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sexta-feira, novembro 30, 2007

Por qué non si callan (V)

Nesta quarta feira à noite a CNN na edição em espanhol para a América Latina “enganou-se” e produziu nas suas mesas de montagem uma foto de Hugo Chávez com a legenda em rodapé “Quem Matou Chávez” que transmitiu em sinal aberto “por acidente”. Na situação que se vive na Venezuela, quatro dias antes do referendo à nova Constituição, isto pode ser entendido como um apelo subliminar ao assassinato do presidente. No dia seguinte a CNN pediu desculpas dizendo tratar-de de um desafortunado engano. Pois foi. Quando está em marcha uma grande operação de guerra psicológica, com manifestações de rua extremando os dois campos em disputa (Sim ou Não) um documento com data de 20 de Novembro de 2007, classificado de “Confidencial” proveniente do gabinete do sr. Michael Middleton Steere, funcionário do Departamento de Assuntos Regionais (ORA) da Agência Central de Informações (CIA) dos Estados Unidos localizado na mesma morada da Embaixada dos EUA em Caracas, que mão misteriosa fez chegar aos meios de informação oficiais, relata os pormenores da “Operação Tenaz”. O plano vem supervisionado de Washington pelo “Human Intelligence HUMINT” directamente dirigido ao embaixador Patrick Duddy.

Eva Golinger uma jornalista de esquerda analisa detalhadamente as intenções de destabilização descritas no documento. Aí se revela um plano de sabotagem do referendo partindo de uma sondagem que prevê 60 por cento de abstenções, dados que foram passados pela CIA como contra-informação aos meios de comunicação ultra direitistas (entre os quais se encontra o nosso Público). Mas a realidade é outra; o “Sim” leva uma vantagem de 10 a 13 pontos percentuais e não é possível inverter substancialmente a tendência de voto nos 3 dias que faltam. Por isso se prevê passar a uma fase seguinte de descredibilização dos resultados acusando o governo de Chávez de fraude e incentivando a revolta da oposição nas ruas. O espectro de Pinochet paira sobre os céus da Venezuela, tanto mais que o documento admite o financiamento da “crise” através de um fundo de 8 milhões de dólares transferido pela USAID para a companhia de marketing “Development Alternatives, Inc.” que estaria a organizar um team de jornalistas venezuelanos dirigidos pelo ex-presidente da Globovision Alberto Federico Ravell.

Man of the Year

Postas as coisas nos termos habituais, dois campos antagónicos que se digladiam, revolucionários pela pátria e reaccionários vendidos aos gringossobra um anátema lançado sobre o partidoBandeira Vermelha”, (supostamente referidos no documento) e nos discursos oficiais como os habituais “esquerdistas” ao serviço da extrema direita e do imperialismo. É deles a seguinte análise ao voto no referendo e ao regime:

“O Socialismo do Século XXI, (na terminologia de Chávez) ao contrário do socialismo do século XX que era anticapitalista, nada mais significa do que um “novo” modelo, baseado na mesma exploração operária e também a mesma repressão aos trabalhadores. Assim, durante 2007, as massas estão a apreender o que é o “socialismo do século XXI” e quais são suas principais características:
a) Inflação - a mais alta de América Latina, que no fim do ano superou 18% e os alimentos que individualmente chegaram a uma alta de 25%. Por outro lado, entretanto, o salário mínimo é de 614.790 mil bolívares e um litro leite em pó (quando se consegue encontrá-lo), custa 30 mil, ou seja, um dia e meio de salário. O Instituto Nacional de Estatística (INE), afirma que em 2007 o custo de vida aumentou 21% .
b) Escassez de vários alimentos - carne, frango, leite, ovos, óleo de cozinha e pão, todos desapareceram dos mercados. Quando se consegue algo, é apenas no mercado paralelo a preços incomportáveis
c) O Governo de Chávez é um péssimo patrão - Os trabalhadores da função pública já levam 4 anos a negociar os seus salários e até agora nada. Os trabalhadores do Conselho Nacional Eleitoral estão há 16 anos sem contrato. Os trabalhadores da indústria petrolífera tiveram que realizar várias mobilizações e enfrentaram uma brutal repressão com direito a bala e tudo. Igual ao melhor modelo de repressão praticado pelos governos neoliberais. Tudo para se conseguir a assinatura do contrato colectivo, que já estava atrasado um ano. Mesmo assim, as conquistas económicas conquistadas não repõem as perdas para a inflação”
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quinta-feira, novembro 29, 2007

Petróleo

Daniel Day-Lewis é um anglo-americano simpático, um actor que escolhe meticulosamente os seus papéis na feroz indústria mainstream de onde é muito dificil extrair quaisquer pistas que tenham um mínimo de seriedade para a compreensão das teias que tecem a actual mundivisão. Não será o caso da próxima obra que nos chega pela mão de Paul Thomas Anderson, o realizador de Magnólia.

There Will Be Blood

O título é uma tenebrosa promessa para o futuro: “deverá haver sangue” (na gíria texana “oil” (petróleo) é sinónimo de “sangue” creio, e sempre queremos ver que raio de titulo, cretino e mistificador como habitualmente, lhe vai ser atribuido pelo distribuidor na tradução portuguesa). A história gira em torno de um homem (Daniel Plainview) que rudemente constrói um império do petróleo nas inóspitas planícies do Texas, tenazmente motivado por semear uma simples herança pessoal: a devoção do seu pequeno filho H.W. (Dillon Freasier) que espera venha a gerir o negócio, o leve a aumentá-lo e transmiti-lo a uma próspera descendência.

Adivinha-se uma remake do clássico “o Gigante” que mitificou James Dean como o herói americano da promissora civilização petrolífera da segunda metade do século XX. Porém, a ambição pode guiar o homem para a grandiosidade ou pode lançá-lo para a destruição, pode até fazer as duas coisas. Este é o grande tema onde se inspiram estas duas obras, tratado entre outras no épico romance de Upton Sinclair, “Oil”. Na curva descendente do “pico petrolífero” o negócio deixou de lado, como se sabe, qualquer réstea de ética; e do que trata Daniel no seu papel de anti-herói é de nos dizer que “não tenho necessidade de me explicar a mim mesmo as minhas acções”. Ora se tudo isto não é uma parábola ao que dizia o texano magnata do petróleo George Herbert Bush (“nunca pedirei desculpas por acções dos Estados Unidos, sejam quais forem as razões”) então é o diabo por ela. E é mesmo o Diabo que lhe aparece no final do filme na personagem de um Padre (Paul Dano, uma reencarnação de outro mito cinematografico americano, o “reverendo Powell” o assassino de a Noite do Caçador?) que confronta filosoficamente Daniel (ou a sua alma mater Bush) com a perigosa zona de vida que escolheu. As consequências do patético duelo final, como na vida real, ficam para já proibidas à visão dos espectadores
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quarta-feira, novembro 28, 2007

do Despotismo Igualitário à “democracia” Totalitária

No dia 22 de Novembro de 1963 às 12,30 em Dallas no Estado do Texas foi assassinado John Fitzgerald Kennedy, o primeiro e único presidente católico dos Estados Unidos. A data não faz parte das efemérides oficiais, pela simples razão que os mandantes do crime são os mesmos que continuam actualmente no poder. A teia secretista em que têm sido mantidas as razões do assassinato, com a não disponibilização, passados 44 anos, dos documentos dos serviços secretos, tem alimentado milhares de teorias sobre a conspiração. O próprio assassino do presumível assassino oficial legitimado pela Comissão Warren, Jack Ruby admitiu ser quase impossível determinar concretamente quem foram os responsáveis pelas acções operacionais no terreno. No entanto rematou com a célebre frase: "well, the answer is the man in office now". Determinados os autores, para se compreenderem as razões da execução é necessário revisitar a natureza do Poder nos Estados Unidos.

