Irão e Palestina o que faz pressupor que uma nova ordem é expectável para toda aquela zona: a invasão de Gaza, o alastrar da agressão ao Líbano e previsivelmente à Síria significa que foram tomadas decisões radicais para resolver o problema Palestina reordenando toda a região, da qual a Grande Israel abocanhará o melhor pedaço. Da Rússia, que iniciou a sua participação nos encontros de Bilderberg em 1998, este ano ninguém esteve presente para ouvir o que os senhores do mundo lhes tinham a dizer,,, mas, as principais personalidades deste império do mercado não faltaram ao encontro. Nos 19 anos de que existe informação disponível (1982, 1988, 1989 e 1991 a 2006), os norte-americanos David Rockefeller, Henry Kissinger e Vernon Jordan, Jr e o holandês Victor Halberstadt estiveram em todos eles. O belga Etienne Davignon e o português Francisco Pinto Balsemão participaram em 18 encontros.
Balsemão está entre os 6 primeiros em número de participações, o que demonstra a importância do protectorado atlântico português como placa giratória dos interesses neoconservadores americanos a nível global. Em Portugal estão investidos grandes fundos em grupos económicos nacionais que são autênticos testas-de-ferro yankees na dominação da economia global: o BES através da Escom e da parceria com a China-Beya-Escom, o BCP como banco da Opus-Dei ligado ao Vaticano conjuntamente com o grupo Amorim tirando partido da queda do “comunismo” na Polónia (país de onde era oriundo o Papa JP2) e nos demais países da ex-cortina de ferro, a Sonae como ponta de lança da Walmart no Brasil e, em marcha, todos eles na CPLP,,, e onde mais se verá.
“A partir de meados da década de 90, por exemplo, a reunião do Bilderberg procedeu à abordagem sobre o tipo de Europa com a qual os Estados Unidos deviam lidar, bem como o custo da indiferença face à ex-União Soviética. Nos anos seguintes, analisaram a redefinição das relações atlânticas num tempo de mudança, a Nato e o exército norte-americano e, claro está, o comércio mundial. Encetaram desde então um debate anual sobre o fundamentalismo islâmico”. Os resultados, em todos os campos analisados, e as mudanças efectivas, estão aí,,, bem visíveis.
No Bilderberg, os poderosos do mundo ensaiam as jogadas do xadrez global. Refinam a sua arte de guerra. Alinham todas as suas forças para policiar o mundo e multiplicar os seus lucros”. E depois há os outros,,, na frente do cortejo mediático vêm os bombos, os “clowns”, entertainers e figurantes avulso, fardados a rigor com os fatos-macaco de Executivos – passado um mês reuniu-se o G8, por contraste, em São Petersburgo, na Rússia, que esteve ausente, ostracizada, do Bilderberg:

o G8 na Russia, o folclore inconsequente das "marchas pacíficas", e o show-off da repressão. (continua)

segunda-feira, julho 24, 2006

Protesto contra Israel

O Tribunal-Iraque, apela à população portuguesa para repudiar por todos os meios estas acções criminosas e para participar nos actos públicos que vão ter lugar.

Dia 25, 3.ª feira, sessão pública
Lisboa,18:30 horas: "Pelo fim da escalada de violência no Médio Oriente"
Sociedade da Língua Portuguesa, Rua Mouzinho da Silveira, 23
(ao Marquês de Pombal)
Com a presença da delegada geral da Palestina em Portugal, embaixadora Randa Nabulsi

copie e divulgue através deste link

comer criancinhas ao pequeno almoço,,,

,,,tem sido uma cena que tem feito as delicias do terrorismo ideológico ultraconservador no imaginário clássico popular,,,















"o Rapto de Ganimedes"
Rembrandt Harmensz van Rijn (1635)
Galeria Estatal de Dresden

mas que, com a degradação dos tempos, diverte agora finalmente, enquanto não se consegue neutralizar o predador, a nostalgia dos revolucionários, eheheheheh (também temos direito à vida) eheheh

e agora a sério:
A Comissão da Verdade confirmou a existência de violações massivas dos direitos econômicos e sociais de mais de 31 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza nos Estados Unidos. Segundo informações da Rede COMPA, o Tribunal Comissão da Verdade, o primeiro realizado nos EUA, foi concluído, na última segunda-feira, 17, e também estabeleceu a existência de 45 milhões de cidadãos sem acesso à saúde, bem como a responsabilidade do governo por estas violações.(ler mais, no site de inspiração catolica Adital)
e, seria este modelo de sociedade que nos queriam impôr,,, e parece que, de momento, lá o vão conseguindo, com a passividade forçada do zépovinho,,,

sábado, julho 22, 2006

tudo "bons rapazes"

"Imergimos num sistema cartelizado, onde um grupo restrito domina, ante complacências generalizadas, a vida, a dignidade, a alma, o futuro do país" - Fernando Dacosta, Visão, 20/7

o Estado a saque!

"estou tranquilo" diz C.Horta e Costa. Para quando o inicio do julgamento dos culpados pela "perseguição politica" a este baronete do PSD?, como já está a acontecer com Sá Fernandes no caso "Bragaparques"?

