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domingo, novembro 30, 2008

o Dia Mundial sem Compras

"decretado" todos os anos, à revelia dos poderes, pelos nichos da população mais conscientes para refrear os impulsos nómadas consumistas sobre os centros comerciais, coincide com a abertura dos saldos nos paises de modelo anglo-sax (os paises ricos consomem 80% dos recursos) - precisamente no dia seguinte ao "dia de acção de graças" inaugura-se a época de compras natalícias tendo como chamariz preços de arrebimbaòmalho - Neste dia autênticas turbas selvagens de caçadores de pechinchas invadem literalmente as grandes superfícies para ver quem chega primeiro a um par de collants, a um bom videogravador made-in-China a 28 dólares para registar com óptima definição o "Dança Comigo", livros tipo miguel-sousa-tavares ou outros gadgets, imprescindíveis à civilização robótica, como os "oral sex lights".

Desta vez a noticia da última sexta feira vem da Wall-Mart de Long Island (NY) onde uma multidão de 2 mil ferozes consumidores aguardava desde as 5 da manhã a abertura da loja. Drogada pela avidez da consumação do acto de compra, mal se aproximou a hora de abertura, a turba comprimiu-se, arrombou as portas de entrada que sairam dos gonzos e espezinhou até à morte o imigrante indú Jdimytai Damour, um empregado da segurança da loja, ferindo gravemente outras 3 pessoas, entre elas uma jovem grávida.
Passado o furor inicial e a ponte, a polícia anda à procura dos responsáveis, certamente para os obrigar a testemunhar pela falta de cumprimento do horário do funcionário morto que trabalhava na loja com contrato precário - liberdade de consumo, sim, mas a Wall-Mart não pode ficar prejudicada

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sábado, novembro 29, 2008

sobre a vida das peras

eis a que seria uma (im)possivel tese comunicada a um improvável Congresso da Alternativa Socialista da Esquerda Unificada

Uma pêra
pode passar a sua vida
sob o domínio das folhas
colhendo os carinhos do vento
até despencar na podridão do humus

O que uma pêra realmente saberá da vida
é o prazer de ser mordida

(Mauro Iasi, 1986)

“É por acreditar que somos este ser colectivo que se encontra submetido na fragmentação individualista pela sociedade do capital, que não me espanta o facto dos pequenos poemas que lancei no mundo encontrarem abrigo noutros camaradas tão distantes e em tão diferentes lugares.
Porque quando falamos das nossas dores e esperanças, dos nossos amores e das nossas lutas, falamos desta substância comum que nos liga na indissolúvel solidariedade da nossa classe, na matéria colectiva que nos faz homens e mulheres que se levantam contra a indignidade da exploração levantando a bandeira da humanidade - Estes poemas devem ser lidos como quem conspira... a respiração firme e segura dos que sabem, ou estão dispostos a aprender, que aqueles que não ultrapassam aquilo contra o que lutam, acabam por reforçar ou se acomodar... àquilo que queriam transformar” - Luiz Carlos Scapi na apresentação do livro de poemas “Meta Amor Fases” de Mauro Iasi

sobre a trajectória empreendedora da militância que dedicou toda uma vida para a construção do Partido dos Trabalhadores, para depois vê-lo desmoronar-se como um Partido da Ordem (Marx)
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sexta-feira, novembro 28, 2008

no comments
















confirma em toda a linha a capacidade dos blogues para anteciparem, não só a cobertura dos acontecimentos, como as conclusões que a imprensa star-system, a soldo dos departamentos de comunicação dos Estados, vai retirar dos acontecimentos no dia seguinte e nas maníacas sequelas do marketing guerrófilo com a finalidade objectiva de dar abundamentemente a conhecer uma ampliação do "terrorismo paquistanês made-in-alQaeda" como justificação prévia para a "nova" política da administração Obama que pretende ampliar a intervenção norte americana na região a uma zona mais lata que o Afeganistão.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Mumbai e a Globalização

Mumbai é alvo de uma vaga de ataques por homens armados que serão, na sua maioria, de origem paquistanesa (diz-se). Chegaram com armas sofisticadas e organização militar visando sobretudo cidadãos Norte Americanos, Ingleses e Israelitas. Os locais atingidos são sobretudo hotéis de cinco estrelas (pejados de milhares de empresários e turistas ricos), a estação ferroviária principal que liga este centro financeiro ao resto do país, um hospital de luxo destinado especificamente a pacientes estrangeiros, a sinagoga e o centro Judaico na zona sul da cidade e diversos restaurantes e lojas luxuosas, como a Louis Vuiton.















O assalto coincide com o Thanksgiving, o Dia de Acção de Graças que é feriado nos EUA, observando um dia de gratidão a Deus (Elokim em hebraico, ou 3D para os clientes de Arquitectura); a festa celebra-se neste dia com orações pelos bons resultados ocorridos durante o ano; sinal de prosperidade, é também uma data fatídica para milhões de perus, literalmente grelhados em conjunto com outros milhões de miseráveis sub-humanos um pouco por todos os cantos do planeta.

A presidente da Câmara de Madrid, Esperanza Aguirre militante do Partido Popular de Aznar, era uma das diligentes cabecilhas de um numeroso grupo de empresários, numa dessas típicas viagens onde se contrata mão de obra escrava, mas vendida de imediato nos grandes centros financeiros como sendo “criação de riqueza”. Valendo-se de helicópteros e do avião privado do governo de Zapatero (deslocado propositadamente) Aguirre já conseguiu hoje tomar tranquilamente o pequeno almoço em casa. Cenas semelhantes ocorreram com outro numeroso grupo de Parlamentares Europeus.

Well, its thanksgiving, mas aqui não se consegue dar graças a nada. E se ligarmos as duas cadeias únicas que difundem noticias “a sério” na Europa (a CNN e a BBC) tudo isto “é o mesmo Terrorismo, o mesmo Terrorismo de sempre”: os mortos e feridos são trágicos (de facto), as congeminações sobre a autoria dos atentados são perspicazes e eruditas, sobra-nos apurar quantas vezes por minuto os repórteres, experts e enviados especiais introduzem a sigla Al-Qaeda por minuto na cobertura dia e noite dos ataques à Indía construindo uma história de medo decisiva para o futuro do resto da humanidade – ou seja, para quem não viu, este é o evento mais importante desde a chegada do homem á Lua.