Alexis de Tocqueville (1805-1859) o ilustre visitante da revolução francesa ao novo mundo escreveu na sua “Da Democracia na América": que “os homens que vivem nos séculos da igualdade gostam naturalmente do poder central e julgarão que tudo o que lhe concedem estão a conceder a si próprios” – esta é a chamada “falácia de Rousseau”.
A mesma tendência que leva o individuo livre a não reconhecer qualquer autoridade fora de si leva-o a atribuir uma autoridade ilimitada ao governo central – desde que este seja exercido em nome de todos e da igualdade. A maioria local em cada região (e depois a nível nacional) não pretende, nem poderia, fazer tudo. Ela é obrigada a servir-se dos magistrados da comunidade local e dos condados para executar as suas vontades soberanas - no auto governo local das comunidades. O “homem democrático” vai então imaginar que todo o poder que concede ao governo pertence ainda a si próprio – dado que ele próprio tem a ilusão de participar da governação. No meio da turbulência e anarquia, provocadas pela eminência de um qualquer perigo externo, nenhuma outra entidade que não tenha sido consentida por si gera legitimidade como fonte de autoridade.
Este logro, detectado por John Stuart Mill, levará o “homem democrático” a ceder ao governo áreas crescentes da sua liberdade. Esta postura perante a igualdade gera duas tendências aparentemente de cariz contraditório mas que se acabam por alimentar mutuamente - primeiro, que o cariz individualista, que o leva a aderir a instituições livres, a imprensa livre, a religião livre, as associações de voluntários livres, derrubaria toda a autoridade exterior a cada indivíduo; segundo, a tendência para a centralização e uniformização leva ao reforço do poder político central e ao alargamento ilimitado da sua esfera de intervenção.

Ao ver os descaminhos que tomava a democracia americana, liderada por intenções não muito longe de acções criminosas de expansão com traços de barbárie ligada ao poder de Estado (1), e ao fazer conjuntamente com Víctor Hugo a sintese entre o espírito das luzes e o romantismo, Alphonse de Lamartine foi um dos heróis da revolução de 1848 que completou com o termo “Fraternidade” os dois primeiros termos da célebre divisa da Revolução Francesa. Naquela época ainda não se punha o limite de exploração da natureza. Havia de facto vastos campos de expansão. Consoante duram, assim se explicam a ausência de um espírito crítico e autocrítico, naquilo a que Jean Jacques Rousseau chamou de “o esquecimento da nossa própria natureza”.

Na Europa do século XIX Otto Bauer tenta construir uma teoria de nação fundamentada na ideia de comunidade com um destino comum. É fundado neste pressuposto que assenta o “Destino Manifesto” americano, a partir do qual o desenvolvimento humano, que é uma aspiração universalista, começou a ser propulsionado por quatro vectores: as ciências, a técnica, a economia nihilista (aplicáveis às guerras de expansão) e o proveito para uso próprio – são estes “motores” que, cento e cinquenta anos depois, continuam a não ser controlados democraticamente. Por isso Victor Hugo sonhava, imaginando os Estados Unidos da Europa como prelúdio dos Estados Unidos do Mundo.

Pelo meio, e é aqui que estamos, fica esquecido o “american dream”, de uso exclusivo de um minúsculo grupo de loucos fundamentalistas guiados por um messianismo judaico-cristão que acedeu ao poder através de votos hackeados e aí permanecerá assente num nojento chorrilho de mentiras despejadas circulus in demonstrando com o maior desprezo sobre os destinos da humanidade. Que reduz à servidão os povos colonizados, enquanto destrói alegremente o planeta., usufruindo da tecnociência para recolher lucros ílicitos que usa para pagar os seus próprios privilégios e lançar a barbárie e a guerra sobre novas conquistas.

(1) Assente na relação existente entre Elite e Massas, o autor da obra “A Elite do Poder” defende que a estrutura do poder Norte-Americana é caracterizada pela existência de um oligopólio constituído pelas elites política, económica e militar, que apostam alternadamente em dois partidos politicos únicos que simulam um falso antagonismo. Para melhor fundamentar esta ideia,Wright Mills recorre á análise do processo de desenvolvimento histórico dos E.U.A

Encyclopedia Judaica.com:
Amstel Mayer Rothschild: “Desde que tenha o controlo da emissão do dinheiro de uma nação não me interessa quem possa fazer as leis

O moderno ponto de viragem: A ameaça da perda de hegemonia do sistema de bancos centrais privados coordenados pelo FED e o assassinato do Presidente John F. Kennedy



Zeitgeist (1 hr 58 min, legendado em português)
O espírito do Tempo – Desde sempre os mitos da religião convencem o povo. Aos que usurparam a Autoridade dos Deuses como sendo a Verdade, será muito dificil retirar-lhes a Verdade para que sirva de Autoridade. A maior estória jamais contada: dos primórdios das crenças judaico-cristãs até ao 11 de Setembro.

terça-feira, novembro 27, 2007

bloco de notas

“Não há nada como voltar a um lugar que permanece igual para descobrir até que ponto mudámos”. Nelson Mandela

“Para mim, a teoria marxista da revolução socialista integra-se coerentemente na teoria marxista do capitalismo, que, por sua vez é uma “aplicação” particular da teoria geral das formações sociais” (pag.109)
“O capitalismo não é hoje o mesmo de há cem anos. Mas, por mais transformações que tenha sofrido – e foram muitas – elas não implicam que o capitalismo tenha deixado de ser... capitalismo; que tenha deixado de haver apropriação e utilização privada do sobreproduto social por uma classe; que tenha deixado de existir o controlo da sociedade através de um Estado de classe; que as ideologias das classes dominantes tenham deixado de ser as ideologias socialmente dominantes. Sob o ponto de vista marxista, afirmar isso seria negar os principios fundamentais da teoria” (pag.110).
in “O Renovamento de Marx”*, de Vital Moreira, Edit. Centelha, 1979 citado por António Vilarigues, no Público, Novembro 2007)

segunda-feira, novembro 26, 2007

A Ditadura do Capital Global

O sistema eleitoral americano tem-o tornado visivel a toda a gente e, portanto torna-se oficial: os Estados Unidos são um Estado de Partido único, cujo sucesso dos candidatos depende da quantidade de dinheiro que conseguem reunir para o empregar em campanhas mediáticas fabulosamente pagas para influenciar o eleitorado: um sistema de dois partidos únicos que dependem de mecenas financeiros é uma Ditadura do Capital.
Como temos presente, o Partido Comunista nas sociedades industriais representava os trabalhadores, o Partido Republicano americano representa os proprietários (na medida que os EUA são os patrões globais).
A luta de classes está globalizada: os dois campos confrontam-se agora um com o outro a um nível global – os Estados Unidos como entidade patronal e os trabalhadores como uma classe (cada vez mais proletarizada) única mundial.