Futebol, Politica e CTT

"Foi nos CTT que Carlos Horta e Costa iniciou e fez boa parte da sua carreira. Mas o último cargo público que se lhe conhecia antes de chegar à presidência dos CTT pela mão do então ministro da Economia Carlos Tavares, era o de secretário-geral do PSD. Horta fez parte da equipa de Marcelo Rebelo de Sousa quando este foi presidente do PSD (de 1996 a 1999), primeiro como vice-presidente do partido, e depois como secretário geral, em substituição de Rui Rio. Rebelo de Sousa cede entretanto a liderança do PSD a Durão Barroso, e, quando este sobe a 1º ministro, vai buscar Horta e Costa para a presidência dos CTT. No curriculo constam ainda passagens pela SAD do Sporting, pela Marconi e pela Portugal Telecom onde a contestaçãodos sindicatos à sua gestão recheada de irregularidades e a sua demissão já é pedida desde o tempo do governo de Santana Lopes" O caso da venda de imóveis como este na imagem abaixo, com lucros exagerados, num breve lapso de horas, a favor duma empresa do banco BES, ou o caso da renovação da frota automóvel que envolve o nome do tubarão Dias Loureiro, um homem chave do PSD, serviços ficticios prestados por multinacionais que são pagos mas não batem certos com as facturas de 3.600 milhões de euros, que aliás, só aparecem anos depois para serem contabilizadas, ou o caso dos cheques sem cobertura que lesaram os CTT com uma compra ficticia, depois de combinações à priori, sem que tenha havido qualquer persecução judicial,,, (uff!) acabam de compôr o ramalhete,,, das amplas competências dos boys do PSD

clique na imagem para ampliar

* foto, recortes de imprensa e outros dados gentilmente cedidos pelo jornal "o Público" a troco de € 1,10, iva incluido. A única adenda que paga direitos de copyright cá ao estaminé é a auréola de anjinho

sexta-feira, julho 21, 2006

mais uma "resposta" desproporcionada

Para evacuar os cidadãos americanos no Líbano os USA enviam uma frota de enorme capacidade: 3 cruzadores de guerra, o porta-aviões Uss IwoJima e as suas escoltas e 2000 "marines"
Luciano Amaral no DN admite que Israel, - que até se dá ao luxo de distribuir panfletos de acção psicológica avisando as populações que vão ser bombardeadas - faz o trabalho sujo do imperialismo: "Não haja dúvidas. Por debaixo da côr local, o que neste momento ocorre no Líbano é uma guerra por procuração entre o Irão e os EUA"
O objectivo é claro: a generalização da guerra a toda a região, de onde possa sair uma nova ordem favorável aos nazi-sionistas.

USS Iwo Jima em New York
"para uns estarem bem" *
Um relato de ontem na primeira pessoa de uma testemunha, a libanesa Ayah: "242 civis pelo menos morreram já, centenas mais estão feridos,,, Mais de 50.000 pessoas abandonaram o sul do Líbano fugindo às bombas de fósforo e às outras mais convencionais mas não menos mortais. Para cima de 100.000 libaneses abandonaram o país através da Síria. Os governos Inglês, Francês, Italiano e outras embaixadas estão a fazer sair os seus cidadãos por ferry e helicopteros. Os americanos e canadianos vão começar a sair amanhã. O medo nas ruas é tão grande que todos os estrangeiros abandonam o país e o banho de sangue contra os civis vai agora «de facto» começar".
* "outros terão de estar mal"
e um desabafo, desde Washington, da Denise Arcoverde:
"estou vendo televisão e muito triste com a guerra no Oriente Médio. Tanta violência e intransigência. Claro que a televisão americana é totalmente parcial, seria difícil ter alguma notícia por aqui, se não fosse a Internet. Mas fiquei mesmo surpresa com uma informação que acabei de ouvir do porta-voz de Bush. Vocês acreditam que o governo americano cobra dos seus cidadãos, que estão no Líbano, para retirá-los de lá?!
O custo é o mesmo de uma passagem em uma empresa comercial. Se eles não tiverem dinheiro, fazem um empréstimo ao governo americano, assinam uma promissória e pagam aos poucos, mas cada um tem que pagar seus custos. Que absurdo! Esse país não pára de me surpreender!"

informação local independente:
* The English Lebanese Daily
* versão inglesa do jornal Annahar
* as agências ocidentais são vitimas da censura militar: "os 2 soldados israelitas capturados estavam dentro de território libanês"

que alegria! tão cedo não há escola

quinta-feira, julho 20, 2006

a globalização duma coisa que nós conhecemos bem: a da “Guerra Colonial”

a "guerra fria" não tinha terminado?
Carta do leitor Gonçalo Tapadas Tavares, Ponte de Sor:
"Para quê tantos Oficiais?"


“Foi publicada na comunicação social uma noticia que pouco ou nada surpreendeu a opinião pública: os militares são aos magotes, os ordenados auferidos pelos três ramos das Forças Armadas (FA) são impensáveis e representativos do expoente máximo do despesismo orçamental e financeiro do Estado e, até mesmo, as funções das FA devem ser repensadas em prol de uma melhor distribuição dos fundos, afinal, provenientes das contribuições de todos nós. Ao longo dos ultimos decénios, as FA tornaram-se numa elite restrita de oficiais, tenentes e demais designações de altas patentes do sector. A noticia de que existem 460 oficiais a mais configura uma extrema ilegalidade, perpetrada, silenciosa e faseadamente, ao longo dos últimos governos, prejudicando os contribuintes portugueses na sua globalidade. Acresce o dispêndio de fundos que esta situação implica: 250 milhões de euros para manter este quadro excedentário, o que representa 15 por cento do orçamento destinado a estas forças. Assim, para alem de o próprio Estado fomentar uma ilegalidade, ainda paga para a manter, e estes custos, inevitavelmente, serão cada vez maiores até ao final da vida deste quadro excedentário. Esta situação não só alerta para a discrepância em termos de salários face aos demais funcionários públicos, como nos acautela sobre os vencimentos, as reformas que estes mesmos oficiais beneficiarão até ao final dos seus dias. Deste modo, este número é crepitante e necessita a longo prazo de extinção de organismos e diminuição dos recursos humanos urgente para manutenção da ordem financeira do Estado, sob pena do aumento dos impostos sobre os mais desfavorecidos. Perante ordenados que atingem mais de 5000 euros/mês, urge alterar o quadro de carreiras e proceder a uma diminuição rápida face ao número de oficiais. Na mesma medida se questiona o objectivo das FA e os seu serviço prestado, para além das funções associadas à NATO e a outras organizações multilaterais. O sector militar já perdeu a envolvência que o abraçou nas décadas de 60/70 e hoje configura um sorvedor de fundos, com orçamentos a si destinados com aumentos muito acima da média.
(...) Para além de serem muitos os oficiais, as FA parecem ser um Estado dentro do Estado, e isso é inquietante”.

