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domingo, outubro 31, 2010

Efeitos especiais

Num pequeno livrinho que anda por aí, vêm publicadas as frases que mais excitaram Portugal, e a posta que mais excitou o público foi a do ministro e alto quadro do BES, Manuel Pinho, que disse em 2003: “ A Crise Acabou

De facto são extraordinários os efeitos a três dimensões com os quais os actuais governos demo-ditatoriais podem mapear e disparar sobre as consciências. Governos cujas actividades apenas conhecemos dos espectáculos projectados nas fachadas dos edifícios. Do que permanece invisível e se passa realmente lá dentro, apenas poucos, uma ínfima minoria, (escolhidos e patrocinados por entidades não eleitas) lhes conhecem os contornos



"Onde está o princípio da coesão do projecto europeu? Para gáudio dos trauliteiros da desgraça nacional, o FMI já está cá dentro e em breve, quando do PEC 4 ou 5, anunciará o que os governantes não querem anunciar: que este projecto europeu acabou"
Boaventura Sousa Santos, na "Carta Maior"
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sábado, outubro 30, 2010

David Icke: pseudo-contestação em Lisboa (II)

" (...) e irá condenar-nos, e aos nossos filhos, a uma ditadura global fascista/comunista, a uma escala que faria corar o próprio Orwell"

E nada como consultar as fontes. Treslendo por aí numa banca o último livro de Icke, “Raça Humana Ergue-te!” nenhum pacóvio pode ficar desencantado. É de facto um mimo do mais puro e gasoso esoterismo. Vale mesmo a pena deitar uma vista de olhos, porque ali dentro até o "Bush é um reptiliano comandado pela Matriz Universal a partir da Lua, que é um planeta artificial criado pela raça gasosa dos reptilianos". Pela módica quantia de 30 euros por cada exemplar fica-se com um "tijolo" de 700 páginas para aquecer a lareira no inverno. (Ver um naco da prosa aqui). Tudo isto é tão inverosimel que não pode haver quem não se convença que a tribo sionista de Israel/Wall Street não contrataria melhor submarino anti- comunista para fazer passar a ideia que existe alguém que se atreve à contestação livre da "nova ordem global"

Contra ou a favor da ideia de Israel, sempre pulularam uma imensidade de “Messias” ao longo da História, onde os misticismos sempre lutaram pelo pão nosso de cada dia. Um dos mais famosos da história dos Judeus é o que teve como fonte os antigos “livros bíblicos”, histórias do outro mundo. Calculam os eruditos judeus que a primeira redacção do livro Deuteronómio foi realizada em meados do séc. VII a.C. sendo que a versão final data do séc. V-IV a.C. - Desmontar a ideia é simples: acontece que as palavras “espiritismo” e “espírita” que constam na compilação dos 5 primeiros livros da Bíblia, só foram inventadas em 1857 (ver aqui)... logo é impossível que tenham sido escritas no Deuteronómio 18 tantos séculos antes.
as palavras espiritismo e espírita surgiram em 18 de Abril de 1857 publicadas no “O Livro dos Espíritos”, onde Allan Kardec, para além de as utilizar pela primeira vez, também fornece o seu significado, um neologismo que associa o Espírito+Doutrina, palavras novas que facilitavam a difusão de um novo conjunto de ideias, para designar tudo o que diz respeito à comunicação com o Além-túmulo.

o Gnosticismo foi um movimento religioso esotérico que floresceu durante os séculos II e III - segundo os gnósticos, as sementes do Ser Divino caíram no universo material – que, na sua totalidade, é mau – e ficaram encarceradas nos corpos humanos. O conhecimento ou gnose (do grego) poderia despertar estes elementos que voltariam à própria casa, isto é, ao reino espiritual”. Torna-se então evidente que o Profeta David Vaughan Icke, embora misture habilmente alguma verdades (como convém) (1) com mentiras grosseiras, não nos traz nenhuma novidade com essa treta dos “nossos ancestrais como seres gasosos” aos quais um dia iremos regressar, a gases como os cristãos dizem do pó, ou os árabes disseram poeticamente das estrelas.

(1) Com Alex Jones, o que David Icke disse em 1/3 do Holocausto (video 4h:15min:20seg)
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sexta-feira, outubro 29, 2010

Dissonância Cognitiva

As pessoas mentem a si próprias, induzidas pela formatação oficial ilusória daquilo que lhes daria mais jeito para manter ou melhorar a normalidade nos seus interesses materiais imediatos.

Exemplo de desprogramação e hipnose social: quem acredita em Deus acredita nas sondagens da Universidade Católica. Se, por exemplo, alguma empresa de sondagens fosse dirigida por ateus em economia, provavelmente faria previsões dando Francisco Louçã como ministro das Finanças...



É necessário lembrar e entender que este famoso discurso de John Kennedy (minuto 1:52 no video acima), onde ele refere a teoria de conspiração global é feito pelo mesmo presidente Kennedy que decretou o embargo a Cuba em 1962, ou seja, existem "conspiradores" mas admitir a organização social democrática a partir das bases para os varrer do conntrolo da sociedade é que nunca

David Ike e a Conspiração Global

Pouca análise politica sobre os mecanismos de dominação globais realmente existentes, ausência de propostas de organização revolucionária (porque anti-comunista), demasiado espectáculo, e

mesmo muito muito esoterismo sobre uma paranóia geral de medo e coacção de uma raça exploradora apresentada como se fosse composta por seres alienígenas: "os Illuminati são uma raça de humanóides reptilianos" - não será por isto que vale a pena pagar um bilhete de 45 Euros para ouvir o ex-jornalista da BBC falar durante oito horas seguidas. De qualquer modo, um caso a estudar sobre algumas linhas gerais do mundo saído do "holocausto" da 2ª GGuerra para a Nova Ordem Mundial. Amanhã sábado dia 30 em Lisboa

PUB. video de promoção comercial



Exemplo de Conferência de David Icke, "Big Brother, the Big Picture" no “Vigia” (2h:54min:44seg)
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quinta-feira, outubro 28, 2010

o que seria de nós sem o "alerta" que ele nos deu em Outubro de 2008?

As medidas do Plano Bush no auge da crise em Outubro de 2008 iniciaram um longo processo de injecção de dinheiro fabricado à pressa para sanear os bancos dos "activos tóxicos", isto é, trata-se de repôr as extraordinárias somas de dinheiro que se evaporaram nos processos de falência. A "recuperação", segundo a óptica capitalista, começou nesse mês com a entrada no sistema financeiro global de 700 mil milhões de dólares... (e em 2010 essas injecções de capital fictício continuam a encher um caldeirão onde se pensa estarem já a ferver 14 triliões de dólares prontos para serem enfiados pela goela abaixo de (quasi) todos os habitantes do planeta)
com ela fisgada...