Pierre Bourdieu simplificou o entendimento do capitalismo transnacional, relembrando o que dizia o Manifesto Comunista: “a questão da desigualdade social é facilmente verificável dividindo o mundo entre as classes “dos que têm” cujas necessidades materiais são satisfeitas porque existe uma grande maioria d”aqueles que não têm” – e estes não possuem nada para além da sua força de trabalho para venda, porque os meios de produção, a todos os niveis, foram privatizados. Este binário redutor a duas classes no capitalismo global produziu uma nova onda de lutas anti-capitalistas que deu uma urgência renovada à revolta, o que coloca a seguinte questão: qual deverá ser o lugar dos intelectuais nas relações sociais contemporâneas?

Os grandes meios de informação foram privatizados: são propriedade dos patrões. Liga-se as televisões e apenas se ouvem “notícias” sobre bancos, actividades de grandes empresas, investimentos financeiros, novas tecnologias mediáticas, etc. – logo, quando se propicia ouvir um qualquer teórico convidado a arengar pacificamente nos meios de comunicação social de propriedade da burguesia transnacional – o conteúdo transmitido vem concerteza inquinado.

Ficam quatro casos para a compreensão do papel dos Media propriedade dos patrões das corporações globais
1 – Foi um locutor de televisão, Robert Kovak porta-voz do lobie judeu nos EUA, que dispõe de colunas de opinião no Wall Street Journal e do influente programa da CNN “Inside Report” quem “delatou” (por incumbência de Richard Armitage) que Valerie Plame era uma agente da CIA. O caso visava destruir as “não-provas” que o marido de Plame “não tinha” conseguido reunir sobre a venda de urânio da Nigéria ao regime de Saddam Hussein. Se nada se soubesse, a opinião pública assimilaria que existiam “armas de destruição macissa no Iraque”. O caso tornou-se público e começou aí a derrocada da Administração Bush. Com este escândalo houve uma intenção prévia de erradicar Bush. O trabalho de destruição está feito; pulverizadas as resistências ao acesso às fontes de petróleo, a estabilização da região só pode ser entregue à outra alternativa: ao Partido dito “Democrático”. Para que a exploração se possa tornar consentida, e rentável.

2 – Hillary Clinton, de longe o candidato que maior visibilidade tem tido (o que significa o maior volume de capital investido), veio à televisão comparar a sua candidatura à de John F. Kennedy, o primeiro e único católico que serviu como presidente. “O povo diz que uma mulher nunca poderia ser presidente. Eu digo, bem, nós nunca sabemos, antes de ter experimentado”. Kennedy foi assassinado. O alinhamento de Clinton com o mártir mais famoso da pátria é muito proficuo na recolha de votos dos piedosos eleitores cristãos. Esta técnica, difundida em directo a milhões de pessoas, nunca falha.

– A determinada altura a candidatura do “democrata” Barack Obama estava à frente nas sondagens. O homem é simpático, porém não é suficientemente wasp para ser Presidente. Só poderá ser admitido como Vice-Presidente. Havia que o destruir, e tudos os meios têm sido accionados para o conseguir. O próprio CEO da Fox News, Roger Ailes veio a terreiro invocando um trocadilho que ficou famoso, quando Bush interpelou o presidente Musharraf: “porque é que não apanhamos esse gajo, Osama (bin Laden)?” E nós, disse Ailes “porque não apanhamos Obama?”. Lapidar. A segunda destruição aconteceu no debate da semana passada perante uma audiência previamente programada. A espectadora “Marie Louise” disse nos bastidores que as perguntas foram ferozmente seleccionadas e preparadas pela CNN no seu site e no My Space. A ela coube perguntar a Hillary se “gosta mais de pérolas ou diamantes”. Por explicar ficou o alinhamento incondicional da futura presidente à "Guerra contra o Iraque".

4 – Finalmente, o que não se diz. O “European Covered Bonds Council”, o organismo que supervisa a actividade dos profissionais de seguros de obrigações, que controla 85 por cento das emissões de obrigações no mercado europeu, suspendeu a partir de 21 de Novembro a avaliação no mercado. Desde Agosto que os EUA já tinham deixado de publicar os indices de emissão de moeda. Ninguém sabe ao certo qual a quantidade de dinheiro que está a ser emitido para segurar a crise financeira neoliberal. Esperemos que o sistema rebente de vez e a falência impeça a Ditadura do Capital Global de continuar a tentar gerir a complexa arte de simular uma paz social podre.

1ª questão a reter: como foi vendida a história da invasão do Iraque - "Hubris, The Inside Story of Spin, Scandal, and the Selling of the Iraq War"
2ª questão a reter: o Complexo Politico militar é o principal contribuinte líquido para as campanhas "democratas" 2008 de Hillary e Obama: U$ 49.203.153,00 contra U$ 18.396.719,00 do candidato republicano que mais fundos conseguiu recolher.
3ª questão a reter: a escolha está feita, muito antes que qualquer "eleitor" tenha o desplante de se aproximar das urnas. Hillary Clinton, é candidata pelo Partido Republicano . Tal como entre nós Sócrates e o "PS" foram a melhor opção para consolidar as politicas dos neocons. Um embuste!
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domingo, novembro 25, 2007

A Tirania da Comunicação

Pacheco Pereira, uma personagem dúbia que hoje é olhado de soslaio no seu próprio partido, ideologicamente despromovido, talvez quem sabe como "esquerdista", queixou-se recentemente de uma crise de audiências no seu blogue Abrupto, que estaria a ser sonegado do seu direito natural, por messianismo mediático, de liderar os topes das audiências na blogosfera em virtude da proliferação de sitios de gajas nuas. Talvez seja chegada a hora do Pacheco tirar uma mama de fora em relação à sua posição sobre a invasão do Iraque.
William Randolph Hearst, o magnata da imprensa que serviu do modelo à lendária personagem do Cidadão Kane, de Orson Welles, dizia aos jornalistas seus empregados: “Não aceitem jamais que a verdade os prive de uma boa história”. Vai por mim, saca da mama Pacheco, ou põe-te em cuecas, mexe-te, faz qualquer coisa, e vais ver as audiências dispararem.