Ps - Dá-se um doce a quem adivinhar o que estaria escrito na parte censurada (...), junto ao último parágrafo da carta, pelo jornal da marioneta bélica José ManelFernandes, que por esta altura foi a correr de urgência para o Libano cozinhar a versão Neocon da agressão sionista.

A guerra que Portugal travou em África (Angola, Guiné e Moçambique), entre 1961 e 1974 contribuiu de forma decisiva para a queda do fascismo no 25 de Abril, sendo este o acontecimento mais marcante da nossa história na segunda metade do século XX.
A guerra que Portugal hoje em dia trava, pela Globalização em nome do Império, contribuirá, no século XXI, seguramente para uma libertação do género do 25 de Abril, mas desta feita, na correspondente escala Global. Socialismo ou Barbárie?

Sob a bandeira do socialismo

"A sentença de morte da academia pós-modernista norte-americana contra a teoria crítica de Marx foi uma fraude. Tornou-se mesmo o novo credo «cuia absurdum» das ciências humanas corporativamente departamentalizadas. Face às guerras coloniais que inauguraram o século XXI, os genocídios económicos administrados pelos bancos mundiais e as organizações do comércio global, e aos infinitos fenómenos de violência local e global, esta «superação de Marx» adquire hoje um significado patético.
O poder militar e financeiro do mundo concentra-se nas mãos de um pequeno número de empresas. Os sistemas jurídicos democráticos permitem doses mínimas de soberania social, quando não ocultam autênticos sistemas tirânicos em que reina a corrupção. O terror do Estado, que Hobbes definiu programaticamente por via da metáfora totalitária do Leviatan, impõe-se nos quatro cantos do mundo com a mesma naturalidade como se tratasse de uma vontade divina. Nos centros privilegiados do poder mundial, em Londres, Moscovo, Nova Iorque, este terror encena-se como um sistema de segurança nacional, e uma guerra contra um terrorismo que abrange dentro da mesma caixa conceptual as altas tecnologias de destruição nuclear e biológica do planeta, e, no seu outro extremo, o controlo digital de todos os seres humanos. Nas cordilheiras e nas selvas da Colômbia, Equador e Peru, nos povos curdos e Tchechenos, a nas altas montanhas do Tibete, ou nas civilizações sunitas e chiítas do Próximo Oriente tudo jaz em ruínas" (...)

Um ensaio do prof. Eduardo Subirats publicado no El País, em 27/06, que pode continuar a ser lido aqui

quarta-feira, julho 19, 2006

o Planeta dos Miseráveis

Planet of Slums” (O Planeta dos Miseráveis) é uma novela bombástica, resplandecente e tremendamente irritante. Mike Davis faz um trabalho brilhante na dramatização das condições de vida nos miseráveis subúrbios das cidades do 3º Mundo dando uma destacada contribuição para a sua compreensão. Previsivelmente, ele põe a grelhar os suspeitos do costume – o FMI e o Banco Mundial - que, com a pontualidade de um relógio de cuco, saem a terreiro em, mais ou menos, cada 10 páginas. Procuramos por heróis ou heroínas que dêem algum sentido à procura de um caminho para o futuro. Em vão; simplesmente, neste livro, não aparece nem um. No universo urbano neo- Blade Runner, os NGOs são agentes doadores do imperialismo económico, as classes médias dos países desenvolvidos escravizam os pobres, os pobres exploram-se uns aos outros, ou soçobram apenas na condição de vítimas, e os altos funcionários administrativos do FMI e do Banco Mundial agem como burocratas supervisionando as culturas agrícolas no hemisfério Sul, como fornecedores de serviços confortavelmente sentados ao volante. Pelo meio, os países de desenvolvimento médio são obrigados a optar pelos mercados de capitais ou pelo vazio. O autor parece ignorar propositadamente as soluções e algumas significativas contribuições para o desenvolvimento dadas pelas populações locais e pelas suas organizações, governos nacionais, sectores privados das empresas privadas, Ong,s, etc. E faz bem, porque comparados com as monstruosas redes de dominação implantadas quaisquer esforços, mesmo pretendendo-se que sejam honestos, fácilmente se pressentem serem quase irrelevantes. A extrema indiferença para encontrar soluções é perigosa. Tanto mais que estes conceitos já levam mais de uma década a serem compreendidos. Talvez no seu próximo livro Davis dê azo à sua profunda criatividade investigando os caminhos do futuro, tanto mais que o deprimente cenário de “O Planeta dos Miseráveis” alastrou dos subúrbios do 3º Mundo, generalizando-se aos subúrbios das cidades nos países mais ou menos desenvolvidos, porque alinhados como Império, como por exemplo em Los Angeles, Paris, New York, São Paulo, Rio, Washington (uma das cidades com maior criminalidade do mundo),Cidade do México, ou mais recentemente com a destruição sem reparação de New Orleans.