O dia ontem começou com a notícia que os governantes dos Estados Unidos despejaram outro Trilião de dólares para tentar deter o desastre em câmara lenta do comboio financeiro, o qual ao cair na ribanceira fará colapsar todo o sistema financeiro mundial. Passadas menos de 24 horas cá está a história: “é o mesmo Terrorismo de sempre” (ver uma das amostras de TV)

uma mão lava a outra

O que seria feito do futuro do “Terrorismo” se não tivesse a CNN e a BBC (e as nossas arraias miúdas) para bombar significados? Não existem já evidências suficientes que demonstrem que a “Al-Qaeda” é definitivamente uma criação da CIA? Mas continua a prevalecer apenas a opinião dos atentados desta empresa ficticia, criada pelo secretário de Estado Brezinski, agora conselheiro especial do presidente Obama, cujo secretário da Defesa é o mesmo de Bush, o ex-director da CIA Robert Gates, envolvido na criação da Al-Qaeda no Afeganistão nos anos 80,

mas são "os outros terroristas" quem ocupa exclusivamente o panorama mediático em sessões contínuas.
O pivot da BBC na Índia entrevistava ontem à noite o chefe da Segurança em Mumbai:
“Isto é muito significativo não é?/Sim, muito/E isto mostra o mais alto nível de sofisticação de sempre na Índia, não mostra?/ Sim, de facto/ E isso é uma causa de preocupação profunda para todo o mundo porque indica que os terroristas desenvolveram um alto nível de sofisticação e eficácia a atingir objectivos/ Sim, você tem muita razão” – como se vê o militar, não estraga o trabalho do repórter, limita-se a silabar interjeições confirmativas. E assim é por horas, horas e horas a fio, construindo a montanha do tamanho do Himalaya.

Mas a única história objectiva é que um grupo armado disparou sobre inocentes (mas não muito, embora a informação deturpadamente ponha ênfase nos que são mesmo inocentes), depois lançaram bombas e granadas e fizeram pessoas reféns.
Toda a história se resume a isto, porque o resto, que existe contestação social grave na Índia não interessa ao Terrorismo Real – que é este: o tal trilião de dólares impresso e lançado noutra acção fútil para apagar o incêndio, porque os triliões anteriores não tiveram qualquer eficácia. E lembremo-nos que são pipas de massa! – enquanto a administração Bush faz todo o possível para ocultar que a guerra do Iraque era em princípio uma empresa de 1 trilião de dólares, embora agora se pense que atinja entre três a cinco triliões; mas que diferença fazem, à velha moda antiga, alguns triliões despejados cirúrgicamente aqui ou acolá?

* relacionado:
o Dr. Vinay Rai, autor de 'Think India: The Rise of the World's Next Superpower and What it Means for Every American" fala sobre a corrupção dos negócios na Índia - ver video

* o Forum Social de 2004 em Mumbai: Contra a Globalização Imperialista e a Guerra
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Slavoj Zizek:

usar as ilusões contra os cínicos: "é bastante possível que Obama faça algumas melhoras, tornando-se um “Bush com uma cara humana"

o Lobie Colonial não foi Desarmado

"Em 2001, uma investigação da ONU sobre a exploração ilegal de recursos naturais no Congo descobriu que o conflito no país gira fundamentalmente em torno do acesso, controle e comercialização de cinco minerais-chave: coltan (combinação de duas palavras que descrevem a columbita e a tantalita, minerais altamente cobiçados), diamantes, cobre, cobalto e ouro. De acordo com essa investigação, a exploração dos recursos naturais no Congo pelos senhores da guerra locais e por exércitos estrangeiros era “sistemática e sistêmica”. O exército de Ruanda fez no mínimo 250 milhões de dólares em 18 meses, vendendo coltan, que é usado para fazer celulares e laptops. A investigação concluiu que a guerra civil permanente e a desintegração do Congo “criaram uma situação em que todos os beligerantes ganham. O único a perder nesse negócio monumental é o povo congolês”. Por trás da fachada de uma guerra étnica, discernimos então os contornos do capitalismo global"
(ler mais na Carta Maior)

ler também em Michael Collon.com por Tony Busselen:
Congo:¿Conflito interno ou intervenção estrangeira?
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quarta-feira, novembro 26, 2008

Sefarad existiu? ou foi Toledoth?

Segundo Shlomo Sand, o autor israelita de "o Povo Judeu é uma Invenção", "o contributo demográfico mais decisivo para a população judaica no mundo deu-se na sequência da conversão do reino khazar - o vasto império estabelecido na Idade Média nas estepes circundantes do rio Volga e que, no auge do seu poder, dominava desde a actual Geórgia até Kiev no século X", mas existe uma história anterior quanto ao facto de presumivelmente no século VIII os reis khazares adoptarem a religião judaica e terem feito do hebreu a língua escrita do reino. Essa conversão tardia teve reflexo na diáspora primeiro para a Rússia, depois para Triestre, Veneza (o 1º gueto) e Europa central, onde se concentraram, já na era moderna, principalmente na Alemanha

“Os antigos Gregos (Estrabão, Heródoto, Plutarco e Homero) e os Romanos (Tito Lívio, Cornélio Trácio e outros) deixaram escritos em que se referiam aos habitantes do Leste da região onde se situa hoje a Geórgia como os povos Ibéricos do reino de Cartli (segundo as fontes gregas com origem no termo Iberoi) e aos povos mais a ocidente dessa região do Caucaso como os Colchis” – isto pode ler-se na obra de David Braunda Geórgia na Antiguidade: a História dos Colchis e da Ibéria Transcaucasiana 550 AC – 562 DC, pag. 17 e 18”

Na mitologia grega a terra dos Colchis era o local onde Jasão e os Argonautas buscavam o Velo de Ouro. A integração do “velo de ouro” no mito talvez tenha derivado da prática local de se usarem as tochas para procurar partículas de ouro no leito dos rios. Nos últimos séculos da era pré-cristã essa região tomou forma como o Reino de Cartli-Iberia que era fortemente influenciado pelos Gregos a oeste e pelos Persas a leste. Depois que o Império Romano completou a conquista da região do Cáucaso no ano 66 antes-de-cristo, o reino manteve-se como Estado-cliente de Roma e seu aliado durante 400 anos. Até que no ano 330 depois-de-cristo o Rei Marian III (um belo exemplo de procedência do mito em torno do culto cristão da virgem Maria) aceitou converter-se ao Cristianismo através dos mais recentes laços desenvolvidos entre o reino e o Império Bizantino, que ao libertar-se a Oriente da decadente Roma invadida pelos povos bárbaros do norte europeu, exerceu ali uma forte influência cultural durante séculos.