Pacheco, a baixa de audiências e o desejo do regresso imediato das tropas

Pilar Pacheco, uma garbosa soldado espanhola a prestar serviço de cariz militar na invasão do Afeganistão, ao posar praticamente nua na capa da revista Interview esgotou num ápice a edição. Numa acção de angariação de fundos similar, a americana Michelle Manhart quando se descascou na capa da Playboy foi despromovida e passou de sargento a soldado. Que não persistam dúvidas: o imperialismo armado já anda de ceroulas.

mas, extrapolando das pequenas tricas da prostituição mediática individual, o negócio é outro:

* As assessorias privadas e o seu papel nos golpes de Estado
* Tráfico de Armas, Dinheiro e Poder

* Blackwater: Para quando o fim da impunidade?
* Uma empresa de mercenários australianos matou civis no Iraque.
* A companhia de segurança DynCorps cobra aos repórteres 150 euros por noite por um lugar numa tenda no Darfur.
* Mercenários: a companhia britânica Erinys também é acusada de crimes no Iraque.
* a Aegis, que propicia segurança a empresas como a Siemens, Fluor, BBC, e as ameaças à população: se te aproximas ficas sem cabeça.
* Tim Spicer, um playboy que ganha 28 milhões de euros por ano
* Simon Mann, o homem por trás da liquidação da Unita quando esta resolveu atentar contra a indústria petrolifera no Soyo
* O filho de Margareth Tatcher e o frustado golpe de Estado na Guiné Equatorial em 2004
* A News Corporation, a gigante de desinformação do magnata Ruppert Murdoch, conta com José Maria Aznar entre os seus consultores

(os links reportam-se integralmente a trabalhos do jornalista argentino Hernán Zin que tem viajado pelos lugares más violentos do mundo e recolhido o horror da guerra através dos testemunhos das suas vítimas. As reportagens estão publicadas no site 20Minutos.es)
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sábado, novembro 24, 2007

Movimento para a Abolição da Guerra

A guerra tem de deixar de ser uma instituição humana admissivel
Prof. Joseph Rotblat, Prémio Nobel da Paz

No princípio do século XX das vítimas civis provocadas por guerras 20 por cento eram civis. Nos dias de hoje é a proporção inversa que é verdade: 80 por cento dos mortos nos conflitos armados são civis. Como individuos ou grupos organizados há muitas coisas que podemos fazer para legar às gerações seguintes um mundo sem o espectro da guerra, conforme aliás está previsto no preâmbulo da carta das Nações Unidas.

Livros ou Bombas? Desarmamento Sustentável para um Desenvolvimento Sustentável

Dispomos hoje de potenciais ferramentas, meios e legislação para abolir a Guerra. O problema é que só pela força se pode obrigar os responsáveis instalados à frente dos Estados ou Regiões a cumprir os designios a que aspira a maioria da população. Bastaria para tanto (e não seria pouco):

- Termo imediato à produção e venda de armamento
- Fim da diplomacia de intimidação e ameaça armada
- Julgamento em Tribunais Criminais para os infractores
- Responsabilidade internacional de todos os lideres politicos ou militares nacionais
- Prevenção de conflitos
- Mediação imediata de conflitos através de monitores civis da ONU
- Meios de expressão para os paises pequenos e pobres
- Direitos politicos para as minorias perseguidas
- Implementação de campanhas para a Paz através dos Media e do Parlamento
- Justiça económica para todos os que vêm bloqueados o acesso aos recursos básicos.
- Democratização da ONU e aplicação efectiva das resoluções
- Força de Intervenção de Paz
- Cumprimento dos Tratados, como Kyoto, Interdição de Armas Nucleares, Tribunal Internacional de Haia, etc.
- Educação para a Paz nas escolas, universidades e nos meios de informação.

Longe das boas intenções estão os executivos das políticas oficiais. Eles tratam profissionalmente de rentabilizar o produto que mais contribui para elevar o PIB americano. Veja-se o que acontece num longinquo porto marítimo do Estado de Washington na costa do Pacífico, em Port Olympia onde um grupo de activistas da "Acção Directa" tenta impedir o carregamento de material de guerra destinado ao Iraque. (17/Novembro). Tivesse isto acontecido numa china qualquer e as imagens estariam a passar nas "breakings news" 24 sobre 24 horas



Ver mais, noutras acções, aqui, aqui e aqui. Neste outro video, repare-se como os mercenários fardados, treinados para farejar o perigo, disparam directamente sprays de gás pimenta na cara dos manifestantes - tal e qual estivessem a educar os filhos lá em casa. Que tipo de gente é esta a quem andamos a pagar salários?
Por outro lado, atente-se nos comentários ao video no You-Tube, p/e neste, condenando os manifestantes: "ao tomarem atitudes como estas vocês mais não fazem que colocar em perigo as nossas tropas"



Mais informações no Seattle.Indymedia.Org

sexta-feira, novembro 23, 2007

no país dos filósofos do futebol



Sonho de uma Noite de Outono na Galeria Zé dos Bois e o Elemento Atractor da Classe Operária





contudo, não devemos acreditar,


Deve-se sempre desconfiar de um tipo que precisa de ser invocado com três nomes próprios para se afirmar. O povo gosta de gajos simples, como o daquele belo exemplo que o inefável director do Publico nos deu quando se referiu ao historiador marxista Zé Neves - o Zé é fixe, pós-moderno, e até escreve no Público porque quer “Uma Esquerda sem Heróis”.

Quando nos aponta “a revolução a partir de cima” e “o socialismo num só país” como causas miseravelmente fracassadas (por hipótese, omissa, ideologias vítimas da falta de participação nas decisões de organismos de base?, devidas a saneamentos contra-revolucionários à esquerda?), José Neves, sugere-nos um futuro onde se neguem os controlos das “élites tipo Chavez, instaladas no topo da máquina do poder antigo, o Estado”. E como se vai abolir o Estado: através de reformas? Por decreto do Parlamento burguês? Bloqueando a caixa de emails do rei da Ibéria forçando “o simpático Zapatero”, aliado da honra eleitoral de Aznar, a agir?
O socialismo não pode ser construido a partir do capitalismo, melhorando-o, da evolução na continuidade (pacífica), mas sim através da sua superação através do salto revolucionário da sua destruição. Para o conseguir é preciso um elemento atractor, Zé; que as classes proletarizadas possam prescindir do uso de um instrumento politico que as possam guiar nas suas lutas pela emancipação social, quando até qualquer vulgar grupo de turistas precisa daquela senhora com uma bandeirinha à frente a indicar o caminho, pressuporia que, em nome de uma liberdade utópica, também a classe possidente (nas actuais sociedades neoliberais onde o 1 por cento dos mais ricos detêm mais de 90 por cento do valor da propriedade) abriria mão, por amável convite, dos seus privilégios mantidos pelas suas instituições de classe.



Crítica do Programa do Zé

Marx, visando explicar a eterna dicotomia entre a Teoria e a Prática, escreveu a sua primeira tese sobre Feuerbach na “Crítica do Programa de Gotha”, em1847:
“O principal defeito de todas as formas de materialismo que temos conhecido até agora, é a de que o objecto exterior, a realidade, o mundo objectivo, é descrito sob a forma de um objecto intuitivo; não como o resultado de acções concretas das actividades humanas como práticas - mas sim de modo subjectivo. Esta é a razão porque os aspectos activos têm sido desenvolvidos pelo idealismo, por oposição ao materialismo – mas apenas de uma forma abstracta, porque o idealismo, naturalmente, não pode explicar as acções concretas como tal”.