E o que disse sua excelência professor doutor Cavaco Silva presidente da República por essa altura?:

"Não me parece que seja necessário, pelo menos de acordo com a informação que disponho, que um programa semelhante seja elaborado na Europa" (Diário de Notícias, 4 de Outubro de 2008)

Das duas três, ou Cavaco tem "fontes de informação" em que pontificam ignorantes económicos, ou na falta dessa evidência, se Cavaco não sabe o que toda a gente sabe (e assim não pode continuar a ocupar o lugar que ocupa) , será porque Cavaco mentiu deliberadamente à opinião pública - A terceira explicação é a que vale: a nivel de elites toda a gente conhece estes tópicos mínimos da "crise" (e aí até a infíma e dividida porção de contestatários está de mãos atadas pela censura no acesso aos meios de comunicação), porém, para efeito de caça ao voto para a re-eleição de Cavaco o que conta á a captação pelo medo da ignorância deliberadamente despejada sobre o chamado "estúpido colectivo", ou dito de outro modo, de "como se limpa o cérebro a uma nação"
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quarta-feira, outubro 27, 2010

embuste capitalista, resposta cavaquista



Prosápia virtual manhosa: "Que teria acontecido sem a minha acção intensa e ponderada ao longo do mandato?". Realidade: Portugal, um país de economia débil e desindustrializado, aceitou passivamente, a troco de uns cobres a distribuir pela demo-oligarquia, a submissão à imposição de um mercado comum de economias produtivas estruturalmente robustas.

Lógica para os simplórios adeptos do Bloco Central. Quando Cavaco era 1º Ministro as causas do mal estavam no Presidente... quando Cavaco é presidente as causas do mal estão no 1º ministro... (Diz-me espelho meu...)

Noticias fresquinhas da tribo do Presidente: "PJ investiga burla de 80 milhões de euros relacionada com a abertura de "créditos ficticios" no BPN" - a acrescentar à conta de 4.600 milhões a pagar pelo contribuinte "Governo quer dar mais 400 milhões ao BPN"
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terça-feira, outubro 26, 2010

da ordem e natureza das “coisas divinas”

“A alma é um ser por si, uma substância separada, independente, invisivel, apreendida intuitivamente e cujo atributo é o pensamento, ou seja, o pensamento é o acto de um sujeito ou substância que é a alma. Esta é sem partes e é imortal, sendo apenas dependente de Deus como substância infinita e criadora. A matéria é igualmente um ser por si, uma substância completa e separada, independente do espírito, apreendida como ideia nata e constituida na sua essência por extensão indefenida em comprimento, largura e altura e repartida por infinitas figuras através do movimento nela impresso primordialmente por Deus, o qual movimento, tal como a matéria, mantêm-se quantitativamente constantes.
O corpo do homem, porque material e condicionado como os outros corpos às leis da natureza, é igualmente constituido por extensão e dotado de movimento, distinguindo-se assim da alma humana, espiritual, indivisível e imortal” (René Descartes, “Respostas às Terceiras Objecções”)

350 anos de Ciência depois, eis o Erro de Descartes:
desligar o Espírito da Matéria
Erro a partir do qual as Tribos religiosas continuam a exigir que a sociedade lhes entregue o Corpo pela Alma

É óptimo vislumbrar a possibilidade de ligar coerentemente os sentimentos e a consciência” (António Damásio)

Os patamares da consciência. Da entrevista à “Pública” de 17/Outubro. “Existem três patamares do “Eu”, que correspondem a outros tantos patamares de consciência: o proto-eu é uma colecção de imagens [de padrões de activação neural] que mapeiam os estados físicos e fisiológicos do corpo a cada instante, dando origem àquilo a que Damásio chama “sentimentos primordiais”, indispensáveis à regulação e à manutenção da vida. O proto-eu surge no tronco cerebral, a parte mais “arcaica” do cérebro em termos evolutivos (o “tronco, subcórtex e tálamo” que comandam as reacções intuitivas”) – e não é ainda consciente. Os peixes, até os insectos, possuem provavelmente um “proto-eu”.
O nivel de “eu” seguinte, o eu-nuclear, surge de cada vez que um objecto no mundo exterior interage com o proto-eu. Gera-se assim uma sequência de imagens que podem ser visuais, auditivas, sentimentos primordiais, etc., e que descrevem a relação do organismo com esse objecto. O eu-nuclear dá origem à consciência nuclear, um estado de consciência de base que é a cada instante renovado pelas alterações que se verificam no proto-eu. A consciência nuclear é assim um fluxo initerrupto de imagens de todo o tipo, vindas do interior e do exterior do corpo. É uma consciência apenas do “aqui e agora”, quase sem memória do passado e sem qualquer antecipação do futuro. Os mamíferos [sem dúvida], os répteis e as aves [talvez, diz Damásio] possuam apenas este nivel de consciência nuclear. O mesmo acontece com certos doentes neurológicos.
O último patamar da consciência – o estado de consciência plena, tal como os seres humanos normalmente a conhecemos e a sentimos quando estamos acordados, corresponde ao eu-autobiográfico. Surge quando objectos da nossa biografia geram impulsos do eu-nuclear, criando um autêntico filme da nossa vida. É essa consciência autobiografica que nos confere a nossa identidade, que faz com que saibamos que somos nós os donos do nosso organismo. Obviamente, requer o acesso à nossa memória, não apenas para sabermos quem somos mas também para nos projectarmos no futuro”(A.G.)

Num cérebro saudável, uma intrincada rede de biliões de células nervosas auto-comunicam entre si através de sinais eléctricos que regulam os pensamentos, memórias, percepções sensitivas e os movimentos

Contudo, nada disto é válido para idiotas unicelulares, como um tal de Abel Moreira (certamente um clérigo de teologia ameaçada), que escreveu ao jornal, dando-lhe este alarvemente espaço ao admitir para publicação a seguinte posta: “O cérebro não gera consciência... Esse é um dos “erros de Damásio”... Descartes tinha razão, a consciência é “exterior” ao cérebro, tanto é que o cérebro “morre” mas a consciência não” (sic)

organizem-se! corram com ele e com os do bloco central

Coisas que os da direita-da-esquerda americana dizem de Obama que poderiam ser perfeitamente aplicáveis aos da esquerda-da-direita nacional sobre Cavaco Silva: “a coisa mais simples e importante a alcançar de imediato é que Obama cumpra apenas um mandato como presidente, e não estar à espera sentado que seja ele que recupere a economia”
"Sob a pressão dos mercados internacionais e dos neoliberais que dominam a Europa, a que se somam os nossos erros e as fragilidades da nossa economia, somos mais uma vez (a enésima desde 2002 - a data chave da tomada de posse do governo da tanga Barroso/Portas e do contrato das Lages) confrontados com a necessidade de reduzir o défice...", entretanto...
"Em plena crise e com brutais sacrifícios pedidos à população, o Governo avança com 5 milhões de euros para a compra de carros de combate a usar na cimeira da Nato" (André Freire, in "A austeridade assimétrica e o Estado belicista")
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segunda-feira, outubro 25, 2010