Permanentemente acossada pelas tribos guerreiras nómadas do Império Mongol, a terra dos Colchis transformou-se em região tampão nas lutas entre os poderes rivais Persas e Bizantinos em que a zona mudou de mãos por diversas vezes; e o antigo reino, no principio da Idade Media desintegrou-se em várias regiões de feudo lideradas por cabos de guerra tribais. Tal facto facilitou a conquista de toda a região da Geórgia pelos Árabes no século VII

Os Árabes conquistaram a capital Tbilisi no ano 645 DC, mas os povos da Cartli-Ibéria mantiveram alguma independência e liberdade sob as regras legislativas árabes. Estava aberta para a Diáspora destes povos semitas o caminho até à fundação de uma colónia na Nova Ibéria (onde vieram a estabelecer-se no centro, na região de Toledo, chamada de Tulaytula depois que os árabes a conquistaram ao rei visigodo Rodrigo), vindos através da grande estrada do Norte de África dominada pelo novo Império dos Omiadas (com o centro para além do estreito de Gibraltar, a norte, em Córdoba) e pela expansão do Islão que durou com esplendor até aos anos da Reconquista cristã. É possivel que as primeiras tribos semitas tenham chegado à peninsula ainda no tempo dos Romanos, mas, este percurso histórico, e aquilo a que os Judeus chamaram depois “as terras de Sefarad” (palavra que significa "Espanha", um termo moderno cunhado já em tempo dos reis católicos) encaixa perfeitamente na tese de Shlomo Sand: que o povo judeu é uma invenção e que se formaram na conversão à religião de Judas pelos caminhos da diáspora pelo norte de África. Aliás, como é sabido, os clássicos gregos foram primeiramente traduzidos pelos árabes de Toledo, que legaram ao Ocidente o manancial de conhecimento materializado na biblioteca de Alfonso X o Sábio.

Sempre existiu pois uma similaridade entre os Povos Ibéricos do Leste e do Oeste, entre os habitantes da peninsula Ibérica e a ideia de parentesco destes com os povos da Ibéria Caucasiana (o circulo de giz caucasiano faria outra parte importante das migrações semitas estabelecerem-se na Europa central). Isto é reconhecido por diversos autores antigos e do periodo medieval, embora existam discordâncias sobre as diversas origens. E a teoria pareceu ser bastante popular na Geórgia – o proeminente escritor religioso Giorgi Mthatzmindeli, que viveu entre 1009 e 1065 e se celebrizou como George do Monte Athos, escreveu sobre o desejo dos nobres georgianos viajarem para a Península Ibérica a fim de visitarem “os Georgianos do Oeste”, a expressão com que ele os chamou.

Em abono da impossibilidade da colónia de Sefarad se ter estabelecido nessa época pelos caminhos hostis dos Khazares e pelos Reinos bárbaros da Europa dos Ávaros e dos Francos, existe uma pequena curiosidade: o mito que a gaita-de-foles como instrumento de origem celta chegou ao Reino Galaico- Português pelo Norte da Europa - o instrumento tem praticamente o mesmo nome na Bulgária (Gaida) e julga-se ter origem na antiga Trácia, (transitando depois pela antiga Bulgária do Volga) pelo que se terá espalhado posteriormente pelos Balcãs e pela Europa a partir da Grécia e não vindo das brumas Celtas do Norte
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terça-feira, novembro 25, 2008

Comunismos (e o 25 de Novembro)

Em defesa da honra do militante do Partido Comunista Português, uma longa dissertação é levada a cabo no Tempo das Cerejas sobre a actuação do PCP na condução do movimento popular durante o período da revolução de Abril (25Abril1974-25Novembro1975) – Vítor Dias, como factor (actor) de sobrevivência política conclui que “antes vivos e combativos que mortos de morte matada” – visão que tem como reverso a opção pela alternativa de morte lenta pela vida em estado vegetativo.

Em defesa de Raquel Varela

Raquel Varela é uma jovem historiadora (ISCTE) que, conforme Vítor Dias estigmatiza “ainda não tinha nascido quando os factos se passaram”, e no entanto, não se sentindo culpada pelo regime que lhe legaram (que agora vemos pelo próspero estado a que chegaram os "excomungados de Abril"), pretende em final de curso defender como tese de doutoramento “o papel do Partido Comunista português no processo revolucionário”, onde acusa o PCP da derrota histórica do ultimo movimento de massas de carácter anti- capitalista na Europa do século XX. Socorre-se para tal, em primeira apresentação no colóquio Os Comunistas em Portugal, “de frases descabeladas” (no entender do relato do “renovador comunista” Jorge Nascimento Fernandes no “Trix-Nitrix) tais como “a burguesia devia fazer uma estátua ao PCP porque foi este Partido que permitiu que este simulacro de democracia se implantasse em Portugal”; ou da crítica interpretativa entre as acções das massas que fazem as revoluções e os directórios que lhes disputam a sua direcção, recordando o célebre episódio do cerco à Assembleia da República – quando afirmou que "naquele momento o passo que faltou para o triunfo da Revolução portuguesa foi a tomada da Assembleia e a expulsão dos deputados da burguesia, o assalto ao “palácio de Inverno”, em vez da desmobilização concertada pela associação PCP-MFA"