É neste cenário de terror soft, que um lider de um pequeno país que é visto no estrangeiro como um país em contínua degradação e declínio no que respeita ao mais variados indicadores económicos, necessitando de um «grande abalo» (segundo o retrato negro traçado pelo guru da gestão norte-americana, Jack Welch),,,
,,, lhe dá para a Cavacantropia - que, obviamente não é coisa que tivesse saído das moleirinhas do seu staff - of course, que a filosofia lhe é sugerida por instâncias superiores. Esta gente presta-se a fazer cada papel,,,
A pobreza surge como uma forma de exclusão social que se manifesta em termos de privação da satisfação das necessidades mínimas, materiais e imateriais e que resulta da escassez de recursos de que dispõe um indivíduo ou uma família. A privação é múltipla e traduz-se por más condições de vida, em domínios tão diversos como a alimentação, o vestuário, a habitação, os transportes, os cuidados de saúde, a educação, a cultura e a participação cívica. Como se sabe, estas carências raramente ocorrem isoladas.

vejamos então, de forma séria, - afinal o que é a Exclusão Social?

Trata-se dum processo de ruptura na relação dum indivíduo ou grupo com a sociedade, resultante da interacção de várias causas, (imediatas, intermédias ou estruturais) que afectam os indivíduos ou grupos e cujos comportamentos são caracterizados por manifestações de pobreza, de precarização da vida em sociedade ou de perda de autonomia como cidadãos.
Como salienta Alfredo Bruto da Costa, no seu livro “Exclusões Sociais” (1998, Gradiva) existem cinco tipos de exclusão social:

Económico – trata-se da pobreza, definida como uma “situação de privação múltipla, por falta de recursos” e caracterizada, fundamentalmente, por más condições de vida, baixos níveis de instrução e qualificação profissional, desemprego ou emprego precário (com baixas remunerações e más condições de trabalho). A sua duração prolongada gera características próprias, psicológicas, culturais e comportamentais. No seu extremo, esta forma de exclusão social pode conduzir à situação dos sem-abrigo.
Social - a causa imediata reside na ruptura de laços sociais, gerando-se uma situação de privação de tipo relacional, caracterizada por isolamento e, por vezes, associada à falta de autonomia pessoal. Pode resultar da falta de recursos (rendimento), do estilo de vida familiar ou da deficiente provisão de serviços públicos. É o caso dos idosos que vivem na solidão, dos deficientes sem apoio ou dos doentes crónicos ou acamados, carentes de cuidados.
Cultural – deve-se a fenómenos de ordem cultural, como a discriminação racial ou de género. É o caso da situação de exclusão dalgumas minorias étnico-culturais.
Patológico – trata-se de situações de ruptura familiar, motivadas por factores de natureza psicológica ou mental, como os comportamentos violentos. É o caso de doentes do foro psiquiátrico não internados e que não são aceites pelas famílias.
Comportamentos auto-destrutivos – este tipo de exclusão tem como causas imediatas, comportamentos relacionados com a toxicodependência, o alcoolismo e a prostituição.

Para aprofundar o tema, ler os três artigos de José Alberto Pitacas publicados no Noticias da Amadora, de onde se extraiu parcialmente a resenha acima:

* Roteiro da exclusão social (I)
* Roteiro da exclusão social (II)
* Roteiro da exclusão Social (III)

Em Portugal, mais de dois milhões de pessoas vivem em situação de pobreza ou noutra forma de exclusão social. Contudo, o consenso quanto a esta questão fica-se apenas pela evidência dos números, não necessariamente pela importância que se lhes dá ou pelo seu reconhecimento como um sério problema social nacional. Por detrás das diversas posições estão diferentes conceitos e caracterizações do fenómeno da exclusão social, que implicam naturais diferenças de respostas e soluções. Daí a importância de não se tirar ilações precipitadas perante um aparente “rebate de consciência social” que têm surgido em discursos de sectores conservadores e neoliberais, desde o final do mês de Abril e a sua incapacidade compreender a actual crise: Não é com planos de caridade, como os propostos por Cavaco Silva e Sócrates, que se conseguirá resolver o agravamento das desigualdades em Portugal,
por Eugénio Rosa - no www. resistir.info/

Santa Angelina Jolie
o "jet set", os Conselheiros de Estado, comentadores em televisões
as revistas côr-de-rosa e, claro, a padralhada
tendem a apresentar os chamados "famosos"
como um género de santinhos muito amiguinhos dos pobrezinhos
escamoteando a verdadeira compreensão
do problema da pobreza
enquanto as altas patentes militares e os banqueiros
que tomaram o poder politico, se banqueteiam
à tripa forra
O escritor português e Prémio Nobel da Literatura,
José Saramago, afirmou-se pessimista em relação ao
uso contemporâneo
da palavra e da imagem.
Saramago chamou a atenção para a "insensibilidade" patente quando
se transmite um programa sobre a vida dos chamados "famosos"
e depois, as imagens de uma bomba no Iraque
ou de uma epidemia de Sida em África.
"Isto significa que tanta importância
tem uma coisa como a outra
",,,

terça-feira, julho 18, 2006

para Liberal ver,,, enquanto assobia o hino dos Monthy Python

we "Always Look on the Bright Side of Life", versão by Miguel Relvas



com letra a adaptar da inconfidência televisiva em off de Bush para Blair: "Vamos lá a acabar com aquela merda (o Hezbollah) no Libano e na Siria" (mais, na SkyNews)


* "De Gaza com Amor", o blogue duma activista dos direitos humanos.