o Capanga

Ele matou centenas de pessoas, é um especialista em rapto e tortura e foi, durante muitos anos, comandante da policia em Chihuahua. Recebeu inclusivamente treinos do FBI. Contratado por um Cartel da droga na sua fase de estudante estagiário na escola de policia mudou-se para Ciudad Juárez e movimentava-se livremente através dos dois lados da fronteira, entre o México e os Estados Unidos. De momento, seduzido por uma dessa seitas militantes de Deus, retirou-se, fez um seguro familiar de 250 mil dólares e vive como um fugitivo, conquanto nunca tivesse sido acusado de qualquer crime em nenhum dos dois países. O documentário foi filmado num quarto de motel algures na fronteira México/EUA onde o protagonista conta toda a sua história. El Sicário é um tipo inteligentíssimo, organizado e extremamente credível. O filme foi realizado sobre um trabalho de Charles Bowden publicado em 2009 na “Harpers Magazine” (link)

No mesmo dia em que o documentário de Gianfranco RosiEl Sicario - Room 164” ganha o DocLisboa, no mesmo jornal que dá a noticia, vinha uma outra onde se dá conta de mais uma chacina que causou pelo menos 12 mortos em Ciudad Juárez .
“Recebia ordens de duas pessoas. Eles é que me formaram e me manejavam” continua a descrever el Sicario, “Nunca sabia para que cartel trabalhava. A determinada altura Vicente Carrillo estava em guerra com El Chapo Guzmán. Porém nunca conheci nenhum chefe, assim como quando começou a guerra em 2006, soube para quem matei. As ordens podiam ser de um ou de outro. Eu vivia num célula com mais três companheiros e simplesmente recebiamos ordens. Em Juaréz bastam 30 minutos para que 60 tipos bem treinados e armados se juntem em 30 carros e saiam para as ruas para mostrar o seu poder. Logo, começamos a receber ordens e a matarmo-nos uns aos outros”

Ciudad Juaréz, o pano de fundo

A assim chamada guerra da droga atinge níveis muito mais altos que se possa imaginar. Perto de 23.000 pessoas já foram assassinadas em acções relacionadas com o tráfico de droga no México desde que, em 2006, as forças militares dos Estados Unidos resolveram atacar e destruir a concorrência dos Cartéis aos negociantes de droga oficiais (1). Em 2009 foram mortas 9.600 pessoas. E os números têm tendência a aumentar.

Charles Bowden, no seu livro Cidade da Morte: Ciudad Juaréz e os Novos Campos Mortíferos da Economia Global descreve como a situação se foi transformando ao longo dos últimos anos:

“É simples. 27 por cento das casas na cidade estão abandonadas. Isto significa um número de 116.000 fogos habitacionais. Isto numa cidade onde outra imensa percentagem vivem literalmente em caixas de cartão na rua. No ultimo ano 10.000 lojas desistiram do negócio e encerraram. Entre 30 a 60 mil pessoas, a maioria ricos, mudaram-se para a vizinha El Paso nos Estados Unidos que é uma cidade segura. Entre elas está o Mayor de Juaréz que vive entrincheirado em El Paso. Outras 400 mil pessoas simplesmente deixaram a cidade. A principal parte do problema é económico, não tem a ver com a violência. Pelo menos 100 mil empregos nas fábricas maquilladoras instaladas na fronteira desapareceram desde o inicio do período de recessão, por causa da competição que vem da oferta da Ásia” - O desemprego provocou a disponibilidade de muita mão de obra para que se constituíssem entre 500 a 900 gangues de tráfico de droga. Se este negócio existe é porque existem clientes, e eles não são decerto os mexicanos (2) – “Então o que temos aqui – temos a entrada de 10.000 soldados federais e o corpo de agentes da policia reforçado actuando em colaboração. Temos uma cidade onde ninguém sai à noite; onde os pequenos negócios são alvo de extorção; onde 20.000 carros foram roubados o ano passado; onde, segundo os números oficiais, foram já assassinadas 2.600 pessoas este ano; onde ninguém tem registos exactos de quantas pessoas foram raptadas e nunca mais apareceram; onde ninguém conta as pessoas que são enterradas em covas secretas, de forma dissimulada, retiradas da terra de tempos a tempos. O que temos aqui é um desastre. E temos 1 milhão de pessoas demasiado pobres para sobreviverem, aprisionadas aqui”

(1) Hillary Clinton disse em Março passado: “Sabemos muito bem que os traficantes de droga são motivados pela procura de drogas ilegais no Estados Unidos e que eles são armados pelo transporte de armas a partir dos Estados Unidos”. Num relatório da ATF refere-se que cerca de 40 por cento das armas apreendidas no México eram provenientes dos EUA. A razão porque não se sabe de onde vêm as restantes é porque o Exército do México não dá autorização para se examinar as armas que são apreendidas. Então o que temos de entender é que num exército de 250 mil efectivos, cerca de 150 mil soldados desertaram e obviamente muitos levaram as armas consigo, interagindo depois com as lojas de venda legal de armas nos Estados Unidos

(2) Ver também, "A fraude nas eleições que trouxe Vicente Calderón ao Poder e a "Zona Livre de Mercado Comum" criada posteriormente entre o México, Canadá e Estados Unidos (a ALCA que a maioria dos paises da América Latina rejeitaram), politica que, por coincidência, tal como a "guerra das drogas" teve também início em 2006"
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domingo, outubro 24, 2010

a Favela dos Morangos

Complexo, Universo Paralelo” é um documentário filmado na “Favela do Alemão” (Rio de Janeiro), um conglomerado de barracas nos morros onde se empilham 300 mil seres infra-humanos. Ao viver na cidade por um período de 4 anos, (e não 4 anos na favela como se diz na promoção), os irmãos Patrocínio em Maio de 2007 são convidados para filmar um sketch de publicidade para o rapper McPlayboy que vive por ali numa das ilhas centrais mais urbanizadas e os introduz pelos caminhos de maior degradação da favela. Confiança adquirida, pediram os 3 autorização ao responsável pelo tráfico da droga local para filmar (que foi assassinado depois da conclusão do filme, o que, se for verdade, até calhou bem para conferir uma certa aura de perigo à obra - “ninguém acreditava que era possível filmar lá e sair vivo")