Não fora a sensibilidade intelectual de classe pequeno- burguesa de Melo Antunes sobre o movimento proto-fascista dos 200 soldados-comandos dirigidos por um obscuro capitão que tinha no currículo cultural o facto de ter chumbado no exame da quarta classe (Ramalho Eanes) sabe-se que a intenção era, no 25 de Novembro, de ilegalizar o PCP e culpá-lo dos males da burguesia saída incólume do regime marcelista: a agitação social pré- revolucionária, a queda abrupta em 24 por cento do PIB e, factor supremo de alarme, a auto- organização de comités de base nos quartéis (os SUV); a 7 de Fevereiro na Manifestação Anti-NATO pede-se a saída de Portugal do Tratado de dominação anglo-saxónica do Atlântico Norte.

e do estigma de maus da fita não se livraram os do PCP, de quem o parlamentarismo burguês necessita (tanto como do CDS) para se institucionalizar psicologicamente no leque clubístico das massas populares; tanto como o fascismo precisava dos antifascistas para se legalizar moralmente contra aqueles que pretendiam destruir o doce imobilismo da miséria, do desemprego, da fome e do anafabetismo que os adros da Igreja e os bodes das fragas agrestes constituíam em senso- comum. Era este o “espírito do tempo” quando chegou o golpe militar de 25 de Abril.

Cunhal chega a afirmar que “o nosso programa é o possivel dentro das fronteiras definidas pela Segunda Grande Guerra” – efectivamente, em Yalta determinaram-se as áreas de influência no plano de partilha ideológica suportado pelo Frentismo contratado entre dirigentes das burguesias nacionais e os regimes liberais do ocidente da Europa - ficou estabelecida uma clara divisão entre campos de influência e domínio: uma espécie de Tratado de Tordesilhas: o Leste para o campo soviético, a parte ocidental dominada para os Aliados. O que fazia de imediato da revolta portuguesa “Uma Revolução Impossível”.

Os 12,5% das primeiras eleições são uma completa surpresa para a embaixada americana, porque no pós-guerra o Partido Comunista em França tinha obtido 32 por cento, enquanto as correntes mais radicais que apoiam Otelo Saraiva de Carvalho (um personagem com alguma intuição, mas sem qualquer formação politica) atingiriam esses valores nas eleições presidenciais. Em contraponto, entre a qualidade da direcção politica centralizada versus o lugar da estupidez nas massas amedrontadas pelo papão do comunismo, como alternativa ao regime semi-colonial salazarista verificou-se o peso da derrota histórica da Esquerda e a demonstração da falácia da aplicação do Socialismo pela via indolor das eleições – segundo testemunhas da época, Cunhal reconhecia textualmente: “é impossivel identificar às massas o capitalismo como um obstáculo – e é uma pena que isto vá acabar tudo” – importava salvar a influência possível, através das campanhas de alfabetização do MFA com militares a dar instrução às populações ao lado dos militantes do PCP com a missão não expressamente declarada de contrapor o Ensino ao Esquerdismo espontâneo.

“Em Ponte da Barca, o patrão lisboeta pergunta ao velho caseiro: - Então, como é que isto vai por cá de comunistas?
-oh, ele havia cá 14, mas agora já só há quatro. São dois do PPD e dois do PS”.
revista Gente,Expresso 4.10.1975

Mas os dirigentes do Partido Comunista, como instituição herdeira da politica soviética oficial saída da III Internacional, (consignada no VII Congresso, “Rumo à Vitória") expressava a doutrina de conciliação entre classes (numa situação explosiva: na época 90% dos camponeses russos analfabetos não eram necessários à vanguarda económica, como agora 90% dos trabalhadores nos paises ocidentais não fazem falta ao capitalismo) – contudo o PCP,, como partido reformista e não revolucionário, estava muito longe de controlar a situação como um todo durante o PREC, embora se tivesse sempre tentado colar às cúpulas militares do Movimento dos Capitães (MFA) ele próprio profundamente dividido internamente (como se via nas Assembleias Gerais delegando sempre as decisões nas mesmas hierarquias do aparelho militar saído do regime fascista) reflectindo entre as suas várias facções as mesmas lutas de classe que se verificavam fora dos quartéis.

Estava o PCP portanto longe do espírito da chamada Comuna de Lisboa, antes pelo contrário advogando pateticamente em conjunto com a 5ª Divisão de Informação do Exército a conciliação dentro do espírito da abstracção “união entre o Povo e o MFA” duas definições identitárias tão pouco esclarecedoras quanto a inversa vontade de colocar militantes na máquina burocrática das chefias do aparelho de Estado burguês, enquanto as lutas, ocupações de casas, fábricas e herdades prosseguia à revelia das teorias conciliadoras – com tão zeloso cumprimento que, quando finalmente chegou o dia da clarificação a primeira ordem do PCP foi mandar os militantes desmobilizar, para salvaguardar a sua ilegalização.
O que não impedia na manhã de 25 de Novembro o capitão António Luz, conotado com as forças de esquerda não afectas ao partido comunista de afirmar: “na Trafaria, o quartel que eu comandava, já depois do PCP ter mandado os militantes para casa, tinha 10 mil pessoas à porta do quartel a pedirem-me G3”
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segunda-feira, novembro 24, 2008

change (VI) poder, fascismo e Ambiente

“Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro (…) as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor” diz Mia Couto e,
sem pingo de vergonha no pastoso focinho pelos crimes hediondos que condenaram presos políticos à morte em Peniche, Caxias e Tarrafal, até Ruy Patricio, um ex ministro do governo fascista de Marcelo Caetano, que a SicNoticias teve o desplante de entrevistar também diz sorridentemente (de mira no saque neocolonial pelos negócios) "hoje somos todos africanos"

Obama é mais que um africano - carrega com ele o universalismo da ideia de libertação de milhões e milhões de pessoas,,

e no entanto, como sabemos (os que conseguem elaborar conhecimento sobre o que é o aparelho politico militar norte americano) e desconhecem as multidões anónimas, Obama será um embuste, uma amarga desilusão para os crentes da esquerda pequeno burguesa - será um ícone de uma espécie de Governo Universal que se afirmará por cima de todos os governos do mundo - enfim, a ideia de Hitler numa versão pós- moderna de um Império fascista universal benéfico.
No processo multimilionário de campanha eleitoral, Barack Obama prometeu pôr um milhão de carros híbridos nas estradas americanas (sem efeitos danosos para o ambiente) até ao ano de 2015; porém a realidade para ele, como comandante em chefe, é outra – na verdade, o Cadilallac One, a sua nova limousine presidencial blindada está longe de ser verde

Ler mais sobre o Obama Mobile

domingo, novembro 23, 2008

Venezuela – not for sale?

