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sexta-feira, julho 31, 2009

um tipo sério... (à força)

não é uma questão moral - o segredo do negócio é roubar e não ser apanhado. Porém. quando por azar acontece, lá se tem de abrir mão de uma ínfima parte da pilhagem: "João Rendeiro (BPP) regularizou três milhões de dívidas ao fisco"
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quinta-feira, julho 30, 2009

"direitos humanos": o direito ao Trabalho

Seja para o combater seja para se aliar, a politica de deslocalização das indústrias fulcrais do sector primário da China segue a mesma lógica de globalização neoliberal dos países ocidentais. Por exemplo, recentemente foi anunciado que uma siderúrgica chinesa seria instalada no Brasil, distrito do Rio de Janeiro. Como contraponto destas decisões geram-se as mesmas consequências que no Ocidente: o encerramento de indústrias e despedimento de trabalhadores locais.

A resposta exige uma mensagem sindical forte: a participação das comissões de trabalhadores em detrimento do sindicalismo de conciliação burguês


A venda da empresa siderúrgica “Tonghua Ferro e Aço”, na provincia de Jilin (no noroeste da China), segundo informou a imprensa oficial e o “China Daily”, ameaçou a tomada de uma medida drástica: o despedimento de um número próximo de 30 mil trabalhadores. E o novo gestor nomeado para implementar esta politica de privatização, Chen Guojun, convocou uma assembleia para comunicar a decisão da compra da fábrica pelo grupo privado Jianlong que iria reduzir a mão de obra para apenas 5.000 trabalhadores.
Não muito consciente do facto, Chen estava a brincar com o futuro de dezenas de milhar de pessoas, quando anunciou que a maioria se veria desempregada em apenas três dias. De imediato enfureceu cerca de três mil trabalhadores que o cercaram, exigiram explicações e, perante a ausência destas o agrediram até o deixarem inanimado. Depois enfrentaram a policia e impediram o acesso da ambulância ao local até obter garantias que a medida não seria implementada. Chen Guojun acabou por falecer à noite quando finalmente foi transportado ao hospital. A venda da fábrica foi anulada e as autoridades de Jilin, contactadas pela AFP, não quiseram prestar quaisquer esclarecimentos.

Esta foi uma mensagem laboral enérgica (a participação das bases é uma prática corrente na China), que fará pensar duas ou mais vezes qualquer outro candidato à gestão de politicas similares.

nota
agora repare-se na forma tendenciosa como os biltres da TVI manipulam a notícia

quarta-feira, julho 29, 2009

Documentos secretos da Arábia Saudita e da Grã Bretanha desclassificados, envolvem os dois paises no 11 de Setembro

Omar al-Bayoumi era um agente dos serviços secretos dos Sauditas, amigo pessoal do Príncipe Bandar bin Sultan (um dos notáveis envolvidos no escândalo da venda de armas pela empresa britânica BAE na década de 90 durante (1) o consulado de Bush-Pai) e próximo do embaixador saudita nos EUA.
"A ideia que a Grã-Bretanha e a Arábia Saudita seriam dois dos seus mais confiáveis aliados - traíu os Estados Unidos, enquanto nação - e ambos jogaram um papel indispensável conluiando-se com a mais sinistra administração da história dos EUA - a que possibilitou "a maior atrocidade terrorista" levada a cabo em solo americano. Este episódio protagonizado por Omar al-Bayoumi, figura de peso no trilho do dinheiro usado no atentado de 11 de Setembro é para ser rapidamente limpo e enterrado?

http://www.rense.com/general86/declass.htm


(1) ver: "70 anos de CFR, Trilateral e Bildelberg"
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terça-feira, julho 28, 2009

vai tomar Tamiflu?

Os meios de desinformação massiva semeiam o pânico com a chamada "gripe H1N1", enquanto os laboratórios detentores das patentes dos medicamentos começam a obter lucros milionários. Como se tratasse de cumprir um guião, o medo tem sido espalhado entre milhões de pessoas. O sistema mediático consegue que a tradicional gripe comum apareça vestida com as roupagens mortais, tal como interessa a uma poderosa multinacional farmacêutica que começa a vender massivamente o seu produto estrela: o Tamiflu. Um medicamento que é produzido com base fundamental numa planta denominada “Anis estrelado”. Em paises subdesenvolvidos como a Argentina o remédio esgotou-se de imediato, pese embora que cada caixa custe 30 euros. A gargalhada do assassino Donald Rumsfeld começa a ecoar pelo mundo inteiro...
¿ Sabia que os laboratórios norte americanos foram os que alertaram para a eficácia do Tamiflu (anti-viral para humanos) como remédio preventivo para a gripe suína?
¿ Sabia que o Tamiflu apenas alivia alguns sintomas da gripe comum?
¿ Sabia que a sua eficácia perante a gripe comum é questionada por grande parte da comunidade científica?
¿ Sabia que perante um suposto vírus mutante como se pensou ser o H5N1 e agora o H1N1 o Tamiflu apenas alivia a enfermidade?
¿ Sabe quem comercializa o Tamiflu? Os laboratórios Roche
¿ Sabe a quem comprou a Roche a patente do Tamiflu em 1996? À Gilead Sciences Inc.
¿ Sabe quem era o presidente da Gilead Sciences Inc. e ainda hoje o seu principal accionista? Donald Rumsfeld, ex-secretário de Estado da Defesa dos EUA.
¿ Sabia que Rumsfeld enquanto fez parte da administração Bush foi quem conduziu (inventou) o processo das armas biológicas e do antrax relacionado com o 11 de Setembro e o pretexto das armas biológicas que “fundamentou” a invasão do Iraque?
¿ Sabia que a base do Tamiflu é uma planta chamada “anis estrelado?
¿ Sabe quem tratou de adquirir cerca de 90 por cento da produção mundial desta planta?: a Roche
¿ Sabia qua as vendas de Tamiflu passaram de 254 milhões em 2004 para mais de 1.000 milhões em 2005 quando se declarou a “gripe das aves”?
¿ Calcula quanto milhões mais poderá ganhar a Roche nos próximos meses se este negócio do medo se mantiver?

O resumo do conto do vigário é o seguinte:
Os amigos de Bush decidem que um fármaco como o Tamiflu é a solução para uma pandemia que ainda não se tinha desenvolvido. Ora este produto não cura nem a gripe comum. Rumsfeld vende a patente do Tamiflu à Roche e esta multinacional paga-lhe uma fortuna quando a enfermidade não era ainda conhecida.
A Roche adquire 90 por cento da produção mundial de “anis estrelado”, a base do antivírico que recentemente se preparou para ser produzido em massa quando ainda não se falava em “gripe dos porcos” H1N1 (embora houvesse a experiência da gripe das aves H5N1). Os governos de todo o mundo são ameaçados com a pandemia, fazem o jogo das multinacionais e compram quantidades industriais do produto. Os contribuintes acabam pagando o medicamento e Rumsfeld e os seus apaniguados politicos prosperam com o negócio.

