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terça-feira, janeiro 28, 2014

Leninegrado, 70 anos depois da guerra..

a Mãe Rússia em Perigo
Depois da efeméride de ontem que comemorou a chegada do primeiro soldado soviético ao campo de concentração polaco de Auschwitz, num momento decisivo da 2ª Guerra Mundial o Exército Vermelho conseguiu finalmente romper o cerco das tropas Nazis a Leningrado que já durava havia praticamente três anos, expulsando os alemães que pretendiam rebaptizar a cidade de Adolfburgo (1). Foi o primeiro passo da Rússia liderada por José Estaline para uma caminhada que só terminaria triunfalmente em Berlim no mês de Maio. Foi em Leningrado e Estalingrado que o sacrifício incalculável e a heróica resistência do povo Soviético quebrou a retaguarda Nazi e garantiu a derrota do nazi- fascismo na Segunda Guerra Mundial.

O cerco Nazi de Leningrado foi um dos mais longos e mais destrutivos na história, o que causou a maior destruição e a maior perda de vidas que já se conheceram numa cidade moderna. Os 872 dias do cerco causaram uma fome sem precedentes na região de Leningrado através da ruptura das redes vitais de água, energia e alimentos. O cerco resultou na morte de cerca de 1 milhão e meio de soldados e civis e obrigou à evacuação de mais de 1 milhão e 400 mil habitantes, muitos dos quais morreram durante a retirada devido à desnutrição e aos bombardeamentos. 3200 edifícios residenciais, 9.000 casas de madeira, 840 fábricas e centrais eléctricas foram destruídos na cidade e nos arredores de Leningrado. Queimaram-se pilhas de livros para as pessoas não morrerem de frio, mataram-se todos os animais do jardim zoológico, os mais fracos, doentes e idosos morriam de inanição nas ruas, num cenário de horror chegaram a acontecer episódios de canibalismo. A destruição económica e as perdas humanas em Leningrado superaram as da Batalha de Estalingrado, a Batalha de Moscovo e os bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki todas juntas. Apesar das dificuldades provocadas pela destruição em massa, o povo de Leningrado não se rendeu e continuou heroicamente a resistir à tropa Nazi. Mais de um milhão de civis foram mobilizados para ajudar a construir fortificações (2).

A captura e destruição de Leningrado era um dos três objectivos estratégicos em que os nazis tinham delineado na "Operação Barbarossa", quando mais de 4 milhões de soldados alemães e alguns batalhões filandeses invadiram a URSS ao longo de uma frente de 1800 milhas, a maior invasão da história da guerra. O foco em Leningrado tinha como principal motivação "varrer o Comunismo da face da terra", visando destruir o estatuto político da antiga capital da Rússia e a capital simbólica da Revolução Russa, a sua importância militar e a importância industrial representada pelas numerosas fábricas de armamento (as quais, num esforço  sobre-humano foram desmontadas e transportadas estrategicamente para a retaguarda). O cerco nazi foi quebrado na sequência da Operação Iskra. Após ferozes batalhas as unidades do Exército Vermelho venceram as poderosas fortificações alemãs a 27 de Janeiro, expulsando as forças alemãs dos arredores a sul da cidade, rompendo o cerco. Só nessa sermana e meia morreram 115.000 soldados russos. A invasão alemã da União Soviética, em última análise, resultou em 95% de todas as vítimas do exército alemão de 1941 a 1944 e a 65 % de todas as baixas militares aliadas acumuladas durante a guerra.

vista aérea do monumento evocativo do cerco na actual São Peterburgo
notas
(1) Referido em "Sonderakte Barbarossa", de Lev Bezymenskiĭ
(2) Antes do cerco a cidade tinha 3 milhões de habitantes. Reduzida praticamente a metade, Leninegrado só voltaria a registar o mesmo nivel populacional na década de 60 (fonte)

3 comentários:

taawaciclos disse...

Olá xatoo!

Fica aqui a ligação para um documentário sobre este tema! Só não tem é legendas...

VOZ

xatoo disse...

Muito bom, ainda melhor para quem conhece a cidade, muito obrigado, já o passei para a frente do blogue

Telegraph Street disse...

Boa noite,

Isso é um artigo muito interessante mas tenho um pequeno comentário a fazer. O campo de concentração de Auschwitz não foi polaco mas alemão. Foram, na verdade, campos de concentração nazi instalado na Polónia ocupada pelos alemães. As expressões “campo de concentração alemão de Auschwitz" ou "campo de concentração de Auschwitz na Polónia ocupada pelos alemães” seriam mais corretas. Pede-se por isso o favor de se proceder à correcção do artigo.

Cumprimentos,

Anna-Jane