Nos anos 1972/73 deputados da CDU alemã, Partido da Democracia Cristã viajaram para Santiago do Chile transportando consigo malas com somas em dinheiro vivo destinadas à oposição que se preparava para golpear o governo democraticamente eleito do presidente Salvador Alende.
Ao mesmo tempo o Partido Social Democrata alemão - SPD, cujo presidente Willy Brandt era então Chefe do Governo, organizou um bloqueio económico contra o governo chileno, cortando-lhe o crédito em “ajudas financeiras” e recusando importações de carregamentos de cobre, a principal riqueza nacional. Todas as medidas do embargo politico- económico foram imediatamente levantadas quando os generais golpistas chegaram ao Poder. O mesmo método de trabalho repetiu-se com ambos os partidos únicos do Centrão alemão na década de 80 quando o Império americano desencadeou a guerra suja” contra a Revolução Sandinista na Nicarágua. A direita do centro europeu ocidental colonizado por Washington no pós guerra, encarregou-se da propagação da política dos “contras” e da diplomacia oficial americana, enquanto a “esquerda liberal “social democrata” se encarregava de intervir através da “Internacional Socialista” na Frente Socialista de Libertação da Nicarágua (FSLN).

Desde o triunfo da chamada “revolução bolivarianana Venezuela em 1998, nem o SPD nem a CDU cessaram os seus intentos de desestabilizar a situação política para a tornar favorável aos seus antigos aliados: a Acción Democrática (AD) e a COPEI por forma a que estes pudessem regressar ao Poder; uma vez que estes dois partidos quase desapareceram do mapa politico depois que em 2005 decidiram retirar-se da Assembleia Nacional, os seus sócios germano- americanos buscaram novos contactos promovendo o grupo “PJ – Primeiro Justiça” e “Por la Democracia Social” (Podemos) que têm sido transportados às costas de bolsos cheios pelo lobie da social democracia alemã.
Perante a reforma constitucional promovida por Chávez em 2007, a associação “Podemos” saiu do saco de gatos “Pólo Patriótico” formado em conjunto com o nóvel PSUV (o partido do presidente), o reformista Partido Comunista da Venezuela (PCV) e o “Pátria para Todos (PPT). A formação liderada por Ismael Garcia opera agora debaixo da tutela do SPD - o partido adepto da refinada ideia do “socialismo em liberdade” executa as ordens recebidas para a sua politica externa através da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES) – a mesma entidade que providenciou os primeiros fundos financeiros à frente patriótica contra o “triunfo do comunismo” no Portugal de Mário Soares segundo as instruções do aliado Kissinger via embaixador Frank Carlucci.
Actualmente na América Latina a Fundação Friedrich Ebert tem o insuspeito nome de ILDIS, Instituto Latino Americano de Investigações Sociais.

Para compreender a situação do que se passa hoje, dia de eleições autárquicas na Venezuela, pode ler-se este artigo de Ingo Niebel no “Rebelion”
que conclui:
A União Europeia prepara a intervenção política, social e policial na Venezuela para depois das eleições para governadores provinciais e autarcas

* adenda
o PSUV obtém cinco milhões e 300 mil votos mantendo-se a primeira força política no país, enquanto a oposição regista menos de 4 milhões, menos 300 mil votos que em eleições anteriores. (Nada quenão possa ser reversível). O energúmeno Enrique Capriles Radonski foi eleito governador da província de Miranda e o partido de Chávez perdeu o controlo do governo em mais três provincias.
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sábado, novembro 22, 2008

O assassinato de Kennedy (III)

“o grande inimigo da verdade a maior parte das vezes não é a mentira, deliberada, compulsiva e desonesta, mas o mito, persistente, persuasivo e irrealista”
John F. Kennedy

Coincidindo com o 43º aniversário do crime de Dallas, em Novembro de 2006, chegou às páginas dos jornais a noticia da existência de mais uma pelicula que revelaria novos detalhes filmados minuto e meio antes* do assassinato – isto é, antes do carro presidencial descrever a curva que dá entrada no campo de tiro ao alvo em que se tinha convertido a Dealey Plaza. Assim sendo, em boa verdade o filme do fotógrafo amador George Jefferies não acrescenta rigorosamente nada aos factos conhecidos – muito menos altera a convicção geral baseada em evidências documentadas que continua a ser a de que Kennedy foi vítima de uma conspiração que partiu do interior do próprio governo dos Estados Unidos. Existem testemunhos de membros do staff do vice-presidente Johnson dizendo-lhe “well they just shot that S.O.B” (Son of a Bitch); mas foi o pequeno excerto do filme de Jefferies que o NewYorkTimes pretendeu uma vez mais apresentar como confirmando a teoria da bala única e do assassino solitário.
* duas únicas novidades a reter: 1) a gola do casaco da vítima seguia levantada, o que faz com que o local das feridas do corpo não coincidisse com os buracos feitos no casaco 2) afirma-se que o agente da CIA Clint Hill que seguia na parte de trás do carro foi quem depois conduziu a viatura com o Presidente moribundo ao hospital.
O filme de George Jefferies mostra os agentes dos serviços secretos na parte de trás da limousine. Porém o verdadeiro filme é outro; outra sequência de uma outra pelicula da época mostra à evidência como foi do interior da equipa dos seguranças da comitiva que partiu a conspiração; este filme foi confiscado pelos os serviços secretos logo depois dos disparos... Exactamente antes da curva de entrada na zona de morte os agentes recebem ordens para abandonar o cortejo. Mas, se se aperceberam de algum perigo, porque não parou também o carro presidencial? - 90 segundos depois o presidente era baleado



esta é uma das fotos mais famosas do século XX, embora de divulgação bastante restrita: o congressista Albert Thomas, pelo Estado do Texas, retribui com uma piscadela de olho o sorriso de Lyndon B. Johnson no acto de posse como presidente seguinte dos Estados Unidos, na situação emergente ao assassinato. A cena passa-se ainda a bordo do Air ForceOne – ao lado permanece uma abatida e indiferente Jackie Kennedy que nem se apercebe da alegria íntima dos mandantes do crime.