Filmar a miséria e a degradação converteu-se num exercício sórdido de estética sobre um motivo deveras exótico, sem grandes (no caso nenhumas) preocupações sociológicas. É assim e acabou, (a gaja magrinha-de-fome que se vê à rasca com falta de força para parir, o mânfio que abomina aceitar trabalho escravo, etc.) nada a fazer, a não ser esperar o que Deus dará: chuva. O documentarista não tem de procurar as raízes dos problemas, só terá de mostrar as consequências visíveis. Se pretendermos uma análise mais profunda, bem vistas as coisas, o assunto ficou logo esgotado com a “Cidade de Deusdo Fernando Meirelles (''Pô cara, isso mesmo; falou tudo'', isto aqui é o que a imprensa já chamou de Faixa de Gaza do Rio) e logo após, explorando o pitoresco filão dos favelados pela óptica da novela e meios hollywoodescos empregues, tivemos a “Tropa de Elite”, a visão fascista de que o vilão operacional da droga é sempre finalmente castigado pela morte violenta, embora os bem instalados patrões e gestores do negócio (como na Politica) fiquem sempre isentos de comparência perante as câmaras. O esquema é tão rentável que está por aí a chegar a "Tropa de Elite" nº 2 em remake:



No caso do “Complexo” português, temos agora que o “universo paralelo” se translada para a diáfana alcatifa vermelha do patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Auditório esgotadíssimo havia três semanas, o foyer à pinha dos acontecimentos na moda, grande escabeche e claques de apoio para os jovens cineastas. Dois canais de TV afadigam-se a colher opiniões da juventude. Estranho que as duas televisões se detivessem no mesmo personagem. Foi-se averiguar quem era o famoso e lá está: era o Topê dos Morangos com Açúcar. Com a euforia ninguém sequer se dignou comparecer na habitual conferência-debate pós sessão. Mais palavras para quê? Se as ambições aqui são outras?

Buraco Negro

sábado, outubro 23, 2010

Derrubar a subserviente ditadura financeira europeia

“A finalidade do prolongamento do tempo de trabalho não tem nada a ver com exigências produtivas – é apenas consequência de regras financeiras impostas que actuam como uma forma de aprisionamento, transformando a riqueza da Europa em miséria e o seu potencial em medo” (Federação Italiana dos Operários Metalúrgicos)

Apesar dos extraordinários protestos, greves e encerramento de fábricas, lutas que gozam do apoio da maioria da população (conforme tem sido expressa nas sondagens), não se conseguiu evitar que o Senado aprovasse ontem, pela surrelfa já noite adentro, a reforma das pensões em França, a lei que gerou um descontentamento social que paralizou o país.
A bancada fiel ao presidente Sarkozy contribuiu com 177 votos para aprovação da Lei contra 153 das diversas forças de centro-esquerda que votaram “não”. A lei, se chegar a entrar em vigor, elevará para os 62 anos de idade a idade o direito de reforma e para os 67 o limite a partir do qual se terá direito a uma reforma de 100% de pensão sobre o salário base.
Prolongar o tempo de trabalho dos idosos, num período de produtividade em recessão, falta de perspectiva de emprego e precaridade, significa reduzir os jovens cada vez mais ao desemprego e à redução das condições de acesso ao emprego, levando-os a aceitar incondicionalmente todas as formas de sub-emprego, flexibilidade e precarização (entre nós a politica de Cavaco/Sócrates e seus acólitos (1).
Se a sociedade francesa lograr quebrar este dogma, tudo voltará a ser possível; abrir-se-á uma nova fase na Europa. Em toda a parte poderá nascer um movimento geral exigindo a redução de tempo de vida-no-trabalho (uma vez que não há trabalho), pela antecipação na idade de reforma e por uma redução do horário semanal nos contratos de trabalho

(1) a cínica hiprocrisia do sr. presidente reaccionário

Cavaco Silva, o mitológico Sísiphus da economia do Bloco Central, diz que "quando abandonou o poder como 1º ministro em 1995, deixou a pedra bem lá no alto da montanha"

"A maioria dos Patrões estão a desenvolver (...) a maior campanha de redução de retribuição do Trabalho que se observou na Europa e no Mundo, depois da II Guerra Mundial" (Manuel Carvalho da Silva)
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sexta-feira, outubro 22, 2010

A Luta de Classes em França

o actual governo do Estado francês resolveu atacar militarmente instalações fabris onde os operários estavam em greve, um direito outrora reconhecido constitucionalmente. O ataque foi feito por uma força militarizada equipada segundo os métodos de combate das policias normais de choque, inclusivé com helicópteros, contra cidadãos civis desarmados que exerciam um direito legal. É este o panorama actual da Luta de Classes em França. Como outrora. A violência do Estado sobre os cidadãos passou a ser encarada como normal, em nome da defesa de um mundo insustentável. Mas por essa Europa fora todos os povos estão loucos para fazer a guerra em conjunto com os nossos Irmãos em Armas. Esta já é uma música clássica

Mark Knopfler – Brothers in Arms



Estas montanhas cobertas de Névoa
são agora uma Casa para mim
Mas a minha casa é a Planície
e Sempre assim o será

Algum dia iremos Voltar para
os nossos vales e hortas…
e Então jamais irás ardentemente
desejar ser um Irmão em Armas

Através destes campos de Destruição
e do teu baptismo de fogo
Testemunhei como sofreste…
E com batalhas cada vez piores
penso que me atingiram duramente
mas apesar do Medo e do alarme
Vocês não me abandonam
meus Irmãos em Armas

Há tantos mundos diferentes
tantas maneiras de ver o Sol
E nós temos apenas um Mundo…
mas vivemos em mundos diferentes

Agora que o Sol desceu ao Inferno
e a Lua galopa lá tão alta…
Deixa-me dizer-te adeus
que todo o Homem tem de morrer
Mas está escrito nas estrelas
e em cada linha da palma da tua mão
Que estamos loucos para fazer a guerra
junto com os nossos Irmãos em Armas
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quinta-feira, outubro 21, 2010

prémios de merda

...medalha "Faremos tudo por Dinheiro"

a União Europeia decidiu atribuir um galardão que leva o nome de um dissidente da ex-Urss a um dissidente cubano, que assim se celebriza (e empocha mais umas massas como qualquer participante num improvavel big-brother politiquês) na qualidade de um semi-analfabeto com actividades do foro do delito comum (em 2003 foi acusado de, em conjunto com um grupo bem identificado de “dissidentes”, ter recebido avultadas quantias traficadas por entidades estrangeiras para conduzir no interior de Cuba actividades que visam a queda do regime Constitucional e a respectiva perda de independência nacional do país).