* Conheça a planta, o anis estrelado (Pimpinella anisum), com a qual se produz o Tamiflu

Existem alternativas simples para o pânico

O Dr. John Cannell, um professor de cirúrgia cardíaca na Universidade de Washington, recomenda vivamente que em vez de se tomar “shots” para a gripe, se insista numa dieta que potencia a ingestão de produtos ricos em Vitamina D (mais precisamente D3) - ver o video - Mas porque é que ninguém está a promover este modo de prevenção? Porque ele não faz dinheiro! Este elemento natural está presente em muitas fontes alimentares como o peixe (salmão e sardinhas), ovos, leite e óleo de fígado de bacalhau. E, pasme-se, a vitamina D é potenciada pela exposição do corpo à luz do sol, embora a propaganda relacione esta prática com o perigo de cancro, conquanto seja mais prejudicial a anemia e debilidade provocada pela pouca ou nenhuma exposição ao sol. Por outro lado, à medida que a política do Codex Alimentarius se solidifica, a vitamina D consensada em pílulas vai deixando de estar à venda nas lojas. Praticamente esta terapia foi abolida em doses elevadas porque senão o negócio hospitalar, que cada vez se pretende mais privatizável, estaria às moscas.

Informação Essencial sobre a Vitamina D:

segunda-feira, julho 27, 2009

Vai ser época de gripe, outra vez,,,

Do filme “O Fiel Jardineiro” (2006), feito a partir do conto ficcionado de John Le Carré, cujo argumento se passa em torno das multinacionais farmacêuticas que corrompem governos e tiram partido das miseráveis condições de vida das populações em África para levarem a cabo experiências de teste com fármacos e finalmente não hesitam em recorrer a assassinatos para encobrir o negócio ilícito, lembramo-nos de 3 principios que quaisquer propósitos mais ou menos secretos devem perseguir para obter os resultados de marketing esperados:
1) criar o problema, 2) espalhar o pânico 3) oferecer a solução – é este o modus operandi, que no caso da presente pandemia já está actualmente na fase 3.

Há uns meses atrás já os Media “panicavam” com as previsões de 100 mil casos por dia na aldeia global durante o mês de Agosto e com a notícia que a CIA em conjunto com as autoridades civis tinham encomendado uma quantidade anormal de caixões de plástico para sepultar milhões de vítimas da pandemia entre doentes infectados internados e isolados compulsivamente em campos de concentração (ver FEMA REX84). Mais ou menos completada a fase 2 rapidamente apareceu a “oferta de solução”, isto é, a fase 3.
Para voltar à origem do problema basta seguir a pista do dinheiro: quem paga e quem obterá lucros fabulosos com as vítimas da pandemia em todo o mundo? - A administração Obama destinou de imediato 5,1 milhões de dólares para contratar um programa de vacinas com a AVI BioPharma, apenas um entre muitos outros contratos que atingem biliões, com companhias como a Baxter (que quando foi da pandemia da gripe das aves produziu logo vacinas infectadas com o vírus, para adiantar serviço); ou de como com estes programas um dos gestores do ramo enriqueceu com 29 milhões de comissões pela venda de quotas de mercado para esses futuros remédios a patentear. A comissária europeia Androulla Vassiliou esteve o mês passado em Lisboa para anunciar que os ministros da Saúde se reuniriam em Portugal no próximo mês de Outubro para tratar do programa de vacinação que incidirá prioritariamente nos grupos de risco (que só na Europa, entre grávidas, obesos, doentes pulmonares e diabéticos, representam 60 milhões de pessoas). No dia a seguir à visita o Governo português anunciou uma verba de 45 milhões de euros para aquisição de vacinas para prevenir a gripe H1N1 que vai chegar com o Inverno.
A mesa está posta e o negócio dos laboratórios está servido: milhões de vacinas estão prontas para ser consumidas na União Europeia e nos EUA (onde existe maior poder de compra), enquanto a directora-geral da OMS foi apelidada de fascista quando alvitrou para responsáveis da América Latina que a oferta destes medicamentos está condicionada pelas forças de mercado.

Jacinto Rego de Almeida, (no JL 17Junho, pag. 42) no artigo “Omissão e Cinismo” explica exemplarmente como “a divulgação da gripe mexicana (depois dita A) tem sido levada à opinião pública mundial no quadro de uma lógica determinada pelo capitalismo contemporâneo e da falência da crítica da sociedade ligada aos grandes negócios internacionais”. E assaca responsabilidades às explorações industriais de suinicultura geridas pela Smithfields Foods nas Granjas Caroll em LaGloria, o local onde a pandemia teria tido inicio em Abril. “Relato exemplar”, mas que continua omisso, e a omissão faz escola. Adrian Gibbs, um cientista australiano que se está a tornar famoso pela entrada no negócio da descoberta de vacinas explica que “o virus nasceu num laboratório e saltou para os porcos, em resultado de qualquer erro, ao qual nem se pôs a hipótese de ser investigado” – seria melhor que investigassem, principiando pela notícia do Washington Post que dava conta que um mês antes da aparição do 1º caso que converteu em herói mediático o pequeno mexicano Edgar Hernandez em LaGloria, foi detectado um caso no sul da Califórnia, a que as autoridades sanitárias não souberam dar resposta, mas cujo paciente foi enviado para o Centro de Investigações de Saúde da Armada em San Diego, que “por coincidência” trabalhava nessa altura num programa de ensaios clínicos sobre virus em testes de 30 minutos de recolha de amostras em pessoas. O virus que no mês seguinte mataria pelo menos 12 pessoas no México tinha a mesma estrutura genética do caso descoberto na Califórnia. Sabendo-se das tradições de guerra bacteriológica com origem militar em Fort Detrick (Maryland) e Fort Dix (New Jersey), coloca-se uma pergunta desnecessária: será a gripe A-H1N1 ¿made in USA?
(continua amanhã)
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domingo, julho 26, 2009

"sem apontar o dedo a ninguém",,,

a forma como se dão as notícias, para formatar uma opinião pública ingénua, é indecorosa. (ampliar a noticia do "Público")

as Ruinas de Babilónia

Investigadores a trabalhar para as agências culturais das Nações Unidas afirmaram que os soldados norte americanos que invadiram e ocuparam o Iraque causaram danos consideráveis num dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, as ruínas de Babilónia.
A Unesco entretanto tomou a decisão de declarar o sítio da antiga Babilónia Património da Humanidade, a fim de tentar prevenir vandalismos similares em futuras guerras.
As ruínas da antiga Bagdade, fundada pelo califa abássida Al-Mansur 90 quilómetros a sul da actual cidade, são consideradas uma das 7 maravilhas do Mundo, e têm mais de 4.000 anos. Logo após a invasão pelas forças dos Estados Unidos, o sítio foi saqueado e convertido na base militar “Camp Alpha” de onde continuaram a desaparecer grandes quantidades de antiguidades, umas para serem negociadas, outras como souvenirs surripiados pela soldadesca, havendo ainda danos incalculáveis pela passagem de veículos pesados por montes e vales da região por cima de zonas de pavimentos sensíveis, que outrora foram sagrados.
Algumas peças têm entretanto vindo a aparecer em antiquários ocidentais provenientes do comércio ilícito. Entre elas 69 peças foram entregues pela Holanda ao actual embaixador do Iraque – “são peças que não têm valor de compra ou venda” disse o ministro da ciência holandês Ronald Plasterk, enquanto devolvia um fragmento proveniente do berço da civilização entre os rios Tigre e Eufrates (a Mespotamia), com uma inscrição do Rei Nebuchadnezzar datada de 570 A.C. (fonte dos dados actuais)