ver também,
* o Texas, a família Bush e Portugal como parte interessada no assassinato

* Kennedy a ameaça de perda de hegemonia do sistema de bancos centrais privados coordenados pelo FED e o assassinato do Presidente
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sexta-feira, novembro 21, 2008

change (V) - a Soberania alimentar

em 2003 a administração Bush tomou a decisão de deixar permanecer no mercado o produto de assassínio lento Atrazine, apesar da contaminação espalhada na água potável nos caudais por todo o país. Foi uma decisão política, não fundamentada científicamente. Enquanto a Europa baniu o venenoso Atrazine para protecção dos seus cidadãos, nos EUA a administração Bush suporta as exigências da indústria química, apesar dos perigos infligidos à saúde pública. Ao facto não será estranha a importância assumida pelo então secretário de Estado Donald Rumsfeld nas posições administrativas da referida indústria desde 1977. Este Rumsfeld será o mesmo que depois em 1983 como enviado especial de Reagan** vendeu armas químicas a Saddam Hussein para o controlo de populações

o Código Alimentarius

Diz a propaganda que os Nazis usavam “fluoride” misturado na água que davam a beber aos detidos nos campos de concentração. Seria suposto que o produto químico produzia efeitos que tornava os prisioneiros mais fáceis de manejar. O sacerdote pró-nazi americano Charles Coughlin desejaria importar o método, quando na década de 1930 previu um “Reich” (Império) igual ao alemão nos Estados Unidos. Não se enganou por muito. Já para não falar da maquinaria politico militar, a tentação de exercer o controlo de grupos humanos, para o bem ou para o mal, é hoje uma prática corrente entre os principais grupos farmaco, químicos, e alimentares multinacionais (conhecidos pela sigla Big Pharma) são empresas como a Pfizer, Merck, Monsanto, Bayer, BASF, ADM, Chemit, Eastman Chemical, Glaxo Smith Kline.
Em 1977 Donald Rumsfeld chegou a administrador da Searle, uma subsidiária da Monsanto – e um dos seus primeiros actos foi sugerir que a Searle apoiasse fortemente Ronald Reagan** financiando-lhe a campanha eleitoral. A contrapartida seria a mudança da legislação restritiva desregulando a venda, proliferação e as normas de segurança dos produtos biotecnologicos, tais como a hormona de crescimento artificial rBST, os OGM, sementes transgénicas e o aditivo Aspartame (inscrito nas caixas das embalagens com as letras A). Está mais que comprovado que este tipo de práticas são nocivas para os humanos; e no entanto cada vez se intensificam mais em função das necessidades comerciais. Qual é a grande descoberta? se até o simples excesso de vitima D nos alimentos produzidos industrialmente têm mais de 50% por cento de possibilidades de causar esclerose multipla? A descoberta é que a medicação farmacêutica que é recomendada para o tratamento da esclerose múltipla custa entre 1500 a 2500 dólares por mês por cada paciente. Será preciso dizer muito mais? - Vamos lá ver se compreendemos o inimigo.

o Codex Alimentarius é uma ameaça aos povos na escolha de uma alimentação saudável e de medicinas alternativas aos químicos. No fim da guerra 24 altos dirigentes da I.G.Farben empresa produtora de químicos profundamente comprometida com os processos nazis, foram julgados e condenados em Nuremberga. Em sua defesa o Presidente da companhia afirmou: “que poderíamos fazer? quem controlar a alimentação controlará o mundo” - o eco e o legado chegaria até w.Bush em 2001 - em 1962 os Estados Unidos resolveram instalar uma Comissão Comercial para investigar o Código Alimentarius e concluíram ser lucrativo implementá-lo a nível global (primeiro através da FAO, mais tarde abrindo barreiras comerciais através da OMC). Uma versão refinada do Código, entretanto ratificada pela Organização Mundial de Saúde entrará em vigor em 2009.

a Drª Rima Laibow da organização sem fins lucrativos “Natural Solutions Foundation” explica a história nesta Conferência gravada em vídeo, ao mesmo tempo que no seu site www.HealthFreedomUSA.org apela à luta pelo direito da livre escolha de uma alimentação saudável

video 40min, 07seg.

quinta-feira, novembro 20, 2008

BPN - PSD

Os habitantes de Seur observam surpreendidos em plena luz do dia um estranho objecto pendurado na ponte do rio Han... na realidade, é uma monstruosa criatura mutante, que ao despertar começa a devorar todos os que se cruzam no seu caminho. A população aterrorizada começa de imediato a pensar organizar-se para impugnar pela via legal a Criatura. Viu-se. (sinopse de "The Host")

Controlados pela máfia financeira do Banco Português de Negócios, primeiro 30 milhões do banco da elite cavaquista foram parar a uma conta de gestão de fortunas em Gibraltar – ontem conheceu-se mais um caso de transferência clandestina de mais 56 milhões por uma empresa financeira de um agora Conselheiro de Estado para uma conta off-shore em Porto Rico em nome de duas empresas, fictícias, sem qualquer actividade. Pensa-se que entre activos “evaporados” pela crise e a fuga de capitais não declarados ao Fisco, terão “desaparecido” 1000 milhões de euros – ou seja, a confirmar-se este número pelas Polícias (se eventualmente fosse possível lá chegarem), um valor entre 10 a 12 por cento do PIB nacional foi roubado.
Mas, utilizando as contas feitas pelo nosso presidente-economista, não foram roubados ao Produto Interno Bruto, foram roubados ao RIB, o Rendimento Interno Bruto – há uma distinção: este último é o resultado do PIB diminuido dos capitais que pertencem a lucros e mais valias realizadas em território nacional mas enviados a empresas estrangeiras, uma actividade insuspeita segundo os cânones ético-morais dos Dez Mandamentos, encornados na passividade dos crentes.