Face à existência de zonas no planeta onde persistem povos que se recusam a ser usados pela “economia de mercado”, essas Entidades não olharão a meios e dinheiro empregue para destruir e captar para a sua esfera as áreas de influência onde mandam“esses rebeldes” capazes de tamanha ousadia.

A “posição comum” da Europa que visa restringir as relações com Cuba e que nega colaborar no levantamento do bloqueio enquanto a ilha não acatar as “reformas democráticas” foi introduzida em 1996 como politica oficial da EU por iniciativa do neoconservador José Maria Aznar (um amigo pessoal de Bush). Quando recentemente Cuba, segundo mediação do Vaticano, decidiu libertar um grupo de “dissidentes” presos, quem os recebeu em Madrid foi José Maria Aznar.

Mas depressa as ilusões se desfizeram – os exilados, que vinham alucinados pelas promissoras benesses do capitalismo, logo se queixaram de ter sido usados e descartados como material já sem préstimo – enfim, uma importação de Lixo, em nome dos famigerados direitos humanos. Por falar nisso, há vítimas verdadeiras, inclusive de tortura, que também chegam a Madrid vindas de Cuba, mais concretamente de Guantânamo, que viajam de noite através da EU para lá e para cá, mas sem os holofotes dos media corporativos.

Na véspera da atribuição do prémio a Guillermo Fariñas Hernández, numa acção concertada, Barack Obama falou também sobre Cuba à imprensa do lado dele: "Acho que qualquer libertação de prisioneiros políticos, qualquer liberalização que aconteça em Cuba é positiva para seu povo", mas continuou Obama: "ainda não vimos todos os resultados das promessas
Promessas sobre os direitos humanos (de facto ad-nihil) deveriam abranger na vida real inclusivé a Espanha, cujo regime liderado pelo “socialista” Felipe González (um aznar de “esquerda”) executou extrajudicialmente dezenas de prisioneiros da ETA no tempo em que foi 1ª ministro. Não consta que esses crimes (e o exercício de tortura que se continua a abater sobre o Povo Basco) estejam em vias de ser punidos
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quarta-feira, outubro 20, 2010

Os Banqueiros vão Nus

de como os Governos dos Estados Unidos sempre ajudaram o gangue de Wall Street a rapinar a classe média americana, e depois a global (I)

1. Um Pouco de História

Esta história começa ainda antes dos Estados Unidos serem Estados Unidos. As 13 colónias originais imprimiam o seu próprio dinheiro, e isso funcionava muito bem, porque fortalecia as trocas comerciais e tornava a jovem América numa fluorescente e progressiva economia, livre da pobreza e do desemprego que por essa altura grassava em Londres. Mas os banqueiros da Europa, habituados de há muito a emitir papel moeda para uso público, ficaram horrorizados com esta abordagem americana e viram nela uma ameaça para os seus caridosos princípios religiosos, segundo os quais Deus tinham destinado para os banqueiros a fortuna de possuírem todas as riquezas do mundo.
Então, o Banco de Inglaterra exerceu a sua influência sobre o Rei George III para impor uma “Lei da Moeda” (Currency Act) às Colónias, que as proibia de emitir e usar o seu próprio dinheiro, ficando desta forma limitadas a pedi-lo emprestado à oferta legal do Banco de Inglaterra, pagando juros. Demorou apenas alguns anos para este esquema reduzir a antiga prosperidade e produtividade das Colónias à pobreza e ao desemprego típicos de Londres nesse mesmo período, como ficou expresso no legado da literatura de Dickens e outros.
Enquanto as escolas públicas norte americanas ensinam que a Revolução teve a ver com os “Impostos sobre a importação do Chá” (e não tanto com a proibição da impressão de dinheiro localmente), foi primeiro que tudo a raiva criada pelo empobrecimento forçado pelo Currency Act o factor que fomentou a rebelião. Porque é que a “Lei da Moeda” não é mencionada nas escolas tornar-se-á evidente mais à frente.

2. A Economia Original Americana

A seguir à Revolução Americana, os “pais responsáveis pela fundação da nação” retomaram de novo o sistema que tinha funcionado tão bem antes do “Currency Act”

Como se mostra no diagrama anterior os responsáveis estabeleceram um sistema económico simples que não se baseou num banco central privado. Emitido pelo governo o dinheiro passou a circular e a ser usado publicamente sem cobrança de juros. Durante o circuito de trocas económicas o Estado cobrava os respectivos impostos e aceitava de novo o dinheiro sob a forma de depósitos num banco estatal. Por cada ano fiscal a quantidade de dinheiro emitido igualava a soma do dinheiro colectado. Nada se perdia. O dólar baseava-se numa medida de peso em prata, o que significa um valor do dólar fixo e não sujeito aos caprichos gananciosos dos governantes ou dos banqueiros

3. O Primeiro Banco dos Estados Unidos

Este é um sistema que tem funcionado muito bem para a população civil em toda a história. Fez da nova nação imediatamente uma nação próspera. E isso alarmou os clãs bancários europeus, que temiam que a inspiração estado-unidense se estendesse a outras nações, como de facto aconteceria em França em 1793. Mas onde a força militar da Grã-Bretanha tinha falhado a politica colonial venceu, quando o presidente Alexander Hamilton em 1791 concedeu uma licença por 20 anos ao Bank of the United States.
Quase imediatamente, a espiral da dívida no orçamento do Governo, foi considerada necessária para o comércio internacional sob o governo de Hamilton (ex-Secretario de Estado do Tesouro), e assim se começou a drenar localmente a vida dos cidadãos comuns. O furor da dívida foi uma assunto importante que conduziu ao famoso duelo entre Hamilton e o vice-presidente judeu Aaron Burr, que resultou na morte de Hamilton a 11 de Julho de 1804. Como nota à margem, as pistolas que se usaram nesse duelo estão hoje em poder de entidades como a J.P.Morgan Chase&Co, Goldman Sachs e outras. E Alexander Hamilton continua a ser agasalhado na tumba pelos cartéis bancários privados que ele defendeu.
Pelo ano de 1811, os accionistas do First Bank of the United States tinham ficado ricos, enquanto se arruinava a vida dos americanos comuns pela usura sobre todas as actividades económicas vulgares. Como o Congresso havia prudentemente limitado a concessão ao Banco que terminava nesse ano de 1811, iniciou-se um movimento popular para reverter os seus estatutos, o que conduziu a uma grande quebra nos negócios do banco devido à oposição pública

4. A Guerra de 1812

No ano seguinte, com a conclusão da guerra da Inglaterra contra Napoleão, os accionistas privados do Banco de Inglaterra (maioritariamente já na mão do clã Rothschild) exigiram ao Rei George que invadisse os Estados Unidos para os forçar a aceitar de volta a ideia do sistema de um banco central privatizado, desta vez sob a égide do Bank of England. Essa guerra iniciou-se em 1812, uma guerra que como todas as guerras, foi inventada e levada a cabo com a finalidade de obter lucro.