* o assalto a Gaza e a generalização do conflito ao Libano e à Siria - "A Solução Final do Estado Judaico", por James Petras

ISRAEL, ESTADO GENOCIDA

O genocídio do povo palestino, e agora também do libanês, continua. O comportamento do estado sionista, proxy do regime bushista, é mais atroz do que o da Alemanha hitleriana. Isto está a ser cuidadosamente mascarado pelos media 'de referência' quando apresentam tais massacres como se fossem uma luta entre iguais. Não são. Trata-se de dizimar populações civis indefesas, homens, mulheres e crianças, e destruir infra-estruturas civis como centrais eléctricas, pontes e edifícios governamentais.
O estado racista judeu usa ainda a arma da fome contra o milhão e meio de palestinos que vivem na Faixa de Gaza, agora às escuras, sem electricidade, sem água e isolados do mundo.
A entidade sionista esmera-se em ultrapassar em barbárie todos os seus feitos anteriores. Revela-se agora a utilização de novas armas não convencionais na Faixa de Gaza. O Dr. Al Saqqa, do hospital central, revelou que "estas munições penetram no corpo e fragmentam, provocando combustão interna que conduz a queimaduras de quarto grau, expondo o osso e afectando o tecido e a pele". E acrescentou: "Estes tecidos morrem, não sobrevivem, o que obriga a executar amputações de braços ou pernas, e há fragmentos que penetram o corpo e não aparecem no raio X. Ao entrar no corpo eles chispam como uma combustão de arma de fogo, mas não quimicamente. Eles parecem radioactivos"

Didáctico:
Crianças israelitas enviam cumprimentos às crianças árabes



* "Tudo o que mexe no Líbano é terrorista", por Robert Fisk

* "Inter arma silent Musae", por Manuel Baptista

* "A escalada da guerra no Médio Oriente", por Michel Chossudovsky

segunda-feira, julho 17, 2006

Já repararam no silêncio do Governo Português perante o genocidio que começou a ser levado a cabo em Gaza, e ameaça alastrar a todo o Médio Oriente?

valeu-vos de muito o acto de terem ido votar







Os Senhores da Guerra

o CSP, um grupo militarista na sombra do poderio norte-americano - Episódio 5 (Conclusão) – a Tomada do Poder

Desde a designação de George W. Bush (o filho de G.Herbert Bush) como presidente dos Estados Unidos pelo Supremo Tribunal na sequência das “eleições” do ano 2000, o CSP não parou de marcar pontos: nomeações de Donald Rumsfeld para a Secretaria da Defesa, de Paul Wolfowitz e Douglas Feith para seus adjuntos, de Richard Perle para a presidência do Conselho Consultivo e Político de Defesa; nomeação de John Bolton para secretário de Estado Adjunto para o Desarmamento, de forma a fazer “marcação à zona” ao demasiado independente Colin Powell; nomeação de Zalmay Khalizad como responsável pela política americana para o Afeganistão; publicação pelo Departamento de Defesa de um relatório, do tipo chave-na-mão, sobre a ameça militar chinesa; denúnica unilateral do tratado ABM; aumento em mais de 40% dos orçamentos militares; criação de um embrião de arma espacial; votação da USA Patriot Act; criação do Conselho Nacional de Segurança Interna; rediscussão no Médio Oriente do processo de paz de Oslo: questionamento do regime de Saddam Hussein no Iraque; etc.
Durante estes últimos anos, o CSP teve de resto o cuidado de alargar as suas ligações na sociedade civil criando ou apoiando toda uma nebulosa de associações: o Instituto de Washington para a Política do Próximo Oriente (Washington Institute for Near East Policy – WINEP), o Instituto de Media e Investigaçãodo Médio Oriente( Middle East Media e Research Institute – MEMRI), o Instituto de Investigação sobre a Política Externa ( Foreign Policy Research Institute – FPRI) e, ultimamente, a Fundação para a Defesa das Democracias (Foundation for Defense of Democracies – FDD). As campanhas do CSP e dos seus satélites encontram um grande eco no Weekly Standard de William Kristol no Jerusalem Post de Richard Perle e no Washington Times de Arnaud de Borchgrave, bem como nos editoriais de Charles Krauthammer para o Washington Post.

Os tempos mudam, mas as práticas continuam as mesmas. Após o 11 de Setembro, as associações e os jornais ligados ao CSP levaram a cabo uma campanha de difamação da CIA. A agencia de Langley foi declarada culpada de grave desmazelo ao subestimar o perigo islamico, exactamente da mesma forma como vinte e dois anos antes o CPD a acusava de subestimar a ameaça soviética. Na base deste psicodrama nacional, o código deontológico da CIA foi ultrapassado, os antigos quadros que William Clinton enviara para a reforma antecipada foram novamente chamados, e o presidente George W. Bush aprovou um plano de acções secretas em sessenta e oito Estados. A teoria da Guerra das Civilizações, elaborada por Samuel Huntington, substituiu a vulgata anti-soviética primária da Guerra Fria. O Eixo do Mal encarnado na figura do islamista-de-cutelo-faca-entre-os-dentes. Para convencer a opinião pública interna, a stay-behind retomou as suas antigas práticas de manipulação. Donald Rumesfeld chegou mesmo a criar um Gabinete para a Infuencia Estrategica (Office for the Strategic Influence – OSI) com a missão de intoxicar a imprensa norte-americana e de convencer a opinião pública da necessidade de uma cruzada do mundo judaico-cristão contra o mundo árabe-muçulmano. Todos estes elementos contribuíram para forjar um consenso tal que a maior parte das exigencias do CSP foram satisfeitas, tanto em termos e orçamento como de estratégica.