Assim, na bíblica visão cavaquista é o RIB que precisa de ser aumentado por via da produtividade: trabalhar mais cá para deixar mais dinheiro cá (gerando impostos para cobrar), porque se assim não acontecer é preciso recorrer aos capitais estrangeiros para aumentar o RIB (o sustento da oligarquia) através da criação de dívida externa, que por sua vez paga juros exorbitantes aos patrões de Vitor Constâncio em Wall Street. Ora é mais ou menos isto que os governos de Cavaco e Soares têm feito nos últimos 30 anos. (depois da operação de salvação Soares-Carlucci pelo FMI, Constâncio viria a ser nomeado delegado-Chefe da Reserva Federal judio americana no Banco de Portugal em 1985). Ora então, Cavaco quando deu a sua “lição” na Academia Militar queixa-se de quê? – que os seus acólitos da Banca neoliberal não possam porventura continuar a desviar fundos criados em Portugal nos seus negócios transacionais. Fica mais ou menos subentendido que, se segundo Milton Friedmana ganância é a essência básica do capitalismo”, qualquer controlo do movimento de capitais jamais ocorrerá – até porque não existem meios efectivos de entrar no mundo opaco dos paraísos fiscais
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quarta-feira, novembro 19, 2008

pedimos desculpa por esta interrupção, a democracia segue dentro de momentos,

o boneco animado da Disney ontem deu festa

que se desiludam os adeptos da veracidade da "teoria da ironia": Ferreira Leite almoçofalava na Câmara de Comércio Luso- Americana e, quando a vimos nas televisões, por trás tinha as estrelinhas da star&stripes. Existem própositos claros na indução de sinais que, oriundos da "terra do leite e do mel", anunciam o novo governo fascista global

com dedicatória especial à tropa cavaquista - agora que o Citigroup está à beira da falência (será que a dívida gerada pela venda das receitas incobráveis vai também pelo cano abaixo, ou remete Portugal para o pagamento a terceiros? - explique-se lá excelentíssima ex-ministra das Finanças) - aqui fica a nova versão orquestral do Hino Nacional, ao som do qual, desde o mais pobre palerma ao bronco mais intelectual, é impossivel não sentir um fervoroso ardor nacional (nas "nalgas")

os Skatalites, os Canhões de Navarone, ou o velho disco riscado

como diria o almirante sequestrado: "bardamerda prós fascistas", a versão em ritmo genuíno está aqui
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terça-feira, novembro 18, 2008

organigrama do fascismo visível

Somos cegos, não usamos a razão”, diz Saramago, e por uma qualquer razão que a razão desconhece o “Ensaio sobre a Cegueira” teve a sua antestreia no Freeport de Alcochete

Sócrates, o robot de Cavaco:



Santana Lopes dá entrevistas às
revistas onde afirma que Barroso
lhe pediu para ele o substituir porque
era o único que o PSD aceitava




o último "cão de bush" a sair de cena?


um alfarrobeco livrito chamado "Bancarrota" de 1962 a propósito do exame à escrita das agências divinas, cita Alexandre Herculano: (1910) "...vejo dar exemplos inauditos de subserviência às pretensões da curia romana; vejo trair sem pudor as tradições antigas e o nosso direito público, para contentar Roma, a insaciável"

Valério Arkary, um historiador marxista autor de "O encontro da revolução com a História" e que esteve presente aqui com um extracto de "As Esquinas Perigosas da História" lembra que, sob o tema o Estado e a Revolução, "quando as crises políticas não encontraram uma solução no limite das relações político-sociais dominantes, abriu-se sempre uma situação revolucionária (...) Se contudo, as mudanças não forem realizadas por reformas, (progressistas e não reaccionárias como as actualmente em curso) as revoluções serão impreteríveis; e as revoluções tardias sempre foram as mais radicais" - até Marcelo Caetano percebeu isso, quando se prestou a embarcar rapidamente de férias para o Brasil
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segunda-feira, novembro 17, 2008

quem elege os Presidentes?

making off da economia de guerra

Ronald Reagan era apenas um vulgar relações públicas na multinacional General Electric quando foi “escolhido” para candidato – pode-se imaginar como tão insignificante criatura foi responsável pela desregulamentação global, pelo desmantelamento do new deal e a livre circulação de capitais, principalmente legalizando os sediados em off-shores; será que este salto que inaugurou o neoliberalismo foi decidido por uma parda figura de hollywood? – o estudo da génese do conglomerado General Electric/NBC, que é uma das corporações mais tóxicas e letais do mundo, demonstra qual o papel das Multinacionais na politica contemporânea. Herdeira da alemã AEG (praticamente destruida no final da II Grande Guerra) a empresa renasceu com o triunfo dos Estados Unidos, os 30 anos gloriosos de exploração neocolonial e o assalto final da globalização selvagem; escusado será dizer que desde a fundação da AEG pelo judeu Emil Rathenau na Alemanha do início do século XX, passando pelas ramificações familiares consubstanciadas no secretário de Estado judeu “americano” Hans Morgenthau (1904-1980), até ao actual guru da gestão Jack Welch, a General Electric é uma corporação de génese 100 por cento Judaica (ou seja, a mesma comunidade que gere a emissão de moeda através da Reserva Federal). Eis um dos ângulos da parte crucial da história clássica (por cortesia da Monthly Review), e dois lembretes visuais aleatórios para duas caras do sistema (escusado será dizer que a Time/AOL é o maior conglomerado de Media mundial, do mesmo grupo da GE), uma imagem de 1980 e outra (The New Liberal Order) de hoje em 2008, mas mascarada de Roosevelt, ou seja da época em que o negócio de armamento do complexo militar usurpou de vez os centros decisores da politica:

A Economia de Guerra Permanente e o Keynesianismo Militar

“Em Janeiro de 1944 Charles E. Wilson presidente da General Electric e chefe executivo do Departamento de Produção de Material de Guerra proferiu um discurso na “Army Ordnance Association” (que dois anos depois serviu de minuta para o famoso discurso de Eisenwover em 1946) advogando uma economia de estado de guerra permanente. De acordo como o plano de Wilson proposto nessa ocasião, cada grande companhia fabricante deveria ter uma “ligação” representativa com os militares, delegados esses aos quais seriam dadas comissões de serviço com o posto equiparado a coronel na reserva. Esta deveria formar a base de um programa, a ser iniciada pelo presidente como comandante em chefe em colaboração com os ministérios da Guerra e da Marinha, desenhado para agregar as corporações e os militares em conjunto numa única força – unificando forças armadas e complexo industrial. “Não é mais natural e lógico” perguntou, “que nós possamos reforçar a nossa politica sobre o facto de dispormos de uma capacidade industrial para a guerra, e uma capacidade de investigação para as guerras que já pressentimos hão-de vir? Quer-me parecer que qualquer coisa menos que isso é uma grande loucura”. Wilson saiu a terreiro para indicar que neste plano a parte a ser desempenhada pelo Congresso se restringiria a votar os fundos necessários. Para além disso, era essencial que a Indústria fosse autorizada a jogar um papel central neste novo estado social de guerra sem que fosse atingida politicamente “or thrown to the fanatical isolacionist fringe [e] marcada com o rótulo de “mercadores-da-morte