Na verdade a inversão do pensamento pós-moderno é aquilo a que se pode chamar, com toda a propriedade de anti-ciência. Ele começa a ser determinado pelas suas conclusões (baseadas na mecânica quântica – segundo o Principio da Incerteza de Heinsenberg - que impõe restrições à precisão com que se podem efectuar medidas simultâneas de uma classe de pares observáveis) e vem fazendo o seu trabalho no caminho de regresso, distribuindo hipóteses avulsas de liderança. Esta filosofia nunca verdadeiramente nos podia ter convencido, na medida em que os poderosos deste mundo nos continuavam a ameaçar linearmente com aplicações práticas da velha fisica de Newton: os instrumentos de repressão do Estado burguês fazem chover bordoada de três em pipa (na dualidade intrínseca na natureza: ou foges ou levas) e as teorias de evolução pós-modernas vão à falência. Conquanto, com os naturais receios de ofender as classes possidentes, se continuem a inscrever nos jornais da burguesia capitalista.

Transformar o Medo em Fúria

Quando um belo dia ouvimos a sugestão da “música para uma nova sociedade” (Music for a New Society- Jonh Cale, 1982) compreendemos que a percepção do valor da ciência na sociedade depende de conceitos bem mais comezinhos; por exemplo através dos niveis de financiamento público e privado que são afectados à Ciência anualmente, ou, pela invenção de regimes mais ou menos predadores da propriedade intelectual (Prof. João Caraça); as acções de curiosidade pela compreensão que vem da natureza, a ciência que vem desde Galileu e Newton é preterida em função das novas percepções erradas do fim da ciência, dirigindo-se a formação do conhecimento para a necessidade de produzir tecnociência de sucesso garantido destinada ao mercado. A formação de quadros qualificados, em áreas estanques, para servir os interesses especificos do sistema capitalista é feita através de mecanismos financeiros do Estado. Só os que acreditam no mito da criatividade sem mestre, a exemplo dos nossos antepassados do paleolítico quanto à fertilidade da terra, afirmam que a criatividade da Ciência, entre elas as ciências sociais, se esgotaram.

Edgar Morin afirma taxativamente que um dos principais designios filosóficos para o século XXI será o de religar os conhecimentos
– tendo em vista que os diversos ramos possam ser percebidos como uma totalidade dentro dos limites fisicos do planeta, e não como fracções avulsas de especializações assentes nos luminosos “quanta” extraterrestres. Embora, as relações de Heinsenberg e de Niels Bhor sejam boas e válidas a uma dada escala de descrição da realidade, elas não limitam realmente a possibilidade de conhecer as leis macro que atingem e limitam o diálogo do Homem com o seu Mundo.
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quinta-feira, novembro 22, 2007

Discurso histórico de Chávez na Cimeira da OPEP

A primeira Cimeira em Argel fundou a OPEP em 1975. Com o advento do Neoliberalismo na década de 90 a Organização dos Estados Produtores de Petróleo foi votada ao ostracismo e quase desapareceu.
A segunda Cimeira foi em Caracas em 2000, um ano depois da ascenção de Chávez ao poder na Venezuela - nesse ano renasceu a OPEP - o crude cotava-se a 10 dólares por barril
A terceira Cimeira iniciou-se a 17 de Novembro de 2007. O preço do petróleo atinge agora cerca de 100 dólares por barril. Hugo Chávez deixa subentendido que, na medida em que o emissor da moeda mundial que rege o mercado dos combustiveis (os petrodólares) é livre de a imprimir livremente sem qualquer comparação com valores reais, o custo real do petróleo manter-se-ia-se em cerca de 30/35 dólares, caso não tivesse sido inflacionado para suportar a economia americana e a militarização da exploração imperialista.

Este é um discurso histórico. Chávez notou e propôs:
que la tasa de petróleo y la baja del dólar provocaron un desorden económico mundial y que el único medio para salvar la economía mundial es no pagar más el petróleo en dólares”.

Esta posição foi incluida na declaração final e referendada pelos paises participantes. Porém, a resolução que visaria acabar com as transações do petróleo em dólares, embora apoiada pelo Irão e pela Nigéria, foi vetada pela Arabia Saudita, o primeiro produtor mundial, cuja economia assenta primordialmente nos investimentos nos Estados Unidos. Se os paises da OPEP chegassem a pôr em prática essa resolução, a economia dos Estados Unidos cairia em 24 horas como caiu em 1929.
Que fará o Rei Saud com a presidência da OPEP nos próximos anos?

(Ouça-se e veja-se com atenção o video, porque isto são coisas que não passam na RTP)


A maioria dos voluntários estrangeiros pan-arabistas que se têm sacrificado explodindo-se com bombas no Iraque são maioritariamente provenientes de dois paises considerados aliados dos Estados Unidos (as élites dos regimes): a Arábia Saudita e a Líbia (305 e 137 bombistas respectivamente); e ainda, 68 do Yemen, 64 argelinos, 56 Sirios e 50 marroquinos. (NYT). Isto significa que também vai estando na hora de fazer implodir as monarquias petroliferas árabes - mas isso é tarefa para levar a cabo pelos próprios Estados Unidos; como? - com a evaporação do dólar.

El-Rey se extralimitó en sus funciones constitucionales

(ler mais aqui)

quarta-feira, novembro 21, 2007

Por qué non te callas? (IV)

"os Media são o aparelho ideológico da globalização"
Ignácio Ramonet

Segundo o Guardian o irado “por qué non te callas?” do Rei Borbón virou um negócio de milhões. Com a famosa frase inscrita tudo se vende, desde toques de telemóvel a t-shirts, canecas, enfim, até um “prós-e-contras” na televisão portuguesa. Um êxito de mercado portanto, normal, atendendo a uma sociedade entorpecida com poucas causas e muito vocacionada para produzir a baboseira fácil de lucro assegurado pela labreguice mais lorpa. No caso da RTP “os contra” eram uns inenarráveis tipos de extrema-direita com uma linguagem digna do cabaré Elefante Branco (“pois é, é uma chatice o ditador ter de vender o petróleo a alguém”; Fidel é um “marajá” que reina sobre a miséria do povo") e os “prós” (Chavéz presume-se) fizeram-se representar por um delegado da Partex (a empresa petrolifera da Gulbenkian), a social democrata neoliberal Ana Gomes e um jornalista espanhol que parte do principio que Cuba é uma ditadura. (Ora com amigos destes,,,). Esteja o Presidente da Venezuela em Santiago do Chile, Ryad, Lisboa, Teerão, Paris ou Caracas, todos os editoriais, cabeçalhos, notas de imprensa das centrais noticiosas, oposições de lideres desempregados – todas as baterias se põem a disparar contra Hugo Chávez de forma sincronizada atendendo à mesma ordem militarizada.