Em Novembro de 2001, o CSP atribuiu o seu prémio anual para os “Guardiões da Chama” (Keepers of the Flame) ao antigo director da CIA, e depois secretário da Defesa James R. Schlessinger. O prémio foi-lhe entregue por Donald Rumsfeld, que lhe sucedera no Pentágono aquando do “Massacre do Halloween”. Estavam lá todos: John Bolton, Paul Wolfowitz, Zamay Khalizad, Douglas Feith, James Woolsey, etc. Na sua alocução de abertura, o presidente de associação, Frank Gaffney, permitiu-se uma confidencia: “Foram-nos precisos treze anos para conseguirmos chegar onde chegámos, mas aqui estamos”. Maneira elegante de afirmar que todos eles haviam ocupado o poder com Ronald Reagan, que haviam sido depois marginalizados durante a presidência de George H. Bush e afastados durante a presidência de William Clinton, mas que por fim se haviam novamente apoderado dele, não por designação de George W., mas em resultado dos atentados do 11 de Setembro de 2001.

sábado, julho 15, 2006

Nos 70 anos do começo da Guerra Civil de Espanha

Franco foi um homem que esteve adiantado para a sua época
não sabemos se Durão Barroso, Bush ou Tony Blair, algum deles, tivesse dito isto textualmente, mas decerto que o pensaram.





João Pereira da Costa

“No próximo dia 18 de Julho passarão 70 anos que se iniciou a Guerra Civil de Espanha. Certamente que esta data não diz grande coisa a muitos jovens portugueses, que constituem uma parte significativa da população do nosso país. Mas talvez popr isso seja importante tecer algumas considerações acerca deste acontecimento, um dos mais importantes do século XX. Exactamente porque se deu no final da primeira metade do século e antecedeu a Segunda Guerra Mundial, foi um terreno de confrontos ideológicos, políticos e diplomáticos, assim como de experiências e transformações na arte da guerra. Por outro lado, a participação directa de unidades milittares de duas potências do Eixo, a Alemanha e a Itália, levou à criação de um movimento oposto de voluntários civis de várias dezenas de milhares de homens oriundos de mais de 50 paises. Isto é tanto mais importante quanto, ao contrário de outras guerras anteriores, estes homens, que constituíram as Brigadas Internacionais, não participaram como mercenários mas vieram lutar abertamente por uma causa em que acreditavam. Esta foi uma das guerras em que, como alguém disse, era fácil escolher o lado certo. Passados todos estes anos isso não nos parece assim tão claro. De qualquer modo, a sublevação militar iniciada pelas forças estacionadas no Marrocos espanhol, em 18 de Julho de 1936, dirigiu-se contra a ordem constitucional resultante das eleições de Fevereiro do mesmo ano, que deram a vitória às forças de esquerda, agrupadas na Frente Popular. A partir dessa altura, e mesmo antes, tinha-se desencadeado um processo revolucionário que ultrapassou essa mesma ordem constitucional e que os nacionalistas aproveitaram para justificar a sua acção. Tudo isso está descrito em centenas de obras sobre os acontecimentos e por isso não pretendo analisar aqui à exaustão. Parece-me sim, importante chamar a atenção para quatro ou cinco pontos interessantes relacionados com a politica internacional da época e para similitude com o que se passou no Chile de Allende em 1973, onde a liderança da Frente Popular, embora há três anos no poder, não conseguiu resistir ao golpe militar. Primeiro, a Sociedade das Nações, com sede em Genebra, primeira organização internacional a ser criada com objectivos semelhantes aos das Nações Unidas, encontrava-se em fase de desintegração. Resultante dos tratados de Versalhes que puseram fim à Primeira Guerra Mundial e revolucionaram a carta geopolítica da Europa, terminando com a existência dos impérios alemão, austro húngaro e otomano e dando origem a mais de uma dezena a mais de uma dezena de novos países, a Sociedade das Nações sofreu logo à partida de um poderoso handicap, ou seja o de não preverá intervenção de forças militares para redimir os conflitos armados. Acresce que o seu principal inspirador, o Presidente Wilson dos EUA, não conseguiu ver aprovada pelo Senado americano a participação so seu próprio país na organização. Assim, já na década de 30, pouco antes de eclodir a guerra civil em Espanha, deu-se a invasão da província chinesa da Manchúria pelo Japão e a conquista da Abissínia, actual Etióia, pela Itália, que ficaram impunes.


