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segunda-feira, março 24, 2008

o Pacheco e a Era do Capitalismo Destrutivo

Não desejaria estar na pele da mulher a dias (provavelmente o João Miranda) do arquivo nacional da Marmeleira, para pôr alguma ordem naquela mistura de papelada, calhamaços, bytes e moléculas de miolos obsoletas, tudo indiferenciadamente espalhado pelo soalho.

Sim, há uma ligeira turbulência, mas por agora não nos sentimos obrigados a ter de vos explicar nada. Além do mais, temos o Movimento das Forças Armadas do nosso lado – basta-nos chamar-vos “turba de militantes ignorantes, gente minúscula e falsa que se apoia em meias verdades” e que nos quer, mais os nossos patrões ocultos, fazer a todos malhar com os ossos no TPI. Felizmente que os nossos mentores ideológicos, os gloriosos Neocons que assinaram o golpe-de-estado na sede do nosso partido Imperial, não assinaram o protocolo que reconheceria legitimidade ao Tribanal de Haia, esse antro de observadores do Direito Internacional.
Assim pensou o fatalmente previsível Pacheco Pereira quando escreveu, cinco anos depois, a sua opinião sobre o crime: “Existe em Portugal um delito de opinião (Público 22 Março pag.37) para o qual uma pequena turba, que só parece grande porque é alimentada pelo silêncio de muitos, pede punição, censura, opróbrio, confissão pública do crime, rasgar de vestes”

A Brigada do Galo de Barcelos

Durão Barroso, Pacheco Pereira,
Vasco Graça Moura e Paulo Portas
ao lado dos EUA
(cartoon de António, Expresso 29/3/03)


“Com a politica seguida, estamos hoje mais fragilizados e mais dependentes, com uma crescente substituição da produção nacional pela estrangeira e com uma maior subcontratação da nossa economia. Este quadro tem-se agravado desde a adesão ao euro e com a politica monetária cambial ditada pelo BCE.(…) a livre circulação de capitais e a privatização de empresas básicas e estratégicas criaram um quadro de crescente dominação do capital estrangeiro sobre a economia portuguesa. O capital estrangeiro já detém, em média, um terço das sociedades portuguesas” (1)
Num panorama destes, com o país num estado de pré falência, parece-nos óbvio que a única moeda disponível para a troca no pacto atlântico com os Neocons foi a oferta das Forças Armadas como mão de obra nas frutuosas campanhas da ex-Jugoslávia (reduzida à Sérvia), Afeganistão, Iraque e Líbano, e as que mais aprouverem à abastança do generalato indígena:

enquanto o povo e o país definham:
o endividamento das famílias passou de 78 por cento do PIB em 2005 para 88 por cento em 2007; o das empresas passou de 98 por cento para 105 por cento do PIB


É a Economia de guerra, estúpido!


Os tiros de pólvora seca da Administração Bush sobre Bin Laden e a guerra vão-se adaptando, consoante o medo que provocam, através dos mais variados nomes: guerra ao terrorismo, combate ao Islão radical, guerra ao fundamentalismo islamofascista (a mesma categoria do anti-semitismo), a terceira grande guerra, a guerra prolongada, guerra de gerações, mas as formas básicas dos conflitos permanecem imutáveis. Não são limitadas nem pelo tempo, nem pelo espaço nem pelos alvos. De uma perspectiva militar, estes conceitos vagos e processos amorfos fazem da “guerra ao terrorismo” uma proposição irresolúvel, sem qualquer hipótese de uma vitória inquestionável. Mas numa perspectiva económica trazem uma proposta imbatível: não uma intenção que promete grande sucesso mas falha miseravelmente como na guerra, mas o conceito de um processo novo e permanente na arquitectura económica global. Foi este tipo de negócio que a Administração Bush colocou à frente das Corporações americanas depois do 11 de Setembro. Até mesmo antes, através da falida e artificialmente inflacionada Enron, a maior contribuinte para a eleição de Bush, que o elegeu e de imediato se viu obrigada ao suicidio em Bolsa.
A salvação para as indústrias da guerra chegou pela canalização das taxas de dólares dos contribuintes para o Pentágono que abre a torneira para os empreiteiros privados: 270 biliões em 2005, mais do dobro da verba desde que Bush tomou posse. Entre 2001 e 2006 as agências de informação e o novo estreante o Departamento de Segurança Interna amealharam 130 biliões de dólares para os entregarem generosamente a empresas privadas (normalmente geridas por gestores amigos) que subcontratam.

(1) “Perspectivas para a Economia Portuguesa” por Carlos Carvalhas, publicado no "Le Monde Diplomatique", Março 2008
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