O modo americano de ser enformado

O escritor Tariq Ali é um atento observador da televisão. Ele notou que a “...história moderna é ignorada na prática pela televisão. No noticiário das redes americanas, não há quase nenhuma cobertura do resto do mundo; nem mesmo de paises vizinhos como o México ou de continentes quase inteiros como a América Latina. Eles têm uma cultura essencialmente provinciana que gera a ignorância. Tal ignorância é muito útil em tempos de guerra, porque pode incitar à fúria rápida em populações mal informadas e levá-las à guerra contra qualquer país” (ler mais)

A ideologia liberal insiste em que a abordagem na sociedade da consciência de solidariedade é impossivel como atitude dominante, porque os seres humanos são perpétua e primariamente motivados pelos incentivos materiais individuais. Mas o processo revolucionário em que a Venezuela embarcou desde 1999 está a mudar a percepção do miolo (neo) liberal adquirido, que pensa ser a limitada visão do interesse-próprio uma condição imutável da condição humana. Porém no processo em curso na Venezuela as colectividades unem-se em torno das “misiones” que têm uma gestão participativa na nova sociedade que se pretende criar – onde o dinheiro do petróleo não serve para ser expropriado pelas multinacionais que o enfiam directamente nos circuitos financeiros internacionais, antes pelo contrário, esse dinheiro é usado em programas sociais em proveito próprio das populações. No restante, e é a única diferença (e não poderia ser de outra maneira) em face do cerco, a sociedade mantém-se com uma estrutura capitalista, conquanto a nova Constituição a referendar no próximo dia 2 de Dezembro, reconheça agora cinco tipos diferentes de propriedade (e não apenas a dos interesses monopolistas dos patrões da banca e da indústria primária). Há quem (de má-fé) fique surpreendido; Ora quando se pensava que as teses do pensamento único, do fim da história e do choque de civilizações tinham acabado o seu caminho triunfante eis que a hegemonia neoliberal é questionada pelo ressurreição da OPEP (justamente uma aliança de civilizações que os imperialistas gostariam que tivesse sido bem enterrada após a crise petrolífera de 1970 que obrigou ao Consenso de Washington e à fuga da economia americana do padrão-ouro) - aliança Chavéz-Amhadinejad que põe em causa a segurança energética num Ocidente prepotente, e porque parasitário, decadente.

Depois do crash da “nova economia” tipo especulativa fraudulenta Enron que elegeu Bush em 2000 (e o levou a safar-se da crise via 11 de Setembro), os investidores enterraram literalmente os capitais que não se evaporaram em tijolos. Agora, uns triliões ficticios mais à frente é a “bolha imobiliária” que estoira. O dólar está em queda livre, da crise financeira nem as perdas se conseguem contabilizar, a única certeza é que virão, cada vez mais, ainda piores noticias. Os bancos comerciais pedem capitais de salvação aos bancos centrais ao juro de 6,75 por cento (caso do Barclays) quando os clientes lhes estão a pagar os créditos a 4 por cento: qual é o negócio? – o negócio é dar um pontapé na crise lá mais para a frente, e haja fé em deus. Na verdade a esperança é que nesta nova destruição de valores para que não existe mercado os capitalistas possam reconverter os investimentos no sector das empresas de energia, criando aí nova bolha inflacionária (no negócio de vender aos pobresa salvação climática” e ajuda principescamente remunerada nas catástrofes). E, diga-se de passagem, ao ajudar à diversificação da rede energética global, até certo ponto, Chávez integra-se perfeitamente na nova lógica de investimentos financeiros no capitalismo ambiental.

"Parem de citar as leis, porque nós é que temos as espadas"
Sila, ditador romano (138 aC - 78 aC)

No final da 1ª guerra do Golfo o custo do petróleo era de 30 dólares por barril de crude. Com o preço de 100 dólares por cada barril neste final de ano de 2007, em finais da década de 60 podiam-se comprar 25 barris. A inflação continuaria assim “eternamente”, não fora o caso da Venezuela e o Irão, dois dos principais produtores mundiais, se recusarem a ser um fornecedor incondicional do mercado nas condições impostas pelos decisores imperialistas. Infelizmente para eles o crash monetário do sistema de pirâmide em curso e a implosão da economia global vai fazer lembrar a “grande recessão de 1929” como um resfriado da Dona Branca, ou seja, como deixa de haver dinheiro para pagar aventuras lá se esgotará à mingua a tentativa de hegemonia global. Não sem que antes se corra o risco de uma tenebrosa confrontação entre mini-potências. Pela parte que toca aos Estados Unidos o ataque ao Irão só ainda não teve lugar devido a divergências profundas entre o comandante William Fallon do CENTCOM que se recusa a sacrificar a V Esquadra fundeada no Bahrein e o General David Paetreus Comandante das tropas no Iraque que o tem acusado publicamente de ser um medricas.

* livro de leitura obrigatória: "Surviving the Cataclysm" - William G. Tarpley

terça-feira, novembro 20, 2007

Miss MoneyPenny era a secretária dos serviços secretos Britânicos (MI6) que tratava da burocracia, para que a logística que suportava as aventuras do agente James Bond pudessem funcionar no terreno. Durante 23 anos a actriz Lois Maxwell desempenhou a personagem. Nos 14 filmes em que entrou, pronunciou, ao todo, cerca de 200 palavras, e o tempo que esteve em cena, no total, não ultrapassou 60 minutos.

Portanto, quando virem quaisquer personagens de paródia james bond da Politica aos pinotes, desviem o olhar, esqueçam-nos – e procurem as razões do que acontece nos caminhos ocultos por onde trabalham os verdadeiros gestores.

Louve-se o trabalho do designer que concebeu o palanque oratório da "Cimeira do Tratado Reformador", que faz parecer destes dois, o Camarada Abel e o Engenheiro social do PS, dois vendedores de electrodomésticos de “prestigiadas marcas multinacionais”


"O problema com este Tratado é que ele não resolverá nenhum dos problemas actuais da Europa"
Pacheco Pereira

e como é adorável citar filósofos (descartáveis) deste calibre. Por acaso já se sabem os resultados da famosa acção judicial que o sr. Pacheco interpôs contra a "Euronews" por este canal televisivo estar alegadamente a favorecer os interesses exclusivos da França e da Alemanha quando estes dois paises (os motores da Europa) se recusaram a pagar a factura da invasão americana do Iraque que o sr. Pereira apoiou incondicionalmente?






* Rui Tavares: Durão, "A medida de todas as coisas"
“O memorando de Downing Street, publicado pelo Times em 2005, demonstra que quase um ano antes da agressão George W. Bush já tinha decidido invadir o Iraque" (ler mais)

segunda-feira, novembro 19, 2007

Mickey Barroso in Steamboat Winnie:

Não sabemos, nem isso agora interessa nada, o que disse Barroso na sua tese de agradecimento em Georgetown quando viu premiada a sua adesão ao "pacto neocon" - mas podemos imaginar o que terá pensado: "Fiquem descansados, porque tal e qual como os "assassinos de destruição em massa" declararam em Nuremberga, eu, um dia que venha a sentar-me no Tribunal de Haia direi igualmente que apenas cumpria ordens, que não sabia de nada.