Quando começaram as hostilidades no país vizinho foi criado um Comité de Não-Intervenção de que faziam parte países como a França, Alemanha, Itália, URSS, Reino Unido e Portugal. Aí se estabeleceu um embrago à venda de armas aos dois contendores e se proibiu a participação de países estrangeiros no conflito. O que não foi respeitado pelas potências do Eixo, que tinahm enviado unidades regulares para o terreno, praticamente desde o inicio do conflito. A União Soviética passou então a ajudar directa, mas não abertamente, a Espanha republicana com todo o tipo de equipamento militar e organizou, através do Komintern, o recrutamento dos voluntários civis que iriam constituir as Brigadas Internacionai. Milhares de combatentes chegaram de quase todos os países do mundo. É bom notar que nessa altura faziam parte da Sociedade das Nações apenas 63 paises e não se tinha dado ainda o movimento de descolonização na Ásia e em África. Vieram homens da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos da América e de toda a Europa para defender a república espanhola. Dos EUA, 2300 voluntários constituíram ops batalhões Abraham Lincoln e George Washington. Foram colectados 100.000 dólares e enviados seis hospitais de campanha e 18 ambulâncias. Nenhum americano se alistou no lado nacionalista, segundo o historiador Hugh Thomaz. No Reino Unido, várias personalidades, como o insigne historiador H.G.Wells e o futuro primeiro ministro Clement Atlee, participaram na campanha a favor da república e contra a não intervenção defendida pelo governo conservador de então, ao mesmo tempo que o Trinity College da Universidade de Cambridge recrutava centenas de voluntários, entre os quais alguns poetas como Stephen Spender e H.W. Auden. Para já não falar de muitos outros intelectuais europeus e americanos, como André Malraux e Ernest Heminguay. Convém frisar que isto só foi possível porque o movimento comunista internacional, à época, granjeava uma enorme simpatia em todo o mundo. Uma das principais razões é que a América e a Europa acabavam de sair de uma das mais graves crises do sistema capitalista, a Grande Depressão. Muitos milhões de pessoas nos dois continentes olhavam para a URSS como um país onde esse tipo de crises não acontecia. É também de realçar que há 70 anos estávamos muito longe do movimento de globalização que hoje vivemos, a televisão não existia e a rádio, sua predecessora como meio de comunicação universal, estava a dar os primeiros passos. Notável é, por isso, a capacidade de mobilização de quase 100.000 civis, homens e mulheres, provenientes de quase todos os países então existentes, para participar na luta antifascista em Espanha. Por isso se dizia que nessa guerra era fácil escolher o lado certo. Hoje, passados 70 anos, cohecidas todas as atrocidades cometidas de parte a parte e os acontecimentos que precederam o conflito, é talvez mais difícil dizer de que lado estava a razão. Uma coisa é certa, muito teve de sofrer o povo espanhol, num dos acontecimentos mais trágicos do século XX, para conseguir 40 anos mais tarde encontrar o caminho para a pacificação do país".


Forum pela Memória

sexta-feira, julho 14, 2006

Zapatero: a missa de corpo "ausente"

Depois do estrondoso sucesso de “A Cidade de Deus” do brasileiro Fernando Meirelles está em exibição uma remake pechisbeque,,, uma co-produção Holywood - Cinecittá do Vaticano, do mesmo script, que conjuntamente com a tecla “pobreza”, e como paliativo para essa fatalidade (“pobres sempre os tereis entre vós”, como disse o outro) apela para o consumo globalizante da fé: “A Cidade do Papa”

A propósito da visita de Bento16 (popularmente conhecido por Mefisto XVI) a Valência, (ExPanha, pós a emancipação autonómica das regiões) não há cão nem gato que não saia a terreiro por via do grande escândalo que foi “a não presença” do chefe do governo “socialista” espanhol Luiz Zapatero na missa dada pelo Papa. Ontem foi a vez de Vital Moreira, citando um porta-voz do papado escrever: “nem os piores anti-cristos deste mundo ousaram semelhante ultraje”, e hoje de Joaquim Fidalgo (ambos no Publico) que, embora concordando com a ideia da separação da Igreja do Estado inaugurada pela velha de 350 anos “pax” do Tratado de Westefalia (1648), não deixam de ir dando ferroadas em quem vá tentando cumprir esse desígnio.”Quando fomos à Nicarágua, Daniel Ortega foi à missa. Em Varsóvia, durante o período “comunista”, Wojciech Jaruzelski fez o mesmo. Até na visita papal a Cuba, Fidel não se esquivou à missa” – frase que, verrinosamente para uso de gente de pouco rigor, foi puxada a titulo do artigo. “Eu já não me lembro da história de Fidel Castro mas, a ser assim, acho que foi ele – e não Zapatero – quem procedeu mal. Que é que Fidel Castro, um conhecido e assumido ateu, foi fazer à missa?” rematou Fidalgo. Deduz-se que Zapatero tenha procedido bem, e isto não disse Fidalgo, porque em simultâneo com a visita do Papa,,, Zapatero, como “socialista” em tarefa muito mais útil, estava numa reunião da NATO.


Acontece que, no final da visita a Cuba em 25 de Janeiro de 1998, e disso eu recordo-me lindamente, quem foi à missa e saiu de lá abençoado por Fidel foi o Papa, que ouviu isto:
Por el honor de su visita, por todas sus expresiones de afecto a los cubanos, por todas sus palabras, aun aquellas con las cuales pueda estar en desacuerdo, en nombre de todo el pueblo de Cuba, Santidad, le doy las gracias
Fidel Castro Ruz

Como antes, no discurso da chegada do Papa ao aeroporto José Marti, em 21 de Janeiro, tinha ouvido isto - “Cuba não conhece o medo; Despreza a mentira; Escuta com respeito; Crê nas suas ideias; Defende inamovível os seus princípios; E não tem nada que ocultar ao mundo”. Os discursos estão editados em castelhano num pequeno opúsculo, de que se deixa aqui o fac-simile e os links para leitura integral que, como sempre se espera de Fidel Castro, são peças notáveis na desmistificação das mentiras sobre Cuba. Segue-se a tradução de alguns excertos mais significativos:

“A calúnia tem sido muitas vezes na história a grande justificadora dos piores crimes contra os povos”