5. O Segundo Banco dos Estados Unidos


A guerra de 1812 falhou, e de novo a politica e as pressões financeiras foram bem sucedidas onde a força militar tinha falhado, e em 1816 o presidente Madison concessionou o Second Bank of the United States, em parte para fazer frente à dívida criada para fazer face aos gastos na defesa da nação contra a Grã-Bretanha. E pela segunda vez apareceu a inflação galopante causada pela emissão de dinheiro pelos bancos privados sem quaisquer restrições. Como no 1º Banco o período de exploração foi concedido e fixado por 20 anos. No momento em que a concessão ia terminar a nação estava de novo a lutar contra a dívida e contra a pobreza, todavia os banqueiros estavam cada vez mais ricos.
Como resultado desta situação Andrew Jackson opôs-se à renovação do Contrato com o Bank of the United States e fez disso a principal bandeira na campanha de 1832:

“Meus Senhores. Estou habituado a observar estes homens há muito tempo e estou convencido que se tem utilizado os fundos do banco para especular sobre os bens essenciais ao país. Quando esses senhores ganham, dividem os lucros entre eles e levam-nos para casa, mas quando se perde lançam os prejuízos nas contas do banco. Dizem-nos eles que se eu nacionalizar os depósitos do banco e anular a concessão vou arruinar dez mil famílias. Isso pode ser certo, porém esse é um pecado deles! Se os deixar continuar, vou arruinar cinquenta mil famílias, e isso seria um pecado meu. Eles são uma corja de víboras e ladrões. Tenciono indicar-lhes a porta de saída e, por Deus eterno, irei expulsá-los”

Em 1835 um pintor desempregado, de seu nome Richard Lawrence, intentou disparar por duas vezes contra o presidente Jackson, mas por duas vezes as pistolas não funcionaram. Lawrence deu como razão para o ataque que com a morte do presidente o dinheiro seria mais abundante, uma referência óbvia ao veto de Jackson à renovação da concessão do Banco privado dos Estados Unidos. Como nota de rodapé, a seguir à perda da concessão os accionistas do Second Bank of the United States resolveram continuar como um banco normal, vindo a declarar falência em 1841.

(Continua; a seguir: "A Economia Privatizada pelo Banco Central")
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cada vez estou mais novo e por aí p`rás curvas

Fatal como o destino, já é má sina; onde quer que as tropas norte americanas e os seus serventuários se resolvam a iniciar nova guerra, este tipo já lá chegou primeiro: "Osama Bin-Laden vive confortavelmente no Paquistão, e não é em nenhuma gruta...", afirma um oficial da Nato.

No Iraque já existem restaurantes de luxo com neons a funcionar "em zonas que antes eram frequentemente atacadas à bomba pela Al-Qaeda" - quando no tempo pós-invasão se verificou não haver ali quaisquer ligações à Al-Qaeda. Corolário lógico: A Al-Qaeda foi trazida para ali pelos norte-americanos. "The big little problem" actual é que esses restaurantes luxuosos para os quais apenas os ocidentais que desempenham tarefas no Iraque têm dinheiro, é que servem de ponto de controlo de individuos para serem alvos da fluorescente indústria de raptos. (a história vem contada no artigo de indole turística "Back to Baghdad")
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terça-feira, outubro 19, 2010

América Ignorante

Se o leitor levar sempre em linha de conta que a principal preocupação do Socialismo é a Educação dos cidadãos... a "Newsweek" publica uma série de divertidíssimas sondagens sobre a capacidade do exercício democrático de opinião pelos cidadãos na América do Norte.

1. A começar por Obama… em Março do ano passado 7% pensavam que o presidente era muçulmano. 1 ano depois, já em 2010 na medida em que as condições de vida se agravam, 18% pensavam que Obama é muçulmano. Numa sondagem da semana passada esse número atingiu os 24%, enquanto apenas 47% o identificam como Cristão.
2. Liberdade religiosa. Quem precisa da 1ª Emenda Constitucional? Um em cada três acha que a lei não faz falta nenhuma, porque não afecta em nada a ameaça religiosa dos grupos extremistas. Em 2007 dois em cada cinco americanos disseram que os professores deviam ensinar a rezar nas escolas.
3. Quase duzentos anos depois de Darwin apenas 39% acreditam na teoria da Evolução; mas há uma esperança: 55% sabem ligar o nome do cientista à teoria.

4. A maioria dos norte americanos, 3 em cada 4, é capaz de identificar correctamente os três estarolas, Larry, Curly e Moe; porém apenas 2 em cada 5 sabe identificar correctamente os três poderes constitucionais, o Executivo, o Legislativo e o Judicial.
5. Geografia. Está perdido? Não pergunte aos gringos o caminho. 63% deles não sabem apontar o Iraque no mapa. Mesmo num mapa circunscrito à Ásia, 9 em cada 10 não sabem localizar o Afeganistão. Mais de 1/3 não sabe em que continente se situa o maior rio do mundo, o Amazonas.
6. O Supremo Tribunal e os Sete Anões. Três quartas partes da população sabe pelo menos mencionar o nome de 2 dos anões da fábula, enquanto uma quarta parte nem sabe dizer o nome de 2 juizes daquele importante órgão de poder.

7. Mais ou menos metade sabe (imagina) que o Judaísmo é mais antigo que o Cristianismo; outros 41% não têm a certeza. Para o caso do leitor se encontrar entre os indecisos podemos ajudar. Os Cristãos vêm de facto em segundo lugar, adorando os mesmos profetas judeus, Moisés incluído, enquanto o Islamismo é a religião mais recente… que venera os mesmos profetas judeus e respeita o exemplo do profeta Jesus Cristo.
8. Heliocentrismo. 20% tinham a certeza que Copérnico foi condenado pelo exercício de satanismo. Vá lá, 4 em cada 5 já acreditam que a Terra se move em redor do Sol.
9. Saddam Hussein. 41% acredita que esteve envolvido no 11 de Setembro e que a América corria perigo devido à ameaça das famosas armas de destruição massiva. Quem saberá onde foram buscar essa ideia?