Um milhão de mortos iraquianos depois, a história (que trata do esquecimento das massas) é um objecto amigo do camarada Abel - e, por este andar, um destes dias até o próprio chefe Bush virá a terreiro dizer que foi enganado e também não sabia de nada. (Tarde demais, quando qualquer garoto vê que "Bush is Over, Happy Springtime", se entretanto não houver uma derrocada abrupta do regime neocon)

O que as opiniões públicas (nem, até certo ponto uma boa faixa de capitalistas ingénuos) nunca perdoarão ao "Gang dos Quatro" foi a promessa que trariam petróleo barato - quando afinal é preciso continuar a aumentá-lo (concertadamente com os juros bancários) para sustentar uma guerra (ou guerras) sem fim à vista (a bem dos negócios do complexo-politico-militar: a verdadeira aposta dos capitalistas mais esclarecidos, ou seja, dos que dispõem de informações oriundas de fontes fidedignas)
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domingo, novembro 18, 2007

História da Abolição do Estado Social

Está a renascer uma Classe Servil que a industrialização, depois da Segunda Guerra mundial havia abolido
André Gorz

Sobre o artigo de Nekame Jurado, “Europa: desde o Estado de Bem-Estar até à Segurança do Estado" – e a propósito das greves em França e na Alemanha.
Os direitos sócio-económicos e o Estado de Bem Estar são dois conceitos que estão ligados, porém recorda-se que o Modelo Social Europeu resultou das fortes lutas de classe que possibilitaram a conquista dos direitos sociais consignados até agora nas Constituções nacionais europeias.

A segunda Revolução Industrial (a partir de 1850) trouxe uma mudança total na estrutura demográfica (crescimento explosivo das grandes urbes) assim como na estrutura das classes sociais (por via das reformas sobre a propriedade das terras comunitárias ou latifundiárias, onde a maioria da população nos paises industrializados na época não possuia outro recurso para sobreviver que a sua força de trabalho). A primeira grande crise económica em 1875 deixaria a descoberto a crueza do modelo industrial que se estava a desenvolver. As teorias de Marx e Engels, a forte conciência de classe e as condições sociais e laborais de miséria foram os detonadores das grandes lutas pela perseguição da garantia pública do direito a rendimentos alternativos aos parcos salários do trabalho (pensões por incapacidade, velhice, segurança contra o desemprego) ao acesso a condições de habitação dignas (casas sociais a custos controlados de aluguer), ao saneamento básico, saúde e educação, entre outros.
O primeiro seguro social (da época moderna, já que a antiga Babilónia – onde hoje se situa o Iraque – e o Egipto dos faraós os haviam criado) nasceu na Alemanha em 1883, depois de uma longa greve geral, durante o mandato de Bismark, mas apenas foi atribuido aos trabalhadores activos. Esta primeira onda alastrou célere aos outros paises industrializados. Em 1919, depois do Tratado de Versalhes, nasceu a OIT (Organização Internacional do Trabalho), cujo objectivo era a coordenação do desenvolvimento dos direitos sociais. A década de 1930 iniciou-se com a Grande Depressão económica desencadeada a partir de 1929 quando as taxas de juro chegaram aos 30 por cento!, as revoltas sociais e operárias eram constantes, reinvindicando rendimentos mínimos cobertos pelos Estados para as situações de mais graves necessidades. Os movimentos socialistas estavam no auge, propiciados tanto pela situação económica, como pelo desenvolvimento da Revolução Popular na URSS. Inclusivamente os movimentos fascistas na Alemanha e Itália mascaravam as suas verdadeiras intenções com promessas de “pleno emprego” e “segurança social” para todos.

Neste contexto de consciencialização politica e de luta de classes, a Segunda Grande Guerra Mundial marca uma linha de partida para o desenvolvimento do Estado de Bem Estar. Foi o Exército Vermelho que, entrando pelas fronteiras alemãs o trouxe enquanto expandia o seu próprio poder. Perante o avanço inexorável da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), os poderes factuais europeus perceberam que a única saída para refrear este avanço numa Europa de trabalhadores favoráveis ao pensamento socialista era fazer um pacto de segurança social e de desenvolvimento do que logo foi chamado de Estado de Bem Estar. Perante esse avanço, o próprio presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, num discurso de 1947, afirmava que “o expansionismo comunista como o principal perigo e inimigo dos EUA e do Mundo ocidental (...) obriga às negociações sociais

Como têm afirmado prestigiados historiadores (como p.e. Howard Zinn), a ameaça militar que a União Soviética fez pesar sobre a Europa ocidental pode ter sido sobrestimada, porém nesse momento o modelo económico e politico não estava desacreditado, longe disso, constituiu um desafio sem o qual possivelmente não se teria desenvolvido o Estado de Bem Estar europeu tal como o temos conhecido até aqui. Esta situação levou os governantes da Europa ocidental a aceitar um pacto social e de rendimentos sem precedentes: foi assim que nasceu o “modelo europeu”, porém esse pacto não se verificou em paises que estavam debaixo de ditaduras fascistas de preponderância militar, como era o caso de Portugal, Espanha e Grécia (que apenas adoptaram medidas sociais parciais e desconexas). Nesse pacto social, referente à gestão global da economia, o Estado substituia o Mercado, sabido que esse mercado nunca poderia de forma automática solucionar o problema do pleno emprego que constituia a base, o primeiro pilar do pacto. O segundo pilar foi a assumpção por parte desse mesmo Estado, com todas as suas consequências, daquilo que até então tinha sido abandonado ao mundo dos valores: a protecção social. O direito à assistência e à protecção dos indivíduos excluidos passou a ser uma obrigação do Estado e não de uma qualquer obra de caridade solidária. O terceiro pilar foi o aprofundamento da democracia activa.

O Estado assistencial deu passos para o Estado de Bem Estar, um Estado de trabalhadores onde o direito de participação no produto social não deriva das “boas intenções” daqueles que têm, nem do Estado que garante as necessidades mínimas, mas da contribuição dos trabalhadores e da riqueza colectiva. Assim, o direito à participação social converte-se num direito ao trabalho; na medida em que ninguém pode ser excluído de participar, como ninguém pode estar excluído do trabalho socialmente reconhecido. O Pacto Social Europeu teve os seus principais pontos de desenvolvimento nas seguintes datas:
- Conferência Internacional de Filadélfia (1944) como resultado dos esforços de Churchill e Roosevelt. Determinou um protótipo de modelo internacional de Segurança Social.
- Em 1949 a União Europeia (ocidental) adopta um convénio de Segurança Social para harmonizar os tratados bilaterais dos paises membros.
- Em 1957 a partir do Tratado de Roma cria-se o Mercado Comum, reconhecendo as bases dos direitos sociais europeus, porém sem que tenha criado qualquer instrumento coercivo para conseguir harmonizar as legislações dos paises membros.
- Em 1964 o Conselho da Europa inicia os trabalhos de harmonização com a OIT conseguindo avanços sensiveis através do Convénio 102.