O curioso é que as ruinas que aparecem na fotografia são já resultado de um trabalho de reconstrução que tinha vindo a ser levado a cabo pelo regime de Saddam Hussein. Na verdade o saque da Mesopotamia começou bem mais cedo. A partir do século XIX arqueólogos e exploradores alemães desmontaram secções inteiras das Portas de Ishtar do antigo reino Assírio, empacotaram-nas, transportaram-nas e remontaram-nas em Berlim no Museu Pergamon, onde ainda se encontram expostas.













sábado, julho 25, 2009

da mundividência dos nossos patrões

“Se não existissem estes activistas anti-globalização como é que nós sabíamos quem são os nossos verdadeiros patrões?” (p/e o Grupo Bilberberg para onde foram convidados nestes últimos anos José Sócrates, Santana Lopes, António Costa, Rui Rio, Ferreira Leite e Aguiar Branco) – esta pode ser uma frase (de Manolo Herédia num post anterior) que de certo maneira desvirtua os movimentos de contestação à (des)ordem estabelecida pela globalização neoliberal. Tem razão, porque de certo modo, a maior parte destes activistas apenas contribuem, trabalhadas que são as suas acções pelo Poder, para incutir nas opiniões públicas a repulsa por aqueles que pretender subverter ainda mais a ordem que já foi subvertida. Existem casos de indivíduos ou grupos que são até contratados para provocar acções violentas com a finalidade de legitimar as medidas adversas que o Poder pretende tomar – e isto conduz-nos à necessidade de cada individuo constituinte da maioria com interesses comuns se inscrever num sindicato de activistas anti globalização neoliberal, não fosse a compreensão desses interesses da sociedade estar inquinada – o que nos coloca perante o problema universal colocado na Cacânia de “o Homem sem Qualidades” de Robert Edler von Musil, um louco consciente que imaginou toda a plenitude filosófica do século XX, para lá do nazismo:

“Hoje são tudo ruínas! tudo se encontra dissolvido, em ponto morto. Um abismo sem fundo da inteligência. Ninguém sabe o que é o poder de uma alma inteira, aquilo a que Goethe chama “a personalidade”: “este belo conceito de poder e de limite, de arbitrário e de lei, de liberdade e de medida, de ordem móbil” (…) os indivíduos prisioneiros da sua parca compreensão não percebem que “hoje nada é estável. Tudo está sujeito a mudança, tudo é apenas um conjunto, estes fazendo parte de um superconjunto acerca do qual, no entanto, ninguém sabe nada. De modo que cada uma das suas respostas é apenas um fragmento de resposta, cada um dos sentimentos de cada indivíduo é apenas um ponto de vista, e o que lhe importa para ele numa coisa não é aquilo que ela é, mas sim a sua maneira de ser, que é acessória, uma adição qualquer
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sexta-feira, julho 24, 2009

afinal em que é que ficamos?

spin

"Estar-se desempregado durante semanas já é mau quanto baste; durante meses ou anos é bem pior. No entanto, é exactamente o que vai acontecer a milhões de norte-americanos se a média das previsões estiver certa"
Paul Krugman, Prémio Nobel de Economia, "no jornal I", 17/7/2009

relacionado:
Juan Torres López: "Crise financeira: uma confluência fatal de fracassos"
onde se diz que "também a esquerda fracassou"; como se esta "esquerda" que tem visibilidade nos Media não fizesse parte do sistema,,,

esquerda&direita

quinta-feira, julho 23, 2009

e já agora, Cavaco

jornalismo de investigação

anda por aí um texto de opinião a correr na internet sobre os negócios financeiros da família Cavaco. Seria interessante que a Comunicação Social aclarasse esta questão "fracturante". Uma coisa é certa, a filha de Cavaco Silva mais ou menos no fim da recolha de proventos mandou às urtigas a gestão da farmácia de que era proprietária na urbanização Nova Campolide em Lisboa (e na qual tinha exercido actividade profissional desde que se formou). Sabendo-se que este ramo de negócios, porque beneficia das quotas de exclusividade por área populacional, é um dos mais lucrativos, é caso para reciclar o antigo provérbio popular: “quem sabe ser caixeiro fecha a loja

aqui fica o texto integral, conforme foi recebido por email:

“…tenho umas perguntas a sugerir à nossa prestimosa comunicação social, que anda sempre com falta de assuntos e é muito distraída, sobretudo nesta altura em que o Sr Presidente da Républica resolveu ter assomos de ética pública :
1ª - A quem é que Cavaco e a filha compraram, em 2001, 254 mil acções da SLN, grupo detentor do BPN? o PR disse há tempos, em comunicado, que nunca tinha comprado nada ao BPN, mas «esqueceu-se» de mencionar a SLN, ou seja, o grupo que detinha o Banco. Como as acções da SLN não eram transaccionadas na bolsa, a quem é que Cavaco as comprou? À própria SLN? A algum accionista? Qual accionista? (Sobre este ponto, ver adiante.)

2 ª- Outra pergunta que não me sai da cachimónia: Como é que foi fixado o preço de 1 euro por acção? Atiraram moeda ao ar? Consultaram a bruxa? Recorreram a alguma firma especializada? Curiosamente, a transacção foi feita quando o BPN já cheirava a esturro, quando o Banco de Portugal já «andava em cima do BPN», ao ponto de Dias Loureiro (amigo dilecto de Cavaco e presidente do Congresso do PSD), ter ido, aliás desaconselhado por Oliveira e Costa, reclamar junto de António Marta, como este próprio afirmou e Oliveira e Costa confirmou.