10. Em 2009 Sarah Palin escreveu que o novo programa de saúde de Obama ia instituir uma espécie de tapetes da morte nos hospitais. Quem estivesse com problemas graves de saúde era colocado em cima de um desses “painéis da morte” para ser inspeccionado… Um ano depois da reforma estar em vigor, 4 em cada 10 utentes ainda acreditam que há painéis que medem a capacidade de vida e morte de cada um (decerto para fazer as contas aos seguros a pagar)
11. Bruxaria e Ovnis. 3 em cada 4 norte americanos acreditam em fenómenos paranormais. Os mais populares com 41% são as percepções extrasensoriais, enquanto as crenças nas casas assombradas atingem só 37% da população (original aqui)
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segunda-feira, outubro 18, 2010

Sócrates&Passos, ao serviço dos ricaços

Em vez de a economia matar o défice, é o défice que está a matar a economia” (Bernardino Duarte)

Parece haver um interesse deliberado para que a economia nacional deixe de funcionar para a maioria dos portugueses (passados a meros promitentes consumidores de subsistência). Como evidência de que assim é, face aos planos de austeridade para quasi-todos, temos o pouco ou nada que se corta na ínfima minoria de beneficiados de sempre, com destaque para a quase isenção de consequências para os responsáveis pela fabricação, eclosão e gestão da crise – o peixe graúdo do sector financeiro e a sua desproporcionada entouráge que faz a assessoria dos negócios privados à custa do Estado.

Citando Vasco Correia Guedes: “que todo este mundo se afunde e desapareça, com os seus cartões de crédito de “representação” e os seus carros de empresa, com as suas casas no Recife e as suas férias na Tailândia” não nos devia comover. Não é o caso – “a crise irá poupar esta piolheira” insustentável, porque o que se pretende é tranferir a fonte da sua alimentação a partir da migração de capitais de economias de outros povos a canibalizar.

Face a esta intenção, não há crise para os que servem “a crise”:
- “O governo recua e volta a admitir a acumulação de salários e pensões na função pública”.
- Apesar do congelamento, “Parlamento contrata mais 20 funcionários e a Segurança Social também contrata”
- Estado financia empresa do grupo Mota-Engil
- “Sócrates renova avenças de assessores dias antes da entrada em vigor das novas disposições do PEC3” (fonte)
- “Antigo accionista do BPN vende ao próprio banco acções que valem 1 euro por vinte milhões de euros (3 vezes mais que o seu valor) enquanto o Estado continua a acumular o prejuízo avaliado em 4.300 milhões de euros do banco “nacionalizado” (fonte)

- “Enquanto o Estado avaliza as dívidas persistentes das empresas públicas com dinheiro de empréstimos especulativos obtidos nos “mercados” bolsistas internacionais, os gestores destas empresas obtêm aumentos salariais milionários. Citando apenas 3 casos: a presidente do Porto de Lisboa passou de 4.752 € para 6.357 € (+34%); o presidente da Carris de 4.204 € passou para 6.923 € (+ 65%); e o presidente da CP de 4.752 para 7.225 € (+52%). Embora o governo desminta esta denúncia (que partiu do PSD), pelo desmentido ficamos a saber que a remuneração base dos presidentes da REFER, CP e Metro de Lisboa é superior a 7.200 euros mensais. (fonte)

Por estas e por outras, é que os portugueses estão em vias de extinção. Ou emigram aceitando a sugestão dos inúmeros programas televisivos que começam por aí a fazer escola, ou, sabendo que apenas serão considerados como contribuintes líquidos para pagar o escandaloso forróbódó, fazem greve de nascença - só este ano já houve mais 100 mil tipos,,, que se recusaram a nascer

ora pensem lá bem, (aqueles a quem a implosão da URSS deu tanta alegria), o que é que os Europeus estão a ganhar com o desaparecimento daquele contrapoder face ao Império único que agora enfrentamos?
Em França o choque social está a tornar-se dia para dia mais violento. A policia prendeu ontem 30 pessoas durante acções cada vez melhor organizadas por manifestantes que atacam os bancos,

domingo, outubro 17, 2010

O significado da visita de Ahmadinejad ao Líbano

“A utopia da ideologia judaica adoptada pelo Estado de Israel é a de uma terra que seja totalmente redimida, ou seja, uma Redenção em que nenhuma parte dela seja possuída ou explorada por não-Judeus"
(Walter Laqueur – History of Zionism)

David Ben-Gurion na Guerra do Suez em 1956 afirmava que “a verdadeira razão da guerra é “a restauração do Reino de David e Salomão nas suas fronteiras Biblícas” como sendo as fronteiras do Estado Judaico ou, o que é mais importante: segundo uma interpretação rabínica da Bíblia e do Talmude. Segundo esta politica expansionista, Israel atingiria assim, a Sul todo o Sinai e uma parte do Egipto setentrional até aos arredores do Cairo; a Leste toda a Jordânia e uma grande parte da Arábia Saudita, todo o Kowait e uma parte do Iraque a sul do Eufrates; a Norte: todo o Líbano e toda a Síria juntamente com uma enorme parte da Turquia (até ao lago Van); a Oeste a ilha de Chipre.
A conquista destas áreas é considerada como um acto ordenado por Deus. Um dos rabinos dos colonatos mais influentes do Gush Emunim, Dov Liov, declarou repetidamente que o fracasso israelita em conquistar o Líbano em 1982/85 tinha sido um “castigo divino” bem merecido pelo seu pecado em “dar uma parte da Terra de Israel, como era o Sinai, ao Egipto”. Em Maio de 1993 Ariel Sharon propôs formalmente na Convenção do Likud que Israel devia adoptar o conceito de fronteiras Biblicas como sua politica oficial.


Ahmadinejad no Líbano. Vídeos que nem sequer foram admitidos para transmissão no canal Al-Jazeera


(Axis of Logic): Poderá o governo dos Estados Unidos compreender inglês ou precisa de programas de tradução de Israel para o interpretar? Podem os EUA especialmente miss Clinton ver e ouvir como os EUA estão “isolados” na medida em que nos afirmam a toda a hora “como está isolado o Irão”??

poderão os EUA ver a massiva festa do povo Libanês e a recepção como herói popular ao presidente Ahmadinejad? Poderão os povos da América do Norte ver que o governo dos EUA lhes está a mentir quando alimenta a ideia de que a República Islâmica do Irão é inimiga dos povos Árabes? Poderão os EUA compreender que os povos Árabes e Muçulmanos permanecerão sem dúvida aliados do Irão se tiverem de escolher entre o eixo Israel/Estados Unidos e o Irão?? Poderão os EUA compreender que se considerar permitir a Israel mais um ataque a outro país nesta região ou iniciar aqui mais um conflito, o povo Muçulmano em conjunto, Sunitas e Xiitas, se levantarão contra os EUA? Podem os EUA ver que o apoio da criminosa politica do apartheid Sionista na ocupação da Palestina, Síria e Líbano está a isolar os Estados Unidos e não o Irão? Podem os EUA engolir a ideia que nem Muçulmanos nem Cristãos no Médio Oriente permanecerão simpáticos se observarem a destruição de mais um país à mãos de Israel ou dos EUA? Poderão os EUA ver que os esforços para criar divisões entre Sunitas e Xiitas nunca poderão funcionar porque qualquer deles põem primeiro à frente dessa intenção a sua condição de Muçulmanos? Podem os EUA ver que eles estarão de pé como um único povo? se quiserem manter quaisquer relações significativas no Médio Oriente terão de escolher agora entre todos os povos muçulmanos do Médio Oriente e o seu querido Israel do apartheid colonial que foi estabelecido sobre a terra da Palestina a expensas de sangue Palestiniano e do sangue do mundo Árabe. São uns ou outros, não haverá mais escolhas entre ambos



Ver também na PressTV:
"O significado da visita do Dr Ahmadinejad ao Líbano"
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sábado, outubro 16, 2010

Conferência «NATO PARA QUÊ?»

Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Organizado pela Cultra, a iniciativa tem o apoio do International Coordinating Commitee "No to War No to NATO". A nossa escolha:
16 de Outubro, 10h - "Portugal e a NATO (da Guerra Colonial ao Afeganistão)", João Paulo Guerra, jornalista, Manuel Loff, historiador, FL - Universidade do Porto
11h30 - "Os primórdios: a NATO nos Balcãs", Carlos Santos Pereira, jornalista
17 de Outubro, 11h30 - "Palestina" José Goulão (jornalista), Alan Stoleroff, sociólogo, ISCTE (programa completo)

Se alguma mudança tiver de chegar à Europa ela como sempre virá de França. "Contestação ao aumento da idade da reforma está a aumentar perante a intransigência governamental. França a caminho da paralisação"

a revolução francesa já tem hino: "On Lâche Rien"

sexta-feira, outubro 15, 2010

novos funcionários para a área da Cultura

os salvadores da pátria

(é assim que se começam a assumir as ditaduras). A assumpção do paradigma é geral, basta deitar uma espreitadela para o governo dos banqueiros segundo a óptica dos "nossos velhos aliados" ingleses:

Com tanta personalidade vip a apelar à aprovação do orçamento do estado para 2011, ainda antes da proposta ter dado entrada no parlamento, se descontarmos a propositada dramatização do assunto, há aqui muito de estranho. Eles são três dos ex-presidentes que supervisionaram o Bloco Central durante quase 40 anos, eles são políticos profissionais de todos os quadrantes (menos dois), eles são os organismos estrangeiros encarregues de proceder à cobrança dos lucros do negócio do endividamento, incluindo um enviado especial do BCE, enfim a inevitável tribo de banqueiros do esquema. Com tanta unanimidade, se calhar para a classe média que está a ser velozmente sub-proletarizada sem que se dê bem conta disso, certo e evidente, o mais eficaz seria o boicote e a não aprovação deste orçamento – até por uma segunda razão: não foi produzido por métodos democráticos – a papinha já vai toda feita e preparada de fora para “os nossos representantes” a engolirem segundo a receita recomendada à priori pelos notáveis do regime. Afinal para que é que serve o parlamento? – Cavaco foi logo avisando: se houvesse crise por forma a pôr em causa as mordomias da burguesia, nomearia Jaime Gama para 1º ministro, o funcionário pró-belicista mais neoconservador que supervisiona a simulação do dito parlamento

quinta-feira, outubro 14, 2010

A Paz e a experiência americana no sudoeste da Ásia

Quando está de novo aberta a polémica em torno da atribuição do “nóbel da paz”, para percebermos a natureza do “prémio”, será oportuno citar o mais famoso guru a quem foi atribuido este mesmíssimo Nobel da Paz: nem mais nem menos que ao criminoso de guerra Henry Kissinger, no mínimo pelo trabalho efectuado na cobertura de crimes horríveis na Indochina, na campanha de exterminio de centenas de milhar de comunistas na Indonésia na década de 60 e no aval à invasão de Timor com as consequências que são conhecidas.

Numa altura em que a Casa Branca repete os mesmos erros mortais porfiando nas campanhas de conquista dos recursos asiáticos, os historiadores do futuro ficarão orwellianamente surpreendidos por, 40 anos depois, o geronte Henry Kissinger continuar no activo, tendo sido inclusivé o convidado de Hillary Clinton para proferir uma aula de sapiência na Conference on The American Experience in Southeast Asia, 1946-1975 que teve lugar a 29 de Setembro no Centro de Conferências George C. Marshall no Departamento de Estado em Washington.
Convidar Kissinger para se pronunciar sobre a acção dos EUA na Indochina é insultar a memória de dezenas de milhar de norte-americanos e de um número incontável de civis vietnamitas, indonésios e indochineses que morreram desnecessariamente como resultado daquelas políticas intervencionistas – jovens vítimas em tudo iguais aos que são agora recrutados e que precisam desesperadamente de conhecer a verdade sobre aquilo que ocorreu no sudoeste asiático nessa época por forma a não colaborarem na repetição da tragédia, juntando-se a todos aqueles que se opõem ao assassinio em massa de civis.

Outros dois convidados notáveis de Clinton para esta Conferência do Departamento de História da Secretaria de Estado foram John D. Negroponte, um bushista convicto desde 1960, e Richard Holbrooke, (todos os convidados membros da Trilateral (1) este último que, como ex-secretário de Bush e actual secretário de Defesa, e portanto o cabecilha responsável pela politica de invasão e agressão ao Afeganistão e Paquistão, nada pretende aprender das lições do passado que conduziram à derrota no Vietname – dando apoio a um regime impopular e corrupto que não se podia sustentar de pé por si mesmo. Convidar Holbrooke é contudo particularmente piedoso porque, prosseguindo a estratégia de Obama (2), segundo o novo livro de Bob Woodward, talvez a mais pessimista opinião sobre a guerra tenha vindo do próprio Richard Holbrooke quando em tempo afirmou que esta política não irá funcionar
Indiferente ao sofrimento humano, pode de facto “não funcionar”, mas decerto cumpre o objectivo principal do complexo industrial militar, que é estoirar mais uns quantos biliões na facturação de armamento

(1) a Trilateral Commission é uma organização semi-secreta, cujos integrantes controlam de facto toda a economia mundial, através do sistema financeiro da Reserva Federal norte americana e do sub-grupo Bilderberg (segundo a definição da Global Research)
(2) ler também: "Obama nomeou 7 membros da Trilateral para os mais importantes postos da sua Adminstração" e, desde que Israel venceu as duas guerras de conquista no Médio Oriente, em 1967 e 1973, ver a lista de "todos os membros da Trilateral que sequestraram a Casa Branca desde 1976" e ainda, os funcionários do grupo "pelo lado português", ou seja, os promotores que trouxeram a Portugal Henry Kissinger para se reunir com Cavaco Silva antes ainda deste último funcionário "ter tomado posse"
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