Até aqui perfilaram-se as bases politicas que decidiram o Modelo Social, mas para entender o momento actual é importante analisar as bases económicas que o tornaram possivel. A Segunda Grande Guerra não só trouxe uma importante transformação nas relações sócio-politicas, mas também uma grande transformação económica. A guerra destruiu os velhos aparelhos produtivos europeus (1), apresentando de imediato a necessidade de uma nova estrutura produtiva baseada nos novos modos de produção industrial fordista. A guerra tinha constituido um imenso campo de experimentação de engenhos tecnológicos aplicados aos fins militares que mais tarde foram adaptados para actividades de produção civil, as quais serviram de trampolim para a fulgurante carreira tecnológica das décadas posteriores, que trouxeram fortes reduções de custos, ampliação de escala de produção, forte aumento de produtividade e por fim beneficios empresariais. Para além do mais, devido à espionagem de guerra (que prosseguiu em época de paz) as tecnologias de ponta não foram património exclusivo de um sector ou país. Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e o Japão puderam começar a aplicá-las quase em simultâneo, dando origem a uma competividade antes desconhecida (embora todos pagassem direitos ao primeiro, a maior potência industrial, económica e tecnológica, que não tinha ficado destruída)

Foi a partir desta nova situação que se desenvolvem as teorias económicas de Lord John Maynard Keynes que, ainda que se situem dentro do modelo económico capitalista imperante, se separam claramente das teorias clássicas e neoliberais hoje em aplicação. Keynes defendia que era ao Estado que competia a responsabilidade de manter um nivel adequado da procura interna. Neste sentido, se os cidadãos por si mesmo (por via do desemprego) não podiam consumir, o Estado devia gastar por eles, com investimentos em educação, saúde, infraestruturas sociais, etc, para além de transferir directamente para os cidadãos de menores possibilidades os recursos monetários necessários para garantir a paz social (pensões, fundos de desemprego, rendimento mínimo garantido). Desta forma, com esta politica económica se mantinha um nivel de procura adequado para que a produção das empresas pudesse ser absorvida e continuassem a produzir. Definitivamente, o keynesianismo baseava-se numa politica de pacto social entre o pleno emprego e a procura como motor económico. Para que haja consumo é necessário que as famílias tenham rendimentos minimamente capazes, comprometendo-se o próprio Estado a manter a procura dos chamados bens públicos.
Designado como delegado britânico à Conferência de Bretton Woods em 1944 (onde foram criados o FMI e o Banco Mundial), Lord Keynes opôs-se rotundamente às pretensões dos Estados Unidos que pretendia impôr à Europa uma estreita dependência financeira, numa espécie de “protectorado”. Curiosamente (para quem não tem possibilidades de ser mosca nas altas instâncias da banca e dos governos), essas pretensões dos Estados Unidos não se distanciaram muito daquilo que mais tarde ficaria consignado no Tratado de Maastricht. Keynes tinha logrado impôr-se às intenções dos EUA, por um lado devido à dominação económica americana estar ainda na sua fase emergente, e por outro, pela ameaça real ao alastramento (com prejuizos para os capitalistas ocidentais) das conquistas sociais na URSS. Ainda que o modelo europeu então desenhado fosse inaceitável para os EUA, cujo ideal sempre tem sido o “laisser faire” económico e a mínima intervenção do Estado, teve que se conformar e conter-se,,, até à queda da URSS.

Porquê se mostrava o Tratado de Maastricht tão preocupado com os “défices excessivos”, e se mantém como dogma económico esta preocupação? A alínea dos “défices excessivos” é elevada a “principio económico máximo” pelo Consenso de Washington em 1990, que o liga ao “tamanho excessivo dos governos”.

Durante o período que se seguiu à II GGuerra e até 1973 (à crise petrolifera e ao abandono do padrão-ouro face ao dólar por decisão unilateral dos EUA), na Europa todas as variáveis económicas tiveram em todos os paises industrializados incrementos muito superiores aos obtidos em qualquer outro periodo anterior, por exemplo, a produtividade cresceu em média, ao longo do periodo 1950-1970 em 4,5 por cento acumulativos em cada ano (face aos 1,6 por cento no periodo expansivo anterior precedente de 1870-1913). Este incremento de produtividade pôde absorver sem grandes fricções os custos supostamente requeridos pela implantação do Estado de Bem Estar Social. Depois da crise de 1973 o capitalismo neoliberal, cujo ponto de partida foi o Consenso de Washington, começou a pôr em causa o pacto social do modelo europeu, impondo uma maior valorização ao Mercado do que aos valores Públicos destinados a garantir os direitos sociais adquiridos. A destruição da URSS, condenada pela acção directa das politicas monetárias globais implementadas por Reagan e Tatcher, e a desaparição da Guerra Fria entre os dois blocos antagónicos, propiciou que em Maastricht fossem concertados os pilares para a abolição do dito Estado Social – que obstava ao livre desenvolvimento imperialista da única superpotência agora existente.

(1) Mercado Livre?: a Grã Bretanha, destruída pela guerra, face á crise financeira despoletada em 1947 foi obrigada a pedir um empréstimo (“Lend Lease”) de 3,75 mil milhões de libras à banca privada com juros elevadíssimos, destinado a apoiar a reconstrução e a reabertura ao comércio das colónias, impondo por outro lado restrições alfandegárias a todas as importações provenientes de paises fora da “Commonwealth”

a Abolição do Estado Social II - continuação aqui
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sábado, novembro 17, 2007

Steven Colbert e a Teoria do Mercado Livre



(...) se desejares saber como é que os libertários olham para o Estado e para todas as suas acções, pensa no Estado simplesmente como uma associação criminal.
Murray Rothbard

Um ladrão (literalmente o aparelho Governamental) mantêm-te ameaçado com uma pistola, enquanto um segundo ladrão (representando as Corporações aliadas do Estado) te pega na bolsa que levas e te rouba o relógio, o porta moedas e as chaves do carro. Dizer que a tua interacção com o gajo que te assaltou a bolsa foi uma “transacção voluntária” é absurdo. Na verdade, ambos, pistoleiro e assaltante, trabalham em conjunto. Na realidade eles os dois juntos representam (são) o Estado.

Dinheiro Público, Ganhos Privados

Longe de resolver e acabar com os problemas do Estado Burocrático (o famoso “Monstro” do Cavaco), a politica de “Mercado Livre”, de facto reorganiza o Estado noutra perpspectiva. Enquanto as privatizações das empresas e serviços estatais cortam certamente o envolvimento directo do Estado na produção e distribuição de muitos bens e serviços, este processo é, na verdade, acompanhado de novas regras reguladoras, subsídios e Instituições que ajudam a propiciar um “desenvolvimento favorável” para as novas empresas e serviços privatizados.
De facto, o Estado tem actualmente desempenhado um papel central na implementação das politicas de “mercado livre” e, mais que isso, tem uma acção continuada “intimadora e dúbia” quando se envolve a regular minuciosamente a economia de mercado – uma consequência directa do relacionamento da mão-luva-de-veludo dos governos do “mercado livre” é o “ajustamento” entre as Instituições do Estado e os interesses do mercado.

Gravura de James Galfray