3ª - Outra pergunta: Cavaco pagou? E se pagou, fê-lo por transferência bancária, por cheque ou em cash? É importante saber se há rasto disso. Passaram dois anos. Em carta de 2003 à SLN, Cavaco alegadamente «ordenou» a venda das suas acções, no que foi imitado pela filha. Da venda resultaram 72 mil contos de mais valias para ambos. Presumo que essas mais valias foram atempadamente declaradas ao fisco e que os respectivos impostos foram pagos. Tomo isso como certo, nem seria de esperar outra coisa. Uma coisa me faz aqui comichão nas meninges. Cavaco não podia «ordenar» a venda das acções (como disse atrás, não transaccionáveis na bolsa), mas apenas dizer que lhe apetecia vendê-las, se calhasse aparecer algum comprador para elas. A liquidez dessas «poupanças» de Cavaco era, com efeito, praticamente nula. Mas não é que apareceu prontamente um comprador, milagrosamente, disposto a pagar 1 euro e 40 cêntimos de mais valia por cada acção detida pela família Cavaco, quando as acções nem cotação tinham no mercado. E quem foi o benemérito comprador, quem foi? Com muito gosto esclareço, foi uma empresa chamada SLN Valor, o maior accionista da SLN.
Cita-se o Expresso online:
«Cavaco Silva e a filha deram ordem de venda das suas acções, em cartas separadas endereçadas ao então presidente da administração da SLN, José Oliveira Costa. Este determinou que as 255.018 acções detidas por ambos fossem vendidas à SLN Valor, a maior accionista da SLN, na qual participam os maiores accionistas individuais desta empresa, entre os quais o próprio Oliveira Costa.» Ou seja, Oliveira e Costa praticamente ofereceu de mão beijada 72 mil contos de mais-valias à família Cavaco. E se foi Oliveira e Costa também a fixar o preço inicial de compra por Cavaco, então a coisa é perfeitamente clara. Que terá acontecido entre 2001 e 2003 para as acções de uma empresa que andava a ser importunada pelo Banco de Portugal terem «valorizado» 40 %?

Falta, neste ponto, esclarecer várias coisas, a primeira das quais já vem de trás:
1. a quem comprou Cavaco e a filha as acções?
2. terá sido à própria SLN Valor, que depois as recomprou?
3. porque decidiu Cavaco vendê-las? Não tendo elas cotação no mercado, Cavaco não podia a priori esperar realizar mais-valias.
4. terá tido algum palpite, vindo do interior do universo SLN, só amigos e correligionários, para que vendesse, antes que a coisa fosse por água abaixo?
5. terá sido cheiro a esturro no nariz de Cavaco? Isso é que era bom saber!
6. porque quis a SLN Valor (re)comprar aquelas acções? Tinha poucas?
7. como fixou a SLN valor o preço de compra, com uma taxa de lucro bruto para o vendedor de 40% em dois anos, a lembrar as taxas praticadas pela banqueira do povo D. Branca?
Por hoje não tenho mais sugestões de perguntas à comunicação social.
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quarta-feira, julho 22, 2009

mais um homem do Presidente

Arlindo de Carvalho, ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva, é (mais um) suspeito de ter participado em negócios fictícios, burla por contas bancárias a descoberto e fuga ao fisco. Os activos imobiliários da holding estatal Investimentos e Participações Empresariais (IPE) foi extinta em 2002 por decisão da ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite e os activos foram parar às mãos duma sociedade gerida por Arlindo de Carvalho e pulverizada em sociedades com outros empresários, que utilizaram as novas empresas, cerca de uma dezena, para negócios ficticios para encobrir prejuizos do grupo SLN/BPN. A compra da participação da Sociedade Geral do IPE supostamente adquirida por 36 milhões de euros através de uma operação de "management buy out" foi feita com créditos provenientes do BPN - créditos não pagos que entretanto se integraram no buraco financeiro de mais de 2 mil milhões de euros do Banco do regime cavaquista e que agora são pagos pelo dinheiro dos contribuintes do Estado presidido por Cavaco Silva. Complexo?

é um modelo de desenvolvimento importado directamente da fonte

terça-feira, julho 21, 2009

Os seis meses de Obama e a reflexão de Amin Maalouf

"Fixem-se naquilo que nós fazemos, não naquilo que dizemos!" foi uma famosa frase de Nixon, que parodiava as técnicas de contra- informação. Continua plena de actualidade.

«Na Conferência que pronunciou em Lisboa o escritor Amin Maalouf fez uma apologia apaixonada do actual Presidente dos EUA. «Essa pessoa – afirmou – também nos representa». Numa entrevista ao Público expressou a convicção de que o futuro da humanidade, quase a sua sobrevivência, depende do êxito da estratégia de Barak Obama. O eventual fracasso do presidente, na sua opinião, «seria uma tragédia para a América, para o Ocidente e para o Mundo»

"Em tempos de crise, a ideia do salvador que liberte os homens do sofrimento acompanhou a humanidade ao longo de toda a sua existência. Essa ideia errada que a história sempre desmentiu, foi agora defendida em Lisboa por Amin Maalouf, elevando Obama à categoria de Messias. Mas basta acompanhar no seu percurso sinuoso a lenta marcha do grande rio da História para se compreender que as grandes transformações que contribuíram para o progresso da humanidade não resultaram da intervenção de salvadores providenciais”
Miguel Urbano Rodrigues, em "O Diário"

* Os EUA gastam 100 milhões de dólares por dia na guerra do Afeganistão e mais 7 milhões na sua reconstrução - são recursos ocultos que financiam razões ocultas.
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segunda-feira, julho 20, 2009

Uma Segunda Juventude (II)

o holocausto, segundo Mircea Eliade

“(...) como toda a gente sabe, sei o que nos espera: a bomba de hidrogénio e tudo o resto. Mas, ao contrário dos outros, eu tento encontrar um sentido para esta catástrofe eminente e tento aceitá-la, como nos ensina o bom velho Hegel.

No seguimento das guerras nucleares que vão ocorrer, várias civilizações, a começar pela civilização ocidental, serão destruídas. Estas catástrofes provocarão necessariamente uma vaga de pessimismo como a humanidade jamais conheceu, um desalento geral. Mesmo que os sobreviventes não cedam à tentação de se suicidarem, pouquíssimos conservarão vitalidade suficiente para esperar ainda algo do homem, para esperar uma humanidade superior à espécie Homo sapiens. Descobertas e decifradas então, estas confissões poderiam contrabalançar o desespero e a vontade universal de extinção. Apenas porque ilustram as possibilidades mentais de uma humanidade chamada a nascer num futuro longinquo (...)

O verdadeiro sentido do cataclismo nuclear só pode ser um: a mutação da espécie humana, a aparição do super homem. As guerras atómicas, tenho a certeza, aniquilarão povos e civilizações, transformarão num deserto uma parte do nosso planeta. Mas esse é o preço que temos de pagar para liquidar radicalmente o passado e forçar a mutação, ou seja, a aparição de uma espécie infinitamente superior ao homem de hoje. Só uma enorme quantidade de energia eléctrica, descarregada em algumas horas ou alguns minutos, poderá modificar a estrutura psico-mental deste infeliz Homo sapiens que dominou a história até aqui. Dadas as possibilidades ilimitadas do homem pós-histórico, a reconstrução de uma civilização planetária poderá realizar-se num tempo recorde. Evidentemente, apenas alguns milhões de indivíduos sobreviverão. Mas eles representarão alguns milhões de super-homens. Eis porque utilizo a expressão escatalogia da electricidade: tanto o fim como a salvação do homem ficarão a dever-se à electricidade.
- Mas porque é que tem tanta certeza de que a electricidade descarregada pelas explosões nucleares provocará uma mutação progressiva? Poderá igualmente determinar uma regressão da espécie.
- Não tenho a certeza, mas quero crer que será assim. De outro modo, nem a vida nem a história do homem teriam um sentido”

clique na imagem para ampliar

* as coisas parecem não estar a ficar boas para a Humanidade: "o Pentágono está a trabalhar num projecto de robots que comem carne, por exemplo, de cadáveres - isto pode vir a ser uma combinação da mecânica do século XIX com a tecnologia do século XXI, misturadas com o filme de terror do século XX"
(saber mais aqui)