discurso de boas vindas ao Papa João Paulo II: Santidade,
A terra que “Usted” acaba de beijar se honra com a sua presença. Não encontrará aquí aqueles pacíficos e bondosos habitantes naturais que a povoavam quando os primeiros europeus chegaram a esta ilha. Os homens foram exterminados quase todos pela exploração e pelo trabalho escravo a que não puderam resistir; as mulheres, convertidas em objecto de prazer ou em escravas domésticas. Houve também os que morreram debaixo do fio das espadas homicidas, ou vítimas de doenças desconhecidas importadas pelos conquistadores. Alguns sacerdotes deixaram testemunhos desgarrados dos seus protestos contra tais crimes. Ao longo de séculos, mais de um milhão de africanos cruelmente arrancados das suas longínquas terras ocuparam o lugar dos escravos índios entretanto extintos. Eles deram um considerável contributo na composição étnica e às origens da actual população do nosso país, onde mesclaram a sua cultura, as crenças e o sangue de todos os que participaram nesta dramática história. A conquista e colonização de todo o hemisfério estama-se que custou a vida a 70 milhões de índios e a escravização de 12 milhões de africanos. Foi muito o sangue derramado e muitas as injustiças cometidas, grande parte das quais, debaixo de outras formas de dominação e exploração, que depois de séculos de sacrifícios e de lutas, ainda perduram.
Cuba, em condições extremamente difíceis, logrou constituir uma nação. Lutou sozinha com heroísmo insuperável ela sua independência. Sofreu por ela faz exactamente100 anos de um verdadeiro holocausto nos campos de concentração, onde morreu uma parte considerável da sua população, fundamentalmente mulheres, velhos e crianças; um crime dos colonialistas, que nem por estar esquecido na consciência da humanidade deixou de ser monstruoso. “Usted”, filho da Polónia e testemunha de Auschwitz pode-o compreender melhor que ninguém. Hoje, Santidade, de novo se tenta o genocídio, pretendendo fazer render pela fome, doença e asfixia económica total, um povo que se nega submeter-se aos ditames do Império da mais poderosa potência económica, politica e militar da história, muito mais poderosa que a antiga Roma, que durante séculos fez devorar pelas feras todos que negavam renegar a sua fé. Como aqueles cristãos atrozmente caluniados para justificar os crimes, nós próprios cubanos, tão caluniados como eles, preferiremos mil vezes a morte antes a renunciar às nossas convicções. Como a Igreja, a Revolução tem também muitos mártires".
Ler discurso completo, aqui - www.granma.cu/espanol

Discurso de despedida ao Papa JP2 em 25 de Janeiro de 1998
Santidade:
“Creio que demos um bom exemplo ao mundo: “Usted”, visitando o que alguns consideram o ultimo bastião do comunismo; nós, recebendo o chefe religioso a quem quiseram atribuir a responsabilidade de haver destruído o socialismo na Europa. Não faltaram os que pressagiaram acontecimentos apocalípticos. Alguns, inclusivamente sonharam com isso.
Era cruelmente injusto que a sua viajem pastoral fosse asociada à mesquinha esperança de destruir os nobres objectivos e a independência de um pequeno país bloqueado e submetido a uma verdaira guerra económica vai faz mais de 40 anos. Cuba, Santidade, enfrenta hoje a mais poderosa potência da história; como um novo David, mil ezes mais pequeno, que com a mesma vontade dos tempos bíblicos, luta para sobreviver contra um gigantesco Golias da era nuclear que trata de impedir o nosso desenvolvimento e fazer-nos render pelas doenças e pela fome. Se aquela história não tivesse sido então escrita, teríamos de a escrever hoje. Este crime monstruoso não pode passar em claro, nem admitye desculpas. Santidade:
Quantas vezes escuto ou leio calúnias contra a minha pátria e o meu povo, urdidas por aqueles que adoram outro Deus, que é o Ouro, recordo sempre os cristãos da antiga Roma, tão atrozmente caluniados, como já o expressei no dia da sua chegada, e que a calúnia tem sido muitas vezes na história a grande justificadora dos piores crimes cometidos contra os povos”.
Ler discurso completo, aqui: www.granma.cu/espanol

o Papa ouviu, agradeceu e zarpou, nestes termos:
“Al dejar esta amada tierra, llevo conmigo un recuerdo imborrable de estos días y una gran confianza en el futuro de su Patria”
Juan Pablo II
Ler discurso integral do Papa ao povo cubano, aqui - www.granma.cu/espanol

Como se vê, existe matéria de facto, depois de lida atentamente, para os Media não manipularem a opinião pública com dichotes de comentadores que deveriam ser exemplos de isenção. Mas os objectivos, como abaixo se constatará, são outros, que nada têm a ver com a ética.

Porque nada há encoberto, que não se possa descobrir; nem oculto, que não possa vir a saber-se”.
(S. Lucas 12.2)

Uma guerra anunciada *

Esta repetição do santo nome de Fidel, martelada exaustivamente na imprensa corporativa, não acontece por acaso. Acontece concertada com a ofensiva lançada pela Administração Busheca para a anexação de Cuba. A senhorita Rice, uma proeminente fundamentalista evangélica anunciou há poucos dias a disponibilização de mais 80 mil milhões de dólares para ajudar a implantar a “democracia” na ilha – eles, uns miseráveis racistas que não têm vergonha na cara pela não reconstrução de New Orleans para os desgraçados "coloured" que foram desalojados pelo furacão Katrina. Endurecendo a sua guerra de 40 anos contra Cuba, Washington adverte ainda que impedirá outros países de apoiar a vigência do sistema revolucionário na ilha de Fidel. A velha prostituta Europa, de cócoras como habitualmente apoia subservientemente – e até já há agências de viagens espanholas subsidiadas pelo Estado para oferecerem viagens turísticas a quem se prestar a transportar propaganda neocolonialista.

* "O Plano Bush de Assistência a uma Cuba Livre": Crónica de uma guerra anunciada - Um artígo de Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento cubano:
Em 20 de Maio de 2004, com pompa e fanfarra, George W. Bush anunciou o seu Plano para a anexação de Cuba. O interminável "engendro" - mais de 450 páginas - provocou uma avalanche de críticas provenientes de todas as partes.
Ler mais, aqui: www.insurgente.org/

* Recorde-se que Cuba foi eleita por 135 paises para a "Comissão de Direitos Humanos" da ONU, ao contrário da candidatura de Portugal, que não foi admitida, facto que passou ao lado da nossa (des)informação