Na chamada, ainda até antes da Segunda Grande Guerra, a ficarem mais perto para “um programa continuado de preparação industrial” para a guerra, Charles E. Wilson, vice presidente do "War Production Board" (muitas vezes referido como “General Electric Wilson” para o distinguir do “General Motors Wilson” – Charles Erwin Wilson, presidente da General Motors e Secretário da Defesa de Dwight Eisenhower) articulou um ponto de vista que caracterizava a oligarquia dos Estados Unidos como um todo durante os anos imediamente a seguir à IIGrande Guerra.
Em eras anteriores isso fôra assumido como havendo uma economia informal de comércio de “armas e manteiga”, e que os gastos militares deveriam ocorrer a expensas de outros sectores da economia. Contudo, uma das lições da expansão económica do regime nazi alemão, seguida pela experiência dos próprios Estados Unidos em armar-se para a Segunda Grande Guerra, foi que esse grande incremento nos gastos militares poderia actuar como grande estímulo para a economia. Em apenas seis anos sob a influência da IIGrande Guerra a economia norte americana expandiu-se em 70 por cento, recuperando finalmente da Grande Depressão. A era para além da “Guerra Fria” viu também a emergência daquilo que mais tarde ficaria conhecido como “keynesianismo militar”: a visão que promovendo uma procura efectiva e suportando os benefícios monopolistas dos gastos militares poderia ajudar a sustentar as bases de apoio do capitalismo nos EUA. (Charles E. Wilson: “For the Commom Defense”)
John Maynard Keynes, no seu clássico “Teoria Geral do Emprego, Dinheiro e Juros”, publicado em 1936, em pleno clima de grande Depressão, argumentou que a resposta a uma estagnação económica era a promoção efectiva da procura através dos gastos (investimentos) do Governo. A falsificação abastardada do keynesianismo que ficaria conhecida como “keynesianismo militar” foi a visão que isto teria melhores efeitos com menos consequências negativas para os grandes negócios (big business) – se houvesse uma prevalência pelos gastos militares (..)”

ver o artigo da MR de Outubro: "O Triângulo Imperial dos Estados Unidos e os Gastos Militares"
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domingo, novembro 16, 2008

Congresso Internacional Karl Marx

Ao contrário da Internet onde existem milhares de referências, como se suspeitava por antecipação, este evento onde se participou com mais de 200 teses postas à discussão e ao qual assistiram centenas de participantes para colocar questões sobre linhas de conduta futura para a Esquerda, não encontrou espaço noticioso na "grande imprensa". Só hoje, ao fim do 3º dia (como compete a todos os cristos políticos) a notícia do Congresso se deu à estampa, numa nota marginal de rodapé a 1/8 da página 22, ainda assim para tabloidizar que "Louçã acusou a elite cavaquista" sobre o caso BPN. Maior destaque ao Congresso seria dado também hoje na coluna de Vasco Pulido Valente (Público) E quanto maior, mais bronco. VPV dá à estampa a maior diatribe jamais vista destinada às massas imbecilizadas pela "boa imprensa". É pena não ter estado presente, ter ficado de fora, senão ouviria pelo feed-back de Zygmunt Bauman que: "a produção natural de resíduos operada pelo progresso (do staus quo) estende-se agora, na cartografia geral, aos humanos. Os resíduos humanos encontram-se nos territórios da alteridade, no exterior das fronteiras e são, acima de tudo, o resultado angustiante de uma perversa combinação de lucro desenfreado e hipocrisia cultural" - senão mesmo do embuste que encobre a verdade para esconder a ladroagem de colarinho branco. É esta classe*** que VPV representa nos Media, quando afirma que "os governos tomaram medidas "socialistas" de nacionalização ou fortalecimento dos bancos com o dinheiro do contribuinte" - o que não é de todo verdade: a administração do BPN, o PSD em peso (um dos quais é conselheiro de Estado nomeado por Cavaco) pura e simplesmente roubou (é o termo) milhões para os depositar, via off-shores em contas pessoais que gerem fortunas (e agora os prejuizos serão distribuidos pelos contribuintes - essa é que seria a redacção correcta!):


Sobre o que disse quanto ao Congresso em si, não vale a pena perder muito tempo com tão ruim defunto: "o proletariado quase desapareceu" disse VPV acrescentando: "é um extrato, coisa muito distinta de classe" *** - fica claro, lá pelas tascas ideológicas que o remuneram: não o vê, logo não existe ( (e no entanto elas movem-se - as classes não são necessariamente uma comunidade visivel organizada, são pessoas dispersas cujas situações são definidas em relação à sua posição na estrutura do Mercado) - assim como não enxerga "a luta de classes como motor da História" - não entendendo que uma classe não se define como se fosse um ajuntamento de pessoal dentro de um qualquer quartel, como aqueles de onde Cavaco profere os discursos em linguagem de "economia de guerra" - que é aquela que está a dar e a única que os grandes comentadores do regime entendem.
Pulido Valente (apelido comercial adoptado como herança de um comunista) ignora as três correntes principais europeias: a filosofia clássica alemã, a economia política clássica inglesa e o socialismo francês; ignora o Materialismo Filosófico e a Dialética e por último "falsificou e distorceu informação para confirmar a sua filosófica tese" (palavras de VPV sobre Marx) ácerca da concepção materialista da História para a reduzir a uma análise resumida do "estudo da sociedade inglesa do século XIX" - é quase impossivel imaginar um redactor de populismos mais charlatão.

Quem não leu o embróglio do BPN no Público do último sábado, pode fazê-lo aqui
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