* "da II Guerra à III Grande Guerra, a remilitarização da Alemanha"
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domingo, julho 19, 2009

Walter Cronkite RIP

Morreu aos 92 anos o pivot de televisão que fazia o mundo inteiro acreditar que tudo o que dizia eram factos. Deixa um lugar cativo vazio na "Comissão Trilateral" na quinta de Bohemian Grove, Califórnia, onde se iniciam em ritos satânicos os decisores que influenciam por sua vez outros "spin doctors" de mais baixa estirpe, tais como as individualidades do CFR designados pelo Complexo Industrial Militar e os convidados do Grupo Bilberberg.
Para além de Cronkite (na foto mascarado para um dos ritos de iniciação de novos participantes), temos por ordem de antiguidade alguns dos notáveis ainda em exercicio pleno de "tráfico de influências": David Rockefeller Sr., o filho Junior e outros familiares, Henry Kissinger, George Herbert W. Bush, Paul Pelosi, Colin Powell, Kenneth Starr, James Woolsey, Donald Rumsfeld, Riley Bechtel (da famosa Bechtel Corporation), e mais, muitos mais,,, (Ver os protestos à entrada da conferência deste ano)
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sábado, julho 18, 2009

Michelle

São conhecidas as peripécias de novo riquismo da primeira dama angolana Ana Paula Santos quando se desloca ao Rio de Janeiro, ou a outras cidades, no avião privado da presidência e fecha o centro comercial para poder efectuar as luxuosas compras em segurança. Quem pensa que isto é coisa de cacique africano corrupto imune à miséria circundante, engana-se, (ou acerta, depende do ponto de vista). Na verdade na recente viagem à Europa do presidente Barrack Obama, enquanto este seguiu para os compromissos oficiais (salvo erro no Egipto, para a famosa arenga da conciliação das civilizações), Michelle Obama e as duas catraias resolveram tirar mais uns dias de férias e permaneceram em Londres, juntamente com um Boeing 757 para um tour aéreo sobre a cidade e uma esquadra de viaturas blindadas e respectivas equipas de seguranças armados; que encerraram um quarteirão no xiquérrimo bairro de Mayfair quando Michelle, Malia e Sacha resolveram ir lanchar a um desses pubs da moda.

Entretanto, tudo isto se passa enquanto milhões de norte americanos perderam os empregos e nem sequer terão hipóteses de sair de casa nas férias de verão - e sabemos que, muitos de vós são os executivos a quem no passado mês de Fevereiro Obama admoestou – para que não gastassem dinheiro em coisas supérfluas: “Vocês não podem andar de jactos privados das corporações, não podem tirar fins de semana para ir jogar a Las Vegas, nem ir à inauguração do Super Bowl com um cêntimo que seja do dinheiro dos contribuintes
Peace brothers! Para armar aos cucos Malia usa uma camiseta com o simbolo da paz

sexta-feira, julho 17, 2009

a Angola do Zedu

400 anos de colonização, 13 anos de guerra de libertação colonial e 30 anos de guerra civil - tudo isto para que por fim, Angola uma das maiores riquezas do mundo em recursos naturais, tivesse acabado exausta na mais tenebrosa dependência económica dos mesmos interesses ocidentais de sempre. São aliás estes, os que historicamente sempre levaram os ditadores africanos ao colo em nome da corrupta e abjecta riqueza da clique dirigente. Desde os tempos em que os régulos do litoral luandense enriqueciam a vender escravos que estes sempre foram os maiores carrascos dos seus povos e os melhores amigos daqueles que os escravizam e exploram. No essencial, a Luanda de hoje não mudou nada desde 1648
















"O que Dos Santos disse ao Mundo", no blogue Pitigrili, 11 de Julho de 2009:

"(...) no âmbito do financiamento da Balança de Pagamentos, gostaríamos de solicitar também renegociações da dívida externa com o Clube de Paris, que constitui um pesado ónus para muito dos nossos países e que seja garantido o princípio da concessão de uma moratória longa no pagamento do capital e juros dessa dívida.
No caso do meu país, por exemplo, este encargo financeiro faz com que a conta de capitais da Balança de Pagamentos fique num défice estimado em um bilião e quatrocentos milhões de dólares, o que contribui para que o seu défice final chegue a quase 6 mil milhões de dólares.

Tendo em conta o agravamento recente dos efeitos da crise, seria de grande ajuda para Angola se os países do G-8 membros do Clube de Paris pudessem concordar com uma derrogação dos prazos de pagamento do remanescente do pagamento de juros de mora, no valor de USD 600 milhões, previstos para o segundo semestre deste ano, até que fosse superada a fase mais crítica e a recuperação económica pudesse ter lugar.
No capítulo das parcerias público-privadas, faria sentido que o FMI e os representantes das instituições financeiras acima referidas definissem, em discussões separadas, com os órgãos dirigentes das cinco sub-regiões africanas de desenvolvimento, estratégias de apoio ao desenvolvimento baseadas em financiamentos concessionais destinados ao sector público para a reconstrução e construção de infra-estruturas e em financiamentos para o sector privado com

vista à criação de capacidades locais de produção de bens e serviços, fomentado deste modo o surgimento de micro, pequenas e médias empresas com viabilidade económica, gerando emprego e riqueza"

podiam, podiam ...

"
Estas estratégias (com a garantia de qualidade do pai da pátria) podem contemplar igualmente programas de assistência com vista ao aperfeiçoamento da Administração e gestão das Finanças Públicas e apoio ao esforço dos Estados no combate à corrupção e ao desvio de fundos públicos (...)" (texto completo aqui)

do principio da Dívida

quinta-feira, julho 16, 2009

Qual a missão dos soldados portugueses no Afeganistão?

"Para Severiano Teixeira as bombas de Obama são completamente diferentes das de Bush!!!" (no Vigia)

Ninguém sabe, pelo menos entre os portugueses, porque tão decisivo assunto nunca foi presente a votação no Parlamento. Tão pouco se sabe como estas missões são financiadas, uma vez que, com a subida à presidência de Cavaco Silva o orçamento decidido pela NATO, foi desanexado do nosso orçamento geral do Estado. Neste caso estamos como nos off-shores, ninguém sabe ao certo quem tem o dinheiro e o que é decidido em favor de quê. Um coisa podem ter como certa os governantes nacionais: correm o risco de conotação com vulgares criminosos de delito comum. Como por exemplo, com o ex-vice-presidente Dick Cheney que manteve desde 2001 um programa secreto de assassinatos selectivos que funcionou (funciona?) pelo mundo inteiro. Karl Rove, o assessor que se celebrizou pelo cognome de "Os Miolos do Bush" (e por extensão de todos os decisores portugueses subservientes das imposições da NATO) à laia de desculpa sempre foi dizendo que "É muito perigoso dar este tipo de informações ao Congresso" (e por extensão, muito menos por cá, ao insignificante Parlamento português) - eis como funciona a guerra secreta contra "o terrorismo" onde todos estamos envolvidos à força - e o respeito que esta canalha tem pelos "orgãos de representação democráticos".

da natureza das missões:

Começou em Londres um inquérito público sobre o caso do iraquiano detido e levado sob prisão pelas tropas britânicas em 2003. Baha Mousa foi preso pelos soldados em Bassorá e morreu 36 horas depois, tendo-se descoberto que tinha mais de 90 ferimentos no corpo. (ver vídeo)

É o costume; a nossa guerra colonial também está cheia de episódios deste género de “heróicos mortos em combate” - a Aljazeera obteve testemunhos que reportam que as tropas norte americanas bombardearam uma das suas próprias bases, causando inúmeros feridos e 3 mortos, cujas causas foram depois atribuídas a ataques dos talibans (ver vídeo)

Atascado num lamaçal do mesmo género do Vietname, o imperialismo não olha a meios: a CIA tinha (tem e terá, enquanto a organização não for extinta) um programa clandestino de assassinato de lideres de regimes de oposição (como com Fidel Castro quando não existia ainda a "AlQaeda"). Afinal a prática norte americana já é antiga. Teve inicio na década de 50 logo após o fim da guerra, com o exterminio dos quadros do Partido Comunista das Filipinas que se tinham rebelado desde 1942 contra a ocupação japonesa e granjeado enorme prestígio popular. O episódio ficou conhecido como "a rebelião dos Huks"

ps: a saga continua. Para levar em conta as intenções de mais um agente

* Honduras: "seguindo a pista do dinheiro que pagou o golpe"
(ler mais)

* "a CIA é suspeita no assassinato da lider da oposição paquistanesa Benazir Bhutto"

* Não depende dos 2 partidos, mas do Complexo Industrial-Militar - "A memória selectiva dos Democratas sobre os assassinatos: Clinton consentiu-os e Obama também consentirá que se façam"
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quarta-feira, julho 15, 2009

Deus como Paciente

... "a cólera não se pode explicar, existe. E a maneira como eles falam do mundo parece-nos muito próxima da Paris do Conde de Lautréamont no século XIX"

“Queira o céu que o leitor, tornado audaz e momentaneamente feroz à semelhança do que lê, encontre, sem se desorientar, o seu caminho abrupto e selvagem através dos lodaçais desolados destas páginas sombrias e cheias de veneno; pois que, a não ser que utilize na sua leitura uma lógica rigorosa e uma tensão de espírito pelo menos igual à sua desconfiança, as emanações mortais deste livro irão embeber-lhe a alma, como a água no açúcar”
Isidore Ducasse, citado na peça Deus como Paciente no Festival de Teatro de Almada por Matthias Langhoff: “foi nas escadarias de mármore da Comédie Française que comecei a ter pesadelos. Para chegar ao luxuoso mundo de Racine e Moliére eu era diariamente obrigado a passar por um bando de pobres sem abrigo que dormiam debaixo das arcadas que, na incoerência do seu discurso alcoolizado, diziam sempre a verdade. Enquanto a gente se divertia, eles esvaziavam sem parar os caixotes do lixo e controlavam tudo o que as pessoas deitavam fora, à procura de qualquer coisa que pudessem meter ao bolso para se alimentarem.. Compreendi então que o mundo é um lugar terrível. Estes são os contrastes de uma miséria muito contemporânea, como os evocados nos terríveis Cantos de Maldoror. Enquanto a injustiça mantiver o nosso mundo no escândalo, não posso mudar de assunto” (…) Hoje a catástrofe que está diante de nós chega-nos direitinha do outro lado do Atlântico (…)”

Três actores “embarcam” em palco e passam por uma galáxia de anjos, prostitutas, vagabundos, loucos, artistas de cabaré e marinheiros, sempre estáticos num quarto atamancado que na medida que a vida se degrada se vai lentamente convertendo cada vez mais na ruína de um navio por entre o estrondo das vagas no alto mar – “nunca me lembrei sequer em ter a curiosidade de visitar os andares lá em baixo” lamenta-se a puta, por entre um desses vulgares apagões de consciência, agora que o compartimento foi irreversivelmente invadido pela água que jorra provocando o naufrágio eminente,,,
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terça-feira, julho 14, 2009

ArnoldBucks & California Dream

Do sonho de Estado paradisíaco onde brilha o Sol (segundo Cavaco Silva, que jurou conduzir Portugal ao mesmo destino) até ao Estado falido do subprime

Nas últimas danças da saga do endividamento, o Citigroup, o Wells Fargo e o J.P.Morgan Chase receberam ajudas de 25 mil milhões de dólares, cada um, provenientes dos contribuintes. Todos eles e por fim o Bank of America, que recebeu 15 mil milhões, recusaram agora ao Estado da Califórnia o financiamento requerido para enfrentar a maré até ao próximo mês de Outubro. Há Crise no espectáculo politico. E pronto, como previsivel, “O Governator" (ver o vídeo)deixou de poder pagar as contas do Estado a que preside.

Depois do imobiliário, da banca, das seguradoras, dos elos mais fracos perante o endividamento como a Islândia e os Estados párias, eis o primeiro caso de falência num Estado do centro capitalista.
A Califórnia declarou o estado de emergência fiscal, atrasou as devoluções de impostos 30 dias, (até ver), e como as notas de dólar (“bucks” na gíria yankee) têm tido como destino as ajudas aos bancos, declarou que vai passar a pagar salários a funcionários e contas correntes com papéis impressos pelo Estado, (como as nossas bem mais que conhecidas e protestadas letras comerciais) – os “IOU” (I-Owe-yoU, traduzido livremente, “Eu Tenho-te a Ti”, o Estado :-) e recebê-los deve ser actualmente a melhor maneira de aspirar garantir que alguma vez o dinheiro possa ser recebido.

Efectivamente a Califórnia, por si só a 8ª economia do mundo, (que representa 12 por cento do total da economia e o Estado de maior nível de consumo nos EUA) enfrenta um défice de 42 biliões de dólares e precisa para pagamentos em dinheiro a curto prazo de 24 biliões. As receitas fiscais no último ano caíram 13 por cento dos 89 milhões do orçamento geral previsto para 2008, e agora o grande herói republicano Arnold Schwarzenegger não terá outra forma de gerir a bancarrota senão fazer as malas e sair de bazooka às costas pela porta das traseiras como se não fosse nada com ele. (À nossa escala caseira, é um belo exemplo de pedro-santana-lopismo).

"A crise nacional por ora obnubilada pelo contexto internacional, vai ressurgir e, porventura, ressurgir de forma agravada"
Luís Campos e Cunha, em "O Pós-Crise", no "Público"
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segunda-feira, julho 13, 2009

O Império de Bases Militares dos Estados Unidos

Honduras, Irão, Paquistão, Afeganistão e o efeito boomerang. James Petras: "Os recentes acontecimentos nas Honduras e no Irão, que enfrentam regimes eleitos democraticamente com actores civis e militares pró estado-unidenses decididos a derrubá-los, pode-se entender melhor como parte de uma estratégia mais ampla da Casa Branca cujos actuais ocupantes forma designados para fazer retroceder oa fracassos dos movimentos de oposição durante os anos Bush" (ler mais)

"Sendo, com o custo de US$102 mil milhões por ano, o mais caro empreendimento militar do mundo – ficou subitamente muito mais caro. Para começar, a 27 de Maio descobrimos que o Departamento de Estado construirá uma nova "embaixada" em Islamabad, Paquistão, que com o custo de US$736 milhões será a segunda mais cara de sempre, por apenas menos 4 milhões de dólares (se não houver derrapagem) que a erigida em Bagdad, com o mesmo tamanho da cidade do Vaticano. Também consta que o Departamento de Estado comprará o hotel de cinco estrelas Pearl Continental (com piscina incluída) em Peshawar, perto da fronteira com o Afeganistão, para ser utilizado como consulado e quartel-general do Estado-Maior americano.
Infelizmente para estes planos, a 9 de Junho militantes paquistaneses mandaram um camião cheio de explosivos contra o hotel, matando 18 ocupantes e ferindo 55, fazendo ainda colapsar uma ala inteira da estrutura. Não houve mais notícia sobre a possível compra por parte do Departamento de Estado".
(Chalmers Johnson, via Resistir)
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domingo, julho 12, 2009

o jornalista da Manchúria

É pouco higiénico seguir o prolixo director do jornal da Sonae no Twitter logo pela manhãzinha, porém de vez em quando sabe bem não lavar a ramela e mergulhar directo da cama para a imensidão do mar da desinformação. Olha o prazer do que se aprende:








Como boa explicação para os acontecimentos por detrás da violência em Xinjiang na China, a ligação remete-nos para um artigo de um membro da Human Rights Watch no New York Times, onde se explica que o povo Uigur, muito como o outro caso do povo do Tibete, tem uma cultura, uma história, religião e linguagem distintas do resto da China. Efectivamente “a colonização” efectiva de Xinjiang apenas começou em 1950 quando Pequim na sequência da Revolução comunista "ali instalou" o Exército de Libertação do Povo pondo fim à efémera "República do Turquestão Oriental", uma criação autocrática da burguesia local (feita à imagem da Manchúria ocupada pelos japoneses) no fim da IIGGuerra entre 1944-1949. Certo. Agora vamos ao que o funcionário JMF não quer explicar.

É por isso mesmo que Xinjiang (que em lingua chinesa significa “Nova Fronteira" designação atribuida pela dinastia Qing desde 1644) adquiriu agora o estatuto de Província Autónoma integrada na Republica dos Povos (Popular) da China (RPC). E apesar da etnia maioritária dos Han atingir apenas os 40 por cento da população, esta região continua a ser a de menor densidade populacional da China. E, em meio século os Uigures passaram de uma sociedade medieval das economicamente mais atrasadas regiões do mundo para o mesmo nível de desenvolvimento que conhecem actualmente todas as restantes etnias integradas por vontade soberana dos povos na República Popular da China.
Na última década começaram a surgir campanhas de desestabilização em Xinjiang reinvindicando a independência dos Uigures. Mas os actos de violência perpetrados na região, como é lógico segundo a doutrina da “guerra das religiões” e porque os autores são de religião muçulmana, têm sido integrados na “guerra global contra o terrorismo”.
Após o 11 de Setembro, como em inúmeros outros lados, os terroristas uigures têm sido presos, acusados e deportados, como no caso de Abdulghappar Turkistani que é um dos 17 muçulmanos chineses presos em Guantanamo durante 6 anos.

"Terrorismo" - um pau de dois bicos

Mas há uma outra face (como no Tibete) - a burguesia Uigur exilada de livre vontade na diáspora - cujo rosto é Rebiya Kadeer que segundo propangandeia o próprio jornal Público é uma antiga empresária de sucesso. “A líder da luta Uigur”, expressão usada na terminologia neocon é a fundadora do Congresso Mundial Uigur (WUC) que tem séde na Alemanha e, claro está, Rebiya Kadeer encontrou-se com Bush na Casa Branca em Julho de 2008 e a campanha de desestabilização e agitação tem vindo a crescer desde aí até descambar nos recentes sangrentos acontecimentos. Claro também que, perante as acusações do presidente Hu Jintao, a WUC nega qualquer envolvimento nos confrontos étnicos integrados no lunático plano de desmembramento da China com a finalidade de obter um regresso improvável à antiga (de)ordem tribal mongol que permita a exploração comercial da região em termos modernos pela oligarquia ocidental

a implantação centro-asiática étnica Uigur, que ultrapassa as fronteiras chinesas, é um dos factores que motivaram a China a prestar atenção ao projecto de interacção com a Rússia que agora emerge na forma da Organização de Cooperação de Shangai (OCS)

notas à margem:

* Voltando ao redil: "os EUA querem sacar Manuel Zelaya da órbita de Hugo Chávez"
* O Presidente interino das Honduras, Roberto Micheletti, sugeriu que o novo regime, não reconhecido internacionalmente, poderá conceder uma amnistia ao deposto Manuel Zelaya – forçado a abandonar o país, de pijama, sob a ameaça dos militares – se este "se entregar voluntariamente à Justiça"
* "Uma guerra colonial de conquista no Afeganistão"
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sábado, julho 11, 2009

Bernie Ecclestone o patrão que gere a fórmula1 há décadas manifestou-se politicamente a favor de soluções de governo autocráticas ("a tirania é o melhor sistema politico", disse). Já são dois no mesmo ramo, incluindo Max Mosley o colega mascarado de nazi em orgias com prostitutas. É estranho que, para quem é judeu e bilionário, renegue desta forma espectacular o negócio da vitimização pelo "holocausto" que tantos lucros tem dado desde que os confrades da tribo étnica judaico-financeira ganharam empatia com Adolf Hitler. Afinal pela conversa e pela dedicação à causa (e depois dos bolsos irreversivelmente cheios) parece que foi o ditador nazi a vítima,,,

notas à margem
* O capitalismo afinal não é o que lhes venderam: Dez paises do antigo campo socialista declaram-se em falência absoluta e pedem ajuda urgente ao FMI. Welcome, a organização não está cá para outra coisa; emprestar dinheiro a juros é o negócio da "crise" (ler aqui)

* sobre o carácter anti-social do capitalismo

* Fidel Castro sobre as Honduras: "Ou morre o golpe ou morrem as Constituições"

* "Igrejas e Mesquitas ameaçadas pela "judaização" de Jerusalem"
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sexta-feira, julho 10, 2009

o 11 de Setembro foi um “trabalho feito a partir de dentro”

o major General Stubblebine dos Serviços de Informações Militares dos EUA declarou num depoimento recente, repetindo o que tinha afirmado no documentário de 2006 "One Nation Under Siege", que de acordo com os vestígios provocados, uma aeronave Boeing 757 nunca poderia ter embatido no edifício do Pentágono e que foram usados explosivos para fazer cair as duas torres do World Trade Center (Centro Mundial de Comércio) no dia 11 de Setembro de 2001



Apesar dos sucessivos testemunhos que insistem em comprovar a tese do “inside job” a cadeia de televisão Fox News continua incólume no exercício da sua campanha de ataque à verdade (ver video)

alguém sabia?

É um mito muito difundido entre os meios da "teoria de conspiração" que um episódio dos Ficheiros Secretos tivesse previsto o 11 de Setembro. Mas não é um mito. É estranho que com toda a imensidão dos relatos sobre o 11 de Setembro, nenhum dos Media de referência tivesse depois noticiado que um dos mais populares programas de televisão antecipou o cenário apenas 6 meses antes do acontecimento, em Março de 2001. Uma das personagens explica detalhadamente o que iria acontecer e o seu interlocutor pergunta: “e tudo isso é acerca de incrementar a venda de armas?



O venerável investidor judeu George Soros tem vindo a infiltrar grupos passiveis de se interessarem por descobrir a verdade sobre o 11/9, através de operações do seu "Open Society Institute" assim como do "Soros Fund Management LLC", o qual é gerido pelo filho Jonathan Soros. Entre as maiores acções sobre esses grupos, Soros manobrou o Partido "Democrata" no sentido de afastar personalidades da ala Democrata não alinhadas (como Howard Dean, Bill Richardson e Caroline Kennedy) impedindo-as de aceder a cargos públicos nomeados pela Administração Obama. (fonte)
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quinta-feira, julho 09, 2009

o G8 e os pobres

conversa de preto amestrado para os lideres Africanos depois de séculos de saque: “Párem de culpar os brancos e o colonialismo pela “opressão ocidental”

o relatório Sanfona

Como Al Capone, Dias Loureiro tramou-se por problemas de dívidas ao Fisco relacionadas com negócios off-shore. Negar o quinhão devido ao grupo é um pecado mortal na ética cavalliere dos mafiosos.

o líder do CDS, (o mesmo do Porsche recuperado por Oliveira e Costa por crédito malparado) diz que irá requerer novo inquérito logo no inicio da próxima legislatura. Se a coligação neoconservadora, como previsível, vencer as eleições, lembremo-nos disto: o objectivo é tramar o PS que foi conivente com a negação da supervisão que falhou! Para eles fará todo o sentido correr com Vítor Constâncio e substitui-lo por um gestor da mesma área politica (um governo, um presidente, um governador), porém isso mudará alguma coisa na essência do Banco encarregado de gerir internamente os negócios do endividamento do país ao serviço da Banca internacional? Antes agrava,,,

seguro de si
Mais que um branqueamento do escândalo do BPN ou o encobrimento da supervisão do BdP, as conclusões do inquérito parlamentar são uma trapaça. Lá se afirma textualmente: “Quando há fraudes, sobretudo a alto nível, é muito difícil a sua desboberta

É um relatório “governamentalizado” que intenta proteger o facto que o BdP conhecia desde 2002 o tipo de “actuação levada a cabo por uma quase mafiosa rede de accionistas do Banco” (a expressão é do deputado Honório Novo) com origens no regime de impunidade bush-económica seguido pelo Partido do Presidente.
E diz-se de origem bushista, porque seguindo os mesmos trâmites do acordo de desregulamentação feito por Bush em 2004 com a Entidade Reguladora (FDIC, cujos escritórios tinham ficado destruídos na demolição do Edifício 7 do WTC) esta doutrina induzida no já de si desregulamentado sistema foi o farol de orientação para evitar a queda no buraco da falência. Sempre com a espada de Dâmocles suspensa sobre os decisores capitalistas – eles sobreviveram ao estouro da bolha da Nova Economia ponto.com no ano 2000 (o crash do Nasdaq gerido por Bernard Madoff) facto que determinou a execução do 11 de Setembro, e ao rebentamento da subsquente bolha do Imobiliário (2007-2008) – mas a partir daqui, do alastramento da “crise” à economia real, os horizontes são estreitos.

Para os gestores Neocons escaparem, em desespero de causa, só lhes resta declarar oficialmente a completa falta de vergonha na cara. É o passo que se tenta dar com este “inquérito”, senão atente-se numa cronologia aleatória de factos não mencionados:
- Já depois de “nacionalizados” os prejuízos, a nova gestão do BPN recusou a entrega de documentos à investigação com a desculpa do “sigilo bancário” e do “segredo de justiça”
- O forrobodó continua: o novo presidente do BPN nomeado pela CGD, Francisco Bandeira, faz igualmente parte da administração do grupo Visabeira, ao qual o banco concedeu agora novos e vultuosos créditos. Está sob investigação.

- Oliveira e Costa, ex-secretário de Estado da administração Fiscal de Cavaco Silva é nomeado “contabilista” de um banco formado por accionistas notáveis do regime, com a finalidade de actuarem sobre a bolha da globalização.
- Enquanto a especulação prosperou, os accionistas e o próprio Cavaco jogaram e ganharam. Saíram quando previram o rebentamento do esquema; e a partir daí Portugal inteiro é envolvido no pagamento dos prejuízos.

- Da natureza Neocon: o próprio majestoso edifício onde se negociou a instalação da séde do BPN foi construído por uma empresa do Grupo Carlyle de Frank Carlucci.
- Bens adquiridos ilicitamente e a complexidade da pirâmide: o BPN não tem valores penhoráveis e os dos accionistas estão salvaguardados. O banco tem um prejuízo de 1.880 milhões de euros pagos pelo Estado, mas é detido pela SLN (Sociedade Lusa de Negócios) que tem os activos distribuídos por diversas outras empresas, bens que são intocáveis. A SNL representa por sua vez apenas 31,5 por cento de outra sociedade, a SLN-Valor que tem apenas um capital social de 172,2 milhões. (números citados do Público)
Por fim, como corolário lógico, o elo mais fraco da cadeia alimentar, os trabalhadores bancários do BPN foram em romaria ao PR solicitar ajuda para as suas catástrofes pessoais. É o mesmo que ir ao Pulo do Lobo ensaiar mergulhos de cabeça para as rochas. Não se esqueçam de votar de novo em bloco nas rochas para um segundo mandato. Ao menos assim a podridão do esquema torna-se cada vez mais evidente, ao invés do que aconteceria com o discreto charme do apagamento "socialista" da corrupção.
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